Contador. A saga continua. Esqueça o bife, ele fez uma transfusão de sangue

Um dia antes a acusar clembuterol, o espanhol fez outros testes. Agora tinha restos de plástico no sangue e na urina.

A mentira tem pernas curtas. Alberto Contador esqueceu-se deste pormenor. O ciclista espanhol acusou positivo num teste realizado pelo controlo antidoping no dia anterior àquele em que lhe detectaram clembuterol na urina, ainda que em pequenas quantidades (na amostra foram encontrados apenas 50 picogramas, 400 vezes menos que a concentração que os laboratórios podem detectar). Contador culpou um bife, proveniente de Espanha, que comeu no dia 21 de Julho durante o Tour de França e alegou ter sido vítima de "comida contaminada" - um pedaço de carne que continha a substância usada para forçar o crescimento de animais destinados a consumo humano.

Mas agora a história é outra e bem mais rebuscada. No dia 20 do mesmo mês foi testado, pela primeira vez, um novo aparelho no controlo antidoping. A amostra recolhida nesse dia acusou a presença de um produto plastificante no sangue e na urina do ciclista espanhol. Um produto compatível com o plástico usado para guardar sangue para transfusões.

O rumor de que Contador possa ter feito uma transfusão sanguínea para melhorar o rendimento cresce a olhos vistos e desta vez vai ser muito mais difícil explicar o que realmente aconteceu. A World Anti-Doping Agency (WADA) recusa qualquer tipo de transfusões de sangue ou perfusões intravenosas, excepto em casos de emergência. O teste revelou ainda que a amostra continha oito vezes mais quantidade do químico acima mencionado que o mínimo para ser considerado doping. "Se um atleta tem um valor muito grande de plastificante na urina, será muito difícil encontrar uma explicação, a não ter-se injectado propositadamente com doping. Se o nível for baixo, é óbvio que a investigação será muito mais complicada; contudo, será sempre possível provar que o atleta usou doping para aumentar o rendimento", explica Francesco Botré, chefe da WADA, em declarações ao "The New York Times". Contudo, o novo aparelho ainda não foi homologado para investigações contra o uso de doping, e carece por isso de validade jurídica.

Bernhard Kohl, ciclista austríaco que acusou CERA durante o Tour de França de 2008, disse ser impossível ganhar um Tour de França sem recorrer ao doping (Contador ganhou três vezes, em 2007, 2009 e 2010), e acrescentou que a maioria dos ciclistas de topo depende de transfusões do seu próprio sangue. "Fui testado cerca de 200 vezes durante a minha carreira e metade dessas vezes tinha droga no meu corpo. Fui apanhado uma vez, nas outras 99 não", contou. "Os ciclistas pensam que podem escapar ao controlo de doping porque a maior parte das vezes é isso que acontece. Mesmo que haja um novo aparelho de controlo, não acredito que se sintam constrangidos e parem de o fazer". Para já, Jacinto Vidarte, o agente do espanhol, diz telefonicamente a todos que Contador está inocente.

Fonte: i Online

Revista Bicicleta
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