Milão-Sanremo

Milão-Sanremo ou Milão-San Remo, conhecida como la Classica di Primavera ("a Clássica da Primavera") ou la Classicissima é uma corrida anual de ciclismo de estrada entre as cidades deMilão e Sanremo. Esta é a mais longa corrida de um dia do ciclismo profissional percorrendo uma distância de 298 km. Sua primeira edição aconteceu em 1907 e foi vencida por Lucien Petit-Breton. Hoje ela faz parte das chamadas clássicas monumentais do ciclismo europeu juntamente com Ronde van VlaanderenParis-RoubaixLiège-Bastogne-Liège e Giro di Lombardia.
A Milão-Sanremo é frequentemente chamada de clássica dos sprinters, enquanto o Giro di Lombardia, sua corrida irmã na Itália que acontece no outono é chamada de clássica dos escaladores.
O ciclista com maior sucesso nesta prova foi Eddy Merckx que obteve a vitória em 7 edições. Este permanece sendo o recorde de vitórias em uma única prova clásica. Em tempos mais recentes, o ciclista alemão Erik Zabel foi o que obteve mais sucesso com quatro vitórias em cinco participações.

História

Os primeiros anos

A primeira edição da Milão-Sanremo foi organizada pelo fundador e então diretor da Gazzetta dello Sport Eugenio Costamagna e por seu editor de ciclismo Armando Cougnet e teve início em 14 de abril de 1907.Nesta primeira prova estavam inscritos 62 ciclistas, no entanto, devido às condições climáticas, somente 33 deles se apresentaram na largada e o vencedor foi Lucien Georges Mazan (mais conhecido como Lucien Petit-Breton) que levou onze horas, quatro minutos e quinze segundos para cobrir a distância de 288 km.


Passo del Turchino, decisivo nos primeiros anos da prova.
Em suas primeiras edições a prova era um verdadeiro desafio para os competidores: uma combinação da grande distância envolvida, péssimas estradas e frequente mau tempo transformava a prova, por vezes, em uma luta pela sobrevivência e não pela simples vitória. Em 1910, por exemplo, a prova foi disputada sob neve, que começou a cair quando os competidores passavam pelo Passo del Turchino, a mais de 530 metros de altura. Sua descida era congelante e a estrada estava em condições tão ruins, que os competidores tinham de descer da bicicleta e empurrá-la através da espessa camada de neve que havia se formado. Neste ano, apenas quatro competidores dos cerca de 60 inscritos conseguiram terminar a prova.A prova não foi disputada em 1916 em função da Primeira Guerra Mundial, e quando voltou a ser disputada em 1917, Constante Girardengo reina quase absoluto, conquistando 6 vitórias, 3 segundas e 2 terceiras colocações em 12 anos, o que levou o então diretor do periódico Gazzetta dello Sport a apelidá-lo de Campioníssimo da História. Sua primeira vitória veio em 1918 de forma arrasadora, após uma escapada antológica de 200 km ele venceu com uma diferença de mais de treze minutos para o seu principal rival Belloni, que terminou em segundo.

A rivalidade Bartalli x Coppi

A Milão-Sanremo foi parte importante da rivalidade entre os ciclistas Gino Bartali e Fausto Coppi nos anos 1940. Bartali havia vencido por duas vezes antes que a prova fosse interrompida nos anos de 1944 e 1945 em virtude da Segunda Guerra Mundial. Quando a prova voltou a ser disputada em 1946, tanto Coppi quanto Bartali conquistaram vitórias memoráveis após longas escapadas solitárias. Primeiro foi Coppi, que neste mesmo ano obteve a vitória com uma vantagem de 14 minutos para o segundo colocado. Bartali respondeu no ano seguinte vencendo com uma vantagem de 4 minutos. Em 1948 e 1949 a vitória volta a ser de Coppi por 5 minutos na primeira e 4 minutos na segunda. Bartali ainda ganharia a edição de 1950 em um sprint em massa, após as estradas destruidas pela guerra terem sido reparadas.

A era Merckx

Em 1960 os organizadores acrescentaram a escalada de 3 km do Poggio na parte final da prova tentando evitar os sprints massivos que passavam a acontecer.Eddy Merckx entendeu o segredo de como vencer a prova e atacava no Poggio, utilizava principalmente sua sinuosa descida, para abrir uma pequena vantagem para o pelotão, porém o suficiente para garantir sua vitória. Com esta estratégia ele venceu quatro dentre as suas sete vitórias.

Edições atuais

Com a inclusão do Cipressa em 1982, durante a década de 1980 e parte da década de 1990, a vitória sempre era decidida em pequenos grupos de escapados, no entanto, após este período, com raras exceções, o final da prova é decidido com um sprint massivo. Esta situação tem causado críticas. Bobby Julich, ciclista americano que se aposentou em 2008, disse:
Está se tornando uma corrida de 300 km a ser decidida nos últimos 300 m. Eu ficaria surpreso se a Milão-Sanremo voltar a ser vencida individualmente novamente.
Um fato curioso aconteceu em 2004 quando o sprinter alemão Erik Zabel imaginou que já havia vencido a prova e terminou seu sprint antes da linha de chegada, já levantando os seus braços para comemorar, no entanto, Óscar Freire continuou acelerando e acabou por vencer a prova por centímetros.

Percurso


Milano-Sanremo 2006.png

O fato de ser a mais longa corrida de um dia do ciclismo profissional, torna a Milão-Sanremo um incomum teste de resistência no início da temporada. Ela não é necessariamente vencida pelo sprinter mais rápido, mas sim pelo que melhor se preparou. As escaladas do Cipressa e Poggio enganaram muitos sprinters que não conseguiram se manter no pelotão.
Nos primeiros anos, a principal dificuldade era o Passo del Turchino, mas quando o ciclismo começou a se tornar mais profissional, a escalada era distante demais da chegada para ser considerada decisiva. Em 1960, o Poggio di Sanremo, distante apenas alguns quilômetros da chegada foi acrescentado. Em 1982 o Cipressa, próximo a cidade de Imperia passou a fazer parte do percurso. As outras subidas são o Capo Mele, Capo Berta e Capo Cervo.[2] Em 2008 os organizadores também acrescentaram o Le Manie entre o Passo del Turchinho e os capi. O Turchino e o Manie são subidas longas, enquanto os capi, Cipressa e Poggio são mais curtas. Todas as subidas são fáceis e apesar delas, a prova normalmente acaba em um sprint massivo.
Discute-se também a inclusão de uma nova subida, que poderia ser a Pompeiana, entre Cipressa e Poggio, no entanto isto obrigaria a largada a ser trasferida do centro de Milão para evitar que a prova tenha mais de 300 km.
Apesar de seu percurso plano e sua longa reta final, eventualmente alguns times de sprinters foram enganados de tempos em tempos por um determinado ataque nas últimas montanhas. Bons exemplos destes incluem a escapada de Laurent Jalabert eMaurizio Fondriest em 1995, quando mantiveram a distância até o final. Em 2003, Paolo Bettini venceu após atacar acompanhado de vários ciclistas sem serem alcançados e em 2006 Filippo Pozzato e Alessandro Ballan atacaram na última montanha e conseguiram manter-se distante. A prova mais rápida acontecida no percurso usual foi em 1990, quando Gianni Bugno finalizou a prova em 6h 25m e 06 segundos, com 4 segundos de vantagem para Rolf Golsz. Esta edição teve uma média de 45,8 km/h. A mais demorada aconteceu em 1910, quando, sob uma tempestade de neve, o vencedor demorou 12h 24m para concluir a prova.

 

Veja Algumas fotos.

 

Vencedores

Edição

Ciclista

Equipe

1907

França Lucien Petit-Breton

 

1908

Bélgica Cyrille van Hauwaert

 

1909

Itália Luigi Ganna

 

1910

França Eugène Christophe

 

1911

França Gustave Garrigou

 

1912

França Henri Pélissier

 

1913

Bélgica Odile Defraye

 

1914

Itália Ugo Agostoni

Itália Bianchi-Dei

1915

Bélgica Ezio Corlaita

 

1916

Não houve prova

1917

Itália Gaetano Belloni

Itália Bianchi

1918

Itália Costante Girardengo

Itália Bianchi

1919

Itália Angelo Gremo

 

1920

Itália Gaetano Belloni

 

1921

Itália Costante Girardengo

 

1922

Itália Giovanni Brunero

 

1923

Itália Costante Girardengo

 

1924

Itália Pietro Linari

 

1925

Itália Costante Girardengo

 

1926

Itália Costante Girardengo

 

1927

Itália Pietro Chesi

 

1928

Itália Costante Girardengo

 

1929

Itália Alfredo Binda

 

1930

Itália Michele Mara

Itália Bianchi

1931

Itália Alfredo Binda

 

1932

Itália Alfredo Bovet

Itália Bianchi

1933

Itália Learco Guerra

 

1934

Bélgica Joseph Demuysere

 

1935

Itália Giuseppe Olmo

Itália Bianchi

1936

Itália Angelo Varetto

 

1937

Itália Cesare Del Cancia

 

1938

Itália Giuseppe Olmo

Itália Bianchi

1939

Itália Gino Bartali

 

1940

Itália Gino Bartali

 

1941

Itália Pierino Favalli

 

1942

Itália Adolfo Leoni

 

1943

Itália Cino Cinelli

 

1944 - 1945

Não houve prova

1946

Itália Fausto Coppi

Itália Bianchi

1947

Itália Gino Bartali

 

1948

Itália Fausto Coppi

Itália Bianchi

1949

Itália Fausto Coppi

Itália Bianchi-Ursus

1950

Itália Gino Bartali

 

1951

França Louison Bobet

 

1952

Itália Loretto Petrucci

Itália Bianchi-Pirelli

1953

Itália Loretto Petrucci

Itália Bianchi-Pirelli

1954

Bélgica Rik van Steenbergen

 

1955

Bélgica Germain Derycke

 

1956

Bélgica Fred De Bruyne

 

1957

Espanha Miguel Poblet

 

1958

Bélgica Rik Van Looy

 

1959

Espanha Miguel Poblet

 

Edição

Ciclista

Equipe

1960

França René Privat

 

1961

França Raymond Poulidor

 

1962

Bélgica Emile Daems

 

1963

França Joseph Groussard

 

1964

Reino Unido Tom Simpson

França Peugeot-BP

1965

Países Baixos Arie den Hartog

 

1966

Bélgica Eddy Merckx

França Peugeot-BP Michelin

1967

Bélgica Eddy Merckx

França Peugeot-BP Michelin

1968

Alemanha Rudi Altig

 

1969

Bélgica Eddy Merckx

 

1970

Itália Michele Dancelli

Itália Molteni

1971

Bélgica Eddy Merckx

Itália Molteni

1972

Bélgica Eddy Merckx

Itália Molteni

1973

Bélgica Roger De Vlaeminck

 

1974

Itália Felice Gimondi

Itália Bianchi-Campagnolo

1975

Bélgica Eddy Merckx

Itália Molteni-Campagnolo

1976

Bélgica Eddy Merckx

Itália Molteni-Campagnolo

1977

Países Baixos Jan Raas

 

1978

Bélgica Roger De Vlaeminck

 

1979

Bélgica Roger De Vlaeminck

 

1980

Itália Pierino Gavazzi

 

1981

Bélgica Fons De Wolf

 

1982

França Marc Gomez

 

1983

Itália Giuseppe Saronni

 

1984

República da Irlanda Francesco Moser

 

1985

Itália Hennie Kuiper

 

1986

República da Irlanda Sean Kelly

França Skil-Sem Kas

1987

Suíça Erich Mächler

Itália Carrera jeans-Vagabond

1988

França Laurent Fignon

França Système U-Gitane

1989

França Laurent Fignon

França Super U-Raleigh-Fiat

1990

Itália Gianni Bugno

 

1991

Itália Claudio Chiappucci

Itália Carrera jeans-Vagabond

1992

República da Irlanda Sean Kelly

Itália Carrera jeans-Vagabond

1993

Itália Maurizio Fondriest

Itália Lampre

1994

Itália Giorgio Furlan

Itália Gewiss-Ballan

1995

França Laurent Jalabert

Espanha ONCE

1996

Suíça Gabriele Colombo

Itália Gewiss-Ballan

1997

Alemanha Erik Zabel

Alemanha Team Telekom

1998

Alemanha Erik Zabel

Alemanha Team Telekom

1999

Bélgica Andrei Tchmil

França Lotto-Mobistar

2000

Alemanha Erik Zabel

Alemanha Team Telekom

2001

Alemanha Erik Zabel

Alemanha Team Telekom

2002

Itália Mario Cipollini

Itália Acqua & Sapone-Cantina Tollo

2003

Itália Paolo Bettini

Bélgica Quick Step-Davitamon

2004

Espanha Óscar Freire

Países Baixos Rabobank

2005

Itália Alessandro Petacchi

Itália Fassa Bortolo

2006

Itália Filippo Pozzato

Bélgica Quick Step-Innergetic

2007

Espanha Óscar Freire

Países Baixos Rabobank

2008

Suíça Fabian Cancellara

Espanha Team CSC

2009

Reino Unido Mark Cavendish

Estados Unidos Team Columbia-High Road

2010

Espanha Óscar Freire

Países Baixos Rabobank

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Fonte:Wikipedia/ Foto: Divulgação

 

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2010 © Todos os direitos reservados. Matérias

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