


Programa de incentivo ao transporte alternativo é dos mais aplaudidos na Conferência de Cidades Inovadoras
Entre as experiências apresentadas durante a Conferência Internacional de Cidades Inovadoras (CICI 2010), realizada em Curitiba (PR), de 10 a 13 de março, estavam casos das cidades de Bogotá (Colômbia), Londres (Inglaterra), Austin (Texas), Lyon (França), Chattanooga (USA), Santa Maria (RS), Maringá (PR), Monobamba (Peru), Belo Horizonte (MG), Campinas (SP) e Curitiba (PR).
Um dos exemplos mais aplaudidos foi o de incentivo à troca de transportes poluentes por bicicletas, em Bogotá. Segundo Oscar Dias, diretor do Instituto de Transporte e Politíca de Desenvolvimento, com sede em Nova York, todos os domingos a população é convidada a andar somente de bicicleta.
O resultado é a participação massiva da sociedade e a geração, até mesmo, de um “engarrafamento” de mais de 4 milhões de ciclistas na chamada “noite sem carros”.
Além da implantação de mais ciclovias, a cidade investiu na transformação de favelas em conjuntos habitacionais e promoveu mudanças no sistema de transporte coletivo.
“Nossa ideia de sistema de transporte público é que seja uma opção para toda a população, não só para pessoas pobres, como geralmente acontece, mas também para ricos, diminuindo a circulação de automóveis”, explica Dias.
Com o uso mais intenso das ciclovias, Bogotá chegou a reduzir a emissão de dois milhões de toneladas de carbono no ano passado. “Quando iniciamos com os programas na cidade, nosso objetivo era mais social que ambiental. Só depois percebemos a relação entre os dois objetivos, favorecendo o meio ambiente”, afirma o diretor.

Exemplo foi levado a São Paulo
O projeto teve tanto sucesso que serviu de modelo para o Movimento Nossa São Paulo. Entretanto, para Oded Grajew, fundador do Movimento e presidente emérito do Instituto Ethos, a falta de vontade política dos governantes e a perda da identidade local ainda são os principais fatores contra a sustentabilidade nas cidades.
“No Brasil, 80% do financiamento das campanhas eleitorais é feito com caixa dois. Quando eleitos, os políticos estão mais comprometidos com os financiadores, como as empreiteiras, que ganharam até R$ 2 bilhões para aumentar as marginais, do que com programas sustentáveis”, diz ele.
“Além do que, não existe no currículo escolar particularidades sobre a cidade, para que as crianças possam ser educadas e cresçam com consciência de onde vivem, e partir daí tenham vontade de cuidar daquilo que conhecem”, completa.
Fonte: www.delas.ig.com.br (Por Viviane Freitas)
