
Novo rumo às - BICICLETAS

PROJETO DE LEI APROVADO NA CÂMARA ESPERA A ASSINATURA DO PREFEITO PARA QUE ACERVO VOLTE A SER EXPOSTO EM JOINVILLE
Na semana passada, a Câmara de Vereadores aprovou projeto de lei que reconhece como entidade pública a Associação Bicicletas Antigas de Joinville . Agora, o texto segue para o prefeito Carlito Merss para avaliação e assinatura. Até o dia 15 de dezembro, o prefeito deve aprovar ou rejeitar o projeto.
A criação da associação era o primeiro passo que o ex-coordenador do Museu da Bicicleta (Mubi), Valter Bustos, tinha garantido dar para tentar acabar
com o impasse entre ele e a Fundação Cultural de Joinville (FCJ) e reabrir o Mubi.
“A atitude não é de simplesmente fechar. É que o espaço não erarealmente um museu. Faltavam critérios legais e normativos que devem ser seguidos para que ele pudesse ser considerado um museu”, explica Elizabete Tamanini, gerente de patrimônio da FCJ. Ela reforça que a fundação não quis, deliberadamente, fechar o local e que fez isso depois da queda do teto e por se tratar de uma coleção privada.
“Mais de 90% do acervo é dele (Valter Bustos). Ele usava um espaço público para expor sua coleção e, se mantivéssemos isso, teríamos de ter local e verba para todos os colecionadores da cidade, reivindicação que vínhamos recebendo. Portanto, é uma coleção privada, que o poder público não pode gerir. Não podemos usar dinheiro público para cuidar disso”, ressalta Elizabete.
Para Valter, a criação da Abajo resolve todos os problemas e coloca um fim na discussão de responsabilidade pelo museu.
“Vamos, com a associação, procurar meios e recursos paraencontrar um espaço físico e manutenção para o Mubi. Se a fundação e a Prefeitura quiserem ajudar, tudo bem. Mas mesmo que não se envolvam, o museu vai voltar a abrir”, garante Valter, que é diretor de comunicação da Abajo.
Silvestre Ferreira, presidente da FCJ, diz que o sistema municipal de incentivo à cultura está aberto para receber projetos. “Sendo uma associação, fica muito mais fácil para eles conseguirem manter o espaço”, diz.
Agerente de patrimônio acredita que a decisão da Abajo é acertada. “Esse é o caminho correto para a criação de um espaço de exposição de coleção.
Não é fácil criar e gerir um museu. É uma coisa que exige muito trabalho e pessoal para catalogar, limpar, manter, restaurar o acervo. Já a exposição de coleção é mais simples e quando feita por meio de uma associação fica, realmente, mais fácil conseguir recursos e patrocínios privados do que para uma pessoa física”, afirma.
A ideia deValter é encontrar um lugar para a associação, que deverá ser restaurado para receber as mais de cem bicicletas, que agora estão em salas da FCJ, conforme um contrato de comodato para a salvaguarda das peças feito entre Valter e a Fundação Cultural.
O local e a data para reabertura ainda são uma incógnita. “Não temos como dizer onde, quando e como funcionará. O que posso garantir é que não vamos cobrar entrada. Teremos de nos manter com os auxílios públicos que conseguirmos e com os patrocínios e parcerias privadas que formos fechando”, adianta Valter, reforçando que há um empresário da cidade interessado em ser parceiro do projeto.
Enquanto isso não ocorre, a fundação se prepara para catalogar as peças. “Faremos esse trabalho com pessoas da comissão de resolução do caso do Mubi. São integrantes da sociedade, o próprio Valter e técnicos da fundação. Esta triagem das peças é o começo para conseguirmos saber o que há, o que foi doado pela sociedade e o que é do Valter”, diz Elizabete. A data da triagem será definida com Valter nos próximos dias.
O presidente da Abajo, Laércio Batista, também integrante do Movimento Pedala Joinville, estava em viagem na sexta-feira e não pôde atender à reportagem para falar sobre a reabertura do Mubi e os objetivos da Abajo.
