
EDITORIAL
Ao longo dos últimos anos, enquanto planejávamos a publicação desta revista, ouvimos centenas de comentários de pessoas voltadas à causa da bicicleta, desde amadores a profissionais, mecânicos a empresários, cada um com suas expressões peculiares, porém com um ponto em comum: a demanda por uma mídia com uma abordagem mais abrangente sobre o mundo da bicicleta. Esse é o nosso objetivo. Estamos cientes do desafio que isso representa, mas é isso que tencionamos com a REVISTA BICICLETA.
Há uma infinidade de carros nas estradas. É muito comum que, em cada carro, esteja apenas uma pessoa. Precisamos refletir sobre isso, e buscar soluções que beneficiarão o fluxo das rodovias, a saúde das pessoas, e o meio ambiente.
Milhões de pessoas, em todo o mundo, comemoram o Dia Mundial Sem Carro, que surgiu em 1998, na França, e foi comemorado no Brasil pela primeira vez em 2001. Trata-se de uma mobilização que busca refletir sobre a dependência que as pessoas acabam criando com relação ao uso, muitas vezes irracional, dos automóveis. A maioria das metrópoles sofre com o excesso de veículos circulando. Congestionamentos, estresse, poluição sonora e atmosférica são algumas das consequências do grande número de automóveis nas estradas. Ficar um dia sem o carro permite refletir sobre o estilo de vida e sobre a utilização de outros meios de mobilidade, que sejam mais corretas e mais sustentáveis. A bicicleta se encaixa como uma solução completa nesse contexto!
DIA MUNDIAL SEM CARRO - 22 DE SETEMBRO
A REALIDADE
No Dia Mundial Sem Carro, o movimento de veículos nos grandes centros foi, em alguns casos, menor, mas mesmo assim provocou lentidão e engarrafamentos. Em São Paulo, segundo a CET - Companhia de Engenharia de Tráfego, os índices de lentidão não foram alterados.
Muitas entidades, principalmente ligadas à questão ambiental, promoveram campanhas e realizaram diversas ações durante o dia. Infelizmente, o resultado ainda é pequeno, e a explicação possui muitas variáveis, começando pela nossa cultura, muito voltada para os veículos automotores. Essa cultura se reflete no modo de pensar das pessoas, e nas ações do governo. Veja como as propostas dos candidatos, nessa época de eleições, giram muito em torno de investir milhões em estradas, rodovias, enfim, condições para que os carros circulem. Falar em infraestrutura para bicicletas, ou mesmo defender o uso da bicicleta como meio de transporte sustentável é raro.
BICICLETA
Por outro lado, todos precisam refletir sobre hábitos que podem ser mudados, e encontrar soluções que possibilitem a troca do carro pela bicicleta. Veja algumas dicas:
- Planeje seus deslocamentos. Assim, você evita “andar em círculo”, e pode economizar tempo, percurso e dinheiro deixando o carro em casa.
- Na padaria da esquina, vá de bicicleta. Em qualquer percurso pequeno é possível trocar o carro pela bike: é mais prazeroso, muitas vezes mais rápido, e você está fazendo sua parte pelo meio ambiente.
- Saia do sedentarismo, e ganhe um coração forte e um corpo saudável. A pedalada permite que você se desloque, e ao mesmo tempo, pratique um exercício físico.
- A frustração e o estresse do trânsito caótico podem ser evitados. Além disso, você fica com a mente mais livre, e fica mais em contato com o ambiente.
Locociclo
A ideia, inicialmente, era desenvolver uma bicicleta ergométrica móvel, menos tediosa que a comum, para se exercitar dentro de casa.
O técnico em mecânica, designer e inventor João Marcos Brandi Resende, projetou e produziu um veículo de locomoção individual, conhecido como Locociclo. Filho de inventor, João mora em Contagem, região metropolitana de Belo Horizonte.
A ideia, inicialmente, era desenvolver uma bicicleta ergométrica móvel, menos tediosa que a comum, para se exercitar dentro de casa. Mas logo foi percebido que poderia ser utilizada em qualquer local fechado, como no interior dum shopping, escritório, supermercado, hotel, hospital, enfim, locais em que o tráfego motorizado geralmente não é permitido. Para possibilitar a capacidade de manobras em locais apertados, a roda da frente é totalmente livre e independente do guidão, e a mudança de direção acontece diferenciando a rotação entre as rodas, funcionando como um computador mecânico. A transmissão é a parte mais sofisticada do projeto e levou quase 3 anos para ser desenvolvida. A ergonometria também foi um desafio. O suporte frontal e a bandeja superior podem transportar uma grande variedade de cargas.
O primeiro contato do veículo com o público ocorreu num shopping, onde a condutora percorreu os corredores por entre as pessoas, entrou pedalando no interior das lojas, pegou o elevador, fez tudo montada no veículo, causando surpresa e despertando muita curiosidade. O objetivo foi desenvolver um produto com preço acessível, e o projeto aguarda o interesse de alguma empresa que decida produzi-lo em série.
NOVO SITE DA CALOI
Caloi estréia o coletivo “Mobilidade” em novo site
A Caloi lançou, no início do mês, um novo portal, que privilegia a usabilidade e o uso urbano da bicicleta. Destaque para a seção Mobilidade, formado por um coletivo de blogueiros que falam de suas experiências com a bici em suas cidades. Além disso, também traz algumas ferramentas interativas para os internautas publicarem e compartilharem fotos e vídeos em suas bicicletas. Vale conferir!
O portal ainda oferece dicas de rotas, elaboradas em parceria com a Ciclo BR. Inicialmente 20 rotas estão disponíveis, todas no estado de São Paulo, mas futuramente serão incluídas mais opções de percursos de outras regiões do País. “Queremos movimentar a vida dos brasileiros, promovendo através da internet, que as pessoas se encontrem nas ruas e saiam para pedalar e se divertir além do ambiente digital”, explica Juliana Grossi, diretora de marketing da Caloi.
Seil Bag: Mochila para Ciclistas na Cidade Grande
A designer coreana Lee Myung desenvolveu um produto muito útil para a segurança dos ciclistas em grandes cidades. Trata-se de uma mochila capaz de emitir um sinal de aviso aos motoristas.
Equipada com LEDs, a mochila avisa ao motorista sua direção através de um controle sem fio colocado no guidão da bicicleta. A Seil Bag mostra, então, a intenção do ciclista com uma seta informando se ele vai virar à esquerda ou à direita ou até mesmo um letreiro para parar.
A inspiração veio da observação das ruas em Seul, capital da Coréia do Sul. Na cidade grande, os ciclistas precisam sinalizar suas intenções com a mão, e isso pode causar acidentes. A idéia é facilitar e tornar a pedalada mais segura.
REOQUE O CARRO PELA BICICLETA
O sinal fecha, o trânsito pára e a fila de carros se perde de vista. É a famosa hora do rush. De repente, um ciclista atrevido pedala rápido ao largo de dezenas de carros, e deixa para trás um verdadeiro mar de máquinas potentes, que poderiam alcançar uma velocidade dez vezes maior à de sua bicicleta.
Asituação do trânsito atual é reflexo das relações estabelecidas na sociedade. A competição e o individualismo são características recorrentes nos dias de hoje, e geram sentimentos de medo, estresse e falta de tempo. Muitas vezes, o conflito e o desrespeito são consequências dessa situação. Vivemos um momento que se caracteriza pela eficiência, velocidade, conforto, prestígio social, mobilidade ilimitada, simbolizado pelas grandes máquinas automobilísticas.
“Não devemos, e nem podemos ser extremistas. O carro é um bem importante nos dias de hoje, e se encaixa perfeitamente na rotina e nas exigências do mundo moderno. Mas a bicicleta se mostra um meio de transporte superior: sustentável, econômico, saudável, rápido e eficiente.”
Precisamos ser realistas, e aceitar que o carro é importante em nossas vidas, na economia mundial, em diversas situações de rotina e de imprevistos do mundo moderno. Mas também precisamos entender e aceitar que há motivos bastante fortes para trocarmos o carro por um meio de transporte mais sustentável, saudável e prazeroso em algumas situações.
Circular sobre
duas rodas
é uma tendência
Neste cenário, a bicicleta se encaixa como uma solução completa. Imagine uma grande cidade na hora do rush. Um ciclista é capaz de continuar pedalando rápido, deixando para trás máquinas potentes, capazes de alcançar uma velocidade dez vezes maior que a bicicleta. Em um engarrafamento, os automóveis andam de 5 a 8 quilômetros por hora, enquanto a bicicleta pode chegar a 15 km/h. Parece contraditório, mas neste caso, onde fica o conforto, a velocidade, o prestígio social e a mobilidade ilimitada?
POR QUE
TROCAR O CARRO PELA BICICLETA?
Circular sobre duas rodas é uma tendência no país inteiro. A Abraciclo (Associação Brasileira dos Fabricantes de Motocicletas, Bicicletas e Similares) estima que mais de 24 milhões de pessoas pedalam diariamente. Destes, mais de 50% usam a bicicleta como meio de transporte principal.
O uso da bicicleta, em muitas situações, oferece benefícios para você e para o meio ambiente, inclusive em aspectos que você nem imagina, como a questão do tempo. Comparações realizadas em várias cidades do mundo, em horário de pico do trânsito, comprovam a agilidade da bicicleta, superando carros e ônibus. Ainda, a bicicleta exige um espaço físico bem menor, em relação aos outros meios de transporte. Isso auxilia o tráfego, e também a infra-estrutura necessária para estacionamento e deslocamento.
Outra característica da bicicleta é a economia. Quando você troca o carro pela bicicleta, deixa de consumir combustível, troca de óleo, funilaria, auto elétrica, não tem gastos com estacionamento, pedágio e IPVA. A manutenção e compra de peças e acessórios é barata, principalmente se for comparada aos custos do carro.
Pedalar faz bem a saúde física e mental. Trocar o carro pela bicicleta para ir ao trabalho, ao mercado ou fazer um passeio com a família, diminui o estresse, previne doenças e prolonga a expectativa de vida.
Mas a principal mudança é com relação à saúde: sua e do planeta. Ao optar pela bicicleta, você se exercita, movimenta o corpo, e beneficia seu estado emocional. Quando você pedala até o trabalho e não precisa enfrentar sinais que fecham vinte metros à sua frente, não se preocupa com um assalto ao seu carro, e não fica tenso com o trânsito, a produtividade aumenta. A diminuição do estresse e as endorfinas liberadas pelo exercício relaxam o corpo e a mente, melhoram o humor e o bem estar.
Para a saúde, as vantagens das pedaladas também têm peso considerável. A pessoa perde os quilos extras, ganha massa muscular e aumenta a capacidade cardiorrespiratória e , garantem os especialistas. E nem precisa tanto esforço. Se você for de bicicleta até o supermercado ou à padaria diariamente, já estará dando adeus ao sedentarismo e suas complicações. Atividades físicas regulares ajudam a prevenir doenças cardíacas, AVCs, hipertensão, controle de diabetes, auxilia na resistência aeróbica e ativa a musculatura de todo o corpo. Diminui a ocorrência de doenças crônicas, e é indicado para todas as idades, colaborando para um aumento da expectativa de vida.
Para mudar o quadro de devastação do meio ambiente, é preciso que cada um faça a sua parte. A cada 15 km percorridos, trocando o carro pela bicicleta, uma pessoa deixa de lançar no ar cerca de 3 quilos de gás carbônico. Parece pouco? Em um ano, é quase 1 tonelada a menos de gás carbônico na atmosfera.
A questão ambiental é ainda mais relevante. No Brasil, os veículos automotores ocupam o primeiro lugar entre os grandes vilões do aquecimento global. Mais de 85% das emissões de substâncias poluentes vêm dos escapamentos. Em São Paulo, a poluição mata indiretamente vinte pessoas por dia, agravando ou acelerando problemas de saúde como infarto, acidente vascular cerebral, pneumonia, asma e câncer de pulmão. Ao trocar o carro pela bicicleta, uma pessoa deixa de lançar no ar cerca de 6 quilos de gás carbônico a cada 30 quilômetros: a distância média que uma pessoa motorizada percorre numa grande cidade. Parece pouco? Em um ano, uma pessoa, sozinha, deixaria de lançar quase 2 toneladas de gás carbônico na atmosfera. Agora, multiplique por 1 milhão de pessoas, e teríamos 2 milhões de toneladas a menos de gás carbônico na atmosfera!
A diminuição do estresse e as endorfinas liberadas pelo exercício relaxam o corpo e a mente, melhoram o humor e o bem estar.
O QUE FAZER
espaços para ciclistas. No Brasil, em 2004, o Ministério das Cidades lançou o Programa Brasileiro de Mobilidade por Bicicleta. Esse programa serve de orientação para os municípios que pretendem ampliar os espaços para o uso deste meio de transporte. Os resultados já começaram a aparecer: saímos de 99 para 276 municípios com algum tipo de via para bicicleta. Com certeza, ainda há muito para ser feito, e os órgãos governamentais precisam planejar e executar ações que incentivem o uso da bicicleta, oferecendo espaços apropriados para circulação, estacionamento e segurança. Andar de bicicleta é uma questão de política pública, e cabe a nós cobrar medidas nesse sentido.
Mas, além disso, nós precisamos fazer a nossa parte. Mudar hábitos, demonstrar consciência e respeito à vida e ao meio ambiente são mudanças pessoais, que trazem resultados positivos para todos.
Como o pessoal da bicicletada costuma dizer: NÃO ODIAMOS OS CARROS, AMAMOS AS BICICLETAS. Sempre que puder, troque o carro pela bicicleta. Logo você vai sentir os resultados.
Vantagens
da Bicicleta sobre o Automóvel
Poluição sonora e atmosférica iguais a zero: produz pouquíssimo ruído, e não emite nenhum gás poluente.
A velocidade de deslocamento está adaptada às capacidades de percepção, reação e assimilação humanas. O carro, por exemplo, se desloca a uma velocidade muito acima da capacidade humana de processar dados e tomar decisões com segurança.
A bicicleta oportuniza a atividade física necessária para a saúde e o bem estar geral da pessoa.
Andar de bicicleta meia hora por dia aumenta o metabolismo em cerca de oito calorias por minuto, consumindo mais de dez quilos de gordura por ano.
Sua fabricação consome pouca energia e matéria-prima, a tecnologia empregada é visível e o funcionamento é de fácil compreensão. O próprio usuário consegue fazer pequenos consertos, e é possível, em grande parte, reciclar.
Para percorrer 1000 km de bicicleta, é gasto a quantidade de energia correspondente a um litro de gasolina.
Deslocando-se a 15 km/h, um ciclista gasta uma quantidade de energia menor do que aquela que é gasta por um carro apenas para manter os faróis ligados.
Na bicicleta, o “motor” tem sua força, eficiência e durabilidade aumentadas, quanto mais ele é usado.
Uma infra-estrutura simples e barata é suficiente. Há pouca exigência de espaço físico.
A consciência é influenciada positivamente, através da vivência direta do meio ambiente (por exemplo: percepção de odores, temperatura e mudanças de umidade, ao atravessar um trecho de mata).
Fomento à capacidade de se conectar socialmente, através do contato visual e auditivo permanente com os demais participantes do tráfego.
É indicado para todas as idades, pode ser utilizável por crianças e idosos.
Frustração e estresse podem ser transformados em propulsão útil - ao invés de se depositarem prejudicialmente nas artérias.
Bike cegonha
Na cidade de Balneário Camboriu, em Santa Catarina, a empresa CICLO SPORT inovou ao criar a BIKE CEGONHA: uma bicicleta adaptada para transitar na cidade e ciclovias, com capacidade para transportar até duas bicicletas por viagem. Quando o cliente precisa de algum serviço de conserto, ou adquire uma bicicleta nova na loja ou no site, e não tem possibilidade para levar ou buscar a bicicleta, entra em ação a BIKE CEGONHA. Além de não ficar presa em congestionamento, ela é um veículo ecologicamente correto. Para a empresa, usar a BIKE CEGONHA aumenta o interesse das pessoas pela bicicleta, funcionando como um outdoor ambulante e real, com um marketing direto e de visualização. Uma das motivações para o surgimento da BIKE CEGONHA foi o fato de que Balneário Camboriu é uma cidade turística, e muitas pessoas têm apartamento próprio para passar as férias. Mas terminada a temporada das férias, as bicicletas acabavam ficando paradas, e depois precisavam da devida manutenção: pneus murcham, cabos de freio e câmbio enferrujam, a maresia danifica algumas peças, etc.
Resultados alcançados:
- Soluções rápidas de socorro quando o cliente está saindo treinar.
- Com dois meses de uso, houve um aumento de 10% nos serviços.
- A mídia é espontânea, por se tratar de um outdoor ambulante. Quando a bicicleta passeia pela cidade, chama a atenção do produto e da marca da loja.
- Clientes que moram em outras cidades agendam serviços futuros.
- Aumento da venda de bicicletário para prédio.
CICLOVIAS
Os caminhos da saúde
e da segurança
Com uma frota de mais de 60 milhões de bicicletas transitando pelas ruas brasileiras, o grande desafio do país é adequar seu sistema viário para oferecer aos ciclistas segurança e tranquilidade na sua prática.
As ciclovias ou ciclofaixas passam a fazer parte das paisagens e do sistema viário das cidades.
O que antes parecia coisa da Europa ou da Ásia, agora é comum em algumas cidades de nosso país também.
O Rio de Janeiro possui ciclovias que interligam pontos turísticos, escolas, estádios e praias. São ciclovias ou apenas faixas adequadas.
Prefeituras de diversas cidades perceberam os benefícios desse meio de transporte e vêm incentivando seu uso, através da criação e ampliação de ciclovias e ciclofaixas.
Campinas, Goiânia, São Paulo, Porto Alegre, Sorocaba, Pelotas, Curitiba e Joinville são exemplos de cidades que já planejam implantar mais ciclovias ou ajustar suas ruas a faixas para ciclistas.
“Em países da Europa e Ásia
esse serviço é muito frequente
e ajuda a diminuir o número
de veículos nas ruas”
Rio do Sul tem o seu espaço exclusivo para os ciclistas pedalarem com segurança, a exemplo de outras ruas do Vale do Itajaí, em Santa Catarina.
Outra ação cada vez mais frequente nas capitais brasileiras é a implantação de bicicletários nos metrôs, rodoviárias e nos estacionamentos públicos, até mesmo com a oferta do serviço de aluguel de bicicletas.
O Brasil possui algumas centenas de vias para uso exclusivo de bicicletas para mais de 60 milhões de bicicletas. O Ministério das Cidades, por meio do Programa Brasileiro de Mobilidade Bicicleta Brasil, está incentivando o uso da bicicleta como transporte nas cidades e já oferece dinheiro e financiamento para projetos através do programa Pedala Brasil.
CURIOSIDADES
Paquetá, no Rio de Janeiro, tem uma bicicleta por habitante.
China, Índia, Holanda, Japão e Brasil são as maiores frotas de bicicleta do planeta, com relação ao número de habitantes.
O Brasil é o terceiro maior fabricante de Bicicletas do planeta.
Santa Cruz do Sul, no Rio Grande do Sul, é a primeira cidade brasileira que implantou em todos os ônibus de transporte coletivo, espaço para as magrelas.
O Governo Federal, de olho na Copa do Mundo de 2014, inseriu ciclovias nos Programas de Investimentos previstos para o evento. E isso dá mais força para o ciclismo.
A ideia do governo é financiar projetos que incentivem o uso da bicicleta principalmente nos deslocamentos de pequenas distâncias.
A bicicleta vive um momento de destaque. É um veículo ecológico, ágil e de inclusão social, ao alcance de todos.
LA VUELTA A SPANA – 65º EDIÇÃO
A BATALHA ÉPICA: VINCENZO NIBALI x XAVIER MOSQUERA
Vincenzo Nibali estava de férias quando recebeu o telefonema que, provavelmente, mudou sua vida: “Vincenzo, vais substituir o Franco Pelizotti no Giro”. Com o sucesso no Giro, o jovem Nibali, de 25 anos, foi a aposta da Liquigás para La Vuelta. No topo do pódio, com a mão direita sobre o coração e quase chorando, Vincenzo Nibali ouve o hino da Itália soar mais alto em Madrid.
Um grande final exige drama, beleza, suspense e emoção. Esses foram os ingredientes da última etapa de La Vuelta a Spana. Antes do início da 21º etapa (San Sebastián de los Reyes – Madrid/ 85km), Nibali tinha 43 segundos de vantagem para Xavier Mosquera. Durante a última etapa, Mosquera até conseguiu manter uma distância de 19 segundos, mas ainda assim não era o bastante para bater Nibali. Há 3 km do final, o bravo italiano colou no adversário, e os dois cruzaram a linha de chegada praticamente juntos. Nibali completou a Vuelta em 87h18m33s, com 41 segundos de vantagem para Mosquera.
O italiano recupera o título da Vuelta ao seu país, após 20 anos. Humilde, sincero e tranqüilo, o italiano recebeu elogios e até comparações com o ciclista Contador, de forma despretensiosa, afirmando que isso não vai mudar a pessoa que é.
A última das 21 etapas da Vuelta foi conquistada pelo americano Tyler Farrar, carimbando o título por pontos de Cavendish com um grande sprint na reta final. Um dos favoritos ao título, Igor Antón ficou de fora da Vuelta desde a 14º etapa, quando foi obrigado a abandonar a prova depois de uma queda forte, a 74km/h, antes da subida a Peña Cabarga. Ele, que liderava a competição até a 13º etapa, já teve alta, depois de uma intervenção cirúrgica no cotovelo direito. Antón já está bem, e se mostra disposto a lembrar os aspectos bons de sua participação na Vuelta – foram 2 vitórias e 9 dias como líder.
A festa da premiação aconteceu na praça de Cibeles, em Madrid, contou com Nibali, que levou duas camisas: a vermelha, de vencedor da Vuelta’2010, e a branca, destinada ao ciclista mais completo. O britânico Mark Cavendish garantiu o triunfo na classificação por pontos, chegando em 2º lugar na última etapa e faturou a camisa verde. Na montanha, o francês David Moncoutie foi oito pontos melhor que o espanhol Serafín Martínez. Com relação às equipes, a russa Katusha, com uma pequena diferença de 33 segundos sobre a Caisse D’Epargne, foi a mais rápida.
VUELTA A SPANA – ETAPA POR ETAPA
1° Etapa: Sevilla >> Sevilla| 13,0 km - CAVENDISH, Mark/ 14' 06''
2° Etapa: Alcalá de Guadaíra >>Marbella | 173,7 km – HUTAROVICH, Yauheni/ 4h 35' 41''
3° Etapa: Marbella >> Málaga | 157,3 km - GILBERT, Philippe/ 4h 06' 12'
4° Etapa: Málaga >> Valdepeñas de Jaén | 183,8 km - ANTON, Igor/ 5h 00' 29''
5° Etapa: Guadix >> Lorca | 198,8 km – FARRAR, Tyler/ 5h 03' 36''
6° Etapa: Caravaca de la Cruz >> Murcia | 151,0 km - HUSHOVD, Thor/ 3h 36' 20''
7° Etapa: Murcia >> Orihuela| 187,1 km - PETACCHI, Alessandro/ 4h 36' 12''
8° Etapa: Villena >> Xorret de Catí | 190,0 km - MONCOUTIE, David/ 5h 14' 32'
9° Etapa: Calpe >> Alcoy | 187,7km - LÓPEZ, David/ 5h 20' 51''
10° Etapa: Tarragona >> Vilanova i la Geltrú | 175,7 km - ERVITI, Imanol/ 4h 13' 31''
11° Etapa: Vilanova i la Geltrú >> Andorra (Pal) | 208,4 km - ANTON, Igor/ 5h 25' 44''
12° Etapa: Andorra (Pal) >> Lleida | 172,5 km - CAVENDISH, Mark/ 4h 00' 30''
13° Etapa: Rincón de Soto >> Burgos | 196,0 km - CAVENDISH, Mark/ 4h 50' 18''
14° Etapa: Burgos >>Peña Cabarga |178,0 km - RODRIGUEZ, Joaquin/ 4h 26' 43''
15° Etapa: Solares >>Lagos de Covadonga |187,3 km - BARREDO, Carlos/ 4h 33' 09''
16° Etapa: Gijón >>Cotobello |181,4 km - NIEVE, Mikel/ 4h 51' 59''
17° Etapa: Peñafiel >>Peñafiel | 46,0 km - VELITS, Peter/ 52' 43''
18° Etapa: Valladolid >>Salamanca | 148,9 km - CAVENDISH, Mark/ 3h 27' 11''
19° Etapa: Piedrahita >>Toledo | 148,9 km - GILBERT, Philippe/ 5h 43' 41''
20° Etapa: San Martín de Valdeiglesias >> Bola del Mundo | 172,1 km - MOSQUERA, Ezequiel/ 4h 45' 28''
21° Etapa: San Sebastián de los Reyes >> Madrid | 85,0 km - FARRAR, Tyler/ 2h 02' 24''
OS VENCEDORES POR CATEGORIA
Classificação Geral - Vuelta a España 2010
Vincenzo Nibali (Liquigas-Doimo) em 87h 18' 33''
Classificação de Montanha (final)
David Moncoutie (Cofidis) 51 pontos
Classificação Combinada (final)
Vincenzo Nibali (Liquigas-Doimo) 9 pontos
Classificação por pontos (final)
Mark Cavendish (HTC-Columbia) 156 pontos
Classificação por equipes (final)
Team Katusha – em 261h 48' 04''
QUAL BICICLETA COMPRAR?
ANTES DE COMPRAR
REGRA n° 1
Realize um bike fit* e teste muitas bicicletas antes de optar por um modelo.
REGRA n° 2
O barato sai caro e cansa fácil. Se a marca da bicicleta for apenas um adesivo colado ao quadro, pense bem no que vai fazer.
REGRA n° 3
Custo / benefício é a pergunta e será a resposta.
Esta é uma pergunta muito importante. Escolher uma boa bicicleta, que esteja de acordo com o seu corpo e com as suas necessidades, vai ser determinante para você tomar gosto pela pedalada.
Subir numa bicicleta sem qualidade ou de tamanho errado é a certeza de sentir-se desconfortável e de ter mais um objeto empoeirando em casa.
Bicicletas também estão sujeitas a Lei do Consumidor. Se for necessário, reclame! Ajude a melhorar o setor de bicicletas e a vida de todos os ciclistas.
Evite comprar sua bicicleta em um supermercado ou magazine. Apenas em bicicletarias é possível encontrar um atendimento especializado, o que resulta em uma simples diferença: pedalar com prazer.
Compre sua bicicleta em uma boa bicicletaria!
A margem de lucro das bicicletarias costuma ser apertada, mas a qualidade de serviço não.
É preciso esforço, mas
por uma boa compra vale a pena
1. Antes de mais nada, converse com vários ciclistas experientes.
2. Tenha claro qual o uso que será dado à bicicleta.
3. Teste o maior número de bicicletas que puder. Uma boa bicicletaria permite um breve teste.
4. Faça uma pesquisa de mercado nas bicicletarias.
5. Pense em gastar 10% a mais, nunca 10% a menos. Exemplo: se o selim não agradar, negocie a troca com a bicicletaria.
6. Bicicleta ruim é a primeira causa do desestímulo ao uso da bicicleta.
As bicicletas fabricadas no Brasil são, em sua maioria, tamanho 18 ou 19 polegadas.
Há algumas variações na forma utilizada pelos fabricantes para medir suas bicicletas. Portanto, é possível encontrar bicicletas de idênticas medidas, mas que por suas aparências, dão a ideia de tamanhos diferentes.
O tamanho correto de uma bicicleta de estrada ou profissional, bem como seu ajuste ao ciclista, deve ser estabelecido por um profissional especializado.
O QUE É DOWNHILL?
Downhill é uma modalidade do Mountain Bike em que o ciclista tem o desafio de descer montanhas o mais rápido possível. Nasceu na Califórnia na segunda metade da década de 70.
Ciclistas hippies da época, cansados do uso da bicicleta somente no asfalto, se encontravam nas montanhas de Marin County, perto de San Francisco, Califórnia, para descer montanha abaixo. Para isso eles utilizavam bikes tipo cruiser (muitas delas da marca Schwinn) e as adaptavam para o uso fora de estrada, utilizando pneus mais largos e freios mais potentes. Entre estes pioneiros do MTB estavam nomes como Gary Fischer, Tom Ritchey, Joe Breeze, Charlie Kelly entre outros.
O DH foi então a primeira modalidade do MTB a ser praticada.
EVOLUÇÃO
As competições de Downhill são recentes. A primeira foi no Colorado (USA), em 1990, e quem venceu foi o norte americano Greg Herbold.
No Brasil, as primeiras competições datam de 1991 e eram praticadas com bicicletas para o Cross Country. As pistas eram verdadeiros estradões de terra, com trilhas abertas sem grandes obstáculos. A prioridade era a velocidade. Com o tempo, essas pistas foram se tornando mais técnicas com a inclusão de single tracks (trilhas estreitas), pedras, drop-off (degraus altos), gaps (vãos a serem transpostos) e duplos (obstáculo composto de rampa de lançamento e rampa de recepção com um vão entre elas), ou mesas (o mesmo que o duplo só que com o vão preenchido). Fazem parte das dificuldades que aguçam a técnica do piloto obstáculos mais naturais, como raízes, valas, erosões e a lama. Estas dificuldades acabaram por desenvolver tecnologicamente a bicicleta e os equipamentos de proteções.
PRÁTICA
Nessa modalidade se exige mais proteções, pois as quedas em Downhill não são pequenas e podem machucar facilmente. O capacete com proteção para o queixo e pescoço, caneleiras próprias da modalidade, joelheiras, muitas vezes em conjunto com as caneleiras, cotoveleiras e proteções do peito e costas.
Deve-se usar óculos de proteção pois podem saltar pedras no rosto ou, com a velocidade de descida, os olhos começarem a lacrimejar devido ao vento que bate de frente e com força e isso afetaria a velocidade de reação visto que teriam uma visão reduzida devido às lágrimas.
Bicicleta - Minhas Pernas
* Entrevista com Miriam Bacca
CHAMADA INICIAL: - Uma vez, uma menininha olhando a gente passar, gritou: - Olha! Uma bicicleta escolar! Fazendo analogia ao “ônibus escolar”, lembra Miriam. Mãe de três filhos, era comum as pessoas conviverem no trânsito com ela a caminho da escola, e todos acomodados na bicicleta.”
Ela vai ao trabalho, às reuniões de negócios, ao supermercado, encontros com amigas, levar a neta na escola - tudo de bicicleta. Miriam Bacca é uma empreendedora catarinense, avó, 55 anos, que mora em Rio do Sul - SC, no Alto Vale do Itajaí. De uma família de cinco irmãos, a bicicleta sempre esteve inserida em suas rotinas. Na infância e adolescência, Miriam pedalava uma das imensas bicicletas da família para ir à escola, cuidar do irmão mais novo e também para se divertir.
Fotos registram ela, ainda bebê, no colo de seu pai, e de bicicleta. Hoje, essa cena se repete com Miriam levando sua neta de dois anos para todos os lados. “Só uso o carro se a chuva é muito forte ou se o trajeto é muito grande. E se a chuva é fraca ando com o guarda-chuva,” afirma ela que encarou, dia desses, encarou, dia desses, pedalar 24 quilômetros como meta para um desafio pessoal. “Queria saber se conseguia.E consegui.Cheguei cansadinha,mas valeu a pena tentar!”.
Quebrando Paradigmas
CHAMADA: “As pessoas se chocavam. Mulher de médico andando de bicicleta”
Miriam casou com o médico Eduardo Bacca (já falecido). “As pessoas se chocavam. Mulher de médico andando de bicicleta? Mas isso nunca alterou minha rotina. E meu marido, que tinha na simplicidade a sua filosofia de vida, sempre respeitou, apoiou e incentivou meu estilo”, afirma ela, passeando entre muitas lembranças.
A bicicleta que encantou e surpreendeu as pessoas nas tranqüilas ruas de Rio do Sul foi comprada de seu avô e ficou com ela mais de 27 anos quando, após uma reforma patrocinada pelos filhos, foi roubada.
Qualidade de Vida
CHAMADA: “Sinto-me tão à vontade de bicicleta quanto encima das minhas pernas”
“Além da questão ecológica – porque o uso da bicicleta reduz a emissão de gases poluentes, ainda estão questões práticas. Pedalar me faz economizar tempo e combustível, espaço nos estacionamentos e amplia minhas possibilidades de convivência com a natureza e as pessoas” afirma com convicção.
A saúde conquistada com o exercício físico lhe garante não só vitalidade, mas também uma capacidade de absorção do meio muito mais amplo. Visão, memória e agilidade fazem parte do ganho.
Seu hábito é tão arraigado que sua percepção da paisagem fica restrita dentro do carro. “Quando viajo a turismo, lamento não levar minha bicicleta porque tenho certeza de que os passeios seriam muito mais produtivos. A velocidade do carro e o trânsito tiram a chance de vermos com mais calma as coisas em volta e a bicicleta proporciona esses prazeres que são insubstituíveis”.
Essa paixão pela bicicleta está presente na sua vida de forma natural, espontânea, visceral. Não é uma causa, nem uma campanha. Miriam é exemplo de inovação: alguém que ignora modismos ou tendências para viver da forma mais saudável.
Ciclista Otávio Bulgarelli é o novo integrante da elite do ciclismo mundial
O ciclista brasileiro Otávio Bulgarelli assinou, dia 23 de setembro, contrato com a equipe profissional italiana ISD-Neri-Giambenini, para a temporada 2011. A equipe é uma das forças do ciclismo europeu, a quarta no ranking Continental UCI, e conta com nomes de grande destaque, como Giovanni Visconti, atual campeão nacional e líder do ranking europeu de ciclismo.
Sua apresentação oficial está marcada para o dia 15 de dezembro, na cidade de Pistóia, na Itália. Bulgarelli, de 26 anos, participou da seleção brasileira de ciclismo que conquistou a medalha de bronze nos Jogos Pan-Americanos do Rio de Janeiro em 2007. Em 2010, fez parte da equipe italiana MG.K Vis Norda Whistle, onde chamou a atenção dos dirigentes da nova equipe.
A ISD-Neri-Giambenini, na próxima temporada, se chamará Farnese-Vini-Neri, por conta de um novo patrocinador. O reforço no orçamento acompanha a idéia dos executivos, que pretendem colocar a equipe entre as 10 melhores do mundo em três anos.
Projeto é finalista de concurso mundial de design
O designer Hamed Kohan, do Irã, chamou a atenção na última edição do Seoul Cycle Design Competition 2010, uma competição internacional de design. Sua idéia, batizada de “Spread your love” (Espalhe o seu amor), chegou às finais do concurso. Concorrendo com mais de três mil outros projetos, a inovação conquistou pela simplicidade. Trata-se de um projeto de pneus de bicicleta com formas de coração, que deixam um rastro pelo chão com as formas desenhadas na borracha do seu pneu. Conforme o usuário pedala, ficam carimbados vários corações no chão. Segundo o designer, seu projeto é “simples e forte, como o amor”.
Movistar Busca Sul-Americanos para 2011
A equipe Movistar segue buscando reforços. Fechado o acordo com a Telefônica, seu novo patrocinador, que tem interesses comerciais fortes na América do Sul e Central, a Movistar está atrás de ciclistas no continente. A busca é por um atleta mexicano, brasileiro e um argentino. Os ciclistas Tondo, Konovalovas, Samoilau e Pardilla são reforços já confirmados.
Clubes de Bike pelo Brasil
Os clubes cumprem um papel importante e fundamental no mundo da bicicleta. É um espaço que permite a integração e interação das pessoas que compartilham a paixão pelo pedal. Em grupo, as pessoas se motivam e se incentivam, trocam idéias, experiências, e nessa interação, criam vínculos de amizade. Além disso, são uma ferramenta de incentivo, para ajudar a divulgar a importância da bicicleta, e assim atrair novos membros. Os clubes fortalecem a mensagem da bike como modelo de mobilidade sustentável, exercício físico saudável e prazeroso, lazer e diversão.
Em cada edição, destacaremos clubes de bicicleta pelo Brasil.
GOL DE BICICLETA
43 minutos do segundo tempo. A torcida apreensiva, o jogo está empatado. O time da casa tem um escanteio a seu favor. Batido o escanteio, a bola viaja até a grande área. O camisa 10 arma o lance: de costas para o gol, salta e gira com os pés no ar, por cima da própria cabeça, tal como pedalando uma bicicleta. Por isso, esse belo lance acrobático foi batizado de bicicleta pelo repórter brasileiro Gagliano Neto, quando Leônidas da Silva, exímio executor, popularizou a jogada. Há controvérsias sobre o verdadeiro inventor da acrobacia, embora muitos historiadores concordem em atribuir a invenção à Ramón Unzaga Asla. Nascido em Bilbao em 1894, Ramón teve que acompanhar a família emigrante para o Chile, quando tinha 12 anos. Narra-se que foi em 1914, no estádio El Morro – Município de Talcahuano, que o jogador ensaiou pela primeira vez o lance, e semana após semana repetia o movimento. Se ainda estivesse vivo, Ramón teria uma bela história para nos mandar no Eu Pedalo: http://www.revistabicicleta.com.br/.
Na próxima edição, conheça a “pedalada”.
Cycle Chic
O pedal prático & elegante
Por Verônica Mambrini - Fotos: Mikael Colville-Andersen
Uma foto foi capaz de mudar o mundo das bicicletas, e a cara de muitas cidades pelo mundo. No momento em que o semáforo muda de vermelho para o verde, o cineasta Mikael Colville-Andersen captou a imagem da menina que tomava impulso para seguir em sua bicicleta, nas ruas de Copenhagen. De 2006, ano em que a foto foi tirada, para cá, milhares de versões dessa cena foram produzidas, captando quem vai de bike pela cidade, a trabalho ou a lazer, em suas roupas comuns - nada de roupas e acessórios de ciclismo. Colville criou o blog Copenhagen Cycle Chic para postá-las, e com isso inspirou diversas cidades a fazer o mesmo.
Uma ideia simpática, não?
Em Copenhagen, na Dinamarca, 37% da população vai pedalando para a escola ou para o trabalho todos os dias, saem de bike para jantar ou ir ao cinema. Mesmo sem tantos modelos espontâneos pelas ruas, o Brasil está na lista de países que aderiram ao movimento. Aqui, há blogs com flagrantes de São Paulo e de Curitiba. Pedalar chic não é tirar a melhor roupa do armário; é escolher as que você usaria normalmente em seus compromissos, deixando a lycra para os treinos. Vale o estilo despojado, de jeans, tênis e camiseta, tanto quanto o vestido floral com saltinho. Em cima de sua bicicleta, o ciclista é quem manda.
Uma ideia simpática, não? E totalmente possível, como as ruas de capitais como Paris, Rio de Janeiro, Amsterdan, Milão ou Lisboa provam. Uma com morros, outra com temperaturas muito altas ou muito baixas, todas são amigáveis para as bicicletas e para o cycle chic. É questão de vontade e de jeito. A forma de se vestir diz muito sobre quem somos. O Cycle Chic serve de inspiração: então, deixe a lycra em casa por um dia e leve seu estilo próprio para o pedal.
Verônica Mambrini, jornalista especializada em comportamento, pedala pelas ruas de São Paulo e mantém o blog www.gataderodas.blogspot.com
BIKE FIT - O primeiro passo para uma boa pedalada
Você sai para comprar uma roupa, e solicita à vendedora que lhe mostre uma marca ou modelo. Ela instantaneamente lhe pergunta: Que número você veste? Mas, dependendo da marca ou modelo, o mesmo número pode apresentar diferenças no comprimento ou largura. Você compra a calça, procura um alfaiate com o objetivo de ajustar a roupa nas exatas medidas do seu corpo. Esse trabalho artesanal permite que você se sinta bem mais confortável e elegante. De modo similar, o bike fitter é o “alfaiate da bicicleta”.
O primeiro passo é a base de tudo. O que poucos sabem é que para cada pessoa existe um tamanho ideal de bike. Nos Estados Unidos e países da Europa, onde o ciclismo está incorporado à cultura e modo de vida da população é muito comum as pessoas recorrerem ao Bike Fit para descobrirem quais são as medidas ideais de bicicleta antes de realizar a compra. No Brasil, o que mais percebemos são pais que compram bicicletas acima da numeração para seus filhos, pois acreditam que quando eles crescerem a Bike ficará no tamanho ideal. Essa preocupação com os gastos e despesas na aquisição da bike pode custar desconforto, e até causar a perda do prazer de pedalar.
É muito comum ver pessoas que têm vontade de adotar o ciclismo como prática diária, mas não se adaptam, por sentirem dores no corpo depois de pedalar cerca de uma hora. Essas dores geralmente se apresentam em pelo menos um dos seguintes pontos anatômicos: glúteo, pernas, pés, mãos, coluna, pescoço, região lombar, entre outras. Essas dores estão em sua maioria relacionadas a um mau ajuste do ciclista a Bike em pelo menos um dos seguintes fatores: tamanho do quadro, altura ou recuo do selim, avanço e altura do guidão. A combinação dessas medidas aos ângulos das articulações do ciclista é que vai determinar o perfeito ajuste da bike ao corpo do ciclista. Sempre que o corpo for obrigado a sair da sua posição natural para se ajustar, há desconforto e até lesão.
A princípio, o Bike Fit pode parecer algo simples ao ponto de acreditarmos que alguém que é experiente no pedal saiba ajustar bem uma bike. No Brasil existem vários mecânicos de bicicleta que fazem esses ajustes. Mas a coisa não é tão simples assim. Um bom Fitter precisa ter boas noções de mecânica de bicicleta, anatomia e fisiologia humana, biomecânica, biometria e sinesiologia, entre outras áreas do conhecimento. Afinal são muitas variáveis e uma pequena mudança de 3 mm na altura do selim pode acarretar uma alteração de meio centímetro no seu recuo, e até 1 cm na altura da mesa dependendo da antropometria do atleta.
Assim, Bike Fit é uma ciência que não tem uma receita pronta. Cada caso é um caso. E o uso de ferramentas adequadas é fundamental para uma boa avaliação e ajuste, da mesma maneira que um médico precisa de um bom laboratório de análises clínicas para efetuar um perfeito diagnóstico da doença.
Resumidamente o ciclismo é um esporte no qual o atleta se conecta a bicicleta em três pontos: Guidão (Mãos), Selim (Glúteo), Pedais (Pés). O perfeito ajuste entre esses três pontos permite variações de comprimentos e ângulos permitindo um ajuste perfeito.
O interessante é que as pessoas e atletas estão dispostos a pagar fortunas em selins de gel, componentes de carbono, rodas com rolamentos selados, marcas famosas, mas poucos se preocupam em estar bem posicionados sobre a bike. Consideram isso um fator secundário, quando deveria ser o ponto de partida para a prática do ciclismo.
O primeiro passo para quem quer começar a pedalar deveria ser realizar um Bike Fit, e depois, de posse das medidas de cada componente, sair em busca da bike ideal. Somente assim ela conseguirá obter um produto que lhe proporcione real satisfação.
Mas falando assim, pode parecer que o Bike Fit é importante somente no momento da compra da bicicleta. Isso não é verdade. Por se tratar de um esporte altamente aeróbico, a pessoa perde peso muito rápido e com isso sua flexibilidade aumenta. Vamos entender isso melhor. Uma pessoa com sobrepeso que apresenta uma proeminência abdominal (barriga) e não consegue se curvar muito sobre a bike, mas à medida que vai emagrecendo e perdendo a barriga, consegue inclinar mais seu tronco diminuindo o ângulo em relação ao solo, adotando uma posição mais aerodinâmica. Com isso talvez seja necessário mudar a altura e/ou avanço do guidão ou até mesmo a altura do selim.
Pensando por esse lado, atletas de alta performance estão sempre a procura de ajustes perfeitos para cada mudança física e fisiológica, uma vez que um bom Bike Fit pode melhorar o rendimento em até 14%.
Isso a princípio pode parecer pouco, mas quando se pensa em uma corrida de duas horas isso pode significar um ganho de quase 17 minutos. Imagine então para cicloturistas que passam um dia todo pedalando durante vários dias seguidos.
Algumas coisas são custos, outras investimentos. Comece pelo princípio: faça um bom Bike Fit. Depois, uma boa aquisição e boas pedaladas.
RED BULL 5000 DOWN – CANADÁ
A nevada montanha Whistler “pegou fogo” com a descida alucinante dos ciclistas no Red Bull 5000 Down.
Nos dias 11 e 12 de setembro, 250 homens e mulheres se reuniram no pico nevado da montanha Whistler, no Whistler Blackcomb Resort, em British – Canadá. O objetivo: chegar antes numa descida alucinante, literalmente voando para baixo até a Aldeia Whistler.
Eles dedicaram o final de semana inteiro ao evento, vindos de toda a parte para testar sua resistência e habilidade no downhill. No sábado, dia 11, os pilotos fizeram a metade inferior da descida, numa etapa de classificação. O australiano Chris Kovarik e a Canadense Brook Baker chegaram à frente.
No domingo, todos subiram ao topo para a grande largada, com 4cm de neve no chão, enfrentando o clima bem ao estilo da costa oeste, com garra e determinação. Em linhas de 10 pilotos, do mais rápido para o mais lento, segundo a eliminatória de sábado, os pilotos desceram 2.320 m (12,3 km) e uma queda vertical de 1.503 metros (5.020 pés), por trilhas enlameadas, raízes espalhadas pelo chão, quedas, saltos e acrobacias: para delírio da torcida.
Em pouco menos de 22 minutos, a uma velocidade média de 76 quilômetros por a hora, o canadense Tyler Morland cruzou a linha de chegada na Aldeia Whistler. Das mulheres, a também canadense Lauren Rosser foi a mais rápida. Os cinco primeiros homens e as três primeiras mulheres repartiram um prêmio de treze mil dólares.
ROTEIRO - VALE EUROPEU
Paisagens que envolvem cultura e natureza, num roteiro tranquilo programado para os amantes do ciclismo, o Circuito Vale Europeu torna-se referência e exemplo de organização para o Cicloturismo.
Estradas sinuosas, rios, cachoeiras, construções típicas e centenárias, flora e fauna. Tudo isso aliado a hospitalidade de um povo de cultura alemã e italiana, com a educação costumeira de moradores, fazem desse roteiro uma lembrança inesquecível.
Este é o primeiro roteiro no Brasil planejado especialmente para ser percorrido de bicicleta. O trajeto foi traçado de forma a fugir das estradas de asfalto, priorizando assim as estradinhas de terra, mais bonitas e tranquilas. Todas as distâncias, relevo, atrativos culturais e ecológicos foram pensados de forma que o cicloturista tire o máximo proveito de sua estadia no Vale Europeu.
A região onde passa o Circuito possui belíssimas paisagens e uma natureza bem preservada, com muitas áreas de Mata Atlântica ainda intocadas. Nas partes mais altas há também as imponentes araucárias, típicas do Sul do Brasil. A presença da água é um dos destaques deste roteiro, além de ser uma das áreas com maior concentração de nascentes do país. São inúmeras cachoeiras, rios e riachos pelo caminho.
Outro aspecto interessante do Circuito é a marca da cultura européia que se manifesta fortemente nos hábitos e tradições da população. A imigração, inicialmente alemã, seguida da italiana, é visível em muitos aspectos como a arquitetura, a gastronomia, a música e os esportes.
Durante as pedaladas, o cicloturista poderá, por exemplo, observar a arquitetura Enxaimel, proveniente do sul da Alemanha, provar vinhos e queijos produzidos com a tradição italiana e entrar em contato com o modo de vida simples e tranquilo das pessoas do campo.
O Circuito tem um total de 300 km com início e término na cidade de Timbó-SC, a cerca de 30 km de Blumenau. O percurso pode ser dividido em parte alta e parte baixa.
A parte baixa acompanha o vale dos rios e as pedaladas seguem pelas cidades de Timbó, Rio dos Cedros, Pomerode, Indaial, Ascurra, Apiúna e Rodeio. Possui subidas e descidas, é claro, mas retorna sempre a uma altitude pouco maior do que a do nível do mar. Por estas características de relevo, pode ser feito por pessoas que possuam um condicionamento físico razoável e uma certa experiência com bicicleta.
Já na parte alta, o Circuito sobe a serra em direção às represas, que ficam a cerca de 700 m de altitude. É uma região um pouco mais isolada, onde a natureza está muito presente. São frequentes os trechos em que a estradinha estreita se embrenha na mata e permite que o cicloturista fique muito próximo dos pássaros e outros pequenos animais.
O relevo é mais acentuado e exige um bom preparo físico para enfrentar alguns desafios, como os longos trechos de subida, e certa experiência em cicloturismo, uma vez que o roteiro cruza locais menos habitados.
A tradição do ciclismo é também um dos traços da cultura local. Diariamente, famílias inteiras utilizam a bicicleta como meio de transporte. Por isso, o cicloturista é encarado com muita naturalidade e encontra uma ótima receptividade.
Além do Circuito a ser percorrido de bicicleta, a região possui diversas opções e infraestrutura turística para a prática de outros esportes de aventura, como rafting, rapel e caminhadas.
Não esqueça de levar:
- lanche e água para o dia de pedalada.
- agasalhos, por que mesmo no verão a temperatura pode cair bastante.
- capa de chuva, pois as chuvas são distribuídas ao longo do ano todo.
Apesar de ser no sul do Brasil, a região tem dias bem quentes, principalmente no verão. Nesta época, planeje-se de forma a não pedalar nas horas mais quentes do dia.
Evite levar peso desnecessário, mas esteja autossuficiente em termos de ferramentas e peças sobressalentes.
Carregue a bagagem na bicicleta, evite levar peso nas costas.
Equipe a bicicleta com recipientes de água (caramanholas) ou leve mochila de hidratação.
É importante realizar suas reservas nos hotéis e pousadas com antecedência.
Uma vez que as estradinhas do Circuito não são a ligação mais direta entre as cidades, é aconselhável estudar o roteiro, dia a dia, analisando bem os mapas, planilhas e planos altimétricos.
Evite fazer a viagem na época da Oktoberfest pois a região toda fica muito movimentada.
IMPORTANTE: A retirada do Passaporte e do certificado deverá ser feito na cidade de Timbó (Associação Vale das águas/Thapyoka), situada na Avenida Getúlio Vargas, 201- Centro - Timbó - SC.
Fone: 47 3382.0198 - 47 3382.6811
E-mail: circuitovaleeuropeu@tpa.com.br
Site: www.circuitovaleeuropeu.com.br
COLUNA: PALAVRA DE MECÂNICO
“É melhor prevenir do que remediar” – Com certeza você já ouviu essa máxima. Na coluna palavra de mecânico, veja o que os “doutores da bike” indicam para evitar uma “intervenção cirúrgica” na sua magrela.
TEMA EDIÇÃO: Dicas para manter a sua bike como nova
Iniciando as matérias que tratam de manutenção, vamos mostrar alguns cuidados para manter a bicicleta sempre em bom estado, pronta para o uso quando você precisar. Estas dicas são baseadas nas perguntas mais freqüentes das pessoas que adquirem uma bike.
Tudo culpa da bicicleta
Por Thais de Lima – Mulher de Ciclos
Tudo culpa da bicicleta: silenciosamente, ela invadiu minha vida. Quando dei por mim, tudo tinha passado a girar em ciclos, no ritmo de pedais e quilômetros. Por isso em 2008 criei um blog e perfis nas redes sociais, com um fim específico: disseminar a cultura de bicicleta.
Fiquei conhecida na web como a mulher da bicicleta, a “Mulher de Ciclos”. Mas fui percebendo, aos poucos, que a bici era só parte de um conceito muito maior, de uma palavra comprida: sus-ten-ta-bi-li-da-de.
E eu, moça pequenina, descobri como se sentir grande. Grande, mas tão grande, de mal caber no peito...! Em 2010 comecei a dar pequenos grandes passos: criar o coletivo de profissionais Veli Mobi, para empreender ações e desenvolver projetos de mobilidade sustentável e esportivos em prol da sustentabilidade.
Participar do programa internacional Climate Generation, do British Council, em projetos que colaboram para um mundo melhor... E o convite para vir aqui, falar de mobilidade sustentável, na revista com o nome mais bonito que poderia haver: Bicicleta, é claro!
Mas o que é essa coisa de mobilidade, afinal? Seria mais uma dessas eco-chatices, eco-tendências, que somos bombardeados todos os dias? Sim e não, não e sim. Sim porque é tendência, não porque ao invés de chato, é muito divertido!
Qual criança não quer de presente de Natal uma bici? Criança sabe das coisas, afinal, elas bem sabem quando algo é chato ou muito divertido... Pedale conosco, bem aqui nessa coluna, uma vez por mês, para descobrir mais sobre o que é essa coisa de mobilidade sustentável e como você pode se divertir, aliviar o bolso, ganhar saúde e deixar o planeta mais leve só com suas pedaladas. Isso mesmo: porque pedalando, oras, o mundo gira!
Mulher de Ciclos na verdade é Thais de Lima, figurinha fácil na internet que usa blogs e redes sociais para difundir o uso da bicicleta. Mais em www.mulherdeciclos.com e www.veli.mobi
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MINHA PEDALADA
Pedalada até Belém Novo
No sábado, dia 20 de fevereiro, pedalei com João, Naza e Marga até Belém Novo. Combinamos de última hora, na sexta à tarde. Às 9 horas do sábado cheguei de carro na casa de João e Naza com a minha nova bicicleta, a Laranjinha, no banco de trás da super máquina. Resolvi ir de carro porque provavelmente voltaria tarde, e não gosto de pedalar sozinha à noite. Além disso, os demais participantes da pedalada moram longe da minha casa.
Saímos do centro de Porto Alegre, numa bela e quente manhã, seguindo pela ciclovia da Avenida Beira Rio. Passamos pelo museu Iberê Camargo e pela área do polêmico Estaleiro Só. Também pelo Barra Shopping e sua polêmica ciclovia. Nossa! Quanta polêmica!
Encontramos a Marga no bairro Tristeza. Seguimos pela Coronel Marcos até a praia de Ipanema, onde a Naza teve a ideia e necessidade de se refrescar no chuveirinho do calçadão. A Marga resolveu fazer o mesmo e eu apenas tentei lavar as mãos, que ficaram engraxadas após uma teimosa tentativa de arrumar a corrente da bici.
Seguimos a pedalada pela praia de Ipanema, fazendo um pit-stop para abastecimento (bananas) antes de entrar na estrada da Ponta Grossa, zona rural de Porto Alegre. O lugar é ocupado basicamente por sítios, sedes de clubes e associações.
Chegando em Belém Novo, encontramos o anfitrião, Luis, no supermercado do centro e, após recebermos as coordenadas, seguimos de bici até a sede da ONG "Guardiões do Lago Guaíba", enquanto o Luis e um amigo esperavam pela Elzira, que estava chegando de ônibus.
O local marcado para o pic-nic fica na beira do rio, conhecido como a "Volta do Veludo" ou praia do Veludo. É um belo lugar, com muitas árvores e pássaros, um lugar singelo, paisagem típica deste bairro de Porto Alegre, que foi um dos antigos locais de veraneio dos porto-alegrenses.
Como o dia estava bem abafado, João comprou umas cervejinhas, que ajudei a tomar. Em seguida, começamos a preparar o pic-nic vegano. Eu levei batatinhas assadas, peras que viraram um purê, e bolo de chocolate. Apesar de não ter sido um pic-nic com toalhinha no chão (ganhamos até uma mesinha!), foi um típico pic-nic devido a presença das formigas. Elas ficaram com os farelinhos que caíram no chão, e não atacaram nosso lanche, pois tinham algo mais importante para fazer: mudança. Pelo que vimos, elas estavam mudando o formigueiro de local.
Resolvemos começar nossa "viagem" de volta. Havíamos combinado de voltar cedo e já eram quase cinco da tarde. Pelo menos, o sol estava mais fraco.
Comecei a pedalada de volta com a cabeça parecendo um porongo. Acho que a volta teve mais paradas do que a ida, e fizemos um pit-stop para abastecimento um pouco mais demorado: açaí na lojinha do posto de gasolina em Ipanema... Huuumm! Delícia!
Foi uma ótima pedalada e o que mais me deixou feliz foi a companhia da Naza, que cansa muito e aguentou firme a ida e a volta, e a da Marga, minha "dinda" querida, que começou a pedalar há pouquíssimo tempo e já se aventurou numa pedalada maiorzinha. O João é macaco velho - rsrsrs!
Obrigada João, Naza e Marga! Adoro vocês!
DADOS DO CICLOCOMPUTADOR
Chegada ao centro de Belém Novo
Distância pedalada: 59 Km
Tempo: 4h03min
Média: 14,5
weigmann
55 anos de paixão pela bicicleta!
Em 1955, com apenas 16 anos, o Sr. Edwin Weigmann fundou a Weigmann Bicicletas e Acessórios Ltda.
Em 1965, Edwin construiu sua sede própria na Rua Joaçaba, 47, no Bairro Victor Konder, estrategicamente posicionada às margens da Estrada de Ferro de Santa Catarina (EFSC), em frente à estação de trem. Nesta época, muitos clientes de outras regiões traziam, através do trem, suas bicicletas para consertar. Do período da sua fundação até hoje, a empresa enfrentou muitas dificuldades, como planos econômicos, falta de peças para reposição e, principalmente, as grandes enchentes que ocorreram na região em 1983 e 1984.
Tornou-se então a mais tradicional loja de bicicletas da região, com 55 anos de bons serviços, gerando assim grande confiança na relação comercial com os seus clientes.
Atualmente, a empresa efetua vendas de bicicletas, peças e acessórios no varejo e também no atacado, atendendo aos ciclistas que utilizam sua bicicleta como meio de transporte, recreação e profissionalmente. E ainda efetua consertos e reformas com mecânicos especializados. Conta hoje com oito funcionários.
A Weigmann Bicicletas e Acessórios tem como visão tornar-se a maior empresa de distribuição de peças e bicicletas do Vale do Itajaí, e ser referência na manutenção de bicicletas, até 2012.
Sua missão: Levar ao cliente sempre o produto que satisfaça a sua necessidade, com excelente custo-benefício, e prestar serviços que garantam a segurança e o bem-estar total para seus clientes.
As estatísticas revelam um aumento da sensação de insegurança do brasileiro. O aumento da violência e casos de furto vêm crescendo não só nos grandes centros urbanos, mas também nas zonas rurais.
Os impactos na sociedade são extensos, desde os hábitos de consumo e de trabalho, até questões mais pessoais, como opções de entretenimento. Infelizmente, os ciclistas também sentem e sofrem com essa tendência.
Não temos estatísticas que mostram a realidade sobre bicicletas roubadas no Brasil, embora na maioria dos casos os relatos sejam de furto apenas, sem uso de violência. Quem já teve sua bicicleta roubada sabe que sensações isso provoca: a perda do seu bem, a impotência, a insegurança, a revolta pela injustiça e pela forma como o roubo aconteceu.
No sentido de auxílio às vítimas, há uma iniciativa interessante no site www.bicicletasroubadas.com.br. É o Cadastro Nacional de Bicicletas Roubadas, que permite informar o roubo da sua bike, ajudando na recuperação, além de permitir que lojistas e consumidores saibam do furto, e evitem comprar material roubado.
Apesar de algumas causas do roubo fugirem do controle do ciclista, há medidas de prevenção e equipamentos que ajudam a minimizar a insegurança
PRÓXIMA EDIÇÃO.
Na próxima edição, você vai conhecer os principais acessórios que podem lhe ajudar nessa missão.
CLARO 100K – 4º ETAPA - BRASILIA
Mais de 500 ciclistas mudam o visual das avenidas da capital – os carros deram lugar ao pelotão das duas rodas.
“O ar seco do Cerrado foi o maior desafio para os ciclistas. Batemos mais um recorde com aproximadamente 500 ciclistas, vindos de todo Brasil, numa prova ciclística em Brasília”, comenta Mario Roma.
No ano do seu cinqüentenário, Brasília recebeu a 4º etapa da Copa Claro 100k, no dia 12 de setembro. Nem o ar seco do Cerrado impediu o recorde de participantes: mais de 500 ciclistas, de todas as partes do país, invadiram as avenidas da capital brasileira. O evento contou com infraestrutura completa e consolida-se como a maior prova ciclística destinada aos apaixonados do esporte, família e amigos.
Um dos destaques foi o empresário João Paulo Diniz, que competiu na equipe MPR na categoria Escuderias (Assessorias Esportivas), ao lado do paulista Tito Angelucci, empresário e aficcionado por ciclismo, além de Eduardo Sahran.
“Fizemos todas as provas até agora da Claro 100k. A organização está de parabéns, assim como os patrocinadores, a Claro, a Mitsubishi (TAP e Shimano), que apoiam um esporte como esse que precisa de incentivo já que temos tantos atletas bons por aqui. Essas provas fazem muita diferença. Aqui em Brasília é muito seco e um lugar muito bonito, o local da prova estava super bem cuidado. Super bacana mesmo, parabéns!”, comenta o empresário Tito Angelucci de 38 anos.
A movimentação começou cedo – aliás, com meses de antecedência – com o trabalho de uma equipe de 42 profissionais vindos de São Paulo, além dos staffs locais, que às cinco da manhã do domingo, dia 12, já estavam de prontidão na pista para receber os competidores. Às 8 horas da manhã foi dada a largada para cinco voltas no percurso de cerca de 20 quilômetros. O pelotão acelerou forte, com velocidade média sempre superior a 40 km/h. Os ciclistas estavam distribuídos nas categorias Elite, Open e Escuderias.
A cada volta, o grupo de atletas da Elite foi se fragmentando, e a partir da terceira volta, três ciclistas abriram uma boa vantagem em fuga. Gustavo de Almeida e Silva (speed), João Paulo Firmino (MTB) e Ailton Barros de Oliveira (speed) trabalharam juntos revezando-se na liderança. No sprint, melhor para o mountain biker João Paulo Firminino, de Batatais (SP). Logo atrás com menos de meia roda chegaram o primeiro e o segundo colocados, respectivamente, na elite estrada: Ailton Barros de Oliveira (Unicesp) e Gustavo de Almeida e Silva (Clube Fernandes de Ciclismo).
No feminino, as irmãs Fernandes de Goiânia (GO) dominaram a prova, fazendo dobradinha com Márcia, de 19 anos, e Janildes, de 30 anos. A carioca Daniela Genovesi fechou o pódio na terceira colocação.
Já no triathlon, Luzia Bello (São Caetano do Sul) confirmou o favoritismo e faturou mais uma, garantindo sua participação na Claro Brasil Ride, prêmio destinado a todos os campeões da Copa Claro 100K. Na categoria Escuderias, destinada a disputa por Assessorias Esportivas, o ciclista mais veloz em Brasília foi Luiz Henrique Escudero Filho, que defende a equipe Adriana Nascimento.
A Copa Claro 100k teve sua primeira etapa em Rodoanel – SP. Depois percorreu Campinas – SP, e fez sucesso no Rio de Janeiro – RJ.
A grande final da Copa Claro 100K acontecerá na escalada da Serra de Campos do Jordão (SP), no dia 17 de outubro.
RESULTADOS
ESCUDERIAS – GERAL
PLUIZ HENRIQUE ESCUDERO FILHO/ 02:08:42/ ADRIANA NASCIMENTO
OPEN VETERANO MASCULINO
ROBERT ROY SCHNEIDER/ 02:25:34/ COROAS DO CERRADO
OPEN VETERANA FEMININO
SONALIA PEREIRA DE OLIVEIRA/ 02:44:35/ AVULSO
OPEN SUB 60 MASCULINO
CELSO DELLE DONNE LUCHIARI/ 02:33:20/ MAX CICLISMO
OPEN SUB 55 MASCULINO
RICARDO LUCHIARI/ 02:15:31/ SÃO LUCAS SAÚDE/GIANT/AMERICANA
OPEN SUB 50 MASCULINO
PAULO FELIPE VASCONCELOS/ 02:15:29/ CICLORACE
OPEN SUB 45 MASCULINO
ROBERTO FRANCA DOMINGUES FILHO/ 02:14:37/ CICLO RACE
OPEN SUB 40 MASCULINO
CASSIANO JOSÉ ZANELLO COELHO/ 02:15:29/ AVULSO
OPEN SUB 35 MASCULINO
MARCELO OLIVEIRA/ 02:14:38/ ACC/ ACADEMIA ENSEADA - VITÓRIA/ES
OPEN SENIOR MASCULINO
RENATO SARTORIO RAMOS/ 02:15:29/ AVULSO
OPEN JUNIOR MASCULINO
KAIQUE MATEUS DE SOUSA DIAS/ 02:15:26/ UNICESP/NEOCOM/JCGONTIJO
OPEN JUNIOR FEMININO
RUTH BUHAMAD GARBI NETA/ 02:31:56/ CICLOVECE - TRIAX TEAM
OPEN FEMININO
ANDREA LEITÃO/ 02:28:50/ GRUPO SUPERTRAT
ESCUDERIAS
WALTER TUCHE/ 02:14:06
ELITE TRIATLHON MASCULINO
CASSIO EDUARDO ROCHA MARTINS/ 02:08:41/ AVULSO
ELITE TRIATLHON FEMININO
LUZIA BELLO/ 02:23:05/ ESPORTE CLUBE SAO CAETANO/CESC
ELITE MTB MASCULINO
JOÃO PAULO FIRMINO PEREIRA/ 02:08:07/ TROPICAL AUTO POSTO
ELITE MTB FEMININO
RAQUEL FRANÇA DE QUEIROZ/ 02:08:41/ SÃO CAETANO DO SUL
ELITE ESTRADA MASCULINO
AILTON BARROS DE OLIVEIRA/ 02:08:07/ UNICESP/MÍDIA LOGUI/MEGA FORÇA
ELITE ESTRADA FEMININO
MARCIA FERNANDES SILVA/ 02:08:41/ CLUBE FERNANDES DE CICLISMO
Entrevista com Mário Roma
Um resumo introdutório sobre Mario Roma: História, origem, conquistas, atualmente, etc
Português, natural de Lisboa, Mário Roma tem um currículo tão extenso quanto as distâncias longas que adora encarar pelo mundo. Primeiro ciclista em Portugal e no Brasil a participar de Ultramaratonas de MTB, foi abrindo as portas e estimulando bikes em ambos os países seguindo seu lema "pessoas comuns em lugares incomuns". Casado com Andrea, pai de duas filhas: Giulia e Sophia, administra sua agência de Marketing, a Roma Comunicação, realiza, hoje, os maiores eventos de ciclismo do Brasil, Mário ainda consegue treinar para obter resultados incomuns como medalha de bronze no mundial solo de 24 horas Máster, nono lugar Máster na Cape Epic (ele e seu parceiro se conheceram 15 minutos antes da largada). Este ano, venceu duas Ultramaratonas, uma no Chile e outra no Canadá, embarcando na TAP, em Guarulhos, como se já fosse tripulante, de tantas horas de vôo. Até setembro, Mário já tinha participado de 4 eventos na Europa. Pesquisando no Google, são mais de 50 mil páginas sobre esta figura. Ver o que ele já fez e ainda continua fazendo, é para deixar qualquer um cansado. Como será que ele não fica? Vamos tentar descobrir o segredo deste português, apaixonado pelo Brasil, homem de família, amigo dos seus amigos, que sempre tem tempo para todos e adora somar.
1 – O que é o esporte para você, e quando ingressou nele?
Esporte fez parte da minha educação escolar em Portugal. Nas escolas portuguesas, o ensino do esporte é muito forte e completo. Comecei a competir cedo, e com 8 anos ganhei meu primeiro título de Campeão Português de vela na categoria Otimist.
2 – Qual foi sua maior conquista no esporte ?
As amizades que fiz pelo mundo, através do esporte, passando por Vela, Surf e Bike, sem dúvida são o maior legado de 40 anos de esporte. Em cada momento, em cada fase, existe uma dificuldade. Vencer a mim mesmo é minha maior conquista. Quando treinava para as olimpíadas de vela, eu tinha uma vida focada nisso: eram aqueles milésimos de segundos, aqueles milímetros a mais. Hoje, os desafios são outros: arrumar tempo para treinar entre pegar as crianças na escola, trânsito, empresa... No fim, as dificuldades continuam, e o prazer da conquista é o mesmo. Vencer essas dificuldades é sentir o prazer da conquista, e esse prazer está presente nas competições. Quando o atleta perde esse prazer, deixa de competir. Medalhas acabam em gavetas, garagens e clubes. Títulos, ninguém lembra. Mas de um bom amigo ninguém esquece. Uma boa risada, uma viagem, um bom vinho, uma boa refeição, um visual inesquecível: isso é que fica gravado, é perpetuo.
3 – Como a bicicleta entrou em sua vida ?
Comecei a pedalar quando fui fazer um estagio nos EUA. Lá, meu vizinho pedalava, e eu fui tomando gosto. Ao voltar para o Brasil, participei de provas de aventura EMA e outras, mas a logística era complicada sendo quatro elementos. Em uma de minhas viagens, comprei uma revista onde tinha as maiores provas do mundo e a maior era a Transalp 600km e 22000 metros de ascensão. Resolvi encarar isso como estréia, em 2003, e não parei mais.
4 – O que a bicicleta representou e representa para você até hoje no campo da competição ?
A bicicleta faz manter o espírito de competição aguçado dentro de mim. Mesmo morando num cidade com 12 milhões de habitantes, tendo uma família e uma empresa para administrar, treino todos os dias na USP de speed, e fins de semana ando de Mountain Bike.
5 – Como você vê o ciclismo brasileiro e mundial hoje?
O ciclismo no mundo inteiro esta crescendo, talvez porque estamos falando de ciclismo e não mais só MTB, Speed, BMX, etc. Agora, se fala de ciclismo como um todo: competição, lazer, qualidade de vida, solução para grandes cidades... Interligar a bike com um todo faz o ciclismo crescer muito, e o esforço, a nível profissional, de combater o doping, dando uma imagem mais limpa para o esporte. No Brasil, dá para sentir que o ciclismo virou discurso político, produto de publicidade de grandes empresas. Esse crescimento é travado por alguns motivos, como o alto valor dos impostos sobre os produtos, falta de infra-estrutura para a prática do esporte, respeito pelos ciclistas nas estradas, pistas em parques para praticar Mountain Bike e a segurança, que é um grande problema nacional.
6 - Fale do relacionamento Mario Roma – Patrocinadores".
O significado de “patrocinador é pessoa física ou jurídica que assume a responsabilidade financeira e assistencial, de manutenção, marketing e promoção, de uma pessoa, grupo, time, equipe ou eventos”. Porém, existe o lado do patrocinado, que a meu ver, consiste em entregar o que foi vendido ao patrocinador. Tendo isso sempre em mente, a relação vai se solidificando a cada ação. Várias empresas são minhas parceiras desde o início, e fomos construindo uma relação muito sólida e profissional. A Brasil Soul MTB, minha equipe de MTB, conta com o apoio da Ethika suplementos, Star Soft, Scott, Magura, Ergon, Topeak, Barbedo, Continental, Fisik, Thule e em conjunto com os eventos, a Claro, Mitsubishi, Tap e Shimano. Através de um trabalho sério, acabamos atraindo essas quatro grandes empresas, que são sinônimo de sucesso empresarial em diversos segmentos. A Claro se posicionou no esporte nacional abraçando o ciclismo como seu esporte oficial, assim como a Mitsubishi, Tap e Shimano são empresas que estão envolvidas nos projetos como um todo. A nossa entrega está dentro do contratado, e sempre surpreendemos. Trazer grandes empresas para o ciclismo foi uma barreira aberta pela Roma Comunicação, no Brasil. Isso é um fortalecimento muito grande para a identidade do ciclismo. Também mostra que existe potencial, e que é possível fazer grandes eventos de bike, saindo das mídias especializadas, assim como atrair outras grandes empresas e fazer com que mais agências de propaganda comecem a olhar para o ciclismo como um produto rentável.
7 – O que representa para você realizar o Claro 100k ?
Um desafio gigante. No Brasil, não existia uma Copa Amadora de Ciclismo, ainda mais com 100k. Largamos na primeira etapa com mil atletas e, devido a um problema de falta de chip, 500 atletas ficaram de fora. Enfrentamos inúmeras barreiras. Se pensar em fazer uma maratona a pé, é possível fazer dentro de uma cidade, mas quando se pensa em fazer o mesmo percurso de bike, já é recusado por todos. Aos poucos, e com o apoio de amigos e órgãos do governo, fomos realizando as etapas da Claro 100k, no Rio de Janeiro, Campinas, Brasília e Campos do Jordão. São mais de 20 toneladas de equipamentos, 140 pessoas trabalhando, 6 carros da Mitsubishi, 18 motos, 4 fotógrafos, 4 câmeras-man, helicóptero, médicos, moto - paramédicos, UTI, banheiros na arena e áreas de apoio, frutas, água, refrigerante isotônico, sempre gelados, e gel para os atletas, além de uma infra-estrutura completa para toda a família, pois acredito que além de uma prova, estamos realizando um evento, e como tal, tem de atender toda família.
8 - O claro Brasil Ride – tem uma emoção diferente, não ?
Lógico! Aí é minha praia, meu xodó. É uma pena eu não ter tido 365 dias completos para trabalhar nesse projeto, mas esta aí, vai acontecer a maior prova de MTB por etapas no Continente Americano aqui no Brasil: que mais eu poderia querer! Os maiores nomes do ciclismo da atualidade, mídias de todo mundo, em um percurso que, para mim, é maravilhoso, único. Já pedalei em muitos lugares do mundo, e tenho a certeza que todo mundo ficará encantado com o que vão encontrar na Claro Brasil Ride. O apoio das Prefeituras de Mucugê e Rio de Contas está sendo fenomenal, assim como o apoio de empresários da região e o apoio do Governo da Bahia, através do Secretário do Turismo, Carlos Tramm.
9 – Fale sobre o Mário Roma publicitário.
Daí só vem idéias. Quando as pessoas falam que Mário Roma faz, faz aquilo, puro erro. Eu me limito a ter algumas idéias e a procurar parceiros que apóiam minhas idéias. Depois, entra em ação minha esposa e sócia Andrea, com uma equipe maravilhosa que temos na Roma Comunicação. O ambiente de trabalho é muito profissional, mas sempre com inúmeros momentos de risadas e descontração. Procuramos a todo momento nos divertir com o que estamos fazendo. Esse é um elemento que faz toda a diferença em nossos trabalhos: é feito com prazer e paixão. Tem uma frase que, para mim, é o lema da Roma Comunicação: "Espírito de equipe é o combustível que permite pessoas comuns atingir resultados incomuns". Acredito que só terei bons resultados, rodeado de pessoas no mínimo melhores que eu. Tenho conseguido me cercar dos melhores profissionais do mercado e manter um bom ambiente de trabalho entre todos. Sou muito exigente comigo mesmo e acho que isso acaba, por osmose, se passando para todo o grupo. Adoro observar, e talvez esse prazer, associado a viagens, dá a luz para produzir idéias e soluções diferenciadas para o mercado.
10 – Qual foi sua maior conquista na vida?
As minhas duas filhas, Giulia e Sophia. Elas são a minha razão de vida.
11 – Fora das pistas, quem é Mário Roma?
Pergunta difícil essa, falar de mim mesmo... Mas tem uns princípios pelos quais me guio: "não faça aos outros o que não gostaria que fizessem a você mesmo", adoro somar e dividir minhas experiências com outras pessoas, não tenho time de futebol nem partido, tenho amigos em todo mundo, de todas idades, raças e níveis sociais, minha maior paixão é viajar, sou muito família e caseiro, adoro uma boa comida e um bom vinho, como todo português. Dou muito valor aos meus amigos, pois além da família, só eles podem nos ajudar em tempos difíceis. Sou muito transparente, aí as vezes o bicho pega, porque não tenho hábito de mandar recados, quando algo não me agrada, vou cara a cara e falo para a pessoa na hora.
12 – Onde entra a bicicleta no seu dia a dia e de sua família?
O quinto elemento... a Andrea, Giulia, Sophia e trabalho são as minhas quatro prioridades. Aí entra a bike, quase como um elemento molecular dos quatro, pois a bike está inserida em nossas vidas. Todos em casa pedalam. No trabalho, é uma presença diária: minha Scott mora na minha Mitsubishi Dakar, pois treino todos os dias.
13 – Como você vê a evolução do uso da bicicleta como um todo no Brasil?
A cada dia temos mais ciclovias nas grandes cidades brasileiras. Para algumas delas, como São Paulo, já vejo como uma das melhores soluções para o trânsito. No Rio de Janeiro já existe um forte projeto, e é crescente o número de pessoas usando bike. Hoje, em São Paulo, é normal ver pessoas de terno, ou até mesmo mulheres de taieur pedalando. É super legal.
14 – O que você acha que pode ser feito a fim de ajudar mais e mais pessoas a despertar para o uso da bicicleta?
Criação de ciclovias e trilhas em Parques Nacionais, e a redução dos impostos sobre bicicletas e seus produtos.
14 – Para você, o que representa a bicicleta?
Qualidade de vida. Usando a bicicleta, seja competindo, passeando ou qualquer outra forma, estamos cuidando de nosso corpo e mente, pois a bike é extremamente saudável e relaxante. Ela nos transporta para a infância: aquela sensação de liberdade, o vento no rosto... Da primeira pedalada, todos lembram! E, psicologicamente, é um escape para o dia a dia, pois mesmo sendo uma atividade esportiva, é extremamente social. Você consegue praticar com toda família ou pedalar com amigos, batendo um papo ou simplesmente se desligar e curtir a liberdade que a bicicleta oferece.
15 – E 2011, o que podemos esperar?
Muitas novidades. A Claro 100k terá novidades para os atletas, com a possibilidade de ter equipes particulares correndo o circuito, além das assessorias esportivas, desta forma aumenta a disputa nas escuderias e contra relógios. A Claro Brasil Ride terá mais duas etapas e novos patrocinadores, estamos recebendo solicitações de outras grandes empresas nacionais. Novos desafios também já estão na pista de lançamento. A Roma Comunicação vai ser a agência responsável pelo lançamento da RC bikes no Brasil, uma nova marca internacional. Há diversos investidores nos consultando para formação de equipes profissionais de ciclismo, MTB e outros desafios que ainda não posso divulgar. Como atleta, estou empolgado em enfrentar novas ultra-maratonas na Oceania e Ásia.
Treinamento Funcional para Ciclistas
A nova tendência mundial em preparação física está conquistando cada vez mais os técnicos e ciclistas brasileiros, principalmente depois que Lance Armstrong e Nino Schurter implementaram os exercícios funcionais em seus programas de treinamento.
Este método consiste em reproduzir os movimentos específicos utilizados no cotidiano de seus praticantes, seja um atleta, um idoso ou até mesmo uma criança. Assim, em vez de trabalhar apenas um grupo muscular de forma isolada como nos exercícios sugeridos pela musculação, todos os músculos envolvidos na execução de um determinado movimento são acionados simultaneamente, o que resulta na melhora do desempenho e na prevenção de lesões.
Uma das principais características de um programa de treinamento funcional é que além de respeitar os princípios básicos do treinamento desportivo, promove a integração entre as diversas capacidades físicas como força, flexibilidade, equilíbrio, velocidade, resistência e coordenação.
Uma grande variedade de equipamentos alternativos como bolas de vinil, plataformas instáveis, medicine balls, extensores de borracha, cabos articulados, pesos livres e discos de equilíbrio são utilizados para a aplicação do método. Para um profissional capacitado e criativo, as possibilidades para combinar os exercícios na hora de planejar a periodização do treinamento são infinitas.
O treinamento funcional enfatiza o fortalecimento do centro de força do corpo humano conhecido como core. Este grupo de músculos localizados no tronco e região pélvica são responsáveis pela estabilização da coluna vertebral. Quando entram em fadiga facilmente, um padrão compensatório de movimento é adotado e gera ineficiência na pedalada.
O programa de treinamento de um ciclista deve ser elaborado de acordo com os objetivos de cada fase da temporada. Na prescrição dos exercícios, é preciso determinar com precisão a carga e a velocidade de execução dos movimentos com o objetivo de desenvolver membros inferiores fortes e velozes. Já para os membros superiores e tronco, deve ser enfatizado a resistência dos músculos envolvidos na estabilização da postura do atleta sobre a bicicleta.
Exercícios Funcionais para Ciclistas
Os exercícios devem ser executados sem intervalo entre eles. No final de cada sequência, descanse por 1 minuto e inicie novamente. Faça de 3 a 4 séries.
REMADA SOBRE A PLATAFORMA
Execução: Mantenha os joelhos semiflexionados e a coluna alinhada. Durante a expiração a barra deve ser puxada na direção do umbigo. Faça 15 repetições.
PRANCHA APOIADO NA BOLA
Execução: Com as mãos apoiadas sobre a bola de vinil e um dos pés no chão, mantenha a posição de 30 segundos a 1 minuto.
ABDOMINAIS SOBRE O BOSU
Execução: Sentado sobre o Bosu, segure a medicine ball enquanto alterna os movimentos de flexo-extensão de membros inferiores com a rotação de tronco.
Faça 20 repetições.
Fernando Silvério de Oliveira – Graduado em Fisioterapia e graduando em Educação Física pela Universidade de Marília-SP. Ministrante de cursos de formação em Pilates com a Bola e Treinamento Funcional - Docente da disciplina de Ergonomia do SENAC de Marília-SP e Sócio proprietário da Clínica de Fisioterapia e Pilates de Marília-SP.
Quais os alimentos adequados na prática do Ciclismo?
A atividade física sempre foi grande aliada da saúde em geral. Com a prática regular de exercício físico consegue-se promover o bem estar psicológico, auto-estima, manutenção ou perda de peso, maior disposição para tarefas diárias e prevenção de doenças.
O ciclismo é uma modalidade esportiva de grande exigência física e nutricional, principalmente pelo desgaste energético e de hidratação, em que a nutrição correta é muito importante.
Uma alimentação adequada antes da prática do ciclismo proporciona ao desportista um melhor rendimento e bem estar durante a atividade física.
Antes da prática do ciclismo, é importante seguir algumas orientações:
O carboidrato é o nutriente responsável por fornecer energia para o organismo. Para um bom desempenho durante o exercício, é fundamental garantir a quantidade adequada de carboidrato na refeição que antecede a atividade. Os alimentos fontes de carboidratos são os pães, massas, arroz, batata, mandioca, biscoito e bolo simples, e frutas.
A refeição deve ser realizada cerca de 40 minutos antes da atividade física.
Na tabela abaixo, seguem alguns exemplos de alimentos ricos em carboidratos e suas respectivas quantidades:
ALIMENTO (unidade)
Porção
GRAMAS DE CARBOIDRATO
Mamão papaia
1/2 unidade
12,9g
Pão de forma
1 fatia
14g
Pão Francês
1 unidade
30g
Ameixas pretas secas
5 unidades
16g
Uva passa
1 punhado
17g
Suco de frutas (maracujá)
1 copo de 250 ml
5g
Geléia de frutas
1 colher sobremesa
13,6g
Banana
1 unidade pequena
15g
Batata
1 unidade pequena
15g
Exemplos de lanches rápidos (escolha apenas 1 opção):
É importante ressaltar que a desidratação antecede a sede. Portanto, ao sentir sede o desportista já está desidratado.
Para atividades com duração inferior a 1 hora, consumir preferencialmente água. Caso a prática seja intervalada e de intensidade moderada a alta, consumir bebida isotônica.
De acordo com o "American College of Sports Medicine" a reposição de líquidos para quem pratica exercícios deve ser da seguinte forma:
Ressalta- se que estas orientações de hidratação são recomendações gerais para pessoas fisicamente ativas. No caso de atletas, um acompanhamento nutricional individualizado é necessário, pois cada modalidade esportiva tem a sua particularidade. (adicionar esta frase junto no quadro sobre hidratação !!)
Após a atividade, uma refeição balanceada é necessária para repor a energia e os nutrientes gastos durante o exercício. Devem estar presentes o carboidrato (pães, massas, arroz, batata, biscoitos, bolos), a proteína (carnes), a gordura (óleos e oleaginosas: castanha, nozes, amêndoa, amendoim) e as vitaminas e minerais (frutas e hortaliças).
Para uma pessoa fisicamente ativa e que não tenha como objetivo as competições, não há indicação do uso de suplementos alimentares, pois somente a alimentação supre as necessidades energéticas e dos nutrientes em geral.
É importante ressaltar que a prática de atividade física regular associada a uma alimentação equilibrada, rica em verduras, frutas, cereais integrais, leite e derivados com baixo teor de gordura, oleaginosas, carnes magras, evitando alimentos industrializados ricos em sal, açúcar e gordura, garante um estilo de vida saudável nas diversas faixas etárias.
Próxima edição: Alimentos funcionais na prática esportiva.
ABRE ASPAS
“Onde eu moro é muito gostoso pedalar, tem uma orla com belas paisagens, mas para sair da Ilha é outra história. É preciso enfrentar a poluição e a alta velocidade dos carros na Avenida Brasil. Como eu sou cascudo, atleta e não tenho medo de nada, eu consigo. Mas são poucos os que se aventuram e com razão. Falta educação dos motoristas com ciclistas. Quem não tem capacete, então, eles passam por cima. Em Bogotá, na Colômbia, tem 350 km de ciclovia, ainda não aprendemos com eles.”
Alarico Moura, 64 anos - ciclista, artista plástico, palestrante motivacional, competidor e exemplo de superação
“Vou de bicicleta para todo lado, com o dia bonito, principalmente. É muito mais rático onde moro. E também faço meus treinamentos por dentro da Floresta da Tijuca, porque as subidas são ótimas, cheias de árvores, temperatura sempre amena. A Vista Chinesa é meu quintal. No âmbito esportivo, estamos sem renovação na categoria. Nestes 11 anos que pedalo, a sensação que tenho é que o número de participantes aumentou, mas os nomes que estão no topo do pódio não se modificaram. A hora é agora de aproveitarmos e dar um gás no ciclismo do Rio de uma maneira geral. Seja competitivo ou seja como uma solução de transporte viável para quem quiser escolher.”
Dani Genovesi – Ciclista profissional e professora de Educação Física
Bicicletarias e Bicicletarias
“Eu amo o que faço!” Foi assim que se expressou Wilton Berto, proprietário da WB bike.
Em uma bicicletaria, encontramos peças, acessórios, roupas apropriadas para pedalar, e também podemos contar com serviços de montagem e conserto ou pequenos ajustes. Mais do que isso: a bicicletaria é um lugar onde há troca de informações, estímulos, e fica claro quem é quem. Há quem faz por ofício, e há quem vai além: faz por que realmente é apaixonado por bicicletas.
Na bicicletaria acontece uma das primeiras magias na vida de muita criança: ganhar seu próprio veículo. Saber lidar com esse encanto é imprescindível. É neste lugar que, para muitos, está o sonho e a realidade, e a oportunidade de realizar algo mais divertido, sadio, e que proporciona liberdade: pedalar.
É muito importante apoiar bicicletarias que prestam serviços de qualidade, de forma honesta, limpa, e principalmente: que têm gente que ama o que faz. Aproveitar o clima de uma boa bicicletaria e contar com pessoas interessadas e apaixonadas pela bicicleta é a maneira mais simples de buscar segurança e conforto na sua pedalada.
Para se destacar em qualquer ramo é necessário paixão, inspiração, interesse, comprometimento, entusiasmo e excitação. Com essas características vem a habilidade. Há pessoas que trabalham, e pessoas que tem habilidade: começam como aprendizes de algum mestre (que geralmente admiram), e depois se tornam um trabalhador experiente. Mas o que move essa vontade por aprender é realmente gostar do ramo.
Se você pedir para alguém onde trabalha, pode esperar duas respostas: “Eu trabalho em uma bicicletaria”, ou “Eu SOU um bicicletarista”, orgulhosamente. A diferença é a intensidade da paixão. Algumas pessoas trabalham em bicicletarias ou têm bicicletarias por ofício ou por oportunidade de mercado, e outras por que têm uma relação intima com a bicicleta.
Muitas histórias de sucesso começam com pessoas que deixaram tudo para fazer o que realmente amam. Não foi diferente com quem decidiu largar o emprego ou mudar de ramo, e se dedicar à bicicletaria.
Pense Nisso: Sempre que possível, conheça a história da bicicletaria e de seus colaboradores, e aposte em quem trabalha com paixão.
Ciclismo Extremo Urbano
Biker utilizando capacete ‘coquinho’, luvas, caneleira, mochila e bicicleta com banco baixo equipada com freios a disco. Este é um Urban Rider, praticante de Ciclismo Extremo Urbano.A terminologia “extremo” é devido ao fato de ser uma vertente mais agressiva e radical do que o ciclismo convencional e o Mountain Bike.
O Ciclismo Extremo abrange diversas modalidades, como, por exemplo, o MTB Downhill (descida de montanha com bicicleta no menor tempo possível), Freeride (prática não competitiva feita na terra e ambientes off-road). Já o Urban Rider pratica as divisões urbanas do esporte, as principais são o Dirt, Street e Urban Assault (Freeride Urbano).
O Street é a transposição de obstáculos urbanos (escadarias, corrimões, lixeiras, bancos, calçadas, etc) executando manobras.
O Dirt Jump é o salto em rampas de terra, chamadas de duplos por terem um grande vão no meio que separa a saída do salto a recepção. Os pilotos executam as mais arriscadas e ousadas manobras aéreas e podem superar a altura de cinco metros.
O Urban Assault ou Freeride Urbano é a adaptação do Freeride a cidade. Os praticantes buscam transpor obstáculos que geralmente são similares aos dos praticantes de Street. A diferença é que a modalidade não é competitiva, por estar dentro da filosofia do Freeride, que é andar sem compromisso, se divertir e superar os próprios limites.
“Pratico ciclismo extremo devido às manobras que impressionam as pessoas, a liberdade e a superação dos meus limites”, disse Diego Dantas, estudante de Rádio e TV e piloto de BMX Street e Vert.
O Esporte
O Dirt e o Street eram inicialmente praticados com BMX, bicicletas aro 20, atualmente também são feitos com bikes aro 26. Ambas as divisões possuem campeonatos e federações em todo o mundo.
O BMX surgiu no fim dos anos 50 e foi amplamente difundido no fim nos anos 60 e 70.
“Antes só existia o MotoX, o esporte começou a ser divulgado através dos bikes que se apresentavam entre as competições de Motocross”, comenta Reginaldo Pedro da Silva, piloto profissional de BMX.
Não há uma data concreta e um local de origem do Urban Assault, apenas sabe-se que nos último 10 anos o esporte começou a difundir-se pelo mundo e principalmente no Brasil, onde ocorrem encontros e eventos que não acontecem em nenhum outro lugar do mundo.
Como é o exemplo do site Urban Riders, que promove eventos e encontros em todo o Brasil através da internet e já chegou a concentrar mais de duas mil pessoas, entre público e ciclistas, em um evento que ocorreu em 2007 na cidade de Santo André.
“O ciclismo extremo pode afastar o sujeito da marginalidade, pois é divertido, reúne amigos e faz bem para a saúde”, conta Reginaldo Silva, piloto profissional de BMX e instrutor da modalidade bike da Pista de São Bernardo do Campo, SP.
Praticantes
Não há idade mínima ou máxima para praticar o esporte, basta ter uma bicicleta adequada, equipamentos de proteção e o principal, saber respeitar o seu limite técnico e físico.
As quedas são comuns nesse segmento, estar bem equipado e preparado para cair reduzem os acidentes graves.
“Fraturei a mão no treino. Sofri uma luxação exposta, corte seguido de deslocamento”, disse Diego Dantas, que estava com o braço esquerdo enfaixado durante a entrevista.
O piloto Rinaldo Ferlin conta que um dos seus acidentes mais sérios foi quando trincou o pé. “Continuo andando porque tenho bike na veia”.
Equipamento
As bicicletas utilizadas para a prática desse esporte são específicas e bem diferentes de uma bike convencional. Para suportar os impactos de saltos e quedas, os quadros são mais reforçados e possuem geometria específica.
No caso das bicicletas com aro 26, a tecnologia muitas vezes só é encontrada na indústria aeronáutica e nos carros de Fórmula 1. Elas podem ser full suspension (com suspensão dianteira e traseira) ou rígidas (quadro tradicional).
Geralmente possuem freios a discos (mecânicos ou hidráulicos), quadros rebaixados e suspensões que podem ser a ar, hidráulicas ou com molas. Elas podem custar entre R$ 1.200 até R$ 25 mil.
“A bike que eu tenho foi montada aos poucos. Uma bicicleta para este segmento chega a custar facilmente o valor de um automóvel. Quando falo isso para uma pessoa que é leiga, sou chamado de maluco”, explicou Vitor Lopes, piloto residente em São Bernardo.
Os equipamentos de proteção são extremamente necessários. No freeride urbano eles são muito parecidos com os utilizados no skate, com exceção do capacete full face (fechado) e o colete cervical.
Foto
Legenda: Luvas, capacete coquinho, capacete fechado, joelheira com caneleira, tênis, cotoveleira e colete.
Marcos Vinicius é proprietário de uma das poucas lojas especializadas no segmento no ABC, em Santo André. “O fato de eu também ser piloto favorece meu relacionamento com os clientes e o acompanhamento das novas tendências”, afirmou.
Mariana Delrio, consultora de marketing de uma indústria do setor em São Caetano, acha o mercado interessante, pois as diversas modalidades do segmento faz com que sejam criados produtos para públicos que tem estilos e comportamentos diferentes. “Os produtos são desenvolvidos através de uma pesquisa de mercado e criados com base no que já existe no mercado, mas com alguma inovação”, comentou Mariana.
Cordillera del Viento 2010 – UM NOVO CAMINHO NOS ANDES
Por Paulo de Tarso
“Fica difícil explicar em palavras o que uma viagem dessa causa na gente. A experiência de fazer uma viagem onde acampamos no meio de uma natureza tão imensa e majestosa, já é algo que te deixa desnorteado e maravilhado. Acho que as pessoas que se propõem a fazer esse tipo de viagem também são diferentes e especiais. São várias horas de pedal, de certa dificuldade, e depois a recompensa não é o conforto de um banho ou uma cama quentinha, mas sim olhar para o céu e ver milhões de estrelas piscando, e ouvir só os sons da natureza ou o total silêncio pertinho de você. Há uma aproximação bem maior entre todas as pessoas, e no final fica uma sensação de vazio e certa tristeza em ter que se despedir delas, depois de termos passados seis dias juntos vivenciando situações inesquecíveis, onde o companheirismo e o encantamento com a natureza deslumbrante eram sempre constantes”.
Atravessar os Andes de bicicleta é algo fabuloso, inesquecível. É possível atravessar os Andes por vários pontos diferentes, chamados de pasos. Quando você atravessa uma vez, a vontade é atravessar mais vezes por outro local. Nem sempre atravessar os Andes significa que vamos pedalar em meio a grandes altitudes, ar rarefeito e muito frio. Geralmente atravessamos pasos por estradas que cortam vales, não raramente passamos por grandes altitudes, isso deixa a viagem ainda mais bonita, pois a idéia é curtir essa maravilha da natureza em cima de uma bicicleta e pedalar em meio àquelas montanhas.
Os Andes, assim como as Montanhas Rochosas, são de formação geológica recente. Como a Cordilheira dos Andes ainda não foi muito desgastada pelos agentes da erosão, existem ali grandes altitudes como, por exemplo, o Pico Aconcágua, na Argentina, com cerca de 6.960 metros de altura. A Cordilheira dos Andes se estende da Venezuela até o sul do Chile, tendo aproximadamente 7.500 quilômetros. Em alguns trechos, apresenta 3.000 quilômetros de largura e enormes altitudes.
Os Andes, em algumas partes, deixam de formar uma única cadeia montanhosa e se ramificam, formando alinhamentos de montanhas, separados uns dos outros. Entre essas ramificações ou alinhamentos, encontram-se os altiplanos, que são planaltos de altitudes elevadas. Nessas ramificações também são encontrados vales, alguns deles ocupados intensamente pelo homem.
A Cordilheira dos Andes é um lugar fascinante e faz o Planeta Terra mais bonito. É a segunda mais alta cadeia de montanhas do mundo. Por isso, alpinistas do mundo inteiro vão para lá em busca de aventura e desafio. Mas a região não é reservada apenas para escaladores radicais. Podem-se fazer ótimas pedaladas, principalmente em uma Mountain Bike. É uma excelente opção para quem deseja começar a ter contato com as montanhas sobre duas rodas.
Nossa tradicional Travessia dos Andes, entre Malargue na Argentina e Curicó no Chile segue por um trajeto de grande importância histórica e beleza incomum. Neste caminho foi realizada a primeira expedição na região central dos Andes que se tem notícia. Foi organizada pelo general San Martín, quando em 1817, cruzou a cordilheira para auxiliar a libertação do Chile, então dominado pelos espanhóis.
Um caminho de 350 km de montanhas que separam Mendonza da fronteira chilena. Paisagens únicas, deslumbrantes, desertos, geleiras, picos nevados. No verão, única época do ano possível para realização da viagem, a neve só ocupa os picos de algumas das montanhas. Na verdade, as atrações começam pelo tempo: quente e seco com temperaturas altas e céu azul, pois as chuvas são raras nesta época do ano. Durante o trajeto tudo muda. A flora e a fauna são limitadas pelo clima árido de altitude. Como a vida vegetal é quase nula - os últimos vestígios se apresentam no máximo aos 4.500 metros - a vida animal é reduzida a lebres, ratos-dos-Andes, poucos guanacos e raríssimos pumas. Ainda existem condores, perdizes, águias-brancas e falcões.
Cordillera del Viento 2010
Após pesquisas e conversas com muitas pessoas conhecedoras dos Andes, foi sugerido a Travessia pelo Paso de Pichachén - um caminho solitário, pouco conhecido e transitado. Em 2008, eu e meu parceiro na organização de viagens na Argentina – Mariano D’Alessandro –nos animamos e decidimos realizar uma viagem de reconhecimento.
A viagem foi realizada em um 4 x 4, e o objetivo era estudar a possibilidade de realizar a travessia de mountain bike. Verificamos o trajeto, seus desníveis, quilometragens, levando em conta a beleza do caminho e das suas paisagens. Definir etapas com uma dificuldade razoável e homogênea, somada à necessidade de fazer bons acampamentos de etapa a etapa, aproveitando tudo o que a cordilheira tem a oferecer.
Logo depois de realizado o reconhecimento, no verão de 2009, e de haver marcado todo o trajeto em um GPS para registrar as distâncias e desníveis, tínhamos então um ano para fazer a devida promoção da viagem destinada a grupo de mountain bikers para a travessia. A partir de 2010, lançaríamos uma Nova Travessia dos Andes – na Cordilheira do Vento.
O Paso Pichachén era una incógnita para nós e nos surpreendeu incrivelmente. Era um caminho de montanha feito na medida, com variedade de paisagens, picos nevados, a lagoa La Laja de um azul tão intenso no meio dos Andes. A virgindade do caminho, a variedade de climas e relevos de um dia para outro, a magnitude dos Andes, expressadas no Cerro Domuyo, de 4700 metros e a Sierra Velluda de 3865 metros não nos deixaram dúvidas: íamos organizar uma travessia ali.
O Paso Pichachén havia sido uma via de comunicação para os índios araucanos e mapuches durante séculos, e havia sido também uma via de fuga para contrabandistas que comercializavam no que viria a ser Argentina e Chile. Hoje é um caminho que permanece fechado entre abril e dezembro devido ao duríssimo clima invernal dos Andes, logo o gelo e a neve cedem aos primeiros raios de sol de primavera onde geram um degelo monumental, e no verão, com as águas mais calmas do degelo e boas temperaturas, o caminho é aberto para o trânsito dos aventureiros.
A TRAVESSIA
(DESCRITA POR MARIANO D’ALESASANDRO COM COMENTÁRIOS DE ADRIANA ANDRADE, PARTICIPANTE DA VIAGEM)
1º dia: Nossa aventura começou em Chos Malal, cidade de origem de minério e petróleo que se encontra a oitocentos metros do nível do mar na Província de Neuquén, na patagônia Argentina. Nossa viagem teve início em um domingo. Logo após o café da manhã, os participantes demonstravam a ansiedade e o nervosismo dos para começar logo a aventura.
“Chos Malal parece uma cidade do velho oeste, esquecida no tempo. Ela já foi capital da província de Neuquen, mas agora parece só um lugar de passagem no meio do nada. Tem duas praças bem arborizadas e é só isso”.
Após um briefing sobre como seria a viagem, o grupo começou a pedalar. Em poucos minutos todos se deram conta de porque a Travessia ser conhecida entre os locais como “Brisas do Pacífico” ou “Caricias de la montaña”: Sopra um vento fenomenal de 40 km/h que duplica o esforço a ser realizado. O Paso Pichachén nos surpreendeu com o Vulcão Tromen de quase 4000 metros e o colosso do Cerro Domuyo, o mais alto da Patagônia, tudo isso com poucos quilômetros de pedal.
Para nós, organizadores da viagem, os primeiros vinte quilômetros são ideais para estudar o grupo: observamos alguns que levam uma má postura na bicicleta e em uma travessia exigente como esta, se transforma em dores. Em outros, observamos suas bicicletas com vários tipos de ruídos, e é fundamental poder tirá-los para evitar problemas mecânicos e uma perda de energia.
Passado o meio dia, após quatro horas de pedal, o último ciclista chega à parada para o lanche. Em um oásis em baixo de uma gostosa sombra, protegido do vento, desfrutamos umas gostosas empanadas. Chegamos ao nosso acampamento do primeiro dia em Huinganco às 18h, muito cansados, mas com a alegria de saber que no primeiro dia havíamos superado 1375 metros de desnível e 61 quilômetros em meio a um cenário inigualável.
“Os primeiros 44 km foram em asfalto e achei bem puxadinho, pois não paramos de subir, e o vento forte não parava de soprar. Em certo momento, eu até desci da bici, com medo de ser jogada no meio da estrada e um carro me atropelar. Não haviam muitos carros, mas sempre aparecia um ou outro. Os últimos 17 km foram em rípio (cascalhos). O vento sempre presente. Acampamos num camping com chuveiro com água quente“.
A noite uma surpresa. Jantamos um cabrito dos Andes com delicioso Vinho malbec de Mendoza.
2º dia: A primeira noite do acampamento havia sido muito boa, a transição para o selvagerismo completo era progressiva. Enquanto na primeira noite tínhamos certo luxo, como o banho quente, a partir da segunda noite já seria necessário acampar. Após um café da manhã completo e de haver carregado às energias, começamos nossa pedalada. Seriam 43 quilômetros com 950 metros de desnível para superar.
Foi um dia de subidas e descidas, de vale em vale, conhecendo os verdadeiros rios de montanha da Patagônia, de um azul intenso, utilizados para a pesca de trutas com mosca (Fly Fish). Cruzamos o rio Neuquén, o rio Nahueve, o rio Lileo até chegar ao ponto do lanche.
“O trajeto foi todo no rípio. Atravessamos alguns rios, um visual muito legal. Parecia até as nossas chapadas. Vimos de bem longe o Vulcão Antuco com o pico nevado”.
Nesta travessia contávamos com uma grande vantagem. Enquanto o grupo pedalava e aproveitava a viagem, uma equipe de apoio formada por 4 argentinos tinha a tarefa de preparar os acampamentos e toda nossa comida.
Depois do almoço cruzamos por uma região vulcânica, um enorme deserto de pedras negras com muito pouca vegetação, dando a idéia do que podia ser uma erupção vulcânica no passado. Já no local de nosso segundo acampamento, o cenário era diferente: verde, em meio a um cânion, ao lado de um rio de montanha.
“Fizemos um super downhill e vimos lá de cima o local do acampamento na beira do rio. Lugar maravilhoso e a noite o céu lotado de estrelas!”.
3º dia: “Foi meio difícil, o vento sempre soprando”. Começou bem ensolarado, mas pouco a pouco depois de haver iniciado a etapa, demonstrou porque os Andes são os Andes. Em minutos a temperatura baixou para quase 10°, obrigando os ciclistas a se agasalharem. Todos eram obrigados a levar consigo uma roupa de frio e no carro de apoio que seguia sempre por último, mais roupa de frio para emergência.
Após 26 quilômetros chegamos ao controle de fronteira argentino, onde seriam realizados os trâmites da aduana e imigração. Para aproveitar o tempo perdido durante todo o trâmite a organização preparou um reforçado almoço.
À tarde ingressamos no Cajon Del Pichachen subindo 300 metros em 12 quilômetros.
Tomar banho após a pedalada foi um desafio a esta altura. Sem dúvidas era melhor tomar banho com os raios de sol da tarde, e mesmo assim, que frio! Tinham aqueles que aplicavam o famoso banho Checo, e tinham aqueles mais corajosos que mergulhavam na água gelada. Era como pegar a água do freezer e se molhar. Foi à noite mais fria, chegando a -1° na madrugada. De manhã as barracas amanheceram com gelo.
4º dia: “Houve uma subida bem forte em direção à fronteira Argentina/Chile. Visual maravilhoso, pois saímos de um vale e subimos muito”.
Amanheceu com pouco vento, condições ideais para fazer o ataque ao cume. A subida foi intensa, subimos quatrocentos metros em oito quilômetros. Com o desejo de superação movido por uma energia inexplicável, os ciclistas devoravam quilômetros até chegar ao final da subida.
“Chegamos ao topo, na fronteira e de lá avistamos outro vale, já no Chile. Havia alguns lugares com neve, e o pessoal aproveitou para fazer uma guerra de bola de neve.”
Uma beleza deslumbrante e indescritível foi o prêmio no final da subida. Por alguns minutos, todos ficaram em silêncio olhando para o horizonte, contemplando o vulcão Antuco de quase três mil metros e a imponente Sierra Velluda de 3865 metros de altitude. A descida de oito quilômetros foi curta mais impressionante. Sobre um solo de areia vulcânica, nós deslizamos por velocidades indecentes, em meio a um cenário maravilhoso. Mas a etapa foi difícil. O vento começou a soprar a 20 quilômetros do centro de controle dos carabineiros do Chile em Los Barros, deixando o trecho bem longo.
O acampamento dessa tarde foi uma obra de arte. As barracas solitárias junto ao rio, com o entardecer convertendo a neve branca do Vulcão Antuco em distintos tons de laranja: uma imagem que com certeza ficou marcado na mente de todos.
5º dia - Laguna La Laja - Acampamento Río Rucue: No quinto dia pedalamos ao redor do vulcão, ao oeste e ao norte, deixando a lagoa azul "La Laja" a direita. Foi uma etapa fotográfica, difícil de pedalar, pois a todo instante tínhamos que parar para registrar os momentos.
“Sobe e desce, pedalamos ao redor do vulcão, vimos algumas lagoas bem legais e passamos também por várias cruzes de soldados chilenos que morreram em maio de 2005 por causa de uma nevasca que tirou a vida de 45 rapazes. Passamos em frente à pequena estação de esqui de Antuco”.
Após vinte quilômetros, começou uma descida até o início do asfalto. A equipe de apoio fez duas paradas intermediárias para o grupo hidratar e comer algumas frutas e barras energéticas, para recuperar as energias. Finalmente, no quilômetro trinta e um, chegamos ao asfalto. Algumas partes do nosso corpo ficaram felizes com isso.
A transformação da vegetação de montanha na floresta foi radical: Ciprestes, Radales, Lenga, Ñires e Coihues cobriam as encostas da montanha, enquanto cachoeiras apareciam por toda parte.
Terminado a etapa, aproveitamos para um mergulho no rio Rucu, a água não tão fria convidava para um banho mais longo. À noite, após repor as energias com um delicioso macarrão, a integração do grupo estava completa, o portunhol rolava engraçadíssimo em meio às montanhas andinas. A integração entre os ciclistas argentinos e brasileiros é excelente, são grandes amigos, verdadeiros hermanos.
6º dia: Foram 50 km no asfalto - Acampamento Río Rucue - Los Ángeles: A última etapa nos levaria lentamente a civilização. A transição era suave, pouco a pouco o tráfico rural aparecia e aos poucos nos recordávamos de onde pertencíamos. Com a renúncia de saber que deixamos um mundo ideal, mas consciente de que nós éramos reféns deste mundo cheio de conforto e comodidades, nos entregamos a um ritmo esportivo intenso. Com certeza cada um fez um balanço vivido naqueles dias. Nos últimos dez quilômetros até Los Angeles, o grupo seguiu em um pelotão, transformando assim um esporte individual num esporte em grupo.
“Havia um pelotão dos mais fortes bem na frente, depois um pelotão no meio e eu, a “pelotinha” pedalando sozinha por último, até ser resgatada pela Lili e mais três ciclistas argentinas”. Havia sempre uma van atrás do último ciclista.” – Comenta Adriana Andrade.
Transformar um esporte individual em um esporte de equipe significa que todos conseguiram atravessar os Andes, e é irrelevante quem chegou primeiro ou quem ficou em último. A festa do fim da viagem foi emocionante. Fomos recebidos com estouros de champagne no hotel pela equipe de apoio. Das horas e horas de treinamento, esforço e dentes cerrados, resultaram fisionomias alegres com seus medos superados.
JOÃOZINHO E O PRESENTE
Joãozinho pedia uma bicicleta nova para sua mãe, quando ela decide lhe dar uma lição:
- Bem, Joãozinho, agora não é época de Natal e nós não temos dinheiro para sair comprando qualquer coisa que você queira. Que tal você escrever uma carta para Jesus e rezar para ganhar uma bicicleta?
Joãozinho foi para o quarto, e resolveu sentar-se e escrever a tal carta.
- Querido Jesus: Fui um menino bonzinho este ano e gostaria de ganhar uma bicicleta nova. Seu amigo, Joãozinho.
Mas Joãozinho lembrou-se que, na verdade, Jesus sabia que tipo de menino ele era. Então, rasgou a carta e resolveu tentar mais uma vez.
- Querido Jesus: Tenho sido um menino legal este ano e quero uma bicicleta nova. Sinceramente, Joãozinho.
Bem, Joãozinho sabia que ainda não estava sendo totalmente honesto. Rasgou a carta mais uma vez e tentou novamente.
- Querido Jesus: Acho que fui um menino bonzinho este ano. Posso ganhar uma bicicleta? Joãozinho.
Foi então que Joãozinho olhou para o fundo de sua alma, o que, aliás, era o que sua mãe queria desde o começo. Ele sabia que aprontava de montão e que não merecia nada.
Amassou mais uma vez a carta, e saiu correndo para a rua. Ficou um tempo vagando sem rumo, pensando no modo como tratava seus pais. De repente, Joãozinho estava em frente a uma igreja católica. Ele entrou, ajoelhou-se e meditou no que fazer. Decidido, levantou-se e dirigiu-se para a saída, olhando todas aquelas estátuas. Pegou uma santa pequenininha e saiu correndo. Foi para casa, escondeu a santinha embaixo da sua cama e escreveu a seguinte carta:
- Jesus, estou com sua mamãe. Se você quiser vê-la novamente, dê-me uma bicicleta.
Assinado: Você sabe quem.
CAMPEONATO MUNDIAL DE MOUNTAIN BIKE MÁSTER
550 CICLISTAS. 28 PAÍSES. 1 IDIOMA: MOUNTAIN BIKE!
Balneário Camboriú foi o palco do Campeonato Mundial de Mountain Bike Máster – para atletas com mais de 30 anos. O evento – primeiro do gênero na América Latina - aconteceu entre os dias 9 e 12 de setembro, nas modalidades Cross Country e Downhill, e reuniu 550 ciclistas de 28 países.
O campeonato teve 100% de aprovação entre os medalhistas, e também da UCI – órgão mundial que regulamenta as competições ciclísticas. A UCI já confirmou a realização do Mundial em 2011 novamente no Brasil, em Balneário Camboriú.
O Brasil fechou a participação no Campeonato Mundial de Mountain Bike Máster com um total de 10 medalhas. No downhill, foram duas medalhas de ouro, uma para a paulista Patrícia Loureiro (30-39) e outra para o carioca Robert Sgarbi (30-34). Confira as medalhas do Brasil, e os campeões de cada categoria.
MEDALHISTAS BRASIL
CROSS COUNTRY
Adriana Nascimento (Prata) – 30-34
Marconi S. Ribeiro (Prata) – 30-34
Abraão Azevedo (Prata) – 40-44
Márcio Ravelli (Bronze) – 35-39
Raquel Contijo (Bronze) – 40-44
DOWNHILL
Patrícia Loureiro (Ouro) – 30-39
Robert Sgarbi (Ouro) – 30-34
Gilmara Leiner (Prata) – 40-44
Rogério Roberto (Bronze) – 30-34
Francisco Innamorato (Prata) – 45-49
RESULTADOS
DOWNHILL – CATEGORIAS MASCULINAS
CATEGORIA VENCEDOR NACIONALIDADE TEMPO 30-34 ROBERT SGARBI BRASIL 2:18.73 35-39 SEBASTIAN VASQUEZ CHILE 2:23.58 40-44 DEAN DAVIES AUSTRALIA 2:26.35 45-49 BENOIT FELLAY SUIÇA 2:41.51 50-59 STEPHAN MANGELSDORFF ALEMANHA 2:57.96 |
DOWNHILL – CATEGORIAS FEMININAS
CATEGORIA VENCEDOR NACIONALIDADE TEMPO 30-39 PATRÍCIA LOUREIRO BRASIL 2:46.50 40-44 PETRA WILTSHIRE GRÃ-BRETANHA 3:02.28 |
MTB – CATEGORIAS MASCULINAS
CATEGORIA VENCEDOR NACIONALIDADE TEMPO 30-34 MIRCO BALDUCCI ITALIA 1:59:34 35-39 MASSIMO FOLCARELLI ITALIA 2:00:49 40-44 CARLO MANFREDI ITALIA 1:40:48 45-49 DAVID TINKER JUARES EUA 1:42:14 50-54 JEAN MALOT FRANÇA 1:25:47 55-59 SILVANO JANES ITALIA 1:02:47 +60 ANDRÉ FOSSÉ FRANÇA 1:14:20 |
MTB – CATEGORIAS FEMININAS
CATEGORIA |
VENCEDOR |
NACIONALIDADE |
TEMPO |
30-34 |
AGUSTINA MARIA APAZA |
ARGENTINA |
1:44:13 |
35-44 |
REBECCA RUSCH |
EUA |
1:18:24 |
45-49 |
IVANA MORELLO |
CHILE |
1:26:10 |
+50 |
ELLEN GUTHRIE |
EUA |
1:36:10 |
Turismo de Luxo Sobre Duas Rodas
A proposta de viajar de bicicleta pode parecer a princípio um pouco espartana e um programa para super atletas, mas é possível fazer isso sem ser ciclista profissional, com muito conforto, charme, comendo, bebendo e dormindo como um rei. Esta é a proposta da empresa canadense Butterfield & Robinson que foi pioneira neste conceito de viagem há 44 anos atrás.
CHAMADA: De bicicleta as pessoas podem explorar detalhes que escapam aos que vão de carro e a interação com o meio é muito maior.
Nossos sentidos ficam muito mais apurados, sentimos o vento no rosto, o cheiro inebriante de um campo de lavanda na Provence, observamos em detalhes os famosos vinhedos de Bordeaux ou Bourgogne. Pedalamos por campos de girassol na Toscana, por espetaculares templos budistas no Mianmar, pelos campos de arroz no Vietnã ou pelos belos lagos azul turquesa na Nova Zelândia . De bicicleta, temos a facilidade de parar a qualquer momento para conversar com um local, tirar uma bela foto ou para comer cerejas direto do pé. Passamos por vilarejos muito antigos, que provavelmente de carro não conseguiríamos entrar de tão estreitas que são suas ruas.
CHAMADA: MAIS: a bicicleta nos permite contemplar mais, interagir mais e desfrutar mais.
Mas você deve estar se perguntando como funciona tudo isso. Bem, você escolhe o destino para onde quer viajar, a data e qual tipo de bicicleta deseja: uma híbrida ou uma speed e não precisa se preocupar com mais nada. O roteiro desenhado é fruto de muita pesquisa, onde o objetivo é conciliar as estradinhas mais bonitas para se pedalar com um mergulho na cultura local, permitindo que se tenha contato com o autêntico e não com o super turístico. Tudo isso aliado a uma verdadeira exploração gastronômica. Ao longo do dia, alguns eventos acontecem entre uma pedalada e outra, como uma degustação de vinho, um tour histórico com um expert por uma cidade medieval ou um piquenique surpresa no meio do campo.
Dois guias da B&R acompanham os ciclistas: um deles pedala e o outro vai na van de apoio, que além de levar bebidas e comidinhas para reabastecer os ciclistas, pode dar uma carona aos cansados ou recolher as compras feitas no caminho. Você se perdeu, ou furou o pneu? Ligue para seu guia e ele virá te socorrer em poucos minutos.
TAMBÉM PODE SER UMA CHAMADA: O intuito não é testar a capacidade física de ninguém, então cada um vai ao seu ritmo, sem precisar se preocupar em seguir os outros, pois todos têm instruções bem detalhadas de estrada. Existem também opções de se fazer percursos maiores para os mais animados ou mais preparados.
Um dos destaques da viagem são os hotéis: em geral castelos, hotéis butique, realmente o que tem de mais bacana em cada região. É uma delícia chegar suado e cansado em um belo castelo, a bordo de sua bicicleta e adentrar num recinto bem sofisticado, sentindo-se como um verdadeiro atleta merecedor de aposentos dignos da realeza e de um delicioso jantar gastronômico.
Enfim, de bicicleta, com todo este suporte, é sem dúvida uma maneira única e deliciosa de se fazer turismo. A visão e as sensações que se leva para casa da região visitada é muito mais rica e intensa do que as do turismo tradicional.
Serviço:
www.butterfield.com.br
tel: 11 30714590 / 30730342
e-mail: contato@butterfield.com.br
TECNOLOGIA
GPS PARA BIKE
Adilson Luiz dos Santos trabalha com sistemas GPS há mais de 15 anos. Já foi jipeiro, off- Road, ralizeiro e hoje é ciclista. Tem bike Speed, mtb, pratica cicloturismo e é lógico, utiliza um GPS.
Hoje em dia o GPS está na moda. Mas por que eu deveria usar um GPS na bike? O que eu ganho com isso? Não vamos entrar em detalhes técnicos do que é um sistema GPS, o que é um waypoint ou como montar uma rota. Vamos ver na prática como o GPS poderá nos ajudar na bike.
Antes, temos que categorizar a utilização do GPS dentro do universo da bike, pois temos algumas linhas distintas que pedem equipamentos distintos. É certo que todos os GPS operam com o mesmo sistema satélite, trabalham baseados em coordenadas, rotas, trajetos, etc., mas dependendo da sua utilização, as várias funções do GPS podem ser usadas com mais propriedade. Por exemplo, um GPS que prioriza informações técnicas, análise de dados para treinos, que seja leve e pequeno é um equipamento mais dirigido para quem busca performance, ou seja, quem pratica Speed. Para quem pratica MTB ou cicloturismo, onde 100gr não fazem a diferença, um equipamento que seja maior, que permita visualização de uma área maior ou uma análise mais rápida e prática seria melhor.
Na prática, o GPS pode ser direcionado para três grupos de bikers: Speed, MTB e Cicloturista.
SPEED
Esta categoria exige GPS pequeno e leve. Precisa fornecer informações detalhadas de performance (giro de pedal, médias, máximas, distâncias, totais por volta), comportamento do corpo (batimentos cardíacos, calorias queimadas), e do relevo (altimetria, altitude ascendente, descendente), e o registro de todos esses dados para análise posterior.
Esta categoria pede a linha EDGE, desenvolvida especialmente para bike, que começou com o Edge 205, 305, 605, 705, 500 e hoje conta com o lançamento do Edge 800. Do Edge 205 (preto e branco, fraca recepção de satélite, sem mapa) que já saiu de linha, ao Edge 800 (colorido, touchscreen, mapa digital), houve uma enorme evolução.
EDGE 305
Equipamento pequeno (4,4 x 9,0 x 2,3mm), leve (88g), com 4 níveis de cinza e bateria para 12 horas. Instalação fácil, com a fixação de suporte através de duas abraçadeiras plásticas. Vem com dois suportes. Recepção de alta sensibilidade.
Possui os seguintes acessórios: sensor cardíaco, sensor de roda, sensor de giro do pedal com transmissão wireless, protocolo ANT de alta eficiência e baixo consumo de bateria. Um computador ciclístico que exibe até oito campos de dados, podendo ser alterados de acordo com suas necessidades em duas páginas, onde ficam disponíveis vários dados (distância percorrida total, por volta, batimento cardíaco atual, médio ou por volta, cadência atual, média ou por volta, hora e tempo de pausa, velocidade atual, média, por volta, zonas de batimentos cardíacos entre outros).
Pode registrar dois atletas e duas bikes diferentes. Possui um COMPANHEIRO VIRTUAL com o qual você pode competir, tornando o treino divertido e permitindo comparação em tempo real. Há opções de pausa automática (auto pause), auto lap por posição de coordenada ou distância percorrida. Possui software de treinamento que dá a possibilidade de criar, elaborar, gerenciar e atualizar traçados e gerar uma análise detalhada do seu deslocamento, mapeando seu desempenho.
Calcula as calorias queimadas baseando-se no perfil do usuário, nos dados do desempenho e nas mudanças de altitude. Veja outras especificações:
Na parte GPS - Navegação do equipamento:
Mas se o Edge 305 é o mais “fraco” da linhagem no mercado, imagine então o que vem pela frente. Para evitar ser repetitivo, vou falar apenas do que será agregado, do que vem a mais ou a menos, nos outros modelos, tendo como base o Edge 305.
EDGE 605
Ganhou uma tela maior (3,5 x 4,4cm) e colorida, com mapas via data card (micro sd), no entanto perdeu os acessórios como sensor cardíaco, de roda e giro. Dimensões: Um pouco maior que o Edge 305, ( 5,1 x 10.9 x 2,5 cm), pesando 105 g. Bateria recarregável com duração para 15 horas, que dá para o uso diário.
O mapa é o grande diferencial deste modelo. Com slot para inserção de cartão de dados Micro SD, permite inserir mapas de grandes dimensões como Europa, Estados Unidos e/ou América Latina. Você pode ter todos estes mapas no cartão SD. Na seção de mapas, você poderá escolher qual dos mapas irá utilizar no momento. O GPS tem capacidade de roteamento automático, ou seja, você pode entrar com uma cidade, rua e número que ele irá roteirizar automaticamente e guiar você ao endereço indicado. O GPS EDGE 605 não fala, mas ao chegar próximo às manobras, emite um alarme e exibe na tela o tipo de manobra como: entrar a esquerda, direita, etc... Na hora do aperto, quebra um belo de um galho como navegador. Para que estes aparelhos atuem como navegadores ou para que apresentem mapas detalhados, é necessária a aquisição dos referidos mapas, geralmente em micro sd para inserir no aparelho.
Alguns mapas são de domínio público e podem ser baixados da internet, como os mapas do padrão tracksource.
A ausência de sensores cardíacos, de roda e de giro, o desqualifica como um GPS para quem busca performance, treino de alto nível. O mapa o qualifica para um uso misto, em cidade, estradas ou off- road.
EDGE 705
O EDGE 705 é uma soma do Edge 305 com o Edge 605, qualificando-o para uso em treinos de alta performance em função dos sensores cardíacos, de roda e pedal.
Os modelos 605 e 705 possuem um sistema de transmissão de dados entre si via wireless, bastando solicitar a transferência através de um comando e a outra parte consentir. Você pode obter informações ou enviar para amigos sem necessidades de um pc, cabos, etc. Desta forma o EDGE 705 passa a ser um GPS multiuso, excelente para o uso em Speed e treinamentos, onde são necessárias medições precisas de performance, e cada segundo pode fazer a diferença.
A capacidade de mapas e roteamento é fantástica, se considerarmos o tamanho do equipamento, o que é ideal para uso speed, onde cada grama também pode fazer a diferença. O mesmo não ocorre em uso MTB ou de Cicloturismo, onde 100 g a mais não faz diferença, porém um GPS com tela maior ajuda muito na navegação, permitindo a visualização de uma área maior, uma análise mais rápida e prática para longos deslocamentos, situações nas quais uma boa navegação é importante.
EDGE 800
Novo lançamento da Garmin. Um GPS ligeiramente menor que o EDGE 605/705, medindo 5,1 x 9,3 x 2,5 cm, porém a tela é maior, medindo 3,8 x 5,6 cm e com peso levemente inferior, 98 g.
Suporta o registro de 200 waypoints contra os 100 dos seus antecessores.
Além de todos os dados dos seus antecessores, ele marca a temperatura que é registrada como todos os outros dados. Ao descarregar no PC, você pode ter a curva de temperatura durante o treino.
O grande diferencial é a tela TOUCHSCREEN e características de roteamento que o fazem mais um navegador (veicular) do que um GPS propriamente dito (sistema off- road).
Não testamos na prática, uma vez que o equipamento ainda não está disponível no Brasil.
Assim como em outras linhas de aparelhos GPS da Garmin, a tendência é a extinção dos botões, passando a operar com toques na tela – Touchscreen. Assim sendo, acredito que este GPS venha substituir em breve os demais da linha Edge.
QUANTO CUSTA
Infelizmente o custo no Brasil mais que duplica o valor dos equipamentos se comparado com os valores praticados nos EUA, devido a alta carga tributária.
Um GPS Edge 350, com sensor cardíaco pode ser adquirido por aproximadamente R$1.100,00 a R$ 1.200,00. O GPS Edge 605, na faixa de R$ 1.300,00 a R$1.400,00 e o 705 na faixa de R$ 1.800,00 a R$ 1.900,00. Não temos o valor do Edge 800, mas provavelmente será lançado no Brasil por volta de R$ 2.100,00.
O custo desses modelos da Garmin, com qualidade GPS e Training pode parecer alto inicialmente, mas torna-se aceitável se compararmos com outros equipamentos similares, e analisarmos o seu custo x benefício.
Mas não se assustem. Há GPS na faixa de R$ 450,00 que embora sem mapas, sejam suficientes para você não se perder. Outros GPS pequenos, excelentes para bike, com mapa colorido, estão na faixa de R$ 700,00.
Vamos falar deles nas próximas edições, bem como de softwares e suportes para GPS.
Bicicletarias pelo Brasil
Bike Company Shop: um centro de referência na região de Marília – SP
A loja oferece o melhor em bicicletas, roupas e acessórios para triathlon e ciclismo (Speed e Mountain Bike). Mas o grande diferencial da Bike Company é sua equipe especializada. A oficina é coordenada pelo Carlos (Carlão), especialista em suspensões Cannondale, mecânico certificado pela Shimano Latin America, com mais de 20 anos de experiência. Já o Eugênio e o Alexandre, ambos com mais de 15 anos de experiência, coordenam o estúdio de Bike Fit, que auxilia os clientes a encontrar as medidas corretas de cada componente, a fim de obter o melhor posicionamento na bicicleta. O experiente ciclista Fábio, nas vendas, terá dicas valiosas para você acertar na compra.
A filosofia de trabalho da loja é satisfazer o cliente, através de um bom atendimento e fornecimento do produto adequado para sua necessidade. Por ter esse compromisso com o consumidor, a Bike Company prioriza a qualidade dos produtos, e comercializa apenas marcas que conhece e confia: Fuji, Cannondale, Orbea, Merida, Giant e Soul Cycles, além dos melhores acessórios e peças disponíveis.
Para os clientes que, por qualquer motivo, não podem levar ou buscar as bicicletas até a oficina, a Bike Company conta com serviço de leva e traz. Também possui loja virtual, com várias opções de pagamento e envio de encomendas para todo o Brasil. Além disso, as novidades, passeios e outras atividades promovidas pela loja podem ser acompanhadas pelo blog.
Acesse o site: www.bikecompany.com.br e visite a loja para conhecer os profissionais, os excelentes produtos e o atendimento diferenciado.
Av. Tiradentes, 120
17519-000 – Marília/SP
Fone: (14) 3413 - 1837
Confirmando o sucesso das edições anteriores, o GP Internacional de triathlon, realizado em Balneário Camboriú, em 25 de julho, foi novamente um sucesso e modelo de prova a ser seguido. Com uma boa premiação, jantar de massas e excelente estrutura, a empresa SB5, organizadora do evento, mostrou porque o GP veio para ficar e se consolidar como uma das melhores provas de short triathlon.
Neste ano quem se deu bem foi o atleta Henrique Siqueira de Oliveira de Brasília/DF, vencendo no Time Trial masculino. No feminino, Sandra Soldan confirmou o favoritismo e obteve o bicampeonato da prova (2009/2010).
O campeão da prova na categoria amadora foi o paranaense Felipe Moletta, mesmo saindo quase 1' atrás na natação, recuperou posições no ciclismo e garantiu a vitória geral na etapa da corrida. Já na feminina a atleta de Curitiba, Márcia Dias Willy, mostrou sua supremacia nas provas de short triathlon e mais uma vez não deu chance às suas adversárias.
Galeria dos Campeões da Elite do GPI
2005: Marcus Ornelllas / Carla Moreno
2006: Benjamin Sanson / Carla Moreno
2007: Fábio Carvalho / Vanessa Gianini
2008: Adriano Saccheto / Fernanda Bau
2009: Luiz Francisco Paiva / Sandra Soldan
2010: Henrique Siqueira / Sandra Soldan
Copa Light de Ciclismo 2010 – Equipes de São Paulo dominam a prova
A Avenida Presidente Vargas, uma das mais movimentas do centro do Rio de Janeiro, foi o palco da 3º edição da Copa Light de Ciclismo, nos dias 25 e 26 de setembro. No sábado, cerca de 100 atletas, divididos em 7 categorias, disputaram um Contra Relógio individual. Os competidores realizaram 3 voltas em um circuito de 4 km. Na categoria elite masculina, Magno Prado Nazaret foi o mais rápido. Os ciclistas da equipe Memorial de Santos, Marcos Christian Novello e Andre Luiz Pullini foram segundo e terceiro, respectivamente. No domingo, mais de 450 atletas de 11 categorias competiram na prova de Circuito Estrada, com domínio total das equipes de São Paulo. O atleta do time Memorial de Santos, Fabiano dos Santos Mota, que é carioca, garantiu a vitória, seguido de Magno Prado Nazaret, ciclista da equipe de Pindamonhangaba, e de Marcos Christian Novello, também da Memorial de Santos.
Na prova feminina, a equipe Funic/ Marcondes Cesar/Gelog/ Pindamonhagaba, que já havia feito uma dobradinha na prova de sábado, mais uma vez dominou as primeiras colocações. Valquíria Alessandra Pardial, segunda colocada na competição do dia 25, desta vez subiu no lugar mais alto do pódio. Ela apenas trocou de posição com a companheira de equipe, Fernanda da Silva Souza, que terminou a prova deste domingo com a medalha de prata. Em 3º lugar ficou a representante do Rio, Lívia Bustamante, da equipe Raul Furtado. Com o somatório do primeiro lugar na prova Contra Relógio e a segunda colocação na competição de Circuito Estrada, Magno Prado conquistou o título da Copa Light de Ciclismo 2010.
Elite Masculino
1º– Fabiano dos Santos Mota(GRCE / Memorial / Prefeitura de Santos / Giant) – 1:34:26
2º Magno Prado Nazaret (Funic/ Marcondes Cesar/Gelog/ Pindamonhangaba) – 1:34:27
3º Marcos Christian Novello(GRCE / Memorial / Prefeitura de Santos / Giant) - 1:34:29
Elite Feminino
1ª Valquíria Alessandra Pardial ( Funic/ Marcondes Cesar/Gelog/ Pindamonhangaba) – 53:42:194
2ª Fernanda da Silva Souza(Funic / Marcondes César / Gelog/ Pindamonhangaba) – 53:42:317
3ª Lívia Bustamante ( Raul Furtado) - 58:31:265
Aalegria de uma criança quando finalmente recebe a sua primeira bicicleta, pode ser comparada àquela de um jovem que tira a carta de habilitação, e o pai empresta-lhe o carro pela primeira vez.
É uma sensação de liberdade e de conquista inigualável, que fica ligada às melhores memórias da infância.
Por isso, não cometa o erro de deixar seu filho ou filha crescer sem aprender a andar de bicicleta. Ele vai cobrá-lo pelo resto da vida.
Quanto mais cedo começar, mais fácil é para aprender.
Bicicletas infantis com apoios laterais facilitam muito o trabalho. Quando for adquirir sua bicicleta, informe a idade da criança para que o vendedor saiba indicar o tamanho adequado. Bicicletas muito grandes ou muito pequenas vão dificultar o aprendizado. Use o mesmo princípio que se usa para regular a bicicleta de adultos. Se preferir deixe o banco um pouco mais baixo no início do aprendizado. Ensine a criança a pedalar de forma contínua, e olhar para frente, não para a roda. Isso ajuda no equilíbrio.
Mostre a ela onde estão os freios, como se usa e para que servem! Afinal ela nunca andou de bicicleta antes.
Escolha a bicicleta correta
Ensinando o básico
PRÓXIMA EDIÇÃO
Escolha um lugar tranqüilo
Corrija erros
Minha bicicleta!
Gosto muito de andar de bicicleta.
Todos os domingos, meu pai me leva no parque para que eu possa passear pelos caminhos com ele. É meu dia preferido.
Fico triste de pensar que num dia desses pode chover. Mas se chove, fico em casa só limpando a minha bicicleta.
Quando crescer, quero ter uma daquelas bicicletas que podem andar em trilhas de barro. Quem sabe eu serei um famoso bicicleteiro?
Obrigado por esse espaço para nós, crianças!
Arthur
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Monte Roraima (2700m) – O Cume é nosso!
Missão cumprida!
....Por Sérgio Batista
Alguns dias após a expedição, ainda é difícil assimilar e acreditar no que fizemos. Fico vendo as fotos e lembrando tudo que aconteceu nos treze dias que passamos juntos (como é bom fazer isso!). Tanta coisa aconteceu. Pessoas e bikes unidas para compartilhar um ideal. Antes da expedição, foram tantas horas de reuniões (literalmente deliciosas) foram gastas para esse desafio (além das horas virtuais). Eu lembro quando fizemos a primeira há uns nove meses atrás (de um total de dez). Pelo clima de todas elas, já dava a sensação de que tudo iria dar certo. De que todo o planejamento iria alcançar o seu êxito. Tantas foram às expectativas criadas nesses encontros para o grande momento. Vivenciei a empolgação de todos, além da minha.
(Essa foi uma das muitas imagens marcantes de uma das reuniões!) (Obrigado por tudo, Ângela!)
Havia até uma banca de apostas para aqueles que, supostamente, não iriam
Durante o planejamento sabíamos que iríamos enfrentar muitos desafios, sendo que dentre todos eles, dois iriam ser os maiores:
- O frio no topo do monte (que poderia chegar a 0°);
- E as temidas subidas da serra de Pacaraima e do próprio monte (1800m)
10 de fevereiro de 2010:
Aeroporto Internacional de Val-de-Cans, por volta das 05h, dez bikers estavam embarcando de Belém-PA para Boa Vista, capital do Estado de Roraima, para serem protagonistas de um dos maiores feitos ciclístico do mundo (outros três bikers iriam juntar-se ao grupo no decorrer da expedição): pedalar de Boa Vista, atravessando a fronteira com a Venezuela, pedalando pela Gran Sabana Venezuelana, chegando ao topo no Monte Roraima com uma bike em punho e alcançar a tríplice fronteira (Brasil, Venezuela e Guiana).
E lá fomos nós...
O vôo foi tudo muito tranqüilo. Chegamos a Boa Vista RR no horário e rumamos para o hotel Uiramutam. Hotel muito bom, bem localizado e com excelente estrutura (recomendo), e que nos deu os últimos luxos antes de iniciarmos o pedal. Antes de qualquer expedição temos que valorizar cada um desses luxos: como tomar um bom banho, dormir em uma boa cama, tomar um bom café da manhã, etc. (D. Cecília, obrigado por tudo).
Montamos as bikes e verificamos se estava tudo certo. As bikes ficaram prontinhas para o dia seguinte.
Como planejado, fomos pedalando até o supermercado para fazermos as compras necessárias. Ainda no supermercado, deu tempo de conhecer o Sr. Lazaro, que é guia local e nos deu algumas dicas valiosas para o nosso trajeto. Foi uma das pessoas mais marcantes da expedição (no decorrer vão saber o porquê).
À noite, depois de um delicioso jantar, tipicamente roraimense, retornamos ao hotel para descansar e aproveitar a noite de sono.Ficou acertado que a alvorada iria ser as 05h, para que no mais tardar às 07h estaríamos saindo para o pedal.
Pontualmente às 05h a alvorada foi feita. Chega o grande momento!
O café da manhã, bem caprichado, antecipado pelo hotel, estava servido.
Após, fomos para a calçada externa iniciar o pedal.
Rumamos para a grande Praça do Garimpeiro. Chegando lá, eis que surge um dos momentos mais aguardados por mim: a hora da oração. De início eu não sabia muito o que dizer, mas ao mesmo tempo queria expressar tudo que estava sentido naquele momento, era algo muito forte. Agradeci muito por estar lá com todos os meus amigos para essa grande jornada. Foi um momento memorável e que nunca esquecerei.
Saimos da cidade e pegamos a BR-174. O sol parecia que não ia dar trégua, e certamente, além das grandes subidas e do frio que iríamos enfrentar mais adiante. Iríamos ter mais esse grande obstáculo durante os próximos dois dias.
Na BR-174, pedalamos por um bom tempo com a urbanização ainda em nossa volta. O asfalto da estrada é de bom estado, bem plana nesse início, como já era previsível. (mas sem um bom acostamento). Nesse inicio de viagem começamos a perceber que, como em outras viagens, éramos bem-vindos. E aquele conceito que nos foi informado nas pesquisas, por muitos que perguntávamos, era um paradoxo. Praticamente todos os carros que passavam por nós pegavam a contramão para deixar o maior espaço possível para pedalarmos. As buzinadas de saudações eram comuns.
A meteorologia local (Velasco weather – ele tinha um termômetro embutido no top-tube da sua bike), indicava 39°.
O asfalto fervia e parecia que o pneu, mesmo tão cheio, ficava grudado no asfalto.
Por volta das 13h30 resolvemos parar para um merecido descanso na baiúca do Linhares.
A parada foi regada a muito salame, queijo (e pan?). Fomos recebidos muito bem. Ao som de muita prosa e muitas piadas, do Sr. Zé “Guloso” e convidados. Um poço foi d’agua geladinha foi muito bem-vindo - descansar e esperar o sol baixar um pouco.
Já de volta ao pedal, mesmo com o sol mais ameno, o desgaste foi muito grande nesse primeiro dia. Afinal, eram 100km!
O sol já se punha e ainda continuávamos a nossa jornada, faltando ainda poucos quilômetros.
Chegamos ao nosso destino às 19h, um por um foi chegando e se acomodando no chão e na calçada, bem em frente ao posto do Sr. Paulo.
Alguns improvisaram e aproveitaram um massageador lombar que funcionou muito bem...
Nesse extenso primeiro dia de pedal deu para ter uma pequena amostra da dificuldade que ainda íamos enfrentar pela frente. O dia foi muito difícil, o calor era quase que insuportável. Nunca tínhamos pedalando em um local tão quente. Esses primeiros 100km foram de savana (vegetação bem rasteira), não existindo praticamente nenhuma sombra. E era certo que as características iriam ser assim nos próximos dois dias.
O nosso ponto de dormida desse primeiro dia de pedal ainda era chique. Aproveitamos os quartos do hotel ao lado do posto. Com um suporte de hidratação do posto, banheiro e frigobar nos apartamentos, ainda pudemos desfrutar de um conforto que iria falta dali para frente.
Depois de um banho mais que necessário e merecido, deu para dar uma revigorada. Ainda com o "banquete" que foi servido após, com quitutes de todos os tipos. Chegava a hora de se desvencilhar um pouco do peso dos enlatados.
A dormida, merecedora, foi muito boa. Bem cedo já estávamos de pé para o nosso segundo dia de expedição.
Agradecemos todo o apoio ao Sr. Paulo (proprietário do posto e que atendeu a todas as nossas necessidades).
A nossa segunda oração foi feita. Era hora de agradecer toda a força que nos foi proporcionada no dia anterior, de extrema importância para terminarmos o dia. E ainda, hora de pedir a mesma força para o dia que está se iniciando (iríamos precisar muito).
Tínhamos que aproveitar ao máximo as primeiras horas da manhã para rendermos ao máximo o pedal. Para que pudéssemos fazer aquela para estratégica por volta de 12h30, e descansar até o sol baixar um pouco.
Nosso destino do dia era a Vila Surumú, uma aldeia indígena dos Tucuxis, que fica as margens da BR-174. Seriam por volta de 70km até lá. Ainda era manhã, mas o sol parecia com o das 14h.
Esse dia foi preenchido com algumas surpresas. Uma delas foi essa bela lagoa, limpinha, que encontramos a beira da estrada. Não pensamos duas vezes em parar. Quando estávamos de molho, de bubuia na água, ouvimos barulho de carro parando perto das nossas bikes. Subimos e era uma pessoa querendo se refrescar, também. Nos entrosamos e o mesmo nos ofereceu gelo para os nosso hidrates, que beleza!
Pegamos a estrada e a muito custo todos estavam regrando a água.. Jamais poderíamos deixar que faltasse, se isso acontecesse, íamos ter que parar antes do nosso destino.
Em determinado momento o grupo ficou meio que desanimado, estava muito quente e a água muito escassa. A tarde caia mas o sol não. As horas passavam mas o sol fervia como o de 13h. O ritmo do pedal estava baixo, fora da média normal. Nessa hora só o que escutávamos era o barulho dos pneus do asfalto. Todos ficaram bem calados e só o que faziam era concentrar-se no pedal.
De repente, surgi uma gritaria atrás de nós. Um carro buzinando com um corpo, praticamente para fora, com um objeto preto e uma linha vermelha no centro: era uma coca-cola de 2lt.
Quando ele saltou, percebemos que era o Sr. Lazaro, São Lazaro! (lembram do Sr. Do supermercado que encontramos em Boa vista, pois é).
Foi uma injeção de ânimo em todos. Nunca imaginávamos que isso iria acontecer. Além de coca-cola, tinha um isopor lotado de frutas e gelo, nossa, gelo!
Depois das emoções contidas, seguimos viagem. Chegamos à vila ainda era dia. Pedimos permissão para a proprietária de uma grande maloca da aldeia (D. Antonia), para podermos repousar aquela noite naquele local. Permissão dada, tiramos as coisas dos alforjes e fomos tomar um bom banho no banheiro coletivo da aldeia. Após, a Jocasta (filha da D. Antonia), nos ajudou a organizar o jantar. Cada um deu alguns macarrões, sopas, temperos, etc (chegar a hora daquela famosa comida bem condimentada). Compramos bisteca e bife em um restaurante da aldeia e estávamos muito bem servidos.
Nunca tínhamos ficado em um hotel de mil estrelas. Colocamos os sacos de dormir a frente da grande maloca e nos deitamos ao ar livre, com o céu todo estrelado (tem hotel melhor?!). Ainda vez ou outra uma estrela “caia”.
Pela manhã bem cedo, ainda escuro, arrumamos as tralhas e tomamos café.
Logo após, nos despedimos e partimos, deixando certamente, boas lembranças para a D. Antonia e família.
Esse foi o dia mais cedo que iniciamos o pedal, como tem que ser realmente. Aos poucos íamos avançando na serra. Começavam as subidas intermináveis.
Estávamos a 400m e subindo cada vez mais. Nosso ponto final eram 900m, já na cidade de Pacaraima, fronteira com a Venezuela. Lá estaríamos completando 220km pedalados, em três dias.
Subidas, mais subidas. Não davam um “refresco” sequer. Até que, apareceu um refresco sim, uma venda de caldo-de-cana a beira da estrada, bem doce e gelado!
Após várias paradas de descanso, chegamos finalmente a Pacaraima, a 900m de altura. Ainda demos uma parada em um posto fiscal da SEFAZ para um último descanso (porque ainda tinha uma grande subida antes de chegar ao centro da cidade).
Mas finalmente chegamos, e a primeira parada foi na rodoviária para comer algo. Após alguns almoçarem e outros apenas merendarem, fomos para o nosso alojamento.
Durante a organização da expedição, foi nos oferecido, pela D. Sonia, o alojamento do IBAMA, em Pacaraima. A princípio íamos ficar em hotel, mas acho que nenhum hotel supriria o conforto que nos foi dado (obrigado, D. Sonia!).
Seguimos em direção a divisa do Brasil com a Venezuela, e ao nos aproximar, funcionários de alguns órgãos nos alertaram para a sede do IBAMA. Parece que muitos lá já sabiam que estávamos chegando.
A noite deu para conhecer um pouco da cidade de Pacaraima, que fica bem no topo da serra de mesmo nome.
Aproveitamos bem a noite, bem dormida. Sem a preocupação de acordar cedo, sem compromisso algum.
No final da manhã conhecemos o Frank, venezuelano que contratamos por indicação da D. Sonia para organizar a nossa ida ao Monte. Foi o primeiro contato com um Venezuelano.
Nessa mesma manhã chegou o nosso 11º homem, o Rodrigo Duque. Ainda faltavam mais dois para completar os 13. Esses iam chegar mais a frente.
Almoçamos por lá mesmo, no alojamento. Com a cozinha comandada pela Ádila.
A aduana venezuelana funciona até as 16h. Estávamos uns 200m dela. O IBAMA fica a 50m da fronteira. Tínhamos que sair do alojamento o mais tardar às 15h30. Com um trajeto de apenas 15km, de Pacaraima até Santa Helena, já na Venezuela, o dia continuaria de folga. Em Santa Helena ficaríamos no hotel Michele, um dos hotéis mais populares da cidade.
E foi o que aconteceu, demos entrada na papelada no Brasil (foi bem rápido), e depois atravessamos a fronteira para carimbarmos os passaportes na aduana venezuelana.
Foto: Exercito Venezuelano
Na aduana fomos bem recebidos pelo exercito venezuelano, muitos deles fizeram perguntas sobre as bikes, fizeram fotos conosco e até proposta de compra de uma das bikes, na volta.
Seguimos caminho já em terras venezuelanas, outro idioma, moeda, costumes e leis. Tínhamos que ter muito cuidado em tudo que íamos fazer e falar, pois em terras de Hugo Chaves não se brinca. Em todo lugar se via algum soldado de prontidão. As estradas são cheias de barreiras de fiscalização. Por algumas vezes tivemos que mostrar os passaportes.
Alguns quilômetros após a fronteira e logo chegamos ao hotel Michele. A diária lá não passa de R$ 10,00. É um bom local para quem não quer muito luxo.
Não muito longe do hotel, encontramos um restaurante chamado Alfredo. Neste, provavelmente os que estavam lá nunca se divertiram tanto em uma noite (nunca irão esquecer essa noite). Nunca rimos tanto (pelo menos eu) como nessa noite. A partir da nossa chegada a Venezuela, “poliglotas” de plantão começaram a falar o “espanhol”. O garçom ficava louco. Um dizia que estava até nos alfabetizando, e indagava ao garçom se estava certo o diálogo. Depois de algumas tequilas, vinhos, coquetéis, a coisa ficou “pior”. Era um enrolado louco com a língua alheia (que PAN?!).
O maestro do recinto descobriu que éramos brasileiros e começa a tocar clássicos da MPB. Roberto, Caetano, Chico, etc. A partir daí foi uma festa, nos sentimos literalmente em casa. O nosso Biafra, vulgo Amauri, fez bonito ao levantar-se da mesa e acompanhar o maestro na canção (estávamos todos morrendo de rir). Nem os venezuelanos estavam acreditando, a festa era toda nossa!
(“...O importante é quantas emoções eu vive!”).
A nossa conta deu inacreditáveis 1.000.000,00 - um milhão de bolivares (por volta de R$ 300,00, ficando menos de R$ 30,00 pra cada um).
No outro dia, seguimos em direção a São Francisco, era o nosso objetivo do dia. Ao sair da cidade percebemos o caos que existe em decorrência do combustível barato. Os carros fazem filas quilométricas nos postos, aproveitando o misero valor da energia fóssil por lá.
O clima a partir de Pacaraima ficou muito propício ao pedal. Com uma temperatura em torno de 23°. De qualquer forma as grandes subidas não pararam.
A cada quilometro que pedalávamos subíamos mais. Um dos grandes obstáculos do dia foi uma serra interminável. Nela chegamos a 1400m.
E mais uma vez, quando precisamos, encontramos pessoas dispostas a ajudar. Mais uma vez nos foi dado gelo, suco, refrigerante e água.
Após chegar nessa altitude, “despencamos” ladeira a baixo. Acho que foram uns 10 minutos de descida a 64km/h. já era essa a maior decida em expedições.
Em vários outros pontos já tínhamos visto o Monte Roraima, bem de longe. A cada momento que íamos chegando ele ficava maior, e maior. Essa foi a nossa primeira visão real dele, onde começávamos a ver realmente a sua grandeza.
Acordamos bem cedo no dia seguinte. Ele prometia muito. Já tinha iniciado com coisas boas, como a chegada do nosso 12º e 13º homem (Taluí e Marcelo Biker). E também a nossa entrada no Parque Monte Roraima, saindo em definitivo do asfalto.
Um café da manhã legitimamente venezuelano foi servido no mesmo restaurante do jantar anterior. Com o café, acompanhava uma espécie de pão de milho com ovo, chamada de Arepa. Muito saboroso e nutritivo.
Não faz muito tempo, um grande amigo me disse que temos que buscar sempre um degrau a mais daquela meta que foi estabelecida. Que sempre temos que colocar, digamos, aquela “cenoura” além do que buscamos...
Ao redor do Monte Roraima existiam muitos outros, digamos, “legumes” (montes), muito belos também. Mas eu nem sabia, e há muito tempo atrás eu fiz do Monte Roraima a minha grande “cenoura”.
Ao adentrar no parque, passeia a ver a minha grande “cenoura” bem a minha frente. Os três anos se tornaram alguns dias. E, ainda, naquele momento jamais poderia imaginar a sensação de estar lá no topo, a 2700m de altura, com a minha bike em punho.
Nosso objetivo estava bem a nossa frente. Mais alguns dias e estaríamos lá, no seu topo!
Aqui tudo é muito grande. Parecíamos grãos de areia diante de toda essa imensidão.
Depois de um longo dia chegamos ao nosso destino, em Paraitepuy, que apelidamos, carinhosamente, de Vila dos Smurfes. Um pouco antes de chegar tomamos a última coca-cola, dos próximos seis dias. Por mais quente que estivesse (a coca-cola), não fazia nenhuma diferença naquele momento.
Nesse ponto a natureza nos privilegiou com uma das mais belas visões da natureza no mundo. Ficamos contemplando por horas o Monte nesse ponto. O reflexo do sol era o “holofote” perfeito para o desfecho do dia.
O pernoite na Vila dos Smurfes foi tranqüilo. Armamos as nossas barracas de baixo de uma enorme estrutura de ferro, coberta de cimento, nos abrigando de uma eventual chuva. Depois da refeição, ficamos ao relento e tentando imaginar como seria o dia posterior.
Logo bem cedo, tomamos um bom café para nos esquentar do frio da manhã. Assim que saímos da vila, na primeira descida, houve um pequeno acidente com um dos integrantes, mas sem gravidade nenhuma para o piloto. A bike avariou bastante na roda dianteira, dando um bom trabalho para desempenar manualmente.
Seguimos por um caminho com uma subida bem acentuada. No topo, alcançamos os 1400m (maior altitude até aquele ponto na expedição).
De Paraitepuy ao Acampamento Militar, que era o nosso destino do dia, foi o período de pedal mais longo que eu já fiz na minha vida. Eram pouco mais de 20km, que fizemos em quase 10 horas.
Antes do acampamento paramos na vila próxima do rio Tek...
Lá comemos um salgado a base de macaxeira e com recheio de frango chamado pollo, feito pelos índios locais (mas o interessante que não vimos nenhum frango por lá...).
Do rio Tek até o Acampamento militar ainda tínhamos muitas horas de pedal, em uma quilometragem bem curta. Dessa maneira podemos perceber a dificuldade do trajeto e o ritmo que íamos.
Ultrapassamos a linha da proa do Monte Kuketanam, o vizinho um pouco menos famoso que o Roraima. Mas também de uma beleza sobrenatural
A nossa busca pelo Acampamento Militar demorou horas, até que o nosso guia, o Otávio, nos confirma que já estaríamos nele. Confesso que de início foi meio decepcionante. Todos nós pesávamos em avistar uma tenda do exercito, com alguns homens de alguma infantaria venezuelana. Que nada..., era apenas um clareira com restos de cinzas da fogueira de algum outro grupo que pernoitou lá. Mas que a partir daquele momento não seria mais o acampamento militar, e sim, o da EART.
A noite, como sempre, foi de muita brincadeira de uma barraca a outra. O dia seguinte era muito esperado por todos. Era a hora de deixar as bikes e partir para a etapa de trekking, ou seja, iríamos começar a subir o grande paredão do monte.
Cedo no outro dia partimos – eu levei minha bike que foi amarrada na minha mochila de hidratação, balançando a todo o momento. Com esse procedimento eu não pude mais fazer fotos para não desperdiçar energias, afinal, a minha máquina estava na bolsa do guidão.
Chegamos ao acampamento base e começamos a parte mais difícil, a de “escalaminhar” ( escalar caminhando, usando as pedras como degraus e se puxando nos galhos). A bike nas minhas costas sempre agarrava em algum galho ou batia em alguma rocha. Mas sempre tinha alguém atrás de mim para desengatar.
A cada “degrau” a altitude aumentava, com isso, o ar ficava mais escasso e a narina começava a arder bastante .
Depois de cinco horas de subida, um enorme desgaste físico, um frio que beirava os 6° e uma paisagem belíssima vista lá do alto (uma das mais belas do mundo), chegamos ao topo!
Nesse momento eu sentei em uma rocha e, ao mesmo tempo que fiquei vendo o restante do grupo subir, fiquei imaginando a tamanha grandeza daquela conquista, o que a bicicleta tinha me proporcionado. Proporcionando sermos o primeiro grupo a levar uma bike ao topo do Monte Roraima, coisa que parecia ser impossível, até aquele momento.
A tamanha beleza no topo é inimaginável. O visual é completamente diferente de tudo que já tínhamos visto.
No topo, o tempo é muito instável e no momento da nossa chegada fechou geral. A temperatura desceu mais. Durante a noite beirava 0°.
Por volta de 200 pessoas estavam no topo, e por esse motivo, não tivemos como ficar nos chamados “hotéis”, que são grutas. Tivemos que armar o acampamento a ermo.Na madrugada, o vento e a chuva castigaram bastante as nossas barracas. O local onde estávamos virou uma lagoa e começou a entrar água nas barracas. Em plena madrugada foi uma correria. Alguns tiveram que sair da barraca e se abrigar nas cavernas próximas, completamente encharcados.
Na manhã do dia seguinte pudemos ter uma visão do estrago no local. Por sorte não molhou o nosso equipamento. Nossas barracas pareciam manchas de tintas no chão.
Depois de quase tudo organizado, tínhamos que partir para o nosso último objetivo da expedição: chegar até a tríplice fronteira (Brasil, Venezuela e Guina).
Foi uma caminhada deslumbrante. O Monte Roraima é um platô imenso, com cerca de 12km de uma extremidade a outra. Por muitas vezes tivemos que escalar as rochas, atravessar pequenos córregos, passar por baixo de grandes rochas, pequenos canyons, etc.
Nossa primeira parada turística foi o Vale dos Cristais, aquilo lá é místico, sem igual. Você vê cristais brotando das rochas, virando um imenso tapete branco.
Mais uns 10 minutos de caminhada e chegamos a nosso último objetivo da expedição. Finalmente, a tríplice fronteira. Estávamos todos felizes, tanto tempo para chegar lá. Foi um momento impar. A tríplice fronteira foi contemplada de todas as formas, seja no lado do Brasil, da Venezuela ou da Guina.
Após, no caminho de volta, ainda tínhamos uma parada para fazer. Pela sua beleza, o El Fosso, é uma parada praticamente obrigatória no Monte Roraima. Logo você percebe que o local é o coração do Monte. Parece que tudo lá é absorvido por ele. Você sente que lá pulsa uma energia absurda, que te enche de forças para continuar o teu caminho de volta e pensar que você pode fazer muito mais em cima de uma bicicleta (é por isso que eu pedalo!).
Ainda deu tempo de fazer um lanche, a 0°, antes de voltar às pressas. Faltavam poucas horas para que escurecesse. Quando chegamos ao acampamento o sol estava findando o seu último brilho no horizonte cinzento do Monte.
Pela manha bem cedo, percebemos que o dia amanheceu aberto, com uma visibilidade muito boa. Já era hora, porque ficaria bastante perigoso descer nas condições que estava.
A 2700m de altura, com o vento gelado no rosto do Monte Roraima, a quase 0°.
Levar a bike até o topo do Monte Roraima foi a coisa mais difícil que eu já fiz na minha vida. Na descida, considerada a parte mais difícil, foram quase 5h.
Chegamos ao acampamento militar, descansamos um pouco, arrumamos os alforjes e fomos ao encontro do carro de apoio. Foram mais algumas gratificantes horas de pedal.
Vamos continuar tendo sonhos sempre. Após o Monte Roraima, podemos ter a certeza que qualquer outro sonho pode ser alcançável!
Muito obrigado ao nosso patrocinador:
- Ângela Belei: por tudo e mais um pouco;
- Da Matta: por ter desenvolvido o layout da nossa camisa;
"Na Estrada ou na terra, de dia ou de noite, estamos lá... por vezes até em pastos, matas, ribeiras, na lama, e lagoas. O gosto pela bike é ponto comum aqui".
Sérgio Batista
Notícias
Por que pedalamos ?
Por Isah Andreoni
Para todos os que pedalam, e também para aqueles que só andam de bicicleta.
Não, não é só porque faz bem para a saúde, porque os médicos recomendam, ou por que está na moda.
Pedalamos para nos sentirmos mais leves, não na balança, mas na sensação que acontece toda vez que vamos deixando esse montão de coisas pelo caminho, atrás, sem peso nem culpa, conforme vamos passando. A bicicleta é nossa desculpa mais natural e mais justa pra não carregarmos nada além do essencial. Afinal, qualquer excesso, por mínimo que seja, de cara escancara a vida contrariada, a bagagem desnecessária que bloqueia o prazer.
Pedalamos pelo prazer de ir descobrindo a vida por completo: subidas e descidas, disposição e cansaço, dúvida e certeza, lentidão e agilidade, uma calma veloz, alegria e tristeza, noites e manhãs, loucura e lucidez. Pedalamos pra nos sentirmos inteiros, do tamanho de nossa esquecida lembrança; pelo prazer vital de desviar dos fragmentos, e encarar todos os lados de uma mesma moeda, recalculando e recompondo nossa medida imensa, do tamanho de um corpo: imagens, viagens, declives, devaneios, atalhos, desvios, idas e vindas, rodas, linhas, circunferências, buscas...
Pedalamos não tanto por nossas pernas, mas por nossa memória, quase sempre tão curta. Pra reavivarmos o adormecido, e alimentar de ar e fogo e terra e água o sonho, a pulsação, a respiração, a vida. Pedalamos pra nos lembrarmos de que, sobre o selim da bicicleta, o que cabe somos nós próprios, um mundo; pra não nos esquecermos novamente de que isso é o essencial.
Pedalamos pra descobrir a cidade, não tanto a que se constrói e reconstrói na paisagem, mas a que passa deslizando no tempo. Nos minutos pedalados é que compreendemos que o tempo é mais do que uma palavra.
Pedalamos pra termos nosso momento sozinho, e, sobretudo pra que estejamos cada vez mais inteiros e abertos ao outro, cada vez e melhor acompanhados. Pedalamos pra que os encontros aconteçam de verdade, e não pelas metades, automática e repetidamente; pra que a conversa aconteça, a escuta e o silêncio, com ou sem palavras; pra que haja, sem receio, o mergulho do olho no olho, no rodopio completo que todo encontro faz.
Sim, pedalamos pra girar nossas mentes, mudar perspectivas, mover o pensamento, deslocar a atenção, desviar da certeza; pra reaprendermos a olhar: cada objeto, cada pessoa, com sua vida peculiar; a olhar com atenção e sem pressa, mas também sabendo que desde o instante em que nosso corpo toca e nosso olhar contempla, aquilo que é visto e tocado já está passando e ficando, transformando-se assim como nós, e no minuto seguinte, é uma outra história.
Pedalamos pra viver a passagem, a mudança, o devir; pra saber e sentir que o tempo gira, mas nunca volta; pra aprender a celebrar esse tempo. Constante, recorrente, cadenciado, o pedal nunca se repete: cada pedalada é só uma, única, e já vem outra, momento, espaço, tudo alterando.
Pedalamos pra não nos determos, nem nos apressarmos; pra reviver esse “caminho do meio” que não está em lugar algum a não ser bem aqui, no eixo de nosso corpo e mente e alma e vontade, seja lá o que for.
Pedalamos pra que as palavras não valham mais do que os atos, e pra que os atos não sufoquem as palavras; pra aprender a minúcia das superfícies, dos significados, cada detalhe, e nos tornarmos mais cuidadosos e à vontade com nossos 5 mil sentidos. Naturalmente atentos no falar, no ouvir, no perceber, no tocar, no desejar, no pensar, no sentir... pra exercitar nossa capacidade instintiva, original, primitiva de estar aqui, a cada instante, giro após giro.
Sim, pedalamos pra girar por aí, pra nos concedermos (por que não?) também a possibilidade de nos confundirmos, de nos enganarmos, de nos perdermos. Pedalamos pra que o medo dos desvios, da margem, dos abismos, não nos assuste além da conta e nos paralise, mas que, pelo contrário, nos transforme, nos recrie, nos reinvente.
Pedalamos pra inventar outras rotas; pra experimentarmos o fascínio da (re)descoberta, a alegria de simplesmente fazer diferente, que é fazer o que podemos, e sair do esquema, encurtar e estender o percurso.
Pedalamos pelo prazer de dançar nas ruas, a roda que ziguezagueia pelas lacunas, e nós habitando esse espaço vazio, entre uma faixa e outra, entre uma e outra regra, comando, sinal.
Pedalamos pra que os sinais estejam sempre abertos, mesmo quando fechados; pra passarmos pelas beiradas, dobrar a esquina quase no cantinho da calçada, quando a luz está vermelha e não podemos sequer pensar (e nem queremos) em abortar esse vôo, perder esse ritmo, cortar o impulso; pra saber esperar, e pararmos contentes, quando não há outro jeito, respirar fundo, reabastecer as rodas de ar, e seguir em frente.
Pedalamos porque algo em nós desvia, desde sempre e pra sempre; porque não somos tão retos, nem totalmente tortuosos. Pedalamos pelas margens do erro, onde tudo acerta e nos sentimos bem.
Pedalamos pelo consentimento, pela compreensão (e também pela dúvida) quanto ao que somos: uma mistura e uma unidade; uma confusão e uma quietude, um caos e uma porção de maneiras de nos organizar.
Pedalamos porque preferimos deixar o carro na garagem, ou mais ainda, deixá-lo para sempre no passado, pra que os meninos do futuro, nas aulas de história, aprendam perplexos que houve uma época em que as cidades, feitas de uma matéria nem um pouco permeável, e muito menos estética, foram ficando cobertas de fumaça, descontentamento, ansiedade, tristeza.
Mas você pode pensar que também há muitos que vão de bicicleta, não por uma questão de consciência, e sim por uma impossibilidade que é tanto de informação quanto de dinheiro: a incapacidade de enxergar esse presente, e de antever o futuro; mas, pelo contrário, de querer, assim que possível, o mais depressa, ter um carro na garagem, para poder ir pro trabalho com ele.
Sim, também se pedala porque a grana é curta, ainda mais que sonhos e palavras, e entender é difícil, e ter um carro é caro, ainda mais com o preço da gasolina e o cartel das usinas.
Pedalamos porque não aprendemos, nem nos ensinaram, a extrair o muito do pouco, o mais do menos; e só sabemos querer mais, mesmo quando o menos permanece nossa perspectiva mais concreta. Por isso vamos de bicicleta, dia após dia, manhã após manhã, direto pras fábricas que produzem a sobrevivência nossa e de milhões, junto com as mercadorias de sonhos vendidos nas lojas, disseminados nos intervalos de almoço, finais de semana, dias de pagamento, cenas de novelas.
A bicicleta é o veículo de quem se desloca no extremo: o final ou o começo. Pedalamos porque temos consciência demais ou de menos; porque nos revoltamos demais ou nos conformamos depressa; porque já tentamos tudo, ou porque não tivemos sequer a menor chance de tentar; porque a programação da T.V, todas as mensagens, já não nos interessa e convence, ou porque tudo no que somos capazes de querer e acreditar nos vem dessas mensagens.
De carro é mais rápido, mais confortável, tem mais independência – todo mundo sabe. Pedalamos porque talvez sejamos de um tipo esquisito que prefere ir mais devagar. Ou porque talvez, na verdade, são os que não pedalam que desconhecem que, de bicicleta, muitas vezes é bem mais certo chegar sem atraso. Sim, pedalamos pela possibilidade de intuir os atalhos, experimentar alternativas, e com isso escapar dos lugares-comuns, das vias inviáveis, das opções que se mostraram inadequadas, das ruas congestionadas.
Pedalamos porque temos tempo de sobra, apesar do tempo; por já não temermos as horas, os dias, os meses, mas por respeitá-los e degustá-los. Pedalamos porque não há porque ter toda essa pressa, mas também quando é preciso ir um pouco mais ligeiro, pedalamos um pouco mais.
Pedalamos pela possibilidade de inventar, na borda limítrofe, na margem extrema, nosso “caminho do meio”, nosso ensaio de prazer, de vida, de paz; pra seguirmos adiante, no meio disso tudo, e ao mesmo tempo fora, sem pirar. Pedalamos porque não tem mais jeito, e já endoidamos; porque estamos fora do contexto, quando o contexto é passado, tudo que não serve, nem alimenta, nem impulsiona mais.
Pedalamos por tantos motivos, e sem motivo nenhum; por um impulso o mais instintivo que, quando vemos, já nos trouxe de lá, e estamos aqui, em cima de uma bicicleta.
Pedalamos não por nossa liberdade, nada disso, mas por uma imposição incontestável que não é econômica, social, ou da mídia, mas de algo sem-nome que pulsa e respira em nós, a cada giro, mesmo quando não estamos de bike.
Pedalamos porque qualquer motivo externo, por mais decisivo, continuará sendo sempre menor do que a causa sem causa, a razão sem motivo dessa vida imediata, desse prazer gratuito sem preço, dessa loucura tão inocente e perigosa e libertária que é pedalar.
Pedalamos porque talvez, no ato de pedalar esteja envolvido muito mais do que um ciclista e uma bicicleta; porque talvez, por mais estranho que isso pareça, talvez apenas se mover em uma bicicleta não signifique necessariamente pedalar.
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EDITORIAL
Nos alegrou muito o que vimos e ouvimos referente à primeira edição de nossa revista. Da parte de amadores, entusiastas, profissionais, bem como lojistas e empresários, ouvimos expressões de gratidão e satisfação com nossa proposta. Como disse o bicampeão mundial de paraciclismo, Soelito Gohr, “a primeira impres-são da revista foi a melhor possível. Eu treino, tenho loja de bicicleta, vivo de bicicleta, e a revista tem muita informação, que é o que nós precisamos. A revista ficou diversificada, abrangente, não focando só competição. Acho que tem tudo para dar certo.”
Ouvimos também críticas e sugestões, o que apreciamos muitíssimo. Daremos detida atenção a cada uma, com objetivo de aperfeiçoar e tornar a revista mais informativa, abrangente e democrática, que é a nossa proposta. A partir dessa edição agregamos conteúdo, por introduzir novas seções como modalidades, perfil e teste. Também por acrescentar novos colunistas, entre estes, Renata Falzoni.
O artigo de capa “Andar de bicicleta, sinal de pobreza?” norteará a abordagem dessa segunda edição, que tratará do preconceito, exclusão, conformismo, descaso e omissão, tão comuns e arraigados em nossa sociedade, que tanto dificulta a mobilidade por bicicleta, e faz com que cada ciclista se torne um verdadeiro herói em meio a essa selva motorizada.
Aspiramos e reivindicamos melhoras. Porém, independen-te do que se dará, continuaremos pedalando.
500 DIAS DE EXPEDIÇÃO
AMÉRICA DO SUL NO PEDAL
Este projeto, que teve início em 17 de novembro de 2010, consiste numa viagem de bicicleta pela América do Sul, com duração de 500 dias. A jornada terá como local de partida e chegada, a cidade de Porto Alegre. O percurso passa pelo Uruguai, Argentina, Chile, Peru, Colômbia, Equador e Venezuela, e as regiões norte, nordeste, sudeste e sul do Brasil, com aproximadamente 29.000 km, com previsão de término no dia 30 de março de 2012.
A expedição visa divulgar e valorizar a cultura latina, além de demonstrar a possibilidade de se descolar sem a utilização de veículo automotor e, consequentemente, sem poluir. Serão explorados diversos tipos de relevo, vegetação e clima, desde as Cordilheiras dos Andes, na fronteira entre Argentina e Chile, até a floresta amazônica, no Brasil. Locais pouco conhecidos serão revelados, e alguns dos mais belos do continente serão vistos por uma ótica diferente.
Os objetivos desta expedição estão vinculados a três fatores essenciais para uma boa qualidade de vida: meio ambiente, cultura e atividade física.
Moacir Miorando Júnior e Cristiane Pedroso Trindade, de Porto Alegre – RS, protagonistas dessa expedição, pretendem demonstrar a possibilidade de se deslocar sem a utilização de veículo automotor e, consequentemente, sem poluir. A utilização da bicicleta como meio de transporte, principalmente nos grandes centros urbanos, faz com que diminua a concentração de poluição e viabilize um tráfego rodoviário, mesmo com o grande número de habitantes.
Além disso, pretendem recolher material, durante a expedição, para divulgar e valorizar a cultura latina, através de uma exposição fotográfica, e edição de um diário de bordo, com o relato da percepção dos participantes a respeito das diversas culturas e situações encontradas durante esta jornada.
A inclusão do ciclismo, apenas como um exemplo de atividade física no cotidiano, faz com que as pessoas melhorem o seu condicionamento físico.
O material recolhido na expedição também poderá ser usado para organizar grupos de debates e palestras em escolas públicas e privadas.
Hövding – airbag em forma de capuz
Airbag fica escondido e só infla em caso de acidentes
Um sistema inovador para a segurança de quem anda de bicicleta. O Hövding permite que o ciclista tome medidas práticas de segurança de forma elegante. As designers suíças Anna Haupt e Terese Alstin cansaram de ouvir reclamações de ciclistas que não queriam usar capacete para não desarrumar o cabelo, e então se propuseram a criar uma maneira de proteger a cabeça sem amassar os cabelos. Para isso, partiram do mesmo princípio do airbag dos carros, que só abre quando há um impacto. O resultado foi um capacete inflável que fica disfarçado na gola ao redor do pescoço do ciclista. As designers têm a intenção de produzir o equipamento, e buscam parcerias.
Associação dos Ciclistas do RN
Foi um verdadeiro sucesso a reunião da Associação dos Ciclistas do RN, na Capital do Oeste, em Mossoró – capital das bicicletas. A Associação dos Ciclistas do Rio Grande do Norte foi criada em 10 de outubro de 2010, com o objetivo de promover a saúde, preservação e conservação do meio ambiente, estimulo ao uso de bicicleta, à paz, a cidadania e a inclusão social. A reunião teve o objetivo de congregar novos associados para a entidade, entrar em contato com as lideranças do movimento ciclista na região e conhecer de perto a realidade sobre o uso da bicicleta na cidade. Destaque para a presença de Vagno Jesus Miranda, presidente da Associação dos Ciclistas de Mossoró; Alex Polary, articulador do blog Ciclistas de Mossoró; Alice Leite de Melo, destaque na categoria feminina de ciclismo de estrada; Albevan Douglas e Francisco Silva, da cidade de Baraúnas, destaques do ciclismo de Mossoró; o poeta Antônio Francisco, da Academia de Literatura de Cordel; Thalles Chaves, articulador cultural; Gustavo Luz produtor cultural; Michelli Fábia, da Cia Pão Doce de Teatro, entre outros presentes. Antes de começar a reunião foram exibidos os documentários: “Ecociclo” de Haroldo Mota e “O Poeta e a Bicicleta” de Thalles Chaves, Gustavo Luz e Toinha Lopes. Entre as principais pautas apresentadas foram discutidas: a comissão de articulação com a nova governadora, Sra. Rosalba Ciarlini, sobre a implantação do plano cicloviário para o RN; os grupos de ciclistas da região; a volta do RN com Benilton Lima; os incentivos para as corridas de rua e de longa distância. A próxima reunião da ACIRN será em Macau, entre os dias 08 ou 09 de janeiro de 2011.
Google premia australiano por cria bicicleta voadora
“Mude o mundo com uma proposta verdadeiramente original”
Geoffrey Barnett cresceu nos subúrbios de Melbourne, na Austrália. Viajar de bicicleta e inventar engenhocas eram suas maiores paixões. Formado em artes, foi viver no Japão e trabalhar como professor de inglês. Em Tóquio, enquanto assistia a lentidão do trânsito rodoviário, Geoffrey teve a ideia: e se fosse possível “pedalar” sobre todo aquele caos? “Eu queria passar por cima de todas as pessoas”, explica Barnett.
Regressando à Austrália, ele começou a trabalhar no projeto para tornar sua ideia, realidade. Depois de seis anos trabalhando no desenho e teste de vários protótipos, surgiu o primeiro exemplar do Shweeb, que vem do alemão “schwebe” que significa “suspenso”. O meio de transporte é composto por cápsulas transparentes com pedais, é ligado a monotrilhos, e pode chegar a 45 km/h.
Há uma versão em um parque de aventura na zona turística da Rotorua, na Nova Zelândia, onde os usuários podem opinar e contribuir para o aperfeiçoamento do sistema. A invenção despertou a curiosidade da Google, e em setembro de 2010 recebeu US$ 1 milhão de prêmio pelo Projeto 10^100. O projeto, lançado pela Google, convocou todas as pessoas a “enviar ideias para mudar o mundo ajudando o maior número de pessoas possível”.
BICYCLE FILM FESTIVAL
O ano de 2010 marcou a 10ª edição do Bicycle Film Festival, festival de cinema com vídeos relacionados ao mundo da bicicleta. O festival começou em Nova York, em 2001, quando Brend Barbur, fundador do festival e diretor de cinema, foi atropelado por um ônibus enquanto pedalava pela cidade. Em vez de ser intimidado por esta experiência, ela o inspirou a criar um festival que celebra a bicicleta através da música, arte e cinema. Em seu décimo ano, o festival foi realizado em 37 cidades em todo o mundo, inclusive no Brasil, em São Paulo.
Brasil está entre os países com maior número de competições de MTB
A Confederação Brasileira de Ciclismo está trabalhando para reforçar o ciclismo de mountain bike, visando principalmente bons resultados nos Jogos Olímpicos de Londres. O trabalho começa desde as categorias de base, com o objetivo de proporcionar, ao futuro atleta, participar de competições internacionais através de intercâmbio, e clínicas nacionais.
Também foram introduzidas 12 competições de MTB no calendário da UCI – União Ciclística Internacional, colocando o Brasil entre os países com maior quantidade de provas válidas pelo ranking mundial.
Entre as doze competições que fazem parte do calendário da UCI, teremos nove delas contando pontos para a classificação olímpica. Confira:
Taça Brasil de MTB XCO – Londrina - Paraná - 13/03
International MTB Cup - Araxá - Minas Gerais - 16/04 à 17/04
Taça Brasil de MTB XCO – Londrina – Paraná - 22/05
International Cup - São Lourenço - Minas Gerais – 18/06 à 19/06
Copa Santa Catarina de MTB - Balneário Camboriú – Santa Catarina - 02/07
Copa Santa Catarina de MTB - Balneário Camboriú - 03/07
Taça Brasil de MTB XCO – Londrina – Paraná - 09/10
International MTB Cup - Congonhas - Minas Gerais - 21/08
Copa Internacional de MTB – Londrina – Paraná - 18/09
Essas competições de nível olímpico criadas pela CBC vêm crescendo de forma nunca vista em nosso país e será um trampolim para melhorar a posição em competições internacionais. Até Londres 2012, o Brasil terá grandes chances de subir sua posição no ranking e conquistar vagas importantes para seus atletas, graças a essas competições que farão parte do Ranking UCI 2011.
O mountain bike é hoje uma peça fundamental para o centro ciclístico do Brasil, a modalidade movimenta boa parte do mercado brasileiro de bicicletas, criando uma autonomia de grande porte e sustentabilidade.
Várias equipes estão surgindo e uma nova safra de atletas também vem sendo trabalhada com seriedade e compromisso para o futuro do nosso país. Um trabalho com o objetivo de colocar o mountain bike brasileiro entre os primeiros lugares, nas competições mais importantes do Brasil e do mundo.
A Confederação Brasileira de Ciclismo tem como grande objetivo o investimento na modalidade, não só em competições, mas também nos atletas de ponta e na formação de novos talentos que é de fundamental importância para o sucesso de qualquer modalidade, fortalecendo de todas as formas o mountain bike do Brasil.
Fonte: Confederação Brasileira de Ciclismo
Sherman Treze e Julyana Machado conquistam o campeonato brasileiro de MTB maratona.
Ciro Violin e Luisana Ribeiro vencem entre os amadores
Caconde (SP)
28/09/2010
Foi um dos melhores e mais difíceis campeonatos brasileiros de MTB de todos os tempos. Muito elogiado pelos competidores, a prova teve como vencedor Sherman Treze que se sagrou Campeão Brasileiro de MTB Maratona. A prova foi realizada neste domingo, na cidade de Caconde, no interior paulista. Ele garantiu a vitória no final da prova, chegando com pouco mais de três minutos de vantagem sobre o segundo colocado. Entre as mulheres, Julyana Machado venceu com 10 minutos de vantagem sobre a segunda colocada Valéria da Conceição, conquistando seu tri-campeonato.
O Campeonato Brasileiro de MTB Maratona foi marcado pelo grande desafio dos 63 km, as muitas subidas do trajeto e pelo sol forte. Nos primeiros oito quilômetros de prova deste domingo, os ciclistas saíram acelerando até o início da subida onde a maioria começou a cansar. Durante grande parte da subida o ciclista do Rio de Janeiro e atual campeão brasileiro da modalidade, Robson Ferreira da Silva, que buscava o tri campeonato, liderou a prova, sempre seguido por Rubens Donizete e Sherman Treze.
A partir do quilômetro 30 a competição começou a tomar outro formato entre os homens. Com o pneu furado, Robson Ferreira perdeu a liderança para Sherman Treze, da cidade de Poços de Caldas, que assumiu a liderança e venceu a prova com pouco mais de três minutos a frente do segundo colocado Rubens Donizete. Robson Ferreira ainda teve outro pneu furado quando, em uma prova de recuperação, alcançava os líderes.
"Que subidas são essas!" comentou Rubens Donizete da equipe Merida, vice-campeão.
Paralelo à competição aconteceu também a Copa Sampa Bikers de MTB Amador, onde se sagraram campeões amadores Ciro Violin e Luisana Ribeiro.
Brasileiro de maratona
ELITE MASCULINO
1 Sherman Treze - Joinville/Felej/HSK - 2:34:12,73
2 Rubens Donizete - Merida/ Cateye/Suntour - 2:37:51
3 Kleber Nascimento - Bike Company - 2:38:58
4 Douglas Moi Bueno - Velo/Seme Rio Claro - 2:40:50
5 Sidnei Dos Santos - Team Americas/GM Reis - 2:42:44
ELITE FEMININA
1 Julyana Machado - GDF-DF - 3:23:59
2 Valeria Aparecida - PM Votuporanga - 3:34:09
3 Luana Machado - UPF Lagoa Vermelha - 3:36:14
4 Tatiani Cristina - Avulsa - 3:45:58
5 Manuela Vilaseca - Avulsa - 3:52:02
O Campeonato Brasileiro de MTB Maratona e a Copa Sampa Bikers de MTB Amador, organizadas pelo Sampa Bikers, teve o patrocínio do Banco do Brasil e Centauro, e apoio de Fox, Vzan, Circuit, Alpinia, Spec, Maxxis, Calypso, Catterpilar, ASW, Gu, Mr Tuff , prefeitura de Caconde e CBC.
COB divulga vencedores do Premio Brasil Olímpico 2010
O Comitê Olímpico Brasileiro divulgou nesta sexta-feira, dia 26, os vencedores do Prêmio Brasil Olímpico 2010 em cada uma das 47 modalidades. O ciclismo concorreu em 4 especialidades: BMX, Ciclismo Estrada, Ciclismo Mountain Bike e Ciclismo de Pista.
Este ano o Prêmio Brasil Olímpico tinha como principal tema a participação da juventude no esporte e o papel social de integração e cidadania que esta atividade pode proporcionar para milhões de jovens brasileiros.
Vale destacar o grande crescimento das Olimpíadas da Juventude que cresce de forma brilhante no ciclismo e em todas as demais modalidades, proporcionando uma grande esperança de renovação para o esporte brasileiro.
A votação aconteceu por um júri composto por jornalistas, dirigentes, ex-atletas e personalidades do esporte. Desta forma os jurados elegeram os seguintes vencedores para a categoria ciclismo:
Ciclismo BMX Campeã - Mayara Perez
Ciclismo Estrada Campeão - Rafael Andriato
Ciclismo Mountain Bike Campeão - Rubens Donizete
Ciclismo Pista Campeã - Janildes Fernandes
A Confederação Brasileira de Ciclismo agradeceu ao COB pela organização e reconhecimento aos atletas brasileiro e também parabenizou todos os atletas que concorreram ao prêmio e principalmente aos vencedores em todas as disciplinas do ciclismo.
Fonte: Confederação Brasileira de Ciclismo
CYOMO – Bicicleta com painéis solares
O futuro da mobilidade urbana é verde e, deste modo, damos a conhecer outro conceito de uma bicicleta para a nova era da mobilidade.
A ideia do designer industrial Raymond Bessemer transformou-se na “Cyomo” - uma bicicleta elétrica para uso diário.
A grande novidade deste novo conceito encontra-se no painel solar, que acumula energia para uma bateria de íon-lítio. A bicicleta ainda não está sendo comercializada.
FPMTB organiza abaixo-assinado para pista de MTB
A Federação Paulista de Mountain Bike (FPMTB) está mobilizando ciclistas de todo o estado para contribuírem com um abaixo-assinado em prol da implantação permanente de uma pista de MTB de Dirt Jump e Pump Track na cidade de Rio Claro, SP.
A FPMTB, em parceria com a prefeitura Municipal de Rio Claro, estão construindo uma pista de Mountain Bike (MTB) das modalidades Dirt Jump e Pump Track na cidade de Rio Claro, interior paulista, localizada na Rua 3-A entre as Avs. 54 e 56.
A iniciativa surgiu após a prefeitura de Rio Claro decidir revitalizar a área do canteiro central da Av. Brasil (local da pista), que estava sem utilização. O espaço, coberto de mato e animais peçonhentos, vai ser transformado em um Complexo Esportivo, com equipamentos de ginástica, quadras de areia para vôlei e futebol, pista para caminhada e para bicicleta, etc. A infraestrutura irá beneficiar toda a comunidade local, que contará com um espaço para recreação e lazer. Além de ser um espaço para a prática de exercícios físicos, o espaço será disponibilizado para realização de projetos sociais, além de valorizar os imóveis do entorno.
A FPMTB (Federação Paulista de Mountain Bike), sediada em Rio Claro, concordou em fornecer o projeto, a supervisão técnica e o acompanhamento da obra que se refere à pista de bicicleta, gratuitamente, devido ao interesse de desenvolver o MTB na cidade. Em contrapartida, a prefeitura vai fornecer matéria-prima, mão-de-obra e maquinário para sua construção.
Dentre as estruturas voltadas para a bicicleta que serão implantadas no local estão duas modalidades do mountain bike: Dirt Jump (DJ) e Pump Track (PPT). O DJ é constituído de rampas para iniciantes, amadores e profissionais, nas quais os ciclistas realizam saltos e manobras. Já o PPT é constituído de um circuito com curvas e pequenas elevações de até 50 cm de altura, no qual o objetivo é dar o maior número de voltas possível sem pedalar, somente impulsionando a bicicleta com a força do corpo. A modalidade é muito popular em países como Canadá, EUA e países europeus devido a sua versatilidade e segurança, possibilitando a iniciação de inúmeras crianças ao esporte.
O primeiro estágio (já em andamento) é a construção da pista de Dirt Jump, que será uma das melhores e mais modernas do estado, trazendo pilotos de toda região para treinar diariamente no local. Após sua conclusão terá inicio o segundo estágio da obra que é a construção do Pump Track, a qual será uma das maiores pistas em extensão do país e a primeira a ser construída em local público.
“Em 2011, a FPMTB pretende implantar no local um pólo de nossa escola de bicicleta, a qual atenderá mais de 3.000 crianças do município anualmente, tirando-as das ruas através de uma atividade esportiva e educativa. A estrutura que está sendo construída é uma das mais modernas pistas de Dirt Jump de todo o estado, trazendo atletas de toda região para treinar no município e também possibilitando a realização de campeonatos estaduais e nacionais no local, projetando o nome da cidade como referência no esporte” – Afirmou Clayton Palomares, presidente da FPMTB.
As obras já estão em andamento e causam alvoroço na comunidade local, que está ansiosa pelas mudanças que estão acontecendo. Embora a maioria da população local aprove as mudanças, algumas opiniões são contrárias, principalmente as dos que desconhecem a finalidade dos grandes morros de terra e do trânsito das maquinas no local. Por isso, a FPMTB está realizando um abaixo-assinado para que a pista fique no local permanentemente, desenvolvendo a prática desportiva no local, contribuindo com a retirada de crianças das ruas destinando-as a um ambiente saudável de fruição, prática esportiva, recreacional e de lazer; a vinda de atletas de toda região para treinarem no município e motivarem a revelação de atletas locais; a implantação de projetos sociais, esportivos e culturais no local; o surgimento de novas modalidades de comércio, prestação de serviços e, consequentemente, a geração de empregos, renda e aumento na arrecadação de impostos municipais; a realização de eventos de âmbitos local, regional, estadual, nacional e internacional no local; além de outros benefícios para a cidade e munícipes.
Quem quiser pode enviar o nome completo e número do RG para o e-mail fpmtb@cbmtb.com com o título: “Abaixo-Assinado”, e participar da mobilização. A entidade não divulgará a lista de nomes para preservar a privacidade dos adeptos a campanha em prol da manutenção da pista no local, sendo utilizado somente para apresentação ao Ministério Público, se necessário.
Bombeiros realizam a 2ª edição do desafio infantil “Meu 1º Triathlon” e homenageiam o ciclista Luciano Pagliarini
O 3º Grupamento de Bombeiros realizou no último dia 7 de novembro a 2ª edição do desafio infantil: Meu 1º Triathlon. O evento levou ao quartel do Jardim Tókio, em Londrina – PR, 200 crianças, suas famílias e um bom público expectador. Houve uma grande procura por inscrição. Mais de 60 crianças aguardaram na fila de espera por desistências. Como novidade neste ano, teve a participação do ciclista olímpico Luciano Pagliarini, atleta homenageado que participou com as crianças na etapa do ciclismo.
Como inclusão social, este ano foram reservadas 34 vagas para crianças carentes da periferia de Londrina, a Galera de DEUS. Algumas destas crianças, além de nunca terem entrado em uma piscina, conseguiram, por participar do evento, ganhar 30 pares de tênis e 30 bicicletas. As distâncias todas exequíveis, tornou-se uma grande brincadeira para as crianças. Como era o lema da provinha: “quem mais se diverte, ganha”, todos ganharam. Ao completar o desafio, todos receberam do bombeiro equipado com EPI de CI, uma medalha no ponto mais alto do pódio. Depois elas se “hidrataram” com um delicioso sorvete. Para o próximo ano, a organização tem expectativa de 300 crianças.
UCI intensifica luta antidoping
No planejamento da temporada 2011, a UCI quer intensificar a luta antidoping através da aplicação de novas medidas que envolvem aumento do número de controles e exames, e ações de formação e sensibilização junto aos ciclistas mais jovens. O foco inicial serão os corredores cujo passaporte biológico revelou perfis que possam indicar comportamentos ilegais. Além disso, a UCI pretende investir em campanhas de prevenção, propondo-se a colaborar com as federações nacionais e outras entidades a ajudar que os mais novos não se tornem infratores. A UCI foi pioneira nos controles antidoping de sangue (1997), no método de detecção de EPO (2001) e na criação do passaporte biológico (2007).
BRASILEIRO FICA EM 4º LUGAR NO MUNDIAL DE ULTRAMAN NO HAVAÍ
Tetracampeão mundial da prova, Alexandre Ribeiro passa mal nos três dias de competição, mas ainda assim termina em quarto com o segundo melhor tempo da dupla maratona
Tetracampeão mundial do Ultraman do Havaí, o triatleta brasileiro Alexandre Ribeiro, 45 anos, completou a edição deste ano do desafio, em Big Island, com o tempo total de 23h56m42s, ficando em quarto lugar na classificação geral. O francês Mike Le Roux (21:55:57), o sueco Jonas Colting (22:19:54) e o norte americano Slater Fletcher (22:21:54) ficaram, respectivamente, em primeiro, segundo e terceiro. No feminino, a grande campeã foi Amber Monforte, dos Estados Unidos, com 24:07:11, seguida pelas também americanas Hillary Biscay (24:40:28) e Shanna Armstrong (24:43:57). A prova teve largada no dia 26/11/2010 às 6:30h (horário local) e terminou no dia 28/11/2010 por volta das 21:30h (horário do Brasil).
Esta foi a sexta participação do brasileiro na competição, que compreende 10 km de natação, 421 km de ciclismo e 84 km de corrida. Alexandre Ribeiro já havia vencido o desafio quatro vezes(2003, 2005, 2008 e 2009) e ficado em segundo em 2007. Apaixonado por provas de resistência, há quatro meses ele vinha treinando exclusivamente para esta edição na tentativa de conquistar o pentacampeonato.
Uma prova de superação
Ribeiro fez uma excelente natação no primeiro dia, saindo da água após cumprir os 10 km em décimo lugar com o tempo de 2:44:31, o melhor de todos que já fez em um Ultraman. Iniciou bem os 145 km de ciclismo do dia e recuperou posições, mas quando já estava em segundo lugar começou a passar muito mal. Vomitou diversas vezes e ficou parado por quase uma hora tentando se recuperar para seguir em frente. Perdeu muitas posições e concluiu a primeira etapa em sétimo no geral, com uma diferença de 1h16m para o primeiro colocado, o sueco Jonas Colting. “Tomei um gel de carboidrato de sabor diferente no início do ciclismo que não me caiu bem. Acho que juntou isso com o tanto de água salgada que eu já havia ingerido na etapa da natação e a combinação causou um super mal estar que, infelizmente, me acompanhou durante os três dias de prova, comprometendo a minha performance”, contou Ribeiro.
No segundo dia, quando os atletas tinham pela frente mais 276 km, Colting seguiu na liderança e Ribeiro manteve a sétima colocação no geral. O brasileiro se recuperou um pouco e chegou a pedalar no bloco dos três primeiros, mas teve um pneu furado e voltou a passar mal, o que o forçou a parar novamente em vários trechos do percurso.
O terceiro e último dia do desafio foi dedicado à dupla maratona. Conhecido por ser um excelente corredor, o brasileiro - apesar de muito fraco devido à desidratação causada pelos episódios anteriores - liderou toda a primeira maratona (a qual completou com a excelente marca de 3h06m), mas o esforço acabou fazendo-o passar mal novamente. A apenas um quilômetro da linha de chegada, o atleta teve que deitar no chão para recuperar forças.
Apesar de todos os problemas enfrentados nos três dias de prova, Alexandre Ribeiro fez o segundo melhor tempo da ultramaratona (6h59m), recuperando assim várias posições e ficando em quarto no geral. Feliz e aliviado por ter conseguido completar o extenuante percurso após tantos problemas, Ribeiro cruzou a linha de chegada ao lado dos três filhos (Kaillani, Kaipo e Maila, de 13, 8 e 5 anos respectivamente) e do amigo de longa data, José Carlos Ponciano, que atuaram no staff do atleta, auxiliando na sua alimentação, hidratação e dando todo o apoio psicológico.
Mesmo com tantas dificuldades, o atleta conta que em nenhum momento pensou em abandonar a prova e que a presença dos três filhos foi fundamental pra ele conseguir ir até o fim. “Esta edição foi muito dura para mim. Passei mal os três dias, perdi muitas posições, me desidratei e ainda tive problemas com a bike. Mas, enfim, Ultraman é isso. Cada prova é uma prova. A gente se prepara física e psicologicamente, treina forte, faz tudo certinho, mas nunca sabe o que vai encontrar pela frente. De qualquer forma, não tem preço cruzar mais uma linha de chegada aqui ao lado dos meus três filhos. Essa sensação compensa todo o esforço e sacrifício”, declarou o atleta, que ainda não definiu o calendário de provas para 2011.
Projeto aposta em bicicletas personalizadas com nome do dono
Júri Zaech, diretor de arte francês, teve uma ideia para deixar a bicicleta mais exclusiva. O projeto, intitulado “Write a Bike”, é audacioso: ele pretende transformar o corpo da bicicleta em palavras, e a pessoa pode sair por aí pedalando sobre o próprio nome. Além disso, a pessoa poderia escolher “escrever” palavras inspiradoras, ou fazer uma homenagem para alguém. Por enquanto, é apenas um projeto, mas há planos para que a ideia se concretize. Isso sim é personalizar a bicicleta.
TOPO: CAPA
Nº PG: 5
ANDAR DE BICICLETA
SINAL DE POBREZA?
CHAMADA INICIAL “Quando percebi, estava sozinho, dentro do carro, novamente preso no trânsito. Eu era gerente de uma grande empresa, e ostentava um belo carro. Alguns subordinados já haviam me convidado para, juntos, irmos trabalhar de bicicleta. Relutei, pois eu tinha o poder dentro da empresa, e achava que, ao pedalar, iria depreciar minha imagem. Grande erro meu! Descobri que era pobre de mentalidade, e pobre de amizades, afinal, meu carro me afastava das pessoas, e me impedia de desfrutar o trajeto.”
Certa vez, o filósofo Rousseau se propôs a estudar as origens das desigualdades. Concluiu que, na sociedade humana, concebem-se dois tipos de desigualdades. Uma, considerada natural ou física, é estabelecida pela natureza, e trata das diferenças de idade, saúde, qualidades físicas do corpo, etc. Outra, que nomeou de desigualdade social, depende de uma espécie de convenção, como se as pessoas consentissem com o que é estabelecido. Desta forma, a desigualdade social acontece quando algumas pessoas, mais ricas, honradas, gozam de privilégios com prejuízo de outras pessoas, mais pobres, necessitadas.
CHAMADA: Na concepção de desigualdade social, existem privilégios e prejuízos.
A bicicleta, sendo promotora de saúde, opção de mobilidade sustentável, e meio de preservação do meio ambiente, deveria ser um veículo de grande prestígio social. Mas esse prestígio ainda é ofuscado pelo preconceito que algumas pessoas têm, e que geralmente nasce da ignorância, ou seja, de não conhecer os benefícios e não admitir ou aceitar diferenças. O preconceito gera discriminação. No caso da bicicleta, discriminar significa não tê-la como veículo, como oportunidade de locomoção. Voltando aos conceitos de desigualdade, significa afirmar que privilégio é ostentar um carro que vale muito mais que a bicicleta.
Alguns utilizam a bicicleta como lazer, nos finais de semana, ou como uma breve atividade física, mas não como veículo de locomoção. Outras apontam o perigo no trânsito, as mudanças climáticas (chuva repentina ou sol muito forte), as distâncias, a falta de preparo físico ou a inexistência de locais próprios para as bicicletas, como motivo para não pedalar. Realmente, existem alguns obstáculos no caminho do ciclista, como também existem obstáculos para os motoristas de carros, motos, usuários de metrô, etc. Conforme afirma o filósofo Isah Andreoni, “o verdadeiro obstáculo, que nos impede de inserirmos a bicicleta em nossa rotina, está em nossas cabeças, nas associações que imediatamente estabelecemos em relação à bicicleta, tendo o carro como referência”.
RAÍZES DO PRECONCEITO
A questão do preconceito com a bicicleta é um fato social. Se, na Holanda, as senhoras andam de bicicleta com suas roupas da moda, e os executivos vão ao trabalho pedalando, no Brasil, a desigualdade social, através das pressões grupais, implanta a ideia de que executivos não são iguais aos carteiros ou aos operários. Mesmo que o executivo queira pedalar, essas pressões, externas e internas ao indivíduo, atuam como uma barreira psicológica, e acabam influenciando a sua decisão, e adoção de hábitos cotidianos, como usar, ou não, a bicicleta.
Essas “barreiras psicológicas” não surgiram do nada. Uma das heranças mais marcantes, para um país colonizado e explorado, dos tempos da escravidão, é com relação ao esforço físico. A sociedade brasileira carrega, mesmo que um fraco eco no inconsciente, impregnada em seu DNA, a ideia de esforço físico como atividade desprezível, atribuída aos escravos. Profissões que exigem esforço físico são repugnadas, como se ferissem a moral de quem as executa. Neste sentido, pedalar é visto como “necessidade” de esforço, e não “oportunidade” de exercício físico.
Outra marca, por sinal recente na história brasileira, é a introdução da indústria automobilística no país. Ela veio para aniquilar a velha burguesia rural, e o modo de vida português. Se, num âmbito internacional, produzir carros representava ascensão capitalista e ventos da modernidade para o Brasil, ter um carro, dentro da sociedade brasileira, era igualmente um sinal de ascensão social. O carro tornava óbvia a prosperidade, por ser facilmente percebido. Com todas as facilidades fornecidas para a aquisição de um veículo, como financiamentos de 36, 48 ou 72 meses, a mídia e o próprio governo incitam o consumo automobilístico. Muitos defensores da causa da bicicleta se calam, ou não conseguem fazer-se ouvir, abafados pelas pressões e interesses mais fortes. Segundo Isah, “diante do ruído dos automóveis, as bicicletas não têm voz.”
A “fama” de veículo de pobre, aplicado à bicicleta, também vem do fato dela ser, com relação aos outros veículos, a mais acessível, e por isso, as classes menos privilegiadas geralmente possuem bicicleta. Porém, pode-se dizer que esta imagem da bicicleta associada à pobreza está mais no conceito, ou no preconceito da mobilidade por bicicleta, principalmente com relação ao carro, que se tornou um objeto de desejo, símbolo de status. Esse preconceito é ainda mais presente nos países em desenvolvimento, como o Brasil. Em países desenvolvidos, como Holanda e Dinamarca, a bicicleta é amplamente utilizada. A diferença cultural é o motivo pelo qual eles pedalam, enquanto os brasileiros permanecem dentro dos carros, ou sonhando em ter um, por que se sentem constrangidos em pedalar até certos lugares. Estes países, mesmo ricos, utilizam um meio de transporte alternativo e barato. * Veja matéria Copenhagen página 64.
O preconceito é perigoso. O “diferente” é visto com incômodo, como algo ruim, e uma imagem ideal é trabalhada para que todos sejam “iguais”. Em muitas sociedades, e principalmente, em muitas classes sociais, andar de bicicleta é o “ser diferente”. Além disso, uma classe em condição social inferior agarra-se ao conceito de classe superior para evitar a segregação. O efeito é bilateral: de um lado os executivos não pedalam porque “engravatados pedalando” são o diferente, e o diferente sofre preconceito. De outro lado, a prosperidade financeira é a imagem ideal de sucesso, com todas suas conquistas materiais, e a bicicleta não faz parte na busca desse ideal. Essa é a pior característica do preconceito: não experimentar o novo porque ele é desconhecido. Quando a bicicleta fizer parte de uma imagem ideal, e for comum “pessoas bem-sucedidas” andarem de bike, desmistifica-se a imagem marginalizada da bicicleta, e traz ela para um contexto cotidiano de prestígio social, como meio de transporte. Como seres humanos imperfeitos, em uma ocasião ou outra iremos cair na armadilha do preconceito, principalmente quando ele é tão bem camuflado, e funciona como uma lente deformadora que nos “obriga” a certos comportamentos, muitas vezes prejudiciais.
Outra questão importante a ser abordada é o materialismo e o imediatismo que dominam a sociedade. Com essa cultura implantada, muitas pessoas acham que o bom da vida é trabalhar muito, para acumular dinheiro, e ostentar cada vez mais aquisições. Sacrificar a saúde e o bem-estar para isso é bastante comum, atualmente. Muitos estudiosos acreditavam que, com os grandes avanços tecnológicos, nossa era seria marcada por lazer sem precedentes, e menos trabalho. Julian Huxley, professor universitário no início da década de 30, declarou que as pessoas, em um futuro breve, não precisariam trabalhar mais que dois dias por semana. Mas o tempo que as pessoas teriam de sobra para aprimorar a arte de viver, e dedicar-se a atividades que satisfariam a mente e o espírito, foi “gasto” para satisfazer as aspirações materiais. Seguindo esse raciocínio, a bicicleta é um veículo acessível para todos, mas parece que as pessoas sentem mais prazer em ter o que outros não podem ter.
CHAMADA: Parece que as pessoas sentem mais prazer em ter o que os outros não podem ter.
Isah completou: “Num país colonizado, marcado por lacunas abissais, riqueza e pobreza não vivem separadas, mas também nunca se misturam. De carro, através de uma mensagem direta, cheia de detalhes, nos deslocamos por uma escala sócio-econômica, enquanto de bicicleta, nos fazemos muito presentes, e muito semelhantes uns aos outros. Como um executivo de alta classe vai pedalar até o escritório? Como um pai de família vai levar as crianças na escola? Como um jovem vai chegar à balada de bicicleta?”
A partir do momento em que a sociedade passa para o estado civilizado, e deixa o estado natural, uma série de contradições e antagonismos permeia esse processo. Rousseau foi feliz em sua conclusão da obra Sobre a Origem da Desigualdade: “... é manifestamente contra a lei da natureza, de qualquer maneira que a definamos, que uma criança mande num velho, que um imbecil conduza um homem sábio, ou que um punhado de pessoas nade no supérfluo, enquanto à multidão esfomeada falta o necessário”. Ás vezes invertemos a ordem de importância das coisas.
CHAMADA: “Portanto, para trazer a bicicleta à realidade social, deve-se recuperar o espaço que o automóvel ocupou, não só nas ruas, mas também em nosso imaginário. (Isah)
ANDAR DE BICICLETA: UMA RIQUEZA DE CONSCIÊNCIA
Em muitas cidades, a bicicleta ainda é o meio de transporte dos pobres, e o carro é o símbolo de status de pessoas ricas. Esse pensamento está mudando, pois a bicicleta vem ganhando uma imagem relacionada à mobilidade sustentável, mais amigável do planeta, do trânsito, e das pessoas. Praticamente todas as classes sociais podem ter uma bicicleta, e isso não deveria ser visto de modo pejorativo. Apesar de existirem, entre as bicicletas, diferenças de preços e componentes, o fato de estar pedalando já representa uma abertura, uma aproximação, uma atitude contra as desigualdades.
A bicicleta não é um rótulo de condição sócio-econômica, mas sim um simples e eficiente meio de transporte, que torna a locomoção mais agradável, por permitir um melhor contato visual, sensitivo, auditivo, e, principalmente, social. Utilizar a bicicleta para ir ao trabalho, à escola ou ao mercado, não significa que falta dinheiro para comprar um carro. Muitas vezes, o “carrão” fica na garagem, e a bicicleta é o meio de transporte oficial nesses pequenos trajetos.
CHAMADA: As bicicletas ajudam a diminuir a distância entre as classes, ou ao menos, proporcionam uma melhor interação entre elas. Todas as pessoas parecem estar num mesmo nível, e ficam mais à vontade.
O jornal inglês The Guardian publicou um interessante artigo sobre a Ciclovia de Bogotá. O jornal relata que nesta cidade, há mais de 30 anos, acontece uma atividade semanal, onde das 7 h às 14 h, mais de 120 km de ruas são interditadas para dar lugar às bicicletas. Além de estimular a prática do exercício físico e promover uma forma de mobilidade sustentável, a Ciclovia de Bogotá exerce uma função ainda mais profunda, que é proporcionar a integração social. Será que as pedaladas realmente conseguem promover mais igualdade? A resposta soa praticamente unânime: as bicicletas ajudam a diminuir a distância entre as classes sociais, ou ao menos, proporcionam uma melhor interação entre elas. Na ciclovia, todos vão de bicicleta, no mesmo ritmo, misturando-se, em contato. Todas as pessoas parecem estar num mesmo nível, e ficam mais à vontade.
CHAMADA: Um veículo com tantas vantagens, e que ainda promove o contato das diferentes classes sociais, sem evidenciar suas diferenças, não é uma riqueza da cultura humana?
Iniciativas que priorizem o uso da bicicleta podem contribuir, de forma significativa, para a diminuição da pobreza, e aproximação das classes. Na Holanda, empresários, diretores, professores universitários, crianças, jovens e idosos de 80 anos, usam a bicicleta como parte integrante da sua vida. Muitos têm bicicletas em cidades diferentes, que visitam frequentemente. É normal alguém sair de casa, em sua bicicleta, até a estação central de Amsterdam, e partir para Haia, onde possui outra bicicleta para completar todos os percursos. Pobreza? Não! Consciência e riqueza de cultura.
Levar uma vida saudável, simples e tranquila é uma atitude naturalmente inteligente. Nos dias atuais, porém, algumas pessoas não têm tempo para se exercitar. A saúde mental também acaba ficando de lado, e as pressões e os compromissos do mundo moderno geram estresse e ansiedade. Se, depois de um dia cansativo de serviço, você ainda ficar horas preso no trânsito caótico das grandes cidades, o resultado é mais estresse, associado às complicações dos impactos ambientais causados pelos carros. Comprovadamente, andar de bicicleta é uma terapia eficaz contra a depressão, ansiedade e déficit de atenção, além de ajudar na redução do risco de doenças como osteoporose, diabete e hipertensão.
CHAMADA: Não é uma riqueza ter amigos, cuidar da própria saúde e bem-estar, do meio ambiente, e poder contribuir com o futuro do planeta?
Para chegar nessa compreensão e aceitação da bicicleta como meio de transporte, é preciso que a sociedade passe por uma revisão profunda de valores. Com a bicicleta, talvez aprendamos a fazer tudo que já fazemos, com mais calma, e mais solidários com o espaço que o outro ocupa. Permitir-se entrar em contato com outras pessoas promove a riqueza de amizades, de vínculos sociais dos quais nós, seres humanos, dependemos profundamente. Eurípedes, poeta trágico grego, que viveu entre 485 a.C e 406 a.C, acreditava que “há uma espécie de pobreza espiritual na riqueza, que a torna semelhante a mais terrível miséria. Ao sensato, basta o necessário”. Séculos depois, vivenciamos um momento histórico em que se faz necessário sermos sensatos, e fazermos escolhas corretas, deixando de lado preconceitos e egoísmo.
A EFICICÊNCIA dos 8 km
André Geraldo Soares – Diretor Administrativo da ViaCiclo – Associação dos Ciclousuários da Grande Florianópolis
Em todos os sentidos, viver é estar em movimento, decorrendo daí que a restrição da mobilidade significa perda da qualidade de vida. Todos aqueles que precisam sair de casa, todos os dias ou ocasionalmente, para ir ao trabalho, à escola ou para executar outros afazeres, sabem o valor de deslocar-se com comodidade, agilidade e segurança, seja utilizando a modalidade que escolheram, seja aquela que têm à disposição. Fica claro, assim, que a maior parte da população brasileira vive descontente... Motoristas e usuários do transporte público rosnam paralisados no trânsito, iludidos de que um dia haverá um sistema viário que comporte cada um no seu carro. E ciclistas e pedestres (o que dizer dos cadeirantes?), espremidos entre as máquinas, sendo tratados como intrusos.
Tudo isso pode – e, na verdade, precisa – ser diferente. Para ilustrar, tomemos apenas a contribuição que podem dar aqueles que fazem viagens de até 8 km. A bicicleta é, sabidamente, um veículo muitíssimo eficiente em curtas e médias distâncias: ágil, está sempre à mão, permite o acesso porta a porta, fácil de estacionar, corta caminho, dispensa habilitação, etc. Em distâncias de até 8 km, mesmo em cidades europeias, onde o transporte público é mais eficiente e o sistema viário tem maior capacidade de carga, levando-se em conta apenas o fator tempo, ela se equivale ou supera todas as demais modalidades.
Qual o alcance disso? 95% dos municípios brasileiros têm população de até 100.000 habitantes, cujos perímetros urbanos não ultrapassam 8 km de diâmetro. Desta forma, ressalvadas as condições topográficas e atmosféricas, qualquer ciclista, em condições físicas medianas, pode atravessar essas cidades em não mais do que 40 minutos. E estamos autorizados a conceber que apenas uma parcela diminuta da população necessita cruzar diariamente uma cidade de ponta a ponta.
A situação é mais complicada nos demais 5% dos municípios, pois neles moram nada menos do que 53% dos brasileiros: vários desses municípios, em conurbação metropolitana, atingem 20, 40 e até 60 km de diâmetro, como é o caso da grande São Paulo. Ainda assim, existe uma determinada quantidade de deslocamentos diários, conhecível através de pesquisas origem-destino – não menos importante –, que está circunscrita nessa área ótima para o ciclismo.
Este ponto de vista é muito didático para obter o apoio de toda a sociedade, para a constituição de cidades cicláveis. Se for permitido e estimulado o uso da bicicleta, nos trajetos onde ela é eficiente para as pessoas, também será vantajosa para a sociedade, pois novos ciclistas significam maior autonomia de deslocamento, melhoria da economia familiar, mais pontualidade no trabalho, diminuição dos congestionamentos, acidentes, custos hospitalares e gastos públicos com infraestrutura viária.
As cidades pequenas e médias têm a oportunidade de pular a “etapa dos erros” cometidos pelas cidades grandes, e adotar um modelo de desenvolvimento voltado para a eficiência social dos transportes, consolidando uma rede de transporte público bem integrada, com adequadas estruturas de acolhimento aos ciclistas e pedestres. Essa rede inclui bicicletários, ciclovias e ciclofaixas, vias compartilhadas, calçadas acessíveis, moderadores de tráfego, etc.
Já as cidades grandes têm desafios maiores, mas não insuperáveis. Nestas cidades, trens e metrôs, com as necessárias estruturas de integração intermodal, são requisitados para dar conta da massa. Mas, como podemos identificar várias centralidades nessas cidades, elas precisam ser abordadas regionalmente, e terem seus sistemas viários adaptados para que os deslocamentos de curta e média distância não dependam de ônibus ou de carro. O encaixe entre estas estruturas viárias cicloinclusivas, formando uma rede e abrangendo toda a cidade, permitirá àqueles com maior fôlego, ou forçados por qualquer necessidade, pedalarem distâncias maiores para darem conta de seus afazeres.
A bicicleta não é a solução para todos os problemas da mobilidade urbana, mas a cidade não pode renunciar à grande contribuição que ela está, comprovadamente, habilitada a dar: a de facilitar a vida, em todos os sentidos, em curtas e médias distâncias.
5º Edição da Bike Expo Brasil 2010
A maior feira de negócios da América Latina
O SETOR
O setor das duas rodas passa por um “aquecimento”, e o sucesso da Bike Expo é um reflexo disso. Atletas, importadores, lojistas, imprensa: todos num mesmo espaço, buscando fortalecimento, parcerias, e principalmente, informações relacionadas a este mercado.
A previsão da Abraciclo (Associação Brasileira dos Fabricantes de Motocicletas, Ciclomotores, Motonetas, Bicicletas e Similares) é que haja um crescimento de 7,5% na fabricação de bicicletas, no país, alcançando uma produção de 5,7 milhões de unidades. Se confirmado, este aumento tende a ser maior que a expansão do PIB (Produto Interno Bruto), que, segundo o Banco Central, deve fechar 2010 com incremento de 7,3%. O Brasil já é o terceiro maior fabricante de bicicletas do mundo, perdendo apenas para a China e Índia.
Vários fatores contribuem para essa previsão otimista, como o aumento da renda, a expansão do crédito e o caos do trânsito nos centros urbanos. A bicicleta vem ganhando força como opção de meio de transporte. Andar de bicicleta deixou de ser apenas lazer ou esporte. O Ministério da Cidade estima que, atualmente, circulam cerca de 65 milhões de bicicletas no país, mais que o dobro de carros em circulação.
A FEIRA
Os três dias de feira (01 a 03 de novembro), com participação de empresários do setor de todo o Brasil, e vários outros países, obtiveram resultado positivo. Os expositores comemoraram as vendas e os contatos. Em sua 5º edição, a Bike Expo Brasil 2010 foi realizada em São Paulo, no Pavilhão Amarelo do Expo Center Norte, e contou com mais de 100 expositores, e cerca de 10.000 visitantes.
O demo day, realizado no dia 31 de outubro, aconteceu na Fazenda Serrazul, em Itupeva, SP. Mais de 1000 pessoas participaram do evento, onde as empresas disponibilizaram seus principais lançamentos para testes.
Segundo Paulo de Tarso, organizador do evento, 70% dos modelos apresentados na feira foram inéditos: “Além do show de novidades, a Bike Expo é a oportunidade para se examinar os avanços e as tendências futuras da indústria ciclística quanto à tecnologia e design. As bicicletas elétricas foram uma das novidades, ansiosamente aguardadas pelo público." A Bike Expo Brasil se mostrou uma grande oportunidade de negócios, destinada a empresários do setor. “Uma loja para os lojistas", como definiu Margarida de Oliveira, diretora da feira.
A localização, estacionamento, segurança e espaço permitiram que a feira acontecesse da melhor forma possível, e muitos elogiaram a organização por isso. A edição 2010 praticamente dobrou, em relação ao ano passado, sendo a maior feira de bicicleta da America Latina. Os estandes contaram com vários atletas, participando como formadores de opinião ou para sessão de autógrafos.
DESTAQUES
Veja algumas novidades, entre tantas marcas e produtos, apresentadas na feira.
Câmaras Foos
Produto inovador, da Da Mata Design. Esta câmara tem uma versão para MTB e outra para Speed. Pesa apenas 120g (versão MTB). É composta por borracha não vulcanizada e altamente polimerizada, o que a torna reciclável. Mas a principal inovação está na forma de remendar a câmara em caso de furo: basta juntar as paredes e aquecer com um isqueiro, para derreter parte da parede e tapar o furo. É o fim dos kits de remendo e uma ação ecologicamente correta.
Cleatskins
Outra novidade interessante, trazida pela Sunbelt. Trata-se de um protetor de taco da sapatilha, para ser usado quando o ciclista está fora da bike. Ou seja, ao invés de andar de forma desconfortável e ainda desgastar o taco da sapatilha, pode-se colocar o protetor e andar com ele como se fosse um tênis normal.
MOB Jelly Shot UV
A marca nacional MOB fortalece ainda mais sua participação no mercado, e apresentou como principal novidade o pedal Jelly Shot UV. Esse pedal é transparente quando está na sombra, porém muda de cor quando vai para o sol, ficando rosa. Além disso, há o pedal em cores translúcidas, em degradê.
Soul Cycles
Anunciada no início do ano, a marca nacional Soul Cycles estreou na feira com uma linha de bikes completas, do infantil ao cross-country, inclusive um modelo de carbono. Já é possível encontrar a marca em algumas lojas brasileiras, e a distribuição vai ser expandida em breve.
Hupi Bikes
Trata-se de uma marca nova no mercado, que inicia sua participação com um quadro rígido, indicado para downhill leve, além de dois modelos de guidões e cubos anodizados em três cores.
Rolo Elite
Marcou sua presença de forma participativa. A marca de rolos de treinamento Elite apresentou o modelo topo de linha, Trainer RealPower, em que é possível simular o treinamento em corridas famosas, como o Tour de France. Os visitantes puderam testar o produto.
Santa Cruz Bicycles
Pela primeira vez, a marca americana Santa Cruz Bicycles foi apresentada numa feira nacional. A marca oferece bicicletas de altíssima qualidade, para todos os segmentos de MTB, principalmente no downhill, onde já foram campeãs de diversos títulos mundiais. Em destaque, nesse ano, estava a Nomad Carbon, a versão em carbono de sua consagrada bike de enduro de 165 mm.
Transition Bikes
Outra marca americana, presente pela primeira vez também, foi a Transition, com bikes mais voltadas para modalidades extremas.
Trust
A marca nacional Trust complementou sua linha de produtos com um quadro de carbono para cross-country. O quadro promete vir com um preço bastante atrativo para o consumidor, e com um peso aproximado de 1.300g.
Pró Bike
A Pró Bike apresentou um Trailer, produto com design exclusivo e total controle de dirigibilidade, desenvolvido para ser puxado de bicicleta, para o transporte de 1 ou 2 crianças (45kg).
Circuit
Conjunto para ciclismo, produzido na Itália pela Santini Maglificio Sportivo, o conjunto de camisa e bermuda Circuit World Class possui cortes técnicos e anatômicos, e uma composição desenvolvida para regular a temperatura corpórea do ciclista. A bermuda possui forro de proteção em gel antibactericida.
Caloi
Voltado ao conceito do uso urbano da bicicleta, segmento no qual a empresa anda apostando alto, a Caloi se destacou por apresentar vários protótipos dobráveis, com quadro feminino, bagageiro, pára-lamas e protetor de corrente. Um dos destaques da Caloi foi a bike para meninas de 6 a 10 anos, com a personagem Hello Kitty, criada há 35 anos pela Sanrio, que encanta as crianças.
Jalim Importação e Exportação Ltda
A Jalim apresentou o mais novo quadro HUPI Whistler, que segue a tendência dos quadros para recreação, urban e freeride. Comercializado em tamanho único de 14,5’’, sua geometria é bem agressiva, e proporciona um excelente controle.
Revista Bicicleta
Outro destaque foi o lançamento da Revista Bicicleta (edição novembro/2010), que teve seu primeiro contato com o público na Bike Expo.
Para 2011, o evento com certeza vai manter o crescimento e a notoriedade, dentro do mercado de bicicletas da América Latina, no qual já é referência.
A mobilidade dos excluídos
Por Renata Falzoni
É comum pedestres e ciclistas serem criticados, e com razão, por não respeitarem as sinalizações de trânsito, em especial os semáforos. Isso é fato. No entanto, é necessário entender o que há por trás de um comportamento em massa contra as regras.
As cidades do Brasil privilegiam a fluidez dos veículos automotores, sendo que as rotas dos pedestres e dos ciclistas não são delineadas, muito menos sinalizadas.
Os pedestres e os ciclistas, excluídos da mobilidade urbana, sem infraestrutura como calçadas, ciclovias, ciclofaixas, sinalização e respeito enquanto cidadãos, caem na marginalidade e a palavra “marginal” tem a mesma semântica de “ilegal”.
Tudo isso é consequência da exclusão dos modais “a pé” e “de bicicleta” no planejamento urbano de nossas cidades. Pedestres e ciclistas são excluídos, são “o resto”, portanto marginalizados e daí caem na ilegalidade. Cidadão sem direitos é consequentemente um cidadão sem deveres.
Portanto, embora errada a atitude da população em não respeitar a sinalização de trânsito, é importante entendermos que essa desobediência civil é uma evidência de que está passada a hora de se mudar o conceito do uso do espaço público de nossas cidades.
Falta educação, mas falta adequação também.
São Paulo, por exemplo, é uma cidade onde 80% do espaço público é ocupado para a circulação ou estacionamento em vias públicas de carros. Mas os automóveis atendem apenas 28% dos deslocamentos urbanos. Veja a discrepância!
Os veículos particulares paralisam a cidade, são responsáveis por 70% da poluição do ar, atropelam e matam 4 pessoas por dia e geram um custo social enorme. Mesmo assim a política pública não estimula o transporte público, e concentra seus investimentos em novas avenidas e viadutos que, muitas vezes, não permitem sequer a passagem de pedestres, de ciclistas ou mesmo de ônibus.
Exemplo disso é a Ponte Estaiada Otávio Frias, aquela que enfeita o fundo do noticiário da Rede Globo. Essa ponte sacou 300 milhões dos cofres públicos e não permite a passagem de pedestres, de ciclistas e de ônibus.
A Avenida Paulista é outra aberração. Enquanto um milhão e meio de pedestres circulam por suas calçadas, apenas 60 mil cidadãos nela trafegam em 50 mil veículos por dia. Um pedestre leva no mínimo 5 minutos para mudar de calçada e atravessar uma esquina devido ao tempo dos semáforos e a falta de faixas de pedestres na diagonal.
E para piorar, a velocidade máxima permitida aos carros na Paulista é de 70 km/h! As chances de sobreviver a um atropelamento a 70 km/h são próximas de zero, assim os pedestres ao atravessarem a avenida, cruzam um corredor de balas guiadas por seres humanos suscetíveis a falhas e terão morte certa no caso de um erro.
Somente em SP, cerca de 12 pessoas morrem vítimas da poluição, em dias de inversão térmica esse número sobe a 20. Em média, 17% dos leitos hospitalares estão ocupados por doentes decorrentes da contaminação do ar. Esse custo é pago pelo estado e pela população, e não pelos seguros dos automóveis.
No mundo, 250 mil crianças morrem atropeladas por carros ao ano. Acidente de carro é a principal causa de mortes de crianças e adolescentes.
Voltando ao tema inicial, é comum os noticiários atribuírem a culpa da morte de um atropelado à própria vítima que teria atravessado a rua em “lugar impróprio”. 62 % dos mortos em trânsito na capital são pedestres e ciclistas. Nós somos as vítimas!
A esmagadora maioria das pontes, dos viadutos, das direitas livres não tem faixa de pedestre, e os cidadãos a pé são obrigados a atirarem-se em meio aos carros para se locomover. Sem falar que é comum as faixas de pedestres estarem longe de onde existe a real demanda de pedestres. Não atendem a lei do mínimo esforço que deveria prevalecer aos pedestres e aos ciclistas.
Nunca em minha vida vi aqui na cidade um “marronzinho” do CET sequer advertir algum motorista que, ao virar à direita, tenha desrespeitado o cidadão na faixa de pedestre. Muito pelo contrário, a atitude dessa autoridade de trânsito em geral é de acelerar essa conversão para melhorar a fluidez dos veículos.
Esse modelo está tão enraizado como “normal” na população, que todos os pedestres atravessam as ruas com medo, correndo, acuados e “saindo logo da frente”, atitudes de excluídos.
Essa anormalidade vai além. Uma breve pesquisa sobre as decisões do Tribunal de Justiça de São Paulo, em relação a atropelamentos, prova que o pedestre nunca tem razão se estiver fora da faixa. Mesmo na própria faixa, existem casos que o pedestre foi considerado culpado “por não ter prestado atenção”.
Veja bem: eu estou focando os pedestres, pois caminhar é a forma mais natural de se locomover, imagine então pedalar! Se o pedestre é excluído, o ciclista é ainda mais.
Até pouco tempo, as ocorrências com ciclistas eram consideradas como com “outros”. No prontuário da CET havia como qualificar atropelamento de pedestres, de motociclistas, de animais, de carroças e de “outros”. Ciclistas sequer figuravam como possíveis vítimas.
Uma das formas para mudar esse processo seria fazer essas autoridades todas - os políticos, sobretudo os do executivo, os juízes, os “marronzinhos” da CET, os motoristas com pontos na carteira, os secretários de transporte, enfim toda essa turma que acha “normal” essa situação - a simplesmente caminhar ou pedalar pelas ruas de nossas cidades.
A única forma de mudar esse cenário é vivenciar o problema. Assim, antes de condenar a atitude “ilegal” dos pedestres e dos ciclistas, é necessário experimentar “in loco” a mobilidade urbana dos excluídos.
Esses “excluídos” são a esmagadora maioria da população, uma vez que 38% dos deslocamentos urbanos de São Paulo são feitos exclusivamente a pé. Isso significa que esse cidadão não combina seu deslocamento com nenhum outro modal, vai exclusivamente a pé.
O principal equipamento urbano que um pedestre necessita são calçadas e estas são da alçada do dono do terreno, ou seja, enquanto investe-se um zilhão de dinheiro na estrutura para os que vão de carro e muito pouco para o transporte público, o estado cruza os braços para as calçadas e nem se dá ao luxo de fiscalizá-las.
Para finalizar, não há esperanças de respeito aos ciclistas por uma sociedade que não respeita os seus pedestres!
COLUNA: CICLO VICIOSO
Nº PG: 0,5
ACESSÓRIOS
Um dos fatores que mais desestimula o uso da bicicleta é a falta de locais seguros para guardá-la. É um problema de ordem pública, mas, de qualquer forma, os ciclistas precisam criar meios de impedir ou dificultar os roubos.
Alguns acessórios podem ajudar nessa missão. Acompanhe:
Trava normal – facilmente encontrada no mercado, pode criar alguma dificuldade, em um eventual roubo. Normalmente é feita com cabo de aço trançado plastificado, e a cabeça em alumínio fundido (poroso). Algumas tem trava por segredo, ou pequenas chaves.
Trava reforçada- geralmente encontrada em bicicletarias e lojas especializadas. Bem mais difícil de ser cortada ou aberta. Relativamente fácil de transportar, por não ser muito pesada.
Trava “new yorker” – categoria de travas, correntes e cadeados, especiais para bicicleta. São extremamente resistentes a cortes, porém geralmente são mais pesadas e de difícil transporte. O nome teve como “inspiração” a cidade de Nova Iorque, um dos locais com o maior índice de roubo de bicicletas no mundo.
A folga do cabo da trava deve ser a menor possível, para diminuir a possibilidade de encaixe de uma ferramenta de corte ou alavanca. Cuide para posicionar o ponto onde fica a chave numa posição incomoda de trabalhar. “Disfarçar” a bicicleta também é uma tática usada: você pode esconder a marca com uso de adesivos,
Merida Matts TFS 300-D 2011
A Merida está entre as marcas mais desejadas dos brasileiros. Além de patrocinar grandes atletas do cenário nacional, a marca ganhou ainda mais destaque mundial nesse ano, quando José Hermida se tornou o primeiro espanhol a conquistar o título de campeão mundial de cross-country com uma Merida.
Além da linha top, a marca oferece diversas opções para quem quer pedalar sem pretensões de competidor. Testamos um dos modelos da linha média da marca, a Merida Matts TFS 300 D.
Peso sem pedais: 13,86 kg
:: A BIKE
A bike testada é indicada para all mountain e cross-country não competitivo. Tem características muito interessantes, normalmente vistas em bikes de categorias superiores.
O principal destaque está na suspensão SR Suntour XCM-RLO 100 Remote, que apesar de ser uma suspensão com sistema simples de mola e elastômeros, possui trava acionada pelo guidão, facilitando muito nas subidas.
Outra característica interessante é a construção do quadro com a tecnologia Techno Forming System (TFS) da Merida. Isso permite que os tubos de alumínio não sejam totalmente redondos, mas assumam formas previamente projetadas para aguentar o estresse mecânico de algumas áreas específicas do quadro. O resultado final é um quadro mais rígido e mais resistente. As soldas também são feitas por um processo robotizado, mais preciso que as soldas feitas manualmente e possuem a tecnologia Smooth-Welding, que deixa as partes soldadas com um acabamento mais bonito, porém sem enfraquecê-las.
Os aros que levam o nome Matts são fabricados pela Alexrims especialmente para a Merida. São feitos especialmente para freios a disco e possui ilhós.
Juntamente com o quadro, a peça de gama mais elevada da bike é o câmbio traseiro Shimano XT. Uma boa escolha, já que um câmbio traseiro de qualidade evita a maioria dos problemas na transmissão da bike.
:: O TESTE
Para testar a bike, convidamos o piloto Henrique Versieux, que compete em diversas provas de cross-country no país. A única modificação feita na bike foi a troca dos pedais de pedaleiras por pedais
clip preferidos pelo atleta.
Nas subidas a bike se comportou como esperado por suas características. A trava do guidom ajudou bastante a estabilizar os 100 mm de curso da suspensão. O sistema não trava a suspensão por completo, o que é agradável, já que deixa um funcionamento mínimo que ajuda bastante a passar por pequenos obstáculos. Outra característica que ajudou bastante foi o cassete com maior pinhão de 34 dentes, dando uma opção mais leve para a relação de marchas. A posição do avanço é bem clássico para a geometria e propósito da bike, mas pode ser invertido sem problemas para deixar a posição mais "racing". O peso é sentido nas subidas, o que é justificável para uma bike de linha média.
Nas descidas a bike impressionou. A montagem original do avanço deixa a posição de condução bem mais confortável e segura. Os freios, apesar de serem da linha básica da Shimano e estarem novos, funcionaram muito bem e trouxeram segurança para deixar a bike correr. A suspensão, apesar do
sistema simples, teve um funcionamento bem satisfatório. O ponto negativo foi o punho sem sistema de fixação, que apesar de não ter atrapalhado, mudou de posição no final do teste. Os pneus também funcionaram bem para as situações gerais, mas não tiveram o desempenho que esperávamos nas curvas.
:: GARANTIA E PREÇO
A bike tem XXX anos de garantia através do distribuidor brasileiro Bronet e o preço sugerido é de R$ 3.299,00.
:: CONCLUSÃO
A Merida Matts TFS 300-D tem uma combinação de componentes bem escolhida para o que se propõe: ser uma bike de linha média, com bom custo benefício e para quem já tem alguma experiência no mountain biking. O desempenho geral da bike foi bem satisfatório para a gama de componentes nessa faixa de preço.
CATEGORIAS E MODALIDADES
A UCI – União Ciclística Internacional - é uma associação sem fins lucrativos, que reforça as regras de disciplina, além de administrar e organizar as competições ciclísticas em todo o mundo. Um dos seus objetivos é regulamentar o ciclismo – suas categorias e modalidades.
O padrão é enquadrar as categorias em: Provas em Estradas, Provas em Pistas, Mountain Biking, BMX, Ciclismo Indoor, Ciclocross e Paraciclismo. Algumas dessas categorias ainda se ramificam em diversas modalidades. Acompanhe.
CATEGORIAS
MOUNTAIN BIKING – A tradução literal é ciclismo de montanha. Praticado em terra, trilhas de montanhas ou parques. Exige resistência, destreza e autossuficiência.
Modalidades da Mountain Biking
Cross Country - É a forma mais popular de mountain biking, conhecida também por XC. São corridas com circuitos de 5 km a 9 km por volta, com terreno variado e com várias subidas e descidas. As provas podem durar de uma hora e meia a duas horas e meia dependendo do número de voltas e dificuldade técnica. Existem algumas ramificações do XC, onde se varia a distância e nível técnico. É a única modalidade de mountain biking reconhecida olimpicamente.
Downhill - Apenas descidas, com um piloto descendo de cada vez. Ganha o que descer no menor tempo. Normalmente as pistas são bem íngremes e técnicas, com pedras, saltos, raízes e outros obstáculos. São pistas curtas, com cerca de 4 km. A velocidade pode passar de 70 km/h em algumas provas. Para participar é necessário ter acessórios especiais de proteção e uma bike feita especialmente para essa modalidade, com duas suspensões, pneus grossos e freios a disco.
Dual Slalom - É como o slalom do esqui, com dois competidores correndo ao mesmo tempo em pistas paralelas e quase idênticas. A pista é apenas em descida com obstáculos como saltos e curvas fechadas. Atualmente a modalidade evoluiu para o 4X (four-cross), onde se usa uma pista única e correm 4 pilotos por vez.
Freeride - É uma modalidade radical que tem elementos do downhill, porém o que conta não é a descida mais rápida e sim execução de saltos, estilo e tamanho dos obstáculos, que podem ser naturais ou artificiais. A versão urbana da modalidade é conhecida como Urban Assault.
Biketrial - É uma modalidade onde o competidor precisa passar por um circuito com obstáculos grandes como: latões de lixo, mesas de camping (aquelas bem altas), troncos, cavaletes, pedras e até carros. Não é uma modalidade de velocidade e sim de precisão, já que o terreno quase não tem inclinação e, normalmente, a bicicleta tem apenas uma marcha, sem suspensões. Ganha o competidor que menos encostar o pé no chão e fizer o circuito em menor tempo.
Maratona - Oficialmente é uma derivação do cross-country tradicional. Os circuitos normalmente são bem maiores que os de cross-country, oficialmente entre 60 km e 120 km, mas em provas não oficiais podendo passar de 150 km. É uma modalidade que foca mais na resistência do que na técnica. Como característica, os pilotos nunca passam no mesmo lugar: ou é uma pista ponto-a-ponto ou um circuito de apenas uma volta.
Uphill – Ao contrário do Downhill, é uma corrida em que o piloto faz um percurso de subida. Exige bikes muito leves.
4X (Four Cross) – Modalidade que possui obstáculos derivados do BMX e do Dual Slalom, onde quatro competidores descem, simultaneamente, um terreno inclinado.
Cicloturismo – É uma forma de turismo que consiste em viajar de bicicleta. Comumente, não é caracterizado pela competição entre os participantes. Prioriza a saúde, a boa convivência, respeitando o ritmo de cada um.
PROVA EM ESTRADAS – Ciclismo disputado em estradas, conhecido também como Speed, e bastante popular no mundo inteiro, principalmente na Europa.
Modalidades das Provas em Estradas
Provas de um dia – Como o nome sugere, são provas que acontecem em um único dia, disputadas por equipes, que percorrem distâncias de até 280 km.
Provas individuais (contra-relógio) – Modalidade olímpica onde os competidores percorrem distâncias que variam de 15 km a 80 km. Os ciclistas largam um de cada vez, sem formação de pelotão, e o vencedor é aquele que fizer o percurso no menor tempo.
Provas por equipes (contra-relógio) – Os ciclistas percorrem distâncias de até 100 km, agrupados por equipe. Todos os ciclistas de uma equipe largam ao mesmo tempo.
Provas por etapas – Nessa modalidade, acontecem várias etapas, em dias consecutivos. Os tempos de cada ciclista são somados, e quem fizer no menor tempo é o vencedor.
Ultramaratona – Prova em etapa única, que cobre longas distâncias, e geralmente tem duração de vários dias.
PROVA EM PISTAS – Ciclismo disputado em pistas projetadas para tal fim, conhecidas como velódromos.
Modalidades das provas em pistas
- Contra-Relógio - Possui diferentes categorias, podendo ter durações de 1 km, 500 m e 200 m. Cada piloto compete individualmente tentando marcar o melhor tempo para a quilometragem estabelecida.
Perseguição por equipes – Disputada por duas equipes de quatro corredores, que partem em pontos opostos e percorrem a distância de 4 km.
Perseguição Individual – Também disputada por duas equipes, porém apenas dois competidores percorrem uma distância que varia de 2 a 4 km.
Sprint Olímpico – Semelhante à perseguição por equipes, disputada por equipes de 3 corredores.
- Madison - Corrida de revezamento em equipes de 2 ou 3 competidores. Apenas um dos competidores de cada equipe pode estar na pista de cada vez. O objetivo de cada equipe é dar o máximo de voltas possíveis no tempo determinado para a prova.
- Keirin - Nesse formato, 6 a 9 pilotos participam simultaneamente. Na largada eles seguem um veículo guia sem poder ultrapassá-lo até 700 metros da linha de chegada, onde começa o sprint e vence quem chegar primeiro. A distância percorrida é de aproximadamente 2 km, sendo uma prova de explosão.
Scratch – Prova individual limitada a 24 competidores, que partem simultaneamente com o objetivo de cruzar primeiro a linha de chegada. As provas normalmente duram de 15 a 20 km.
- Corrida por pontos - Diversos ciclistas largam juntos para percorrer de 120 a 160 voltas. De 10 em 10 voltas são feitos sprints que valem pontos. Ganha o competidor que somar mais pontos ao final.
Tandem – Categoria funcional paraolímpica, que utiliza uma bicicleta Tandem (para dois ciclistas), e conduz na frente o ciclista de visão normal, que dirige, pedala e executa as trocas de marcha, e na parte de trás, o ciclista paraolímpico.
BMX – Utilizando bicicletas com rodas de 20 polegadas de diâmetro, o BMX, que significa Bicycle Motocross, possui uma modalidade de corrida e uma modalidade de manobras (Freestyle).
Modalidades da BMX
BMX Racing (corrida) – Conhecido também como Bicicross, é uma competição de velocidade, que acontece em pistas com até 350 m, semelhantes às pistas de Moto Cross.
BMX Freestyle (Manobras) – Utilizando a bicicleta BMX, os pilotos executam manobras em diferentes situações. Por isso, o BMX Freestyle possui também subdivisões:
Dirt Jumping – Praticado em rampas de terra, com alturas e distâncias variadas. As manobras misturam saltos do Bicicross, com manobras executadas no Vert.
Vert – Ou vertical, é praticado em rampas em formato de “U”. Os pilotos procuram executar manobras de grande dificuldade, voando o mais alto possível.
Street – Praticado nas ruas, usa como obstáculos tudo que encontrar pelo caminho: escadas, corrimãos, bancos, etc. O que conta é a criatividade.
Park – Praticado em percursos fechados, com obstáculos que, inicialmente, procuravam simular objetos encontrados naturalmente, mas hoje já ganharam desenho próprio.
Flatland – As manobras, executadas em áreas planas e sem obstáculos, surgem da criatividade e da agilidade dos pilotos.
Ciclismo Indoor – São competições onde a bicicleta é utilizada com fins artísticos, ou em conjunto com outro esporte. Possui as seguintes categorias:
Modalidades do Ciclismo Indoor
Ciclismo Artístico – Competição bastante popular na Alemanha, onde existem cerca de 10 mil atletas. É comparável à ginástica artística, ou à patinação no gelo. Os competidores (individualmente ou em pares) apresentam uma coreografia, de cerca de 5 minutos, ao som de uma música. Os pontos são decididos por uma banca de júris, segundo o desempenho de cada apresentação.
Ciclo-Ball – Duas duplas jogam, em um espaço fechado (ginásio), uma partida idêntica ao futebol. O objetivo é golpear a bola com a roda dianteira ou traseira da bicicleta, e fazer gols.
Ciclocross – Nas pistas de ciclocross, obstáculos pedregosos, raízes e degraus são raros. É mais comum longos trechos de gramas, descidas íngremes, cursos em água, lama e ladeiras escorregadias. Alguns obstáculos exigem que o ciclista desça da bicicleta para transpô-los. A bicicleta utilizada é um misto de mountain bike e road bike.
Paraciclismo – Englobam alguns grupos de deficiências (deficiência visual, paralisia cerebral, deficiências motoras e paralisia das pernas, onde é utilizado o handcycling – bicicleta movida à mão). O paraciclismo passou a ser disciplinado pela UCI a partir de 2007, através de um acordo de transferência assinado com o Comitê Paraolímpico Internacional. Nesta categoria, várias modalidades das provas de estrada e de pista são disputadas.
Andar de bicicleta emagrece?
Na minha adolescência, eu sofri muito por estar acima do peso. Era tímida, pois tinha medo do preconceito das colegas. Para mudar essa situação, percebi que precisava tomar uma atitude. A bicicleta foi o meio que escolhi para alcançar meu objetivo.
O caminho para emagrecer passa por uma alimentação saudável e atividade física regular. Não adianta esperar por um milagre: é preciso dedicação e empenho para sentir o “gostinho da vitória”, ou seja, alcançar o corpo desejado. A alimentação e a atividade física devem ser orientadas por profissionais, pois cada pessoa apresenta características próprias, que devem ser respeitadas.
Testes comprovam que o gasto calórico depende da intensidade e duração da atividade física. A bicicleta, por ser uma maneira agradável de exercício, é uma ótima aliada na perda de peso. Uma pesquisa da universidade de Harvard analisou, em um grupo de mulheres, a evolução do peso, hábitos alimentares e prática do ciclismo. As mulheres que pedalavam, em média, 4 horas por semana, diminuíram a probabilidade de ganhar peso.
Mesmo as participantes que pedalavam apenas 5 minutos por dia, apresentaram um resultado positivo. Portanto, usar a bicicleta para ir ao trabalho, à universidade ou passear, é um exercício aeróbico bastante completo: trabalha as pernas, bumbum e panturrilha, melhora o condicionamento físico, fortalece a musculatura, o sistema cardiovascular e respiratório, e de quebra, queima calorias. Uma hora de pedalada em um ritmo moderado chega a queimar 350 calorias.
Assim como a natação, o ciclismo apresenta vantagens sobre outros exercícios aeróbicos. O impacto do peso corporal é praticamente eliminado, pois o corpo fica apoiado no banco da bicicleta, não agredindo as articulações, ossatura e músculos. Para quem está acima do peso, esse benefício ajuda bastante, permitindo melhor aproveitamento do exercício, por diminuir a sensação de cansaço.
Veja algumas dicas para emagrecer de forma saudável e duradoura.
- Não tenha pressa. Corrija gradativamente a sua atitude com relação à alimentação e prática de exercícios, e logo os resultados aparecerão.
- Controle a ansiedade.
- Estipule horários para as refeições.
- Não deixe de consumir, de forma moderada, os alimentos que lhe dão água na boca.
- Crie o hábito de deixar seu prato colorido, com saladas e legumes. Também substitua aquele doce de sobremesa, por uma fruta de sua preferência.
- Acredite em você. Tenha uma atitude positiva, determinada e confiante para atingir seu objetivo.
- Deixe a bicicleta entrar na sua rotina. Você pode usá-la como meio de transporte para pequenos trajetos, como meio de recreação com amigos e familiares, entre tantas outras formas.
VIVA BICICLETA!
COLUNA: BIKE HUMOR
N PÁGINAS: 1
Na sala de aula...
Durante uma aula de língua portuguesa, a professora ensinava, aos alunos, uma nova classe gramatical: os verbos. Ela começa:
- Pedrinho, me diga um verbo.
- Bicicréta? - ele responde.
- Não Pedrinho. Bicicleta não é um verbo. Agora você, Joãozinho, diga-me um verbo.
- Prástico? - diz Joãozinho.
- Não Joãozinho, plástico também não é um verbo. Mariazinha, você sabe me dizer um verbo?
- Ospedar, fessora? - ela responde.
- Muito bem, Mariazinha, hospedar é um verbo. – a professora parabenizou, orgulhosa - Agora, diga-me uma frase com esse verbo.
- Ospedar da bicicréta são de prástico.
TOPO: PERFIL
Nº PAGINAS: 3
Fotos: Álvaro Perazzoli | Arquivo pessoal
RUBENS DONIZETE
Das olarias de Minas Gerais para as Olimpíadas
Circuito preparado. Dezenas de tendas, centenas de pessoas, automóveis com seus suportes nos tetos, transportando as bicicletas, preenchem e destoam as limitações de um grande terreno descampado. Atletas, jornalistas, lojistas e entusiastas aguardavam, em Santana de Parnaíba (SP), a bateria final da Shimano Short Track, que reuniu os melhores da categoria elite do MTB brasileiro.
Acompanhe a narração de Álvaro Perazzoli, que esteve na tenda da Merida neste grande dia, 15 de agosto.
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stou na área de concentração da equipe Merida SR Suntour Cat Eye. A tenda da Merida desperta olhares curiosos, não apenas às máquinas de propulsão humana, que chegam a custar mais que um automóvel zero. A equipe possui, também, uma das maiores estruturas do ciclismo nacional, e os principais nomes do MTB brasileiro. A equipe é formada por Daniel Carneiro, Manuela Vilaseca, e ele: Rubens Donizete, o Rubinho.
O atleta é um dos principais integrantes da seleção brasileira, e coleciona incontáveis títulos regionais, estaduais, nacionais e internacionais. Com um aproveitamento de 90% nas competições que disputa, Rubinho é favorito em todas as provas.
A imprensa aguarda apreensiva por um depoimento antes da largada na Shimano Short Track. Os fãs pedem autógrafos e fotos. Outros pilotos o olham com admiração e curiosidade; respeito e preocupação.
Aguardo sua chegada, nos bastidores da equipe, com o mecânico, o treinador, responsáveis comerciais, o diretor da equipe e a esposa de Rubens. O atleta surge ao fundo da área descampada, e se aproxima com sua bicicleta.
Avaliada em mais de R$ 30 mil, sua bike está com diversos furos inexplicáveis nos manetes de freio, pedivela e outras peças. O piloto explica que fez isso para reduzir algumas gramas da bicicleta. Fernando Louro, diretor da equipe, sorri ironicamente. A cultura de Weight Weenies (maníacos por peso) se aplica a Rubinho. “Quando ele apareceu com a bicicleta toda furada, e falou os lugares que furou, pensei: poxa, ele copiou a minha ideia! No final, eu não acreditava que ele fosse prestar atenção, e seguir as coisas que fiz”, comenta Robson Silva, do setor de vendas, feliz e admirado.
“Ele está no auge do seu preparo físico. Acredito que faz isso porque analisa que, agora, é o equipamento que precisa ser trabalhado. Mas ele não tira peso de lugares aleatórios, ele sabe o que está fazendo”, argumenta Sidnei Lopes Santos, o “Murphy”, mecânico e responsável técnico da Merida Brasil. “Comparo o Rubens Donizete com o Ayrton Senna, que além de ser um ótimo piloto, era uma pessoa extremamente técnica. Ele mesmo avaliava seu carro, que no caso do Rubens, é a bike”, analisa Fábio Bibiano.
CHAMADA: A determinação de um pedreiro que virou atleta olímpico
No meio ciclístico, quem faz muita força e realiza coisas bizarras é chamado de pedreiro. Rubinho é chamado assim, mas poucos sabem que ele realmente trabalhou como pedreiro em uma olaria, em Monte Santo de Minas (MG), sua cidade natal, antes de ser atleta profissional. Para fixar ainda mais o adjetivo, seus colegas relatam, com muito humor, um fato simbólico na história do atleta. “Ele tinha uma bicicleta super pesada, e um dia inventou de subir e descer 10 vezes uma serra, na tentativa de baixar cada vez mais o seu tempo. Fez isso sem nenhuma referência cardíaca e base de treinamento. Ele passou mal, teve cãibras no corpo inteiro, e foi parar no hospital”, relata Felipe de Castro Rodrigues, responsável comercial da marca Giro, que patrocina a equipe de Rubinho.
“Ele me disse uma vez que é movido a desafios. Essas bicicletas que ele usava, eram montadas com peças que ganhava nas corridas e até com ferro velho. Vejo isso como um foco e determinação muito grande, que ele sempre teve em transpor os obstáculos e encarar os desafios”, complementa Fábio Bibiano. Rubens tem um semblante sério e olhar compenetrado, mas ao primeiro sorriso, a expressão alegre e introspectiva revela uma figura simples e extremamente carismática, típica do interior de Minas.
Os colegas de trabalho definem Rubens como uma pessoa simples, gentil, focada, e humilde, pois não se manifesta em nenhum momento como “estrela”. “É uma pessoa cativante, atenciosa, simples, que escuta tudo e procura entender o que digo a ele nas provas”, ressalta “Murphy”.
Rubinho nasceu em 14 de agosto de 1979. Em 2000, decidiu se dedicar exclusivamente ao esporte, e no ano seguinte conseguiu seu primeiro patrocínio. Nesta época, colocou uma meta em sua vida: representar o país nas olimpíadas. A realização do sonho começou em 2007, quando foi chamado para integrar a seleção brasileira de MTB. Conquistou a medalha de prata no Pan disputado no Rio. Em 2007 foi campeão nacional, e conseguiu vaga para os Jogos Olímpicos de Pequim 2008, onde foi o melhor brasileiro, obtendo a 21º colocação.
Na bagagem, medalha de prata no Pan-americano de MTB na Guatemala, bicampeonato na Copa Internacional de MTB, medalha de prata nos Jogos Sul-americanos de MTB na Colômbia, e melhor brasileiro no Mundial de MTB 2009.
“Ele é um exemplo de vida. Corria com bicicletas pesadas, praticava treinos sem base nenhuma, e hoje alcançou tudo isso. É um motivo de orgulho, pois a sua história é humilde e muito difícil”, comenta Felipe.
Não é a imagem física de Rubens que transmite força. Seu poder está em sua concentração, no olhar fixo ao horizonte da pista, enquanto seus adversários o observam com um olhar de respeito, desafio e medo.
Rubens venceu a etapa brasileira, e em 26 de setembro, venceu a grande final da Shimano Short Track, na Colômbia, tornando-se o melhor mountain biker da América Latina.
Urban Riders realiza Urban Assault solidário em São Paulo (SP)
Mais de 120 pilotos participaram do encontro de ciclismo extremo no evento Assalto das Crianças 2010
Texto: Álvaro Perazzoli
Fotos: Álvaro Perazzoli / Rodrigo Manchin / Hélio Leal
A equipe do site Urban Riders e a Comunidade Cebola Riders realizaram no domingo, 17 de outubro, a edição 2010 do Assalto das Crianças - encontro de pilotos de freeride urbano, que acontece sempre próximo ao dia das crianças. O evento reuniu dezenas de pilotos, com faixa etária entre 14 e 22 anos, que exploraram diversas regiões da Zona Oeste de São Paulo. O destaque dessa edição foi a arrecadação de alimentos.
A concentração ocorreu às 9 horas, na Praça do Ciclista, situada no cruzamento da Avenida Paulista com a Rua da Consolação. Aproximadamente 70 pilotos estavam no ponto de encontro, e outros 50 juntaram-se ao grupo durante o percurso. Compareceram pilotos de diversas regiões de São Paulo, incluindo Mauá e Osasco.
Um dado positivo é que, neste evento, mais de 90% dos pilotos estavam de capacete. Um número importante devido aos riscos da modalidade, e a resistência de muitos bikers em relação ao uso de equipamento de proteção.
“Esse é um passo muito importante para a conscientização de todos quanto à utilização do capacete. Há, ainda, um preconceito quanto o uso de proteção, assim como foi com o cinto de segurança. Precisamos vencer esta barreira”, explica João Paulo de Oliveira, “Labeda”, coordenador do fórum Cebola Riders.
O roteiro desta edição passou por praças, becos e escadarias da Zona Oeste de São Paulo. Os locais de parada foram a Praça Horácio Sabino, conhecida como “Praça dos Cachorros”; a inclinada escadaria do “Elo Perdido”, que fica ao lado da Praça Pedro Dias, e por fim, a Praça do Pôr do Sol, um ponto tradicional para a prática de Urban e diversos esportes radicais urbanos. Ao término, muitos bikers formaram pequenos grupos, e continuaram pedalando.
De acordo com Danilo Linhares, o “Magrelo”, eventos como esse devem ser mais ativos, para que a bicicleta ganhe espaço como esporte, lazer e transporte sustentável.
A proposta dos eventos do Urban Riders é promover a reunião de pilotos urbanos, sem critério de idade e nível técnico, para um encontro de caráter não competitivo. O objetivo é proporcionar integração entre amigos, para explorar locais que passam despercebidos por motoristas, e servem apenas como via para pedestres.
“Fazer parte do Urban Riders é fazer parte de uma família constituída por 3.737 irmãos, que se multiplicam a cada dia. Independente de raça, credo, ou condição social, defendem e lutam pela mesma paixão, pelos mesmos ideais, sem indiferenças, buscando sempre melhorar e expandir a atual situação desse esporte no país”, declara “Labeda”.
O incentivo à doação de alimentos é uma forma de conscientizar os pilotos sobre a importância social, e o poder que o esporte tem em minimizar os danos de uma sociedade desigual, como o Brasil.
“Para nós, é importante contribuir para projetos sociais, e consequentemente, para um mundo diferente, mais igualitário” comentou Mariana Delrio, responsável pelo marketing da Kalf.
A Kalf e a Loja Biketoor doaram, cada uma, 50 quilos de alimentos, somando um total de 140 quilos arrecadados no evento. A doação será feita para a AACC - Associação de Apoio à Criança com Câncer. O evento teve o apoio da Kalf Bikes, UMF Bikes, Loja Biketoor e Revista Bicicleta.
DESPERTEI PARA A BICICLETA AOS 55 ANOS DE IDADE
Isaac Machado
Lages - SC
“Em setembro de 2008, após 39 anos de trabalho, aposentei-me como bancário. Quando trabalhava, vivia estressado e tive duas crises hipertensivas que exigiram atenção e cuidados. Eu era sedentário, estava acima do peso e não gostava de fazer nenhum exercício físico.”
Após a aposentadoria, comecei a frequentar o estádio municipal, próximo de casa. Iniciei caminhadas e corridas leves, de três a quatro vezes por semana. Achava difícil, e tive vontade de desistir, mas insisti, emagreci 13 kg, e o gosto pelos exercícios aumentou, assim como o volume dos treinos.
Em janeiro deste ano, meu filho Felipe pediu que levássemos minha bicicleta, há tempos parada, para a praia. Lá fiz minha primeira pedalada mais longa, de Itapema à Itajaí, no litoral catarinense, e gostei muito da experiência. Comprei bicicletas para meus dois filhos: Felipe, de 22 anos, e Vítor, de 14 anos, e começamos a pedalar juntos.
Já em Lages (SC), passei a acompanhar um fórum de cicloturismo, na internet, e um dos participantes lançou o convite para realizarmos uma viagem pela Europa, no circuito Via Cláudia Augusta, montado sobre uma antiga estrada imperial romana, com 2.000 anos, que liga Donauwört, na Alemanha, à Veneza, na Itália.
CHAMADA: “CONSULTEI MEUS FILHOS E MINHA ESPOSA, E RECEBI O MAIOR APOIO PARA REALIZAR MINHA VIAGEM DOS SONHOS”
Após receber o apoio da família para realizar a viagem, fiz um check-up médico, e iniciei minha preparação com um profissional de Educação Física, experiente no ciclismo. Treinava na academia e rua, de cinco a seis vezes por semana.
O grupo era formado por nove pessoas: oito de São Paulo, e eu, o único catarinense. Na Europa, começamos a pedalada em Donauwört, em direção à Veneza, passando por pequenas e lindíssimas cidades pela Alemanha, Áustria, Suíça e Itália, com excelentes ciclovias e lugares para descanso aos ciclistas. Pedalávamos de 50 a 100 km por dia, dependendo da altimetria, pois tínhamos um completo guia, com todas as informações do percurso Via Cláudia Augusta, muito bem sinalizado, e dormíamos em hotéis, por onde passávamos.
Todo o grupo pedalou junto até Merano, na Itália. Ali, sete retornaram a São Paulo, e seguimos em dois até Treviso. A partir daí, segui sozinho mais alguns dias pela Itália. Foi emocionante atravessar a ponte de Veneza pedalando. Depois, segui de trem (que tem vagão específico para bike) até Milão, Florença, Pisa, região da Toscana, descendo em todas as estações, e fazendo os tours por lugares lindíssimos, de bicicleta, num total de 930 km pedalados.
O trajeto foi feito com bikes próprias, tipo MTB, e alforjes com até 20 kg de carga.
Fatos que marcaram a viagem
No interior da Alemanha, estávamos olhando um mapa quando um senhor de idade parou um luxuoso Audi e perguntou-nos se precisávamos de ajuda. Ele queria nos instruir em inglês, mas quando percebeu que não estávamos entendendo, seguiu adiante, deixou o carro em casa, pegou sua bike e fez questão de nos acompanhar até o local correto. Percebemos o quanto o ciclista é bem-vindo e respeitado por lá.
Em Pisa, na Itália, já viajando sozinho, ouvi alguém falando português, percebi que era brasileiro, e fui de encontro a ele. Na verdade, o cara era um camelô de Bangladesh. Conversamos bem por algum tempo, e ele contou que aprendeu o português ouvindo nossas músicas, pois gostava muito do Brasil, apesar de não conhecer pessoalmente. Eu sempre carregava a bandeira do Brasil, o que me rendeu muitos contatos. Dei de presente a bandeira para ele, que me agradeceu muito, disse que guardaria com muito carinho, e solicitou que tirássemos um foto juntos, para recordação.
Após sairmos da Áustria, pedalávamos por uma excelente estrada asfaltada, junto a um enorme pomar de maças, encontramos um pequeno quiosque com maças e sucos para nos servirmos, com uma placa indicando os respectivos preços, só que não havia ninguém para cobrar! Só um pequeno cofre, com agradecimentos em alemão e italiano, onde pagamos e nos servimos.
Como moro em Lages (SC), quero montar um circuito para explorar e divulgar as belezas naturais da Coxilha Rica, região histórica e lindíssima que fazia parte do roteiro de tropas de gado, do Rio Grande do Sul até Sorocaba. Este trajeto possui alguns trechos de corredores de taipas (tipo de cerca de pedras empilhadas), por onde a tropa era conduzida, evitando que o gado se dispersasse. A região já recebe grupos de pessoas em cavalgadas, que também participo, portanto a estrutura já existe, só falta trocar o meio de transporte.
Tenho 55 anos e quero continuar pedalando com meus filhos: Felipe, 22 anos, Fernanda, 18 anos, e Vítor, 14 anos. Os dois rapazes sempre me acompanharam, e apesar de termos iniciado há pouco tempo, já percorremos alguns trechos do Circuito Vale Europeu, Circuito Costa Verde & Mar, trechos do interior de Lages e cidades vizinhas. Tenho planos para percorrer, pedalando, o Caminho de Santiago de Compostela.
Antes, eu achava que o ciclismo era algo só para atletas ou pessoas altamente treinadas. Mas agora, dez meses depois de iniciar minhas pedaladas, consigo tranquilamente realizar cicloviagens. A bicicleta me deu a oportunidade de conhecer lugares fantásticos, passear por lindas trilhas, e principalmente, o desejo de participar de novos projetos. Hoje, uma das coisas que me dá mais alegria é ouvir um dos meus filhos dizer: “pai, vamos pedalar?!”
Nº PG: 3
ENCONTRO NACIONAL DE CICLOTURISMO
por Carlos Menezes
Sacramento - MG, 9 a 12 de outubro de 2010
O que leva uma pessoa a viajar de bicicleta? Essa é a pergunta que passa na cabeça de quem nunca teve essa experiência. Mas o que todos devem saber é que se trata de algo viciante. Quem quiser experimentar, pode optar por alguns dos vários circuitos estruturados e espalhados pelo Brasil, como o Circuito do Vale Europeu e o Circuito Costa Verde e Mar, ambos em Santa Catarina.
Uma pessoa viaja de bicicleta porque a relação com o tempo é outra. Quando você sai para viajar de carro ou avião automaticamente fica pensando quanto tempo ainda falta para chegar ao seu destino. Com isso, tudo o que se passa pela janela nada mais é que tempo perdido. Quando se viaja de bike, o que menos importa é quanto tempo vai demorar a viagem. O mais importante é o caminho. Durante o tempo de pedalada, o ciclista passa horas consigo mesmo e pensa em várias coisas que, com a correria do dia a dia, não seria possível pensar.
Mas quem são essas pessoas que viajam de bicicleta? Os cicloturistas formam um grupo muito heterogêneo, com diversas crenças, cores, classes sociais e profissões. Mas todos têm algo em comum. São desprendidos das futilidades do dia a dia, ao ponto de serem seres humanos na essência da palavra.
No feriado de 12 de outubro, o “Clube de Cicloturismo do Brasil (www.clubedecicloturismo.com.br)” organizou o “9º Encontro Nacional de Cicloturismo e Aventura”, no município de Sacramento-MG. O local escolhido foi o Parque Náutico Jaguara (www.parquenauticodejaguara.com.br), um clube de campo dentro de uma mata nativa, à beira da represa da Usina Hidrelétrica Jaguara, na divisa com São Paulo, capaz de proporcionar toda a comodidade e contato com a natureza que os cicloturistas procuram. Aos poucos, os ciclistas vão chegando ao hotel, cada um à sua maneira: de ônibus, de carro, de moto e até mesmo pedalando. A proximidade com o Parque Nacional da Serra da Canastra foi um convite para que alguns ciclistas o cruzassem, pedalando, até chegar ao local do encontro.
Por alguns momentos é possível se perder no tempo e local, acreditando estar em algum lugar que não seja o Brasil. A sensação de estar em um país no qual a bicicleta esteja incorporada à cultura. Imagine-se entrando no quarto do hotel, e deixar sua bike do lado de fora sem preocupação, tendo a certeza de que nada acontecerá com ela. As palestras aconteceram em um auditório localizado cerca de 1 km de distância do restaurante do hotel. Ao término do almoço, os ciclistas sobem em suas bikes para seguir para o auditório, onde as deixavam do lado de fora, assistindo tranquilamente as palestras. Alguns ciclistas conheceram a cidade de Rifaina (5 km do hotel), pedalando. A sensação de estar vivendo em uma cidade com a bike incorporada ao cotidiano toma conta dos participantes.
O encontro segue uma rotina diária: 1) acordar cedo 2) saborear um delicioso café da manhã 3) sessão de alongamento 4) pedalada 5) almoço 6) palestra da tarde 7) descanso 8) jantar 9) palestra 10) confraternização.
Acredito que muitas pessoas que não conhecem o encontro, ao ler as reportagens a respeito, não têm coragem de participar, por acreditar ser muito amador para isso. Mas já no primeiro dia foi possível quebrar esse paradigma: o encontro de cicloturismo não é destinado somente a pessoas que já percorrem longas distâncias com suas bikes. Ele possui um foco naquelas pessoas que tem vontade de viajar de bike, mas não sabem nem por onde começar. Exemplo disso são os passeios que aconteceram todas as manhãs. Os roteiros são de pequenas distâncias, em ritmo leve, sem grandes dificuldades, geralmente em trajetos planos. Aqueles cicloturistas que são acostumados a percorrer milhares de quilômetros vão acompanhando o grupo sempre no ritmo leve. Imagine-se iniciar suas pedaladas batendo papo com Eliana e Rodrigo Telles, Valter Magalhães, Rafael Limaverde, entre outros grandes nomes. É o mesmo que começar a jogar futebol na escolinha do Zico, Pelé ou Romário. Durante todos os passeios, um carro de apoio segue o pelotão, caso alguém necessite utilizá-lo. E o mais incrível de tudo é que nunca é preciso utilizá-lo, pois todos cumprem a meta de percorrer o trajeto planejado. Durante o encontro foi possível presenciar, inclusive, um garoto que nunca havia andado de bicicleta, aprender a andar e ainda acompanhar o grupo em um pedal de 20 km.
Em um desses passeios também foi possível conhecer e incentivar a restauração da histórica Estação Mogiana de Jaguara, composto pelo conjunto ferroviário e ponte metálica, de maio de 1888. O local é uma verdadeira viagem no tempo, e sua preservação com certeza contribuirá como atrativo turístico da região.
O foco das palestras da tarde foi fornecer subsídios para os ciclistas, repassando conhecimento para que tudo corra bem durante sua viagem: Fábio (mais conhecido como “FES”) com uma metodologia prática, ensinou os cicloturistas como ser autossuficiente em relação à mecânica da bike com o curso: “MANUTENÇÃO DA BICICLETA EM VIAGEM".
Do que vale uma viagem, passando por belas paisagens, se não pudermos contar e mostrar esses lugares? Pensando nisso Valter Magalhães no curso: FOTOGRAFIA PARA VIAJANTES: PENSANDO FOTOGRAFIA, partiu da base da fotografia, até oferecer dicas e técnicas para o bom enquadramento e registro de cada momento durante uma viagem de bike. A partir daí, as fotos deixaram de ser apenas um clique no equipamento.
Mas, para pensar numa viagem longa, muitas vezes os ciclistas precisam angariar fundos para custear as despesas. Como conseguir patrocínios e investimentos para que o sonho de uma viagem se torne real? Thais de Lima (Mulher de Ciclos) colocou toda a sua experiência na palestra "BICICLETA VIROU NEGÓCIO", onde deixou bem claro que dinheiro para ser investido pelas empresas existe, o que faltam são bons projetos para que as empresas comprem essa ideia.
Já as palestras da noite apresentaram, em comum, um relato de pessoas que realizaram e realizam grandes viagens pelo mundo. Na palestra "ORIGEM E EVOLUÇÃO DE UM CASAL DE CICLISTAS", o casal Roberto Cruz e Angela Sibinel apresentou a sua bela história de vida conjugal, e como a bicicleta está inserida nela. O mais interessante de tudo é que ouvi-los ali contando como tudo começou, permitiu perceber que todos começam pelo mesmo caminho. Os medos, as inseguranças e as dúvidas são as mesmas. Mas com o passar do tempo as dúvidas vão sendo sanadas e isso torna o cicloturista mais confiante. Sem o peso da insegurança, a viagem fica mais prazerosa. Mais do que as palavras, a postura e a alegria com que o casal relatou suas experiências contagiou vários casais que, provavelmente, vão compartilhar a bike como um meio de aproximar, ainda mais, a vida conjugal. Como disse Roberto: “um dos segredos da vida é ver beleza nas coisas simples”, e com certeza a simplicidade com que encaram a vida é que a torna tão bela. Não foi uma só vez que, ao mostrar as fotos, ouvimos o casal dizer: “Esse momento foi mágico”, “Tal pessoa é mágica”. A palestra deixou evidente que o grande diferencial, que permite a eles ver beleza em coisas tão simples, é o fato de estarem dispostos e abertos a enxergarem essa beleza. Essa foi a principal mensagem do encontro. Não basta apenas pegar sua bike e sair para pedalar. É preciso estar de alma aberta para receber aqueles que cruzarão nossos caminhos. Durante uma viagem de bike, muitas pessoas irão cruzar sua vida, basta estar com as portas da alma abertas para acolher essas novas amizades.
Quando se fala em cicloviagem pensamos em tirar umas férias, ou aproveitar o feriado prolongado, ou tirar uma semana de folga e percorrer alguns quilômetros por dias seguidos em cima da bike. Mas Rafael Limaverde resolveu ir além: saiu para pedalar. Com a ideia de percorrer o mundo de bike, acabou se dedicando a pedalar pela AMÉRICA LATINA no PROJETO BICICLETA PELO MUNDO. De maneira descontraída durante sua palestra, Rafael levou a plateia a percorrer os cerca de 3000 km com ele. Com uma apresentação rica em fotos e detalhes, foi possível entender o que se passa na cabeça de alguém que fica dois anos longe de casa, sozinho, enfrentando as adversidades do desconhecido. Seus relatos diários deram origem ao livro: “Pelos caminhos de nuestra América – Uma pedalada poética pelos confins do continente.” (www.bicicletaspelomundo.com.br) Empolgante e envolvente, assim pode ser resumida a sua apresentação. No final, a vontade é pegar a bike e sair pedalando.
Na última noite, foi a vez da palestra "NOVA ZELÂNDIA: O SONHO DE UMA VIAGEM DE BICICLETA" por Paulo Roberto Cunha. Com uma riqueza de detalhes, Paulo conseguiu levar a plateia junto com ele em sua viagem de bike pela Nova Zelândia. E além de contar sua história, deu várias dicas de como ser bem-sucedido em uma viagem de bicicleta ao exterior.
Como diria Humberto Gessiger: "É sempre a mesma história, é tão difícil partir. É sempre a mesma história, é impossível ficar. É sempre mais difícil dizer adeus, quando não há nada mais pra se dizer" A diferença é que ainda existe muito para ser dito. O encontro chega ao fim, mas no ar ainda ficam muitas perguntas e dúvidas, muita coisa a ser aprendida, muita vida a ser vivida.
No encontro estavam presentes pessoas do país inteiro. De Porto Alegre a Fortaleza, o Brasil todo estava ali representado. E na última manhã, Eliana e Rodrigo Telles, na palestra “DICAS, MACETES E SEGREDOS PARA UMA BOA VIAGEM DE BICICLETA", por meio da vasta experiência do casal, indicaram quais os melhores roteiros, equipamentos, roupas e as mais importantes dicas de sobrevivência.
Foi possível perceber uma inteira conexão entre as palavras do casal Roberto e Ângela, no primeiro dia de encontro, e do casal Eliana e Rodrigo, na última palestra. Sem que eles combinassem, e nem mesmo percebessem, ficou nítido tanto em uma palestra, quanto em outra, o quanto os cicloturistas são desprovidos de qualquer maldade ou preconceito. São pessoas puras e de alma aberta que, aonde chegam, são capazes de cativar as pessoas por meio de suas bicicletas. Acreditam que as bikes são varinhas de condão que transformam as pessoas em generosidade, como em um passe de mágica. No entanto, não percebem que a forma humana, na essência da palavra, com que abordam aqueles que passam por suas vidas, torna esses momentos especiais.
Quantas vezes, durante o encontro, pessoas que nunca tinham se visto, nem conversado anteriormente, em poucos minutos faziam aflorar um sentimento de que já se conheciam a anos. O espírito do cicloturismo vai muito além de pedalar longas distâncias: é um estado de espírito totalmente desprendido das coisas mesquinhas que nos tornam pequenos no dia a dia.
Então, restam os abraços calorosos, o aperto no peito, e a alegria de ter passado dias tão agradáveis. A sensação de voltar pra casa é a mesma de quando corremos para alcançar um trem em movimento, pois no encontro, é como se o tempo passasse mais devagar, e os problemas simplesmente não existissem. Ano que vem tem mais. Fica o convite para aqueles que têm vontade de ir, mas tem receio: tenha certeza de que não vai se arrepender.
PARA-LAMAS
Há marcas nacionais e muitas importadas já chegam ao nosso mercado. Há lojas online que entregam em cidades de todo o Brasil. Bons para-lamas são flexíveis, leves e cobrem boa parte da roda. Para uso urbano, evite os para-lamas de mountain bike, porque eles fazem o serviço pela metade (já que a função original é cortar o excesso de lama na bicicleta e no ciclista).
CESTINHO
Os dois tipos de fixação mais comuns são o de dois pontos, no garfo rígido e no guidão, e o preso unicamente no guidão, que pode ser usado em bikes com suspensão dianteira. Os preços e materiais variam também. Cestas de fibras naturais, como vime, são bastante charmosas (e mais caras!), mas as de metal e plástico têm durabilidade muito maior. Modelos com quick release são extremamente práticos para compras rápidas a caminho de casa.
BAGAGEIRO E ALFORJES
O bagageiro pode ser a diferença entre chegar com as costas encharcadas de suor por causa de uma mochila num dia de sol, ou chegar pronto para o trabalho. Os alforjes, que boa parte dos ciclistas já conhece do cicloturismo, têm também versões urbanas e mais compactas, com quick release e alça, que o transformam numa bolsa tipo carteiro.
ILUMINAÇÃO
É o item de segurança mais importante da bicicleta, depois de freios bem regulados, principalmente à noite. Para uma pedalada mais tranquila a caminho de casa ou do trabalho, é fundamental ser visto. Farol dianteiro e lanterna traseira, com opção de luz intermitente (o pisca-pisca!) são um investimento certeiro para reduzir finas e acidentes causados por baixa visibilidade no trânsito.
PEZINHO
Os do tipo cavalete ajudam a bike a suportar mais peso, e não é à toa que são os mais usados em bicicletas de entrega. Modelos de um lado só cumprem bem a função de manter a bike em pé numa parada rápida na padaria ou para deixar a bike descarregada no estacionamento do prédio.
TRANCAS
Não existe tranca ideal; existe tranca adequada para o grau de risco ao qual sua bicicleta vai ficar exposta. Se ela fica em um estacionamento vigiado e sem acesso de desconhecidos, trancas comuns são suficientes. Bicicletas estacionadas na rua, em postes, podem precisar de uma do tipo U-Lock. Há várias marcas e graus de segurança, que devem ser escolhidos em função da vizinhança e do valor da bicicleta.
PROTEÇÃO DE CORRENTE
Bicicletas que já venham com protetor de corrente ainda são raridade no Brasil. Mas a substituição de um peça pode resolver boa parte do problema: um pedivela com protetor já evita que barras de calça sejam destruídas pelos dentes da coroa.
Pedal de Salto Alto
Texto: Álvaro Perazzoli
Fotos: Fred Muzzi
Maquiagem, guarda-chuva, vestido e salto alto. Este não é um figurino típico para a maioria dos ciclistas no Brasil, mas para um grupo de garotas mineiras, isso deve ser mudado.
Em Belo Horizonte (MG), um grupo de amigas resolveu promover um passeio no dia 16 de outubro pela cidade, apenas com mulheres. Chamado de Pedal de Salto Alto, o requisito principal do encontro era a diversão, e as garotas deveriam ir sem acessórios de bike, ou seja, arrumadas e lindas, como se estivessem no Cycle Chic, na Dinamarca.
Marcela Abreu, uma das organizadoras e responsável pelo blog Pedal de Salto Alto, conta que antes mesmo do evento começar, houve uma grande repercussão e já no primeiro dia de vida do blog foram quase mil acessos.
“Nosso objetivo é chamar a atenção das pessoas para a importância de se ter a bicicleta como meio de transporte alternativo e sustentável, além de criar uma rotina saudável, levantar questões políticas”, declara Marcela.
“A ideia é mostrar ao público feminino que a bicicleta pode ser utilizada além do esporte, no dia a dia, de maneira casual e elegante. É uma alternativa de transporte limpo, barato e eficiente”, explica Ligia Ribeiro, ciclista que participou do encontro.
A forte chuva que caiu no dia não desanimou as 24 mulheres que participaram. Ao invés de prejudicar, ela contribuiu com o clima europeu e deu um charme especial ao passeio.
Bikes delicadamente decoradas, animais de estimação, flores, maquiagem e claro, o salto alto, mostraram que o acessório não ficou apenas no nome.
“Participar do Pedal de Salto Alto é pedalar com jeito de menina, buscando nosso espaço nas ruas com simpatia e leveza” conta Ligia.
“Quatro meninas que nunca tinham pedalado na rua e nem tinham bicicletas ficaram sabendo do passeio através do blog e apareceram lá com bikes alugadas. Elas saíram de lá falando que iam comprar uma no outro dia”, conta Marcela Abreu.
De acordo com Ligia, a grande maioria dos motoristas não vê o ciclista como parte do trânsito, mas como algo que atrapalha e que de forma alguma deveria estar ocupando aquele espaço.
Uma das ideias do encontro é dar cara e forma ao ciclista, mostrar que ele é também uma pessoa, de saia, salto alto ou não, mas que tem uma vida, amigos, família e sonhos e que merece ter seu direito de pedalar respeitado.
O Pedal de Salto Alto não se limitou apenas a um passeio, e em breve terá uma segunda edição. Marcela fez do encontro sua linha de pesquisa na monografia que realiza no curso de pós graduação em Design de Interação na PUC Minas.
O Cycle Chic, movimento onde as pessoas utilizam roupas comuns para pedalar, que nasceu em Copenhagen, na Dinamarca, inspira diversas cidades a promoverem esta cultura. Pedalar com estilo e elegância vem ganhando força, e atraindo um número maior de mulheres a utilizar a bicicleta como meio de transporte, e incorporá-la no seu dia a dia.
Pedalar deve ser irresistível
O que é irresistível para você? É chocolate derretendo na boca, sentir vento fresco no rosto, é edredon no frio do inverno, é matar saudade depois da viagem, deitar tão cansado em um travesseiro de pluma ou banheira de espuma?
Irresistível é pão quentinho no domingo de manhã, é bicicleta girando na rua molhada, é se sujar de lama, seria colo de mãe ou de tia, chorar de alegria ou descobrir coisas novas a cada dia?
Irresistível mesmo talvez seja faltar ao trabalho para ficar de preguiça, ou histórias de avó, comprar roupas novas, massagem nas costas, comer infinita pipoca, banho de chuva no verão ou pedalar em qualquer ocasião?
Descubra o que é irresistível para você, aquilo que te deixa sem prumo, pelo qual você não consegue esperar. Por acaso uma das coisas seria ela, a magrela? Agora, me diga: você gostaria de ver mais pessoas de bici por aí?
Deixe por um momento todos os argumentos racionais de lado. Isso, guarde na gaveta... por enquanto. Compartilhe o prazer de pedalar, arrebate, conquiste, contamine. Faça com que elas vejam – ou melhor, sintam – como pedalar pode ser incrível, simplesmente irresistível.
Grite aos 4 ventos, aos 20 ou aos 287 como é gostoso andar de bicicleta. Diga a todos que não há nada igual. Acredite em mim: as pessoas ficarão curiosas. Nossa tomada de decisões não é um processo puramente racional. Deixemos o “penso, logo existo” dar lugar ao “sinto, logo existo”.
Uma sociedade que destrói o planeta onde vive não deve estar pensando muito antes de fazer isso, se não veria o tamanho da insensatez. Então não tenha receio de apelar aos sentidos: a humanidade não é racional.
Adicione uma pitada de emoção às suas pedaladas, e tenha certeza: a bicicleta pode mudar o mundo. Por que pedalando, oras, tudo gira!
SAIA NA NOITE
PASSEIOS DE BIKE PARA MULHERES
A equipe Saia na Noite foi criada em 1992, por Teresa D’Aprile e um pequeno grupo de mulheres, que já pedalavam e sentiam necessidade de abrir um espaço feminino no mundo das bicicletas. Como o ciclismo é um universo quase exclusivamente masculino, muitas mulheres têm vergonha de pedalar, porque não conseguem acompanhar o ritmo dos homens, e estes, normalmente, não têm paciência para ensinar técnicas de condução da bicicleta.
As mulheres gostam de rodar num ritmo mais calmo, fazer subidas e descidas com mais segurança, ou ainda ter uma noite só para elas, curtindo caminhos tranquilos, sem o compromisso das disputas e competições.
O Saia na Noite segue num roteiro agradável e seguro, sempre respeitando o ritmo de todas, da primeira à última ciclista. Nem por isto deixa de fazer molecagens. Conta sempre com guias experientes.
Temos, em nosso cadastro, mais de 600 mulheres inscritas, na faixa etária de 18 à 62 anos. O número de ciclistas por passeio, atualmente, é de 35 a 50 mulheres.
Fazemos passeios, às terças-feiras, com um grupo de mulheres acostumadas a pedalar. São 25 km com subidas, num ritmo mais rápido. Esse grupo sai às 21 horas da Doceira Ofner (24 HORAS, com estacionamento), na Avenida Nove de Julho, 5623, bairro Jardim Paulista (esquina com Rua João Cachoeira). Às quintas-feiras, realizamos um trabalho diferenciado com ciclistas iniciantes, num trajeto de 10 km, com ritmo suave e várias dicas para quem está começando. Fazemos também passeios temáticos nas principais datas comemorativas e eventos, e aos domingos, passeios turísticos pela cidade.
Equipe Morro Acima MTB
(Local)
Nossa História
A prática de ciclismo e, mais especificamente o Mountain Biking, já era uma das grandes paixões desse grupo de amigos. Alguns já pedalam há mais de dez anos; outros começaram há pouco mais de um ano. E o que era somente uma brincadeira de garotos foi ficando cada vez mais sério. Com o crescimento do esporte no Brasil, as competições e o lançamento de bikes cada vez mais sofisticadas, buscou-se extrair o máximo de adrenalina que o esporte pode oferecer.
Tudo ao redor também foi se modificando: as paisagens, os “garotos” e as necessidades. Hoje, a maioria trabalha, tem família, filhos e muitos compromissos que tornam a vida bem mais agitada, com uma carga de pressão capaz de tirar o sono de muita gente.
Chamada: Para encarar a pressão da sociedade moderna, esse grupo resolveu simplesmente continuar fazendo aquilo que lhes dava prazer e que ainda reúne os garotos de outrora.
A sociedade moderna, diante desses desafios, buscou adaptar-se para suportar tudo isso com: terapias, exercícios regulares, atividade de integração social, etc. Mas esse grupo resolveu simplesmente continuar fazendo aquilo que lhes dava prazer e que ainda reúne os garotos de outrora. Cada um com uma bike diferente, uns mais preparados fisicamente, outros com a cabeça cheia, outros contando piadas e tantas outras características.
Até que surgiu a ideia de montar uma equipe e desenvolver atividades em família, pois os garotos cresceram e com eles vieram seus filhos e esposas. Com muita luta, em outubro de 2010 nasceu a equipe Morro Acima MTB. “Criada para vencer competições com prêmios inestimáveis e que fará qualquer atleta profissional se orgulhar por participar dessa causa”.
Nossa Missão:
Desenvolver ações de integração social, promoção da prática de esportes e do exercício de cidadania.
Hoje
A equipe Morro Acima MTB já conta com 35 amigos, que se reúnem para praticar o ciclismo de cada domingo, partindo de um ponto em comum e rasgando trilhas da região de São Paulo, começando a atrair pessoas que antes ficavam assustadas com todos aqueles “caras” equipados e com bikes de última geração. Essas pessoas estão se aproximando, e formando grupos de iniciantes para se integrarem. A equipe está no caminho certo, e deve crescer cada vez mais.
Copenhagen – por Sérgio Batista
“Passei nove dias em Copenhagen, e foi uma experiência marcante. Pude conhecer a cultura da bicicleta, tão forte na Europa, especialmente na Dinamarca. As pessoas, mesmo sem te conhecer, falam com você, olhando nos olhos, e te cumprimentam com um caloroso aceno. Copenhagen é uma das cidades onde mais se pedala, e pude vivenciar a disciplina e a educação dos dinamarqueses, nas ruas. Valeu Dinamarca!”
Em Copenhagen, tudo é diferente, começando pelo aeroporto, que é bem tranquilo, moderno e bonito, e recentemente foi considerado o melhor aeroporto da Europa. Anexo ao aeroporto há uma bela estação de metrô.
Ao chegar em Copenhagen, duas surpresas a tornam ainda mais bonita: a neve espalhada por todo o canto da cidade, cobrindo tudo, num frio de -5º, e o grande número de bicicletas estacionadas pela cidade inteira.
Copenhagen é considerada, atualmente, a capital mundial da bicicleta pela UCI (União Ciclística Internacional). Quase 40% da população dinamarquesa pedalam. Os proprietários de carros populares ou de carros luxuosos têm a sua bike, e é comum deixar o carro em casa.
A cidade tem uma estrutura impressionante. Possui uma rede excelente de ciclovias, ciclo-faixas, bicicletários enormes ao ar livre e em estabelecimentos privados, sinaleiras exclusivas para bicicletas, que proporcionam ainda mais satisfação ao pedalar!
Existe uma regra, um consenso entre os ciclistas de Copenhagen, que é de extrema importância para quem se locomove em duas rodas, e que eles executam com extrema disciplina: toda e qualquer mudança de rota ou parada é sinalizada com o braço, para que o ciclista de trás fique ciente da intenção do ciclista da frente, evitando acidentes. Lá, é regra: uma questão de cultura em prol do ciclismo.
Passeando pelas ruas de Copenhagen, percebe-se o reflexo do amplo uso da bicicleta nos estabelecimentos privados.
Ao se aproximar de grandes shoppings, a entrada do bicicletário é bem visível, com a silhueta de uma grande bike toda iluminada. As entradas para estacionamento de carros passam despercebidas...
Para atender a demanda, há várias lojas especializadas em bicicleta. Em cada bairro existem, pelo menos, dois bikes-shop. Comprar bicicleta na Dinamarca é coisa séria, e a variedade para escolha é grande, desde as bikes urbanas, que são as mais vendidas, até a mais TOP, de fibra de carbono. Algumas lojas possuem mais de 1000 bikes em seu show-room, e o consultor mostra todos os detalhes, para vender aquela que mais se adapta à necessidade do cliente.
Nas lojas, encontra-se uma quantidade enorme de acessórios, dos mais simples ao mais luxuoso. Pode-se encontrar um chapéu com estrutura interna de capacete, e uma roda toda em fibra de carbono, considerada a mais leve do mundo.
No trânsito, o motorista automotivo respeita muito a prioridade do ciclista e do pedestre. Em época de muita neve, é mais difícil dirigir e pedalar, e mesmo assim, Copenhagen não abre mão de suas bicicletas. Para diminuir o risco de acidentes, a prefeitura dispõe de vários homens e várias máquinas, responsáveis pela limpeza das ruas. A estrutura é fantástica.
As bikes dificilmente são presas com cadeado nos bicicletários.
Pedalar na Dinamarca, em Copenhagen, é muito chique. As moças e as senhoras vestem trajes de luxo, bolsas e salto alto para pedalar.
Em um trajeto mais longo, pode-se usar o metrô, especialmente preparado para levar pessoas e bicicletas. Há um espaço demarcado para a bicicleta, e ao lado, um espaço demarcado para o ciclista, tudo com bastante conforto.
Os velódromos dinamarqueses recebem tradicionais competições profissionais, e conta com grandes atletas, enfatizando a importância que a bicicleta tem naquela sociedade.
Copenhagen é um exemplo de cidade simpática, organizada e luxuosa, onde a bicicleta é protagonista, enriquecendo a qualidade de vida dos seus cidadãos.
AS NORMAS DE TRÂNSITO E A BICICLETA
Em 1998, o Código de Trânsito Brasileiro passou a tratar a bicicleta como “veículo de propulsão humana”, e definiu direitos e deveres para os ciclistas. Portanto, os ciclistas ganharam representação, deixaram de ter um brinquedo, e passaram a ter um veículo. Esse primeiro passo é importante para conseguir outras conquistas, como infraestrutura, por exemplo.
Segundo o Código, a bicicleta deverá rodar em ciclovias e ciclofaixas ou, na ausência dessas, nas bordas da pista, no mesmo sentido regulamentado na via, com preferência sobre veículos automotores. Seguindo a hierarquia de segurança, o ciclista, por sua vez, deverá respeitar a preferência do pedestre. A bicicleta também deve obedecer aos limites máximos estabelecidos para os outros veículos, ou a sinalização constante na via.
Os condutores de veículos automotores precisam seguir várias normas, impostas claramente para a segurança dos pedestres e ciclistas. Por exemplo:
Art. 35. Antes de iniciar qualquer manobra que implique um deslocamento lateral, o condutor deverá indicar seu propósito de forma clara e com a devida antecedência, por meio da luz indicadora de direção de seu veículo, ou fazendo gesto convencional de braço.
Parágrafo único. Entende-se por deslocamento lateral a transposição de faixas, movimentos de conversão à direita, à esquerda e retornos.
Art. 39. Nas vias urbanas, a operação de retorno deverá ser feita nos locais para isto determinados, quer por meio de sinalização, quer pela existência de locais apropriados, ou, ainda, em outros locais que ofereçam condições de segurança e fluidez, observadas as características da via, do veículo, das condições meteorológicas e da movimentação de pedestres e ciclistas.
Art. 49. O condutor e os passageiros não deverão abrir a porta do veículo, deixá-la aberta ou descer do veículo sem antes se certificarem de que isso não constitui perigo para eles e para outros usuários da via.
Parágrafo único. O embarque e o desembarque devem ocorrer sempre do lado da calçada, exceto para o condutor.
Art. 68. É assegurada ao pedestre a utilização dos passeios ou passagens apropriadas das vias urbanas e dos acostamentos das vias rurais para circulação, podendo a autoridade competente permitir a utilização de parte da calçada para outros fins, desde que não seja prejudicial ao fluxo de pedestres.
§ 1º O ciclista desmontado empurrando a bicicleta equipara -se ao pedestre em DIREITOS E DEVERES.
Além disso, os motoristas não devem estacionar o veículo sobre ciclovia ou ciclofaixa. Também precisam reduzir a velocidade do veículo de forma compatível com a segurança do trânsito, ao ultrapassar ciclista, guardando a distância lateral de um metro e cinquenta centímetros da bicicleta no momento da ultrapassagem.
Assim considerado, sempre que o ciclista estiver na contramão, ou em calçadas e outros lugares com movimentação de pedestres, ele deve desmontar da bicicleta. Mas também fica garantido o seu direito de circular, e caso necessário, reivindicar ao órgão público pertinente que dê condições de circulação. Cabe ressaltar que é nítido o objetivo das vias, pensadas exclusivamente para os veículos automotores.
O CONTRAN, em sua Resolução 66/98, também normatiza as infrações envolvendo a bicicleta. Veja o que você não deve fazer:
-Conduzir bicicleta em passeios onde não seja permitida a circulação desta, ou de forma agressiva.
-Conduzir bicicleta fazendo malabarismo ou equilibrando-se apenas em uma roda e sem segurar o guidão.
-Conduzir bicicleta transportando carga incompatível com suas especificações.
-Conduzir passageiro fora da garupa ou do assento especial a ele destinado.
-Conduzir em vias de trânsito rápido ou rodovias, salvo onde houver acostamento, ciclovias ou ciclofaixas.
-Conduzir crianças que não tenham, nas circunstâncias, condições de cuidar de sua própria segurança.
USO DE EQUIPAMENTOS OBRIGATÓRIOS
O uso dos seguintes equipamentos é obrigatório, previsto pelo próprio Código, e regulamentado pelas Resoluções 02/98 e 46/98 do CONTRAN.
1- Freio.
2-Bicicletas com aro superior a vinte deverão ser dotadas de espelho retrovisor do lado esquerdo, acoplado ao guidão e sem haste de sustentação.
3- Campainha com dispositivo sonoro-mecânico, eletromecânico, elétrico ou pneumático, capaz de identificar uma bicicleta em movimento.
4- Sinalização noturna, composta de retro-refletores, com alcance mínimo de visibilidade de trinta metros, com a parte prismática protegida contra a ação das intempéries, nos seguintes locais:
a) na dianteira, nas cores brancas ou amarelas;
b) na traseira, na cor vermelha;
c) nas laterais e nos pedais, de qualquer cor.
A Resolução 46/98 dispensa o uso do espelho retrovisor e da campainha, nas bicicletas destinadas à prática de esportes, quando em competição de mountain bike, downhill, freestyle, competição olímpica e pan-americana, competição em avenida, estrada e velódromo.
5- O capacete não é previsto como equipamento obrigatório, mas seu uso salva vidas, portando é altamente recomendável.
CICLISMO CIDADÃO
Por fim, se você for um cidadão consciente, e tem desejo de participar da construção de um trânsito melhor, faça valer o seu direito previsto nos artigos 72 e 73 do Código de Trânsito. Você pode solicitar sinalização, fiscalização e implantação de equipamentos de segurança, por escrito, aos órgãos ou entidades do Sistema Nacional de Trânsito. Também pode sugerir alterações em normas, legislação e outros assuntos pertinentes a este Código. Os órgãos ou entidades pertencentes ao Sistema Nacional de Trânsito têm o dever de analisar as solicitações e responder, por escrito, dentro de prazos mínimos, sobre a possibilidade ou não de atendimento, esclarecendo ou justificando a análise efetuada, e, se pertinente, informando ao solicitante quando tal evento ocorrerá.
Ainda falta estrutura para circular, de forma segura, sobre duas rodas. Isso acaba afastando um pouco as pessoas da bicicleta. O parágrafo 3º do artigo 1º relata que “os órgãos e entidades componentes do Sistema Nacional de Trânsito respondem, no âmbito das respectivas competências, objetivamente, por danos causados aos cidadãos em virtude de ação, omissão ou erro na execução e manutenção de programas, projetos e serviços que garantam o exercício do direito do trânsito seguro”. No caso de acidente em que a causa foi de responsabilidade do poder público, é ele que tem que provar que não foi omisso ou negligente.
Geralmente, há ciclovias apenas em pontos turísticos, não existem estacionamentos adequados, entre outras dificuldades. É importante estar atualizado quanto às normas de trânsito para participar, de forma prudente, do fluxo nas estradas. Faça a sua parte, demonstre respeito e consciência ao cumprir com seus deveres, e não negligencie seus direitos.
Dicas da ANTP, para transportar sua bicicleta em ônibus interestadual.
De acordo com o Decreto nº 2.521/98:
- Art. 1º, inciso III, bagagem é definida como: conjunto de objetos de uso pessoal do passageiro, devidamente acondicionado, transportado no bagageiro do veículo;
- CAPÍTULO VI, DOS DIREITOS E OBRIGAÇÕES DOS USUÁRIOS
Art. 29. Sem prejuízo do disposto na Lei nº 8.078, de 11 de setembro de 1990, são direitos e obrigações do usuário: (...)
XI - transportar, gratuitamente, bagagem no bagageiro e volume no porta-embrulho, observado o disposto nos artigos 70 a 75 deste Decreto;
XII - receber os comprovantes dos volumes transportados no bagageiro; (...)
- SEÇÃO VII, Da Bagagem e das Encomendas:
Art. 70. O preço da passagem abrange, a título de franquia, o transporte obrigatório e gratuito de bagagem no bagageiro e volume no porta-embrulhos, observados os seguintes limites máximos de peso e dimensão:
I - no bagageiro, trinta quilos de peso total e volume máximo de trezentos decímetros cúbicos, limitada a maior dimensão de qualquer volume a um metro;
II - no porta-embrulhos, cinco quilos de peso total, com dimensões que se adaptem ao porta-embrulhos, desde que não sejam comprometidos o conforto, a segurança e a higiene dos passageiros.
Parágrafo único. Excedida a franquia fixada nos incisos I e II deste artigo, o passageiro pagará até meio por cento do preço da passagem correspondente ao serviço convencional pelo transporte de cada quilograma de excesso.
Se meus joelhos não doessem mais...
Por Edgardo Jorge
O ciclismo é uma atividade altamente repetitiva. Por isso, há o risco de lesões por sobrecarga, devido à força muscular, coordenação, flexibilidade ou alinhamento. Veja as possíveis causas das dores nos joelhos, e sugestões para evitá-las.
Quando temos: baixa flexibilidade do quadríceps, na parte mais alta do pedalar, há uma pressão excessiva do tendão localizado sobre a rótula.
Sugestão: realizar sessões específicas de estiramento para esta zona, e alongar sempre depois de cada treinamento.
Quando temos: falta de alinhamento dos clipes do pedal, há uma defasagem da linha de força.
Sugestão: reposicionar os clipes a um alinhamento neutro.
Quando temos: posição baixa do selim, há uma flexão excessiva do joelho, gerando muita pressão na rótula.
Sugestão: subir o selim, de modo que a pressão na zona diminua, e o quadril não precise baixar na hora da pedalada.
Quando temos: posição adiantada do selim.
Sugestão: atrasar o selim até a posição onde, com o pedivela paralelo ao chão, a vertical do joelho esteja no eixo dos pedais.
Quando temos: utilização excessiva do quadríceps no pedal.
Sugestão: melhorar a cadência (90 a 100 RPM), e fazer trabalhos técnicos para melhorar a pedalada. Por exemplo, pedalar com uma perna só, em uma bicicleta de Spinning.
Quando temos: baixa cadência de pedalada por um tempo prolongado.
Sugestão: aumentar a cadência média da pedalada. O ideal é chegar ao ritmo de 90 a 100 RPM. Nesse caso, o ciclocomputador com registro de cadência é um bom aliado.
Quando temos: excessivo comprimento dos pedivelas.
Sugestão: provavelmente a bicicleta é grande demais para o ciclista. É preciso levar em consideração as medidas do corpo para acertar a compra e o ajuste da bicicleta.
Ao cometer erros básicos, a diversão da pedalada pode tornar-se uma penúria. Desfrute suas viagens de bike com conforto e prazer.
ARTE: 2 PG, EXPLORANDO BEM UMA FOTO BONITA.
Alimentos funcionais no esporte
O organismo, naturalmente, produz radicais livres devido ao consumo de oxigênio. A prática de atividade física intensifica essa produção, e pode levar ao envelhecimento celular. Casos extremos, como os atletas de alto rendimento e as pessoas sedentárias, estão mais propensos aos efeitos dos radicais livres. O recomendado é que a prática de atividade física seja de leve a moderada.
Para reduzir os efeitos desses radicais livres, é recomendado a ingestão diária de alimentos funcionais antioxidantes, os quais devem fazer parte de uma alimentação saudável, para obter o benefício esperado.
Todos os alimentos exercem uma função no organismo, pois proporcionam sabor, aroma, e apresentam valor nutritivo. No entanto, os alimentos considerados funcionais contém nutrientes específicos, que beneficiam a saúde e reduzem o risco de doenças.
Alimentos que contém nutrientes antioxidantes:
Alimentos
Substancia Bioativa
Porção
Mamão Papaia
Β- Caroteno/ Licopeno
½ unidade
Cenoura
Β- Caroteno
½ unidade
Brócolis
Flavonóides
1 pires
Morango
Vitamina C
9 unidades
Laranja
Vitamina C
1 unidade
Suco de uva integral
Resveratrol
1 copo de 200ml
Molho de tomate
Licopeno
1 concha
Suco de tomate
Licopeno
1 copo de 200 ml
Goiaba vermelha
Licopeno
1 unidade
Melancia
Licopeno
1 fatia média
Chá verde (infusão da folha)
Catequinas
4 xícaras de chá
Chocolate acima de
50 % de cacau
Cacau
40 gramas
Castanha do Brasil
Polifenóis
2 unidades grandes
Açafrão da terra (cúrcuma)
Curcumina
à gosto
Azeite de oliva
Vitamina E
1 colher de sopa
Inclua esses alimentos na sua alimentação diária, de forma variada. Recomenda-se o consumo diário de 3 a 5 porções de frutas, e 4 a 5 porções de hortaliças.
A prática regular de atividade física, aliada a uma alimentação equilibrada, com alimentos reconhecidos como funcionais, é um diferencial para alcançar o bem-estar físico, podendo também maximizar o desempenho no esporte.
Teste: Isotônico SUUM
A importância das bebidas isotônicas durante a prática de esportes já é indiscutível. Essas bebidas possuem sais minerais que ajudam na hidratação do corpo, e são mais eficientes que beber apenas água. Há várias marcas de bebidas desse tipo, que surgiram nos últimos anos, porém sem nenhuma novidade. O SUUM é inovador, pois se trata de uma pastilha efervescente, que misturada à água, se transforma em uma bebida isotônica. Isso permite uma grande portabilidade, já que não é mais preciso carregar garrafas com litros de bebidas especiais, ou contar com a sorte de encontrá-las em lugares remotos. Para ter essa importante bebida, basta uma pastilha de SUUM, e o líquido mais fácil de encontrar no planeta.
CARACTERÍSTICAS
As pastilhas vêm em um pequeno tubo, do tamanho certo para 10 unidades. O tubo é resistente à água, desde que bem fechado. A dosagem ideal é uma pastilha para 500 ml de água, ou seja, com um tubo é possível fazer 5 litros da bebida. Não é preciso agitar, apenas colocar a pastilhas na garrafa d’água e esperar que se dissolva em poucos minutos. SUUM possui apenas sais minerais e vitaminas, sem carboidratos e açúcar. O único sabor oferecido por enquanto é lima-limão. SUMM é um produto totalmente feito no Brasil e por uma empresa brasileira.
O produto tem as seguintes características:
- Rapidez de Absorção: Uma característica importante deste tipo de bebida é a velocidade com que o organismo a absorve durante a atividade física. É a concentração de sais e açucares dissolvidos que garante a rapidez da passagem da bebida do intestino para o sangue, re-hidratando o corpo. A fórmula de SUUM permite que o organismo absorva a bebida rapidamente.
- Conteúdo de Eletrólitos: SUUM contém 756 mg de sódio por litro d’água, dentro da faixa de valores recomendados pelo Colégio Americano de Medicina Esportiva para este tipo de bebida, e até três vezes maior que as bebidas esportivas tradicionais. Junto com os eletrólitos do SUUM, fica garantida uma reposição adequada e saudável para o corpo, ajudando numa melhor performance.
- Conteúdo de Carboidratos: Carboidratos podem diminuir a velocidade de absorção dos eletrólitos, e assim a hidratação do seu corpo estará prejudicada, baixando seu rendimento. SUUM não contém carboidratos, aumentando a velocidade da absorção e permitindo uma maior flexibilidade e controle na ingestão de carboidratos necessários para a atividade física.
INFORMAÇÕES NUTRICIONAIS
- 378,0 mg de sódio
- 50,0 mg de potássio
- 65,0 mg de magnésio
- 36,0 mg de vitamina C
- 4,0 mg de vitamina B5
- 1,0 mg de vitamina B6
- 1,90 mcg de vitamina B12
- 0 g de carboidratos
IMPORTÂNCIA DOS ISOTÔNICOS NA HIDRATAÇÃO
Durante atividades físicas, o corpo perde minerais (eletrólitos) através do suor. Repondo esses eletrólitos, o organismo consegue prolongar a resistência à fadiga, mantendo a atividade física por mais tempo. O papel da bebida isotônica não é só saciar a sensação de sede, mas prolongar o tempo de exercício e melhorar o desempenho.
Os rins trabalham para manter as concentrações de eletrólitos constantes no sangue, mas durante um esforço físico intenso, as perdas podem ser tais que para sua recuperação é preciso uma ingestão rápida e efetiva de eletrólitos para evitar o colapso do corpo. Particularmente o sódio e o potássio devem ser repostos para conseguir prolongar o esforço e os níveis dos fluídos corporais sejam equilibrados.
Se hidratar apenas com água, não há reposição dos eletrólitos perdidos em quantidades suficientes, nem na mesma velocidade.
O TESTE
Testamos o SUUM desde o começo do ano, em diversas situações comuns. Para complementar nossa opinião, contamos com o piloto espanhol Chus Castellanos, que além de diversos títulos no BMX, Downhill, 4X e Motocross, é também professor de spinning.
A principal vantagem do produto é a portabilidade. Nem sempre é fácil encontrar bebidas isotônicas onde pedalamos, e muito menos prático levar 10 garrafas de isotônico com 500 ml, do que conseguir água em algum lugar, ou mesmo levar água em garrafas maiores.
Outra vantagem é a ausência de carboidratos, principalmente para quem segue dietas rigorosas, por fazer possível a separação entre a ingestão de carboidratos e sais minerais. Dependendo do treinamento pode ser importante tomar carboidratos em intervalos ou quantidades diferentes que os sais minerais, sendo esses últimos ingeridos apenas para ajudar a hidratação.
Em termos de paladar, todos que provaram, aprovaram. O sabor é bem parecido com as bebidas isotônicas populares e não deixa um sabor marcante e doce na boca. Mesmo sendo efervescente, depois de dissolvido, não tem sensação de bebida gaseificada.
Depoimento de Chus Castellanos: "A portabilidade do produto realmente é um diferencial, principalmente em viagens longas de mais de um dia, onde seria impossível carregar muitos litros de isotônicos. O sabor também me agradou bastante, sem ser muito doce."
A única desvantagem que encontramos no produto é a limitação em termos de sabor. Gostamos muito do sabor limão, mas para quem não gosta, não existe alternativa.
CONCLUSÃO
Inovação é uma palavra que nunca pensamos em associar a uma bebida. Sabores, composições e embalagens mudam todos os anos, mas a SUUM foi mais longe oferecendo uma forma de ter uma bebida isotônica através de pastilhas e água. Todos os pequenos detalhes que nos fazem escolher entre uma bebida ou outra foram muito bem trabalhados, nos dando um sabor suave e que não deixa a boca doce durante o treino. E tudo isso feito no Brasil!
Para mais informações sobre o produto entre no site oficial da marca: http://www.suum.com.br/.
A boa bicicletaria
As bicicletarias, em geral, são micro e pequenas empresas, e como em qualquer área, precisam lidar com a concorrência. Veja alguns caminhos que podem ajudar seu empreendimento a ter sucesso, e se destacar em um mercado tão competitivo:
Características do bom proprietário:
gostar e entender de bicicletas.
separar bem a paixão do negócio. Negócio é negócio.
precisa ser compreensivo, e ter a mente aberta!
ter educação e cultura geral.
mostrar interesse em se renovar.
respeitar os clientes.
não ver a concorrência como inimiga.
demonstrar noções claras de cidadania.
CHAMADA: "O bom proprietário mantém constantemente os olhos sobre o próprio negócio"
Objetivos de uma boa bicicletaria
ser rentável, dar lucro.
realista com relação ao local onde está instalada.
não pode haver dúvida sobre que mercado pretende atender, qual o perfil do usuário e a forma de atuar.
ter claro o foco principal: venda, serviços, outros.
qualidade.
Princípios do negócio:
honestidade.
respeito.
qualidade.
cidadania.
formação.
Faça sua bicicletaria aparecer
Alguns pontos contribuem para que sua bicicletaria seja vista e lembrada. Veja alguns princípios e dicas que podem lhe ajudar. São pequenas coisas que podem fazer toda a diferença.
Nome da bicicletaria e logotipo
Convêm investir um pouco de tempo nisso, pois será de grande valia. Tanto o nome como o logotipo devem estar, de alguma forma, relacionados com o negócio. Um nome forte e um logotipo forte resultam num componente chamado “retenção de marca”: o cliente tem facilidade em memorizar e lembrar da marca, sempre que precisar.
Sinalização
Tanto na fachada quanto no interior da loja, é importante deixar claro a marca, descrição e preços dos produtos, de forma padronizada, de fácil leitura e compreensão. Na fachada, procure instalar a placa de forma que ela fique visível tanto por quem passa de carro, ônibus ou a pé.
Atendimento
Um cliente satisfeito voltará inúmeras vezes, além de indicar a bicicletaria para amigos. A propaganda boca a boca funciona muito bem nesse ramo. Treine seus funcionários para a excelência no atendimento, pois manter os seus clientes é tão importante quanto conquistar novos consumidores. Atenção e simpatia cativam as pessoas, portanto sempre fale sobre o assunto com seus funcionários. É interessante ter um bebedouro com água e copos descartáveis na loja, pois muitos clientes chegarão pedalando, e com sede. O atendimento, juntamente com a qualidade dos serviços, é o ponto de maior importância.
CHAMADA: “É interessante ter um bebedouro com água e copos descartáveis na loja, pois muitos clientes chegarão pedalando, e com sede.”
Informações precisas
Um problema comum é a desatualização. Isso gera desconforto nos funcionários quando confrontados com perguntas dos clientes. É fundamental que a equipe se mantenha atualizada sobre as novidades e características de todos os produtos. Geralmente os bons fabricantes e distribuidores, que poderão se tornar futuros fornecedores, dispõem de um promotor que ministra treinamentos periódicos no lançamento de novos produtos. Isso manterá os clientes confiantes na competência da sua loja.
Divulgação
CHAMADA: Pense em algo do tipo “traga um amigo e ganhe uma regulagem de câmbio e freios.”
Dizem que o negócio que não é divulgado acaba morrendo, pois sem clientes, ele não prospera. Geralmente este tipo de negócio não comporta investimento em publicidade propriamente dita. Então, veja algumas dicas que podem lhe ajudar na divulgação da loja:
- panfletagem: é algo barato e funciona. Procure incluir pelo menos uma promoção.
- passeios de bicicleta: diversas lojas organizam passeios de bicicleta.
- promoções inteligentes: pense em algo do tipo “traga um amigo e ganhe uma regulagem de câmbio e freios”.
- site: divulgar seu negócio na internet também deve ser considerado. Os custos baixaram muito, e cada vez mais pessoas têm acesso à internet em casa ou no trabalho.
- criatividade: em qualquer forma de divulgação, use a criatividade para conquistar seus clientes.
Diferenciação
Pesquise frequentemente seus concorrentes, e imagine como você poderá fazer algo inovador, diferente. A diferenciação é necessária para se obter uma vantagem competitiva. A melhor forma de planejar a diferenciação é fazer uma lista de prós e contras dos seus concorrentes, e comparar com o seu negócio. Analise as informações e veja o que você pode fazer melhor.
Trabalhe sempre com honestidade, respeitando os seus clientes, seus concorrentes, e seus objetivos e ideais. O autor Robert Collier definiu sucesso como “a soma de pequenos esforços, repetidos o tempo todo.” Portanto, acredite no seu negócio, e trabalhe duro para fazer tudo com qualidade.
Fonte: Escola de Bicicleta
A forma mais tradicional de se montar uma roda para a bicicleta é usando uma câmara de ar como elemento intermediário entre o pneu e o aro. Essa pode parecer a única maneira, porém, é possível montar também rodas sem câmara e já existem também pneus com elementos sólidos de borracha que substituem a câmara e nem mesmo precisam ser inflados! Para completar, existem também os pneus tubulares, onde a câmara é costurada no próprio pneu e não pode ser removida.
A câmara é um dos componentes da bicicleta que mais passa desapercebido, mas nem por isso deixa de ser importante.
Algumas coisas que devem ser vistas antes de comprar uma nova câmara são:
Tamanho (diâmetro)
Quando se fala em tamanho, normalmente refere-se ao diâmetro. Aqui não tem o que escolher: se o pneu e aro são tamanho 26”, a câmara também precisa ser de tamanho 26”. O aro, câmara e pneu devem ser compatíveis. Existem tamanhos padrões de acordo com a bicicleta usada, desde aro 16” nas bicicletas infantis, até as novas 29” que estão surgindo para o MTB.
Assim como existem rodas de diâmetros diferentes, existem também pneus e aros de largura diferentes. Os pneus podem ir da medida 1.0 (speed) até 3.0 (MTB downhill). A câmara deve ter uma faixa de largura recomendada para o tamanho do pneu, para evitar que expulse o pneu do aro (no caso de câmara mais larga) ou que a parede fique muito fina e frágil depois de inflada (no caso da câmara mais fina). Esse número vem marcado na câmara ou na embalagem, algo como: 1.9 a 2.5, por exemplo, que seria uma câmara que serve para pneus de largura 1.9 a 2.5.
A válvula também pode ser de dois tipos: Schrader (bico grosso, como as de carro) e Presta (bico fino). A vantagem da válvula grossa é que é mais comum, que pode encher nos postos de combustível sem nenhum problema e algumas bombas são compatíveis apenas com elas. As válvulas Presta, por outro lado, são bem mais fáceis de encher com uma bomba de mão ou de pé (oferecem menos resistência para a entrada do ar). Uma observação importante é saber se o aro tem o furo da válvula compatível com o tamanho desta. Alguns aros finos não tem o furo da válvula largo o suficiente para encaixar uma válvula grossa, para não comprometer sua resistência. Existem também adaptadores de bico fino para bico grosso, mas a calibragem com bombas automáticas e com o adaptador, nem sempre é precisa.
Para quem busca maior performance, o peso da câmara é um fator a se considerar. Isto porque o peso nas extremidades das rodas é onde mais se sente, uma vez que influencia na aceleração e desaceleração da bike. Nas câmaras comuns, o peso se mantém em uma mesma faixa, porém existem marcas que já oferecem câmaras mais leves, normalmente de um material diferenciado.
Normalmente são feitas de borracha sintética, incluindo o Butyl que é um composto de borracha fácil de remendar e que retem bem o ar. Existem também câmaras de ar de látex, que são mais leves, porém sofrem com muita perda de ar, sendo necessário calibrá-las a cada saída e é quase impossível remendá-las.
Recentemente foi lançada no mercado pela empresa nacional Da Matta, uma câmara produzida com um novo material, que é mais leve que a borracha tradicional, mais difícil de furar e pode ser remendada com um isqueiro, uma grande novidade para 2011.
Também existem algumas câmaras que possuem um líquido selante internamente. Estas evitam que pequenos furos esvaziem o pneu, pois os preenchem instantaneamente. O único inconveniente é o maior peso e preço.
Por Pedro Cury
COLUNA: PALAVRA DO MECÂNICO
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Manutenção da corrente
A manutenção da corrente da bicicleta é um assunto delicado, pois se trata do componente que transmite a força da sua pedalada para a roda traseira. Como ocorre aplicação de força sobre a corrente, ela se desgasta fácil e pode não funcionar adequadamente.
O desgaste varia conforme o clima da região, a proximidade com o mar, o uso na terra ou asfalto, a “delicadeza” nas trocas de marchas, etc.
PODIA SER UM QUADRO
Fique ligado
A corrente não dura para sempre. Troque sua corrente antes que ela danifique outras partes da transmissão
A aplicação de força sobre a corrente está da seguinte forma relacionado com o giro:
Giro maior – a aplicação de força na corrente é menor.
Giro menor – a aplicação de força na corrente é maior.
Você pode verificar o desgaste da corrente em casa, sem a necessidade de ferramentas especiais, embora um medidor de desgaste na mão facilita o serviço. Com uma régua ou trena, em polegadas, faça a medição entre os elos, tendo como referência o pino de ligação do primeiro elo da corrente, e o pino que fica a exatamente 12 polegadas do primeiro.
Se a distância do pino for de até 1/16’’ da polegada 12, a corrente ainda está boa. Conforme o desgaste ocorre, essa distância aumenta.
Se a distância do pino for maior que 1/16’’ da polegada 12, está na hora de trocar a corrente, mas a transmissão, provavelmente, ainda não está danificada.
Se a distância for maior que 1/8’’ da polegada 12, já devia ter ocorrido a troca da corrente. A transmissão começa a ficar comprometida, pois há desgaste dos pinhões e coroas.
Quanto maior a distância, a partir de 1/8’’ da polegada 12, maiores os danos para pinhões e coroas. Neste caso, uma corrente nova vai ficar pulando entre as engrenagens, e a solução é trocar todo o conjunto de transmissão.
Verifique o desgaste da corrente, no mínimo, a cada 300 km, ou a cada 2 semanas de uso intenso.
Escolha um lugar tranquilo
Depois de ajustar a bicicleta à anatomia da criança, encontre um lugar tranquilo sem muito trânsito de bicicletas, “motinhas” elétricas, skates e pedestres. No início pode ser até mesmo um quintal grande ou o playground do prédio ou do condomínio. A presença de muitas pessoas pode inibir seu filho ou filha. Também é importante a criança estar acompanhada de um adulto que lhe transmita confiança.
Corrija erros
Observe a criança pedalando, corrija erros e lembre-a de pedalar sempre e olhar para a frente. Isso é um detalhe muito importante para mais tarde, quando for necessário tirar as rodinhas.
Encontre um capacete do tamanho adequado para seu filho e incentive o seu uso!
Diversão combina com segurança.
Minha Poderosa!
Lian Mateus Peixer Rio do Campo / SC
Eu adoro andar de bicicleta. Todo dia, de manhã, tomo meu café e logo vou andar com uma das minhas duas bikes. Agora, quando chove, eu não posso andar de bicicleta, aí eu fico olhando e lendo a Revista Bicicleta. Meu avô me ensina a colocar os pezinhos na bicicleta, e tirá-los. Eu gosto de colar adesivos na minha bike! Quando estou no computador, eu olho muitas fotos de bicicleta.
Lian Mateus
HISTÓRIA DA FABEX
Em 04 de junho de 2001, iniciava-se a trajetória de sucesso da Fabex Bike. A pequena oficina, na época denominada Good Bike, foi comprada pelos sócios Airton e Luciane Gularte, juntamente com Fabio Bitencourt. Por um apelido do sócio Fabio decidimos mudar o nome da empresa para Fabex Bike e, desde que esta direção assumiu, a pequena oficina cresceu, transformando-se também numa loja trabalhando com uma ampla linha de bikes e acessórios. A loja comercializa hoje marcas consagradas como Caloi, Maxxis, Shimano, Rock Shox e muitas outras.
“Não iremos parar por aí, fica aqui registrado o compromisso de buscarmos sempre o que existe de melhor no mercado para assim atendermos cada vez um número maior de consumidores, sem os quais nossa empresa não teria razão de existir. Não éfácil dirigir uma empresa em expansão. A satisfação vem pela aprovação que recebemos dos clientes. São muitas manifestações de carinho que nos motivam a buscar o melhor”, afirmam os sócios.
Em maio de 2009 foi inaugurada a primeira filial. Esta loja tem a participação de um novo sócio, Rodrigo Medeiros que dirige esta unidade na cidade de Campo Bom, RS. Atualmente a loja trabalha, também, com bicicletas elétricas que estão respondendo muito positivamente na aceitação por parte de nossos clientes. Além disso, a Fabex Bike continua promovendo passeios ciclísticos, pedaladas noturnas todas as quintas, onde nasceu o grupo “blitz do pedal”, além de lindos passeios e trilhas nos finais de semana.
“Acreditamos que a bicicleta tem um papel fundamental para o meio ambiente e saúde de seus usuários. Por experiência própria, nós não pedalávamos no passado, e a partir do momento que começamos a pedalar para conhecer melhor o setor de bikes, não paramos mais. A companhia da bicicleta virou uma paixão”.
Fabex Bike Esteio
Rua 24 de Agosto - 1617- centro - 51-3473-3114
Fabex bike Campo Bom
Rua dos Andradas - 725 - centro - 51-3598-7079
Site: www.fabexbike.com.br
PISA TREKKING
A Pisa Trekking nasceu de um sonho. Um professor de geografia, que vivia suas próprias aventuras com amigos e também levava os seus alunos para descobrirem esse "mundo novo", sonhava em compartilhar essas sensações e emoções com mais pessoas.
Essa oportunidade surgiu em 1987 quando, inspirado pelas aventuras vividas com seus amigos no clube P.I.S.A. (Programa de Índio Sociedade Alternativa) e também com seus alunos, criou a Pisa Trekking. Era como se cada viagem fosse uma extensão de suas aulas, ou o contrário. Esse clube, que foi a origem de tudo, mais que uma inspiração, era um estilo de vida. A cada viagem realizada, uma sátira. Se metiam em tantas "roubadas" e situações difíceis que os próprios se denominavam "tigrões". Alguma semelhança com a pata da nossa logo?
CHAMADA: Pensar que em 1987, quando a Pisa foi criada, ecoturismo era uma palavra que ninguém usava!
Para muitos, esses jovens eram loucos, aventureiros, amantes da natureza e bichos do mato. Não imaginavam que por trás dessas figuras existiam homens e mulheres que se transformariam em professores, médicos, administradores, empresários, advogados e até juiz de direito, como é o caso do mentor do clube, Marcelo Fairbanks Uhlendorff. A PISA é o fruto de diversas histórias de cada um desses tigrões. Muitas pessoas importantes deixaram suas pegadas: Marcelo " Marajá " Uhlendorff (vice-presidente e mentor do clube), Roberto Zuanella (Presidente), Luis Henrique " Morgue " Fairbanks (diretor de atividades Kamikases), Agnaldo José Gomes (ex-aluno e 1º funcionário da PISA), Norma Dryzun (1ª administradora da empresa), Andrezão, Marcelo " Coringa", Roger Drumond, Mandrake, Renatão, Paulo Flig, Denise Santiago e tantos outros que participaram da história de um clube de "loucos" que se transformou em uma reconhecida empresa de Turismo e Aventura.
Hoje em dia a Pisa opera mais de 200 roteiros, na América Latina, Europa, África e Ásia. Por ano, aproximadamente 800 pessoas embarcam para destinos internacionais. Neste grupo, Machu Picchu, Patagônia, África e Deserto do Atacama lideram as saídas internacionais da Pisa. Uma conquista advinda de muita experiência, muitas viagens e muita história na bagagem. Para destinos nacionais, embarcamos mais de 1500 pessoas anualmente, que através do trekking descobrem a natureza e interagem com os destinos ecoturísticos. E para não esquecermos as origens, operamos estudos do meio: mais de 1500 alunos de 15 diferentes escolas viajam conosco todos os anos, aprendendo na prática a teoria dada em sala de aula.
Nestes anos, o conceito de turismo de aventura evoluiu muito. Para acompanhar este novo mercado, ampliamos as ofertas de modalidades de roteiros: você pode escolher entre uma travessia de Parque Nacional no trekking, um safári no Pantanal de bike ou uma remada por Parati em caiaques oceânicos. Padronizamos nossas operações, garantimos que os clientes saiam segurados para cada viagem. Crescemos e desenvolvemos nossos produtos e serviços e diversificamos nossa linha de atuação: hoje oferecemos viagens de incentivo e motivação para empresas, viagens de crescimento pessoal para pessoa física, além de treinamento ao ar livre.
Desde 2006 optamos por oferecer mais um tipo de atividade aos clientes além do trekking, escolhemos a bicicleta para incluir em nossas aventuras. São diversos roteiros no Brasil e também no exterior. Você pode escolher entre um mountain bike na Chapada Diamantina ou um cicloturismo pelos castelos do Vale do Loire, na França.
Consulte-nos e conheça todas as opções de viagens de bicicleta.
www.pisa.tur.br
BICICROSS
Na cidade de Santa Ana, localizada no sul da Califórnia, em um local chamado Palm Park, um grupo de garotos imitava seus ídolos do Motocross, com suas famosas Schwinn Sting Ray – pequenas bicicletas, semelhantes às motos Choopers – o BMX acabava de nascer.
O Bicycle Motocross ou BMX Race é uma modalidade do ciclismo, praticado em uma pista de terra, com obstáculos e curvas artificiais, que simulam uma pista de Motocross, por pessoas de todas as idades – crianças de 4 anos até adultos de 60 anos ou mais. Neste esporte são utilizadas bicicletas aro 20 polegadas. A competição é de velocidade, onde os pilotos disputam entre si, e vence quem cruza a linha de chegada em primeiro.
Há relatos de que os holandeses já praticavam o Bicicross na década de 50. Mas foram os norte-americanos, no final dos anos 60, que o desenvolveram, e deram um novo formato, criando a sigla BMX- junção da palavra Bicycle (B) e a abreviação do termo Motocross (MX). Logo a brincadeira dos garotos de Santa Ana se espalhou por toda a Califórnia, e novos modelos de bicicletas foram criados e adaptados.
Em 1970, um documentário sobre Motocross, chamado “On Any Sunday”, mostrava garotos pedalando em pistas e trilhas. Este documentário tornou o BMX conhecido em todos os Estados Unidos, e começaram a surgir as primeiras bicicletas fabricadas especialmente para a prática do novo esporte.
Dos Estados Unidos, o esporte foi para a Europa (Holanda, França, Bélgica e Inglaterra), ainda na década de 1970. Depois, Austrália e América do Sul, onde se criou o termo Bicicross. Há relatos que apontam o Brasil como pioneiro. A fábrica Monark criou a BMX Super - a primeira bicicleta específica para a prática do Bicicross, e se alega que a primeira pista da América Latina foi criada em São Paulo, capital, em 1978.
Logo surgiram as primeiras competições. Scott Breithaupt organizou as primeiras corridas, criando a B.U.M.S (Bicycle United Motocross Society). Em 1974 foi criada a NBL (National Bicycle League), e em 1977, a ABA (American Bicycle Association), que são entidades que perpetuam até hoje, organizando campeonatos norte-americanos. Ainda em 1974, foi organizada uma grande corrida em Los Angeles – Califórnia, no estádio Coliseum, televisionada ao vivo para todo o país.
Em 1979, foi criado o primeiro torneio mundial – Jag World Champion – nos Estados Unidos. Depois, surgiu a primeira liga mundial- IBMXF (International Bicycle MotoCross Federeation), com sede na Europa. No ano seguinte, a Caloi lançou a revolucionária Caloi Cross, construindo, inclusive, uma pista. Em 1980, a Monark ministrava cursos de pilotagem, sob o comando de Orlando Camacho, e em fevereiro de 1981, criou e organizou o primeiro campeonato para bicicletas (off-road) no Brasil.
No início dos anos 80, o filme australiano “BMX Bandits”, com a atriz Nicole Kidman, na época com 15 anos de idade, no papel principal, e as películas norte-americanas E.T, Selvagens Cães de Guerra e R.A.D (que chegou no Brasil com o título de Cru Jones – a Fera do BMX), divulgou ainda mais o esporte pelo planeta. No Brasil, a novela Vereda Tropical (Rede Globo), e o filme Os Trapalhões e o Mágico de Oróz, mostravam cenas de BMX.
De São Paulo, o Bicicross seguiu para Minas Gerais e para o sul do Brasil. Hoje, existem praticantes em todo o território nacional. Mais de 20 brasileiros são campeões mundiais de BMX. O primeiro foi o catarinense Adriano Medeiros, em 1986. A gaúcha Cristina Krindges é a recordista em títulos (tricampeã), e o mundial de 2006, disputado em São Paulo – SP, teve 7 brasileiros campeões em diversas categorias (Benedito Teodoro, Allan Duarte, Agatha Galvão, Joana Correia, Bianca Quinalha, Mayara Perez e Márcio Ataíde).
Atletas profissionais norte-americanos, destaques das últimas décadas
1970/1980 - Stu Thomsen e Greg Hill
1990 - Gary Ellis
2000- Kyle Bennett, Bubba Harris, Randy Stumpfhauser
2010 - Maris Stromberg – primeiro campeão olímpico da história do BMX.
No Brasil, no início da modalidade, destacaram-se Eduardo Ramires, Osvaldo Santos (Osvaldão), Nilton Costa, Pedro Andrade, Christian Fittipaldi, Eduardo Campos (Oklinhos), Marcos “Chokito” Santos, Deivlin “Turbo” Balthazar, Gerson Krindges, Ana Flávia Sgobin, Feliz “Kiko” Alves, Renato Silva, entre outros. Atualmente, vários atletas estão fazendo bonito em competições pelo mundo inteiro: Mauro Aquino, Renato Rezende, Leandro Dal Farra, Mayara Peres, entre outros. As mulheres, cada vez mais, estão praticando BMX, desde a base com 5/6 anos, até profissionais a partir de 19 anos.
O Bicicross teve sua febre, no Brasil, nos anos 1980. Hoje em dia as fábricas investem em quadros e equipamentos, mas a mídia esqueceu um pouco desta modalidade. Mesmo assim, ele é conhecido e praticado por inúmeros atletas, em vários campeonatos municipais, estaduais e nacionais, e há muitos competidores brasileiros nos representando fora do país. Os títulos mundiais mais recentes são de Domingos Lamoglia – Cruiser 40/44, e Renato Rezende – Elite Cruiser, ambos no mundial deste ano, disputado em julho, na África do Sul.
CLARO BRASIL RIDE
“A Claro Brasil Ride está, sem dúvida, entre as melhores ultramaratonas do planeta” (Adriana Nascimento)
A Chapada Diamantina, na Bahia, tem uma magia especial, em suas paisagens maravilhosas. A expectativa em realizar um evento de excelência em qualidade, infraestrutura para os competidores, familiares e imprensa, envoltos por um cenário tão bonito, fizeram o sucesso da Claro Brasil Ride – a principal ultramaratona de MTB do continente.
Foram 6 dias de mountain bike: de 14 a 19 de novembro de 2010, por 565 km de um cenário maravilhoso, e 11.310 metros de subidas acumuladas. Cerca de 250 ciclistas de 12 países – Brasil, Portugal, Espanha, Itália, França, Alemanha, Suíça, República Tcheca, Nova Zelândia, Estados Unidos, Canadá e Colômbia, deram ainda mais peso à estreia da Claro Brasil Ride, consolidando o evento como a principal ultramaratona de MTB do continente.
O percurso realizado no domingo, dia 14 de novembro, que abriu o evento com 13 km ao redor de Mucugê/BA, teve um pouco de tudo: pedras, areia, rio, enfim, um verdadeiro aperitivo do que viria a seguir. As formações rochosas, cachoeiras e todas as outras belezas naturais da Chapada, aliadas às pessoas incríveis do lugar, que prestigiaram a competição, tornaram tudo mais bonito.
“O evento foi impecável!”, disse Giancarlo Clini,que correu sua primeira prova de ultra-resistência na carreira. O formato da competição, que foi disputada em duplas, a logística e o conforto disponíveis nas bases do acampamento foram diferenciais que garantiram o sucesso absoluto na Chapada Diamantina. As cidades de Mucugê e Rio de Contas, hospitaleiras como sempre, tiveram uma trégua do calor forte característico do clima semi-árido da região, e a chuva frequente refrescou a pedalada.
“Entre todas essas principais provas mundiais de ultramaratona, como TransAndes, Transrockies, entre outras, a Claro Brasil Ride está, sem dúvida, entre as melhores do planeta, devido à organização, nível de atletas e percurso”, disse Adriana Nascimento, que tem 20 anos de MTB, venceu o Transrockies neste ano e finalizou a competição na Chapada Diamantina em Top 5 na categoria mista.
CHAMADA NA FOTO: O formato da competição, que foi disputada em duplas... foi o diferencial que garantiu o sucesso absoluto na Chapada Diamantina
Nos quatro primeiros dias, os ciclistas percorreram singletracks longos e de qualidade. O Vale do Melado tornou-se um obstáculo, pela dificuldade, e ao mesmo tempo um prêmio, pelo visual divino. No último dia de competição, com percurso de 98,5 km, houve muitas surpresas. No masculino, a etapa foi vencida pelos brasileiros Ricardo Pscheidt e Gilberto Góes, após incidente com a dupla Robert Novotny e Lukas Kaufmann, que sofreram uma queda a menos de 2 km da linha de chegada. Pscheidt, que em outubro foi tricampeão da Volta a Santa Catarina, garantiu o Top 3 para o Brasil na classificação. “Lutamos bastante nesta prova, conquistamos boas posições, e hoje, finalmente, conseguimos uma grande vitória”. Os jovens Lukas Kauffman e Andy Eyring ficaram com a segunda colocação na etapa, seguidos pelos suíços Martin Gujan & Cristof Bischop, que garantiram a segunda colocação na classificação geral.
A dupla Robert Novotny & Kristian Hynek, da República Tcheca, na categoria Open (masculina), que já havia conquistado uma grande diferença desde a 2º etapa, administraram o resultado e garantiram o título. Ivonne Kraft & Celina Carpinteiro (Alemanha/Portugal) duelaram até o final com a dupla brasileira Janildes Fernandes Silva & Julyana Machado, e levaram o título, invictas nas 6 etapas. A dupla brasileira feminina comemorou a segunda colocação geral.
A terceira colocação na etapa e na geral ficou com a equipe Latin Ladies, Sandra Araujo e Lorenza Menapace. Na categoria mista, surpresa com a vitória, na etapa, de Damian Perrin e Renata Bucher. Mas Jennifer Hopkinson-Smith e Brian Smith (EUA), que venceram 5 das 6 etapas, conquistaram o título. Na categoria master, Abraão Azevedo & Plínio Souza administram a boa diferença conquistada nas etapas anteriores e fizeram uma prova segura. Eles ajudaram os brasileiros Cesar Almeida e Paulo Freitas a garantir a dobradinha brasileira no pódio, deixando a equipe do francês Alberto Geonimi e Rudney Vilanova na terceira colocação.
Mais do que uma competição, uma etapa da sua vida
O trabalho em equipe foi determinante para realizar este grande desafio, que exigiu sintonia, parceria, amizade e solidariedade entre as duplas. “Correr em dupla exige que um atleta entenda o outro. Exige evolução espiritual e crescimento como ser humano”, disse Sérgio Henrique Lobo, 35 anos, que correu com seu primo, e treinou apenas 3 meses para essa prova.
“O desafio de correr em dupla é bem maior, as etapas são longas, passamos dificuldades, por isso é muito bom ter um parceiro para administrar tudo isso. Tem que saber dosar o ritmo, cuidar um pouco do outro”, comentou Adriana Nascimento, parceira de Rogério Pires. Mário Roma, organizador do evento, demonstrando que também vivenciou esse espírito de parceria, valorizando cada atleta que fez a Claro Brasil Ride acontecer, comentou: “ao fim de todas as etapas, mesmo debaixo de chuva, até a entrega das medalhas, sempre estive de pé, cumprimentando cada competidor, do primeiro ao último.”
Com esse espírito de superação, alegria e amizade a Claro Brasil Ride, com patrocínio da Claro, Mitsubishi Motors, Shimano e TAP Portugal, espera os competidores entre os dias (MARIO ROMA PASSOU UMA NOVA DATA), para mais uma aventura inesquecível pelas trilhas da Chapada Diamantina/BA.
Resultados
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Nome 1 |
Nome 2 |
Categoria |
Equipe |
Prologo |
Etapa 2 |
Etapa 3 |
Etapa 4 |
Etapa 5 |
Etapa 6 |
Total |
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ROBERT NOVOTNY |
KRISTIAN HYNEK |
OPEN/GERAL |
FREE CYCLING/FACTOR BIKE/REP. TCHECA |
00:32:30 |
06:41:38 |
03:46:29 |
04:47:20 |
04:59:34 |
03:40:28 |
24:27:59 |
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JENNIFER HOPKINSON-SMITH |
BRIAN SMITH |
MISTA |
TO BE DECIDED/ESTADOS UNIDOS |
00:37:22 |
07:42:51 |
04:18:01 |
05:33:59 |
05:37:13 |
03:59:33 |
27:48:59 |
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ABRAAO AZEVEDO |
PLINIO SOUZA |
MASTER |
AZ MASTERS/BRASIL |
00:38:05 |
07:49:33 |
04:23:03 |
05:45:30 |
05:44:34 |
04:06:45 |
28:27:30 |
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IVONNE KRAFT |
CELINA CARPINTEIRO |
FEMININO |
BIONICON / LOULE/PORTUGAL |
00:41:52 |
08:21:26 |
04:46:03 |
05:57:32 |
06:07:57 |
04:06:18 |
30:01:08 |
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4º DESAFIO MÁRCIO MAY
A força e a união do ciclismo catarinense, em um desafio onde todos são vencedores.
Por Anderson Ricardo Schörner
Rio do Sul – SC
28/11/2010
O maior desafio que um homem pode enfrentar é superar a si mesmo. Com a magia que a bicicleta tem, que proporciona interação e aproximação, o 4º Desafio Márcio May de ciclismo de estrada e mountain bike foi marcado pelas múltiplas vitórias pessoais, compartilhadas num evento de emoção, alegria e união. O Desafio aconteceu no dia 28 de novembro, com largada e chegada em Rio do Sul, passando por Lontras e Presidente Nereu, em Santa Catarina.
CHAMADA: “Em comum, a paixão pela bicicleta, não apenas em forma de competição, mas como estilo de vida”.
Profissionais, amadores, juvenis, masters com mais de 60 anos. Em comum, a paixão pela bicicleta, não apenas em forma de competição, mas como estilo de vida. Histórias entrelaçadas, misturando-se em conversas antes da largada, durante a prova e depois da linha de chegada. Todos juntos. Cada qual com seu próprio desafio.
O grande número de participantes tomou a Alameda Aristiliano Ramos, em frente ao Posto Seola, que gentilmente acolheu expectadores e ciclistas. O prefeito de Rio do Sul, Milton Hobus, deu as boas-vindas a todos que vieram visitar a cidade para acompanhar ou participar do Desafio. “A cidade de Rio do Sul está muito feliz por receber a todos. O ciclismo faz parte da história da nossa cidade. Nossa empresa, a Royal Ciclo, também está feliz por terem atendido o chamamento do Márcio May para este Desafio.”
Márcio May, organizador do evento, ciclista catarinense que representou o Brasil em jogos olímpicos e conquistou várias medalhas defendendo a seleção brasileira, relatou que "cada pessoa vem com seu próprio desafio. Alguns vêm para ganhar e alguns para conseguir terminar a prova. Para muitos, o desafio é subir a serra pedalando. A prova tem classificação e pódio, mas muita gente vem aqui para ganhar do amigo ou do colega de trabalho.”
Pontualmente às 08h30min, largou o pelotão do ciclismo, que percorreu 84 km de um percurso com serra de 1.170 m de desnível acumulado, e inclinação das subidas de até 18%. Murilo Fischer, catarinense de Brusque, da Team Garmin – Transitions, completou o percurso em 02:21:48, meia bicicleta à frente de Soelito Gohr, também de Brusque, que defende a equipe de São José dos Campos. Soelito, que competiu com a camisa de campeão mundial na categoria paraolímpico, já havia conquistado o Desafio Márcio May em 2008. O uruguaio Ramiro Cabrera ficou em terceiro, com Everson Assis Camilo em quarto e Ricardo Pscheidt em quinto, completando o pódio. “Acho que o Desafio não tem intenção de ser uma competição. Cada participante tenta melhorar a cada ano. As pessoas vêm para tentar se superar, e o percurso é ideal para isso pois exige bastante preparo físico. Quem faz o percurso todo enfrenta uma subida difícil; é um desafio realmente”, afirmou Murilo Fischer, atual campeão brasileiro de resistência, e vencedor da categoria ciclismo de estrada do Desafio.
Sarah Klein, de Joaçaba – SC, foi a campeã entre as mulheres que percorreram os 84 km. A riossulense Andréia Martins foi a vice-campeã e Maria Salete Waltrick, campeã em outras edições, chegou em terceira.
Depois foi a vez do mountain bike largar para enfrentar um percurso de 60 km. Em 01:49:46 Diego Roberto Gabrislosviski, paranaense de União da Vitória, cruzou a linha de chegada e conquistou o bi-campeonato. “A parte mais difícil foi a montanha. O pelotão vinha unido e quando chegou na montanha espalhou. Foi igual ao ano passado. Eu estava em segundo lugar no final da montanha, encostei no primeiro atleta, consegui uma fuga e cheguei em primeiro”, afirmou Diego, que também elogiou o alto nível do Desafio Márcio May: “O Desafio tem cada vez mais atletas, e o pessoal que corre aqui não desanima, ano que vem está aqui de novo.”
CHAMADA: “O Desafio tem cada vez mais atletas, e o pessoal que corre aqui não desanima, ano que vem está aqui de novo.” (Diego)
Elson Alex Gracioli (Athletic Shoes), de Rio do Sul, venceu a categoria 35-39 anos, e ficou em segundo na geral do mountain bike. Tânia Clair Pickler, de Indaial, foi novamente a campeã no MTB, completando os 60 km em 02:12:43. Clara Gerusa Martins (Riomaq), de Rio do Sul, venceu novamente a categoria MTB master e ficou em segunda na geral feminina.
A categoria light largou às 08h50min, tendo um percurso de 46 km pela frente. Jean Carlos Baron, de Guabiruba – SC, foi o primeiro a cruzar a linha de chegada em 01:11:25. Destaque para a categoria Tandem, que teve sua estreia no Desafio. A categoria contou com 4 duplas inscritas, e os vencedores foram Walmor Giovanella e Luciano Tuncek, de Taió – SC. Giovanella tem 59 anos de idade, e Luciano, seu parceiro na Tandem, é deficiente visual. Muito emocionada, a mãe de Luciano entregou o troféu ao filho vitorioso.
Tanto os profissionais como os amadores que participaram do Desafio têm uma ligação interessante com a bike. Dalila Soares, de 68 anos, ciclista de Balneário Camboriú – SC, destacou os benefícios da bicicleta em sua vida: “a bicicleta para mim é tudo. Pedalar é muito bom, e nos ajuda a envelhecer com saúde. Enquanto eu tiver forças, não vou parar de pedalar, e aconselho para todas as pessoas: tenham esse hábito. Ano que vem, com certeza estarei aqui de novo.”
CHAMADA: “A bicicleta para mim é tudo. Pedalar é muito bom, e nos ajuda a envelhecer com saúde. Enquanto eu tiver forças, não vou parar de pedalar, e aconselho para todas as pessoas: tenham esse hábito. Ano que vem, com certeza estarei aqui de novo.” (Dalila Soares)
Márcio May reforçou a importância do evento para Rio do Sul e região. "O evento cresceu bastante, superando a edição do ano passado em mais de 130 inscrições. Esse ano foram quase 600 participantes. Todos os hotéis da cidade ficaram cheios para acomodar os ciclistas, suas famílias e apreciadores do evento. Os restaurantes lotaram. Acho que o evento traz bastante coisa boa para a cidade.”
Mas a principal característica do Desafio foi a interação e a alegria. Figuras simpáticas, mesmo na subida da montanha, acenavam para as câmeras e se divertiam enquanto pedalavam. O evento se consolida como uma grande festa do ciclismo, um ponto de encontro para atletas, família e amigos. “A principal ideia do Márcio May é proporcionar uma grande festa, uma confraternização que une atletas profissionais com pessoas que só andam de bike no final da tarde. Até o pessoal que não pedala vem participar. Então é um evento importante não só para o ciclismo, mas como incentivo para as pessoas continuarem na ativa. É um dia de alegria”, comentou Murilo Fischer.
“Nas provas desse estilo, em São Paulo, com uma população de milhões de pessoas, largam cerca de 900 participantes. Acredito que trazer quase o mesmo número de atletas aqui em Rio do Sul é um sucesso. Estamos fazendo o possível para melhorar. Podemos dizer que agora o Desafio chegou em um nível bom, é uma competição de grande porte, e vamos precisar de mais patrocínio para aumentar a infraestrutura”, comentou Márcio May, ressaltando o crescimento do evento, tanto em número de atletas como em importância para o ciclismo catarinense. “É bom participar deste Desafio, que demonstra a união e a força dos ciclistas catarinenses. Isso aqui é um encontro, uma confraternização, uma finalização do ano. Nós não estamos aqui por que a equipe pediu, ou por causa do compromisso com o patrocinador. É puramente emoção e gratificação. É uma alegria estar aqui. Nós, atletas profissionais, nos unimos com os ciclistas amadores, conversamos e nos sentimos todos iguais. 570 pessoas é uma coisa incrível”, relatou Soelito Gohr, que demonstrou grande satisfação em estar novamente em Santa Catarina e rever amigos que há tempos não via.
Soelito também demonstrou sua admiração por Márcio May. “Ele está de parabéns. Acho que é uma vitória para ele também, e uma recompensa pela história dele, pela ajuda e por tudo que ele fez pelo ciclismo. Eu corri muitos anos com o Márcio, e ele é um espelho para muita gente. Acho que o principal objetivo, como ciclista profissional, deve ser o de incentivar outras pessoas a praticarem o ciclismo, contribuir com a evolução do esporte, e interagir com amigos e família. Nós participamos desse evento por que realmente gostamos de estar aqui. Ganhando ou perdendo, todo mundo está feliz. Até quem não pedala participa, ajuda a trocar um pneu, vira técnico. Então é legal ter esse evento aqui em Santa Catarina, organizado pelo Márcio, que também é catarinense, e nesse momento de final de ano, poder reencontrar amigos e desejar um feliz ano novo significa encerrar o ano com chave de ouro.”
CHAMADA: Acho que o principal objetivo, como ciclista profissional, deve ser o de incentivar outras pessoas a praticarem o ciclismo, contribuir com a evolução do esporte, e interagir com amigos e família. Até quem não pedala participa, ajuda a trocar um pneu, vira técnico.” (Soelito)
O bom público que prestigiou o evento também fez parte da festa. Era comum ver crianças passeando com suas pequenas bicicletas, admirando seus atletas-ídolos, que nesta competição podia ser tanto profissionais mundialmente conhecidos, como seus pais e familiares. Além disso, os inscritos doaram alimentos ou fizeram doações em dinheiro que foram recebidos pelo Lar das Meninas de Rio do Sul. Foram arrecadados R$ 1.716,95 em dinheiro e 1.663 kg de alimentos, demonstrando a capacidade do esporte em ajudar as causas sociais.
Com um trajeto bonito e o grande número de inscritos, o Desafio Márcio May coloca Rio do Sul no mapa das grandes competições desse gênero.
GP RAVELLI DE MARATONA MTB
No dia 17/10/2010, foi realizada em Itu – SP, no Parque Varvito, a última etapa do GP Ravelli de Maratona MTB. A competição foi disputada em 3 etapas, e contou com atletas de alto nível do MTB nacional.
Marcio Ravelli, 11 vezes campeão brasileiro de MTB, e 3º lugar no mundial master de MTB deste ano, categoria 35-39, foi o responsável pela organização do evento, e provou que, além de campeão nas pistas, é muito competente fora delas também.
Cerca de 400 competidores desfrutaram dois percursos de 50 km (Pro) e 25 km (Sport). Paisagens exuberantes pelas estradas rurais dos municípios de Itu e Porto Feliz, no interior paulista, revelaram um trajeto rápido e desafiador. A bela manhã ensolarada revelou outro ponto forte do GP Ravelli: o grande número de mulheres que participaram desta etapa, mostrando que elas estão se interessando cada vez mais pelo esporte.
Confira os resultados
Etapa Itu-SP
Elite MTB masculino
1 1:42:02 - Orlando Alves Silva - Ciclo Ravena / Marin Bikes - Campo Limpo Pta SP
2 2:22:48 - Luiz Felipe Contini Flores – Avulso - Osasco SP
3 3:16:24 - Renato Vicente - PM Caratinga / Comel / Academia - Caratinga MG
Elite MTB feminino
1 2:05:48 - Lais Saes - Scott Contessa / Yamabike - Indaiatuba SP
2 2:16:46 - Roseli de Souza - Fisk / Saúde Já / Resol / Gios / DKS - Ribeirão Pires SP
3 2:21:27 - Luana Machado - Specialized / Hora Blush - Lagoa Vermelha RS
Classificação final do GP Ravelli – disputado em 3 etapas
Elite MTB masculino
1 Orlando Alves Silva - 54
2 Daniel Carneiro - 26
3 Valdeci Pereira - 25
4 Joseilton da Silva Gomes - 23
5 Rubens Donizete - 20
6 João Paulo Firmino - 20
7 Ricardo Aparecido Xavier - 15
8 Juliano da Silva - 15
9 Ricardo Pscheidt - 13
10 Alexandre H. Azevedo - 13
Elite MTB feminino
1 Lais Saes - 40
2 Luana Machado - 35
3 Manuela Vilaseca - 34
4 Telma Cerqueira - 30
5 Tamara Pezoti - 24
6 Adriana Barbosa - 24
7 Luiza Cerqueira - 21
8 Gisele Tilgner - 20
9 Ana Paula Barbosa - 18
10 Roseli de Souza - 17
TOUR DO BRASIL/VOLTA CICLÍSTICA DE SÃO PAULO
O Brasil mais próximo da olimpíada de Londres
O paranaense Gregolry Panizo, fã de Lance Armstrong, começou a competição discretamente. No contra-relógio, sua especialidade, teve a infelicidade de um pneu furado, e acabou aquela etapa na 11º posição. A superação veio na montanha: uma subida para o topo do pódio.
De 16 a 24 de outubro, aconteceu a sétima edição do Tour do Brasil/Volta Ciclística de São Paulo, que percorreu mais de 1.000 km, em 55 cidades do estado de São Paulo. Gregolry Panizo (DataRo) brilhou na penúltima etapa do Tour (Pindamonhangaba até Campos do Jordão), superando um duríssimo trecho de subida, e assumiu a liderança da prova. Antonio “Tonho” Nascimento (Santos) venceu a última etapa, mas Panizo administrou a corrida, e fez o suficiente para ganhar a competição. "Entrei nesta etapa com o pensamento de administrar o resultado e chegar junto com o pelotão. Deu tudo certo e agora quero comemorar muito com a equipe e minha esposa Valéria", contou o primeiro bicampeão da prova, que terminou o percurso de 50 km, entre Jundiaí e São Paulo, a 2 segundos de Antonio Nascimento.
Hernandes Quadri Júnior, técnico da DataRo, comemorou muito o título. "Estou muito satisfeito com nosso trabalho, que resultou no título individual e por equipes. A minha felicidade pelo título do Panizo é a mesma de quando eu competia”, disse o treinador de 42 anos, que encerrou a carreira de atleta em 2008.
O argentino Edgardo Simon, da equipe de Pindamonhangaba, foi o bicampeão por pontos, e mostrou grande regularidade. "O nível da competição foi muito alto, com equipes estrangeiras fortes. Obviamente que o objetivo era a classificação geral, mas também é muito importante essa vitória por pontos. Estou feliz com o bicampeonato", assinalou. Sua equipe foi vice-campeã geral individual, com Magno Nazaret, e vice-campeã por equipes. "Foi uma corrida ótima para nosso time. Conseguimos vitórias em cinco etapas e o saldo final foi positivo. Terminar em segundo lugar é um feito importante para nós", enfatizou o ciclista, único a ganhar duas etapas neste ano - a primeira (Prudente a Assis) e a sétima (Atibaia a Pindamonhangaba).
Flávio Santos Cardoso, o “Baiano”, da equipe de Pindamonhangaba, foi líder durante cinco etapas do Tour do Brasil. Apesar de ser líder na maior parte da competição, o atleta perdeu a liderança em Campos do Jordão, e finalizou em sétimo lugar. "Fui bem na maior parte do tempo e quero desfrutar dos momentos bons que tive. Costumo dizer que o ciclismo é imprevisível e isso se confirmou mais uma vez. Vou treinar ainda mais, para vencer o próximo Tour", contou o campeão brasileiro de 2009.
O Tour do Brasil/Volta Ciclística de São Paulo, primeira prova válida pelo ranking do continente americano para Londres/2012, permitiu posicionar o Brasil entre os mais bem colocados. Os ciclistas nacionais dominaram a pontuação considerada pela UCI – os três primeiros de cada etapa, e o líder geral de cada fase, além dos oito primeiros colocados na classificação final individual. Dos 321 pontos distribuídos pelo Tour, 219 (68%) ficaram com o Brasil.
"O resultado final do Tour não poderia ser melhor. Conseguimos somar importantes pontos e ainda teremos, até agosto de 2011, mais seis provas no país válidas pelo ranking, que ajudarão nossos ciclistas a garantir boa posição na classificação das Américas, que definirá a ida para os Jogos Olímpicos de Londres", afirmou Luís Vasconcellos, presidente da Confederação Brasileira de Ciclismo.
QUADRO-
PROVAS QUE SOMARÃO PONTOS NO RANKING DAS AMÉRICAS
*TODAS EM 2011
Giro do Interior de São Paulo – 14 a 18 de março
Volta Ciclística de Gravataí – 13 a17 de abril
Tour de Santa Catarina – 20 a 24 de abril
Volta Ciclística de Paraná – 1 a 5 de junho
Prova 9 de Julho – 9 de julho
Tour do Rio – 27 a 31 de julho
Esta é a prova com maior visibilidade para o ciclismo nacional. "A sétima edição mostrou que o Tour do Brasil está consolidado. Temos hoje várias cidades pleiteando ser sede para 2011, e também patrocinadores identificados com o ciclismo, que já nos acompanham há vários anos, como é o caso do Banco do Brasil, Fisk e Telefônica", contou Thadeus Kassabian, diretor da Yescom, empresa organizadora do evento.
ETAPA A ETAPA
1º etapa - Presidente Prudente / Assis – 129 km – Edgardo Simon - 03h13'33''
2º etapa - Marília / Bauru – 114 km - Hector Figueiras- 2h23'59''
3º etapa - Bauru / São Carlos – 173 km – Flávio Cardoso - 4h23'00''
4º etapa - São Carlos (Contra-Relógio) – 14 km - Magno Nazaret – 00h18'53''
4º etapa - Rio Claro / Indaiatuba - 124,2 km - Alejandro Borrajo - 2h50'19''
5º etapa - Indaiatuba / Sorocaba -58,8 km- Francisco Chamorro -1h19'47''
6º etapa - Sorocaba / Atibaia - 139,2 km- Jeremy Yates - 3h18'49''
7º etapa - Atibaia / Pindamonhangaba – 180,2 km - Edgardo Simon - 4h14'24''
8º etapa - Pindamonhangaba/Campos do Jordão - 62 km - Gregolry Panizo - 1h45'57''
9º etapa - Jundiaí / São Paulo - 50 km - Antonio Nascimento - 1h05'21''
Classificação geral
Gregolry Panizo - Clube DataRo de Ciclismo - 24h56'37''
Classificação por equipes
GRCE Memorial/Pref Santos/Giant - 03h16'07''
Classificação por pontos
Edgardo Simon - Funvic/Marcondes Cesar/Gelog/Pinda – 40
Classificação montanha
Antonio Nascimento - GRCE Memorial/Pref Santos/Giant - 23
FONTE: ZDL
LINHA ETREX NA BIKE
Por Adilson Luiz dos Santos
A linha eTrex é extremamente versátil, portátil, leve, e de grande capacidade. Os valores variam de R$ 450,00 (GPS eTrex H) até R$ 1.250,00 (GPS eTrex Vista HCX). Botões laterais e joystick permitem operar o equipamento usando apenas uma das mãos.
É excelente para uso em MTB, cicloturismo, ciclo-viagem, cidade, etc. Não é indicado para acompanhamento de performance, pois não aceita sensor cardíaco, pedal ou roda. Todos os dados são fornecidos via satélite, através do sistema GPS, com precisão superior aos sensores convencionais.
O GPS eTrex foi lançado há mais de 8 anos. Ele era ruim de sinal, tela de baixa resolução, tinha que ter uma situação bem favorável em nível de captação de sinal para que pudesse ser utilizado. Muitas coisas mudaram. Oito anos em eletrônica é uma “eternidade”. A recepção de sinal ficou bem melhor, podendo operar em matas semi-fechadas, cidade, cânion, etc. Este modelo básico não evoluiu muito no quesito operacional: continua preto e branco, sem capacidade de mapa.
Em contrapartida, na sua linhagem surgiram derivações interessantes, como o eTrex Vista HCX, com alta resolução, slot para micro SD, mapas com capacidade de roteamento, etc. Acompanhe os principais modelos da linha, que estão em evidência, e apresentam bom custo x benefício.
PODE SER UM QUADRO
Nomenclatura
H – high sensitivity: alta sensibilidade à recepção de satélites.
C – color: tela colorida.
X – permite a utilização de memória externa em micro SD card.
GPS eTrex H
Um GPS para quem quer gastar pouco, mas não espera muito desempenho. Sua operação torna-se difícil se não houver um mapa para ajudar a nos guiar. Para navegar através deste GPS, é necessária uma preparação através de waypoints, rotas ou traçado.
É o mais barato, vem sem cabo de dados, utilizando ainda o cabo serial. Para conectá-lo ao computador, é preciso adquirir o cabo. Em um notebook, também é preciso adquirir um conversor serial x USB. Não vem com software Map Source Trip Waypoint Manager.
No quesito operacional, comporta 500 waypoints, 20 rotas, 10.000 trackpoints (pontos do trajeto ativo) e 10 traçados armazenados. Não faz cálculo de área. O GPS mede 11,2 x 5,1 x 3,0 cm, com visor de 2,8 x 5,4 cm, pesa 150 g e possui duas baterias 2A, com capacidade para apenas 17 horas. Seu computador de bordo (dados do deslocamento) fornece informações como velocidade, velocidade máxima, média, hodômetro, altitude, calendário de caça e pesca, informações sobre sol e lua, etc.
eTrex Venture HC
Entre o eTrex H e o eTrex HC e HCX, existem vários outros modelos como o eTrex Venture, eTrex Legend, Summit, Vista, porém o custo x benefício é inviável.
O eTrex Venture HC tem um formato idêntico (ligeiramente menor) ao eTrex H. É um GPS com tela colorida, de brilho intenso, memória interna de 24 MB para inserção de mapas, sistema operacional idêntico ao restante da linha eTrex e da linha Map 76CSX ou Map 60 CSX. Faz cálculo de área, e possui todos os demais acessórios.
Seu preço varia na faixa de R$ 650,00 a R$ 750,00. Acompanha cabo de dados USB e software Map Source Trip Waypoint Manager, que lhe proporciona uma ótima relação custo x benefício.
A capacidade de mapa não é tão boa quanto os outros da linha X, no entanto, cabe um estado como São Paulo, o que é suficiente para uma longa viagem. Quando necessário, muda-se o mapa em alguns minutos, com a ajuda do software que o acompanha. Não tem capacidade de roteamento automático, como os da linha X, mas fica relativamente fácil navegar quando se tem um mapa de fundo com detalhes de interior, como é o caso dos mapas do projeto Track Source.
No quesito operacional, tem capacidade para 500 waypoints, 50 rotas, trajeto ativo com 10.000 trackpoints e memória para 10 trajetos. É o suficiente para uma navegação, mesmo de grande porte, pela facilidade de descarregar os dados e salvar em um computador.
O GPS mede 5,6 x 10,7 x 3,0 cm, e seu visor 3,3 x 4,3 cm. Como os demais eTrex, opera com duas baterias 2A, com autonomia para apenas 14 horas – pouco, se comparado aos HCX, que tem autonomia de 25 horas.
Tem, como função principal, a navegação, e várias funções secundárias, fazendo dele, um verdadeiro canivete suíço:
- Cálculo de área (perímetro).
- Computador de bordo.
- Velocidade, velocidade média, máxima, média em movimento e média total.
- Hodômetro total e parcial.
- Altitude.
- Dados lunares, para caça e pesca, nascer e por do sol.
- Calculadora, cronômetro, etc.
- Bússola do sistema GPS.
- Tela de navegação, com tela mapa, auto-estrada, permite ajustes, formatação de acordo com a necessidade de cada usuário ou de cada momento. Há a possibilidade de deixar apenas o mapa, ou vários campos de dados junto com o mapa, apesar da desvantagem de visualização no caso de divisão da tela.
eTrex Legend HCX
Este GPS tem todas as funcionalidades do Venture HC, e mais os seguintes acessórios:
- Slot para inserção de memory card Micro SD, permitindo grande quantidade de informações de mapa. Você pode ter mapas de todos os países da América Latina e EUA.
- Sistema de roteamento automático, que permite uma navegação baseada em um ponto ou endereço, ou seja, você informa país, cidade, rua e número, e o GPS mostra o melhor caminho. O roteamento automático é totalmente dependente do software utilizado. Literalmente, só falta falar: ele roteiriza, mas não tem comando de voz, informa a aproximação de ações através de alarme sonoro e graficamente com setas destacadas na tela.
Uma ferramenta interessante é a memória do trajeto ativo. A memória interna é a mesma do Venture HC, 10.000 trackpoints, no entanto, uma vez habilitada a gravação do trajeto no memory card, ele terá a capacidade de gravar diariamente até esgotar esta memória, o que pode representar facilmente meses de gravação “full time”.
O preço varia entre R$ 970,00 a R$ 1.050,00.
eTrex Vista HCX
Possui tudo que o Legend também tem, com o acréscimo de:
- Bússola eletrônica, independente do sistema GPS. Permite definir linha de visada e direção, mesmo estando parado, o que não é possível quando se usa o sistema direcional de bússola do sistema GPS. Este sistema eletrônico é suscetível a desvios na presença de campos magnéticos, e tem que estar calibrado para um bom funcionamento.
- Altímetro Barométrico, que permite funções de altimetria com precisão de 1 a 3 metros, contra 10 a 20 m do sistema GPS (o erro de altimetria normalmente é maior do que o de posição). Uma tela a mais que os modelos anteriores permite um acompanhamento em tempo real do perfil altimétrico do terreno. Escalas variáveis com dados X x Y, podendo optar por distância ou tempo no eixo X, e metros ou atm no eixo Y, tornam o GPS muito versátil. Excelente para a prática de esportes aéreos, os dados de altimetria permitem analisar se está subindo ou descendo, e a “razão”, com boa precisão.
O preço varia entre R$ 1.200,00 e R$ 1.300,00.
Geral
Todos os GPS da linha eTrex são à prova de água, na categoria IPX7 (um metro por ½ hora). Foram projetados para uso em esportes de campo em geral, para aguentar “maus tratos”. Para fixação direta no guidão da bike, há o suporte original da Garmin (acessório).
Existe, também, um suporte da RAM Mount, que apesar da aparência do tipo “trambolho”, é muito prático, protege o equipamento contra vibração, e o “case” envolve o GPS. Duas rótulas permitem amplos movimentos para um perfeito posicionamento do equipamento, e no caso de um “chão”, o movimento das rótulas cede, aliviando a pressão do impacto sobre o equipamento.
Atualmente, também há novas linhas de GPS, como a Dakota, com muitas novidades, como tela sensível ao toque (touchscreen), compatível com Garmin Connect, mapas personalizados, câmera (linha OregonT), transmissão de dados via wireless, etc.
O teste do Dakota 20 está sendo realizado, e será assunto para próximas matérias.
RODAPÉ, SEPARADO DO TEXTO.
As matérias desta seção contêm dados simples, diretos e práticos, em linguagem fácil, dirigida a iniciantes e praticantes na “arte de GPS”. A maioria das informações tem origem em testes e no uso prático no dia a dia do autor, que é adepto de esportes outdoor, e utiliza GPS há mais de 17 anos, desde os primeiros que surgiram no Brasil.
SANTIAGO DE COMPOSTELA
Texto e fotos: Luiz Paulo
CHAMADA: Viajar com meu pai era um sonho antigo.
Em abril de 2009, recebi um e-mail do meu pai, Fernando: “Vou a Santiago de Compostela de novo, em setembro”. Foi como um convite. Na hora, pensei: “Vou ter que ir também, não posso perder essa oportunidade”. Viajar com ele era um sonho antigo.
Na expectativa da aventura com meu “velho”, reprogramei minhas férias, preparei meus filhos e minha namorada para a minha ausência, e comuniquei meu chefe. Isso mesmo! Comuniquei meu chefe, pois estava decidido: eu viajaria, e nada, nem ninguém, iria me impedir.
CHAMADA: Em 2006, passei por um momento difícil, com a separação. Conheci o Pedal Noturno DF, fiz amigos, e isso me ajudou muito. A bicicleta fez toda a diferença.
Gostaria de compartilhar a importância da bicicleta em minha vida, antes de contar como foi essa aventura. Em 2006, me separei e saí de casa com meu carro, minhas roupas e minha bicicleta. Eu quase não pedalava, mas conheci o Pedal Noturno DF, onde fiz muitos amigos, e isso me ajudou a superar a separação. Nesse momento, a bicicleta fez toda a diferença.
Os desafios sobre duas rodas estavam apenas começando. Entre passeios e encontros de bicicleta, completei um Audax 200, e logo surgiu a oportunidade de pedalar os mais de 800 km do Caminho de Santiago, na Espanha. A ideia foi dos amigos Walter e Marcelino, dois dos maiores sonhadores e realizadores que já conheci.
Em setembro de 2008, fui pedalar o Caminho com mais 9 amigos. Em maio do mesmo ano, meu pai, sozinho, também tinha percorrido o Caminho de bicicleta. Agora, a história seria outra. Somente eu e meu pai, durante 30 dias de viagem.
Em 1º de setembro de 2009, embarcamos rumo à Europa. Eu, de Brasília, e ele, do Rio de Janeiro. Encontramo-nos em Lisboa – Portugal, e de lá seguimos até Saint Jean de Pied de Port, onde começa o caminho, no território francês, em direção à Espanha. Na bagagem, cada um levou sua bicicleta, e mais 13 kg nos alforjes.
TIRAR ESSA CHAMADA: Na bagagem, cada um levou sua bicicleta, e mais 13 kg nos alforjes. Enfrentamos todo clima possível: frio e vento gelado, calor e sol de rachar.
Logo no primeiro dia, enfrentamos 21 km subindo os Pirineus, com frio e chuva fina. Nossa aventura estava começando. Enfrentamos todo clima possível: frio e vento gelado, calor e sol de rachar. Afinal, cruzamos a Espanha de leste a oeste.
Passamos por locais incríveis, repletos de histórias e coincidências, como Roncesvalles, Pamplona, Los Arcos, Vianna, Burgos, León, Ponferrada, Foncebadón, Cebreiro, Triacastela. Nestes lugares, vimos cenários belíssimos, com vales, montanhas, subidas intermináveis e descidas alucinantes. Nossa média girava em torno de 50 km ao dia, dependendo de onde parávamos para pernoitar.
CHAMADA: Ele, um jovem de 76 anos, me deu a oportunidade de passar 30 dias emocionantes, em um lugar onde “o menino vira homem, e o homem, menino”.
Conforme o planejado, foram 30 dias de viagem, 20 dias de pedal, e 835 km percorridos até chegar a Santiago de Compostela, onde, segundo meu pai, “o menino vira homem, e o homem, menino”.
Chegar à Praça da Catedral de Santiago de Compostela ao lado do meu herói, me lembrou a estrofe de uma música: “... sonhei que estava sonhando um sonho sonhado...”, e era realidade. Chorei. Tive a rara oportunidade de aprender, na prática, o que é ser um bom pai. Ele, um jovem de 76 anos, ciclista diário das praias do Rio de Janeiro, motociclista desde as épocas das lambretas, me deu a oportunidade de passar 30 dias emocionantes, engraçados, às vezes controversos, mas todos inesquecíveis. Deixo um conselho de amigo: faça o mesmo. Aventure-se.
Eu Pedalo
Márcia Lucas
São Paulo - SP
Na infância, eu até havia tido contato com a bike, mas depois perdi o hábito de pedalar. Foi numa viagem de bicicleta, há 15 anos, no Vale do Loire, que o encanto voltou. A ideia da viagem surgiu depois que li um artigo em uma revista estrangeira, sobre cicloturismo, e lá fui com meu marido e um grupo de amigos. Ainda bem que escolhemos o Vale do Loire, que é uma região plana, pois meu preparo físico não era dos melhores. Mesmo assim, a viagem foi maravilhosa, me encantei com a visão e a interação que temos com o mundo a partir de uma bike. Caí de amores pela magrela.
CHAMADA: Caí de amores pela magrela. Pedalar começou a fazer parte do meu dia a dia!
A partir daí, a bicicleta começou a fazer parte do meu dia a dia. Eu morava no Rio de Janeiro, uma cidade maravilhosa para se pedalar. Na minha rotina, inclui uma pedalada matinal antes de começar a trabalhar, pela orla das praias: Leblon, Ipanema, Copacabana... Isso me dava energia para enfrentar todos os desafios do dia com muito bom humor. Chegar ao posto 6, em Copacabana, com a visão de toda a praia com a luz da manhã, o pão de açúcar ao fundo, os pescadores voltando, é um espetáculo.
Minha filha pequena me acompanhava em alguns destes passeios, na cadeirinha, se divertindo com tudo que via. Era de bike também que eu a levava para a escola todos os dias. Além dos passeios e transporte escolar, eu usava a bicicleta para fazer compras e como meio de locomoção em geral.
Nos finais de semana, era de bike que eu explorava outros cantos da cidade, como Paineiras, Grumari, Prainha ou o centro da cidade. Sair do Leblon pedalando, ir ao Museu de Arte Moderna para ver uma exposição e parar em um restaurante no aterro é um ótimo programa também. Ainda faço tudo isso sempre que vou ao Rio!
CHAMADA: Com minha filha Sophie pelas praias de Búzios
Faz 3 anos que mudei para São Paulo, e como o trânsito aqui não é tão favorável ao ciclista, estou incorporando, com cautela, a bicicleta no meu dia a dia. Depois de algumas tentativas, acabei encontrando uma boa rota para ir de bike para o trabalho. Todos os domingos, faço um passeio de cerca de 40 km pela cidade com um grupo de ciclistas muito bacana, o Olavo Bikers. São cerca de 200 a 300 ciclistas por passeio. Esta tem sido uma maneira muito gostosa de conhecer São Paulo intimamente. A cada domingo vamos para um canto diferente da cidade e já conheci muitos lugares que paulistas natos nunca foram.
Espero que São Paulo perceba que pode combater um de seus principais problemas, que é o trânsito caótico, com uma política de incentivo à bicicleta. Para isso, basta criar uma rede de ciclovias e um programa de educação ao motorista para respeitar o ciclista. Quanto mais gente de bike, menos trânsito, menos estresse, mais economia de tempo, melhoria da saúde pública e da qualidade de vida como um todo!
Viajo com frequência para o exterior, adoro explorar diferentes cantos do mundo e minha forma favorita é fazer isso de bicicleta. Costumo passar cerca de uma semana em alguma região, conhecendo tudo de bicicleta. Já fiz praticamente toda a França de bike, algumas regiões da Itália, Holanda, Catalunha, na Espanha, o circuito Praga a Viena, Croácia, Marrocos, Vietnã, Mianmar, Nova Zelândia e Alasca, dentre outros.
Estou convencida de que a visão e as sensações que se tem do mundo através de uma bike são muito mais profundas e intensas, além de muito mais divertido também, seja em viagens de turismo ou na rotina do dia a dia.
VIA CLAUDIA AUGUSTA
Em 2008, eu (Paulo de Tarso) e Renata Falzoni estivemos na Alemanha, percorrendo a Rota dos Castelos e a Rota Romântica. Durante o trajeto final da Rota Romântica, umas plaquetas com uma logo bem legal da Via Claudia me chamaram a atenção. Vi um mapa de divulgação do caminho, e quando finalizamos a viagem pela Alemanha, já havíamos combinado que percorreríamos, no ano seguinte, a Via Claudia.
Conforme programado, fizemos o caminho em 2009, e nos tornamos os primeiros brasileiros a percorrerem, de bicicleta, a Via Claudia Augusta. A partir de 2010, escolhi o trecho que achei mais bonito, e comecei a organizar, para grupos de ciclistas, o trecho entre Füssen, na Alemanha, e Merano, na Itália, atravessando os Alpes, cortando a Áustria, e passando também pela Suíça.
A Via Claudia Augusta foi uma importante estrada romana, construída no século 15 a.C., com o objetivo de ligar Roma às províncias do norte da Europa, atravessando os Alpes. O Caminho teve duas vertentes: uma rumo a Verona, e outra rumo a Veneza, de onde vinham as mercadorias do oriente.
Hoje, com o objetivo de resgatar parte da história, os representantes do turismo da Alemanha, Áustria e Itália se uniram na reativação do caminho, para visitação de ciclistas, caminhantes ou cavaleiros.O caminho de 770 km liga a cidade de Donauwört, na Alemanha, até Veneza ou Ostiglia, logo após Verona.
A história do caminho inicia no ano 15 a.C, quando Drusus e Tiberius abriram o caminho pelos Alpes. No ano 46 d.C., Claudius melhorou o caminho, que passou a se chamar Via Claudia Augusta. Assim, ligou Roma com as províncias romanas do norte. Só para se ter uma ideia, o caminho tinha um movimento de 300 carroças por dia.
Agora, em tempos modernos, o caminho passou a ser explorado turisticamente. Os alemães já percorrem o trajeto, de bicicleta, há pelo menos 7 anos, os italianos, há 4 anos, e os austríacos, há 2 anos. Formou-se, então, um consórcio entre os três países para explorar turisticamente, com sinalizações, informações históricas, museus, conservação e segurança do caminho, além da bela paisagem.
O Sampa Bikers estará organizando, em 2011, o trecho mais belo da Via Claudia, entre Füssen, na Alemanha, até Merano, na Itália. A viagem acontece de 18 a 24 de setembro. As inscrições já estão abertas. Mais informações no site: www.sampabikers.com.br
Abraciclo: Mais de 30 Anos de História no Setor Duas Rodas
A ABRACICLO - Associação Brasileira dos Fabricantes de Motocicletas, Ciclomotores, Motonetas, Bicicletas e Similares - é uma entidade sem fins lucrativos, representante das montadoras dos veículos de duas rodas, que possuem fábricas instaladas no Brasil. Sua missão é divulgar, apoiar e defender as atividades e interesses relacionados ao setor, nas áreas de política econômica, social e técnica, atuando fortemente na melhoria da imagem destes meios de locomoção com relação à segurança e conceito social, através de sugestões, campanhas e outras ações.
A entidade foi fundada em abril de 1976, em São Paulo, quando as motocicletas e os ciclomotores ainda eram olhados com estranhamento pela população, que temia esse novo meio de transporte. Mais de 30 anos se passaram. Hoje, a ABRACICLO representa um grupo de 12 associados, que juntos formam um setor forte e consolidado.
A ABRACICLO representa o segmento em discussões e solicitações junto às autoridades e órgãos competentes, abrangendo temas que envolvam os veículos de duas rodas, sejam voltados às definições da política industrial do setor, avaliações em torno do PPB – Processo Produtivo Básico, do fortalecimento da cadeia produtiva, discussões sobre segurança, inovações tecnológicas, ou adaptações que visem redução de impactos ao meio ambiente.
Muito foi feito ao longo de todos esses anos, mas muito trabalho ainda está por vir. O mercado do setor está em plena expansão e temas como segurança, infraestrutura viária, desenvolvimento tecnológico, normatizações, pesquisas, estudos e debates ainda oferecerão trabalho por muitos anos.
Caso queira conhecer mais sobre os trabalhos da ABRACICLO, acesse o site www.abraciclo.com.br.
Diretoria
Presidente: Jaime Teruo Matsui (Yamaha)
1º Diretor Vice-Presidente: Roberto Yoshio Akiyama (Honda)
Diretores Vice-Presidentes: Hilario Kobaiashi (Yamaha); Creso Franco (Dafra); Claudio Rosa Junior (Kasinski); Eduardo Musa (Caloi)
Coselho Consultivo: Toshio Shimazu; Paulo Shuiti Takeuchi
Conselho Fiscal: Ariovaldo Luiz (Honda); Anderson de Almeida Chaves (Yamaha)
Diretor Executivo: Moacyr Alberto Paes
TOPO: CICLOVIA
Nº PG: 02
TÍTULO: As Ciclovias de Praia Grande - SP
Por Christiane Disconsi, MTB: 52.820
Fotos:
Departamento de comunicação social da prefeitura de Praia Grande
Para quem gosta de praticar exercícios físicos, em contato com a natureza e em segurança, as ciclovias de Praia Grande são uma boa opção. O município conta com 68 quilômetros de vias especialmente projetadas para o trânsito de ciclistas. A maior delas, com 22,17 km, está na Avenida Presidente Castelo Branco, e margeia a orla da praia de ponta a ponta, do Canto do Forte ao Solemar.
A ciclovia da orla foi a primeira da Baixada Santista. Ela começou a ser construída em 1993. “Trata-se de uma ciclovia ininterrupta, por onde é possível trafegar pela orla do início ao fim. Além de segura, é confortável, pois conta com vegetação que faz sombra, tornando tanto o passeio, quanto o cotidiano das pessoas que a usam, muito mais agradável”, explica a chefe da seção de Educação e Segurança no Trânsito da Secretaria de Trânsito e Transporte (Setransp), Elaine Fornazieri.
Elaine destaca também a ciclovia na Avenida Marechal Mallet, no bairro Canto do Forte. Inaugurada no final de 2008, a via conta com 2 quilômetros de extensão. “Esta ciclovia também tem árvores para refrescar o passeio, diminuindo o impacto climático nos ciclistas. A via segue as exigências do Manual de Planejamento Cicloviário, do Ministério dos Transportes. Ela também tem arquitetura moderna e bonita, o que a torna mais um atrativo turístico”.
Para a chefe da seção, mais que uma opção de lazer, as ciclovias demonstram o investimento em segurança. De acordo com dados da Secretaria Estadual de Transportes Metropolitanos, em Praia Grande, 92.573 pessoas possuem bicicletas. Destas, estima-se que cerca de 60 mil usem o veículo como principal meio de transporte. “A intenção é disciplinar o trânsito para evitar acidentes. Além de serem bonitas e atrativas, as ciclovias mostram que estamos zelando pela segurança daqueles que tem a bicicleta como meio de transporte para estudar ou trabalhar, e também de quem vem ao município para se divertir”.
Por que o ciclismo, e não o futebol?
Por Edgardo Jorge
Muitas pessoas questionam quando, num sábado às 11 da noite, tenho que voltar para casa enquanto a galera toda vai para a festa:
- Por que vai embora?
E eu respondo:
- Amanhã eu treino!
- Ah é? Você é jogador de futebol?, perguntam eles.
- Eu não jogo futebol, sou ciclista.
O efeito da resposta pode ser notado claramente no olhar e no rosto daqueles que perguntam. Uns expressam seu assombro: ciclista? Outros ficam calados. Outros riem.
A bicicleta é esse cacareco que o mundo todo usou alguma vez; pelo qual se tem predileção quando se é pequeno, porque te faz sentir livre, feliz, rápido, intrépido, porque sente que o ar esfrega cada parte do teu ser, porque te faz voar acima do chão.
Esse objeto de prazer infantil, hoje se torna o mais fiel instrumento para a glória, passando pelo inferno prévio, o que te acompanha nesse esporte tão duro e extenuante que te faz perder a consciência, por o coração a 220 pulsações.
Num esporte tão duro, desesperante, é preciso ser paciente e ter sangue frio. Além disso, tem que ter cabeça, inteligência, não só pernas. A cabeça faz falta não só para abrigar o capacete, mas também para permitir ver uma fuga, imaginar uma louca estratégia que te leve ao sucesso, ver as quedas e pontos fracos do oponente, enquanto escala por uma subida a 200 pulsações por minuto.
Um esporte que é um estilo, uma forma de vida. Acho o esporte de mais orgulho pessoal, onde só o próprio esforço do teu corpo te faz ser capaz de percorrer muitos quilômetros; onde cada treinamento é uma superação pessoal; onde cada dia que pegas a magrela, carregas a sacola da tua vida com um episódio novo.
É um esporte que te faz brilhar, que te faz chegar ao ponto mais alto, só você... Onde por muito que tenha, não é ninguém se não é bom, se não tem classe, se não tem raça, se não tem coragem.
Um esporte onde tem que ser especial, tem que ser de outra categoria, pois bom ciclista não pode ser uma pessoa qualquer.
Não é qualquer um que acorda, no domingo com chuva, às 5 da manhã, para ir a uma corrida a mais de 100 km de casa! Porque é um esporte tão duro, que as quedas fazem parte do nosso dia a dia.
Onde as clavículas, pontos de sutura, aranhões e joelhos esmagados são o pão de cada dia. É o amor pelo esporte, pela bici, pelo sacrifício. E o sofrimento é o que faz que numa queda de um domingo corra,no dia seguinte, com a boca costurada. É um sacrifício tal que te faz tocar o céu, com montanhas de mais de 2000 metros, com caminhos que só 3 mais conhecem, com subidas onde nem um carro consegue chegar, mas um homem, com seu sacrifício, aguenta, enquanto pensa “sou o melhor”, “vou vencer, vamos lá”.
É esse esporte que faz emocionar qualquer um: quando chega ao ponto mais alto. Quando treinas a 5 graus, ou quando voltas para casa, à noite, molhado e com muito frio. Quando pedala longe de casa só para ver uma paisagem. Quando fica esmagado. Quando corre até com dor no ombro. Quando sentes a emoção das pessoas torcendo por você. Quanto tens uma ilusão. Quando cada dia que estás na bici, tens orgulho, te faz crescer como pessoa, amadurecer. A bicicleta te deixa pensar nos problemas e olhar as coisas de outra maneira, porque o esporte forma o caráter. Por isso você é “de outra categoria”, você é ciclista.
O reconhecimento, as medalhas e o dinheiro são sempre iguais. Só caminhos, um par de amigos, e nossas bicicletas. Há de ser muito homem para descer, a 70km/h, em um caminho molhado pela chuva, sabendo que do solo, estamos acima de duas rodas tão finas como moedas.
Por isso pode se sentir o orgulho de representar um país, uma região, uma turma de amigos. Porque todo aquele que tenha a vontade de andar de bicicleta, seja profissional, amador ou bem “domingueiro”, merece admiração. Porque quando vai de bici é maior. Porque quando vences a vontade de ir para casa pensando: “isto não é para mim”, “eu não sirvo para isso”, vence a mediocridade. Mas ali se vê quem é para valer e quem não é: quem atira a tolha e vai para casa, ou quem aguenta, sofre e segue até que o pulsômetro diga “pare”!
Por que o faz? Porque você é ciclista. Porque o único oponente é você mesmo. Porque sempre vai ser assim, até a morte. Porque você é um esportista dos pés à cabeça. Porque é um sofredor nato, e tem valor!
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EDITORIAL
Essa é nossa terceira edição. Por um lado é muito pouco; estamos apenas começando. Por outro lado, consideramos bastante; conseguir colocar, nas bancas de todo o Brasil, três edições da revista, num mercado saturado de mídias de todo o gênero... Sem falar no cada vez mais crescente espaço que a mídia eletrônica vem conquistando. E, acima de tudo, pelo fato de termos um editorial neutro, não comercial. Essa continuará sendo a nossa proposta.
Sustentabilidade; ouvimos todos os dias. Mas o que, de fato, temos feito a respeito? Naturalmente, não queremos, como muitos, usá-la como bandeira de marketing, que serve, muitas vezes, apenas para sustentar um lucrativo negócio às custas dos recursos naturais, sem olhar pra frente. Novamente, a bicicleta é uma solução antiga para um problema futuro.
Acompanhe também as dicas do Olinto sobre cicloturismo; roteiros no Brasil; os três jovens de Volta Redonda; bike feminino; o Bike Tour em São Paulo; a subida no Morro do Alemão pacificado; o mercado das bicicletas; as entrevistas e as diversificadas dicas. Iniciamos também a e–bike, que tem como objetivo não desestimular o pedal, mas sim, incentivar ainda mais o uso da bicicleta.
Viva Bicicleta!
O Primeiro World Tour UCI de 2011 marca Despedida de Armstrong
O Tour Down Under, que aconteceu entre os dias 18 e 23 de janeiro, abriu o calendário da longa temporada que engloba as melhores corridas do ciclismo profissional. Sob o sol quente do sul da Austrália, os ciclistas percorreram a espetacular cidade de Adelaide, em seis etapas que incluem algumas subidas em meio a vinhedos e campos. Mas a prova é projetada para ajudar os pilotos a encontrarem sua forma, já que se trata do início de temporada.
O australiano Cameron Mayer (Garmin-Cervelo) foi o grande campeão geral da competição, que marcou a despedida de Lance Armstrong (Radio Shack) das competições internacionais. O ciclista norte-americano, considerado por muitos o maior ciclista de todos os tempos, terminou o Tour em 67º na classificação geral, e provavelmente vai continuar participando apenas de algumas corridas de ciclismo e triathlon nos Estados Unidos. "Saio sabendo que dei o melhor de mim e não é necessário que se coloque uma placa ou seja erguida uma estátua", disse Armstrong.
Classificação geral:
1. Cameron Meyer (Austrália/Garmin-Cervelo), 17:54:27 horas.
2. Matthew Goss (Austrália/HTC-Highroad), a 2 s.
3. Ben Swift (Grã-Bertanha/Sky Procycling), a 8s.
Com a Wave Bicycle Concept os surfistas não são mais obrigados a levar seus carros para a praia. A bike elimina a necessidade de um grande veículo para transportar a prancha e também ajuda a reduzir a poluição do ar. A bicicleta tem um console pequeno que leva uma prancha de tamanho normal, para que o usuário possa continuar a dirigir com as duas mãos.
Colaboração: Curitiba Cycle Chic
A prefeitura de Pontal organizou a distribuição de placas e panfletos informativos. O emplacamento deve começar em fevereiro, e custar cinco reais. Nos três primeiros meses, os condutores receberão advertências. Depois desse período de adaptação, as punições serão multas e apreensão da bicicleta.
Aluguel de Bicicletas NÃO Sobrevive em Blumenau (SC)
Se não houver ciclistas, não haverá investimentos!
O sistema, baseado no aluguel de bicicletas públicas, acessíveis em estações distribuídas pelas cidades, não está mais em funcionamento na cidade catarinense de Blumenau. Um ano e quatro meses depois da implantação, o Consórcio Siga desativou o serviço. O SAMBA (Solução Alternativa para a Mobilidade por Bicicletas de Aluguel) também foi instalado, e está em funcionamento em outras grandes cidades do Brasil: Rio de Janeiro, João Pessoa, Recife, Caruaru, Taubaté, São José dos Campos e Guarulhos.
De um lado, a prefeitura, a empresa prestadora do serviço (Serttel), o Consórcio Siga e o Seterb avaliaram a operação como inviável, por causa da baixa procura. Foram disponibilizadas cinquenta bicicletas para Blumenau, mas a média de locação não chegava a quatro por dia. Esse detalhe é importante, e merece uma séria reflexão. De nada adianta nós, ciclistas, fazermos apenas um bonito discurso – é preciso agir. Fala-se tanto em mobilidade, e na bicicleta como solução nos grandes centros urbanos, mas é preciso ir além do discurso. Os investimentos governamentais incentivam o uso da bike, e o uso da bike também acaba forçando os investimentos em estrutura e segurança para os ciclistas. Portanto, se não houver ciclistas, não haverá investimentos.
Por outro lado, a população tem seus argumentos para a baixa demanda do programa. A burocracia foi o motivo mais comentado pelos blumenauenses, justificando a não adesão ao serviço. O cidadão que quisesse alugar uma bicicleta deveria preencher um cadastro na internet, depois ir até a estação e ligar via celular para pedir a liberação do veículo. O pagamento deveria ser feito por cartão de crédito. Nem todas as pessoas têm acesso a esses mecanismos (internet, celular e cartão de crédito), o que acabou limitando o uso do programa. Outra questão é a falta de visão sistêmica e integrada das ciclovias e ciclofaixas. Atualmente existem 43 km de ciclovias na cidade, mas o projeto original previa 145 km, interligando o centro com todos os bairros.
No Rio de Janeiro o sistema também não deu certo. O motivo foi o alto número de furtos. As bicicletas sumiram, e já no quarto mês depois da implantação, 56 bicicletas foram roubadas. O sistema ficou alguns meses suspenso, foram recuperadas 34 bikes, mas em março de 2010, quando o aluguel voltou a ser ofertado, o problema de vandalismo persistiu, e a segurança teve que ser reforçada por câmeras, alarmes e travas especiais. A precisão é de que, agora em 2011, todas as estações voltem a funcionar.
O Brasil precisa de uma grande mudança cultural. Precisamos de ciclistas ativistas e de cidadãos conscientes que respeitem a bicicleta como um veículo de transporte. Também precisamos de investimentos planejados, que visão integração, segurança e mobilidade sustentável, e não apenas medidas populistas que servem mais de propaganda do que solução propriamente dita.
Quem disse que Mountain Bike não é coisa de mulher?
A Pedalada das Meninas acontece há seis anos, para promover a saúde e incentivar a prática dessa modalidade pelo público feminino.
É a vez delas descobrirem os prazeres e sensações que envolvem o esporte numa data mais que especial: o Dia Internacional da Mulher.
O evento não é uma competição, mas exige preparo físico das participantes para encarar a região montanhosa e seus diferentes tipos de terreno.
Seu roteiro soma 26 quilômetros, percorrendo a região rural de Itu (interior de São Paulo), passando por fazendas históricas e belíssimas paisagens.
A sétima edição da Pedalada das Meninas acontecerá no dia 13 de março, em Itu - SP, no Camping Cabreúva, com muitas opções de lazer, hospedagem, restaurante e estacionamento.
Homens também podem participar, desde que acompanhados de uma mulher. O evento é limitado e ao todo são esperados 120 participantes.
Um dos parceiros do projeto é a Proshock, que desenvolveu uma linha de suspensões específicas para mulheres e fará uma demonstração desta tecnologia no local.
As inscrições já estão abertas, participe! Acesse www.pedaladadasmeninas.com.br e venha comemorar o seu dia pedalando!
AMÉRICA LATINA E ÁSIA – A GLOBALIZAÇÃO DOS GRANDES TOURS
O presidente da UCI defende a globalização do ciclismo, com corridas importantes em todos os continentes. Para isso, porém, ele anunciou que o Giro e a Vuelta poderão ter redução de alguns dias.
Mantidas as corridas centenárias, o futuro passa pela Ásia e América Latina. “Estamos desenvolvendo a modalidade em todo o mundo, tal como o Comitê Olímpico Internacional pretende. Na América Latina, trabalha-se para que os Jogos Olímpicos no Rio de Janeiro, em 2016, seja um sucesso. No México e Argentina também já temos provas importantes. Na Ásia, abrimos portas ao Tour de Pequim”, assinalou Pat McQuaid.
Bamboo-bikes – As bicicletas de bambu da Alemanha
Quer fabricar sua própria bicicleta?
Com um recurso renovável?
Então é só falar com os caras da Universidade Técnica de Berlim, que ensinam a fabricar as bamboo-bikes. O bambu é uma planta geralmente confundida com madeira por possuir um caule lignificado. As bicicletas com quadro desse material surgiram na Alemanha em 2008, através da Grüne Uni – um grupo de pesquisa vinculado à Universidade Técnica, que trabalha com energias renováveis, biomateriais e sustentabilidade (embora alguns precursores afirmem que bicicletas desse tipo já eram fabricadas há mais de 100 anos na Alemanha).
A pesquisa transformou-se em outro projeto independente, e a turma criou uma oficina especializada na fabricação desse tipo de bicicleta, oferecendo workshops aos interessados em fabricar a própria bicicleta. Qualquer pessoa pode participar e fabricar o seu veículo, levando peças antigas de bicicleta e 222 euros. "Fazer uma bicicleta de bambu é como assar um bolo, ou seja, qualquer um pode fazer e nós ainda garantimos que você sairá daqui com um produto de qualidade", afirma Tobias Rudolph, um dos instrutores do workshop.
TAIPEI CYCLE
A Taipei Cycle é uma das mais tradicionais e renomadas feiras de bicicleta do mundo. Ela acontece em Taiwan, entre os dias 16 e 19 de março de 2011. Mesmo com o sobe e desce da economia, em 2010 a Taipei Cycle conseguiu um salto espetacular nas participações de estrangeiros. Mais de 5.000 estrangeiros, de 86 países, visitaram as tendas das maiores marcas internacionais para ver produtos de altíssima qualidade do mundo da bicicleta.
Em 2011 não será diferente: os grandes nomes da indústria de alto valor do ciclismo estarão reunidos em Taiwan.
Se a sua paixão são as bicicletas, agora sua paixão pode ser também seu trabalho
Specialized Brasil contrata vendedores externos exclusivos para diferentes regiões do país.
Requisitos:
- Experiência em vendas – atacado.
- Conhecimento do mercado de bicicletas e acessórios.
- Disponibilidade para viagens na região.
Interessados deverão enviar currículo para: emprego@specialized.com
Bogotá
Colômbia
Saudável, Ecológica e Social
Toda semana, das 7 às 14 horas, mais de 120 quilômetros de ruas são interditadas para carros, e dão lugar apenas a bicicletas e outros meios de transporte saudáveis!
A ideia surgiu em 1974, e hoje atrai mais de dois milhões de pessoas, cerca de 30% da população da cidade. A bicicleta é um meio de transporte mais acessível e democrático, e vem ganhando a reputação de símbolo da mobilidade sustentável.
O simples fato de poder observar o mundo ao ar livre, algo melhor do que ficar preso dentro de veículos com vidros escuros, torna a opção pela bicicleta bastante atraente.
Além de ser um meio de transporte ecológico e saudável, ela parece promover a igualdade e a interação social.
Mike Ceaser, dono da Bogotá Bike Tours, uma empresa de locação de bicicletas, disse: "A ciclovia é um dos poucos lugares onde os colombianos de diferentes classes se misturam. Há muitas pessoas pobres e poucas ricas aqui, e elas se encontram apenas como trabalhadores e empregadores (o gerente do banco com o encarregado da limpeza, a dona de casa com a empregada). Mas a ciclovia é democrática. Aqui todos estão em uma bicicleta, misturando-se, encontrando-se em um mesmo nível".
Se uma cidade tão movimentada como Bogotá pode fechar suas estradas, todos os domingos do ano, e cada um das dezenas de feriados anuais, por que não Londres, São Paulo, Nova Iorque e outras metrópoles?
Será que promover uma vida mais saudável, não poluente, silenciosa e que une as pessoas, ao invés de prendê-las atrás de airbags e vidros de segurança, mesmo que por apenas meio dia por semana, é uma mudança tão radical?
Certa vez, Oscar Edmundo Diaz, que foi assistente do ex-prefeito de Bogotá, Enrique Peñalosa, o idealizador das mudanças na cidade, declarou: “Mais obras viárias significam mais engarrafamentos. Mais túneis e viadutos significam mais engarrafamento. Mais asfalto significa mais engarrafamento. O segredo de Bogotá é ter conseguido convencer seus cidadãos de que é preciso ter uma cidade que inclua as pessoas, e não os carros.”
PERGUNTA DO LEITOR
DICA PARA NÃO SOFRER COM AS CÃIBRAS
Maurício Lemos – São Carlos (SP) –Eu queria uma dica: pedalo há anos, mas sofro de cãibra regularmente. Ultimamente eu comecei a tomar um composto - Slow-K - mas não tive muito resultado. Haja gelo depois do treino! Me ajudem. Tem alguma \"fórmula milagrosa\"?
Olá Maurício. Para melhor responder sua pergunta, contamos com o auxílio do nosso colaborador Fernando Silvério de Oliveira, graduado em Fisioterapia e Educação Física. Acompanhe as dicas.
Muito se comenta sobre depleção de potássio como causa de cãibras. Na verdade os baixos níveis sanguíneos de potássio pode até causar contrações involuntárias, mas seu principal sintoma é fraqueza ou paralisia muscular. O cálcio e o magnésio são causas mais comuns de cãibras. Assim, a história da banana fica um pouco confusa. Teoricamente a fruta ajuda porque repõe os níveis de potássio, fornece energia e água aos músculos. Isso é verdade para cãibras induzidas por exercício, porém, essa "fórmula milagrosa" não funciona para a maioria das pessoas.
Acredita-se que a causa básica da cãibra seja uma hiperexcitação dos nervos que estimulam os músculos. Esta normalmente é causada por:
- Atividade física vigorosa (cãibra pode ocorrer durante ou após o esforço).
- Desidratação (atenção para quem usa diuréticos). Lembre-se, quando o atleta sente sede, já é um sinal de desidratação. O recomendado é hidratar-se com 150 - 300 ml de líquidos a cada 15 -20 minutos.
- Gravidez (normalmente secundário a magnésio baixo).
- Alterações metabólicas como diabetes, hipotireoidismo, alcoolismo e hipoglicemia.
- Insuficiência venosa e varizes nas pernas.
- Longos períodos de inatividade, sentado em posição inadequada.
- Insuficiência renal.
No seu caso, Maurício, a provável causa de cãibras é o acúmulo de ácido láctico nos músculos, que seria o “lixo” metabólico liberado pelas células após o exercício intenso. Por isso todo atleta de alto rendimento é orientado pelo seu treinador a fazer pelo menos 15 minutos de exercício aeróbio de baixa intensidade (bater pedal, girar, soltar as pernas) após os treinos fortes ou competições. Dessa maneira, é possível remover o ácido lático dos músculos com maior rapidez.
Um outro aspecto importante é a hidratação correta, pois ajuda a remover esse excesso de ácido láctico da circulação e evita as cãibras. Para treinos longos e dias quentes, recomenda-se fazer o uso de bebidas isotônicas para a reposição de líquidos e sais minerais.
É importante que se faça uma boa sessão de alongamentos antes e após os treinos, principalmente nos grupos musculares que sofrem com as contrações involuntárias.
Uma sessão de massagem após os treinos fortes também ajuda a evitar as cãibras.
Em último caso, existem algumas drogas que podem ser a causa:
- Diuréticos, principalmente a furosemida.
- Remédios para hipertensão, principalmente a nifedipina.
- Broncodilatadores para asma como salbutamol.
- Remédios para colesterol, como o clofibrato e lovastatina.
Em síntese, o ciclismo é um esporte que merece todo respeito e comprometimento de seus adeptos. Todo atleta amador ou profissional precisa criar sua disciplina para seguir as planilhas de treinamento, período de recuperação, alimentação, etc. Sugerimos que procure uma boa bike shop e consulte um Personal Trainer para análise dos seus treinos. Além disso, o bike fit é crucial para adequar, de forma correta, a bicicleta à anatomia do seu corpo.
Existe muita diferença entre pedalar e ser um ciclista.
Ao seguir as dicas acima e não perceber melhora, sugiro que procure pelo seu médico para uma investigação da possível causa dessas cãibras.
Grande abraço e bons treinos.
SUSTENTABILIDADE – A REDESCOBERTA DA BICICLETA
Por Anderson Ricardo Schörner
CHAMADA: “Se continuarmos agindo assim, vamos morrer. Precisamos mudar.” (Karl Henrik Robèrt)
Certo dia, algumas fadinhas estavam procurando um cantinho para morar na floresta. Depois de voarem por todos os lados, elas descobriram uma linda caixa, toda azul, que parecia ser um excelente lugar para ficar. Nesta caixa azul, o ar era puro, os rios eram limpos e a natureza, intacta, deslumbrante. Felizes, decidiram habitar este lugar. Primeiro, cortaram algumas árvores para fazer suas casinhas, móveis, e até palitos para seus dentes. Discreta e lentamente, começaram a produzir lixo. Sujar os rios. Contaminar o ar. Elas começaram a se multiplicar, e a caixa azul começou a ficar pequena, suja e poluída. O clima mudou, os alimentos ficaram cheios de produtos químicos, elas não se exercitavam e acabaram ficando doentes por causa disso. Em pouco tempo, seu novo lar estava em um estado lastimável. Até que uma fadinha disse: “Se continuarmos agindo assim, vamos morrer. Precisamos mudar.” (Adaptado de uma narrativa do médico oncologista sueco Karl Henrik Robèrt, criador do programa de sustentabilidade The Natural Step)
Quando os Beatles, em 1969, imortalizaram uma faixa de pedestres de Londres na capa do álbum Abbey Road, onde Paul MacCartney, John Lennon, George Harrison e Ringo Starr posaram para a foto em fila indiana, o assunto “mobilidade” já estava em evidência. Enquanto a faixa de pedestres dos Beatles atrai turistas, nossos pedestres e ciclistas querem mais é correr para as calçadas – quando as encontram. Um modelo viário nada sustentável, infelizmente.
Segundo dados do IBGE, as vendas no comércio brasileiro cresceram 10,9% no primeiro semestre de 2010, comparado ao mesmo período de 2009. O principal responsável por essa expansão foi o segmento de veículos. No imediatismo, parece uma notícia boa. Mas se relacionarmos o aumento do número de carros circulando com o aumento nos gastos com saúde pública, ocasionados por acidentes e doenças decorrentes do sedentarismo e da poluição? Já se foi o tempo em que podíamos pensar apenas no aqui e agora: nossos olhos estão voltados para o futuro, e sabemos que cada ação de hoje tem um impacto no amanhã. Nesse quebra-cabeça, a peça fundamental chama-se sustentabilidade, e a questão mobilidade é apenas um dos prismas dessa peça.
CHAMADA: Cada ação de hoje tem um impacto no amanhã.
A consciência de que é preciso mudar, e de que desse jeito não dá mais, é o primeiro passo para a sustentabilidade. Até pouco tempo atrás, isso era papo. Havia muito diálogo para estabelecer o que e como fazer. Agora a história é outra. Não é necessário falar mais muita coisa, é preciso arregaçar as mangas e fazer. Aliás, fazer bem feito. Nas palavras de Gandhi, “temos que ser a mudança que queremos para o mundo.”
O termo sustentável tem origem no latim sustentare que significa sustentar, conservar, cuidar. O conceito é relativamente novo. Começou a ser delineado na Conferência das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente Humano, realizada em Estocolmo, 1972, e abordava a necessidade imperativa de “defender e melhorar o ambiente humano para as atuais e futuras gerações”, em outras palavras, desenvolvimento sustentável. Mas esses dois termos (desenvolvimento e sustentável) só apareceram juntos na ECO-92, que aconteceu no Rio de Janeiro. Desenvolvimento e meio ambiente eram termos difíceis de conciliar, mas notava-se que “o desenvolvimento que atende as necessidades do presente não podiam comprometer a possibilidade das futuras gerações de atenderem as suas próprias necessidades.”
Trocando em miúdos, ter uma atitude sustentável é adotar ações que mantenham o equilíbrio entre o que precisamos consumir hoje e a conservação dos recursos para as próximas gerações. Incorporar a bicicleta no dia a dia é um modelo em que as organizações pró-sustentabilidade apostam. Qualquer plano de desenvolvimento sustentável apresenta soluções para diminuir o uso do carro, e expandir os modais a pé e de bicicleta, realizando adendos aos sistemas viários existentes, no sentido de incentivar e proliferar essas formas de se locomover. No movimento de busca pela sustentabilidade, redescobrimos a bicicleta. Do ponto de vista sustentável, é negligente e nefasto colocar um motor impulsionar quase uma tonelada de ferragens para levar uma pessoa ao trabalho, que fica a 4 km da sua casa. Sem contar que no espaço urbano cada vez mais escasso, três carros ocupam o lugar de vinte ciclistas. É insustentável!
TRIÂNGULO DA SUSTENTABILIDADE
Levar uma vida sustentável significa levar uma vida simples, abrindo mão de comodidades desnecessárias, e principalmente, tendo consciência do impacto de suas pequenas ações. “Vejo muitas pessoas falarem em reciclagem, mas quase nunca ouço falar em reaproveitamento, e muito menos em diminuir o consumo. Não consumir tornou-se um palavrão depois da queda do bloco soviético, e vemos surgir uma nova indústria - a reciclagem, quando seria muito melhor nem ter consumido tanta coisa para ser reciclada depois”, relatou Antonio Olinto, do Projeto de Cicloturismo no Brasil, que demonstrou a importância de incorporar, na prática, o discurso sustentável, através de atitudes que minimizem o impacto no meio ambiente. “Optei por fazer tudo de bicicleta, e utilizar um motor home como uma casa móvel. Alterei o motor home para álcool, coloquei placas para gerar energia solar ao invés de utilizar gerador, e utilizo papel reciclado para imprimir os guias para a prática de cicloturismo, que é o meu trabalho. A vida em um motor home instiga a economia, tendo em vista a dificuldade de conseguir recursos mais simples, como a água. Para nós, conseguir água não é só abrir uma torneira. Então consumimos, em dois, cerca de 70 litros de água por dia para café da manhã, almoço, jantar, banho e lavagem de roupa (70 litros equivalem a umas quatro descargas com uma válvula hidra).” Outro exemplo de Olinto está em sua forma de produzir os seus guias, de alta qualidade, para a prática de cicloturismo. “Este trabalho envolve muita pesquisa de campo, que eu faço de bicicleta. Uma vez, imaginei que se a pesquisa de campo fosse feita com uma motocicleta, poderia aumentar a produtividade e logo teria muito mais guias para oferecer... Entretanto, minha avaliação do circuito seria prejudicada pela velocidade e as facilidades que o motor proporciona. Por outro lado, quando iria fazer exercício? Provavelmente ficaria mais gordo e preguiçoso, enfim, desequilibrado.”
Equilíbrio. Isso mesmo; equilíbrio é a chave para a sustentabilidade. Saber pesar as necessidades e como supri-las de forma que, no futuro, os recursos necessários também estejam disponíveis, é crucial para a sustentabilidade. Segundo o professor holandês Peter Nijkamp, esse equilíbrio deve envolver, principalmente, três fatores: economicamente viável, socialmente justa e ecologicamente correta. Estas três perspectivas formam o chamado Triângulo da Sustentabilidade. Vejamos como a bicicleta se comporta com relação a estes três princípios.
Economicamente viável: as condições de mobilidade interferem diretamente na vida das pessoas, e merece grande respeito. O trânsito, a infraestrutura viária e até mesmo a cultura brasileira estão condicionados a elementos de “deseconomias”: o tempo de percurso dos usuários de automóveis em horários de pico, o consumo excessivo de combustível nessas “longas” viagens dentro das cidades, a emissão de gases nocivos ao meio ambiente e, por fim, os impactos negativos na saúde e na qualidade de vida da população. O que temos de mobilidade no Brasil não pode ser considerado economicamente viável, salvo algumas exceções.
A bicicleta é, nesses termos, uma solução antiga para um problema futuro. Ela desfila na passarela da sustentabilidade como veículo de menor custo, tanto de aquisição quanto de manutenção, o que representa economia na renda doméstica. Segundo André Geraldo Soares, da ViaCiclo, “quanto mais humanizado for o trânsito, menos o poder público gastará com hospitais, reabilitação e seguro social. Além disso, diminuindo o uso do automóvel, a sociedade também gastará menos em mitigação e adaptação ao aquecimento global”, o que destaca a economia referente aos custos sociais.
A bicicleta foi, lentamente, sendo expulsa das vias urbanas, e agora os governos se vêem diante da necessidade de construir ciclovias e ciclofaixas para sua circulação. Fora das ruas, e na situação de intrusas no tráfego, as bicicletas foram relegadas ao uso do lazer, aos finais de semana, exceto aos ciclistas entregadores de pequenas mercadorias. No início dos anos 1970, em razão das duas crises de petróleo, e também dos apelos das entidades ambientais, a bicicleta ressurgiu como opção de meio de transporte. Hoje, a bicicleta é considerada, pela ONU, o veículo mais sustentável do mundo. Porém toda a estrutura viária existente prioriza os veículos automotores, e agora precisa ser adequada para as bicicletas. Mesmo esse investimento em redes cicloviárias, além de exigir menos verbas do que vias expressas e viadutos, tende a diminuir os gastos sociais por ir contra as “deseconomias” antes discutidas. Conforme estudos, 20% do custo de um carro é pago pelo seu proprietário; o restante (efeitos da poluição, perda de tempo no trânsito, acidentes, obras rodoviárias) é pago por toda a sociedade.
Ainda no universo econômico, há um dado interessante sobre os meios de transporte elétricos. A indústria automobilística assegura que os carros elétricos têm lugar garantido no futuro. Mas até então, a maioria ficou apenas no protótipo. Por outro lado, as e - bikes (bicicletas elétricas) já começaram a ser produzidas em série, e são realidade inclusive no Brasil, por um preço razoável. As bicicletas elétricas têm o objetivo de auxiliar o ciclista, reduzindo seu esforço físico. Outra vantagem: se a parte elétrica não funcionar, ou a bateria descarregar - é só pedalar. Neste comparativo, até mesmo a versão elétrica da bicicleta já largou na frente dos carros elétricos, de forma economicamente viável. Vale lembrar, porém, que a bicicleta clássica, movida a pedal, é a forma mais sustentável por não demandar nenhuma forma de energia – a não ser a do próprio ciclista.
Socialmente justa: para o professor Therbio Felipe Cezar, “não há justiça onde há indiferença.” A própria Constituição Federal trata a função social como bem-estar social. As conferências mundiais apontam para inúmeras medidas urgentes a serem tomadas, e grandes preocupações que relacionam a sustentabilidade com o papel social de cada indivíduo e de cada país, a respeito de abusos, incorporações, devastação, etc. “Penso, que o uso de bicicleta como veículo sustentável sugere uma postura de não-indiferença do ciclista para com o meio e tudo o que nele está contido. Seja, talvez, pela mínima interferência física no caminho oferecida pela bike; pela forma silenciosa de ‘fluir e fruir’; pela possibilidade da geração de encontros com os sujeitos dos caminhos, ou ainda, pela observação atenta do ambiente, do contexto, das paisagens construídas e, porque não dizer, de si mesmo. Ao observar as populações às margens do caminho, o cicloturista já não consegue mais querer-se indiferente àquelas realidades sociais, culturais, políticas, econômicas, simbólicas, enfim. Quando pedalo, seja em minha cidade ou entre cidades, percebo sempre minha sombra me acompanhando. Eu, minha bike e o contexto somos a paisagem, assim sendo, nos pertencemos. Essa experiência volta comigo para casa, e objetivamente, influencia uma série de decisões que tenho que tomar como ser humano, como cidadão, como personagem desta história que contamos juntos. De dentro de um carro, torna-se quase impossível perceber-se tudo isto”, nos ensina o professor.
A sustentabilidade instiga a justiça social, atribuindo a cada indivíduo o cuidado de preservar e manter os recursos. Aristóteles escreveu que “o que é comum ao maior número de pessoas constitui objeto de menor cuidado. O homem tem maiores cuidados com o que lhe é próprio e tende a negligenciar o que lhe é comum”. Soa atual, não? Cada pessoa precisa fazer a sua parte, desempenhar seu papel social. A bicicleta permite que você se exercite ao mesmo tempo em que se locomove. Em termos sustentáveis, pedalar significa não poluir o meio ambiente, não provocar doenças derivadas da poluição, não matar no trânsito (nem por atropelamentos, nem por estresse e doenças correlacionadas), e significa respeitar o espaço das outras pessoas e das outras formas de vida. Um parque repleto de árvores permite que você pedale: não há necessidade de abrir espaço para asfalto.
Ser socialmente justa significa que cada pessoa tem a responsabilidade de cumprir seu papel social, tomando ações que não comprometam a sustentabilidade. Significa não discriminar ou privilegiar, mas ser justo na distribuição dos custos e benefícios. A bicicleta cumpre integralmente essa proposta.
Ecologicamente correta: a maior motivação para todo o movimento pró-sustentabilidade. Somente quando a humanidade se viu em meio a uma crise ambiental, fruto do desrespeito aos limites da natureza em prol de um desenvolvimento e poder econômico insustentável, decorrente de sua visão antropocêntrica, houve a constatação: dessa forma, vamos destruir o mundo e a nós mesmos. Precisamos mudar.
A natureza se levanta contra a exploração dos ecossistemas. O uso irracional dos recursos naturais, e em quantidades cada vez mais abusivas, estão gerando escassez do solo fértil, da água potável, e comprometendo o futuro e a continuidade de todas as formas de vida. Os fenômenos trágicos decorrentes das mudanças climáticas, da destruição da biodiversidade e da rarefação da camada estratosférica de ozônio têm se multiplicado. Destarte a questão ecológica envolve racionamento e revisão dos modos de produção, dos sistemas sociais e dos conhecimentos culturalmente aceitos. Precisamos parar de tratar a natureza como se fosse um imenso supermercado gratuito, porque sua devastação tem o preço mais caro que se pode pagar. Onde fica a bicicleta na questão ecologicamente correta? Uma cidade com seu desenho urbanístico voltado para os ciclistas, com áreas verdes e níveis diminutos de emissões de gases poluentes é apenas um exemplo. Vemos, mais uma vez, as chuvas de janeiro provocar enchentes em vários estados brasileiros, como São Paulo e Rio de Janeiro. Desmoronamentos, mortes, vidas que precisam ser reconstruídas do zero são, muitas vezes, consequências da urbanização mal planejada e da poluição: atitudes insustentáveis do passado que se refletem em nosso cotidiano.
Analise o modelo de vida conhecido como Slow Living. É o surgimento de um grupo de pessoas que querem viver com calma, cuidadosas, conscientes de suas ações. O movimento ganha cada vez mais adeptos, preocupados com o próprio bem-estar e com a natureza. O casal Denis Russo Burgierman e Joana Amador resolveu viver com calma e aplicar seus princípios sobre respeito ao meio ambiente, consumo e vida. Sabe qual foi o primeiro passo? Não ter carro. Tanto para diminuir o estresse dos congestionamentos (bem-estar), quanto para reduzir a emissão de gases nocivos (meio ambiente). “Eu acho que simplesmente andar de bicicleta é uma forma de ativismo. É um jeito de resistir aos apelos de consumo – e com isso evitar a destruição de habitats pela mineração, a emissão de gases de efeito estufa e muitos outros poluentes. É também uma forma de tornar a vida dos outros ciclistas mais segura. É comprovado que, quanto mais bicicletas houver na rua, mais segura é a rua para os outros ciclistas. Então cada ciclista novo melhora a vida de todos os outros. Além disso, minha presença na cidade pedalando melhora a qualidade do espaço urbano. Mas, além de tudo isso, andar de bicicleta traz um monte de ganhos individuais. À saúde, por exemplo. E também à vida, no geral. Chego de bicicleta muito mais feliz do que quem chega de carro”, garante Denis, demonstrando que a bicicleta cumpre seu papel de ecologicamente correta quando é utilizada como meio de transporte.
Para refletir sobre a questão sustentável, veja esta profecia, que embalou longas noites dos fundadores do Greenpeace que navegavam pelas Ilhas Aleutas, no Alasca, em 1971, na tentativa de impedir um teste nuclear dos Estados Unidos.
"Um dia, a Terra vai adoecer. Os pássaros cairão do céu, os mares vão escurecer e os peixes aparecerão mortos na correnteza dos rios. Quando esse dia chegar, os índios perderão o seu espírito. Mas vão recuperá-lo para ensinar ao homem branco a reverência pela sagrada terra. Aí, então, todas as raças vão se unir sob o símbolo do arco-íris para terminar com a destruição. Será o tempo dos Guerreiros do Arco-Íris."
A profecia, feita há mais de 200 anos por “Olhos de Fogo”, uma velha índia Cree, acabou por batizar os ativistas do Greenpeace, conhecidos em todo o mundo como “Os Guerreiros do Arco-Íris”. Ativismo por ativismo, os ciclistas diários traduzem, em ações, o que tanto ouvimos falar sobre sustentabilidade, e seria totalmente justo dar-lhes, também, o título: ciclistas são guerreiros do arco-íris.
ALFORJES PRÓ
PRÓ BIKE
Unidade: par.
Peso total: 1.050 gramas.
Cores: amarelo, verde, cinza, vermelho e preto.
Capacidade: 8 litros cada lado.
Características:
Com exclusivo e prático sistema de fixação, mantém-se totalmente preso à bicicleta dando total estabilidade. É muito prático, leve, pode ser utilizado como alforje dianteiro ou traseiro e também pode ser fixado individualmente em qualquer tipo de bagageiro.
Especificações:
- Confeccionado em CORDURA.
- Estruturados em plástico rígido que evita o contato com a roda.
- À prova d 'água.
- Faixas refletivas 3M laterais e frontais.
- Sistema de fechamento por fitas compressoras reguláveis.
- Sistema de fixação rápida e segura.
- Alça de mão para transporte.
- Fita dianteira para luz estroboscópica.
- Fixação individual.
- Alça de mão para transporte.
- Medidas: L: 0,292mm x A: 0,285mm x P: 0,095mm.
- Vendido somente o par.
Preço Sugerido: R$ 222,00
BABY BIKE KF 400
Cadeirinha infantil frontal para lazer.
Para crianças até 15 kg.
Peso: 1,66 kg
Possui cinto de segurança, apoio para as mãos e regulagem de altura para os pés.
Fixação no cubo do guidão por abraçadeira.
Cadeirinha compatível com a maioria das bicicletas.
Preço Sugerido: N/D
Trail Lite 14L
Curtlo
Mochila leve e compacta, com vários recursos técnicos. Possui diversos bolsos em tamanhos diferentes e um discreto porta-capacete. Suas alças anatômicas e estreitas são confortáveis, tanto para homens como para mulheres. O amplo canal de aeração diminui o contato total com as costas.
Costado com amplo canal de aeração estruturado até os ombros com E.V.A. de 6 mm e moldado com espuma de 25 mm (D33). Porta-capacete em tela embutido no fundo, em um discreto bolso com fixação superior por mosquetão. Cordão elástico trançado, pelo bolso frontal e pela lateral, com regulagem para compressão total. Amplo bolso frontal expander com detalhes em tela e regulagem com fecho de 20 mm. Tecido interno na cor cinza que facilita a visualização interna dos objetos. Compartimento independente para transporte do reservatório de água. Revestimento em Dry System no costado para absorção de suor. Fita com argola para fixar o reservatório na parte interna superior. Puxadores do cursor do zíper com cordão e ponteiras reforçadas. Barrigueiras com bolsos para pequenos objetos. Alças anatômicas moldadas em E.V.A. de 3 mm. Fita peitoral e abdominal ajustável de 20 mm. Refletivo frontal para mais segurança à noite. Fita frontal para lanterna estroboscópica. Bolsos laterais telados de fácil acesso. Bolso superior para pequenos objetos. Fita para reboque reforçada no fundo.
Preço Sugerido: R$ 218,00
www.curtlo.com.br
EQUINOX
Shimano
Armação leve, forte e durável, com Grillamid TR90.
Lentes com proteção UV 400, fotocromáticas, com tratamento anti-risco e anti-embaçante.
Compatível com RX-Clip (encaixe para uso juntamente com lentes de grau).
Preço Sugerido: R$ 299,00
Freio Hidráulico Shimano BR-M445
O melhor custo x benefício em freios a disco hidráulicos!
Este modelo de excelente qualidade, potência e rendimento, se encaixa perfeitamente em uma faixa de preços acessível para mais ciclistas que pensam em utilizar freios hidráulicos: seja para aumentar o valor de suas bikes, para testarem pela primeira vez ou simplesmente para terem a experiência com um produto destacado.
O BR-M445 possui uma melhora de 5% na potência de frenagem em comparação ao modelo anterior. O modelo opera com dois pistões opostos e tecnologia ONE WAY BLEEDING: o óleo percorre uma rota única na sangria do freio.
Em resumo e direto ao ponto: BR-M445: um freio hidráulico Shimano - leve, preciso e de ótimo preço que atende do ciclista de passeio ao mais exigente.
Preço Sugerido: R$ 350,00 sem rotores (discos).
Nova Embalagem
Câmaras de ar para Pneus de Bicicleta da Pirelli
A Pirelli criou uma nova embalagem para suas tradicionais câmaras de ar para pneus de bicicleta. Além do novo layout, o produto recebeu um invólucro em material mais resistente e durável, o que melhora a qualidade do manuseio da embalagem para os lojistas e a torna mais atraente para o público.
As câmaras de ar para pneus de bicicleta estão entre os produtos comercializados há mais tempo pela Pirelli, que tem um portfólio completo para todos os segmentos. Únicas com a tampa da válvula na cor amarela, o que contribui para incrementar o visual das bicicletas, são facilmente reconhecidas pelos consumidores.
Preço Sugerido: N/D
RODA MT15
SHIMANO
Visual de roda top de linha. Preço de entrada. Compatível com disco center lock.
• Desafio à gama de preços competitivos para as tradicionais rodas de raios.
• Cubo livre compatível com 8/9 velocidades.
• Aro (559x19C) apenas compatível com travão de disco.
• Montagem do rotor de BLOQUEIO CENTRAL mais rápida e eficaz.
• Raios: 28 na dianteira e traseira.
• Peso médio: 1.982 g par (Frente: 895 g, Trás: 1.087 g).
* Usar apenas com disco de travão.
Nota: O peso não inclui blocagem rápida ou valor da haste.
Preço Sugerido: R$ 749,00
Sandália SPD
Shimano
Excelente para uso depois da corrida ou para ciclismo em condições de muito calor.
Design melhorado com características clássicas para uma adaptação eficaz, segura e confortável.
Parte superior em pele natural com camadas de redes que controlam a transpiração.
Sola estável em borracha para ciclismo e caminhar confortável.
Almofada moldável para conforto em longas distâncias.
Preço sugerido: R$ 349,00
SL 300 - Soul Cycles
- Novo Shimano Alivio 27 velocidades.
- Mesa e Guidão FSA 31,8mm.
- Rockshox dart2 com trava.
- Pneu Kenda K922.
Preço Sugerido: R$ 2.199,00
www.soulcycles.com.br
MENINA DE OURO
Por Bianca Fernandes - autora do blog: http://biancafernandesmtb.blogspot.com
Bruna Rafaela de Moura - esse é o nome da mais nova patrocinada da Scott Bicycles.
No mês de maio, a Atleta Olímpica Jaqueline Mourão e a Scott promoveram o MTeenB – uma clínica de MTB Feminino, que por um final de semana promoveu para 24 meninas selecionadas, aulas técnicas, palestras, testes e muita adrenalina.
Dentre as 24 meninas, 8 delas se destacaram e durante todo o resto da temporada de 2010 estiveram sobre o olhar atento da equipe Scott, pois a garota que mais se destacasse, receberia um contrato com a Scott Bicycles.
Bruna, que começou as pedaladas a menos de um ano, mostrou muita força e determinação ao longo desses 7 meses. A chance de receber esse patrocínio foi fator decisivo para o salto de Bruna no mundo do MTB. “O MTeenB é um fator fundamental na minha atuação no MTB. Sem o projeto eu não teria metade do currículo, formação e nem 1/3 da experiência que eu tenho hoje. Foi através do MTeenB que eu me tornei a ciclista que sou hoje, e é através dele que pretendo melhorar cada vez mais e mais!”
A primeira temporada foi recheada com muitas vitórias: Campeã da Copa São Paulo, Campeã dos Jogos Regionais, Campeã da Copa Pedal Leve, Campeã da 67° Prova Ciclística 9 de Julho, Campeã do 16° Trip Trail de Paraibuna...
Mas o título mais almejado em 2010 foi o de Campeã Brasileira, que foi vencido com muita garra. “Estranhei muito aquele tipo de circuito, pois esta era a primeira vez que eu pedalava em um circuito de cross country (e também, a primeira vez que eu pedalava em um circuito com lama). Larguei na frente, fiz a curva e entrei no single track antes de todas. Consegui abrir uma boa distância das outras meninas e fui abrindo cada vez mais. Havia muita lama no circuito, os pneus travavam, a bike pesava e as subidas não acabavam, mas consegui terminar as duas voltas em 1º e conquistei o título”, conta Bruna.
A segunda parte do Projeto MTeenB ocorreu no Canadá. Seis jovens atletas foram escolhidas para esse intercâmbio, e Bruna foi uma das selecionadas. “O intercâmbio foi a peça fundamental na minha formação, uma experiência sem igual, onde eu adquiri conhecimentos sobre performance como atleta, alimentação, treino, bike, além de ter melhorado minhas técnicas... Aliás, eu fui pra lá praticamente sem saber nada sobre técnica e voltei de lá com muito conhecimento”, afirma.
De volta ao Brasil, com uma grande evolução na bagagem, seguiu firme com seu propósito e finalizou o ano com os títulos conquistados etapa a etapa. Realmente Bruna fez da temporada de 2010 uma “Temporada de Ouro”.
No dia 4 de janeiro de 2011, em Nota Oficial, a Scott declarou Bruna Moura como a mais nova integrante da Equipe Team Scott, e ganhadora do patrocínio proposto pelo Projeto MTeenB.
Acompanhe Bruna Moura pelo blog: http://bruninhamtb.blogspot.com
Abaixo a repressão
André Geraldo Soares – Coordenador de Comunicação da ViaCiclo – Associação dos Ciclousuários da Grande Florianópolis
De vez em quando ouvimos que não são justificáveis os investimentos em infraestrutura cicloviária porque “não se vêem ciclistas nas ruas”... Tal afirmação, contudo, está errada porque, geralmente, só se vê aquilo que é procurado - e o imaginário social predominante só nos ensina a ver motores quando tratamos de mobilidade. Tal afirmação é discriminatória, porque mesmo os poucos ciclistas que circulam em determinadas vias públicas são portadores do direito de se movimentar com segurança e conforto para ter acesso à cidade. Mas essa afirmação também é conformista, pois acata servilmente um estado de coisas sem questionar seus fatores determinantes e se esquiva de apontar soluções.
É preciso ver, no sistema viário, os ciclistas que não estão ali por serem reprimidos, ou seja, aqueles cidadãos que gostariam ou precisariam usar bicicleta, mas que não o fazem por não encontrarem condições adequadas para tanto. Demanda reprimida, ciclisticamente falando, significa a quantidade de ciclistas restringida ou coibida pela inexistência de políticas públicas cicloinclusivas. É fácil compreender que a ausência de medidas arquitetônicas ou indicativas para proteger os ciclistas nas ruas e avenidas e que o trânsito intenso e veloz de motorizados impedem, dificultam ou desencorajam as pessoas a pedalarem mesmo em curtas distâncias.
A carência de pesquisas aprofundadas e sistemáticas sobre a mobilidade urbana que, por custosas, deveriam ser encomendadas por organismos governamentais, nos impede de oferecer dados mais precisos sobre a realidade da demanda reprimida no país. Alguns exemplos, contudo, nos permitem dar uma ideia desse fenômeno, que é bem conhecido pelos ciclistas envolvidos em debates e ações pró-bicicletas.
Em 2007, o Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano de Londrina/PR constatou, através de 500 entrevistas, que 56,5% dos motoristas londrinenses “optariam pela bicicleta caso houvesse um sistema cicloviário na cidade”, sendo esse índice de 39,5% entre os usuários do transporte coletivo e de 58,6% entre os pedestres. Roberta Raquel, em 2006, ouviu 34 usuários do transporte público de Florianópolis para sua monografia em geografia, verificando que 81,4% deles “usariam bicicleta com mais frequência caso houvesse a instalação de ciclovias”. Em Blumenau, no ano de 2002, a Associação Blumenauense Pró-Ciclovias entrevistou 602 estudantes de uma escola particular e recolheu, de 48,5% deles, a afirmação de que “virão ao colégio de bicicleta quando houver segurança”. Em 2008, a Celepar (Companhia de Informática do Paraná) ouviu cerca de 550 dos seus funcionários de Curitiba e obteve os seguintes resultados: 19,44% deles “usariam a bicicleta diariamente para ir ao trabalho se houvessem ciclovias seguras”, 27,78% o fariam “com frequência” e 37,30% o fariam “de vez em quando”.
Quantos pais e mães gostariam de conceder aos seus filhos a liberdade elementar de ir à escola de bicicleta, ao invés de ter de levá-los de carro ou de contratar transportadoras? Quantos trabalhadores gostariam de chegar ao seu trabalho em menos tempo do que a caminhada até o ponto e espera pelo ônibus caro e lotado? Quantos idosos gostariam de praticar uma atividade física saudável e, de quebra, ganhar autonomia de deslocamento? Ora, podemos até pular a etapa das pesquisas: basta instalar estruturas e equipamentos visando a segurança ciclística que constataremos o rápido aumento de pessoas usufruindo das vantagens individuais e sociais da bicicleta...
Lamentavelmente os administradores públicos têm agido para desreprimir apenas a demanda pelo uso do automóvel: quanto mais viadutos construídos para tentar em vão desafogar o trânsito, mais pessoas sentir-se-ão estimuladas a tirar seus carros da garagem ou, em tempos de aquecimento econômico, a comprar um. O sistema viário e o ordenamento do trânsito demonstram que o direito inalienável de ir e vir, assinalado na constituição brasileira, não é equitativamente distribuído e que os interesses coletivos são soberbamente sobrepujados em nome da liberdade individual: aqui, como em outras esferas do convívio social, privatizam-se os benefícios e socializam-se os danos.
A falta de investimentos públicos voltados para a mobilidade ciclística não é simplesmente uma omissão, é um contínuo programa repressor. A reivindicação de infraestrutura viária e de integração com o transporte público, de sinalização de compartilhamento, de programas educativos e de fiscalização continuada não é apenas uma demanda corporativista, é um projeto de construção da liberdade e da igualdade ali onde a vida social flui: nas ruas das nossas cidades.
Cicloturismo - Escolhendo seu destino
por Antonio Olinto
Muitas pessoas me perguntam onde seria bom viajar de bicicleta.
Sempre dou dicas e tento descrever algum trajeto de acordo com o estilo que percebo em cada um, mas no fundo sei que a melhor resposta não está no que falo.
Fazer uma viagem de bicicleta, apesar de ser prazeroso, não é fácil. Exige preparo físico mínimo, disponibilidade de tempo e muita disposição. Geralmente só podemos conseguir todos estes ingredientes com alguma dedicação séria, e a melhor maneira de fazer tudo isto valer a pena é quando o esforço está dirigido em prol de uma grande causa.
Como já vimos, uma das características do cicloturismo é que a bicicleta atrai as pessoas e podemos nos relacionar muito em uma viagem. Aproveitando-se disto, muitos colegas colocam como “gol” de suas viagens causas nobres como a defesa de ideias e ideais. Entretanto para mim o mais nobre dos motivos é simplesmente seguir seu próprio sonho de viagem.
Realizar um sonho de viagem não é egoísmo, é obrigação. Quando o sonho de realizar uma certa viagem de bicicleta nasce em uma mente, geralmente é puro, ou seja, não foi colocado pela propaganda de consumo de massa. Sendo assim, é responsabilidade do dono do sonho torná-lo realidade. Mas será possível?
Sim, claro que sim, afinal o sonho, ainda dentro da mente do cicloturista, já é a primeira manifestação real da viagem. Entendemos que perseguir o sonho e realizá-lo é realmente nossa obrigação, pois os desejos profundos são os grandes indicativos de nossas missões na Terra, afinal cada um tem um sonho e cada um tem uma missão. O que devo fazer? A resposta é: aquilo que você sonha. A lógica é simples, se tive o sonho é porque ele deve ser realizado e, principalmente, porque é possível ser realizado pelo sonhador.
Quanto maior o sonho, maior o preparo. Treino, informação, experiência, endurância, abnegação, desapego, tudo isto pode ser necessário adquirir antes da realização do sonho de uma grande viagem de bicicleta, mas poucas coisas são impossíveis quando seguimos nosso sonho real, ou seja, aquele que não foi colocado externamente pela propaganda ou outros meios.
Mesmo quando tive que atravessar a Caxemira em meio a guerra civil, sabia que estava simplesmente seguindo meu sonho de subir montanhas com minha bicicleta. A Caxemira era uma região em guerra que tinha que passar para chegar ao Tibete indiano, no Himalaia, na estrada mais alta do mundo (5.600 m). Não havia o que temer, pois só estava seguindo um sonho. Não estava lá para sentir a tensão e a adrenalina inerentes ao perigo. Queria simplesmente ver a beleza das montanhas e ter a vivência com as pessoas do local, este sempre foi meu sonho.
Em meu histórico de rapaz do interior e advogado barrigudo que fez a volta ao mundo de bicicleta com 10 mil dólares, pude perceber a capacidade que temos de realizar o que sonhamos. Por isto confirmo que evoluímos cada vez que realizamos um sonho.
Quando fiz a volta ao mundo de bicicleta havia poucos guias de viagem, buscava inspiração para meus destinos nos cartões postais das bancas de jornais, assim alimentava novos sonhos com belas imagens de locais fascinantes.
Mesmo assim, sonhos podem ser confusos. Com a experiência acabei percebendo também a diferença entre um sonho sonhado e o sonho realizado. Passei por muitas decepções em locais famosos como as pirâmides do Egito e até mesmo em Agra (Índia). Comecei a reconhecer que cada sonho tem um caminho para chegar até ele, e se gosto do objetivo sem gostar do caminho, é por que algo está errado, existe alguma confusão.
Às vezes é melhor olhar para dentro para saber qual caminho tomar. Quanto mais experimentamos, mais reconhecemos o que nos agrada de verdade.
Nessa coluna pretendemos auxiliar o cicloturista a identificar seus verdadeiros sonhos de viagem, descrevendo algumas experiências, vivências e aprendizados que tivemos nestes anos pedalados.
Equipe Merida TMP anuncia a nova contratação para 2011
Texto: Álvaro Perazzoli
Imagens: Divulgação
O time conta com novos parceiros e este ano será representado pelos pilotos Rubens Donizete e Thiago Aroeira
Thiago Aroeira, piloto mineiro de 28 anos, é o novo atleta contratado para defender a Equipe Merida TMP. Junto com o também mineiro Rubens Donizete, a equipe busca manter o ritmo de vitórias do ano passado para focar no projeto olímpico.
Rubinho já está pré-convocado para representar o Brasil nas Olimpíadas de 2012, que acontecerá na cidade de Londres, Inglaterra, e Thiago também busca uma participação olímpica. Os pilotos têm grandes chances de participar dos jogos pan-americanos, que ocorrerão este ano em Guadalajara, México.
Rubens Donizete comenta que está ansioso para o início da temporada 2011 com os novos patrocinadores e o novo trabalho de equipe com Thiago Aroeira. “Apesar de nunca termos corrido juntos, competimos na mesma categoria nos últimos anos e deu para perceber que o Thiago é um atleta muito forte e técnico”.
“Esse ano temos que conquistar muitos pontos para classificar o país. Acredito que esta será uma das equipes brasileiras mais fortes com dois atletas na elite, e por isso eu e o Thiago vamos nos ajudar”, declara Rubinho.
Thiago também conta que está bem motivado a integrar o novo time. “Essa é hoje uma das maiores equipes do Brasil em nível de equipamento e atletas. Estou treinando muito, pois quero uma vaga olímpica”.
“Eu e Rubinho nos conhecemos há muito tempo como adversários. Hoje temos a oportunidade de desenvolvermos um trabalho juntos com o mesmo treinador. Tenho certeza que iremos nos ajudar muito para posicionar da melhor forma esse time”, declara Thiago Aroeira sobre a dupla que fará na Categoria Elite de MTB com Rubens Donizete.
De acordo com Fernando Louro, Chefe da Equipe Merida TMP, a expectativa para a temporada de 2011 é vencer os jogos pan-americanos, a Copa Internacional e o Campeonato Brasileiro.
A equipe de 2011 conta com o suporte da Merida Bicicletas, patrocínio da TMP embalagens, que está no time pelo terceiro ano consecutivo e um terceiro patrocinador, que ainda está em negociação. Os atletas também possuem o apoio da Fox Racing Shox, Giro, Northwave, Infante, Terra Bike, Maxxis / Calypso, Gu e Br Esportes.
Daniel Carneiro e Manuela Villaseca, pilotos que integraram a Equipe Merida no ano anterior seguem em busca de novos desafios e se despedem do time após fazerem um grande trabalho.
Atletas: Rubens Donizete e Thiago Aroeira
Chefe de Equipe: Fernando Louro
Treinador: Carlos Eduardo Polazzo Machado (Cadu)
Mecânico: Sidnei Lopes
Assessoria de Comunicação: Álvaro Perazzoli
Fotografia: Álvaro Perazzoli e Flávio S. Grassmann
SÃO PAULO BIKE TOUR 2011 COMEMORA ANIVERSÁRIO DE SÃO PAULO
Por Equipe Sampa Bikers
Centenas de pessoas apaixonadas por ciclismo participaram da tradicional pedalada organizada pelo Sampa Bikers
No dia em que São Paulo comemorou 457 anos, 25 de janeiro, as ruas da capital se transformaram em cenário para o cicloturismo urbano. O São Paulo Bike Tour, ou Sampabike Tour como é conhecido, é uma pedalada de 20 km pelos principais pontos do centro histórico e turístico da capital paulista. A largada aconteceu às 9 h, em frente ao Prédio da Porto Seguro, no Centro.
Antes da pedalada, foi oferecido um completo café da manhã aos participantes, pelo Café Moka. Durante o percurso, os ciclistas tiveram a oportunidade de pedalar e aproveitar para conhecer lugares importantes da história da maior cidade do Brasil. O trajeto percorreu lugares como a Estação da Luz, Mercado Municipal, Praça da Sé, Anhangabaú, Mosteiro de São Bento, Teatro Municipal, entre outros. Um dos destaques entre os participantes foi a participação das antigas, com ciclista vestido à caráter e tudo!
Criado em 1999, o evento patrocinado pela Porto Seguro e Centauro tem o objetivo de divulgar a bicicleta, não somente como esporte ou lazer, mas também como um meio de transporte alternativo. Além disso, “a ideia é educar os motoristas no trânsito para que haja mais respeito com as leis e, principalmente, com o cidadão. Para ajudar na divulgação dessa ação, chamada “trânsito mais gentil”, os ciclistas entregaram aos motoristas um folheto sobre o assunto”, explica Paulo de Tarso, presidente do Sampa Bikers, organizador do evento.
Todos os participantes ganharam um kit com camiseta, squeeze, boné, viseira e um pacote de Café Moka. Além disso, concorreram ao sorteio de uma bicicleta Houston.
UM PESO, DUAS MEDIDAS
Por Carlos Menezes
Muitas vezes o uso da bicicleta é associado erroneamente com a situação financeira ou classe social do indivíduo. Culturalmente, aprendemos que bicicleta não é meio de transporte, mas sim brinquedo de criança, e os adultos que continuam utilizando a bike no seu dia a dia, fazem-no por não possuir dinheiro suficiente para comprar um automóvel. Talvez isso ajude a explicar por que a compra de uma bike é feita com tamanha despreocupação, sem levar em consideração qualquer parâmetro, a não ser o menor preço. Se você falar que existe um tipo de bicicleta adequado para cada uso ou terreno é bem provável que você seja associado a uma espécie de fanático. Experimente então falar que levou a bicicleta para fazer a revisão ou apenas para lavar e lubrificar.
É muito comum você chegar na casa de alguém e deparar-se com uma bicicleta jogada em um canto do quintal, exposta ao sol e chuva, toda enferrujada, com pneus ressecados e no momento em que descobre o quanto você gosta de bicicleta, logo solta aquela frase: “você só pode estar louco, só de ir na esquina com essa bicicleta já volto com dor nas pernas”.
Quando ouvir alguém dizendo que não gosta de pedalar, pode estar certo que na verdade essa pessoa nunca andou numa bicicleta de verdade. Vamos melhorar essa frase. Boa parte das pessoas sonhou, quando criança, com uma bicicleta por se tratar do primeiro veículo a ser conquistado. O sinal de liberdade. A conquista do direito de ir e vir. Mas ao pedir insistentemente aos pais o tão desejado presente, eles fazem uma análise de mercado onde consideram apenas o valor e, no máximo, o aspecto visual da bicicleta a ser adquirida. Pensando em economizar, optam por uma bicicleta bem maior que a ideal, pois mesmo depois que a criança crescer a bicicleta não se torna pequena. Portanto o presente irá durar um bom tempo. Nesse momento existe uma grande chance da criança não se adequar ao novo “brinquedo”, pois o desconforto é tão grande que em pouco tempo desempolga, deixando-a encostada em algum canto.
Agora o que não dá para entender é como existe um peso e duas medidas quando comparamos o carro com a bicicleta.
Vamos pensar essa analogia em três etapas: Compra, Troca e Manutenção.
Compra
Todas as marcas de carro oferecem vários modelos e categorias de veículos. Temos os carros de entrada, com motor 1.0, e pouquíssimos acessórios, os carros intermediários com alguns opcionais e mais conforto e eficiência, e os “top” de linha com todos os opcionais possíveis, motores super potentes, mais conforto, segurança e otimização dos recursos oferecidos. Além disso, ainda temos os carros utilitários, de carga, de passeio, familiares, compactos, urbanos, adventures, 4X4, etc.
Quando a pessoa vai comprar um carro, considera todas as informações possíveis. Um carro 1.0 faz tudo que qualquer outro faz, o que muda é a eficiência e conforto de cada um. Uma pessoa faz tranquilamente uma viagem de 2000 km em dois dias em um carro 1.0, mas com certeza se sentiria muito melhor em um carro TOP de LINHA. Mas se você utiliza o veículo somente na cidade, com certeza o carro 1.0 te atenderá tranquilamente e com uma grande economia.
Com as bicicletas não é diferente. Existem as bicicletas moutain bike, asfalto (road, speed), triathlon, híbridas, ciclocross, urbanas, recreativas, etc. Dentro de cada uma dessas ainda temos uma infinidade de modelos, nos mais diversos valores. É possível encontrar bicicletas de R$ 199,00 até R$ 60.000,00, ou até mais. Mas qual é o uso que você vai fazer dela? Com qual frequência vai utilizá-la? E com que objetivo? Pense também em quanto está disposto a desembolsar. A partir daí saia em busca da bike que melhor atende suas necessidades.
Duas dicas importantes são: nunca gaste mais do que necessita no momento. Compre uma bicicleta adequada e comece a pedalar, à medida que for conhecendo mais sobre peças e equipamentos, custos e benefícios, volte a investir na troca de componentes ou na troca da bicicleta inteira com componentes melhores. A outra dica é: sempre compre a bicicleta adequada ao seu biotipo para que tenha prazer ao pedalar.
Conhecemos muitas pessoas que pedalam há muito tempo e que hoje pedalam longas distâncias. Não é raro encontrar grupos de ciclistas com crianças de 10 anos de idade até senhores de 65 anos. Meu pai mesmo tem 65 anos e pedala todos os dias. Mas da mesma forma conheço pessoas que compraram bicicletas, andaram um mês, e tomaram uma antipatia eterna.
Você pode se perguntar: O que faz alguns gostarem tanto e outros odiarem tanto? A resposta é: Algumas pessoas começam com a bicicleta inadequada.
Uma bike de R$ 199,00 está bem longe de ser uma bicicleta que oferece conforto ao ciclista para pedais e trilhas longas, assim como os carros 1.0 são inadequados para grandes e frequentes viagens. Mas são funcionais para passear no parque, ir ao supermercado, padaria, etc. Não que não cumpram essa função. Muito pelo contrário. Apenas não são as mais adequadas. Da mesma forma, uma pessoa que utiliza uma caminhonete 4x4 com cabos de aço e mecanismos anti-atolamento apenas para ir ao trabalho, está com equipamento a mais para aquilo que necessita. Assim, um ciclista não precisa comprar o que há de mais moderno em bicicleta se vai apenas passear no seu bairro.
Para comprar uma bike é preciso verificar se ela tem, no mínimo, regulagem de altura e recuo do selim, altura e recuo do guidão, uma boa relação de marchas e um bom jogo de rolamentos em seus cubos de rodas e centro.
Embora a maioria das pessoas desconheça a informação: bicicletas, assim como roupas e/ou sapatos, possuem tamanho exato para cada pessoa. E a escolha errada da bike proporciona desconforto tal que a pessoa desiste de sofrer.
Às vezes uma pessoa compra uma bicicleta por ter visto o exemplo de alguém que está pedalando e, consequentemente, perdendo peso rápido. Então compra uma bicicleta sem nenhum critério, esperando, ainda, que ela possa servir a mais de uma pessoa da família. Resultado: depois de algumas tentativas, fica lá jogada ao sol e à chuva, enferrujando, perdendo no mínimo R$ 500,00 do seu investimento. Agora imagine se essa mesma pessoa tivesse comprado uma adequada de, mais ou menos, R$ 1.500,00. Achou caro? Mas com certeza estaria pedalando até hoje. E se, na pior das hipóteses, não se adaptasse, venderia a bike por mais de R$ 1.000,00, o que seria um prejuízo menor.
Então, se vai começar, comece da maneira correta. Faça um Bike Fit e compre a bike adequada para a sua necessidade. Gaste o que tiver e puder gastar, sem exageros. (Matéria completa sobre Bik Fit na edição novembro/2010).
Troca
Uma das maiores preocupações dos pais quando vão comprar uma bike é: “ele está crescendo e a bicicleta vai ser útil por pouco tempo”. Os adultos já se preocupam em não gastar muito porque se resolverem vender, as bicicletas usadas sofrem grande desvalorização. Quando a criança crescer ou seu pedal evoluir, venda a bike usada e compre outra nova. Vai perder dinheiro? Com certeza. Mas, em comparação, sempre que trocamos o carro perdemos dinheiro.
Raramente vemos alguém chegar a uma concessionária para adquirir seu primeiro carro e comprar logo o Top de Linha para evitar a grande perda com a depreciação do veículo. E mesmo essas pessoas perdem muito dinheiro no momento da revenda.
Geralmente as pessoas compram seu primeiro veículo usado. Com o passar dos anos compram seu primeiro carro zero e vão galgando os modelos até atingirem o melhor veículo da marca. Faça isso também com as bicicletas. Comece por uma usada, passe para um zero km e vá melhorando até chegar ao modelo ideal.
Manutenção
Veículos automotores precisam ser revisados a cada certa quilometragem para verificar freios, suspensão, troca de óleo, alinhamento e balanceamento, dentre outras tantas precauções. Da mesma maneira as bicicletas precisam ser revisadas de tempos em tempos para troca de pastilhas de freio, revisão da corrente de transmissão, suspensões, etc. Ainda mais além, assim como existe uma maneira correta de trocar as marchas de carros e motos, também existe uma maneira correta de mudar as marchas da bicicleta, colaborando para sua manutenção.
O que precisamos ter em mente é que as indústrias investem milhões em pesquisas para chegar ao que existe de melhor para atender os consumidores. Posso garantir que essas bikes valem cada centavo que será investido. A sugestão é comprar uma bicicleta de entrada que já será um excelente ponto de partida. E atualmente as marcas brasileiras têm investido muito em bicicletas que proporcionem às pessoas uma boa entrada no mundo do ciclismo. Oferecem bicicletas de baixo valor e com poucos recursos, até bicicletas mais sofisticadas com vários componentes que proporcionam maior conforto e eficiência.
Pense que isso não é gasto, é investimento. Gastará muito mais com a saúde na terceira idade caso não tenha uma vida saudável. E a melhor maneira de empolgar seus filhos é dando o exemplo e oferecendo companhia: pedalar em família é algo mágico e transformador.
Álvaro Perazzoli é jornalista e responsável pelo site Urban Riders Brasil. Atua na área de bicicletas como consultor de comunicação e mercado.
Álvaro@revistabicicleta.com.br
Bike Business
A nova comunicação do mercado bicicletas
A bicicleta atingiu nos últimos anos um grande espaço nos veículos de comunicação aberta. A pauta sustentabilidade invadiu telejornais, campanhas publicitárias e políticas empresariais. Alternativas de transporte é uma das principais discussões nos grandes centros urbanos e o marketing verde é feito hoje até por empresas automobilísticas .
A bike naturalmente fulgura como uma das soluções. Estamos ainda longe do reconhecimento e estrutura necessária para um cidadão comum cogitar trocar o carro pela bicicleta e desistir de sofrer diariamente com um transporte público que possuí o valor de primeiro mundo e a qualidade de terceiro.
Mesmo assim cresce a malha de ciclovias, ciclo faixas de lazer saem do papel e passam a ser ampliadas, bicicletários com opção de locação de bicicletas ganham espaço em terminais de ônibus e estações de metrô e trem.
Eventos como World Bike Tour, Copa América de Ciclismo, Descida das Escadas de Santos já fazem parte da programação da maior emissora de TV do país que, no ano passado colocou o tema bicicleta em uma de suas novelas em horário nobre.
De acordo com a Abraciclo, o Brasil é o quinto maior consumidor e o terceiro maior produtor de bicicletas do mundo, com uma produção anual que representa 6% de todo o globo. Reflexo do setor popular e especializado que se mantém aquecidos e são atrativos para o surgimento de novas lojas, marcas nacionais e a importação de uma grande quantidade e variedade de bikes e acessórios.
Essa demanda tornou realidade uma feira exclusiva ao mercado de bicicletas que, no último ano dobrou o número de expositores.
No setor de comunicação não é diferente, há uma grande demanda por consumo de informação especializada.
Mas infelizmente a especialização da comunicação neste setor no Brasil é falha por ser restrita, limitada e em muitos casos amadora. Na maioria das vezes o jornalismo fica de lado e vemos em muitos sites e revistas uma extensão do marketing das empresas e uma sucursal de assessorias de imprensa.
A comunicação do mercado de bicicletas precisa acompanhar o crescimento do setor de forma imparcial com uma postura crítica sobre o cenário brasileiro.
Os empresários, atletas e produtores de eventos precisam entender e sair do vício deixado por antigos legados editorias onde os espaços de um veículo de comunicação eram para divulgar eventos, marcas e personalidades sem nenhuma crítica. Precisamos informar o leitor e retratar os fatos reais, sejam eles negativos ou positivos.
A crítica não sensacionalista é uma forma de prestar serviços reconhecendo pontos positivos e negativos para que os responsáveis pelo assunto retratado encontrem soluções e entreguem um produto que respeita o consumidor final com cada vez mais qualidade e profissionalismo.
Entrevista com Tonico Ferreira
Antonio Carlos (Tonico) Ferreira nasceu em 13 de junho de 1947, na cidade de Santos, em São Paulo. Formou-se em Arquitetura na Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo (USP). Em 1967, começou a trabalhar em vários jornais do movimento estudantil, depois na Folha de S. Paulo.
Em 1972, Tonico Ferreira foi secretário de redação de edições especiais da revista Realidade. Ainda em 1972, participou da criação do jornal Opinião, no Rio de Janeiro. O semanário foi uma das mais expressivas publicações da imprensa alternativa brasileira durante a ditadura militar.
Em meados da década de 1970, Tonico Ferreira voltou para a capital paulista, onde o mesmo grupo que formou o jornal Opinião criaria outro semanário, o Movimento. Por causa desse trabalho na chamada “imprensa nanica”, o jornalista foi processado duas vezes durante o governo Geisel com base na Lei de Segurança Nacional. Com a abertura política, foi anistiado. Começou sua carreira na televisão em 1981, na TV Bandeirantes, como chefe de reportagem de um programa vespertino sobre cidades. No final de 1981, foi convidado a trabalhar na redação da TV Globo de São Paulo.
Um dos primeiros trabalhos do repórter Tonico Ferreira na TV Globo foi a investigação de uma série de denúncias envolvendo desvio de dinheiro do Banco Brasil por fazendeiros no interior de Pernambuco. Na época, o Procurador Geral da República, que investigava o crime, foi assassinado, e o caso ficou conhecido como “escândalo da mandioca”. A reportagem feita por Tonico Ferreira para o Globo Repórter rendeu ao jornalista o prêmio Vladimir Herzog de Direitos Humanos em 1982.
Participou de diversas coberturas de fatos importantes da história brasileira. Também cobriu eventos mundiais importantes como os Jogos Olímpicos de Los Angeles, 1984. Ainda na década de 1980, foi destacado como enviado especial da TV Globo para acompanhar a situação política em vários países da América do Sul. Em 1986, desligou-se da Globo para dirigir a sucursal da SBT em Brasília. No SBT, cobriu a Copa do Mundo de 1994 nos EUA, e os Jogos Olímpicos de Atlanta, em 1996. Retornando à Globo, em 1998 foi trabalhar como correspondente internacional em Londres, onde permaneceu por dois anos. De volta ao Brasil, trabalhou como enviado especial em várias coberturas internacionais marcantes, como a do golpe contra o presidente Hugo Chávez, na Venezuela, e preparou uma reportagem especial sobre a missão de paz que o Brasil enviou ao Haiti, destacando a situação de insegurança e miséria do país.
Em 2010 participou do Núcleo Globo Amazônia, com quatro séries de matérias sobre a região. Uma das séries venceu o Prêmio Allianz Seguros de Jornalismo, no tema especial de sustentabilidade e mudanças ambientais.
Tonico Ferreira é casado e tem quatro filhas e quatro netos.
Como a bicicleta entrou em sua vida? Há quanto tempo pedala?
A bicicleta fez parte de minha vida desde que ganhei uma Monark, quando tinha oito anos. Naquele tempo, anos cinquenta, era Monark ou Caloi - sem marcha, é claro. A Caloi 10, quando surgiu em 1972, foi meu sonho de consumo. Mas eu estava no jornalismo de oposição, sem dinheiro, não deu para comprar. Só passei a ter boas bicicletas a partir de 1991, com o surgimento do Olavo Bikers, meu grupo de amigos ciclistas.
Em que modalidades gosta de pedalar?
Gosto de todas as modalidades. Tenho Mountain Bike, Speed (Road), Tricross e uma Brompton dobrável. Mas sou amador, não participo de competição.
Pedala só, ou com um grupo?
Sozinho durante a semana; em grupo (Olavo Bikers) nos fins de semana.
Descreva a sensação de estar em cima duma bicicleta.
Em uma palavra: liberdade. É o melhor meio de locomoção para conhecer lugares. Ao visitar uma cidade, por exemplo, você consegue ir a pontos onde não entram automóveis e que são cansativos para se chegar a pé. Nas estradas e nas trilhas, você, digamos, se incorpora à natureza. A sensação ao chegar a um lugar maravilhoso depois de horas de pedal é indescritível.
Alguma história interessante relacionada à bicicleta?
Bicicleta é um meio de transporte perigoso. As quedas são comuns e machucam. Eu já tive três acidentes: quebrei costelas, braço e mão. Mas se você colocar na balança custo e benefício, o saldo é positivo. O condicionamento físico do ciclista ajuda a manter a saúde em ordem. Eu costumo dizer que é melhor ir ao ortopedista do que ao cardiologista.
Já fez grandes aventuras com a magrela?
Já pedalei na Inglaterra (Londres e interior), Estados Unidos, Portugal, França, Itália, Áustria, Alemanha e China. Mas aventura mesmo foi na Bolívia, quando desci a Estrada da Morte, que sai do alto dos Andes perto de La Paz. O passeio tem um visual maravilhoso pelas montanhas e uma descida que sai de 4.600 metros de altitude para 1.200 metros, chegando em Coroico. Perigosíssima – vários ciclistas perderam a vida nessa descida louca.
Já fez reportagem de bicicleta?
A descida da Estrada da Morte foi uma reportagem para o Globo Repórter. E já entrei ao vivo no SPTV pedalando em uma avenida de São Paulo para falar da importância das ciclovias.
Em sua opinião, por que a mídia, de maneira geral, incentiva tão pouco o uso da bicicleta?
Acho que a mídia até toca bastante no assunto. Mas o uso tem limitações reais. Não é fácil, por exemplo, usar bicicleta em São Paulo para ir trabalhar – trânsito, clima, subidas etc. Em Londres eu ia para a redação da Globo na minha Brompton, mas lá o clima frio e seco ajudava muito – eu pedalava de terno e gravata!
Fora da televisão, quem é Tonico Ferreira?
Fora da Globo, sou ciclista e fotógrafo amador. E leitor de livros, digamos profissional, porque gosto mesmo de ler.
Tonico, sabemos do potencial da bicicleta relacionado à qualidade de vida, mobilidade e sustentabilidade. Como você vê a evolução do uso da bicicleta como um todo no Brasil?
O uso está crescendo, mas em ritmo lento. Como disse antes, não é fácil usar bike nas grandes cidades para trabalhar. E nas pequenas, o pessoal quer mesmo é uma moto – cujo preço caiu muito nos últimos tempos. O uso fica restrito ao lazer e ao esporte. Acho que o futuro pode ser a bicicleta elétrica, se as baterias ficarem menos pesadas. Na bicicleta elétrica você ainda pedala, o que é bom para a saúde, e pode vencer subidas sem um esforço brutal.
O que você acha que pode ser feito a fim de ajudar mais pessoas a despertar para o uso da bicicleta?
Mostrar que não há nada melhor para se fazer num domingo de manhã, por exemplo, do que dar uma boa volta de bicicleta com amigos e amigas. E que uma trilha em meio à natureza é uma sensação imperdível. Se a gente ganhar público para o lazer, teremos mais condições de ganhar público no futuro para o transporte do dia a dia.
17 – Para você, o que representa a bicicleta?
Com o passar dos anos, a bicicleta foi ganhando cada vez mais espaço em minha vida. Procuro sempre juntar a bike com outras coisas que gosto de fazer, como viajar. Dezembro passado fui à Miami, EUA, ver a Art Basel, uma exposição de arte contemporânea. Levei minha Tricross e pedalei durante todas as manhãs. Visitei lugares aonde poucos turistas vão – os bairros latinos, a Little Havana, a Little Haiti. Uma delícia. A bicicleta foi também o que deu amarração a um grupo de amigos hoje muito unido no Olavo Bikers. Então bicicleta para mim é: viagem, natureza, amigos, saúde, prazer. Que mais eu quero?
QUADRO APÓS ENTREVISTA
Olavo Bikers - 20 anos
O grupo é muito animado e o slogan deixa claro que não há muitas regras: “Vai Quem Quer, Volta Quem Pode”. O fato de ser simples fez do Olavo Bikers um dos maiores grupos de bicicleta do Brasil, com até 250 participantes em alguns passeios.
Ele leva o nome de um engenheiro de 70 anos, Olavo Silveira, um ciclista inveterado que assumiu a liderança por sua força interna pessoal. Para onde ele vai, nós vamos - é assim que funciona.
Em 1991, Olavo, eu e mais alguns amigos saímos no grupo noturno da Renata Falzoni, a jovem mãezona de todos os ciclistas de São Paulo. Como queríamos pedaladas mais tranquilas, com menos gente, formamos um grupo a parte. Mas a ideia de buscar tranquilidade não funcionou porque, para nossa surpresa, o grupo cresceu, cresceu... e cresceu. Mas tudo bem; ganhamos com as novas amizades que surgiram. Às vezes, o Olavo olha para o grupo na rua (ocupando um ou dois quarteirões) e me diz: “Tonico, criamos um monstro!”
E por que o Olavo Bikers é sucesso de público? Exatamente por ter poucas regras. O importante é sair sempre do mesmo lugar, no mesmo dia da semana e na mesma hora. E durante o “pedal”, a regra é não ultrapassar o líder – que pode ser o Olavo ou outro. E só.
O passeio básico é no domingo e tem de 35 a 45 quilômetros. Saímos às nove e meia da manhã e voltamos perto do meio dia. Mas existem subgrupos – um deles sai no sábado de speed na Cidade Universitária, outro sai todo sábado para trilhas no interior, outro ainda faz uma viagem anual para o exterior. E há o grupo que faz um jantar todo mês – há muitos programas conjuntos onde a bicicleta não entra.
As pessoas são bem diversas e o que as une é o prazer de pedalar. Mas disso surgiram amizades fortes - quem pedala gosta de se socializar. Acho que é porque dá para passear e conversar ao mesmo tempo. O número de mulheres se iguala ao de homens, as profissões são as mais variadas e o resultado é uma confraria, um clube – mas um clube grande.
Quem quiser sair no Olavo Bikers, é só pegar as informações no blog: olavobikers.blogspot.com. Na saída do passeio cobra-se uma pequena contribuição de dois reais. O dinheiro, junto com a renda da venda de camisetas, vai para a Casa do Idoso Madre Teodoro.
É isso: esporte, aventura, diversão, amizade e filantropia. Tudo por causa dessa coisa simples e fantástica chamada bicicleta.
3º World Bike Tour São Paulo para a cidade
O evento gerou polêmica e foi realizado sobre críticas e elogios por parte dos participantes
Reportagem, texto e fotos por: Álvaro Perazzoli
Manhã de terça-feira, São Paulo faz 457 anos e é feriado estadual. O céu azul acompanhado de um forte sol é como um presente após semanas de chuvas que resultaram em diversas tragédias e caos, ainda visíveis em diversas regiões.
A cidade chegou a um ponto de ter uma rádio especializada em divulgar informações sobre o trânsito e rotas de fuga aos motoristas. Neste dia ela anuncia trânsito pesado na Marginal Pinheiros e imediações. Desta vez não é por excesso de veículos, alagamentos ou algum tipo de acidente. O motivo é bicicletas.
O dia 25 de janeiro foi a data escolhida para a realização da 3ª edição do WBT SP (World Bike Tour São Paulo), passeio ciclístico concebido em 2006 na Europa que consiste em colocar mais bikes nas ruas para promover e incentivar o seu uso nos grandes centros urbanos.
O grande diferencial do WBT SP são as empresas patrocinadoras. Um banco junto com a parceria da Prefeitura de São Paulo, o Governo Federal, a maior emissora de Rádio e TV do país e uma das mais conhecidas indústrias e montadoras de bicicletas do Brasil.
Isso resultou em uma ampla divulgação na mídia aberta e o principal, cada participante inscrito paga uma taxa de R$ 180,00 e ganha uma bicicleta com um valor bem acima da inscrição, capacete, dorsal com identificação do ciclista, mochila, camiseta, medalha e diploma de participação.
“Mesmo não sendo brasileiro acho extremamente importante um evento como este em São Paulo. Mais de sete mil bicicletas novas estão nas ruas. A presença da secretaria de transportes neste passeio origina um pensamento de novas ciclovias e ciclofaixas”, comentou Diamantino Nunez, português presidente do Comitê WTB (World Bike Tour).
A organização disponibilizou sete mil inscrições, mil a mais que o ano anterior. O número é muito longe da demanda de pessoas interessadas em participar. Isso faz com que as vagas se esgotem poucas horas depois da abertura no site.
Muitas pessoas que não conseguiram se inscrever, seja pelo valor ou por falta de vagas incluíram um grupo que ficou conhecido como a “ala dos excluídos”. Cerca de duas mil pessoas em estimativa não oficial com diversos perfis. Ciclistas profissionais, entusiastas, famílias inteiras e os típicos personagens dos passeios ciclísticos brasileiros que vão fantasiados e com inúmeras bikes artesanais exóticas.
Essas pessoas foram barradas pela organização e ficaram cerca de 90 minutos esperando a liberação da ponte Octávio Frias de Oliveira, “Ponte Estaiada”, para seguirem no trajeto do WBT SP que percorreu a pista expressa da Marginal Pinheiros por aproximadamente 9 km e terminou na USP (Universidade de São Paulo).
Muitos ciclistas não se importaram com o barramento e aguardaram a abertura com muito bom humor. Foi o caso de Antônio Aguinaldo da Silva, pernambucano que mora e trabalha no Bairro de Paraisópolis em São Paulo .
“Se a gente seguir separado, isso vai depender deles, pois lá na frente a gente se junta a todo mundo. O importante é participar do evento e se divertir”, declara Antônio que foi carinhosamente apelidado de Raul Seixas por ter a bicicleta mais chamativa do evento e fazer a trilha sonora com um som de alta potência instalado em sua magrela com centenas de luzes e diversas outras quinquilharias.
Duas fotos, uma da bike e outra do Antônio bem próximas
Foto Legenda: Toca Raul! Bike artesanal chamou a atenção por onde passou
De acordo com o segurança do evento que se identificou apenas como Luciano, o prazo de liberação da via fornecido pela CET era até meio-dia e o barramento era para separar as pessoas que estavam com as bicicletas do evento das que não estavam.
“Essa separação é para não embolar. Primeiro vai o pessoal que ganhou a bike e faz parte do World Bike Tour e depois vai a população” explica o segurança.
Quando questionado sobre o barramento e a liberação dos ciclistas não inscritos no inicio do evento, o presidente da WTB lamenta sobre a espera e diz que as pessoas estavam a espera de algo que na prática não era permitido.
“O evento tem uma saída para quem está inscrito, ponto (sic!). A organização deste evento é exclusiva para pessoas que estão inscritas, com seguro e com tudo que é necessário de acordo com as regras estabelecidas. As regras podem mudar amanhã, mas hoje são essas e elas precisam ser seguidas”, afirma Diamantino.
CHAMADA: “A cidade não é só para aqueles que pagam, pois já pagamos impostos pra tudo. Todos tinham que sair juntos e não pode haver diferenciação entre quem pagou e não pagou.” (Marcos Mazzaron)
De acordo com Marcos Mazzaron, diretor da FPC (Federação Paulista de Ciclismo), da Ciclofaixa de São Paulo, Campinas e Ribeirão Preto, a cidade é de todos e as pessoas não devem ser separadas.
“Todos temos direitos iguais, se a cidade não tem infraestrutura para comportar todos que desejam participar, não façam. A cidade não é só para aqueles que pagam, pois já pagamos impostos pra tudo. Todos tinham que sair juntos e não pode haver diferenciação entre quem pagou e não pagou.”
Algumas pessoas que não conseguiram a inscrição e participaram no segundo “pelotão” do passeio estavam com nariz de palhaço em protesto ao número limitado de inscrições e bicicletas.
“No geral eu vejo o evento como bom, pois algumas das muitas bicicletas que tem aqui vão começar ir para a rua e vão usar como meio de transporte. O lado negativo é que não tem bike para todo mundo, a inscrição acaba em minutos e muita gente veio com nariz de palhaço por isso”, conta Natali Maria Gonçalves, cicloativista e moradora do centro de SP.
Segundo Mazaron, a ideia é muito boa e importante. Começou em outros países e ele a aprova mesmo tendo algumas críticas em relação à organização - que de acordo com ele tem que melhorar muito.
“Eu apoio tudo que favorece a bicicleta de maneira responsável. A organização não deve ser só para foto. Eu não encontrei minha bike na hora da saída e vi muitas pessoas voltando no contra-fluxo pelo fato de não terem saídas, devido as grades que a meu ver não serviram para absolutamente nada. O fechamento das ruas foi feito de forma amadora”, comenta o diretor da FPC.
CHAMADA: “A bicicleta é um meio de você se libertar sobre o que a televisão prega que é comer, beber, fumar e gostar do Ronaldinho. Então desliga a TV e vem pedalar um pouquinho.” (Domingos Gatti)
Para o cicloativista Domingos Gatti que reside no bairro de Vila Mariana, SP, essa é uma porta de entrada para o ciclismo em São Paulo e uma chance de tirar o motorista de trás da direção. “A bicicleta é um meio de você se libertar sobre o que a televisão prega que é comer, beber, fumar e gostar do Ronaldinho. Então desliga a TV e vem pedalar um pouquinho”.
Quando questionado sobre as críticas feitas por participantes do evento e sobre as duas saídas, Gatti replica. “Isso é um problema da organização. O que importa é que esse é um movimento ciclístico. Não é algo em prol da motocicleta, da bebida e do carro. Tem que criticar eventos como a Fórmula 1 que ensinam as pessoas a correrem de automóvel e atropelar crianças. Devemos parar de ser radical e apoiar quem nos apoia”.
A data também marcou a celebração do aumento da ciclofaixa de lazer, que no dia 23 de janeiro passou de 10 km para 30 km em uma integração de parques que inclui o Villa Lobos, das Bicicletas, Ibirapuera, do Povo e a USP (cidade universitária).
A Prefeitura de São Paulo e a organização do WTB SP foi contatada para responder as críticas e não se pronunciou até o fechamento desta edição.
Bonde da Bicicletada (pode ser um intertítulo ou complemento da matéria ou uma matéria a parte de uma página, pois tenho muitas fotos legais)
No término do evento na porta principal da USP, diversos ciclistas estavam reunidos e alguns com placas na bikes, costas e faixas com os dizeres “Volte Pedalando, pergunte-me como”, “Bonde do Jabaquara”, “Bonde de Perdizes”, “Não sabe voltar, vá para o bar”, entre outras.
Isso nada mais era do que uma organização coletiva da Bicicletada, www.bicicletada.org, grupo autogestivo sem fins lucrativos que promovem um pensamento sustentável através de ações diretas, manifestações e eventos culturais em prol da bike ao redor do mundo.
Uma das responsáveis pelos bondes foi Natali Maria Gonçalves, que também integra a Bicicletada SP, “Como a gente sabe que muitas pessoas saem do WBT e começam a pedalar nas ruas, achamos que com esses bondes talvez conseguiremos aumentar o número de pessoas nas ruas com bicicletas, e incentivá-las a deixarem o carro em casa e não pagar IPVA, gasolina, seguro ...”.
Os bondes foram um dos pontos altos do evento, pois promoveram a integração de bikes e colocou de forma imediata a proposta principal do WTB, que é o uso da bicicleta como alternativa de transporte e solução ambiental.
A cicloativista Aline Cavalcante que mora no bairro Pinheiros, conta que os bondes foram um momento ímpar onde os ciclistas mais experientes puderam dar dicas de posicionamento na via, de ciclismo urbano e falar dos grupos que agem nesse sentido.
“A melhor parte do evento foi sem dúvida a formação dos bondes para as pessoas voltarem pedalando. Momento que pudemos conhecer pessoas que utilizam ou querem utilizar a bicicleta no dia a dia. Se conseguirmos tirar das garagens 1% dessas bikes distribuídas aqui, será um ganho incalculável pra nós”, finaliza Aline.
Vamos pedalar, amigo?
Por José Adal
Volta Redonda - RJ
CHAMADA: 200 anos em cima das bicicletas!
A Bike é um veículo de transporte - Ora, isto eu já sei! Quero dizer outra coisa. Ela é também um veículo de comunicação. Sobre ela não se faz só exercício corporal, há o linguístico: falar, cumprimentar e perguntar. Que exercício para a língua! E como a gente vai mais longe conversando!
CHAMADA: Meu apelido para alguns colegas é Seu Zé fecha farmácia - não compro mais remédios.
Foi assim, batendo papo com o conhecido Dunga, que entrei em contato com o mountain bike. Precisava ver o entusiasmo dele pelas pedaladas. Não tive dúvida; cai dentro. É bem verdade que quase morri no primeiro passeio de 30 km, mas sobrevivi e não parei mais de pedalar. Dunga me prometeu levar por cem trilhas diferentes. Resultado: fiquei 20 kg mais magro, ganhei uma boa musculatura e minha pressão normalizou. Meu apelido para alguns colegas é “seu Zé fecha farmácia” - não compro mais remédios para mim.
CHAMADA: Fiquei mais magro 20 kg, ganhei uma boa musculatura e minha pressão normalizou.
Ah! Sim, já andei toda a centena de trilhas e quanta coisa aprendi conversando com o Dunga, tanto sobre as técnicas do ciclismo como a respeito de botânica; ele é um profundo conhecedor das plantas. Ouvindo as explicações em pleno campo e enquanto pedalava, acabei adquirindo mais respeito pela ecologia. A bike é mesmo mágica.
Mas, como dizia, pedalar exercitando a língua é ótimo. Sobre a magrela me sinto tão feliz que vou cumprimentando todo mundo no caminho. Todo mundo mesmo! Um jovem que me acompanha me imita brincando: “Oi, cavalinho bonito! Para aí, cachorro bonito!” É mesmo, falo com a natureza e com meus irmãos humanos.
CHAMADA: A bike faz dessas coisas - junta as pessoas, cria amizades duradouras.
E foi assim que conheci João Bosco. Num passeio a um quilombo ultrapassava um ciclista desconhecido quando botei minha língua pra funcionar: “Ei companheiro, vamos com a gente!” E ele foi! Nós conversando, e o tempo e a estrada passando sem a gente ver. Não deu outra, ficamos amigos. A bike faz dessas coisas - junta as pessoas, cria amizades duradouras.
Trocando ideias enquanto os pés movem o pedal me lembra outra coisa incrível. Íamos, eu e João, no ti-ti-ti por um caminho com uma subida bem inclinada, onde tem que se fazer bastante força no pedal e até pedalar em pé - no meu caso, bufando. E não foi que nós, no conversê, nem notamos a tal subida? Lá na frente me dei conta: “João, cadê a subida do Peixe?”
É assim. Andar de bike é um excelente exercício, mas com amigos ela se torna prazerosa e edificante. Nós três temos praticamente a mesma idade, nascemos antes da metade do século passado, em 1944. Gostamos quando ouvimos um jovem, conosco na trilha, comentar: “Vocês são um exemplo pra gente!” E não é pra ser?! Quando pedalamos juntos são quase 200 anos em cima das bicicletas! Não cansamos - nem de pedalar, nem de conversar – e, enquanto isto, multiplicamos os amigos e conhecidos!
Então, só me resta usar a língua e perguntar: “Vamos pedalar, amigo?”
(José Adal, João Bosco e Benedito (Dunga) fazem parte do Clube Adventure de Bike & Trekking de Volta Redonda – RJ. Os três são nascidos em 1944 e, portanto, completam 67 anos em 2011)
BICICLETAS ELÉTRICAS
Ao contrário do que se pensa, a bicicleta elétrica continua sendo um produto para pedalar... Seu verdadeiro propósito é auxiliar o ciclista quando lhe faltam pernas, pulmão, condicionamento, espaço. Seu objetivo é tornar o esforço desnecessário praticamente inexistente, e assim proteger o corpo do ciclista de lesões, infortúnios e riscos.
A acelerada expansão da bicicleta elétrica no mundo é consequencia do entendimento que ela é a evolução das bicicletas com marcha, da mesma maneira que as bicicletas com marcha foram uma evolução das bicicletas sem marcha. Num paralelo, analisando produtos de uso comum, vemos a evolução do telefone antigo ao telefone celular, uma máquina de escrever que foi substituída pelo computador, ou o disco de vinil que foi substituído pelo CD e pelo MP3.
Portanto, a bicicleta não é um produto da preguiça do ser humano, mas fruto de sua inteligência aliada ao seu próprio tempo.
I – Componentes Elétricos ou “Eletrônicos”
Uma bicicleta elétrica possui os seguintes itens adicionais a uma bicicleta comum:
Além do alojamento destes dois componentes mais perceptíveis ao ciclista comum, as bicicletas elétricas se completam no seguinte conjunto inteligente:
Motor Elétrico
Podem ser do tipo Brush ou Brushless.
Brush: termo inglês que significa escovas. O motor com escovas se assemelha aos motores com carvão das ferramentas elétricas comuns como furadeiras, etc. São de fácil manutenção e normalmente alojados fora do cubo.
Brushless: termo inglês que significa sem escovas. São os motores que funcionam por indução elétrica, ou motores de passo.
Qualquer dos dois tipos de motores não determinam o desempenho da bicicleta, mas o conjunto e a qualidade de todos os componentes que formam o conjunto inteligente.
Baterias
São encontradas em sua maioria de chumbo-ácido ou íons de lítio.
Chumbo-Ácido
As baterias de chumbo se utilizam de componentes químicos que se assemelham aos utilizados na produção de baterias de carro e moto e nos mercados de eletrônica como circuito fechado de TV, no-breaks, cerca elétrica, etc.
A tensão dessas baterias é sempre de 12 volts. Dependendo da tensão do motor utilizado (24V, 36V, 48V) utiliza-se 2, 3 ou 4 células ligadas em série. Por exemplo:
2 x 12V = 24V
3 x 12V = 36V
4 x 12V = 48V
É justamente a tensão (voltagem) em que o conjunto inteligente da bicicleta irá trabalhar que irá determinar a quantidade e peso adicional dos componentes. Por exemplo, um conjunto de 48 volts deverá utilizar quatro baterias de 12 volts ligadas em série, enquanto um conjunto que trabalhar na tensão de 24 volts irá utilizar apenas duas, trazendo o peso adicional das baterias para a metade.
As baterias de chumbo levam a vantagem sobre as baterias de lítio, pois apesar de mais pesadas e possuírem menor tempo de vida (300 a 400 ciclos) são mais em conta e podem ser encontradas em qualquer distribuidor de eletrônica em todo o Brasil.
Em relação à reciclagem, o Brasil possui um alto índice devido ao reaproveitamento do chumbo no mercado alcançando alto valor de sucata (R$ 1,00/kg, em 2010).
Outro fator que influencia na utilização das baterias de chumbo é a amperagem (AH). A amperagem da bateria será fundamental na autonomia das bicicletas. As baterias de chumbo de 12 volts costumam ser encontradas no Brasil com 9 AH, 10 AH e 12 AH.
Ao contrário do que se pensa, as baterias de chumbo devem sempre estarem carregadas. O uso adequado é sempre plugá-la para recarga imediatamente após o uso da bicicleta, independente do nível de energia que ainda se mantém. Fazendo o bom uso, mantendo-a sempre carregada, pode alcançar até 450 ciclos. Se a bateria não for recarregada em seis meses, ela perderá a capacidade de retenção de carga.
Aceleradores
Os aceleradores se diferenciam pelo tipo de aceleração, pelas mãos (movimento da mão ou do dedo) ou pelos pés (movimento da pedalada). Podem estar alojados no guidão, junto ao movimento central (pedal assistido) ou ainda no eixo traseiro.
Os aceleradores alojados no guidão funcionam livremente a partir da ação de uma das mãos ou dedo polegar do ciclista. O ciclista aciona o acelerador independente das ações do pedal. Podem ser do tipo TWIST AND GO (gira e vai), semelhante ao acelerador de uma moto, ou do tipo THUMB (dedo polegar), semelhante ao acelerador de um Jet ski ou triciclo motorizado.
As bicicletas elétricas com este tipo de aceleração, independente do pedal, são mais adequadas ao uso em terrenos planos, pois ao se deparar com uma subida, o ciclista tende a parar de pedalar e somente fazer uso do acelerador. Mas o bom desempenho do motor elétrico em subidas se deve principalmente ao uso misto, ou seja, pedal + motor elétrico.
Acelerador do tipo “TWIST” (giro), se assemelha ao acelerador de uma scooter ou moto
Acelerador do tipo “THUMB” (dedão), se assemelha ao de um Jet Ski ou um triciclo/quadriciclo motorizado.
Acelerador com sensor de giro no movimento central
Os aceleradores de pedal também são chamados pedais elétricos, ou pedais assistidos. Alguns sensores de giro são instalados no movimento central da bicicleta, e à medida que o ciclista pedala, o sensor lê as pedaladas e dispara a energia elétrica para o motor.
Sensor de torque eixo traseiro
Os sensores de torque já são um avanço no próprio desenvolvimento das bicicletas elétricas. O sensor funciona independente do giro das pedaladas. Eles disparam a energia para o motor assim que o ciclista encosta o pé no pedal. Um sensor de torque com cinco níveis de intensidade, aliado a uma bicicleta de 24 marchas, pode produzir 120 velocidades.
Sensor de torque instalado junto ao eixo traseiro
Modo duplo – aceleração no guidão + assistência no pedal
Alguns produtos IZIP dispõem de um dispositivo que permite o ciclista escolher o modo mais adequado de aceleração. Assim, um botão acoplado ao acelerador no guidão permite ligar ou desligar o modo de aceleração do pedal. As bicicletas elétricas com este tipo de aceleração são mais indicadas para uso em terrenos íngremes. Em uma subida, o ciclista que já pedala para disparar a assistência elétrica do motor alcança a maior resposta do conjunto inteligente.
Botão Liga e desliga do módulo Pedal Assistido (PAS)
Controlador
Toda bicicleta elétrica possui um “computador de bordo”, que é o controlador dos impulsos elétricos da bicicleta. Ele fica alojado abaixo do rack traseiro, abaixo das baterias ou fixado no tubo do selim.
Recarregadores inteligentes
Existem vários tipos de recarregadores no mercado, pois há uma grande variação da tensão das diferentes áreas em que a bicicleta é vendida. Por exemplo, as bicicletas IZIP fabricadas pela Currie Technologies dos EUA chegam ao Brasil com recarregadores apenas 110 volts, porque lá a voltagem é padronizada 110V. Neste caso, é necessário um transformador de tensão 220V para 110V, para não queimá-lo quando plugá-lo na tomada. Os recarregadores inteligentes cortam a emissão de corrente quando a bateria está cheia, evitando que ela seja danificada com sobrecarga.
A bicicleta é o meio de transporte mais vendido no Brasil, e os fabricantes apostam que até 2014 irão comercializar cerca de 200 mil bicicletas elétricas por ano. O consumo – algo em torno de R$ 0,02 - de energia por quilômetro rodado e a não emissão de gases tóxicos fazem das magrelas motorizadas um grande aliado para os cidadãos de grandes cidades, como São Paulo, onde R$ 335 milhões são gastos anualmente com internações e tratamentos de pacientes afetados pela poluição.
SEIS MOTIVOS PARA TER UMA BICICLETA ELÉTRICA
1. ECONOMIA: A única despesa da bicicleta elétrica é recarregar a bateria na eletricidade. Calcula-se que uma bicicleta elétrica consome R$ 0,02 por quilômetro, ou seja, muito mais barato que a gasolina. E o seu dono não paga IPVA.
2. AMBIENTE: A bicicleta elétrica, ou e-bike é um produto ecologicamente correto, pois não emite fumaça e, portanto, não polui o meio ambiente.
3. SAÚDE: Não é por ser elétrica que a bicicleta impedirá seu usuário de pedalar e praticar um exercício físico. Bicicletas elétricas possuem pedais, e sempre que o ciclista quiser poderá utilizá-lo, sem contar que ao pedalar, a bateria estará sendo recarregada. O auxílio elétrico incentiva que mais pessoas passem a utilizar a bicicleta como meio de transporte.
4. MOBILIDADE: Além de ajudar o fluxo dos centros urbanos, o usuário da bicicleta elétrica não fica preso em congestionamentos. Se a bicicleta normal é considerada um meio de transporte rápido na hora do congestionamento, imagine a elétrica!
5. CONFORTO: Por ter bateria, o ciclista da bicicleta elétrica não precisa pedalar, diminuindo o esforço físico e o cansaço.
6. PRATICIDADE: Bicicletas elétricas são compactas e fáceis de transportar. Inclusive, há modelos dobráveis que otimizam essas características.
Teste
Texto: Redação Revista Bicicleta
Fotos: Álvaro Perazzoli
Piloto: João Paulo Labeda
Quadro Protótipo Kalf Bull 2011
A Kalf, indústria nacional de selins, cadeirinhas e quadros para bicicletas, apresentou o primeiro modelo do quadro Kalf Bull em 2007. Segundo a empresa, a proposta era, e ainda é, oferecer um quadro mais reforçado e robusto.
Com produção 100% nacional, a empresa adotou uma política que baseia o desenvolvimento de sua linha em críticas de pilotos profissionais e o consumidor final.
O Quadro
O quadro apresentado para o teste é um protótipo do modelo 2011 do Kalf Bull destinado à prática de Downhill e Freeride. O modelo, que entra no mercado em fevereiro, teve muitas modificações em relação a versão de 2010 e da apresentada há quatro anos.
O quadro foi montado com a maioria das peças encontradas em bicicletas rígidas populares para a prática de ciclismo extremo no Brasil.
A característica principal do quadro é a robustez. A primeira impressão que o produto passa é de resistência, devido ao diâmetro dos tubos e reforços em diversas regiões.
O peso deste protótipo é de 2.325 g, cerca de 170 g a mais que a versão anterior. Mesmo com o aumento, ele é ainda leve e tolerável para um quadro rígido com a proposta do Bull.
A elevação do peso se dá em função ao aumento do reforço na caixa de direção (Head Tube) e a substituição do tubo inferior (Down Tube) por um modelo utilizado por outro quadro da Kalf, o Mithun, por que segundo a empresa, o tubo é muito mais forte.
As mudanças tornaram o aspecto do quadro mais agressivo, porém um dos reforços aparenta fragilidade; uma chapa com apenas quatro pontos de solda de cada lado instalada no final do tubo superior (Top Tube) com o Tubo do Selim (Seat Tube). Essa chapa não existia no modelo anterior e se tivesse uma solda por completo transmitiria mais confiança ao consumidor.
Destacar foto 1883 e colocar legenda
Segundo a empresa, todos os quadros são desenvolvidos com a liga 6061 com têmpera T6. O tratamento com essa liga torna o quadro forte e rígido, porém é primária em relação aos quadros importados. A grande maioria usa alumínio 7005, material que consegue ter a mesma resistência e ser relativamente mais leve.
O não uso da liga 7005 decorre do custo elevado do material no Brasil, o que torna raro o seu uso pelas indústrias de bicicletas do país.
Foram encontradas algumas micro falhas na pintura, talvez por se tratar de um protótipo.
As soldas do quadro impressionaram e não deixaram a desejar em nada para modelos importados de valor mais elevado.
Toda a adesivação é em transfer, um sistema integrado à pintura que é quase imperceptível ao toque e dá um ótimo acabamento.
O Teste
O quadro foi testado no Freeride Urbano e em trilhas de Downhill pelo piloto João Paulo Labeda, que organiza eventos de Freeride Urbano em São Paulo, representa um site de ciclismo extremo e pratica Downhill.
No Urban Assault a bike se comportou bem. Nas escadarias, drops, saltos e wall rides, a bike é bem estável e transmite segurança.
Não é uma bike indicada para se fazer manobras, seja no street ou no dirt. A frente é lenta, o central é alto e sua geometria é longa, devido ao fato do quadro ter o ângulo da caixa de direção bem aberto e o triângulo traseiro maior que os quadros rígidos convencionais.
A proposta da empresa é simular a geometria de um quadro full-suspension para se ter uma boa performance em descidas de grande velocidade e ladeiras íngremes. Nestas situações, o quadro Bull mostrou para que veio. Mesmo sendo um quadro rígido, a bike desce como uma bala, e transmite muita segurança ao piloto. Até mesmo em situações de valas, raízes e rock gardens, a bike na configuração escolhida atropelou tudo e se mostrou uma máquina de descer.
Em curvas de alta, a bike também se comportou bem, porém em situações de sprints e arrancadas em terrenos planos, deixou um pouco a desejar.
Em rampas de Downhill (que jogam o piloto para frente) o Kalf Bull se saiu muito bem. As saídas e as aterrissagens foram feitas sem surpresas e com segurança.
Aumentando consideravelmente a altura do canote é possível pedalar grandes distâncias em terrenos planos com um relativo conforto.
Opinião do piloto
O quadro é estável e se sai muito bem no Downhill. Em situações de grande velocidade e em descidas íngremes, ele transmite muita segurança.
Nas escadarias ele também vai bem, principalmente nas curvas, onde a bike não escapa.
O fato da geometria ser longa torna a frente um pouco lenta e difícil de puxar, mas ao mesmo tempo isso faz com que ele não trepide tanto, fazendo com que o pé se mantenha firme no pedal.
Conclusão
O Kalf Bull é um quadro com uma geometria e construção voltada exclusivamente ao consumidor brasileiro, por ser um dos poucos países do mundo, senão o único, onde os competidores usam bikes rígidas para competir no Downhill.
O quadro não veio para substituir uma full e nem deve ser visto desta forma. É uma opção para quem quer usar um quadro rígido no Downhill e uma solução viável para quem quer praticar o esporte gastando pouco.
O quadro é específico ao Freeride e o Ciclismo Extremo e deve ser respeitado, pois seu desempenho é limitado em outras modalidades.
Pontos Positivos:
Estabilidade
Aparência robusta e agressiva
Produção 100% nacional
Peso
Preço
Pontos Negativos:
Frente com baixa agilidade
Chapa traseira com aspecto frágil
Acabamento com micro falhas
Ficha Técnica
Tamanho: 14’ (testado) e 16’
Marchas: 7
Quadro: Kalf Bull Protótipo 2011
Cor: Azul Metálico
Garfo: Spinner Cargo 340 (140 mm).
Trocadores: Shimano Deore
Câmbio traseiro: Shimano Tiagra.
Mesa: Truvativ Hussefelt 31.8 mm
Guidão: Technium DH Extreme 710 mm
Freios: Shimano M575 160/203 mm.
Pedivela: Alivio Octalink 36 D.
Guia de Corrente: Prowheel
Cubos: Diant. Rondan eixo de 20 36f / Tras. Quando Disc. 36f
Aros: Tras. Vzan Vmaxx 36F / Diant. Vzan Deeper 36F.
Cassete: Shimano Altus 7v
Pneus: CST Down Hill Hawk 2.35.
Selim: Kalf Freeride
Canote: N/D
Pedais: Wellgo
Peso total da bike: N/D
peso do quadro: 2.325 g
Geometria:
http://kalf.com.br/bull.htm
Garantia e Investimento:
Quadro com seis meses de garantia e valor final de aproximadamente R$ 390,00.
Distribuído pela Kalf:
www.kalf.com.br – Kalfextreme@kalf.com.br
Agradecimentos: loja Xtore e a Malix pelo fornecimento de equipamentos de proteção e Destak Cicle By For Hell pela montagem do quadro e fornecimento de peças.
PARA INICIAR NO MOUNTAIN BIKING
Como Transformar sua Bicicleta em uma Mountain Bike
Quem acompanha o mountain biking está acostumado a ver bicicletas lindas e caras, e não tem ideia de como começar a praticar sem gastar uma fortuna em acessórios. Veja algumas dicas para você ter o primeiro contato com as trilhas:
Proteção – O capacete é essencial! No terreno off - road é mais difícil controlar a bicicleta, e as quedas são comuns. Não deixe de usar proteção. Além do capacete, luvas são importantes, não só em caso de quedas, mas também para evitar que a mão escorregue com o suor. Joelheira e cotoveleira podem fazê-lo sentir-se mais seguro. Não se importe com a opinião de quem acha que você está exagerando. Calçados especiais não são prioridade. No começo você pode usar tênis, mas coloque os cadarços por dentro para evitar que se enrosquem nos pedais ou pedivelas.
Quadro - Hoje em dia ter um quadro de alumínio não é mais um luxo. Existem quadros com preços muito acessíveis e que vão tirar muito peso da bicicleta se o seu quadro ainda for de aço. Além do peso, existem diferentes geometrias de quadros, que são indicadas pro tipo de modalidade e até grau de habilidade do ciclista. É uma mudança que pode melhorar muito o comportamento da bicicleta. Mas fique atento, pois algumas peças da sua bike atual podem não ser compatíveis com o novo quadro. E também pesquise que tipo de quadro vai ser mais adequado ao seu tipo físico e estilo de rolé.
Freios – Não é preciso ter um freio a disco hidráulico para começar nas trilhas. Antigamente, os freios cantiveler e, posteriormente, v-brakes eram usados sem maiores problemas. O importante é que seus freios funcionem e sejam confiáveis, pois no terreno off - road a frenagem é mais difícil, e você precisará frear bruscamente em alguns momentos. Verifique se seus freios funcionam bem, e principalmente se as pastilhas estão boas.
Pneus - No terreno off-road é essencial o uso de pneus com cravos (ou popularmente pneus biscoito). Existem dezenas de marcas e modelos, para as mais variadas aplicações. Para começar, qualquer pneu para mountain biking vai te oferecer controle para pedalar nesses terrenos. Verifique se os pneus não estão carecas ou ressecados.
Marchas - Mountain biking é praticado em montanhas, portanto não faltarão subidas e descidas. Não é preciso ter o último conjunto de 30 marchas do mercado para começar. A dica é dominar e usar corretamente a quantidade de marchas que sua bike já possui, mantendo-as bem reguladas.
Suspensão Dianteira – É um componente caro, não há como fugir. Porém, como no caso das outras peças, não é preciso ter a melhor do mercado. Se sua bicicleta já tem uma suspensão, pesquise se realmente é a peça mais importante para ser trocada, num primeiro momento. Caso não tenha, é melhor comprar uma suspensão confiável, ao invés de optar pelo mais barato. Você até pode tentar se aventurar sem suspensão, mas se o terreno for muito técnico, a trepidação vai ser muito desconfortável, e você terá pouco controle sobre a bicicleta.
Manutenção – Verifique sempre o estado de manutenção de sua bike. Além dos freios, pneus e marchas, verifique se não há algum parafuso de fixação frouxo ou rachadura em algum componente. Lembre-se, você poderá estar longe de casa, longe de qualquer oficina, ou em lugares onde não há sinal de celular, então leve sempre ferramentas básicas na hora de pedalar, e saiba como resolver os problemas simples.
Aprenda técnicas - Existem inúmeras dicas para pilotar a bike em terrenos difíceis. Pesquise o máximo que você puder e converse com ciclistas mais experientes. Aprenda no seu ritmo, mas nunca deixe de aprender. Isso te deixará mais confiante e seguro, tornando a experiência muito mais divertida.
Aprenda sobre equipamento – Aquela bicicleta mais cara tem motivos para custar o que custa, mas pode não ser a ideal para você. Pesquise qual é o benefício de cada componente mais caro. Com o tempo, você pode ir melhorando sua bike, trocando peça por peça, começando pelas que trarão mais benefícios ao seu estilo e nível de pilotagem, sem gastar muito dinheiro de uma só vez. Não economize, mas gaste consciente. A falta de diversão, muitas vezes, é culpa de componentes inadequados.
Companhia – Sempre é bom pedalar na companhia de alguém, tanto pela questão social, como pela segurança. Mesmo sendo precavido, imprevistos podem acontecer. Você pode cair por culpa de um componente que quebrou ou pode simplesmente passar mal. Sempre que puder, pedale acompanhado, ou pelo menos em lugares mais movimentados.
Diversão - O objetivo principal do mountain biking é se divertir. Se você não está contente, descubra o motivo! Se cobre menos, vá mais devagar, gaste um pouco mais com aquele componente que você tanto quer, mas não desista!
ENTREVISTA
DEIVLIM CARLOS BALTHAZAR, conhecido como DEIVLIM ”TURBO” BALTHAZAR, nasceu em 04/08/1979, é casado, formado em Engenharia Química. Começou no BMX em 1992, e não parou mais. São 19 anos ininterruptos de carreira. Profissional desde 1998, quando tinha 19 anos. Atualmente corre na categoria ELITE MAN. É natural de Americana, interior paulista, onde reside, treina e faz parte da Presidência do ABC (Americana Bicicross Clube), fundado em 1997. É técnico do projeto social desenvolvido pelo ABC, em parceria com a iniciativa privada (ECOTEC Sanitários Químicos), onde ministra aulas de bicicross para meninos e meninas especiais da APAE de Americana, e aulas particulares de técnica de BMX para pilotos experts.
- Quando você começou no BMX?
Deivlim: Desde criança, sempre andei de bicicleta aro 20 (cross) na rua, junto com meus amigos e meu irmão mais velho, Deivid. Gostávamos de fazer rampas de madeira e passar o dia saltando. Em 1991, quando eu tinha 11 anos, meu irmão foi convidado pelos amigos a participar de uma competição de bicicross em Salto – SP. Fui juntoe me apaixonei pelo esporte. Comecei a competir, mas não me preocupava com a vitória. Gostava muito de fazer os saltos e seus “truques”.
- Como foi sua primeira corrida?
Deivlim: A primeira corrida foi um brasileiro, na cidade de Salto – SP. Corri com uma Caloi inteira de ferro e fui finalista. Terminei em sexto lugar.
- Fale sobre seus tempos de expert.
Deivlim: Dos 11 aos 16 anos, corri por Americana, com pouco apoio da família. Aos 14 anos viajava sozinho de ônibus, para correr. Meu irmão havia caído em uma corrida, quebrado a clavícula e meus pais não o incentivaram a continuar. Descontente com meus pais, meu irmão parou de correr e se afundou nas drogas. Era uma aventura atrás da outra. Já deixei de comer para pagar a inscrição da corrida, e dormi muitas vezes em alojamentos precários, mas me divertia muito. Comecei a descascar nas corridas, pois adorava fazer dirt (manobras nos saltos) durante os intervalos e na própria corrida. Eu tinha uma bike Caloi, e aos poucos fui colocando peças de alumínio “light”, que na época era o melhor – o sonho da molecada. Minha primeira bike legal foi uma GT Mach One azul; coisa mais linda!
Com 16 anos entrei na equipe Guaraná Antártica de Caçapava, onde decidi que queria ganhar as corridas. Comecei a treinar. Tive a ajuda do Chokito, que sempre foi meu brother. Ganhei muitos títulos na categoria expert. Com 18 anos fui para a equipe de São Paulo Bingo Liberdade. Em seguida para o GT Brasil, e depois para a Petrobrás Paulínia, onde corri por dois anos. Em seguida voltei a defender Americana, com o Patrocínio da Rediline Brasil, onde fiquei por três anos. Depois fui patrocinado pela Rodan Refactor, E finalmente fui adotado pela ECOTEC, parceiro até hoje.
Neste período, consegui diversos títulos, e a cada ano vi surgir muitos adversários que dificultavam bastante meu trabalho, como Fuzy, Juca (Benedito Teodoro), Tayguara Ramires, Gerson Krindges, Chokito, Ricardo Perez, Vitor Plentz, Armando Roncony Neto, Anelo Bragnolli Neto, Person Pauleto, Thiego Machado, Alan Duarte (Alladin) Mauro Aquino e Gustavo Chiara (Boy).
- Quando se tornou pró, e como foi a sua primeira corrida na categoria?
Deivlim: Em 1998 me tornei profissional – mesmo ano em que entrei na faculdade de engenharia química. Os dois primeiros anos foram difíceis; apanhei muito dos veteranos da categoria. Eu estudava de manhã, trabalhava à tarde de motoboy, e treinava de noite. Minha primeira vitória veio em 1999, num brasileiro disputado em Brusque – SC. Ganhei do meu ídolo Gerson Krindges, que não perdia à seis anos.
- E o apelido “turbo”, como surgiu?
Deivlim: Fui apelidado pelo ícone do esporte, Pedro de Andrade – o Pedrão de Jacareí. Na época eu era expert, e ganhava muitas corridas na 20 e na 24. O Pedrão era quem escrevia as matérias de BMX para a revista Bici Esporte, onde saíam várias fotos minhas junto com os seus textos. O apelido foi uma homenagem do Pedrão devido aos meus resultados.
- Ao longo dos anos você disputou títulos com Chokito, Gerson Krindges, Ronconi, Mauro Aquino, entre outros. Como estão as disputas hoje em dia?
Deivlim: Tive a honra de correr com todos esses pilotos. Alguns deles, como Gerson e Chokito, me ajudaram muito no começo. Realmente não foi fácil; a cada ano surgia um piloto com muito talento, que tornava ainda mais difícil a vitória. A maioria deles não continuou, mas eu estou aqui até hoje. Assim como no passado, vários pilotos com talento vêm chegando à categoria elite, que continua sempre muito competitiva.
- Renato Rezende, 19 anos, é apontado como o piloto da nova geração. Mas você, aos 31 anos, ainda vence corridas. Como você vê a relação idade x experiência.
Deivlim: A juventude favorece nos esportes, mas a experiência acaba decidindo muitas competições. No meu caso, com a experiência que tenho, tomo decisões rápidas e me mantenho calmo em situações difíceis de pressão. Para compensar a diferença de idade, me dedico muito aos treinos. Me sinto fisicamente igual a quando tinha 18 anos – tirando as dores. Treino em academia, sprints na rua, velódromo e pista.
- Segundo seus fãs, seu momento máximo foi o mundial de 2002, em Paulínia. Você poderia descrever como foi essa competição para você?
Deivlim: Essa competição foi inesquecível. Competir em um mundial, em casa, com uma arquibancada com dez mil pessoas, ir para a final na elite cruiser e, por meia roda, não ser finalista numa elite man... não tem preço. Realmente foi uma fase muito boa; eu vinha de uma sequência de muitas vitórias, mas para mim foi como um chute na trave. Quase consegui realizar meu sonho de ser finalista na elite.
- Quais seus pontos fracos e os pontos fortes.
Deivlim: Sou calmo, perseverante e nunca desisto. Meu fraco é pedir - acho que podia ser mais cara de pau.
- Alguns dos grandes nomes do BMX nacional são de Americana (você,Gu Chiara, Ana Sgobin, Allan Duarte). A cidade é um celeiro de campeões?
Deivlim: Ceio que sim. Um serve de espelho para o outro, daí sempre surgem novos campeões.
- Além de atleta, você também é treinador de pilotos. Como é esse trabalho? Você aceitaria, no futuro, treinar a seleção brasileira de BMX?
Deivlim: Há muitos anos tenho ajudado pilotos a evoluírem tecnicamente na pista, através da minha experiência. Gosto muito de ensinar. Quem sabe, se eu receber tal convite, eu aceitaria.
- Como você vê o BMX nacional?
Deivlim: Vejo que o BMX nacional melhorou, mas ainda falta muito. Acredito que o atleta deveria ser mais valorizado, pois sem ele não tem esporte. Na categoria pró/elite, falta um pouco mais de profissionalismo, e acabar com a rivalidade fora da pista. Precisamos mudar a mentalidade dos atletas para equipe, e assim crescermos nas competições internacionais.
- Você é chefe de família, e vai ser pai. Fale um pouco sobre essa nova fase da sua vida.
Deivlim: Estou casado há quatro anos, e costumo dizer que foi uma das melhores coisas que fiz na vida. Deus me abençoou com uma esposa maravilhosa, que me acompanha e me apoia em tudo. Agora, para completar minha felicidade, está por vir, em março de 2011, meu primeiro filho, que se chamará Henry. Estou muito feliz por isso, e ansioso para pegá-lo nos braços.
- Quais seus melhores resultados em 2010, e suas metas para 2011?
Deivlim: O ano de 2010 foi de superação para mim. Fui finalista do Bicicross Américas, pela quinta vez consecutiva. Depois tive uma queda no Internacional, na Argentina, e fraturei a clavícula logo no começo do ano. Me recuperei rapidamente, mas fiquei de fora de uma corrida, e infelizmente em julho caí treinando em Americana; fraturei as duas mãos, o que me impossibilitou de disputar o Mundial na África do Sul. Novamente me recuperei rápido, e consegui terminar o Campeonato Paulista e o Regional de Paulínia, pela décima vez consecutiva entre os três melhores. Em 2011, pretendo subir ao pódio novamente no Américas, ir para o Mundial na Dinamarca, participar de pelo menos uma etapa da Copa do Mundo (Supercross), e continuar entre os três nas provas nacionais.
- Você tem algum ritual nos dias de corrida?
Deivlim: Sim. Antes da corrida, oro a Deus, agradecendo por estar fazendo o que eu amo, e por ter saúde para estar lá. Depois, entrego todos os meus anseios e preocupações na mão Dele, e procuro ficar tranqüilo e bem concentrado.
- Qual seu ídolo esportivo?
Deivlim: Ayrton Senna. Sem comentários.
- Você pratica ou já praticou outros esportes? Já competiu em outra modalidade com a bicicleta?
Deivlim: Quando criança, fiz natação e karatê. Mas quando conheci o BMX, com nove anos, não larguei mais.Atualmente tenho andado bastante de aro 26, nos dias livres, em pistas de free ride, como a da pedreira em Limeira, perto de Americana. Cheguei a competir umas provas de 4x. Sou louco para correr no velódromo 200 m – tenho uma bike de pista e treino toda semana.
- Quem são seus ídolos no BMX?
Deivlim: Meu ídolo no esporte sempre foi Gerson Krindges, desde que o vi andando, pela primeira vez. Admiro muito o piloto americano Randy Stumpfhauser e Kelly Bennet.
- Pretende correr na categoria máster antes de se aposentar?
Deivlim: Pretendo permanecer na elite até os 35 anos, depois penso na máster. Aposentar ainda está fora dos meus pensamentos.
- A que você atribui seu sucesso como pró?
Deivlim: Primeiramente a Deus. Também ao meu amor e dedicação ao esporte.
- Resuma seus títulos, e quantos mundiais já disputou.
Deivlim:
8X Campeão Brasileiro Elite Man.
8X Campeão Brasileiro Elite Cruiser.
8x Campeão Paulista Elite Man.
9X Campeão Paulista Elite Cruiser.
8X Campeão Copa Paulínia Elite Man.
Campeão Pré-Latino Americano.
Tetracampeão Latino Americano.
Bicampeão Pré-Panamericano.
Campeão Pan-americano.
Campeão Internacional.
Campeão ABA Grands EUA.
Campeão Christmas Classic EUA.
Campeão Gator National ABA.
Bicampeão Supercross Brasileiro Sobral-CE.
Campeão do Desafio Internacional da Globo – Bicicross Américas.
Mundial Elite: Oitavas de final(2007), Oitavas de final(2006), Oitavas de final(2005), Quartas(2004), Quartas(2003), Semi(2002), Oitavas(2001), Semi(2000) e Oitavas(1999);
2x Finalista Mundial Elite Cruiser.
Medalha de BRONZE Jogos Sul-americanos Argentina.
- Descreva sua bike.
Deivlim:
- Que conselho você dá para os iniciantes?
Deivlim: Se você tem o sonho de ser um piloto de ponta: persevere, treine duro, nunca desista e “entrega teu caminho ao Senhor, confia Nele, e o mais Ele fará”, Salmos 37:5 (primeiro Deus). E o mais importante: seja humilde.
- Fique a vontade para fazer seus agradecimentos.
Deivlim: Agradeço primeiramente a Deus, que tem me dado forças, saúde e sorte. Agradeço minha esposa, que sempre me apoiou; ao meu preparador físico, Andrés Acevedo Bustamante, do Chile, e a meus patrocinadores:
Ecotec: (sanitários químicos) www.ecotecnet.com.br
Clip Academia (Academia de Musculação e Natação) www.clipacademia.com.br
Haro Bikes (Bike de competição) www.harobikes.com.br
Impact Bike (Bicicletaria) www.impactbike.com.br
Madeireira Americana (Materiais para Construção) www.madeireiraamericana.com.br
Consócio Embracon (Consórcios) www.embracon.com.br
Prefeitura Municipal de Americana (Secretaria de Esportes)
www.americana.sp.gov.br
Rodan (peças de bike) www.rodan.com.br – Patrocínio somente do desafio Internacional – Bicicross Américas – Esporte Espetacular – REDE GLOBO.
Red Nose (roupas) www.rednose.com.br – Patrocínio somente do desafio Internacional – Bicicross Américas – Esporte Espetacular – REDE GLOBO.
ENCANTE SEU CLIENTE (BICICLETARIA)
Certa vez, perguntaram para um pedreiro que colocava, tijolo sobre tijolo, na construção da Disney, o que ele estava fazendo, e ele respondeu: “estou construindo o maior centro de entretenimento e lazer do mundo.” Quando a bicicletaria tem uma missão, as iniciativas e o comprometimento dos seus colaboradores ocorrem naturalmente.
Você está numa cidade que não conhece, e precisa duma bicicletaria. Realiza uma pesquisa na internet, e descobre, pela rede global, uma pequena empresa. Depois você vai até a loja, sem saber ao certo o que vai encontrar. Ao chegar, um ambiente acolhedor e um atendimento de qualidade pouco comum – uma sucessão de sorrisos capazes de deixar qualquer um bem à vontade.
Depois do serviço feito, você ganha um pequeno brinde, em uma embalagem de papel reciclado, feito artesanalmente. Ainda é convidado a preencher uma ficha cadastral, e passa a concorrer a um passeio gratuito pelas trilhas do lugar. Aquela bicicletaria desconhecida o surpreende.
Você sente que os funcionários estão ali para lhe servir, e todos os clientes parecem sentir isso. Não tem como não elogiar o local, e agradecer. Algumas semanas depois, já de volta à rotina e à correria, chega um e-mail com sugestões de acessórios, dicas de onde e como pedalar, etc. Pronto: a bicicletaria acaba de ganhar um cliente, e além disso, um divulgador do seu trabalho e da sua marca.
CHAMADA: Pronto: a bicicletaria acaba de ganhar um cliente.
Quer saber como fazer seus clientes espalharem elogios sobre sua bicicletaria? Então anote as dicas:
- Globalização: não há como fugir, a internet está aí, todos tem acesso, e a empresa que não estiver conectada perde mercado. Não importa se a empresa é pequena ou grande - invista em uma página na internet e apareça para o mundo. Há formas baratas, eficazes e de retorno rápido e garantido para estar na rede mundial. Talvez alguns empresários possam pensar: “mas eu atendo apenas o meu bairro.” Não importa. As pessoas do seu bairro também têm internet. Atue local, mas pense global.
- Impressão: a primeira impressão é a que fica. Preze pela limpeza, pela boa vontade dos funcionários, e agrade a todos, sem exceção. Aproveite o primeiro contato para se identificar com o cliente. Procure saber quem ele é, e lhe ofereça também um cartão de visitas. Faça com que seu ambiente seja acolhedor e agradável, e a atenção que o cliente receber é o mesmo que um presente inesperado.
- Surpreenda: é importante surpreender o cliente a todo o momento. Surpreender é fazer com que o cliente tenha uma experiência única e inesquecível a cada instante. As soluções que surpreendem são, geralmente, muito baratas, criativas e fazem toda a diferença no jogo do mercado.
- Parcerias: faça parcerias. O ser humano foi feito para viver em grupos. Uma empresa sozinha é devorada pela concorrência. Faça parcerias! Procure empresas que tenham negócios afins ao seu, ou o mesmo público-alvo e fortaleça-se.
- Treinamento: os seus funcionários devem ter a medida exata da filosofia da empresa, e estarem motivados para segui-la. Motive seus funcionários. Mostre que a sua empresa tem uma missão bem clara, e divulgue-a para que as atitudes e iniciativas dos seus colaboradores tenham um norte. Quando perguntaram para o pedreiro que colocava, tijolo sobre tijolo, na construção da Disney, o que ele estava fazendo, ele respondeu: “estou construindo o maior centro de entretenimento e lazer do mundo.” Isso é ter missão. Quando a bicicletaria tem uma missão, as iniciativas e o comprometimento dos seus colaboradores ocorremnaturalmente.
CHAMADA: Só se vê bem com o coração.
- Diferencial: para quem leu o Pequeno Príncipe, em uma determinada passagem, a raposa fala para o príncipe: “Só se vê bem com o coração. O essencial é invisível para os olhos. (...) Foi o tempo que perdeste com tua rosa que fez tua rosa tão importante. (...) Os homens esqueceram essa verdade, disse a raposa. Mas tu não a deves esquecer. Tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas. Tu és responsável pela tua rosa...” Rosas, digo, empresas, existem muitas. A partir do momento, porém, que sua empresa apresenta um diferencial, ou seja, se apresenta de maneira relevante e única para o seu cliente, se torna essencial. Lembre-se sempre de que o seu cliente, ao comprar, leva em conta muito mais a emoção do que a razão. Se você o tiver cativado através dos seus diferenciais em atendimento, prazo, descontos e outras vantagens, será único para ele. Mas cuidado: o diferencial tem que estar em sintonia com o seu público-alvo.
Fidelidade: para fidelizar seu cliente, você precisa conhecê-lo. Vender novos produtos para antigos clientes é mais fácil do que conseguir novos clientes para vender produtos antigos. Mostre que você se preocupa com seu cliente, e eles irão indicar sua empresa. Encante seu cliente e ele venderá seus produtos e serviços da maneira mais brilhante. Uma empresa que fideliza seu cliente cria galinhas de ovos de ouro.
(Adaptado do artigo Valiosas Dicas para sua Empresa, de Conrado Adolpho Vaz)
“Isto é o que turistas que sabem o que querem procuram para fugir da pasteurização dos roteiros empacotados com cara de shopping”.
A Associação de Agroturismo Acolhida na Colônia surgiu em 1998, inspirada na Accueil Paysan francesa. A ideia básica era que a autenticidade do modo de vida rural tinha muito valor para os visitantes urbanos. Acreditava-se que com poucos investimentos, como organizar as acomodações e divulgar a iniciativa, poderiam atrair turistas. E o que é melhor: a produção orgânica das propriedades, já bem desenvolvida, seria consumida no próprio local, configurando-se não apenas como meras refeições, mas como um dos mais fortes atrativos. Com este modelo, a Acolhida expandiu-se de dois para 30 municípios catarinenses. Esta proposta de desenvolvimento territorial, alicerçada em turismo sustentável de base comunitária, foi reconhecida por diversos prêmios: Destaque do Ministério do Desenvolvimento Agrário (2002), Objetivos de Desenvolvimento do Milênio (ODM/ONU – 2005), Destaque em Turismo Rural IPEC (2006) e Projeto Generosidade da Editora Globo (2008). Em 2007, a Acolhida na Colônia foi destacada como Referência Nacional em Turismo Rural, no âmbito do Projeto Destinos Indutores (MTur), de acordo com os princípios e estratégias do Programa de Regionalização do Turismo.
Acompanhando seu crescimento foi natural a demanda por maior fluxo de visitantes nas pousadas, sem abrir mão da proposta de sustentabilidade engajada em suas ações. É neste contexto que o cicloturismo ganhou espaço nas metas da associação. O plano geral foi composto por roteirização dos territórios, elaboração de mapas para viagens autoguiadas, capacitação da juventude local para operações e tours de familiarização (FamTours) com agências especializadas e grupos de cicloturistas.
FamTour para
20 convidados inaugura o Circuito
A primeira etapa do Circuito de Cicloturismo Acolhida na Colônia, com os roteiros de Anitápolis e Santa Rosa de Lima, foi oficialmente apresentada ao público em um FamTour realizado em novembro de 2010. Os 20 convidados representaram empresas de turismo de aventura, turismo de base comunitária e cicloturismo, grupos e associações de cicloturismo e cicloativismo, técnicos de roteirização e mídia especializada.
Se a natureza ali é pródiga, estão na mesma medida a força dos laços sociais e o desenho dos cultivos agroecológicos na paisagem. Pedalando ao longo do Rio Povoamento, em Anitápolis, no primeiro dia do FamTour, topamos com figuras como o Sr. Otto Schuller e sua família. Diante deles, uma farta plantação de morangos, quase uma fantasia. Grandes, bonitos e sem uma gota de veneno. É só combinar um valor com o seu Otto e entregar-se às delícias, ali mesmo!
Mais adiante outro Schuller, o Sr. Hélio, nos aguarda com um farto café com sucos, bolos, rosquinhas e bolinho de batata. Ele é o guardião da Cachoeira do Rio da Prata. Da sua casa, no final do caminho, caminha-se 500 metros por uma colina gramada até a caudalosa cascata.
‘...esta agricultura que ... abençoa a terra por honrá-la com a oportunidade de conceber alimentos de qualidade.’
À tarde fizemos outra “perna” do Circuito, desta vez a rota de conexão entre Anitápolis e Santa Rosa de Lima. O ponto de parada do caminho é o Sítio da Flora. É o nome da dona, e muito pertinente; com todo zelo ela mantém um colorido orquidário, e sua horta com verduras e algumas iguarias, como o physalis, é toda entremeada por jardins. O mini-museu com bicicletas e máquinas do Simão, marido dela, completa os atrativos. Tudo isso, sem dúvida, guarnecido por quitutes “da vovó” e uma calorosa acolhida.
A fartura no roteiro foi bastante comentada pelos participantes. Podem sossegar os defensores da boa forma; há bastante sobe-e-desce para equilibrar as calorias! Sinônimo de bem-estar no meio rural, comida abundante é a expressão maior desta agricultura que, ao invés de plantar fumo, cultura ainda bem presente na região, abençoa a terra por honrá-la com a oportunidade de conceber alimentos de qualidade.
O final do dia foi na Pousada Vitória, da Dida, uma das pioneiras da Acolhida. Ela tem o maior orgulho de apresentar suas caixas de melipônias, as abelhas sem ferrão, convidando os visitantes a provarem o néctar com canudinho de bambu, direto no favo. Também orgulha-se a dizer que do peixe ao frango, das verduras às hortaliças servidas no jantar, tudo é produzido ali
O suor da primeira subida foi aplacado com suco de limão geladinho
Relax em piscina termal
No dia seguinte a pedalada iniciou com descida forte, e logo atravessamos o centro de Santa Rosa de Lima. Entramos pelo roteiro do Rio Bravo Alto, um dos cinco da primeira etapa do Circuito Acolhida na Colônia. O suor da primeira subida foi aplacado com suco de limão geladinho, servido pela dona Salete no Sítio Cristine. Ali, mais uma experiência da biodiversidade: na horta, um arbusto que passaria despercebido é na verdade um pé de mini-melões, do tamanho de peras, deliciosos e suculentos.
O ponto alto do dia foi o Balneário Paraíso das Águas. No clímax, o relax: a piscina sustentada por uma torrente de água termal foi usufruída por todos. Ali, no restaurante com um janelão de cara pra uma bela cachoeirinha na mata, fizemos também nosso almoço.
De noite, na Pousada Doce Encanto do Valnério Assing, houve a apresentação oficial do Circuito. Acolhida na Colônia, Cooperativa Caipora e Caminhos do Sertão conduziram as falas, que depois foram abertas ao público.
De maneira geral, a conciliação de cicloturismo com a proposta de sustentabilidade no campo foi bem avaliada por todos. Houve depoimentos emocionados, e um clima de que as expectativas iniciais foram surpreendentemente superadas. O primeiro Circuito de Cicloturismo do Brasil integrado ao turismo rural tem tudo pra dar certo.
Veja alguns comentários
dos participantes:
“Superou a expectativa. Agregou muita emoção em virtude do relacionamento humano de qualidade com pessoas de outros meios fora do ciclismo e uma dose cavalar de conscientização a respeito de questões da sustentabilidade, cooperativismo, produção orgânica, produção diversificada, conservação da terra e seus recursos naturais, sustentabilidade econômica que extrapola a área familiar e beneficia o município e o Estado, educação, cidadania, ecologia, etc.” Otoni Gali Rosa – Olavo Bikers / Sampa Bikers / Pedal do Vila / Night Bikers.
“Foi além de minhas expectativas, sem dúvida. Para a Aoka é muito importante ter a experiência de se envolver com a realidade local das comunidades. E este roteiro tem muito disso. A Acolhida e seus parceiros têm feito um trabalho muito rico junto a esses grupos de agricultores locais, evitando o êxodo rural e enaltecendo a cultura e costumes locais. Nós, da Aoka, acreditamos que esse é o futuro do turismo no Brasil, buscando a integração entre diferenças e intercâmbio de aprendizado entre pessoas da cidade e do campo”. Ude Lottfi, Aoka Turismo Experiencial.
“Acima das expectativas. Esperava um simples roteiro de cicloturismo. Conheci um trabalho de várias entidades e muito profissional, resultando numa experiência incrível”. Rodrigo Taddei, Bike Expedition Viagens.
“Vocês superaram minhas expectativas: equipe Caminhos do Sertão bem preparada, alimentação excelente e o belíssimo trabalho do Circuito Acolhida na Colônia. Aprendi muito nesse FamTour e pretendo utilizar esse exemplo de integração de vários “atores do processo” nas nossas operações”. Cinthia Marie Ota, Praia Secreta – Rafting e Expedições.
“Isto é o que turistas que sabem o que querem procuram para fugir da pasteurização dos roteiros empacotados com cara de shopping. Falta um pouco de divulgação. Estamos pensando na possibilidade de promovermos em conjunto o encontro nacional em 2011 para divulgar de forma integrada os roteiros de cicloturismo catarinenses”. Carlos Beppler, presidente da Associação de Ciclismo de Balneário Camboríu e Camboriú.
Os cicloturistas tem mapas, tracks de GPS e mais informações à disposição em: http://acolhida.com.br/cicloturismo/
Receita de Boa Forma
Por Claudia Franco
Fotos: arquivo pessoal
Quer ficar com as pernas e bumbum durinhos o ano todo? O Segredo é Perder o Medo.
Isto mesmo: perca o medo de pedalar! Aventure-se, divirta-se, faça amizades, conheça lugares onde só a bicicleta pode te levar, sinta o vento no rosto, o gostinho da liberdade e ainda, como resultado de tudo isto, ganhe pernas e bumbum invejáveis.
Depois que passei a pedalar, ouço diariamente de minhas amigas que sou uma louca, que sou muito destemida; algumas me endeusam, outras dizem que o mountain bike (esporte que se tornou a minha paixão) é para homens. Eu poderia colocar aqui uma lista enorme de comentários das mulheres que simplesmente se negam a pensar em praticar algum esporte, e nem sequer conseguem imaginar subir em uma bicicleta e pedalar por trilhas no meio do mato.
Mas há também o grupo de mulheres que querem pedalar, tem bicicleta para mountain bike, mas morrem de medo ao menor sinal de declive ou depressão de uma trilha.
Para estas mulheres que desejam praticar um esporte como o mountain bike, digo que já conquistaram 90% do caminho, pois quando desejamos de fato, quando desejamos realmente alguma coisa, não há nada e nem ninguém que a impedirá de alcançar seu objetivo. O querer é o segredo do sucesso.
Comecei na prática do mountain bike há um ano e meio, quando nem sequer sabia trocar as marchas da bicicleta. Descer uma guia de calçada era um obstáculo intransponível. O que me fez mergulhar de cabeça no esporte era o meu profundo desejo de conseguir participar de uma competição internacional de mountain bike. Tinha apenas seis meses para aprender a andar de bicicleta, e me preparar fisicamente e emocionalmente para percorrer os 230 km da competição, em três dias entre a Patagônia Chilena e Argentina.
O meu desejo era imenso, mas o frio na barriga era constante. Comecei a perceber que o meu medo estava disputando com o meu desejo. Entendi que somente o meu medo era o que me impediria de alcançar meu objetivo. Tinha medo de cair, medo de me machucar, medo da velocidade, medo de não conseguir, medo, medo e mais medo.
A maior barreira não foi aprender a andar de bicicleta, não foi me preparar fisicamente: a maior barreira foi acabar com o medo.
O medo faz parte da vida de todo ser humano, pois trata-se de um instinto de sobrevivência e naturalmente as mulheres são mais medrosas. Ter medo é bastante normal, mas a partir do momento que ele a impede de seguir com o seu desejo é sinal de que algo não está bem e precisa ser tratado.
Quando percebi que o medo poderia sobrepor o meu desejo, resolvi canalizar toda a energia negativa do medo em positiva. Superar o medo passou a ser o meu primeiro desafio.
Treinava três vezes por semana em trilhas muito pesadas, tive muitas quedas, me machuquei demais, mas dentro de mim o desejo crescia a cada dia, e na hora que o medo aparecia eu o trazia para o nível da razão e do consciente. Criava mentalmente imagens lindas com relação à viagem, me via pedalando vigorosamente pelas trilhas, me via cruzando a linha de chegada, me via servindo de inspiração para outras mulheres e quando percebia o medo já tinha ido embora.
Contei para todo mundo o que eu estava fazendo. Contei para familiares, amigos, coloquei um blog na internet, mandava mala direta para um grupo de pessoas relatando a minha evolução. Esta foi mais uma forma que encontrei para não desistir e superar o medo, afinal a divulgação já era imensa e, por consequência, eu teria que ir até o final.
Percebi que muitas vezes eu tinha medo daquilo que eu imaginava que iria acontecer. Ao chegar em uma descida íngreme já parava com a certeza de que iria cair. Só comecei a fazer descidas maravilhosas a partir do momento em que projetei na minha mente que eu iria fazer descidas maravilhosas. Criei a minha técnica pessoal: transferia a energia negativa do medo para a positiva do meu desejo.
Todos somos capazes de grandes feitos, de grandes superações. Canalize esta energia que te impede de pedalar em uma energia que será o motor da sua bicicleta. Usei uma técnica que funcionou muito bem para mim. Existem várias outras. Tente encontrar a que mais se adapta ao seu estilo. Crie um objetivo pessoal. Crie a sua meta. Eles os ajudarão a superar o medo.
O importante é se lançar - não deixar de viver momentos únicos por medo. Fique atenta a estes medos, aproveitando-os da melhor maneira possível, pois eles podem lhe ajudar e aumentar suas chances de sucesso.
TOPO: CYCLE CHIC
Adaptação é tudo
Por Verônica Mambrini
Com roupa normal, e de bicicleta?!
É exatamente isso que se exalta no Cycle Chic. Cada um com seu estilo próprio, utilizando a bike como meio de transporte. Mas, às vezes, é preciso adaptar sua roupa para pedalar, como por exemplo, usar um shortinho de lycra, específico para ciclista, por baixo do vestido. Todos gostam de se vestir de uma maneira confortável e agradável; então preste atenção em algumas dicas para adaptar e, mesmo assim, manter o visual chique:
• Alfaiataria muito justa e saias muito curtas podem dar um pouco de trabalho. Mas basta escolher uma modelagem confortável que fica tudo bem.
• Minissaias, vestido envelope, saia lápis e saia tulipa pedem um short de lycra por baixo.
• Lenços e bandanas ajudam a proteger o cabelo.
• Independente do tamanho do salto, é importante o calçado prender os calcanhares. Tamanco e clogs, por exemplo, não rola. Mas como a forma correta de pedalar é com a frente do pé, o salto não atrapalha!
• Luvas são úteis para trocar correntes e pneus e previnem calos. Não precisam ser esportivas; podem ser de couro ou de tecidos sintéticos (como as disponíveis em lojas de aventura), neutras e mais estilosas.
• Em dias muito quentes, leve uma blusa reserva para trocar no destino.
• No verão, vale ter lencinhos higiênicos e desodorante na bolsa.
• Protetor solar é item de beleza (e segurança) indispensável.
• Bolsa, blusas e pastas podem ser acomodadas no cestinho ou em alforjes. Deixe as costas livres (de mochilas, por exemplo) para evitar transpiração.
• Em época de chuva, vale a pena levar uma capa, jaqueta impermeável ou poncho impermeável. Há várias opções levinhas e que, dobradas, cabem na bolsa.
As pessoas têm uma capacidade incrível de adaptação, e qualquer adversidade pode ser superada – e com estilo. Tenha a bicicleta como um acessório de beleza, não deixe de usar a sua roupa mais agradável, e, bom pedal!
Vai fazer uma cicloviagem em grupo sem apoio? Confira as dicas e coloque o pedal na estrada.
Por: Claudia Franco
Classifico as cicloviagens e seu grau de dificuldade de acordo com a infraestrutura disponível para que a mesma se realize.
As cicloviagens podem ser feitas sozinho, em grupo, com apoio ou sem apoio. A cicloviagem realizada com apenas um ciclista e sem apoio é a que considero mais desafiadora em termos de segurança e dificuldade na solução de imprevistos. A cicloviagem em grupo tende a ser mais segura e, se contar com apoio, é a melhor delas também no que se refere à solução de imprevistos.
Ao optar por participar de uma cicloviagem o ciclista deverá definir que tipo de viagem deseja fazer, ou seja, com mais ou menos riscos.
Para aqueles que querem participar uma cicloviagem sem a menor preocupação e com maior segurança, recomendo que opte por cicloviagens organizadas por empresas especializadas no segmento. Como há muitas empresas prestando este tipo de serviço, antes de se aventurar a fechar os pacotes, consulte amigos e pegue referências para não cair em uma enrascada.
Para ciclistas com mais experiência, a viagem em grupo sem apoio é uma boa opção. Vou focar as minhas dicas neste tipo de cicloviagem, pois é o tipo de cicloviagem da qual mais participei.
Aumente sua chance de sucesso. Esteja atento aos seguintes aspectos:
1 - Liderança: é importante que o grupo tenha um líder, seja uma pessoa que o grupo escolha ou que surja naturalmente. Via de regra, quem organiza a viagem acaba sendo o líder também.
2 - Segurança: A segurança permeia vários aspectos:
3 - Itens de primeiros socorros e alguns outros: Água oxigenada, atadura, curativo, protetor solar, repelente e hipoglós (assaduras podem ocorrer em viagens longas).
4 - Sua bagagem: Seja econômico com sua bagagem levando apenas o necessário. Quanto mais longa a viagem, pior será o efeito tempo x peso. Quanto maior a duração do percurso maior será a sensação de peso.
a) Quanto às roupas, leve o estritamente necessário. Para pedalar, se possível, use uma roupa só - lave a noite para usar no dia seguinte. Leve uma troca de roupa para usar quando chegar ao destino depois do pedal. Para frio ou chuva leve um corta vento com capuz e mangas longas (combinado com manguito é uma ótima opção para se proteger do frio). Uma “segunda pele” também é boa opção. Não leve nada que faça volume. Leve roupas fáceis de serem empacotadas, e de secagem rápida.
b) Recomendo que coloque suas roupas em sacos plásticos do tipo zip lock ou embalagens que venham com as roupas de cama; estas embalagens são ótimas, além de muito práticas. O plástico é importante para proteger a sua roupa da água. Se chover durante o percurso a sua mala vai molhar muito e o plástico evitará que sua roupa fique em contato com a água.
c) Recomendo levar uma toalha extra absorvente. São excelentes, leves e não ocupam espaço.
5 - Trilhas: Ao definir a cicloviagem fique atento à relação distância x dificuldade da trilha. Quanto mais longo o percurso, o ideal é que menos desgastante seja. Percursos muito longos, com trilhas de muita dificuldade, aumentam as chances de “baixas e desistências de integrantes do grupo”, aumentam as chances de acidentes e quebra de equipamentos.
6 - Nível de experiência e preparo físico dos integrantes do grupo: O ideal é que todos os integrantes do grupo tenham níveis similares de preparo físico para a trilha definida para a cicloviagem. Caso isto não seja possível é fundamental lembrar-se que a velocidade e o tempo para percorrer a trilha será estabelecida pelo integrante de menor preparo. Ninguém deve ser deixado para trás ou ser forçado a fazer um esforço físico maior que sua capacidade.
7 - Hidratação e alimentação: Levar líquidos e alimentos adequados, como isotônicos, água, frutas secas e gel, em quantidade suficiente para o percurso do dia. Comidas leves e ricas em proteínas e carboidratos são as mais indicadas. Reabasteça seus alimentos e líquidos nos locais de parada. Não conte com a sorte: nem sempre haverá fontes de água disponíveis pelo percurso. Se houver, pare e aproveite para abastecer, mesmo que seja apenas para completar. A hidratação é fundamental. A perda de 5% do líquido do seu corpo pode representar uma queda em 70% de seu desempenho. Banana desidratada é uma excelente opção, pois ajuda a repor o potássio evitando possíveis cãibras.
8 - Planejamento: Por mais experiente que o grupo seja, o planejamento é muito importante para o sucesso da viagem. O tipo de planejamento para uma cicloviagem é operacional, pois o enfoque deve ser dado nas atividades e tudo o que for necessário para que a viagem aconteça corretamente. Planejar e organizar a viagem no máximo de detalhe possível nunca será em demasia. Imprevistos acontecem, e é melhor estar preparado para o pior cenário, caso tenha algum imprevisto desagradável – se nada acontecer, você estará com o sucesso garantido.
9 - Onde se hospedar: Durante o planejamento, procure na internet alguns endereços de pousadas e hotéis nas cidades onde pretende parar. Não deixe para fazer isto ao chegar no destino, super cansado depois de pedalar o dia todo. Neste momento ninguém vai ter disposição para encontrar uma pousada com boa relação custo-benefício.
10 - Respeito: Respeitar horários, ritmo da viagem, e tudo o que foi planejado e acordado entre o grupo é fundamental. O consenso deve prevalecer: acima de sua vontade está a vontade do grupo. Respeito, solidariedade e companheirismo devem ser a tônica do grupo. Portanto pense enquanto grupo, deixando de focar apenas em suas questões pessoais.
11 - Transporte das bicicletas: Caso você precise transportar a bicicleta em ônibus ou avião, na ida ou na volta da cicloviagem, certifique-se antecipadamente com as companhias a possibilidade e os custos envolvidos para transportá-la. Algumas companhias aéreas cobram, outras não. Algumas companhias de ônibus permitem o transporte, e outras não, mesmo existindo legislação favorável ao transporte.
12 - Documentar a viagem: Não esqueça da máquina fotográfica e filmadora. Verifique seus equipamentos antes da viagem: se as baterias estão carregadas e se as memórias terão espaço suficiente. Nada mais frustrante do que ficar sem as imagens de suas aventuras.
O objetivo da cicloviagem é diversão, é curtir com os amigos o prazer de pedalar e chegar ao destino com o seu próprio esforço físico. Lembre-se que o seu grupo não é um mero somatório de pessoas, ao contrário disto é uma unidade de pessoas, (amigos) com objetivos comuns, portanto faça da sua participação algo prazeroso para o grupo, seja gentil, pois o modo como você trata as pessoas determina quem você é! (Frase do livro O Poder da Gentileza).
Só para Mulheres
O Lado Cor de Rosa do GP Ravelli
Por Claudia Franco
Desde a sua primeira edição, em 2006, a participação das mulheres no GP Ravelli aumentou em 70%.
O GP Ravelli é uma competição de mountain bike que surgiu de uma brincadeira entre amigos, conta Marcio Ravelli, 11 vezes campeão de mountain bike.
Em 2006 o GP contou com a participação de 613 atletas. Na última edição, em 2010, chegou à marca de 2200 atletas.
O GP Ravelli é uma competição que tem cuidados especiais para com a participação do público feminino.
A cada ano, Marcio Ravelli inova o GP de forma a atender as demandas específicas das mulheres e prevê também o aumento por novas demandas.
Este ano ele estima que o GP Ravelli contará com a participação de 100 atletas femininas. O maior número destas atletas está na faixa etária de 20 a 35 anos, mas a faixa acima dos 40 anos tem aumentado a participação a cada ano. Há também as mulheres que participam da categoria de Dupla Mista: no ano passado estiveram presentes 30 mulheres.
“Uma das inovações do GP Ravelli, para atender melhor o público feminino, foi a criação de diversas categorias. Com isto a competição ficou mais justa e equilibrada entre as atletas.” – comenta Ravelli. “Criamos uma categoria especial - a Femino Expert - que é para as atletas que ainda não são profissionais, não tem patrocinador, mas que estão no caminho da profissionalização. Damos chances para estas atletas se destacarem entre as atletas de elite. Para as atletas amadoras disponibilizamos 4 categorias, atendendo o público feminino que vai de 17 a 54 anos” – comenta Ravelli.
Acompanhe, nas palavras de Ravelli, o que representa a participação feminina no GP, e o que ele está fazendo para incentivar e aumentar ainda mais o número de mulheres na competição.
“Quando estou no GP e olho todas as atletas circulando pelo local fico encantado. Além de embelezarem o cenário, me encanto com a coragem destas mulheres. O mountain bike é um esporte duro, exigente no que se refere a esforço físico, técnica e arrojo. Estas mulheres são muito corajosas e por isto me dedico muito para poder atendê-las de forma especial.
Preocupo-me com cada detalhe, desde os banheiros até a premiação. Um dos meus grandes desejos é conseguir uma premiação diferenciada para as mulheres. Acho muito desagradável entregar um pneu como prêmio para uma mulher. Claro que agradeço muito os patrocinadores, o pneu sempre será útil, porém seria muito mais adequado contar com patrocinadores que pudessem prestigiar o público feminino com algo que tenha a ver com a mulher.
O GP Ravelli está caminhando em direção às necessidades femininas. Algumas atletas ainda ressaltam que o circuito é pesado, exigente em termos técnicos. Entendo perfeitamente. Seria muito mais interessante se fosse possível traçar um circuito separado para as mulheres em uma única competição. Não descarto esta hipótese, está no meu radar, um dia será passível de implementação. Por um outro lado as mulheres ficaram muito satisfeitas com a maior quantidade de categorias e também com a premiação em dinheiro para as atletas profissionais. Este ano teremos premiação em dinheiro em todas as etapas do GP Ravelli, além de troféus e medalhas.
Infelizmente, como em quase todo segmento, há uma diferenciação com relação às mulheres. As cotas de patrocínio são menores - quando existem. Conseguir prêmios para o público feminino é muito mais difícil e até a imprensa diferencia as mulheres, reservando um espaço menor de divulgação. Alguns chegam a fazer comentários desmerecedores quando presenciam uma atleta empurrando a bicicleta. Lamento, mas acredito que à medida que mais mulheres aderirem ao esporte, mais abertura teremos no segmento do mercado.
Meu recado para as atletas que pretendem se profissionalizar ou se dedicar ao esporte de alguma maneira é: dedique-se muito. Trace um objetivo, seja persistente, não desista nunca. Foi pensando assim que cheguei aonde cheguei, e tenho certeza de que todas estas Corajosas Mulheres podem conquistar o que desejarem.”
PEDAL NO MORRO DO ALEMÃO
Por Sylvia Neta
Saímos da Pedal 2, no Catete, e de metrô fomos até Inhaúma. Subimos a Estrada da Pedreira, pedalando junto à mata, entre Vila Cruzeiro e o Complexo do Alemão. As comunidades pacificadas agora podem receber visitas e promoverem festas e eventos culturais.
E foi com este espírito que fomos recebidos pelos moradores do local. Eles incentivavam quem já ia perdendo o fôlego na subida. Outros estavam distraídos no seu futebol, ou fazendo piada com nossa aparência física de atleta ou de gordinho, apostando quem conseguiria subir e quem ia empurrar a bike na ladeira mais íngreme. Aos poucos descobrimos, naquela vizinhança, o jeito carioca de curtir o domingo e de receber visitas.
A paisagem é linda: Bahia de Guanabara, Igreja da Penha, Ponte Rio – Niterói. Após a Estrada da Pedreira, uma trilha leve, sem muitas dificuldades para subir – empurrando, é claro. Em alguns trechos conseguimos pedalar. Depois de alguns quilômetros por mata fechada, alcançamos o outro lado do bairro, Nova Brasília, onde paramos para lanchar e socializar com os meninos Diogo e Daniel. Encantados com as bicicletas, não resistiram a dar umas voltas.
O Daniel pedalou sozinho, mas o Diogo (uff!) – eu tive que acompanhar. Foi mais difícil que subir as ladeiras da trilha! Criança – você sabe – é disposição que não acaba mais. Na despedida, dei um beijinho no Daniel, e aconselhei que ele estudasse, e assim ele poderia ser o que quisesse quando crescer. Sabe o que ele respondeu? “Quando crescer, quero ser igual a você!”
Acordar às cinco da manhã para andar de bicicleta pode parecer programa de índio; mas não para mim. É sempre uma experiência única. O ritmo das bicicletas nos permite um olhar mais denso sobre as paisagens e as pessoas. A bicicleta aproxima jovens, adultos, crianças, e está acima de divisões de classes sociais, ou da capacidade física. “Não sou atleta, Daniel, mas você ainda pode ser. Você, agora, vai ser o que você quiser.”
O Rio de Janeiro tem pontos turísticos além de Copacabana e Cristo Redentor. Ele possui diversos locais lindos e “exóticos” para dar uma volta de bicicleta, e isto não inclui só as ciclovias.
O primeiro Downhill Urbano no morro do Complexo do Alemão abriu o calendário de competições no Rio de Janeiro. Inicialmente, o evento chamou atenção de todos, por ter sido um local que nos últimos meses era tomado pelo tráfico. Com a invasão da polícia e o exército para tomar o controle do local, a comunidade abriu as portas para o esporte. A festa foi linda!
A pista foi na comunidade de Nova Brasília, tendo o início na Praça do Samba e chegada na Quadra. A comunidade e os espectadores ficaram eufóricos com a passagem dos pilotos. Muitos moradores nem acreditavam que aquilo era possível em trechos apertados, becos, degraus, curvas fechadas e obstáculos de madeiras que fazem do Complexo do Alemão uma verdadeira pista de Downhill.
Sem fins lucrativos, esta prova ficou válida pela 1ª etapa do Circuito de DHU em Comunidades Pacificadas no RJ, que vai rolar durante o ano de 2011.
A intenção da competição foi movimentar a modalidade no Rio nestas áreas e levar para a população um atrativo a mais.
RESULTADOS
RÍGIDA
01º - 453 - Diego Vasconcelos - 0:00:49
02º - 193 - Guilherme Scafarro da costa - 0:00:51
03º - 200 - Haroldo Abreu Passos - 0:00:51
JUNIOR
01º - 152 - Lucimagno Mendes - 0:00:44
02º - 154 - Paulo Roberto Pinheiro - 0:00:47
03º - 190 - Gustavo Garcia dos Santos - 0:00:47
EXPERT
01º - 203 - Washington Teixeira - 0:00:43
02º - 144 - Janderson Carlos Silva Santos - 0:00:44
03º - 195 - Gabriel Morais de Oliveira - 0:00:44
MASTER
01º - 185 - Danylo Westin - 0:00:47
02º - 209 - Alex Candido de Oliveira - 0:00:47
03º - 120 - Rodrigo Tiuma - 0:00:47
ELITE
01º - 210 - Walace Miranda - 0:00:40
02º - 158 - Kayo Iraci da Silva Cardoso - 0:00:42
03º - 172 - Gabriel Santos de Oliveira - 0:00:42
Colaboração: Pedal.com
HIDRATAÇÃO
A água é o maior e mais simples componente do organismo e constitui 70% do organismo adulto.
Essa porcentagem varia conforme a composição corporal entre músculo e tecido adiposo. A água é importante para regular a temperatura corporal. Ao praticar atividade física, o corpo superaquece e a defesa do organismo é produzir o suor para diminuir a temperatura corporal. Com o suor, água e sais minerais são eliminados, os quais são fundamentais para um bom desempenho da prática esportiva. A hidratação deve ser individualizada e realizada adequadamente.
Saiba quanto você deve ingerir de líquido durante a sua atividade física
Pesar-se antes (peso inicial) e logo depois da atividade física (peso final).
Subtraia o peso final do peso inicial.
Multiplique o resultado por 1,5 e esse valor será a quantidade de líquido a ser ingerido.
Se você, por exemplo, perder 500 gramas de peso, a sua ingestão hídrica deve ser de 750 ml.
Ingira a quantidade de água durante todo o período da atividade física, respeitando a sua tolerância. Uma parte desse líquido também pode ser ingerido antes ou depois da atividade.
Recomenda-se o consumo de água para atividades com duração inferior a uma hora. Para as atividades com duração superior, é indicado o consumo de bebida isotônica.
Em casos de treinos moderados a intensos, independente da duração, consuma bebida isotônica.
Diversão,
adrenalina
e força
Muita diversão, adrenalina e força em uma prova de 42 km, dentro do Parque Beto Carrero World.
Um grande desafio para entrar no calendário nacional de mountain bike!
Esta é uma boa definição para o Beto Carrero Mountain Bike - uma prova em que os participantes percorrem um circuito em meio à natureza, dentro da magia do Parque Beto Carrero.
Beto Carrero Mountain Bike é uma corrida realizada em um circuito de 8,5 km, no mundo da fantasia. São cinco voltas em meio a uma exuberante fauna e flora, cowboys, piratas e aventura, com saída em frente a BIG TOWER, seguindo pela área verde do parque, até completar o desafio dos 42 km!
Sediado no maior parque multi-temático da América Latina, o Beto Carrero World, em Penha/SC, o evento teve sua primeira edição em novembro de 2009, e a segunda, em novembro de 2010. A primeira edição reuniu 182 atletas, a segunda, 203, de diversos estados do sul e sudeste do país.
O evento de 2010 iniciou no sábado, 20 de novembro, com a entrega dos kits com camiseta de ciclista, mochila, boné, toalha e brindes. No domingo, 21 de novembro, o evento começou às 8h00, com uma corrida pedestre comemorativa de 5 km. Logo em seguida, pontualmente às 9h00, os atletas do MTB, distribuídos em diversas categorias, largaram para encarar a aventura dos 42 km entre trilhas, bosques e estradas rurais em um belo percurso dentro do parque.
Enquanto os atletas enfrentavam o super desafio, seus familiares e amigos ficaram na torcida com grande entusiasmo e alegria. Na chegada, os atletas receberam um lindo medalhão, saborearam uma mesa com muitas frutas e sucos. Depois lavaram suas bicicletas no stand de lavação. No final da tarde, os campeões foram premiados com muita alegria e diversão. Por fim, desfrutaram de todas as atrações do parque
Completar as desafiantes voltas do circuito
montado para o Beto Carrero Mountain Bike
é uma grande aventura. Compartilhar esta
emoção com amigos e familiares torna
esta experiência inesquecível..
Verão em Movimento de Bike
Por Antonio Merlo – Equipe Bike Amparo
A Prefeitura Municipal de Amparo, SP, realizou em janeiro/2011 o 4º Festival Verão em Movimento, com o objetivo de promover esportes, lazer e mais qualidade de vida para toda a população.
E a bicicleta não podia ficar de fora. Pelo terceiro ano consecutivo, os organizadores do festival realizaram duas atividades ligadas à magrela: o 3º Grande Passeio de Mountain Bike e o BMX Park Contest.
O Grande Passeio aconteceu dia 09/01, com o apoio da Equipe Bike Amparo. Mais de 80 ciclistas, devidamente equipados, saíram da Praça do Paço Municipal, atravessando o centro da cidade em direção a uma trilha de 21 km, que passou por vários bairros da zona rural de Amparo. Os bikers puderam curtir um belo domingo de sol, em ritmo de passeio e contemplação da natureza.
O BMX Park Contest foi a atração na pista municipal de Amparo, no dia 19/01. Essa pista foi projetada pelo piloto profissional Diogo Canina. A competição foi organizada com o objetivo de dar visibilidade para quem está começando no BMX. Mais de 45 atletas, divididos nas categorias mirim e iniciante, vindos de várias cidades da região como Campinas, Jundiaí, Monte Sião, Serra Negra, Itatiba, Itapira e Pedreira, desenvolveram manobras de alto nível, surpreendendo os juízes da competição e provando mais uma vez que Amparo é um grande berço do BMX.
XI COPA AMÉRICA DE CICLISMO
São Paulo – SP
Breno Sidoti e Janildes Fernandes começam 2011 com vitória importante
A XI Copa América de Ciclismo abriu, no dia 09/01/2011, o calendário oficial de provas de estrada, válidas para o ranking da Confederação Brasileira de Ciclismo (CBC).
Os melhores ciclistas do país, e destaques do exterior, participaram do evento sob um calor de 27 graus, e umidade do ar em 53%. A novidade dessa edição foi o desafio do circuito invertido (sentido horário) do Autódromo Internacional José Carlos Pace (Interlagos), que exigiu muito dos competidores. Destaque para a categoria Hand Cycle, para pessoas com deficiência no movimento das pernas. Nesse caso, as bicicletas são adaptadas para o competidor mover a bicicleta através de uma manivela, ao invés de pedivela. O atleta Fernando Aranha completou as duas voltas em Interlagos no tempo de 22m15s.
O ciclista Breno Sidoti, paulista de 27 anos, da equipe Funvic/Marcondes César/Gelog/Taruma/ Pindamonhangaba (SP), demonstrou grande preparo físico e, com uma escapada sensacional na 15º volta, conquistou a Copa América pela primeira vez. A prova foi marcada por uma intensa troca de posições e revezamento da liderança. Na segunda metade da prova, dez ciclistas estavam no pelotão da frente, a 100 metros do segundo grupo. Ele completou as 20 voltas no circuito, que tem 4,3 km de extensão, num total de 86 km em 2h02m13s. Seu companheiro de equipe, Roberto Silva, ficou em segundo lugar, 29 segundos atrás. Jean Coloca, da São José dos Campos/ Cannondale, ficou em terceiro.
"Foi uma estratégia que ficou decidida durante a corrida. Eu estava trabalhando para o Roberto, mas como andei sempre na frente, acelerei e aproveitei o momento. A prova exigiu bastante, mas eu me preparei bem, e a perna está toda dolorida, mas esse é o gosto da vitória", comemorou Breno. "Consegui impor um bom ritmo, e vim acelerando e administrando a vantagem para vencer. Estou muito feliz e dedico esse momento à minha mãe e minha família, que são meus maiores fãs", finalizou o paulista que atua como passista (fundista), cuja principal característica é justamente manter o mesmo ritmo por muito tempo.
A disputa feminina, que reuniu 42 atletas, também ficou mais acirrada com a inversão no sentido do autódromo, e foi definida apenas no sprint. A atual campeã brasileira de estrada, Janildes Fernandes, conquistou o tricampeonato da competição, completando o percurso de seis voltas (25,8 km) em 46m38s. A atleta goiana cruzou a linha de chegada seguida por Valquíria Pardial e Luciene Ferreira da Silva, ambas da Funvic/Marcondes Cesar/Taruma/Pindamonhangaba.
"Foi uma prova muito dura, pois com a mudança no circuito a chegada ficou logo depois da subida. Mas valeu pelo resultado, que mostra que estou em um bom momento e pronta para brigar por uma vaga nos Jogos Olímpicos de Londres, em 2012", declarou a tricampeã.
RESULTADOS
MASCULINO
BRENO FRANCA SIDOTI - 2:02:13.412
ROBERTO PINHEIRO DA SILVA - 2:02:42.903
JEAN CARLO COLOCA - 2:02:43.030
FEMININO
JANILDES FERNANDES SILVA - 46:38.705
VALQUIRIA ALESSANDRA BENTO PARDIAL - 46:38.817
LUCIENE FERREIRA DA SILVA - 46:39.900
HAND CYCLE
FERNANDO ARANHA ROCHA - 00:22:15
CARLOS EDUARDO NOBRE DA CAMARA - 00:23:11
RAFAEL RODRIGUES – SEM TEMPO.
TOPO: BICICLETÁRIO
TÍTULO: Implantação de Bicicletários
Segundo o Manual de Planejamento Cicloviário (GEIPOT, 2001), a definição para bicicletário, proposta no Encontro Técnico, ocorrido em março de 2000, em Brasília, é: estacionamento exclusivo para bicicletas, de grande capacidade e longa permanência, com controle de acesso. No Plano de Mobilidade por Bicicleta nas Cidades, proposto pelo Ministério das Cidades, 2007, o entendimento continua o mesmo.
Decorre deste fato que bicicletários são estacionamentos, públicos ou privados, especialmente planejados para bicicletas, e como tal, merecem estrutura coberta e vigiada. O ideal é que tenham equipamentos, como bombas de ar comprimido, borracheiro, banheiros e telefones públicos.
Atualmente, chama-se bicicletário inclusive estacionamentos de menor porte, do tipo que ficam na frente das padarias e similares, que são tão importantes quanto os bicicletários de grande porte, pois facilitam e estimulam o uso da bicicleta porta a porta. O próprio CTB rege, no Anexo I, dos conceitos e definições que “bicicletário é um local na via ou fora dela, destinado ao estacionamento de bicicletas”. Esta simplificação dá uma amplitude maior para o termo, pois temos poucos bicicletários no país, e que se enquadrem nos termos do GEIPOT, menos ainda.
Assim, ficam incluídos os pequenos estacionamentos, de livre acesso e poucas vagas; embora nosso objetivo, neste artigo, seja analisar a implantação de um bicicletário ideal - o sonho de qualquer ciclista. Sabemos da dificuldade em atender todos os pontos apresentados, e sem desmerecer as iniciativas importantes que, apesar de não apresentarem todos os requisitos ideais, são fundamentais no estímulo ao uso da bicicleta, vamos nos ater à proposta, mais detalhada, do GEIPOT.
Os bicicletários são importantes para atender os picos de movimentação dos ciclistas, como no início e fim da jornada de trabalho, promoção de algum evento, entre tantas outras possibilidades. O projeto de implantação do bicicletário precisa prever e considerar esse “pico”, para, com êxito, dimensionar os acessos e circulação interna.
A existência de bicicletários seguros e bem localizados é essencial para incentivar as pessoas a usarem a bicicleta como meio de transporte. Mostrando ao público que os ciclistas são bem-vindos, essas instalações funcionam também como uma mensagem para motoristas considerarem usar a bicicleta no futuro. Em Santa Catarina, a empresa que instalar um “bicicletário adequado” e formalizar a solicitação receberá da ViaCiclo, o certificado e o selo de “Instituição Amiga do Ciclista”.
Lugares indicados para implantação de bicicletários:
- Pólos públicos que atraem pessoas, como pontos turísticos, ginásios, estádios, etc.
- Terminais de ônibus, metrôs, e outros transportes públicos.
- Centros de grande fluxo de pessoas, como escolas, supermercados, centros comerciais, etc.
- Empresas com grande número de funcionários ou visitantes.
É necessário incluir, nos planos e estudos, a elaboração de projetos para os bicicletários. O caderno de referência para elaboração do Plano de Mobilidade por Bicicleta nas Cidades apresentou os seguintes princípios:
- realização de estudo de demanda prévia, para saber alguns dados, como destinos de viagens dos ciclistas, tempo de permanência médio e quantas bicicletas estacionam no local.
- potencial de integração da bicicleta com outros modos coletivos de transporte, além da disponibilidade de áreas para a realização de projetos de integração entre os diferentes modais.
- entrevista com os ciclistas, futuros usuários, para conhecer as suas exigências, expectativas e disposição para pagamento do estacionamento.
- análise do potencial de negócios das áreas selecionadas para estudo e implantação de estacionamentos, incluindo todos os itens correlatos aos interesses dos ciclistas.
- avaliação da necessidade de espaço para sua implantação.
Alguns fatores importantes precisam ser levados em conta no momento da escolha do projeto e da localização, para que o bicicletário possa ser útil. Os principais pontos a considerar (com base nas recomendações do guia de bicicletário da Association of Pedestrian and Bicycle Professional, para a implantação de um bicicletário ideal) são:
Suporte
O suporte é a parte do bicicletário onde a bicicleta é apoiada e presa. Os suportes de um bicicletário devem estar distantes, no mínimo, 75 cm um do outro. Ele precisa sustentar a bicicleta pelo quadro em dois pontos de apoio; impedir que a bicicleta gire e tombe sobre sua roda dianteira; permitir que a bicicleta seja presa pelo quadro e por uma ou ambas as rodas; ser adequado para bicicletas que não tenham quadro tipo "diamante", sem tubo superior (p.ex., bicicletas femininas ou infanto-juvenis); permitir que uma tranca "U" prenda a roda dianteira e o tubo inferior do quadro de uma bicicleta convencional; permitir que uma tranca "U" prenda a roda traseira e o tubo do selim do quadro de uma bicicleta convencional. O suporte deve ser resistente o bastante para evitar ser cortado ou arrancado com ferramentas comuns, especialmente aquelas que podem ser escondidas numa mochila. Tais ferramentas incluem alicates cortadores de arames, cortadores de tubos, chaves e pés-de-cabra.
Localização
A localização do bicicletário é determinante para seu sucesso. Ele deve estar o mais perto possível da entrada principal do destino, oferecer clara vantagem sobre o estacionamento de carros mais próximo, e não ficar escondido nos fundos dos edifícios ou num canto afastado. Seria ideal que o local fosse constantemente vigiado e bem iluminado, para reduzir as chances de vandalismo e roubo. O resultado seria: maior número de pessoas confiantes para usarem a bicicleta como meio de transporte. Deve haver sinalização indicativa de que o local é exclusivo para estacionamento de bicicletas, e que a área não pode ser invadida por automóveis ou motos.
Desenho e Instalação
O projeto de suporte tem que garantir tranquilidade e confiança. Deve ser de fácil acesso, facilitar o uso de travas e cadeados, fornecer apoio para a bicicleta inteira, de modo que não haja estragos ou arranhões. O projeto mais simples e confiável na Inglaterra (e por isso mais comum) é o suporte tipo Sheffield, que é um único tubo com duas dobras em ângulo reto. Ele pode ser melhorado pela adição de uma barra transversal mais baixa, que o torna mais apropriado para quadros de bicicletas femininas e infantis, além de reduzir a tendência de giro da roda dianteira. Há versões com 60 cm de largura, que incluem a barra transversal, e que fazem sucesso. Os suportes tipo “borboleta”, que apenas prendem as rodas, não são recomendáveis, pois podem danificar a bicicleta. O design e estética do projeto podem ser definidos segundo os padrões, exigências e preferências do local. Os suportes podem ser pintados, cobertos com um revestimento resistente ao risco, ou de aço inoxidável.
Em locais onde as bicicletas ficam estacionadas por um prazo maior de tempo, como no caso de operários ou estudantes, a segurança deve ser priorizada. Há projetos de armários para as bicicletas, ou abrigos e galpões que possuem portas que podem ser trancadas. Além das tradicionais e conhecidas formas de guardar bicicleta, há várias soluções mais avançadas sendo pesquisadas, que aos poucos se tornam realidade. Existe uma ampla variedade de soluções em bicicletários, que fornecem aos que projetam ambientes urbanos e mobilidade urbana, um conceito mais elaborado e integrado de estacionamento para bicicletas. Recomenda-se que o pavimento do bicicletário seja em concreto, asfalto ou lajota, e que não acumule água.
Vagas
A melhor forma de determinar a demanda por vagas para bicicletas é pesquisar os atuais e potenciais usuários, dentro da organização, escola, empresa, enfim, do destino final do ciclista. Essa mensuração é mais difícil numa situação de uso geral, como em uma rua do comércio. Neste caso, é mais prudente avaliar o potencial que o local tem para atrair pessoas de bicicleta, observando-se em quais lugares as bicicletas, atualmente, são estacionadas, ou onde poderia haver uma demanda mais elevada, como perto de uma estação de metrô, por exemplo. Após a implantação do bicicletário, a demanda por vagas deve, esperançosamente, crescer. As experiências internacionais demonstram que é mais útil e conveniente ter várias pequenas áreas de estacionamento do que uma área grande. É conveniente prever a necessidade de expansão futura do bicicletário: se o poder público, por exemplo, estiver disposto a incentivar e aumentar o uso da bicicleta, esse aumento deve ser considerado no projeto.
Área do bicicletário
Trataremos a área do bicicletário, neste caso, como o lugar para estacionamento de bicicletas, ou seja, o espaço onde os suportes são instalados, e os corredores que os separam. O bicicletário pode ter, além disso, espaço para oficina mecânica e banheiros, por exemplo. O corredor é medido de ponta a ponta dos pneus das bicicletas estacionadas no bicicletário. A largura mínima do corredor deve ser 120 cm. Este é o espaço confortável para uma pessoa empurrar uma bicicleta. Em áreas de maior movimento, onde o tráfego é intenso, como colégios ou fábricas, recomenda-se um corredor de 180 cm. Da mesma maneira, o espaço reservado para cada fileira de bicicletas estacionadas deve ser 180 cm.
Bicicletários grandes com alta taxa de rotatividade devem ter mais de uma entrada, para facilitar o fluxo dos ciclistas e pedestres. Se possível, o bicicletário deve ter proteção contra as variações do tempo (sol e calor intenso, chuva, etc.), permitindo mais conforto ao ciclista na hora de descarregar suas coisas, ou manter a bicicleta seca, especialmente o selim. Até mesmo um toldo ajuda nessa questão.
Entender a transição envolvida em um ciclista passar de condutor do veículo para pedestre também é importante para compreender a infraestrutura necessária para o bicicletário. O ciclista aproxima-se do edifício pedalando. Em algum ponto, ele para, desmonta e empurra a bicicleta até o bicicletário. Estaciona e tranca sua bike ao suporte, e toda a carga é removida. Então, o ciclista caminha para o edifício, carregando seus pertences. Deve haver espaço adequado que permita esta transição. Por isso é tão importante que o bicicletário situe-se ao longo da linha principal da aproximação do edifício e seja claramente visível ao longo desta linha.
Detalhes da instalação
O bicicletário não pode causar obstrução ao fluxo de pedestres. Deve-se calcular o espaço necessário. A estimativa de 1 bicicleta por m² é uma boa guia. A área planejada deve ser plana, caso contrário os suportes devem ser fixados em ângulo reto à rampa para impedir que as bicicletas tombem. Se o estacionamento planejado vai ser implantado numa construção nova ou em obras viárias, deve-se pensar em realçar a presença da área demarcada para o bicicletário, com uma mudança na cor ou textura da superfície. Se julgar impróprio cavar para chumbar no chão os suportes individuais, um modelo tipo “cremalheira” pode ser usado.
Embora a implantação de um bicicletário possa parecer caro inicialmente, este custo deve ser comparado ao custo de manter uma vaga de estacionamento para automóveis, e o custo que o empregador tem com aluguel de garagem que atenda o mesmo número de ciclistas. Se os suportes forem utilizados para valorizar um projeto de urbanismo ou refletir as características de um determinado lugar ou organização, o custo pode ser financiado por patrocínios do comércio local ou ser incluído como parte do custo de um projeto arquitetônico-urbanístico mais abrangente.
A realidade
O Brasil apresenta déficit de estruturas implantadas especialmente para estacionamento de bicicletas. Analisemos como exemplo a carência de bicicletários em Santos, São Paulo. A cidade já possui 40 bicicletários públicos, com 420 vagas para estacionamento, que a CET-Santos (Companhia de Engenharia de Tráfego) está instalando para oferecer comodidade e segurança aos ciclistas. Mas segundo a Associação Brasileira de Ciclistas (ABC), o número está muito abaixo do necessário. A entidade estima que sejam necessárias, para atender toda a demanda, duas mil vagas: quase cinco vezes mais que a oferta atual. A falta de estacionamento para bicicletas é evidente nas ruas da cidade. A Praça da Independência, no Gonzaga, fica diariamente cheia de bikes estacionadas de forma improvisada, presas em postes, troncos de árvores e grades. Na fachada do número 13 da praça, há placa informando a reserva daquele local para as bicicletas e obstáculos de solo para impedir o estacionamento de carros, mas o suporte foi retirado do local. A deficiência no serviço em pontos comerciais, e de embarque e desembarque de outros modais, é visível. Além do Gonzaga, o Mercado de Peixe é mais um exemplo. A oferta de vagas para estacionamento ao lado do terminal de balsas e da ligação cicloviária entre a orla e o porto é insuficiente. Outro ponto crítico está nas imediações do Super Centro Comercial Boqueirão. No centro também falta oferta. O bicicletário ao lado da Praça Mauá, por exemplo, fica lotado já às 8 horas da manhã.
Por outro lado, vemos muitas empresas que começam a se conscientizar da importância do bicicletário. Essas empresas percebem que incentivar o uso da bicicleta lhes confere uma imagem sustentável e correta perante a sociedade, funcionários e clientes. Para citar um exemplo, no dia 17/12/2010, o Banrisul (Banco do Estado do Rio Grande do Sul) lançou o programa BanriBike, que disponibiliza aos funcionários que trabalham no edifício-sede, no centro de Porto Alegre (RS), um estacionamento para bicicletas. Agregado ao projeto, os usuários contam com um programa de acompanhamento físico e orientações de segurança e primeiros socorros. Com o apoio do CTS-Brasil, o BanriBike oferece 20 vagas, preenchidas de acordo com a ordem de inscrição dos interessados. O programa tornou-se realidade graças à antiga reivindicação dos funcionários e servidores (demonstrando que a cobrança dá resultado), e faz parte da política de responsabilidade ambiental e de saúde da instituição. Ana Zivalova, funcionária da agência central, é uma das beneficiárias do estacionamento. Ela, ciclista convicta, percorre 22 km de bicicleta diariamente para ir trabalhar. “Eu prendia a minha bicicleta a um poste, o que me deixava muito apreensiva. Fiquei aliviada com a criação desse espaço, pois sei que o meu meio de transporte está em segurança”, relata. Além disso, uma parceria com a academia Unitrainer permite que os ciclistas utilizem a ducha do local.
Implantar bicicletários estimula o uso da bicicleta, pois proporciona um local apropriado e seguro para estacionamento. O contrário também é verdadeiro, ou seja, o aumento no uso da bicicleta acaba forçando os investimentos na infraestrutura necessária para pedalar. A responsabilidade recai sobre todos: os órgãos públicos precisam incentivar e realizar projetos de bicicletários públicos. Os ciclistas precisam continuar usando, e estimular o uso da bicicleta como meio de transporte, além de cobrar medidas, tanto governamentais como empresariais, para que conforto e praticidade façam parte desta opção.
Neste artigo, foram apresentadas características de bicicletários de grande porte - considerado ideal - apesar de que pequenos estacionamentos de bicicletas, com características distintas destas, como é o caso do estacionamento proposto pelo programa Banribike, são igualmente chamados de bicicletários e cumprem essa função no dia a dia. Mais detalhes destes pequenos estacionamentos serão abordados em edições futuras.
Colaboração: Transporte Ativo e ViaCiclo
Limpeza da corrente
Fonte: Equipe Bike Company
Para manter sua corrente limpa, o primeiro passo é realizar a limpeza por fora, com uma escova e um pano seco. Já a lubrificação será necessária sempre que a corrente estiver fazendo barulho ou estiver muito suja, especialmente depois de andar na lama ou no barro, depois de uma chuva, ou numa estrada muito empoeirada.
Se a corrente merecer esta limpeza, você tem a opção de tirá-la da bike utilizando uma chave própria para removê-la ou através de um elo especial para abertura que algumas correntes têm. Mas cuidado - retirar a corrente com muita frequência pode enfraquecer o elo que foi aberto e fechado. A dica é fechar a corrente com um pino novo. Se não tiver a chave em mãos ou a corrente não tiver um elo de abertura, você pode limpar a corrente na bike mesmo.
Se optar por tirar a corrente: coloque-a em uma vasilha com um pouco de desengraxante (ou um solvente tipo querosene) e deixe o produto agir sobre ela. Passado alguns minutos você pode escovar a corrente para remover toda a sujeira. Depois passe uma água com detergente neutro, para tirar o desengraxante, e seque com um pano, jornal ou naturalmente. Não use produtos alcalinos ou ácidos.
Com a corrente seca, limpa e instalada de volta na bike, aplique óleo lubrificante (use um específico para bike e evite óleos minerais ou em spray) em todos os elos. Nunca lubrifique a corrente suja! Escolha um elo da corrente e marque-o na lateral com uma gota de lubrificante. Ele servirá de orientação para saber onde começa e termina a corrente. A partir deste elo vá colocando uma única gota de lubrificante por eixo de elo até chegar de novo ao elo marcado. Gire lentamente, com o pedal, a corrente para espalhar o lubrificante nos eixos de elo.
Importante: é vital para a corrente que ela trabalhe praticamente seca por fora e lubrificada por dentro. Por isso é necessário limpar o excesso de lubrificante com um pano seco.
Limpe o restante da transmissão também, pois de nada adianta a corrente limpa em uma transmissão toda contaminada.
Se não tirar a corrente: passe o desengraxante com um pincel por toda a transmissão. Deixe agir por uns instantes e, com uma escova, vá limpando a corrente e o restante da transmissão.
Finalizado o processo, lave a transmissão com água (evite jatos concentrados de água nos cubos e movimento central), espere a transmissão secar e lubrifique a corrente conforme demonstrado anteriormente.
Assim você mantém a corrente da bike por mais tempo!
De Bicicleta pelas Praias da Bahia
Por Paulo de Tarso
Você já se imaginou pedalando pelas praias na Bahia? Praias desertas e paradisíacas, paisagens deslumbrantes, pequenos povoados, hospedagens com charme, requinte e excelente gastronomia local.
Pedalar no litoral norte ou sul da Bahia é uma grande aventura sobre duas rodas para lembrar por toda a vida.
No Sul da Bahia a dica é pedalar pela Rota do Descobrimento
De Prado à Arraial d´Ajuda
Um trajeto de muita beleza e história. Quase 500 anos depois, o sol continua forte, os nativos sempre hospitaleiros e a paisagem continua a maravilhar quem se aventura pelas trilhas que cruzam esse pedaço do litoral da Bahia.
A pedalada pelas praias do descobrimento começa no município de Prado, no extremo sul da Costa do Descobrimento, onde as caravelas portuguesas se aproximaram com Pedro Álvares Cabral e sua esquadra, que a viram pela primeira vez em 22 de abril de 1500. Apesar do aparecimento das cidades junto à orla e do desmatamento provocado pelos portugueses, a área ainda possui praias intocadas, rios de águas cristalinas e fauna e flora diversificadas. Um hectare de Mata Atlântica nesses domínios tem 450 tipos de espécies vegetais. Os animais também são muitos. Só de aves são cerca de 400 espécies, um número superior, por exemplo, ao de todas as aves encontradas na Europa. Não espanta, portanto, que os primeiros navegantes acreditassem ter encontrado o paraíso terrestre. A Unesco escolheu a Costa do Descobrimento como Sítio do Patrimônio Natural. Isto quer dizer que a região é considerada um lugar de preservação de relevante importância para a humanidade e todo o planeta. Além do Parque Nacional de Monte Pascoal, há também o Parque Nacional do Pau-Brasil, em Porto Seguro, e o Parque Nacional do Descobrimento, na região de Prado.
O total a ser percorrido em uma semana é pouco, cerca de 120 km. Em alguns trechos como de Corumbau a Caraíva vale a pena seguir de barco, e além de não precisar empurrar a bicicleta na areia fofa, fazer um delicioso passeio e até avistar o Monte Pascoal.
Mas a viagem é fantástica e pedalar em meio a toda essa beleza é algo difícil de explicar: à direita avista-se o imenso mar azul. À esquerda, uma paisagem de coqueiros, mangues e falésias. As falésias são um espetáculo grandioso. Em tons avermelhados, formam paredões de até 20 metros de altura que refletem o brilho do sol em cores vivas.
Dia a dia na Rota do Descobrimento:
1ª etapa - Prado a Cumuruxatiba - 33 km
2ª etapa - Cumuruxatiba a Corumbau-28 km
3ª etapa - Corumbau a Caraíva - 10 km
4ª etapa - Caraíva a Curuípe 10 km
5ª etapa - Curuípe a Trancoso 31 km
6ª etapa - Trancoso a Arraial d´Ajuda –14 km
No Norte a dica é pedalar pela Costa dos Coqueiros
De Mangue Seco a Praia do Forte
Pedalar na Costa dos Coqueiros é realmente deslumbrante. A paisagem já é totalmente diferente da viagem do Sul da Bahia. Ali não tem falésia, que dá lugar a uma imensidão de coqueiros que acompanham o caminho de ponta a ponta e lembram a história. A Mata Atlântica que cobria toda a faixa litorânea brasileira foi destruída para a criação do gado e o cultivo de cocos, então uma valiosa planta trazida da Índia, onde Portugal também tinha posses. Sim os nossos coqueiros, cantados em verso e prosa pelos mais famosos dos baianos, aqueles nos quais se prende a rede e cujo farfalhar de palhas embala o sono, são importados: vieram da Ásia (acredita-se que são oriundos da Polinésia e Micronésia) nas naus portuguesas em 1553 e aqui foram plantados. Esses símbolos de sombra e água fresca estendem-se pelos 145 quilômetros de pedaladas, desde Mangue Seco a Praia do Forte, no extremo norte do litoral da Bahia. São belezas naturais que podem ser percebidas desde as águas cristalinas dos rios, praias e cachoeiras, até a penetrante observação da rica fauna e flora nativa, além de uma cultura peculiar na gastronomia, moda, artesanato e tantos outros.
Dia a dia na Costa dos Coqueiros
1ª etapa - Mangue Seco a Siribinha- 37 km
2ª etapa – Siribinha a Sítio do Conde – 14 km.
3ª etapa – Sítio do Conde a Baixio a Baixio – 30 km
4ª etapa – Baixio a Subaúma – 15 km
5ª etapa – Subaúma a Porto do Sauípe - 23 km
6ª etapa – Porto do Sauípe a Paria do Forte – 22 km
O Sampa Bikers realiza esta viagem em várias datas durante o ano. Mais informações no site www.sampabikers.com.br
Un free ragazzo til globe terreste!
Não pensem que fiquei louco, mas as misturas de culturas, costumes e línguas já fazem parte de mim.
Este sou eu, Danilo Perrotti Machado - Um Homem Livre pelo planeta terra! Depois de percorrer 30.591,80 km em 40 países, de bicicleta, e aguardando mais 15 pela frente, escrever assim é quase fácil. Espanhóis, ingleses, italianos, dinamarqueses, franceses, árabes, indianos e chineses... Enquanto passo pelas estradas de cada país, tenho mais forte uma certeza: todos os seres humanos são semelhantes. Longe do Brasil desde 8 de agosto de 2008 nessa viagem ao redor do mundo, me surpreendi com o quanto os povos são hospitaleiros, assim como o povo brasileiro!
Meu objetivo é ver um mundo sem fronteiras, onde não haja divisão entre povos e credos, conhecer cada cantinho do planeta e fazer contato com novos costumes e pessoas. A bicicleta foi a forma perfeita que encontrei para me inserir com facilidade na cultura de cada país, além de ser um meio de transporte barato e simples. Neste trajeto tenho sido recebido na maioria dos países com um sorriso enorme no rosto, seguido de olhares atentos e curiosos. E por mais incoerente que possa parecer a alguns, os povos do Oriente Médio, de religião islâmica, são os mais receptivos, faz parte da sua tradição tratar bem os estrangeiros. Quando passo de bike as crianças correm atrás de mim, me tocam, as mulheres da porta das casas olham de longe, os homens se aproximam com perguntas curiosas, como de onde eu venho, o que estou fazendo ali, para onde estou indo.
Em Oman, por exemplo, sempre recebia convites para almoçar e quando estava atravessando o deserto, os carros paravam e ofereciam água, comida, carona e até mesmo dinheiro. Na Turquia, Ásia, recebi vários convites para comer e tomar um “Chai Turco”. Muitas vezes no Irã os carros paravam e ofereciam frutas e bebidas. Agora, fora dos países islâmicos, fui muito bem recebido no Nepal, Sri Lanka, Laos e Camboja. Já a Europa... é fria até mesmo no comportamento das pessoas.
Um fato engraçado aconteceu no Sri Lanka, onde as pessoas são muito simples e com um baixo nível de estudo. Lá muitos não conhecem o Brasil, e sempre vinham com um cumprimento em inglês. “Hello! Are You From?” Eu dizia: Brazil - South America. E eles concordavam: “Ah! America”, achando que eu era dos Estados Unidos. Já quando as pessoas conheciam o Brasil a conversa sempre levava a um nome de jogador de futebol.
Queria ouvir, tocar, sentir e ver o planeta com meus olhos, movido pelo meu próprio esforço físico e sentindo a poeira, o suor, o vento e a brisa no meu rosto. Retorno ao meu país tupiniquim em 11 de novembro de 2011, somando três anos, três meses e três dias de viagem ao redor do planeta terra.
Danilo Perrotti Machado
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REPÚDIO - Massa Crítica é atropelada em Porto Alegre – RS
Insanidade mental? Não! É que as prioridades nas ruas estão invertidas: a força do motor vem antes da vida.
“Estava felizão por participar, pela primeira vez, do encontro Massa Crítica de Porto Alegre, aqui no Rio Grande do Sul. Resido em Portão, a 45 km da capital, e desloquei-me exclusivamente para participar desta incrível manifestação pela vida. Mas aconteceu algo inacreditável: foi tudo muito rápido; ouvi ruídos de destroços, olhei para trás e vi pessoas e bikes sendo arremessadas e emboladas como numa avalanche! Naquele momento, não conseguia assimilar o que estava ocorrendo. Fiquei em estado de choque, e não tive reação... Fui arrastado por bicicletas e pessoas. Caí. Encontrei a roda traseira 50 metros longe da minha bike! Estava todo esfolado e com o joelho bastante avariado, pois foi esmagado ao chão. O pavor e a gritaria pairavam no ar.” (Rafael Santos, acadêmico de educação física que participava da mobilização)
Porto Alegre (RS), 25 de fevereiro de 2011. Por volta das 19h30min, mais de 100 ciclistas participavam de um evento promovido pelo movimento Massa Crítica de Porto Alegre. De repente, um motorista arranca o carro e atropela os ciclistas. Nove pessoas foram atendidas no Hospital de Pronto Socorro. A Massa Crítica é uma celebração da bicicleta como meio de transporte, demonstrando que ela é um veículo mais sustentável, saudável e humano, apesar de muitos atribuírem a ela um aspecto frágil e impotente.
O motorista do Golf preto que atropelou os ciclistas é o funcionário do Banco Central, Ricardo Neis, de 47 anos. No dia 28/02, Ricardo se apresentou à Delegacia de Delitos de Trânsito de Porto Alegre, acompanhado de seu advogado, Luís Fernando Albino, alegando que agiu em legítima defesa, e arrancou o carro para proteger seu filho de 15 anos, que estava no carro. Segundo Albino, Ricardo discutiu com alguns ciclistas, tentou pegar um desvio por uma rua lateral, e teria sido impedido pelos manifestantes; nesse momento, os ciclistas teriam cercado o carro, e começado a bater nas janelas, inclusive onde seu filho estava.
Na noite do dia 01º de março, Neis teve sua prisão decretada pela Polícia Civil do Rio Grande do Sul. Ele recebeu voz de prisão no hospital onde se internou, alegando estar muito abatido após o atropelamento; foi indiciado por tentativa de homicídio duplamente qualificado: por motivo fútil e que não permite a defesa das vítimas.
Esperava-se que ele recebesse alta, e que fosse conduzido ao Presídio Central, mas o médico Hugo Alberto Hoerlle não o liberou do Hospital Parque Belém, alegando que o acusado está sofrendo de estresse pós-traumático e necessita de cuidados médicos. O médico constatou, inclusive, a possibilidade de Ricardo tentar o suicídio. Autoridades que lidam com casos assim afirmaram que “é normal a pessoa ficar louca quando sente a espada da justiça.”
Sobre Ricardo Neis recaem, além da acusação de atropelamento do grupo de ciclistas de Porto Alegre, três processos por ameaça e agressão física. O acusado também possui multas por diversas infrações, como excesso de velocidade, trânsito na calçada, na contramão, em marcha ré, e por conversão proibida, segundo o Ministério Público do Rio Grande do Sul.
A Polícia Civil pediu a transferência do acusado do Hospital Parque Belém para o Instituto Psiquiátrico Forense, local onde ficam internados os presos com problemas psicológicos. O Ministério Público se posicionou favorável, mas a juíza Rosane Ramos de Oliveira Michels, da 1ª Vara do Júri do Rio Grande do Sul aceitou, no dia 03 de março, o pedido da defesa para mantê-lo internado no Hospital, baseada em dois atestados médicos que prescreveram a necessidade de acompanhamento psiquiátrico especializado. Estes atestados não solicitam nem recomendam a transferência de Neis para o Instituto, tampouco relatam que o Instituto não teria condições de dar o atendimento que se diz necessário ao acusado. Foi solicitada, então, uma avaliação do próprio Instituto, e conforme o laudo preliminar, decidir sobre o destino do atropelador.
A promotora Lúcia Helena Callegari afirmou que Ricardo Neis se internou depois do depoimento para fugir da aplicação da lei penal, e por isso foi decretada a custódia cautelar. A tentativa de driblar a responsabilidade dos fatos ficou clara com o pedido de instauração de incidente de insanidade mental. Insanidade mental? Ele sabia, sim, o que estava fazendo! O bancário foi funcionário do Banrisul, e é efetivo do Banco Central, cargos que alcançou através de concursos cujas provas são extremamente difíceis. Além disso, ele tem carteira de motorista e já teve até porte de arma, o que indicam que o acusado não era nem total, nem parcialmente incapaz de entender suas ações.
Esperamos que a justiça seja feita. Nada justifica o ato cruel deste motorista. O que ele fez é uma barbárie, tanto que o caso já ganhou repercussão mundial. Independente do que o motivou a agir assim, a atitude do motorista foi irresponsável, desequilibrada e assassina. Nada justifica o uso de tamanha violência, e o uso da força do motor para se opor ao passeio ciclístico. O fato ilustra de forma grotesca, mas verdadeira, a impaciência de alguns motoristas, que são incapazes de esperar quando estão dentro dessas super velozes máquinas, chamadas carro: se podem correr a 100 km/h, não conseguem aguardar cinco minutos. Quanto mais correm, mais pressa têm!
O risco que os ciclistas diários das grandes cidades assumem, entre as máquinas motorizadas, é sempre alto. São verdadeiros guerreiros! Naturalmente não podemos generalizar e tratar todos os motoristas como monstros. Aliás, alguns são muito gentis e educados; e muitos são também ciclistas. E, muito importante: precisamos dar o exemplo. Se queremos mostrar que andar de bicicleta é melhor que andar de carro, se queremos mostrar que a bike pode ajudar na amenização dos congestionamentos causados pelos carros, não podemos fazer um “congestionamento de bicicletas”. Não podemos causar problemas iguais aos que nos opomos. Vamos continuar mostrando que a bicicleta é a melhor opção de mobilidade, revelando seus benefícios e virtudes, tendo em mente que o processo de mudança cultural, social, política e econômica em direção ao uso da bicicleta, é lento.
Naturalmente, nada justifica atos de violência ,como o que aconteceu em Porto Alegre. Infelizmente, o aceitável é que automóveis bloqueiem automóveis; é inaceitável que bicicletas façam isso, mesmo enquanto estejam sugerindo um melhor formato de mobilidade. Incentivar a ter um carro a menos nas ruas apenas demonstra o interesse dos ciclistas em formar um trânsito mais humano, mas as prioridades nas ruas estão invertidas: a força vem em primeiro lugar. Pedestres e ciclistas lutam por um lugar nas ruas; um lugar que não atrapalhe os motores, a velocidade, a força – características respeitadas no trânsito brasileiro. A agressividade e a irritabilidade formam o caráter dos donos das ruas: as vidas não são mais a essência do direito de ir e vir.
MURAL
NOTA - DIAMANTINO NUNEZ – PRESIDENTE DO WTB - 3º World Bike Tour / São Paulo (edição 003 – jan/fev 2011)
Em nota à Revista Bicicleta, Diamantino Nunez, presidente do Comitê Organizador do World Bike Tour, pronunciou-se quanto às críticas feitas com relação ao evento, que aconteceu em São Paulo, no dia 25 de janeiro.
Sobre a segregação de ter duas saídas: uma para quem pagou, e outra quase duas horas depois para quem não pagou.
Em momento algum o WBT informou que haveria duas saídas. O evento foi formatado para 7.000 participantes, devidamente inscritos. A existência de pessoas que pretendem entrar num espaço para o qual, naquele momento, não estão habilitados, não pode ser motivo para imputar responsabilidades à organização. A título de exemplo, quando se organiza um jogo de futebol, os ingressos coincidem com o número de lugares. A existência de uma procura maior não legitima a abertura de portas para assistir ao refiro jogo. Neste caso trata-se de uma situação semelhante.
Relato de desorganização para encontrar as bicicletas.
Entregar 7000 bicicletas a 7000 pessoas, naturalmente não é uma operação fácil. Não poderemos ter um elemento da organização por bicicleta. Deve imperar regras e civismo. Os participantes foram encaminhados para as diferentes alças da ponte, onde as bicicletas se encontravam. Saliento o civismo revelado por milhares de pessoas que, ordeiramente, pegaram a sua bicicleta e pedalaram desde a Marginal Pinheiros até a USP.
Reclamação que as grades foram inúteis, atrapalharam a circulação de bicicletas e obrigaram alguns ciclistas a voltarem pela contramão.
A utilização das grades é uma imposição do CET. É bom pensarmos que operações assim são pensadas com meses de antecedência e que, naturalmente, prevêem inclusive planos de emergência. Quanto ao voltarem na contramão, não me parece sensato. As regras de trânsito são para cumprir, gostemos ou não delas, concordemos ou não com as mesmas.
Sobre o fechamento das avenidas ter sido feito de forma amadora.
Centenas de elementos do CET e da polícia estiveram presentes nesta operação. Entidades que nos merecem a melhor consideração possível, quer pelo trabalho que desempenharam, quer pela enorme experiência que têm no dia a dia de uma cidade como São Paulo. No entanto, iremos dar feedback desta opinião às entidades competentes.
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CARTA - LINCOLN MORETTI – As Ciclovias de Praia Grande / SP (edição 002 – dez 2010)
Sempre pedalei, era adepto ao cicloturismo, e ia de bicicleta estudar e trabalhar. Tenho apartamento em Praia Grande há 25 anos, onde sempre passei as férias. Há dois anos sou morador de Praia Grande/SP, mas aqui todos os dias eu ouço falar em assaltos e roubos de bicicleta. A cidade não tem segurança alguma para evitar roubos. Andar nessas belas ciclovias, como falaram na reportagem, acaba sendo apenas mais um sonho. Detalhe: engordei 30 kg em dois anos! Hoje, faço tratamento para eliminar este excesso de peso que adquiri; não pedalo na rua, tenho um rolo profissional onde tento pedalar, mas nunca vai ser a mesma coisa. Isso me deixa indignado! Dizem que andar de bicicleta em São Paulo é loucura: loucura é andar em Praia Grande, e saber que você vai perder a sua bicicleta a qualquer momento.Infelizmente essa é a realidade que nós, moradores de Praia Grande, vivenciamos: uma cidade sem segurança alguma, onde só vemos policiais na época de dezembro e janeiro, por causa dos eventos de verão. Termino de escrever isso com vontade de chorar, por me sentir incapaz de fazer algo para melhorar essa situação.
Revista Bicicleta: Lamentamos, e muito, Lincon. Infelizmente, essa é a realidade de muitas cidades. O problema da segurança pública é muito complexa, e envolve questões ainda mais complexas. Ainda assim, não podemos simplesmente nos calar diante da triste realidade. Constantes cobranças e reivindicações farão com que se comece a dar atenção à causa. O objetivo da matéria é destacar as ciclovias e motivar outros a fazerem o mesmo. Em relação à Praia Grande, contatamos a prefeitura a respeito, mas sem retorno até o presente.
Campeonato Paranaense de DOWNHILL
Desde 2008, a modalidade de ciclismo DOWNHILL vem crescendo no Paraná, conquistando assim um número cada vez maior de adeptos. Para que estes atletas tenham mais visibilidade a nível nacional e crescimento pessoal em campeonatos, a Federação Paranaense de Ciclismo criou a Comissão Paranaense de Downhill. Esta comissão ficou responsável em criar, fiscalizar e executar as provas do calendário de 2011. Seus integrantes são atletas e organizadores de eventos ligados diretamente ao esporte, sendo orientado pelo vice-presidente da federação, Renato Baron.
Uma novidade para comemorar este lançamento, é a filiação GRATUITA a todos os atletas que fizerem sua inscrição até 30 de abril. Este é um incentivo importante da federação, que mostra seu comprometimento com o ciclismo paranaense. A comissão formada prontamente criou o calendário de provas com suas respectivas localidades, dando um “salto” para a execução do Campeonato Paranaense de Downhill 2011. Confira na tabela abaixo as datas previstas para as provas.
Fonte: Federação Paranaense de Ciclismo
Calendário de provas 2011
Data Local Organizador Prova
14, 15 de Maio Morretes Paulo Overall/Rudah Chácara Carambiú
13, 14 de Agosto Irati Marcio Kazubek 4º DH de Irati
10, 11 de Setembro Londrina Robson Urubu/Junior Micuin
22, 23 de Outubro São L. do Purunã Harry Schimidt Copa DH Paraná
10, 11 de Dezembro Campo Magro Bene/Giuliano DH Final
* Datas e localidades sujeitas a alterações.
O Cicloturismo é uma atividade em crescimento em todo o mundo, atraindo cada vez mais praticantes e despertando o interesse de governos e de empreendedores. Estima-se que só na Alemanha, 21 milhões de pessoas pratiquem o cicloturismo, movendo em torno de 5 bilhões de euros por ano.
O Cicloturismo é uma modalidade de turismo na qual seu praticante usa a bicicleta, não apenas como meio de transporte, mas como uma companheira de viagem. O cicloturista aproveita a paisagem e interage com as pessoas de uma forma que somente a bicicleta pode proporcionar, além de praticar exercício e contribuir para a sustentabilidade ambiental.
Uma das formas mais estimulantes de se praticar o cicloturismo é através de Circuitos de Cicloturismo, roteiros oficialmente instalados, que oferecem suporte de informações e serviços, com extensão variável a ser cumprido em mais de um dia.
Tendo em vista que poucas cidades possuem atrativos para o turismo convencional, mas que quase todas possuem atrativos para o cicloturismo, um conjunto de organizações elaborou um Manual dirigido aos municípios brasileiros, especialmente aos seus órgãos incumbidos do turismo, contendo dados e elementos de incentivo à criação de Circuitos de Cicloturismo. O objetivo é que os municípios, através de consórcios, instalem Circuitos de Cicloturismo para atrair os usuários dessa modalidade, contribuindo com a economia e com a imagem do município.
O Manual, disponível em versão impressa e eletrônica, também traz instruções básicas para todo o processo, desde a concepção até a divulgação e a gestão do circuito, o qual demanda baixo investimento financeiro público e privado, mas com bons retornos em médio prazo.
A criação de variados Circuitos de Cicloturismo no Brasil oferece uma maior diversidade de destinos aos praticantes, encoraja novos adeptos e valoriza a bicicleta como veículo de transporte nos municípios envolvidos, provocando um benéfico efeito em cadeia para toda a sociedade.
O trabalho foi executado, em conjunto, pela Viaciclo, Caminhos do Sertão, ABC, com apoio do Clube de Cicloturismo. Disponível para download em ciclo.tur.br/arquivos/Manual-Circuitos-Cicloturismo.pdf.
Para quem gosta de usar a bicicleta no dia a dia, um dos principais problemas enfrentados é encontrar um lugar seguro para guardar a bicicleta. Um estúdio de design – o Muu Store – criou esta mesa, onde o ciclista pode acoplar a bicicleta e usar o selim como cadeira. Apesar de ser uma ótima ideia, é difícil imaginar que funcione em um ambiente corporativo, em que o ciclista precise ficar muito tempo sentado. Mas pode ser aplicada, no futuro, em parques, bares temáticos ou calçadões de praias. A mesa Pit-In, que foi indicada ao Prêmio Design Report, é feita de madeira, mede 71x90x115 cm, e ainda não tem preço definido.
Texto e fotos: divulgação
Fábio Yoshimoto – o Japa –se apaixonou pelas bicicletas quando ainda era criançinha. Passou a infância, a juventude e a vida adulta sem nunca abandonar as pedaladas. Ele trabalhou em empresas do segmento, até conseguir realizar o sonho de construir sua própria bicicleta: a Saga. Fábio lutava contra um câncer ósseo, e faleceu no último dia 19/02/2011. Sua bicicleta foi a primeira aro 29 do Brasil. Ele foi um exemplo de pessoa e de ciclista, que percorreu o caminho do sonho e da realização, e conquistou muitos amigos no caminho. Fernando Louro, responsável pela Bronet do Brasil, relatou: “estamos muito tristes com a perda do nosso amigo Fábio Yoshimoto, que sem dúvida se tornou um ícone dentro do mercado de bicicletas, seja por seu espírito de amizade, seja pela sua busca de desafios para profissionalizar este mercado.”
Quer Encarar o Dakar 2011 de Bike?
Werner Hermann Hennig completou, em 2010, a mais difícil e longa jornada de sua vida: saindo de Buenos Aires, em 14 de junho, percorrendo sempre que possível o roteiro do Dakar 2010, pedalou 7.400 km até retornar à cidade argentina, em 17 de setembro - com seus 60 anos por fazer, sozinho, sem muito dinheiro, sem muita estrutura, dependendo das pessoas que encontrou pela frente.
Um grande desafio proposto por Werner, para ele mesmo... e vencido! Superação pessoal, obstáculos naturais, frio, calor, fome, cansaço, solidão, tudo isto foi compensado por paisagens belíssimas e pessoas especiais. Em uma das suas cartas, Werner relatou: “Conhecer pessoas sempre é bom; conhecer vocês foi muito especial! O mundo tem muitas curvas, tenho certeza que na próxima curva, vamos nos encontrar novamente” – uma forma de agradecer a todos que trouxeram solidariedade, aconchego, simpatia e histórias fantásticas no caminho.
Desde que começou a desbravar o terreno inóspito da superação pessoal de seus limites, o percurso do Rally Dakar foi um dos maiores sonhos de Werner. O roteiro do Dakar 2011, que acontecerá nos meses de junho, julho e agosto, é a próxima aventura. E o cara está procurando quem queira encarar este desafio, para dividir tarefas; Werner também está montando uma estrutura para enviar notícias diariamente para a mídia em geral.
E aí, quer encarar o Dakar 2011 de bike? Entre em contato: wernerhermann.hennig@gmail.com.
Fotos: Arquivo Pessoal
2ª ETAPA DO CIRCUITO DE CICLISMO SESI VERÃO
Ijuí/RS
Aconteceu no dia 27 de fevereiro, em Ijuí/RS, a 2ª etapa do Circuito de Ciclismo SESI Verão, com a participação de 65 ciclistas, divididos nas categorias speed elite, speed master, speed veterano, mountain bike elite, mountain bike master, mountain bike veterano, feminino livre e feminino estreante. O evento tem a organização realizada pelo SESI em parceria com as Associações de Ciclismo: Panambikers, Ijuí Bikers e Associação Ciclo Missões. Foi uma tarde de domingo muito agradável, onde os atletas deram um show de pilotagem.
RESULTADOS
FEMININO LIVRE
1º - ELAINE LENZ(Panambi),
2º - MARCIA VOGARINS(Santo Ângelo)
3º - LugarVERIDIANE GELESKY
MOUNTAIN BIKE ELITE
1º - MARCELO EDEGAR SOARES
2º - JONAS DA SILVA(Ijuí)
3º - CLAUDIO DE LIMA(Santo Ângelo)
SPEED ELITE
1º - EVERSON ASSIS(Carazinho)
2º - ELISANDRO DA SILVA
3º - LEANDRO DA SILVA
Texto e fotos: Eduardo Kitagawa
COPA ENDURANCE
Itatiba/SP
Foi realizada em 20/02/2011 a 1º Etapa da Copa Endurance MTB Amador, na cidade de Itatiba – SP, no Parque da Juventude. O percurso de 45 km para a elite, e 30 km para a categoria aventura, foi desfrutado por mais de 370 competidores. A categoria aventura foi criada para pessoas que querem iniciar nas competições, ou simplesmente completar o percurso, contando com uma ótima infraestrutura. Os competidores consideraram o trajeto rápido, mas muito prazeroso, com um belíssimo visual. Destaque para os oito ciclistas especiais que participaram e abrilhantaram a festa.
Esta é a 6º edição da competição, organizada pelos idealizadores Sandro Montico e Carlinhos. A família Endurance perdeu o amigo, pai, competidor e staff, Neno. Homenagens justas foram feitas ao amigo que esteve ao lado dos idealizadores em todas as edições anteriores. Ele sofreu uma queda de bike, com o seu filho – Christopher Martins Danilo, e não resistiu aos ferimentos. Christopher participou da prova na categoria sub-20, e conquistou o 8º lugar.
RESULTADOS
CATEGORIA ELITE MASCULINA
1 - Orlando Alves Silva – 01:35:44
2 - Leandro dos Santos Donizete – 01:41:07
3 – Adriano Cheregatti – 01:43:46
CATEGORIA FEMININA PRO
1 – Tatiani Cristina de Oliveira Lobo – 02:10:29
2 – Susan Zorzetto – 02:12:45
3 – Roseli de Souza – 02:18:48
Texto e fotos: Antonio Merlo – Bike Amparo
Liga Sul Baiana de Downhill
Ilhéus/BA
A primeira etapa da Liga Sul Baiana de Downhill ocorreu na cidade de Ilhéus, nos dias 12 e 13 de fevereiro. O campeonato acontece paralelo ao campeonato baiano, abrangendo os pilotos da região sul da Bahia. Já na largada, os pilotos se deliciaram com um visual incrível do mar; na chegada, à beira da praia, o banho de mar é item obrigatório depois das descidas. A pista foi composta de muitos obstáculos, escadarias, wallrides, e muitos gaps e drops técnicos.
Depois de uma classificatória super disputada, a pista ficou pequena para a final: os pilotos, cheios de vontade, não economizaram na adrenalina. A categoria iniciante mostrou que o futuro do downhill está garantido. A categoria elite rígida guardou surpresas. Péricles Maia, da cidade de Jequié, foi impecável e venceu com o tempo de 0:53.810c. “Para mim, a adrenalina de ficar no ‘hot seat’ foi maior do que na própria descida. Eu estava muito concentrado e tranquilo. Estou muito satisfeito de começar o campeonato na liderança”, comentou o campeão.
Na elite full, a disputa foi acirrada, e quem acabou levando a melhor foi Alex Calazans, de Eunápolis, com o incrível tempo de 0:52.570c. O atual campeão baiano de downhill, Luciano Bastos, de Jequié, ficou com a segunda colocação.
ETERNAMENTE THIAGO DOWNHILL
O downhill na Bahia ficou de luto no dia da corrida e continua a chorar pela perda de um piloto que foi exemplo para todos nós, brasileiros. Thiago, jovem de 20 anos, natural de Eunápolis, amputou uma das pernas por complicações de saúde, e após alguns meses voltou a treinar downhill e competir, mostrando a todos que tudo se vence com superação, garra e determinação. Porém, essas mesmas complicações atingiram Thiago novamente, e ele faleceu no dia 13 de fevereiro, enquanto a competição ainda estava acontecendo. A notícia foi recebida com muita tristeza pelos pilotos e público, que fizeram um minuto de silêncio em homenagem a esse guerreiro. Thiago Costa de Souza, eternamente Thiago Downhill.
Resultados
Elite Full
1 Alex Calazans (Eunápolis) DHE Race Team 0:52.570c
2 Luciano Bastos (Jequié) No Rastro DH Team / Aro 10 Extreme / Guiné Racing 0:53.190c
3 Reginaldo Nascimento (Ilhéus) Pró Bike 0:53.580c
Elite Rígida
1 Péricles Maia (Jequié) No Rastro DH Team / Aro 10 Extreme / Guiné Racing 0:53.810c
2 Arthur Oliveira (Ilhéus) Pró Bike 0:54.380c
3 Melquesedeque Pontes (Eunápolis) DHE Race Team 0:54.760c
Texto e fotos: Pedal.com
SRAM 50K
Vinhedo/SP
O SRAM 50K foi uma grande festa do Cross Country Olímpico, no dia 27/02/2011, na cidade paulista de Vinhedo. Um grande público prestigiou os mais de 400 atletas, que percorreram sete voltas do percurso, totalizando 50 km para as categorias XO e 25 km para as categorias X9. A organização da competição deu um show de profissionalismo, e foi impecável nos horários e regras. O percurso composto de lama tipo brejo, com subidas fortes e descidas técnicas, que contornava as margens da Represa II, exigia muita força, resistência, técnica e emocional dos pilotos. O sol quente não deu trégua, nesta prova que necessita de um box para abastecimento de água e conserto das bikes. Os campeões da competição foram os mineiros Daniel Carneiro e Roberta Stopa.
RESULTADOS
FEMININO
1º - ROBERTA KELLY STOPA
2º - LUANA MACHADO
3º - RAQUEL FRANÇA DE QUEIROZ
MASCULINO
1º DANIEL CARNEIRO BRUM RIBEIRO ZÓIA
2º UIRÁ RIBEIRO DE CASTRO
3º GUSTAVO RICARDO SANTOS
O retorno de Contador
Alberto Contador (Saxo Bank) venceu a 2º etapa da Volta a Múrcia e assumiu a liderança geral da competição. A escalada do monte Collado Bermejo, faltando 8 km para o final da etapa, foi decisivo para a vitória. Um grupo de cinco atletas quebrou o pelotão (Contador, Menchov, Jerome Coppel, Fabio Arevalo e Wout Poels), e a 1 km do cume, Contador impôs seu ritmo e cruzou a linha de chegada com cinco segundos de vantagem com relação ao segundo colocado, o russo Menchov.
Foi a primeira vitória do ciclista depois de retornar da suspensão por doping no último Tour de France, já na segunda competição disputada (a outra foi a Volta de Algarve, na qual Contador teve uma participação tímida). Com a vitória, o espanhol alcançou também a primeira colocação geral, terminou campeão da Volta a Múrcia.
Classificação geral
1 Alberto Contador Velasco (Spa) Saxo Bank Sungard 9:27:18
2 Jerome Coppel (Fra) Saur – Sojasun, a 11’’
3 Denis Menchov (Rus) Geox-TMC, a 17’’
A HISTÓRIA DA BICICLETA
“Viver é como andar de bicicleta. É preciso estar em constante movimento para manter o equilíbrio.” (Albert Einstein)
“Poucos objetos utilizados pelos seres humanos originaram uma revolução tão grande nas convenções sociais como a bicicleta” (Trecho do censo norte-americano de 1.900)
Assim como muitas outras, a invenção da bicicleta é algo difícil de precisar no tempo. Os antigos egípcios, através dos seus hieróglifos, já idealizaram um veículo de duas rodas, com uma barra sobreposta. Os desenhos foram encontrados em vasos, murais e relevos.
Em aproximadamente 1490, Leonardo da Vinci desenhou o projeto de um veículo com duas rodas, selim, sistemas de direção e propulsão por corrente. Pelo projeto, descoberto apenas em 1966, por monges italianos, percebe-se que o posicionamento do eixo de direção fazia a bicicleta dobrar no meio, tornando difícil manter o equilíbrio.
Em um museu alemão, há um modelo chamado bicicleta de Kassler, datada de 1761. Sua origem é desconhecida, e os franceses alegam que a bicicleta foi importada da França.
Para muitos pesquisadores, a história da bicicleta começa em 1790, com o conde francês Sivrac, que inventou um brinquedo chamado Celerífero (Célerifère). Construído todo em madeira, constituído por duas rodas alinhadas, unidas por uma viga onde se podia sentar, o Celerífero era muito pesado e rígido. A máquina não possuía freio nem sistema de direção, só uma barra transversal fixa à viga que servia para apoiar as mãos. A brincadeira consistia em empurrá-lo, ou deixá-lo correr em uma descida, e tentar manter-se equilibrado, de maneira muito precária, por alguns metros.
Várias outras referências de veículos de propulsão humana são encontradas até 1800, todas construídas na forma de carruagem, não tinham pedais, e o usuário “caminhava”, sentado no veículo, impulsionando-o até ganhar velocidade.
O próximo passo da evolução veio com o barão alemão Karl Friederich Von Drais, em 1816. Ele, que era inspetor florestal e inventor nas horas vagas, adaptou um sistema de direção ao Celerífero, e deu origem à Draisiana. Com ela, Von Drais percorreu o trajeto entre Beaun e Dijon, na França, com velocidade média de 15 km/h – primeiro recorde ciclístico. O projeto contava, também, com um rudimentar sistema de freios, e ajuste de altura do selim. A novidade foi patenteada em 1818, e o barão passou a viajar pela Europa, fazendo contatos para vender seu produto. Acabou ridicularizado e falido.
Apesar de patenteada, surgiram muitas cópias da Draisiana, onde foram introduzidas algumas inovações. Algumas passaram a ser construídas de ferro, o que permitiu que o projeto possuísse um sistema de suspensão no selim e nas rodas. Em 1820, o escocês Kikpatrick Mcmillan adaptou, ao eixo traseiro, duas bielas, ligadas por uma barra de ferro, que tinham a função de um pistão, acionadas pelos pés.
O próximo avanço veio em 1839, quando o mesmo escocês Kikpatrick Mcmillan, um humilde ferreiro do interior, criou os pedais, que eram ligados por barras de ferro ao eixo da roda traseira. Mas, mesmo assim, o veículo não se popularizou.
Pierre Michaux, carroceiro de Brunel, na França, recebeu uma Draisiana em sua oficina, para reparos. Seu filho, Ernest, usou-a e achou o veículo muito cansativo. Eles se dedicaram a criar algum sistema de propulsão que fosse ligado diretamente à roda dianteira, e que deixasse o deslocamento da máquina mais fácil. Redesenharam todo o projeto original da Draisiana, criando um quadro de ferro e um sistema de propulsão por alavancas e pedais na roda dianteira.
Assim, em 1855, os franceses Pierre e Ernest Michaux, pai e filho, deram origem ao Velocípede. Eles passaram a fabricar os Velocípedes, e tiveram a esperteza de dar um exemplar para o filho de Napoleão III, o que acabou abrindo as portas comerciais do produto. Também conhecido com “chacoalhador de ossos”, os Velocípedes garantiram o sucesso da fábrica dos Michaux, que, em 1865, já fabricavam cerca de 400 máquinas por ano, empregava 200 operários, e cada exemplar saia por exorbitantes 450 francos.
Com a popularização dos Velocípedes, as autoridades de Paris, por volta de 1862, se viram obrigados a criar caminhos especiais para os Velocípedes nos parques, surgindo assim as primeiras ciclovias.
Movido pela Revolução Industrial, o desenvolvimento dos veículos de tração humana ganhou grande impulso. Os modelos se espalharam por toda a Europa. James Starley, apaixonado por máquinas, recebeu um Velocípede Michaux e decidiu repensar e criar um modelo diferente. Em 1868, numa exposição de Paris, ele apresenta sua construção em aço, com roda raiada, pneus em borracha maciça e um sistema de freios inovador. Sua grande roda dianteira, de 50 polegadas ou aproximadamente 125 cm, fazia dela a máquina de propulsão humana mais rápida até então fabricada. Por isso, esse modelo também ficou conhecido como penny-farthing, devido ao contraste entre a moeda grande de um penny e a pequenina farthing – um quarto de penny.
O modelo foi patenteado em 1870, quando Starley funda a marca Ariel, que vendia seus biciclos por 8 libras em 1871, um preço que poucos podiam pagar.
Os novos movimentos de reivindicação social da Europa, na virada para o século XX, o que hoje chamamos de esquerda, logo perceberam que os clubes ciclistas, que vinham ganhando espaço, poderiam ser uma boa maneira de divulgar novos ideais sociais. Vem daí a frase "ao socialismo se vai de bicicleta". Os veículos de propulsão humana ficaram mais acessíveis e sociáveis.
Depois veio a bicicleta de segurança. Em 1877, Rouseau apresentou um dispositivo que por meio de duas correntes, multiplicava o giro da roda dianteira. Robert Thompson colocou travões e tiras de borracha coladas aos aros das rodas.
Em 1879, o inglês Henry Lawson apresentou, em Paris, um engenho que tinha a roda traseira acionada por uma corrente. Esse modelo ficou conhecido como bicyclette. Em 1880/1881, Starley inventou a bicicleta com as características que conhecemos hoje. Com os pedais no centro, a tração passou para a roda traseira, através de uma corrente de transmissão. Em 1891, com a invenção dos pneus com válvula de ar dos irmãos Michelin, ficou resolvido o problema das rodas.
Em 1893, para amenizar as polêmicas que ocorriam nas já existentes competições internacionais, surgiu a UCI – União Ciclística Internacional.
A história da bicicleta no Brasil se confunde com a história da Caloi. Em 1898 o italiano Luigi Caloi chegou ao país, e iniciou uma empresa de importação de bicicletas da Europa. Foi assim que elas entraram no país, e conquistaram seu espaço. Hoje, o Brasil produz cerca de 5,7 milhões de unidades por ano, sendo o terceiro maior pólo de produção de bicicletas do mundo.
O projeto original da bicicleta mudou pouco, apenas agregando alguns detalhes. Vale destacar a criação das marchas para a bicicleta. O primeiro câmbio surgiu em 1914, e depois disso, a história das marchas para bicicleta seguiu um percurso próprio até chegar ao formato de hoje.
Outra revolução ocorreu com a Mountain Bike, que começou a aparecer no final de 1970, na Califórnia, e tem o mérito de realizar uma grande mudança no pensar a bicicleta como um todo. Surge um novo projeto de quadro e garfo, peças e acessórios; a visão e utilização da própria bicicleta, e finalmente a forma de aproveitamento social deste veículo.
Sucessivas modificações técnicas têm ocorrido até os dias atuais, aperfeiçoando as bicicletas, seus modelos e componentes, ganhando em eficiência, conforto e velocidade.
Sem dúvida, a bicicleta é uma das grandes invenções do ser humano. Ela permite que diferentes pessoas demonstrem seu estilo. Alguns a usam para o cicloturismo, outros para o ciclismo extremo urbano. Muitos utilizam a bicicleta de forma casual, para se locomover em pequenos trajetos, até a escola ou o trabalho. Também surgiram várias modalidades de competição, que focam a velocidade ou as manobras, e revelam verdadeiros artistas sobre duas rodas. Na gíria das diferentes localidades e classes sociais, a bicicleta ficou conhecida como magrela, zica, camelo. Com a globalização, o termo inglês “bike” passou a integrar o nosso vocabulário.
Hoje, a bicicleta tornou-se símbolo de mobilidade sustentável. É um meio de transporte saudável, prazeroso, eficiente, ecologicamente correto, democrático e acessível.
“Quando eu vejo um adulto em uma bicicleta, eu não perco a esperança na raça humana.” (H.G. Wells)
Fonte: Escola de Bicicleta / Tudo sobre Rodas.
BIKERSHOP
Fundada em 2010, com a proposta de ser a primeira empresa 100% e-commerce no mercado especializado de bicicletas, o www.bikershop.com.br oferece grande variedade de produtos (vestuários, componentes, acessórios e nutrição), a um click de distância dos usuários brasileiros. “Buscamos suprir as necessidades de consumidores que compram no mercado internacional, e que não encontram produtos de alto desempenho no mercado nacional, além daqueles que não querem sair de casa ou do trabalho para comprar um produto. Tudo isso com muita agilidade, credibilidade e comodidade”, comenta Gleidson Slompo, gestor do e-commerce. A empresa pretende investir em atletas, feiras e eventos. “Queremos estar próximos dos clientes, investindo no esporte.”
www.bikershop.com.br
Ciclocomputador Bryton Rider50
A Bryton, empresa especializada em produtos para o segmento de fitness, lançou o Ciclocomputador Bryton Rider50: aparelho com GPS integrado que permite traçar rotas, gravar trilhas, monitorar resultados de treinos, e ainda possui uma central de treinos personalizada, ideal para controlar o nível de exercícios e calorias queimadas. Vem com o mapa do Brasil pré-instalado. Monitora dados como distância, cadência, velocidade, batimentos cardíacos e altitude. Conta com seis modos de treinamento, para que o ciclista adapte ao seu condicionamento físico. É resistente à água, tem entrada para cartão micro SD e autonomia de até 15 horas de uso contínuo.
O aparelho é fixado no guidão, em suporte fornecido com o produto. Por meio de conexão mini USB (central de treinos), o ciclista pode compartilhar suas experiências através das redes sociais. O Ciclocomputador Bryton Rider50 está a venda no site www.lojabryton.com.br.
Preço sugerido: R$ 1.699,00
www.brytonsport.com.br
Rolo para treinamento E-Motion
ELITE
O ciclo simulador Elite E-Motion foi desenvolvido para ajudar no treinamento indoor, fazendo com que o ciclista sinta a mesma liberdade de estar pedalando na rua. O sistema exclusivo de rolos flutuantes permite que se absorva a energia dos movimentos do ciclista de forma a tornar o treino o mais natural e real possível, com total segurança em sprint. O E-Motion possui três níveis de regulagem, que permite simular subida, descida e sprints.
Preço sugerido: R$ 3.593,00
www.cicloleiriense.com.br
RACKBIKE CIRCUIT
Desenvolvido para pendurar sua bike, pranchas e outros itens na parede. Ele é produzido em material leve e de alta resistência, seu tubo é de alumínio, protegido com uma camada de espuma. A instalação é simples, e já acompanha parafusos e buchas para fixação.
Preço sugerido: N/D
www.circuit.com.br
Camisas Curtlo BioCiclo MC
Camisa de mangas curtas com abertura frontal, recortes anatômicos, bolso na parte posterior e tela para ventilação. É ideal para a prática de ciclismo e de mountain bike. Tecido construído com tecnologia poliamida texturizada Amni. Tem proteção solar UV 50+ permanente inserida no fio, que não sai nas lavagens. Disponível nos modelos masculino e feminino. Microporosidade equilibrada que oferece conforto térmico. Conceito easy care: fácil de lavar, seca rapidamente e não precisar ser passada a ferro. Elástico no bolso, nos punhos e na barra. Abertura frontal com zíper. Excelente respirabilidade.
Preço sugerido: R$ 99,00 (feminino) e R$ 117,00 (masculino)
www.curtlo.com.br
Mercury HT
HOUSTON
Se o que você busca é mais adrenalina ao pedalar, essa é a bike ideal. A Mercury HT tem o intuito de proporcionar ao usuário o primeiro contato com a prática esportiva. É uma bicicleta diferente das demais em componentes e principalmente no estilo agressivo das cores e design. Possui 21 velocidades, e acompanha os seguintes acessórios: campainha, bar ends, espelho e refletores.
Quadro: Alumínio Hard Tail
Pneu: Off-Road 26x2.00
Garfo: Oversize, com suspensão em aço carbono com curso de 80 mm.
Preço sugerido: R$ 959,00
www.houston.com.br
STR 500
HOUSTON
Alta performance com muita qualidade para modalidades que exigem velocidade, leveza, precisão e superação.
Quadro: Alumínio cabeçote integrado oversize com design sloping
Garfo: Oversize em aço carbono
Câmbio dianteiro: Shimano TZ31
Câmbio traseiro: Shimano TZ30
Velocidades: 14
Pneu: 700x23 cor preto
Preço sugerido: R$ 929,00
www.houston.com.br
Suspensão RST Dirt Jump
Desenvolvida para atletas amantes do Free Ride/Dirt Jump, esta suspensão dará mais segurança e precisão ao piloto nos movimentos mais ousados e de grande impacto. A suspensão RST “Dirt Jump” tem uma estrutra resistente e um sistema hidráulico de alta performance. Para completar, seu design moderno e seu grafismo urbano darão um toque especial à sua bicicleta.
Preço sugerido: N/D
www.lmbike.com.br
BMC TEAMELITE TE 04 - 2011
Mountain Bike Hard Tail, com quadro de alumínio ISC Triple Butted Hidroformado, equipada com componentes Shimano SLX / Deore 27 velocidades, acessórios Scor MKIII, freios a disco hidráulicos Shimano 445, suspensão Rock Shox Tora TK coil, 100 mm, com trava e pneus Continental Air King.
Preço sugerido: R$ 4.499,00
http://omegabr.com
FOCUS BLACK HILLS (2011)
Mountain Bike Hard X-Country, com quadro Sport Pro de alumínio Double Butted, equipada com componentes Shimano SLX/ Alivio 27 velocidades, freios a disco hidráulicos Tektro Draco, e pneus Continental Traffic.
Preço sugerido: R$ 3.399,00
http://omegabr.com
DVD Manutenção de bicicletas
Regulagem de câmbios, sangria de freio, troca de corrente e tudo que você precisa saber para resolver os problemas básicos de sua bicicleta para não ficar na mão no meio da trilha. São dois títulos: Mecânica Básica e Freio a Disco. Tudo explicado de maneira fácil.
Preço sugerido: R$ 29,00 cada ou R$ 45,00 o par
http://dvd.ondepedalar.com
AVALANCHE 3.0
Projetada para o lazer de Mountain Bikers que exigem alto desempenho, durabilidade e valor excepcional.
Quadro: GT 26’’ triple triangle design, em alumínio 6061.
Garfo: SR Suntour XCM-V2, 120 mm.
Pneus: Maxxis Mobster 26 x 2.35’’ dianteiro; 26 x 2.1’’ traseiro.
Preço sugerido: N/D
GT Nomad 1.0 Feminina
Mesa: GT Ergonomic tipo duas densidades.
Freios: GT Alloy Comfort 40 mm.
Movimento Central: Shimano Acera 8 velocidades.
Preço sugerido: N/D
Quadro Arrow Da Bomb
O novo quadro Da Bomb, para XC iniciante – Arrow Bomb - possui excelente custo benefício e garantia de procedência. É fabricado em Alumínio 6061 T6.
Preço sugerido: R$ 560,00
www.scitex.com.br
Bici é cultura
André Geraldo Soares – Coordenador de Comunicação da ViaCiclo – Associação dos Ciclousuários da Grande Florianópolis
Cultura não diz respeito apenas às manifestações artísticas ou ao conhecimento erudito. Cultura é o que nos faz humanos, consistindo aí nossas diferenças com os demais seres da natureza, incluindo o conhecimento, as crenças, a arte, a moral, a lei, os costumes, os valores e todos os outros hábitos e aptidões adquiridos por qualquer um de nós através do convívio social. A cultura não é a mesma para todos os povos, nem durante toda a história, menos ainda para todos os indivíduos.
Economia é cultura, relações de gênero são cultura – mobilidade é cultura. Outro aspecto fundamental da cultura é a inter-relação de seus elementos, processos e sistemas: a economia é o que é devido às características da religião, das formas de governo e da técnica – e etc. – que compõem, com ela, o mesmo “caldo” da cultura; e cada um desses “ingredientes” influencia, permite ou força os demais a serem como são.
Isto dito, podemos compreender que a forma como nos movemos é um amálgama das influências geradas pelos demais componentes da cultura. A cultura ocidental, então, através das regras do mercado, dos valores hierárquicos, do desenvolvimento tecnológico e da crença na supremacia humana sobre todas as coisas levou ao domínio do automóvel privado sobre as demais formas de deslocamento no espaço social.
A cultura do automóvel é preponderante, mas não elimina as demais formas de mobilidade simplesmente porque é impossível fazê-lo. Mesmo que todas as famílias possuíssem renda para ter seu carro, não haveria gente para fabricá-los, matéria prima para compô-los, sistema viário para acolhê-los ou energia para movimentá-los, tampouco a atmosfera, os mananciais ou os ouvidos suportariam todas as suas emissões.
Por ser impossível “socializar” o automóvel, ele deve ser compreendido como uma utopia; e atendendo à recomendação de que devemos perseguir apenas projetos exequíveis, é preciso que outras formas culturais sejam investigadas.
E é esta compreensão que parece ser a inspiração principal do Bicicultura – Encontro Brasileiro de Cicloativismo e de Mobilidade por Bicicleta, que teve sua segunda edição em dezembro de 2010, em Sorocaba/SP. Por iniciativa da União de Ciclistas do Brasil, entidade que congrega as mais importantes organizações da sociedade civil que promovem o uso da bicicleta como meio de transporte, o evento contou com a co-organização da Prefeitura de Sorocaba e do Instituto Pedala Brasil e com o apoio de diversas empresas e entidades, reunindo 150 participantes inscritos oriundos da iniciativa privada, de universidades, de órgãos públicos e de ONGs.
Durante três dias foram discutidos temas ligados aos pilares da cultura: política, tecnologia, lazer, legislação, educação, trabalho, arte, economia e esporte. Os participantes ouviram, opinaram, dialogaram, pedalaram, teceram relações e se confraternizaram em torno desse veículo de transformação cultural que é a bicicleta.
As pessoas que lá estiveram pareciam querer conhecer outras pessoas que também não estão convencidas de que agora precisemos de tanta infraestrutura, recursos, logística e poluição para cumprirmos funções seculares: trabalhar, estudar, comprar, visitar amigos... Porque é mais simples, eficaz, saudável, democrático, limpo, ético, bonito, barato, divertido e lógico – é mais humano – ir aos lugares junto com outras pessoas, de ônibus ou de bicicleta, do que se isolar do mundo em uma lata privada e, com isso, obstruí-lo.
Existem experiências, técnicas e materiais abundantes e justificativas suficientes para que a bicicleta possa ser, ao invés de malquista, adotada e incentivada pelos gestores públicos e pelos cidadãos, coisas tais que se pode encontrar no Bicicultura. A humanidade produz, usando sua matemática, sua química e seu direito, excelentes bicicletas, vias ciclísticas seguras e legislação adequada para a inclusão ciclística. Já a psicologia, a medicina e a sociologia atestam os benefícios que o uso social regular da bicicleta provoca nas mentes, nos corpos e nos povos.
Para a inserção efetiva da bicicleta no sistema de mobilidade urbana, os agentes nela interessados devem atuar em todas as dimensões e setores da cultura, pois a bicicleta é um produto e um produtor cultural – para a humanidade, em todos os sentidos, a vida é bicicultura.
Feira f.re.e
Munique na Alemanha
De nosso correspondente na Alemanha: Fábio Zander
95.000 visitantes + 1.400 expositores + 50 países = feira f.re.e
A feira f.re.e, realizada entre os dias 23 e 27 de fevereiro em Munique na Alemanha, foi aberta ao público em geral. Mais de 95.000 pessoas visitaram a feira, que está em sua terceira edição. Cerca de 1.400 expositores, de mais de 50 países, participaram.
F.re.e, traduzido do inglês, significa liberdade, o que combinaria com os setores da feira, mas esta é uma abreviação alemã e significa: feira de viagens e atividades ao ar livre.
A feira é dividida em seis setores com o seguintes temas: Viagens, Saúde & Wellness, Caravaning, Esportes Aquáticos, Esportes & Outdoor e o setor das Bicicletas.
Todos os setores têm um palco para apresentações de pequenos shows e palestras, além de entrevistas com personalidades do setor. A feira tem como objetivo oferecer ao público em geral a oportunidade de buscar informações, opções e ideias para suas viagens, férias e atividades ao ar livre, como modalidades esportivas. Também é uma oportunidade de contato para negócios no setor turístico.
A cada ano um país é escolhido como parceiro da feira. Neste ano foi a Hungria, que apresentou grande diversidade de atividades em todos os setores da feira.
Setor das Bicicletas
O enorme saguão do setor de bicicletas teve, no centro, uma grande pista para testes de bicicletas e e-bikes; as crianças não foram esquecidas e também tiveram um pequeno parcour. As pistas estiveram cheias todos os dias, sucesso total!
Ao redor da pista de testes, estavam os estandes de marcas conhecidas internacionalmente, como a Trek, Simplon e a KTM, além de outros fabricantes de peças e equipamentos em geral como: vestuários, mochilas, caramanholas, campainhas, ciclocomputadores, etc.
Agências de turismo
Algumas agências de turismo a pedal marcaram presença, oferecendo pacotes de viagens ao exterior e ao clássico Transalpes.
Participei como expositor no estande da agência suíça Bike Adventure Tours (BAT), para a qual trabalho como guia em algumas viagens e expedições de bicicleta pelo Himalaia, Jordânia e Filipinas. A BAT tem mais de quarenta roteiros de bicicleta em todos os continentes.
Palestras
Ao lado da pista de testes montaram um palco para apresentação de palestras e entrevistas. Esse ano fui convidado pela organização para apresentar palestras diárias sobre a minha travessia dos passos mais altos do planeta, o Himalaia, de mountain bike. Palestra que por sinal foi um sucesso e com grande presença de público. Além de minha viagem foi apresentada outra palestra do cicloturista alemão Maximilian Semsch, que pedalou de Munique a Singapura.
Também foram abordados temas como regras e dicas para se pedalar no dia a dia, informações sobre postura ao pedalar evitando dores, as novidades do mercado das bicicletas, as e-bikes, o GPS no ciclismo e a alimentação saudável e correta.
E-bikes
O grande tema no setor das bicicletas este ano foram as e-bikes (bicicletas elétricas). Alguns expositores como a Biketec, Winora, E-motion, Flyer, Maxx Bikes, entre outras, apresentaram os seus modelos para utilização no dia a dia, e alguns modelos mountain bike.
Uma atração foi a e-bike da fabricante E-motion Technologies, com o modelo Grace, que tem três configurações: a Pedelec, que chega a 25 km/h e faz 80 km com 250 watt; a S-Pedelec que chega a 45 km/h e faz 60 km com 500 watt; e a E-Motorbike que chega também a 45 km/h e faz 50 km com 1300 watts.
O tema e-bike é polêmico entre ciclistas que encontrei na feira, e mesmo em discussões com colegas de profissão. A pergunta que fica no ar é: até onde uma e-bike é considerada uma bicicleta?
As bicicletas reclinadas das marcas Hase, KMX, Pedalium, Sun Bikes e a HP Velotechnik não foram só destaque nos estandes, mas também na pista de testes. São modelos que vão dos mais simples aos mais complexos componentes, com tecnologia de ponta, suspensão integral e freios a disco hidráulicos. Tive a oportunidade de dar algumas voltas com as reclinadas e fiquei impressionado com o conforto e a velocidade.
GPS
Percebi um grande interesse do público em assuntos ligados ao GPS. As duas palestras sobre o tema, apresentadas diariamente, foram das mais visitadas pelo público.
Marcas como Garmin, Falk e VDO apresentaram seus modelos com programas para planejamento de roteiros e mapas eletrônicos. Destaques para aparelhos da Garmin, como o GPSmap 62 e o Edge 705 com touchscreen. A VDO também entra na briga por clientes com o novo modelo GP 7. O tema GPS promete muitas novidades para 2011.
Balanço geral
Quem esperava ver lançamentos e grandes novidades de marcas conhecidas acabou se decepcionando, pois a feira foi criada para um público bastante diversificado, para todas as idades, e que estão a procura de atividades ao ar livre, ideias para as suas férias ou mesmo iniciar nas pedaladas.
O setor das bicicletas não foi elaborado especificamente para os aficionados de mountain bike, ciclismo de estrada e outras variedades radicais. As grandes marcas dessas modalidades acabam participando e lançando seus produtos inéditos em julho, na Bike Expo em Munique, ou em outubro em uma das maiores feiras do ramo, a famosa Eurobike em Friedrichshafen.
A melhor bicicleta para o cicloturismo
Por Antonio Olinto
É difícil precisar quando surgiu o cicloturismo, afinal seu conceito ainda não é pacífico. Para mim, ele surgiu junto com as primeiras bicicletas, quando em 1818, o barão alemão Karl Friederich Von Drais, inventor de uma das precursoras da bicicleta, moveu-se com seu artefato conhecido como “draisiana” de Beaun a Dijon, na França (pouco mais de 50 km). A draisiana ainda não tinha pedais, mas já tinha dirigibilidade, e significou uma grande evolução se comparada com o antecessor, o celerífero, propiciando a locomoção em uma distância já bem razoável.B
As bicicletas de cicloturismo também evoluíram durante a história, e geralmente derivaram dos modelos que existiam na época desta ou daquela viagem. Como constante, temos sempre um quadro longo com um grande ângulo de caster (proporcionado pela maior inclinação do garfo), que lhe confere estabilidade. O quadro deve possuir vários pontos para fixação de bagageiros e caramalholas, e manter a postura do cicloturista tanto quanto possível ereta, apropriada à apreciação da paisagem, ou seja, muito parecida com aquelas velhas bikes de nossos avós.
Para grandes viagens, o melhor material é o cromo-molibdênio: uma liga muito forte utilizada em ponta de escavadeira e na produção de armas de fogo. Com ele, os tubos podem ser bem finos e quase tão leves como os de alumínio, com a vantagem de serem facilmente soldados em caso de quebra.
Sou de um tempo em que a gente simplesmente ganhava a bicicleta que costumava ser do irmão mais velho, entretanto, sempre tive como ideal uma bicicleta feita sob medida. Imaginava que poderia tomar as medidas de todas as partes de meu corpo, depois fazer incríveis cálculos matemáticos e obter as medidas de um quadro ideal para mim.
Acredito que tudo isto não faça parte da realidade da maioria absoluta das pessoas, especialmente em nosso país, onde não é fácil encontrar uma bicicleta de cromo-molibdênio. Na volta ao mundo utilizei uma assim, mas desde então tenho utilizado boas bicicletas de alumínio sem nenhum problema.
Quando busco um quadro com vários pontos para fixação, é sempre mais fácil encontrar esta característica em bicicletas de menor valor agregado, o que mais uma vez é uma vantagem, afinal, a melhor bicicleta é aquela que nunca vai me dar medo de viajar com ela.
Com toda a diversidade do moderno capitalismo globalizado, quando chego a uma loja boa e especializada, mesmo as marcas mais famosas só oferecem quadros a cada duas polegadas (16, 18 ou 20), quando deveria ser a cada meia polegada. Ao observarmos bem o que isto significa, vemos que este tamanho se refere, praticamente, à barra onde está o canote de selim (tubo de selim), o que não muda muito a geometria da bicicleta como um todo.
Na verdade, bicicletas específicas de cicloturismo são raras em todo o mundo, e justamente por isto, acabam deixando de ser as melhores para cicloturismo.
Atualmente, a maioria dos cicloturistas utilizam bicicletas de montanha tendo em vista sua resistência, diversidade de oferta e facilidade para encontrar peças de reposição por todo o mundo.
Trocando algumas peças como o selim, canote de selim, mesa de guidão, guidão ou simplesmente levantando o bar-end, podemos conseguir a postura ideal para o nosso próprio estilo de pedalada; o mais difícil é achar uma bicicleta de montanha com quadro mais longo e estável. Mas para que? A maior parte dos cicloturistas com quem converso pretende fazer viagens por caminhos de terra, que combina muito mais com um quadro de montanha que com um quadro clássico de cicloturismo.
Isto pode parecer bastante empírico, pouco técnico, talvez fosse melhor apresentar uma fórmula matemática para achar seu quadro ideal, mas eu não acredito nisto. Quando li o livro Programa de Treinamento do Lance Armstrong percebi que eu estava certo. Com todos os recursos e patrocínios, Lance menciona que teve que experimentar inúmeros guidões antes de escolher qual iria utilizar na competição. Ou seja, não há formulas, o certo é experimentar e decidir com sensibilidade.
Talvez a melhor bicicleta para começar a fazer cicloturismo seja aquela que você tem aí em casa:
- Mas ela é muito pesada.
Ótimo, assim já saberá o que é pedalar com peso.
- Mas ela está quebrada.
Ótimo, ela vai te ensinar como arrumar uma bicicleta; é importante saber isto para viajar.
- Mas ela está velha.
Ótimo, ela vai te ensinar a durabilidade das peças e que peças deve trocar primeiro; isto é muito importante para saber planejar e estar prevenido antes de atravessar uma região desolada.
O melhor de tudo é que com ela você já pode usar e aproveitar os benefícios de andar de bicicleta, ao mesmo tempo em que adquire experiência sobre o que é realmente vital em uma viagem de cicloturismo.
Bicicletas aro 29”: inovação, ou só marketing?
De nosso correspondente na Alemanha: Fábio Zander
Nos Estados Unidos, as bicicletas aro 29’’, conhecidas como twentyniners (29rs) ou big bikes, já são febre há alguns anos. Aqui na Europa, especificamente na Alemanha, a coisa ainda não pegou; a principal dúvida é: aro 29’’ realmente tem vantagens em relação ao aro 26’’? É só marketing para vendas, ou inovação de verdade?
Já faz alguns anos que os americanos tentam exportar e implantar a cultura twentyniner na Europa, mas até pouco tempo atrás os europeus ignoravam o assunto; na opinião de muitos por aqui, as big bikes são moda, com objetivos comerciais.
Alguns estudos e testes foram feitos recentemente, e algumas vantagens surgiram – isso fez muitas pessoas reavaliarem suas opiniões a respeito, e descobrirem qualidades não encontradas nos aros 26’’.
Chegou-se à conclusão que, de fato, as twentyniners rodam melhor do que as bikes com aros menores, e as grandes marcas e fabricantes vêm oferecendo cada vez mais produtos para este novo nicho no mercado de bicicletas. Aqui na Alemanha há twentyniners das marcas Bulls, Merida, Giant, Scott, Specialized, Trek, Begamont, Felt, Rose, e outros fabricantes apresentarão seus modelos em breve. Em competições internacionais de mtb, também cresce o número de ciclistas profissionais que usam as 29rs, obtendo bons resultados.
As desvantagens da twentyniner
Para os críticos da twentyniner, a grande desvantagem é o peso e a falta de agilidade. As big bikes são, em alguns casos, aproximadamente um quilo mais pesadas do que as bicicletas com aro 26’’, pois possuem super dimensão do garfo, quadro, rodas, pneus e câmaras. O peso é sentido principalmente nas subidas.
Entretanto o que mais atrapalha é o fato dos aros, pneus e câmaras ficarem mais longe do centro de rotação, sendo necessários 17% mais de energia para acelerar a bicicleta. As twentyniners dão mais conforto em descidas, mas em curvas rápidas perdem um pouco de agilidade.
Além do problema do peso, a falta de rigidez nos quadros e rodas também é um ponto negativo. E para quem não usa sapatilha é preciso ter cuidado ao virar o guidão, pois pode-se tocar facilmente o pneu.
As vantagens de uma twentyniner
Twentyniners rolam mais confortáveis que as bicicletas de aro 26”, oferecem mais conforto, segurança e tem mais grip em terrenos acidentados.
Na transposição de buracos (figura A), uma roda de aro 29” não entra tanto no buraco como um aro 26” (a). Portanto o impacto não é tão grande na twentyniner, gerando assim mais conforto, menos energia para sair do buraco e menor perda de velocidade.
Também existe, no caso das 29rs, um menor ângulo de ataque (figura B) para transpor obstáculos. Com um diâmetro maior, as rodas dissipam melhor as oscilações verticais desses obstáculos.
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Propriedades de rolagem e grip (figura B): pneus deformam com ação de peso (FG) e força (FA), criando uma superfície de contato (a elipse de cor laranja).
A superfície de contato em uma twentyniner é mais estreita, mas é maior que um aro 26’’, melhorando, na teoria, o grip. Na teoria, pois com o desenvolvimento avançado de pneus, também é possível ter bom grip em menos superfície.
Para quem foi criada a twentyniner?
Difícil responder. A resposta segue em forma de outra pergunta: você quer uma bicicleta (aro 29’’) com boas propriedades de rolagem e mais segura em terrenos acidentados, ou uma bicicleta com menos peso e mais agilidade (aro 26’’)?
A balança fica equilibrada entre vantagens e desvantagens de uma twentyniner, e após diversos testes e estudos aqui na Alemanha, chegou-se à conclusão que as big bikes não foram criadas com o único objetivo de aumentar vendas. Elas chegam com um novo conceito e abrem novos horizontes no mundo das bicicletas.
No momento, quem é aficionado por bicicletas super leves deve esquecer a twentyniner e esperar o desenvolvimento de novos produtos, que virão com certeza. Para aqueles que não são tão preocupados com peso e que curtem trilhas com conforto e segurança, a bicicleta é perfeita. O ponto de agilidade em curvas é questão de treino e costume.
Dica importante: faça um teste e tire as suas próprias conclusões - mas não vale uma voltinha de cinco minutos na rua. Para tirar todas as dúvidas possíveis teste a bicicleta nas trilhas.
TESTE SPECIALIZED ROCKHOPPER COMP 29
Texto e fotos: Pedro Cury
Piloto: Carlos Marques
A linha Rockhopper fica um estágio acima da linha de entrada da marca americana Specialized, oferecendo um modelo com rodas 29 polegadas. Ainda pouco populares no mercado brasileiro, as “bikes 29” já estão sendo oferecidas pelos maiores fabricantes e ganhando competições pelo mundo.
A BIKE
O quadro é um dos principais destaques da bike. Feito com alumínio M4SL próprio da Specialized, com tubos de formas customizadas (formed) e espessura variável (butted), resultando em um quadro leve e durável, que possibilita futuros upgrades. A geometria escolhida beneficia o all mountain, segundo a empresa.
A suspensão Rock Shox Recon Silver 29’’ conta com funcionamento a ar, controle de retorno e trava para os seus 80 mm de curso. Uma escolha sensata para manter uma boa relação qualidade x preço.
Os aros possuem ilhós e são feitos pela DT Swiss especialmente para a bike, tendo pneus Specialized The Captain 2.0. Rodas de alta qualidade são importantes para as 29, já que melhorias na aceleração são muito bem-vindas, e essas bikes normalmente não contam com muito curso nas suspensões.
Os freios escolhidos foram os Avid Juicy 3 SL, hidráulicos e com discos de 160 mm. Apesar do tamanho dos rotores, os freios são conhecidos por possuírem um alto poder de frenagem.
A bike vem com 27 marchas, com passadores Shimano Deore; destaque para o câmbio traseiro Shimano SLX. O pedivela Shimano ainda usa o sistema octalink que já foi substituído por padrões mais modernos, porém é mais econômico.
Esteticamente, a bike segue uma tendência atual de combinar cores em componentes oferecidos somente para as bikes que vêm completas de fábrica. No caso da Rockhopper, o quadro é preto e tem detalhes amarelos, combinando com a suspensão, punhos e trilhos do selim.
:: O TESTE
Para testar a bike convidamos Carlos Marques, mais conhecido como Tio Sam, que conta com diversas provas de speed e cross-country no currículo.
A bike foi testada em uma trilha que oferece todos os elementos que precisávamos, como estradões, singletracks e até alguns terrenos mais difíceis para as 29", como trechos muito técnicos de subidas e com retomadas de aceleração.
Da configuração original, apenas foi alterado o ângulo do avanço, que normalmente vem apontado para cima (+ 7 graus), mas optamos por colocá-lo para baixo (- 7 graus). Isso traz uma posição de maior performance para terrenos mais técnicos, especialmente em bikes 29 que já possuem a frente mais alta. Também foi usado um pedal clip para o teste, já que a bike vem sem pedais.
Em termos gerais foram notadas claramente todas as características das 29: a bike demora um pouco mais para acelerar, mas mantém melhor a velocidade e atropela melhor obstáculos menores.
A suspensão Rock Shox Recon Silver SL teve um funcionamento muito satisfatório para o alto nível técnico da trilha, oferecendo controle de retorno externo para um ajuste mais fino e também um botão externo de trava, que ajuda muito quando o terreno é fácil e exige maior força nos pedais. A trava permite um funcionamento muito pequeno ao invés de uma trava total, o que também é desejável. Os 80 mm de curso parecem pouco, mas como as rodas maiores já atropelam bem os obstáculos, não fez falta uma suspensão maior. O punho, apesar de não atrapalhar, girava um pouco quando era forçado, o que coloca em dúvida sua segurança na chuva.
Os freios Avid Juice tiveram uma performance excelente, mesmo com rotores de 160 mm, freando bem a bike em velocidade. Aliados à suspensão e guidão 680 mm, a bike mostrou um desempenho muito satisfatório nas descidas, mantendo a estabilidade.
Nas subidas a bike teve uma aceleração melhor do que era esperado. Os aros DT Swiss ajudaram a manter o peso das rodas mais baixo, ressaltando essa característica. Porém, em trechos mais técnicos e inclinados, a bike mostrou uma tendência a levantar a roda dianteira. Um avanço mais longo e uma relação com catraca de 36 dentes ajudariam muito a evitar isso. O cassete incluído tem a catraca maior de 34 dentes, mas com uma relação mais leve permitiria uma aproximação menos brusca nessas subidas.
CONCLUSÃO
A Rockhopper Comp 29 oferece um desempenho que vai agradar os bikers que não buscam uma bike para competição, mas que querem entrar no mundo das rodas 29 com uma bike de linha média equilibrada, de bom desempenho e que permite upgrades.
GARANTIA E INVESTIMENTO
PRÓS
- Quadro com alumínio M4SL
- Freios Avid Juice 3
- Aros DT Swiss
- Suspensão com trava
CONTRAS
- Relação poderia ser mais leve
- Pedivela com sistema antigo
- Punhos com tendência a girar
[BOX]
Para testar uma bike 29 é preciso levar em consideração algumas características próprias das rodas grandes, que estarão presentes, independente da marca e configuração da bike. As bikes 29 levam mais tempo para acelerar devido ao maior tamanho da roda, mas em compensação são mais fáceis de manter velocidade e possuem uma velocidade média maior em relação às 26. Em trechos técnicos de nível baixo e médio, também possuem uma facilidade um pouco maior em superar obstáculos, embora as curvas apertadas sejam mais difíceis de serem executadas.
VESTUÁRIO
Camisa X-Terra Cyclingx Jersey, Bermuda X-Terra,
Sapatilha Sidi Bullet e Capacete Giro Atmos
Ficha técnica e Geometria:
A geometria está em:
http://www.specialized.com/ja/en/bc/SBCBkModel.jsp?spid=51627&menuItemId=14121
clicando na aba geometry. O tamanho que testamos foi 17.5. Peso:
12,690 kg sem pedais.
TURISMO E HISTÓRIA, JUNTOS: UM CAMINHO DE TERRAS E HOMENS
Por Therbio Felipe M. Cezar
Por compreender o turismo como uma busca, não como uma fuga, eu, Therbio Felipe Cezar, gaúcho da cidade de Pelotas, Turismólogo e especialista em Educação Ambiental e meu grande amigo uberabense Tássio Franchi, mestre em História, à época professores da Universidade de Uberaba-MG, resolvemos buscar algo de diferente para realizar em nossas férias docentes, no verão do ano de 2007.
Optamos, então, pelo cicloturismo - um estilo de viajar que atende a um segmento de turistas exigente, principalmente no tocante aos roteiros elaborados e que, neles, esteja sempre presente o envolvimento com as culturas por onde passar, a inserção na paisagem, o deslocamento não-poluente, a integração com o ambiente e a liberdade do uso do tempo de interação da viagem.
A ideia inicial baseava-se em realizar uma viagem de estudos valendo-se da bicicleta como veículo, desde Foz do Iguaçu – PR até a fronteira da Argentina com o Chile, na Cuesta Lipan, atravessando as províncias argentinas de Misiones, Corrientes, Chaco, Salta e Jujuy, através daquela que é considerada pelos cicloturistas como uma das dez estradas mais bonitas do mundo, a Ruta 12. Interessante é que nem eu nem meu grande amigo (a quem eu chamo de irmão) éramos atletas.
Vale lembrar que muitas vezes, antes de empreender uma viagem, o viajante se mune de ideias formadas, pré-concebidas, a respeito do lugar a ser visitado e parte, carregando consigo alguns conceitos que, em certos casos, bloqueiam ou dificultam uma percepção mais apurada das paisagens e, em grande medida, da cultura a encontrar pelo caminho. Conosco não foi diferente. Colocamos na bagagem além do material necessário para pedalar por muitos dias e quilômetros, toda uma experiência acadêmica do caminho a qual julgávamos seria determinante. Ledo engano. Desde as primeiras horas do percurso, o caminho já demonstrava como ‘ele’ queria que o percorrêssemos.
Naquele momento, embalado apenas pelo som das rodas das bicicletas sobre o estreito acostamento de asfalto quente, passando por Puerto Esperanza, lembrei-me de uma canção antiga, argentina, do poeta Juan Manuel Serrat, a qual me orientava dizendo que “caminante, no hay camino, si hace el camino al andar...”. Este foi o primeiro de um sem-número de ensinamentos: é necessário ser humilde e perceber o que o caminho quer mostrar, como ‘ele’ quer se mostrar, e como ‘ele’ permite que descubramos as riquezas por traz de cada curva, os segredos por detrás dos traços das construções e do colorido das vestes, e o mais importante, o significado da experiência resultante do encontro entre quem visita e quem é visitado. E afirmamos que depois deste encontro, nem um nem o outro são os mesmos.
Imaginávamos, a priori, realizar uma viagem de aproximadamente 1.700 km, sem carro de apoio, carregando nos alforjes das bicicletas, cada um, 40 kg de bagagem escolhida a dedo, passando por regiões onde a temperatura oscilava entre os 17ºC e os 36ºC no verão e ainda, alcançar a altitude de 3.000 m acima do nível do mar, pedalando cerca de 6 horas por dia. Mais um engano. Na região, chove pelo menos 15 minutos por dia no verão. Em quase todos os dias a chuva transformou o peso da bagagem dos alforjes em quase 60 kg. Além disso, as temperaturas durante o dia chegavam a 44ºC e no asfalto, a sensação era de mais de 52ºC. Já à noite, em alguns pontos experimentamos, em pleno verão, temperaturas próximas ao zero grau.
Em alguns dias chegávamos a pedalar 10 horas seguidas, interrompendo apenas para a tão esperada siesta, uma parada que os argentinos daquela região sabiamente mantêm como costume, descansando entre o almoço e às 16 h, quando o comércio reabre e a vida segue. Iniciamos a pedalada a 20 de dezembro de 2006 e encerramos a 23 de janeiro de 2007, após mais de 2.000 km entre paisagens e gente da melhor qualidade.
TODO CAMINHO LEVA A ALGUM LUGAR E A ALGUÉM
Na província de Misiones, banhada em toda sua extensão norte pelo rio Paraná, encontramos povoados costeiros muito simples, de gente amistosamente curiosa, sorridente e acolhedora. Seguíamos de alma leve em direção à capital da província de Misiones, Posadas, sem saber do carinho gratuito e fraternidade que haveríamos de encontrar pelo caminho. A água com a qual abastecíamos os Camelbacks (mochila de hidratação) e caramanholas (garrafinhas de água),por vezes era de qualidade duvidosa, ainda que solidariamente cedida pelos habitantes dos vilarejos ribeirinhos, debruçados de um lado sobre o rio Paraná, e de outro, sobre a Ruta 12. Em decorrência disto, por infelicidade, Tássio foi acometido de uma infecção gástrica forte, o que o debilitou e arrancou suas forças. Ao chegar à cidade de San Ignácio, encontramos mais uma vez a cordialidade e gentileza gratuita do povo local, na pessoa do señor Jiménez, proprietário do hostel onde nos hospedamos, descendente de nativos paraguaios. Ao ver que Tássio não convalescia, este senhor buscou fazer-lhe um chá de Ajenco, algo que lembrava nossa losna mais amarga. Não sei se o chá ou o amor ao estranho do qual estava impregnado levou Tássio a recuperar-se. Na verdade, agora sei.
Nesta região visitamos reduções jesuíticas guaranis muito bem conservadas e abertas à visitação, algumas delas datadas de 1695. San Ignácio, Loreto e Santa Ana são três preciosos resquícios do período no qual jesuítas levavam os nativos a construir verdadeiras fortificações de defesa contra os espanhóis, hoje, tombadas pela UNESCO como patrimônio da humanidade. Vale, neste momento, fazer o primeiro elogio ao povo argentino, o qual sabe muito bem preservar seus legados culturais e, como um regalo, brindar aos olhos e à alma do visitante toda uma experiência de cultura nativa. Em nenhuma das visitas feitas às ruínas jesuíticas guaranis vimos lixo, depredação, vandalismo ou descaso público. Estas localidades são um exemplo de como cidadania, cultura e turismo podem, juntos, dar certo em pequenas vilas ou cidades, inclusive, no Brasil.
Este lugar de uma simplicidade especial nos trouxe, já nos primeiros dias de viagem, uma sensação de que esta experiência seria ímpar. Lembro-me de ver meu ‘irmão’, sozinho e ajoelhado em plena praça das ruínas de San Ignácio, emocionado, confessando em sussurro entre lágrimas, que havia estudado a vida toda sobre aqueles povos e lugares, e agora ele estava ali fazendo parte da história. Jamais vou esquecer aquela cena. Não se esquece aquilo que se ama e não se ama aquilo que não se conhece.
A energia de San Ignácio (e o chá do señor Jiménez) nos renovaram e contribuíram para a sequência de nossa empreitada, tomando, novamente, a Ruta 12, sentido oeste, em direção à bonita Posadas, capital provincial às margens do Paraná. Lá, tivemos a grata companhia de um casal de médicos, señor Rolando Mondelo e esposa, que nos abordaram gentilmente questionando sobre nossa viagem e dedicaram uma hora de seu momento de almoço para compartilhar conosco. O mais emocionante é que, após a longa conversa fraterna e fotos, o casal se despediu e foi-se, deixando ao Tássio e a mim embargados e com os olhos marejados, quando descobrimos momentos depois, ao pedir a conta ao garçom, que o casal havia pagado tudo, e nem tivemos a chance de agradecer.
Restaurados pela refeição e pelas dádivas do caminho, seguimos em direção ao balneário de Ituzaingo, já na província de Corrientes, sem nem sequer imaginar o que, a esse ponto, o caminho reservava. Além da beleza da praia de Soró, do sabor da gastronomia local baseada em pratos de surubim, a pequena cidade oferece o que muitos turistas necessitam após um longo trecho de viagem: hospitalidade.
Após algumas horas relaxando sob o sol de janeiro, nas águas límpidas, tépidas e convidativas do rio Paraná, eu e Tássio fomos procurados por um senhor, de nome Miguel Müleck, descendente de alemães e mergulhador profissional, ali residente. A conversa foi rica em cultura, honesta e se constituiu em uma troca tão intensa que, ao final de três horas, Miguel nos convidou a cear com sua família, logo mais, à noite, já que se tratava de 31 de dezembro. Quem em sã consciência, nos dias de hoje, se preocuparia em convidar a dois estranhos viajantes a passar a noite de Réveillon em sua casa, entre seus amados e amadas? Bom, penso que isto desafia a qualquer um de nós. Em poucas e valiosas horas, o casal Miguel e Mónica, e os filhos, Bárbara, Ingrid e Lucas souberam transformar-se na nossa família em Ituzaingo – Argentina. A hospitalidade não é um predicado exclusivo dos brasileiros, e gostaria de deixar patente que durante toda nossa viagem, em nenhum momento as conversas penderam para banalidades ligadas à disputa entre os ‘reis do futebol’ ou para a infeliz ideia de rivalidade que ainda repousa nas mentes de algumas pessoas quando o assunto é Argentina. Estamos falando de um povo culto, muito bem informado e politizado, conhecedor das maravilhas e dos defeitos do seu país, apaixonados por nós, por nossa música (de boa qualidade, é lógico), pela cadência que temos ao andar, pela sonoridade de nossos falares, pelas nossas paisagens, enfim, admiradores das coisas que valem a pena em nós e neles. São eles senhores da hospitalidade, e detrás dos meus óculos, se um destino turístico pode ser considerado assim, por sorte, é a Argentina.
Depois de três dias em Ituzaingo, outras pessoas maravilhosas faziam por onde manter-nos na acolhedora e singela cidade. Não há como deixar de citar Maria Lourdes Galarza e Verónica Fieni, da Secretaria de Turismo de Ituzaingo, das quais recebemos todas as informações e o primeiro chimarrão amigo ao chegar.
Havia que seguir, ou melhor, fugir... saímos cedo demais para sermos notados, silenciosos e furtivos entre os primeiros raios de sol, seguindo a Ruta sem trocar sequer uma palavra por horas, tamanha era a emoção de deixar para traz uma cidade que é sinônimo de ‘casa’ para nós. Como se pode notar, o caminho brindou-nos com paisagens, mas o melhor sempre são as pessoas. Cruzamos Corrientes, El Chaco, chegando a Salta, uma das capitais culturais argentinas, a qual abriga folclore, excelentes universidades, saborosa gastronomia del gaucho, paisagens espetaculares e mais gente linda.
Deixando Salta e a Ruta 12, subindo a Ruta 9 em direção à província de Jujuy notamos que a paisagem mudava a cada quilômetro, visto que a cordilheira já se fazia perceber. Ao chegar quase na fronteira com a Bolívia, contemplamos, sem fôlego (paulatina e subjetivamente falando) a Queblada de Humauaca, um cânion gigantesco, imponente, que destaca o vale do Rio Grande e que convida ao viajante a conhecer e encantar-se com a cidade de Humauaca, localizada a 3.000 m de altitude, composta de vielas, ruas estreitas, pão ázimo sendo assado em uma grelha na calçada, nativos cholas, quechuas e casas de adobe quadricentenárias, albergues da juventude e campings, além de lamparinas e lampiões nas fachadas das casas que dão um toque sépia ao cenário. O lugar foi rota de grupamentos pré-incaicos e via de comércio entre o Rio de La Plata e Potosi, no sudoeste da Bolívia.
Dois dias se passaram em meio à interação com várias pessoas que buscavam, como nós, o melhor da cena puneña, como os casais Damian e Celina, turistas de Buenos Aires e Carlos Alba e Clarisa, proprietários do El Parador, restaurante típico local. Seguimos viagem ruma à última parte de nosso trajeto, tomando o rumo da Puna Jujeña em direção à Tilcara. O colorido das montanhas, em várias tonalidades, contrastava com o verde pujante de algumas vilas silvícolas como Maimará e Huacalera, debruçadas sobre a estrada. Ao chegarmos a Tilcara (2.900 m acima do nível do mar) verificamos que a data coincidia com o Festival Folclórico de Verão, no denominado Enero Tilcareño, ocasião em que a cidade se veste de cultura nativa para receber turistas de toda a parte. Tilcara também é considerada a Capital Arqueológica de Jujuy, dado o imenso acervo de materiais que datam de séculos atrás.
Lá visitamos o imponente Pucará (lugar fortificado, na língua quechua) de Tilcara, um fortim construído a 70 m de altura pelos nativos humauaquenhos a fim de defender-se do Império Inca do norte e de algumas investidas dos povos do oeste, ao final do século XV. O campo de visão de 360º dá a noção da resistência a invasões oferecida em Tilcara, além de uma contemplação surpreendente.
A notável construção é constituída de vivendas em pedras sobrepostas, totalmente restauradas, as quais dão uma pequena noção de como era a vida dos indivíduos naquele período. Além das vivendas, percebe-se o paiol, as encostas com vigias e, muito bem protegida, uma sede agrícola onde se mantêm cultivados os mesmos tipos de víveres, verduras, leguminosas e herbáceas da época do apogeu do local. Mais ainda, confere-se, dando uma pequena recorrida pelo lugar, um viveiro de ervas aromáticas, entre as quais as alfazemas, damas da noite e alecrim nativo, de longe, se fazem notar. Tudo muito organizado, limpo e com uma programação visual que contribui para que o visitante se sinta bem informado. Chegar a Tilcara consumiu mais de 20 dias de viagem. Sendo assim, nossas forças e nosso tempo estavam chegando ao fim. Seguimos para o mais difícil trecho e possivelmente o mais belo.
Deixando Tilcara para trás, seguimos a Purmamarca, um vilarejo de 500 habitantes sob os pés do Cerro Siete Colores. Purma no dialeto Aimara quer dizer ‘deserto’ e a palavra Marca, significa ‘cidade’. Porém, tomamos conhecimento conversando com cidadãos locais, como o simpático e talentoso artesão Daniel, que para o mesmo povo, a palavra ‘deserto’ também pode significar ‘intocada pelo homem’. Vale ressaltar, que com tão poucos habitantes, Purmamarca oferece serviços de hospedagem, artesanato e alimentação de qualidade impressionante, não pelo luxo ou sofisticação, ao revés, pela simplicidade, higiene, atenção, postura e acolhida que os residentes oferecem aos aventureiros. Mais que tudo, Purmamarca é um lugar mágico. Fazendo parte do corredor bi-oceânico ligando a Ruta 9 a Cuesta Lipan e ao Paso de Jama, caminhos que levam pelas Salinas Grandes e por Sucre à fronteira com o Chile, o pequenino povoado recebe, semanalmente, turistas das mais distantes origens, vindos de todas as partes do mundo, chegando a perfazer por semana, ordenadamente, o dobro de visitantes em relação aos habitantes.
A feira de artesanato na praça central é permanente e um espetáculo em organização, criatividade, colorido e cultura nativa. O artesanato feito em Purmamarca, mesclado de heranças cholas, humauaqueñas, quechuas, oimaguacas, aimaras e de outras influências, compõe-se de tapetes multicoloridos que relatam vicissitudes e aspectos do cotidiano ainda presente dos cidadãos locais, além de objetos de decoração em argila e terracota. A sensação de energia boa, de uma força maior presente em Purmamarca é notada por todos. Outro sentimento que arrebata aos que visitam Purmamarca é o sentido de unidade, de unicidade, de igualdade na diversidade, de liberdade real das coisas que nos aprisionam e ferem, como o preconceito, por exemplo. Em Purma, não se percebe o preconceito entre os que se reúnem lá, entre os que se vão e os que permanecem, ainda que sejam tão distintas as cores de pele e os idiomas, tão diferentes origens e bandeiras... Lá, não se sente o distanciamento provocado pelas posses, pela matéria, pelo consumismo... Lá a natureza do encontro entre todos faz com que o lugar se torne universal.
Nossa experiência em Purma, nos quatro dias de permanência, foi brindada por personagens de sonhos, os quais conhecemos como se fossem presentes esperando para serem abertos quando lá chegássemos. Assim se deu com dez estudantes secundaristas argentinas, viajando em grupo após concluírem seus estudos. Elas escolheram viajar por seu país, porém, todas elas bem que poderiam ter escolhido destinos europeus ou de outra parte, visto que notamos serem pessoas de um nível social elevado, mas que viajavam com roupas discretas, confortáveis e características da região visitada. Essas dez pessoas encantadoras, apesar da tenra idade, nos acompanharam em nossa estada compartilhando conosco horas de excelente conversa sobre nossos países e culturas, e foram as responsáveis por um dos momentos mais incríveis de todo o caminho.
Na praça da cidade há um círculo formado por uma mureta de um metro de altura, onde a acústica é notável, fazendo com que o mais delicado som chegue a todos os cantos da praça com clareza, assim como ocorre com a acústica do Memorial JK, em Brasília-DF.
Neste local, encontramos um casal de brasileiros com um violão, tocando bossa nova displicentemente, aproveitando o clima de harmonia do lugar. Tão logo nos apresentamos, passei a tocar e cantar músicas brasileiras e andinas, uma após a outra, acompanhadas pelas palmas dos que ali se encontravam e de outras dezenas que chegavam, curiosos e encantados, até o centro da praça. Sem que percebêssemos, as dez jovens sentaram-se ao chão, estenderam suas cangas, blusas de frio e lenços coloridos (pañuelos) e ali depositaram, como dádivas, algumas frutas, garrafas térmicas com água quente para o mate pronto, pacotes de galletitas (bolachas e biscoitos), tudo o que tinham para que fosse compartilhado. Notei que, aos poucos, chegava uma pessoa, se agachava junto ao tapete de vestes, tomava uma bolacha e deixava uma fruta...logo depois, outros faziam algo semelhante. Algo lindo, pleno e único. Enquanto eu cantava e tocava, Tássio recorria os cantos da praça para capturar imagens que pudessem descrever (como se fosse possível) a maravilhosa sensação de eternidade e de amor ao estranho oportunizada por todos. Argentinos, brasileiros, costarriquenhos, russos, franceses, peruanos, enfim, matizados pelo sol de fim de tarde, encontravam abrigo sob as árvores, as quais se curvavam pela sonoridade mágica do momento em que duas daquelas jovens entoaram, sublimes, Don’t cry for me Argentina, enquanto eu tentava, humildemente, conter minhas lágrimas e acompanhá-las ao violão.
Nenhuma outra voz se ouvia, nada. Ninguém ousava. A praça universal de Purmamarca experimentou um segundo de silêncio antes de explodir no som das palmas emocionadas daqueles, que como nós, não as puderam conter. Isto é algo maior, que minha pobre visão de mundo nem consegue descrever em palavras. Há que ir a Purmamarca para sentir o que somente lá é possível. Por horas a fio, música, sorriso e confraternização foram as tônicas daquela experiência. Emanuel e Angeles Lacarde, um casal de andarilhos, as encantadoras Carla Bruno, da Costa Rica, Cecília e Sol, de Buenos Aires, as cantoras folclóricas Florencia Picardi, Lilu Etcheberria e Laura Luz, de Chubut, foram apenas algumas das dezenas de pessoas que nos fizeram crer que o ser humano se quiser, em um segundo, pode ser maravilhoso. Sim, acredito que uma parte de mim ainda continua lá, cantando e sorrindo.
Na gelada manhã seguinte, Tássio e eu rumamos pela Cuesta Lipan até as Salinas Grandes, consideradas as terceiras maiores do mundo, ficando atrás somente do Salar de Uyuni, na Bolívia e do Salar de Arizar, em Salta. É uma visão fantástica dos 212 km² que, até meados do século XIX, se chamava Desierto de las Salinas. Um mix de solidão e paz invade todo o visitante, ainda mais, se sob o sol forte, forçar a vista para contemplar a ‘neve eterna’ do pico de Chañi, que se estende e se destaca a noroeste. De lá, extenuados, seguimos para Altos del Morado, marco que indicava a altitude máxima de nossa viagem: 4.170 metros acima do nível do mar. Ao pensar que em nosso país, o pico mais alto é o da Neblina, na Serra de Imeri, a 3.014 m, ficamos perplexos. É de tirar o fôlego, em todos os sentidos. Nenhum de nós acreditava que chegaríamos a essa altitude. O relevo neste ponto do caminho se mostrava imponente, devido aos picos e ao colorido com que estavam enfeitados. Pensávamos: alguém preparou tudo isto para nós. De lá, iniciamos uma descida rápida pela Cuesta Lipan, regressando a Purmamarca, para o que seria nossa última noite no vilarejo.
No outro dia, madrugamos e tomamos o rumo de San Salvador de Jujuy, capital da província, porém, fomos surpreendidos por uma chuva torrencial. Sempre que houve algo de imprevisto, que não estava nos planos, tentamos não interferir nem evitar, porque passamos a acreditar no improvável e no inesperado. Naquele momento, não seria diferente. Ao buscar informações sobre distâncias, fomos brindados com a hospitalidade da família Gloss, donos do Parador Yala, há poucos quilômetros da capital. Yala é um pequeno e bucólico balneário de águas termais com excelente hotelaria e pessoas de uma simplicidade comovente, dispostas a servir e acolher.
Passamos a noite em Yala para seguir a Salta. Acreditávamos que tudo de melhor já havia ocorrido em nossa viagem, porém, ainda haveria mais.
O jovem Edu Belmonte e família nos acolheram, não apenas como hóspedes, mas como convidados em seu Hostel in Salta, um bem equipado, confortável e extremamente hospitaleiro albergue da juventude, situado no coração salteño. O assado que ofereceram em nossa homenagem, feito a la parrilla, fez-nos comprovar, como se fosse necessário, que a melhor carne do mundo é a deles.
Assim, finalizamos nossa experiência em território argentino na rodoviária de Salta, aguardando o ônibus que nos levaria ao litoral catarinense, onde minha família já nos aguardava. Na rodoviária, ainda tivemos bons momentos de prosa com Sophie, uma socióloga francesa ‘perdida’ na Argentina, com a qual compartilhamos a última e boa refeição.
Vinte e duas horas depois, estávamos chegando a Balneário Camboriú. Como comentei ao início da narrativa, saímos em busca do que não esperávamos e encontramos mais do que buscávamos. As marcas do caminho estão em nós, como tatuagens feitas com os nomes e rostos das pessoas que enfeitaram de generosidade e de amor nossa trajetória... Como sinais eternos de humanidade, solidariedade, fraternidade. Quanto à amizade com Tássio, virou eternidade. Há dois anos mantemos contato semanal fraterno com a grande maioria destas personagens através do Messenger e sentimo-nos tão próximos como se tudo houvesse passado ontem... Sustentamos a amizade entre ‘estranhos’ e sonhamos com outros caminhos e encontros dos quais jamais retornaremos os mesmos.
Créditos de todas as fotos: Therbio Felipe M. Cezar e Tássio Franchi
Entenda o que comemos!
Por: Amanda Miranda e Beatriz Vilela
Os assuntos sobre alimentação e nutrição são sempre acompanhados de diversos termos específicos, como carboidratos, proteínas, calorias, entre tantos outros. E, para compreender melhor esses assuntos, é preciso conhecer os significados de cada um. Por isso, na matéria deste mês, discutiremos sobre alguns deles.
Todos os alimentos que ingerimos são compostos por macronutrientes e micronutrientes. Os macronutrientes são os carboidratos, proteínas, lipídeos e fibras e os micronutrientes são as vitaminas e os mineirais.
Calorias
A caloria é uma unidade de medida de energia. As calorias estão em diferentes quantidades nos alimentos na forma de energia. Quando ingerimos os alimentos, essa energia é aproveitada pelo nosso organismo para manter suas funções, como a respiração, digestão, andar, falar, praticar exercícios físicos.
Carboidratos
O carboidrato é a fonte primária de energia para o nosso organismo, ou seja, é o primeiro nutriente que utilizamos para produzir energia, antes mesmo das proteínas e lipídeos.
Um grama de carboidrato fornece 4 kilocalorias (1 g = 4 kcal). A cada grama de carboidrato que comemos, estamos ganhando 4 kilocalorias de energia.
Os alimentos que possuem maior quantidade de carboidrato são os “alimentos fonte”.
Fontes alimentares: arroz, macarrão, pão, batatas, mandioca, milho, farinhas, inhame, cará, açúcares, entre outros. Esses são alimentos energéticos.
Lipídeos
Assim como os outros, os lipídeos nos fornecem energia. A cada 1 grama ganhamos 9 kilocalorias. Eles podem ser de origem vegetal ou animal. Ex.: colesterol (apenas encontrado em alimentos de origem animal, como o ovo, as carnes, etc.), triglicérides (são os mais encontrados nos alimentos). O consumo dos lipídeos deve ser moderado, mas é essencial para algumas funções do nosso organismo, como formação de hormônios e absorção de algumas vitaminas.
Fontes alimentares: óleos vegetais (canola, milho, soja, dendê, etc.), gorduras, margarinas. Esses são alimentos energéticos.
Proteínas
As proteínas também fornecem energia para o nosso corpo; a cada 1 grama, ganhamos 4 kilocalorias. Elas são formadas pelos famosos aminoácidos. Seu consumo é muito importante ao nosso corpo, como para a formação dos nossos músculos, cicatrização, formação de hormônios, enzimas, etc.
Fontes alimentares: carnes (de boi, frango, peixe, miúdos e vísceras – fígado bovino, coração de galinha), ovos, leite e derivados (iogurte, queijos), feijão, ervilha, lentilhas, grão-de-bico, soja. Esses são alimentos construtores.
Fibras alimentares
Elas compõem todos os alimentos de origem vegetal e não podem ser digeridas pelo nosso organismo. Mas são muito importantes, já que previnem a constipação, o câncer de intestino, aumentam a saciedade, diminuem o colesterol, entre outros benefícios. Importante lembrar: sempre beber água para potencializar a ação das fibras.
Fontes alimentares: frutas (laranja, banana, abacate, pêssego, manga, etc.), verduras (agrião, alface, repolho, chicória, couve, brócolis, etc.), legumes (pepino, cebola, beterraba, abobrinha, etc.), cereais integrais (arroz, macarrão, pão, granola, etc.), farelo de trigo, leguminosas (feijão, grão de bico, etc.). As frutas e hortaliças cruas conservam melhor as fibras alimentares. Esses são alimentos reguladores.
Vitaminas e minerais
São fundamentais à saúde humana para realização de diversos processos envolvidos no nosso metabolismo. Por exemplo, a vitamina D é muito importante para a absorção do cálcio no organismo, a vitamina E é antioxidante, protegendo as células do envelhecimento, o mineral magnésio participa do relaxamento muscular e sua deficiência pode levar a espasmos musculares.
Tanto as vitaminas quanto os minerais não fornecem calorias para o organismo. A necessidade diária de ambas é pequena, mas a carência ou o excesso são determinantes para provocar algumas doenças.
Todos esses nutrientes compõe os alimentos da nossa dieta e devem estar em equilíbrio para que tenhamos uma alimentação balanceada e saudável. Especialmente na prática de esportes, garantir a quantidade adequada de cada nutriente é essencial para atingir um bom desempenho esportivo.
(2 PG)
Bike Business
Amadorismo é o principal motivo para a falta de investimento no ciclismo
Por Álvaro Perazzoli
Competições como a Descida das Escadas de Santos, veiculada ao vivo pela Rede Globo para todo o Brasil, no dia 6 de fevereiro, mostram que os eventos de bicicletas começam a se tornar mega empreendimentos, com grande repercussão na mídia.
O reflexo disto é um maior interesse, por empresas fora do segmento de bicicletas, em investirem e vincularem a sua marca a atletas e a eventos do setor. Mas ainda há um enorme amadorismo por parte da maioria dos competidores, empresários e organizadores de provas, na elaboração de projetos e estratégias para a captação de patrocínio.
Sérgio Gallo, diretor comercial da Soul Cycles, conta que fechou o patrocínio com duas empresas fora do setor de bicicletas, e que há uma enorme carência de informação na elaboração de projetos. “Fechamos com a Taschibra Lâmpadas e a Proimport Brasil. O interesse dessas empresas foi despertado pelo fato de termos um atleta paraolímpico que participa da equipe brasileira. O patrocínio não veio dos atletas de MTB”.
“Atuamos num esporte em que ainda não estamos bem classificados mundialmente. Além da falta de informação, as empresas também carecem de uma assessoria contábil e jurídica para obter bônus de ICMS fornecido pelo governo, através da Lei de Incentivo ao Esporte”, comenta Gallo.
A Lei de Incentivo ao Esporte é pouco explorada. Sancionada em 2006, ela garante uma isenção no Imposto de Renda para pessoas físicas e jurídicas, que patrocinarem ou doarem recursos para projetos desportivos e paradesportivos, mediante aprovação da Comissão Técnica da Lei de Incentivo do Ministério do Esporte.
“Tivemos que buscar esses recursos fora, através da Lei de Incentivo ao Esporte. O Ministério do Esporte abraçou o evento. Isso está engatinhando para todas as entidades”, declara Marcelo Coelho, idealizador e organizador da Descida das Escadas de Santos, e responsável pela Time Eventos.
Muitos atletas e organizadores de eventos se restringem a buscar investidores no próprio setor de bicicletas. A maioria das empresas do ramo não tem recursos para investirem em grandes projetos, ou estão saturadas em função da quantidade de pedidos.
“Nós temos grandes marcas no Brasil, mas infelizmente elas não atingem um nível de vendas para destinar recursos à modalidade”, declara Marcelo Coelho.
No exterior, os grandes eventos são patrocinados por empresas que não estão diretamente ligadas ao esporte. Isso ocorre porque o ciclismo lá fora tem uma visibilidade na mídia tão grande quanto o futebol, esporte que no Brasil capta a maioria dos investimentos esportivos.
Raul Chavarria, responsável pelo site DH Brasil e comentarista da Rede Globo na Descida das Escadarias de Santos, fala sobre a importância da participação da mídia: “o impacto desta transmissão é atrair um maior capital privado e dizer que esse é um esporte que vale a pena investir. Esse ganho é que proporcionará profissionalização, e o piloto começará a correr assalariado.” Chavarria também é responsável pela loja virtual Downhill Brasil e da marca Hupi Bikes.
“A participação de estrangeiros na prova fez com que o interesse das mídias envolvidas aumentasse, graças ao retorno de audiência”, explica Marcelo.
A prova em questão contou com uma empresa privada de assessoria de comunicação e uma sala de imprensa, recursos básicos e necessários em qualquer competição esportiva, mas uma realidade ainda distante na maioria dos eventos de ciclismo. O motivo é: uma visão comercial simplista e amadora, e a falta de informação e recursos.
“As olimpíadas estão próximas, se a gente não souber como chegar e aproveitar esse momento, vamos perder uma grande oportunidade”, finaliza o empresário Sérgio Gallo.
Audax – Ciclismo e Determinação
Percorrer 200, 300, 400, 600 até 1200 km de bicicleta? Parece brincadeira, mas é exatamente isso o que acontece com quem se aventura no AUDAX.
Audax é o evento ciclístico mais antigo do mundo: teve seu início em Paris, na França, em 1891. Apesar de ser considerado um evento cicloturístico, o Audax foi o precursor do Tour de France, uma das mais importantes competições ciclísticas do mundo. Hoje as edições deste evento se multiplicam pelo mundo; os brevets estão presentes em todos os continentes, perfazendo mais de 40 países. A Meca dos ciclistas amadores ainda é o lugar destes primeiros ciclistas, que se aventuraram nas rudimentares estradas da Europa, com suas não menos rudimentares bicicletas, no fim do século XIX. Ainda hoje, a cada quatro anos, ciclistas do mundo inteiro reúnem-se em Paris, envoltos em uma aura de desafio, competitividade, amizade, solidariedade e coragem, para percorrer nada menos do que 1225 km entre a capital da França e Brest, localizada no oeste do país, num trajeto de ida e volta. Os ciclistas têm, no máximo, 90 horas para fazer este percurso. Pouco? Para chegar aos 1200 km é necessário fazer uma série de 200, 300, 400 e 600 km no ano. Na última edição, em 2007, nada menos que 5300 ciclistas participaram; dentre estes, cerca de uma dezena eram brasileiros. Quem teve a oportunidade de participar relata o clima festivo que se estabeleceu, e os vínculos de cumplicidade entre os participantes, e destes com a população em geral.
Os “brevets”, ou as etapas das provas de longa distância, obedecem a uma regra vinculada aos clubes franceses de origem. Existem dois clubes que regulam as edições dos brevets em todos os países: ACP (Audax Club Parisien), onde os brevets são chamados de Brevets Randonneurs Mundiais, e UAF (Union des Audax Français), que nomeia os brevets como AUDAX. Este ano, ambas terão a sua edição do Paris – Brest – Paris. Luiz Maganini Faccin é o representante destes dois clubes franceses aqui no Brasil, e atua para a divulgação desta modalidade. Ele, juntamente com mais 40 brasileiros, participarão do brevet da ACP. Para o brevet da UAF o número de brasileiros ainda não foi contabilizado, mas serão poucos, pois esta modalidade implica a velocidade constante de 22,5 km/h. Para ter uma ideia do que é isso, tente manter esta velocidade em subidas e descidas após 100 km pedalados... Imagine isso após 1000 km de pedal!
Parece uma coisa simples, a reunião de um grupo de ciclistas que se propõem a percorrer determinado número de quilômetros em um tempo limitado, mas é algo que vai muito além: todos que se predispõem a desatracar suas vidas, em uma jornada de paciência e superação, deparam-se com tantas variáveis que tornam cada viagem um desafio totalmente novo. Frio, calor, vento, topografia, chuva, pavimento, tráfego, condição física, orientação geográfica, exaustão, etc. Cada percurso traz consigo o sabor do inusitado; cada caminho é sempre uma nova escolha que exige coragem, desprendimento, dedicação, audácia e, por vezes, sorte.
Ser um bom ciclista não é o único requisito para completar uma prova de 1200 km: a determinação, a garra, o foco e a coragem são essenciais, além, é claro, da capacidade de organização. Não é raro ver ciclistas experientes desistirem por erro de rota, quebra da bike ou mesmo pela perda da razão e do sentido após longas horas (ou dias) pedalando. Importante lembrar que um randonneur pedala ininterruptamente, parando poucas horas para descanso e alimentação. A obstinação, como diriam alguns, é a diferença entre aqueles que esperam e aqueles que fazem. É comum não acreditarmos poder pedalar os primeiros 200 km, até conseguir fazê-lo. Após este, o desafio dos 300 km torna-se palpável, depois os 400, 600... É certo que quanto mais longa a travessia, maior o nosso medo e a sensação de insignificância. Como uma canoa no meio do Atlântico, lutamos para transformar tempo em distância, e alcançar um píer que nos acolha. Nestas horas, só uma alma obstinada suporta o infinito a sua frente, pois o percurso, com poucas exceções, é fundamentalmente solitário. Como diria Geraldo Vandré “quem sabe faz a hora, não espera acontecer”. O saber é a obstinação do querer, e é grandioso sentir a plenitude do êxito.
Vencer todos os obstáculos externos é muito pouco, perto das barreiras internas que cada um desenvolve ao longo do tempo. O medo do fracasso, a insegurança, a rigidez de comportamento, a ansiedade paralisante... Vencer os muros internos é um desafio muito mais pesado, implica disposição à mudança e à descoberta de si. Cabe aqui concordar com o mestre Shakespeare: “É a mente que enriquece o corpo”. Sim, é verdade, quando o corpo fraqueja e insinua desistir, é aquilo que acreditamos ser verdade, os significados que construímos e que conseguimos dar a nossa vida, que comandam o corpo. Até o corpo saudável sucumbe a um esforço sem razão e sentido. Quem já se aventurou no Audax, entende o que significa superação. O Audax é uma prova autossustentável; muitos PC’s (Postos de Controle) podem oferecer alimentação adequada e, por vezes, um bom espaço para um lapso de sono, mas esta não é a regra e, independente do nível de exaustão que o ciclista estiver, cada um vai ter que “se virar” com o que há; não existe “tapete vermelho” para aqueles que ainda não encerraram sua odisseia.
Amyr Klink, nosso mago dos desafios solitários, nos ensinava alhures que “deve-se descobrir a alegria de transformar distância em tempo; o medo em respeito e o respeito em confiança”. Tempo é uma palavra que causa medo nos dias atuais... Fugimos do tempo. A ordem do dia em nossa sociedade é não “envelhecer”; haja visto, por exemplo, todo o aparato cosmético e medicamentoso que hoje existem para retardar as marcas do tempo. Isso, sem falar em toda a logística e manufatura das cirurgias plásticas. Embora busquemos retardar o tempo de nossas células, somos impingidos a acelerar o tempo de nossos ganhos. Perdas e ganhos são palavras relativas no Audax: ganha quem supera a si mesmo, e perde quem “corre contra o tempo”, pois super-ação é muito mais do que vitória. Quem está no Audax, não quer vencer senão a si mesmo e perder senão o medo de não querer. Eis aí um belo desafio.
A determinação é a essência daqueles que buscam a superação no Audax. Cervantes dizia que “quem muito deseja pouco teme”. Talvez este seja o mote dos “audaxciosos”: desejar muito e sempre, a ponto de nenhuma distância, nem geografia, ser um obstáculo. “Não existe caminho, se faz o caminho ao caminhar”, dizia o poeta Jorge Debravo. O caminho percorrido vai muito além da rota transpassada, pois diz respeito a uma viagem interior de autoconhecimento. A cada etapa, somos desafiados a nos reencontrarmos conosco mesmo, descobrindo, não sem tempo, que “quem olha para fora sonha, quem olha para dentro acorda” (Carl Gustav Jung).
Fotos: Luiz Maganini Faccin
Palavra do Doutor
As lesões por raios da roda de bicicleta
Por: Franklin Passos de Araújo Júnior, membro titular da Soc. Brasileira de Ortopedia Pediátrica e da Soc. Brasileira de Ortopedia e Traumatologia, CRM-BA 10.818.
Lesões por raios da roda de bicicleta, que ocorrem nas extremidades inferiores, representam um constante problema em nosso meio. Elas atingem, principalmente, crianças inadvertidamente conduzidas, em geral, na garupa da bicicleta. Quando a bicicleta faz uma curva, o pé da criança é, de maneira inercial, impulsionado em direção aos raios da roda, causando uma grave torção, compressão ou esmagamento dos tecidos moles do pé e tornozelo, podendo estar associada à fratura da perna (tíbia e/ou fíbula), tornozelo ou ossos do pé. Essas lesões são agravadas quando os pais ou o condutor da bicicleta, aflitos, tentam com força e intempestivamente retirar a perna da criança, sem soltar primeiramente o pé dos raios.
Em muitos casos, a lesão ocorre quando duas crianças estão em uma bicicleta para apenas um ciclista. Neste caso, o passageiro geralmente se posiciona na garupa ou na barra horizontal do quadro, onde qualquer um dos pés pode ser apanhado entre os raios e a armação do triângulo traseiro ou garfo da bicicleta. Esse tipo de acidente é mais comum em crianças abaixo dos 14 anos, principalmente entre as idades de dois a oito anos, mas pode acontecer com adultos também.
A aparência inicial da lesão é enganadora. O pé pode parecer normal, ou com apenas algumas escoriações na pele, mas de 24 a 48 horas após o acidente, momento em que o pé e a perna estão edemaciados (inchados), podem aparecer áreas com graves perdas de pele.
São reconhecidos três aspectos específicos deste tipo de traumatismo:
1. Laceração da pele, pois os raios da roda funcionam como verdadeiras facas nesse tipo de acidente.
2. Esmagamento por compressão entre a roda e estruturas do quadro ou garfo da bicicleta.
3. Lesão de cisalhamento pela combinação destas duas forças.
Os primeiros socorros consistem em proteger o ferimento com uma toalha ou pano limpo, e improvisar uma imobilização (papelão, ataduras ou qualquer material que proteja o membro afetado), até que a vítima seja encaminhada a um serviço médico. As lacerações usualmente afetam o tornozelo, a área do tendão calcâneo (de Aquiles) no calcanhar, ou no dorso do pé. Muitas vezes o ferimento suturado evolui para soltura dos pontos (deiscência da ferida) e necrose da pele, podendo ser necessária uma cirurgia para enxerto de pele. Como a verdadeira extensão das lesões não fica evidente inicialmente, poderá ser necessária internação hospitalar, com uma constante inspeção, nas primeiras 48 horas após o acidente, da extremidade atingida.
A informação é a melhor prevenção. Informar os pais e responsáveis que utilizam a bicicleta como meio de transporte sobre os riscos é fundamental. Alertas também devem ser feitos nas escolas e creches, para que as próprias crianças já possam ser informadas e educadas.
Mudanças nas leis de trânsito, para que seja obrigatório o uso de equipamentos específicos e adequados para transportar crianças, como cadeirinhas com apoio, protetores para os pés, guarda-raios e uso de calçado fechado pela criança, poderão diminuir sensivelmente a frequência e gravidade dessa forma de acidente.
Infelizmente, são comuns as situações em que esses acidentes acontecem; por isso incentivamos o uso correto de equipamentos de proteção, e que os pais e responsáveis tenham prudência quando circularem com crianças nas bicicletas.
A Revista Bicicleta não recomenda nem endossa o uso da bicicleta sem o uso dos equipamentos adequados para cada situação.
Entrevista com Soelito Gohr
Com o treino daquela quinta-feira encerrado, Soelito Gohr se pôs a pedalar para casa. Pensava apenas em comida e uma boa noite de sono, tão cansado que estava da preparação para a Volta Nove de Julho, em 1995, que aconteceria dali a três dias, em São Paulo. Em uma descida, não teve como reagir quando uma Kombi cortou sua frente. O ciclista estava a poucos metros de sua casa, em Brusque – SC, mas só voltou a si 15 dias depois.
Nessa época, Soelito já era atleta de elite, e tinha conquistado vitórias importantes. No acidente, Soelito rompeu o nervo plexo braquial entre o ombro esquerdo e a nuca, perdendo parte dos movimentos do braço esquerdo. O trabalho de fisioterapia levou anos, e o ciclista chegou a retirar um nervo da perna para fazer enxerto. Ele conseguiu recuperar alguns movimentos, mas seu braço esquerdo ficou atrofiado, com algumas limitações. Foi então que começou uma história incrível de superação. Nem as dificuldades físicas impediram Soelito de voltar a competir e conquistar muitas vitórias importantes, tanto na categoria elite, quanto na categoria paraolímpica.
Soelito nasceu em 14/09/1973, é natural de Brusque – SC, e atualmente defende a equipe Scott/Marcondes César/ São José dos Campos, onde é considerado o animador oficial, e um dos atletas de maior visão do ciclismo – uma alusão ao fato de ter 1,90 m de altura.
Títulos recentes
Campeão Mundial Paraolímpico estrada 2010, Baie-Comeau/ Canadá
Campeão Geral Ciclismo JASC 2010
Campeão Mundial Paraolímpico estrada 2009, Bogogno/ Itália
Vice – campeão da Copa do Mundo de Ciclismo Paraolímpico 2009 na categoria perseguição individual, Manchester/ Inglaterra.
Campeão Brasileiro Paraolímpico 2008 nas categorias quilômetro, perseguição individual e contra-relógio
4º Colocado Paraolimpíada Pequim 2008 na categoria perseguição individual
6º Colocado Paraolimpíada Pequim 2008 na categoria estrada
6º Colocado Paraolimpíada Pequim 2008 na categoria contra-relógio
8º Colocado Paraolimpíada Pequim 2008 na categoria quilômetro
Como a bicicleta entrou em sua vida? Há quanto tempo pedala?
Soelito: A bicicleta sempre fez parte da minha vida. Adorava quando meu irmão me buscava no jardim de bicicleta. Pedalo desde os seis anos.
Em que modalidades gosta de pedalar?
Soelito: Gosto de todas: speed, mtb, pista (velódromo), mas me adaptei melhor no ciclismo de estrada.
Pedala só, ou com um grupo?
Soelito: Alternando; sozinho para refletir e ajustar o treino das competições próximas, e em grupo para descontração e ritmo para competir.
Quando começou a competir?
Soelito: Em 1986.
Como tem sido sua trajetória como atleta?
Soelito: Difícil, tem que ter muita disciplina e força de vontade, porém com isso alcancei muitos títulos importantes.
Descreva a sensação de estar em cima duma bicicleta.
Soelito: Sensação de liberdade e satisfação de estar fazendo o que eu mais amo.
Qual foi sua maior conquista na vida, relacionado à bicicleta?
Soelito: Foi ter superado um grave acidente e, mesmo assim, conseguir ser competitivo até hoje.
Alguma história interessante relacionada à bicicleta?
Soelito: Já tive inúmeras bicicletas, e no começo havia muita dificuldade, desde a compra, devido ao custo, como também a falta de lojas especializadas. Vibrava com cada componente adquirido, e também me frustrava com os primeiros arranhões. Até hoje é assim, a bicicleta é algo que me fascina.
Fora das pistas, quem é Soelito Gohr?
Soelito: Sou um cara divertido, que adora estar na companhia dos amigos e da família sempre. Aventureiro, gosto de descer rio de caiaque, tomar banho de cachoeira, preparar jantares com a galera.
Onde entra a bicicleta no seu dia a dia e de sua família?
Soelito: No meu dia a dia é minha ferramenta de trabalho. Já com minha família, usamos no lazer, participamos de passeios ciclísticos, voltas na praia, passeios em geral.
Soelito, sabemos do potencial da bicicleta relacionado à qualidade de vida, mobilidade e sustentabilidade. Como você vê a evolução do uso da bicicleta como um todo no Brasil?
Soelito: Esse assunto ainda é novo aqui no país, pois é preciso mudar a cultura. As pessoas julgam a bicicleta apenas como um transporte de quem tem baixa renda. Mas hoje já há uma pequena sensibilidade quanto a isso, pois pedalar envolve o cuidado com o meio ambiente e também com a saúde, num futuro breve vejo um avanço. Precisamos do apoio do governo para melhoria de condições do uso da magrela, como ciclovias, e um trabalho de marketing para mudar essa cultura.
O que você acha que pode ser feito a fim de ajudar mais pessoas a despertar para o uso da bicicleta?
Soelito: A divulgação nos colégios, como outra opção de atividade física, passeios ciclísticos, competições escolares e amadoras.
Para você, o que representa a bicicleta?
Soelito: Pra mim a bicicleta representa qualidade de vida, pois nela está o meu trabalho, faço muitas amizades, conheço muitos países e lugares lindos, preservo a natureza e mantenho minha saúde.
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Bike Fit: eu mesmo posso fazer?
Por Carlos Menezes
Desconhecido de alguns, prioridade para outros, o Bike Fit consiste no perfeito ajuste da bicicleta ao corpo do ciclista, onde o componente biológico (homem) e o componente mecânico (bicicleta) passam a atuar como uma peça única, funcionando em perfeita harmonia.
Mas o que a maioria das pessoas fazem é justamente o contrário: tentam ajustar o corpo à bicicleta. Para adquirir o equipamento, baseiam-se em critérios como cor, modelo, conjunto de componentes, marca e, principalmente, valor da bicicleta, e ignoram critérios científicos, como medidas antropométricas e ângulos de posicionamento estático e dinâmico.
Muitas vezes, um dos últimos critérios levados em consideração é o tamanho da bike. E mesmo sendo essa informação conhecida, geralmente o tamanho do quadro é escolhido de maneira subjetiva, onde se considera um valor médio. Mede-se o comprimento da altura do entre pernas (cavalo), a altura do ciclista, e multiplica-se por coeficientes padronizados. Essa técnica se torna tão subjetiva ao ponto de existirem dois ou três coeficientes diferentes circulando entre os ciclistas. O grande erro desses coeficientes e fórmulas é considerar que todas as pessoas que possuem, por exemplo, 1,75 metros de altura, apresentam o mesmo comprimento de braço, perna e tronco.
Cada pessoa deve ser tratada na sua individualidade físico-anatômica, ajustando a bike para que ofereça o máximo de conforto, buscando sempre o posicionamento correto, a fim de evitar lesões. Outro ponto importante no Bike Fit é encontrar o posicionamento do atleta onde o máximo possível da energia aplicada no pedal seja transformada em deslocamento: uma pessoa pode ser forte, mas não conseguir render tudo que poderia.
Assim, o Bike Fit não é apenas uma técnica, e sim uma profissão regulamentada pelos Conselhos Profissionais da área da saúde, onde o Fitter (profissional em Bike Fit), possui formação e conhecimento suficientes para cuidar da saúde do atleta, no que diz respeito ao seu posicionamento correto sobre a bike, e para isso precisa entender também de mecânica de bicicleta.
Acontece que dentro de uma política americana de “faça você mesmo”, somos invadidos por um pensamento de que: “porque devemos pagar por um serviço, se nós mesmos podemos fazer?” Basta vermos a quantidade de casas sem projetos e planejamento, com estruturas comprometidas e paredes tortas, quando caminhamos pelas ruas da cidade; ou então a grande quantidade de carros com pinturas queimadas porque seus donos, para economizar com o valor da mão-de-obra, optam em comprar a cera e a enceradeira, e fazer o polimento do próprio carro, lixando a pintura em excesso ao ponto de danificá-la.
Dentro desse pensamento, basta fazer uma rápida busca na internet para encontrar uma infinidade de opções de Bike Fit caseiro. São vários textos, fotos, vídeos explicando diferentes metodologias, passo a passo, para ajustar a bike ao corpo do ciclista. Dentro desse grande leque de opções, encontramos orientações mostrando que a distância do guidão ao selim é a mesma do tamanho do antebraço do atleta, ou que a altura do selim equivale ao tamanho completo do braço. O que precisa ficar entendido é que se houverem erros de, por exemplo, 1 mm, em cada um dos seguintes pontos: ajuste dos taquinhos, altura do selim, avanço do selim, distância do selim ao guidão, somados aos tamanhos errados de pedivela e avanço do guidão, a posição do ciclista estará inadequada.
Um fato comum no dia a dia de um Fitter é receber abordagens onde o atleta lhe passa a altura e comprimento do cavalo, e pergunta qual quadro e componentes deve adquirir. Ou então o ciclista mostra sua bicicleta e pergunta: “essa bicicleta é a que realmente devo usar ou está errada?” Para se ter uma ideia, uma sessão de Bike Fit dura cerca de duas horas e meia, onde cada detalhe é levado em consideração. Os ajustes são feitos de acordo com o objetivo de cada ciclista, e contam com auxílio de ferramentas desenvolvidas para esse fim, bem como análise do posicionamento por meio de filmagens e análise em software para chegar aos ângulos ideais de posicionamento.
Não faz sentido investir algumas centenas ou milhares de reais na compra de uma bike, e economizar algumas centenas de reais não realizando seu Bike Fit com um profissional especializado.
Recentemente recebi a ligação de um atleta que me informou sua altura, tamanho do cavalo, e queria saber se o quadro tamanho 56 ficaria bom pra ele, pois estava comprando uma bike nova e só encontrou esse tamanho de quadro no modelo desejado. Nesse momento expliquei a ele que o Bike Fit vai muito além de "chutar" o tamanho de um quadro levando em consideração sua altura e o entre pernas. Por meio de uma analogia, expliquei que seria o mesmo que ele me dizer sua altura e peso, e eu "advinhar" qual a numeração da calça e camisa dele, bem como o tamanho dos sapatos. Na sequência ele me disse: "mas atualmente uso uma tamanho 54, então o 56 dá para ajustar no selim e mesa?" Num golpe de reflexo respondi: "Mas quem disse que seu quadro 54 está certo para você?" Depois de alguns segundos de silêncio ele respondeu que iria comprar a bike 56 e em seguida agendar o FIT. Mais uma vez orientei a fazer o Bike Fit de sua bike atual, e descobrir se o quadro 54 está adequado e se o quadro 56 ficará ajustado ao seu corpo.
O primeiro passo é descobrir qual tamanho de quadro e componentes devem ser comprados, e em seguida fazer o Bike Fit do novo equipamento. A princípio pode parecer um gasto desnecessário, mas a simples troca de um avanço de guidão em tamanho errado já será mais oneroso que o Bike Fit.
Bicicletas e equipamentos de ciclismo de boa qualidade apresentam valores razoáveis no mercado, por isso não vale a pena contar com a sorte, e pelo falso pensamento de estar economizando, acabar gastando muito mais para reparar o erro de ter comprado uma bike inadequada a sua antropometria.
Talvez discorrer sobre esse ponto de vista equivale a “dar murro em ponta de faca”, já que no Brasil, as pessoas têm o hábito de recorrer diretamente às farmácias quando apresentam o menor problema relacionado à saúde, e até decidirem ir ao médico, já gastaram o valor de uma consulta em medicamentos que nada adiantaram. Com o advento da internet, jogam os sintomas em sites de busca e correm atrás do remédio lá indicado. Mesmo assim, precisamos cumprir nosso papel e explicar que não existe receita ou fórmula pronta para o ajuste de uma bike. Se fosse assim, as bicicletas já sairiam de fábrica com uma etiqueta pregada no quadro: “indicado para x de altura e y de entre pernas”.
Ao longo de sua vida, várias bicicletas passarão por você, mas o seu corpo é um só; portanto, cuide do que é permanente.
Elegância Sustentável
Você está navegando na internet, lendo jornais e revistas, informando-se ou distraindo-se, e não consegue mais escapar – e nem deve – da pressão constante por uma atitude mais sustentável.
Sustentabilidade está na moda! A consciência e o planetinha agradecem.
Você separa o lixo, fecha a torneira, apaga a luz, usa uma ecobag no mercado (você ainda não tem uma?), não joga bituca de cigarro na rua (aliás, nem fuma, claro!), não pratica consumo irresponsável... Além disso, já pensou seriamente numa... bike?
É! Já pensou em usar uma bicicleta para se locomover diariamente? Porque não, não estamos falando (somente) de esporte. Estamos falando de poluir menos com seu carro, ou de ocupar um espaço a menos no ônibus ou no metrô.
Gostou da ideia? Isso é Cycle Chic – movimento que engloba um grande número de usuários da bicicleta como meio de transporte, privilegiando o fashion sobre duas rodas. Você sai estilosa em sua bici: afinal, está indo trabalhar, fazer compras, badalar!
A questão é que o Cycle Chic não tem nenhuma relação com velocidade ou competição, por isso uma bela e útil cestinha vale mais que milhares de marchas. Claro que a cidade tem que dar uma forcinha para a aceitação e a adesão dos ciclistas. O pessoal do São Paulo Cycle Chic afirmou que “o Cycle Chic é uma tendência crescente e natural nas cidades que estão investindo em infraestrutura para se tornarem amigas das bicicletas. Com a crescente popularidade dos programas de bicicletas comunitárias, como Velib em Paris, Bicing em Barcelona e o próprio UseBike, em São Paulo, os cidadãos estão descobrindo a facilidade de pedalar em sua cidade ou bairro, usando roupas normais, ao invés de roupas de ciclismo.”
Para isso, sugiro a nossa amada legging, para compor vários looks. Mas se você for usar calças com pernas soltinhas, não esqueça de prender a barra direita com um lacinho, para não prender na corrente, se ela não tiver proteção. A legging pede batas, vestidinhos ou túnicas para cobrir o quadril; esses tops vão te deixar mais livre, sem ficar preocupada se tem algo que não deve aparecendo.
Se estiver frio, uma jaqueta, luvas (aliviam a formação de calinhos), e abuso de cachecóis e lenços. Para acessórios – sim, claro – suas pulseiras prediletas. Se sua bici não tiver cestinha, bolsas são uma boa alternativa!
E não esqueça da segurança! Mesmo curtindo a ideia de pedalar de forma fashion e lenta, a cidade pode se apresentar como um lugar perigoso. Então não dispense o capacete: existem modelos super gracinhas; além disso, use um lenço sob o capacete, porque assim você mantém o interior do mesmo limpinho, e fica um charme!
Colaboração: Jodie - blog Sério, Moda?
De mulher para mulher
CHAMADA INICIAL: Coquetel em homenagem ao Dia Internacional das Mulheres: junte generosidade com muito vigor; adicione doses infinitas de doçura com energia; coloque flexibilidade com muita resiliência. Em seguida, junte tudo isto com amor em um único recipiente, e você terá a receita de sucesso: “O Poder das Mulheres”.
Desde a mais remota época, a mulher exerce o papel de agente de mudança na sociedade. Há mais de 200 anos, a mulher vem lutando pelos seus direitos. Em 1792, na Inglaterra, Mary Wolstonecraft (1759-97) escreveu um dos grandes clássicos da literatura feminista – A Vindication of the Rights of Women, onde defendia uma educação para meninas que aproveitasse seu potencial humano.
Em 8 de março de 1857, nos Estados Unidos, 129 operárias morreram queimadas pela força policial, numa fábrica têxtil, em Nova York. Elas “ousaram” reivindicar redução da jornada de trabalho de 14 para 10 horas diárias, e o direito à licença-maternidade. Mais tarde, foi instituído o Dia Internacional da Mulher – 8 de março – em homenagem a essas mulheres.
Durante o período de império no Brasil, se tentou a legalização do voto feminino, com ou sem o consentimento do marido, mas sem sucesso. A constituição de 1891 excluía a mulher do voto, pois não era vista como um indivíduo dotado de direitos.
Berta Lutz, a pioneira no feminismo brasileiro, em 1922, fundou a Federação Brasileira pelo Progresso Feminino, que lutava pelo voto, pela escolha do domicílio e pelo trabalho de mulheres sem autorização do marido.
Os primeiros estados a legalizar o voto feminino foram Rio Grande do Norte e Minas Gerais. Celina Guimarães Viana, em 1927, foi a primeira eleitora registrada no país.
Em 1975, a ONU organizou o "Ano Internacional da Mulher". O universo feminino passou a ser tema de discussão nas universidades, e em meio aos profissionais liberais.
A ascensão e o crescimento da participação das mulheres na sociedade aconteceram durante toda a história: Cleópatra, a rainha do Egito, subiu ao trono aos 17 anos, 51 anos antes de Cristo. Elizabeth I foi a quinta e última monarca da dinastia Tudor, e governou a Inglaterra por 44 anos. Indira Gandhi, em 1966, foi a primeira mulher a exercer o cargo de primeira-ministra na Índia. Margareth Thatcher foi eleita primeira-ministra do Reino Unido e, em 1979, considerada a mulher mais influente do século XX. Ellen Johnson Sirleaf, em 2006, tornou-se a primeira mulher a comandar um país no continente africano. Benazir Bhutto foi a primeira mulher a dirigir um Estado Islâmico, o Paquistão. Cristina Kirchner, atual presidente da Argentina, foi a primeira mulher eleita pelo voto direto no país. Angela Merkel, atual chanceler da Alemanha, foi a primeira mulher a ocupar o cargo no país. Dilma Rousseff, eleita a primeira presidenta do Brasil, em 2010, foi considerada a 16º pessoa mais poderosa do mundo, pela revista Forbes.
As mulheres sempre se destacaram na sociedade por sua força revestida de sutileza, por sua coragem revestida de persistência, pelo seu poder revestido de doçura, pela sua sabedoria revestida de humildade.
Não há nenhum setor onde a mulher não tenha atuado e se destacado. Um destes setores é o esportivo, pois o papel da mulher no esporte se mescla com seu papel social na história da humanidade.
Acreditem ou não, mas foi o ciclismo que exerceu a maior influência na emancipação física das mulheres inglesas e americanas. O ciclismo teve seu início na Inglaterra, em 1870, e tornou-se muito popular nos Estados Unidos, no final de 1880 e início de 1890.
O que fez do ciclismo um sucesso na época foi oferecer às mulheres a oportunidade da mobilidade física, e os benefícios de uma recreação ativa e saudável. Além disto, trazia consigo um novo senso de liberdade relacionado a roupa restritiva da época, demandando o abandono dos espartilhos e a transformação das saias em calças curtas ou bloomers – calções de mulher, folgados e compridos até os joelhos.
O esporte tem sido, para as mulheres, mais um espaço de busca de igualdade, de direitos e ascensão social.
O andar de bicicleta dá uma condição de ir e vir, liberdade, autonomia e independência, tudo o que as mulheres pós anos 60 buscavam. Por este motivo, o ciclismo foi o primeiro esporte que, no século XIX, exerceu maior influência na emancipação feminina.
A declaração Universal dos Direitos Humanos, da ONU, afirma, em seu artigo 1º, que “todos os seres humanos nascem livres e iguais em dignidade e em direitos. Dotados de razão e de consciência, devem agir uns para com os outros em espírito de fraternidade”. Apesar de toda a evolução e direitos iguais para homens e mulheres, da importante presença e papel da mulher na sociedade, a começar por ser o indivíduo que gesta a vida de todos os seres humanos no mundo, a mulher ainda não conseguiu, de fato, ter os mesmos benefícios dos homens. Assim como em todos os outros setores, as conquistas femininas no esporte têm menor espaço na mídia, as premiações das atletas são inferiores, a disponibilidade de apoiadores e patrocinadores é sensivelmente menor, e a disponibilidade de equipamentos, roupas e acessórios, idem.
As mulheres são, por natureza, agentes de mudança, apenas precisam se livrar do ranço da aceitação de inferioridade e saber que não são inferiores aos homens, apenas diferentes em alguns aspectos. Esta diferença deve ser contida apenas nas questões físicas e emocionais, e não mais permear direitos e benefícios que todos devemos receber pelas próprias conquistas, independentemente do sexo.
Nós, mulheres, devemos exaltar e nos orgulhar do “Ser Mulher”, pois Ser Mulher é um ato de coragem, é ser cidadã do mundo, é ter beleza sem prazo de validade. Ser Mulher, acima de tudo, é um estado de espírito.
O pedal não é apenas a peça que permite o movimento mecânico do pedivela, mas também é o ponto de apoio mais importante entre o ciclista e a bicicleta. Existem dois tipos principais: pedais de encaixe (popularmente chamados “pedais clip”) e pedais plataforma.
Estrutura
Todos os modelos de pedais seguem uma mesma estrutura, sendo compostos de uma parte para apoiar ou encaixar o pé, e um eixo que permite que o pedal fique sempre na mesma posição quando o pedivela é girado. Para que gire livremente, são usados rolamentos entre o eixo e o corpo do pedal, nos modelos de melhor qualidade, podendo ser rolamentos selados para maior durabilidade.
Materiais
Os pedais podem ser produzidos com a combinação dos mais diversos materiais: plástico, aço, alumínio, titânio, magnésio e até fibra de carbono. Normalmente os eixos são feitos de aço ou titânio, pois precisam ser fortes o suficiente para suportar o peso e força do ciclista. Já para o corpo do pedal existe uma grande variedade no uso de materiais e designs. Até o plástico, que antes era usado em pedais de linha básica, evoluiu e é usado em bons pedais de algumas modalidades, pelo seu baixo peso.
Design e Tecnologia
Sem dúvida o pedal tem que cumprir sua funcionalidade sem qualquer limitação, porém, alguns fabricantes conseguem dar um toque de design rebuscado em alguns modelos. Não é difícil encontrar pedais de diversas cores, até pedais que mudam de cor na luz do sol. Outros possuem diversos furos para redução de peso, ou são compostos apenas de uma camada fina de alumínio. Um dos modelos mais avançados do mercado usa fibra de carbono ao invés de uma mola de aço para o sistema de encaixe da sapatilha, aliando tecnologia e design. Está previsto para este ano um modelo com sistema eletrônico, que facilita a medição da cadência da pedalada. Criatividade e tecnologia não faltam!
Pedais Plataforma
Pedais do tipo plataforma são os mais populares, utilizados na maioria das bicicletas. São os pedais tradicionais: uma parte plana para apoiar o pé, com um eixo que encaixa no pedivela. Ao longo do tempo esses pedais evoluíram e ficaram mais leves, mais fortes e, em alguns casos, ganharam diversos pinos de metal para aumentar a aderência do pé. Não é necessário usar sapatilhas especiais para esse tipo de pedal.
Pinos
Alguns modelos possuem pinos que podem ter a altura alterada e são substituíveis. Algumas marcas também oferecem tênis especialmente feitos para tirar melhor proveito desses pedais, tendo um design da sola e composto da borracha que oferece uma maior aderência. Pedais com pinos são muito usados em modalidades do mountain biking, como freeride, downhill e four-cross. Por serem afiados, é recomendado usar caneleira para evitar acidentes no uso desses pedais; não é recomendado para bicicletas infantis, de passeio ou para ciclistas inexperientes.
Pedais de encaixe
Os pedais de encaixe possuem um mecanismo que permite prender o pé do ciclista de uma maneira intuitiva, tanto para o encaixe quanto para o desencaixe, apenas com o movimento dos pés. Isso possibilita, ao piloto, não somente empurrar o pedal, mas também puxá-lo no movimento da pedalada, aumentando a eficiência na aplicação da força, e consequentemente no desempenho da bicicleta. Outra vantagem do clip é manter o ciclista preso em trechos técnicos, evitando que o pé escorregue dos pedais.
Este tipo de pedal é usado por todos os ciclistas competitivos das modalidades de resistência, tanto de estrada quanto de mountain biking, por causa da melhora indiscutível na pedalada. Alguns atletas de modalidades explosivas e técnicas, como o bmx racing e o downhill, também usam esses pedais, mesmo oferecendo um maior risco em caso de quedas.
A desvantagem dos clips é que algumas vezes o ciclista pode ficar preso na bike, ou não ter tempo de desencaixar e por o pé no chão para evitar uma queda.
Sapatilhas
Para usar esses pedais, é necessário uma sapatilha específica, que seja compatível ao sistema de encaixe. Cada pedal vem com um pecinha de metal, popularmente chamada de “taquinho”, que é aparafusada na sapatilha e permite o engate dela ao pedal. Hoje em dia, as sapatilhas possuem furação que permite o uso de taquinhos de qualquer sistema, mas existe ainda uma diferença na furação entre as sapatilhas de mountain biking e estrada, sendo normalmente incompatíveis entre si.
Sistemas
Ao longo dos anos surgiram diferentes sistemas de encaixe. Hoje em dia os principais são Shimano SPD, Egg Beater, Look e Time. Normalmente a escolha do sistema é uma preferência pessoal.
Outros Pedais
Pedais Mistos
Existem duas variações desses dois grupos de pedais. Uma delas é um pedal em que um lado é de encaixe e outro é plataforma. Esse tipo de pedal pode trazer alguma segurança para iniciantes, porém, é uma desvantagem para competidores que preferem estar presos o tempo todo.
Outra variação é o pedal de encaixe que possui uma plataforma apenas ao redor do mecanismo de encaixe. Isso melhora o apoio do pé quando não se consegue um encaixe rápido, em uma situação de emergência. Esse tipo de pedal é usado com frequência pelo pessoal do all mountain, do downhill e do bmx racing. Enquadra-se na categoria de pedais de encaixe.
Firma-pé ou presilhas
Existe ainda o que é popularmente conhecido como "firma-pé", um tipo de utensílio com fivelas que mantêm os pés presos no pedal. Era muito usado antes dos pedais de encaixe, mas hoje em dia não é recomendado seu uso, pois essas fivelas não vão soltar em caso de queda, e nem são fixas o suficiente para oferecer a vantagem da melhor pedalada.
Bicicletarias
Como lidar com os maus pagadores
Quando você abre as portas da sua bicicletaria, assume um grande risco todos os dias: entra quem quiser; e é impossível saber se quem entrou vai ser honesto com você! Quando um cliente em potencial chega ao balcão, você acaba cedendo ao prazo que ele lhe pediu, realiza a venda na confiança... E acaba vendo o lucro do seu negócio ser corroído por causa dos maus pagadores.
Para amenizar essa situação, acompanhe as dicas:
Use cartões
A dica é óbvia, mas mesmo assim muitos empreendedores têm aversão às maquininhas de cartão em sua loja, porque acham caras as taxas cobradas pelas administradoras. São caras mesmo, mas se a inadimplência estiver perto dos 5%, já vale a pena usar os cartões de débito e de crédito.
SPC e Serasa
Consulte o Serviço de Proteção ao Crédito e a Serasa, e bloqueie a venda. Inclua os seus maus pagadores no cadastro dessas entidades. Não é porque você já perdeu uma venda que vai deixar um mau pagador continuar dando calotes na praça. Além do mais, o índice de recuperação de crédito é razoável, e você ainda pode reaver boa parte da sua perda com os inadimplentes.
Vencimentos
Se você aceitar um cheque pré-datado, por exemplo, procure combinar o vencimento para antes do dia 10. A maior parte dos assalariados recebe antes dessa data e, portanto, a chance de o cheque voltar é menor. Quanto mais perto do fim do mês, maior a chance do cheque depositado não encontrar fundos.
Fidelize seu cliente
Ofereça alguns benefícios ao cliente adimplente, como descontos em próximas compras, um brinde, caso as contas sejam pagas em dia até o final do contrato, etc. Use a criatividade, e incentive seu cliente a cumprir os prazos.
As causas da inadimplência são variadas, desde desemprego até exageros de consumo. Fique atento, também, à sazonalidade: no começo do ano as taxas de inadimplência aumentam, pois as compras do final de ano geralmente são parceladas, e o risco de não receber é maior.
Tome medidas preventivas, e bons negócios.
(Adaptado do artigo Como Tirar sua Empresa do Vermelho, publicado no blog Faça Diferente - SEBRAE)
PALAVRA DE MECÂNICO
Cabos de Aço
Por Equipe Bike Company
Os cabos de aço cumprem um papel fundamental no funcionamento da bike: a partir deles acionamos marchas e freios. Por isso, mantê-los em bom estado garante uma troca de marchas precisa e, principalmente, garante que os freios estarão lá quando você precisar!
Os principais problemas a que os cabos estão sujeitos são a desfiação junto ao ponto de fixação, e a ferrugem ou oxidação por corrosão.
Verificação da Conservação
Para verificar o estado de conservação dos cabos, observe se eles não estão começando a desfiar nos pontos de fixação, junto aos freios e aos câmbios. Caso isso esteja ocorrendo, é necessário trocá-los.
Além disso, você deve analisar os pontos onde os cabos estão expostos, verificando se há ferrugem, sinal de corrosão ou algum defeito visível. Se estiverem com algum problema, talvez seja prudente substituí-los em breve.
Algumas bicicletas têm um sistema fechado, o conduíte direto de uma ponta a outra do cabo, ou uma capa de plástico, por toda a extensão dos cabos; nestes sistemas, menos afetados pela água e sujeira, a manutenção pode ser realizada em uma oficina especializada, durante uma revisão mais pesada da bike.
Limpeza e Lubrificação
Para limpeza e lubrificação, você precisará de um pano e óleo (o mesmo da corrente). Evite usar graxa, pois ela favorece o acúmulo de sujeira: use-a somente se o conduíte não possuir revestimento interno de plástico.
Nos sistemas atuais, porém, o conduíte tem revestimento interno de plástico e cabo de aço inox, e neste caso a lubrificação não é recomendada, exceto após pedalar em condições extremas, por exemplo: com muita chuva e lama. Os cabos com cobertura de teflon (aqueles pretos) não devem receber lubrificação em nenhuma situação.
O primeiro passo para realizar a limpeza e lubrificação é deixar os cabos frouxos. No caso dos cabos do câmbio, posicione as marchas para a coroa maior, na frente, e o pinhão maior, atrás; então solte as marchas sem pedalar (para trocadores dual control é o inverso: coroa menor e pinhão menor).
No caso dos freios, há três possibilidades:
Se for freio v-brake, é só desencaixar o tubo curvado e abrir o freio, que já terá a folga necessária.
Se for freio a disco mecânico – ou seja, puxado a cabo – você deve soltar o cabo no manete.
No caso de ser ferradura (speed), geralmente há alguma forma de liberar o cabo, seja no manete (Campagnolo), ou no freio, que costuma ter alguma alavanca para isso.
Com os cabos frouxos, retire os conduítes dos encaixes no quadro, uma linha de cada vez (câmbio dianteiro, câmbio traseiro, freio dianteiro e freio traseiro), fazendo o cabo passar pelos rasgos do encaixe. Dessa forma o conduíte fica liberado, e você consegue expor melhor o cabo de aço. Aproveite esta folga para limpar os cabos: faça o conduíte escorregar de um lado para o outro, enquanto segura o cabo com um pano acompanhando o movimento.
Após a limpeza, aplique algumas gotas de óleo no cabo e tire o excesso com um pano. Volte os conduítes aos seus lugares, e teste o sistema para confirmar se está tudo no lugar.
Pronto! Agora é só sair tranquilo para um pedal, com a certeza de que os cabos estão em ordem.
Pedalando em família
Litoral sul de Santa Catarina
Com um planejamento rápido através da internet, e alguns telefonemas para reservar hospedagens, realizamos uma viagem de quatro dias, com custo baixo e pouca bagagem, por paisagens deslumbrantes do litoral sul de Santa Catarina. Partimos em seis pessoas da cidade de Imbituba, no dia 04, e chegamos a Balneário do Arroio do Silva no dia 07 de janeiro de 2011. Tratou-se de uma viagem familiar, condição esta dos integrantes do grupo e das amáveis acolhidas na saída e na chegada. Entre os membros do grupo, alguns pilotos e veículos mais preparados e experientes para a viagem; e outros nem tanto, demonstrando que para praticar o cicloturismo não é preciso ser atleta ou contar com equipamentos caros.
Por onde passávamos, chamávamos a atenção, não somente por não ser comum ver cicloturistas nestas regiões, mas sobretudo, pela presença do Ademar – que não perdia a oportunidade de puxar conversa com as pessoas que encontrávamos no caminho – e da Dalila, quase sempre puxando a fila – ambos no auge dos seus 69 anos, mantiveram durante toda a viagem seu entusiasmo e bom humor. Além deles, que foram um charme a mais em nossa viagem, eu, Daiana, Roberta e André completávamos o grupo.
Entre a saída e a chegada, aquilo que no mapa apresentava-se como uma linha ligando dois pontos em um plano, revelou-se uma terra de natureza e gente envolvente.
04/01 – primeiro dia
A cidade de Imbituba foi o ponto de encontro, pois nosso grupo vinha de regiões distintas de Santa Catarina. Naquela manhã, acordamos cedo e estávamos ansiosos para o início da jornada, sobretudo devido à incerteza sobre as condições do tempo. O dia amanheceu com um sol tímido, mas que logo se revelou. Ainda antes da partida, os últimos ajustes nas bicicletas e calibragem dos pneus. Nesta primeira etapa, optamos em seguir pela areia da praia, já que segundo informações, até Laguna é comum parte da faixa de areia ser compacta.
Isto era verdade, no entanto, em muitos trechos, mesmo próximo a água, a areia acabava sendo fofa demais para pedalar, exigindo um avanço desmontado. Além disso, este foi um dia de vento sul, que nos empurrava no sentido contrário em que seguíamos. Estes dois elementos fizeram com que, neste trecho inicial, nossa velocidade ficasse muito abaixo do esperado, com uma média de 11 km/h, fazendo com que nosso destino parecesse muito mais longe do que em condições normais. Apesar disso, a beleza das dunas, o brilho do mar e a animação do grupo compensaram as dificuldades.
Passava das 14h quando, após 35 km de pedalada, chegamos ao centro da cidade de Laguna. Após o almoço, uma parte do grupo precisou procurar uma oficina de bicicletas para pequenos reparos, e o restante aproveitou e literalmente dormiu alguns minutos na grama da praça central da cidade. Momento restaurador que foi complementado com o frescor e pureza da água de uma antiga bica de uma fonte natural, conhecida como “Fonte da Carioca”. Curtimos o ambiente e enchemos nossas caramalholas para o resto do caminho. Após atravessar por balsa a barra da Lagoa de Santo Antônio, pedalamos mais 22 km até o Farol de Santa Marta, percorrendo uma estrada de barro com vista para a Lagoa e a comunidade de pescadores que residem em sua margem.
Quando o cansaço começou a tomar conta de todo o grupo, aumentado pelo pavimento do tipo “costela de vaca”, a vista ao longe do Farol trouxe novo gás. Um dia difícil, mas o prazer em chegar à praia do Cardoso e, em seguida, do alto do morro, a vista belíssima da praia do Farol foi algo indescritível. Nossa pousada situava-se no alto da montanha do Farol, com uma visão que constituía uma bela composição da geografia: o mar, o costão no sentido oposto, as casas coloridas e as dunas ao longe. Diante deste espetáculo, findos 57 km sobre a bicicleta, comemoramos a superação dos nossos limites, e as boas sensações que a natureza nos proporcionava.
05/01 – segundo dia
No dia seguinte, optamos por ficar mais um dia na praia do Farol, com direito à visita ao Farol de Santa Marta e a um Sambaqui. Este dia rendeu boas caminhadas, fotografias e anchovas grelhadas.
06/01 – terceiro dia
O amanhecer, regado a sanduíches e sucos diante da paisagem, foi nossa despedida do Farol. Dali, seguimos pela praia da Cigana e margeamos a lagoa do Camacho, em uma estrada de barro em condições muito melhores do que passamos nos trechos anteriores. Nossa primeira parada do dia foi na Estação de Permacultura Casa Colméia, na localidade de Garopaba do Sul, município de Jaguaruna. Na “Colméia” vive a família composta por Juliano, Teresa e Tiê, em uma experiência bem-sucedida de permacultura e bioconstrução.
Mais do que uma alternativa sustentável ambiental e socialmente, a cada palavra Juliano demonstrava todo seu entusiasmo na possibilidade de produzir um lugar melhor para se viver, e ainda permitir manter contatos com muitos visitantes (inclusive estrangeiros que vêm conhecer esta experiência). Saímos dali com a cabeça a mil. Éramos, todos, só entusiasmo.
Com trechos de asfalto ou de estrada de terra boa, neste dia o pedal rendeu. Ainda antes do almoço, uma parada para comer uma melancia comprada do próprio produtor que vendia na beira da estrada. Fomos flertados pelo seu filho de uns 12 anos, com grande olhar de curiosidade. Ali trocamos algumas informações e fizemos fotografias. Na hora de pagar a melancia, o produtor não aceitou: “esta fica por minha conta”, disse ele, em total camaradagem conosco. Paramos para almoçar logo em seguida, no Balneário Arroio Corrente, ainda em Jaguaruna.
Após o almoço, seguimos pela via principal do Balneário, onde atraíamos a curiosidade dos moradores, muitos deles aproveitando para descansar em frente a sua casa. Neste trecho, tivemos companhia de dois rapazotes, de não mais de dez anos, que pedalaram um bom trecho conosco. Os meninos estavam entusiasmados com nossa presença e nos encheram de perguntas sobre a viagem. Somente após sugerimos que eles voltassem é que desistiram de nos seguir. De alguma forma, fica a ideia de que nossa viagem possa influenciar futuros cicloturistas.
Dali em diante, por uma estrada em sentido oposto ao mar, passamos pela comunidade rural, no município de Içara. Trata-se de uma comunidade de agricultores cortada por uma estrada central. Ao pararmos para descansar, logo atraímos algumas crianças e uma senhora agricultora com a qual conversamos alguns minutos. Ela nos falava das dificuldades na lavoura, atualmente, e da velocidade dos automóveis - que aumentavam a cada dia na comunidade. A todo o momento ela interrompia a conversa para mandar as crianças saírem da rua, afinal há poucos dias aconteceu um grave acidente quase em frente a sua casa. Mesmo ali, numa rua que esperávamos pouco movimento de automóveis, ela não nos deixou sair sem nos contar a história do trágico acidente.
Após nos despedirmos, conversávamos:
- “Histórias de automóveis são todas iguais...”
- “Porque tem sempre um imprudente?”
- “Não, porque são sempre marcadas pela tragédia.”
Partimos, pois a chuva ensaiava no céu. Após passarmos uma pequena ponte pênsil, uma estrada em linha reta nos levou direto ao centro de Balneário Rincão. A chuva ameaçava engrossar quando chegamos, após 60 km, ao nosso destino do dia. Desta vez, ficamos em um hotel de melhor qualidade, bem na área central da cidade.
07/01 – quarto dia
Este último dia rendeu alguns contratempos que nos fizeram atrasar bastante a partida; botamos a roda na estrada já passava das 09h30min. E ainda, para piorar, furou o pneu de uma das bicicletas. Após o conserto, percorremos a região do Balneário em um longo trecho de estradas de lajota. Seguimos em uma longa estrada até a comunidade de Barra Velha, onde, segundo indicações, no final dela teríamos que empurrar as bicicletas por mais de 1 km por uma estradinha de areia. Este caminho, que parecia interminável, ficava entre dunas e restinga, e com aquele calor, a sensação era de estarmos em um deserto. Quando o desânimo tomava conta, alguém sugeriu verificarmos se dava para ir pedalando pela areia na praia. Rumamos em direção ao mar e, quando chegamos, avistamos uma paisagem paradisíaca.
Chegamos à barra onde desemboca o rio Araranguá, que, em contato com o mar, forma grandes lagoas de água salobra. Nem houve discussão: ao chegarmos, todos nos lançamos na água. Após nos deliciarmos com a paisagem e com o frescor da água, seguimos a jornada, margeando a “lagoa” que passava em meio à areia da praia. Logo, chegamos a uma pequena comunidade pesqueira que vive às margens deste encontro entre rio e mar, conhecida como Ilhas ou praia do Rio Araranguá. Depois descobrimos que esta localidade é uma das mais antigas da região. Paramos no primeiro restaurante que avistamos; era um restaurante simples, mas que nos serviu a melhor anchova da viagem. E mais: tudo isto em uma agradável sombra de frente para aquela paisagem maravilhosa. Almoçamos com a excitação de, em poucas horas, chegarmos ao nosso destino final.
Após o almoço e um breve descanso, seguimos mais alguns quilômetros até a balsa que atravessa o rio Araranguá. De lá já avistávamos o magnífico Morro dos Conventos. Nesta parte, encontramos as primeiras estradas íngremes de barro com muitas pedras. Passamos por algumas plantações e casas de pequenos agricultores. Ao parar para pedir informação a duas senhoras, sentadas numa varanda, como muitos outros, elas se admiraram com a disposição do Ademar em realizar a viagem. De imediato, com um sorriso no rosto, ele terminou a conversa:
- “Ficando aí paradas, não se chega a nenhum lugar!” Aos risos, saímos para as pedaladas finais da jornada.
Alcançamos a estrada principal que nos levaria ao Arroio do Silva, nosso destino final após 36 km pedalados naquele último dia. Quando faltavam no máximo uns 5 km, para confirmar o caminho certo, pedimos a última informação para um rapaz. Ele colocou a mão na cabeça e disse:
- “O caminho é este, mas é muito longe!”
Frase muito engraçada pra quem já havia pedalado quase 150 km.
(Por Ricardo Machado)
Simpel Session BMX Freestyle
Tallinn - Estônia – 05 e 06/02/2011
A 11ª edição do Simpel Session atraiu a elite do BMX mundial, reafirmando-se como um dos mais importantes eventos deste esporte
No calendário anual de competições de BMX Freestyle um evento se destaca e atrai os melhores pilotos do mundo para Tallinn, capital da Estônia – mesmo em pleno inverno rigoroso. É o Simpel Session, já na 11ª edição, mostrando mais uma vez boa organização, pista bem planejada e construída, respeito e atenção aos atletas, e o clima de festa que cerca o campeonato. Por isso, o evento é um dos melhores eventos da categoria, e o preferido de muitos pilotos.
Nesse ano, a Simpel Session aconteceu nos dias 05 e 06 de fevereiro e, como de costume, contou com a presença das feras do BMX mundial: Garrett Reynolds, Dennis Enarson, Rubén Alcántara, Brett Banasiewicz e o campeão de 2010, Drew Bezanson. Os brasileiros André Jesus e Leandro Moreira “Overall” também compareceram ao evento, representando mais uma vez - e muito - o BMX verde e amarelo.
Mais do que um simples evento esportivo
O Simpel Session não se trata apenas de um campeonato de esportes radicais, já que conta com uma programação mais ampla que agrada o público e também os atletas. Na edição desse ano, foi realizado um festival de filmes de esportes radicais apresentando curtas e médias metragens recheadas de manobras – especialmente as de skate e de BMX – além de alguns documentários. Foi montada também uma exposição de fotografias num importante shopping center de Tallinn, com várias imagens que marcaram a história do evento.
Outro ponto alto da programação do Simpel Session, que vai além da competição, são as famosas festas que reúnem um grande público, inclusive competidores, nos melhores espaços da vida noturna de Tallinn. Com tantas opções para a diversão, não é de se espantar que jovens sejam atraídos para a capital estoniana por conta desse grande evento. Esse é o caso de Sander Kingo, estoniano praticante de BMX que, mesmo sem competir, comparece todo ano a Tallinn. “Simpel Session é, para mim, o evento mais aguardado todos os anos. Eu consigo encontrar amigos que não vejo há um tempo, ir a festas, me divertir e ver rolês impressionantes de bike”. Sander ainda aproveitou o dia após as competições – segunda-feira, dia 07 –, quando a pista utilizada na competição fica disponível a qualquer piloto e skatista que queira experimentar os obstáculos e rampas onde seus ídolos andaram nos dias anteriores.
Pilotos, manobras e a competição
Na quinta e sexta-feira antes da competição, os pilotos tiveram a oportunidade de experimentar a pista. Nos dois dias de treino, já era possível imaginar grandes feitos com as pequenas bicicletas, já que todos pareciam gostar bastante das rampas e obstáculos.
Nas eliminatórias, que aconteceram no sábado, 84 pilotos mostraram o que tinham de melhor para impressionar os juízes e a plateia. O formato da competição foi o de jam session, que consiste em criar grupos de competidores que se revezam na pista, sem se preocupar com uma marcação de tempo rigorosa do cronômetro. Cada piloto teve, então, duas voltas na pista, de aproximadamente 45 segundos.
Os dois brasileiros surpreenderam com manobras de alto nível e flairs (manobra que combina um giro para trás e um giro lateral de 180º) bastante altos. André Jesus conseguiu apresentar suas voltas sem muitos problemas, e executou suas melhores manobras. Com isso, conquistou uma vaga na final com a 23ª colocação. “Fiz as manobras que gostaria. Só que o nervosismo toma conta um pouco; então, com alguns erros, minha volta ficou quase perfeita. Mesmo assim, fiquei feliz por conseguir ir para a final e estar entre os melhores do mundo”, comentou André sobre o seu rendimento. Já Leandro Moreira, um pouco cansado, não rendeu tanto na pista como de costume, e o seu elogiado estilo – que mistura bem velocidade e altura – não foi destaque nas suas voltas. Mesmo sem ir para a final, “Overall” alcançou uma boa colocação geral, o 34ª lugar.
No domingo, as arquibancadas estavam ainda mais lotadas, com um público sedento por um espetáculo com as bicicletas de aro 20”: ouvia-se muito barulho a cada manobra bem executada pelos pilotos. Os finalistas foram divididos em grupos de cinco, cada um com direito a duas voltas na pista e, ao final, ainda mais uma entrada para a execução da melhor manobra. Era nesse momento que os pilotos tentavam se superar e mostrar para todos o que há na ponta da evolução desse esporte. Além de demonstrações de estilo e coragem nas longas transferências de uma rampa para outra, e no desafio das maiores rampas da pista, manobras de alto nível técnico foram executadas pela primeira vez em uma competição.
Como aconteceu ano passado, o canadense Drew Bezanson dominou todos os obstáculos da pista e apresentou um conjunto de manobras que animou a plateia e impressionou os juízes. Suas voltas tinham uma boa mistura de manobras de alto nível técnico, muita velocidade e altura nos saltos, fazendo transferências entre rampas que não foram feitas por mais ninguém. Drew, então, defendeu seu título e conquistou novamente a medalha de ouro. Seguindo o canadense, em segundo lugar, estava o jovem piloto Brett Banasiewicz que, com apenas 17 anos, já firmou seu nome no cenário mundial de BMX Freestyle. Já a medalha de bronze ficou com outro jovem piloto, o estadunidense Dennis Enarson, que provou novamente porque está sempre entre os favoritos aos primeiros lugares, com variedade de manobras e um estilo cada vez mais apurado.
André Jesus ficou com o 14º lugar, um resultado ainda melhor do que o 19º conquistado ano passado. Para os dois brasileiros que voltaram a Tallinn esse ano, marcar os seus nomes em mais um grande evento internacional foi o mais importante. Assim, o BMX brasileiro se mostra cada vez mais forte mundo a fora.
Texto e fotos: Caio Andrade
MARATONA RAVELLI 2011 (2 PÁGINAS)
No dia 13 de fevereiro aconteceu a 1º Etapa da Maratona Ravelli de MTB, na cidade de Itu, interior de São Paulo. A organização, liderada por Márcio Ravelli, montou uma grande estrutura em frente ao Estádio Municipal Dr. Novelli Júnior, para receber cerca de 1.000 competidores que foram divididos em 13 categorias para o percurso Pró de 55 km, e 10 categorias para o percurso Sport de 35 km.
Na categoria Sport, o destaque foi Edgar Fernando Coletti, que completou os 35 km em 1h17min24seg. A categoria Pró contou com um percurso mais longo e desafiador, com ressalva para um single track de 13 km, passando por uma grande plantação de eucaliptos e um riacho com pedras soltas, que testou o preparo físico e técnico dos atletas, neste início de temporada. O grande campeão foi Daniel Carneiro, com o tempo de 2h07min12seg.
A prova teve a participação da equipe Merida, já com seu novo piloto, Thiago Aroeira. A equipe Scott também marcou presença, com a campeã Isabella Lacerda, e Frederico Marino, que foi escolhido para o novo projeto olímpico, desenvolvido pela equipe, em parceria com o ex-piloto de Fórmula 1, Christian Fittipaldi. Christian também participou do evento, na categoria Master B.
CLASSIFICAÇÃO
ELITE MASCULINO
1 - Daniel Carneiro Brum - 2:07:12 - Avulso
2 - Rubens Donizete - 2:08:41 - Merida/Infante
3 - Alexandre Mantovani - 2:09:15 - Passion
4 - Thiago Aroeira - 2:09:35 - Merida / TMP
ELITE FEMININO
1 - Isabella Lacerda - 2:53:12 - Scott / Formula
2 - Tatiane Cristina - 3:00:55 - Lobo Sport Bike
3 – Valéria Conceição - 3:07:03 - Avulso
4 - Tamara Persoti Neto - 3:11:35 - AAP
Esta prova teve a cronometragem da VM3 Assessoria Esportiva com apoio da Equipe Endurance Bike, cobertura do Blog do Professor Arnaldo; fotos e cobertura da Equipe Bike Amparo.
As mulheres no GP Ravelli
Márcio Ravelli comemorou, com grande entusiasmo, a adesão significativa das mulheres iniciantes, logo após a divulgação da competição pelo canal feminino CicloFemini. No total, 82 mulheres participaram do GP. Esta divulgação foi fundamental para que muitas mulheres tomassem coragem, e fizessem sua estreia na competição.
Este foi o caso da Elaine Navarro, organizadora do passeio Pedalada das Meninas, que contou com o forte incentivo do marido, tomou coragem e fez a inscrição. A atleta demonstrou seu grande potencial, e já subiu ao pódio: conquistou a terceira colocação.
Com a colaboração do CicloFemini, o GP Ravelli se preparou ainda mais para receber as mulheres, e mostrar a todas elas o quanto são importantes no esporte. Elas receberam uma camiseta com uma logo de cor diferenciada, e na premiação, receberam roupas femininas e bijuterias. É o lado cor de rosa do GP Ravelli, cada vez mais forte!
Colaboração: Antonio Merlo – Bike Amparo / Cláudia Franco
Fotos: Bike Amparo / Adilson Sestenari
Descida das Escadas de Santos - SP
Downhill Urbano
05/02/2011
Reportagem, fotos e texto: Álvaro Perazzoli
A brasileira Luana de Oliveira é tricampeã e o equatoriano Mario Jarrin vence a disputa que teve mais de 130 competidores
Manhã de céu azul, temperatura beirando os 37 graus, som de helicóptero, movimentação incomum de pessoas, carros, apitos sincronizados e gritos ecoam na entrada da cidade do litoral paulista.
É a nona edição do DHU (Downhill Urbano de Santos), agora chamado Descida das Escadas de Santos. A prova reuniu competidores do Brasil e diversos países entre os dias 3 e 6 de fevereiro. A brasileira Luana de Oliveira foi a campeã da elite feminina e o equatoriano Mário Jarrin foi o vencedor da elite masculina.
Fotos - IMG_2320.jpg (luana)
Foto Pódio masculino - IMG_2287.jpg
O evento é uma adaptação do Downhill (esporte individual de descida em montanhas) ao ambiente urbano, e é realizado em uma sequência de escadas que serve de acesso às residências dos moradores de Monte Serrat - local onde, em 1927, havia um cassino no alto do morro, que foi desativado em 1946, após a proibição do jogo no país. O lugar tem uma das mais belas vistas da cidade.
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Foto Bondinho - IMG_2195.jpg (Legenda Bondinho que dá acesso ao morro, a tecnologia de pêndulo deu origem a música “Funico Li, Funico lá”)
Foto paisagem
A escadaria conta com 417 degraus, curvas acentuadas e patamares irregulares. Para a edição deste ano foram preparados saltos, gaps, e passagens estreitas. Os atletas mais experientes atingiram a velocidade de quase 60 km/h.
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Foto piloto no gap da curva
Essa combinação proporcionou quedas espetaculares e uma visão de camarote aos moradores que acompanhavam tudo a centímetros dos pilotos.
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Foto público
“Esse evento traz alegria para o morro. É muito bom para divulgar Monte Serrat”, conta o casal de moradores Joca de Freitas e Zefinha Oliveira, que acompanharam as descidas através da janela de casa.
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Foto casal
De acordo com Raul Chavarria, responsável pelo portal Dh Brasil, o fato da pista aparentar ser mais rápida, com as modificações e obstáculos, a tornou mais perigosa.
“Em alguns pontos a pista deveria ter sido melhor trabalhada, tanto que houve alguns acidentes mais sérios nestes trechos. Esses locais mereciam uma atenção maior”, conta Raul que também é piloto de Downhill.
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Foto Raul globo
Um dos acidentes mais graves foi com a equatoriana Diana Margraff que fraturou o dedo.
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Foto acidentes
A competição é uma das provas mais aguardadas do ano, e uma das mais conhecidas e divulgadas do país. Segundo a PM, aproximadamente três mil pessoas compareceram no domingo.
Wallace Miranda, Djone Fornari, Luana de Oliveira, Bruna Ulrich e Markolf Berchtold eram os pilotos brasileiros favoritos. Entre eles estavam estrelas internacionais como o sul-africano Greg Minnar, tido como um dos maiores nomes do DH mundial, o carismático Cedric Gracia, da França, o inglês Marc Beaumont, o eslovaco Filip Polc, campeão do ano passado, Cris Van Dine e Melissa Buhl, dos EUA, entre outros nomes.
Muitas estrelas e favoritos ficaram de fora da final no domingo, como Greg Minnar, estrela internacional que participou pela primeira vez na competição.
“O nível de dificuldade é muito grande e bem diferente. Muitos pilotos bons não conseguiram um bom resultado, como o Greg Minnar que veio aqui pela primeira vez e não conseguiu ser Top 10”, conta o americano Cris Van Dine, que arriscou um espanhol e frisou a palavra “difícil” inúmeras vezes na entrevista, se referindo à pista.
Foto Cris Van Dine - IMG_2335.jpg
No domingo, Markolf, que foi o terceiro piloto mais rápido do sábado, teve um problema com a bicicleta, em sua descida na final, e não conseguiu o pódio. Wallace Miranda também não teve sorte e deixou a prova após quebrar a roda no início de sua descida.
Foto Markolf - IMG_2117.jpg
Foto Wallace - IMG_2118.jpg ou IMG_2172.jpg (com a legenda Wallace desolado após a quebra)
Djone Fornari era uma das principais esperanças brasileiras, mas seu reinado foi interrompido após uma queda. O atleta foi o terceiro colocado – o melhor brasileiro na categoria elite masculina.
Foto Djone - IMG_2260.jpg ou IMG_2211.jpg
Foto Djone em ação - IMG_2222.jpg ou IMG_2223.jpg ou IMG_2225.jpg
A descida de Cedric foi um show a parte, na concentração próxima ao gate, o atleta repetia palavrões em português em tom de brincadeira. Sua descida foi muito limpa e lhe garantiu a segunda colocação, com uma diferença de pouco mais de 1 segundo do primeiro colocado.
O campeão foi o equatoriano Mario Jarrin, que soube se aproveitar dos erros dos adversários e fez uma descida impecável. O atleta explicou que a pista estava difícil e contou com a sorte, em função das quedas dos principais favoritos.
Na categoria feminina, Luana de Oliveira, atleta de apenas 19 anos da cidade de Itu, SP, reinou na prova pela terceira vez. Emmeline Ragot da França segurava a coroa até Luana entrar na pista para fechar o melhor tempo da prova: 1min09s559.
Foto luana – IMG_2325.jpg ou IMG_2321.jpg
Foto Luana
A vitória de uma competidora brasileira em uma das mais importantes e visíveis provas do país fechou a grande festa em Santos que integrou pilotos, moradores do morro, empresários, imprensa e principalmente o público.
Foto Lu x Chouson - IMG_2261.jpg (Para 2012 fica a expectativa da batalha com a francesa Anne-Caroline Chouson)
Inscrição
O crescimento do evento traz uma crítica antiga: o valor das inscrições, que foi R$ 150,00 em julho e agosto de 2010, e subiu gradativamente até o valor de R$ 500,00 em janeiro e fevereiro.
O piloto de São Roque, Alexandre Costa, o “Juquinha”, conta que veio apenas prestigiar os pilotos de sua cidade porque não conseguiu se inscrever devido ao valor.
“Eu não estou correndo hoje porque não consegui grana para fazer a inscrição. O brasileiro deixa tudo para fazer na última hora, mesmo assim o valor de R$ 500,00 é meio puxado”, diz Alexandre.
Marcelo comenta que o alto valor não é para lucrar mais, mas justamente para a pessoa não se inscrever nessa época. “Esse não é um evento de final de semana que você pega e larga daqui 10 minutos. Queremos que a inscrição seja feita em julho e agosto” afirma Marcelo, responsável pelo evento”.
Foto Marcelo - Marcelo Coelho.jpg
“Eu acho que é muito desleixo por parte de alguns pilotos deixar a inscrição para ser feita na última hora. Esse é um jeito do Marcelo filtrar e uma proteção para ele saber o que irá fazer em cima do número de inscritos” comenta Raul Chavarria.
De acordo com a organização, a inscrição não altera em nada o orçamento, em vista do montante arrecadado. “O valor fica para a Liga de Ciclismo de Santos e não entra na receita do evento. Tudo que a gente quer é que as pessoas se inscrevam antes”, declara Marcelo Coelho.
Deterioração na Escadaria
A comunidade de Monte Serrat se mobiliza para a realização do DHU e muitos moradores participam na organização, mas nem todos estão satisfeitos e aprovam o evento.
É o caso de Luiz Antônio dos Santos, conhecido como “Toninho Mancha”. Ele conta que foi feito somente um “maquiamento” na escada para a transmissão da rede Globo. “Eu pensei que ia mudar, mas continua a mesma coisa, as rachaduras continuam, apenas pintaram e lavaram a escada”.
Foto Toninho - IMG_2154.jpg
“O Marcelo falou que quando a Globo viesse ele ia arrumar a escada, e na verdade só pintaram e lavaram. Faz 16 anos que a gente vive na porcaria. Se me pintarem também vou ficar bonito”, afirma Luiz.
O idealizador da Descida das Escadas de Santos conta que recuperou o lugar; uma semana antes da competição a escada estava totalmente destruída, e o evento fez com que ela fosse reconstruída. “A empresa que cuida do encanamento deixou uma fenda de 100 metros aberta. Sabíamos que ela não seria tapada se não houvesse o evento”.
“Isso não é um problema nosso, mas um problema administrativo da prefeitura. Nós apenas íamos tapar os problemas que a própria companhia de encanamento fez, não tenho o poder de reconstruir” explica Marcelo.
O organizador recomenda que a comunidade toda se mobilize para fazer um ofício à prefeitura, para que seja feita essa manutenção na escadaria do Monte Serrat.
Cobertura
A Rede Globo, nesta edição, disponibilizou câmeras com gruas por todo o circuito, links com repórteres, câmeras on boards nos pilotos, imagens aéreas e uma cobertura ao vivo para todo o Brasil.
A emissora contratou os melhores atletas do sábado que não se classificaram para utilizarem uma câmera no capacete e filmarem os atletas na final. Um desses bikers foi o mineiro Gabriel Giovanini que ficou na segunda colocação da Junior no dia anterior.
“É divertido, o fato de poder andar aqui hoje é bem legal. Se não tivesse fazendo isso estaria apenas assistindo”, conta Gabriel, atleta que é da cidade de Juiz de Fora, MG.
Foto pilotos que fizeram câmera on board - IMG_2192.jpg (Legenda, pilotos contratados para filmarem a comeptição)
Raul Chavarria, comentarista da Rede Globo na transmissão do evento, explica a necessidade de se ter um especialista nas coberturas de Ciclismo Extremo. “O fato dos jornalistas não conhecerem nosso esporte faz com que não sejam citadas informações importantes e dados incorretos são divulgados, como dizer que a bicicleta usada aqui é igual a uma comum”.
De acordo com Marcelo Coelho, idealizador do evento, a imprensa tem um papel fundamental e o DHU cresceu por causa dela. “A entrada de uma TV aberta fez com que o evento se proliferasse”, destaca.
“Cobrir este evento é incrível, você está no meio de pessoas com muita atitude que levam o esporte ao extremo”, fala Professor Arnaldo, conhecido pelo Blog do Professor Arnaldo.
A Descida das Escadas de Santos contou com grandes marcas patrocinadoras que não são do mercado de bicicletas. Segundo o organizador, o orçamento foi de aproximadamente 1 milhão de reais. De acordo com Marcelo Coelho os recursos vieram de fora, através da Lei de Incentivo ao Esporte.
O evento já teve erros graves no passado, mas a edição atual mostra um amadurecimento na forma de se organizar e promover eventos de ciclismo no país. A sala de imprensa, uma assessoria de comunicação, o patrocínio de empresas fora do setor de bicicletas e a forte presença de estrelas internacionais são modelos que devem ser seguidos por outros organizadores brasileiros.
Resultados
Elite Masculina
1º Filip Polc (BRA) - 1min00s102
2º Walace Miranda (BRA) - 1min00s656
3º Markolf Berchtold (BRA) - 1min00s702
Elite Feminina
1º Luana Oliveira (BRA) - 1min12s606
2º Bruna Ulrich (BRA) - 1min13s152
3º Emmeline Ragot (FRA) - 1min16s053
Master A
1º Leandro Campovila (BRA) - 1min01s752
2º Rodrigo Luís Costa (BRA) - 1min04s654
3º Anderson Luís Robl (BRA) - 1min06s200
Master B
1º Sebastian Vasquez (CHI) - 1min05s204
2º Carlos Eugênio Cesca (BRA) - 1min12s609
3º Eduardo Loureiro (BRA) - 1min13s255
Master C
1º Marco Antonio Lira (BRA) - 1min11s102
2º Juanjo Valverde (BRA) - 1min13s953
3º Sérgio Henrique de Almeida (BRA) - 1min16s502
Master D
1º Francisco Maame (BRA) - 1min15s555
2º Ednílson Ribeiro (BRA) - 1min21s358
3º Edmundo Damas (BRA) - 1min27s154
Sub 30
1º Leonardo Caveghagni (BRA) - 1min11s957
2º Márcio dos Santos (BRA) - 1min15s152
3º Carlos Fernandes da Silva (BRA) - 1min16s35
Sub 23
1º Jefferson Araújo (BRA) - 1min04s704
2º Bruno Spader (BRA) - 1min04s900
3º Tiago Nilton Polzin (BRA) - 1min05s954
Júnior
1º Gustavo Formagio (BRA) - 1min06s251
2º Gabriel Giovannini (BRA) - 1min06s450
3º Kayo Cardoso (BRA) - 1min07s800
Juvenil
1º Silvio Felix Júnior (BRA) - 1min08s505
2º Francisco Matias (BRA) - 1min15s502
3º Bruno Bacco (BRA) - 1min17s207
Infanto
1º Bernardo Destefani (BRA) - 1min40s554
2º Rodrigo Camara (BRA) - 1min42s203
3º Matheus Westin (BRA) - 2min31s557
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XVI Mountain Bike Intercity
Onça de Pitangui – MG
O que dizer de uma competição que consegue reunir 307 atletas inscritos logo no início do ano? A resposta é “SUCESSO”! Alguns dizem que este sucesso se deve à premiação, no valor de R$ 8.000,00; outros dizem que é por causa do almoço servido aos atletas após a prova, e outros por ser um dos mais exigentes trajetos para mountain bike, com 35,6 km, e grande variação altimétrica.
Mas o sucesso deve-se, principalmente, à tradição da prova, que está na 16º edição. Isso mesmo – 16 anos de tradição, não é para qualquer competição! Este ano a prova foi realizada em 30 de janeiro e, como em todas as edições, organizada por Marcelo de Oliveira.
Sob um calor de 32 ºC, a prova foi marcada por muitos rachas. Na categoria sub-23, os pilotos Rodrigo Silva Rosa e Miguel Wutkowsky dos Santos lutaram até o final da prova, guidão a guidão, e cruzaram a linha de chegada com diferença de 1seg, com Rodrigo vencendo o “pega”.
O melhor tempo da prova foi de César Gonçalves Moura, que correu na categoria sub-35 e terminou o percurso em 1h24min35seg. Logo na largada, os atletas tinham que encarar a Serra da Santa Cruz, com cerca de 2,7 km de subidas muito exigentes. Depois, mais subidas, como a Serra da Caulim, proporcionavam um visual muito bonito. Como “tudo que sobe, desce”, os atletas curtiram descidas quilométricas, registrando velocidades de até 79 km/h.
Na elite masculina, Geraldo Rodrigues foi o campeão, com Gustavo Ricardo dos Santos em segundo e Júnio Alves Vieira em terceiro. Entre as mulheres, destaque para Isabella Moreira Lacerda, que impôs um ritmo forte desde o começo, e não deu chances para as adversárias. “Estou muito feliz com o resultado desta primeira prova do ano. A competição foi dura, o calor estava intenso, mas consegui largar forte e manter um bom ritmo até o final”, comentou a campeã. Em segundo lugar ficou Aline Lombello e, em terceiro, Márcia Helena.
Outro destaque da prova foram os para-atletas. Um deles, Athos Martins Costa, não tem parte do braço esquerdo. Ele foi um guerreiro, e subiu bravamente a Serra da Santa Cruz entre os primeiros colocados da categoria sub-30. A organização da prova pretende criar uma categoria exclusiva para estes atletas. A maior reclamação foi a falta de água nos pontos de apoio. Mas no geral, nota-se uma boa evolução desta competição: a precisão na apuração, as inscrições on-line, o horário de largada, a entrega dos prêmios, a dedicação da organização, e a grande presença de atletas e público garantiram a satisfação e o sucesso do XVI MTB Intercity de Onça de Pitangui – MG.
Resultados
Elite Masculino
1- Geraldo Rodrigues da Silva (Brou Aventura / Tripp) 01:25:42
2– Gustavo Ricardo (LM Bike / Tripp / Pedal.com.br / Specialized) 01:26:01.89
3– Júnio Alves Vieira (CEMIL / Patos de Minas, MG) 01:29:34.39
Elite Feminino
1– Isabella Lacerda (Scott / Fórmula Bike / Pedal.com.br / Optic Nerve) 01:53:52.56
2– Aline Lombello (Ophicina Bike Shop / São João del Rey) 02:03:18.77
3– Márcia Helena (Greem Max / Lagoa Santa, MG) 02:05:16.76
Colaboração: André Moises de Oliveira
Fotos: Wisley Costa/ André Moises de Oliveira
Copa América de Bicicross 2011
Indaiatuba – SP
Bianca Quinalha, do Brasil, e Augusto Castro, da Colômbia, vencem.
A Copa América de Bicicross, após cinco anos em Paulínia, teve sua primeira edição em Indaiatuba; e um grande público compareceu à pista do Parque Ecológico, para torcer pelos pilotos brasileiros. O novo traçado da prova, mais veloz, tornou a disputa mais dinâmica. E as novidades não pararam por aí.
Ramiro Marino, argentino bicampeão da competição, e Renato Rezende, atual vencedor, brigaram até o fim: mas a Copa América de Bicicross 2011 premiou um novo campeão. O colombiano Augusto Castro ganhou todas as baterias que disputou, e conquistou, pela primeira vez, o título do evento. Agora o número de títulos entre brasileiros e estrangeiros está empatado.
As eliminatórias tinham oito pilotos em cada bateria, dos quais os quatro primeiros avançavam para a próxima fase. Nas quartas de final, Hugo Osteti chegou em primeiro e Renato Rezende foi o terceiro. Na semifinal, Deivlim Balthazar e Augusto Castro foram os destaques da primeira bateria; Ramiro Marino, Renato Rezende e Hugo Osteti, na segunda bateria, também seguiram para a grande final.
Na bateria final, quando todos apostavam no duelo entre Rezende e Marino, Augusto Castro roubou a cena e, diante de mais de duas mil pessoas, cruzou a linha de chegada em primeiro lugar, no tempo de 33seg033. Renato Rezende, de Paulínia (SP), chegou em segundo, com 33seg234, e o argentino Ramiro Marino foi o terceiro, com 33seg236. Augusto destacou que a vitória é o primeiro passo rumo aos Jogos Olímpicos de Londres, 2012. “Não tenho dúvidas que é um passo importante, pois me dará ainda mais motivação para seguir trabalhando em busca deste objetivo. Adorei o convite para estar aqui e sempre que puder voltarei.”
Renato Rezende queria o bicampeonato, mas não saiu triste de Indaiatuba. “Queria ganhar, o que é normal. Mas este segundo lugar tem sabor de vitória em razão da força do evento. Esta pista é perfeita para pilotos de força e não para mim, que sou mais técnico. Agora vamos focar na preparação que faremos na Europa visando conseguir uma vaga em Londres”, declarou.
Entre as mulheres, a brasileira Bianca Quinalha, de Sorocaba (SP), conquistou o primeiro lugar, em 33seg308. Para a atleta, de apenas 17 anos, o título também é inédito. “Depois de ter ido bem, acabei errando na largada da bateria final. Felizmente consegui me recuperar e vencer aqui”, explicou a campeã, que completou sua terceira participação na Copa América de Bicicross.
Integrante da equipe nacional, ela seguirá para a fase de treinamento na Suíça, visando obter pontos para Londres e, de imediato, a participação no Mundial de Dinamarca, marcado para julho, em Copenhagen. "Vamos participar das provas que contam pontos, e tentar garantir a presença nos Jogos de 2012", finalizou a piloto. Joana Correa, com o tempo de 34seg110, chegou em segundo, e Thaynara Chaves, em 34seg231, completou o pódio.
Resultados
Masculino –
1) Augusto Castro (COL), 33seg033.
2) Renato Rezende (BRA), 33seg234.
3) Ramiro Marino (ARG), 33seg236.
Feminino –
1) Bianca Quinalha (BRA), 33seg308.
2) Joanna Correa (BRA), 34seg110.
3) Thaynara Chaves (BRA), 34seg231.
Colaboração: MBraga Comunicação
TEM MAIS FOTOS EM: http://www.mbragacom.com.br/fotos.php?page=1
(4 PAGINAS)
RED BULL DIRT PIPE 2011
Victoria – Austrália
04/02/2011
Em meio à região alpina, 120 metros esculpidos na terra vermelha da Austrália: um circuito cuidadosamente moldado arrancou expressões atemorizantes dos pilotos – um elenco de estrelas internacionais do BMX. As intimidadoras paredes verticais do “tubo”, que em alguns pontos chegaram a mais de oito metros de altura, proporcionaram saltos espetaculares. O formato do evento foi re-projetado para um jam-session; pontos e prêmios foram distribuídos para melhor execução e melhor “passeio na parede”.
Os dias de preparação quebraram o gelo dos pilotos, que ainda estavam se entendendo com o tamanho do tubo. Lee e Clint Bensley Kirkman demonstraram muita habilidade, confiança e talento, realizando alguns grandes movimentos em velocidades insanas.
Na hora do “pra valer”, o tubo testemunhou passeios fluidos, velozes e cheios de truques, onde cada atleta tinha uma hora para mostrar a que veio. Mike ‘Hucker’ Clarke, no melhor estilo californiano, voou alto e realizou manobras alucinantes, nunca feitas sem um sorriso no rosto, e ficou em terceiro lugar.
Mas foi a tripulação do hemisfério sul que brilhou mais. Uma dupla da Nova Zelândia simplesmente arrasou, e foi além das expectativas de todos. Paul Langlands fez descidas maravilhosas, grandes movimentos, incluindo um backflip e, ao contrário de muitos, montou sua sessão de uma hora inteira – o que resultou no segundo lugar.
Jed Mildon superou todas as paredes em uma corrida que incluiu um enorme 360, flip-down e hip-flip; ele colocou a cereja no bolo: executou o maior flip visto em solo australiano: grande, lento e suave. Seu foco total, determinação e resistência incrível o levaram ao primeiro lugar – e não poderia ter um vencedor mais merecedor.
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Pedal em Família
Como muitos esportes, o ciclismo é uma atividade solitária. É bem verdade que procuramos nos cercar de amigos nas pedaladas, e conversamos uns com os outros, tanto pedalando quanto descansando. Todavia, no fim de um longo dia de esforço, está cada um por si, focado no que o próprio organismo está sentindo, tentando tirar toda a energia que puder dos músculos e órgãos tão duramente exigidos.
Porém, ansiamos por companheirismo; e pode perguntar a cada ciclista que encontrar, “com quem você mais queria estar pedalando hoje?” A resposta seria, invariavelmente: “minha esposa (o).” Mas como é difícil encontrar duas pessoas que se amam praticando o esporte juntos! O marido e a mulher compartilham tantas coisas, entretanto, na hora de sair de bicicleta, ele (ou ela) apronta-se sozinho, e sai deixando o outro para trás.
Os bikers também falam que desejam muito a companhia dos filhos (as) ou netos (as). Mas, em anos de pedal, também não vi isto acontecer com regularidade – com uma exceção...
Quando vejo Márcio e sua família, tenho que gritar: “Aleluia, Deus seja louvado!” Existe esse exemplo vivo para nos mostrar que pedalar em família é possível! Você pode pensar que ele tem sorte. Sim, cada um deles teve esta felicidade: Dilian (a mãe, 38 anos), Marlon (o primogênito, 13 anos), Matheus (o caçula, 7 anos) e o guerreiro Márcio (pai, 38 anos), e graças a isto todos têm saúde, ele tem um trabalho que permite que a família tenha tempo, alimentação e dinheiro para pedalarem juntos. Mas não é só sorte.
Imagine a relação afetiva que existe entre este homem e esta mulher, que faz com que a ligação extrapole as divisões de tarefas no lar, e queiram conviver em outro ambiente, em condições diferentes. Pense no entrosamento que existe entre este pai e seus dois filhos, que faz com que os garotos queiram estar com ele o tempo todo, até fazendo força no pedal. De alguma forma, Márcio conseguiu passar para sua família que o ciclismo é sadio e prazeroso. Esta disposição e este caráter conseguiram esta coisa inaudita e que dá tanta satisfação de ver: uma família toda pedalando junto. Hoje, a família conta, também, com uma bike tandem, na qual Márcio e Matheus seguem em passeios mais distantes.
E assim, o espetáculo se repetiu mais uma vez, para quem quisesse ver, no 1º Passeio para Iniciantes de 2011. Márcio (que é um dos fundadores do Clube Adventure Bike e Trekking de Volta Redonda – RJ), com aquele vozeirão, atendia a uns, falava com outros; desta vez não ia liderar o passeio, puxando a pedalada, mas ia com a missão de dirigir o carro de apoio, com Matheus ao lado como co-piloto, atento a tudo. Dilian, cercada de mulheres ciclistas, conversava animadamente, e depois pedalou vigorosamente, subindo os morros a caminho de Getulândia. Marlon, um jovem que cresce a olhos vistos, fazia a trilha com o entusiasmo dos que começam a conquistar a vida e a liberdade. Os mais de 50 bikers participantes do passeio tiveram o privilégio de ver esta família de ciclistas. Parodiando o Salmo 128, “o ciclista que vive de acordo com a vontade de Deus, será feliz e tudo dará certo para ele. Sua mulher será hábil no pedal, e seus filhos andarão nas bikes a sua volta”.
Texto: José Adal
Fotos: José Adal e Fabiano
Alforjes
Por Paulo de Tarso
É crescente o número de aficionados por bicicletas que aproveitam os finais de semana, ou as férias, para fazer uma viagem de bike de forma autossuficiente, isto é, levando consigo tudo o que vão precisar durante a viagem. A melhor forma de levar sua bagagem, ao invés de mochilas nas costas ou bolsas amarradas de qualquer jeito no bagageiro, é utilizar bolsas próprias para viagens de bicicleta – os chamados alforjes.
Pessoalmente, não gosto de utilizar alforjes nas rodas dianteiras, pois acho que atrapalha muito a dirigibilidade da bicicleta; prefiro utilizar bolsas de guidão. Mas para viagens muito longas, mais de aventura, onde tem que se levar tudo – isso inclui comida e barraca – aí talvez não tenha jeito.
É importante fazer um excelente planejamento com antecedência, para levar somente o necessário. Quanto mais leve a bike, melhor!
Mas fique atento: o grande segredo de um bom alforje é a forma de fixação no bagageiro da bicicleta. Ele deve ficar firme para aguentar buracos sem cair, e ser fácil de colocar e retirar. O ideal é que a instalação não leve mais do que um minuto. Se tiver muita coisa para amarrar não recomendo - após vários dias essa dificuldade pode irritar até os mais calmos.
Outro fator importante que deve se levar em conta é a proteção contra a chuva. Muitos modelos já vêm com uma capa de proteção extra, outros mais modernos, e também mais caros, vêm com costuras seladas que dispensam o uso dessas capas.
Por mais modernos que sejam os alforjes, é importante separar as roupas em sacos plásticos. Para quem tem uma melhor disponibilidade, existem equipamentos apropriados para tal finalidade, como os sacos estanques da marca australiana Sea to Summit.
No Brasil há vários modelos de alforjes existentes no mercado. Em minhas viagens testei a maioria deles, e nesta matéria destacarei algumas marcas: Solid Sport, Deuter, Pró Bike e Topeak. Em todas as marcas são vários modelos que variam normalmente no tamanho. A escolha do modelo ideal vai depender da quantidade de equipamentos e vestuário que o cicloturista terá que levar na viagem planejada.
Solid Sport – Uma das principais marcas nacionais que fabrica alforjes e acessórios para cicloturismo. Produz três modelos com tamanhos diferentes de alforjes, e também modelos de bolsa para o guidão.
www.solidsport.com.br
Alforje Box - Par de alforjes fabricado em cordura e EVA moldado na parte de trás. Cordura é um material de altíssima resistência, e o EVA evita o engate nas rodas. Cada alforje suporta 9,5 litros, somando um total de 19 litros. Para acoplar ao bagageiro, basta encaixar os ganchos e prender com o
extensor no bagageiro. Vem com capa de chuva. Medidas 29 x 21 x 14 cm.
Alforje Box Grande - Mesmo design, mas um pouco maior. Cada alforje comporta 16 litros, somando um total de 32 litros.
Alforje HJ2 Quick - Bolsa com engate rápido para bagageiro da bicicleta, fabricada em nylon 600. Fácil de colocar e de tirar. O zíper abre em toda a volta, dando acesso fácil ao interior da bolsa. Bolsos internos e externos ajudam a organizar a bagagem. Possui alça de mão e tiracolo, fita refletiva e capa de chuva. Vem com todos os acessórios para instalação do rack de engate. Capacidade: 8,5 litros. Peso: 900 gramas. Medidas: 35 x 16 x 15 cm.
Bolsa de Guidão Basket - Bolsa dianteira, fabricada em nylon 600, com engate rápido, fácil de colocar e de tirar da bike. Bolso externo frontal com zíper, mais dois laterais de “telinha”. Porta mapa com velcro. Vem com ferramenta para instalação. Capacidade: 8 litros. Peso: 700 gramas. Medidas: 26 x 13 x 24 cm (altura).
Topeak – Marca americana que tem como uma das principais características o encaixe do alforje no bagageiro, dando mais firmeza. Os modelos oferecidos são menores, para viagens mais curtas de poucos dias, tipo Caminho da Fé ou Praias da Bahia. O Modelo RX Trunk Bag DXP e EXP tem a possibilidade de aumentar o espaço.
www.topeak.com
Destaque para o alforje DynaPack com bagageiro traseiro para canotes de selim com alforje embutido. Ideal para aqueles que buscam capacidade superior ao que é oferecido pelas bolsas de selim. Fabricado em dennier 600 e EVA rígido com tratamento. Vem com capa de chuva, tira refletiva 3M e tira para fixação de sinalizadores noturnos. Oferece capacidade de 5,28 litros. O bagageiro de canote se adapta a canotes de 25,4 mm à 34,9 mm. O peso total (bagageiro + alforje) é de 430 gramas.
Deuter – Esta marca alemã, fundada em 1898, é a que oferece a linha mais completa e variada nos tamanhos.
www.deuter.com.br
Os modelos de alforje Rack Pack e DS Rack Pack possuem versões dianteiras (LR LowRider) e traseiras. Porém, a versão LR foi projetada de forma a também poder ser usada no bagageiro traseiro, o que é uma boa opção para quem quer alforjes traseiros menores.
O modelo Rack Pack é o alforje tradicional da Deuter (antigo Rack Pack II), que utiliza, para fixação no bagageiro, o sistema Quick Lock 1 da Ortlieb, e permite o engate e desengate de forma simples e segura. Para garantir uma proteção extra ao equipamento transportado, possui capa de chuva embutida.
Rack Top Pack e Trail completam a linha de alforjes. O primeiro é ideal para passeios de bicicleta e pedaladas urbanas. Ele é leve e fácil de montar em praticamente qualquer bagageiro. Já o Trail é para ser colocado no guidão e é ideal para cicloviagens, pois possui um porta-mapa, além da capa de chuva embutida.
Pró Bike – Empresa brasileira especializada na fabricação de acessórios e equipamentos para cicloaventura. Possui modelos de alforjes Ciclotur, Pró, Top e Mtb.
www.probike.com.br
Alforje Ciclotur: com desenho exclusivo, mantém-se totalmente preso à bicicleta, dando maior estabilidade; tem grande capacidade de armazenamento e tem fixação fácil e prática. Ideal para cicloturismo. Peso: 1.350 gramas. Capacidade: 25 litros cada lado.
Alforje Pró: com exclusivo e prático sistema de fixação. É muito prático, leve, pode ser utilizado como alforje dianteiro ou traseiro, e também pode ser fixado individualmente em qualquer tipo de bagageiro. Peso: 1.050 gramas. Capacidade: 8 litros cada lado.
Alforje Top: com fixação fácil e rápida, é muito prático. Suas características garantem que ele fique totalmente fixo ao bagageiro. Também pode ser usado como uma bolsa tiracolo por ser leve e compacto. Possui expander que amplia sua capacidade em mais de três litros. Peso: 1.150 gramas. Capacidade total: 42 litros.
Alforje Mtb: com um design exclusivo para bikes full suspention, suas características garantem uma melhor organização, praticidade e facilidade de acesso sem a necessidade do bagageiro. Peso: 410 gramas. Capacidade: 6,5 litros.
DESERTO DE ATACAMA
O deserto é um local que contamina, apavora e revela. No deserto, o jogo de luzes e sombras nos transporta a um outro universo, onde os sonhos são tão acessíveis quanto as miragens. Em metamorfoses e contrastes, lentidão e leveza, ritmo e silêncio, grandeza e voluptuosidade, o deserto resume o essencial da vida.
E foi por essa paisagem, repleta de pedras e areia, que pedalamos durante seis dias por um dos lugares mais sensacionais do planeta e que ficou marcado para sempre em nossas memórias: o Deserto do Atacama.
O Deserto do Atacama ocupa uma estreita faixa de terra entre o Oceano Pacífico e a Cordilheira dos Andes e se estende do sul do Peru ao norte do Chile. Situado a cerca de 3.000 metros de altitude, o que torna seu ar rarefeito, é um dos lugares mais secos do planeta. Em algumas localidades não chove há mais de trinta anos. Com uma rede hidrográfica pouco densa, a região é pontilhada por vulcões e lagoas e está quase sempre coberta por uma bruma espessa e salgada. A escassa vegetação que conseguiu se fixar nesse ambiente quase estéril possui mecanismos para aproveitar a pouca umidade do ar, o que explica a existência de várias espécies de cactáceas, que fazem lembrar as bromélias típicas da mata Atlântica, que se encontram dispersas, sobretudo pelas áreas mais abrigadas dos ventos.
A beleza da paisagem, os curiosos salares (depósitos naturais de sal) e gêisers de água quente atraem turistas do mundo inteiro para esse deserto sul-americano.
O Deserto do Atacama não se parece com nenhum outro deserto. O traço suave das dunas de areia esculpidas pelo vento é obra rara. Permanece a natureza violenta, provocando terremotos, erupções vulcânicas, cinzelando na terra dura e ressequida, imensos planaltos, salinas, desfiladeiros e quebradas.
A porta de entrada no deserto do Atacama é a cidade de Calama, situada ao norte do Chile. O avião pousa no pequeno aeroporto e o deserto se apresenta sem subterfúgios, em toda sua imensidão estéril. Cidade mais povoada do deserto do Atacama, com aproximadamente 120 mil habitantes, Calama se desenvolveu por abrigar ricas jazidas de cobre, nitrato de sódio, lítio e salitre, entre outros recursos naturais. Chuquicamata, o coração de cobre no deserto e a maior mina a céu aberto no mundo, emprega cerca de 60% da população local. Para quem assistiu ao filme Diários de Motocicleta, de Walter Salles, é nesta mina que Che Guevara discute com um capataz que recruta mão-de-obra e atira pedras em seu caminhão.
De lá a dica é seguir até San Pedro de Atacama e pedalar pela região.
Situada a 2440 metros acima do nível do mar, San Pedro é um verdadeiro oásis. O verde que a cerca é fruto do sistema de canais que sai do centro da cidade e se estende pelas ruelas. A cidade foi construída na desembocadura do Rio Grande, o maior entre os raros rios do altiplano, mas que morre no salar sem atravessar a cordilheira do Domeiko. A localização estratégica fez florescer neste lugar a cultura dos atacamenhos, cujos ancestrais chegaram à região há mais de 11 mil anos, embora as primeiras aldeias tenham surgido há três mil anos.
Por ser o coração da cultura atacamenha e importante centro incaico, San Pedro é considerada a capital antropológica e arqueológica do Atacama. Composta por um cenário monocromático de ruelas de chão batido e casas de adobe, tudo com cor e odor de terra, guarda importantes construções históricas. A praça central é marcada por uma majestosa igreja do início do século XVII, feita de adobe caiada, com piso de algarrobo e teto de tábuas do quase extinto cacto gigante.
A pequena e agitada rua Caracoles, também toda de terra, é o point de circulação de turistas do mundo inteiro. Restaurantes, bares, mercado, várias lojas, uma pequena feira de artesanatos e o agito dos jovens dão charme a essa pequena cidade no coração do deserto.
Mas a visita ao Museu Arqueológico Padre Gustave Lê Paige, que guarda um dos maiores acervos da cultura pré-colombiana no Chile, é visita mais do que obrigatória. Um mergulho em mais de 2000 anos de história.
As pedaladas
Pedalar por um deserto situado em grande altitude é experiência fabulosa. Em alguns momentos se tenta pedalar forte, mas em razão da menor quantidade de ar o fôlego começa a falhar.
Alguns lugares que é possível chegar de bicicleta e são lugares de visita obrigatória:
Lagunas del Salar de Atacama: formado por três mil quilômetros quadrados de depósitos de sais. A uma altitude de 2300 metros, constitui-se na maior reserva mundial de lítio, além da presença de potássio, bórax e outros minerais. Sob a crosta de sal há um imenso lago de água salobra, que aparece na superfície em forma de lagunas. Durante o trajeto todo por estradinha de terra, dentre as muitas montanhas avistadas, uma das mais altas é na realidade um vulcão, o Lincancabur. Os seus 5916 metros de altitude separam o Chile da Bolívia. A paisagem encanta.
A umidade relativa do ar é praticamente zero, nas margens da laguna Chaxa, os flamingos rosados fazem seus ninhos para depois migrar em direção às lagunas mais frias do altiplano andino. Durante o percurso é possível avistar algumas lagunas antes de atingir nossa próxima parada: duas pequenas lagunas em forma de cratera. Ali fizemos uma longa pausa para um lanche e um mergulho em suas águas geladas. Nesse dia pedalamos 70 quilômetros, o mais longo trajeto de nossa expedição.
Pukará Quitor: (Pukará significa fortaleza) não longe de San Pedro, a 3 km ao norte, seguindo o rio. Construída toda em pedra, a fortaleza do século XI conta a história da resistência dos atacamenhos até serem derrotados pelos incas em 1450, que por sua vez foram rendidos pelos espanhóis. Sua localização estratégica, como de todos outros Pukarás, tem uma vista panorâmica de toda região.
Atravesse a Cordillera de la Sal por um túnel construído em 1930. A subida faz o coração começar a bater em descompasso, os pulmões ficam ressequidos, em alguns momentos começamos a sentir tonturas, mas tudo isso é recompensado pela deslumbrante paisagem. Do outro lado do túnel começamos a descer e a paisagem vai ficando ainda mais bonita, imensas rochas dando um colorido que até então eu desconhecia. Só para ter ideia da beleza do lugar, percorremos 10 quilômetros em 3 horas, não pela dificuldade, mas sim devido às paradas para fotografar, filmar, admirar. Passado este trecho, no meio do nada, estava lá nosso caminhão de apoio, que havia seguido por outro caminho, a espera do grupo. Neste dia, para nossa surpresa, o almoço foi arroz com feijão preto.
Valle de La Luna: palavras, fotos ou filmes não são capazes de descrever o que sentimos ao admirar a beleza dessa dádiva da natureza. É simplesmente lindo!
No Valle de La Luna só há pedra e cristais de sais. Nada respira, não há plantas ou animais. Uma paisagem lunar, como indica seu nome. Mesmo diante dos pequenos oásis, onde estão agrupadas as maiores vilas do deserto, a sensação é de estarmos em outro planeta. Ao alvorecer, próximo à duna, um movimento grande de turistas, estacionando seus carros ou bicicletas, para então subir a duna e buscar um ponto estratégico em cima da rocha para assistir um dos maiores shows da natureza: o pôr-do-sol. Após escutarmos instruções do guarda parque, seguimos para o lado oposto, em cima de uma outra rocha, com vista de 360° de toda região.
Mirador Cordilleira de la Sal: um mirante com linda vista de parte da região distante 6 quilômetros de San Pedro.
Valle de la Muerte: mais uma paisagem lunar, você vai parecer estar assistindo a um filme de ficção, tamanha a beleza do lugar.
Gêiser el Tatio: de carro são três horas até o local - um festival de erupção de águas vulcânicas, foi possível até se banhar em suas águas termais que fica a mais de 3 mil metros de altitude. Vale a pena voltar pedalando de lá até San Pedro. Só cuidado com a altitude.
Caspana: um verdadeiro oásis encravado em um cânion a 3260 metros de altitude. Impressionante! Com uma população de pouco mais de 400 habitantes, o charmoso povoado é uma aldeia de agricultores e pastores que abastece a cidade de Calama de verduras e legumes.
Ayquina: um fantástico povoado às margens do rio Salado. Logo na entrada do vilarejo há uma placa com o número de habitantes: 50! Um povoado bastante curioso, parecia até uma cidade abandonada. As construções parecem obras de um engenheiro maluco, com casas construídas uma quase sobre a outra.
Salar de Turi, Paso Del Diablo , Pukará de Lazana,Cânion Del Loa, às margens do rio de mesmo nome, o maior do Chile em extensão (440 km) e o único curso que nasce nos Andes e consegue atravessar todo o deserto de Atacama, para desaguar no Pacífico e Chiu-Chiu são outros locais que devem ser visitados.
O Sampa Bikers promove viagens de bicicleta pelo Deserto do Atacama há 10 anos, com duas saídas em setembro. Esse ano as viagens acontece de 10 a 15 e 15 a 19, esta com direito a um inesquecível trekking no vulcão Lascar.
Informações do programa e como participar no site www.sampabikers.com.br
Cicloturismo no Acre
Uma imersão cultural de bicicleta
Por Aluysio Ferreira e Carolina Pontes
Integrantes da equipe do Projeto Bem Vindo Cicloturista
Que tal pedalar em meio à floresta Amazônica, cruzar igarapés em canoas ou conhecer de perto o ofício dos seringueiros? Cinco roteiros de bike, criados pelo Projeto Bem Vindo Cicloturista, permitem aos amantes da bicicleta desvendarem os inúmeros encantos do Estado do Acre.
Há opções para iniciantes e veteranos. Os cinco roteiros que formam o destino Xapuri variam de 2 a 47 km e apresentam diferentes graus de dificuldade física e técnica. Estradas de terra (regionalmente denominadas como ramais) e varadouros (trilhas em meio à selva) partem da simpática cidade que dá nome ao destino e conduzem o cicloturista a uma experiência única.
Xapuri
Xapuri está situada ao sudeste do Acre. É carinhosamente chamada de “Princesinha do Acre” devido à sua relevância durante o Ciclo da Borracha.
A cidade foi palco da Revolução Acreana em 1899, que resultou na anexação do território do Acre, antes boliviano, ao Brasil.
Xapuri é também destaque nacional quando o assunto é história ou militância pela preservação da floresta. O município é terra natal de Chico Mendes, um dos mais famosos ativistas que se envolveu na luta pela exploração sustentável da Amazônia.
O primeiro roteiro, a Trilha Sibéria de Mountain Bike, consegue aliar belezas naturais e atrativos turísticos. O percurso de 5,3 km inicia com uma travessia de balsa e segue em meio às casas típicas da região. No trajeto, é imperdível visitar a saboaria artesanal e acompanhar a fabricação de sabonetes feitos à base de óleo de cupuaçu e andiroba. Ao fim da pedalada, uma vista privilegiada do encontro do Rio Acre com o Rio Xapuri.
A aventura segue rumo ao Seringal Rio Branco. No Roteiro Xapuri – Seringal Rio Branco o cicloturista fica envolto pela floresta e enfrenta obstáculos. É preciso habilidade técnica para transpor as várias raízes expostas em meio à trilha. O clima abafado da floresta atesta que estamos próximos à Linha do Equador, mas nada de desânimo. Surpreenda-se com a biodiversidade e com o canto de pássaros. Pare, observe. Troque uma ideia com os seringueiros que vêm e vão pelas estradas de seringa. Já no Seringal, vale conhecer o artesanato em látex feito pelas mulheres da região. As peças retratam os animais da floresta.
Impossível é voltar para casa sem saber um pouco mais sobre a história do Acre! O Roteiro Nos Passos de Chico Mendes é uma interessante imersão na história do estado e na história de um dos seus mais famosos personagens: o ambientalista Chico Mendes. Nesse roteiro de 1,6 km, o cicloturista visita o Museu Casa Branca, sede da antiga intendência boliviana durante a Revolução do Acre. Pedala rumo ao Museu Xapury e conhece os instrumentos e ferramentas utilizados pelos seringueiros. O cicloturista visita ainda o Museu Chico Mendes e sua antiga casa, onde foi terrivelmente assassinado em 1988.
O modo de vida do seringueiro
Os seringueiros possuem um modo de vida simples e comunitário. Seus povoados, conhecidos como colocações, são formados por casas construídas a partir de material fornecido pela floresta e se situam próximos às estradas de seringa (caminhos que cruzam entre 100 a 120 seringueiras). As estradas são percorridas em dias alternados para não exaurir a capacidade do fluxo de leite das árvores. O número de cortes, bem como suas profundidades, também são controlados para evitar que os recursos se esgotem. Em média, cada seringueiro consegue extrair de 30 a 50 kg de látex por dia.
Para os aventureiros, o melhor ainda está por vir. O Roteiro Xapuri- Seringal Cachoeira é o mais extenso e o mais radical dos cinco percursos. São 46,6 km que mesclam estradas de terra, trilhas e travessias de igarapés. O cicloturista está todo tempo em meio à floresta. Uma experiência fascinante! O Seringal Cachoeira, palco dos embates feitos por Chico Mendes contra fazendeiros na década de 70, é o ponto final do roteiro e, hoje, integra um Projeto Agroextrativista. Famílias residentes no Seringal sobrevivem da extração manejada de madeira, da castanha e da venda do látex, além de gerenciarem a Pousada Cachoeira, localizada dentro da reserva.
Chegando à Pousada, não perca a última pedalada. Adentre com sua bike na pequena canoa e atravesse o igarapé que corre nos fundos do estabelecimento. Na outra margem, está a Trilha Seringal Cachoeira, um roteiro circular de 14 km que conduz o cicloturista ao interior da floresta. Durante o caminho, você encontrará a gigante Samaúma. A árvore rainha da Floresta possui mais de 400 anos e, para abraçá-la, são necessários mais de 26 pessoas. Ao longo do percurso são inúmeras as castanheiras. Durante a época de colheita das sementes, proteja-se com um capacete oferecido pela Pousada e previna-se de ser atingido por castanhas.
O grande diferencial destes roteiros é que todos estão sinalizados com placas e marcos que orientam os cicloturistas durante os percursos. Confira a seguir a carta de navegação do roteiro Nos Passos de Chico Mendes.
Informações: http://www.bemvindocicloturista.com.br.
Dicas para viagem:
Ao percorrer destinos mais longos, procure ser autossuficiente em água e comida. É raro encontrar moradores ou estabelecimentos comerciais no caminho.
Procure iniciar seus roteiros logo pela manhã. O calor na região é intenso e a sensação térmica é agravada pela umidade da floresta.
Leve sempre capa de chuva, principalmente quando for pedalar à tarde. A região é chuvosa o ano inteiro e são frequentes as precipitações ao entardecer.
Não se esqueça da tranca para a bicicleta para visitar os museus e demais locais.
Em Xapuri é possível encontrar com facilidade lojas que alugam bicicletas.
Use protetor solar e repelente contra insetos.
CABRAL BIKE SHOP
Lorena – SP
A Cabral Bike Shop é uma empresa familiar que atua com responsabilidade no ramo de bicicletas há mais de 80 anos. Foi criada em 1930, por Raulino da Silva Cabral, apaixonado pelo ciclismo e também responsável por umas das provas mais importantes do estado de São Paulo - Nossa Senhora da Piedade - criada na década de 60 na cidade de Lorena, no Vale do Paraíba.
De geração para geração, em 1973, quem fazia a sucessão era Roberto Cabral e Ruyter Cabral, que aprenderam muito bem a lição de manter a honestidade, a pontualidade, o dinamismo, a responsabilidade e o atendimento diferenciado, além de oferecer o que melhor havia no mercado para seus clientes. Administração vencedora, que incentivava e organizava passeios ciclísticos com recordes de até 2000 participantes; foi assim que consagraram e reforçaram a marca Cabral, no final dos anos 90, na capital da bicicleta.
Hoje, a Cabral Bike Shop se encontra com novo layout, mas os seus princípios e valores continuam os mesmos, caminhando para sua terceira geração, com os gestores Vinícius Cabral e Marcus Cabral. Juntos, os irmãos se especializaram no mountain bike e na bicicleta de estrada, para atender novos clientes e manter sua completa e atualizada linha de bicicletas e acessórios.
Além disso, Vinícius e Marcus continuam incentivando a bicicleta e juntos formaram a primeira equipe de mountain bike da Cabral Bike Shop, que representa a cidade de Lorena. “Hoje podemos dizer que somos pioneiros em nossa região, no ramo de bicicletas, e buscamos o sucesso de nossos clientes”, conta Marcus Cabral.
Rua Duque de Caxias, 34 - no Calçadão de Lorena – Centro.
Lorena/SP - CEP: 12.600-040
Fones: 012 31521784 – 012 31573145
E-mail cabralbikeshop@bol.com.br
Blog da equipe: equipecabral.blogspot.com
Niterói no Caminho das Cidades Cicloviárias
A cidade de Niterói, no estado do Rio de Janeiro, possui 485 mil habitantes (IBGE - dez/2010) e 236.850 veículos (DETRAN -dez/2010). Atualmente sofre o impacto de um crescimento acelerado, causando sérios problemas de mobilidade urbana.
Com o objetivo de avaliar, junto à sociedade, experiências e expectativas quanto ao futuro da cidade com relação ao uso da bicicleta como meio de transporte utilitário, e não somente veículo de passeio ou esporte; direcionar as implantações de ciclovias e a distribuição de bicicletários; e também analisar a possibilidade de redução de veículos nas ruas, a NITTRANS – Niterói Transporte e Trânsito S.A. - iniciou, em agosto de 2010, uma pesquisa voltada exclusivamente para o uso da bicicleta no município. A pesquisa pode ser acessada e respondida no site www.nittrans.niteroi.rj.gov.br.
Em um primeiro momento será dada preferência às ciclofaixas. Segundo o arquiteto Glauston Pinheiro, idealizador, coordenador da pesquisa e participante da Oficina Ampliada do Programa Bicicleta Brasil, do Ministério das Cidades, “a diferença entre ciclovia e ciclofaixa é que a ciclovia é segregada do trânsito, ou seja, é separada por algum elemento físico: uma mureta, algum tipo de barreira; e a ciclofaixa é uma demarcação de pintura. Por isso, estamos fazendo estudos em vários pontos da cidade, a princípio, para implantação de ciclofaixas, pela facilidade da implantação, porque as ciclovias necessitam de algum tipo de intervenção física de obra, e teríamos que replanejar ruas, fazer a canalização de águas fluviais, etc.”
O foco principal da pesquisa é coletar informações para embasar o planejamento cicloviário do Município de Niterói, com o apoio da sociedade. “Essa pesquisa foi fruto de uma pesquisa dentro da NITTRANS, sobre o uso da bicicleta. Deu tão certo que resolvemos colocar no site. Mais de mil pessoas já acessaram e responderam o formulário, e o impressionante é como as pessoas têm uma opinião embasada sobre o que elas querem. As solicitações e questões abordadas levam em conta a preocupação com a sustentabilidade e meio ambiente. Isso é bem interessante nessa pesquisa. Todas as solicitações que nós estamos recebendo dos bairros estão sendo computadas, e estamos analisando a possibilidade das implantações”, afirma Glauston.
Mas há alguns obstáculos, tanto para a pesquisa, quanto para a implantação dos projetos. Glauston relatou que “Niterói é uma cidade consolidada. Então, tem que trabalhar em cima do que já existe. Essas barreiras físicas, como o tamanho da caixa das ruas existentes, são um obstáculo. Temos que fazer uma pesquisa, um estudo e um planejamento de todos os bairros, para verificar fluxos paralelos ao dos veículos, e enfim chegarmos aos objetivos de ligar os bairros ao centro da cidade. Essa é a primeira dificuldade: pesquisar cada via, largura, capacidade, se passa ônibus ou não, o fluxo de veículos, toda a movimentação, para então verificar a possibilidade de haver uma ciclofaixa sem atrapalhar o trânsito. Outro problema é o orçamento. Para o ano de 2010 tínhamos R$ 10.000,00 disponível, que na verdade não dá para fazer muita coisa de prático. Há pouco tempo ficamos sabendo que o vereador Felipe Peixoto fez uma solicitação de verba de R$ 300.000,00 para a implantação de ciclovias e ciclofaixas na cidade. Estamos aguardando essa resposta, e enquanto isso, vamos tocar os projetos que são possíveis dentro do que temos hoje.”
Dentre os pesquisados, além da população de uma forma abrangente, associações médicas, representantes de grupos organizados, confederações de ciclistas, representantes de academias de ginástica, rádios comunitárias, grupos de passeios ciclísticos e atletas de uma forma geral têm se interessado e se colocado a disposição para colaborar com estudos e implantações.
Até o momento, 80% dos entrevistados se manifestaram a favor da adoção de medidas para implantação de ciclovias na cidade – e, em sua maioria, pessoas bem esclarecidas quanto a questões relacionadas à mobilidade, sustentabilidade, qualidade de vida, saúde e meio ambiente.
Grande parte dos entrevistados tem colaborado com possíveis campanhas, dicas, sugestões e identificação de problemas pontuais. “No que tange à colaboração da pesquisa, devemos participar preenchendo a enquete no site da NITTRANS. E a NITTRANS pode colocar outras pesquisas em pauta. Na própria enquete há um espaço em branco para cada um deixar sua opinião, e isso auxilia nesse trabalho. A implantação das ciclofaixas deve ser feita, pela NITTRANS, com base nessas opiniões da população”, destacou Antônio Ventura, 36 anos, empresário e usuário de bicicleta, que fez sugestões para melhor absorção das opiniões da população: “as pesquisas deveriam acontecer com mais frequência, e além do atual canal de pesquisa, que é a enquete no site. Acho que se a NITTRANS inserir uma pesquisa física, disponível nos estabelecimentos que comercializam bicicleta, teria um retorno não por intermédio de quem ouviu falar da enquete no site, mas sim de todo mundo que tem bicicleta, que precisa ir regular um freio, comprar uma câmara de ar nova. Assim, a pesquisa não ia depender do usuário procurar um canal específico, mas ele seria abordado pela pesquisa quando fosse a algum desses estabelecimentos.”
A NITTRANS, atenta às solicitações dos participantes da pesquisa, além da divulgação na internet, inseriu informes na rádio, na TV e na página das Barcas SA, fez parcerias com as lojas especializadas, que inseriram o link da pesquisa em suas páginas na internet, distribuiu cartões nas academias de ginástica e inseriu o sistema de divulgação nos terminais rodoviários.
Desde o início da pesquisa foram implantadas duas ciclofaixas. Uma exclusiva para treinos de ciclistas profissionais com horário restrito e outra compartilhada com pedestres de uso permanente, totalizando 6 km de ciclofaixas. “Tanto as ciclovias como as ciclofaixas são controladas pelo CONTRAN, e nós estamos seguindo realmente todas as suas regulamentações. Usamos os manuais que temos de sinalização e utilizamos todos os elementos necessários para proteção: tanto horizontal (como demarcação da pintura, instalação de tachões, refletivos), quanto vertical e aérea (como placas indicativas de uso específico de pedestres ou ciclistas, compartilhados ou não)”, assegura Glauston.
Estão em planejamento circuitos de ciclofaixas em vários bairros, com a possibilidade de interligação entre bairros e municípios. Pedro Paulo, 27 anos, usuário das ciclofaixas, atleta e jornalista, considera que Niterói possui vocação para ser uma cidade cicloviária. “Niterói é uma cidade bonita, que já esteve entre as melhores em qualidade de vida no Brasil. Temos uma orla privilegiada, litoral turístico, todos que vem para Niterói se encantam com a cidade, e temos que cuidar desse potencial, cuidar desse espaço físico. Acho que seria interessante montar cartilhas, ou mesmo uma panfletagem simples, folhetos de conscientização que mostrem para a população a importância e o porquê da implantação das ciclofaixas, ciclovias e bicicletários. Hoje as pessoas são mais individualistas, e se esse material fosse distribuído no sinal, nos estabelecimentos, através de algum programa da prefeitura, isso ajudaria a quebrar um pouco esse gelo, e faria as pessoas se aproximarem um pouco mais.”
Serão efetuadas campanhas educativas nas ruas voltadas para motoristas, pedestres e ciclistas com distribuição de cartilhas elucidativas quanto a ciclovias, Código de Trânsito, formas seguras de condução da bicicleta no trânsito, itens de segurança e formação de multiplicadores.
As pesquisas continuarão focando outros pontos ligados ao uso da bicicleta, como a implantação de bicicletários, passeios ciclísticos, dentre outros pontos importantes. Segundo Glauston, “o trabalho de pesquisa é justamente com a função de dar objetivo às implantações na cidade. Então a NITTRANS está começando contato com grupos de ciclismo, que têm apoiado nosso trabalho, nossa pesquisa; também estamos trabalhando junto com as grandes lojas de ciclismo, procurando contato com academias de ginástica e escolas, porque além das ciclofaixas e ciclovias, nossa intenção é fazer uma série de implantações de bicicletários. Vamos escolher alguns pontos na cidade para implantação e manutenção desses bicicletários, com previsão de fabricação para início de 2011. Alguns pontos da cidade já foram verificados, tanto nas Barcas, Campo de São Bento, quanto na entrada do Jacaré, que tem uma quantidade grande de bicicletas.”
Antônio Ventura vê com otimismo a implantação das ciclofaixas. “A bicicleta está afogada, quase que estagnada no nosso trânsito de hoje. O ciclista se limita a passear no calçadão e foge das vias mistas por ausência de segurança. A longo prazo, com certeza a população vai conseguir ver que as implantações são benéficas, e elas vão causar um impacto positivo nas pessoas. Acho que essa pesquisa do NITTRANS só traz benefícios para a cidade. Primeiro por formar uma geração mais educada. Esse é o ponto de partida para tudo. Com essa pesquisa, consegue-se conscientizar tanto o usuário quanto aqueles que não usam, mas que convivem com os ciclistas. Essa educação mútua é o principal para formar um cidadão consciente. Além disso, cada um deve ser agente multiplicador dessa ação. Acho que a melhor forma de colaborar é não só responder o questionário, mas também agir.”
Palestras com especialistas e uma série de eventos serão implementados para divulgação cada vez maior do uso da bicicleta como meio de transporte sustentável.
Niterói também fará parte das cidades amigas da bicicleta!
Colaboração: NITTRANS
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Impunidade - Quando expressamos, na edição anterior, nosso repúdio à barbaridade cometida em Porto Alegre, usamos a expressão “que fique marcado”, e ficou mesmo; pela impunidade. É claro que o mundo está cheio de injustiças, e muito maiores que esta, mas a questão não é o formato da injustiça em si, mas o modo irrisório com que são tratadas, abrindo assim mais e mais precedentes para que outras ações como essa ocorram, e..., e a vida segue. E a impunidade segue.
Cumplicidade - Quando se fala num mundo melhor, qualidade de vida, e sustentabilidade, a grande maioria das pessoas, impetuosamente defende ações relacionadas, como a mobilidade por bicicleta, entre outras. Coletivamente deseja-se tais ações, mas individualmente, poucos estão dispostos a serem diferentes; preferem continuar como a maioria, solidificando sua cumplicidade. E esta se torna mais relevante quando é sustentada por pessoas ou corporações que detém maior poder para promover tais mudanças, como por exemplo, os que tem poder de mídia e a usam apenas para sustentar seu negócio ou sua prestigiada posição na sociedade - e o que dizer dos que investem em mídias populares, apenas para também continuarem populares?
Conteúdo - Bicicleta reclinada: voltou para ficar? Leia a matéria de Anderson Ricardo Schörner com sete páginas. Guiné descreve a inclusão da 29 no Brasil e Pedro Cury dá dicas relacionadas a freios, além do teste duma Santa Cruz. André Soares e Claudia Franco falam das dificuldades do ciclista no trânsito motorizado; Álvaro Perazzoli destaca a falta de incentivos fiscais, aliado à concorrência desleal. Acompanhe também a emocionante história do menino que domou o vento, a Taipei Cycle, o bike femini, as expedições e dicas de cicloturismo, o bike fit, os eventos, e o papel da nutrição em provas de resistência. Zé Lobo estreia com duas matérias, enquanto Thais de Lima fala da palavrinha da vez, SUSTENTABILIDADE.
Viva Bicicleta!
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OPINIÃO
MAICON TENFEN - BLUMENAU/SC - Aluguel de Bicicletas NÃO Sobrevive em Blumenau - SC (edição 003)
Segundo a população, as bikes foram retiradas devido à ausência de infraestrutura adequada para o tráfego de ciclistas, isto é, devido à ausência de ciclovias de verdade, diferentes desses riscos fajutos que pintaram nas calçadas. Mas tem um detalhe importante: na época em que improvisaram as tais ciclofaixas, em 2009, muitos habitantes da cidade e, pior, inúmeros especialistas em desenvolvimento urbano bateram palmas para a preguiça da prefeitura. É que Blumenau tem um conceito muito peculiar de civilidade e desenvolvimento. Preferimos a comodidade da aparência à trabalhosa mão-de-obra da essência. Se um problema PARECE resolvido, se PARECE aos olhos dos turistas de outubro que possuímos “ciclovias” e bicicletas de aluguel, então tudo está muito bem, obrigado.
Mas sejamos otimistas. Quem sabe, depois desse fiasco inicial, alguém da prefeitura resolva investir com responsabilidade no transporte ciclístico. Caso contrário, se for para remediar, será melhor que, apesar da nossa notória mania de grandeza, admitamos a nossa condição de cidade incrustrada numa triste e desamparada republiqueta de terceiro mundo.
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CARTA
LINCOLN MORETTI – PRAIA GRANDE/SP As Ciclovias de Praia Grande / SP (edição 002)
Sempre pedalei, era adepto ao cicloturismo, e ia de bicicleta estudar e trabalhar. Tenho apartamento em Praia Grande há 25 anos, onde sempre passei as férias. Há dois anos sou morador de Praia Grande/SP, mas aqui todos os dias eu ouço falar em assaltos e roubos de bicicleta. A cidade não tem segurança alguma para evitar roubos. Andar nessas belas ciclovias, como falaram na reportagem, acaba sendo apenas mais um sonho. Detalhe: engordei 30 kg em dois anos! Hoje, faço tratamento para eliminar este excesso de peso que adquiri; não pedalo na rua, tenho um rolo profissional onde tento pedalar, mas nunca vai ser a mesma coisa. Isso me deixa indignado! Dizem que andar de bicicleta em São Paulo é loucura: loucura é andar em Praia Grande, e saber que você vai perder a sua bicicleta a qualquer momento.Infelizmente essa é a realidade que nós, moradores de Praia Grande, vivenciamos: uma cidade sem segurança alguma, onde só vemos policiais na época de dezembro e janeiro, por causa dos eventos de verão. Termino de escrever isso com vontade de chorar, por me sentir incapaz de fazer algo para melhorar essa situação.
Revista Bicicleta: Lamentamos, e muito, Lincon. Infelizmente, essa é a realidade de muitas cidades. O problema da segurança pública é muito complexa, e envolve questões ainda mais complexas. Ainda assim, não podemos simplesmente nos calar diante da triste realidade. Constantes cobranças e reivindicações farão com que se comece a dar atenção à causa. O objetivo da matéria é destacar as ciclovias e motivar outros a fazerem o mesmo. Em relação à Praia Grande, contatamos a prefeitura a respeito, mas sem retorno até o presente.
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ERRATA
DESCIDA DAS ESCADAS DE SANTOS (edição 004)
Erramos ao divulgar os resultados da 9º edição da Descida das Escadas de Santos. Abaixo você pode conferir a classificação correta da Elite Masculina e Feminina. Demais resultados devem ser consultados no site oficial do evento: www.descidadasescadasdesantos.com.br.
RESULTADOS
Masculino
1º Mario Jarrin (Equador) - 1.00.801
2º Cedric Gracia (França) - 1.01.406
3º Djone Fornari (Brasil) - 1.10.452
4º Cris Van Dine (Estados Unidos) - 1.32.103
5º Gabriel Oliveira (Brasil) - s/ tempo
Feminino
1ª Luana Oliveira (Brasil) - 1.09.559
2ª Emmeline Ragot (França) - 1.09.900
3ª Bruna Ulrich (Brasil) - 1.11.659
4ª Melissa Buhl (Estados Unidos) - 1.16.451
5ª Fionn Griffits (Grã-Bretanha) - 1.15.454
Pergunta do leitor
Renata Santos Costa – Itajubá/MG
P: Infelizmente abri a porta do meu carro (no lado do passageiro) e não vi que vinha um ciclista, talvez porque o espelho retrovisor estava virado para baixo e o ciclista ficou num ponto cego. Ele estava muito grudado na minha porta e, infelizmente, quando eu abri a porta ele voou por cima. Estava numa via de baixa velocidade, centro da cidade, então eu pergunto: ele podia correr e ainda colar no meu carro? Fiquei triste, não queria atropelá-lo, mas acho que deveria ter uma lei de distância dos carros parados. Existe?
R: Olá Renata! Repassamos sua pergunta para nosso redator Zé Lobo. Confira as orientações para este caso.
Veja o que diz o Código de Trânsito Brasileiro quanto a esta situação:
Capítulo III - Das regras gerais de circulação e conduta.
Art. 28. O condutor deverá, a todo momento, ter domínio de seu veículo, dirigindo-o com atenção e cuidados indispensáveis à segurança do trânsito.
Neste caso o ciclista, como condutor de veículo, deveria ter seguido à risca este artigo. Vale ainda para o ciclista o item II do artigo 29:
Art. 29. O trânsito de veículos nas vias terrestres abertas à circulação obedecerá às seguintes normas:
II - o condutor deverá guardar distância de segurança lateral e frontal entre o seu e os demais veículos, bem como em relação ao bordo da pista, considerando-se, no momento, a velocidade e as condições do local, da circulação, do veículo e as condições climáticas;
Ou seja, nada de finos ou passar pertinho.
Mas para o motorista, vale o artigo 49 que fala especificamente do momento de abrir a porta e descer do veículo:
Art. 49. O condutor e os passageiros não deverão abrir a porta do veículo, deixá-la aberta ou descer do veículo sem antes se certificarem de que isso não constitui perigo para eles e para outros usuários da via.
Parágrafo único. O embarque e o desembarque devem ocorrer sempre do lado da calçada, exceto para o condutor.
E tem ainda a infração do artigo 214 para estes casos:
Art. 214. Deixar de dar preferência de passagem a pedestre e a veículo não motorizado:
I - que se encontre na faixa a ele destinada;
Infração - gravíssima;
Ou seja, a responsabilidade é do motorista que abriu a porta sem "antes se certificar de que isso não constitui perigo para ele e para outros usuários da via" e deixou de "dar preferência de passagem a pedestre e a veículo não motorizado".
Pedal das Capivaras
Passeio na Ciclovia da Marginal Pinheiros celebra 90 anos da Shimano
Texto e Fotos: Mauricio A. Brandão
Superando todas as expectativas, mais de 400 ciclistas compareceram, no dia 10 de abril, ao Pedal das Capivaras.
A Shimano, líder mundial em fabricação de peças para bicicletas, em parceria com o Clube dos Amigos – CAB, empresa conhecida pela luta a favor da utilização consciente da bicicleta como meio de transporte, e também um dos mais movimentados clubes de ciclismo do Brasil, organizaram este passeio.
O roteiro do passeio foi planejado para percorrer toda a Ciclovia da Marginal Pinheiros, esta nova ciclovia da cidade foi inaugurada em fevereiro de 2010, e pode ser acessada pelo seu início, na Estação Vila Olímpia do metrô, ou pelo im, na altura da Avenida Miguel Yunes.
João Magalhães, da gerência de marketing da Shimano, realçou que o objetivo do passeio também era defender a causa ambiental, qual seja, a despoluição do Rio Pinheiros. “Bike e meio ambiente possuem total sinergia, não só pela questão de ser um meio de transporte que não polui o ar, mas também permite um contato mais próximo com a cidade, proporcionando qualidade de vida”, comenta.
A ideia é endossar o pedido, junto aos órgãos responsáveis, por uma via mais atrativa, tanto para os praticantes de esportes como para os cidadãos. “Mesmo quem não faz uso da ciclovia quer que a sua cidade seja exemplo ambiental”, complementa.
O passeio saiu às 9 h, do Supermercado Extra, com centenas de bikers pedalando de forma organizada até o início da Ciclovia, na Vila Olímpia. Foi incrível, desde crianças com seis anos até senhores de 80 anos de idade! Todos pedalando juntos na ciclovia, muitos pela primeira vez nesta via.
Com a Avenida Marginal Pinheiros e seus milhares de carros de um lado, e com o rio Pinheiros e suas capivaras de outro, as três horas de pedal foram muito agradáveis, tranquilas e seguras. Ao final, confraternização, distribuição de camisetas, sucos, sorteios de peças e uma bicicleta novinha com o novo sistema de câmbio Nexus da Shimano.
A renda do passeio, no valor de R$ 20,00 por inscrição, será direcionada para o Lar Nossa Senhora Aparecida, instituição social e esportiva que tem como lema “Esporte é Vida”.
CENA DE BICICLETA EM et.
O vôo numa bicicleta do extraterrestre ET foi votado “o momento mais mágico do cinema” pelos leitores da revista britânica Empire, na frente de uma cena de Quero ser Grande na qual Tom Hanks dança em cima de um piano de brinquedo.
O momento cinematográfico preferido pelos leitores é quando o extraterrestre, criado por Steven Spielberg em 1982, voa durante a noite acompanhado por seu amigo humano Elliot.
A silhueta de ambos numa bicicleta com a lua cheia ao fundo “reúne o tipo de magia que só o cinema pode criar”, diz a revista.
A segunda na lista é a cena do filme Quero ser Grande (1988), do diretor Penny Marshall, na qual Hanks, que interpreta um menino preso no corpo de um homem, dança com seu chefe sobre um piano gigante.
Outros momentos mágicos do cinema, segundo os leitores da Empire, são quando Gene Kelly dança em Cantando na Chuva e quando Winona Rider se apaixona por Johnny Depp enquanto este faz uma bela escultura com um bloco de gelo em Edward Mãos de Tesoura.
O triatleta Alessandro Pimentel garante vaga para o Mundial de Triathlon de Longa Distância
Pelo sétimo ano consecutivo, Alessandro Pimentel, 37 anos, conquistou uma vaga para o Mundial de Triathlon de Longa Distância, durante sua participação no Campeonato Brasileiro da modalidade, no último dia 26 de março, realizado na Praia do Cumbuco, município de Caucaia, Ceará.
Alessandro é natural de Taubaté (SP), e seguirá para Handerson, EUA, onde acontecerá o mundial em novembro. “Apesar de já possuir a vaga para o Mundial por causa da conquista da medalha de bronze na etapa do Circuito Mundial na China em 2010, é importante disputar a seletiva do Brasil, já que é a prova de Triathlon de longa distância mais dura do país", aponta Pimentel.
Em sua primeira competição do ano, Pimentel segue sua preparação para seu grande objetivo da temporada: o lugar mais alto do pódio nos Mundiais. “Estou a 70% de minha capacidade física, mas minha prioridade na carreira é o inédito Mundial de Triathlon Cross (Off-road) em Extremadura, na Espanha, no mês de abril, e depois no fim do ano, o Mundial de TRI Longa Distância.”
Pimentel completou os 103 km (3 + 80 + 20) de prova com o tempo total de 5 horas, 3 minutos e 55 segundos. "Numa prova de longa distância, do primeiro até o décimo colocado não teve uma diferença maior do que 15 minutos, e fiquei fora do pódio por menos de 2 minutos", lamenta Alessandro, que terminou em sétimo lugar.
A vitória ficou com Guilherme Manocchio (SC), no masculino e, no feminino, a campeã foi Vanessa Gianinni (SP).
Fonte: Bike Na Mídia
A bicicleta mochila é fabricada pela Koga e, como o nome sugere, é coisa de alemão! Sehr schön, nicht wahr?
Fundada a Federação Brasiliense de Mountain Bike
Mais uma federação estadual de Mountain Bike é fundada, desta vez, no Distrito Federal, mostrando que o movimento pró Mountain Bike está ganhando força a cada dia em todo país, seguindo a tendência mundial.
Uma problemática latente do ciclismo é que ele é uma das únicas modalidades olímpicas que não apresenta centro de treinamento ou seleção permanente: nem há verba destinada pelo COB à CBC para esta finalidade. Poderíamos citar inúmeras disfunções e descasos no esporte, mas iremos nos ater a somente um: a generalização que não consegue atender a demanda.
Vamos exemplificar: hoje, quando se está com um problema no estômago, você busca o auxílio de um gastro, um especialista e não de um clínico geral. O que isto tem a ver com o nosso esporte? Tem tudo a ver. Atualmente o ciclismo é administrado nas três especialidades: ciclismo de estrada e pista, mountain bike e bicicross, por somente uma entidade generalista, a qual, com o passar dos anos, não consegue mais suprir a demanda.
Quem conhece um pouco do esporte sabe bem do que falamos. Hoje, as modalidades do mountain bike e do bicicross contam somente com as sobras do ciclismo de estrada e pista, não havendo planejamento voltado às especialidades e tampouco formação de atletas a nível internacional, sobrevivendo graças à dedicação de organizadores de eventos independentes e a paixão de atletas que continuam a promover e fomentar o esporte.
E isto não ocorre só no Brasil, e sim em todo o mundo. Buscando a especialização para atender a demanda, as entidades de administração desportivas vêm se segmentando em três grandes áreas: Ciclismo (estrada e pista), Mountain Bike e Bicicross. No ano passado foi a vez da Espanha passar pela segmentação. Em 2006 foi a Argentina, e outros tantos exemplos podem ser dados de casos de segmentação de sucesso, inclusive reconhecidas pela UCI.
No Brasil não é diferente. Em 2009, a CBMTB – Confederação Brasileira de Mountain Bike - foi fundada com o intuito de prover aos atletas, organizadores e demais envolvidos com as bicicletas uma nova opção e, desde então, vem reunindo cada vez mais atletas e filiando federações estaduais de Mountain Bike por todo o país, que estão surgindo com o ideal de fortalecer o MTB nacional. Desta vez foi a Federação Brasiliense de Mountain Bike – FBMTB que se uniu a luta.
A Federação fundada no Distrito Federal representa uma grande conquista para o Mountain Bike brasileiro e, sem dúvidas, alavancará muito a segmentação do universo ciclístico brasileiro por estar no coração político de nosso país.
Fundada exclusivamente por praticantes de Mountain Bike e, presidida em seu primeiro quadriênio pelo Sr. Camilo Linhares de Sousa, aficionado pelo MTB e há mais de 12 anos atuando no mercado de bicicletas, a FBMTB levará ao Distrito Federal os padrões e normas da CBMTB, com um novo modelo de gestão do esporte focado no Mountain Bike, feito de bikers para bikers.
A Federação Brasiliense de Mountain Bike realizará, já neste ano, seu primeiro Campeonato Estadual da modalidade maratona, com a tradicional prova internacional “70 km de Brasília”, no dia 15/05. O evento está indo para sua 8ª edição e, neste ano, será válido como Campeonato Brasiliense de MTB Maratona 2011, abrindo o ranking brasiliense de MTB.
Fonte: CBMTB
Lei do Bicicletário em Joinville
A cidade catarinense de Joinville aprovou, no final de março, uma lei complementar que exige a disponibilidade de vagas para bicletários em construções comerciais, de serviço ou de uso institucional.
Agora, todos os projetos de alvará de construção precisam chegar à prefeitura com um espaço reservado para as bicicletas. O número de vagas varia conforme o número de carros que podem estacionar: se houver 10 vagas para carros, o responsável pela obra terá que reservar a área de uma vaga, ou 12 metros quadrados, para as bikes. Quanto maior a área destinada para carros, maior a área do bicicletário. É uma boa iniciativa para incentivar o uso da bike no dia a dia, em uma cidade com tanto potencial em relação à bicicleta, como é o caso de Joinville.
Os designers chineses Renfei Bai e Likun Zhen apresentaram, na Seoul Cycle Design Competition 2010, o projeto da Patrolman. Trata-se de uma bicicleta elétrica que foge dos padrões convencionais de design, movida a motores elétricos, com sistema de GPS direto de fábrica, cujo display seria visualizado no próprio guidão. Além disso, o projeto prevê faróis dianteiros e barras luminosas com indicador de carga da bateria. A recarga, prevêem os idealizadores, seria feita em estações de energia solar que existirão nas cidades do futuro!
É um projeto extremamente futurista e arrojado, mas quem sabe esta simpática bicicleta elétrica não se tornará, em breve, uma realidade entre os chineses. Quem viver, verá.
A Prefeitura do Município de Leme, através da Secretaria de Segurança e Trânsito, recebeu duas bicicletas elétricas da marca Ecostart, no dia 24 de março: um adquirido pela Administração Municipal e outro doado pela empresa fabricante.
As bicicletas elétricas serão utilizadas pela Guarda Civil Municipal, em patrulhamentos e rondas pela cidade. Os veículos estão equipados com todos os aparelhos necessários para a atuação dos guardas municipais.
Elas estão se tornando cada vez mais populares, pois são de fácil utilização, isentas da taxa de IPVA, têm baixo gasto de manutenção, podem ser recarregadas em qualquer tomada e não necessitam de habilitação. As bicicletas elétricas atingem velocidade de até 32 km/h e são fabricadas em Leme pela empresa Ecostart.
Segundo o prefeito Wagner Ricardo Antunes, o Wagão, o fator ambiental foi bastante considerado na aquisição das bicicletas elétricas. “A Guarda Civil Municipal precisa de veículos para realizar patrulhamentos em nosso município. Dessa forma, pensamos em adquirir um equipamento que sirva para o trabalho dos guardas e ao mesmo tempo não agrida o meio ambiente”, destacou Wagão.
Sustentabilidade tem quantas rodas?
Thais de Lima – Mulher de Ciclos
Você com certeza já ouviu falar em sustentabilidade. Agora, responda rápido: quantas rodas ela tem? Sustentabilidade, ao contrário da bicicleta, não se apoia em dois eixos. Acertou quem respondeu três rodas... Porque sustentabilidade, meus amigos, é um triciclo: não basta ser ecologicamente correto, é preciso ser socialmente justo e economicamente viável. Para ela andar, cada roda precisar girar também, se não nada sai do lugar.
Então, a palavrinha da vez, SUSTENTABILIDADE, diz respeito não só à adaptação e mitigação às mudanças climáticas, mas também oferecer oportunidades a todos, igualmente, sem distinção de classe. Pelo preço baixo e facilidade de aquisição, a bicicleta não só é economicamente viável para a maior parte da população brasileira, mas também economicamente justa por não fazer distinção de gênero, classe social, nem condição física. Pode ainda ser adaptada para ser usada por pessoas com necessidades especiais. Isso não só é inclusão social, é justiça social.
A bicicleta ainda leva pessoas a lugares que elas nunca imaginaram, já pararam para pensar nisso? E isso nos lembra outra coisa... O turismo, mais especificamente o turismo de aventura. Segundo dados da EMBRATUR, o ecoturismo e turismo de aventura crescem 10% a cada ano no país, e já respondem por 13% dos turistas estrangeiros que chegam ao Brasil.
Então, porque não usar a bicicleta para promover desenvolvimento sustentável para pequenas regiões desse nosso Brasil varonil? Nem todas as cidades possuem atrativos para todos os interesses turísticos, mas quase todas possuem atrativos aos cicloturistas. O turista comum geralmente procura um destino, enquanto o cicloturista se interessa pelo percurso – todo lugar é seu destino.
Muitas cidades têm no turismo sua maior fonte de receita, mas mesmo aquelas que possuem sua economia baseada em outras vocações ou que não possuem uma vocação econômica específica - situação da maior parte dos municípios brasileiros - podem incrementá-la com a criação de atrativos turísticos e se beneficiarem do crescimento desse mercado. A Europa estima movimentar, durante as próximas duas décadas, cerca de 14 bilhões de euros por ano com o turismo de bicicleta, segundo a SUSTRANS, organização inglesa que trabalha em prol de uma mobilidade mais inteligente.
Que tal trazermos parte dessas divisas - de forma ambientalmente correta, socialmente justa e economicamente viável - para regiões que precisam urgentemente se desenvolver de forma sustentável e encontrar novas atividades econômicas? Está lançado o desafio. E juntos, com certeza, poderemos achar um caminho... mas vamos todos de bicicleta!
LANTERNA NA CABEÇA
Os capacetes Lazer Urbanize N’light têm luzes integradas na frente e atrás, para que você esteja sempre pronto para rodar. O sistema de ajuste confortável (Rollsys®), e as seis entradas para ventilação, mais o estilo urbano, tornam este capacete ideal para quem vai para o trabalho de bike.
Preço Sugerido: R$ 290,00
www.lazercapacetes.com.br
THERMOSKIN KIDS
A partir deste inverno, mais um produto integra a linha ThermoSkin da CURTLO: O ThermoSkin Kids – T-shirt (mangas longas) e calça unissex – nos tamanhos 4 / 6 / 8 / 10 / 12, foram desenvolvidos de acordo com a norma ABNT NBR de 27/11/2009, que determina o padrão de vestibilidade de roupas para infantil e infanto-juvenil. O ThermoSkin é a segunda pele da CURTLO que mantém o corpo seco e aquecido em ambientes de baixa temperatura, e permite rápida evaporação da umidade. Possui costuras desenvolvidas para garantir resistência e proporcionar total conforto em contato direto com a pele, garantindo liberdade de movimentos. Com toque macio e aveludado proporciona alta absorção da umidade corporal. Outra vantagem do ThermoSkin é o tratamento com Sanitized® Silver freshness feito diretamente no tecido, à base de íons de prata, que impede a proliferação de diversas bactérias, mantendo a roupa livre dos odores da transpiração.
Preço Sugerido: R$ 84,90 por unidade
www.curtlo.com.br
ARROW – CYCLETECH
Bicicleta com motor elétrico corrente contínua, potência 250 W – 36 V. Autonomia de até 70 km assistido a pedal. Velocidade máxima de 25 km/h. Pneus dianteiros/traseiros: 1,75’’ x 20’’. Freio dianteiro a disco, e traseiro – tambor.
Preço Sugerido: R$ 3.590,00
www.cycletech.com.br
URBAN – CYCLETECH
Bicicleta com motor elétrico corrente contínua, potência de 500 W – 48 V. Autonomia de até 40 km. Tempo de recarga de seis a oito horas. Pneus dianteiros/traseiros: 2,5’’ x 18’’. Partida com chaveamento liga/desliga. Bateria 48V/12Ah (ácido-chumbo). Peso bruto de 72 kg.
Preço Sugerido: R$ 2.690,00
www.cycletech.com.br
ECOSTART
Bicicleta elétrica Ecostart: ecológica, sem ruídos, sem gastos com combustível, IPVA.
Fabricação 100% nacional.
Preço Sugerido: R$2399,00
www.ecostart.com.br
Slim
Quadro feminino, desenvolvido para lazer e trilhas leves, feito em alumínio 6061 solubilizado e envelhecido, têmpera T6, disponível no tamanho 16”. Acabamento com pintura eletrostática a pó em três camadas, decorado com adesivos Transfer (imperceptíveis ao toque das mãos). Disponível em quatro opções de cores: rosa, preto, azul e amarelo. Possui caixa de direção over size, gancheira removível e suporte para freio a disco e é garantido por seis meses contra defeitos de fabricação. É indicado o uso de suspensão single crown com o curso máximo de 100 mm. É um quadro popular para quem busca os benefícios do alumínio (peso e durabilidade).
Preço Sugerido: N/D
www.kalf.com.br
Selim Tropical
Selim feminino para lazer, desenvolvido em formato anatômico e confortável, com design floral em 5 cores: rosa, violeta, azul, amarelo e preto. Seu carrinho é fixado em base plástica. A produção é 100% nacional e a empresa é certificada ISO 9001:2008, o que garante a qualidade de seus produtos.
Preço Sugerido:
www.kalf.com.br
Malibu:
Quadro de alumínio para lazer no estilo Beach com design retrô californiano, para uso na praia ou urbano. Maior durabilidade em ambientes salinos (maresia).
Disponível no tamanho 18” em sete cores: preto, azul, amarelo, laranja, verde neon, rosa e vermelho.
Produção 100% nacional, o Malibu é desenvolvido em alumínio 6061, com têmpera T6, pintura eletrostática a pó em 3 camadas e decorado com adesivos Transfer (imperceptíveis ao toque das mãos).
Possui caixa de direção over, suporte para freio a disco e é garantido por 6 meses contra defeitos de fabricação.
Mais informações: www.kalf.com.br.
Selim Tropical:
Selim feminino para lazer, desenvolvido em formato anatômico e confortável, com design floral em 5 cores: rosa, violeta, azul, amarelo e preto. Seu carrinho é fixado em base plástica. A produção é 100% nacional e a empresa é certificada ISO 9001:2008, o que garante a qualidade de seus produtos.
Mais informações: www.kalf.com.br.
Cubos Nexus
Uma das grandes ações de mercado da SHIMANO para 2011 é trazer para o Brasil, os Cubos Nexus de 3, 7 e 8 velocidades. Acreditava-se que os Cubos de Marcha fossem de difícil manutenção, complicados de abrir e trabalhar. Havia medo do preço e dafalta de peças. Mas na verdade seus benefícios se encaixam perfeitamente a nossa realidade: são duráveis, eficientes e fáceis de usar. Para a mobilidade, os Cubos Nexus vão longe: baixa manutenção; montagem fácil e trocam as marchas com a bike parada. A SHIMANO trabalha para consolidar o Cubo Nexus no mercado a partir do segundo semestre de 2011.
Preço Sugerido: N/D
bike.shimano.com.br
THULE G5
Suporte para engate mais estável e sem a necessidade de ajustes: basta abaixar a alavanca. Maior praticidade com um sistema que permite o acesso ao porta-malas sem ter que descarregar as bicicletas. Possui suporte para os quadros das bicicletas removíveis, que podem ser facilmente recolocados, tornando o carregamento das bicicletas mais rápido e conveniente. O suporte é dobrável para facilitar o armazenamento do suporte. Carga: até três bicicletas (quatro com o adaptador 9081). Braços de fixação do quadro destacáveis e fáceis de mover. Design inovador de acordo com os últimos modelos de carro. Para todos os tamanhos de bicicletas e rodas. Tranca as bicicletas ao suporte e o suporte à bola de engate.
Preço Sugerido: R$ 1.998,00 para duas bikes e R$ 2.298,00 para três bikes
www.thule.com.br
Deslocamento Ativo
Indústria incentiva colaboradores a usarem bicicleta no deslocamento
De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), uma das formas de reduzir a inatividade física dos colaboradores da indústria é incentivar o uso de alternativas de deslocamento. Eis, novamente, a bicicleta como solução! Uma pesquisa apontou que 13,1% dos colaboradores catarinenses usam a bicicleta como forma de deslocamento ao trabalho. Diante deste quadro, o SESI/SC desenvolveu um projeto de inovação social, que pretende auxiliar as indústrias na melhoria da qualidade de vida do industriário, além de contribuir com a sustentabilidade do planeta.
FAZER UM QUADRO
UTILIZAÇÃO DA BICICLETA PELOS INDUSTRIÁRIOS CATARINENSES
ALGUMAS CIDADES
Blumenau
7,5%
Grande Florianópolis
19,7%
Jaraguá do Sul
24,4%
Joinville
12,8%
Lages
12,3%
POR REGIÃO
Meio Oeste
3,9%
Oeste
4%
Planalto Norte
10,5%
Sul
15,2%
* Levantamento realizado pelo SESI/SC com base na região de atuação da entidade
O projeto “Deslocamento ativo dos trabalhadores, com uso de bicicleta, na indústria”, começou com uma extensa pesquisa, em outubro de 2010, com conclusão prevista para fevereiro de 2012. Haverá uma etapa piloto, em parceria com a Tupy, de Joinville, empresa que conta com um número significativo de funcionários ciclistas. Além de incentivar o uso da bicicleta, uma alternativa de transporte saudável, seguro e sustentável, o projeto tem como foco a mudança de comportamento relacionada ao deslocamento ativo.
O produto resultante do projeto deve ser oferecido para outras indústrias a partir do segundo semestre de 2012, e contará com ações informativas e educativas sobre o uso da bicicleta de forma segura, palestras com o tema meio ambiente, além de atividades práticas como circuito ativo, jogos cooperativos e teatro. Em dezembro de 2010, o sistema FIESC também incentivou o deslocamento ativo por meio de palestras, distribuição de bicicletas e cartilhas relacionando a bicicleta com a agilidade no trânsito, a redução no custo do transporte e manutenção, menor exigência de infraestrutura e não emissão de gases poluentes.
A maioria das bicicletas comercializadas no Brasil são utilizadas para locomoção no dia a dia, principalmente para ir ao trabalho. Segundo o superintendente do SESI/SC, Hermes Tomedi, a iniciativa é exemplo de projetos que promovem a inovação social e estimulam os trabalhadores da indústria a participarem do processo de melhoria interna da empresa e também da comunidade, com o apoio da própria empresa. “O SESI/SC desenvolve produtos que oferecem às indústrias catarinenses soluções sociais inovadoras e de qualidade, que contribuem para a sustentabilidade da empresa e da comunidade em geral”, comenta Tomedi.
Centro de Tecnologia do Social
Para desenvolver programas inovadores como este, o SESI/SC criou, em 2003, o Centro de Tecnologia do Social (CTS), área de P&D&I, responsável por estudar tendências de mercado e desenvolver projetos de pesquisa e novos produtos para as indústrias, buscando sempre oportunidades para inovar.
O próprio trabalho do CTS fez com que o termo "inovação" fosse mais difundido na entidade e passasse a fazer parte do dia a dia dos colaboradores. Durante cerca de seis anos, a inovação foi um dos valores institucionais, sendo depois incorporada como um dos objetivos estratégicos. O CTS, desde sua criação, produziu cerca 100 novos produtos e conta com outros 20 projetos em desenvolvimento. “O SESI/SC atua e investe em inovação social, com tecnologias sociais voltadas para a promoção da saúde e melhoria da qualidade de vida do trabalhador da indústria e de seus dependentes, com foco em educação, saúde e lazer, estimulando a prática da qualidade corporativa”, explica Tomedi.
Colaboração: Miriane Moreira Campos
O Ombro do Ciclista: Anatomia, biomecânica, fraturas e luxações
Franklin Passos de Araújo Júnior – Membro titular da Soc. Brasileira de Ortopedia Pediátrica e da Soc. Brasileira de Ortopedia e Traumatologia – CRM-BA 10.818
A clavícula é o primeiro osso no corpo a se formar, por volta da quinta semana de vida fetal. É também a única ligação óssea entre a cintura escapular e o esqueleto torácico, fornecendo uma conexão estável ao mecanismo braço-tronco. A clavícula contribui significativamente para a força e estabilidade do braço e da cintura escapular, especialmente em movimentos acima do nível do ombro e no suporte do tronco quando este se horizontaliza, por exemplo, em um sprint. Além disso, serve de ponto de fixação de vários músculos; confere proteção esquelética para nervos e vasos sanguíneos; e, finalmente, auxilia na função respiratória. A clavícula é predominantemente suportada e estabilizada pelos ligamentos esternoclaviculares e acromioclaviculares.
As fraturas da clavícula estão entre as lesões esqueléticas mais frequentes do adulto, representando cerca de 35% de todas as fraturas da cintura escapular. Podem ser causadas por traumas diretos, indiretos e por fragilidade óssea (fraturas não-traumáticas por estresse). Em relação ao tipo de trauma, os mecanismos de lesão nas fraturas claviculares correspondem à queda sobre uma mão estendida; queda com impacto lateral, impulsionando o ombro e a escápula para baixo; e queda com impacto lateral indireto, comprimindo a clavícula através do seu eixo. As luxações acromioclaviculares e esternoclaviculares, que são causadas pela ruptura dos ligamentos claviculares, completam as lesões traumáticas.
Logo após o trauma, o membro superior afetado deverá ser protegido e imobilizado com uma tipoia improvisada, até o atendimento por um ortopedista. Este vai avaliar o tipo de lesão e indicar o tratamento mais adequado, que poderá ser apenas uma imobilização, com ou sem redução (“colocar o osso no lugar”). O tratamento cirúrgico dependerá da gravidade da lesão (fraturas instáveis, muito desviadas ou muito anguladas podem ser cirúrgicas), mas se o paciente for atleta profissional, a cirurgia é prioritária.
A prevenção depende tanto da postura defensiva e cuidadosa do ciclista no trânsito caótico das cidades, quanto do seu comportamento no meio do pelotão ou nas trilhas. A técnica de pilotagem é fundamental, bem como o reflexo condicionado do “saber cair”, tal como os judocas que realizam treinamentos de quedas, para condicionarem os reflexos de amortecer o impacto com todo o membro superior, distribuindo a energia cinética da queda, promovendo sua dissipação gradual, sem concentrar o trauma em apenas um osso.
Bicicletas Reclinadas
“Tenho 36 anos e uma bicicleta reclinada novinha. Acredite se quiser: eu aprendi a pedalar com ela! Sempre quis ter uma bike, mas cresci vendo outras crianças pedalarem e me tornei uma adulta que nunca tinha andado de bicicleta. Recentemente conheci o Davilson, fabricante das Reclinadas Solyom, e contei a ele o meu sonho de criança – ter a minha bicicleta e aprender a andar nela. Fiquei surpresa com as bicicletas reclinadas e logo encomendei uma. Em menos de uma hora já estava pedalando, e ela nem tem rodinhas de apoio. Quanta felicidade! Eu parecia uma criança. Quando tinha que confessar a alguém que eu não sabia andar de bicicleta, me sentia mal. Agora, desfilo com a minha reclinada nas ciclovias e parques com a maior alegria. Ao compartilhar minha história, descobri outras pessoas que também não sabem pedalar, e para todas eu digo: experimente andar na minha bicicleta, você vai aprender rapidinho.” (Zilda Maria de Lara, Sorocaba – SP)
Quem nunca viu uma bicicleta? Ela está em todos os lugares, em todos os países e classes sociais. Mas conhecemos apenas o que vemos, e essas “Harley Davidson’s com pedal” não saem tão frequentemente para passear; no fim, acabamos não sabendo muito sobre elas.
Essas bicicletas engraçadas e diferentes são as bicicletas reclinadas - arrojadas e que prezam pela aerodinâmica e conforto do ciclista. Por enquanto, elas não dependem de grandes fábricas japonesas, italianas ou francesas, mas sim de pessoas engenhosas que fazem um trabalho praticamente artesanal para produzi-las.
Em países onde é mais comum pedalar deitadão, como na Alemanha, elas já têm lugar garantido nas grandes feiras de bicicleta, como foi o caso da F.RE.E, que Fábio Zander cobriu na edição 04. Ele relatou: “As bicicletas reclinadas não foram destaque apenas nos estandes, mas também nas pistas de testes. Tive a oportunidade de dar algumas voltas com as reclinadas e fiquei impressionado com o conforto e a velocidade.”
Há bicicletas reclinadas de duas, três e até quatro rodas; reclinadas que são impulsionadas com a força das mãos, usadas por pessoas com deficiência no movimento das pernas, como as vistas na última Copa América de Ciclismo, em Interlagos, dia 09/01/2011.
Mas porque falar de reclinadas se as bicicletas convencionais já são o meio de transporte mais eficiente? A resposta é: essas baixinhas têm uma história fantástica – de recordes incríveis à rejeição da UCI. Elas não são a evolução das convencionais, mas fazem parte de uma vertente; não vieram para roubar-lhes o lugar, mas são a melhor opção para determinadas práticas ciclísticas.
A Fascinante História das Bicicletas Reclinadas
Como foi mencionado na História da Bicicleta (edição 04), há várias referências de veículos de propulsão humana até 1800, construídas na forma de carruagem, sem pedais. Encontramos uma dessas referências no site alemão wstiffel.homepage.t-online.de/HPV-GESCHICH, que apresenta o protótipo construído em 1685, pelo relojoeiro Farfler, de Nurenberger, como o início da história das reclinadas. O alemão construiu o veículo quando tinha quebrado o pé, e movimentava-o com as mãos. Viagem ou não, a ideia básica é a mesma, e com certeza esses protótipos serviram de inspiração para os modelos atuais de bicicleta: tanto comum quanto reclinadas.
(Bicicleta horizontal de M. Challand, foto de La Nature, outubro de 1896)
As reclinadas, da forma como conhecemos hoje, surgiram realmente no final do século XIX, construídas por Macmilian e Challand, na França.
(Bicicleta de Étienne Bunau-Varilla)
Entre 1912 e 1913, o engenheiro francês Étienne Bunau-Varilla patenteou essa bicicleta com carcaça que parecia um torpedo. As versões posteriores de seu invento registraram incríveis velocidades em toda a Europa.
(Bicicleta Peugeot – 1914)
A excitação com a novidade se expandiu a ponto da Peugeot, gigante do ramo de fabricação de bicicletas, entrar no mercado com uma reclinada.
Nesta época, década de 20, alguns críticos afirmavam que essas “bicicletas – poltrona” eram visivelmente feitas para o conforto, e não para a velocidade. “Olha como parecem lentas”, diziam.
Mas foi exatamente a velocidade delas que, na década de 30, mudou a história do ciclismo. Ainda antes da primeira guerra mundial, o francês Charles Mochet construiu veículos de propulsão humana que pareciam carros pequenos e leves. Sua esposa achava que uma bicicleta convencional era muito perigosa para sair com George, seu filho; por isso Charles montou o veículo sobre quatro rodas. Não foi só o pequeno George que se encantou com o seu “carro a pedal”. O carro de Mochet fez sucesso, principalmente depois que a primeira guerra mundial acabou, pois a economia estava fragilizada, e comprar um carro de verdade era um sonho distante para a maioria dos franceses; mas um Velocar, podia-se pagar.
O modelo com quatro rodas foi usado como guia em algumas corridas de bicicleta, mas se mostrava perigoso em curvas forçadas. Mochet experimentou, então, um modelo com três rodas, mas a tendência a fugir nas curvas ficou ainda maior. Então o francês teve outra ideia: dividir o Velocar no meio! Ele construiu uma versão duas rodas – uma bicicleta reclinada com rodas de 50 cm, e uma distância entre - eixos de 146 cm.
(François Faure, no Velocar)
O dia 07 de julho de 1933 mudaria toda a história do ciclismo com a bicicleta reclinada do Sr. Mochet. Pela primeira vez, um ciclista teria a audácia de usá-la em uma competição. No início da prova, outros pilotos pediram a François Faure, o ciclista que teve a coragem de usar o Velocar: “Faure, parece que você está cansado, não é? Vais ficar dando uma cochilada nessa coisa aí? Porque não corre direito, como um homem?” Eles pararam de rir quando ficaram para trás. Faure venceu o campeão mundial Lemoire, alcançando 45 km/h e batendo todos os recordes num velódromo, no mesmo dia.
Esse fato criou controvérsias dentro da UCI, órgão regulador do ciclismo internacional, que passou a discutir se o Velocar era uma bicicleta, e se os recordes por ele conquistados seriam reconhecidos. Em 1934, a decisão da UCI foi anular a validade dos recordes, e banir as bicicletas recicladas e todos os acessórios aerodinâmicos das competições. Esta decisão congelou o desenvolvimento e inibiu a evolução destas bicicletas por quase 50 anos!
O Renascimento
Como a reclinada deixou de ser considerada bicicleta pela UCI, havia a necessidade de algum órgão que tratasse dos assuntos relacionados à este modelo. A revolução dos HPV’s (Veículos de Propulsão Humana) começou nos Estados Unidos, com David Gordon Wilson e Chester Kyle. Eles reconheceram a necessidade da evolução dos HPV’s e criaram a IHPVA (Associação Internacional de Veículos de Propulsão Humana), que regulamenta os HPV’s utilizados em terra, água ou ar. No final dos anos 70, esta evolução trouxe à tona a primeira bicicleta reclinada comercializada no mundo, a Easy Racer.
Atualmente, o recorde de velocidade de uma bicicleta no plano sem pegar vácuo é da Varna, uma bike reclinada com carenagem aerodinâmica, com a qual o canadense Sam Whittingham, em 2002, fez incríveis 130 km/h!
(Sam Whittingham, em 2002, com a Varna)
De um modo geral, a razão das reclinadas não serem populares está diretamente ligada à forte cultura em torno da configuração tradicional das bicicletas, que por sua vez se tornou padrão para qualquer competição oficial no ciclismo. Da mesma forma, a indústria se solidificou na produção de bicicletas, que tem variações de modelos, mas mantém tal configuração geométrica.
O medo das pessoas com relação ao novo e ao diferente, aliado à dificuldade de encontrar bicicletas reclinadas em muitos lugares, e o preço um pouco mais elevado do que as bicicletas tradicionais, já que são produzidas em pequena escala, na maioria das vezes sob encomenda, fizeram com que as reclinadas não ganhassem espaço entre os ciclistas.
Na verdade, as reclinadas estão à beira da industrialização. Isso não acontece por falta de informação e experimentação. Hoje há inúmeros fabricantes de bicicletas reclinadas no mundo, produzindo em pequena escala, começando a desenvolver esse mercado potencial.
As bicicletas reclinadas são mais populares nos Estados Unidos e na Europa, especialmente na Holanda e Alemanha. Neste último, há inclusive uma feira toda dedicada às bicicletas especiais: é a Internationale Spezialradmesse, que neste ano acontece nos dias 30/04 e 01/05, em Germersheim, e apresenta grande variedade de bicicletas reclinadas, três e quatro rodas, tandem, reboques, acessórios e outras novidades.
Vantagens E Desvantagens da Bicicleta Reclinada em Relação à Bicicleta Convencional
A principal característica de uma bicicleta reclinada é o conforto e a menor resistência do ar. Pedala-se sentado em um ângulo que varia de 60º a 70º até deitado à 20º ou 25º, nas chamadas Low Racers, com uma área frontal menor e com seu peso distribuído numa área muito maior.
No trânsito, você tem mais segurança por pilotar na mesma altura dos carros. Como a bicicleta reclinada é revolucionária e interessante, você será visto por todos no tráfego. Por ser uma bike incomum é menos visada num possível roubo.
Quanto à eficiência, sua principal vantagem é a melhor aerodinâmica; em qualquer bicicleta numa velocidade de cerca de 30 km/h, no plano, cerca de 80% da força exercida é para vencer o arrasto do ar.
Outro fator importante para o melhor desempenho é a posição de pilotagem: a eficiência biomecânica é melhor. Toda força feita nos pedais é suportada pelo encosto, sem haver perda de eficiência. Por isso, a reclinada anda muito bem inclusive em subidas; assimilando a técnica, seu desempenho em subidas será melhor que o das bicicletas convencionais.
Durante a pedalada, a coluna está relaxada, tórax e braços sem tensões, e a pressão hidrostática do sangue é menor (as pernas estão trabalhando quase no mesmo nível que o coração) pelo fato de estar praticamente deitado. Melhor circulação, melhor respiração, ótima visibilidade e ergonomia resultam em melhor desempenho.
Nino Coutinho, de Itabira/MG, usuário de bicicleta reclinada conta que “muitas pessoas escolhem as reclinadas, e chegam a adotá-las como única forma de ciclismo, pelo potencial conforto de boa parte dos modelos.” Nino conta que pesquisou muito sobre ciclismo até chegar às reclinadas. “É difícil explicar por que me interessei por elas: a beleza e plasticidade de algumas geometrias, a maior adequação do uso às longas distâncias, o gosto pelo diferente ou exclusivo... Ou até a possibilidade de que o design e proporções tão ímpares fizessem a bicicleta impor-se mais devidamente como um veículo.”
Acompanhe um resumo das principais vantagens e desvantagens da bike reclinada.
VANTAGENS
Por ter um assento maior, com encosto, proporciona maior conforto que permite ao ciclista pedalar mais tempo.
Do ponto de vista ergonômico, a posição de sentar da bicicleta reclinada é mais favorável e relaxada; por isso, a caixa torácica e o abdômen não sofrem compreensão, facilitando a respiração profunda; os pulsos são menos exigidos, pescoço e ombros ficam mais livres.
A visão frontal fica livre devido à posição ereta da cabeça; na bicicleta convencional, quando o ciclista fica cansado tende a olhar apenas o chão à frente da roda.
Os pés podem se apoiar mais rapidamente ao chão.
Por ter menor distância do chão, o risco de ferimento em caso de queda é menor, o risco de bater o pedal no chão ao fazer curvas é nulo e mesmo pessoas de baixa estatura podem ficar sentadas quando estão paradas, por exemplo, no semáforo.
Caso houver uma colisão, o corpo é atingido primeiro nos pés e não na cabeça.
A posição do ponto de aplicação da força é mais favorável e é possível imprimir maior força graças ao apoio nas costas.
Qualquer combinação de engrenagens de câmbio é possível.
A resistência do ar é menor, pois a área frontal é menor.
Permite adaptar facilmente carenagem para proteção contra a chuva ou mesmo para melhorar o desempenho aerodinâmico.
A bicicleta reclinada ainda é vista como algo diferente, então os motoristas geralmente preferem passar longe desta “máquina esquisita”, e o risco de roubo também é menor.
O contato visual com os motoristas é mais direto.
As bikes reclinadas Low Racer possuem centro de gravidade bem baixo, e a distância entre as rodas grande, o que as tornam à prova de capotagem: a roda traseira não sai do chão, inadvertidamente, ao frear. Isso torna a frenagem cerca de 50% mais eficiente do que em bicicletas convencionais.
Triciclos reclinados são mais seguros para andar sobre superfícies escorregadias.
A capacidade e espaço para alforjes ou bolsas é melhor.
As vantagens quanto ao design são infinitas; há inúmeras configurações de reclinadas, com geometria que se define pela combinação de rodas, posição da roda dianteira, posição do pedivela, tração, altura do banco, distância entre - eixos. Com isso tem-se a melhor configuração para o uso proposto.
Quanto às rodas: existem combinações de tamanhos de 12’’ a 29’’; as mais comuns são 20’’ na dianteira e 26’’ atrás.
Quanto à posição da roda dianteira: anterior, abaixo ou posterior ao pedivela.
Quanto à posição do pedivela: conforme a geometria pode ser acima, ao nível ou abaixo da linha do assento.
Quanto à tração: RWD (Rear Weel Drive) é a tração traseira mais usual. A FWD (Front Wheel Drive) é a tração dianteira, que pode ser com pedivela fixo no quadro e polias direcionadoras que gerenciam a corrente à roda, ou com pedivela que gira junto com o guidão, como nos triciclos infantis, mas com sistema de marchas usual.
Quanto à altura do assento: High Racer (banco e pedivela acima das rodas), Mid Racer (banco em nível médio em relação às rodas) e Low Racer (assento abaixo da linha dos eixos das rodas).
Quanto à distância entre - eixos: pode variar de 90 cm (ou menos, nas infantis) a 1.6 ou 1.7 m nas Long Wheel Base. Se o modelo for tandem, a variação pode até ser maior.
DESVANTAGENS
Por serem fabricadas em pequena escala, ainda são mais caras e mais pesadas.
Em uma bicicleta reclinada é mais difícil girar a cabeça e o tronco para olhar para trás.
Por ser mais baixa, pode ser mais difícil de ser vista.
Se a bike possui o encosto muito inclinado, o pedivela muito elevado e/ou o guidão abaixo do assento, é necessário um período de adaptação, pois essas configurações exigem outras habilidades e manejos específicos, diferentes dos exigidos em uma bike convencional.
Pedalar sem as mãos é praticamente impossível, mas também desnecessário para descanso.
Os modelos com o guidão sob o assento são mais difíceis de empurrar.
Por permitir aplicar maior força à pedalada, há o risco de sobrecarga no joelho.
Quando a reclinada não tem suspensão, sentem-se mais as imperfeições do terreno.
Se a reclinada não tem carenagem, a proteção para chuva é menor, pois apenas uma capa não é suficiente.
Por possuir correia mais longa, exceto em modelos com tração dianteira, o peso e o risco de se sujar é maior; em compensação, a vida útil da correia também aumenta.
Para evitar que os pés escorreguem dos pedais, é necessário manter uma leve pressão ao recolher a pedalada.Uma solução é usar os pedais de encaixe.
A visão fica atrasada ao se aproximar de cruzamentos.
É mais difícil subir o obstáculo da calçada.
Modelos com entre - eixos longo não fazem curvas fechadas e exigem mais espaço para guardar.
A transpiração nas costas aumenta.
As reclinadas não são apropriadas para terrenos acidentados e manobras radicais: manobras que exigem flexão das pernas.
O risco de perder objetos colocados no bolso da calça (como carteira e chaveiro) é maior.
Quando você opta por uma bicicleta reclinada, está optando pelo diferente. A maioria, instigada pela curiosidade, tem interesse em aprender detalhes sobre este modelo de bicicleta não convencional. Mas a reclinada não é para todo ciclista; conforme a finalidade, tipo de terreno e trajeto, outro modelo, como uma mountain bike, pode ser mais adequada. Agora, se você procura conforto e velocidade, teste uma reclinada e procure dominar as diferenças que há em sua condução – provavelmente irá se apaixonar.
Usar uma bicicleta – convencional ou reclinada – é o que realmente faz parte do show. Conforme afirma Nino: “acima de tudo, intencionava relacionar o uso das reclinadas à prática do ciclismo como desporto, lazer e mobilidade. Sinto que foi na descoberta das reclinadas que atingi o topo do meu interesse pelo ciclismo em geral, principalmente como estilo de vida e como alternativa à visão comum da necessidade de um veículo automotor para se ter prazer, para viajar e para se locomover nas cidades.”
Então a dica é: deitado ou em pé, pedalar é preciso...
BOX
Veja como Pedro Zöhrer deu início à produção de suas bicicletas reclinadas
Aos seis anos ganhei minha primeira bicicleta, uma Monark Bodramatic, que não se fabrica mais. Naquelas férias no Mato Grosso, eu e meu irmão aprendemos sozinhos a andar de bicicleta sem as rodinhas. Depois de um dia inteiro de tombos e risadas, conseguimos conquistar o equilíbrio e, repentinamente, um mundo novo se mostrou. Sentimos e compreendemos o que significava “liberdade”. Desde então, a bicicleta tem sido a causa de muitos momentos felizes e memoráveis.
A bicicleta é, com certeza, o veículo símbolo não só de liberdade, mas também de amizade e igualdade. Isso porque, seja rico ou seja pobre, criança ou adulto, brasileiro ou não, todos são iguais quando estão sobre uma bicicleta. O único poder que se tem é o da sua própria força e vontade de ir e vir para onde bem se quiser.
A bicicleta me acompanhou da infância à adolescência, e foi já adulto que, aos 20 anos, descobri as bicicletas reclinadas.
Eu e alguns amigos gostávamos de dar longas pedaladas nos finais de semana. Saíamos de Santa Tereza (bairro do Rio de Janeiro), subíamos a estrada das Paineiras, descíamos até a Barra da Tijuca, pedalando até Grumari. De lá voltávamos pela orla, passando novamente pela Barra, S. Conrado, Leblon, Ipanema, Copacabana, Botafogo e Flamengo.
Apesar de prazeroso, ao final do dia chegávamos muito cansados, e pior: com dores no bumbum, nas costas, no pescoço e nos braços. Nesta época, a maioria usava bicicletas de corrida, que além de serem leves, apresentam um ótimo rendimento no asfalto. Mas as dores eram um incômodo, que desestimulava pedaladas mais frequentes ou mais longas.
Eu me perguntava se não existiria uma alternativa com melhor conforto sem, contudo, comprometer o ótimo rendimento da Speed. Tentei de tudo: guidão mais alto, selim mais largo, até uma Cruiser “Light” (precursora das atuais Mountain Bikes), mas apesar de minimizar as dores, eliminá-las parecia distante.
Até que, assistindo a um documentário da National Geographic, pude descobrir que pessoas no mundo inteiro se queixavam das mesmas coisas que eu, e criaram uma espécie de associação onde o objetivo era criar novos designs de bicicletas, triciclos e outros veículos de propulsão humana (HPV – Human Powered Vehicles). A meta era construir veículos mais rápidos, confortáveis e seguros, uma vez que o desenho da bicicleta tradicional não havia sido modificado substancialmente em mais de 200 anos. No vídeo, uma quantidade infindável de bicicletas e triciclos desfilaram, alguns parecendo geringonças e outras parecendo aviões ou naves espaciais.
O espetáculo de tipos e conceitos era interessantíssimo, viam-se pessoas pedalando de bruços e outras quase deitadas. Segundo o narrador, o importante era não só ser mais rápido, o que era possível graças a uma posição mais aerodinâmica, mas também a troca de ideias e experiências entre os ciclistas que tentavam resolver os problemas técnicos de formas mais criativas possíveis.
Este vídeo me animou de tal forma que, tendo gravado o programa, eu o revi milhares de vezes, parando, analisando e estudando. Nesta época eu acabara de ingressar no curso superior de engenharia mecânica (CEFET), e vi ali a oportunidade de pôr em prática o conhecimento que adquiria nas aulas. Após meses desenhando propostas para um projeto de HPV, finalmente me determinei a construir um triciclo experimental.
Com a ajuda de um grande amigo, vizinho meu – Derek Flinte – iniciamos a construção do protótipo. Cortávamos e limávamos os tubos, que eram restos de bicicletas velhas que tínhamos, e levávamos as peças para serem soldadas em uma serralheria próxima. Era um passatempo muito divertido projetar, construir e experimentar.
Experimentar era a parte mais empolgante, pois andar em algo jamais visto, sem saber ao certo se ia funcionar e qual seria a forma mais adequada de dirigir, era uma grande aventura. Construímos vários protótipos, de triciclos a bicicletas reclinadas. Nossa “pista de teste” não podia ser melhor: ladeira, paralelepípedo, trilho de bonde. Foi nessa época que começou, no Rio de Janeiro, o “Tuesday Night Bikers”, e já tínhamos um ótimo protótipo para estrear no asfalto.
Nosso protótipo usava marchas nacionais, freios Side Pull, rodas dianteiras aro 20’’ de uma bicicleta cross e roda traseira 27’’ de uma bike de corrida. Se ele fosse capaz de acompanhar as Speed no passeio, seria um indicativo do sucesso do protótipo e de sua filosofia de projeto.
Para nossa feliz surpresa, o protótipo não só acompanhou as Speed, como em sprints atingiu velocidades e acelerações superiores. No terreno plano ela foi capaz de atingir uma velocidade máxima de 56 km/h, marcado em um velocímetro digital Sigma Sport alemão, tendo uma média horária de passeio de 35 a 40 km/h – tudo isso sem o inconveniente das dores no corpo.
Desde então, continuo aperfeiçoando novos modelos de bicicletas reclinadas, cujos projetos são frutos da minha experiência e conhecimento, mas também da contribuição de amigos e usuários que, tendo adquirido suas reclinadas, forneceram sugestões para melhoria.
A essas pessoas inovadoras, que preferiram arriscar um novo conceito e quebrar seus paradigmas em detrimento da tradição e conservadorismo, agradeço e responsabilizo pelo presente e futuro sucesso da Zöhrer Bicicletas.
Fotos:
Quando é fácil culpar a vítima
André Geraldo Soares – Coordenador de Comunicação da ViaCiclo – Associação dos Ciclousuários da Grande Florianópolis
Tornou-se corriqueiro relatar “acidentes de trânsito” explicando que “o motorista perdeu o controle do veículo”, como se houvesse ali uma manobra do destino.
Antes de tudo é preciso dizer que a maior parte das colisões, capotamentos e atropelamentos não são acidentais – não são fortuitos, nem casuais. Um acidente de trânsito ocorre quando o motorista, apesar de sua boa conduta, tem um dos pneus do seu veículo estourado, se depara com um animal atravessando a pista ou é acometido de um mal súbito. Mas quando tal motorista dirige em alta velocidade, arrisca-se em manobras perigosas ou negligencia a presença de ciclistas na pista, qualquer desastre daí advindo deve ser chamado de “crime de trânsito”.
Os motoristas não deixam de responsabilizar o poder público, que oferece um sistema viário – urbano ou rodoviário – composto por estradas em mal estado e desprovido de estruturas adequadas para ciclistas e pedestres (sinalização, passeios acessíveis, redutores de velocidade, ciclovias). Bem, diríamos que quem dirige está plenamente ciente disso e que, portanto, deveria dirigir de acordo com as condições da via.
Mas os motoristas se interessam mais por duas outras políticas correntes, aplicadas pelo mesmo agente público: o estímulo ao uso do automóvel através da oferta de juros baixos e de obras viárias, complementado pela ausência de investimentos em transporte coletivo de qualidade; e a insignificante fiscalização, completada pela rara punição, das infrações. Aí fica fácil para o motorista desembaraçar-se: falta de ônibus, estradas ruins, ciclistas na pista, perda de controle do veículo e... Sem penalização!
Nesse jogo de empurra-empurra entre governantes e motoristas, muito conveniente aos dois lados, quem fica somente com a parte dos prejuízos é a população desprovida de motor. Ciclistas, levando fininhas enquanto procuram algum cantinho para pedalar, e pedestres, se esquivando entre os interstícios de carros para alcançar as calçadas rachadas do outro lado da rua – onde vão esperar algum ônibus lotado, demorado, sujo e caro, são alvos fáceis.
E quando alguns dos prejudicados decidem fazer a única coisa que dá resultado – a saber, organizar-se em manifestação pública –, levantam-se vozes de todos os lados para criticar o que eles chamam de “cerceamento do direito de ir e vir” – como se trafegar a 10 km/h, que é a velocidade dos ciclistas nessas circunstâncias, fosse alguma novidade no trânsito urbano!
O grotesco ataque no atacado aos ciclistas que participavam de uma Massa Crítica (ou Bicicletada) em Porto Alegre no dia 25 de fevereiro passado foi mais uma oportunidade para a prática da criminalização das vítimas. Ainda que a ampla maioria das manifestações tenham sido de reprovação ao motorista, não faltaram poréns, contudos e todavias em muitas delas. O estresse do trânsito, a ocupação da via e a falta de autorização dos órgãos competentes estiveram entre os motivos citados por aqueles que queriam compreender a atitude do condutor daquele carro preto.
Reza o Código de Trânsito Brasileiro que os veículos maiores são responsáveis pela incolumidade dos mais vulneráveis, entretanto não raro estes são vistos com culpados por aqueles que lhes atropelam, por policiais ou por educadores – sim, a maioria das campanhas de educação para o trânsito ensina pedestres e ciclistas a concederem prioridade aos motorizados.
Em que pese a desatenção ou a postura de risco por parte de quem se locomove por suas próprias forças, toda morte de ciclista e pedestre no trânsito precisa ser avaliada à luz – ou melhor seria às trevas – da inaptidão do sistema viário e do ordenamento do trânsito para acolher a todos com igualdade de segurança. Dito bem sinceramente: nossas cidades não foram feitas para pedestres e ciclistas. Além disso, estimulados pela publicidade, dentro dos carros temos mais indivíduos fazendo das ruas um ringue de disputa territorial do que cidadãos compartilhando um espaço público.
O trânsito e o sistema viário servem a toda a sociedade, portanto alcançar e manter sua qualidade é uma incumbência de toda a sociedade. Somente o Estado pode construir infraestrutura eficiente e segura para que o trânsito cumpra sua função social, mas não é ele que dirige cada carro. Atualmente o Estado serve os ditames econômicos, por isso motoristas, ciclistas e pedestres que ansiarem pela democratização do trânsito precisam lhe indicar novos objetivos – caso contrário, o trânsito continuará tanto produzindo vítimas, quanto culpando elas próprias por seu infortúnio.
Bikes 29 no Brasil
Texto: Guiné / Pedal29.com.br
Crédito da foto do Fábio Yoshimoto: Guiné
Crédito das fotos Niner: Divulgação
Um pouco da história
A história das bikes 29 começa no início dos anos 90, com criações dos primeiros protótipos de quadros e fabricação (encomendas) de produtos específicos para tal, como pneus, aros e suspensões. Já em 1999, o lendário Gary Fisher apresentou no Inter Bike (feira internacional de bicicletas nos EUA) a primeira Mountain Bike aro 29 de série. Era um protótipo que só entraria no mercado mais tarde. Mas poucos sabiam que algumas destas rodas gigantes já estavam girando pelas trilhas do Colorado – o berço das 29.
A Sugar One 29er não agradou os críticos do MTB mundial, mas chamou atenção. Afinal, tudo que é novo pode ter potencial. O tempo passou e a "roda gigante" foi ganhando elogios de muitos adeptos.
Mercado embrionário
Acreditando no sucesso, algumas marcas americanas começaram a fabricar poucas unidades para abastecer o lado oeste dos Estados Unidos. Desde então, a proliferação das 29 foi se alastrando nas principais áreas do MTB americano: Colorado, Utah, Nevada, Arizona e Califórnia.
Fabricação das peças e quadros
A principal dúvida quanto às rodas grandes ficou por parte dos fabricantes das peças, se estes iriam produzir em série para abastecer a demanda. A princípio, Gary Fisher assumiu um lote de peças para reposição, afinal, ele mesmo estava apostando todas as fichas. Sendo assim, algumas marcas ficaram responsáveis pela fabricação dos aros, pneus, câmaras de ar e algumas suspensões.
Dezenas de perguntas surgiram: "Os cubos seriam os mesmos?" Sim! A mesma coisa para os raios, mas com medidas diferentes. "E as suspensões?" Apenas a White Brothers (primeira empresa a fabricar) e Rock Shox assumiram na época; mas hoje já temos praticamente todas as empresas fornecendo.
Com todas essas dúvidas resolvidas, abriu-se um grande espaço para os pequenos fabricantes que produziam quadros sob encomenda e engenheiros-amantes das bikes, que gostam de fazer os quadros artesanais – os “frame builders”. Nos Estados Unidos tem uma legião deles, que criaram e até registraram suas marcas somente de aros 29er, proporcionando uma série de modelos fantásticos.
No meio deste confronto saudável, as pequenas empresas saíram pedalando na frente. Já que a maior demanda dos quadros era sob encomenda pelo simples fato dos usuários possuírem 90% das peças. Enfim, os novos adeptos trocavam apenas poucas coisas: rodas (aros, raios, pneus, câmaras de ar) e o garfo; que fazia parte do kit.
Rumores e princípios das bikes 29 no Brasil
A pesquisa feita pelo site Pedal em 2006, mostrou que muitos dos importadores e distribuidores do Brasil já tinham conhecimento deste novo conceito de bicicleta. Mas poucos acreditavam no sucesso; e outros não tinham interesses em comercializar algo do tipo, justamente por ser novo.
Passados alguns anos, as bikes 29 foram introduzidas no país, erroneamente, por estrangeiros e “turistas” que faziam suas viagens e retornavam com alguns exemplares nas bagagens. A procura de pneus e câmaras para reposição neste período foi considerável, o que desmotivava alguns usuários, fazendo com que muitos vendessem suas bikes. As dúvidas quanto a este tipo de bicicleta começaram a surgir.
Em 2008, a Caloi apresentou um protótipo no Bike Expo Brasil. Foi a primeira empresa a apresentar um produto oficialmente digno de bike 29. O modelo Two Niner agradou quem esteve no Demo Day, já que a bicicleta ficou a disposição do público presente para testes. Por incrível que pareça, nenhum importador apresentou um exemplar nesta feira, mesmo com a epidemia que já se alastrava em vários países do mundo.
Sementes brasileiras
O site Pedal apresentou o assunto ainda em 2003 e em 2008 surgia no Brasil, um blog destinado às bikes 29: Projeto 29 Brasil. Criado pelo designer Adil Filoso, o P29BR veio fomentar ainda mais o movimento das rodas grandes no país através de informações e impressões quanto ao novo formato e equipamentos a serem usados. Neste propósito, Adil ganhou destaque e respeito por muitos, tornando-se grande referência em rodas 29 no país.
A fábrica de aros VZAN é outra empresa nacional que saiu na frente com o novo formato. O primeiro modelo de aro foi fabricado ainda em 2006 para atender as bicicletas híbridas: 700c x 50; que serve perfeitamente nas 29. Dois anos mais tarde, a empresa anunciava a primeira roda completa: Extreme 29. As rodas vieram em uma boa hora para abastecer uma demanda que cresce a cada temporada.
Outra indústria nacional que também aposta é a Pro Shock, que no início deste ano, apresentou oficialmente o primeiro modelo de suspensão para bikes 29. Após testes nos protótipos, a One 29er aumentou a família e já abastece as prateleiras das lojas para atender novos consumidores.
Para finalizar, fica também a semente deixada pelo nosso saudoso e eterno Fábio Yoshimoto, o criador da Saga – primeiro quadro de bicicleta aro 29 do Brasil. O envolvimento de Fábio com as bicicletas começou cedo; dedicando a sua paixão pelas bikes, ele realizou o seu maior sonho: a criação da Saga, em 2009. O quadro foi ganhando identidade e espaço no mercado, tornando-se um produto aceitável e respeitado pelos usuários que queriam testar este novo conceito. Infelizmente o criador deste quadro nos deixou devido a uma doença, mas a sua Saga permanecerá para todos os apaixonados das rodas gigantes.
Bikids
Ninguém esquece das primeiras pedalas, não é verdade? E esse é um momento muito importante para a criança, e muito oportuno para que os pais demonstrem todo seu carinho e atenção.
Seja Criativo
Crie um circuito onde a criança possa pedalar, por que depois de um tempo, andar ao redor do canteiro de flores perde a graça. Convide seu filho para ajudá-lo a criar este circuito. Ensine a criança a fazer as curvas do circuito bem abertas primeiro. Faça duas balizas no chão usando giz ou latinhas de refrigerante, e diga à criança para pedalar em volta.
Tire uma das rodinhas
À medida que a criança conquista segurança, vai começar a fazer as curvas com confiança, sem medo. Esta é a hora ideal para tirar uma das rodinhas da bike! Tirando um dos lados, e continuando com os exercícios no circuito, logo a criança terá estabilidade e equilíbrio para finalmente andar sem o auxílio das rodinhas.
Esse tempo de aprendizado varia muito de criança para criança. Mas em qualquer situação, é muito importante manter a disciplina, e ter um tempo para dedicar exclusivamente ao seu filho(a).
Dica Importante: Enfatize o uso da bicicleta em pequenas atividades, como ir ao supermercado, padaria, etc. Dê o exemplo e ensine à criança, desde cedo, a importância de praticar atividades físicas.
Pedro Cury
Uma das técnicas mais importantes que deve ser dominada em qualquer modalidade do ciclismo é saber frear. Siga as dicas abaixo e pratique. Como qualquer técnica, a prática leva à perfeição.
Tipos de freios
Diversos tipos de freios já foram usados em bikes ao longo dos anos. Veja o artigo Entenda Melhor/ Freios na página **XXX*** e descubra qual é o ideal para a sua bike.
Ajuste correto
De nada adianta ter o melhor freio do mercado, se ele não estiver ajustado corretamente. O ajuste mais importante está na posição das alavancas de frenagem e existem três fatores para se considerar:
Posição no guidão – As alavancas de freio devem estar em uma posição que permita seu acionamento com o dedo indicador na sua parte mais externa. É importante acioná-las pelas pontas, pois é onde há maior alavanca mecânica, aumentando a força exercida pelos freios.
Ângulo de acionamento – As alavancas não devem estar nem na horizontal e nem na vertical em relação ao solo, mas sim em uma posição em que seu antebraço, punhos, mão e dedo indicador formem uma linha reta ao frear. Dependendo do seu corpo, da modalidade e da sua posição na bike esse ângulo será diferente. Comece usando 45 graus como referência; depois ajuste conforme sua necessidade.
Altura da alavanca – O ideal é que o ponto de frenagem máxima (onde você não consegue mais apertar a alavanca) seja na metade do caminho entre seu dedo indicador totalmente esticado e totalmente dobrado. Se, para atingir este ponto, você não precisar dobrar muito o dedo, significa que não está exercendo toda a sua força; se, para atingir este ponto, você precisar dobrar muito o dedo, não poderá apoiá-lo na alavanca quando o freio não for usado, ou poderá não usar todo o potencial do freio, principalmente com o desgaste das pastilhas.
O normal é ter o freio traseiro do lado direito do guidão e o dianteiro do lado esquerdo. Quem anda de moto pode estranhar e inverter o lado, porém, se você não tem nenhum motivo realmente importante para usar os freios invertidos, deixe-os na posição normal.
Manutenção em dia
Como em qualquer peça da bike, a manutenção dos freios é essencial. Aros e discos podem empenar, cabos de aço e qualquer parte de metal podem oxidar, sapatas de borracha e pneus podem ressecar e as pastilhas de freio se desgastam com o uso.
Freie apenas com o indicador
Fora das competições, seu freio deve permitir que suas rodas travem, ou estejam a ponto de travar, com as alavancas sendo acionadas apenas com o dedo indicador. Usar dois dedos em situações extremas ou quando você já está cansado ainda é aceitável. Se você precisa usar mais de dois dedos para frear é hora de pensar em um upgrade nos seus freios.
Conheça sua bike e seu freio
Freios iguais em bikes diferentes podem ter reações diversas. Parar a bike é um resultado não só dos freios, mas também da suspensão, terreno, distribuição de peso, pneus e velocidade. Conhecer como os seus freios funcionam com a sua bike é essencial. O ideal é separar um tempo e ir em algum lugar isolado para experimentar. Tente parar a bike o mais rápido possível, mas sem travar as rodas. Pratique com diferentes velocidades, terrenos e com o corpo em posições diferentes. Não esqueça o capacete!
Posição do corpo ao frear
Fique em pé, jogue sempre seu peso para trás, alivie o peso das suas mãos e aumente o peso nos pedais, com a ponta dos pés apontando pra cima. Quanto mais íngreme for uma descida, mais importante é exagerar essa posição. No mountain biking é comum ver os pilotos com o corpo tão pra trás que o selim chega a ficar perto do tórax! Essa posição é super importante porque melhora a tração para a frenagem – é mais difícil a roda derrapar - e principalmente evita que em um caso extremo o piloto seja lançado por cima do guidão. No caso de uma colisão é menos perigoso cair atrás da bicicleta do que ser lançado por cima dela.
Freio Dianteiro, seu melhor aliado
Muitos iniciantes têm medo do freio dianteiro e isso é compreensível, já que travá-los de maneira incorreta pode fazer com que você decole por cima da bicicleta. Porém, ele contribui com 70% do poder de frenagem total da bike! É essencial perder o medo do freio dianteiro. Em terreno liso, freando na posição correta é difícil ser lançado da bicicleta, mesmo travando-o.
Aproveite a modulação
Essa é uma das características mais importantes de um freio. Quanto maior a modulação, mais gradativamente ele consegue desacelerar a roda sem travar. Ou seja, o ciclista consegue ter controle total do quanto quer frear. Conheça bem o poder e limite dos seus freios. Tente sempre frear leve e aumentar a força conforme a necessidade.
Seja qual for a maneira usada para frear, nunca se deve travar as rodas se o objetivo é parar a bike com segurança. A roda travada poderá seguir qualquer sentido ao atingir obstáculos, já que não estará rolando para transpô-los.
Usando apenas o freio dianteiro
Em bicicletas de estrada, há quem defenda o uso apenas do freio dianteiro em paradas bruscas em linha reta, uma vez que o uso dos dois freios pode fazer com que a roda traseira tenha menos tração e queira derrapar para os lados. Porém, isso só funciona em asfalto seco, liso e em linha reta. Caso esteja chovendo, já existe um comprometimento na frenagem e passa a ser mais importante fazer as duas rodas perderem velocidade. Freios que também não possuem boa modulação e não sejam fortes, podem trazer risco nessa abordagem. Além disso, em descidas muito longas, você pode cansar muito usando apenas uma mão para frear o tempo todo.
Usando apenas o freio traseiro
Não é uma boa opção, uma vez que representa apenas 30% do poder de frenagem total da bike. Simplesmente a bike não consegue parar rápido o suficiente. Pra piorar, por não frear o suficiente, o ciclista terá o impulso de apertar mais forte os freios fazendo com que a roda trave, podendo cair para os lados e desgastando mais os pneus. Uma situação em que o uso exclusivo do freio traseiro se justifica é nas trilhas, em trechos muito íngremes onde qualquer desaceleração da roda dianteira possa trazer risco de voar por cima do guidão. Outra situação é no caso do ciclista estar sem controle, fora da posição correta ou até com um pé fora do pedal, onde o uso do freio dianteiro poderia trazer ainda mais desequilíbrio.
Usando os dois freios
É a abordagem mais segura e, na maioria dos casos, mais correta. Ao usar os dois freios, as duas rodas são desaceleradas, o que trará sempre mais vantagens do que desvantagens em quase qualquer situação. De qualquer maneira, deve-se sempre lembrar que o freio dianteiro é mais poderoso e deve ser mais usado.
Outras dicas
Muitas vezes temos a sensação de estar mais rápido do que realmente estamos. Olhe sempre mais para frente, nunca para baixo, e avalie bem a situação real. Não se desespere! Usando as técnicas corretas é possível frear com muita eficiência.
Em trechos longos de descida é preciso tomar cuidado com o aquecimento dos freios e com a dor nas mãos. Freios aquecidos podem falhar. O ideal nesses casos é frear com mais força, mas soltar totalmente os freios, de maneira intervalada.
No mountain biking
Frear em trilhas acrescenta novas variáveis e maiores desafios. Por ser um terreno irregular, o uso do freio dianteiro precisa ser bem avaliado quando se freia em meio a pedras, buracos e raízes. A roda sempre deve estar em rotação para atropelar esses obstáculos, caso contrário eles poderão travar a bike e provocar um “chão”. Também é preciso conhecer bem as suspensões da bicicleta. Ao frear, a suspensão tem uma tendência de endurecer ou ser acionada e nesses casos o amortecimento é comprometido, a geometria da bike sofre alteração e seu peso pode ser forçado a ir mais pra frente. É preciso ajustar e conhecer bem suas suspensões para tornar essas situações previsíveis. Outra característica é que o terreno permite que a roda derrape mais, tornando o uso dos freios mais sensível. Fique atento!
O Menino que Domou o Vento
Malawi – África
CHAMADA INICIAL: Tinha apenas um par de chaves inglesas, para as quais um raio curvado de bicicleta servia como adaptador: não contava nem com recursos para porcas e parafusos.
William Kamkwamba nasceu e cresceu em Malawi, um daqueles países irrelevantes até mesmo para os padrões africanos, marcado pela baixa expectativa de vida, alta mortalidade infantil e AIDS.
Em sua vila não havia saneamento básico, água corrente e eletricidade. Em 2002, com 14 anos, William precisou deixar de frequentar a escola. Seus pais, assolados pela fome, não tinham os 80 dólares anuais para a taxa da matrícula.
Mesmo assim, o garoto continuou estudando de forma autodidata, em uma pequena biblioteca, de um só cômodo, bancada por doações do governo norte-americano.
Novos ventos começaram a soprar no pequeno mundo daquele garoto, quando ele encontrou o livro Using Energy, sobre moinhos de vento. Apesar do livro ser em inglês, idioma que William não dominava, ele persistiu em estudá-lo, e descobriu como os moinhos de vento podiam ser utilizados para gerar eletricidade.
A energia, segundo William, representava o poder e a liberdade para seu povo. O moinho também poderia bombear a água, e melhorar a colheita e a própria distribuição nas casas.
Por três meses ele buscou em latas de lixo, materiais que poderia usar para construir seu moinho. Coletou pedaços de canos de PVC, uma hélice de ventilador de trator e uma bicicleta quebrada. Tinha apenas um par de chaves inglesas, para as quais um raio curvado de bicicleta servia como adaptador: não contava nem com recursos para porcas e parafusos. Aprendeu mais sobre magnetismo, condutores, dínamos, e fez o inimaginável: construiu um moinho de vento.
Um moleque de 14 anos, em um país insignificante da África, ousara criar um moinho de vento com peças de uma bicicleta velha, ao invés de se acomodar, reclamar e se contentar em receber as doações da ONU!
Kamkwamba conta que ouvia comentários do tipo: “você é doido, está fumando maconha demais!”, para os quais respondia: “vejam esta foto no livro! Este moinho não caiu do céu, alguém o construiu!”
Terminado seu primeiro moinho de vento, William equipou sua casa com quatro lâmpadas elétricas, rádios, interruptores feitos de sandálias de borracha, e instalou um disjuntor para evitar que o telhado de palha de sua casa pegasse fogo. O projeto deu certo, e chamou a atenção de seus vizinhos. Logo o moinho foi divulgado na mídia e o garoto foi convidado para apresentar seu trabalho na Technology Entertainment Design, na Tanzânia.
A notícia se espalhou e William Kamkwamba passou a viajar pela África, contando sua história e ensinando a construir moinhos. Quando Bryan Mealer, jornalista especializado na África, ouviu William, passou um tempo reunindo material até escrever o livro The Boy Who Harnessed the Wind ( O Menino que Domou o Vento). O livro já consta na lista de Best Sellers do New York Times.
Hoje, aos 23 anos, o Menino que Domou o Vento estuda na renomada Universidade de Joanesburgo, na África do Sul, onde conseguiu uma bolsa de estudos. Já viajou pelos Estados Unidos, onde participou de diversos programas, como o Daily Show.
A lição que fica é que precisamos parar de arranjar desculpas. Um garoto como William, que não tinha dinheiro, que teve que deixar a escola, e que por certo enfrentou dias em que não tinha sequer comida em casa, tinha todas as desculpas do mundo nas mãos; mas ao invés de se encolher, ele usou suas mãos e sua inteligência – que não é algo que se adquire apenas nas escolas – para mudar a realidade de seu povo, de sua vida, e escrever seu nome na história.
Conhecer alguém que saiu de um pequeno país da África para apresentações em Oxford, na Inglaterra, emociona e reacende nossos próprios sonhos.
E temos muito que aprender com os moinhos. De certa forma, um moinho de vento se assemelha muito aos pedivelas de nossas bicicletas: ele capta e converte uma energia em outra forma de energia, capaz de movimentar outros mecanismos.
Cada um de nós é responsável por construir o seu próprio moinho. Uma história assim mostra que não é preciso acesso à internet, não é preciso revolta e ódio diante das dificuldades. Quem escolhe o caminho da raiva está predestinado ao esquecimento; William Kamkwamba é que será lembrado. Quem constrói moinhos de vento, e ousa sonhar e enfrentar a realidade é que merece ser lembrado.
Planejamento x Tempo
Texto e fotos: Antonio Olinto
Apaixonado por cicloturismo que sou, costumo enfatizar as vantagens de uma viagem de bicicleta. Entretanto, devo reconhecer que, viajando em uma velocidade natural, ou seja, numa velocidade em que temos a possibilidade de absorver todas as nuances do mundo ao nosso redor, necessitamos de mais tempo do que quando utilizamos um veículo automotor.
Quanto mais restrito o tempo, maior a necessidade de planejar. O cicloturista só pode planejar bem sua viagem com informação de qualidade, o que é raro.
Mais que saber quantos quilômetros existem entre uma cidade e outra, é importante saber suas capacidades físicas, o perfil altimétrico do caminho, pavimento, pontos de abastecimento, etc. Tantas informações geralmente só podem ser encontradas em guias de cicloturismo especializados, ou em alguns circuitos consagrados de cicloturismo.
Quem pretende viajar de bicicleta deve treinar antes utilizando um odômetro bem calibrado, pois só assim saberá, com certeza, suas capacidades diárias de deslocamento.
Caso não tenha informação de qualidade sobre o percurso que pretende fazer, planeje com folga: guarde energia para o final do dia e para o dia seguinte, carregue água e comida sobressalente.
Pense sempre que seu treinamento diário geralmente ocorre em condições ideais, que não correspondem à realidade de uma viagem com todo o equipamento sobre a bike. Em viagens mais longas, quando a empolgação dos primeiros dias passa, e enquanto não chega a empolgação pela concretização da viagem, bate um desânimo que pode ser facilmente curado com um dia de descanso.
Em viagens de mais de uma semana, conte pelo menos um dia de folga para cada cinco de pedal, afinal, mesmo um cavalo que trabalha no campo necessita de folga a cada quatro ou cinco de trabalho duro. Mesmo que leve em equilíbrio seu pedalar, e que não esteja assim tão cansado, o dia de folga serve para ser preenchido pelo imprevisto que, a rigor, deve acontecer em uma viagem de bicicleta.
Em minha volta ao mundo nunca tive informações de qualidade; de toda forma, seguia um planejamento anual, pois sabia que deveria evitar ser pego pelo inverno em grandes altitudes ou latitudes, ou chegar a uma região no começo da temporada das chuvas. Havia também um planejamento mensal onde pesava muito as datas de visto dos países em que estava, e dos que iria entrar e/ou onde poderia consegui-las. Meu cálculo de deslocamento rondava os 2.000 km por mês, dependendo do relevo da região e das atrações que desejava ver. Desta forma, deixava o dia a dia bastante flexível para absorver as inúmeras variantes implanejáveis que vão além do perfil altimétrico e dados técnicos: chuva, neve, vento, problemas mecânicos ou simplesmente o desânimo próprio de uma manhã, após uma noite mal dormida.
Quando digo que o imprevisto deve acontecer, não é somente uma probabilidade real de fatalismos, pois nem sempre o imprevisto é negativo.
Imagine um dia ideal... Caminho reconhecidamente plano, com asfalto bom, temperatura agradável, vento a favor. Você acorda disposto e o planejamento para o dia é fazer uns 100 km em sete horas, a 15 km/h, passando pelas cidades A, B e C. Assim, pedala por mais de uma hora até fazer sua primeira parada de descanso. Ao seu lado senta um senhor simpático, que começa a contar belas e interessantes histórias da região. Depois de cinco minutos, você deveria seguir pedalando para cumprir seu cronograma ou continuar a conversa? Qual o objetivo de uma viagem? Onde está o objetivo: chegar na cidade C ou viver, conviver e aprender com a região?
Sempre que falo de planejamento em cicloturismo, enfatizo que tudo é muito simples apesar de não ser fácil. O cicloturista pode usar sua energia para viver a viagem e não simplesmente executar um plano de viagem. Esta flexibilidade só é possível com tempo. Todos nós temos 24 horas de tempo por dia, e mesmo assim, o tempo tem sido considerado o bem mais caro do homem moderno. Por isto, quando planejar uma viagem de bicicleta, seja generoso consigo mesmo e entregue a você mesmo aquilo que já é seu – o tempo necessário para viver a intensidade de uma viagem de bicicleta.
Santa Cruz Butcher
Considerada uma evolução dos modelos de pivô único, a Butcher inaugura o novo sistema de suspensão APP criado pela Santa Cruz como uma alternativa econômica, mas eficiente, ao sistema VPP.
:: A BIKE
A alma da bike está no sistema APP (Actual Pivot Point) de suspensão. Esse sistema possui um pivô único para o movimento da balança, porém o amortecedor traseiro é montado em um link que faz com que haja uma variação na força do seu acionamento (shock rate). Como resultado, a bike é mais dura no início do curso, ajudando a anular as forças das pedaladas que influenciam negativamente o desempenho da bike. No meio do curso, o amortecimento segue uma característica linear, e no final do curso, o amortecimento fica novamente mais duro, o que ajuda a evitar os impactos finais de curso, além de dar uma sensação de amplitude no mesmo, ou seja: a bike parece possuir mais curso do que realmente possui. Além dessa novidade, são usados também rolamentos de contato angular no link principal da suspensão, o que aumenta a vida útil dos mesmos. Para completar, o pivô principal do sistema é localizado em uma posição estratégica, já amplamente testado e aprovado em outros modelos da marca.
Com 150 mm (6") de curso, o quadro é hidroformado e possui pontos para prender os conduítes dos novos canotes telescópicos oferecidos no mercado. Também possui ISCG 05, que é um suporte ao redor do movimento central para facilitar a instalação de guias de corrente e também permitindo o uso do pedivela Truvativ Hammerschmidt. Além disso, o tubo de direção é cônico, seguindo a nova tendência e permitindo o uso de suspensões mais leves e rígidas, contando também com um ângulo de 67.5º, o que deixa a bike mais apta a descer. O amortecedor traseiro Fox Float RP23 Boostvalve, top de linha de cross-country da Fox, que conta com três posições de propedal, completa o conjunto.
A Santa Cruz não possui nomes diferentes para as diferentes configurações, ao invés disso, oferece 13 kits de montagens diferentes. Testamos o kit D am, que é a opção mais econômica, com componentes de características mais voltadas para o cross-country, portanto, contando com um avanço de 100 mm, guidão de 680 mm e suspensão dianteira com eixo de 9 mm.
A suspensão dianteira é uma Rock Shox Sektor R SA, que proporciona 150 mm (6") de curso com funcionamento a ar e controle externo de retorno. A ****** espiga é cônica, aproveitando essa possibilidade do quadro.
Os freios Avid Juice 3 hidráulicos possuem rotores de 160 mm em ambas as rodas. Já as rodas são compostas de aros WTB FX, com raios DT Swiss em cubos Shimano M525. Os pneus são Maxxis Highroller 2.35 com estrutura de arame.
Esteticamente a bike segue uma linha bem limpa, sem muitas misturas de cores e com um apelo visual nos tubos hidroformados. É oferecida em vermelho, preto, branco, verde, marrom e azul.
:: O TESTE
O nome Butcher vem de uma trilha muito rápida e técnica da Califórnia, que é uma das preferidas do pessoal da Santa Cruz. Portanto, pode-se esperar uma bike que encare os piores terrenos, mas ainda mantendo uma característica all mountain. Com a quantidade de curso de suspensão, é esperado um desempenho superior nas descidas em relação às subidas.
Para testar a bike, convidamos Junior de Paula, que compete há XXXXXX******* anos e possui outro modelo da marca, justamente um modelo pivô único de onde foi inspirada a Butcher. Foi usada uma calibragem um pouco mais alta do que o recomendado nas suspensões.
O que se nota na bike com essa configuração é que apesar dos 150 mm de curso, a posição de condução lembra mais uma bike de cross-country que uma de downhill. Isso é confirmado ao pedalar em trechos planos e subidas. Principalmente nas subidas, a posição é muito confortável e a bike não tem tendência de levantar a roda dianteira, como poderia ser esperado em uma frente tão alta. A mesa de 100 mm certamente tem um papel importante nessa característica. A suspensão dianteira, porém, por falta de uma regulagem externa de compressão e trava, sobe melhor com uma calibragem mais alta que a recomendada. Em trechos técnicos o sistema APP cumpre a promessa de manter a suspensão firme para uma maior tração, o que ainda pode ser customizado através das três regulagens externas de propedal do amortecedor traseiro Fox. Os pneus escolhidos não condizem com as características voltadas ao XC do kit, sendo pesados para subidas mais longas.
Nas descidas, apesar da mesa longa e da calibragem alta das suspensões, a bike brilha! O sistema APP realmente mostra que a bike é capaz de encarar trechos complicados para uma bike de all mountain, com um desempenho superior e parecendo que tem mais curso do que realmente tem. A suspensão dianteira Rock Shox, apesar de não ser a top do modelo, teve um desempenho muito satisfatório, superando os obstáculos sem “reclamar”. Os pneus, que não são ideais para subidas, oferecem desempenho de downhill nas descidas, tendo tração superior principalmente em curvas. Tudo isso faz com que a bike peça mais e mais velocidade e é onde os freios Avid não tiveram o desempenho esperado, não freando forte o suficiente. O guidão de 680 mm também poderia dar um desempenho melhor para a bike nas descidas, se fosse um pouco maior, com 710 mm.
:: CONCLUSÃO
A Santa Cruz sempre inova e impressiona com suas tecnologias de funcionamento das suspensões e geometria equilibrada. O APP mais uma vez prova a competência da marca nesse quesito e a Butcher oferece um quadro que segue as novas tendências, e se manterá atualizado por bastante tempo. Com pequenas mudanças, a bike pode se adaptar melhor a diferentes perfis de praticantes de all mountain, sendo uma excelente opção para quem quer uma bike de desempenho superior, mas sem o custo dos modelos VPP top de linha.
:: GARANTIA E INVESTIMENTO
http://santacruzmtb.blogspot.com
PROS:
Sistema APP realmente funciona
Tubo de direção cônico
Amortecedor Fox RP23
CONTRAS:
Freios fracos
Pneus pesados
Punho sem lock
Em Busca da Receita Pronta
Carlos Meneses
É verdade que a ponta do joelho tem de ficar alinhada com a ponta do pé? O guidão tem de esconder o cubo da roda dianteira quando olhamos de cima? Se eu medir a distância entre o guidão e o selim, pelo tamanho do meu cotovelo até a ponta dos dedos, está correto?
Se existe um assunto que nunca vai cessar é a busca por uma receita para fazer o Bike Fit caseiro. Após a publicação do artigo "Bike Fit: eu mesmo posso fazer?", na edição 004, vários foram os e-mails recebidos. Dentre os diversos assuntos abordados, destaca-se a busca por esta receita.
É preciso enfatizar: não existe receita pronta, truques e dicas. Um bom Fitter possui técnicas baseadas em estudos científicos que adotam, como parâmetros, a aferição de ângulos formados por pontos anatômicos específicos. Esses ângulos vão variar de acordo com as distâncias entre esses pontos, quando se compara dois indivíduos. Somente assim é possível encontrar o perfeito posicionamento, onde o máximo de energia é aproveitado na pedalada, obtendo o máximo em conforto.
Fora isso, o que temos são mitos e lendas que, de tanto serem repetidos, acabam tornando-se verdades. Com o advento da internet e do Ctrl+C/Ctrl+V, receitas mirabolantes se difundiram entre os ciclistas de tal maneira que provavelmente você já usou ou vai usar uma delas alguma vez na vida.
"Afinal, existe uma maneira correta de ajustar a bike sem consultar um Fitter?" A resposta é simples. Ajustar a bike sem consultar um Fitter é possível sim; difícil será saber se sua bike realmente está no posicionamento correto e, inclusive, se o tamanho do quadro é adequado. O simples fato de viver com essa dúvida torna qualquer desconforto, um dilema: será que é um breve desconforto ou existe algo que pode ser melhorado no posicionamento?
Sabe quando você sai para pedalar com seus amigos, e justamente naquela subida você assiste todos eles dispararem na sua frente, e ao chegar ao topo, param para assistir você completar a subida? Nesse intervalo de tempo você pensa: "O que está errado? Será que tenho que trocar o conjunto de marchas? Será que essa bike está muito pesada? Será que não estou me alimentando direito?" Esse tempo é quase um purgatório, onde você se martiriza procurando respostas para a sua falta de rendimento. Várias vezes os colegas palpitam sobre seu posicionamento na bicicleta, o grande problema é que cada um dá uma dica diferente. Alguém diz para aumentar a altura do selim, outro diz para abaixar, e um terceiro argumenta que o seu quadro é que está errado para você. Em meio a esse turbilhão de dicas, e sem saber o que fazer, você recorre ao seu mecânico de preferência, que por sinal pedala a mais de 20 anos e já venceu várias provas de Speed ou Mountain Bike, e pede que ele ajuste a bicicleta.
Nesse ponto é preciso fazer um comentário em favor desses profissionais. Quando eles atendem o seu pedido de ajustarem o seu posicionamento, estão lhe oferecendo o que têm de melhor. Constantemente recebo atletas que, após terem suas bikes ajustadas, reclamam que o mecânico "tal" fez errado. Mas ele não é Fitter! Ele é mecânico, que pedala a vários anos e, por meio de tentativas e erros, encontrou um ajuste que lhe oferece conforto, e dentro de seus conhecimentos, acredita que este posicionamento seja o ideal para qualquer pessoa. Quando o ajuste não fica bom, não significa que o mecânico agiu por maldade: ele apenas repassa o que julga ser correto dentro do seu entendimento.
Mas o melhor posicionamento para ele não é o melhor posicionamento para você. Aliás, ele nem mesmo tem certeza de que aquele posicionamento é o melhor para si próprio, apenas não se sente incomodado. Em uma análise mais profunda, o posicionamento de uma pessoa em uma bicicleta de estrada é diferente do posicionamento da mesma pessoa em uma Mountain Bike.
Fazendo uma analogia, é possível construir uma casa sem consultar um engenheiro? Claro que sim, e é até comum vermos pessoas sem nenhuma formação em construção civil construir e vender casas. Mas será que existe alguma diferença entre essas duas casas? Sim, e são enormes.
A primeira é a existência de um projeto. Se algum dia você precisar modificar qualquer parte da casa, basta consultá-lo para saber onde passam os canos, a fiação elétrica, as colunas de sustentação, a rede de esgoto, enfim. Outra diferença fundamental é que, ao contratar um engenheiro, caso aconteça algum problema, você tem a quem recorrer. Esses profissionais são filiados a um conselho que regulamenta, registra e fiscaliza a profissão. Ao contratar um engenheiro, você tem a segurança de que esta pessoa sabe o que está fazendo.
Você pode pensar: "Que bobagem! Existem tantas casas sem projetos que são muito boas!" Talvez, em uma primeira impressão, as diferenças possam não aparecer. Mas com o tempo surge uma trinca aqui, outra ali, pelo fato de não ter sido corretamente avaliado qual a capacidade de quilos que o terreno é capaz de suportar, e ao ceder ao peso da construção, as paredes criam fissuras. Quando chove, as goteiras aparecem. Ao lavar a calçada, a água empoça em um canto do quintal por não ter sido projetada uma descaída para escoamento. São coisas que aparecem com o tempo.
Com o Bike Fit, a ideia é a mesma. Quando você faz o Bike Fit com um Fitter (profissional do Bike Fit) você tem a certeza de que a posição ajustada é a melhor para o seu conforto e aproveitamento de energia, e ao final de uma prova restará fôlego suficiente para investir no sprint final. Quando não o faz, aparentemente está tudo bem, mas com o tempo o ajuste inadequado pode resultar em inflamações e lesões.
O fato de o Fitter conhecer muito bem a biomecânica do esporte permite que ele planeje o posicionamento do atleta ao longo da evolução física. E assim como os engenheiros, os Fitters são profissionais vinculados aos conselhos profissionais da área da saúde (Educadores Físicos, Fisioterapeutas, Biólogos, Médicos, Biomédicos, entre outros), que se responsabilizam pelo registro profissional e fiscalização da atuação profissional. Isso garante segurança e profissionalismo ao serviço executado.
Coluna Bike Business - Falta de Incentivos Fiscais prejudica o Mercado Nacional de Bicicletas – Parte 1
Texto: Álvaro Perazzoli
A super tributação do governo brasileiro aos produtos produzidos no país e os elevados impostos de importação não são novidades para nenhum empresário do Brasil.
No setor de bicicletas, há alguns anos ocorre uma mobilização por parte de profissionais do setor, pilotos e consumidores para uma redução de taxas para bicicletas e respectivas peças e acessórios, com o objetivo de fortalecer o mercado interno e proporcionar um maior consumo através de um preço acessível e justo, principalmente por se tratar de um produto que promove ao mesmo tempo a mobilidade sustentável, o uso desportivo e o bem-estar através da atividade física. Em alguns casos, há produtos importados comercializados no Brasil que chegam a custar até 200% mais caros do que no exterior.
Não bastando os impostos, o setor agora sofre com o comércio paralelo e um novo assunto começa a ser questionado: a falta de fiscalização por parte do governo na alfândega, Correios e internet.
Contatamos diversos profissionais e consumidores do mercado nacional de bicicletas para darem suas opiniões em artigos sobre o tema, que serão publicados mensalmente na coluna Bike Business.
Internet: vilã ou aliada no mercado nacional de bicicletas?
No início da última década o mercado de bicicletas nacional teve um enorme crescimento no setor especializado graças a internet. A rede contribuiu para que os produtos e o esporte se difundissem para um novo público, e permitiu a comercialização e divulgação através de lojas virtuais próprias, redes sociais e sites especializados.
Atualmente essa realidade mudou. Para alguns profissionais, a rede passou de aliada a vilã de lojistas, importadores e distribuidores brasileiros. O setor nacional está sofrendo com o mercado paralelo cada vez mais forte.
O comércio feito por pessoas que não declaram receita, trabalham sem nota fiscal e, em alguns casos, nem possuem CNPJ, está possivelmente sendo feito através de sites como Ebay, Mercado Livre e lojas internacionais.
O buraco na lei e a falta de uma fiscalização eficiente pela Receita Federal na alfândega, internet e Correios, está permitindo a muitos indivíduos trazer produtos do exterior para o Brasil, acima da cota de isenção de impostos, sem serem taxados.
Essa prática faz com que mercadorias com um preço muito mais baixo atraiam compradores brasileiros que não levam em conta a procedência e os danos que isto causa no mercado.
Prejuízos e Danos no Mercado Interno
De acordo com Daniel Aliperti, responsável pelas marcas Sram e Specialized no Brasil, se os fabricantes, importadores e lojistas que agem de acordo com a lei deixarem de vender seus produtos devido à concorrência desleal de contrabandistas e os negócios minguarem, haverá desemprego e fechamento de lojas. “Se as lojas fecharem o cliente perderá um ponto de apoio, alguém que luta para solucionar seus problemas e que está sempre ali para lhe atender.”
“Olhando da forma mais pessimista, os bons lojistas podem quebrar e deixar somente os malandros que geralmente prestam maus serviços, pois focam somente em vendas e ganhos em curto prazo, oferecendo péssimo serviço e atendimento”, contou Daniel.
Neyfe Fauza Machado, proprietário da Loja Bike Tech Mogi, não vê a internet como uma inimiga. Ele acredita que quanto mais lojas virtuais legalizadas existirem, melhor será, pois isso estimula a concorrência. Segundo ele, o problema é a inoperância do governo com relação às empresas ilegítimas. “O mundo está fora de controle, o governo não consegue controlar nada.”
"A impressão que dá é que as empresas que são legais vivem sendo fiscalizadas, levando multa e apanhando do governo. Já os blogs, sites e pessoas que trabalham ilegais e sem nota, parece que ninguém fiscaliza e nada acontece”, completou Neyfe.
Mercado Virtual
Sites de livre comércio on-line, como o Mercado Livre e Ebay, são fontes de críticas de muitos lojistas, pois eles alegam que muitas mercadorias são enviadas sem nota e com procedência incerta.
Conforme os Termos e Condições Gerais de Uso da empresa Ebazar.com.br Ltda, do Grupo Mercado Livre, a empresa se coloca apenas como fornecedora de um espaço para o comércio de produtos entre os usuários do site, e não é fornecedora e responsável pelos produtos e serviços ali anunciados.
Segundo o proprietário da Bike Tech Mogi, se eles lucram com isso, são responsáveis sim. “Isso tem o mesmo efeito daquela famosa placa do estacionamento que diz que o estabelecimento não se responsabiliza por objetos deixados no carro. Isso é apenas efeito moral, pois nenhuma cláusula contratual, nenhum contrato inteiro, é superior a uma lei.”
“A culpa não é do Ebay ou do Mercado Livre. Eles são apenas canais de comunicação. Os culpados são os lojistas e compradores malandros que burlam a legislação”, comentou Mauro Ribeiro, empresário responsável pela Mauro Ribeiro Sports.
A redação da Revista Bicicleta não conseguiu contato com a empresa Mercado Livre até a finalização desta edição.
A Lei
O Decreto Federal nº. 6.870 define que as pessoas físicas somente podem importar mercadorias para uso próprio. Já o Decreto Federal nº. 6.759/09 estipula que a cota máxima de não taxação para compras feitas através de viagens no exterior é de US$ 500,00.
O imposto para quem exceder o limite é de 50%, sob pena de ser aplicado esse valor mais 50% no valor excedente caso a declaração seja falsa ou não corresponda à bagagem.
O limite de isenção para compras no exterior dentro do país, através de sites e lojas com entrega por meio de serviços postais é de US$ 50,00 com o frete, ou seja, o valor da entrega e produto não devem exceder a cota. Neste caso, se o produto que obteve isenção for comercializado ou os documentos de declaração forem fraudados, os bens podem ser apreendidos, o indivíduo poderá pagar uma multa de 200% sobre o valor e ainda ser processado criminalmente.
Fóruns de Discussão
Alguns lojistas e empresários acusam os fóruns de discussão sobre bicicletas de serem alvos e focos de venda de produtos ilegais. Os classificados de fóruns são colocados como serviços aos usuários e, na grande maioria, há uma política que impede a participação de lojas e a venda de produtos novos ou advindos do exterior.
Rafael Lott, administrador do fórum Urban Riders, disse que a venda de bicicletas novas nunca ocorreu no site. Conta que o comércio de peças sem uso só é permitida em casos especiais, mediante nota de empresas nacionais e com uma boa justificativa. “Um exemplo que citaria é uma luva que alguém ganhou e não serviu, ou até uma suspensão que ficou ruim na bike.”
“Monitoramos sempre, entrando em cada link. Se caracterizar revenda ou lojista nacional sem contrato com o site, a equipe retira o link, tranca o tópico, manda uma mensagem pessoal para a pessoa e copia tudo isso em uma seção para ser estudado e discutido entre os administradores”, declarou Rafael.
Pedro Cury, proprietário do Pedal.com.br, explicou que lojistas que não compram de importadores presentes no Brasil não podem se tornar nem anunciantes do site. “A política do Pedal é evitar que haja revenda com objetivo de lucro. Nós queremos promover um comércio justo para ciclistas e afastar quem quer transformar os classificados em um negócio."
“A comercialização de qualquer produto feita por lojistas é proibida. Lojistas têm a opção de se tornarem anunciantes caso queiram divulgar seus produtos. Os usuários precisam preencher um formulário de autorização para anunciar produtos novos, que são analisados um a um”, informou Pedro.
Garantia e Assistência Técnica
Muitas distribuidoras e importadoras não dão garantia para os produtos sem procedência trazidos do exterior de marcas comercializadas legalmente no Brasil. Algumas só aceitam a garantia mediante a nacionalização do produto, ou seja, que os devidos impostos tenham sido recolhidos na entrada do país.
“Mercadorias compradas em sites de leilão ou outros endereços virtuais, que não sejam fontes oficiais nomeadas pela marca, não tem garantia, pois podem ser roubadas, semi-novas, extraviadas, falsificadas, entre outras”, mencionou Daniel Aliperti.
De acordo com Daniel, a garantia da Sram e Specialized vale na loja onde a mercadoria foi adquirida. O lojista deve solicitá-la junto ao fornecedor em seu território, seja em Tóquio, Londres ou Texas.
“Só é oferecida assistência para casos de garantia aos produtos comprados através de revendedores autorizados, seja no Brasil ou exterior. Dependendo do caso, resolvemos o problema, mas isto pode acarretar em custos para o cliente, o que não acontece com quem comprou o produto aqui, em um revendedor oficial”, declarou Aliperti.
Motivos e Causas
O empresário Mauro Ribeiro morou 20 anos na Europa, e contou que esse tipo de comércio ocorre no Brasil por conta do próprio brasileiro, que não valoriza o mercado interno, aceita calado toda a carga tributária aplicada nos produtos comercializados aqui e não exige que as leis sejam cumpridas.
“Nós pagamos impostos em cascata. A indústria paga um imposto, a distribuidora outro, o lojista outro e por fim o consumidor final. Somos um dos países com a maior carga tributária do mundo”, definiu Mauro.
Para Daniel Aliperti, muitos consumidores optam por esse comércio porque querem gastar menos, já que a carga tributária eleva consideravelmente os preços por aqui. “Em alguns casos, é a maneira encontrada para realizar um sonho, mas pode virar pesadelo e é ilegal. Deixar de recolher impostos é crime, punível com processo e cadeia”.
Pedro Cury comentou que muitos consumidores compram fora por falta de informação, pois não calculam o valor dos impostos corretamente e não sabem que os produtos comprados fora muitas vezes não têm garantia aqui.
Rafael Lott, que também é piloto e consumidor, considerou que essa questão deveria ser revista, para que os lojistas tenham acesso a esses produtos com preços reduzidos e, assim, repassarem aos consumidores por um preço justo.
“No mercado de Ciclismo Extremo, por exemplo, há peças que não se consegue no Brasil, e quando se consegue demora muito, além de ser muito caro. Isso motiva pessoas a comprarem direto lá de fora, pagando imposto ou não. Alguns correm os riscos, mas mesmo com impostos, em alguns casos fica mais barato do que comprar em uma loja aqui, sinal de que algo anda errado”, acrescentou Rafael.
“O brasileiro tende a achar que a culpa é dos lojistas e importadores que colocam preços altos apenas pensando no lucro. Porém, as exigências do governo com importação legal e uma variedade de altos impostos é que fazem os preços serem assim”, definiu Pedro Cury.
Neyfe Fauza Machado definiu como um problema cultural e falta de patriotismo do brasileiro, pois muitas pessoas querem pagar mais barato sem se importar à custa de quê ou de quem.
“O norte-americano não compra fora igual a gente, pois ele quer os benefícios que o governo oferece através dos impostos. Por anos o nosso governo fez a campanha “pechinche”, como se a inflação fosse culpa nossa; sem contar aquela propaganda de cigarros com o jogador Gerson, onde o lema era levar vantagem em tudo”, declarou Neyfe.
“Com a globalização, não faz mais sentido as coisas custarem o dobro do preço por aqui. Isso é uma mentalidade do século passado e não do século 21”, concluiu Daniel Aliperti.
O mercado paralelo e a ilegalidade fazem parte de uma discussão que está longe de ter um fim. A lei existe, mas falta a aplicação efetiva. Consumidores precisam valorizar o mercado interno; lojistas e distribuidores precisam de incentivos fiscais do governo para fornecerem preços mais justos e de acordo com a realidade da população brasileira.
A segunda parte deste artigo será veiculada na próxima edição da Revista Bicicleta. Caso você queira manifestar sua opinião sobre este assunto, envie um e-mail para Alvaro@revistabicicleta.com.br .
USADOS BIKE FESTIVAL
São Paulo – SP
Texto: Max Meirelles
Fotos: Ag. Nítida Image/Marcos Vaz
O Usados Bike Festival, idealizado por Eduardo Ramires, é um evento que propõe a venda e troca de equipamentos para bicicleta, informações, e integração entre ciclistas praticantes de todas as modalidades do ciclismo, como o BMX Race, Dirt Jump, Bike Trial e Street. Em sua primeira edição, 26 de março, o ponto de encontro foi nas pistas do Bike Park Cancioneiro – CDC Arena Radical, em São Paulo, capital, na região da Vila Olímpia, Praça Augusto Rademarker Grunwald, 37.
Com um público de cerca de 100 ciclistas, com perfil bem familiar e participativo, esta edição do Festival foi uma grande confraternização, com bons negócios, ótima trilha sonora e performance artística do grafiteiro Alex Senna, que decorou a fachada da sede. Foram realizadas pequenas “JAM’s” nas modalidades Free Style e Bike Trial, provas de bob frontal e lateral, com premiação de diversas peças e um quadro oferecido pela Pro X. No início da noite, quase na penumbra, uma prova de “caça contra o relógio” levou atletas experientes e principalmente crianças a um êxtase, marcando o evento no coração e na memória, com inúmeros pedidos para novas edições.
A chave do sucesso do evento foi a integração: pais que acompanhavam filhos e se revezaram em bikes emprestadas, atletas participando e se divertindo sem compromisso em modalidades que não praticavam... Muitas pessoas experimentando, arriscando, se divertindo. Renata Falzoni, convidada como palestrante, buscou o equipamento de filmagem e não largou mais até o último convidado, acabando por transformar a palestra prometida em uma deliciosa matéria para o Planeta ESPN.
A ideia proposta por Eduardo Ramires é que o evento funcione como uma feira, um espaço aberto para a troca de informações, venda de usados, queima de estoques, divulgação, exposição de bikes antigas, arte, fotografia, espaço para demonstrações, palestras e debates com temas ligados ao ciclismo, como cidadania, saúde, qualidade de vida, trânsito, manutenção, mecânica de equipamentos, técnicas de lazer e esportivas.
A integração é a ligação principal para a evolução do ciclismo como esporte, como estilo de vida, e para a disseminação de ideias. Para as próximas edições, a Associação Sócio Esportiva SP X está buscando artistas plásticos, fotógrafos especializados e colecionadores de bikes antigas para a montagem de exposições, além, é claro, das programações esportivas com as concorridas JAM’s e provas contra o relógio.
NUTRIBIKE
Amanda Miranda, nutricionista funcional CRN 28467/P e Beatriz de Andrade Vilela, nutricionista CRN 28312/P
O Papel da Nutrição em Provas de Resistência
A participação de atletas em eventos esportivos de endurance, como a prova Audax e triathlons, tem aumentado a atenção despendida para o papel da nutrição sobre a performance.
A alimentação é um dos fatores que favorece o desempenho atlético, pois quando bem orientada permite que o atleta treine por mais tempo e se recupere melhor, pode reduzir a fadiga durante as provas, aumentar os depósitos de energia para as competições, reduzir episódios de lesões, e contribuir para a saúde geral do atleta.
Nas provas de resistência, a maior preocupação dos atletas é manter o ritmo considerado ideal durante toda a prova. Para isso, o atleta precisa, além de um treinamento físico bem conduzido, consumir uma quantidade adequada de energia para sustentar as demandas do esforço físico realizado.
As principais fontes de energia para os exercícios prolongados são os carboidratos e as gorduras. No entanto, o esforço físico prolongado pode aumentar o uso da proteína para gerar energia para o exercício.
A alimentação pré-treino deve ser rica em carboidratos (pães, massas, arroz, batata, mandioca, biscoito, bolo simples, frutas), pobre em gordura (molhos com muita gordura, biscoitos recheados, manteiga, frituras, maionese), proteína (leite e derivados, carnes) e fibras (frutas com casca, hortaliças cruas, as sementes e os farelos). A refeição deve ser realizada cerca de 40 minutos antes da atividade física.
Durante a competição, é importante garantir consumo do carboidrato, presente nas barras energéticas esportivas, repositores em gel, bebidas energéticas, em alimentos como bisnaga ou pão de forma com geleia, porção de purê de batata caseiro em sachês plásticos, frutas sem bagaço e frutas secas.
Para evitar a fadiga muscular e fornecer energia é indicado o uso de suplementos hipercalóricos contendo carboidrato em maior quantidade, gordura e proteína durante o exercício físico.
Mantenha-se bem hidratado uma semana antes da data da competição, para evitar déficit do desempenho esportivo. No dia do evento, os suplementos de carboidrato e os hipercalóricos devem ser diluídos em água na caramanhola e consumidos de acordo com a sua tolerância gástrica ao longo de todo o percurso da prova.
Após o treino ou a competição, uma refeição balanceada é necessária para repor a energia e os nutrientes gastos durante o exercício. Devem estar presentes alimentos fontes de carboidrato, proteína e gordura, como os óleos e oleaginosas (castanha, nozes, amêndoa, amendoim) e as vitaminas e minerais presentes nas frutas e hortaliças.
Nos esporte muitos intensos, podem ocorrer sintomas como tontura, ânsia de vômito e fraqueza generalizada. Isto está relacionado à desidratação e/ou com a taxa de açúcar muito baixa: hipoglicemia. Neste caso, bebidas com alta concentração de açúcar, como os refrigerantes, poderão corrigir a concentração de açúcar no sangue, ajudando-o a continuar a prova. Deve-se prestar atenção na perda de sódio pela roupa: se estiver muito esbranquiçada, orienta-se ingerir cápsula de sal. Esta recomendação deve ser avaliada individualmente por um nutricionista.
Numa situação de sede extrema prefira a água, em seguida outro tipo de bebida, de preferência a bebida isotônica.
Tabela: Quantidade de carboidrato em produtos esportivos Gramas de
Carboidrato
Medida
Caseira
Cal
Barras Energéticas
40 a 50 g
1 un
230 a 300
Carboidrato em Gel
20 a 28,0 g
1un
100
Bebidas Esportivas
30 a 40 g
2 copos (500 ml)
120 a 160
Especialmente nos esportes de endurance, é fundamental o acompanhamento com nutricionista para que o treino seja eficaz e garanta a recuperação do organismo, além de evitar deficiências nutricionais, baixa imunidade, envelhecimento precoce, lesões e promover, sobretudo, a saúde.
TAIPEI INTERNATIONAL CYCLE SHOW
Texto e fotos: Milton H. Takahashi
No mês de março tivemos a oportunidade de ver novos produtos e conseguir novos negócios no maior evento do setor de bicicletas na Ásia, e o terceiro maior no mundo.
Você sabia que grande parte das marcas famosas conhecidas no Brasil são fabricadas em Taiwan? Pois é, se você possui uma bike importada, dê uma olhadinha na parte inferior dela. Achou? MADE IN TAIWAN. Marcas americanas, europeias, australianas, e muitas outras legitimamente fabricadas em: TAIWAN!
Isto ocorre desde a década de 90, e é para lá que muitas marcas correm, para que seus projetos sejam desenvolvidos junto aos grandes fabricantes de quadros para bicicletas, aros, pneus, e diversos outros componentes. Algumas empresas são apenas incumbidas da montagem das bicicletas com base nestes componentes, como é o caso da Merida.
Bom para todos! Afinal, se estas grandes marcas se utilizaram dos serviços deste país, é por que existem motivos de sobra para tal: qualidade, compromisso, serviço e desenvolvimento.
Do aeroporto de Guarulhos, são 45 horas de viagem – que enfrentamos para ver tudo de perto. Ainda em Guarulhos fomos informados que nossa segunda conexão, em Tókio, poderia estar comprometida devido ao recente terremoto de 8.8 na escala Ritcher, seguido de Tsunami, que destruiu toda a parte nordeste do Japão. Mesmo assim, embarcamos, eu e mais dois parceiros de viagem.
Depois de 10h30min de vôo, nossa primeira escala em Chicago. Passamos pela imigração e alfândega, apesar da verdadeira inquisição a que sempre somos submetidos. O segundo vôo, para Tókio, acontece normalmente apesar da catástrofe. Imaginávamos encontrar um verdadeiro cenário de caos no aeroporto. Ficamos sabendo que cerca de 13.000 pessoas estiveram presas ali devido ao terremoto. Mas, para nossa surpresa, estava tudo normal, mais tranquilo que a cidade de São Paulo em dia de feriado prolongado...
Enfim, nos dirigimos para o terceiro e último vôo: haja posição na poltrona! Depois de 19 horas de filmes assistidos e seis refeições deliciosas no avião, chegamos a Taiwan.
A FEIRA
Depois de uma noite de rola e rola na cama e um café da manhã com cara de janta, devido ao fuso horário, rumamos para o evento. Expectativa, ansiedade, cerimonial e, enfim, as portas se abrem.
No saguão principal, logo na entrada, nos deparamos com um stand em forma de caixa de vidro, com produtos de alguns fabricantes de Taiwan. No primeiro andar da feira, de um total de três andares, encontra-se a maioria dos expositores locais. No total, são 948 expositores – entre locais e estrangeiros -, 1600 stands e uma lista de 800 empresas na espera por um espaço para o ano seguinte.
Tudo muito profissional. Nada de modelos estonteantes ou shows pirotécnicos, como nas feiras de carros. A atração maior é a identidade de todos com a bicicleta, e a busca de bons negócios. Sem dúvida, muito déjà vu para aqueles quem vêm regularmente a esta feira, afinal de contas não se reinventa a roda todos os anos. Mas para aqueles que traçam seus objetivos antes da viagem, sem dúvida as feiras são verdadeiras minas de ouro.
Para os marinheiros de primeira viagem, o que sem dúvida saltam aos olhos são as bicicletas cada vez mais leves e resistentes, fabricadas com materiais extremamente caros como o carbono, titânio e ligas quase espaciais de alumínio, equipadas com os componentes de transmissão e frenagem mais sofisticados da face da terra: trocam de marcha automaticamente ou, ao clique de um botão, freiam com precisão e até com o auxílio de um sistema ABS.
Mas a “menina dos olhos” da atualidade, sem dúvida, é a bicicleta elétrica. É neste momento que fazemos uma pequena reflexão. Com um apelo muito forte da campanha pelas formas de energia limpa, as bicicletas elétricas têm sido largamente utilizadas como meio de transporte nos países mais desenvolvidos. Muitas vezes ligando pontos estratégicos do sistema de transporte público e até disponibilizadas pela própria ação governamental, as bicicletas elétricas já fazem parte do cenário de diversos países europeus e asiáticos.
Infelizmente ainda não cultivamos e compartilhamos desta cultura, dado o alto nível de vendas de motocicletas e automóveis no Brasil e o poder de seus lobbies junto às esferas do governo, assim como não possuímos em grande parte de nossas cidades a infraestrutura necessária para o uso da bicicleta.
“Nem tudo que reluz é ouro”, mas em uma feira com tantos expositores, stands e produtos, este princípio deve ser deixado de lado, pois o que está sendo exposto é o que o fabricante possui de melhor. Até o momento vimos apenas produtos caros e que dificilmente seriam vendidos em larga escala no Brasil. Como então descobrir os produtos corretos para o nosso mercado? Muito trabalho!
Pudemos verificar que a grande mudança da feira de 2011 em relação à de 2010 foi o desenvolvimento de diversos projetos de fabricantes locais sem o auxílio maciço dos europeus e americanos, que deixaram temporariamente de alimentar tais fabricantes com seus projetos quase mirabolantes e extremamente custosos, devido à crise que ainda os assola. Resultado, muitos produtos novos com um toque dos projetos antigos. Ou seria o contrário: muitos projetos antigos com cara de produto novo?
Novos perfis de aro, rodas montadas com design mais leves, diversos projetos de quadros com suspensão traseira, maior utilização de ligas especiais de alumínio e alguns produtores ainda se utilizando da fibra de carbono em seus produtos. Demonstração clara da influência do europeu que simplesmente venera o material. Moda é moda. Este apelo do material fibra de carbono não é pura e simplesmente pela busca por desempenho, mas também de status, pelo alto valor do produto com que é fabricado. Durabilidade e melhor custo x benefício ainda são adjetivos do alumínio que hoje, devido aos diversos tipos de tratamento, se tornou ainda mais resistente, leve e durável.
Stands, reuniões, mais produtos, mais explicações, demonstrações, e sei lá como o dia acaba. Ainda participamos de jantares com fornecedores: com cara de anteontem, sorrimos para as câmeras digitais de nossos parceiros comerciais. Uno, dos, treeszszsze? Click! Caímos na gargalhada!
No segundo dia encontramos com vários distribuidores brasileiros, todos sempre muito atarefados, às vezes até ofegantes, tentando não se atrasar para suas reuniões. É uma verdadeira corrida contra o tempo, em quatro dias de feira.
Algumas poucas empresas estrangeiras optam pela apresentação de novos produtos em Taiwan, pois acreditam que em seus países (ou próximo a eles), tendem a serem mais efetivos. Mas tanto europeus como americanos já começaram a mudar isso, basicamente por dois motivos. Primeiro pelo fato de a feira em Taiwan conseguir atrair um número maior de potenciais compradores da América Latina e América Central, em relação àquelas realizadas na Europa e EUA. Segundo, os lançamentos podem ser trabalhados ao longo do ano corrente, o que normalmente não acontece com as feiras da Europa e EUA, que são realizadas no segundo semestre (setembro).
Passamos para o andar superior onde encontramos alguns expositores taiwaneses e todos os expositores estrangeiros. No corredor principal, algumas das maiores empresas do setor: GIANT, MERIDA, SHIMANO, SRAM, CAMPAGNOLO. Um verdadeiro encontro de titãs.
Uma das grandes empresas do setor, a Shimano inicia a promoção de seus novos produtos neste evento. Apesar disto ocorrer às portas fechadas, conseguimos dar uma olhadinha nas novidades. Sigilo! Mas nos foi permitido adiantar algumas mudanças nas linhas de produtos para MTB e Ciclismo de Estrada. Sistema de refrigeração para freios a disco, sistema de câmbio eletrônico Di2 na linha de ciclismo de estrada denominada ULTEGRA, muito aguardada por atletas e entusiastas, linha ACERA de MTB com 27 marchas, muitas mudanças estéticas e outras extremamente técnicas.
Bicicletas dobráveis, estilo chopper, cores e decorações estonteantes, um verdadeiro show. Entramos em um stand com bicicletas dobráveis e pensamos, por que não as vemos no Brasil com mais frequência? Afinal, para um país sem infraestrutura para a bicicleta e com grande parte dos habitantes das grandes cidades residindo em apartamentos, a bicicleta dobrável deveria aparecer mais no cenário. Extremamente cara há alguns anos, hoje nem tanto, ela é uma excelente solução para levarmos no porta-malas do carro.
Próximo stand, outra surpresa. Velocímetro sem fio e com sistema touch. A Apple está aqui? Nada disso! Mas bem que poderia. Um velocímetro para bicicletas que não possui botões. Informações de velocidade, distância percorrida, e outras passam pelo display de LCD ao simples toque do dedo na parte inferior do aparelho. Será que toca música? “Boa sugestão”, disse o dono da empresa. “Talvez no ano que vem, mas o GPS está garantido”, afirma.
Luzinhas de segurança piscando, cata-vento, outros produtos em demonstração, e paramos em um stand de sistema de freios ABS. Mais essa! Fico ali meio incrédulo, com o canto do olho, observando um vídeo. Um pequeno tambor adaptado ao freio da bicicleta controlando a frenagem. Parecia um comercial de carro. Recebo um panfleto e sigo em frente.
O alto-falante anuncia que o segundo dia de feira havia terminado.
A disposição de todos agora já não é mais a mesma. Até os expositores já começam a dar sinais de cansaço. Ao final de uma série de visitas aos stands de bicicletas montadas, e após algumas reflexões, concluímos que:
Houve um pequeno aumento do número de modelos de bicicletas equipadas com um aro de tamanho maior. Estas, denominadas 29ers (aro 29), possuem basicamente os mesmos equipamentos de uma mountain bike normal, ficando a diferença por conta de uma roda com três polegadas a mais em seu diâmetro.
Outra moda que ganha força nos países com maior infraestrutura para o ciclismo, são as bicicletas de ciclocross urbanas. Derivadas da bicicleta de estrada (Road Bikes), não oferecem marchas (single speed). Visual esguio, e com certo ar das bicicletas usadas em velódromos, aparentemente não traz muitos benefícios ao ciclista. Mais uma vez, moda é moda.
Já com relação ao acabamento das bicicletas, reparamos o uso de pinturas mais sofisticadas com divisões de cores sem o uso de adesivos. Para o leitor leigo talvez não signifique muito, mas até alguns anos atrás, apenas as grandes montadoras as ofereciam. O custo ainda se mantém alto.
Vamos para o último andar do prédio de pavilhão no sexto andar, por uma escada normal. Surpresa: o padrão da feira agora desaba. Com tantas empresas na lista de espera por uma oportunidade de participar, e a suposta falta de espaço para um evento ainda maior, a organização disponibiliza um espaço (notoriamente planejado para outro tipo de uso) sem muito cuidado, colocando pequenos stands dentro de salas, outros em corredores estreitos, tudo extremamente improvisado. Difícil até para o visitante.
Mas como tudo é festa, e participar dela já é uma grande vitória, acredito que todos ficam satisfeitos ao final. Nada de muito interessante. Talvez em espaços maiores do que os nove metros quadrados de espaço, os stands e produtos se tornassem mais atrativos.
Finalmente, chega o quarto dia. A feira hoje é aberta para visitação pública. Terminamos as últimas reuniões e decidimos que não teríamos como lutar por um espaço nos corredores com público ávido para ver um produto ou conseguir brindes e pôsteres assinados por atletas e figuras locais.
Pedal Seguro
Cláudia Franco
O nível de segurança no trânsito é proporcional ao nível de cidadania e educação de um povo.
Perguntei a diversas mulheres o motivo de não pedalarem nas ruas. Mais de 80% disseram que era por falta de segurança. A segurança a que elas se referiram está 100% atrelada ao modo agressivo e desrespeitoso com que os motoristas conduzem seus carros pelas ruas das cidades. Por isso o desafio torna-se muito maior, pois não basta investir apenas em ciclovias, é necessário investir também em campanhas de cidadania e educação.
É fato que as pessoas estão se tornando cada vez mais impacientes, intolerantes e consequentemente agressivas. Não conseguem perceber que aquele que se sujeita a conduzir um carro em metrópoles invariavelmente enfrentará longos congestionamentos. É inexorável. Nenhum cidadão consegue controlar o trânsito, melhorá-lo com gritos e xingamentos, com buzinação e agressividade.
A única coisa que está sob o controle do motorista é o controle de si mesmo, a decisão que ele pode tomar entre alimentar o sentimento de irritação, frustração, agressividade, raiva ou então entender claramente que o trânsito caótico de grandes cidades é um problema a ser resolvido a longo prazo, e que todas as pessoas que estão nas ruas e avenidas, sejam eles carros, motocicletas ou bicicletas, exatamente todos, têm os mesmos direitos.
Está sob o controle do motorista entender que sobre uma bicicleta há outro ser humano igual a ele, com os mesmos direitos, os mesmos sonhos, as mesmas vontades, e que merece ser respeitado.
O comportamento agressivo de motoristas não está mais relacionado somente aos homens; as mulheres também adotaram postura semelhante. Faço um convite às mulheres que se sentem poderosas ao pilotar um carro de forma violenta, muitas vezes colocando a própria vida em risco, que venha sentir o verdadeiro poder sobre uma bicicleta. A bicicleta lhe dá liberdade, e uma verdadeira sensação de poder - o poder da realização, o poder da superação, o poder de chegar onde quiser com o esforço do próprio físico e determinação.
Como tornar as ruas mais seguras? Com muito respeito, com muita cidadania, com muita educação e amor ao próximo.
As mulheres que desistiram do automóvel para usar a bicicleta como meio de transporte, perceberam que a vida pode ser e é muito mais divertida, muito mais gratificante sobre o selim de uma bicicleta.
Celso Kassa, consultor esportivo e personal biker, morou 16 anos no Japão e há dois anos voltou para o Brasil. Ele garante que, com relação ao uso das bicicletas como meio de transporte, a grande diferença entre o Brasil e o Japão é a cidadania e o respeito ao ciclista. A bicicleta é considerada um meio de transporte e todos a respeitam como qualquer outro veículo.
”Em Tóquio, por exemplo, não existem ciclovias, as bicicletas circulam livremente pelas ruas compartilhando o espaço com os carros e motos. As mulheres chamadas de office ladies usam bicicletas como meio de transporte. Mulheres vestidas com roupas sociais, de meia fina e salto alto, costumam usar duas bicicletas no percurso de casa para o trabalho; uma usada de casa até o trem e outra bicicleta da estação de trem até a porta do escritório”, comenta Celso.
Aqui no Brasil ele confirma que a grande maioria das mulheres teme a falta de segurança no trânsito, mas garante que é possível aumentar sensivelmente a segurança se a ciclista souber como se comportar na bicicleta em meio às ruas e avenidas.
Mais de 80% das mulheres que fizeram o curso no CicloFemini comigo começaram a pedalar como uma forma de exercício. Depois da segunda ou terceira aula se entusiasmam e começam a planejar e a cogitar o uso da bicicleta como meio de transporte.
A fisioterapeuta Ana Maria Peres Cardoso, que trabalha com atendimento domiciliar, após uma viagem à Holanda adquiriu o hábito de andar de bicicleta. Voltando ao Brasil, começou a usar a bicicleta para algumas atividades, como ir à feira e a lugares mais próximos de sua residência. Usava a bicicleta nos dias de menos movimento, como sábados e domingos. Ana contou que não se esquece de uma cena que viu na Holanda: uma mulher de bicicleta a caminho de uma festa, trajando um vestido preto, com meias finas, salto alto e guarda chuva, pois estava chovendo. Ela contou que o príncipe da Holanda tem como hábito levar o filho à escola de bicicleta.
Com estes exemplos fica claro que andar de bicicleta vai além da educação, da cidadania, da cultura. Andar de bicicleta é um estilo, uma opção sensata e agradável de vida.
Ana Maria contou que após um problema de saúde percebeu a necessidade de praticar exercícios, de manter-se em movimento. Como fazia os atendimentos próximos de sua residência, resolveu fazer o percurso de sua casa até a casa dos pacientes a pé. Após um período, as distâncias ficaram mais longas e ela resolveu usar a bicicleta definitivamente como seu meio de transporte. “O importante para andar com segurança no trânsito é tornar-se visível, usar uma jaqueta amarela refletora. É feita de um tecido muito fino e leve, especificamente para a sinalização do ciclista”, recomenda Ana Maria.
Usar a bicicleta como meio de transporte é um processo. Deve-se iniciar aos poucos até sentir-se segura para percorrer longos percursos. “O andar de bicicleta aumentou o meu equilíbrio e a minha percepção visual, não apenas para andar de bicicleta, mas para outras situações também. Andando de bicicleta, além do bem-estar que sinto, sou muito mais feliz”, finaliza Ana.
Cleber Ricci Anderson, ciclo-ativista, proprietário da Anderson Bicicletas e colunista do Jornal Metro, concorda que poder andar de bicicleta com segurança pelas ruas é uma questão de cidadania, educação, cultura e gentileza. Cleber é um profundo estudioso e pesquisador do assunto, e há muitos anos vem desenvolvendo um trabalho focado na orientação das pessoas que desejam usar a bicicleta como meio de transporte.
“É necessário fazer um planejamento antes de simplesmente pegar a bike e sair pedalando pelas ruas. É necessário conhecer as regras de trânsito relacionadas à bicicleta, é necessário conhecer os percursos recomendados do seu ponto de saída até o destino. Via de regra o percurso que será feito de bicicleta não será o mesmo que se faz com o carro. Com a bicicleta, o ideal é usar as vias alternativas e de menos movimento”, recomenda Cleber.
Para facilitar a vida da ciclista, Cleber desenvolveu o Guia de Bike na Rua. Neste guia a ciclista encontrará todas as informações e dicas fundamentais para poder andar de bicicleta com segurança pelas ruas de sua cidade.
“Recomendo que a ciclista faça um planejamento de sua rota. Após o planejamento, deve-se percorrer o trajeto em um dia de menos movimento, para ter certeza de que definiu a rota correta. Há um excelente guia de rotas na internet, é o Bikemap.net. Neste guia há inúmeras rotas já traçadas e é possível planejar, traçar e gravar uma rota pessoal”, finaliza Cleber.
“Uso a bicicleta como meio de transporte há três anos, mas ganhei mais confiança no último ano, depois de conhecer e planejar melhor as rotas e também de andar melhor depois de ter participado de um curso de pedal urbano”, comenta Ludmila de Carvalho Oliveira, socióloga e professora de francês.
Ludmila morou muitos anos em Florianópolis e usava a bicicleta em todas as atividades. “Devido à falta de cultura dos cidadãos, a mulher enfrenta muitas dificuldades para ter a bicicleta como seu meio de transporte. Existe preconceito e desrespeito. O que mais me incomoda é o desrespeito de alguns motoristas e motoboys. Os motoboys fazem muitas gracinhas, e alguns até tentam um contato físico. É lamentável, pois fica evidente que a população em geral não está preparada para ter um ciclista na rua, principalmente se este ciclista for mulher. Minha família não me incentiva muito, eles se preocupam demais com a minha segurança. Recebo mais críticas do que incentivo, mas mesmo assim não abandono a bicicleta por nada”, comenta Ludmila.
“O importante para andar de bicicleta na rua é o planejamento. É tudo muito simples, basta se organizar e pesquisar o percurso. A confiança aumenta à medida que você se familiariza com o trajeto”, resume.
“A forma como as mulheres vêem o uso da bicicleta no dia a dia está orientando os planejadores de cidades interessadas em implantar redes de ciclovias. Mulheres pedalando é o melhor indicador de quão pedalável é a cidade. De forma geral, concordo que as mulheres são um dos termômetros da ciclobilidade nas cidades. São as mais frágeis, mais suscetíveis à violência urbana. Quanto mais usarem a bicicleta, melhor a cidade será para todos! Está aí uma coisa que nossos vereadores e prefeitos precisam pensar, se algum dia chegarem a cogitar implantar ciclovias: sigam as mulheres!”, comenta Rogério Fagundes Leite, Químico Industrial pela UFPe/Recife-PE, Mestrado em Eng.de Materiais pela UFSCar/São Carlos-SP, ciclista urbano e cicloativista.
Concluo que a fórmula para o pedal seguro é a combinação de educação, cidadania, respeito ao próximo, planejamento de rotas e conhecimentos de regras básicas. De saia e salto alto, mulheres que enfrentam o trânsito sobre duas rodas são agentes de transformação. Muito femininas, sem sentirem-se frágeis e desprotegidas, estas mulheres economizam tempo e dinheiro, cooperam com o meio ambiente e de sobra ganham saúde, disposição e beleza.
ABOUT ME
Luli Cox
É fácil escrever sobre bicicleta. É uma paixão, e tudo que vem do coração flui como um downhill: só encaixar na bike e descer! Difícil é escrever sobre nós mesmos, mas de algum lugar temos que começar, não é?
Sempre pedalei na vida, paralelamente a todos os outros esportes que me encantei ao longo dos anos; andei de skate, patinei, fiz natação, judô.
Descobri corrida de aventura, que parecia juntar todas as modalidades bacanas num só esporte: corrida, canoagem, técnicas verticais e mountain biking! Entrei de cabeça nas provas em 2004. De 2006 a 2009 participei de grandes competições da modalidade.
Querendo variar um pouco das corridas de aventura, resolvi fazer o Cape Epic sem nunca ter participado de nenhuma prova só de bike na vida. Esse foi o meu marco zero no mundo exclusivo das magrelas, em 2009.
A partir daí, com a minha fiel dupla cor de rosa, Dri Boccia, resolvemos percorrer essa nova dimensão, conhecer o mundo e as provas de endurance de mountain bike que tem por aí (e olha que têm muitas)! Já temos algumas boas no currículo; Transrockies, Tour de la Patagonia, Claro Brasil Ride, e estamos indo atrás de novas.
Neste cantinho aqui na revista, vamos poder dividir as experiências das competições, contar sobre a rotina das provas, as maluquices das viagens sobre duas rodas, episódios divertidos e curiosidades.
Foi dada a largada! Vem com a gente!
Muito prazer!
PALAVRA DO MECÂNICO
Equipe Bike Company
Câmara de ar
A câmara de ar é um dos elementos da bike mais sujeitos a problemas, pois são relativamente delicadas, e qualquer objeto pontiagudo pode furá-las ou cortá-las.
O conserto das câmaras não tem segredo algum e é bem simples de ser realizado, apesar de muitas pessoas terem receio de fazer.
Os furos geralmente são causados por objetos que ficam presos no pneu, como pregos, arames e cacos de vidro; ou então por uma batida da roda de forma que o aro “morda” a câmara – o famoso “snake bite” ou mordida de cobra -, que são dois furos na mesma direção causados por este esmagamento do aro sobre a câmara.
Partimos do princípio de que você conheça e possua os elementos necessários para o reparo, e que a câmara não esteja danificada a ponto de você não conseguir remendar, ou seja, furos maiores que 3 ou 4 mm.
Seu kit básico deve ter:
O primeiro passo é retirar a câmara de dentro do pneu; para isso, saque a roda da bike e, com o pneu já murcho, desencaixe ele do aro usando o par de espátulas, caso o desencaixe esteja muito difícil apenas com as mãos. Basta fazer com que uma parte do pneu saia do aro para desencaixá-lo completamente.
Neste momento, preste atenção no posicionamento do pneu, e confira se o que causou o furo ainda está nele. Verifique se não tem algo preso em seu interior (pregos, arames, vidro, ou outro material que possa ter provocado o furo). Se estiver tudo certo, passe a ponta dos dedos, com bastante cuidado, por dentro do pneu, para uma última análise. Confira, também, o lado de fora e se encontrar algo que possa ser o agente causador do furo, retire-o.
Agora você pode partir para o conserto da câmara. Se você conseguiu visualizar o que causou o furo, e prestou atenção na posição do pneu, vai ter uma ideia de onde ele está na câmara.
Caso não tenha localizado o furo, ou ele não estiver visível, pegue a bomba e encha a câmara até ela tomar forma; com calma, passe a câmara próximo à parte de baixo do nariz que, por ser uma região sensível, permite detectar facilmente o vazamento. Se você estiver em um local silencioso, poderá até ouvir o vazamento.
Depois de localizar o vazamento, pegue uma lixa e raspe o furo para limpar o local e facilitar a aderência da cola.
Pegue o tubo de cola e passe uma fina camada sobre a região do furo, formando um círculo maior que o remendo. Depois aguarde um pouco antes de aplicar o remendo: o ponto correto de aplicá-lo é quando a cola não gruda mais nos dedos, quando você a toca de leve.
Nesse meio tempo, a câmara já deve ter esvaziado. Caso não, retire um pouco do ar para que a borracha não fique esticada.
Em seu kit de remendos, procure ter vários remendos de diferente tamanhos. Selecione o que tiver o tamanho mais adequado, retire o plástico que recobre a superfície aderente e aplique-o centralizado no furo.
Pressione o remendo para provocar uma maior aderência. Para assegurar que o serviço foi feito corretamente, encha um pouco a câmara e verifique se o remendo não apresenta vazamentos nas bordas.
Pronto: você já pode partir para a remontagem do pneu e roda na bike.
Quando estiver montando a câmara dentro do pneu, deixe um pouco de ar nela – isso auxilia no processo. Feche o pneu no aro, e finalmente encha definitivamente o pneu e monte a roda de volta na bike.
No caso de um “snake bite” você terá dois furos bem próximos. Se você tiver um remendo mais comprido, prefira cobrir os dois furos com a mesma peça. Caso precise usar dois remendos, faça de forma que não fiquem sobrepostos.
Sua câmara já tem remendos a ponto de parecer uma joaninha? Então se liga: já passou da hora de trocar por uma nova! Três ou quatro remendos indicam que a vida útil da câmara terminou.
Pedalada das Meninas cresce e aparece
Desde 2005, o Dia Internacional da Mulher vem sendo comemorado às pedaladas por um grupo cada vez mais expressivo de pessoas apaixonadas pelo mountain bike. Como a maioria das boas ideias, a “Pedalada das Meninas” também surgiu de uma necessidade. Elaine Navarro tinha sido apresentada ao esporte anos antes, em 2001, por seu marido, que na época já era praticante assíduo. Como não podia ser diferente, ela se encantou pela atividade. Mas, apesar do crescente interesse feminino, este ainda é um universo predominantemente masculino. E muitos dos mountain bikers, é preciso dizer, nem sempre têm disponibilidade e paciência para acompanhar as iniciantes.
Ao observar esta realidade, Elaine e sua amiga Tatiana decidiram criar um grupo de mulheres. Elas montaram um circuito, chamaram outras amigas, e logo estava formado o pelotão, inicialmente com 15 “meninas” – sem dispensar a companhia masculina de namorados ou companheiros de algumas delas. Era mês de março e a iniciativa foi também uma forma criativa, saudável e diferente para celebrar o Dia Internacional da Mulher.
Deu tão certo, que no ano seguinte o encontro se repetiu. Como o grupo cresceu, foi necessário pensar na logística da organização. O cuidado em providenciar caminhão e carro de apoio, bombeiro socorrista, café da manhã reforçado antes da volta ciclística e água e alimentos para distribuição aos participantes durante o percurso não é apenas capricho feminino, mas sinal de que o mountain bike está sendo levado a sério pelas garotas. Por isso, ainda que muitas delas sejam iniciantes e tenham neste evento o primeiro contato com essa modalidade de ciclismo, a Pedalada vem se firmando cada vez mais como porta de entrada para o esporte.
Clube da Luluzinha democrático
No último dia 13 de março, nada menos que 150 participantes, destes sendo 90 mulheres, prestigiaram o evento e ganharam a camiseta rosa que distingue o grupo. Na equipe de apoio, cerca de 30 pessoas assumiam as mais diversas funções para dar suporte aos participantes. E, pela terceira vez consecutiva, o evento absorveu o alerta e as informações dadas pela ONG + Vida – Centro de Apoio ao Portador de Câncer, que este ano deu orientações sobre câncer de mama e arrecadou 170 litros de leite – doados pelos ciclistas – para serem destinados às pessoas assistidas pela Organização.
No grupo entusiasmado de mulheres podia-se encontrar com facilidade quem prometesse voltar no ano seguinte. O trajeto de 26 quilômetros teve largada e chegada no Camping Cabreúva, localizado na região de Itu (SP) e alternou trechos mais fáceis, de reta e asfalto, com desafios próprios do mountain bike, como algumas subidas mais íngremes e trechos de terra entrecortados pela lama formada pela forte chuva do dia anterior. Nada que tirasse o ânimo e animação das meninas.
Prova de que a brincadeira ficou séria é a bem calculada logística para a realização do evento e, além disso, o fato de atrair a cada edição mais seguidoras e a atenção de alguns patrocinadores de peso, como Shimano, Trek, Proshock, Mulheres de Sucesso, ConsultList e Clube da Luluzinha, além do apoio do Camping Cabreúva, da Suum e da Polícia Militar e Rodoviária.
A 8ª edição da Pedalada já está marcada para acontecer, no dia 11 de março de 2012. Os homens, mais uma vez, serão bem-vindos, desde que sejam previamente convidados e estejam acompanhados de uma participante inscrita. Neste caso, são elas a apresentar e conduzir os meninos nesse esporte em ascensão.
Texto: Rose Campos e Eduardo Russo / Fotos: Alex Tommesani e Guilherme Freitas
Cerejas do Bolo
Bianca Fernandes
Um bolo recheado com muita testosterona, técnica e habilidade; mas em pontos estratégicos aparecem algumas cerejas, preparadas para viver mais um dia de Belas Feras. Não são muitas, comparadas à massa masculina, mas são suficientes para serem notadas e cobiçadas, como em um bolo de aniversário.
A maioria das pessoas pode pensar que mountain biking é voltado para homens que têm grande preparo físico e técnica; mas as mulheres vêm evoluindo e tornando-se tão capazes quanto os homens, resultado da crescente prática e força de vontade. “Hoje, os homens são referências para mim. Quero sempre andar mais que eles, embora nem sempre isso aconteça. Esse é o meu foco”, conta a sorridente Roberta Stopa, atleta profissional há mais de 12 anos.
Outras competem somente por alegria. “Para mim, competir nunca foi um objetivo, foi sempre uma consequência. A competição é como a vida: não podemos estar preocupados com o que vem pela frente. Temos que estar ali 100% presentes naquele momento. Curtir e se divertir é sempre o objetivo de uma prova, e terminar é uma consequência feliz”, conta Luli Cox, que quando compete, esbanja alegria em tons cor de rosa.
Como boas meninas, o amor é algo que sempre prevalece na dura rotina de treinos, nas viagens e em cada alinhamento para a largada. “Antes de qualquer coisa tem que amar o que faz e fazer porque gosta. Dificuldades, todos nós temos com alguma coisa, mas precisamos saber lidar com isso. Para acordar todos os dias e dedicar mais de oito horas ao treinamento realmente tem que amar muito”, afirma Roberta Stopa, que sempre leva a competição ao extremo para poder desfrutar do sabor de missão cumprida. “É muito bom terminar uma prova, mesmo que não seja com o resultado esperado, com a sensação de que você deu o máximo e se sentiu muito bem.”
O número de competidoras cresce a cada ano. A preocupação com as mulheres e a maior quantidade de categorias fez com que, em pouco tempo, muitas trocassem o pedal social pelo gosto da competição, trazendo futuras promessas ao esporte.
Algumas já fazem parte da história. Este é o caso de Jaqueline Mourão, atleta olímpica e pioneira do mtb feminino brasileiro. Jaque começou a pedalar aos 15 anos. A paixão pelo esporte levou-a adiante, através de uma trajetória incrível de vitórias, superação e feitos inéditos.
“Em minha trajetória enfrentei muito preconceito, e ser pioneira não foi fácil. Mas poder mostrar que é possível sonhar e lutar pelos seus sonhos vale a pena, e isso me motiva muito. Gostaria de inspirar mais e mais pessoas a lutarem e mostrarem que, com dedicação e força de vontade, é possível conquistar seus objetivos”, diz Jaque.
Uma das chaves para o desenvolvimento da atleta é estudar. Por mais difícil que seja conciliar os treinamentos, viagens e competições, o estudo é algo que realmente vale investir. “O conhecimento na área de fisiologia do exercício e treinamento esportivo me ajudou muito. Aprendi conceitos, tanto para me recuperar melhor quanto para programar minha temporada. E ainda, me concentrar nos estudos também me ajudou muito mentalmente. Também me deu mais segurança, pois caso não conseguisse um bom desempenho no esporte, eu poderia contar com minha carreira de educadora física”, afirma Jaque, que se orgulha por ter completado os estudos e acrescenta: “não aconselho nenhum atleta a parar de estudar. Os estudos me ajudaram muito na minha vida de atleta!”
O apoio da família também é uma das bases para o sucesso. “Participo de competições oficiais desde os 12 anos e sempre tive acompanhamento e incentivo do meu pai. Nas provas, ele me dá todo o apoio psicológico, mecânico e abastecimento que eu preciso, e isso me ajuda muito”, diz Luana Machado, que sempre vê, em cada conquista, a figura de seu pai.
Se você quer aliar o sentimento de liberdade que a bicicleta proporciona a uma boa dose de aventura e adrenalina, mova-se e seja parte integrante do bolo: pois realmente nós fazemos qualquer corrida ficar mais charmosa!
CARGA & BICICLETA
Texto: Zé Lobo e Denir M. Miranda
Fotos: Transporte Ativo
Qual seria a razão para as pessoas não usarem a bicicleta? Fizeram esta pesquisa na Austrália, e 13% dos entrevistados disseram que não usam a bicicleta porque precisam carregar coisas. É o terceiro maior motivo, com o mesmo número de pessoas que responderam sentir falta de segurança nas ruas.
Em um mercado que produz bicicletas sem bagageiros e sem cestinhas, é um motivo bem provável; porém, se tiver um veículo adequado, saindo direto da fábrica ou com acessórios acrescentados pelo proprietário, está resolvido! Hoje se carrega de tudo em bicicletas e triciclos. De simples documentos a sacos de cimento, passando por cachorrinhos de estimação e pãezinhos.
Por um lado, apenas com cestinha ou bagageiro o ciclista transporta suas próprias coisas: a pasta para a escola ou trabalho, as verduras do mercado, toalhas, energéticos e protetores solares. De outro lado, com bicicletas desenhadas para levar grandes cargas - conhecidas como cargueiras aqui no Brasil - a bicicleta é um excelente meio de transporte para o último estágio da distribuição de um produto, que é a entrega de varejo direto ao consumidor.
Recente pesquisa, realizada na cidade do Rio de Janeiro, apontou que a principal vantagem da bicicleta na entrega de mercadorias é sua agilidade e praticidade. Confira no quadro abaixo a opinião dos gerentes dos estabelecimentos entrevistados:
Principais vantagens do uso de bicicletas e triciclos na entrega de mercadorias, segundo gerentes de estabelecimentos.
Fonte: Transporte Ativo – ITDP
Outros dados encontrados na pesquisa: alguns triciclos chegam a carregar até 250 kg, alguns entregadores fazem mais de 50 entregas por dia, normalmente em um raio de 3 km, mas algumas entregas chegam a mais de 15 km.
O potencial da bicicleta para transporte de mercadorias nas cidades é normalmente subestimado pelas autoridades. Quando houver melhores condições de uso para este tipo de transporte, mais estabelecimentos o agregarão à sua frota.
São inúmeros os benefícios para a cidade, o trânsito e o meio ambiente. Menor ocupação e uso mais eficiente do espaço, menos ruídos, sem emissões de poluentes ou gases estufa, tudo isso a um baixíssimo custo ambiental e de orçamento público. Para o empresário, significa uma frota de aquisição e manutenção baratas, funcionários saudáveis e, principalmente, clientes satisfeitos pela rapidez e eficiência.
Veículos de carga movidos a pedal têm sido usados ao redor do mundo para agilizar entregas, reduzir custos e tempo de viagem, gerar emprego e circular mercadorias. Isto acaba por criar uma nova demanda por diferentes tipos de bicicletas e triciclos.
Uma vez que a bicicleta pode transportar os mais variados tipos de coisas, acaba por se adaptar a cada modalidade de entrega gerando versões específicas para cada uma delas.
Veja os diferentes tipos de estabelecimentos encontrados na pesquisa que se utilizam de bicicletas:
Fonte: Transporte Ativo – ITDP
Por este motivo, não são apenas as empresas que estão se valendo de biciCletas cargueiras. Em alguns países, cada vez mais pessoas buscam diferentes modelos para suas necessidades diárias. De olho na tendência, algumas grandes marcas já começam a embarcar na onda. Veja estes modelos:
Kona Ute,
http://www.konaworld.com/bike.cfm?content=ute
Gary Fisher Transport +,
http://www.trekbikes.com/us/en/bikes/gary_fisher_collection/urban_utility/transportplus/
Batavus Flying D
http://fr.batavus.com/collection/V%c3%a9los+de+ville/Flying+D/Flying+D.aspx
A dinamarquesa Bullit ,da LarryvsHarry, considerada a cargueira mas veloz do mundo.
http://www.larryvsharry.com/english/index.html
E a brasileira Tryor.
www.tryor.com.br
O mercado nacional ainda carece de maiores opções. Mas da próxima vez que pedir uma pizza, não se assuste se chegar um bikeboy. E quando for carregar alguma coisa, vá de bicicleta. Dá até para fazer sua mudança de endereço de maneira saudável, limpa e superdivertida.
Confira o perfil de alguns entregadores ciclistas e suas bicicletas customizadas:
Flavio, 22 anos.
Tempo de profissão: 6 anos.
Estabelecimento: Lavanderia.
Bicicleta: West Bike - Super CargaModelo , Aro 20/26, sem marchas.
Número médio de viagens / dia: 20.
Peso máximo carga total: 50 kg.
Principal vantagem: Grande contato com as pessoas, curtir a paisagem sem pegar trânsito.
Principal desvantagem: Falta de educação dos motoristas e insegurança viária.
O que poderia melhorar: Todas as ruas deveriam ter faixas para bicicletas.
Comentário: Repare nos acessórios especiais da bicicleta para poder transportar ternos, paletós e vestidos sem amarrotar.
Mauro, 32 anos.
Tempo de profissão: 16 anos.
Estabelecimento: Açougue.
Bicicleta: Genérico, Aro 20/26, sem marchas.
Número médio de viagens / dia: 20.
Peso máximo carga total: 42 kg.
Principal vantagem: Não se preocupar com o trânsito.
Principal desvantagem: Não existe segurança alguma, é perigoso.
O que poderia melhorar: Ciclovias por toda a cidade.
Comentário: As vantagens são muitas, encontrar a principal foi difícil.
Huemerson, 21 anos.
Tempo de profissão: 4 anos.
Estabelecimento: Pet Shop – Veterinária.
Bicicleta: WRP - Fortezza, Aro 20/26, sem marchas.
Número médio de viagens / dia: 15.
Peso máximo carga total: 100 kg.
Principal vantagem: Circular sem pegar trânsito, é ágil e rápido.
Principal desvantagem: Insegurança, muitos motoristas não respeitam.
O que poderia melhorar: Infraestrutura para os ciclistas.
Comentário: A bicicleta tem capacidade para carregar até dois animais e leva também até 6 sacos de ração.
Dakar 2011 de Bike
Em 2010, Werner Hermann Hennig percorreu o roteiro do Dakar de bicicleta. Saiu de Buenos Aires, em 14 de junho, pedalou 7.400 km até retornar à cidade argentina, em 17 de setembro – com seus 60 anos por fazer, sozinho, dependendo exclusivamente das pessoas que encontrou pelo caminho. Uma jornada difícil que depende de dois pontos principais: a superação pessoal e a ajuda das pessoas desconhecidas.
Força e superação nunca faltaram para Werner; entre suas muitas aventuras, estão uma pedalada de Rio do Sul (SC) até Balneário Camboriú (SC), com 16 anos de idade. Voltou a pedalar aos 43 anos, quando percorreu o trajeto de Roma a Steikenjer, na Noruega: foram 4.023 km em 33 dias. Outra aventura foi a viagem de aproximadamente 4.900 km entre Blumenau (SC) e Ushuaia, na Argentina, que é a cidade mais ao sul do planeta. Em 2006, também saindo de Blumenau, Werner pedalou até Itapoa, praia mais ao norte de Santa Catarina, e enquanto pedalava pelas praias, gravava matérias para a RBS TV, afiliada da Rede Globo, até chegar a Passo de Torres, praia mais ao sul de Santa Catarina. Em 2008, Werner pedalou 190 km entre Blumenau e Rio do Sul, passando por Indaial e Apiúna, para votar. Ele saiu às duas horas e chegou às 10h12min em sua seção de voto.
No Dakar 2010, o aventureiro enfrentou obstáculos naturais, como frio e calor, fome, cansaço, solidão, mas todas as dificuldades foram compensadas pelas paisagens belíssimas e pelas pessoas especiais. Em uma das suas cartas, Werner relatou: “Conhecer pessoas sempre é bom; conhecer vocês foi muito especial! O mundo tem muitas curvas, tenho certeza que na próxima curva, vamos nos encontrar novamente.” O pensamento revela sua gratidão por todos que encontrou no caminho, e que de alguma forma contribuíram para o sucesso de sua aventura. Os gestos de solidariedade, aconchego e simpatia tornam a jornada possível, e todas as pessoas ficam na memória para, na próxima curva, reencontrarem-se.
Propor a si mesmo um desafio como este, e vencê-lo, é fantástico e, no caso de Werner, engraçado. Histórias de imprevistos que se tornam motivo de diversão devem estar presentes. Ri-se o aventureiro que, em um hotel em Trenque Lauquen, na Argentina, não tinha chuveiro elétrico, aliás, nos hotéis da Argentina ou Chile, a água é aquecida por caldeira. Neste caso, por convenção, há dois registros: o do lado esquerdo é água quente, e o do lado direito, água fria. Depois de deixar o chuveiro ligado por aproximadamente 15 minutos, nada de água quente no chuveiro de Werner. Quando foi reclamar com a recepção do hotel, informaram que estava tudo certo, e se a água ainda não estava quente, ele deveria deixar correr mais água. Voltou para o quarto... esperou... esperou... e só então percebeu: a água quente era no outro registro!
Desde que começou a desbravar o terreno inóspito da superação pessoal de seus limites, o percurso do Rally Dakar foi um dos maiores sonhos de Werner. O roteiro do Dakar 2011, que acontecerá nos meses de junho, julho e agosto, será a próxima aventura.
Fotos: Arquivo Pessoal
Os freios são partes essenciais de uma bicicleta. São compostos por alavancas, cabos de aço ou componente hidráulico, conduítes, calipers e pastilhas.
Os fatores que fazem alguns sistemas de freios – ou algumas marcas/modelos – melhores que outros são peso, conforto, facilidade de regulagens/manutenção, força e modulação (controle da suavidade da frenagem).
Existem vários sistemas de freios para mountain biking, entre eles os já quase extintos cantilevers, os V-Brakes, os freios hidráulicos e os freios a disco (mecânicos ou hidráulicos).
CANTILEVERS
Os freios cantilevers não são mais encontrados em bikes modernas. O sistema dele é bem simples: um cabo de aço é ligado a outro cabo fazendo uma estrutura em "Y" e cada lado aciona uma das pastilhas. Esse sistema caiu em desuso por ser trabalhoso de regular, necessitar mais força nas alavancas e não ter muita modulação. Foi um sistema muito usado e eficiente, mas evoluiu para os V-Brakes.
V-BRAKES
Os freios V-Brakes são a evolução dos cantilevers e contam com um funcionamento bem eficiente: o cabo de aço que sai do manete aciona diretamente os dois braços da pastilha, puxando um lado e empurrando o outro ao mesmo tempo. O braço que sustenta as pastilhas faz uma alavanca para garantir uma força suficiente para uma boa frenagem. As vantagens dos V-Brakes em relação aos sistemas de disco e hidráulicos são facilidade de manutenção e preço; porém, hoje em dia, a popularidade dos sistemas a disco faz o preço dos dois sistemas ficarem aproximados. Além disso, alguns quadros e suspensões das linhas mais altas não estão vindo mais com os pinos para esse tipo de freio. Mesmo com a evolução dos discos, os V-Brakes permanecem confiáveis para uso não competitivo.
FREIOS HIDRÁULICOS
Os freios hidráulicos, conhecidos por alguns como "V-Brakes hidráulicos" foram moda há alguns anos atrás, mas hoje não oferecem muitas vantagens sobre os discos. Eles são mais pesados que os V-Brakes, precisam de um pouco mais de manutenção por serem hidráulicos e o preço é mais alto. Por serem de aro, porém, possuem a maior força de todos e se tornam indispensáveis para o biketrial. Nessa modalidade, quase todos os pilotos usam um freio hidráulico de aro na roda de trás. A marca mais popular, e uma das únicas, é a alemã Magura.
FREIOS A DISCO
Os freios a disco seguem um sistema que é considerado o mais eficiente atualmente, já consagrado em motocicletas.
O sistema de frenagem é composto por rotores (discos), presos no cubo (centro da roda), manetes (hidráulicas ou mecânicas), conduítes e calipers (estrutura que contém as pastilhas).
Os calipers do freio dianteiro são fixados na suspensão ou no garfo rígido, e os traseiros no quadro. Os calipers abrigam os pistões que têm como função pressionar as pastilhas contra os discos.
Atualmente, quatro tamanhos diferentes de rotores são mais populares: 140 mm, 160 mm, 180 mm e 200 mm. Quanto maior o tamanho no rotor, mais eficiente é o freio; todavia, maior o peso que precisa ser girado junto com a roda, o que dificulta a aceleração da bike.
Para cada tamanho de rotor e diferentes designs de quadro, é preciso usar adaptadores que ficam entre o quadro e caliper. Os quadros e suspensões mais modernos já são preparados para uma medida específica de rotor sem a necessidade de adaptadores (normalmente 140 mm ou 160 mm), para diminuir ainda mais o peso do conjunto.
Independente de serem mecânicos ou hidráulicos, as vantagens principais dos freios a disco são:
- Os freios não entram em contato com o aro, portanto se o aro empenar ou amassar, o freio não vai travar a roda e será possível pedalar até que se conserte.
- Como o freio fica no centro da roda, terá menos contato com lama e água, sendo mais eficientes em condições adversas.
- Não desgasta o aro, aumentando sua vida útil, já que não entra em contato com ele.
- Oferecem tamanhos diferentes de rotores, o que altera sua força, modulação e peso para se adaptar às diferentes situações ou preferência dos praticantes.
- Não esquenta o aro, o que em alguns casos fazia com que a câmara de ar estourasse.
As desvantagens principais são:
- Por ser um sistema mais complexo, exige maior manutenção e cuidado.
- Preço mais elevado que V-Brakes (comparando qualidades semelhantes).
- Peso normalmente maior que os V-Brakes.
FREIOS A DISCO MECÂNICOS
Os freios a disco mecânicos funcionam através de cabos de aço, assim como os V-Brakes. O cabo de aço passa pelo conduíte até o caliper, que aciona as pastilhas. O caliper dos freios mecânicos pode ser totalmente mecânico ou possuir um sistema hidráulico para aumentar a força da frenagem.
A vantagem dos freios a disco mecânicos é que necessita menor manutenção, já que não possui conduíte e nem manete hidráulicos. Ou seja, caso haja algum problema com o freio, normalmente basta trocar o cabo de aço.
Porém, as desvantagens são muito maiores. Os discos mecânicos não possuem a mesma força e modulação - que fazem os discos hidráulicos tão superiores.
FREIOS A DISCO HIDRÁULICOS
Esses são os sistemas top de linha hoje em dia. E o melhor: já estão se tornando cada vez mais comuns e mais baratos.
Imagine um freio com força que te permite frear apenas com um dedo, mesmo em altas velocidades, e controlar com uma grande margem a dosagem da frenagem sem precisar travar a roda... Esses são os freios a disco: suaves, fortes e precisos. As vantagens são óbvias e algumas modalidades como o downhill, hoje em dia, são inimagináveis sem eles.
O sistema nesses freios é todo hidráulico. A alavanca contém um reservatório com óleo, que passa através dos conduítes até os calipers e é usado para acionar as pastilhas.
As desvantagens são o preço mais elevado de alguns modelos e a maior complexidade na manutenção; mas uma boa oficina consegue resolver esses problemas rapidamente, trocando o óleo do freio, por exemplo.
QUAL O SISTEMA CERTO PRA VOCÊ?
Em uma bicicleta de passeio, se você tiver cantilevers bem regulados pode rodar sem preocupação. Com a popularidade dos freios a disco, algumas bicicletas simples já possuem o sistema. Vale ressaltar que freios a disco de baixa qualidade são piores que V-Brakes de boa qualidade.
Se sua bicicleta já possui um freio bom, confiável e que não dá dor de cabeça, mantenha seu sistema atual. Se seus freios te deixam na mão, mas você não quer fazer um investimento maior, opte pelos V-Brakes. Porém, se sua pretensão é fazer trilhas, vale a pena investir em freios a disco hidráulicos, pelo menos da gama média, uma vez que trarão segurança, conforto e mais diversão!
1º Pega 2011 na WW
Pilotos realizam competição filantrópica de Downhill Urbano na cidade de São Paulo
Reportagem, texto e fotos: Álvaro Perazzoli
Bike, amigos, escadas e uma boa causa. Esse é o resumo da quarta edição do 1º Pega 2011 na WW, competição de Downhill Urbano filantrópico, organizada por um grupo de pilotos na cidade de São Paulo, SP. A prova ocorreu no chuvoso domingo do dia 3 de abril e foi organizada por Luís Fernando, o “Astro”, Carlos Henrique, o “Kiko” e Lucilene Aparecida.
WW é a abreviação da Praça Wendell Wilkie (também chamada de Willy Wonka). Situada no bairro do Pacaembu, zona oeste de São Paulo, o local tem uma construção que favorece a prática de Downhill Urbano e o Urban Assault, pois é construída em um barranco íngreme e possuí uma longa escadaria com diversos patamares e curvas acentuadas.
Desde a sua criação, em 2009, a competição não tem nenhum apoio da prefeitura ou entidade esportiva. É feita totalmente por pilotos que se organizam através de fóruns de discussões na internet, e decidem a data e como será o formato. Esta prova foi a primeira de 2011 e, mesmo com uma divulgação discreta, um dia nublado e uma ameaça de chuva constante, 53 competidores e aproximadamente 100 pessoas compareceram para prestigiar o evento.
“É legal fazer sem apoio, mas rola um frio na barriga devido à responsabilidade com todo mundo que anda, em caso de um tombo ou acidente mais grave. Certamente o apoio da prefeitura traria uma estrutura melhor para realizarmos essa prova com mais segurança”, declara Luís Fernando, um dos organizadores e idealizadores da disputa.
De acordo com Luís, o principal objetivo do evento é reunir a galera, com sol ou chuva, para fazer o Downhill, e o segundo é tornar a ideia filantrópica. “Diversão pura, sem politicagem”.
Para se inscrever nas edições anteriores, os pilotos pagavam uma pequena quantia em dinheiro, revertida totalmente a uma instituição de caridade. Nesta competição os pilotos doaram alimentos em troca da inscrição, de acordo com Yuri Basdadjian , um dos colaboradores e também competidor. Os alimentos serão entregues para a Associação Caminhando Para um Futuro Melhor.
A prova foi divida em três categorias: Feminina, + 30 anos e – 30 anos. Cada piloto tinha direito a três descidas cronometradas, a mais rápida é que valeria para a classificação.
Angélica Guigov foi a única competidora feminina no evento. A atleta saiu da cidade de Salto, interior de SP, com Felipe Guigov para competir pela primeira vez em uma prova de Downhill.
“Há vários anos quis vir, mas não deu certo. É a minha primeira corrida! Estou achando uma maravilha! Eu ando de bicicleta há menos de um ano, é a primeira pista que eu consigo descer inteira”, conta Angélica. Em sua descida, Felipe a acompanhou, correndo a pé ao lado da atleta, como forma de incentivo.
O dia amanheceu nublado e só choveu após o término do evento, mas a pista estava úmida e bem escorregadia devido à chuva da noite anterior. As curvas fechadas derrubaram vários atletas, mas ninguém se machucou.
Na categoria +30, “Junião” foi o atleta mais rápido com o tempo de 0:42:90, seguido por Paulo Lima e “Kiko”, que também organizou a prova. Na -30, Fernando Cheles, o “Bokinha”, fechou com o tempo de 0:42:03, Henrique Chambo ficou em segundo com uma diferença de apenas 63 milésimos, e Luís Libório foi o terceiro.
“É a primeira vez que eu desci na WW. É uma pista muito legal, com vários trechos de aceleração”, comenta Fernando, que fez o melhor tempo do dia e venceu a -30.
O grande destaque do dia foi o piloto “Caveira”. Ele ganhou um troféu de atleta destaque, pois desceu a prova com uma bike artesanal de quase dois metros de altura.
Os cinco primeiros de cada categoria levavam um troféu personalizado. As empresas MOB, Session Brasil, Maxx Meias, Confronto, Lojas Bikers Point, Top Bike e Pedal Urbano forneceram brindes que foram entregues aos vencedores e sorteados para todos os participantes.
A Praça WW é uma das muitas áreas urbanas abandonadas em São Paulo. Situada em um local de baixo movimento, fica escondida entre casas e prédios e praticamente não tem utilidade pública, serve apenas de acesso a uns poucos pedestres que se aventuram entre lixos, grama alta e dejetos.
Modalidades como o Urban Assault (Freeride Urbano) e o Downhill Urbano redescobrem esses lugares. Os pilotos que, no início do esporte no Brasil, foram injustamente chamados de vândalos por andarem fora do asfalto com bicicletas, foram neste evento os responsáveis pela reconstrução. Os organizadores e alguns atletas limparam e fizeram a manutenção da praça, dando um novo sentido e vida a esse lugar.
Resultados:
Categoria - 30:
1- Fernando Cheles “Bokinha” – 0:42:03
2- Henrique Chambo – 0:42:66
3- Luís Libório – 0:42:91
4- Guilherme Pedro – 0:43:25
5- Yuri Kaíque – 0:43:28
Categoria + 30:
1- “Junião” - 0:42:90
2- Paulo Lima – 0:43:38
3- Carlos Henrique “Kiko” – 0:44:27
4- Alex Cândido “Javali” – 0:44:78
5- “Rasta” – 0:45:53
Categoria Feminina:
1 – Angélica Guigov – 1:43:06
Eu Pedalo
Aislan Pierre Ganime
Conselheiro Lafaiete – MG
CHAMADA INICIAL: Me levantei, ainda meio atônito, peguei a bike e comecei a pedalar de novo, por impulso. Minutos depois, veio a dor. Eu ainda estava em OP (início de prova), e não queria desistir.
Sou ciclista veterano, nascido em 70. Ainda criança, descobri o prazer da autolocomoção sobre rodas, com meu Velotrol. Pouco tempo depois, ganhei uma Monareta Mirim. Logo tirei as rodinhas laterais e vieram os primeiros tombos, a sensação de liberdade, de poder ir mais longe. Depois, fiz muito bicicross nos anos 80, com minha BMX Pantera. Tive uma Monark 10 e uma Peugeot, e em 91 comecei no Mountain Biking, com uma Monark Peaks. Bons tempos...
Pratico Mountain Biking até hoje. Posso dizer, com satisfação e orgulho, que acompanhei a evolução do MTB no Brasil, desde a época em que se usavam aqueles capacetes de isopor, brancos, e a maioria das bikes ainda não tinha suspensão – era início dos anos 90, quem pedalou nessa época, lembra!
Na década de 90, em Minhas Gerais, participei da Copa Mongoose e também Pedra do Sino Open MTB, que deu origem à Copa Ametur, hoje Copa Internacional MTB.
Numa prova de MTB em Ouro Branco – MG, em setembro de 1994, através de outros bikers conheci a prova de MTB Intercity, com dois dias de duração, entre as cidades de Ouro Preto e Belo Horizonte, que havia tido sua primeira edição em 93, e acontecia em outubro. Um deles havia competido, mas disse que não havia conseguido completar, tamanho grau de dificuldade da competição.
Eu acabava de conhecer o Iron Biker. A prova exigia um planejamento prévio de hospedagem, carro de apoio, e coloquei como meta correr o Iron 95.
Em outubro de 1995, lá estava eu, na Praça Tiradentes, alinhado a uma multidão de bikers, para correr meu primeiro Iron Biker. O friozinho na espinha, o nervosismo e o orgulho de poder correr pela primeira vez uma mega prova de MTB tomavam conta de mim. A largada foi em Ouro Preto, com destino a Itabirito. Pela frente, aproximadamente 70 km.
A largada do Iron sempre requer muita atenção e cuidado, pois os atletas saem a toda velocidade, ainda embolados no início. Alguns quilômetros após a largada, conheci a desafiadora Trilha do Chafariz, escorregadia e bem perigosa, com dezenas de bikers passando ao mesmo tempo.
Percebi que o nome Iron Biker traduz fielmente a realidade da prova: é para bikers de ferro mesmo. Lembrei-me do colega que não havia completado a prova... E isso foi mais um estímulo para mim! No segundo dia, a largada foi em Itabirito, com aproximadamente 60 km de prova, por um longo estradão de terra, até o município de Rio Acima. Grandes pegas! As trilhas até chegar no BH Shopping, e finalmente, a medalha tão desejada no pescoço: Eu já era um Iron!
Segui competindo no Iron Biker consecutivamente, e completei 15 anos no “Desafio das Montanhas”, em 2009.
São muitas histórias, trilhas e aprendizado nesses anos. Lembro de belos visuais premiando os guerreiros de ferro, como em 2002, ano em que o Iron completava 10 anos; o segundo dia teve largada em Honório Bicalho, com chegada inédita no Parque das Mangabeiras – BH, e sua Serra do Curral.
O ano de 2003 marcou uma grande mudança nos trajetos do Iron. Ao invés de ser disputado entre Ouro Preto e Belo Horizonte, a prova passou a acontecer entre Ouro Preto e Mariana. Novas trilhas e caminhos! Em 2004 corri sem ninguém para dar apoio alimentar ou mecânico, contando apenas com a água da organização, meus suprimentos e força de vontade... Superação mesmo!
No Iron de 2007, já na 15º edição, pouco depois da largada, ainda pelas estreitas ruas de Ouro Preto, os bikers se espremiam quando um atleta perdeu o controle e caiu sobre mim, que caí sobre outro, que caiu... Bem, o resultado foi um “strike” de quatro ou cinco bikers ao chão! Me levantei, ainda meio atônito, peguei a bike e comecei a pedalar de novo, por impulso. Minutos depois, veio a dor. Eu ainda estava em OP (início de prova), e não queria desistir. Foi uma verdadeira batalha, sofrida; tinha que trocar as marchas do lado esquerdo com a mão direita, pois com a mão esquerda aguentava apenas firmar o guidão e, com muita dor, acionar o freio. O braço inchou. Foi um dia de sofrimento e luta interior para prosseguir... Mas no segundo dia, lá estava eu, a base de analgésicos a anti-inflamatórios, mas pronto para correr. Lutando contra os limites, ouvi muitos bikers me incentivando a completar a prova – nunca esqueço desse “companheirismo anônimo”.
Sabe o que é Mountain Biking para mim? Comunhão com a natureza. Montanhas, florestas, rios... Homem e máquina em fusão, suor e adrenalina. O corpo como uma usina de energia impulsionando-me pelas trilhas da vida. E MTB também é amizade: saber enxergar, nas provas, não adversários, mas colegas, companheiros de pedal. MTB é vida, no mais amplo sentido que a palavra pode proporcionar.
Fotos: arquivo pessoal
Pan-americano de MTB – 01 a 03 de abril
Chia – Colômbia
Texto: Guiné
Fotos: Pablo Mazuera e CBC/Divulgação
Brasil é vice no quadro de medalhas da competição
A seleção brasileira participou de forma brilhante do Pan-americano de Mountain Bike 2011, apesar da grande altitude de Chia, na Colômbia. As provas começaram no dia primeiro de abril, com o Brasil conquistando duas medalhas no Cross Country: uma de bronze na prova Team Relay (revezamento por equipes) na Elite, e outra na categoria Master, sendo ouro na prova XCO, com o atleta Abraão Azevedo.
Na Team Relay, Sherman Trezza de Paiva (sub-23 masculino) foi o primeiro atleta brasileiro da equipe a largar, depois Roberta Stopa (elite feminina), Henrique Cocuzzi (júnior masculino) e para finalizar, o catarinense Ricardo Pscheidt (elite masculina). “Posso falar que foi um grande resultado. Todos os atletas deram o seu máximo. Então, levando-se em consideração a altitude, foi muito honroso este terceiro lugar. Essa medalha dedico ao meu filho, João Felipe Pscheidt, que está fazendo quatro anos”, comenta Ricardo.
No segundo dia, destaque para a seleção brasileira de Downhill. Nossos representantes conquistaram sete medalhas: na elite feminina, dobradinha com Luana Oliveira (prata) e Bruna Ulrich (bronze). No juvenil, dobradinha com Alison Mattje (prata) e Silvio Félix (bronze). As medalhas de ouro vieram na categoria Master B, com Marcos Lira, e Master A, com Robert Sgarbi, que ainda teve o bronze de Leandro Campovilla.
Rubens Donizete também competiu, visando pontos para a vaga olímpica. Ele ressaltou o planejamento com que Colômbia e Argentina se prepararam para a competição, inclusive com treinamento específico de altitude. “Em primeiro lugar gostaria de dizer que apesar de esperar um resultado melhor, fiquei feliz de conquistar 45 pontos no ranking da UCI com a minha 15ª colocação. Como eu não fiz treinamento específico em altitude para esta prova, senti lá o prejuízo. A Argentina, que conquistou a segunda vaga olímpica, contou inclusive com apoio da própria Confederação Argentina, para que este treinamento fosse realizado. Dessa forma, Colômbia e Argentina merecem os parabéns, pelo empenho em conquistar a vaga olímpica.”
Outra atleta de destaque que integrou a nossa seleção foi Isabella Lacerda, atleta de Itu, que competiu na categoria sub-23. “Foi uma prova muito difícil, a altitude complicou bastante, pois não tivemos tempo para a adaptação, e isso influenciou nos resultados. O clima estava frio, e isso fez com que eu pegasse uma gripe dois dias antes da prova, atrapalhando ainda mais a respiração, que era dificultada pela altitude. O Pan é uma competição muito importante e o ganho de experiência é enorme. Fiquei feliz em integrar a seleção brasileira, mesmo não obtendo o resultado que almejava; o aprendizado e o crescimento como atleta são indescritíveis”, declarou Isabella, que terminou a prova em 16º lugar.
No quadro de medalhas geral do Pan-americano, o Brasil ficou na segunda colocação, atrás apenas dos anfitriões colombianos. Valeu Brasil!
Quadro de Medalhas do Pan-americano MTB 2011
PAÍS
OURO
PRATA
BRONZE
1. COLÔMBIA
15
15
13
2. BRASIL
3
2
4
3. ARGENTINA
2
1
1
4. EQUADOR
2
0
2
5. CHILE
1
3
3
6. ESTADOS UNIDOS
1
2
3
7. MÉXICO
1
1
0
8. COSTA RICA
1
0
0
9. VENEZUELA
0
1
1
1º CIRCUITO DE CICLISMO SESI VERÃO
Texto e fotos: Eduardo Kitagawa
O 1º Circuito de Ciclismo SESI de Verão chegou ao fim no último dia 13 de março. Ciclistas de várias cidades do Rio Grande do Sul participaram. O circuito faz parte do projeto SESI Verão, e foi composto por três etapas. A primeira, realizada em Panambi/RS, aconteceu no dia 13 de fevereiro; no dia 27 de fevereiro foi a vez de Ijuí/RS receber os ciclistas. A última etapa aconteceu em Santo Ângelo, em um circuito montado dentro do Campus da Universidade Regional Integrada, que permitiu ao público acompanhar emocionantes disputas, e desfrutar de sombra, estacionamento, e lugar para fazer o tradicional churrasco e chimarrão. Diz a lenda que alguns competidores degustaram uma deliciosa carne antes da corrida para ter mais energia para correr.
Esta etapa coincidiu com as atividades de comemoração do aniversário do município, e o presente não podia ter sido melhor: ver os atletas da cidade vencerem em diversas modalidades.
Resultado final do Circuito:
Modalidade Feminino Livre
Marcia Vogarins(Santo Ângelo)
Veridiana Geleski
Keiti da Silva(Santo Ângelo)
Modalidade Estreante
Lucas Tamiozzo(Santo Ângelo)
Marcel Ferreira (Santa Rosa)
Odacir Buring(Panambi)
Modalidade Master Mountain Bike
Fabrício de Araújo(Santo Ângelo)
Diogo Weinwe Schroer (Ijuí)
Elson Jiovane de Moraes
Modalidade Veterano Speed
Leonel Souza(Carazinho)
João Carlos Gomes
Mogens Nielsen(Ijuí)
Modalidade Veterano Mountain Bike
Glademir Schimtz(Ijuí)
Plinio Tarcisio Pandolfo (Santo Ângelo)
Luis Carlos Ferreira
Modalidade Master Speed
Gilnei Andrioli(Guaiba)
Geovani Pires (Santo Ângelo)
João André dos Santos(Carazinho)
Modalidade Elite Mountain Bike
Marcelo Edgar Soares(Ijui)
Claudio Lima(Santo Ângelo)
Rodrigo Sommerfield (Santo Ângelo)
Modalidade Speed Elite
Elisandro da Silva
Leandro da Silva
Andreges Alieve(Ijuí)
BIGBIKER CUP 2011
1º ETAPA – ITANHANDU-MG
Texto e fotos: Antonio Merlo /Bike Amparo
No último dia 27 de março foi realizada a 1º Etapa do Big Biker 2011. O “big” não fica só no nome: cerca de 1.000 atletas de São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais se inscreveram e participaram deste que é um dos maiores desafios de Mountain Bike estilo maratona do Brasil. Sob um calor de 42º, os ciclistas da categoria Pro encararam 94,5 km, e da categoria Sport, 66 km, num percurso radical e emocionante. Um fato que marcou esta competição foi o grande número de mulheres guerreiras e vencedoras que participaram do desafio. Em um show de organização e estrutura, com o percurso bem demarcado, vários pontos de hidratação com distribuição de isotônicos e um ponto de apoio para as equipes, a prova foi um verdadeiro sucesso.
Classificação Categorias - Pro – Elite Masculina
1 - DANIEL CARNEIRO BRUM RIBEIRO ZOIA – TEMPO 03:25:27
2 - ORLANDO ALVES SILVA - TEMPO 03:29:34
3 - UIRA RIBEIRO DE CASTRO – TEMPO 03:03:54
4 - TIAGO FIORILLI – TEMPO 03:37:28
5 - GUSTAVO RICARDO DOS SANTOS – TEMPO 03:39:24
Classificação Categorias - Pro – Elite Feminina
1 - ADRIANA DOS SANTOS NASCIMENTO - TEMPO 04:32:06
2 - MARIANA CARCUTE B SOARES – TEMPO 04:04:42
3 - KATIA ANDREA DE ALMEIDA GOMES - TEMPO 04:57:04
4 - ANDREA ESTEVAM - TEMPO 05:00:32
5 - ROSELI DE SOUZA SANTOS - TEMPO 05:02:31
As próximas Etapas do Big Biker
15/05/2011 – São Luiz Paraitinga – SP
17/07/2011 – Taubaté – SP
04/09/2011 – Sto. Antonio Pinhal – SP.
Fotos: Deivid Elisson Ferreira
CAMPEONATO BAIANO DE BICICROSS
A 1ª etapa do Campeonato Baiano de Bicicross reuniu, na tarde do domingo, 10 de abril, na Pista Municipal de Bicicross Tertúliano Torres, Praia do Corsário, Salvador, 50 pilotos das cidades baianas de Paulo Afonso, Jequié, Camaçarí, Lauro de Freitas, Feira de Santana e Salvador, além de atletas mineiros de Pirapora, que disputaram pegas emocionantes em 14 categorias. O evento serviu como primeira seletiva para formação da seleção Baiana de Bicicross, somando pontos importantes para o ranking baiano.
Devido às fortes e intensas chuvas que caíram na madrugada e manhã de domingo na capital baiana, houve atraso no início das baterias classificatórias, pois foi necessário fazer reparos na pista.
Dada a largada para as principais categorias, Expert 17/29 anos e Elite Man, com uma premiação de R$ 1.000,00. As categorias foram disputadas com um alto nível técnico. Na final da Expert 17/29 anos, a liderança foi alternada por três pilotos, sendo o vencedor o mineiro de Pirapora, João Carvalho, seguido de Lucimario Barros de Salvador e Felipe Bernard de Feira de Santana. Na categoria Elite Man, outra vitória mineira: Sidney Borba, seguido de Jarbas de Carvalho de Salvador e André Luan de Paulo Afonso.
Realização: ABS-Associação de Bicicross de Salvador, ABBMX-Associação Baaiana de Bicicross
Apoio:FBC-Federação Baiana de Ciclismo, Confederação Brasileira de Ciclismo
RESULTADOS 1ª ETAPA – SALVADOR – 10 DE ABRIL
Pedaladas no pé da serra
Maranguape - CE
Clima ameno, montanhas verdes e ar puro. O cenário da tranquilidade foi substituído pela aventura e muita competitividade no dia 03 de abril. A segunda etapa do Circuito Ceará Adventure de Bike movimentou a cidade de Maranguape. Mais de 200 ciclistas largaram às oito horas da manhã, da Praça da Igreja Matriz, com uma planilha surpresa que reservava uma das mais difíceis provas do circuito: o DESAFIO DAS ÁGUAS.
Os atletas estavam divididos nas categorias Turismo (percurso de 30 quilômetros), Dupla Masculina, Dupla Mista e Dupla Master (percurso com 80 quilômetros). Na categoria Turismo, a dupla vencedora Padeiro&Arquiteto (Mateus Sampaio e Moises Sancho) encerrou a prova com 1h41min41seg. “Todo domingo estamos treinando em trilhas nas serras. Isso acabou fazendo a diferença para nós neste percurso”, afirma Mateus. Eles ficaram em 5º lugar na primeira etapa e agora seguem empolgados para a próxima etapa.
Na categoria Dupla Masculina, Dupla Feminina e Master o percurso foi de 80 quilômetros para graduados. A principal categoria do Circuito reservou grandes emoções. A dupla da Barcellos Sports Fortaleza ficou com a primeira colocação após quatro horas de prova.
Marcelo Facó, organizador da prova, explica que a cada ano o Circuito procura melhorar a estrutura e criar percursos de alto nível. Joana Nóbrega da dupla Endurance, campeã na categoria mista, afirma que “este é com certeza o percurso mais difícil do circuito. Variando entre trechos técnicos e grandes subidas”. Além disso, a tão esperada chuva não veio e o clima esquentou bastante aumentando a dificuldade do trajeto.
Na categoria Master, a primeira colocação ficou com a equipe Los Carecas. O próximo encontro será no dia 5 de junho em Beberibe.
Acompanhe o Circuito
O DESAFIO DAS ÁGUAS é a segunda etapa da quarta edição do Circuito Ceará Adventure de Bike, a competição de moutain bike com maior número de competidores no estado. A primeira etapa, TRILHAS DO AQUIRAZ, aconteceu no último dia 13 de fevereiro. Ainda restam mais três etapas, a próxima será o DESAFIO DAS FALÉSIAS no dia 6 de junho, em Beberibe. Os atletas que participarem das cinco etapas concorrem a duas bicilcetas Specialized.
Resultado DESAFIO DAS ÁGUAS
Categoria Turismo
1º Equipe Padeiro&Arquiteto – 1h41min41seg
2º Equipe Haritov – 1h42min12seg
3º Equipe 60 Severo’s - 1h47min50seg
Categoria Dupla Masculina
1º Equipe Barcellos Sports Fortaleza – 4h26min18seg
2º Equipe Bruttus - 4h45min58seg
3º Equipe Bike Ceará – 5h04min02seg
Categoria Dupla Mista
1º Equipe Endurance – 5h:08min:05seg
2º Equipe MR & MRS SMITH – 05h:47min:06seg
3º Equipe Absoluta Diamante Negro e Laka – 6h:00min:05seg
Categoria Master
1º Equipe Los Carecas - 5h:54min:41seg
2º Equipe Savana Bike Shop – 6h:03min:05seg
Próxima Etapa – DESAFIO DAS FALÉSIAS
Local: Beberibe - CE
Dia: 5 de junho
Largada: 8 horas
Movimente-se Pedalando reuniu mais de 50 ciclistas
Texto e fotos: Divulgação FPMTB
No último sábado, dia 09 de abril, aconteceu em Rio Claro, o II Passeio Ciclístico Movimente-se Pedalando, que levou os ciclistas para vivenciar experiências na FEENA - Floresta Estadual Edmundo Navarro de Andrade, antigo Horto Florestal. A atividade aconteceu pelo segundo ano consecutivo, através de uma parceria entre o SEST SENAT e a Federação Paulista de Mountain Bike – FPMTB, em comemoração ao Dia Mundial da Saúde, no último dia 07. Mesmo com as chuvas que caíram minutos antes do passeio, mais de 50 ciclistas participaram da pedalada que teve como tema “Cuide da sua coluna: Alongue-se diariamente”.
Ciclistas de todas as idades saíram às 15 h do Boulevard dos Jardins, rumo à Floresta, onde pedalaram pela Av. Navarro de Andrade, com três paradas, sendo uma em frente da futura sede da FPMTB, outra junto aos restos de uma imensa árvore de Eucaliptos Pilulares caída devido às chuvas, e também na entrada da área de uso público na antiga Vila da Floresta. Essas paradas foram acompanhadas de explicações sobre a história dos locais, e dicas. O grupo de ciclistas pedalou pelas ruas da cidade e dentro da Floresta sempre acompanhado por monitores da FPMTB. Todos os participantes ganharam camisetas do passeio e foram recepcionados com uma farta mesa de frutas, bolos, suco e água no Centro de Visitantes da FEENA, preparada pela organização do evento.
Interestadual de Mountain Bike Olímpico
Jarinú – SP
Texto e fotos: Antonio Merlo /Bike Amparo
A cidade paulista de Jarinú, conhecida por suas plantações de morango, recebeu aproximadamente 300 atletas de todo o país para a abertura do Campeonato Interestadual de Mountain Bike Olímpico. O evento, que abriu esta 16º edição do Campeonato, foi disputado no Parque D’Anape, em um percurso de 5,8 km – rápido e técnico. Os atletas disputaram em três categorias: Ouro/ Prata/ Bronze. No topo do pódio, nenhuma surpresa, deu Rubinho e Roberta Stopa.
Resultados do Interestadual de Mountain Bike 2011
Elite Feminino
1 - Roberta Stopa
2 - Luana Machado
3 - Raíza Goulão
4 - Tatiani Cristina
5 - Patrícia Sudário
Elite Masculino
1 - Rubens Donizette
2 - Daniel Carneiro
3 - Thiago Aroeira
4 - Ricardo Psheidt
5 - Edivando de Souza Cruz
PEDALA SESI 2011 – CAMPO GRANDE / MS
Evento de Montain Bike inova construindo pista Indoor
Fotos: Arquivo / SESI
Nos dias dois e três de abril, Campo Grande – MS sediou a 1ª prova de MTB (Mountain Bike) Indoor do Brasil - o “Pedala Sesi 2011”, promovido pelo Sesi (Serviço Social da Indústria) em parceria com FIEMS (Federação das Indústrias do Estado de Mato Grosso do Sul) e FMSC (Federação MS de Ciclismo).
O presidente da FMSC, Aldo José Pereira Aguilera, que foi o responsável pela idealização e montagem da pista, participou efetivamente das provas cronometrando as tomadas de tempo e divulgando os resultados oficiais. O evento é importante para atrair mais competidores e público para o ciclismo. “As competições aqui no estado não costumam atrair tantas pessoas, e competir tendo uma grande torcida é muito emocionante”, destaca Jesus Breno Elias Batista, competidor da categoria Open / Elite.
O evento de MTB Indoor foi dividido em quatro categorias: a Open/Elite, para pessoas a baixo de 40 anos, sendo amadores ou atletas federados; a categoria Master +40, para pessoas acima de 40 anos, a categoria Feminino e a Industriários, formada por pessoas que trabalham em indústrias. “O Sesi está de parabéns por realizar uma prova desse tipo, e mais ainda por colocar uma categoria específica para o industriário, pois, embora eu seja praticante, não tenho o preparo físico dos atletas profissionais”, comentou o campeão da categoria Industriário, Jacinto Ferreira Neto.
As provas dessa modalidade foram divididas em dois dias de competição. No sábado (02), foi a tomada de tempo para a classificação dos atletas, onde somente os dez melhores tempos de cada categoria classificaram para o domingo (03). Então vieram as provas finais de classificação com baterias disputadas em duplas, no formato eliminatórias simples.
O “Pedala Sesi”, além de inovar com a pista Indoor, foi composto por várias modalidades do ciclismo, todos realizados no domingo, como o Passeio Ciclístico, com 6 km de extensão, saindo do Parque das Nações Indígenas, nos altos da Avenida Afonso Pena, às 8 h, passando pelo Parque dos Poderes e terminando no Pavilhão Albano Franco, na Avenida Mato Grosso, onde foi montada a pista de MTB Indoor.
Após a chegada dos participantes do passeio ciclístico, começaram as competições de Mountain Bike. Nos intervalos das baterias foram realizadas apresentações de Bike Trial, exibindo manobras ousadas que chamaram a atenção pela técnica e equilíbrio dos pilotos Michel Baffa e Márcio Rodrigues, que permitiram a participação do público em algumas apresentações. “Eu prefiro Mountain Bike ao ar livre, mas como aqui não tem provas, eu me dedico à categoria Speed. Foi uma prova excelente e ano que vem, se ela se repetir, vai ser melhor ainda, tendo um público bem maior e com mais competidores”, comentou Adriana Farias Lima, vencedora da categoria feminina.
A pista de Pump Track - uma modalidade que consiste em andar na pista sem pedalar, apenas com o embalo da bicicleta, foi outra opção aberta ao público, e fez sucesso com a criançada que foi prestigiar o evento.
O Sesi ainda presenteou os participantes com o sorteio de 60 bicicletas para os inscritos nas provas, além da premiação em dinheiro para os cinco finalistas de cada categoria da prova de Mountain Bike Indoor, com valores de R$ 80,00 a R$ 300,00. “Eu fico feliz de ter vencido a primeira prova. O evento foi um sucesso e esperamos que no ano que vem ele se repita, melhorando a cada ano e atraindo um grande público a cada edição”, relata Gilmar Elias Batista, vencedor da categoria Master +40.
A superintendente do Sesi, Maura Gabínio, considerou que o “Pedala Sesi” foi encerrado com chave de ouro, com a entrega dos prêmios e medalhas. Quando indagada sobre o ciclismo, Maura afirma: “Esta é uma atividade que pode ser praticada por pessoas de qualquer idade, que é saudável e ambientalmente correta. Aquelas indústrias que já reconheceram a importância da força de trabalho tiveram a chance de demonstrar isso aqui, incentivando seus atletas. Foi uma manhã de saúde para Campo Grande”.
Os resultados das disputas de MTB Indoor
• Open / Elite:
1º Jesus Breno Elias Batista
2º Elismar Ferreira
3º Rosimar Cristino Teodoro
4º Alexandre Lima Silva
5º Cléber Denadai Fonseca
• Master +40:
1º Gilmar Elias Batista
2º Antônio Guimarães
3º Valdemir Leite
4º Armando Cirilo
5º Davi Ferreira de Souza
• Feminino:
1º Adriana Farias Lima
2º Simone Caccia
3º Mariane Silveira
4º Leiliane Maria Kemp Moura
5º Divina Lúcia Batista
• Indústria:
1º Jacinto Ferreira Neto (Belaimicro)
2º Irineu Evaristo da Cunha (Correios MS)
3º Rafael Ferreira Lott (Gráfica Pontual)
4º Roberto Gomes (Correios MS
As feras do Bicicross em Paulínia (SP)
No mês de fevereiro, duas competições importantes de bicicross agitaram dois finais de semana seguidos na cidade de Paulínia, no interior de São Paulo: o Campeonato Paulista e a Copa Internacional.
Copa Paulista de Bicicross
No dia 20 de fevereiro, 300 pilotos se reuniram para o campeonato estadual mais disputado do país, e além dos anfitriões paulistas, mineiros, catarinenses, gaúchos, paraibanos e até chilenos disputaram a prova.
Na categoria Elite Men, disputada debaixo de chuva, o vencedor foi Rogério Reis, de São José dos Campos, que ultrapassou Deivlin “Turbo” Balthazar, de Americana, na última curva; Douglas Carnaval, de Sorocaba, ficou em terceiro.
Na Elite Feminina, Bianca Quinalha foi a vencedora, seguida pela atleta Thaise Souza, de Paulínia, e Dominique Velásquez, do Chile.
Na categoria Junior Men, Antonio Araujo, de João Pessoa (PA), liderou de ponta a ponta; Marcio de Souza, de Paulínia, terminou em segundo e Eduardo Rezende, de Poços de Caldas, em terceiro.
Vinícius Almeida liderou a final dos 16 anos, com Robson Ronzani, de Sorocaba, e Aruan Bertazzo, de Americana completando o pódio.
A Expert 17/24 anos é a categoria com o maior número de participantes, e o mineiro Gustavo Mesquita, que defende a equipe de São José dos Campos, levou bonito o primeiro lugar. Vitor Pereira, de Americana, e Giovanni Pineschi, de Jarinú, ficaram na segunda e terceira colocações, respectivamente.
Na Expert 25/29 anos, Anderson Pontes foi o primeiro, seguido por Tarcis Santos e Cesar Soledade.
Na Master (acima de 30 anos), Daniel Jorge, de Paulínia, venceu. Domingos Lamoglia, do município de Salto, atacou o líder na reta final e chegou bem próximo; seu conterrâneo, Benedito Teodoro, foi o terceiro.
Copa Internacional de Bicicross
Nos dias 25 e 26 de fevereiro, todos voltaram para Paulínia para disputar a Copa Internacional, válida pelo ranking da UCI, nas categorias Elite e Juniores.
Aruba, Argentina, Bolívia, Chile, Colômbia, Equador, México, Paraguai, Peru, Uruguai, Venezuela e até Suíça tinham representantes na competição.
Na principal categoria deu Argentina: Ramiro Marino venceu nos dois dias a final da Elite Men. Edson Junior foi o melhor brasileiro, ficando em quarto lugar no segundo dia.
A colombiana Mariana Pajon, Campeã Mundial Junior de 2010, também conquistou dupla vitória em Paulínia. Gabriela Díaz, da Argentina, e Stefany Hernández, da Venezuela, conquistaram a segunda e terceira colocação. A catarinense Squel Stein foi a melhor brasileira com o quinto lugar.
Na Junior Men, a vitória ficou com o equatoriano Alfredo Campo. Os brasileiros Igor Ferreira e Hugo Osteti completaram o pódio. Na Junior Woman, vitória da argentina Florência Soriano.
O campeonato paulista foi uma realização da APBMX (Associação Paulista de Bicicross) em conjunto com o Paulínia Racing e a Prefeitura Municipal de Paulínia. A Copa Internacional foi organizada pela CBC(Confederação Brasileira de Ciclismo) através do departamento de bicicross, com a supervisão da UCI e apoio da APBMX, Paulínia Racing e Prefeitura Municipal de Paulínia.
Colaboração: Pedro José de Andrade (Jacareí Bicicross Clube)
Fotos: Castellon
RED BULL PUMP RIDERS
O medalhista olímpico de BMX, Mike Day, foi imbatível no “pump track” e venceu o Red Bull Pump Riders.
O evento inédito atraiu vários atletas de BMX e MTB para Paulínia – SP, no dia 19 de março. Brasileiros e estrangeiros participaram da modalidade onde precisam impulsionar as bicicletas sobre um circuito de terra batida sem poder usar os pedais; por isso fluidez nos desníveis e coordenação dos movimentos são essenciais para alcançar e manter velocidade.
Foi a fluidez impecável que garantiu a vitória para o norte-americano Mike Day, 26 anos. Outros dois pilotos locais se destacaram e completaram o pódio: Ebert Silva, 23 anos, e a revelação Vinicius Gomes, de apenas 16 anos, que ficou com a terceira posição após disputa árdua com o argentino Ramiro Marino.
Os 16 competidores enfrentaram fases com duas baterias, em pistas diferentes; em caso de uma vitória para cada atleta, uma terceira bateria definia quem avançava, sendo que o biker mais rápido na classificatória escolhia a pista da última corrida.
“Estou na final com meu ídolo”, declarou Ebert Silva ao se classificar para a decisão. Pela primeira vez ao lado de Mike Day em uma largada, Ebert não mediu esforços para vencer o norte-americano. Mas na primeira largada, Ebert sofreu uma pequena derrapagem, e Mike abriu uma grande vantagem logo no início. Na segunda bateria, os dois chegaram praticamente juntos na curva, mas as potentes “bombeadas” do norte-americano nas ondulações da pista fizeram com que, no trecho de pistas unificadas, Ebert já não tivesse mais como alcançar Mike Day.
“Para mim, isso aqui foi a realização de um sonho. Claro que a meta era ganhar, mas estou feliz por ter representado bem a minha cidade ao lado do Vinícius”, afirma o vice-campeão, referindo-se à maior revelação do Red Bull Pump Riders, Vinicius Gomes. O atleta de apenas 16 anos foi eliminado após sofrer duas quedas na semifinal, contra Ebert, e ficou com o terceiro lugar vencendo Ramiro Marino. Vinicius recebeu elogios até do campeão, Mike Day: “Ter o dom para o pump track é o que faz a diferença aqui, e o Vinicius certamente é um dos que tem. É um jovem de grande talento”.
RED BULL PUMP RIDERS – RESULTADO FINAL:
1. Mike Day (Estados Unidos)
2. Ebert Silva (Paulínia/SP)
3. Vinicius Gomes (Paulínia/SP)
4. Ramiro Marino (Argentina)
5. Matheus Furlan (Paulínia/SP)
FOTOS/ CRÉDITO:
Fabio Piva/Red Bull Content Pool
4º Giro Internacional do Interior de São Paulo
Barra Bonita – SP
O 4º Giro Internacional do Interior de São Paulo aconteceu entre os dias 15 e 19 de março de 2011. A Estância Turística de Barra Bonita acolheu os 121 ciclistas, de 22 equipes, sendo três equipes da Argentina, uma seleção do Paraguai e outra dos Estados Unidos, além das tradicionais equipes brasileiras. Como aconteceu no ano passado, a prova conta pontos para o ranking internacional (UCI). O primeiro dia de prólogo e mais quatro etapas de longa distância totalizaram 423,8 km de ciclismo do mais alto nível.
(15/03, 19h) Prólogo: Contrarrelógio 1.000 m
Barra Bonita
A disputa começou com um contrarrelógio noturno, na Avenida Pedro Ometto, margeando o Rio Tietê, em Barra Bonita. Confirmando seu favoritismo, Flávio Santos, o Baiano, da equipe Funvic/Marcondes César/ Pindamonhangaba, percorreu a distância de 1.000 m em apenas 1m05s339, e terminou o primeiro dia com a camisa rosa, de líder geral da competição.
André Pulini, idealizador e organizador do evento, que também disputou a prova pela equipe São Lucas/ Giant/ Cicloravena/ Americana, comemorou o sucesso desta edição do Giro, em especial do prólogo. “Estamos todos muito felizes com o sucesso do Giro. Temos recorde de inscritos, e tivemos uma boa presença de público prestigiando o prólogo. Fazer a abertura do evento no início da noite, no centro da cidade, foi uma ótima ideia”.
Classificação Geral após Prólogo
1 – Flávio Santos – Funvic/Marcondes César/Pindamonhangaba – 1min05s339
2 – Gregory Panizo – Clube DataRo de Ciclismo – 1min05s461
3 – José Eriberto – Padaria Real/Caloi/CéuAlimentos 1min05s978
(16/03, 9h) 1º Etapa: 122 km
Barra Bonita – Macatuba – Barra Bonita
O segundo dia do Giro também foi de Flávio Santos. O atleta de Pindamonhangaba manteve a camisa rosa, com seis segundos de vantagem para Thiago Nardin, da equipe São Francisco Saúde/ KHS/ Ribeirão Preto. Para este trecho de 122 km, largaram 117 competidores; no percurso, a dureza do relevo e o forte vento fizeram muitos atletas desistirem, e apenas 81 ciclistas cruzaram a linha de chegada. Flávio afirmou que conseguiu a vitória porque está bastante acostumado com esse terreno e com este vento forte. Ele completou os 122 km em 2h55m25s.
Classificação Geral após 1º etapa
Flávio Santos – Funvic/Marcondes César/Pindamonhangaba – 2h56min19s
Thiago Nardin - São Fco Saúde/KHS/Rib. Preto – a 6s
Andrei Krasilnikau (Sub-23/BLR) – Chipotle/EUA – a 10s
(17/03, 9h) – 2º Etapa: 118,1 km
Bocaina – Itapuí – Garapuã – Bocaina
O espetáculo da 2º etapa, com largada em Bocaina, ficou a cargo dos atletas da equipe São Lucas/ Giant/ Ciclo Ravena/ Americana. Em uma chegada eletrizante, os atletas Raphael Serpa e André Pulini garantiram a dobradinha da equipe, e comemoraram muito a conquista. Com a vitória, Serpa assumiu a liderança geral da prova, vestindo pela primeira vez na carreira, a camisa de líder numa corrida por etapas. “Antes da prova conversamos muito sobre como seria nossa estratégia, e durante a etapa procurei saltar nas fugas certas e poupar forças para o final”, afirma o vencedor.
Com os resultados da 2º etapa, Flávio Santos desceu para a quarta colocação geral, a três segundos de Serpa, mas seguiu na liderança por pontos. A definição do pódio veio apenas no último quilômetro da etapa, que é todo em subida, em Bocaina.
Classificação Geral após 2º etapa
Raphael Serpa - São Lucas/Giant/Ciclo Ravena/Americana – 5h42min50s
Thiago Nardin - São Fco Saúde/KHS/Rib. Preto – a 3s
Jacob Rathe (Sub-23/EUA) – Chipotle Development Team – a 3s
(18/03, 9h) 3º Etapa: 137 km
Igaraçu do Tietê – Agudos - Igaraçu do Tietê
O Giro Internacional do Interior de São Paulo conheceu um novo líder nesta 3º etapa. Flávio Reblin, de apenas 23 anos, assumiu a camisa de líder geral da prova, apesar de ficar em segundo lugar nesta etapa. O atleta da equipe Memorial/ Santos/ Giant foi superado por Renato Seabra, da equipe Clube DataRo de Ciclismo/ Foz do Iguaçu, no sprint final. Com o resultado, Seabra conquistou o título de montanhas, e pulou da 11º para a 3º colocação geral, a 30 segundos do líder, Reblin.
“Eu senti muito os últimos três quilômetros da primeira etapa e perdi tempo. Mas ontem eu fiz uma boa prova e estou muito feliz pela vitória de hoje”, afirmou Seabra. A vice-liderança geral ficou com o bielorrusso Andrei Krasilnikau, da equipe norte-americana Chipotle Development Team, a um segundo de Reblin. Serpa, que liderava a classificação até a 2º etapa, terminou o dia em sétimo na colocação geral, 45 segundos atrás de Reblin.
Classificação Geral após 3º etapa
Flávio Reblin – Memorial/Santos/Giant – 8h51min18s
Andrei Krasilnikau (Sub-23/BLR) – Chipotle/EUA – a 1s
Renato Seabra - Clube DataRo de Ciclismo/Foz do Iguaçu – a 30s
(19/03, 9h) 4º Etapa: 45,7 km
Barra Bonita – Macatuba – Barra Bonita
A última etapa foi composta por cinco voltas em um circuito na Avenida Pedro Ometto, na Estação de Teleférico de Barra Bonita, mais um trecho em direção a Macatuba, finalizando com três voltas no circuito. O mais rápido do dia foi Raphael Serpa, com o tempo de 1h06m50s. Mas o título geral ficou com Flávio Reblin, catarinense residente em Timbó. Ele conseguiu manter a vantagem de um segundo sobre Andrei Krasilnikau, vice-campeão geral. Andrei tem 21 anos, e se mostrou muito satisfeito com o resultado. Na terceira colocação geral, a 30 segundos de Reblin, Renato Seabra completou o pódio.
“Eu me preparei bastante para essa prova. Corri a Volta do Chile e o Torneio de Verão Tremendão, pensando no Giro do Interior. Estou feliz com o título aqui e com o trabalho da equipe. Essa vitória é de toda a Memorial”, comemorou Reblin.
Com a vitória nesta última etapa, Serpa garantiu o título de campeão da classificação por pontos. Na classificação por equipes, a norte-americana Chipotle Developmente Team, que serve de base e desenvolvimento para a equipe que o brasileiro Murilo Fischer defende, a Pro Tour Garmin/Cervélo, foi a melhor.
Classificação Geral Final
Flávio Reblin – Memorial/Pref. Santos/Giant – 9h58min08s
Andrei Krasilnikau (Sub-23/BLR) – Chipotle/EUA – a 1s
Renato Seabra - Clube DataRo de Ciclismo/Foz do Iguaçu – a 30s
Classificação Geral Pontos
Raphael Serpa - São Lucas/Giant/Ciclo Ravena/Americana – 22
Flávio Santos – Funvic/Marcondes César/Pindamonhangaba – 17
Renato Ruiz - Padaria Real/Caloi/Céu Alimentos – 13
Classificação Geral Montanha
Renato Seabra - Clube DataRo de Ciclismo/Foz do Iguaçu – 22
Tiago Fiorilli - Funvic/Marcondes César/Pindamonhangaba – 14
José Eriberto – Padaria Real/Caloi/Céu Alimentos – 10
Classificação Geral Equipes
Chipotle Development Team (EUA) – 29h55min00s
Padaria Real/Caloi/CéuAlimentos – a 2min51s
Funvic/Marcondes César/Pindamonhangaba – a 4min07s
Colaboração: BM Press Assessoria de Imprensa - Marcos Adami - Jornalista Responsável
Fotos: Ivan Storti/CBC e Antonio L. Teixeira - Repórter Fotográfico - MTB 60.413/SP
CIRCUITO DE CICLOTURISMO SERRA DO CIPÓ / MG
Cachoeiras e belas paisagens por entre os “Mares de Minas”
Circuito Serra do Cipó de Cicloturismo mistura natureza, mineiridade e história.
Mares de Minas,
verdes mares
ondulados
pelo verdejar do capim
cobrindo as colinas...
(Trecho do poema Minas Gerais, de Vera Liebing)
Pedalar pelo Circuito Serra do Cipó de Cicloturismo é assim: contrariar a geografia e entender que os mares de Minas são verdes e se estendem até onde os olhos não conseguem mais enxergar. O destino oferece aos amantes da bicicleta paisagens inesquecíveis que reforçam a sensação de liberdade, naturalmente percebida por quem pedala. O Circuito fica localizado na Serra do Espinhaço, mais especificamente na Serra do Cipó, uma das regiões de maior biodiversidade do planeta.
Toda essa riqueza natural pode ser percebida pelas bromélias, canelas de ema, orquídeas e sempre-vivas que enfeitam o local. Os cursos d'água e as cachoeiras que se encontram pelo caminho compõem o cenário perfeito para uma cicloviagem. O destino, que margeia o Parque Nacional da Serra do Cipó, coloca o cicloturista em contato com uma imensa área de preservação ambiental no coração de Minas Gerais.
As formações rochosas também são uma atração a parte. A região possui inúmeros dobramentos originados do movimento de placas tectônicas há milhares de anos. Por isso, o Circuito Serra do Cipó de Cicloturismo tem trechos de subidas bastante escarpadas.
O quartzito encontrado na Serra do Espinhaço indica que a região já foi fundo de mar. As pedras ainda carregam as marcas do ondular das águas marinhas de outrora, e permitem avaliar o sentido da correnteza e a profundidade do mar no local. Outro resquício de tempos remotos são as pinturas rupestres encontradas em grutas e a presença de sítios arqueológicos na região.
A cicloviagem é considerada de média a difícil, e totaliza 256 quilômetros divididos em seis etapas. O Circuito é circular e parte do distrito da Serra do Cipó, passa por Lapinha da Serra, Congonhas do Norte, Tapera, Dom Joaquim e retorna ao ponto inicial. Entre uma cidadezinha e outra, o cicloturista passa por diversos vilarejos que ainda conservam a tradição mineira percebida na hospitalidade, religiosidade e culinária.
A primeira etapa do Circuito (Serra do Cipó – Lapinha) é formada por 42 quilômetros de intensa atratividade paisagística. O percurso é feito em meio à bela vegetação de cerrado e campos rupestres. O município de Santana do Riacho, sede do distrito da Serra do Cipó, fica a 29 quilômetros do ponto de partida e é um excelente lugar para descansar antes de completar a etapa. Chegando à Lapinha da Serra, reserve um tempo maior para conhecer as belezas da cidade. São quatro cachoeiras imperdíveis: Bicame, Lajeado, Rapel e Paraíso. Existe também a bela represa que contorna o município, além de diversos lagos, como o do Boqueirão e o do Poço Verde, o qual possui águas cristalinas. Visite também o Pico da Lapinha, o segundo maior da Serra do Cipó.
O distrito da Serra do Cipó nem sempre teve este nome. Antes de 2002, a região levava o nome de Cardeal Mota, mas, como a localidade já era popularmente chamada de Serra do Cipó, decidiu-se que o nome antigo seria substituído. A região possui cerca de 2.500 habitantes e tem no turismo sua principal fonte de renda.
Revigorado, é hora de seguir viagem. A próxima etapa (Lapinha – Congonhas do Norte) é considerada a mais difícil do Circuito e também a mais bonita. São várias subidas de tirar o fôlego, e a cada ladeira, uma visão inigualável. O elevado grau de dificuldade física se dá devido aos 48,1 quilômetros percorridos, em boa parte, sob a crista da Serra do Espinhaço. A dificuldade técnica fica por conta da transposição dos cursos d'água e do solo irregular encontrado ao longo do roteiro. Chegando em Congonhas do Norte, visite a Igreja de Santana. Datada do século XVIII, o local conserva pinturas em estilo rococó e várias imagens do século de sua construção. Quanto às belezas naturais, são muitas as cachoeiras no entorno do município, com quedas que variam entre 30 e 150 metros. Os sítios arqueológicos e as grutas com pinturas rupestres também são boas opções para visitação.
A terceira etapa parte rumo ao distrito de Tapera, pertencente à Conceição do Mato Dentro. Os 27,5 quilômetros deste percurso têm início com fortes subidas. Entretanto, após vencer a Serra de Santo Antônio, o pedal fica mais light. Tapera, cujo nome verdadeiro é Santo Antônio do Norte, está no eixo principal da Estrada Real e tem sua história diretamente relacionada com o período colonial. Seus primeiros habitantes se dedicaram à mineração do ouro e, mais tarde, à fabricação de tecidos e chapéus de algodão. Em Tapera, procure conhecer a Pedra de Mó, uma antiga pedra de moinho que foi lapidada para ser usada ainda no período colonial no Moinho Real construído em Morro do Pilar. A cachoeira do Cadete é mais um atrativo do distrito.
A Estrada Real se tornou a principal via do país durante o século XVIII. Criada pela coroa portuguesa, surgiu para evitar o contrabando no transporte dos metais preciosos encontrados nas lavras de ouro e diamantes das regiões mineradoras do Brasil colonial. O caminho passou a ser a única via em que seria permitido o transporte do que era extraído nas minas. A Estrada Real se estende por 1400 km, dividindo-se em três rotas: Caminho Velho, que liga Parati a Ouro Preto; Caminho Novo, que liga Rio de Janeiro a Ouro Preto e Caminho dos Diamantes, que liga Ouro Preto a Diamantina.
O próximo trajeto segue para Dom Joaquim, cidade localizada a 196 quilômetros de Belo Horizonte. O percurso de 55,2 quilômetros cruza diversos povoados que guardam histórias do período conhecido como Ciclo do Ouro (final do século XVII até o fim do século XVIII). Uma das comunidades é Itaponhacanga. O lugar era usado como entreposto de tropeiros e refúgio de escravos. Seu rico patrimônio histórico envolve igrejas e casarões de fazenda centenários. Já em Dom Joaquim, aproveite o tempo para conhecer o Complexo Turístico da Represa. O local oferece boa infraestrutura com bares, restaurantes, área de camping, além de belezas como piscinas de água natural e cachoeiras. No centro do município, refresque-se no Chafariz da Caiana. O monumento, que jorra água fresca e potável o tempo todo, tem um rosto de leão talhado em alto relevo e leva os dizeres: “Quem beber desta água, inevitavelmente a Dom Joaquim retornará”.
O penúltimo roteiro leva o cicloturista à maior cachoeira de Minas Gerais. A trilha Dom Joaquim-Conceição do Mato Dentro reserva um trajeto cheio de belos mirantes espalhados pelos 28,7 quilômetros que separam os dois municípios. O mirante da Ferrugem merece destaque especial pela bela visão que oferece de Conceição do Mato Dentro e do paredão do qual brota a Cachoeira do Tabuleiro. A queda d'água de 273 metros é a maior do estado e a terceira maior do Brasil. Os poços do Parque Municipal Salão das Pedras e os ofurôs naturais do Balneário Córrego do Baú também impressionam pela beleza e devem ser visitados. Na cidade, não deixe de conhecer o centro histórico. Conceição do Mato Dentro está às margens da Estrada Real, tem sua história ligada à mineração e conserva lindos casarões no estilo barroco.
Depois de percorrer 5 das 6 etapas que compõem o Circuito Serra do Cipó de Cicloturismo, é hora de encarar os 65 quilômetros restantes do roteiro Conceição do Mato Dentro – Serra do Cipó. O trajeto reserva belas paisagens que fazem o ciclista pedalar devagar. A vista alcança longe e, do alto, se enxerga os conhecidos mares de morros mineiros. A estátua do Juquinha encontrada pelo caminho anuncia a grande descida que conduz o viajante até o último ponto do destino. Já no distrito da Serra do Cipó, o Parque Nacional da Serra do Cipó merece ser visitado. Além de uma riquíssima fauna e flora, o local guarda ainda o Cânion das Bandeirinhas - uma abertura de seis quilômetros nas rochas, cortada pelo ribeirão mascates e repleta de piscinas naturais. A Cachoeira da Farofa, também dentro do Parque, é outra opção para os apaixonados pela natureza. Se ainda tiver fôlego, visite a Cachoeira Véu da Noiva e a Cachoeira Grande. Caso contrário, descanse nas várias pousadas encontradas no distrito e aproveite os bons restaurantes do lugar.
Estátua do Juquinha
Juquinha foi um lendário andarilho que vivia na região da Serra do Cipó e oferecia flores àqueles com quem encontrava. A sua identificação com a Serra foi tão grande que em 1987, após a sua morte, prefeitos e população das cidades vizinhas resolveram homenageá-lo com uma estátua de três metros localizada em um dos pontos mais altos do distrito. De autoria da artista plástica Virginia Ferreira, o monumento se tornou símbolo da Serra do Cipó.
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Texto: Aluysio Ferreira – Projeto Bem Vindo Cicloturista
Fotos Marcos Tulio Barreto
EXPEDIÇÃO DE INVERNO
"Viaje segundo seu projeto próprio, dê mínimos ouvidos à facilidade dos itinerários cômodos, aceite enganar-se na estrada e voltar atrás, ou, pelo contrário, persevere até inventar saídas desacostumadas para o mundo. Não terá melhor viagem... A felicidade tem muitos rostos. Viajar provavelmente é um deles. Entregue as suas flores a quem saiba cuidar delas, e comece. Ou recomece. Nenhuma viagem é definitiva." José Saramago
As sábias palavras de Saramago expressam o resultado de nossa última viagem. Uma aventura sob duas rodas. Acredite, é possível viajar de bicicleta, esse instrumento utilizado como meio de transporte no cotidiano de muitos, também pode lhe proporcionar momentos inesquecíveis pelas estradas. E foi justamente isso que nós encontramos na Expedição de Inverno 2010 - PR, SC, RS, Uruguai e Argentina.
Não foi a primeira viagem que fizemos de bicicleta, já estivemos pedalando por outras regiões do país e até mesmo no exterior, conhecendo lugares, culturas, histórias e sua gente. Proporcionamos as oportunidades e buscamos aproveitar cada instante do que se tornou um estilo de vida. Talvez seja por isso que sempre que chegamos de uma viagem já estamos planejando outra.
A última viagem foi planejada em praticamente dois meses e pretendia reunir um grupo de amigos que se conheceram a partir de uma comunidade na internet relacionada ao cicloturismo, modalidade do ciclismo que consiste em utilizar a bicicleta para viajar. O local de encontro e saída foi a capital paranaense, Curitiba. Nosso destino: litoral e serras catarinenses, cânions em Cambará do Sul no estado do Rio Grande do Sul, local onde também visitaríamos a conhecida região serrana de Gramado e Canela antes de descermos para o extremo sul do país e consequentemente atravessar a fronteira com o Uruguai, finalizando em Buenos Aires, Argentina.
Em razão do escasso tempo disponível, algumas pessoas se dispuseram a fazer pelo menos uma parte do roteiro. Desse modo, nossa intenção era promover um encontro histórico, mas nem tudo saiu como o esperado. O mau tempo, incluindo muita chuva e temperatura extremamente baixa afastou a maioria daqueles que tinham confirmado presença. A saída contou apenas com cinco participantes: eu, Nelson Neto (Foz do Iguaçu/PR), Aramis (Paranaguá/PR), Marco (Itanhaém/SP), Rômulo (Colombo/PR) e Tui (Curitiba/PR).
Como o nome próprio da expedição sugere, estávamos preparados para enfrentar as baixas temperaturas do inverno rigoroso da região sul. Todavia, alguns não esperavam a combinação de frio e chuva, situação encontrada durante todo o primeiro dia de viagem que teve como destino, Barra Velha, litoral de Santa Catarina. A previsão também não era animadora para os próximos dias, o que fez Rômulo e Tui desistirem da aventura. Aramis, responsável pela elaboração do roteiro, por sua vez, teve problemas no câmbio traseiro da bicicleta, abortando a viagem em Joinville. Realmente as condições climáticas não estavam favoráveis para pedalar, muito menos para apreciar e conhecer os lugares.
Aí começou outra viagem. Sem dar ouvidos aos itinerários cômodos e com muita perseverança, continuamos a expedição, mas antes fizemos um roteiro alternativo, deixando para conhecer as serras catarinenses e gaúchas em uma outra oportunidade. O motivo era simples: com o tempo fechado não seria possível aproveitar o visual das serras. O novo planejamento consistia em chegar ao Uruguai pedalando pelo litoral.
Somente com muita persistência para superar três dias seguidos debaixo de muita chuva e frio. Pedalamos próximo das famosas praias catarinenses sem poder aproveitar muito em razão do tempo ruim. Apenas no quarto dia de viagem o sol apareceu, nos permitindo admirar belas paisagens.
A partir de Laguna/SC, houve uma notória mudança no cenário. A região é considerada de várzea tropical, que se destaca pelo cultivo de arroz presente por vários quilômetros, oscilando entre as muitas indústrias de cerâmica e olarias nas proximidades da cidade de Tubarão. Não demorou e chegamos ao território gaúcho.
No Rio Grande do Sul, seguindo pela Estrada do Mar após Torres e na BR 101 depois de Osório, as surpresas foram consecutivas. Em nenhuma outra viagem a fauna e flora ricas se fizeram extremamente presentes. Com um ecossistema apresentando uma diversidade enorme de espécies, sobretudo, de pássaros, a jornada ficou ainda mais interessante. O sul do estado se tornava cada vez mais deserto, poucos povoados habitam regiões aparentemente inóspitas em meio a um ambiente campestre e litorâneo. Tudo isso acompanhado de muito frio.
Com o tempo disponível curto (Marco que é comerciante, tinha apenas 10 dias de folga), não poderíamos nos dar ao luxo de esperar o clima melhorar. Assim, enfrentamos quase todas as condições possíveis na estrada.
Contrastes sociais são perceptíveis durante o caminho. As diferenças não são uma particularidade dos grandes centros urbanos do país. A discrepância, de maneira explícita é separada apenas pelo ponto tênue da rodovia, onde se encontram os ricos com suas belas e luxuosas mansões de um lado, e do outro pobres vivendo em barracos sem a mínima infraestrutura de uma habitação.
Essa triste realidade não pode ser negligenciada. As autoridades precisam tomar as providências cabíveis, e cada um de nós também precisa, através das atitudes do cotidiano, fazer a diferença.
O Rio Grande do Sul nos proporcionou conhecer outras grandiosidades como o Parque Eólico de Osório, a maior usina eólica da América Latina com suas 75 torres. Logo depois, estivemos próximos da famosa e histórica Lagoa dos Patos, local estratégico na Revolução Farroupilha, ocorrida no estado e até hoje muito lembrada pelos gaúchos. Ela também é a maior laguna do Brasil. Tivemos o prazer de atravessá-la de balsa entre São José do Norte e a cidade de Rio Grande, onde a laguna faz sua ligação com o mar.
A rodovia BR 471 também é conhecida como Rota Extremo Sul, nome sugestivo por ser caminho à pequena cidade do Chuí, ponto mais ao sul do país, muito conhecido, afinal, quem nunca ouviu a expressão do “Oiapoque ao Chuí”, alusiva aos pontos extremos do litoral brasileiro. Com muita força de vontade continuamos em frente na intenção de percorrer mais de 200 km até a divisa entre Brasil e Uruguai. Agora além das baixas temperaturas, vínhamos superando dores físicas que faziam o rendimento da pedalada ser menor.
Neste último trecho em território nacional, pedalamos em reta plana, mas não de forma tranquila. O vento contra exigiu preparo físico e também psicológico, faltava pouco e não poderíamos desanimar neste momento. Ainda ingressamos na Reserva Ecológica do Taim, onde é possível se encantar com a diversidade de animais. Avistamos um bando muito grande de capivaras que, próximas umas as outras, buscavam se aquecer do rigoroso inverno acompanhado de chuva. A menos de cinco metros uma capivara atravessou na minha frente, assustada com nossa passagem, e com isso nos assustou também.
Quanto mais avançávamos para o sul, a intensidade do frio aumentava. O segredo é estar bem agasalhado, e isso não significa colocar inúmeras blusas, mas sim uma roupa específica. Ambos estávamos utilizando a chamada segunda pele - camiseta que evita a perda de calor do corpo, uma vez que a peça absorve a umidade, deixando o corpo seco. Movimentar o máximo possível também ajuda. Pedalando não sentíamos a temperatura baixa com tanta intensidade, contudo a cada parada o corpo rapidamente esfriava.
Finalmente chegamos ao Chuí, após nove dias de viagem e 1255 km pedalados. Marco conseguiu mais alguns dias de folga no trabalho e seguimos para Montevidéu, capital uruguaia. Antes de atravessar a fronteira, aproveitamos pra conhecer um pouco dessa diferente cidade.
A divisa dos países é por fronteira seca, ou seja, é uma extensa avenida que separa Brasil e Uruguai. O que movimenta as duas cidades, incluindo o Chuy (lado uruguaio), é o comércio, e isso torna o Chuí brasileiro um local diferente de todos que já conhecemos, onde os estabelecimentos têm fachadas nos dois idiomas (português e espanhol), pois brasileiros e uruguaios caminham por ambas as cidades. Em um pequeno mercado onde fizemos compras, os preços estavam em peso uruguaio, moeda daquele país, de onde também era o seu proprietário. Até mesmo eu, morador de Foz do Iguaçu/PR, que é tríplice fronteira,fiquei surpreendido.
Por ser um país pertencente ao Mercosul, não necessitamos mais do que a identidade para ingressar no Uruguai. Registramos nossa entrada no país e consequentemente ganhamos a permissão de turista para estarmos legalmente em território uruguaio, sem burocracia. Planejamos percorrer o litoral até a capital, Montevidéu.
No Chuy algumas pessoas nos indicaram lugares imperdíveis que não poderíamos deixar de conhecer, entre eles Santa Teresa em Castillo e Punta del Diablo. No primeiro vimos a mais expressiva fortaleza do país, construída no século XVIII, contendo ainda um museu histórico militar. Um lugar imponente. Em Punta del Diablo, conhecemos um povoado de pescadores cerca de cinco quilômetros distante da rodovia principal, litoral do Uruguai.
A cidade litorânea nos preparava uma inesquecível surpresa. Foi neste local que tivemos um encontro inesperado e magnífico com um pinguim, possivelmente um filhote que perdido de sua família acabou ficando sozinho e parando nas rochas da praia. Da mesma forma avistamos também um leão-marinho. Foi uma felicidade enorme poder ver animais raros de serem encontrados no Brasil. Sensação indescritível.
Ainda no litoral, fizemos um passeio de safári até Cabo Polonio, onde está localizada a maior colônia de leões-marinhos das Américas. Esses animais, que fogem das águas geladas da Antártida, repousam e se esquentam de forma tranquila sobre as rochas da praia. O vilarejo que compõe Cabo Polonio é pequeno, poucas pessoas residem fixamente no lugar que carece de energia elétrica, mas mantém um ar naturalista pelas poucas ruas que circundam o local.
O farol de Cabo Polônio, um dos destaques, com gerador próprio de energia e 40 metros de altura, é indispensável para os navegadores da região. É possível subir seus degraus que levam ao topo do farol para apreciar as pequenas ilhas, os leões-marinhos e praticamente todo o vilarejo. Um dos melhores momentos da viagem com certeza foi visitar Cabo Polonio.
Continuamos a viagem em direção a Montevidéu em meio a diversas rodovias, com seus mais diferentes relevos e terrenos, nos deparando com a hospitalidade e educação do povo uruguaio. Assim chegamos na badalada e luxuosa Punta del Este, seus grandiosos prédios, hotéis e cassinos. Mas o que não poderíamos deixar de registrar era a famosa La Mano, obra do chileno Mario Irrazábal - cinco dedos saindo da areia, representando "a presença do homem surgindo na natureza".
Em treze dias de muitas aventuras finalmente chegamos a Montevidéu com uma temperatura de 9 ºC às cinco horas da tarde. A viagem toda foi muito fria, mas somente em relação ao clima: estávamos com o espírito renovado, felizes pelas belezas que encontramos e pelo aprendizado adquirido.
Seguimos para Buenos Aires e ainda pedalamos pelas ruas movimentadas da capital argentina. Conhecemos a sede presidencial, a famosa Casa Rosada, e a Praça de Maio, palco de
manifestações políticas onde se encontravam frequentemente as mães de filhos desaparecidos na época da ditadura argentina, em busca de justiça.
Diante do movimentado centro com sua arquitetura moderna, admiramos a Catedral e seguimos para o Obelisco, construído para comemorar os 400 anos da fundação da cidade.
Nossa viagem finalizou com exatos 1680 km de Curitiba até Buenos Aires, passando pelo Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul, Uruguai e Argentina. A Expedição de Inverno estava concluída com sucesso e sem dúvidas entrou para a história como uma das melhores aventuras com “lembranças que guardarei até quando minha memória permitir e uma experiência que é pra sempre, aprender a valorizar a vida e a quem amamos.”
O sucesso da viagem talvez não fosse alcançado sem uma preparação física, psicológica e também um planejamento da bagagem. Roupas, ferramentas, fogareiro, comida, barraca, saco de dormir, isolante térmico, cobertor de emergência, entre outros itens indispensáveis para sua autonomia em uma expedição desse porte, uma vez que muitos lugares são inóspitos e a qualquer emergência você estará preparado para superar os obstáculos. Agradecemos a todas as pessoas que de alguma forma nos apoiaram para a concretização de mais uma viagem inesquecível.
“Hasta la Victoria Siempre”
Texto: Nelson Neto / Fotos: Marco A. O. Brandão
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Editorial
Já pensou em pedalar 1600 km em cinco dias? Ou realizar um Velotour nos belíssimos roteiros de Santa Catarina? E que tal um pedal noturno? Para alguns parece loucura, para outros: É pura paixão! Antes de se aventurar, veja as dicas do Olinto sobre treinamento para cicloturismo, e de alimentação para cicloturistas, na coluna Nutribike.
Acompanhe também como foi o seminário inédito, em Niterói, sobre mobilidade por bicicleta. Dois desafios: fazer seu prefeito pedalar e descobrir a idade da mulher do século XXI - veja nas colunas de André Soares e Cláudia Franco. Na coluna Bike Business, Álvaro Perazzoli traz um interessante relato sobre as relações comercias com a China. Nas matérias de Pedro Cury e Eugênio Cardoso, você vai entender melhor como funciona o câmbio de sua bike.
“Livable cities”- veja o que diz o dinamarquês Jeff Risom, expert em arquitetura urbana e mobilidade sustentável em entrevista a Verônica Mambrini. Therbio Felipe nos leva aos caminhos de Desemboque, berço da colonização. Direto de Portugal, Mariita relata como deu suas primeiras pedaladas, e o pessoal da Pisa Trekking compartilha com você destinos portugueses fantásticos - venha cá ver, ó gajo!
VIVA BICICLETA!
BIKEPHNIA
Era uma vez uma pequenina e bela cidade, onde morava um garoto. Todos os dias, ele pedalava sua bicicleta até a praça do mercado. Era rápido, habilidoso, gostava muito de sua bike. Quando chegava à praça, algo o fazia parar: postes com alto-falantes, onde se podia ouvir música ao ar livre. O garoto, maravilhado com as canções que ali ouvia, ficava parado, ainda sobre a bicicleta, em frente aos alto-falantes. Volta e meia, pedalava ao redor da praça, mas logo parava novamente, hipnotizado pelas melodias.
E era assim, todos os dias, e todos os dias, seu amor pela música crescia. O garoto também cresceu e tornou-se um grande compositor. Em 2010, a praça ganhou uma estátua chamada “O Jovem Ouvindo Música de Bicicleta”, para imortalizar a cena e prestar uma homenagem ao garoto, à bicicleta e à música.
Essa é a história de Arvo Pärt, nascido em 11 de setembro de 1935, natural de Paide, na Eslovênia. A “pequenina e bela cidade”, também na Eslovênia, chama-se Rakvere, onde Arvo cresceu e desenvolveu sua paixão pela música. Ele compõe canções clássicas em um estilo conhecido por minimalismo, caracterizado pela repetição e estaticidade. Suas obras são hipnóticas, lembrando a música psicodélica, ou até mesmo o punk rock.
A música tem um poder especial. A pessoa responde imediatamente a uma melodia, ficando triste ou feliz, tensa ou relaxada, batendo o pé no ritmo ou ficando paralisada, extasiada. As letras podem apresentar críticas sociais, ou sentimentos que refletem a condição humana.
E a bicicleta também faz parte do universo musical. Da música popular brasileira ao rock da Inglaterra, do tango argentino à música clássica russa, ela está presente nas letras, títulos das músicas e álbuns, fisicamente em alguns palcos e orquestras ou, como no caso de Arvo, no contexto da história de grandes músicos.São Paulo, 7 de maio. Um grupo de 40 ciclistas realizava um passeio de Joanópolis a São Francisco Xavier, por estradas de terra, quando foram surpreendidos por veículos de grande porte em alta velocidade. Um dos ciclistas foi atingido nas costas. “O ‘ataque’ foi efetuado pelos três primeiros carros, que passaram em alta velocidade. O primeiro deles, que atingiu dois de nossos ciclistas, também acelerou em cima de todos do grupo. Por pouco não passamos por algo semelhante do ocorrido em Porto Alegre”, conta Paulo de Tarso, presidente do Sampa Bikers.
Paulo conta que quando o carro apareceu e colou nos bikers, estes acenaram para diminuírem a velocidade; irritados, os motoristas aceleraram ainda mais e um dos ocupantes chegou a dizer que os ciclistas estavam atrapalhando o rally, pois eles estavam atrasados.
Alguns carros tinham números adesivados e o nome Rallye Clube do Brasil. Não havia indicação, sinalização nem batedores avisando da passagem do rally por aquele lugar, colocando em risco todos que por ventura estivessem trafegando por lá. Além disso, a estrada não oferece condições para circular em alta velocidade, por se tratar de uma zona rural, com pessoas e animais domésticos frequentemente cruzando e utilizando as estradas.
Vale destacar que nem todos os motoristas agiram de forma desrespeitosa; os carros menores, que vinham mais atrás, até foram simpáticos com os ciclistas e não cometeram nenhuma barbárie.
Será um "efeito-impunidade"? Infelizmente, ainda recordamos com tristeza do atropelamento ocorrido em Porto Alegre, quando Ricardo Neis acelerou e atropelou ciclistas da Massa Crítica. Impune, Neis está dando entrevistas, como se fosse uma celebridade, falando sobre a dura vida depois do acidente que ELE provocou. "As pessoas me vêem como um monstro", afirma ele. "Só porque eu atropelei um grupo de pessoas?", completamos a frase, mentalmente. No caso do rally, "nem registramos boletim de ocorrência; por não acreditar em nossa justiça, desencanei. Lembrei do caso lá de Porto Alegre, que o cara foi solto, e desencanei", relata Paulinho.
Na certeza de que nada vai acontecer, os motoristas acham-se no direito de forçar a passagem de seus veículos, como se fossem os únicos donos das ruas. Vêem ciclistas e pedestres como "obstrução" das vias, tão bem desenhadas para o seu único uso. Forçam os carros sobre os ciclistas; tratam as vias públicas como espaço único e exclusivo dos motores, não mais das pessoas, como deveria ser.
Estes acidentes acontecem para mostrar aos ciclistas que eles não devem ocupar o espaço reservado para o automóvel. E estes acidentes não são punidos para mostrar aos ciclistas que a justiça... Bem, façamos a nossa parte.
Ciclistas participam do “Churrascão da gente diferenciada” em SP
O grupo Bicicletada e Massa Crítica participam de ato que reivindica a alteração da construção de uma estação de Metrô no bairro de Higienópolis
Texto e fotos: Álvaro Perazzoli
Colaboração: Fabiana Ferreira
Piscina de plástico em plena calçada, queima de uma catraca simbólica, churrasco no meio de um cruzamento, performances teatrais na rua e um varal de roupas em plena Avenida Angélica. Esse foi o “Churrascão da gente diferenciada”, manifestação em prol da mobilidade urbana democrática que ocorreu no sábado dia 14 de maio em um dos locais mais nobres e tradicionais da cidade.
O protesto começou pelo Facebook, divulgado como um evento e, em pouco menos de uma semana, teve cerca de 56 mil confirmações de presença. No dia compareceram aproximadamente mil pessoas, que incluíam ciclistas do grupo de cicloativistas Bicicletada, ativistas do Movimento Passe Livre, artistas, moradores e um batalhão de fotógrafos, cinegrafistas e jornalistas.
O protesto reivindicou a parada de Metrô em Higienópolis supostamente retirada do projeto da Linha-6 Laranja por pressão de moradores da região. Uma comissão local fez um abaixo assinado contra a construção da obra e recolheu 3.500 assinaturas.
Guiomar Ferreira foi uma das moradoras que assinaram. A psicóloga teria dito ao jornal Folha de S. Paulo que o Metrô atrairia mendigos, camelôs, dependentes químicos e uma “gente diferenciada” ao bairro.
O comentário gerou revolta e foi a lenha do “Churrascão da gente diferenciada”. Frases irônicas escritas em cartazes improvisados e coros como “Mais Metrô, menos motor”, “Guiomar cadê você, eu vim aqui só para te ver”, entre outros que questionavam a qualidade e o valor do transporte em SP foram os principais ingredientes.
Desconfiado e com uma placa tímida nas mãos, Belmiro João foi o único morador que se identificou no dia como uma das pessoas contra o Metrô.”Isso aqui é uma campanha política para as próximas prefeituras e governo do estado”.
“Não será feita nenhuma estação aqui, pois quebra uma lógica de que a parada PUC ficaria a 2 km. O bairro é diferenciado historicamente devido à iluminação ser enterrada e o IPTU ser mais alto”, explica Belmiro.
Os integrantes da Bicicletada dizem que a Av. Angélica está no centro de uma região densamente povoada e que mudança técnica não condiz com o que é o atual sistema metroviário que tem estações com uma distância até menor. Segundo eles, a parada não deve ser no Pacaembu, onde só seria de uso das torcidas de futebol duas vezes por semana.
Os cicloativistas declaram que o ato não é simplesmente pela questão do Metrô ou algo contra Higienópolis. De acordo com eles, foi um ato contra a exclusão social em São Paulo, do acesso ao transporte e do pedestre.
Sérgio Avelleda, presidente do Metrô, disse dias antes ao jornal SPTV, na Rede Globo, que a alteração não foi por pressão dos moradores, mas sim pelo fato de a estação Angélica ficar numa distância de 610 metros da Parada Mackenzie.
Mas a explicação não convenceu ninguém, pois a Linha 1-Azul tem estações com distâncias bem menores, como exemplo a da Sé e Liberdade, com apenas 524 metros e a Vergueiro e Paraíso, separadas por 600 metros.
A manifestação iniciou às 14 horas e encerrou às 22 horas. O ato foi pacífico e bem humorado, não houve nenhum incidente e ninguém foi preso.
Após a manifestação, Jurandir Fernandes, secretário de Transportes Metropolitanos de São Paulo, enviou uma nota à imprensa informando que será construída uma estação em Higienópolis, mas não onde estava prevista originalmente.
Eu e minha bicicleta
Lisboa - Portugal
Texto e fotos: Mariita Carvalho/ Arquivo pessoal
CHAMADA INICIAL: Tremendo como vara verde, cuspi o pó, recuperei o fôlego e subi para a bicicleta. Quase cai de novo algumas vezes, mas logo me equilibrei e, pela primeira vez, fui até o fim da descida.
Uma série chamada "Relíquias" despertou em mim a memória do tempo em que eu e a minha “Raylle” - se não me falha a memória é assim que se escreve - nos tornamos companheiras inseparáveis, e as bicicletas se distinguiam pelo nome de fábrica.
Aprendi a andar de bicicleta com 10 anos, quando estávamos - minha família e eu - na África. Era uma bike velha que pertencia ao meu pai, e eu tinha que passar uma perna pelo meio do quadro, visto que de outra forma não chegava aos pedais.
Não foi fácil! Perto da casa onde estávamos havia uma descida de dezenas de metros, onde a bike "rabiava" por todo o lado e eu, na tentativa de me equilibrar, caía muitas vezes. A estrada de terra batida, como muitas na África, era pouco movimentada, sendo que os jipes das tropas eram os viajantes mais frequentes.
Um dia, numa das quedas, fiquei no meio da estrada com o vestido preso na corrente. Estava sozinha e não conseguia desprender-me. Lá no cume da subida, eis que vinha um jipe cheio de gás - a tropa gostava de acelerar - a buzinar insistentemente, e eu sem conseguir fazer o vestido se soltar ou rasgar para me libertar. Já com algum desespero, consegui me arrastar para a valeta, só tendo tempo de sentir o pó a cobrir tudo por cima de mim, e as gargalhadas dos soldados do jipe.
Quando finalmente me desprendi, cheia de óleo e pó por todo o lado, as pernas e os braços arranhados, a dor e a humilhação a fazerem bailar algumas lágrimas, que na certa aumentariam quando eu chegasse em casa, e levasse uma surra dos meus pais; então pensei: ou é agora, ou não é nunca mais!
A tremer como vara verde, cuspi o pó, recuperei o fôlego e subi na bicicleta. Quase caí de novo algumas vezes, mas logo me equilibrei e, pela primeira vez, fui até o fim da descida.
O coração saltava-me pela boca. Eu gritava: consegui! Consegui! Ninguém me ouvia, mas tampouco importava... Voltei para o alto da subida, empurrando a bicicleta, e repeti a dose várias vezes, até sentir que eu já era capaz de andar com segurança.
Quando cheguei em casa, em cima da "burra" - como meu pai chamava a bicicleta - ao invés de me punirem, bateram-me palmas pelo feito e me prometeram uma bicicleta nova, própria para o meu tamanho.
E assim foi! Um belo domingo, chegou uma bicicleta reluzente, azul e branca, motivo para muita festa. Eu e ela tornamo-nos companheiras inseparáveis e vivi aventuras incríveis, que recordo com grande carinho. Foi, sem sombra de dúvidas, um dos períodos mais bonitos e inesquecíveis da minha vida.
É Pura Paixão!
Texto: Giuseppe Ricardo Passarini
Quando gostamos de alguma coisa, nos envolvemos, criamos e curtimos aquilo. Fazemos um esforço para estar junto, para preenchermos nosso dia com o que nos faz bem e nos dá um rumo. Entretanto, podemos passar sem a “coisa”. Podemos até ficar cheios daquilo que gostamos, afinal, apenas gostamos. Pense no seu trabalho, no seu colega de turma, no seu dia preferido da semana. Gostamos, mas até o ponto em que aquilo não tome todo o tempo.
Imaginem o contrário. Não gostar de algo e ter que conviver, se deparar, enfrentar e “engolir”. Quantos de nós agimos assim quando o assunto também é trabalho, um colega de turma ou um dia da semana. Toleramos as coisas por obrigação, necessidade ou mesmo pelo fato de não conseguirmos enfrentá-las. Quando pequeno, eu ouvia o termo “gastura”. No dicionário ele vem com significado de comichão, tentação. Mas no contexto as pessoas queriam demonstrar irritação, algo como incômodo, aversão. Pelo menos era isso que eu compreendia. Então, estar em uma situação que não gostamos nos dá gastura. Aguentar um indivíduo impertinente nos dá gastura. Pensar na segunda-feira nos dá gastura!
Agora, e quando estamos apaixonados? Considero isso um estágio maior do desejo. É quando você se envolve e não mede as consequências. Pagaria qualquer preço para estar “lá”, para viver o momento e estar junto. Você gosta de seu trabalho, ou é apaixonado pelo que faz. Isso sim tem diferença. Paixão indica um movimento espiritual, relacionado ao amor. Pode ser apresentada também como um gosto muito vivo, algo predileto. Então, temos nossas paixões. Coisas, pessoas, situações que daríamos tudo por elas. Minha família, minha esposa e filha: sou apaixonado por elas. Minha casa, minhas perspectivas, paixão por isso tudo.
Agora, nós ciclistas, amadores, profissionais, turistas. Quem não foi questionado por andar de bicicleta nas mais diversas situações? Quando apresentou uma ideia ou um projeto que envolvesse a bike como atriz principal? Quem não sofreu por não poder estar naquela viagem, encontro ou mesmo por não poder pedalar naquele dia chuvoso. Meu amigo, paixão! Paixão por estar sobre a “magrela”, vivendo o momento do jeito que é, sem precisar ou poder explicar nada. Apenas estando ali, junto! Então, quando alguém perguntar ou mesmo afirmar que está fazendo loucura pela bicicleta, diga que está apaixonado, que não tem explicação! Talvez, nesse momento você descubra que quem pergunta está vazio, não tem algo para acordar todas as manhãs! Está simplesmente gostando de tudo que faz...
Bio Bike 3D
Texto e fotos: Bio Ritmo Academias
Uma sala escura, o filme rolando em uma tela de quatro metros de largura e óculos tridimensionais. Essa é a Bio Bike 3D, nova tendência de aula que simula o treino na rua, estrada, trilha, praia e montanha. O filme capta todos os visuais de uma pedalada outdoor e transfere esse ambiente para dentro da sala de aula.
Esta tecnologia foi trazida ao Brasil com exclusividade pela Bio Ritmo - rede de academias criada em 1996. Com foco em inovação, a Bio Ritmo é referência no mercado nacional pelo desenvolvimento de programas e treinamentos exclusivos e personalizados que têm como objetivo o resultado do aluno.
Depois do cinema, dos desfiles das escolas de samba e dos jogos de futebol, a tecnologia 3D chega agora nas academias.
Parece uma sessão de cinema, mas na verdade é uma aula de bike indoor. Ao invés da poltrona, a bike; e o balde de pipoca dá lugar à garrafinha de água. Trazida com exclusividade pela rede de academias Bio Ritmo, a novidade não se compara com uma aula de bike indoor comum. O segredo está na tecnologia e criação do filme 3D, que capta toda a profundidade do ciclismo outdoor e transfere para dentro da sala de aula com efeitos de estereoscopia.
Ao simular o treino em ruas, estradas e montanhas, a aula permite que o aluno interaja e seja transportado para uma realidade virtual, estimulando todas as sensações provocadas em uma pedalada ao ar livre. Para criar esta experiência, as imagens são projetadas por um equipamento 3D de última geração em uma tela de polímero especial, com quatro metros de largura.
Extremamente nítida, a projeção digital em 3D cria um incrível efeito de profundidade, permitindo que o aluno veja diversas camadas de imagem com perfeição. O objetivo é permitir uma experiência única ao aluno, o que só é possível com a utilização de recursos visuais de última geração, já que a estrutura e músicas são as mesmas de uma aula comum. Em 60 minutos de pedalada é possível perder até 600 kcal. A Bio Bike 3D está percorrendo por todas as unidades da rede.
São Paulo de Bicicleta
Segundo estudos de ONGs pró-bicicletas, mais de 250 mil pessoas utilizam a bicicleta como meio de transporte em São Paulo. É um número expressivo para a quilometragem de ciclovias existentes, mas o número de usuários ainda pode melhorar muito.
Uma ideia que pode ser utilizada pelo poder público é a ciclofaixa. Elas estimulam a boa convivência entre todos os usuários das vias, além de ser uma alternativa que exige menos investimentos do que as ciclovias.
Em São Paulo começou a funcionar há dois anos uma ciclofaixa com 30 quilômetros de extensão, que liga quatro parques: das Bicicletas, Ibirapuera, do Povo e Villa-Lobos. A ciclofaixa funciona só aos domingos, das 7 às 14 horas.
Estão previstos mais 14 quilômetros, estendendo a ciclofaixa até o futuro Parque do Chuvisco.
Além disso, outra boa iniciativa é o serviço de aluguel de bicicletas, presente em 15 estações do metrô: Vila Mariana, Liberdade, Armênia e Santana, da Linha 1-Azul; Paraíso e Vila Madalena, da Linha 2-Verde; e Palmeiras/Barra Funda, Marechal Deodoro, Santa Cecília, Anhangabaú, Sé, Brás, Carrão, Guilhermina/Esperança e Corinthians/Itaquera, da Linha 3-Vermelha.
Também estão previstas inaugurações de mais três bicicletários, nas estações Butantã e Pinheiros do Metrô, da Linha 4-Amarela, e outro no Parque das Bicicletas. Mais de 4 mil bicicletas são alugadas todos os meses.
Bicicleta com tecnologia da Fórmula 1
Uma parceria entre a fabricante de bicicletas Specialized e a gigante da Fórmula 1, MacLaren, fez nascer a Venge, uma bicicleta leve e veloz; aliás, anunciada como a mais veloz do mundo.
Uma refinada tecnologia de construção em fibra de carbono reduz o peso dessa bike em cerca de 15%, comparado com modelos similares. As lâminas de fibra de carbono são cortadas por computador, tornando os encaixes mais precisos.
A aerodinâmica baseada na engenharia da Fórmula 1 torna a Venge cerca de 8% mais rápida, pois o atrito com o ar é reduzido.
Estima-se que o quadro gire em torno de US$ 8 mil, cerca de R$ 12 mil, e que a bicicleta completa saia por US$ 15 mil, cerca de R$ 23 mil.
Barraca para Cicloturismo
Levar a barraca para sua cicloviagem não é mais um problema. A Bikeamper - uma barraca que usa o quadro da bicicleta como suporte e a roda dianteira para sustentação da estrutura - foi criada para facilitar a vida do cicloturista.
Por utilizar a própria bike como estrutura de sustentação, o peso da barraca é menor, se comparado às barracas normais, que utilizam várias hastes, ferros e cabos. Além de diminuir o peso da bagagem, a segurança com relação a bike é outra característica positiva: por fazer parte da barraca, é mais difícil alguém se arriscar a roubar sua bike.
Bio Bike 3D
Texto e fotos: Bio Ritmo Academias
Uma sala escura, o filme rolando em uma tela de quatro metros de largura e óculos tridimensionais. Essa é a Bio Bike 3D, nova tendência de aula que simula o treino na rua, estrada, trilha, praia e montanha. O filme capta todos os visuais de uma pedalada outdoor e transfere esse ambiente para dentro da sala de aula.
Esta tecnologia foi trazida ao Brasil com exclusividade pela Bio Ritmo - rede de academias criada em 1996. Com foco em inovação, a Bio Ritmo é referência no mercado nacional pelo desenvolvimento de programas e treinamentos exclusivos e personalizados que têm como objetivo o resultado do aluno.
Depois do cinema, dos desfiles das escolas de samba e dos jogos de futebol, a tecnologia 3D chega agora nas academias.
Parece uma sessão de cinema, mas na verdade é uma aula de bike indoor. Ao invés da poltrona, a bike; e o balde de pipoca dá lugar à garrafinha de água. Trazida com exclusividade pela rede de academias Bio Ritmo, a novidade não se compara com uma aula de bike indoor comum. O segredo está na tecnologia e criação do filme 3D, que capta toda a profundidade do ciclismo outdoor e transfere para dentro da sala de aula com efeitos de estereoscopia.
Ao simular o treino em ruas, estradas e montanhas, a aula permite que o aluno interaja e seja transportado para uma realidade virtual, estimulando todas as sensações provocadas em uma pedalada ao ar livre. Para criar esta experiência, as imagens são projetadas por um equipamento 3D de última geração em uma tela de polímero especial, com quatro metros de largura.
Extremamente nítida, a projeção digital em 3D cria um incrível efeito de profundidade, permitindo que o aluno veja diversas camadas de imagem com perfeição. O objetivo é permitir uma experiência única ao aluno, o que só é possível com a utilização de recursos visuais de última geração, já que a estrutura e músicas são as mesmas de uma aula comum. Em 60 minutos de pedalada é possível perder até 600 kcal. A Bio Bike 3D está percorrendo por todas as unidades da rede.
Carrol Shelby cria bicicleta
Carrol Shelby ficou famosos no mercado automobilístico por iniciar várias preparações para o Ford Mustang. Desde então, expandiu seus negócios, ganhando até grife de roupa nos Estados Unidos.
No último dia 10 de março, Carrol apresentou sua mais nova criação: a Shelby Cruiser, uma inusitada bicicleta. A tecnologia está presente em vários detalhes. No quadro de alumínio é utilizada a tecnologia hidroformato, onde a água auxilia a expandir o metal dentro dos moldes, o que confere, ao mesmo tempo, leveza e maior rigidez torcional à estrutura. A bike conta com rodas de 36 raios e suspensão na dianteira com subchassi.
No fim de maio, essa belezinha começará a ser vendida nos Estados Unidos a US$ 999, cerca de R$ 1.700.
Empresas paulistas contratam mais de dois mil bikeboys
Nem motos, nem carros. As empresas estão contratando bikeboys em São Paulo. Estima-se que mais de 2.000 bikeboys circulem na capital paulista, atualmente. Com o caos do trânsito, a bicicleta torna-se uma opção rápida, além de ser limpa e barata. Essas qualidades estão seduzindo as empresas.
Muitos ciclistas aproveitam o período dos treinos para realizar este tipo de serviço. Um profissional recebe até R$ 1.500,00 por mês, que varia conforme a quantidade de entregas realizadas e de quilômetros percorridos.
Os empresários estão satisfeitos com os resultados, pois o custo de uma entrega por bicicleta pode ser até 30% menor, e segundo eles, nunca houve entrega cancelada por atrasos.
Bicicleta para navegantes
A Regatta, empresa do ramo náutico com 29 anos de mercado, lançou uma solução para navegantes que gostariam de pedalar durante as viagens: bicicletas dobráveis. Fáceis de dobrar, de carregar, práticas e leves, são ideais para o uso em transportes coletivos. Mesmo em terra firme, esta bike oferece diversas vantagens, como facilidade para levá-la em ônibus ou trem, cabe no porta-malas de carros, e pode ser guardada com mais segurança do que bicicletas que ficam expostas em racks ou suportes externos.
Os dois modelos da marca foram lançados durante a Rio Boat Show 2011, um dos maiores eventos náuticos do país. Um dos modelos é a YVA061 20 polegadas, fabricada nas cores branca e vermelha, estrutura de alumínio, sistemas de câmbio e freio, e segundo a fabricante, leva apenas 12 segundos para ser dobrada.
O outro modelo, a Boat Bike Mod City Tour, com aros 26, sistema de câmbio, freios e suspensão dianteira, leva apenas 18 segundos para transformar-se.
É uma bela forma de incentivar a prática do ciclismo, mesmo em alto mar.
PEDALUSP
No dia 04 de maio iniciaram os testes com o Pedalusp, sistema gratuito de empréstimo de bicicletas. Alunos, professores e funcionários da USP - Universidade de São Paulo - terão acesso a quatro bicicletas, distribuídas em dois pontos da universidade, que podem ser emprestadas por até 20 minutos.
Neste primeiro dia, mais de 40 empréstimos já foram feitos, e mais de 80 pessoas se cadastraram no sistema.
Para liberar as travas, há um sistema que conhece a carteira da universidade. O projeto, inspirado no École Centrale, da França, foi desenvolvido pelos engenheiros Maurício Matsumoto e Maurício Villar. O plano é ampliar a oferta para 100 bicicletas e 10 postos no campus da Cidade Universitária, no Butantã.
O usuário do sistema que estourar o tempo de 20 minutos será punido. Quem ficar com a bike de 20 minutos até uma hora estará suspenso do sistema por dois dias. Quem ultrapassar uma hora de empréstimo estará suspenso por cinco dias; para quem abusar e ficar mais de um dia sem devolver a bicicleta estará expulso do programa.
Os testes serão realizados por seis meses, e neste tempo os idealizadores do projeto querem ouvir sugestões e críticas para ajustar o que for necessário, e implantar a bike como meio de transporte dentro da Cidade Universitária.
Foto: Diogo Moreira/Futura Press
1600 km em cinco dias de pedal
Texto: Felipe André Aço
Mais de 200 ciclistas de diversos países participaram da 1001 Miglia - uma das maiores provas de “randonneer” do mundo. Eles se reuniram para pedalar muito, ininterruptamente, com altimetria variando constantemente entre subidas intermináveis e parcas descidas para descanso. Consegue conceber o desgaste, a fadiga e o desconforto? Dentre os ciclistas estavam os brasileiros Isac Chedid e Rubens Gandolfi, dos quais abstraio um relato sobre a experiência.
Para ter uma ideia do feito, pode-se fazer um cálculo simples entre distância e tempo para verificar que a aventura é como se nós pegássemos nossa bike hoje e começássemos a pedalar ininterruptamente, durante três dias e meio, com velocidade média de 19 km/h.
Qualquer um de nós sabe o significa fazer 19 km/h enfrentando chuva, sol, trânsito, topografia, vento... Nas condições mais favoráveis, fazer esta média já seria um feito impressionante: imagine isso em um país estranho com todas as adversidades possíveis e com pouca ou quase nenhuma estrutura durante o percurso.
No entanto, um randonneer de verdade sabe que tudo isso faz parte do jogo. Há algo mágico em empreender uma prova deste nível; seja pelo desafio, seja pela novidade, pelo contato humano ou pela descoberta de novos amigos e lugares. Ver o mundo com outras lentes, e ver mais e melhor. Aliás, é ótimo perceber a experiência de estar onde tantos fizeram história, onde a cultura do mundo ocidental fundou seu alicerce, e perceber isso de modo adverso, desenvolvendo seu ritmo, inspirando e expirando as notas com que Verdi compôs La Traviata e, sem querer, começar a recitar a melodia no ritmo do pedal.
O "ofício" de "randoneiro" é assim: na constância do pedal ele descobre a lírica do lugar, a tradição e a história. Rubens e Isac transpuseram obstáculos onde décadas antes transitou Fausto Coppi, o mito do ciclismo dos primórdios do século XX, considerado um dos ciclistas mais completos, várias vezes vencedor da volta da Itália e da França. Nem cansaço, nem fadiga impedem a presença virtual de figuras como São Francisco de Assis, Antônio Lingabue, e Michelangelo que muito transitaram por aquelas estradas em séculos passados.
A 1001 Miglia é uma prova já tradicional na Itália. Lá reúnem-se ciclistas experientes, profissionais e amadores do mundo todo para empreender um percurso que sai de Fombio, passando por dezenas de cidades, retornando por fim a Nerviano. De uma região montanhosa, o percurso transcende para outras, com igual beleza, mas de imponência agrícola, chegando em praias paradisíacas e cidades milenares.
Existem sensações e percepções que só quem pedala consegue ter: o tempo do pedal é o mesmo do “espírito da terra”. Quem não pedala não sabe o que isso significa, a trajetória é longa e só é transposta quando o físico e o espiritual atuam em consonância e constância. Há embates? Sempre haverão! O desafio de viver é saber dosar as necessidades do corpo com a sede da alma.
Em um percurso tão longo há espaço para uma infinidade de acontecimentos, o trágico e o cômico por vezes se sobrepõem. Isac relata que logo no primeiro dia a corrente de sua bicicleta quebrou. Frustrado, pois a peça de reposição que tinha era menor do que precisava, ficou refletindo o que fazer até a chegada de um homem que lhe ofereceu ajuda. Após 20 minutos ele volta girando uma corrente entre os dedos. Feito o conserto, o mesmo senhor idoso que lhe trouxe a salvação para continuar na prova lhe pede emprestada a bike e some no infinito da estrada sem deixar rastro. Seria trágico, mas felizmente tornou-se cômico quando o mesmo volta rindo de nosso ciclista, que a esta altura já estava pensando que explicação iria dar em casa!
Rubens teve um percurso mais constante, sem quebras ou erros de percurso, que também foi uma das variáveis para Isac, e finalizou os 1625 km em 122 horas. Isso, claro, sem deixar de tomar umas spinas (cervejas) pelo caminho, afinal, ninguém é de ferro! Afora isso, o que mais lhe incomodou foi a dificuldade de tomar banho durante o trajeto. Detalhe insignificante, visto que todos que estavam na prova também se encontraram na mesma situação. Após tantos dias de pedal o melhor é relevar certos detalhes, digamos, catinguentos da história.
Isac ainda protagonizou outras cenas durante o percurso quando ele e mais dois atravessaram a linha de largada de uma prova do campeonato italiano de ciclismo. Nada mal, se não houvessem cruzado com os ciclistas que vinham na direção contrária. Cena típica do cinema mudo: não é preciso palavras para imaginar o hilário da história.
Ter objetivo, foco e determinação para concretizar este desafio é um pré-requisito fundamental para quem empreende uma trajetória desta magnitude. Ninguém treina 1600 km antes de fazer uma prova de 1600 km. Para Isac e Rubens o treinamento se deu participando do máximo de provas do Audax. Na lista para o treino estavam 200, 300, 400 e 600 km, mas no final das contas vale mesmo a coragem de não desistir, pois as adversidades são muitas e quando o corpo já se exauriu, é a cabeça que determina a cadência.
A experiência de ser randonneurs é uma “viagem” de autoconhecimento. As vivências de um brevet de 1600 km são únicas. Ninguém se conhece verdadeiramente enquanto não leva ao limite a relação da mente com seu corpo.
Vale finalizar com um trecho do relato que Isac produziu sobre a prova e que diz muito sobre a coragem e a determinação necessárias neste tipo de desafio. Parabéns pelo feito. Sucesso no Paris – Brest – Paris de agosto próximo. (...) “aprendi muito nesse brevet observando como os outros praticavam. Entendi como se organizar para um evento desse porte e, principalmente, que não importa o quanto você se prepare, imprevistos acontecem e devemos saber lidar com eles. O maior segredo disso é ter seu inconsciente trabalhando a favor. Sempre pensei em fazer isso me divertindo, querendo muito a conquista, mas bem resolvido caso não conseguisse. A ideia era aproveitar ao máximo, conhecendo as pessoas, os lugares e tudo que houvesse por lá. Conquistar o brevet era apenas uma consequência que coroaria essa incrível experiência – Que bala, assinei meu nome no topo da lista!” (Isac Chedid).
Soluções em Bicicletas
A série Velo-City
Texto e fotos: Zé Lobo
Velo-City é o maior evento mundial sobre mobilidade por bicicletas. É organizado pela Federação Europeia de Ciclistas (European Cyclists Federation – ECF) para encorajar o uso da bicicleta como parte da rotina diária de transporte e lazer. Em busca de soluções para este objetivo e movida pela necessidade de troca de informações, a série de conferências teve início em Bremen, Alemanha, em 1980, num evento que reuniu 316 pessoas de 10 países. A partir da terceira edição, em 1987, o evento tornou-se bienal, ocorrendo sempre em cidades europeias e com foco no continente europeu. Velo-City é um pequeno jogo com as palavras vèlo (bicicleta, em francês) e city (cidade, em inglês), sugerindo cidades para bicicletas. Velo-City também pode ser lido como velocity (velocidade, em inglês), em contraponto com a lentidão do trânsito de automóveis.
O interesse pelas bicicletas por parte do poder público, urbanistas, técnicos da área e usuários de bicicletas como meio de transporte tornou-se cada vez maior e o Velo-City foi conquistando dimensões mundiais. Partindo desta realidade, a ECF optou por tornar o evento anual, sendo os anos ímpares voltados para o continente europeu e os anos pares dedicados ao mundo inteiro. Surgiu, assim, o Velo-City Global, que teve sua primeira edição em 2010 em Copenhagen, Dinamarca, onde estiveram presentes 1100 participantes de 60 países.
Desde os anos 90, nós brasileiros estivemos presentes em mais de dez edições. Nas cinco edições mais recentes, o Brasil participou com diversas pessoas, entre elas administradores públicos e técnicos a representantes da sociedade civil. O estado campeão de participações é Santa Catarina, seguido por Rio de Janeiro e São Paulo. Na edição 2007, em Munique, havia uma delegação com seis brasileiros que lá estavam representando a então embrionária União de Ciclistas do Brasil - UCB, para maior intercâmbio com organizações europeias semelhantes, como a alemã ADCF – Allgemeiner Deutscher Fahrrad-Club e a holandesa Fietsersbond.
Em 2011 o evento aconteceu em Sevilha, Espanha, no mês de março. Embora fosse uma rodada europeia, teve um foco forte e grande participação de países latino-americanos. Em 2012 acontecerá a segunda edição do Velo-City Global e será a vez de Vancouver (Canadá) mostrar ao mundo o que tem feito pelas bicicletas. A versão europeia de 2013 seria em Budapeste, mas algo mudou por lá e a cidade ainda será definida.
A escolha da cidade-sede é feita a partir de uma seleção entre cidades candidatas. Estas devem apresentar tanto um bom projeto para a realização do evento quanto uma infraestrutura cicloviária que possa servir de exemplo aos visitantes de diversas partes do planeta. As cidades-sede são sempre um dos pontos altos do evento, pois nelas o participante pode sentir “na pele” como funciona o sistema cicloviário local.
De olho em 2014 e nos grandes eventos que acontecerão no Brasil, o Rio de Janeiro está preparando o material para se candidatar à sede do Velo-City Global 2014. O processo já está em andamento, as parcerias estão sendo feitas com todas as esferas ciclísticas, governo, indústria, sociedade civil e o projeto já esta sendo elaborado para ser entregue no final de agosto deste ano. A administração da cidade, na figura do subsecretário de Meio Ambiente e da Coordenadora de Planejamento Cicloviário, já se reuniu com a presidência da ECF e a organização do Velo-City, em Sevilha, que se mostraram muito receptivos à candidatura do Rio. Em dezembro, a cidade-sede para 2014 será definida e poderemos, então, comemorar ou reiniciar os trabalhos para 2016.
A Transporte Ativo (TA) é uma associação da sociedade civil, com sede no Rio de Janeiro e representações em São Paulo e Brasília, cujo objetivo é incentivar e valorizar o uso de meios de transporte movidos a energia humana.
Desafie seu prefeito a pedalar!
Texto: André Geraldo Soares
Para que os administradores públicos compreendam as dificuldades e os riscos de se pedalar na cidade e sensibilizem-se para a criação de políticas cicloinclusivas, precisamos colocá-los em cima das bicicletas.
Quisera pudéssemos contar com uma lei para isso. O Projeto de Lei do Senado PLS nº 480/2007, de autoria do Senador Cristovam Buarque, estabelece que “Os agentes públicos eleitos para os Poderes Executivo e Legislativo federais, estaduais, municipais e do Distrito Federal são obrigados a matricular seus filhos e demais dependentes em escolas públicas de educação básica [até o ensino médio]”. Não deveria esta ideia ser aplicada também à saúde e ao transporte públicos? E uma emenda que estendesse tal obrigação a, pelo menos, todos os cargos de primeiro escalão − do governo federal, do governo estadual e da prefeitura − não faria dessa lei, na hipótese remota da aprovação do projeto, uma peça revolucionária?
Bem, se esperarmos por uma lei, os administradores das nossas cidades nunca vão pisar na avenida... Então, se quisermos que um Prefeito e seus Secretários de Transportes e de Planejamento Urbano cumpram o percurso casa-trabalho contando apenas com suas próprias forças motoras, precisamos, mais que convidá-los, desafiá-los!
É preciso esclarecer-lhes que não serve fazer um passeio de um quilômetro, em uma rua livre de carros, com escolta da polícia, sobre uma bicicleta sofisticada emprestada por um empresário do ramo num feriado com reluzente céu azul. Para conhecer a mobilidade ciclística o prefeito precisa praticar a realidade do trânsito em situações normais.
O prefeito tem que ir sozinho, em dias de semana, com mochila nas costas ou no bagageiro, pelas cruas ruas da cidade. Ao chegar ao gabinete, tem que procurar um poste para cadear sua bicicleta e ficar espiando da janela, de vez em quando, pra ver se ela ainda está lá... Por falar em estacionamento, que tal agregar à experiência uma integração intermodal?: deixar a bicicleta em um terminal para tomar um ônibus e completar a viagem!
No percurso o Excelentíssimo aprenderá bastante sobre as necessidades dos trabalhadores e aposentados, das donas de casa e dos estudantes que se locomovem por pedais. Grande fluxo de motorizados, bueiros abertos, ausência de sinalização, cruzamentos que parecem ratoeiras e semáforos sem tempo para não-motorizados são algumas situações que demonstram que seus subalternos não pensaram nos ciclistas ao projetar o sistema viário.
As vias públicas tornaram-se, por atos e omissões dos gestores públicos, território prioritário dos veículos motorizados. Por isso, somada à péssima infraestrutura viária, o comportamento dos motoristas no trânsito faz, do simples ato de pedalar, quase uma missão heróica. O descuido, o desrespeito e mesmo a hostilidade dos motoristas demonstram que o componente educacional também não está entre as prioridades dos gestores da mobilidade urbana. Portanto, o chefe do executivo poderá, na sua interação, sentir o vento arrepiante da alta velocidade dos ônibus que passam coladinhos, o temor de que uma porta de carro se abra a qualquer momento, o susto quando um carro cortar sua frente ao entrar numa esquina ou ao sair de uma garagem e o sufoco da fumaça e da poeira − entre outras sensações que reprimem o desejo, de muitas pessoas, de pedalar e de contribuir para aliviar o caos insuportável do trânsito.
Os gestores públicos são apáticos com os problemas urbanos simplesmente porque eles não se utilizam dos serviços públicos. Eles possuem noções abstratas, recolhidas através de relatos e das reclamações, mas eles não vivenciam a cidade real. Para demonstrar confiança na estrutura oferecida para se viver e produzir em uma cidade, eles deveriam dar o exemplo e utilizá-la. Uma vez que eles, espontaneamente, não vão fazê-lo, cabe à sociedade incitá-los – e, para isso, meios não faltam: carta oficial protocolada, abaixo-assinado, bombardeio de mensagens ao “Fale conosco” da prefeitura, campanha em blogs, releases para a imprensa, etc.
Desta forma eles compreenderão que os maiores problemas para usar a bicicleta não derivam do clima, do relevo ou da inaptidão física do usuário, mas das políticas públicas por eles capitaneadas. Compreenderão também a qualidade dos cidadãos que, por opção ou necessidade, adotam a bicicleta como uma companheira no cotidiano desafio de ir e vir. E daí, prefeito, vai encarar?
VELOTOUR
Texto: Eliana Britto Garcia
para baixo, com cada um dos pés no pedal, mas trilhar o Costa Verde e Mar é viver os altos e baixos de uma saborosa aventura que chega a nos tirar o fôlego, nos acalma como os melhores calmantes, nos embebeda como o mais fino vinho, terra e mar, azul e verde, unindo-se pela alva espuma que se espalha pelas cálidas areias. Foram muitas imagens que custarão a se apagar… O calor das pessoas em querer ajudar, em querer receber. O prazer das pessoas em trocar ideias, ou simplesmente jogar conversa fora. O atendimento especial a nós ciclistas, e às nossas bicis, máquinas de fazer histórias, onde sempre houve jeito, e sempre haverá cuidado para que fiquemos mais felizes. Como sempre andando lá atrás, muito lá atrás, muito, muito, algumas vezes me perguntaram se eu estava perdido do grupo; eu apenas sorria e fazia sinal que não… Isso significa que somos notados, e bem-vindos, e bem tratados por gente que nunca vimos. Resta agradecer pela recepção, pelas toalhinhas bordadas com precisão, pela simpatia e atenção, pelos pães alemães, pela amizade, paciência, presteza, organização e simpatia na condução de tão belo passeio." (Paulo R. Boblitz)
Quando voltamos de uma viagem e mostramos as fotos para amigos e conhecidos, eles comentam: "eu também gostaria de fazer uma viagem de bicicleta; da próxima vez, me convidem." Muitas pessoas têm vontade de viajar de bicicleta e não sabem muito bem de que maneira começar. Entre se informar em sites e artigos e se lançar pela estrada existe um espaço de tempo, que às vezes pode ser de vários anos, até que de sonho, a viagem finalmente se torne uma realidade.
O Clube de Cicloturismo tinha vontade, já há bastante tempo, de combinar uma viagem de bicicleta onde várias pessoas pudessem ser convidadas para participar; sempre foi nossa filosofia desmistificar o cicloturismo e mostrar que é sim possível fazer uma viagem de bike. Assim, temos escrito artigos, feito palestras e encontros que ajudaram muitas pessoas, mas algumas ainda não passaram da teoria para a prática, por assim dizer. Ficávamos num impasse entre querer levar as pessoas para viajar e ao mesmo tempo incentivá-las a organizar sua própria viagem, para não perder o sabor especial de sua aventura.
Depois de muito quebrar a cabeça, bolamos o evento Velotour. Era preciso fornecer um mínimo de infraestrutura para os iniciantes nas aventuras cicloturísticas, e também era necessário permitir uma viagem com mais liberdade, não com grupos organizados como numa agência de turismo; aliás, a busca pela liberdade é natural para quem gosta de pedalar.
Uma viagem por agência tem suas vantagens, claro. Tudo está organizado e não há com o que se preocupar, mas a contrapartida é que se fica mais preso ao ritmo dos outros participantes, paradas e horários preestabelecidos. O Velotour é uma viagem totalmente autônoma, ou seja, o cicloturista carrega toda a sua bagagem e é responsável por si mesmo. Porém, o evento fornece uma estrutura de segurança mínima e a certeza de se pedalar na companhia de outros cicloturistas, em um local previamente escolhido. É o empurrãozinho necessário a quem estava precisando tomar coragem para planejar sua viagem.
No Velotour a liberdade é muito grande, há uma flexibilidade de horários de saída e de chegada, e cada um faz as paradas conforme seus interesses e necessidades. Não fica a impressão de pedalar em um grupo grande, pois os participantes acabam se espalhando bem ao longo da rota, que costuma ser de 50 km por dia, em média.
Outra característica importante é o fato do Velotour ser um evento gratuito para os ciclistas, já que o evento é viabilizado através de patrocínios e apoio de prefeituras locais, dando a possibilidade de participação de um maior número de pessoas. E como cada um pode escolher entre as opções mais adequadas de hotéis e restaurantes, o evento se torna bem democrático.
Desde a primeira realização do Velotour, pode-se perceber o clima de união que se cria entre o grupo. Talvez pelo fato de não existir um carro seguindo o grupo, e todos estarem independentes e carregando todo o peso da bagagem, a integração e a preocupação uns com os outros se intensificou. Com isso forma-se um ambiente de solidariedade e companheirismo em toda a viagem, e nascem grandes amizades.
É importante salientar que até existem alguns outros eventos na Europa com este mesmo nome, mas são diferentes. Pode-se dizer que o sistema de funcionamento do controle foi inspirado no Audax, outro evento que vem crescendo no Brasil. Porém os objetivos são bem diferentes: enquanto no Audax busca-se a superação de limites, no Velotour procura-se aproveitar o máximo do caminho e dos lugares, com objetivo de integração com o meio e com os outros participantes.
Conforme Vilma Moraes Batista da Silva, participante do Velotour, esse modelo de cicloturismo oferece maior segurança, sem tirar o gostinho da aventura. "Eu fui no carnaval de 2010. Fiz o trajeto completo de sete dias e gostei muito: paisagens maravilhosas, lugares tranquilos, calmos e acolhedores. A subida para a cachoeira do Zinco e a família da fazenda do Zinco com o jantar que nos ofereceu num lugar muito simples e bonito ficará para sempre na minha lembrança, entre outros momentos especiais. Adorei a proposta do Velotour, ao mesmo tempo que você está acompanhado, fazendo amizades pelo caminho e nas paradas das pousadas, você está por sua conta, independe para parar, comer, fotografar, conversar. No Velotour me senti segura porque sabia que se houvesse qualquer problema poderia contar com o suporte da equipe do Clube de Cicloturismo, que são pessoas maravilhosas."
Como funciona o Velotour
O Clube de Cicloturismo, que organiza o evento, divulga a data da viagem, e os participantes fazem suas reservas nos hotéis e pousadas. Cada um escolhe os locais aonde vai se hospedar e cuida de sua própria reserva. Não é cobrada taxa de inscrição, assim os participantes gastam somente com as despesas normais da viagem. Cada um é responsável também pela manutenção de sua bicicleta, mas no final de cada dia um carro percorre o trajeto verificando se alguém teve algum problema.
A viagem é feita por um percurso definido, sinalizado e planilhado de forma que seja autoguiado, portanto cada cicloturista cuida de sua navegação. São colocados alguns postos de controle (PCs), no início, no meio e no final do trajeto de cada dia, para nos certificarmos que ninguém se perdeu. Em cada um destes PCs, o cicloturista carimba sua credencial do evento e no final da viagem, estando com todos os carimbos completos, recebe o carimbo final de conclusão.
A estreia do Velotour foi em 2006, no Circuito Vale Europeu. Atualmente, esta nova modalidade de cicloturismo já está se tornando um tradicional ponto de encontros para ciclistas.
O que levar
Para uma viagem como esta, o ideal é que o peso total da bagagem fique no máximo entre 10 a 12 kg. Não é necessário levar saco de dormir, isolante térmico, roupa de cama, toalha e barraca. Sempre transporte todos os pertences em sacos plásticos para protegê-los de uma eventual chuva. Adapte a bagagem de modo que seja fácil de colocar e retirar da bicicleta, pois em todas as noites será necessário tirar toda a bagagem, e recolocá-la na manhã seguinte. O ideal é utilizar alforjes, próprios para cicloviagem. O capacete é item obrigatório.
Para auxiliar você na composição de sua bagagem, elaboramos esta sugestão de lista de bagagem; mas faça sua própria lista, de acordo com suas preferências e necessidades.
Roupas (1,5 kg) - Duas bermudas de ciclista, três pares de meia de pedalar, uma calça de tactel, uma jaqueta corta vento ou anorak, um boné ou chapéu, três camisas de manga curta (uma de algodão é duas sintéticas) e uma camiseta manga longa.
Para o frio (1 kg) - Um par de meias, uma calça fleece, um agasalho de fleece, um colete, camiseta segunda pele, cachecol ou bandana, luva e gorro.
Calçados (1,25 kg) - Uma sapatilha ou tênis de pedalar, um tênis ou bota extra e um chinelo.
Kit de Higiene (600 g) - Sabonete pequeno, shampoo, condicionador e creme hidratante acondicionados em embalagens pequenas, pente, escova, cortador de unha, escova e pasta de dentes, fio dental, papel higiênico, toalha pequena tipo "packtowl", no caso de se banhar nas cachoeiras.
Proteção Solar (200 g) - Filtro solar e protetor labial.
Kit de Ferramentas (900 g) - jogo de chaves allen, kit de reparo de câmaras, bomba de ar, câmara reserva, chave de fenda, alicate de bico, chave de corrente, chave de raios, chave de boca regulável, canivete, lubrificante, raios extras, sapatas ou pastilhas de freio, gancheira, pano e escovinha para limpeza. Caso sua bicicleta necessite de ferramentas e peças de reposição específicas, leve-as também.
Kit de Primeiros Socorros (400 g) - Faixa de crepe, esparadrapo, micropore, gaze, algodão, curativo, água oxigenada, agulha, pinça, termômetro, analgésico, anti-histamínico, sal de frutas, pastilhas para garganta, colírio, sal e açúcar, soro de reidratação em pó, isqueiro.
Equipamentos (500 g) - Celular, máquina fotográfica, farol, pisca, GPS (opcional), cabos e carregadores.
Outros (500 g) - Capa de chuva, sacos plásticos, refletivos, recipientes para água (garrafas pet), tranca, extensor, mapas e cardeneta de anotações.
Alimentação (300 g) - Leve frutas secas, castanhas, barrinhas de cereais e lanches para comer durante a pedalada. Para mais dicas sobre a alimentação no cicloturismo, leia também a coluna Nutribike, na página XXXXXXXXXX.
Dicas
Utilize uma bicicleta mountain bike, com relação de marchas bem leve, ideal para as subidas. Os pneus devem ter cravos, para uso na terra. Faça uma revisão completa na bicicleta antes de viajar. Adapte um odômetro (ciclocomputador) para poder seguir as planilhas e se orientar nos mapas.
Apesar de algumas facilidades, a proposta é simular uma cicloviagem real. Então, faça reservas em hotéis com antecedência. Lembre-se de verificar as agências bancárias disponíveis no percurso, e programe-se para que esteja com dinheiro suficiente: nem pouco, nem demais. Estude a classificação de dificuldade física do roteiro e confirme se está preparado para este desafio. Seja responsável também pelo lixo que produzir, afinal, um lugar de natureza tão bonita merece todo o nosso respeito, e deve-se provocar o menor impacto possível.
Outra dica importante de Paulo R. Boblitz, participante do Velotour Costa Verde e Mar, é registrar tudo no GPS e na máquina fotográfica: isso permite recordar e reviver o passeio. "Tratar as fotos e os dados estatísticos dia a dia faz renascer emoções. Ao despejar minhas rotas para o Google Earth, acabei trilhando o Velotour Costa Verde e Mar pela segunda vez. A cada ponto lembrei do porquê da parada, do suor que a montanha produziu em ziguezague, das carreiras que as descidas proporcionaram, das conversas, principalmente comigo mesmo. Quando vejo no GPS um pontinho quase sobre o outro, lembro que a subida foi lenta e trabalhosa; ao vê-los espaçados, sei que a descida foi prazerosa. Por isso não antecipo a rota no aparelho, pois que ele me retorna mostrando os segredos, os apertos, os volteios, os erros que cheguei a cometer. Trilha gostosa é sempre aquela que você exercita inclusive o verbo, pois conversar com os da região é conquistar simpatias. Seguir as setas é cômodo e até seguro, mas perdemos no espírito aventureiro, daquele sem rumo que sonhamos... Seguir o mapa roteiro é mais gostoso, pois exercitamos nosso sentido da navegação, parando para raciocinar, para baixar o fogo, descobrir que entramos para o lado errado... No computador, trilhei novamente o Velotour Costa Verde e Mar, e reparei que o belo que achei é muito mais bonito, pois agora, privilegiado, voava sobre ele, descobrindo que passei por precipícios, rios e riachos, florestas, campos cultivados, povoados bem pequenos, e pela história da própria região."
Conheça os dois roteiros
O clube organiza dois eventos Velotour por ano: no carnaval é percorrido o Circuito Vale Europeu e em novembro, o Circuito Costa Verde e Mar, ambos em Santa Catarina. A intenção do Clube de Cicloturismo é formar um calendário anual com vários Velotours, em diversas partes do país. Acompanhe como foram as últimas edições do Velotour.
Velotour Costa Verde e Mar
Pedalar pelas praias de Santa Catarina é algo que nos faz sentir privilegiados, afinal este estado possui um dos litorais mais belos de todo o país. Durante o Velotour, tivemos a sorte de pegar lindos dias de sol na praia; a chuva deixou para nos pegar no trecho de interior. O roteiro do circuito margeia o mais próximo possível as praias, pegando todos os caminhos alternativos possíveis. Assim, poucos quilômetros depois de deixarmos a agitada Balneário Camboriú, início do circuito, já estávamos numa estradinha de terra, admirando a paisagem a partir de um mirante no alto do morro.
O grupo era formado por cicloturistas iniciantes e experientes, vindos de várias partes do país. Tínhamos participantes de vários estados: desde o Rio Grande do Sul até o Sergipe. Estávamos em 25 pessoas, dos mais variados perfis e profissões, como é característico no cicloturismo. O interessante é que as diferenças, as profissões e até mesmo as idades, nada disso interfere para se fazer amizade durante um pedal. Muitas vezes pedalamos por vários dias ao lado de alguém e de repente nos damos conta de que nem perguntamos o que a pessoa faz da vida. E realmente não importa muito, o que interessa mesmo são aqueles momentos e o prazer de viajar de bicicleta.
Logo nos primeiros dias já se formaram alguns grupos menores, por afinidade e ritmo de pedal. A primeira turma saía logo cedo e puxava bastante, com o intuito de chegar cedo e assim pegar pouco sol na pedalada e descansar durante a tarde na pousada. Outro grupo saía mais tarde, parando bastante para fotografar. Um terceiro grupo saía bem mais tarde, no limite do horário do PC, por volta das 10h30min. Este era o grupo do sossego. Tudo era motivo para uma parada, uma água de coco, uma conversa com pessoas locais, mais uma parada no bar e a chegada era geralmente no final da tarde, depois de curtir cada quilômetro da pedalada.
A vantagem do Velotour é esta: ninguém fica preso a um horário só, pois cada um pode ditar seu próprio ritmo. Outra vantagem é sempre ter alguém com um ritmo parecido com o seu para te acompanhar. Se quiser, é claro, porque alguns estavam a fim de pedalar sozinhos, num momento mais introspectivo, e assim o fizeram.
Seguimos pelo litoral por Itajaí, Navegantes, Penha, até alcançar Balneário Piçarras, onde foi nosso primeiro pernoite. A turma combinou de jantar toda junta, numa grande confraternização, que se repetiu várias noites ao longo da viagem. Em Piçarras, deixamos o litoral e seguimos em direção ao interior. Incrível como numa curta distância já se nota a diferença cultural, no jeito das pessoas, maneira de se vestir e de se portar. A bicicleta favorece esta percepção e ainda facilita muito a aproximação. Passamos uma noite em Luís Alves, capital catarinense da cachaça, que fez a alegria de alguns aficionados por esta bebida. Outra noite ficamos em Ilhota, um grande pólo produtor de lingeries e biquínis, que desta vez fez a alegria das meninas do grupo. Mais uma noite no interior, em Camboriú, e voltamos para o litoral.
De volta às praias, mas também de volta aos morros. Deixamos para trás as planícies e plantações de arroz do interior e voltamos a encarar as íngremes subidas da beira do mar. Passamos por Itapema, Porto Belo e chegamos a Bombinhas, num dia de tantas paisagens e praias maravilhosas que parecia não caber tudo em nossa memória, e nem na memória da máquina fotográfica! Ao chegar a Bombinhas e tomar um banho de mar no final da tarde, a vontade foi de ficar ali por pelo menos mais uma semana. Ou quem sabe a vida toda... Porém o dia seguinte nos aguardava cheio de outras praias paradisíacas e também de intermináveis subidas.
O último dia é o mais puxado do circuito, o único realmente pesado do Costa Verde e Mar. Para evitar a temível BR-116, o circuito nos leva para um trecho de interior para voltar ao litoral mais adiante. Assim, somente cruzamos a rodovia, sem ter que pedalar por ela e seus caminhões. Voltamos ao litoral num dos trechos mais famosos da região, a Rodovia Interpraias. É uma via turística, asfaltada, ligando uma sequência de praias. Apesar do asfalto, a dificuldade é bem alta, pois a inclinação das subidas é muito forte. Estas subidas, somadas ao cansaço acumulado dos seis dias de viagem, fez muita gente empurrar a bicicleta e se arrepender de todos os pecados. Mas no final de cada subida vem sempre a deliciosa descida, que nos fazer esquecer de todos os perrengues e só sentir o vento no rosto e mais nada. Ao final da Interpraias chegamos à balsa que liga nos leva ao destino final da viagem, Balneário Camboriú. Os que chegaram primeiro esperaram para atravessarmos todos juntos. Aguardamos a balsa, todos reunidos, mas já com um gostinho de despedida no ar, cada um fazendo sua retrospectiva interna, refletindo sobre o significado daqueles últimos dias. Foi o primeiro Velotour no Costa Verde e Mar, uma bela estreia, com um grupo muito bacana, unido e divertido, que com certeza vai deixar saudades em cada um de nós.
Patrocínio:
Apoio: Rezende Hotel, Hotel Colinas, Hotel Ilhota, Hotel Arco do Sol, Pousada Zimbros, ACBC e Consórcio de Municípios Citmar.
Velotour Vale Europeu
Esta foi a quarta edição do evento no Vale Europeu. Nunca uma viagem é igual a outra, pois mudam as pessoas do grupo e a cada ano é uma nova história. Desta vez estávamos com o recorde de público, percorremos a parte baixa do circuito com 70 pessoas. Muita gente não pode emendar a semana toda do carnaval, e assim, fizemos a parte alta com 35 participantes.
O Circuito Vale Europeu já se tornou um clássico do cicloturismo nacional, e mesmo tendo sido inaugurado há pouco mais de quatro anos, já é um dos destinos brasileiros mais procurados. Este ano, tivemos ciclistas de mais de sete estados pedalando juntos. É uma chance única de encontrar outras pessoas de longe, mas que possuem os mesmos ideais e a mesma paixão pela bicicleta. Novamente se formaram os pequenos grupos, conforme interesse e ritmo de pedaladas. O curioso é que o grupo da frente era formado principalmente por pessoas de mais idade, autointitulado “grupo dos 58”, uma referência a idade dos integrantes. Eram os mais festeiros, mas sempre acordavam cedo e pedalavam forte.
Vários grupos intermediários se formaram, e por último ficava um grupo realmente tranquilo. Saíam tarde, pedalavam com calma, curtiam todo o caminho, tomavam banho em cada cachoeira e, invariavelmente, acabavam chegando à noite. Mas tudo com muito bom humor e muitas histórias para contar. Ou seja, cada um curtiu a viagem a sua maneira, e essa é a essência do Velotour.
No primeiro dia de pedal, saindo de Timbó, todos estão sempre bem ansiosos e o pedal é feito em ritmo forte, pelas baixadas e vales. Isto até encontrar a subida do Rio Ada, para arrefecer os ânimos e nos lembrar que a viagem não vai ser moleza. Vencido o subidão, descemos para encontrar a Rota Enxaimel, uma rota turística e histórica na área rural de Pomerode. Nela estão várias construções típicas alemãs, com mais de um século de tradição. O mais impressionante é que todas as casas possuem moradores, que são os descendentes dos primeiros imigrantes que as construíram.
Em Pomerode, o tradicional chope alemão matou a sede do grupo. Do segundo dia em diante, cada um já traçou melhor sua estratégia de pedal, planejando os horários para pedalar e os pontos de parada que queria fazer. Ficamos quase todos no mesmo hotel em Indaial, o que ajudou a integrar mais ainda o grupo. Dia seguinte era despedida para alguns, os que fariam somente a parte baixa do circuito, e desafio para outros, os que seguiriam viagem, encarando as famosas subidas deste trecho. A finalização da parte baixa foi feita na vinícola San Michele, em Rodeio, com direito à degustação de vários tipos diferentes de vinhos e espumantes. Dali a Timbó são somente 16 km de asfalto, então quem terminava a viagem por ali estava sem pressa. Para quem ia subir para a Fazenda Campo do Zinco, continuando o circuito, tinha ainda mais de oito quilômetros contínuos de subida. Este é o dia de maior dificuldade física do Vale Europeu e terminamos todos bem cansados. Mas uma vez lá em cima é como chegar ao paraíso. Comida boa, acolhida carinhosa, paisagem magnífica e uma cachoeira de deixar qualquer um boquiaberto. Somada à sensação de vitória por todo o esforço da empreitada até ali, com a missão comprida, relaxamos e dormimos como bebês.
No quarto dia pudemos descansar e sair um pouco mais tarde, já que a etapa até Dr. Pedrinho é mais curta. Sentimos a mudança do clima, mais frio e com ar de montanha, bem agradável para se pedalar. À noite tivemos a apresentação de um sanfoneiro, que tocou músicas típicas da região sul e também sucessos da música caipira. Tivemos até a presença do prefeito que foi prestigiar a passagem do grupo pela cidade.
No quinto dia, após a parada quase que obrigatória na belíssima Cachoeira Véu da Noiva, começamos a enfrentar uma chuva fina, que nos acompanhou até o dia seguinte. Este é o verdadeiro teste para o cicloturista, e a turma reagiu bem, mantendo o alto astral o tempo todo. Chegamos a Alto Cedro, que é a região de duas represas, numa paisagem que parece ser retirada de um calendário europeu. Belas casas em estilo alpino refletidas nas águas, com montanhas ao redor. Este foi o cenário para as pedaladas do sexto dia, que não apresentava nenhuma grande subida, mas inúmeras subidas pequenas, o famoso “serrote”, que acaba também minando nossa resistência. O último dia é praticamente só alegria. Muita, muita descida mesmo, um bom trecho plano e uma única e matadora subida. Esta pouquíssimos sobem pedalando inteira, pois é a pior de todas, mas felizmente não é muito longa, pouco mais de um quilômetro. Lá em cima, quem já havia subido aguardava para dar força aos que ainda estavam chegando.
Dali em diante já pedalávamos com uma certa ansiedade de chegar, mas felizes por completar uma bela viagem. O final é no Restaurante Thapyoka, em Timbó. Hora do merecido brinde e muitos abraços de comemoração. Neste momento bate uma tristezinha, mas que vai embora ao lembrar que outros Velotours virão.
Apoio: Park Hotel Timbó, Hotel Fink, Pousa Campo do Zinco, Bella Pousada, Família Duwe, Pousada do Faustino, Vinícola San Michele, Restaurante Thapyoka, Consórcio de Municípios Cimve e Associação Vale das Águas.
"Por onde passamos, sujos, suados, talvez fedorentos, fomos recebidos com carinho, fomos vistos com interesse, fomos cumprimentados, principalmente pelas crianças, pureza desse mundo. Arrozais, flores, florestas, igrejas, barcos, gente simples, mar, areia, pedras, rochedos, montanhas, vales, rios, cascatas, estradões, asfaltos, paralelepípedos, até gente se jogando para boiar no vento, ser pássaro por instantes, tudo isso se pode ver entremeado de belezas, todas elas naturais, aliado à simpatia de um povo ordeiro e trabalhador. Jovens, em seus automóveis passando por nós, acenavam, buzinavam, incentivavam, gritavam “iurrúúúú..!”, como se tocados pelo feito, como se também quisessem participar do passeio. Não aconteceu apenas uma vez, mas várias e naturais reações alegres de comprometimento, de apoio e de aprovação. Pegue seus alforjes e descubra por si só. Valerá cada centavo, cada pingo de suor…" Siga essa dica de Paulo e aproveite a segurança do Velotour e a beleza dos roteiros de Santa Catarina para iniciar suas cicloviagens.
Treinamento Físico para o Cicloturismo
Texto: Antonio Olinto
O verão é tido como a melhor época de férias em nosso país, entretanto, conforme o destino escolhido, o inverno pode ser a melhor estação, tendo em vista que em grande parte de nosso país as chuvas são menos frequentes. Em todo sul de Minas e Mantiqueira o clima fica simplesmente perfeito, com céu azul durante o dia e noites frias e aconchegantes para dormir.
As férias de julho estão longe, mas se quiser fazer uma bela viagem pela Mantiqueira, Estrada Real ou Caminho da Fé, por exemplo, o melhor é começar a treinar hoje mesmo.
Não acho recomendável, mas sei que é possível começar uma viagem de bicicleta com pouco treino e adquirir condicionamento na própria viagem. Neste caso, você terá que dispor de muito mais tempo para fazer paradas de descanso e recuperação a cada etapa pedalada, correndo o risco de sofrer lesões que comprometam a viagem.
Com a falta de tempo para uma recuperação efetiva na própria viagem, é imperativo que o cicloturista faça um forte treinamento prévio e, mesmo assim, saiba que não há treinamento que se equipare a uma viagem de verdade. Na viagem, o cicloturista enfrenta inúmeras variantes imprevisíveis como chuva, frio, relevo e acidentes de percurso que podem atrasar o horário das refeições, do banho ou do sono.
Mesmo que você não possua muita força ou resistência (grupo em que me enquadro) ou que não esteja muito treinado, poderá aprender a utilizar a paciência, a persistência e a disciplina como aliadas.
Em uma viagem de bicicleta geralmente não se buscam recordes, tampouco grandes velocidades, mas sim aprendizado, conhecimento, vivências e lazer. Por isto o condicionamento necessita ser bom o bastante para evitar que as dores e a estafa muscular absorvam o deleite.
Não é necessário treinar velocidade, mas constância. Constância no ritmo de 70 pedaladas por minuto, em subidas ou descidas, e constância na frequência das saídas para treino.
De forma geral, aconselho como treinamento mínimo uma hora por dia e alguns testes nos finais de semana, onde o cicloturista deve pedalar quantas horas possa suportar - cinco, seis, sete ou mais, para ter uma ideia de como e em quanto tempo poderá vencer cada etapa do caminho. Dores nos músculos são naturais, entretanto cuidado para não gerar lesões, aguarde a recuperação e volte aos treinos. Se as dores persistirem, consulte um especialista.
Pedalar ao menos uma hora por dia sob quaisquer condições climáticas gera um ingrediente fundamental no viajante: a resistência, que é vital em todos os tipos de viagem de bicicleta. Ela nos dá a coragem e disposição de prosseguir a viagem mesmo que, nas primeiras horas do dia, o clima esteja péssimo ou que nos sintamos esgotados após o terceiro ou quarto dia de viagem, quando a primeira empolgação já se foi.
É importante descansar antes ou depois de fazer um teste de final de semana. Geralmente o bom condicionamento físico só chega após uns três meses de treino sério. Por isso planeje com antecedência suas viagens.
Desde o início do treinamento é imprescindível que a bicicleta seja equipada com um ciclocomputador devidamente aferido, para que o cicloturista possa acompanhar a sua evolução física. Conforme minha experiência e a média das pessoas que encontrei pelo mundo viajando de bicicleta, um bom teste é conseguir fazer 100 km em um único dia (para homens e mulheres). Caso consiga realizar esta distância sem sofrer um desgaste sobre-humano, o cicloturista já pode se considerar diplomado para viajar para qualquer lugar do mundo com sua bicicleta. Claro, conforme o roteiro nem é preciso tanto, por exemplo, a maior etapa do Caminho da Fé é de trinta e poucos quilômetros, acredito que um cicloturista que consiga pedalar por 70 km já é capaz de vencer esta etapa.
Para mim, pedalar é um exercício tão natural como caminhar; em 1992 era um sedentário total e em um ano estava viajando o mundo de bicicleta, me exercitando por seis, sete, oito horas por dia - o mesmo que um atleta olímpico. Nunca tive lesões pois nunca forcei demasiadamente, meu intuito sempre foi o deleite.
Na volta ao mundo de bicicleta nunca fazia alongamentos, afinal pedalava oito horas por dia e caminhava menos de uma, seria mais recomendável alongar para caminhar que alongar para pedalar. Meu alongamento sempre foi de forma natural enquanto realizava tarefas simples como fazer comida, montar e desmontar acampamento, afinal não tinha as facilidades de uma cadeira ou cama. Hoje percebo que sempre que faço alongamentos a recuperação dos músculos é muito melhor.
Finalmente, mesmo que não tenha planos de viagem ou que nem goste de bicicleta e está lendo esta matéria enquanto espera sua hora no dentista, lembre-se que o corpo do ser humano é de um caçador - coletor, feito para caminhar o dia todo em busca de alimentos. As facilidades da vida moderna têm alterado de forma radical esta rotina com graves consequências, e acredito que de alguma forma cada um de nós deve encontrar soluções para reequilibrar esta situação. Talvez pedalar uma hora por dia só estará compensando o sedentarismo, então tente ao menos trocar circuitos de carro pela bicicleta, o elevador pela escada, o ônibus pela caminhada e sentirá a resposta imediata: seu corpo funcionará melhor de forma geral e terá muito mais disposição.
Alimentação no Cicloturismo
Texto: Amanda Miranda e Beatriz de Andrade Vilela
O cicloturismo é uma ótima opção para quem gosta de andar de bicicleta sem ter o compromisso de uma competição. Nesta modalidade, é importante realizar o planejamento dos alimentos que serão consumidos durante toda a viagem ou passeio.
Como normalmente são transportados em mochilas, é necessário optar por alimentos práticos, com uma boa durabilidade, e que não necessitem de refrigeração.
A alimentação será fundamental para repor as perdas dos nutrientes gastos durante a prática do cicloturismo.
Água, bebidas isotônicas e suco de frutas são importantes para prevenir a desidratação. Essas bebidas devem ser ingeridas num intervalo de 15 a 20 minutos, e a quantidade deve ser de acordo com a sua tolerância gástrica.
Durante o dia, realize três refeições principais: café da manhã, almoço e jantar, e pelo menos três lanches entre as refeições.
Para repor carboidratos, vitaminas e sais minerais, as frutas secas - como uva passa, damasco e maçã seca, e castanhas - como castanha de caju, nozes, Castanha-do-pará, amendoim e soja torrada, são boas opções de lanches. Uma boa dica é fazer um mix de frutas secas e castanhas. Barrinhas de cereais também são muito práticas.
As frutas in natura podem ser consumidas, mas devem ser compradas nos locais em que passar durante a viagem, pois elas se deterioram mais rápido, impossibilitando seu transporte na mochila. Opções de frutas: banana (que é uma fonte rica em potássio, para prevenir as cãibras), maçã, laranja e pêra, que são frutas de fácil consumo.
A cenoura pode complementar sanduíches, ou ser uma opção de lanche, cortada em palito. Os queijos processados podem compor os sanduíches, pois não precisam estar refrigerados.
Para o almoço e jantar, podem ser utilizados os alimentos liofilizados, que são alimentos com menor teor de água e possuem maior tempo de validade, como risoto, purê de batata, feijão, arroz, carnes e clara de ovo, e também os alimentos secos, como macarrão, farinhas e temperos. São alimentos práticos e que garantem a energia diária.
A carne de soja, que é proteína vegetal texturizada, é uma ótima substituta da carne in natura, pois é fácil de ser comprada e de rápido preparo, lembrando apenas que precisa ser bem temperada.
Uma dica importante é treinar o preparo desses alimentos em casa, para que durante a viagem ou passeio garanta uma alimentação saudável, saborosa e que atenda sua necessidade energética diária.
PASSARINHO ASSASSINO
Um ciclista pedalava em alta velocidade por uma trilha quando, de repente, deu de encontro com um passarinho e não conseguiu esquivar-se: Pá! Vendo o bichinho se debatendo no chão, o cara não conteve o remorso, parou a bike e voltou para socorrê-lo.
Vendo que o passarinho estava inconsciente, quase morto, o ciclista recolheu a pequena ave e a levou ao veterinário para tratar e medicar. Já em sua casa, mas ainda angustiado, comprou uma gaiolinha e deixou um pouco de pão e água para a ave se recuperar do acidente.
No dia seguinte, o passarinho recuperou a consciência. Ao despertar, vendo-se preso, cercado por grades, com um pedaço de pão e uma vasilha de água no canto, o bicho pôs as asas na cabeça e começou a gritar:
- Não acredito, matei o ciclista!
Cape Epic - A prova de todas as provas?
Texto: Luli Cox
Fotos:
Cape Epic, o “Tour de France do mountain bike”, é considerada uma das ultramaratonas mais desafiadoras do mundo. Ela acontece todos os anos na África do Sul, entre março e abril. Sua quilometragem varia em torno de 700, em oito dias de competição.
Foi assim que começou minha “carreira” no mountain bike; pela porta da frente.
Li uma matéria numa revista, me empolguei com a grandiosidade do evento e decidi que seria voluntária, o que me garantiria conhecer o evento de perto e uma vaga para competir no ano seguinte. (As vagas do Cape Epic são sorteadas, é uma prova muito concorrida.)
Nunca vou me esquecer da chegada na recepção do evento em Knysna, a energia de todos os atletas empolgados e ansiosos na véspera do prólogo. Naquele momento meu coração já sabia que eu voltaria no ano seguinte para competir.
E assim foi. Sem nunca ter feito nenhuma prova só de mountain bike (até então já tinha longas provas de corrida de aventura no currículo) me inscrevi para o Cape Epic em 2009. Eu tinha um ano para treinar.
Assim também nasceu a dupla cor de rosa Flower People. Da África do Sul já avisei a Dri Boccia, minha eterna dupla, para começar a focar no pedal.
“Deixa a canoagem de lado porque nosso negócio agora é bike!”
A preparação foi muito específica e, mesmo assim, às vésperas da prova em 2009, nós fazíamos os cálculos das médias e o tempo de corte era sempre bem justo.
Malas prontas e coreografia ensaiada para dançarmos no pórtico da chegada de cada dia. A gente podia estar chorando, a dancinha saía.
O decorrer da prova fluiu perfeitamente, e mesmo os imprevistos sempre foram contornados. A nossa dupla fez história naquele ano, até subir para dançar no palco durante a premiação as “pink ladies” subiram!
De 600 duplas, apenas 11 eram femininas. Ficamos em décimo! No último dia largamos chorando, literalmente, porque não queríamos que a prova terminasse.
O Cape Epic foi tão memorável, perfeito e incrível que nós decidimos não voltar tão cedo. Enquanto ele estiver cristalino em nossas mentes e corações será difícil repetir, porque da próxima vez nossas expectativas serão reais e não imaginárias.
É uma prova que todo mountain biker deveria fazer pelo menos uma vez na vida. Na organização, estrutura e grandiosidade ela impressiona. Uma experiência única!
Assim, o time Flower People decidiu que competiria por ano pelo menos uma prova diferente e tão desafiadora quanto. Essa história ainda tem vários próximos capítulos.
O Cape Epic foi o marco zero!
Missão Impossível: descobrir a idade da mulher do século XXI
Texto e fotos: Cláudia Franco
Acima de 40 com cara de 25, descubra os segredos de beleza destas mulheres.
Além de atleta amadora de mountain bike e responsável pelo projeto CicloFemini, também atuo no segmento de tecnologia. Trabalho com educadores no desenvolvimento e definição de tecnologias a serem utilizadas em sala de aula. Auxilio os educadores a compreender e a interagir com a geração do século XXI, jovens conhecidos como nativos digitais. Estudo o comportamento desta geração com o objetivo de entender como eles aprendem e interagem com a tecnologia, tão presente em nossos dias.
A partir do momento em que iniciei o projeto CicloFemini, o meu olhar se voltou para as mães destes jovens, para as mulheres do século XXI. Percebi que não somente os jovens haviam mudado bastante, mas as mulheres e mães também.
O impacto tecnológico, a crescente economia, novos valores e conceitos de vida fizeram surgir uma mulher muito diferente da mãe idealizada, dona de casa e perfeita. A começar pela aparência, a grande maioria das mulheres de hoje são denominadas de “ageless”, ou seja, sem idade, pois romperam com o padrão convencional de comportamento que era ditado apenas pela faixa etária.
É consenso entre as mulheres que não aparentam a idade cronológica que têm que: o bom humor, a vontade de ser feliz, conseguir realizar os sonhos, cultivar pensamentos positivos, ter liberdade, uso diário de protetor solar, alimentação balanceada, ficar próxima à natureza e a prática regular de exercícios colaboram para uma aparência saudável e jovem.
Nos tempos atuais, as realizações pessoais de uma mulher estão longe de ficarem restritas à maternidade. Com aparência muito mais jovem, com muito mais disposição e energia, se lançam no mercado de trabalho, conciliam a carreira com o relacionamento e família, trabalham e criam os filhos em jornada dupla. Estão conectadas com o mundo através de blogs, redes e comunidades virtuais. Ganham dinheiro, escolhem seus companheiros sem limite de idade, lançam mão de todos os recursos possíveis – vitaminas, suplementos alimentares e tratamentos estéticos em prol da saúde e, consequentemente, da aparência jovem. O tempo passa e elas não ficam mais velhas.
No segmento esportivo o fenômeno não poderia ser diferente. Cada vez mais as mulheres aderem os esportes de aventura e competições. Algumas fazem do esporte o seu meio de vida.
Luciana Cox, a Luli, e Adriana Dalman Boccia, a Dri, formaram a famosa dupla pink, a Flower People, sempre presentes nas competições mais importantes de mountain bike e corridas de aventura. Ambas começaram a praticar o esporte quando criança, e a bicicleta sempre esteve presente em suas vidas.
Quem apenas analisa e tira conclusões ao ver a imagem daquelas duas meninas divertidas vestidas de cor-de-rosa, com anteninhas nos capacetes, óculos em formato de estrela, entre tantos outros acessórios engraçados, não imagina que ali estão duas mulheres maduras, fortes, determinadas e decididas.
Além de se dedicarem com afinco ao esporte, são empresárias. Luli é proprietária da Flower People há 16 anos. A Flower People é uma empresa que decora casamentos e eventos, faz produção e ambientação, cuida de todo o projeto de decoração da festa: dos móveis e flores à iluminação. Dri é proprietária da Flor e Trapo, que é uma empresa de bolsas e acessórios em tecidos. Dri cria e produz todas as peças que são vendidas através de sua loja virtual.
Perguntei a elas o que as fazem tão jovens, sem pensar responderam: “Alegria de viver e andar de bicicleta”. O recado de Luli é: “Comprem uma bike e saiam pedalando. A liberdade que isso te dá é tão incrível, que você até esquece que esta se exercitando. É como se você pudesse tocar o mundo!”. Dri recomenda: “Primeiro, não pense muito, vá e tome uma atitude, pois o tempo passa e depois que começa a pedalar, você diz para você mesma: por que não fiz isso antes?"
Cibele Freitas, moradora de São Paulo, também tem um vínculo muito especial com a bicicleta. Além de ser atleta amadora, como ela mesma diz: “Eu vivo, respiro e transpiro bicicleta. A bicicleta é mais do que uma paixão tatuada na alma, é um modo de viver diferente”. Cibele é artista plástica, dona da MyBike Shop, um loja virtual sensacional desenvolvida por ela mesma. É incrível a quantidade de artigos cujo tema é a bicicleta.
Somente uma pessoa com tanta energia e amor à bicicleta poderia reunir milhares de itens importados de diversos lugares do mundo, além das peças criadas por ela mesma. Cibele viaja constantemente, cada período do ano está em um país diferente fazendo pesquisas e compras para a sua loja virtual. Ela ainda encontra tempo para outras atividades ligadas à bicicleta, é organizadora da feira Brechocleta e de diversas competições. Sua outra paixão é a filha de 24 anos. Cibele se intitula mãezona e tem certeza de que pedalar é o que a faz dar conta de todos os empreendimentos e atividades.
Outro exemplo é Maria Carla Zinezi, veterinária, moradora da cidade de Guararema, atleta amadora e mãe em tempo integral. Optou por morar em uma cidade do interior de São Paulo para fugir do trânsito, ter mais tempo para se dedicar à profissão, aos esportes e principalmente para cuidar de seus filhos, um menino de 11 anos e uma menina de 8 anos.
Carla pratica mountain bike, natação, corrida de aventura, trekking e canoagem. Desde cedo introduziu os filhos em suas atividades esportivas - uma forma de estar mais tempo com eles, e também incentivá-los. Carla ressalta que morar em uma cidade do interior lhe dá melhor qualidade de vida, por ter a natureza por perto e poder oferecer isto aos filhos. “Preciso sempre da minha dose diária de adrenalina, senão eu morro! Sou feliz, feliz por poder usufruir do que a vida me deu de melhor – a liberdade!", finaliza.
Caras leitoras, depois de ouvir estes depoimentos concluo que a beleza não tem prazo de validade, podemos ser eternamente belas e jovens, pois a beleza é um estado de espírito, é aceitação, é amor próprio, é fazer aquilo que gosta. Pratique esporte, pratique a liberdade, pratique a alegria de viver e o tempo continuará seu amigo.
TESTE
A Specialized traz o modelo Camber para 2011, entrando com uma nova bike de all mountain de 120 mm de curso, vaga antes ocupada pela FSR XC.
A BIKE
A Specialized fez muita fama com o sistema de suspensão FSR (Future Shock Rear), criado há mais de 15 anos, passando por refinamentos ao longo do tempo e sendo até hoje um dos mais eficientes. O que o sistema FSR faz é separar as forças - de frenagem e da pedalada - do sistema de amortecimento da bike, ou seja, o amortecedor não é acionado nem quando a bike é freada e nem quando está sendo pedalada. Isso mantém a suspensão ativa todo o tempo, fazendo apenas sua função e trazendo assim maior controle e eficiência. A característica mais visível do sistema FSR são os quatro pivôs no triângulo traseiro do quadro. No caso da Camber, esses pivôs são compostos por rolamentos selados, trazendo maior durabilidade e melhor funcionamento.
O quadro também é composto por alumínio M4, que tem uma liga feita especialmente para a marca e que traz melhores características. Os tubos são hidroformados, garantindo uma melhor relação peso X resistência. Para completar, existem pontos de fixação de conduítes aparafusados no quadro, inclusive para os novos canotes ajustáveis. O ângulo de direção de 68.5 graus e tubo de corrente de 420 mm da geometria é incomum em bikes desse curso e a torna bem ágil, o que ainda é otimizado com o guidão de 680 mm.
O avanço Specialized vem com uma ótima novidade: possui ajuste de angulação com quatro posições diferentes. Para alterar, basta retirá-lo e girar um pequeno anel para a posição desejada. É possível mudar a angulação para -16, -8, +8 e +16.
A suspensão dianteira Rock Shox Recon Silver TK Solo Air e o amortecedor Rock Shox Ario RL formam o conjunto de suspensões e ambos possuem 120 mm de curso, trava por alavanca, funcionamento a ar e controle externo de retorno.
Nas rodas, o destaque fica com os aros DT Swiss com 24 mm de largura, mais largos que os aros de cross-country, porém com a roda dianteira montada com 28 raios enquanto a traseira possui 32, uma escolha inteligente oferecendo leveza na roda que normalmente sofre menos danos. Os pneus Specialized The Captain Sport possuem largura de 2.0", mas parecem maiores, uma boa escolha para all mountain.
Os freios escolhidos foram os Tektro Draco, que são hidráulicos e a disco. Na roda dianteira é usado um rotor de 180 mm para maior frenagem, e um de 160 mm na traseira.
O modelo Comp é o de configuração mais simples da linha Camber, porém existem ainda as opções Elite, Elite 29er e também a opção do quadro em separado.
Esteticamente a bike tem linhas simples, mas chama a atenção por possuir tubos curvados. Entrando na moda atual, a Specialized também combina cores de componentes, tendo um quadro vermelho e branco, suspensões vermelhas, nipples dos raios vermelhos e punhos, avanço e freios em branco.
O TESTE
Para testar a bike chamamos o piloto Edgar Freire, que possui títulos tanto no cross-country quanto no downhill. Testamos a bike em uma trilha bem técnica usada principalmente para downhill, mas com subidas em trilha e asfalto.
A primeira coisa que se nota quando se sobe na bike é que ela fica muito "na mão", isto é, você se sente muito no controle com uma posição confortável, com uma sensação de que a bike foi feita para seu corpo.
Nas subidas, a bike é muito beneficiada por oferecer trava nas duas suspensões, se comportando muito bem em terreno liso. A posição do amortecedor e o tamanho da sua alavanca de trava favorece muito seu uso, sendo de muito fácil acesso. Já o da suspensão dianteira, apesar de ser suave no acionamento, ainda precisa que o ciclista se estique e tire uma mão do guidão, o que seria evitado por um acionamento remoto no guidão. A geometria se parece com de algumas bikes rígidas, exceto pelo ângulo de direção mais aberto, porém não oferece uma posição tão otimizada em subidas como de uma bike especialmente feita para XC. Em subidas técnicas a bike mostra agilidade e o cassete com catraca maior de 34 dentes também facilita muito quando a inclinação aumenta. Os pneus oferecem uma boa rolagem e capacidade abrangente para as situações comuns das trilhas. Um ponto negativo está no pedivela que usa o sistema Octalink - pesado e já ultrapassado. Uma configuração mais leve, deixaria a bike mais capaz, mas fugindo da faixa de preço sugerida para a Comp.
Descendo a bike traz um comportamento bem ágil, sendo fácil para pilotos mais habilidosos jogá-la de um lado pro outro e se aproveitarem da geometria. É uma bike divertida, que flui bem nas descidas e pede para que o piloto se aproveite de suas características. Mesmo com o avanço de 90mm, a bike tem bastante controle e é fácil de levantar para passar de bunnyhops em trechos técnicos. O ponto negativo fica com os freios Tektro que mesmo com um rotos de 180mm não ofereceu frenagem suficiente para a capacidade da bike.
Depoimento de Edgar Freire: "Me senti adaptado na bike já no primeiro rolé. Por incrível que pareça ela não só sobe bem, mas também é muito boa na descida, sendo muito ágil nos trechos técnicos. Senti falta de freios mais potentes".
CONCLUSÃO
Bikes com esse curso e essa configuração normalmente possuem uma geometria mais conservadora, oferecendo maior desempenho em subidas em troca de um comportamento mais "engessado" nas descidas. A Specialized Camber nos surpreendeu por subir com muita competência através de uma configuração de linha média e descer com grande habilidade devido à sua geometria positivamente fora do comum.
Pontos Positivos - Geometria, Avanço ajustável, Alavanca acessível do amortecedor, pontos de fixação de conduíte
Pontos Negativos - Freios pouco potentes, Pedivela Octalink
GARANTIA E INVESTIMENTO
Garantia vitalícia para o quadro e 1 ano para componentes.
Preço sugerido: R$ 5.990,00
Vestuário: Camisa e meias IBS Bikes, Bretele Mavic, Sapatilhas Sidi Dragon e capacete Fox Flux.
Bike Business
Falta de Incentivos Fiscais Prejudica o Mercado Nacional de Bicicletas – Parte 2
Texto: Álvaro Perazzoli
Na edição anterior iniciamos a discussão sobre os prejuízos que a falta de incentivos fiscais causa no mercado nacional de bicicletas. Colocamos em pauta a super tributação do governo brasileiro aos produtos produzidos no país e os elevados impostos de importação, aliados com a falta de fiscalização no comércio ilegal, fatos que estão prejudicando empresas brasileiras que trabalham legalmente.
Nesta segunda parte, abordamos um outro lado desta falta de incentivos.
O outro lado da China
Há pouco mais de uma década, as mercadorias de origem chinesa de um modo geral eram malvistas em diversos países por serem classificadas como de baixa qualidade e imitações grosseiras de marcas famosas.
Na era do governo Collor, a abertura das fronteiras do Brasil para os produtos importados fez com que os brasileiros tivessem acesso a mercadorias com novidades tecnológicas jamais vistas antes em solo tupiniquim. Momento importante para o mercado brasileiro de bicicletas que permitiu a entrada de grandes marcas de bikes, de equipamentos de proteção, acessórios e peças.
Essa abertura permitiu uma invasão massiva de diversos produtos eletrônicos e brinquedos de origem chinesa. Tamanha foi a entrada que a região da Rua 25 de Março, na capital de São Paulo, se tornou um pólo de consumo desses itens com direito a dois shopping populares.
China e Taiwan, com os incentivos fiscais e um valor de mão-de-obra baixíssimo atraíram diversas empresas multinacionais, incluindo marcas de bicicletas importadas, que imediatamente transferiram suas indústrias para esses países.
Empresas de bicicletas consagradas começaram a ter produtos de relevância, como quadros, suspensões e componentes produzidos na China e distribuídos por todo o globo. A tecnologia pertencia ao país pátrio da marca, mas a produção era feita em solo oriental.
No início, muitos consumidores e lojistas torceram o nariz e criou-se o mito de que tudo que era produzido na China não era bom. Alguns dos motivos foram a relativa perda de qualidade no início desse processo e a lembrança da primeira experiência com os produtos eletrônicos na década de 90.
Na verdade o que acontecia era algo bem diferente. China e Taiwan receberam tecnologias de empresas de todo o mundo e aprenderam a desenvolver seus próprios produtos: isso tornou a região um dos maiores pólos industriais do planeta.
“Há muito tempo Taiwan e China são responsáveis pela produção da maioria das vendas do mercado europeu. Um mercado bem exigente quanto à qualidade”, declara Daniel Bender, responsável pela marca nacional Hupi.
Produção
De acordo com os dados da Abraciclo (Associação Brasileira dos fabricantes de motocicletas, ciclomotores, motonetas, bicicletas e similares), a produção do ano passado de bicicletas foi de 5,3 milhões de unidades. Para este ano é estimado 5,4 milhões, um crescimento de apenas 2%.
Esse aumento irrisório na produção poderia ser muito maior se houvesse um incentivo fiscal à produção de bicicletas e peças no Brasil. Seja por motivos ambientais, incentivando o uso de veículos não poluentes, seja através de uma política nacional de proteção ao mercado interno contra o dumping.
Daniel diz que o problema nacional não seria apenas a solda de tubos, mas tudo que tange essa produção.
“O interesse para esse desenvolvimento do pólo industrial tem que partir primeiramente do governo. Nosso governo fomenta o uso de veículos movidos ao petróleo, assim nunca vamos conseguir nos igualar à cultura europeia”, definiu Daniel.
Dumping
O dumping é uma prática comercial desleal e injusta; ocorre quando um produto importado custa menos do que os produzidos no país importador.
A China é um dos países que mais recebem medidas anti-dumping. Os produtos de origem chinesa frequentemente são alvos de investigações por parte dos países que compõem a OMC (Organização Mundial do Comércio).
As medidas anti-dumping, ou protecionismo comercial, têm como objetivo neutralizar possíveis danos nas indústrias nacionais e no mercado interno.
A participação cada vez maior dos produtos chineses no Brasil está obrigando diversas empresas a adotarem medidas de investimento tecnológico e redução de custo para concorrer com essas mercadorias.
Contra-ataque nacional
Muitas empresas nacionais estão usando a própria China como contra-ataque aos baixos preços das mercadorias chinesas. É a mesma política que empresas multinacionais do setor já adotaram há quase uma década.
Empresários nacionais desenvolvem o projeto no país e enviam para serem produzidos na China. A empresa importa seu próprio produto e comercializa no Brasil. As tributações nacionais da indústria são tão anômalas que mesmo com todo esse processo, os produtos saem mais baratos do que se fossem produzidos 100% em solo brasileiro.
”Infelizmente é a única forma de ter o preço competitivo no Brasil. Enquanto houver essa importação dos produtos da China, as empresas nacionais não têm como competir, então a saída é parar as máquinas e importar também”, falou Tércio Caparrós, diretor da Kalf, empresa que possui suas indústrias dentro do Brasil.
O empresário Willyen Ip, responsável pela MOB, empresa nacional com produção em Taiwan, conta que o Brasil tem evoluído muito no processo de fabricação, pois o país tem vários exemplos de sucesso. “Mesmo assim ainda não temos uma empresa no Brasil capacitada para produzir tubos hidroformados ou de espessura variável (butted)”.
“Além de um produto tecnicamente superior, ainda existe a diferença de custo devido à tributação pesada: as indústrias nacionais ainda não conseguem ser competitivas a ponto de nós optarmos por produzir a MOB no Brasil. De fato, já estamos produzindo um item a título de experiência e estamos felizes com o resultado”, disse Willyen.
A produção na China por empresas brasileiras faz com que uma significativa receita seja perdida pelo Brasil. Além do mais, o índice empregatício do país não cresce e até reduz em alguns casos, já que a mão-de-obra no setor industrial passa para outro país.
O técnico do DIEESE, Warley Soares, define que a transferência de toda a produção das empresas brasileiras para a China pode gerar consequências negativas, como o desemprego e uma possível estagnação tecnológica das indústrias do país.
Segundo Willyen, a estagnação poderá ocorrer se fecharmos as portas para as tecnologias estrangeiras. Para ele o que falta aos empresários brasileiros é mais incentivo fiscal para motivar o desenvolvimento fabril. “Nós, brasileiros, temos uma enorme capacidade criativa e podemos sim ter um produto de excelente qualidade fabricado nacionalmente”.
“Toda a concorrência, desde que leal, sempre gera esforços para a implementação do produto. Essa ação não pode vir apenas dos empresários, mas também do governo, incentivando aqueles que proporcionam empregos e fazem girar a economia”, declarou Willyen.
A Hupi é uma marca com uma política similar à MOB. O produto é planejado dentro do país e a produção é feita na China. Daniel Bender, que representa a marca, diz que o foco da empresa é manter a base no estado de Santa Catarina e terceirizar sua produção.
“O desenvolvimento tecnológico para o mercado de bicicletas no Brasil está estagnado faz tempo. O Brasil está trabalhando para se tornar a quinta maior potência mundial até 2016, mas no momento, quantas empresas no mercado de bicicletas temos para o setor especializado de médio e alto valor agregado?”, indaga Daniel.
Atrativos para o Lojista e Consumidor
Atualmente, a China é o maior produtor mundial de bicicletas, representando 81% da produção global.
Criar uma arte ou gráfico com os dados abaixo:
http://www.abraciclo.com.br/images/stories/dados_setor/bicicletas/microsoft%20powerpoint%20-%20produo%20mundialset.pdf
Fonte: Abraciclo
De acordo com Warley, um dos maiores atrativos de se produzir na China são os custos.
Os lojistas são atraídos pelos lucros, já o consumidor, pelo preço baixo em relação aos demais produtos da mesma categoria de marcas tradicionais.
Geralmente os produtos garantem um markup (margem de ganho) bem maior e, mesmo com todas as taxas de importação, conseguem ter um preço final bem abaixo dos produtos brasileiros e de outros países.
Cuidados ao comprar um produto fabricado na China de uma marca desconhecida (fazer um box com o fundo azul no tom da coluna e as letras em branco)
Analise o tempo de garantia dessas mercadorias, o prazo estipulado por lei é de, no mínimo, três meses, e o ideal é de seis meses ou mais.
Verifique se a empresa tem um pós-vendas, um centro de informações (site, blog) ou uma central de atendimento telefônico ao consumidor no Brasil.
Procure se informar com outros consumidores sobre o produto, em redes sociais e fóruns de discussão.
REBOBIKE
Texto e fotos: Artur Berberian Filho
Já imaginou poder levar, em sua bicicleta, toda a bagagem que sempre precisou? Pois é, dois irmãos de São Paulo solucionaram este desafio com muita criatividade e qualidade. Desde jovens, Artur (60) e Charles Berberian (54) sempre desenvolveram soluções criativas para as suas necessidades.
Quando crianças, além de andar de bicicleta, já faziam carrinho de rolimã semelhante a um kart, para suas brincadeiras. O primeiro skate foi feito com patins da Torlay, após assistirem um filme da época. Nos anos 1980, a dupla fabricou também carretas para carros e motos. Um longo período passou sem projetos, até que surgiu a vontade de fazer cicloturismo. Foi quando renasceu a sede por inovações, pois eles não queriam transportar as bagagens em alforjes, mas em carretas tracionadas pela própria bike.
A vontade de pedalar, aliada à experiência em corridas de auto, motomodelismo e fabricação de carretas para automóveis, levou os irmãos a criarem a Rebobike. Trata-se de uma carreta que é adaptada à bicicleta de forma prática, leve e flexível, com capacidade de carga de até 25 kg.
Testada no Velotour da Costa Verde e Mar e no Vale Europeu, dois dos principais roteiros de cicloturismo do Brasil, a Rebobike se mostrou um acessório muito resistente, além de possibilitar que o cicloturista leve uma bagagem mais completa em sua viagem, para não ter que passar por apertos desnecessários, como falta de roupa adequada. Também possibilita levar objetos que seriam considerados um "exagero" se tivessem que ser transportados em alforjes.
O projeto usa um sistema inovador de suspensão de dupla ação, que aumenta a capacidade de carga e melhora significativamente o conforto do passeio. Esse sistema de suspensão consiste em dois elastômeros na parte dianteira e traseira da seção do chassi.
A suspensão traseira permite que a roda do reboque se mova para cima e para baixo, absorvendo superfícies irregulares e dando a sensação de deslizar sobre superfícies rugosas. A suspensão dianteira do chassi entra em ação quando a roda do reboque encontra maiores obstáculos. Isso permite que o cambão do reboque estique e mude o ângulo de ataque da roda da carreta, evitando desconforto e trancos para o ciclista.
Em todo sistema de articulação são usados terminais rotulados M8. Esse desenho facilita armazenar e transportar a Rebobike quando desconectada da bicicleta, diminuindo suas dimensões, pois permite dobrar a roda e o cambão. O engate na bicicleta é feito com braçadeira de corpo de alumínio, com dois terminais rotulados, dando segurança e conforto para o ciclista.
Além de ser uma grande aliada do cicloturista, a Rebobike pode ser utiliza para outras finalidades: compras no supermercado, entrega de produtos, serviços de bikeboy, levar o cachorro para um passeio mais longo... E tantas outras utilidades que você queira dar a ela.
Contato: www.rebobike.com.br
Aspectos médicos do ciclismo: coluna vertebral e as lombalgias
Texto e fotos: Franklin Passos de Araújo Júnior
A coluna vertebral é o eixo que estabiliza as estruturas osteomusculares dos membros superiores e, principalmente, a poderosa força motriz dos membros inferiores. E a coluna lombar representa, no ciclismo, uma importante ligação anatômica entre o tronco e a bacia. A dor lombar é uma queixa clínica presente em mais de 80% das pessoas, e as leva a procurar orientação médica em algum momento de suas vidas.
A coluna lombar, sobretudo no ciclismo de alto rendimento, está sujeita a estresses intensos e acentuadas forças de tensão, compressão e torção. A região lombar e transição lombo-sacra representam uma zona relativamente frágil do corpo humano, pois o ciclista sofre dois tipos de trabalho-estresse: os impactos repetitivos, acentuados pela alta velocidade, causados pelas irregularidades do solo, aumentam particularmente as forças de tensão e compressão exercidas nos discos intervertebrais lombares, em especial nos níveis entre a 4ª e 5ª vértebras lombares (L4-L5) e entre a 5ª vértebra lombar e a 1ª sacral (L5-S1); e, durante o exercício físico, a contração intensa da musculatura paravertebral, que estabiliza a coluna vertebral.
O ciclista, quando a pedalada não é cadenciada, rítmica e uniforme, tem seus músculos da região lombo-sacra exigidos de forma excessiva, causando extresses mecano-posturais nas estruturas ósseas e músculo-ligamentares, assim como nas cartilagens e discos da coluna. É esta, em indivíduos suscetíveis, uma das causas das lombalgias e lombociatalgias (dor lombar que se prolonga para um ou ambos membros inferiores), também conhecida como ciatalgia ou ciática. As lombalgias e ciatalgias, atualmente, são responsáveis por aproximadamente 30% das queixas dolorosas na população mundial. A doença degenerativa do disco intervertebral está intimamente relacionada com esses sintomas. Trata-se de um processo natural de envelhecimento espinal em que todos os indivíduos estarão sujeitos. Este processo se inicia por volta dos 15 anos, progride a partir dos 45 até os 70 anos de idade, com rupturas do disco e degeneração das articulações, agravando-se sobretudo após os 60 anos com alterações neurológicas.
O disco intervertebral é uma estrutura composta por um gel coloidal, constituído por 80% de líquido (água), localizado centralmente no núcleo discal ou também chamado núcleo pulposo, e protegido perifericamente por um anel fibroso. O disco tem propriedades fundamentalmente elásticas. Vale ressaltar que o disco intervertebral tem íntima relação anatômica com os elementos nervosos da coluna vertebral. Entre as enfermidades que o disco pode sofrer, as deformações anatômicas e a desidratação discal são as mais comuns, condições estas que podem coexistir com a hérnia discal, a qual é definida como o deslocamento do conteúdo do núcleo pulposo através do anel fibroso, pela ruptura das fibras deste. As deformações são representadas pelos abaulamentos, pelas protrusões e extrusões discais, que diferenciam-se entre si pelas características anatômicas da deformação. A mudança de hábitos da população contribuiu para o incremento dos fatores que favorecem o processo degenerativo dos discos da coluna e determinou que a doença degenerativa do disco representasse uma enfermidade extremamente comum, com sintomas frequentes em indivíduos a partir da terceira década de vida. Estas deformações e a desidratação discal representam uma das etapas de degeneração do disco intervertebral e tem fundamental importância nesse processo, devido ao intenso quadro doloroso que os pacientes experimentam.
O diagnóstico se baseia na avaliação clínica do paciente, com história detalhada da doença, respaldada pelos exames físicos ortopédico e neurológico. Os exames complementares incluem radiografias simples, tomografia computadorizada (para avaliação das estruturas ósseas) e/ou ressonância magnética da coluna vertebral (para detalhamento dos discos intervertebrais e estruturas nervosas). O tratamento consiste na utilização de medicamentos para o controle da dor, do processo inflamatório e das alterações neurológicas: sensações de dormência, formigamento, diminuição da força muscular de um ou dos dois membros inferiores. A fisioterapia convencional, Reeducação Postural Global (R.P.G.), acupuntura e Pilates são tratamentos usualmente indicados para a reabilitação do paciente. O tratamento cirúrgico está indicado no insucesso do controle da dor associado a déficit motor (força muscular diminuída) acentuado.
Na prevenção das lombalgias e outras afecções da coluna vertebral, objetivo primordial em qualquer enfermidade, indicam-se a adequada escolha no tamanho da bicicleta, sendo que a tendência atual é de se utilizar sempre um número menor do que as recomendações relacionadas com a estatura do indivíduo e a altura do cavalo; a realização de bike fit, com o qual se ajusta a bicicleta ao corpo do ciclista; a inclusão, na planilha de treinos, de sessões de musculação: pois músculos fortalecidos conferem maior proteção para ossos e articulações; e, finalmente, a prevenção pode ser realizada por meio de trabalhos de fortalecimento e desenvolvimento da propriocepção (sensibilidade própria aos ossos, músculos, tendões e articulações, que fornece informações sobre a estática, o equilíbrio e o deslocamento do corpo no espaço) do tronco, chamado core training. Esse trabalho deve ser realizado preferencialmente durante as fases de pré-temporada, ou até durante o ano competitivo. Basicamente, este treinamento visa ao fortalecimento da musculatura abdominal e peitoral, além do alongamento e fortalecimento dos músculos dorsolombares, já que estes, na maior parte das vezes, são mais fracos do que os flexores da região anterior do tronco.
ENTENDA MELHOR
CÂMBIO E PASSADOR
Texto e fotos: Pedro Cury
O sistema de troca de marchas da bicicleta é composto por câmbios traseiros, câmbios dianteiros (na maioria dos casos) e passador de marcha. Além disso, há a transmissão, com engrenagens especiais que facilitam as mudanças e serão tratadas em outro texto.
Os câmbios são responsáveis pelo movimento da corrente sobre as engrenagens, chamadas de cassete, na roda traseira, e coroas, no pedivela. A combinação entre as engrenagens do cassete e da coroa é o que torna possível uma pedalada com mais giro e menos força, ou o oposto. A eficiência de um sistema de marcha está na sua rapidez, suavidade e precisão com que as mudanças são feitas.
PASSADORES
Existem três modelos principais de passadores de marcha no mountain biking: os Thumbshift, os Rapidfire e os Gripshift. A diferença entre os três sistemas é o modo como os passadores estão disponíveis no guidão, a posição junto à manopla e o modo como as trocas de marcha são efetuadas.
O passador para o câmbio traseiro fica do lado direito do guidão e, para o câmbio dianteiro, do lado esquerdo. Apesar de terem o mesmo aspecto, cada lado tem o funcionamento interno diferente, já que o câmbio que ele aciona e o número de marchas diferem. Também são diferentes os passadores para diferentes quantidades de marchas, ou seja, existem passadores para 6, 7, 8, 9 e até 10 marchas, sendo os mais populares os de 8 a 10 marchas. A exceção fica para as bicicletas de estrada, que já possuem grupos com 11 marchas.
O Thumbshift é um sistema já ultrapassado e encontrado somente em bikes de passeio mais antigas. É composto de uma alavanca que fica presa ao guidão virada para cima e que o ciclista a gira com o polegar até efetuar a mudança para a próxima marcha. É lento, fica em uma posição não muito confortável e é mais difícil de regular, caindo assim em desuso, embora ainda seja encontrado em bicicletas antigas de linha baixa.
O Gripshift, criado pela SRAM, é um sistema composto por um "anel" inserido no guidão, lembrando o acelerador de uma moto. A mudança de marcha é feita girando esse anel de um lado para o outro. É o segundo sistema mais popular, tendo como vantagens o menor peso, a mudança rápida de marchas (pode-se girar da primeira até a última marcha de uma só vez) e é menos sujeito a quebrar no caso de uma queda, pois não possui alavancas.
O Rapidfire é o sistema mais aceito e consiste de duas alavancas de trocas, uma para aumentar e outra para diminuir a marcha. É bem suave e ao contrário do Gripshift, não tem muito risco de passar marchas acidentalmente. É também ligeiramente mais pesado, porém é o mais popular por ser o mais confortável de usar devido a sua posição: basta usar o polegar, sem ter que mudar a posição da mão no guidão. Um clique na alavanca permite a mudança de uma marcha, mas apertando mais fundo, dependendo do modelo, é possível trocar 3 ou 4 marchas de uma vez só. Os passadores da Shimano com tecnologia two-way release permitem que uma das alavancas funcione para trás, além de para frente, permitindo que o ciclista use opcionalmente o dedo indicador na mudança.
OBS:
Existe um passador especial da Shimano, chamado Dual-Control. Não foi citado no grupo principal, pois é usado apenas pela Shimano e não se tornou popular. O sistema permite a mudança de marchas ao se empurrar para cima ou para baixo a alavanca de freio (manete).
CÂMBIOS TRASEIROS
Os câmbios traseiros são também conhecidos por alguns como "macaquinho". É um sistema em paralelogramo preso por uma mola e um braço também com uma mola. Sua função é tensionar e alinhar a corrente para que se mova entre as engrenagens do cassete.
O que diferencia um bom câmbio de um ruim é a qualidade dos materiais e peso. Alguns tem peças de plástico, enquanto outros usam alumínio e até fibra de carbono.
Outra diferença entre câmbios é o tamanho do braço. Existem os tamanhos curto, médio e longo. Cada um deles serve para diferentes tamanhos de coroas e cassetes, já que nas diferentes modalidades podemos encontrar a maior catraca de um cassete com 21 até 36 dentes e coroas de 32 a 52 dentes.
CÂMBIOS DIANTEIROS
Os câmbios dianteiros possuem um mecanismo bem simples: uma haste de metal é movida para a esquerda ou direita, empurrando a corrente para uma das duas ou das três coroas do pedivela. Fica montado ao redor do tubo de selim e pode ter diferentes diâmetros de abraçadeira. Ainda existem uns modelos especiais que se encaixam no movimento central do quadro (chamados de E-Type), por não caber ou não ter ângulo favorável no tubo do selim.
CURIOSIDADES
A Shimano uma vez tentou criar um sistema de mudança de marchas a ar. Ou seja, ao invés de usar cabos de aço para acionar os câmbios, o ciclista carregava uma pequena bomba de ar pressurizado que formava o sistema de marchas. O sistema não foi bem aceito pelo mercado e o projeto foi abandonado.
Há cerca de dois meses a marca alemã Acros criou um sistema hidráulico de mudança de marchas, usando um par de conduítes com óleo para acionar os câmbios, assim como são usados nos freios. O sistema ficou mais leve que os mais leves sistemas atuais e mais macio, porém o preço ainda é muito alto. Só o futuro dirá se o sistema é melhor que os atuais.
OBS: As principais marcas no mountain biking, Shimano e SRAM, possuem padrões diferentes de passadores e câmbios. Esses sistemas não são intercambiáveis, portanto passador de uma marca só funciona com câmbio da mesma marca.
Texto: Pedro Cury
A possibilidade de mudar as marchas da bicicleta trouxe uma revolução, uma vez que permitiu que um maior número de pessoas conseguisse subir montanhas, andar mais rápido e cobrir uma maior distância sem se cansar tanto - benefícios antes restritos apenas para atletas preparados.
CADÊNCIA = VELOCIDADE EM QUE GIRA O PEDIVELA
Para conseguir ter várias marchas, foi criado o sistema de transmissão. Então, o cassete nada mais é que várias engrenagens de diferentes tamanhos, colocados na roda traseira. Através do câmbio traseiro se pode alterar qual catraca a corrente estará girando. Já no pedivela, são usadas diferentes coroas, com exatamente a mesma função e acionadas pelo câmbio dianteiro. Pronto! Através do sistema é possível ter diferentes marchas sem a necessidade de trocar a roda inteira da bicicleta. Uma revolução!
CONHECENDO SEU SISTEMA
Para trocar as marchas é preciso acionar o passador (ou trocador) que está no seu guidão, ao lado do freio. Dependendo do seu sistema, as mudanças de marcha são feitas através de uma alavanca, duas ou girando (veja o artigo Entenda Melhor Passadores na pág. XXX). Descubra em sua bike como fazer para diminuir e aumentar a marcha com o seu passador. Uma coisa que é comum em todos os sistemas, é que o lado direito controla a mudança de marcha no cassete (roda de trás) e o lado esquerdo controla a mudança de marchas no pedivela. Descubra como seu sistema funciona e se habitue a ele. O processo deve ser automático na sua cabeça.
A MARCHA CERTA
Um dos principais erros de quem começa a andar em bicicleta com marcha é querer saber qual a marcha correta para uma determinada situação. A pergunta mais comum é: "Qual marcha eu tenho que colocar para subir ladeiras ?" Isso não existe! Uma analogia que é feita é que as marchas da bike são como as marchas do carro. Como você sabe quando trocar a marcha do carro ? Você percebe que o carro está tendo dificuldade ou facilidade! A diferença é que o motor da bike é o próprio ciclista e cada um é mais ou menos forte do que outro. Vai ter ciclista que se sentirá confortável subindo com uma marcha mais pesada ou mais leve que outro, em uma mesma ladeira. Também como no carro, não é preciso esperar uma ladeira para trocar de marcha - elas foram feitas para serem trocadas com frequência, dependendo da sua velocidade, cadência, o quanto você está cansado e da inclinação do terreno. Troque de marcha sempre que achar adequado. Na pior das hipóteses, você apenas voltará para a marcha que estava anteriormente.
PASSANDO SUAVEMENTE
O sistema de transmissão é o que mais sofre desgaste na bicicleta. Além de mantê-lo limpo e lubrificado para diminuir o desgaste, é preciso estar atento para a mudança de marchas. Para trocar de marcha, independente de qual, é preciso estar pedalando. Apenas acionar a alavanca não faz com que a marcha seja alterada nos sistemas atuais. Você pode acionar a marcha sem estar pedalando, mas pedale o quanto antes para que a mudança seja efetivada.
Não mude de marcha se você estiver fazendo muita força no pedivela. O exemplo mais clássico é quando o ciclista entra em uma subida inclinada e não se antecipa para diminuir corretamente as marchas. Nesses casos, o pedivela acaba ficando pesado e a tendência é que ele pedale em pé, fazendo muita força e tente diminuir as marchas. Quando isso acontece, é comum ouvir um estalo alto e isso é muito prejudicial, podendo até estourar a corrente. A dica é que quando faça mudança nesta situações, tente aliviar por um momento a força feita nos pedais até que a mudança seja efetivada. Outra alternativa é, quando possível, mudar a direção da bike para a diagonal ou mesmo perpendicular à subida, para que seja possível pedalar de forma mais leve apenas para a mudança da marcha. Mas o ideal mesmo é antecipar as mudanças de marchas para evitar essa situação, o que pode ser aprendido com experiência.
NÃO “CRUZE” A CORRENTE
Esse é outro erro comum e pouco compreendido. Quando a corrente está na maior coroa e maior catraca do cassete e vice-versa, ela não está mais trabalhando em linha reta e essa situação é indesejável, pois quanto mais fora de linha reta, maior desgaste na transmissão. Neste momento surge outra pergunta: "Então eu não posso usar todas as marchas da bicicleta ?" Não deve! Porém, isso não é um problema, uma vez que existem combinações de marchas que geram o mesmo torque ou bem próximos, isto é, uma bicicleta de muitas marchas vai ter algumas equivalentes. Para não “cruzar” a corrente, é preciso se habituar com a regra geral que diz que ao usar a coroa pequena, você não deve usar nenhuma catraca abaixo da 4a maior. No caso da coroa do meio é aceitável usar todas as marchas do cassete exceto as duas últimas de cada lado e no caso da coroa grande o ideal é que não se passe da 4a menor. Veja o diagrama para entender melhor.
Obs: Alguns sistemas modernos já permitem que se use todos as marchas, veja se o seu está nesse grupo.
As marchas surgiram para facilitar e não complicar! Aprenda como funciona e pratique. Você só tem a ganhar!
Regulagem do Câmbio Traseiro
Texto e fotos: Equipe Bike Company
O câmbio traseiro é um dos componentes da bike que mais trabalha e, por isso, um dos mais sujeitos à perda de regulagem da indexação, principalmente devido ao natural esticamento dos cabos e à compressão dos conduítes.
Indexação significa que cada click no trocador corresponde a mudança de uma marcha.
O correto funcionamento do câmbio é fundamental para uma pedalada prazerosa, pois ninguém gosta de andar com a bike pulando a marcha e fazendo barulho.
Como saber quando o câmbio está desregulado?
Meu câmbio está desregulado. E agora?
Inicialmente, todo o processo de ajuste mostrado aqui considera que o câmbio estava posicionado corretamente e desregulou. Caso tenha ocorrido uma queda com a bike e a partir disso o câmbio começou a apresentar o problema, é possível que a gancheira do câmbio tenha entortado e desalinhado. Para este reparo indicamos a visita a uma oficina especializada, que possui o ferramental adequado para posicionar a gancheira ou até mesmo fazer a substituição da mesma.
Para conferir o alinhamento do câmbio, olhando por trás da bike, as polias devem estar alinhadas entre si e perpendicularmente ao chão. Outro sintoma característico do desalinhamento é quando a indexação das marchas funciona corretamente no volante maior e não no menor, ou vice-versa.
Agora vamos ao processo de regulagem do câmbio, partindo da seguinte observação: ajuste a marcha para que fique no menor pinhão do cassete. Enquanto pedala a bike, suba uma marcha, depois desça uma. A corrente demora mais para subir ou para descer os pinhões do cassete?
Se demorar mais para subir (o que é o mais comum), é necessário esticar um pouco o cabo de aço. Para isso, gire ¼ de volta do regulador de tensão do cabo no sentido anti-horário: isto deve fazer a corrente subir mais rápido. Verifique o funcionamento das marchas e, caso esteja lento ainda, estique mais um pouco. Se você foi além do que precisava, a corrente vai subir bem, mas a descida vai ficar prejudicada. Para ajustar, volte um pouco o regulador até chegar na afinação correta.
Se a demora for na descida é necessário afrouxar o cabo. Então gire ¼ de volta do regulador no sentido horário, e como fizemos no caso anterior, regule conforme a necessidade até encontrar o melhor ajuste.
Alguns câmbios não têm o regulador de tensão do cabo. Neste caso, o ajuste é feito no regulador que fica junto ao trocador de marchas.
Se você usa o sistema Dual Control, da Shimano (câmbios rapid rise), inverta o processo, pois quando esticamos o cabo, a marcha desce.
Este ajuste de tensão do cabo de aço é o único ajuste que deve ser feito em um câmbio traseiro instalado adequadamente, e que você mesmo pode fazer. Além deste ajuste, há os parafusos que limitam o movimento do câmbio, que normalmente ficam juntos e possuem uma identificação H ou L, e o parafuso que regula o ângulo do câmbio. Mas estes ajustes devem ser feitos em uma oficina especializada, pois uma regulagem inadequada pode causar um grande dano em sua bicicleta.
Pedal Noturno
Texto: Sergio Augusto Affonso
Você que é apaixonado por esporte, aventura, qualidade de vida, saúde, integração social, dentre outras coisas que só a bicicleta proporciona, não pode deixar de participar das aventuras de bike à noite por ruas e avenidas da maior cidade de nosso país, a cidade de São Paulo.
O CAB - Clube dos Amigos da Bike - realiza passeios noturnos há mais de 13 anos, e durante este tempo várias pessoas descobriram uma "Selva de Pedras" diferente.
Sabe-se que pedalar na cidade de São Paulo não é nada fácil; hoje a cidade conta com uma frota de veículos automotores superior a sete milhões, sendo que as ruas e avenidas continuam as mesmas. Quem é motorista aqui sabe muito bem: reflexo disso é o estresse, desrespeito e muita perca de tempo.
Apesar de todas essas dificuldades, podemos encarar esse epopeia de uma forma muito agradável e conhecer essa “Selva de Pedras” como um “Jardim do Éden”. São inúmeros locais que fazem parte de nossa história e que às vezes passam despercebidos para quem esta dentro de um automóvel; já com a bicicleta isso fica diferente, se torna uma experiência prazerosa e com a companhia de pessoas que estão ali também para relaxar e curtir a aventura.
Porque o pedal acontece à noite? É simples! Após o horário de pico, as ruas de nossa cidade ficam um pouco mais tranquilas, assim podemos pedalar com mais calma e segurança. Também parece que o ar fica mais fresco e respirável, sem falar que as luzes dão um charme aos inúmeros monumentos históricos.
Os benefícios da Pedalada Noturna são imensos, além de se tratar de uma atividade física aeróbia, sem impactos, que faz um excelente bem para coração e pulmão, você relaxa e conhece lugares e pessoas com o mesmo espírito de aventura, afinal, o ciclismo é uma língua universal.
Então fica o nosso convite: venha pedalar conosco e conferir tudo isso junto com a gente.
Bicicleta recomendada
A bicicleta ideal é Mountain Bike com marchas e pneus lisos próprios para asfalto. A bicicleta speed com pneus mais finos não é indicada devido a eventuais valetas e buracos durante o trajeto.
Segurança
Certifique-se que sua bicicleta está em perfeito estado. Confira a calibragem dos pneus e freios. Sempre utilize o capacete e, se possível, óculos e luvas. Iluminação é essencial, pois estamos falando de um pedal noturno, então prepare seu farol e pisca-pisca traseiro.
Se prepare para pedalar
Até uma hora antes do pedal faça uma alimentação leve rica em carboidratos e dê preferência a frutas e sucos. Utilize roupas de ciclismo ou roupas justas ao corpo. Dê preferência a roupas de tecido “dry”.
Participação e Custo
Aberto a todos os ciclistas. Menores de idade somente com o maior responsável presente pedalando, desde que esteja apto para a distância prescrita. Para participar é gratuito, basta seguir o regulamento que está no site do CAB.
Quando acontece
Todas as terças e quintas-feiras, a partir das 21h.
Atenção: Se estiver chovendo o pedal é cancelado devido as condições de segurança.
Distâncias e Ritmos
Terças-feiras: uma hora de pedal, em média de 10 a 15 quilômetros, trajeto preferencialmente plano.
Quintas-feiras: duas horas de pedal, em média 20 a 25 quilômetros, trajeto com subidas e descidas.
Onde?
Concentração na loja EXTRA Itaim Bibi em São Paulo – SP. Rua Leopoldo Colto de Magalhães Júnior, 300. Local com estacionamento gratuito para quem utiliza a camisa de ciclismo oficial CAB.
Dicas durante a pedalada.
Respeite os guias do CAB, pedestres e demais veículos.
Não pedale colado no ciclista a sua frente.
Não faça manobras desnecessárias ou solte as mãos do guidão.
Siga sempre em fila de dois a dois, utilizando uma faixa da avenida ou um lado da rua. Sempre deixe espaço para outros veículos mais rápidos passarem.
Respeite as normas de trânsito: se o semáforo fechar, pare e espere o verde.
Sempre pedale entre os guias CAB que usam uniforme amarelo com identificação.
Curta o trajeto e os pontos pitorescos das cidade.
Quem leva?
CAB - Clube de Amigos da Bike
www.cab.com.br
Experimentando do próprio veneno
Texto: Carlos Menezes
CHAMADAS PARA DESTACAR: "...todas as perguntas que eu fiz foram respondidas com fundamentação científica."
"Com alguns estudos e análises veio a compra do quadro adequado, e então tornei-me parte de um experimento."
"Ficou nítida a sensação de que a bike que eu pedalava anteriormente estava realmente grande."
"Agora pude perceber uma bike rápida, confortável, explosiva, fácil de ser controlada, leve e, acima de tudo, bem encaixada ao meu biótipo."
"... por meio da análise de imagens fui acertando meu posicionamento."
"Bike e ciclista como peça única."
Depois de ler e entender a importância de um Bike Fit, procurei por profissionais que se diziam especializados, mas ao questioná-los a respeito do porque estarem modificando meu posicionamento, as respostas se apresentaram como vagas e sem fundamento. Certa vez, durante uma sessão de Bike Fit, quando a mesa da minha bicicleta foi substituída por outra maior, perguntei porque ele estava fazendo a troca e a resposta foi: “Porque quando você olhar para baixo, o eixo da roda deve estar encoberto pelo guidão”. Ao ouvir isso perguntei porque deveria ser assim. Dentro da minha formação acadêmica, tanto de graduação como mestrado, fui preparado para ser um investigador científico e, com isso, a resposta vaga e superficial não me passaram confiança. Foi então que por recomendação de um grande amigo encontrei um fitter (profissional em bike fit) de respeito. Ao realizar meu bike fit, todas as perguntas que eu fiz foram respondidas com fundamentação científica.
Descobri que alinhar o guidão com o eixo da roda não faz o menor sentido. Entendi que ajustar uma bike vai muito além de técnicas padronizadas. Entender como ajustar uma bike a um corpo requer muita leitura e prática. De maneira curiosa comecei a ler e estudar sobre o assunto e quanto mais aprendia, mais me interessava pelo assunto. Até que surgiu a oportunidade de fazer o curso de fitter: não pensei duas vezes. Mais uma vez algo que começou apenas como um hobby começava a se tornar sério. A sedução pelas variações de biótipos e geometrias de quadros bem como componentes específicos, e a paixão pela bike me fez trocar 10 anos de vida universitária como professor e coordenador de curso para me tornar fitter.
Primeiro vieram os trâmites burocráticos: credencial de profissional da área de saúde, registro no conselho profissional, regulamentação da área de atuação, liberação de ART e TRT. Em seguida, a aquisição dos equipamentos específicos para um bom Bike Fit. Pronto! Estava montado e em funcionamento o Estúdio Carlos Menezes de Bike Fit.
Depois de começar a trabalhar com Bike Fit percebi que algo havia de errado no meu posicionamento em relação à bike. Por mais que fossem realizados treinos e mais treinos, as dores, desconfortos e falta de rendimento ainda eram constantes. Ao fazer meu próprio Bike Fit por meio da análise de movimento em filmagens veio a descoberta de ter pedalado todos esses anos em um quadro de mtb maior do que o ideal. Com alguns estudos e análises veio a compra do quadro adequado, e então tornei-me parte de um experimento.
Primeiro pedalei a bike tal como saiu da loja e, mesmo sem tê-la ajustado ao meu corpo, pude notar grandes diferenças. Ficou nítida a sensação de que a bike que eu pedalava anteriormente estava realmente grande, se apresentando como lenta, difícil de executar manobras, pouco explosiva, pesada, difícil de ser controlada nas descidas. Tudo isso mudou apenas com o fato de acertar no tamanho do quadro. Agora pude perceber uma bike rápida, confortável, explosiva, fácil de ser controlada, leve e, acima de tudo, bem encaixada ao meu biótipo. Mas, ao final dessa primeira pedalada, confesso que as dores lombares, cervical, panturrilha, e punhos ainda aconteceram.
Foi então que parti para a segunda parte desse experimento. Levei a nova bike para o estúdio e por meio da análise de imagens fui, aos poucos e pacientemente, acertando meu posicionamento. Depois de tudo ajustado é hora de partir novamente para o campo de provas. Mesmo estando acima do peso ideal, o pedal foi perfeito. Bike e ciclista como peça única agindo com conforto e total aproveitamento da energia no pedal. O resultado foi 70 km de um pedal forte e confortável, sendo possível até mesmo sair para pedalar mais 15 km de speed com a esposa no final da tarde.
O fato de ter experimentado do próprio veneno, colocando o próprio corpo e a bike para entender melhor o Bike Fit, com certeza contribuiu e muito para discutir e entender melhor quando meus clientes explicarem o que sentem quando estão pedalando. Assim será possível trabalhar de maneira ainda mais precisa no ajuste das bikes.
O próximo passo agora é trocar minha speed por outra mais adequada e repetir novamente o experimento.
Entrevista Jeff Risom
Texto: Verônica Mambrini
Nas últimas décadas, o conceito de “livable cities” (cidades para pessoas) e as ideias inovadoras do arquiteto Jan Gehl acabaram por torná-lo referência mundial na transformação de espaços urbanos em locais melhores para se viver. Cidades para pessoas e não para veículos, espaços para convivência e valorização de atitudes sustentáveis são marcas dos projetos assinados pelo escritório de planejamento urbanístico Gehl Architects, encabeçado por Jan.
Em entrevista exclusiva à VELIMOBI, Jeff Risom – expert em arquitetura urbana e mobilidade sustentável da equipe de Jan Gehl – fala sobre os desafios de reformular grandes capitais pelo mundo, de casos bem-sucedidos e de sua impressão da cidade maravilhosa e de São Paulo. Afinal, as capitais brasileiras são cidades amigas da bicicleta?
V.M.: Quantas vezes você veio ao Brasil? Quais são as características que mais se destacam nos grandes centros urbanos brasileiros?
J.R.: Vim ao Brasil apenas uma vez, no Rio de Janeiro. Na minha concepção, há claros desafios em algumas partes da cidade que são, de forma geral, inseguras, de acessibilidade reduzida, barulhentas, poluídas e intimidantes. Mas o potencial do Rio realmente compensa essas desvantagens - a beleza sem igual, uma rica cultura e história, economia forte e crescente, um ótimo clima e o seu momento histórico no progresso do país.
V.M.: Quão diferentes são, em relação ao aspecto urbanístico, grandes centros de países em desenvolvimento e de nações mais desenvolvidas? As estratégias para melhorar o espaço urbano são similares?
J.R.: Os desafios certamente são diferentes, mas em muitos casos o que vemos em grandes cidades de países em desenvolvimento são problemas parecidos com os problemas já passados pelas cidades de países desenvolvidos. O que eu desejo é ajudar essas cidades a dar um salto qualitativo dos anos ditos “obscuros”, de um planejamento urbano equivocado, e evitar que elas cometam os mesmos erros. Dessa forma, podem alavancar e garantir uma qualidade de vida melhor a seus cidadãos, sem cair nos erros das cidades europeias e norte-americanas nos últimos 60 anos. Acreditamos que o caminho é focar nas pessoas e lhes assegurar qualidade de vida nas cidades. Ao identificar algumas estratégias de promoção em segurança, qualidade de vida, motivos para retê-las nas cidades, saúde e sustentabilidade - podemos aplicar abordagens semelhantes tanto nas cidades de nações mais avançadas quanto nas demais.
V.M.: Alguns problemas como engarrafamento, poluição urbana, violência e déficit habitacional são comuns nas cidades ao redor do mundo. As soluções também são semelhantes? As estratégias que funcionaram em uma cidade podem ser aplicadas em outras? Ou o planejamento das soluções deveria começar do zero?
J.R.: Cada cidade é única. Não podemos garantir que uma estratégia bem-sucedida funcionará em outra. Mas podemos usar processos e metodologias semelhantes para avaliar os problemas de cada uma delas. Em 40 anos de pesquisa, Jan Gehl desenvolveu uma metodologia para entender como a cidade interage com as pessoas. Usamos essa metodologia em diversos locais - seus padrões de circulação, como as pessoas passam o tempo em áreas públicas, que obstáculos as impedem de atingir uma qualidade de vida melhor, etc. Nossa experiência, usando esta metodologia, mostra que estratégias semelhantes podem se repetir de acordo com cada análise, mas a forma como são implementadas serão sempre únicas em cada lugar.
V.M.: Muitas cidades estão se reinventando e passando por mudanças profundas. Quais cidades são modelos a serem seguidos?
J.R.: Copenhagen e Bogotá oferecem lições interessantes. Recentemente, cidades como Melbourne e Nova Iorque estão liderando a forma de encontrar caminhos inovadores e eficientes para melhorar a qualidade de vida das pessoas que vivem nelas.
V.M.: Como podemos definir “livable cities” (cidades para pessoas)? Qual o critério mais importante para construir uma “livable city”?
J.R.: Existem inúmeros fatores que definem o termo. Mas geralmente podem ser consideradas cidades que estudantes escolhem para estudar, famílias optam por morar e idosos continuam a viver após a aposentadoria. Os critérios principais são escolha por viver lá, mobilidade e acessibilidade facilitadas, segurança e saúde.
V.M.: Quais as causas da deterioração das áreas urbanas? Um bom planejamento urbano pode evitá-la?
J.R.: Vários casos contribuem para a deterioração das áreas urbanas. Um bom planejamento urbano não evita sozinho uma degradação, mas pode negativamente ou positivamente contribuir para a vitalidade da cidade.
V.M.: O desenho urbano é causa ou consequência do fluxo de pessoas? Em outras palavras, a cidade cresce em torno das pessoas, ou as pessoas se fixam em função da cidade?
J.R.: Os recursos mais valiosos de qualquer cidade são seus cidadãos. Priorizando a sua população – tratando-a com os mesmos cuidados, importância e consideração com que as cidades vêm tratando os veículos nos últimos 60 anos – é possível atrair e reter pessoas para viver naquela área.
V.M.: Em que é importante focar quando se quer trazer pessoas e dinheiro para uma região?
J.R.: Focar em características que façam as pessoas passar o tempo no local. O tempo é um dos mais preciosos e generosos recursos. A curto prazo, ele pode ser extremamente convidativo para que pessoas simplesmente permaneçam por lá e, a longo prazo, proporcionar oportunidades para que morem naquela cidade.
V.M.: Em São Paulo, prefeitos tentaram trazer atrações culturais – como museus, cinemas e teatros - para a região central da cidade. Contudo, isso não foi suficiente para sanar problemas como violência urbana e população de rua. Por que você acredita que esta estratégia não tenha funcionado?
J.R.: Iniciativas como esta, para serem bem-sucedidas, precisam também fixar a população nestas regiões mais centrais da cidade. Somente quando as pessoas vivem no centro comercial da cidade e têm vida por lá, ou seja, um fluxo que circula, vive e interage permanentemente por lá, é que questões como violência e moradores de rua podem ser abordadas. Melbourne é um exemplo perfeito de como a estratégia pode funcionar! Entre 1983 e 2007, cerca de 12.000 novas casas foram construídas no centro. Neste meio tempo, a região foi revigorada tanto culturalmente quanto economicamente. Durante as viradas de ano deste período, taxas de emprego e a valorização imobiliária aumentaram drasticamente, o que ilustra que a qualidade de vida é rentável. Não é coincidência que a explosão econômica do subúrbio de Melbourne coincide com o aumento drástico da população residencial.
V.M.: Muitos projetos do Gehls Architects fecham ruas para o trânsito de carros e dão prioridade para pedestres e bicicletas. Experiências parecidas no Brasil mostram que o comércio gera uma grande resistência a essas medidas. Quais são os maiores benefícios? Como fazer esta transição de forma bem-sucedida?
J.R.: No Gehl Architects não somos contra os carros, mas a favor de pessoas! Nosso objetivo é sempre melhorar a qualidade de vida delas nas cidades. Às vezes, isso implica na redução do trânsito – mas sempre implica em melhorar as condições para pedestres e ciclistas. Melhorar a mobilidade a pé e de bicicleta de uma cidade é o instrumento para a garantia de melhores condições para se viver. O comércio local sempre será resistente às mudanças e nossa abordagem é analisar com cuidado o local antes de qualquer recomendação inicial. Nem todas as ruas precisam ou devem ser fechadas para veículos – as condições precisam ser cuidadosamente estudadas. Nossa experiência ao redor do mundo indica que, ao priorizar pedestres e ciclistas, as condições comerciais melhoram e muito. O segredo para uma boa transição é mostrar ao comércio local as melhorias econômicas que podem surgir de intervenções como essas.
V.M.: O planejamento urbano pode ajudar a reduzir os níveis de violência? Como?
J.R.: Definitivamente. Ao garantir muitas utilidades e muitos usuários – ou seja, pessoas – um bom planejamento urbano pode criar áreas ativamente usadas durante o dia e a noite. Esta sobreposição de atividades no tempo e no espaço é extremamente eficaz para deter o surgimento de crimes e a violência na região.
V.M.: Quais os desafios mais comuns na implementação de um plano de recuperação urbana?
J.R.: Colocar de lado interesses individuais e trabalhar com o objetivo comum de fazer uma cidade melhor para todos. A burocracia pública e a resistência a mudanças também são desafios comuns em todos os lugares.
V.M.: Em todo o mundo, o uso da bicicleta e o transporte público estão se tornando uma opção para diminuir o número de automóveis das ruas. Como você avalia a infraestrutura para pedestres e ciclistas nas cidades brasileiras?
J.R.: Eu só conheço pessoalmente o Rio de Janeiro, mas percebi que a andar a pé e usar a bicicleta não são encarados ainda como alternativas para deslocamentos urbanos ou como modais de transporte viáveis. Estão mais para uma forma de lazer – herança da cultura esportiva e de praia da cidade. Essa percepção é refletida na estrutura cicloviária, que oferece espaço para caminhar, correr ou pedalar. O equipamento urbano para se andar a pé ou de bicicleta em bairros como Santa Teresa, Lapa e Centro são pouco ou quase nada priorizadas. Acredito que, realmente, se o Rio investir na melhoria de condições para os ciclistas, a cidade pode se tornar um lugar muito melhor para as pessoas. A meu ver, as desculpas mais comuns para não usar a bicicleta como um meio de transporte no Rio são o calor, distâncias maiores, a ideia de que pedalar é inseguro e cansativo... Por isso, quase não se vê as classe média e alta usando a bicicleta para transporte. Quando estive no Rio, apresentei algumas sugestões para superar esses desafios e a forma de executá-los. Cidades como Copenhagen, Amsterdã e Portland mostram que andar de bicicleta pode ser para qualquer pessoa em qualquer clima. O segredo é implementar infraestrutura (intervenções urbanas) aliada às medidas brandas (ações para mudança de comportamento) específicas e cuidadosamente planejadas para a população carioca.
Circuito XC de Favelas
Rio de Janeiro
Texto: Guiné Fotos: Pedro Cury
Depois da pacificação nos morros na cidade do Rio de Janeiro, diversos eventos esportivos, culturais e sociais estão sendo realizados para maior integração da população carente que não tem acesso a estes tipos de ações.
Já houve o Desafio no Morro do Complexo do Alemão, que movimentou toda a população local, e agora foi a vez do cross-country, valendo pela primeira etapa do Circuito XC de Favelas. Contando com uma pista técnica, até mesmo os mais experientes foram surpreendidos pela dificuldade do trajeto.
A premiação de R$ 20.000,00 atraiu cerca de 50 atletas de alto nível, de seis estados brasileiros. A Rede Record transmitiu alguns flashs ao vivo durante a sua programação na manhã do sábado (07/05). Quem também esteve presente na competição foi a Shimano, que apoiou e ofereceu suporte neutro aos atletas.
Circuito XC Favelas
A prova foi diferente de tudo que já foi visto no país, com a largada na Praça Saens Peña (bairro da Tijuca), na qual os atletas subiam para as favelas e logo enfrentavam os mais diversos obstáculos.
Em muitas partes do trajeto, os atletas estavam rodeados de gente, que agitavam sem parar. As comunidades do Turano e Salgueiro eram onde estavam as maiores torcidas. Não tinha favorito, todo mundo empurrava todo mundo. Era uma festa só.
A pista misturou um pouco de cada modalidade: ciclismo, mountain bike e downhill. Cada trecho tinha uma dificuldade: no asfalto era preciso ser muito tático para aproveitar o grupo, nas subidas tinha que administrar as forças, e nas descidas, técnica total.
Entre becos, pontes, escadas, valas, single tracks e trilhas técnicas, o paulista Edivando de Souza Cruz levou a melhor e garantiu o primeiro lugar, seguido por Ricardo Pscheidt e Thiago Aroeira. Com o pneu furado, Henrique Avancini foi o quarto. Douglas Arara finalizou os cinco primeiros.
Acidente com Rubens Donizete
A nota triste da competição foi a queda de Rubens Donizete. Ao passar no mata burro de metal, a roda dianteira travou e lançou o atleta por muitos metros sobre o asfalto. No momento do acidente, Rubinho estava em aproximadamente 50 km/h. Apesar da forte queda, ele não sofreu nada grave e em breve estará pronto para próxima competição.
"Fui jogado da bike e sai ralando no asfalto quase 150 metros. Tive escoriações em várias partes do corpo: cotovelo, punho, joelho e pernas. Não quebrei nada e agora é se preparar para São Lourenço, que é seletiva" - comentou o atleta.
RESULTADOS
1 - Edivando de Souza Cruz
2 - Ricardo Pscheidt
3 - Thiago Aroeira
4 - Henrique Avancini
5 - Douglas Arara
Urban da Páscoa 2011
Encontro anual de freeriders urbanos reúne mais de 170 pilotos de ciclismo extremo em São Paulo, SP
Texto: Álvaro Perazzoli
Fotos: Álvaro Perazzoli com a colaboração de Fabiana Ferreira, Clayton Torres e Flávio Giovanni
O evento organizado pelo site Urban Riders Brasil no dia 1º de maio, em parceria com a comunidade Cebola Riders, teve participação da emissora Sportv, que coletou entrevistas e imagens para o programa Zona de Impacto. A Praça do Ciclista, situada no encontro da Av. Paulista com a Av. Consolação, foi o local da concentração marcada para às nove horas.
A saída ocorreu cerca de 40 minutos depois, com um grupo de aproximadamente 170 bikers. O primeiro destino foi a Praça da MTV, local que conta com diversos tipos de obstáculos urbanos, como escadas, corrimões e bancos. Neste trecho há uma escadaria técnica com uma curva no meio onde se atinge uma grande velocidade. Neste trecho ocorreram dois acidentes. O mais sério foi com Danillo Tomaz Parussolo, que perdeu o controle antes da curva da escada e caiu. O piloto sofreu algumas lesões, mas felizmente estava com equipamentos de proteção, o que minimizou o acidente.
“Estarei presente no próximo evento. Não será esse tombo que me deixará longe do esporte que eu gosto”, disse Danillo.
O Urban seguiu com destino à Praça da Sé, tendo como trajeto a Ponte Dr. Arnaldo e Avenida da Consolação. Na região central da cidade, muitos eventos estavam ocorrendo em função do dia do trabalhador, o que limitou uma maior exploração de praças e dos calçadões do centro velho.
A chuva que veio às 14 horas não estava programada e obrigou o encerramento antecipado do evento, previsto para acontecer na Praça do Pôr do Sol, em Pinheiros. Em virtude disso, os brindes fornecidos pela loja Xtore não puderam ser sorteados e, de acordo com a organização, ficarão para o próximo evento.
O Urban da Páscoa 2011 promoveu a integração entre participantes mais veteranos, que acompanham os eventos desde o início, e os bikers que frequentaram o urban pela primeira vez.
“Estar entre esses pilotos mais antigos é uma oportunidade de aprendizado e garantia de muitas histórias legais. Já o pessoal mais novo dá um outro ânimo, pois eles estão em busca de mais e mais”, falou João Paulo Labeda, um dos organizadores do evento.
“O urban assault é uma forma de expressão, não só para mim, mas para todos os bikers que não tem dirt, trilhas e pistas próximas de suas casas. Gosto do urban, pois mostra à sociedade que somos homens, meninos e garotos que amam andar de bike”, comentou Clayton Torres, piloto da Zona Norte de São Paulo.
Os riscos do esporte
O freeride e o freeride urbano são esportes radicais muito perigosos e, mesmo assim, muitos pilotos são irresponsáveis e não usam equipamento de proteção. Neste dia, o número de pessoas sem equipamento diminuiu, mas ainda vimos muitas pessoas sem.
De acordo com Labeda, há todo um trabalho e estudo para a realização de um evento desta proporção, porém, atitudes como estas colocam tudo a perder. “Acho isso um descaso, não só contra si próprio, mas sim contra todos os demais envolvidos, pois em caso de acidente, de uma forma ou outra, isso afeta a todos”.
A Malix, marca nacional de equipamentos de proteção, e a Xtore, loja especializada em proteção esportiva, foram empresas que apoiaram o evento com brindes e forneceram capacetes para serem emprestados aos pilotos.
O responsável pelas duas marcas, André Moro, disse que a mídia tem uma parcela de culpa no incentivo ao não uso de proteção. “Os vídeos passam uma realidade enganosa dos perigos envolvidos no esporte. Pilotos profissionais tendem cada vez menos a utilizar equipamentos de proteção, o que parece bacana aos olhos de quem consome estas imagens”.
“A conscientização deve vir dos mesmos meios de popularização do esporte, como é o exemplo do Urban Riders, que não divulgam fotos de bikers sem capacete. Bike parks, pistas e mesmo vias públicas deveriam ser monitoradas para tornar obrigatório pelo menos o capacete”, declarou André que também é piloto de ciclismo extremo.
Roberta Garcia, repórter do programa Zona de Impacto do canal Sportv, foi a responsável pela cobertura do evento para a TV. Roberta contou que no programa não são mostradas imagens de pessoas que não usam equipamentos, para passar sempre uma imagem positiva do esporte.
Esse é um encontro de bikers extremos feito em locais públicos, fato que impede a organização de proibir as pessoas sem proteção de participarem. Todo ciclista deve ter consciência e usar capacete no evento e em todos os momentos que praticar o esporte.
O Urban da Páscoa 2011 é um projeto gratuito sem fins lucrativos do site Urban Riders Brasil. O evento teve o apoio logístico da Merida / UMF, que disponibilizou um carro para o apoio, da loja Xtore e da marca Malix.
Primeira etapa da Copa Internacional de MTB
Texto e fotos: Álvaro Perazzoli
Araxá - MG
A hospitaleira Araxá foi palco da 1ª etapa da Copa Internacional Banco do Brasil de MTB, em sua 13ª edição, nos dias 16 e 17 de abril. O brasileiro Thiago Aroeira foi campeão da Super Elite Masculina e a argentina Noélia Rodrigues, a campeã da Elite Feminina.
Situada na parte norte do estado de Minas Gerais, a região é conhecida pelos pontos turísticos e por ser a cidade de Dona Beja, personagem histórica da região. A 1ª etapa da Copa Internacional de MTB ocorreu nas imediações do Grande Hotel Termas & Convention de Araxá.
Construído no formato de um grande castelo com uma decoração colonial, o hotel tem um belo e grandioso lago rodeado por um bosque com topografia bem irregular, condições perfeitas para um dos circuitos mais incríveis e técnicos de mountain bike do Brasil.
A largada da categoria Super Elite ocorreu no horário mais duro do dia, às 12h40min. Thiago Aroeira assumiu a primeira posição logo na primeira volta e Rubens Donizete fechou em segundo. Na segunda passagem pelo circuito, Rubinho foi ultrapassado por Henrique Avancini. O atleta do time adversário continuou o ataque e ultrapassou Thiago para fechar a terceira volta em primeiro.
Os pilotos da Merida fizeram um trabalho em equipe e, na quarta volta, ultrapassaram Avancini. Thiago assumiu a primeira posição e Rubinho, a segunda, resultados que não se alteraram até o final da prova.
A categoria Elite Feminina largou pouco tempo depois da Super Elite Masculina. Julyana Machado, da Equipe Soul, assumiu a ponta logo no início, mas foi ultrapassada ainda na primeira volta pela argentina Noélia Rodrigues. Noélia fez uma grande prova, abriu uma grande diferença das demais competidoras e terminou com quase dois minutos de diferença para a segunda colocada, a brasileira Érika Gramiscelli. A terceira colocação ficou com a chilena Elisa Garcia.
Destaque para a habilidade das atletas da categoria feminina, pois quase todas as competidoras encararam a parte mais difícil da prova sem “amarelar”, em especial a competidora Aline Lombello. A atleta deu um show de pilotagem e fez diversas ultrapassagens no Descidão Dona Beja.
Ambas as categorias tiveram quatro voltas e totalizaram uma distância de 26 km.
Descidão Dona Beija
O circuito foi elogiado por muitos, mas também criticado por alguns pilotos por ser muito técnico e ter alguns trechos com altos índices de acidentes. Um desses locais foi o “Descidão Dona Beja”, um trecho de downhill com galhos, valas e rock gardens artificialmente posicionados para dificultar e tornar ainda mais emocionante a disputa.
“O Descidão foi inspirado em provas que presenciei no Canadá. O que aconteceu aqui hoje nunca foi visto antes no Brasil”, comentou o idealizador e organizador da prova, Rogério Bernardes.
Segundo Willien Ip, empresário responsável pela marca MOB, a prova estava bem organizada, mas deveria haver uma melhor seleção dos níveis de habilidade dos pilotos. “No geral acho positivo, eles estão elevando o nível da competição e há muitos atletas capacitados para passar esse trecho mais técnico.”
Muitas quedas e acidentes ocorreram neste ponto, um deles foi com o piloto Wolfgang Soares. O biker caiu com o rosto no chão e sofreu várias escoriações na face. Wolf criticou o fato dos obstáculos serem artificiais e não haver ninguém da organização para recolocar as pedras que eventualmente rolavam dos obstáculos e tornavam o trecho ainda mais perigoso.
Já Thiago Aroeira considerou que quanto mais difícil e técnico for um circuito, mais divertido ele é.
Rogério admitiu que o trecho não estava perfeito e que algumas modificações serão feitas nas próximas etapas. “Ele veio para ficar. Em São Lourenço teremos um circuito muito parecido e com o mesmo conceito. O comissário da UCI (União Ciclística Internacional) sugeriu um desvio na descida para reduzirmos a velocidade”.
A prova
A Copa Internacional Banco do Brasil de MTB foi muito mais do que uma simples competição de cross country. O evento contou com um concurso de redação e desenho nas escolas públicas, palestra sobre meio ambiente envolvendo a bike como meio de transporte, participação do exército na organização do evento e um passeio ciclístico.
Rogério Bernardes declarou que o caráter sustentável do evento envolveu diversas instituições e mobilizou todos os alunos das escolas públicas da região. “Sem envolver a comunidade, ninguém faz nada”.
“É a primeira vez que participo como voluntário. Apesar de eu não ter vocação nenhuma para o esporte, eu o acho bem interessante”, disse Guilherme Augusto, um dos soldados do exército que trabalhou como voluntário na segurança do evento.
A prova recebeu a presença do mexicano Ludwig Johannsen, comissário da UCI. Ludwig elogiou a cidade e comentou que no futuro a região poderá receber uma etapa da copa do mundo de mountain bike.
Elite Feminina
1 - Noélia Rodrigues (ARG) 01:33:26
2 - Érika Gramiscelli (BRA) 01:35:11
3 - Elisa Garcia (CHI) 01:37:18
4 - Roberta Stopa (BRA) 01:41:15
5 - Florência Espineira (CHI) 01:41:42
6 - Julyana Machado (BRA) 01:42:09
7 - Adriana Nascimento (BRA) 01:43:37
8 - Raíza Goulão (BRA) 01:45:21
9 - Luana Machado (BRA) 01:46:21
10 - Aline Lombello (BRA) 01:48:47
Elite Masculina
1 – Thiago Aroeira (BRA) 1:54:57
2 – Rubens Donizete (BRA) 1:55:36
3 – Luciano Caraciolli (ARG) 1:56:06
4 – Ricardo Pscheidt (BRA) 1:56:25
5 – Henrique Avancini (BRA) 1:56:30
6 – Edivando de Souza Cruz (BRA) 1:56:55
7 – Dario Gasco (ARG) 1:57:14
8 – Daniel Carneiro (BRA) 1:58:10
9 – Frederico Mariano (BRA) 2:00:54
10 – Josemberg Nunes Montoya (BRA) 2:01:17
TIME TRIAL EVENTOS
5º Volta Ciclística das Hortênsias
Texto e fotos: Raquel Hartfelder
Taquara - RS
Mais de 200 atletas participaram, no dia 1º de maio, da Volta Ciclística das Hortênsias. A prova, que faz parte do calendário do Campeonato Gaúcho de Resistência, também pontua para o ranking brasileiro, e é uma excelente oportunidade para o ciclista pôr em prática suas habilidades de escalador. São 40 km de subida contínua pela serra de Taquara á São Francisco de Paula, onde as primeiras categorias disputam a chegada, e mais 35 km de descidas e subidas pelos campos de cima da serra como são denominadas as coxilhas que ligam a cidade de São Francisco de Paula até Canela e Gramado.
A escalada é dura, mas é recompensada pela paisagem e pela sensação que o atleta tem de ter cumprido o desafio de vencer a Montanha. Em Canela, os atletas das Masters completaram a prova.
Após Gramado, o belo cenário das Hortênsias continua acompanhando os ciclistas da Elite e Sub-30, que seguem um percurso de descida até Três Coroas, percorrendo ainda um trecho plano até a chegada em Taquara de onde partiram, completando 136,5 km de prova.
O grande vencedor da Volta das Hortênsias de 2011 foi Everson Assis Camilo, da equipe Acivas/Unimed VS, que conseguiu sustentar a escapada até o final terminando em primeiro lugar com o tempo de 3:30:31. Everson, também conhecido como Carazinho, nome de sua cidade natal, é bicampeão nesta prova. Além de conhecer as belezas da serra gaúcha, a competição propicia ao ciclista um gostinho especial de vitória por ter domado a montanha com seu longo aclive, forte vento e as sinuosas decidas.
Resultados
Elite - 136.5 km - Everson Assis Camilo - Acivas/Unimed Vale do Sinos - Carazinho -3hs30min34seg
Juvenil - 44 km - Luis Felipe Araújo - Adventure Bike/Dalmedsul Medicamentos – Porto Alegre
Amador - 44 km - Anderson Rosa Vasconcelos – Confeitaria Chantily – Porto Alegre
Feminino - 44 km - Sabrina Vargas Trindade – Squadra/Santé/SMED – Novo Hamburgo
Força Livre - 44 km - Marne de Souza - Avulso - Sapucaia do Sul
Master A - 78,4 km - Rodrigo Oliveira – Startec/Rodociclo – Porto Alegre
Master B - 78,4 km - Marcos Vinicius Fucilini - União de Ciclistas - Alvorada
Master C - 44 km - Roberto Boff - Dudu Bike - Porto Alegre
Veteranos - 44 km - Reinaldo Nelson Finger - Nobre Veículos - Passo Fundo
Estreante - 44 km - Alexandre Jotz - Acivas/Unimede Vale do Sinos - Novo Hamburgo
Júnior - 78,4 km - Endrigo da Rosa Pereira - Aciva - Vacaria
Sub-30 - 136,5 km - Mateus Lorenzetti - Aciva - Vacaria
Gregolry Panizo é campeão panamericano de ciclismo e garante vaga para Londres 2012
Texto: Vinícius Cabral - ZDL / Wesley Kestrel (CBC)
Fotos: Luiz Barbosa/ ZDL divulgação
Medellín - Colômbia
O paranaense de Maringá, Gregolry Panizo, surpreendeu os favoritos e garantiu o ouro para o Brasil no Campeonato Pan-americano de Ciclismo de Pista e Estrada, em Medellín, na Colômbia. Na categoria sub-23, Gideoni Monteiro também conquistou a vitória. Outro brasileiro bem colocado foi Renato Seabra, que terminou em sexto na competição que reuniu 130 ciclistas de 27 países.
"Meu sonho é estar nos Jogos, mas não apenas para participar. Quero ganhar medalha", continuou o atleta de 26 anos, que deixou os colombianos surpresos com a vitória. "A mídia deu um espaço grande para o campeonato. O público também compareceu em peso. A Colômbia respira ciclismo. Vencer na casa deles foi muito especial". Os jornais "El Colombiano" e "El Mundo" estamparam manchetes sobre a vitória brasileira.
"O Panizo é o ciclista brasileiro de estrada mais completo no momento e tem 90% de chances de ser nosso representante na Olimpíada", afirmou José Luiz Vasconcellos, presidente da CBC.
O percurso consistia em um grande circuito com 11 voltas, perfazendo 176 quilômetros, com a chegada na Unidade Esportiva do Município de Rionegro. A maior dificuldade foi a altitude, principalmente em dois trechos de subida.
Na sétima volta, iniciou-se uma grande fuga, composto por um grupo de oito ciclistas: os brasileiros Panizo e Seabra, o chileno Gonzalo Garrido, o mexicano Luis Macías, e os colombianos Luis Laverde, Carlos Quintero, Ivan Mauricio e Janier Acevedo.
Após vários ataques, o chileno Gonzalo Garrido arrancou forte e foi seguido apenas pelo brasileiro Panizo e o colombiano Luis Laverde. Os três atletas continuaram a fuga até faltar 500 metros para a chegada; Garrido atacou forte, mas Panizo surpreendeu e venceu ultrapassando Garrido nos metros finais de forma brilhante.
Resultados
Elite
1- Gregorlry Panizo (Brasil) - 4h03min55s - ouro
2- Gonzalo Garrido (Chile) - mesmo tempo - prata
3- Luis Felipe Laverde (Colômbia) - a 2 segundos - bronze
Sub-23
1- Gideoni Monteiro (Brasil) - 4h09min37 - ouro
2- Josue Moyano (Argentina) - a 2min41s - prata
3- Arnold Olavarria (Chile) - mesmo tempo - bronze
Prova Tiradentes de Ciclismo
Campinas - SP
Texto e fotos: Antonio Merlo/ Bike Amparo
Realizada no dia 21 de abril, em Campinas, interior de São Paulo, a Prova Tiradentes de Ciclismo reuniu 500 atletas de todo o estado, divididos em quatro categorias: Free Power Speed Masculino para Atletas não Federados, Open Elite Feminino, Open Master Masculino, Open Elite Masculina. O clima de feriado em família tomou conta dos expectadores, e contagiou inclusive os campeões.
Foram três baterias. Na primeira largaram os atletas não federados, onde qualquer ciclista maior de 16 anos poderia competir. Na segunda bateria largaram duas categorias: Open Elite Feminino, Open Master Masculino. Por último largou o Open Elite Masculino, e Renato Ruiz foi o vencedor, com uma média de 45,423 km/h nos 69,6 quilômetros percorridos. “A corrida poderia ter vindo para a chegada que não é o meu forte, então eu tentei impor meu ritmo à corrida, fazer uma fuga e deu tudo certo”, declarou o campeão, que é de Campinas e diz ter realizado um sonho ao vencer em casa.
FREE POWER SPEED MASCULINO
1 – RICARDO SOARES DA COSTA - Bike Company – Tempo 00:51:29
2 – LAERTE PACHECO JÚNIOR - Takelog Group -Tempo 00:51:29
3 – RODRIGO ALTHEMAN LOPES – Avulso – Tempo 00:51:29
OPEN ELITE FEMININO
1 – LILIAN PEDROSO - Team Américas/GM Reis/Salto – Tempo 00:48:05
2 – RAQUEL FRANÇA DE QUEIROZ - Velo/SEME Rio Claro – Tempo 00:48:05
3 – ANDRÉA PASSOS MARQUES - SELAM Piracicaba/Espaço da Bike/MZ2 Eventos – Tempo 00:48:05
OPEN MASTER MASCULINO
1 – JÚLIO CÉSAR OLIVEIRA - Ciclo Ravena/RACE - Tempo 00:59:22
2 – ÉLCIO ALEXANDRE ARNOLDI - ACICLI/Bike Théo/Itapetininga – Tempo 00:59:22
3 – ALEXANDRE ARNOLDI - Dimensional/Itapira – Tempo 00:59:22
OPEN ELITE MASCULINO
1 – RENATO RUIZ - Padaria Real/Caloi/Céu Azul Alimentos/Sorocaba – Tempo 01:31:56
2 – ELTON PEDROZO DA SILVA - O Lilberal/SEME Santa Bárbara – Tempo 01:32:04
3 – PEDRO REIS - São Lucas Saúde/Giant/Ciclo Ravena/Americana – Tempo 01:32:08
Dominando as Montanhas 5
Espírito Santo do Pinhal - SP
Texto e fotos: Antonio Merlo/ Bike Amparo
No dia 01º de maio, mais de 200 atletas do estado de São Paulo e Minas Gerais encontraram-se no parque do Lago Municipal de Espírito Santo do Pinhal para a largada da prova válida pela 2ª Etapa da Copa Sram 2011. Esta etapa, denominada Dominando as Montanhas 5, levou os atletas a desafiarem as lindas montanhas e paisagens da cidade.
Divididos na Categoria Pro Sram X-0, com o percurso de 62 km, e Sport Sram X-9, com o percurso de 42 km, os atletas tiveram que sair de uma elevação de 850 metros, chegando a 1350 metros de altitude em um espaço de 15 km. Como já é tradição, esta prova é considerada um grande desafio de força e resistência. É de tirar o fôlego!
Elite Pro Masculina
Sherman Trezza de Paiva - Equipe Andó Rocky Mountain MTB Team - Cidade Poços de Caldas – MG – Tempo:- 02:49:19
Daniel Carneiro Brum Ribeiro Zoia - Equipe GUGA TEAM / PAULINIA / FOCUS – Cidade Paulinia - SP – Tempo:- 02:58:13
Tiago Eduardo Faria Madruga - Equipe AAP –Cidade Mogi Guaçu – SP – Tempo:- 03:11:28
Elite Pro Feminina
Tatiani Cristina de Oliveira Lobo – Equipe Avulso – Cidade Arthur Nogueira - SP – Tempo:- 04:10:28
Carolina Rombauer – Equipe Pedal Power – Cidade São Paulo – SP – Tempo:- 04:18:05
Josiani Dansiger – Equipe Hard Rock Bike – Cidade Poços de Caldas – MG. – Tempo:- 04:45:56
Esta prova foi organizada e realizada pela AAP (Associação de Atletas de Espírito Santo do Pinhal-SP).
Copa Endurance Bike
Morungaba - SP
Texto e fotos: Antonio Merlo/ Bike Amparo
A 2ª etapa da Copa Endurance Bike, na Estância Climática de Morungaba, foi um grande sucesso. A competição reuniu cerca de 400 ciclistas na cidade, 16ª em qualidade de vida do Brasil.
O domingo ensolarado fez os ciclistas suarem a camisa para percorrer os 48 km da categoria PRÓ, e 29 km da SPORT. O trajeto composto de muitas subidas e fortes descidas, nas estradas de terra na região do Pico das Cabras, entre Morungaba, Campinas, Pedreira e Amparo, garantiu o visual incomparável do interior paulista. O relevo é considerado desafiador e pesado, e alcança uma altitude de 1.080 metros.
Os organizadores da competição comemoraram a grande participação de atletas, pois no mesmo dia estava acontecendo a Copa Internacional em Araxá -MG.
Elite Masculina
1 - JOAO PAULO FIRMINO PEREIRA- SCOTT-FITTIPALDI/PEDAL PRO/COFRANA FIAT/POSTO TROPICAL - 01:52:19
2 - ADRIANO CHEREGATTI- SMEL, UNIMED, BOI GORDO, TRIEX – 01:55:51
3 - MARCUS WILLIAN RUFINO FAR - PROBIKE MONTE SIAO/GMD ESTUDIO - 02:02:40
Feminina Pro
1 - TATIANI CRISTINA DE OLIVEIRA – AVULSO - 02:26:11
2 - SUSAN ZORZETTO - CLUBE DO PEDAL - 02:38:40
3 - ROSELI DE SOUZA - SEJEL,FISK, DKS,GIOS - 02:41:34
Brasileiros conquistam etapas do Campeonato Europeu de Bicicross
Texto: Vinícius Cabral/ Wesley Kestrel - ZDL Fotos: Divulgação
Praga - República Tcheca
07/05/2011
Hugo Osteti e Bianca Quinalha sobem no lugar mais alto do pódio
O Brasil conquistou excelentes resultados na quinta e sexta etapas do Campeonato Europeu de Bicicross, realizado no final de semana, na República Tcheca.
Hugo Osteti, de 17 anos, revelação do ciclismo nacional, fez uma prova impecável e ficou com o título da quinta etapa, na categoria Junior. Desde as fases classificatórias sempre estava nas primeiras colocações, até chegar à grande final. Hugo largou na terceira raia e durante toda a prova brigou lado a lado com o francês Benjamin Janssens. O brasileiro perdeu a liderança durante uma das curvas, mas se recuperou a tempo.
"Nós fizemos um bom treino na sexta-feira, acertamos tudo e fiquei bastante confiante para a competição. Acabou dando tudo certo também durante a prova e conquistei essa vitória para o Brasil" - declarou Hugo, que está entre os atletas com potencial para brilhar nos Jogos Olímpicos de Londres.
Na categoria Junior Feminino, o Brasil também foi muito bem representado, com Priscilla Carnaval, que cruzou a linha de chegada no terceiro lugar. "Foi uma competição de altíssimo nível. É um dos campeonatos mais difíceis do mundo e disputamos contra atletas que participaram do último mundial. Estou muito contente com meu resultado" - comentou. Bianca Quinalha ainda terminou na oitava colocação.
Na Elite, Leandro Miranda chegou às oitavas-de-final, disputando contra grandes feras do bicicross mundial. Na prova decisiva, o piloto de 19 anos teve problemas na largada e chegou no 5º lugar, sem avançar para a fase seguinte.
Outros bons resultados na 6ª etapa - Na etapa seguinte, o país seguiu com bons resultados. Na Elite masculina, Leandro enfrentou uma bateria muito difícil logo nas classificações e não avançou para as oitavas. "Foi um final de semana muito proveitoso. Fiquei muito contente com meu desempenho, pois estava andando de igual para igual com vários outros pilotos e isso me deixou mais confiante para as próximas competições" analisou.
Hugo Osteti conseguiu outra campanha notável na Junior. Ele venceu todas as classificações, oitavas e quartas de finais. Na semifinal, sua roda dianteira escorregou na "chapa do gate", atrapalhando a largada.
Após o oitavo lugar na quinta etapa, Bianca Quinalha venceu a final de ponta a ponta, na Junior. "Estava determinada e muito focada no que queria. Sabia que não seria fácil vencer, mas também sabia que tinha potencial, e tudo acabou dando certo. Ganhar uma etapa do Campeonato Europeu não é para qualquer uma. Estou muito feliz", comemorou.
O Brasil começa a obter resultados de um trabalho desenvolvido pela Confederação Brasileira de Ciclismo (CBC), em parceria com a União Ciclística Internacional (UCI), que visa o crescimento do bicicross brasileiro, proporcionando aos atletas uma estrutura de primeiro mundo, além de dar a oportunidade, para os pilotos no Europeu, considerado um dos campeonatos mais fortes do mundo. Para este projeto a CBC escolheu os pilotos da seleção permanente.
2º Etapa da Big Biker Cup 2011
São Luiz do Paraitinga - SP
No dia 15 de maio, São Luiz do Paraitinga recebeu novamente a 2ª Etapa do Big Biker Cup. No ano passado, a cidade foi atingida por forte enchente que destruiu casas e parte do patrimônio histórico.
Com mais de 1.050 inscritos, a prova movimentou o comércio da cidade e mostrou mais uma vez a tradição e qualidade do Big Biker.
Já na categoria Sport, o desafio foi de 66,5 km; um trajeto veloz com bastante variação de terreno. Os atletas contaram com um clima agradável de inverno, e cruzaram a linha de chegada com uma chuva fina.
O primeiro lugar entre os homens, com o tempo de 02:25:11 foi Elvio Henrique Souza de Oliveira, da cidade de São Bernardo do Campo - SP, da equipe MTB TRIP - BIKERSHOP. Entre as mulheres, Susan de Paul Zorzetto, da cidade de Valinhos - SP, da equipe CLUBE DO PEDAL, foi a mais rápida com o tempo de 03:03:33.
O próximo desafio será na Cidade de Taubaté-SP. no dia 17/07/2011.
Os atletas Pró encararam um percurso de 84,6 km, passando pelo Morro do Chapéu e o Morro da Grama, com 14% de inclinação: o morro mais duro da prova.
Orlando Alves Silva foi o campeão da etapa, e assumiu a liderança da competição. Com apenas nove segundos de diferença, Hugo Prado chegou na segunda colocação, após disputa intensa entre os dois nos últimos metros.
No feminino, Luciene Ferreira foi a campeã, seguida por Adriana Nascimento e Mariana Carcute.
Elite Pró Masculina
1 – Tempo 03:23:44 - ORLANDO ALVES SILVA - CAMPO LIMPO PAULISTA-SP – Equipe e Patrocinadores CICLO RAVENA / MARIN BIKES / CATEYE / MAXXIS / THULE / GU / FORMULA LAZER/ NORTWAVE /AIR ACE
2 - Tempo 03:23:53 - HUGO PRADO NETO - BELO HORIZONTE-MG – Equipe e Patrocinadores OCE TREINE.NET / KHS / INFANTI/ CST / DA MATTA/ GIRO SPORT CENTER
3 - Tempo 03:24:14 - JOSE LUIS NOGUEIRA - ITANHANDU-MG – Equipe e Patrocinadores ITAKAR / OCE TREINE.NET
4 – Tempo 03:25:05 - ODAIR PEREIRA - INDAIATUBA-SP – Equipe e Patrocinadores SCOTT / FITTIPALDI
5 - Tempo 03:27:00 - JOAO PAULO FIRMINO PEREIRA - BATATAIS-SP –– Equipe e Patrocinadores SCOTT / PEDAL / COFRANA FIAT / POSTO TROPICAL
Elite Pró Feminina
1 – Tempo 04:25:00 - LUCIENE FERREIRA DA SILVA - PINDAMONHANGABA-SP – Equipe e Patrocinadores FUNVIC PINDAMONHANGABA
2 – Tempo 04:26:37 - ADRIANA DOS SANTOS NASCIMENTO - SÃO PAULO-SP -– Equipe e Patrocinadores BRASIL SOUL / RC BIKES
3 - Tempo 04:37:02 - MARIANA CARCUTE B SOARES - GOIANIA-GO - – Equipe e Patrocinadores VULCANO / SISTIME / CICLO RAVENA
4 – Tempo 04:48:45 - IZABELA BEDNARSKI SALVATO - BELO HORIZONTE-MG -– Equipe e Patrocinadores OCE
5 - Tempo 04:55:35 - VALERIA CONCEIÇÃO - VOTUPORANGA-SP -– Equipe e Patrocinadores MAXXIS / CALYPSO
Audax 200 na Unesc
Criciúma - SC
A leve chuva que fazia na madrugada em Criciúma não assustou os cerca de 150 ciclistas que largaram da Unesc para o Audax 200. Atletas de todos os cantos do Brasil, como a gaúcha Gorete Selau, de 41 anos, acordaram cedo para iniciar o desafio de 200 quilômetros. “Amo pedalar, por isso estou aqui. Este é meu primeiro Audax. Já venci percursos de 100 e 150 quilômetros, mas nunca fiz 200. É um grande desafio”, expôs Gorete, que é de Porto Alegre, mas está na cidade desde fevereiro.
O empresário do ramo cerâmico Ciro Damiani, 27 anos, de Urussanga, foi o primeiro dos 180 participantes do Audax 200 a chegar no campus da Unesc. Menos de 30 segundos depois, chegaram também Sérgio Reis e Edinaldo Pereira. As primeiras mulheres a cruzarem a linha de chegada foram Dora Cristina Canella Costa, de Ararangá, e Maria Gorete Rodrigues Selau, de Porto Alegre. Promovido pela Bikepoint e Unesc, o evento reuniu ciclistas de diversas cidades, principalmente do sul.
Desafio
Os 206 quilômetros percorridos pelos participantes do Audax 200 começaram no campus da Unesc, por volta das seis horas, quando o dia estava chuvoso, e foram concluídos a partir do início da tarde com forte calor e céu azul. Forquilhinha, Meleiro, Turvo, Ermo e Sombrio, integraram o circuito da prova. O evento não é oficialmente competitivo. Todos os participantes receberam certificado e medalha.
Campeões
Primeiro a chegar no campus, Ciro Damiani disse que treina três a quatro vezes por semana e é a terceira vez que participa da prova, que considera um “sofrimento solidário que vale a pena para testar a si mesmo”. Maranhense que reside há 15 anos em Criciúma, Edinaldo Pereira, 38 anos, atribui a alimentação adequada, boas horas de sonho e saúde perfeita, sua classificação em terceiro lugar. “Para muitos, o Audax é desafio. Mas para os primeiros dez atletas do pelotão de frente, é competição. Então o resultado mostra que todo treino e esforço, valeram a pena.”
Experiência
“Desafiar o limite do próprio corpo”. Este é o sentimento que move o comerciante Evandro Cézar, de Araranguá, ao participar hoje do seu 12º Audax. Ciclista em horas de folga, ele diz que todo mundo tem condições de participar, desde que treine e se dedique. Para ele, o percurso deste ano, “99% em plano reto”, auxiliou bastante e, ao mesmo tempo, exigiu muito. “Não teve morros para subir e nem tempo para relaxar na descida”.
Audax infantil promove integração
Se o Audax não é uma competição e sim um desafio que o atleta precisa superar e vencer a si mesmo, e não ao outro, nada melhor que aprender este ensinamento desde a infância. Durante a tarde, enquanto os atletas iam chegando, 191 crianças de três a 14 anos participaram do Audax Infantil, que consistiu em um passeio ciclístico. As crianças também participaram de sorteio de caramanholas (garrafas para transportar água), capacetes, luvas e camisetas. Mateus Gregorine e João Manoel Saturnino Gomes foram os ganhadores das duas bicicletas sorteadas.
Vencedores
Acompanhados dos pais, avós ou tios, meninos e meninas chegaram ao campus da universidade com suas bicicletas coloridas, bonês ou fitas nos cabelos, tênis, short e camiseta. Para enfrentar o calor, não faltaram as garrafinhas de água, refrigerantes e picolés. Uma barraquinha montada na recepção do prédio da reitoria, também serviu cachorro quente, crepes e pipoca. Todos os participantes ganharam medalhas. A prova teve como percurso saída e chegada enfrente ao prédio da reitoria, passando pelo complexo esportivo.
Os participantes que chegaram em primeiro lugar no Audax Infantil foram:
Daniel da Silva Bez Birolo – categoria 3 e 4 anos;
Gabriel Frello – categoria 5 e 6 anos;
João Manoel Saturnino Gomes – categoria 7 e 8 anos;
Alex Artur da Silva Júnior – categoria 9 e 10 anos;
Miguel Angelo Melo Topanoti – categoria 11 e 12 anos;
João Murilo Trajano da Silva - categoria 13 e 14 anos.
3ª Etapa – Copa Noroeste de Mountain Bike
A 3ª Etapa da Copa Noroeste de Mountain Bike aconteceu na cidade de Araçatuba/SP, com a presença de 119 atletas da região e de MS e CE. Foi uma prova dura pois o circuito com 60 km estava bem seco, com muita poeira e boas subidas. A recompensa para todo este esforço foi a bela paisagem que o Bairro Água Limpa possui.
A arena foi montada na quadra de esportes da escola da Água Limpa (Professor Fernando Gomes de Castro ). Dava para sentir a energia dos atletas ansiosos pela tão aguardada ordem de largada. A prova se desenvolveu sem acidentes graves, mas um fato perturbou o atleta José Benoni da Costa, de Marília, que pouco antes do km 30, quando perseguia os quatro primeiros (sendo um de Votuporanga e três de Bauru) e buscava a liderança da prova, teve a batalha interrompida pois um bicho entrou em seu ouvido. Mesmo com o bicho no ouvido, o atleta voltou a correr e foi o segundo colocado de sua categoria.
Ao terminar a prova ele foi atendido pela ambulância que estava no local da prova e foi encaminhado ao hospital onde os médicos retiraram o tal mosquito, que vai passar pelo exame de DNA para saber se é de Votuporanga ou Bauru (risos).
No geral foi uma bela prova, e os atletas garantiram o sucesso do evento.
Preparem suas bikes porque a 4ª etapa será ainda melhor . A concentração será no Parque de Exposições em Araçatuba, no dia 5 de junho, onde também estará acontecendo atividades pelo Dia Mundial do Meio Ambiente, entre elas um passeio ciclístico. Vamos trabalhar ainda mais para realizar uma excelente prova , más só a sua presença poderá confirmar nossa vontade. E no dia 10 de julho teremos a Ultramaratona, que será a final da Copa Noroeste com um percurso de 100 km. Será muita adrenalina!
RESULTADOS
Categoria Sub 17 - Hugo Komuro - Presidente Prudente - SP
Categoria Sub 23 - Francisco Jackson - Pacajus- CE
Categoria Sub 30 - Rodrigo Simão - Bauru - SP
Categoria Sub 35 - Dario Ronaldo Corneglian - Bauru - SP
Categoria Sub 40 - Renato Torres - Votuporanga - SP
Categoria Sub 45 - Murilo Marra - Presidente Prudente - SP
Categoria Sub 50 - Paulo Antunes Junior - Assis - SP
Categoria Veterano - Roberto Marino Davila - Bauru - SP
Categoria Feminino Master - Angelina de Carvalho Fernandes - Araçatuba - SP
Categoria Especial - Wagner Cavasana - Araçatuba - SP
Categoria Turismo - Diego Caruan Pagoto - Guararapes- SP
RED BULL CAMINO ARRIERO MANIZALES 2011
Manizales - Colômbia
10/04/2011
Rampas, adrenalina, velocidade, montanhas, picos e 132 participantes tornaram real este evento sem precedentes na história e tradição do downhill na Colômbia. No coração da região cafeeira, atletas de vários lugares do mundo se reuniram em uma pista criada exclusivamente para testar sua experiência e condicionamento físico nas descidas.
Um público de 500 pessoas testemunharam a coragem e a disciplina dos atletas, que apesar da chuva, fizeram um verdadeiro show em Manizales.
Depois de conhecer a trilha, cada ciclista planejou sua estratégia para percorrer o caminho de três quilômetros de pista no menor tempo possível e ganhar o bilhete para o Red Bull X-Fighters, no Brasil, para ver os melhores pilotos de manobras.
Em uma disputa como essa, contra o tempo e contra si mesmo, manter o equilíbrio é fundamental, e uma fração de segundo pode fazer a diferença. Marcelo Gutierrez, da cidade de Manizales, foi coroado campeão com o tempo de 04min32seg, seguido de Mauricio Estrada, de Bogotá, com um tempo de 04min39seg. Por uma diferença de milésimos de segundo, o eslovaco Filip Polc ficou em terceiro.
"É a terceira vez que visito a Colômbia, e é um país que eu amo. Todas as condições estavam propícias para experimentar tudo o que um piloto quer encontrar na pista, e com adversários muito bons", disse Filip Polc após a competição.
REDESCOBRINDO OS CAMINHOS DE DESEMBOQUE/MG
Texto e Fotos: Therbio Felipe M. Cezar
Redescobrir caminhos interioranos em Minas Gerais que levam ao berço da colonização do Brasil Central, ao encontro de paisagens e personagens distantes dos olhares cotidianos de todos nós. Um grupo de professores sobre rodas redescobriu a bicicleta e decidiu tornar as férias docentes em um momento de reflexão, troca de conhecimentos e ideias sustentáveis.
Deveriam ser apenas mais umas férias de meio de ano chegando. Seriam as minhas segundas férias docentes em Minas Gerais, já que sou um professor gaúcho de Turismo, Hotelaria, Gastronomia e Meio Ambiente, dependente das paisagens, fã das melhores companhias e ávido pela possibilidade de conhecer sempre mais.
No mês de julho de 2006, aproveitando a oportunidade de realizar um trabalho profissional e científico de recolha de informações qualitativas a respeito de um caminho pleno de imaginários, circunstancialmente associados às práticas cicloturísticas, o qual ligaria o sítio paleontológico de Peirópolis, bairro de Uberaba - MG a Desemboque - MG, berço da colonização do Brasil Central, reunimo-nos entre quatro amigos docentes e resolvemos cumprir tal tarefa valendo-nos de nossas bicicletas e de olhares plenos de questionamentos.
Queríamos conhecer a terra natal de Lima Duarte, a qual hoje se encontra em pleno esquecimento e abandono, mas que já foi, em seu apogeu, uma das mais importantes cidades mineiras.
Nosso pequeno grupo era composto de dois especialistas em Turismo, um mestre em História, doutorando em Desenvolvimento Sustentável e ainda um mestre geógrafo, doutorando em Turismo. Havia muito que aprendermos juntos. Nosso trabalho consistia em interpretar as variáveis componentes do caminho, comparando estudos geomorfológicos e geoculturais com relatos históricos e de tradição oral, aspectos cênico-paisagísticos e, porque não, antropológicos e turísticos, indicando formas de sustentabilidade em todas as suas dimensões.
O olhar multidiverso e multidisciplinar de nosso grupo de ‘ciclopesquisadores’, se me permitem chamar assim, nos possibilitava inferências e partilhas de saberes que comumente não encontrávamos em meio à nossa comunidade acadêmica. Mais do que testar nossos conhecimentos, estávamos por reelaborar-los a partir daquilo que o caminho a seguir nos prometia dispor.
Descobrir, etimologicamente, significa ‘desfazer o incógnito’, ‘mostrar o escondido’, ‘livrar algo daquilo que o oculta’, e foi com essa perspectiva, que decidimos iniciar nossas descobertas a partir do Distrito de Desemboque, o qual já conta com mais de 260 anos de história, distante aproximadamente 60 km de Sacramento – MG e 90 km de Franca – SP.
E o que seria Desemboque senão uma única rua de não mais de 1 km, ladeada por um conjunto de, também, não mais de 26 casas rudes e duas igrejas de valor patrimonial que poucos mineiros reconhecem?
Sim, Desemboque é um pedacinho de terra solitário e praticamente desolado nos contrafortes do Parque Nacional da Serra da Canastra, próximo ao Vale do Rio Grande e das represas de Jaguara e Estreito. Lá o tempo parece ter se esquecido de si mesmo e a movimentação fica por conta dos passos lentos dos poucos residentes, do alvoroço e da algazarra de curicacas, tucanos e maritacas, além do Rio das Velhas-Araguari que ‘corre’ despretensiosamente, como se não quisesse chegar a lugar algum.
Bicicletas, céus, serras, cantos e encantos
Origens e destinos. Parecem ideias antagônicas, dicotômicas. Quando nosso grupo preparou-se para partir de Desemboque em direção a Sacramento, ambas em Minas Gerais, reparamos que tínhamos apenas a companhia de nossas inferências e do GPS para descrever o caminho. Sabíamos que ali tinha tido origem uma série de fatos que resultaram na ocupação física do restante das Minas Gerais, e porque não dizer, de grande parte das cidades que levam desde o Triângulo Mineiro e da Zona do Alto Paranaíba até o Distrito Federal, e que nosso destino, naqueles dias, era de transcender os olhares para apreender tudo ao redor.
Duas relíquias históricas guardam Desemboque, como que sobre proteção divina. São as igrejas de Nª. Senhora do Desterro de Desemboque, ao alto do distrito, construída em meados de 1743, em pedra e taipa, frequentada à época apenas por homens brancos e ricos e a de Nª. Senhora do Rosário, do mesmo material, erguida em meados do século XVIII, construída por negros que eram proibidos de frequentar o outro templo descrito.
Eis o que consta da inscrição de boas-vindas encontrada na placa de acesso ao distrito: “Homens de extrema bravura fundaram no Sertão da Farinha Podre, em 1743, a Capela de Nossa S. do Desterro, iniciando o povoado de Desemboque, marco inicial da colonização do Brasil Central”.
Quando nos preparávamos para partir, eis que surge a figura do ‘Seu Santo’, cidadão com o rosto marcado pelas dobras do tempo e olhar que confunde por que se fixa em um infinito paralelo ao nosso. Ao confirmar que iríamos ser conduzidos em parte do caminho pelo nosso novo amigo-guia, Seu Santo, resolvi perguntar-lhe como chamava sua montaria, e ele, por detrás da mais emocionante modéstia e simplicidade, apenas disse que o seu cavalo se chamava ‘Cavalo’, não carecia de outro nome. Pois, aí estava uma das primeiras lições do caminho: deixar nossos conceitos pré-formulados, abandonar nossas ‘pseudoculturas’ urbanas, e nos entregar a outros tipos de saberes, tão essenciais à vida quanto beber água da nascente, comer jaboticaba do pé e recolorir a alma das têmperas chamadas ‘estranhos’.
Seu Santo, claro, e seu Cavalo nos conduziam pelos caminhos vicinais até as proximidades do Chapadão da Zagaia, mostrando-nos propriedades abandonadas que viraram sucatas rurais, rios de água límpida correndo sobre pequenos seixos e animais da fauna local como carcarás e outras aves.
Partindo de Desemboque, além de marcar os pontos de referência com o uso de GPS, o grupo foi entremeando-se na paisagem, em busca de reconhecer aspectos que pudessem ser atrativos ou componentes de atrativos turísticos, mas muito especialmente, algo que fosse resultado da construção histórica centenária da região somada à disponibilidade hospitaleira da comunidade.
Enquanto zingrávamos com as magrelas pelas estradas de terra, sob o olhar matreiro e furtivo de curicacas e siriemas, fomos reconhecendo rios e cachoeiras de extrema beleza cênica, límpidos, que avançavam em direção à composição da bacia hidrográfica do Rio Grande e Rio Araguari, e que se demonstravam e se permitiam descobrir, a cada nova curva da estrada.
Poeira e sol, marcha lenta nas bicicletas e seus artífices moldavam os horizontes à esquerda e à direita. A música dos rodados e da bicharada nos campos se constituíam em um som sobrenatural, pois se entregavam a nós, cada um a sua vez, uma polifonia expressa na paisagem e nos lugares, onde havia ou não a presença e intervenção humana, direta ou indiretamente.
Havia que desfocar os olhares, recalibrar os ouvidos, ajustar a forma de pedalar, de passar as marchas, de frear, silenciosamente, somente elaborando falas esporádicas para trocar análises e inferências, apenas. Nada mais do que buscar ser observadores. Nada de imponências.
Sob nossos olhares, porém, imponentes eram a presença humilde e plena de fortaleza de Seu Santo e da Igreja Nª. Senhora do Rosário. Parece que estas imagens nos protegiam de nossas conjecturas acerca de um espaço que carecia de interpretação, mas que ganhava novos contornos, tão especiais quanto as rugas do rosto plácido de nosso guia ou como as rachaduras da fachada do templo local.
Uma sobreposta à outra, as imagens foram se decompondo e se rearranjando, tal prisma concebido pelo passar das horas preguiçosas em um lugar onde o tempo e as dimensões humanas adquirem outra medida. Sintonizados com a obrigação de interpretar, esquecemo-nos enquanto interferentes e nos descobrimos expressos na paisagem observada, mesmo que por um segundo.
Ao seguir além, o grupo de pesquisadores encontrou ranhuras de um tempo de apogeu, expressos em ruínas de construções, as quais o continnum histórico insiste em fazer-nos ler. Pedra ainda sobre pedra e musgo, os resquícios de pontes e residências nos saltavam aos olhos e às câmeras, na tentativa do autoregistro de nosso espanto, regozijo e indignação, mesclados. O descaso e a indiferença se transfiguram no empobrecimento das economias ao passar dos anos, refletidos nos aspectos gerais dos casarios que ainda resistem a esses dois fatores iniciais.
Prólogo do que se havia por encontrar, o somatório de sedes de fazendas ao longo do caminho que se descortinava começava a impressionar, tanto pela diversidade construtiva, pela variedade de fins, mas também pela penúria e abandono em que se encontravam.
A penúria das casas e das propriedades rurais pelas quais passamos preocupava-nos, na medida em que vislumbrávamos os rostos sem perspectivas dos personagens do caminho, cidadãos que foram esquecidos assim como as promessas de melhorias e de outras condições de vida. E o momento mais duro, para cada um de nós, foi quando nos deparamos com as poucas crianças presentes neste meio. Se os adultos estão desolados, o que dizer das crianças? Pensamos, muito especialmente, que a pobreza ainda pode ser digna, mas a miséria é algo que vai além de nossa vã compreensão.
Porém, claro, outras observações positivas sobrevieram, como encontrar famílias produzindo artesanato de primeira qualidade e com um bom gosto digno de louvores. Da mesma forma, as mesas da roça são sempre banquetes informais, carregados de sentido e de boniteza, seja na docilidade das panelas junto ao fogão de lenha ou no lustre das louças penduras como se fossem troféus.
Esta formosura expressa em toda a simplicidade hospitaleira dos mineiros desta parte do cerrado é de encantar. Os sabores à mesa restauraram nossas forças e nosso espírito, e com abraços encabulados, porém honestos, nos despedimos. Havia que seguir.
Não se pode esquecer que o queijo canastra é uma iguaria sem igual e se encontra o ano todo nas principais vendas e comércios locais. Ao final da expedição, entre barrancos, suor, sorrisos, cansaço, questionamentos sem respostas e muita paixão pela bike, após discutirmos acirradamente, o grupo resolveu que algumas das propriedades constantes do traçado realizado, em função de sua inacessibilidade ou finalidades outras e do risco de frustração das expectativas dos visitantes, deveriam compor parte do caminho, porém sem visitações. Outro risco percebido estava ligado ao poder de degradação de um turismo mal planejado e exploratório. O risco que comento é o de mercantilização da cultura, da criação de fetiches e, principalmente, da penetração insidiosa de uma globalização que não constrói, não alenta e não ensina.
Ficou claro que a experiência cicloturística sob a forma de peregrinação assistida naquele ambiente só se faria real salvo fossem garantidas as condições de sinalização, de recuperação de acervo e de patrimônios, determinação dos limites de capacidade de carga e manejo destas localidades, bem como toda a gestão de um suporte local que inserisse, como condição primeira, o cidadão local capacitado e envolvido no processo de geração de outras economias.
Dentre os aspectos relevantes da coleta de dados e das interações possibilitadas pela bicicleta com personagens únicos ali constantes, vale ressaltar a tônica presente na possibilidade de melhoria da qualidade de vida das populações às margens do caminho em função da acessibilidade às condições que a garantam, especialmente no que tange à potencialização das capacidades dos indivíduos e de sua plena realização, integralmente, pelo Turismo e não para o mesmo.
Por fim, uma parada para a contemplação do pôr-do-sol e as ruínas da antiga estação de trem da chamada Estação Cipó, nas proximidades da Gruta dos Palhares, em Sacramento – MG.
Neste percurso, além do conjunto paisagístico que possibilita múltiplas contemplações, a riqueza da fauna, da flora, dos aspectos históricos, arquitetônicos e culturais torna essa trilha a oportunidade de uma viagem impressionante aos velhos caminhos da entrada da colonização em Minas Gerais.
Como aprendizado, possibilitado pela experiência de convívio entre os fraternos ciclonautas, ficaram os traços dos rostos dos personagens que encontramos a cada nova curva; ficaram os sonhos que talvez eles não venham a ter como saúde, moradia e alimentação dignos, como acesso à educação de qualidade, emancipadora, e ainda de um amanhã que seja um pouco melhor do que o dia de hoje, dia no qual, nos resguardamos em nossa pequenez e juntamos sonhos, forças e coragem para mais desafios.
Roteiros de Cicloturismo em Portugal
Texto e fotos: Pisa Trekking
Cicloturismo a Caminho do Algarve (Bicicleta de Estrada)
Este incrível passeio tem início em Sesimbra, uma charmosa vila situada a 30 km de Lisboa, onde pedalamos até uma adega e podemos aprender tudo sobre o famoso vinho Moscatel de Setúbal, e também fazer uma degustação. Depois entramos numa das áreas mais belas do sul de Lisboa - o Parque Natural Arrábida. Num dos lados do parque vemos paisagens de deslumbrante vegetação mediterrânica, e do outro lado a maravilhosa costa com praias de fácil acesso, onde a areia fina e a água límpida do mar nos oferecem fortes contrastes de cores.
Pedalamos ao longo da costa de Setúbal, e depois de atravessar o rio Sado, chegamos a Tróia e depois Sines, onde começa o Parque Natural do Sudoeste Alentejano e Costa Vicentina. Esta paisagem do sudoeste tem milhões de anos e é uma das paisagens mais bem preservadas da Europa; a intervenção humana é muito pouco visível ao longo da extensa história da região. Outrora submersa (há cerca de dois milhões de anos), esta é uma vasta área com muitos habitats costeiros diferentes, com inúmeras praias e falésias.
Os passeios diários incluem a ida às belas praias deste Parque Natural, onde é possível se refrescar nas águas límpidas do mar. Muitas falésias e ilhotas tornam o cenário ainda mais bonito. Esta área contém uma diversidade de espécies botânicas raras, com uma flora muito interessante e uma variedade de aves marinhas que aqui nidificam. O Cabo de S. Vicente é ponto de passagem para milhares de aves de rapina. Este passeio também vai a Sagres, que é a cidade mais a sudoeste do continente europeu, e local de onde os nossos bravos antepassados partiram nas caravelas em busca de novos povos e continentes. Finalmente, teremos oportunidade de visitar algumas das praias do famoso Algarve e a cosmopolita cidade de Lagos. Esta é uma das cidades mais antigas do Algarve. Ainda são visíveis os restos da muralha que rodeava a cidade, protegendo-a contra os piratas que vinham do norte da África.
No Caminho de Santiago de Compostela (Bicicleta Híbrida)
O Caminho de Santiago de Compostela não é um roteiro turístico como os outros, onde pedalamos por locais fantásticos com vistas magníficas. Neste passeio, fazemos o Caminho para Santiago de Compostela, uma cidade localizada no centro da província de Galiza, no norte da Espanha. É um caminho que envolve história, beleza, crença e de fé.
Desde o século IX, este caminho já foi percorrido por milhares de peregrinos. Não há apenas um caminho para Santiago de Compostela: existem vários, pois a ideia é chegar à Catedral.
Originalmente, foi percorrido por devotos, pessoas do povo, clero e nobreza; ainda hoje é percorrido não apenas a pé, mas também de bicicleta, por pessoas vindas de todas as partes do mundo, por diversas razões. No trajeto, trilhos de terra batida, ruas estreitas e veredas. Este roteiro percorre o Caminho Português para Santiago, também chamado "Caminho Medieval". O passeio começa na Catedral de Braga, na cidade que era chamada Bracara Augusta no tempo dos romanos; percorre inúmeros trilhos e veredas, antigas estradas romanas, densos bosques, atravessa pequenas pontes de pedra, percorre caminhos e estradas por entre casas, atravessa ribeiros e serras. Muitos trechos do caminho original foram asfaltados.
Praias do Alentejo (Bicicleta Mountain Bike)
O Parque Natural do Sudoeste Alentejano e Costa Vicentina estende-se ao longo da costa portuguesa e é ladeado pelo Oceano Atlântico. Ali, as falésias são muito altas: atingem quase 100 metros. Muitas rochas e ilhotas isoladas completam este belo e singular cenário. Atravessamos uma densa floresta de sombreiros num sobe e desce constante.
Nos sentimos sozinhos com a natureza, num ambiente mediterrânico onde temos a noção de que não existe ninguém a nossa volta, até chegarmos ao mar. Além da diversidade de espécies botânicas raras da costa oeste, dos restos da muralha que rodeava a antiga cidade de Lagos, podemos visitar um forte antigo, também em Lagos, e o Mercado de Escravos que foi convertido numa galeria de arte.
Quem leva?
A Pisa Trekking promove estas viagens a Portugal em várias datas durante o ano.
www.pisa.tur.br
CORUPÁ - SC
No Caminho das Águas
Texto e fotos: Paulo de Tarso
Para quem gosta de conhecer novos lugares a bordo de sua bike, não pode deixar de conhecer a cidade de Corupá, em Santa Catarina, perto da divisa com o Paraná, distante 130 km de Curitiba. A pequena cidade nasceu como Hansa Humbold, em homenagem ao famoso naturalista alemão, viajante incansável e pioneiro na descoberta de muitas belezas de nosso país. No final dos anos 40, porém, o clima hostil contra os alemães, provocado pela II Guerra Mundial, levou os moradores a trocar o nome da cidade para Corupá, que na linguagem indígena significa “lugar de muitas pedras”.
A pequena e pacata cidade de Corupá, colonizada por alemães, suíços, italianos e poloneses, ainda hoje guarda as marcas desta mistura de culturas, que se evidencia na comida, na língua e nas construções. Tem 15 mil habitantes e em sua economia destaca-se o cultivo de bananas.
Para os amantes do mountain bike, o lugar oferece uma infinidade de roteiros para todos os gostos e níveis, sempre percorrendo lugares de extrema beleza. O que mais chama a atenção de quem visita a cidade de Corupá são as inúmeras cachoeiras espalhadas pela região.
Na Rota das cachoeiras
Este é o caminho mais conhecido por qualquer pessoa de Corupá. Até o local das cachoeiras, são 14 km de estrada de terra muito boa e de um visual de encantar qualquer um. Vá curtindo a paisagem, mas sem deixar de lado a atenção com os carros. Aliás, esse foi o único ponto negativo da cidade. De todos os lugares até hoje percorridos pelo Sampa Bikers, Corupá é a cidade onde menos parece se respeitar os ciclistas. Um dos motoristas chegou a dizer: "Ainda passo por cima de um." Então, muito cuidado.
Antes de pegar a estradinha de terra, conheça o Seminário da cidade, um local bastante arborizado e com uma arquitetura muito bonita. Seguindo pela estradinha de terra, pode-se observar o grande número de bananeiras e muitas casas de madeira construídas no estilo bem europeu. No km 6,69 tem um pé de carambola que certamente é parada obrigatória. Até chegar nas cachoeiras, a estrada é bem sinalizada, sempre indicando “Rota das Cachoeiras” e “Parque Ecológico Emílio F. Battistella”. Seguindo essas indicações, e depois de algumas subidas, chegamos ao parque, onde você vai encontrar restaurantes, banheiros e churrasqueiras.
A partir daí, a bike fica de lado. É que para conhecer as 14 quedas de água é preciso caminhar quase três quilômetros e subir mais de 500 metros, dentro de uma reserva ainda bem preservada de Mata Atlântica. Mas não desista, o esforço é recompensador, pois a última queda, a Cachoeira do Salto Grande, é a maior e a mais bonita, com suas águas caindo a 125 metros de altura.
Depois da dura caminhada talvez você não tenha mais pernas para completar o circuito proposto. Se você estiver cansado, nem pense em continuar: volte pelo mesmo caminho, pois é praticamente todo em descida; mas se optar em seguir a planilha, a pedalada vai ficar ainda melhor.
Descendo a estrada da cachoeira, vire à esquerda, são quatro quilômetros de subida até o asfalto. A estrada é linda, toda coberta pela vegetação de Mata Atlântica. Em alguns trechos podemos observar a linda paisagem no fundo e atravessar pedalando pequenos riachos que cortam a estrada. Chegando ao asfalto, recarregue as caramanholas na bica d’água e prepare-se para uma nova etapa do passeio. Com cuidado, atravesse a rodovia em direção à igreja, respire fundo e despenque morro abaixo. A estrada, de tão abandonada, parece um single track, então muito cuidado com os buracos, porque a todo instante você corre o risco de levar um chão.
Após cerca de cinco quilômetros de descidas de tirar o fôlego, a estrada melhora e continua alternado com subidas e descidas escorregadias. Depois de muito pedal e de uma boa caminhada, finalizamos o passeio no loca de saída, em frente à praça da cidade, chamada “Praça das Bicicletas”.
Roteiro do Braço Esquerdo
O segundo dia é mais light. A dica é conhecer o lado direito da cidade, popularmente conhecido como “braço direito”. O local de saída é o mesmo, em frente à praça. Saímos à direita, e no final da avenida entramos à esquerda, seguindo a rua até o fim. De lá, viramos à esquerda e seguimos sempre pela estrada principal. Nossa primeira parada, depois de seis quilômetros no plano, é na usina desativada. O local é outro paraíso, ideal para gostosos mergulhos. Depois de aproveitar bem, zere o odômetro e volte pelo mesmo caminho. Suba à direta, entre as bananeiras. Bem no final da subida vire tudo à esquerda e desça a estrada. No final da descida, entre à direita e siga a estrada até o fim. Você chegará no Bar Cachoeira, que é o ponto de acesso para outras lindas cachoeiras e para muitas grutas. Até chegar na cachoeira mais bonita, são 1500 metros de subida forte, por uma estrada de terra bem ruim, difícil de subir pedalando devido às erosões e inúmeras pedras existentes. É um trecho que exige muita técnica e preparo físico. Na volta, a descida é animal! No final da subida, a estrada se divide em duas trilhas. Se subir de bike, guarde-a e vá a pé pela trilha da esquerda: seguindo o barulho das águas, você chegará em mais uma linda cachoeira de Corupá.
INFORMAÇÕES ÚTEIS
Como chegar: O caminho mais comum para quem vem de Florianópolis ou Curitiba é pela BR-101. No trevo com a SC-280 siga em direção a Jaraguá do Sul. De Jaraguá do Sul até Corupá são 18 km.
Outro caminho é pela BR-116. Para quem vem de Curitiba são 50 km rumo ao sul, entre à esquerda na estrada do Mato Preto, sentido São Bento do Sul.
O que levar: Repelente é item obrigatório sua bagagem. Se você pretende caminhar e pedalar no mesmo dia, leve um bom tênis para as caminhadas, pois fazer este percurso com as sapatilhas é perigoso, escorrega muito.
Onde ficar: Tureck Garten Hotel. Tel (47) 3375 - 1482.
O Sampa Bikers realiza esta viagem no mês de outubro. Informações: www.sampabikers.com.br.
Cordel Lu e os Amigos de Bike
Texto: Oscar Pinto
Agora vou contar a história
De uma trajetória de glória:
Da ciclista Lucia Saraiva.
Causa inveja e até raiva
Em quem não é capaz
De fazer o que ela faz.
Não conhece o que é o medo
Começou ainda muito cedo
A pedalar na tal magrela
E ninguém pedala como ela.
Até menino, homem ou rapaz
Come poeira, ficando pra trás.
Pois essa mulher arretada
Juntou gente para bicicletada
Criando Os Amigos de Bike
Nome em inglês. Do you like?
Juntou gente de toda idade
Pra pedalar pela cidade.
Com o parceiro Alexandre
Fez coisa de gente grande
Criando página na Internet
Que é hoje a grande vedete
Dos ciclistas brasileiros
E também do mundo inteiro.
Saindo a noite, semanalmente
Para a alegria de muita gente
No Aeroclube, Ponto do Açaí
Às nove horas, ou por aí...
Partem todos animados
Com trajetos bem variados.
Tem advogado, estudante
Nutricionista, comerciante
Professora, eletricista,
Engenheiro, jornalista,
Funcionário, funcionária
Costureira, estagiária.
Tem sergipano, tem baiano,
Carioca, cearense, paraibano,
Tem gente do sul e do norte
Todos unidos pelo esporte
Todos unidos pelo ciclismo
Com muito companheirismo
Na frente vai o Edson Vigo
Que também é grande amigo
Vai organizando o pelotão
Alexandre, Catatau, Mauricio
Nestor, Buga, Oscar, Clemente,
E cada dia aparece mais gente!
Tio Lu, Simas, Pavese, Carlão
Iean, Cláudio, Kleber Falcão
Também não falta celebridade
Sempre que está na cidade
“Silvio Santos”, em pessoa
Vem pedalar, numa boa.
Tem também o tal Guerreiro
Que é um bom companheiro
Mas é um cara peso-pesado
Deixa qualquer pneu arriado
Jorge do Apito, Acrísio, Valci
Perdoem-me todos que esqueci.
Agora é a vez das mulheres:
Lúcia, Vânia, Aninha Meireles
Tatiane. Alô, Alô ! - Terezinha!
Rita, Goretti, Lívia, Itaninha
Mary Gama , Zélia, Luciana
Elzira, Renata, Roseli, Tatiana
Entre os meninos e as meninas
Há uma coisa que não anima:
Existe uma certa desproporção
É preciso equilibrar a equação
Afinal quem é que não quer
A presença marcante da mulher?
Que venha então a mulherada
Participar mais da bicicletada
Encher de beleza a cidade
Com charme e sensualidade
Mostrando a sua energia
Trazendo a sua alegria.
E para o deleite dos poetas
Chefa Lu reúne as bicicletas
Para o Pedal da Lua Cheia
Em Pituaçu, logo após a ceia
Num local de rara beleza
Um santuário da natureza.
E como se não fosse bastante
Lu criou outra coisa importante:
A comissão de Ciclo-Ativistas
Pela segurança dos ciclistas
Um exemplo de cidadania
Para ser seguido a cada dia.
Termino tão singela homenagem
A esta mulher de fibra e coragem
Com uma proposta encantadora
Tornou-se nossa guia e protetora
Trazendo para todos a alegria
Rainha dos ciclistas da Bahia!
www.amigosdebike.com
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EDITORIAL
Elas estão em todos os lugares. Lugares antes eminentemente masculinos. Com seu charme, delicadeza e determinação, a mulher tem mostrado seu valor e conquistado o seu espaço na sociedade. Mas nem sempre foi assim... Houve um tempo em que elas não podiam nem andar de bicicleta e tiveram que conquistar esse direito.
Essa história é tão espetacular que nos levou a dedicar esta edição quase que exclusivamente a elas. Em Mulher e Bicicleta: Nem sempre foi assim..., veja como o envolvimento das mulheres do século XIX com a bicicleta auxiliou nos movimentos femininos. Em Bom dia, boa vida!, Bianca Fernandes apresenta uma regrinha matemática infalível. Pedro Cury apresenta as principais diferenças entre bikes masculinas e femininas em Bikes Femininas: ciência ou marketing? e apresenta os resultados do Teste Scott Contessa Scale 20, com participação de Manuela Vilaseca.
Cláudia Franco escreve sobre dois temas que geram muitas dúvidas às mulheres: Pedalar não dói! e Vestimenta e acessórios. Álvaro Perazzoli relata sobre o Mercado feminino de bicicletas, na coluna Bike Bussiness. Para as mais apaixonadas, Ana Vivian mostra como foi seu casamento sobre rodas em Ó os noivos! Confira também a incrível expedição de Zander entre Lhasa e Kathmandu, o roteiro de Pólo Cuesta em São Paulo e a cobertura das principais competições nacionais e internacionais, inclusive o Giro d'Itália.
Viva Bicicleta!
ABREASPAS
"A dor é temporária. Desistir dura para sempre."
(Lance Armstrong, ciclista norte-americano)
“A bicicleta é o transporte mais civilizado que o homem conhece. Outras formas de transporte aumentam nossos pesadelos, diariamente. Apenas a bicicleta permanece pura de coração.”
(Iris Murdoch, escritora e filósofa irlandesa, em seu romance O Vermelho e o Verde)
"Eu costumava trabalhar em um banco quando eu era mais jovem, e para mim não importava se estava chovendo ou o sol estava brilhando, sempre ia de bicicleta. Quando estou pedalando, eu sei que eu sou o cara mais sortudo do mundo."
(Mark Cavendish, ciclista de estrada britânico)
"A bicicleta é um meio de você se libertar sobre o que a televisão prega, que é comer, beber, fumar e gostar do Ronaldinho. Então desliga a TV e vai pedalar um poquinho."
(Domingos Gatti, cicloativista de São Paulo)
“Uma das melhores coisas que acabei aprendendo por estar envolvida com um ciclista é que a bicicleta realmente cria momentos de solidão para você refletir sobre tudo, e nenhuma outra pessoa pode chegar nesse ‘porão’ que existe em você.”
(Sheryl Crow, cantora norte-americana, sobre sua ex-relação com o ciclista Lance Armstrong)
Em 2011, o governo federal divulgou uma nova ação em relação ao Caminho da Escola: a doação, pelo FNDE, de bicicletas para municípios com até 5 mil alunos matriculados na rede pública de educação básica. Em maio, foi divulgada a lista dos primeiros 81 municípios beneficiados, num total de 30 mil bicicletas. Até o fim deste ano, o governo espera beneficiar 300 municípios com a doação de 100 mil bicicletas e capacetes.
São dois tipos de capacetes, para crianças maiores e menores. Ambos são fabricados com poliestireno expandido (EPS) de alta densidade, próprio para absorver impactos, e o casco externo é revestido em policloreto de vinila (PVC), material que funciona como deslizante. Ainda possui, na parte interna, espumas removíveis, com tecido lavável, tratamento antialérgico e que proporciona alta absorção de suor. O pregão eletrônico dos capacetes já foi realizado e a ata de registro de preços está em vigência até fevereiro de 2012. Os municípios interessados também podem aderir ao pregão para comprar os capacetes com recursos próprios.
No dia 30 de maio, ao comentar a entrega das bicicletas, a presidenta Dilma Rousseff citou a possibilidade de criação do que chamou de cultura do ciclismo no país. No programa semanal de rádio, Café com a Presidenta, ela também cobrou a participação dos prefeitos na construção de ciclovias que dêem segurança aos estudantes. “É um meio de transporte que não polui e ainda permite a prática de uma atividade física. Ir para a escola de bicicleta é uma atividade saudável. Agora, tem que ter segurança”, disse. “Se as prefeituras adotarem essa prática, construindo ciclovias, eu tenho certeza que veremos muitas outras bicicletas circulando pelas ruas, e não apenas as do governo”, completou.
A bicicleta não vai salvar o mundo; o marketing vai
Bacana. 'Cool'. Desejável. Descolado. Rápido. Simples. Fácil. Sustentável. Quem não quer ser assim? Quem não quer se sentir assim, nos dias de hoje?
Temos um abismo enorme entre quem tem um interesse profissional nas questões de sustentabilidade e o resto da sociedade. Para persuadir o público em geral a ser mais sustentável são necessárias ferramentas totalmente diferentes. São motivações completamente diferentes.
Estamos dia após dia tentando convencer as pessoas de que elas podem ter ou comprar produtos mais sustentáveis, a consumir menos, a mudar seu estilo de vida, a viajar de outras formas. Tudo isso são mudanças de comportamento. E comportamento, meus amigos, é marketing.
A verdade é que somos feitos de marketing. Pode até parecer óbvio. E é! O que as ferramentas de marketing fazem? Falam com as pessoas sobre o que elas sentem, pensam, precisam, ou até acham que precisam. Descobrem seus desejos mais íntimos e com o que estão preocupadas de fato.
Então, se formos falar de sustentabilidade, e se usar bicicleta é ser sustentável, estamos falando de pessoas. Pessoas são mais importantes. Meio ambiente? Consequência. Lucro? Mera consequência.
Porque a bicicleta não vai salvar o mundo. As pessoas é que vão. E pessoas respondem a motivações como economizar dinheiro, se divertir, ter hobbies, ser agradável aos olhos e seguir aquelas pequenas convenções sociais as quais todos nós nos submetemos, em maior ou menor grau.
Números às vezes são melhores argumentos. Em Copenhague, cidade dinamarquesa considerada a capital mundial da bicicleta, quase 40% das pessoas usam apenas a bicicleta como veículo, todos os dias, para ir ao trabalho, faculdade ou escola. Ao serem questionadas sobre suas motivações, módicos 1% declararam usar a bicicleta por questões ambientais. Estamos falando de Europa, meus amigos, onde 82% dos europeus se dizem "muito preocupados" com o futuro do planeta.
Estranha ironia, certo? Vamos parar então de falar em sustentabilidade, mudanças climáticas e economia de baixo carbono? É claro que não! Podemos falar sim de outras maneiras, com a linguagem que as pessoas entendem, do que elas são feitas: marketing.
O que é mais importante? As razões que levam alguém a optar pela bicicleta, reciclar seu lixo ou se preocupar com a procedência do que ela compra, ou que ela pelo menos faça isso? O PORQUÊ ou o FAZER?
Será que não é hora de mostrar que a bicicleta pode ser irresistível, e deixar um pouco de lado a preocupação sobre o porquê? Porque elas são bonitas, leves, simples, fáceis, divertidas, cool, descoladas, sustentáveis, baratas, rápidas, acessíveis, ecológicas, verdes, azuis ou amarelas. De verdade? Não importa! Quero é ver mais pessoas de bicicleta por aí, porque pedalando o mundo gira.
Bike Bus
Muitas crianças vão para a escola de ônibus, mas estes emitem grande quantidade de gazes nocivos ao meio ambiente. Na escola, as crianças aprendem sobre sustentabilidade, como cuidar do planeta e da saúde. É claro que o ônibus permite que muitas crianças, principalmente de áreas rurais e distantes da escola, tenham acesso ao aprendizado, mas a teoria e a prática estão distantes, não é?
Pensando nisso, a companhia holandesa De Cafe Racer criou o bikebus: um ônibus em que os alunos pedalam em direção à escola, acompanhados de um adulto que dirige o veículo. Além de manter as crianças na ativa, o veículo não polui e ainda ensina conceitos de meio ambiente e trabalho em equipe.
Kassab e a vice-prefeita de Paris, Anne Hidalgo, assinaram um acordo de cooperação para ampliar o intercâmbio de experiências nos setores de Desenvolvimento Urbano, Cultura, Tratamento de Resíduos e Saneamento. Robert Zoellick, presidente do Banco Mundial, anunciou a criação de linhas de financiamento para projetos ambientais, facilitando o acesso das cidades aos recursos disponibilizados para ações sustentáveis. Michael Bloomberg e Gilberto Kassab também assinaram um acordo de cooperação bilateral com o compromisso de fortalecer os laços entre as duas cidades.
O uso da bicicleta como alternativa de transporte foi tema entre as palestras do C40. O prefeito de Copenhague, na Dinamarca, Frank Jensen, comentou que, em sua cidade, 50% dos quase 2 milhões de pessoas pedala para ir ao trabalho ou à escola. Frank destacou que há 350 km de ciclovias. "Andei de bicicleta e fiquei com medo", declarou o dinamarquês após pedalar em São Paulo. "É preciso investir em soluções seguras para as ciclovias e é preciso que São Paulo invista em ciclovias", finalizou.
Clover Moore, prefeita de Sidney, na Austrália, também destacou a bicicleta como importante fator de redução da poluição. Clover revelou que Sidney está comprometida em reduzir, até 2030, 70% das emissões de gazes, e vai investir em vias para ciclistas como principal meio de diminuir a poluição dos veículos motorizados.
Lançamento do 1º Circuito de Cicloturismo do Rio de Janeiro
Santa Maria Madalena, município do Rio de Janeiro, é sede do 1º Circuito de Cicloturismo do estado, a "Volta do Desengano", com um percurso de 188 km em torno do Parque Estadual do Desengano. O circuito é previsto para ser percorrido em três dias, saindo de Santa Maria Madalena, passando por São Fidélis, Campos dos Goytacazes, retornando ao local de partida.
Santa Maria Madalena possui 815 km² de área, sendo um dos maiores e mais antigos municípios do Rio de Janeiro. Pouco mais de 10.000 habitantes constituem sua população, sendo que cerca de 5.530 vivem na área urbana. As primeiras notícias sobre esta região remontam a 1835, mas sua emancipação veio em 08 de junho de 1862. Sua economia está embasada na agropecuária, mas o turismo vem ganhando força e demonstrando maior potencial para o desenvolvimento econômico e social do município.
A cidade é berço de personalidades, conhecida nacionalmente como "terra de Dercy Gonçalves." Está situada em uma região serrana, a 632 metros de altitude, com um rico conjunto urbano-paisagístico formado pelo casario em estilo colonial cercado pela vegetação serrana, que levou Santa Maria Madalena a ser reconhecida como Cidade Histórica pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional - IPHAN.
Ar puro, trilhas, montanhas e cachoeiras unem-se a pousadas aconchegantes, à saborosa comida típica da região e a um rico calendário de eventos que oferecem o melhor para o turismo cultural, o ecoturismo e esportes na natureza. Sediada numa região naturalmente exuberante, com afloramentos rochosos esculturais em abundância, Santa Maria Madalena foi eleita como Cidade da Geologia do Estado do Rio de Janeiro, pois apresenta todos os requisitos para ser o pólo da discussão geológica fluminense. Compondo este ambiente está um dos melhores climas do país com temperaturas que veriam entre 6 e 35 °C, favorecendo o turismo e a qualidade de vida durante o ano inteiro.
O projeto tem apoio da Prefeitura de Santa Maria Madalena, da Federação de Ciclismo do Rio de Janeiro, do Instituto Estadual do Ambiente - INEA, da Via Pedal, do Clube de Cicloturismo do Brasil e do Conselho de Turismo de Santa Maria Madalena.
O Parque Estadual do Desengano
O Parque Estadual do Desengano abrange uma área de 22.400 hectares e constitui o último grande remanescente contínuo de Mata Atlântica da Região Serrana, abrangendo os municípios de Santa Maria Madalena, Campos dos Goytacazes e São Fidélis. O Parque possui grande riqueza de biodiversidade, com raras espécies da fauna e flora. Seu relevo apresenta campos de altitude, grandes montanhas como o Pico do Desengano (1760m.), diversos rios, cachoeiras e florestas densas e preservadas.
No parque foi observado o Muriqui, o maior primata das Américas, altamente ameaçado de extinção. Esta descoberta atraiu a atenção da comunidade científica nacional e internacional e motivou investimentos em pesquisa e atividades conservacionistas.
A importância do Parque para a região representa as possibilidades de proteção da biodiversidade e manutenção dos serviços ambientais que junto às iniciativas de turismo sustentável poderão promover a melhoria da qualidade de vida no meio rural e urbano, a proteção de seus recursos bem como o desenvolvimento social, econômico e ambiental dos municípios que fazem parte do parque.
Projeto Aura
Fotos: Divulgação
Dois estudantes de desenho industrial da Universidade Carnegie Mellon, nos EUA, Ethan Frier Ota e Jonathan desenvolveram o Projeto Aura. Trata-se de um sistema de iluminação com o uso de LEDs adaptados na roda da bicicleta.
Conforme a velocidade aplicada, as luzes mudam de cor. Quando a bike está diminuindo a velocidade, as luzes nas rodas ficam vermelhas, e conforme a velocidade vai aumentando, as luzes ficam mais claras, até chegar na cor branca. O protótipo funciona com um dínamo que fica no cubo dianteiro e a justificativa dos seus criadores é de que o acessório funciona muito bem como identificação do ciclista e alerta para os motoristas.
Passeio Ciclístico na Floresta reuniu mais de 100 ciclistas
Texto: Clayton Palomares
Fotos: https://picasaweb.google.com/101332905304779212871/PasseioCiclisticoDoMeioAmbiente05062011#
Passeio Ciclístico do Dia Mundial do Meio Ambiente, realizado pela FPMTB, reuniu mais de 100 ciclistas que pedalaram por trilhas e estradas dentro da Floresta Estadual Edmundo Navarro de Andrade (FEENA)
A FPMTB – Federação Paulista de Mountain Bike, em parceria com a FEENA – Floresta Estadual Edmundo Navarro de Andrade e a loja Sport Bike, realizaram no dia 05 de junho, um passeio ciclístico em comemoração ao Dia do Meio Ambiente.
Mais de 100 ciclistas se reuniram a partir das 8h30min em frente à Floresta para saírem rumo às trilhas e estradas da unidade de conservação que abriga a segunda maior floresta de eucaliptos do mundo.
A atividade foi gratuita e fez parte da programação de eventos do “Dia Mundial do Meio Ambiente” que aconteceu dentro da Floresta durante todo o domingo, com shows musicais, exposição de artes, flores e produtos naturais, peças teatrais, atividades de recreação e lazer para a criançada e muitas outras atividades para jovens e adultos.
A pedalada foi dividida em dois grupos: “funn” e “expert”. O grupo “funn” reuniu crianças, jovens, adultos e idosos de ambos os sexos e percorreu um trajeto de 4 km por estrada perenizada que leva ao lago. Já o grupo “expert” reuniu cerca de 20 ciclistas mais experientes e pedalou 15 km por trilhas e estradas de terra no interior da Floresta, com paradas nos pontos onde serão implantadas as trilhas interpretativas de mountain a partir deste ano.
Ambos os grupos se encontraram em frente à lanchonete da Floresta, onde a FPMTB conversou com os ciclistas e sorteou brindes da Sport Bike após a pedalada.
Pedalando e Velejando pelo Brasil
Texto e fotos: Felipe Aristides Caire
A partir de julho, a Mistralis, com seus instrutores e um grupo de até oito participantes, ingressam na Expedição Mistralis – Pedalando e Velejando, que terá início no litoral baiano e se estenderá de Fernando de Noronha a Buenos Aires.
Desde 2004, a Mistralis realiza travessias oceânicas pelo Brasil, e este ano, as bikes foram incluídas durante alguns percursos. Com a bicicleta, é possível ver as belezas e os encantos de nossa costa, aproveitar a refrescante sombra de um coqueiro e descansar na beira da praia. Para se aventurar em terra firme, surgiu a ideia de pedalar em alguns trechos do litoral que antes eram vistos apenas velejando.
Como surgiu a ideia?
Durante oito anos, a empresa realiza travessias oceânicas pelo litoral brasileiro. São diversos trechos e embarcam pessoas que desejam curtir momentos de paz, que queiram vivenciar uma experiência diferente ou queiram simplesmente aprender um pouco sobre a vida a bordo e ainda conhecer lugares paradisíacos.
Mas era insatisfatório passar por lugares incríveis apenas velejando, sem poder desembarcar, já que muitos lugares não permitem o fundeio, seja pela falta de calado (medida entre a linha d'água e a parte mais profunda das embarcações), por não ser abrigado ou por colocar em risco nossa segurança.
Foi aí que surgiu a ideia de levar as bicicletas a bordo e conhecer esses lugares pedalando. A vida a bordo durante as travessias chega a ser sedentária, pois as atividades se resumem à navegação, regulagem das velas e coisas simples do dia a dia. Essa falta de exercício aeróbico faz as pessoas sentirem-se cansadas quando é preciso fazer força e resistência. Pedalar então foi a alternativa perfeita para fazer exercícios e conhecer lugares maravilhosos.
Capacete de papelão
O designer Anirudha Surabhi decidiu testar o poliestireno, material com que são feitos os capacetes convencionais. Seus resultados apontam que os capacetes protegem o ciclista em apenas 16% dos impactos, e a justificativa, segundo ele, é que a preocupação dos fabricantes está mais para a aerodinâmica do que para a proteção.
A alternativa que Anirudha propôs foi o Kranium: um capacete de papelão. Com base nos padrões britânicos, o designer comprovou que o seu capacete de papelão é quatro vezes mais resistente que os equipamentos convencionais, pois absorve mais energia ao colidir e possui maior durabilidade.
Para lidar com o problema da umidade, foi aplicado um composto de acrílico à prova d'água ao papelão utilizado. Outra novidade é a que o Kranium tem a proposta de ser customizado, sendo desenhado com base no escaneamento do crânio de cada usuário. Os dados são armazenados e um próximo capacete custaria bem menos.
Surabhi tinha expectativas de que o produto esteja presente no mercado neste ano de 2011, porém, apesar dos testes, ainda restam dúvidas quanto à veracidade da proclamada resistência do novo modelo de capacete.
Será que este capacete, mais leve e resistente, tem futuro?
Morre mais um ciclista no trânsito
Quantos ciclistas morrem por dia no trânsito brasileiro? Segundo o Mapa de Violência 2011: Acidentes de Trânsito, com base em dados do Sistema de Informações de Mortalidade - SIM, do Ministério da Saúde, em 2008, 1.615 ciclistas perderam a vida nas ruas de todo o Brasil.
Em São Paulo, a Secretaria Municipal de Transportes, em parceria com a Companhia de Engenharia de Tráfego - CET, aponta que a bicicleta é o modal que mais cresce na cidade, e medidas educativas, como o Programa de Proteção ao Pedestre, que prevê a conscientização e a mudança de comportamento com relação a quem é mais vulnerável no trânsito, e as próprias ciclofaixas de lazer são medidas que visam atender esse aumento no interesse da bicicleta de forma mais segura e eficaz. Mesmo assim, 49 ciclistas perderam a vida na maior cidade do Brasil, no ano de 2010.
A morte do empresário Antônio Bertolucci, presidente do Conselho de Administração do Grupo Lorenzetti, aos 68 anos de idade, reacendeu questões voltadas à segurança do ciclista no trânsito. Milhares de brasileiros enfrentam as ruas das cidades de bicicleta, intimidadas, inseguras, e quando pensamos nelas, pensamos em jovens e operários. Bertolucci era o oposto, e bem podia estar em um carrão com motorista particular, blindado aos riscos de um mero ciclista.
É justamente por este motivo que o empresário virou notícia: um homem rico e bem-sucedido morreu andando de bicicleta. De bicicleta? Ele virou manchete, mas não podemos esquecer que todos os dias há pais de família, mulheres, jovens e crianças que saem de casa com suas bikes e perdem a vida no trânsito. o que é necessário fazer para salvar mais de 1.600 vidas no próximo ano?
Infelizmente, os números do Mapa da Violência mostram que no período de 1998 a 2008 houve um aumento preocupante no número de óbitos por acidentes no trânsito, e uma mudança na estrutura dessas mortes.
A única notícia boa é que o número de mortes de pedestres diminuiu, mas ainda assim, 9.474 perderam a vida. No restante, a guerra do trânsito brasileiro duplicou os óbitos de ocupantes de carros e triplicou os óbitos de ocupantes de caminhões.
Grupo de ciclistas é atropelado por Rally de SUVs e JipesPara quem anda sobre duas rodas, a situação é ainda pior. O número de ciclistas que morreram em acidentes de trânsito quadruplicaram em 10 anos, elevando de 396 mortes em 1998, para 1.615 mortes em 2008. E, de forma trágica, a mortalidade dos motociclistas aumentou em quase 754% na década analisada.
Ao todo, 38.273 pessoas perderam a vida nas ruas brasileiras em 2008, por motivo de acidentes de trânsito: número equiparado a muitos conflitos armados. Entre 100 países analisados no relatório do estudo, o Brasil é o 10° colocado.
Enquanto as taxas desse verdadeiro massacre crescem consideravelmente, ano a ano, as soluções parecem distantes. É preciso conscientização, direção defensiva, educação no trânsito, prudência e punição. Mas acima de tudo, é preciso que as vias sejam mais humanizadas. O valor de uma vida não pode vir depois da pressa, da força do motor ou da imprudência de bêbados. Não podemos simplesmente virar as costas e fugir dessa realidade, como muitos fazem no trânsito, fogem sem prestar socorro.
Segundo as preferências no trânsito, o caminhão deveria cuidar do carro. O carro cuidar da moto. A moto cuidar da bicicleta. A bicicleta cuidar do pedestre. O maior e mais forte cuidando do menor e mais fraco. Será essa a saída para a barbárie que existe no trânsito?
Casaco Neo Pro 2011
Casaco de última geração desenvolvido para atender as necessidades dos ciclistas em baixas temperaturas. Utiliza tecido 100% poliéster flanelado. Possui ação bacteriostática que inibe a proliferação de bactérias. Possui silk refletivo nas mangas e no bolso traseiro, para maior segurança à noite.
Preço Sugerido: N/D
www.damattadesign.com
SAPATILHA SPECIALIZED RIATA
Sucesso entre as mulheres, a Riata tem cabedal em camurça e tela com fôrma feminina e três tiras de ajuste. Com recursos Body Geometry, ela combina conforto e funcionalidade, a um preço acessível.
Preço Sugerido: N/D
www.specialized.com.br
Sapatilha Shimano SH-TR50W Branca
Para utilização no triathlon. Possui solado fibra de carbono rígido, tecido que controla a temperatura interna, estrutura do calcanhar reforçada, apenas uma correia para fixação e alça para facilitar na colocação da sapatilha. Feminina. Disponível do 36 ao 39 BR.
Preço sugerido: N/D
www.isapa.com.br
Sapatilha Shimano SH-TR51
Para utilização no triathlon. Possui solado fibra de carbono rígido, tecido que controla a temperatura interna, estrutura do calcanhar reforçada, apenas uma correia para fixação e alça para facilitar na colocação da sapatilha. Disponível do 38 ao 44 BR.
Preço sugerido: N/D
www.isapa.com.br
Sapatilha Shimano SH-TR71 Branco/Prata
Para utilização no triathlon. Possui Tecnologia Custom Fit, solado fibra de carbono rígido, tecido que controla a temperatura interna, estrutura do calcanhar reforçada, dupla correia para maior fixação superior e estabilidade dos pés e alça para facilitar na colocação da sapatilha. Disponível do tamanho 39 ao 45 BR.
Preço sugerido: N/D
www.isapa.com.br
Óculos Shimano Pulsar
Armação cinza com material Grilamid TR90 leve, resistente e durável. Lente fume espelhada. Material Lexan resistente. Proteção total UV 400. Tratamento especial antiembaçante e antirrisco.
Preço sugerido: N/D.
www.isapa.com.br
Bicicleta Chopper Rockway
Possui quadro curvo reforçado, guidão alto e curvo, pezinho, pneus largos 26x1.95 e 24x2.125, para-lama dianteiro e traseiro, selim largo e estilizado, freios dianteiro e traseiro, pedais flat, guia de proteção da corrente, roda dianteira aro 26” e traseira 24”, três marchas. Disponível em três cores.
Preço sugerido: N/D.
www.isapa.com.br
Bomba Zéfal Mini Jet
Com material thermo plástico, bico presta / Schrader, suporte para fixação no quadro, 6bar/87PSI. Comprimento 230 mm. Peso aproximado de 90 g. Cores disponíveis: amarelo, azul, cinza, preto, vermelho.
Preço sugerido: N/D.
www.isapa.com.br
Quadro MTB GTI MESA
Material em alumínio 6061. Caixa de direção integrada. Encaixe para freio V-Brake e Disco. Medida do canote: 27,2mm. Triângulo traseiro do quadro “tipo snake”. Tamanhos disponíveis: 15 17 e 19” em quatro versões de cores.
Preço sugerido: N/D.
www.isapa.com.br
Capacete MTB Limar 911
Para utilização na cidade ou em trilhas. Contém viseira removível e 37 entradas de ar. Peso aproximado em 290 g. Ajuste para melhor fixação. Dois tamanhos disponíveis. Procedência italiana.
Preço sugerido: N/D.
www.isapa.com.br
Capacete Infantil Limar 149
Várias estampas. Peso aprox. 210 g. Oito entradas de ar. Almofadas internas confortáveis e laváveis. Ajuste na traseira para melhor fixação. Tela interna para proteção contra insetos. Procedência italiana. Tamanho 50 - 57 cm.
Preço sugerido: N/D.
www.isapa.com.br
Selim de Carbono Turnix TR da linha Shimano PRO
- Ponta extra almofadada para posição aerodinâmica.
- Cobertura em pele com almofadado de espuma de alta densidade.
- Base em nylon com reforçado para rigidez aumentada.
- Carris totalmente em carbono sobredimensionados leves e robustos.
- Disponível em três versões: Turnox (almofadado padrão).
- Medidas: 275 X 130 mm.
- Cor: preto ou branco.
- Peso: a partir de 170 g.
Preço sugerido: R$ 445,00.
bike.shimano.com.br
Fita para guidão em gel
Fita EVA padrão com camada em gel anti-impacto no verso. Leve e com boa flexão para fácil envolvimento. Inclui topos e tiras adesivas PRO para extremidades. Disponível em branco, preto, preto-carbono, cinzento, flor, azul-flor, rosa-flor.
Preço sugerido: R$ 39,00
bike.shimano.com.br
Ciclo-computador SX4-W
Pequeno, fino, elegante, inteligente e sem fios. Oferece sete funções (velocidade, velocidade máxima, velocidade média, distância, odômetro, tempo de condução, relógio). Visor e dígitos grandes para ótima visibilidade. Inclui duas peças de suporte pequenos e de baixo perfil (uma para guidão e uma para o avanço). Disponível em preto-prata, branco-prata, amarelo-preto, rosa-branco.
Preço sugerido: R$ 135,00
bike.shimano.com.br
Bolsa para Rodas Venzo
A LM Bike traz, com exclusividade para o Brasil, a bolsa para rodas Venzo, uma das marcas mais conceituadas do segmento de bicicleta no mundo. De excelente qualidade e durabilidade, a bolsa para rodas Venzo é revestida com uma almofada de proteção que lhe dará maior segurança no transporte de seu equipamento. Confeccionada em PVC de alta resistência, a bolsa possui um compartimento duplo, possibilitando a acomodação de até duas rodas.
Preço sugerido: N/D.
www.lmbike.com.br
Mesa Trigon HSA 01
Construída em liga de alumínio forjada 7050 3D e envolvida em carbono proprietário Venus C8™, a mesa Trigon HSA 01 é super rígida e possui ainda seis parafusos em titânio, tornando-se uma das mais leves do mercado. Para Estrada ou MTB. Peso: 100 g para o tamanho 90 mm. Disponível também com acabamento em carbono 3k envernizado.
Preço sugerido: R$ 340,00
www.probiker.com.br
Manopla Hexagon Fluor para Bike
Produzida em material Bicomponente. Na parte interna é injetada em material mais rígido para uma aderência melhor no guidão, e na parte externa é produzida em material mais macio com duas durezas: “35” mais resistente e “25” mais macio para mais grip e conforto. Possui ponteiras resistentes com duas braçadeiras em metal para fixação no guidão, evitando que a manopla gire, garantindo segurança e facilitando a troca e limpeza. Acompanha parafusos e chave Allen para instalação.
Dimensão: 134mm
Preço sugerido: N/D.
www.circuit.com.br
CASACO THERMOSKIN - MASCULINO E FEMININO
Casaco com abertura frontal em zíper e mangas longas tipo raglan que pode ser usado como segunda pele, mantendo o corpo seco e aquecido em ambientes de baixa temperatura. Design anatômico que garante liberdade de movimentos com costuras desenvolvidas para garantir resistência e conforto em qualquer atividade física. Internamente, seu exclusivo tecido bifuncional é aveludado e macio. Sua tecnologia proporciona alta absorção da umidade corporal e rápida evaporação. Outra vantagem do ThermoSkin é o tratamento com Sanitized® Silver freshness feito diretamente no tecido, à base de íons de prata, que impede a proliferação de diversas bactérias, mantendo a roupa livre dos odores da transpiração.
Preço sugerido: R$ 180,00
www.curtlo.com.br
BICICLETA JET
Quadro dobrável em alumínio. Câmbio Shimano Tourney com seis velocidades. Aro 20. Bateria de Lithium 36v, 10 Ah. Motor 350 watts. Modo acelerador ou assistido. Autonomia de 45 km no modo assistido.
Preço sugerido: R$ 3.360,00
www.blitz.com.br
BICICLETA ELETRON
Quadro confort em alumínio. Câmbio Shimano Tourney com seis velocidades. Aro 26. Bateria de Lithium 36v, 10 Ah. Motor 350 watts. Modo acelerador ou assistido. Autonomia de 45 km no modo assistido.
Preço sugerido: R$ 3.600,00
www.blitz.com.br
KIT PLÁSTICO ARO 16 ROSA C/ GLITER
Buscando por inovação, a Wester lança no mercado o kit plástico aro 16 rosa transparente com gliter.
Preço sugerido: N/D
www.wester.com.br
ESPRESSO
Seu pneu furou no meio da competição de triathlon? Ou enquanto você estava fazendo aquela trilha à noite com a sua MTB? Em menos de um minuto você pode reparar esse furo usando o inovador produto italiano Espresso, apropriado tanto para pneus com câmara tradicionais, como tubeless, tubulares ou clincher. Seu tubo de silicone flexível é encaixado diretamente na válvula Presta, evitando desperdícios. Fácil de usar até mesmo em rodas fechadas. Feito o encaixe do tubo, aperte a válvula e libere o selante. Repara pneus com tamanhos entre 700x20c (20-622) até pneus de 26x2.50 (62-559). Como ele não contém amônia, evita danos ao pneu, câmara ou aro.
Preço sugerido: R$ 60,00
www.labici.com.br
Suporte de parede
Fácil de ser montado, esse suporte de parede é feito em metal de alta resistência, e as garras giratórias possuem revestimento em borracha, evitando contato do metal com a bike. Ideal para limpeza e regulagem de câmbios e freios, pois a bike fica presa pelo quadro ou canote, e o pedal fica livre, permitindo o movimento das rodas. Serve para qualquer modelo de bicicleta, em virtude da grande amplitude de abertura da garra. É pequeno, pesa apenas 2,8 kg, e fácil de ser guardado, basta retirar a parte principal da base, que continuará na parede, sem atrapalhar o trânsito das pessoas pelo ambiente. Aconselhável para uso residencial ou profissional.
Preço sugerido: R$ 540,00
www.labici.com.br
RideOut
Prepare-se para muitos quilômetros de pedal usando o selim Carbon Comfort, desenvolvido pela RideOut Tech. Seu design ergonômico elimina pontos de pressão da área urogenital, transferindo o peso para os ísquios e eliminado dores, assaduras e danos aos nervos dessa região. Seu exclusivo sistema de suspensão em forma de arco distribui o peso do ciclista de forma homogênea, podendo ser usado por homens e mulheres de qualquer idade. Faixa refletiva na parte traseira que contribui para a segurança do ciclista. Leve e fácil de instalar. Para ciclistas com até 115 kg, que buscam conforto e performance.
Preço sugerido: R$ 360,00
www.labici.com.br
Pneu X-King
O novo X-King (chamado de Cross King) cobre completamente a lacuna existente entre o Race e o Mountain King. A carcaça de 2.4 " oferece uma absorção superior, mas continua sendo leve o suficiente para fazer uma boa exibição durante uma competição.
Este pneu, no entanto, mostra a sua verdadeira classe durante maratonas ou pedaladas prolongadas. O X-King é incrivelmente rápido nas trilhas, sejam terrenos duros ou soltos. Seu composto Black Chili oferece uma boa aderência e é autolimpante. Os cravos nas abas proporcionam estabilidade absoluta nas curvas feitas em alta velocidade. O X-King foi desenvolvido com os profissionais da equipe Ergon Topeak e é o pneu favorito do campeão alemão de XC Wolfram Kurschat.
Preço sugerido: N/D
www.royalpro.com.br
Como carregar seu equipamento em uma viagem
Texto: Antonio Olinto
Já encontrei com muitos cicloturistas pelo mundo; cada um tem seu próprio senso de necessidade de equipamento e de como carregá-lo. O cicloturismo é livre e eclético. Sinceramente, acredito que cada um deve escolher seu equipamento e como carregar, entretanto, gostaria de comentar alguns princípios básicos que, muitas vezes, são simplesmente leis da física.
Nunca carregue nada nas costas (nem mesmo água), tudo deve estar atado à bicicleta. Sei que muita gente gosta de utilizar mochila de hidratação, mas este equipamento é equivocado para o cicloturismo por vários motivos: primeiro, coloca o peso muito longe do centro de equilíbrio da bike; segundo, a mochila abafa e aquece as costas, o que pode até provocar escoriações com o tempo; terceiro, este é o local onde há maior incidência de raios solares em uma pedalada, o que aquecerá a água mais rápido do que em uma caramanhola no quadro da bike; quarto e mais importante, todo o peso colocado nas costas do ciclista é transferido para a parte que está apoiada na bike, ou seja, aquela região já tão sofrida chamada pelas crianças de “bumbum”.
É importante distribuir o equipamento para não desequilibrar a bicicleta ou forçar demasiadamente uma parte específica da bike. Quando fizer a distribuição, tente colocar o equipamento mais pesado sempre o mais baixo e o mais próximo possível do centro de gravidade da bicicleta, ou seja, do ponto onde está o movimento central - o eixo dos pedais. Desta forma, a bicicleta fica mais estável e com melhor dirigibilidade.
Por isto, geralmente os viajantes utilizam bolsas idênticas que ficam uma de cada lado do bagageiro e são chamadas de alforjes, como os usados pelos cowboys nos filmes de bang-bang. Mas cuidado, não encha a bike com muitas bolsas, é importante que o cicloturista seja capaz de carregar todo o seu equipamento sozinho e de uma só vez quando tudo estiver desmontado. Lembre-se que você poderá ter que caminhar para pegar um avião ou outro transporte público, talvez tenha que subir um lance de escadas para chegar ao seu quarto de hotel e, nestes casos, quem vai cuidar da outra metade de seu equipamento que ficou na rua?
Quando comecei minha volta ao mundo, utilizava um par de alforjes no bagageiro de trás e um par de alforjes em um bagageiro que mandei fazer para a parte da frente da bike (foto 0814 - França). Na frente, colocava as coisas de maior peso e menor volume, como ferramentas e livros. Atrás, colocava roupas, comida e barraca. Em cima do bagageiro de trás ia o saco de dormir e o isolante térmico (colchão). Desta forma, melhorava um pouco a aerodinâmica da bike.
Depois da volta ao mundo, nunca mais senti necessidade de alforjes na frente. Mesmo em grandes aventuras, como os 7 Passos Andinos, quando atravessei varias vezes o Atacama e fiquei até uma semana sem poder comprar comida, pude acomodar tudo em dois alforjes traseiros. Quando me perguntam se não desequilibra a bike em uma subida, por exemplo, respondo que se a subida for assim tão íngreme que a bicicleta empina, o melhor a fazer é empurrar a bicicleta, afinal ela pesa cerca de 45 kg.
O fato é que assim fazendo, economizo a estrutura de um bagageiro frontal e dos alforjes. Prefiro carregar o peso que só a estrutura representa, em água ou comida. Coloquei caramanholas no garfo e, juntamente com a bolsa de guidão, consigo equilibrar bem o peso entre a parte da frente e a de trás. (foto IMG_1102 e IMG_1651 - atual viagem pelo Peru)
A bolsa de guidão serve geralmente para colocar equipamentos delicados, pois ela não choca com nenhuma superfície rígida. Serve também para o visor de mapa, documentos e coisas de uso frequente, já que no geral é de fácil acesso e pode ser removida da bike com um “click”.
Atualmente, eu só faço vídeo e a Rafaela faz as fotos, nós carregamos as câmaras em pequenas pochetes, tendo em vista a dificuldade dos terrenos que costumamos enfrentar e a delicadeza de nosso equipamento. Isto fere o princípio de “nada nas costas”, mas as estradas que pegamos não perdoariam nosso equipo, que a rigor, é bem leve.
Outros colegas gostam de levar trailers acoplados à bike. Devo confessar que sou radicalmente contra, principalmente pelo peso da estrutura que, apesar de parecer pouco quando pedalamos no plano, pesam bastante morro acima. Alguns trailers têm rodas pequenas, fazendo-se necessário carregar peças de reposição específicas. Em um aeroporto, no ônibus, para subir uma pequena escada, você sempre terá que levar dois volumes. Isto tudo sem falar no problema que gera quando tem que enfrentar uma estrada enlameada que gruda no pneu: a força de arrasto nestes casos é incrível.
Somente em casos específicos o cicloturista deve optar pelo trailer: em grandes travessias sem abastecimento algum, ou então, como os suíços Cristopher e Catharine, =fotoIMG_1559 - Peru= que estão viajando com uma tandem que só tem local para quatro alforjes. Para não sobrecarregar ainda mais as rodas que já suportam duas pessoas e a bagagem, a solução foi utilizar um tipo muito ágil de trailer que nada mais é que uma roda extra igual a qualquer outra de bike. Por fim, o uso mais eficiente do trailer é como faz a Marcela, uma brasileira que viaja de bicicleta com seu filho Nahuel (de 1 ano e 10 meses). Neste caso, nada pode ser melhor que um trailer. =foto (escolher e pedir direto com ela) - trajeto Guia da Mantiqueira =
Em meu guia do Caminho da Fé, sugiro levar cerca de 7 kg de bagagem (mais as ferramentas e peças de reposição para a bicicleta), tanto para caminhantes como para ciclistas. Sei que escrevo para peregrinos; estas pessoas já sabem que o melhor é levar muito pouco em uma viagem, sabem também que ficarão todos os dias em pousadas e lavarão roupa diariamente. Então, por que tanta complicação? Aconselho arranjar uma mochila ou uma bolsa de nylon qualquer, envolver em um plástico forte e amarrar bem no bagageiro de trás da bike. Tenho certeza que este sistema simples não trará problemas.
As soluções mais simples podem funcionar muito bem. Veja como ficou a bike do Bruno, um francês que depois de ficar oito meses no Rio de Janeiro, decidiu ir de bike até Cuzco. Sem nenhuma experiência, ele comprou uma bike brasileira, pintou bem feio para evitar roubo e colocou um bagageiro de bicicleta cargueira. Encontrei com ele no último dia de sua viagem. Ele teve que trocar a roda e pneu no meio da viagem, mas estava bem feliz e realizado, afinal nunca esqueça que o melhor é viajar de bicicleta! =foto (IMG_2329)=
Nem sempre foi assim...
Texto: Anderson Ricardo Schörner
“Então as mulheres serão emancipadas pelo ciclismo?” - perguntou Pierre.
“Bem, porque não? Parece uma ideia tola, mas veja o progresso que já tem sido feito. Pelo uso racional mulheres libertam seus membros da prisão; então as facilidades as quais o ciclismo possibilita para que pessoas estejam juntas tendem a aumentar a relação e igualdade entre os sexos; a esposa e as crianças podem seguir o marido onde for, e gostam de como podem se sentir livres e vaguear sem incomodar ninguém. Nesse sentido, há grande vantagem para todos: uma toma banho de ar e da luz do sol, outra busca a natureza, a terra, nossa mãe em comum, de onde deriva a força e a alegria do coração. E como a brisa infla nossos pulmões! Sim, isso tudo purifica, acalma e encoraja!” - respondeu a jovem Marie. (Émile Zola, em Les Trois Villes (As Três Cidades), romance escrito entre 1893 e 1898).
Em 28 de outubro de 1886, foi inaugurada a Estátua da Liberdade, em Liberty Island (Ilha da Liberdade), na entrada do porto de Nova York. Patrimônio Mundial da Unesco e um dos pontos turísticos mais visitados dos Estados Unidos, a estátua representa a liberdade do povo.
Dez anos depois, Susan Brownell Anthony declarou, em entrevista à repórter Nellie Bly, do jornal New York World's: “Isso tem feito mais para emancipar as mulheres do que qualquer outra coisa no mundo. Ela dá às mulheres um sentimento de liberdade e autoconfiança.” Susan não se referia à estátua, mas a uma outra imagem de liberdade: as mulheres andando de bicicleta.
Susan foi professora, ativista e lutou pelos direitos feministas junto com Elizabeth Cady. Ela nasceu em Massachusetts, em 1820; foi a segunda de sete filhos de uma família Quaker, que por tradição, era abolicionista e defendia a igualdade entre homens e mulheres. Mais do que um ponto turístico, mais do que um objeto imóvel e sem vida, a bicicleta levou a mulher para grandes conquistas sociais e desemaranhados históricos.
É o caso da educação superior, onde há um aumento a nível global do número de mulheres frequentando universidades, ultrapassando inclusive o número de homens. Mas nem sempre foi assim... No Brasil, apenas em 1827 surgiu a primeira lei permitindo a frequência de mulheres no ensino básico, e o ensino superior ainda lhes era proibido. Em 1879, quando enfim puderam ingressar nas instituições de nível superior, as mulheres brasileiras que se “atreveram” a tal avanço enfrentaram críticas e opressão. “Não é necessário que minha filha aprenda aritmética para encontrar um marido”, pensavam os pais da época. Entretanto, venceram.
Depois de formadas, as mulheres de hoje buscam afirmação no mercado de trabalho. As condições ainda não são totalmente justas e ideais, mas com certeza são melhores do que em 1887, quando Rita Lobato Velho, a primeira mulher a se formar médica no Brasil e outras pioneiras em várias áreas de atuação, por vezes foram ridicularizadas.
Na política, o mundo assistiu a ascensão de grandes mulheres, assumindo cargos públicos importantíssimos e tornando-se internacionalmente influentes. Nosso exemplo maior remete à eleição da primeira presidenta mulher do Brasil, Dilma Rousseff. Mas nem sempre foi assim... Apenas em 1932 as mulheres brasileiras tiveram direito ao voto. Um pouco antes, em 1927, 15 mulheres haviam votado nas eleições do Rio Grande do Norte, graças a uma alteração pleiteada pelo então governador Juvenal Lamartine. Foi a primeira vez que as mulheres votaram no Brasil e na América Latina, mas no ano seguinte esses votos foram anulados.
De qualquer forma, neste mesmo ano era eleita a primeira prefeita da história da América Latina: Alzira Soriano de Souza, também no Rio Grande do Norte, no município de Lajes. Em seu discurso de posse, comparou o município a uma grande família e demonstrou maturidade na questão feminina. “Determinaram os acontecimentos sociais do nosso querido Rio Grande do Norte na constante evolução da democracia, que a mulher, esta doce colaboradora do lar, se voltasse também para colaborar com outra feição na sua obra político-administrativa. As conquistas atuais, a evolução que ora se opera, abrem uma clareira no convencionalismo, fazendo ressurgir a nova faceta dos sagrados direitos da mulher. Inovação estética não pode ser, o que se observa é a consciência elegante de uma conquista.”
Observa-se que a transição dos séculos XIX e XX, marcada pela emancipação das mulheres, não seria a mesma sem um veículo que permitiu rumar ao progresso e ao nivelamento entre direitos e deveres de homens e mulheres. A bicicleta, símbolo de liberdade, saúde e bem-estar, articulou de forma ímpar a contemplação feminina dessas características. Através do seu próprio esforço, elas utilizaram a bicicleta para uma longa viagem de conquistas, ainda em curso. Ao comparar o período atual com as condições dos anos 1.800, a evolução é gritante, embora algumas culturas e sociedades ainda privem as mulheres da igualdade dos sexos, como no Irã, por exemplo, onde ainda hoje as mulheres não podem andar de bicicleta.
A Hora de Mudar
O século XIX é marcado pelas novidades e invenções, resultantes principalmente da Revolução Industrial. Vários artigos foram aperfeiçoados e outros surgiram em decorrência dos avanços científicos, tecnológicos e das novas necessidades da sociedade em geral.
Com a industrialização veio também a urbanização, já que houve uma migração do campo para a cidade. Mas a massa de camponeses candidatos a operários encontraram um lugar pouco receptível, que precisou ser reestruturado e revitalizado para a vida moderna. A valorização do espaço público culminou na configuração da cidade como um ponto de encontro e vivência social. Cinemas, bares, apresentações musicais e áreas livres para o lazer e o esporte passaram a integrar os centros urbanos, graças à novidade da energia elétrica e outras descobertas impulsionadas pelo século XIX.
Neste cenário histórico, a bicicleta era a moda. Os ciclistas da época introduziam novas roupas e acessórios, faziam barulho nas estradas com suas buzinas e aproveitavam melhor a velocidade e o tempo. A mulher também começava a se fazer mais presente no espaço público da cidade, fato que despertava o fascínio e a alegria de alguns, mas preocupação de outros que viam na crescente participação e exposição feminina, uma ameaça ao pudor e ao domínio masculino nas relações sociais.
A união deste invento maravilhoso - a bicicleta - com a incrível força e determinação das mulheres em mudar a sua situação culminou em um dos movimentos mais bonitos e libertários da história humana. Longe ainda das injustiças atuais, a mulher daquela época lutava pelo direito de, aos poucos, poder sair de casa.
A fragilidade feminina
Uma figura pálida, doente e dependente. Era basicamente assim que se descrevia uma mulher no século XIX. Haviam claras vantagens em manter a mulher em uma condição de fraqueza física e emocional. Aos olhos sociais da época, mulher sensata era aquela que, totalmente dependente do seu marido, não tinha forças para votar, trabalhar e estudar.
Atrás dos vidros de suas casas e entre desmaios, injustiças e agressões, as damas quase não praticavam atividade física. Andar de bicicleta era considerado esforço demais para uma mulher. Quando as ideias e reivindicações de liberdade e igualdade começaram a ganhar força, e a presença da mulher se intensificou no espaço público, a bicicleta foi grande aliada, pois representou uma nova possibilidade de se exercitar nas cidades, justamente no momento histórico em que começava a se valorizar as atividades públicas de lazer.
Em 1894, dois clubes masculinos de Boston lançaram o desafio e Annie Kopchovsky aceitou: ela daria a volta ao mundo de bicicleta. Algo inimaginável e intolerante; uma mulher estava abandonando o lar e lançando-se ao desafio de provar que as mulheres não eram frágeis e poderiam realizar os mesmos feitos dos homens. Quinze meses depois, o New York Times noticiava a mais incrível viagem realizada por uma mulher. Annie retornava para casa e trazia consigo uma bagagem cheia de coragem e esperança que seria distribuída, indiretamente, a todas as mulheres.
Roupa de baixo
Christopher Connolly, em seu artigo para a Mental Floss, A Liberdade da Mulher Chegou de Bicicleta, destacou que as roupas femininas contribuíam para a fragilidade da mulher. “Suas vestes eram tipicamente pesadas, exagerando a silhueta feminina enquanto escondia o corpo. As curvas eram destacadas com espartilhos firmemente atados que, junto com as longas e pesadas roupas de baixo, limitavam a capacidade das mulheres de se mover e até mesmo respirar; daí a maior parte dos desmaios. Isso restringia as mulheres não apenas fisicamente, mas moralmente também. Em uma sociedade onde expor acidentalmente um tornozelo assumia ares pornográficos de uma dança, era necessário que a vestimenta protegesse a virtude de uma senhora”.
Em 1881 foi fundada a Rational Dress Society, organização de mulheres de Londres que queriam uma vestimenta feminina mais digna e confortável. “O Rational Dress Society protesta contra qualquer forma no vestido que deforme a figura, impeça os movimentos ou prejudique de qualquer outra forma a saúde da mulher. É nosso dever exigir vestimentas saudáveis, confortáveis e bonitas, que conduzam ao conforto e à beleza”, era sua autodefinição.
Em 1888, uma carta publicada pela Rational estabelecia que “o peso máximo da roupa de baixo (sem os sapatos) não poderia ser superior a 7 kg.” Sete quilos de roupas de baixo foi um motivo de comemoração!
Apesar da retaliação, as mulheres ativistas da época, aproveitando-se do momento, se envolveram rapidamente com a bicicleta. O hábito de usar a bicicleta como meio de locomoção, lazer e, para as mais ousadas, até como esporte, foi um dos responsáveis pela eliminação do uso do espartilho, pois com ele era praticamente impossível pedalar.
Conforme se tornava mais usual ver mulheres pedalando, as vestimentas passaram a ser mais curtas, justas e leves. Era a bicicleta influenciando a moda e o estilo de vida. As saias e vestidos foram perdendo espaço para roupas que permitiam sentar, caminhar e pedalar sem enroscar na corrente. Os calções femininos que eram presos ao tornozelo começaram a ganhar as ruas.
Essas mudanças, é claro, não foram facilmente aceitas. A nova presença social das mulheres, vestidas com roupas parecidas com as dos homens, desencadearam uma série de apreensões e debates. Mas pedalar tornava-se cada vez mais comum e, em 1896, o New York Journal of Commerce estimou que os cinemas, restaurantes e outros lazeres perderam cerca de 100 milhões de dólares por ano com o novo hábito de as pessoas pedalarem. Apesar das críticas e ridicularizações, elas seguiram em frente.
Connolly ainda mencionou em seu artigo que “antes das bicicletas, o cavalo era o melhor meio de transporte. Mas o acesso das mulheres ao cavalo era muito limitado. Cavalos eram perigosos e de controle difícil. As mulheres deveriam montar de lado, com as duas pernas juntas, o que as impedia de percorrer grandes distâncias, realimentando a ideia de que não deveriam montar. Em comparação, as bicicletas eram de manipulação fácil. Não havia motivos que impedissem uma mulher de subir numa bicicleta e dignamente pedalar para onde quisesse, tão longe quanto quisesse. Nenhum motivo a não ser sua vestimenta e o dilema de sua fragilidade, que a faria perder a virtude ou até a vida, tamanha sua exaustão.”
Apesar das pedras, tijolos e da insistência para que retornassem à casa e se comportassem como mulheres, as primeiras ciclistas continuaram rodando e trazendo conquistas à tona. As mulheres espelharam na bicicleta, a saúde, vivacidade e sensação de liberdade com que tanto sonhavam.
Anatomia da mulher pedalando
As mulheres ainda tinham uma batalha para vencer e assegurar de vez a prática do ciclismo. A questão girava em torno de constatações médicas que diagnosticaram a bicicleta como causadora de infertilidade, aborto e outros problemas físicos às mulheres. Se a bicicleta prejudicasse a maternidade, estava prejudicando a função social da mulher, que era casar e procriar. “Era um período estranho, insatisfatório, cheio de aspirações ingratas. Eu sonhava em ser útil ao mundo, mas éramos garotas pobres, nascidas em uma posição social específica. Não se pensava como necessário fazer algo diferente que nos entretermos até que o momento e a oportunidade do casamento surgisse. As mulheres das classes superiores também tinham que entender que a única porta aberta para uma vida fácil e respeitável era a do casamento. Melhor qualquer casamento do que nenhum, uma velha e tola tia costumava dizer”, registrou Charlotte Despard, escritora que viveu entre 1844 e 1939, demonstrando o ideário da época.
Outro problema apontado pelos médicos girava em torno da moralidade. Além da posição de sentar na bicicleta, vista por muitos como vergonhosa e imoral para uma dama, os médicos insistiam que as jovens que andassem de bicicleta sentiriam prazer pela fricção do selim em suas partes íntimas, o que incentivaria as mulheres a se tornarem depravadas e imorais. Um dos médicos defensores das bicicletas, Ludovic O'Followell, escreveu em seu livro Bicicleta e os Órgãos Genitais, que “se, por azar, um passeio de bicicleta revela à ciclista uma nova satisfação genital, não é necessário concluir que a bicicleta cria depravadas. Em investigação conduzida por nós com o propósito deste trabalho, foram negativas todas as respostas à pergunta: sentem algum prazer de ordem íntima quando pedalam?”
Mas essas novas mulheres estavam se identificando tanto com a expansão da bicicleta e com a sua oportunidade histórica, que resolveram enfrentar todas essas contrariedades. Atos de verdadeira libertação sobre duas rodas não cessavam em todo o mundo, principalmente Estados Unidos e Europa, e já era impossível separar a bicicleta do movimento reivindicatório das mulheres.
Presente e futuro
“Vejo cada vez mais mulheres fazendo uso da bicicleta, seja para lazer, transporte ou como atividade física. Esta tendência deve evoluir com o crescimento das ciclofaixas e ciclovias que estão aumentando a cada dia. A cultura da bicicleta existe da mesma forma para mulheres e homens, e essa evolução é contínua. O futuro promete muitas vendas e lojas lotadas de novidades para as mulheres que pedalam ou que desejam começar a pedalar”, relatou Nildo Guedes, ciclista com 20 anos de experiência que atua na equipe da Shimano Latin América.
Nildo revela também que as mulheres trazem as suas peculiaridades, como o cuidado com a estética e saúde, para o ciclismo. “Homem compra somente o que precisa e quando precisa, já a mulher é diferente, ela compra uma bermuda, aproveita e leva uma camisa e uma meia para combinar. Por isso, os produtos femininos são sempre voltados às combinações perfeitas. A cada produto masculino lançado, uma versão feminina também é preparada”.
O mercado comemora e vê com bons olhos esse nicho, que ainda promete crescer muito nos próximos anos. A busca das mulheres ainda é mais voltada para o lazer e exercício físico e, portanto, linhas para atletas e acessórios para o uso da bicicleta como meio de transporte ainda são menos explorados. As mulheres procuram ser mais cautelosas e procuram agir com mais segurança. Essa precaução limita o uso da bicicleta a situações que não envolvam muitos riscos.
Mas percebe-se, também nessa questão, uma mudança de postura das mulheres. Ainda que timidamente, elas estão buscando correr mais riscos e essa mudança se reflete na configuração familiar, no trabalho e nas competições. “Mesmo com todo o preconceito e com todo o assédio que as mulheres sofrem diariamente nas ruas, acredito que a força feminina tende a se impor cada vez mais. Em competições, temos nomes fortes como Liz Hatch e Rochelle Gilmore. Vários pontos pesaram para que as mulheres escolhessem outro veículo que não fosse a bike: 'medo' de adentrar espaços tidos como 'masculinos', receio do assédio nas ruas que, independentemente do meio de transporte, acontece sempre, falta de segurança no trânsito, falta de roupas confortáveis para o pedal, o medo de quedas e a impaciência por parte dos motoristas - buzinadas, xingamentos, arrancadas, etc. Percebo que as mulheres estão cansadas de terem um lugarzinho determinado pela sociedade e estão, enfim, colocando a cara na rua e lutando por tudo que acham importante e relevante para o mundo”, constatou Andréia Pires de Carvalho, 23 anos, professora e que usa a bicicleta como meio de transporte, demonstrando que a luta pela liberdade ainda continua.
“Comecei a pedalar em 2005 e lembro que havia muito mais homens no pedal do que mulheres. Não porque elas eram frágeis, mas por acharem que isso é coisa de homem e de moleque. As pessoas têm uma visão muito errada do ciclismo e, claro, isso vem também das mulheres; acho até que mais delas do que deles. A mulher, mesmo no século XXI, foi feita para casar e ter família. Fazer tudo isso e ainda pedalar parece coisa anormal, tanto que a maioria das mulheres que vejo no pedal é solteira ou separada, e uma pequena parte pedala para fazer companhia ao marido ou parceiro. Trabalhar fora, ter uma carreira, filhos, marido e ainda conciliar o ciclismo não é nada fácil, ainda mais sabendo que nesse meio tem mais homens que mulheres pedalando”, declarou Tânia Cristina Carmonario, 37 anos, professora que utiliza a bicicleta como meio de transporte e para exercícios físicos.
Nildo também vê como promissor o mercado de alta performance para o público feminino. “Muitas mulheres que iniciam sua busca por saúde optam inicialmente por aquela pedalada casual com o namorado ou sozinhas, porém é nítido o aumento do público feminino em provas de ciclismo, triathlon e MTB. As mulheres são muito competitivas”, completa.
A presença de mulheres em grupos de pedal - alguns exclusivamente femininos - tem aumentado nos últimos anos, apesar dos obstáculos que ainda enfrentam nas machistas ruas de nossas cidades. Aos poucos, elas se aventuram nas competições e provas que exigem muito preparo físico e inteligência emocional. Aos poucos, também, os organizadores das provas tomam medidas para fortalecer a presença feminina. Um exemplo é o Desafio Santana - Arapiraca, que este ano, em sua 7ª edição, terá uma competição exclusivamente feminina. A disputa será em 06 de novembro, em um percurso de 100 km. Uma das maiores ciclistas da atualidade, Renata Rodrigues já confirmou presença no desafio. Em 2010, a atleta conquistou o Rally Piocerá, o Moda Cup e o solo do Super 12 horas do Nordeste. Incentivada pelo esposo, também ciclista, Ivanildo, Renata fala sobre a importância de atitudes como esta para alavancar a participação das mulheres. “Meu marido já participou do desafio e elogiou demais a organização. Desde então, tive certeza que chegaria a minha oportunidade e essa é uma boa hora. É legal o desafio ter uma competição só para mulher. As mulheres estão conseguindo seu espaço na sociedade de um modo geral. O que ainda falta são pessoas para nos dar oportunidade de mostrar nossos valores. O desafio é um exemplo disso, quando nos presenteia com essa competição, que quebra barreiras”.
Liberdade é palavra fácil de associar com a bicicleta e por isso ela continua até hoje fazendo parte de movimentos revolucionários. Há quem lute pela sustentabilidade, pela simplicidade, por cidades mais humanas, por economias mais justas. Não são motivos supérfluos ou condições passageiras... São causas libertatórias no sentido mais profundo da palavra. É fácil entender, portanto, porque as mulheres que lutaram pelo feminismo logo se envolveram com a bicicleta, e que este envolvimento ainda provoca constantemente mudanças de costumes por parte da sociedade, e de valores em relação à fragilidade, elegância e delicadeza das mulheres.
Aline Cavalcante, 25 anos, jornalista que utiliza a bike como meio de transporte, define como a bicicleta é instrumento de independência, cidadania e saúde. “A bicicleta é um poderoso instrumento de transformação e inserção social, pois com ela é possível retomar o espaço público, conhecer melhor o lugar onde vive, entender os problemas e participar das soluções. Pedalar, seja por esporte, lazer ou transporte, é um exercício físico que libera endorfina e deixa a pessoa mais ligada, disposta, criativa e antenada com o mundo. Isso eu chamaria de liberdade mental: a capacidade de retomar a cidadania e a consciência de sociedade! Para as mulheres, em especial, a bicicleta traz a força e a autonomia que lutamos durante tanto tempo para conquistar. Percorrer distâncias usando suas próprias pernas é bonito, poético e libertador, capaz de aumentar a autoestima, melhorar o relacionamento inter-pessoal e a saúde das mulheres. Hoje, sou mais independente e me sinto cidadã, participante ativa e protagonista da minha história.”
Erasmo Carlos cantaria: “Dizem que a mulher é o sexo frágil. Mas que mentira absurda! Eu que faço parte da rotina de uma delas, sei que a força está com elas... Vejam como é forte a que eu conheço. Sua sapiência não tem preço, satisfaz meu ego se fingindo submissa, mas no fundo me enfeitiça. Quando eu chego em casa à noitinha, quero uma mulher só minha, mas pra quem deu luz, não tem mais jeito, porque um filho quer seu peito, o outro já reclama a sua mão, e o outro quer o amor que ela tiver. Quatro homens dependentes e carentes da força da mulher!” E elas responderiam: “Por quê não um quinto elemento: a bicicleta?”
A diferença entre pedalar e escovar os dentes
Texto: Zé Lobo
Há alguns anos atrás, publicamos um texto no blog da Transporte Ativo intitulado “Pelo fim do cicloativismo”. A mensagem ainda é bastante clara e merece ser revisitada.
Objetivamente, muita pouca coisa mudou desde 2009. No entanto, o número de bicicletas nas ruas aumentou bastante e aos poucos podemos acreditar que o “cicloativismo” está perto de chegar ao fim. E isso pode ser uma excelente notícia.
Quando a bicicleta for simplesmente mais uma alternativa fácil e segura disponível para todos, nossas cidades certamente serão melhores. Afinal, uma cidade para bicicleta é necessariamente uma cidade para pessoas e uma cidade é tão boa quanto melhor forem os espaços públicos adequados para a circulação humana.
Até lá, todo ciclista, sem classificação em qualquer tribo, pode e deve ser um embaixador em prol da bicicleta, um defensor de tudo aquilo que a bicicleta é e pode ser. E mesmo os que simplesmente acreditam que nossas cidades devem ser humanizadas, têm uma missão bem simples: acreditar na bicicleta e incentivar seu uso.
Segue a íntegra do texto de João Guilherme Lacerda, “Pelo fim do cicloativismo”.
Todos os dias, milhares de pessoas nas grandes cidades brasileiras pegam suas bicicletas e saem para as ruas. Seja qual for o propósito do uso da bicicleta, esses brasileiros recebem o adjetivo de ciclistas, alguns bicicleteiros. Mas antes de saírem de casa, espera-se que todos tenham escovado os dentes, e nenhum deles é chamado de “escovador de dentes”.
Temos hoje nas ruas um tipo diferente de ciclistas, são os cicloativistas. Aqueles que agem em prol da valorização do uso da bicicleta. As maneiras de agir são as mais variadas, mas o objetivo é sempre o mesmo. Colaborar para a boa imagem da bicicleta e convencer mais pessoas a utilizá-la.
Mas incrivelmente, não existem ativistas em prol da escovação dentária. Pais e mães, professoras e naturalmente os dentistas incentivam o uso das escovas de dentes, mas ninguém se define como ativista. A bicicleta cada vez ganha espaço como veículo de transporte, lazer e esporte. No entanto, para que esse uso se alastre melhor, uma atitude simples pode ser tomada: trocar o foco.
A marcha da promoção às bicicletas precisa sair da coroa pequena que gira muito sem alcançar velocidade. Precisamos ir mais rápido na coroa maior. Ativismo muitas vezes implica em confronto, negação e até mesmo uma visão pessimista da sociedade, focada nas dificuldades. Andar de bicicleta, seja como for e para onde for, deve ser encarado como a atividade prazerosa que é, capaz de tornar as pessoas e as cidades mais felizes.
Inserir a bicicleta no cotidiano urbano irá eventualmente implicar na morte completa do cicloativismo e na transição para o foco total na promoção ao uso da bicicleta. Nos mesmos moldes propostos pelos dinamarqueses e sua Embaixada das Bicicletas.
Transrockies Bike
Texto: Luli Cox
Fotos: http://www.mediafire.com/?jtrylr1y34ssc
O Canadá é um paraíso de trilhas para quem curte o mountain bike.
Em 2009, depois de competir e completar o Cape Epic, eu fui trabalhar de voluntária na Transrockies bike que acontece todo ano em agosto, no verão canadense. São aproximadamente 500 km em sete dias, é uma prova muito técnica.
Depois que vi de perto como era, falei com a Dri Boccia e definimos que seria o próximo grande desafio da dupla Flower People. No dia 7 de agosto de 2010 estávamos na largada da prova.
O tempo atípico para a época castigou muito os atletas. Num dos dias da prova nevou, muitas equipes pararam com hipotermia. A nossa experiência nas corridas de aventura nos ajudou, com um histórico de muitos perrengues enfrentados ficou mais fácil seguir adiante, mesmo completamente congeladas.
A paisagem do país é linda e bem característica; pinheiros, montanhas rochosas, águas de rios num tom azul turquesa arrepiante. E Ursos! Um dos equipamentos obrigatórios na competição é spray antiurso. Nós não encontramos nenhum!
Na minha opinião, a Transrockies 2010 foi mais dura que o Cape Epic 2009. No ano que eu fiz, a prova da África do Sul era praticamente toda pedalável, e não envolvia tanta técnica e habilidades de pedal como a Transrockies. No Canadá, a distância é menor e a prova mais travada, mesmo assim, as horas gastas em cima da magrela acabaram sendo praticamente as mesmas.
A Transrockies é uma aventura em cima da bike. Você enfrenta frio, calor, trechos de push bike insanos, montanhas, lama, pedras, raízes. Enfim, real mountain bike. É uma prova para quem tem espírito rústico, que não vai ligar se tiver que driblar um lamaçal e empurrar a bike pesada durante algumas horas. Uma prova para quem ama um downhill técnico, ama single tracks e trilhas no meio do mato!
A pedagogia das ruas
Texto: André Geraldo Soares
DESTACAR: São ações para dar sentido à afirmação de que o homem é um bicho inteligente.
A formação social se faz também com emoção, com imaginação e com indignação, e não só com a razão matemática.
É característica distintiva do Homo Sapiens aprender, fazer e ensinar, desta forma escapando, mais do que qualquer outra espécie, da carga instintiva na condução da própria vida. Este processo, chamado corriqueiramente de educação, ocorre do nascimento à morte de cada indivíduo. Educação é o processo de desenvolvimento da capacidade física, intelectual e moral do ser humano, habilitando-o para o convívio social.
Ela ocorre em todos os lugares, em todas as relações, mediante o manuseio de objetos e a interação com o ambiente circundante. A dada altura da vida sabemos como devemos nos comportar em cada lugar devido ao arranjo do ambiente e ao tipo de pessoas que ali se encontram. Todo mundo está, mesmo sem o saber e mesmo a contragosto, carregado de elementos que formam sua memória e suas opiniões, seus desejos e suas rejeições, seus medos e seus valores.
Isto dado, cabe agora a pergunta: como e para quê nos educam as ruas da cidade? Vamos derivá-la: o que nos ensina o sistema viário? Quais informações estão incutidas no pavimento, na sinalização, nos veículos e nos seus ocupantes? A que os engenheiros de trânsito e os secretários de transporte querem nos disciplinar com aquilo que eles chamam de “planejamento da mobilidade urbana”?
Ninguém precisa ir à faculdade para compreender que o trânsito nosso de cada dia reproduz a segregação social imposta no trabalho, na política e na comida sobre a mesa. O simples ato de atravessar uma rua no centro de qualquer cidade média já nos ensina quem é que manda ali. Toda pessoa que usa cadeira de rodas torna-se doutor em matéria de igualdade de oportunidades já na primeira tentativa de vencer qualquer meia dúzia de quarteirões. Vá pegar um ônibus, então, naquele ponto sem assento, tendo que adivinhar o horário, sujeito a banho de poça, pensando no assalto na roleta e você também compreenderá que a prefeitura é a maior marketeira da indústria automobilística.
Os ciclistas são outros catedráticos em urbanismo. A falta de estruturas e equipamentos propícios para eles é uma clara lição de que o modo padronizado de se locomover para fazer coisas na cidade é por motores. Para eles decorarem a lição, cada vez que se faz uma “melhoria viária” (viadutos e afins), nela não consta ciclovia. E quando pintam alguns metrinhos de ciclovia é fácil concluir, sem queimar neurônios, que a secretaria de obras não entende nada de bicicleta. E para não deixar os ciclistas se esquecerem de nada disso, não são poucos os motoristas que se fazem de mestres do trânsito: passam em alta velocidade, buzinam, não cedem passagem e outros atos de maior soberba.
Poderia ser diferente, não? O trânsito, que quase todos vivenciam quase todos os dias, poderia ser um lugar onde a sociedade não medisse esforços para aplicar a solidariedade e a igualdade entre as pessoas, o bom senso no uso dos recursos ambientais, a repartição do dinheiro público e outros valores que cada vez mais ficam confinados nos livros.
Felizmente, a educação não é puro adestramento – e se assim fosse não haveria mudança social. A formação social se faz também com emoção, com imaginação e com indignação, e não só com a razão matemática. Há aqueles que não ficam presos às regras e mensagens – subliminares ou explícitas – aplicadas no trânsito pela mentalidade hierarquista e economicista que prepondera na civilização. Podemos, por isso, contar com um lote numericamente grande e razoavelmente estruturado de pessoas e entidades que se esforçam – pela prática e/ou pelas ideias – para dar visibilidade a um outro possível e necessário modelo de mobilidade urbana.
Por isso, é importante a inclusão de educadores e psicólogos nos conselhos de trânsito e transporte, para ressaltar o aspecto pedagógico da mobilidade urbana. E também, é claro, de usuários de todas as modalidades de mobilidade, pois eles são os verdadeiros conhecedores da realidade vivida e das necessidades de cada parte.
Reformular o trânsito concedendo prioridade às modalidades mais justas, limpas e eficientes não é apenas uma medida técnica por parte dos gestores públicos. Abrir mão do conforto individual proporcionado pelos automóveis e exigir a melhoria das condições de deslocamento não-morotizado e coletivo não é apenas um gesto de bom coração por parte dos motoristas. São ações para dar sentido à afirmação de que o homem é um bicho inteligente.
USAR FOTOS DO BANCO DE IMAGENS.
Bicicleta, política e ativismo
Texto: Clayton Palomares
DESTACAR: "Bicicleta auxilia no equilíbrio social e ambiental, abrindo possibilidades para um futuro digno e autossustentável para todos."
"O uso da bicicleta traz benefícios claros para seu usuário e mesmo para quem não é usuário e não gosta de pedalar. Bicicleta empresta ao seu usuário "liberdade", além de humanizar e pacificar o trânsito."
"... violência cada vez mais banalizada."
Mediante ao trágico acontecimento em Porto Alegre, empresto o título e algumas ideias de Arturo Alcorta, cicloativista ferrenho, grande amigo e companheiro de luta em prol da magrela, para fazer um paralelo à nossa triste realidade.
“Pode haver mil razões para estabelecer uma relação entre a bicicleta, a política e o ativismo que não seja só a questão ambiental. Só para escolher uma boa razão: respeito à vida, todas as vidas, de todos, de tudo” – Arturo Alcorta.
A importância que a bicicleta tem em nossa sociedade, principalmente em países ou localidades com altos índices de pobreza, é muito maior do que se possa a princípio imaginar. Ela não se restringe à melhora do meio ambiente. Bicicleta é um bem de primeira necessidade para populações de baixa renda, auxilia no equilíbrio social e ambiental, abrindo possibilidades para um futuro digno e autossustentável para todos. Racionaliza o uso de espaço urbano e pode facilmente se transformar em fator de redução do trânsito. O uso da bicicleta traz benefícios claros para seu usuário e mesmo para quem não é usuário e não gosta de pedalar. Bicicleta empresta ao seu usuário "liberdade", além de humanizar e pacificar o trânsito. Tudo isto está provado através de diversas pesquisas científicas.
A Bicicletada é um bom exemplo de evento ciclístico democrático, pacífico e simpático. Acontece em todo o mundo, toda última sexta-feira do mês, inclusive no Brasil, tendo como objetivo conscientizar a população sobre os benefícios e a importância do uso da bicicleta no trânsito.
Organizado pela “Massa Crítica” (um movimento popular sem líderes), a Bicicletada é um evento que celebra os veículos não motorizados e convida todos a pedalar e vivenciar agradáveis experiências no trânsito. Ela não é um mero passeio ciclístico e sim um movimento de manifestação baseado no conceito do Critical Mass, que busca quebrar paradigmas e mudar a cultura dos cidadãos, mostrando os benefícios da redução e racionalização do uso de veículos motorizados.
O ocorrido em Porto Alegre na última sexta de fevereiro é um fato lamentável e reflexo de uma triste realidade: o trânsito está cada vez mais violento e esta violência é cada vez mais banalizada. Hoje, manchetes como: “Trânsito faz mais uma vitima”, “Acidente fatal” ou “Morrem centenas por minuto no trânsito” causam pouco espanto e já fazem parte da rotina dos cidadãos, motoristas ou não.
Seria só mais um acidente corriqueiro para engordar as estatísticas, não fosse pelo fato de ter envolvido uma Bicicletada e o acidente repercutir em todo o mundo. Aliás, acidente não. Atentado! Atentado seria a palavra mais correta, mais coerente, pois o fato de um motorista jogar um carro sobre um grupo de ciclistas intencionalmente só comprova a total falta de respeito, humanidade e tolerância que impera hoje no trânsito brasileiro.
Não fosse o motorista um burguês elitizado, funcionário do Banco Central, neste momento já teria sido linchado e trancafiado numa cela suja e escura. Mas a realidade mais uma vez nos prega peças. Alegando insanidade, que estava tendo “um dia de cão” e que os ciclistas ameaçaram sua integridade física e a de seu filho, o criminoso vai se utilizando dos “buracos” na lei e, agora, já está entre nós, pessoas do bem, caminhando livremente.
Vamos reavaliar. Um motorista estressado atira, premeditadamente, seu carro pesando mais de uma tonelada sobre um grupo de mais de 100 ciclistas e foge. Dentre os ciclistas estavam crianças e idosos, os quais participavam de uma manifestação pacífica chamada Bicicletada, que acontece por todo o mundo uma vez ao mês e prega justamente a humanização e pacificação do trânsito. É um contra-senso. Seria cômico se não fosse trágico.
Manchete em jornais de todo o mundo, a notícia repercutiu de todas as maneiras possíveis, inclusive com parte da imprensa tentando transformar as vítimas em algozes, afinal, faz parte do espetáculo e o ideário da bicicleta não agrada a todos, é fato. Enquanto está quente repercute e alimenta manifestações, mas daqui a pouco esfria e, em breve, ninguém mais se lembrará do ocorrido e os ciclistas continuarão dividindo, lado a lado com os carros, o apertado, poluído e estressado espaço nas vias públicas, travando a batalha diária do guidão contra o volante.
Aqui empresto novamente as palavras de Arturo: “talvez o ponto fraco do universo da bicicleta seja a postura da maioria dos ciclistas que não conseguem se representar como categoria. Com isto, perdem a possibilidade de transformar para melhor não só suas próprias vidas, mas a de todos, mesmo dos que não pedalam.” Perdem a oportunidade de fazer frente à violência no trânsito que, ainda bem, parte de uma minoria de motoristas, mas uma minoria que assusta e mata.
Que o lamentável fato ocorrido em Porto Alegre deixe algo de bom, além de reavivar a luta dos cicloativistas da Bicicletada em prol de um trânsito mais humano. Que sirva para que o governo, a imprensa e toda a sociedade comecem a participar desta luta também e entendam de uma vez por todas que são parte integrante do problema, bem como da solução.
Afinal, os gritos dos ciclistas estão abafados, há anos, pelos ruídos e pela fumaça espessa dos carros. Tomara que agora não comecem a ser abafados também pela hipocrisia da sociedade motorizada, que somos nós, inclusive eu e você.
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Bom dia, boa vida!
Texto: Bianca Fernandes
O segredo para se viver mais e melhor é muito simples: é só comer a metade, pedalar o dobro e rir o triplo!
Parece uma regra matemática - e não deixa de ser uma 'regra de três' - mas na verdade é um segredo para um bom dia e, consequentemente, para uma boa vida, pois quando incorporamos os cortes e dobramentos de maneira correta em nosso cotidiano teremos mais chances de acertar a longo prazo.
Muitos começam a atividade física para perder peso, aliam as pedaladas, os cortes na alimentação e sacrificam os prazeres de um chocolate em prol da boa forma. Mas atividade física sem alimentação correta não rende.
Comer pela metade pode não ser diminuir a quantidade de comida que você ingere, mas diminuir a velocidade com que você ingere. Leva mais tempo, mas saborear o alimento aumenta a saciedade, acabando com aquela fome descontrolada que te leva a comer mais e mais. Por isso, deixe a velocidade para a bicicleta!
Estamos mais acostumados a reduzir e cortar pela metade as despesas, o trabalho, o lazer, os estudos etc. O convite de dobrar uma situação pode vir com uma recusa em primeira instância, mas na medida em que a ideia fica mais confortável, será difícil voltar a cortá-la.
A correria do dia a dia muitas vezes nos limita a pedaladas nos finais de semana. Quanto tempo você tem disponível para pedalar? Uma hora? E por causa de um programa de televisão você a reduz para 30 minutos? Experimente se organizar, dobrar esse tempo e se autopresentear deixando-se levar pela bicicleta, seu sentimento de liberdade, e descarregar as pressões da semana por vários quilômetros sobre duas rodas.
Quando estamos pedalando, o tempo costuma passar mais rápido, as ideias fluem melhor e a concentração aumenta: dedique o dobro do seu tempo para um par de luvas, capacete e uma linda trilha.
O riso é um grande estimulador de endorfina, hormônio responsável pelo humor e sensações, que ainda ajuda a sintetizar a adrenalina. Tente começar a pedalar com uma boa dose de risadas, no ápice da atividade não haverá alguém mais feliz do que você.
Quando nos encontramos com os amigos para pedalar, sempre há aquele que brinca com a turma e inevitavelmente arranca risadas de todos. Além de trazer um novo ânimo para o seu dia, ele também está contribuindo para a sua vida, ajudando no alívio do estresse e economizando cremes antirrugas - o sorriso é um excelente exercício facial.
Como dizia Carlos Hilsdorf: "Contagie as pessoas com seu bom humor! O pior dos dias é sempre aquele em que não houveram risos".
Os laços que criamos são feitos pela simpatia. Prender o outro pelo sorriso é uma dádiva que todos nós temos, só precisamos libertá-la. Então não perca a oportunidade de rir: ria o triplo e perceberá os resultados antes mesmo do que imaginava.
Percebemos assim a simplicidade deste segredo e seus desdobramentos. Agora é hora de aproveitar, como uma criança que vai até a garagem, pega a sua bicicleta e sai em disparada para a rua, sem cobranças e pelo simples gosto de pedalar.
Bikes Femininas - Ciência ou Marketing?
Bicicletas específicas para mulheres não são uma novidade no mercado. Marcas nacionais e internacionais sempre ofereceram a tradicional bike rosa com cestinha. Porém, uma bike feminina deve ser apenas uma bike masculina pintada de rosa?
Com a evolução tecnológica das bicicletas e mais e mais mulheres levando a bike a sério como esporte e também á nível competitivo, foram surgindo os problemas e oportunidades de melhorias. Nas bikes de passeio, além da cor e cestinha, a única mudança realmente funcional estava no tubo superior, que diferente das bikes masculinas, seguem uma linha quase paralela ao tubo inferior, encontrando o tubo do selim muito mais embaixo. Isso ajuda as mulheres a subir na bicicleta com mais facilidade, assim como pedalar com vestido ou saia. Porém, isso enfraquece o quadro para uso esportivo, compromete a geometria e não resolve todos os problemas.
Mulheres que querem ir além do passeio na ciclovia no domingo precisam de uma bike que realmente se adequem ao corpo. Se tantos estudos e tecnologias foram criadas para o homem e são tão levadas à sério, porque deveria ser diferente para as mulheres? Em geral, o corpo da mulher tem características, além das óbvias, diferentes ao dos homens: pernas mais longas em relação ao tronco, braços mais curtos, menor estatura, quadris mais largos e menor peso. Como então, depois de tanta evolução na tecnologia, as mulheres poderiam ter uma bike igual a dos homens? Veja as diferenças que estão surgindo nas bikes femininas.
QUADRO E GEOMETRIA
A primeira dificuldade para as mulheres sempre foi encontrar um quadro no tamanho certo. A solução adotada era usar um quadro masculino de tamanho pequeno. Mas isso não era suficiente, pois mesmo o quadro pequeno ainda era grande para algumas mulheres. Além disso, dependendo da intenção de uso (recreativo ou competitivo), a geometria não era a mais adequada, especialmente em relação ao tubo superior. Hoje em dia, os quadros específicos resolvem esses problemas, sendo encontrados em tamanho extra-pequeno e com geometrias mais dedicadas. Para uso mais competitivo, alguns fabricantes já produzem os tubos do quadro com uma espessura menor, sendo mais leves, mas sem comprometer a resistência, uma vez que as atletas em geral pesam menos que os homens.
AVANÇO E GUIDÃO
Ainda relacionado com a geometria, as bikes masculinas sempre vem com avanços e guidões maiores do que seria recomendado para a maioria das mulheres, justamente por elas terem menor envergadura. Apesar de ser um problema mais fácil de resolver, ainda significa um gasto extra. Em algumas bicicletas de estrada os guidões também são mais finos para se adequar às mãos das mulheres.
PEDIVELA
O tamanho dos braços do pedivela também deve estar relacionado às proporções do corpo. Com quadros tamanho extra-pequeno, os pedivelas 175 mm que são mais amplamente aceitos, devem ser analisados.
SELIM
Uma das maiores fontes de reclamação das mulheres, por ser um problema muito perceptível, está no selim. Uma grande preocupação surgiu no meio ciclístico depois de alguns estudos mostrarem que pedalar por muito tempo poderia causar impotência nos homens. Ninguém comentou muito sobre as mulheres, mas já foram feitos estudos que também apontaram potenciais problemas para elas. As mulheres possuem alguns ossos do quadril diferentes de dos homens. Estudos já foram feitos para descobrir tamanhos, formatos e até a densidade da espuma de selins que podem trazer mais conforto para elas. De qualquer maneira, é recomendado experimentar modelos diferentes de selins femininos. Os selins largos e gordos que parecem tão confortáveis, na verdade só servem para passeios curtos. Eles podem causar mais dor e desconforto se a intenção é pedalar por mais tempo.
FREIOS
Mulheres têm mãos menores. Alguns freios possuem alavancas que ficam muito distantes do guidão e isso pode se tornar algo perigoso e desconfortável. Felizmente, muitos freios já possuem ajustes, externos ou internos, para reduzir essas distâncias.
SUSPENSÕES
Falando em mountain bikes, existe mais um problema: o sistema de suspensão de algumas marcas foram projetados para ter melhor performance em uma determinada faixa de peso. Algumas vezes, essa faixa de peso está até mesmo acima do peso de uma atleta! Algumas marcas já perceberam isso e já possuem amortecedores ajustados para o uso feminino.
BIKE FIT - O PONTO MAIS IMPORTANTE
Cada pessoa tem características únicas. Uma bike feminina vai ser sempre essencial para uma mulher ? Não! Inclusive existem bikes femininas de competição com geometria igual a dos modelos masculinos. Cada caso é um caso e só um bike fit pode dar uma resposta realmente embasada. Mas não se engane: os resultados do bike fit, em muitos casos, vai indicar que a bike a ser usada tem justamente as características que oferecem as bikes femininas de hoje em dia. Antigamente, eram feitas adaptações, que nem sempre eram eficientes. Não é marketing, é ciência!
DESIGN E ESTILO
Uma bike rosa é importante ? Sem dúvida!!! Mulheres gostam de rosa. Uma bike delicada e com a cara delas ajuda na motivação e a manter elas pedalando. Acreditem!
Conheça alguns modelos oferecidos no mercado nacional e não deixe de ver o teste da Scott Contessa na página XXX.
Giant Sedona - Passeio / Recreacional
www.cicloleiriense.com.br/
Specialized Era Comp Carbon - Competição Cross-Country
www.specialized.com.br
Alguma Trek de speed ou linha média (pesquisar)
Teste Scale Contessa 20
A Contessa é uma linha de bikes da Scott feitas exclusivamente para mulheres. Existem duas séries, a Contessa Race, mais voltada para competição e a Contessa Sport, para uso recreativo. A Contessa Scale 20 se enquadra como a bike de entrada da linha Race.
A BIKE
O quadro Contessa Race é feito em alumínio 6061 e tem a mesma geometria das Scott Scale masculinas. Por ser um quadro de competição, a Scott decidiu manter essa geometria para toda linha Race, diferente da linha Sport que possui geometria especial para mulheres, porém uso recreativo. Um diferencial para algumas outras marcas é a opção do tamanho XS (um tamanho abaixo do pequeno) e mais 4 opções de tamanhos maiores.
A suspensão é uma SR Suntour XCR LO, que possui uma trava acionada pela suspensão, ajuste de compressão externo e corpo em Magnésio. O funcionamento é com mola.
Os freios são os Tektro Draco, a disco e hidráulicos, com um rotor de 180mm na dianteira para maior frenagem e 160mm na traseira.
O cockpit é composto por um guidão Scott Pilot 15 team, de 620mm e um avanço Scott Comp de 80mm e 6 graus de inclinação. O selim Scott Contessa é feito especialmente para as mulheres.
As rodas são formadas por um cubo dianteiro Scott Team e traseiro SRAM MTH-306, montados em aros Alex Rims XC44, de 17mm de largura e pneus Schwalbe Rocket Ron 2.1.
Na linha Race a Scott ainda conta com mais 3 modelos superiores, sendo uma de carbono e uma full suspension.
Esteticamente a bike combina cores nos punhos, suspensão, aros e quadro, com predominância branca e detalhes em azul claro e azul escuro. Chama atenção pelo tubo superior bem inclinado (sloping) devido ao tamanho pequeno do quadro e geometria.
O TESTE
Convidamos para o teste, a atleta Manuela Vilaseca, campeã em importantes provas do cenário nacional e internacional, entre elas o MTB 12 horas, GP Ravelli e Transportugal. Pedalamos por uma trilha de nível técnico moderado.
A Scott fez uma escolha inteligente em incluir medidas diferentes de avanço para diferentes tamanhos de quadro. O modelo que testamos, tamanho S, conta com um avanço de 80mm, o que casou muito bem com o tamanho do quadro e estatura esperada para as atletas. Outro ponto de destaque ficou com o selim, que costuma ser outro ponto de reclamação comum das mulheres. O selim Contessa realmente ofereceu conforto. Pra completar, o pedivela conta com um braço de 170mm, beneficiando também atletas que usam quadros menores.
Subindo, a bike é beneficiada pela sua geometria de competição e pela trava oferecida pela suspensão. Mesmo travada, a suspensão possui um pequeno funcionamento, como outros modelos do mercado. O pedivela tem braço de 170mm, casando bem com o esperado para as atletas, porém usa o sistema Octalink já ultrapassado. Apesar de seus 12,7 kg (sem pedais) serem razoáveis para o preço, torna as subidas mais difíceis e um ponto negativo para competições.
Já em descidas e trechos de velocidade, a bike conta com o ótimo desempenho dos pneus Schwalbe Rocket Ron, que oferecem estabilidade e tração em diversas situações. O guidão com uma leve inclinação (rise) também ajudou a manter o controle em trechos mais técnicos. Os freios Tektro Draco, que já criticamos em testes anteriores, ofereceu um desempenho satisfatório, principalmente se tratando de uma bike de cross-country. Já a suspensão se tornou o ponto fraco da bike: não existe um controle da velocidade de retorno e o ajuste de compressão não mostra diferença perceptível entre suas regulagens mais extremas (uma característica comum nesses ajustes em suspensões de mola). Sem isso, a suspensão só irá funcionar bem em determinados tipos de terreno e estilos de pilotagem do piloto, não podendo ser ajustada de acordo com a pista.
BIKER MANUELA VILASECA
"Só o fato de ser uma bike feminina já é um ponto positivo para a marca. O avanço curto traz uma grande vantagem e é o que sempre costumo trocar nas minhas bikes. Os pneus tem um agarre muito bom e estabilidade em curvas. A bike também tem um visual feminino e um selim confortável."
CONCLUSÃO
A Contessa Scale 20 possui uma das características mais importantes para uma bike de competição: geometria. Se tratando da linha de entrada de competição, alguns componentes devem ser melhorados para um melhor desempenho, especialmente a suspensão que apesar de ter trava, não possui regulagens e não é leve. Para as mulheres que estão começando a competir ou levam a sério o esporte, a bike se torna uma ótima opção com um bom custo X benefício.
GARANTIA E INVESTIMENTO
PROS
- Geometria de competição
- Pneus Schwalbe
- Selin Confortável
- Avanço compatível com tamanho
CONTRAS
- Suspensão sem regulagem de retorno
- Ajuste de compressão não funciona
- Pedivela Octalink
ESPECIFICAÇÕES
Tamanhos: XS / S (testado) / M/ L / XL
Peso: 12,7 kg sem pedais
Quadro: Cotessa Race em alumínio 6061
Suspensão Diant: Suntour XCR LO 26" 100mm
Caixa de Direção: Ritchey OE 11/8 semi-integrada
Cambio Traseiro: Shimano RD-M660 SLX Shadow longo
Cambio Dianteiro: Shimano Alivio 34.9mm
Trocadores: Shimano Alivio SL-M430 Rapidfire plus
Freios: Tektro Draco diant de 180mm - tras de 160mm
Pedivela: Shimano FC-M430-8 Octalink - 170mm - 44-32-22
Movimento Central: Shimano ES25 Octalink
Guidão: Scott Pilot 15 Team rise / 620mm
Avanço: Scott Comp 80mm / 6o inclinação
Pedal: Wellgo C128
Canote: Scott Comp 31.6mm
Selim: Scott Contessa
Cubo Traseiro: SRAM MTH-306
Cubo Dianteiro: Scott Team Disc CL
Raios: Stainless Black 15G/1.8mm
Aros: Alex XC44 disc 32F 17mm
Corrente: Shimano CN-HG53
Cassete: Shimano CS-HG50-9/11x32D
Pneus: Schwalbe Rocket Ron 26x2.1 - Performance serie
GEOMETRIA (seguindo mesma tabela da Specialized Camber)
Ver as correspondencias:
Nossa Tabela - Tabela Scott
A - I (310 mm)
B - WheelBase
C - F
D - G (420mm)
F - A (70 graus)
G - D (73.5 graus)
H - B
E - C (talvez precisemos mudar uma coisa no desenho, aviso depois)
Pedalar não dói. Evite sofrimento desnecessário
Texto: Claudia Franco
Muitas ciclistas me perguntam porque dói tanto andar de bicicleta. Dizem que sentem dor nas costas, nos joelhos, no bumbum, nos braços, os pés e/ou mãos adormecem.
"Meu amigo disse que é assim mesmo, que andar de bicicleta exige sacrifício", ouvi uma vez.
Tudo isto pode ser verdade se você desconhecer alguns princípios básicos. São eles:
2- Posicionamento do guidão, banco, alavancas de freio e marcha, altura do canote, etc. Todo este conjunto deve estar ajustado corretamente ao seu corpo, do contrário, vai exercer força em locais específicos e provocar dor no bumbum, costas, braços, cotovelos, formigamentos, entre outros sintomas. Por isto, é importante ajustar a bike ao seu corpo. Faça um bike fit em um lugar de boa referência. Todas as dores deixam de existir quando você fizer o ajuste da bicicleta ao seu corpo.
3- Apesar das pessoas dizerem que você vai se acostumar, você não precisa entrar no pedal com sofrimento. É desnecessário e isto pode comprometer passeios legais e a sua frequência no esporte.
4- Quanto mais conforto você tiver, mais a sua pedalada vai desenvolver e mais benefícios terá com o exercício.
5- O seu corpo não pode padecer. Alguns “bikers” acham que sofrer na bike é coisa de “macho”. Esqueça isto! Muitos deles não sabem que podem fazer um pedal extremamente confortável e com excelente desempenho.
6- A queixa mais frequente é a dor no bumbum. Esta dor deixa de existir quando a bike estiver ajustada e quando você tiver mais experiência, pois irá distribuir melhor o seu peso sobre a bicicleta. Há três pontos de apoio: o selim, o guidão e o pedal. Quando você souber distribuir melhor o seu peso sobre estes pontos, o seu bumbum não vai doer.
7- Desloque o seu peso para frente ou para trás. Levante, deixando as pernas esticadas. Sinta o peso do seu tronco nas mãos. Perceba como as mudanças de posição sobre a bicicleta irão alterar a pressão sobre o selim.
8- Não coloque roupa íntima por debaixo da bermuda. A roupa íntima não tem tecido específico para esta finalidade, possui costuras, vai causar mais atrito e o desconforto será inevitável. Procure por bermudas de marcas renomadas, com forro de 40 a 60 milímetros, com espessuras modulares, ou seja, uma espessura para frente, outra para o meio e outra para a parte de trás do forro. Não recomendo as bermudas de gel (gosto pessoal), pois causam maior movimento e consequentemente maior fricção.
9- Existem cremes específicos que evitam assaduras. Há um específico para o ciclismo, que é vendido nas lojas de bicicletas. É excelente para quem vai percorrer grandes quilometragens.
10- Quanto maior o selim, maior será a área de atrito, portanto, é enganoso o uso do selim grande e muito estofado. O ideal é o mais fino possível, com abertura no meio para melhor ventilação e uma camada de estofado de aproximadamente 5 a 7 cm.
11- Preste atenção à qualidade da suspensão de sua bicicleta. A suspensão é responsável por reduzir os impactos sobre o corpo, principalmente sobre a sua coluna. Dependendo do tipo de terreno e/ou pedal, use a suspensão com curso mais longo: o conforto será muito maior.
12- Sou a favor da suspensão traseira, pois absorve muito os impactos que sobrecarregam a coluna e ajuda a eliminar a dor no bumbum.
13- Com tudo ajustado e sem sofrimento, o seu desempenho pode aumentar em 30% a 40%. Pode confiar!
Vestimenta e Acessórios
Texto: Claudia Franco
Andar de bicicleta é um lazer e também uma excelente opção de exercício para se manter em forma. Uma das maiores dúvidas para quem inicia na prática do ciclismo está relacionado à vestimenta.
Saiba que a vestimenta correta tem um papel vital no desempenho do ciclista. A roupa precisa proporcionar conforto ao ciclista de forma que sua atenção esteja totalmente voltada para a sua pedalada, não a um possível desconforto que a roupa pode causar.
Existem muitas opções no mercado, mas fique atenta à qualidade, pois nem todas irão sustentar as características necessárias para o seu merecido conforto. Elimine da sua cabeça a máxima: “Quem está iniciando não precisa investir tanto!” Esta afirmação é um equívoco absurdo, pois independentemente de estar iniciando ou não, o equipamento e a roupa para a prática esportiva têm que lhe oferecer, com a máxima qualidade:
1- Proteção
2- Conforto
3- Durabilidade
Não é porque está iniciando que você deve se dispor a sofrer. É exatamente neste momento, no início, que nenhum fator deve ser de desmotivação e possível abandono do esporte.
Ao andar de bicicleta, o primeiro aspecto a ser considerado são os itens de segurança. Lembre-se que você é seu maior patrimônio, por isso, antes de sair com sua bicicleta, pense primeiro em sua segurança.
CAPACETE: Pode salvar a sua vida. Não importa a distância que irá percorrer, se é até a esquina, se vai dar a volta no parque, na orla da praia, se irá participar de uma competição ou dar a volta ao mundo. O capacete é item obrigatório e não tem negociação.
Atualmente, os capacetes são fabricados com materiais muito leves, confortáveis, design aerodinâmico, pinturas modernas, cores variadas, com aberturas para ventilação, ajustes de correia e alguns com regulagem interna através de botões, dando maior estabilidade ao capacete e reduzindo a trepidação.
Na hora de comprar o capacete, é importante que o mesmo tenha certificado de segurança internacional ou que seja homologado pelo Inmetro (Instituto Nacional de Metrologia).
ÓCULOS: Exercem papel de grande importância na manutenção da integridade física de seu usuário, reduzindo impactos oriundos da execução de seu trabalho ou lazer. Mas garantir a segurança nem sempre é sinônimo de garantia de qualidade e conforto. E quando falamos de visão, o problema torna-se mais delicado. Lentes inadequadas podem afetar diretamente o desempenho do usuário. Ou pior: ao invés de proporcionarem segurança, podem causar acidentes.
Em primeiro lugar, considere que para permanecer no controle completo de sua bicicleta você precisa ver. Óbvio, mas lembre-se que em um esporte outdoor você vai se deparar com chuva, sol, insetos, grãos de areia, terra ou poeira.
Os óculos precisam se ajustar ao rosto de forma que não voe, ou seja, não saia do rosto. Precisa lhe dar cobertura global e ampla visão. Com relação ao peso do óculos, parece não ser importante, mas pense que você estará horas sobre a bicicleta e o peso de tudo o que você está usando fica cada vez mais importante. Óculos de ciclismo tende a ser muito leve.
Dê preferência aos óculos com lentes intercambiáveis. Desta forma, você estará preparado para se adaptar a qualquer condição de clima durante o seu percurso.
LUVAS: Muitas pessoas, quando adquirem um par de luvas para ciclismo, visam apenas a beleza, mas as luvas vão além de simples acessórios estéticos, pois são itens de segurança muito importantes para o ciclista. Quando se leva um tombo, o primeiro ato instintivo do ciclista é amortecer a queda apoiando as mãos no chão.
Além disso, as luvas protegem as mãos contra galhos, insetos e espinhos. Estudos estimam que aproximadamente metade (40%) dos ciclistas sofre de insensibilidade e/ou fraqueza em suas mãos. Destes, três em cada quatro problemas (75%) são causados pela pressão no tendão do pulso.
Portanto, as luvas são cruciais para evitar machucados nas mãos e lesões sérias nos pulsos. Existem várias marcas e modelos no mercado.
Para o cross-country, o tipo de luva mais comum é aquela que cobre somente a metade dos dedos. Permite maior mobilidade dos dedos, possibilitando ações rápidas no comando sobre a bike, além de não esquentarem tanto como as luvas fechadas.
As luvas fechadas são muito utilizadas no downhill. E não é por menos, pois oferecem maior proteção nos tombos, por serem feitas de materiais mais resistentes.
O material mais utilizado na confecção das luvas é o tecido sintético, ou com Lycra®. Elas se adaptam melhor ao contorno das mãos, a transpiração é melhor eliminada e secam mais rapidamente.
Atualmente, a utilização de materiais mais leves, finos, resistentes e que eliminam rapidamente o suor e a umidade estão tornando possível a utilização de luvas fechadas em dias quentes, permitindo também a mesma mobilidade que as luvas de cross-country, e trazendo mais segurança nos tombos.
Outra contribuição das luvas é o maior conforto que elas oferecem, pois os modelos que têm a palma acolchoada absorvem parte do impacto transmitida pelas rodas dianteiras. Assim, a fadiga no braço diminui, tanto como as dores indesejáveis no pulso, além de garantir maior firmeza no guidão, aumentando o controle sobre a bike. No inverno, elas protegem as mãos do vento frio, que podem chegar a congelar os dedos.
Tal qual o capacete, as luvas são itens que sempre devem acompanhar o ciclista, mesmo para um passeio ocasional, pois um tombo sempre é imprevisível.
COLETES OU FAIXAS REFLEXIVAS: Para quem vai pedalar na cidade, um item fundamental de segurança é tornar-se visível. Para ser visto, utilize coletes ou faixas brilhantes ou reflexivas, pois mesmo com pouca luz você será visto.
No próximo artigo, falaremos das bermudas, blusas, bandanas, sapatilhas, roupas para inverno, chuva e vento!
Bike Business
Texto: Álvaro Perazzoli
Colaboração: Bianca Fernandes
Mulheres brasileiras insatisfeitas com o mercado feminino de bicicletas
A valorização dos competidores masculinos é um dos motivos para o baixo incentivo às ciclistas femininas que pedalam no Brasil
A presença de mulheres pedalando nas ruas, em provas e competições de ciclismo e mountain bike é cada vez maior no Brasil. Mas muitas mulheres e lojistas reclamam que no país faltam opções de produtos e bikes voltados para este setor.
A ciclista Tânia Carmonária diz que um dos principais motivos dessa falta é o de que ainda existe um tabu nesse esporte. “Muitas pessoas acham que só homem pratica, tanto é assim que as competições de ciclismo televisionadas são das categorias masculinas, o que é muito triste”.
Na maioria das competições, a mídia dá o grande foco para a categoria masculina, deixando de lado ou dando um espaço minúsculo para a feminina. Exemplo disso está nas principais publicações de bicicletas, sites e principalmente na TV.
E isso não é só no Brasil. As provas mais populares do ciclismo, como o Tour de France e o Giro d'Itália tem o foco da imprensa totalmente voltado para os atletas masculinos. Poucas pessoas sabem que existem edições mais curtas dessas provas voltadas para as mulheres, como o Giro d'Itália Internazionale Femminile, Touro of Qatar, Tour de Feminin, Tour Féminin en Limousin, entre outras que podem ser vistas na página da UCI (União Ciclística Internacional).
José Marcos Silveira, lojista e responsável pela organização da Copa Internacional de Mountain Bike, conta que as mulheres recebem uma premiação menor do que os homens. “Temos uma participação de 50 homens contra cinco mulheres, não acreditamos que o aumento da premiação seja o motivo que vá atrair mais mulheres. Há uma diferenciação nas competições entre homens e mulheres, mas percebemos que isso é mais por parte da imprensa do que dos organizadores de eventos”.
“Acho que o valor das premiações deveria ser igual para ambos os sexos, pois o esforço é o mesmo para todos”, comenta Robson Silveira, gerente comercial da Fox Racing Shox, Bell e FSA.
No Brasil, a maioria das provas tem uma participação feminina bem menor do que a masculina. O número de mulheres competindo cresce a cada ano, mas ainda é baixo. O valor diferente das premiações entre os dois sexos não é só uma realidade da Copa Internacional de MTB, mas de quase todas as competições de bicicleta no Brasil. Grande parte desta culpa é da própria mídia. Parece que nas coberturas do jornalismo esportivo o “glamour” da vitória masculina é maior do que o das mulheres.
Infelizmente, isto não se restringe ao ciclismo, mas ocorre também em outros esportes. O futebol feminino, por exemplo, muitas vezes é mais competente que o masculino, no entanto, é injustamente estigmatizado e vítima de preconceitos e chacotas.
Mercado
O estigma de que bicicleta é algo masculino ocorre mais no meio especializado e esportivo do que propriamente no uso para lazer e recreação. Em um parque ou ciclovia, o número de ciclistas do sexo feminino pedalando é expressivo.
O setor esportivo é justamente o que mais carece de linhas WSD (Woman Specific Design), ou seja, design específico às mulheres. O mercado tem poucas opções, geralmente com preços excessivos.
“Quando comecei a pedalar foi muito difícil. Até hoje tenho uma camisa masculina do Brasil que eu mandei cortar para que ficasse do meu tamanho. Hoje, vejo um aumento na produção de acessórios femininos”, declara a atleta Bianca Fernandes.
André Moro, responsável pela loja Xtore, comenta que sente a falta de equipamentos específicos para suprir este mercado. “O corpo da mulher é diferente. São necessários equipamentos e vestuário que respeitem estas medidas diferenciadas”.
“Aqui no Brasil, os distribuidores até disponibilizam esses produtos em certa quantidade, mas os lojistas ainda são receosos, já que o giro é pequeno e, pela falta de variedade, o público feminino acaba consumindo equipamentos masculinos”, fala André.
Muitas mulheres desistiram de consumir no Brasil, como é o caso da atleta Luciana Cox. “Eu nem perco mais meu tempo procurando roupas no Brasil. Nem mesmo em assessórios de bike temos opções. Acredito que o mercado está crescendo e evoluindo, por isso, não dá para culpá-lo totalmente. Talvez falte muita coisa, porque as mulheres ainda não estão consumindo tanto assim”, declara Luciana, conhecida nas provas nacionais e internacionais por usar praticamente todo o seu equipamento cor de rosa.
A ciclista Cláudia Franco, responsável pelo blog Ciclo Femini, discorda da justificativa dos lojistas, que dizem não ter opções por falta de demanda. “Acho o contrário, quando tiver opções haverá muita demanda. É muito frustrante entrar em uma loja e ver as mesmas coisas sempre empoeiradas na arara e sem opção de cor e tamanho”.
Não basta ser rosa, ter florzinhas e bichinhos. Os produtos devem ter uma ergonomia própria para o corpo feminino.
“O corpo da mulher é bem diferente do homem. É importante ter peças com geometria feminina. Com um equipamento ideal, o pedal fica mais prazeroso e a mulher mais confiante com a bike”, declara a ciclista Mariana Carcute.
A mulher geralmente tem o cavalo, parte abaixo da cintura que compreende a região das pernas, mais curto que o dos homens. Esse é um dos motivos pelos quais muitas bikes femininas de mesmo tamanho que a masculina têm o tubo superior do quadro mais baixo. Os glúteos também são maiores, isso envolve o selim, que geralmente é um pouco mais largo que o masculino. A mesa ou suporte do guidão também é outro detalhe importante.
“Eu considero que a oferta de produtos para as meninas está bem por aqui. começamos a ter marcas nacionais lançando linhas, como é o caso das várias marcas de roupas e de alguns fabricantes, como a Proshock”, revela Elaine, responsável pelo grupo Pedalada das Meninas.
Realmente, existem algumas indústrias com produtos voltados exclusivamente às mulheres. A Kalf é um outro exemplo. A empresa tem linha de produtos femininos e mulheres atuando diretamente no desenvolvimento e criação dos produtos.
Mariana Del Rio, responsável pelo marketing e produção da Kalf, diz que o critério de criação da linha feminina é de acordo com a demanda de mercado e considera de extrema importância a participação de mulheres no desenvolvimento de produtos.
“Mulheres sabem o que mulheres gostam, procuram e querem. Mulheres buscam segurança, conforto e design. Quando nós desenvolvemos produtos para elas, cada detalhe em favor desses quesitos é levado em consideração”, finaliza Mariana.
Esse é um setor ainda pouco explorado e tem um potencial de crescimento enorme. Para que ele cresça e haja um real investimento mercadológico, é necessário uma cobrança das próprias mulheres às importadoras, indústrias nacionais e lojas.
As mulheres também devem reivindicar aos veículos de imprensa um espaço igual na cobertura de eventos e aumentar a participação nas provas onde a presença masculina predomina.
A transmissão da bicicleta, que faz todo o movimento das rodas, é composta de cassete, coroas, corrente, movimento central e pedivela. Câmbio e passadores fazem parte da transmissão, mas serão abordados em outro artigo.
:: Cassete: O cassete é constituído de até 11 engrenagens, que ficam presas no cubo traseiro. No MTB é comum ter de 7 a 10 engrenagens, e no Speed, 8 a 11 engrenagens. Uma maior quantidade de engrenagens resulta numa maior possibilidade de combinações com as coroas. A quantidade de marchas da bicicleta é dada multiplicando o número de engrenagens do cassete, com o número de coroas. Por exemplo, uma bicicleta com 9 engrenagens atrás e 3 coroas na frente, possui 27 marchas.
As engrenagens possuem diferentes quantidades de dentes. No MTB, os cassetes de maior faixa geralmente têm a engrenagem menor com 11 dentes, e a maior, 36 dentes. No Speed, são 11 dentes na menor e 27 dentes na maior.
Os cassetes variam, basicamente, no material usado, quantidade de engrenagens e dentes, que resultam em diferentes valores. Quanto mais leve o cassete, mais caro ele custará, assim como todas as outras peças da bike.
:: Coroas: São as engrenagens presas ao pedivela, e normalmente variam de 1 a 3. Popularmente, vão de 22 a 48 dentes no MTB. Diferem no tamanho, peso e material usado (aço, alumínio ou uma mistura de carbono com alumínio). É recomendado usar marcas e modelos compatíveis de coroa, para garantir uma troca de marchas precisa. Alguns modelos são ovais, ao invés de redondos, trazendo supostos benefícios, ainda não comumente aceitos.
:: Corrente: Liga as coroas ao cassete, e transfere a força da pedalada para as rodas. Possuem diferenças no material e peso. Algumas têm design vazado, para diminuição do peso. Algumas utilizam um elo de ligação que permitem a abertura da corrente sem utilizar chaves especiais.
:: Movimento central: É o rolamento que encaixa no centro do quadro, na junção entre o tubo de selim e os dois tubos de baixo do quadro. Os braços do pedivela também se encaixam nessa peça. Sofreu diversas modificações ao longo dos anos, passando por diversos padrões. Precisa ser compatível com o pedivela e com o quadro.
:: Pedivela: O pedivela são os braços onde ficam presos os pedais e coroas da bicicleta. Pode apresentar diferentes comprimentos, normalmente de 165 mm até 180 mm, em MTB. Quanto maior o braço, maior a alavanca na pedalada.
O pedivela deve ser compatível com o movimento central, e ter coroas compatíveis com a sua furação. Existem pedivelas específicos para uma, duas ou três coroas.
Travessia Pólo Cuesta de Cicloturismo
Aventuras, pedaladas e cultura a menos de 200 km da capital paulista
Texto: Racquel Tomaz
Fotos: Marcos Túlio
Quem não conhece a paisagem que a Cuesta proporciona, não consegue imaginar tamanha beleza. Seja por asfalto ou estradas de terra, a aventura inclui pedalar em meio à natureza e conhecer cultura, história, religião e demais atrativos das cidades e vilarejos tão acolhedores do interior do estado de São Paulo. O cicloturista atravessa cursos d'água, enfrenta subidas e descidas, pedala por antigas linhas de trem e plantações. A vista dá ânimo a cada pedalada. A famosa Cuesta se mostra e o cicloturista pode apreciá-la dos muitos mirantes ao longo do caminho. Cada momento é marcante para aqueles que buscam experiências únicas durante uma cicloviagem.
A menos de 200 km da capital paulista, a cidade de Areiópolis dá início a uma série de trilhas de cicloturismo que seguem até Campos de Holambra. São nove etapas que totalizam 427 km de percurso e trazem um espetáculo almejado por todo cicloturista.
Já durante o primeiro trecho, que liga a cidade de Areiópolis a São Manuel, o turista passa por plantações de cana-de-açúcar e conhece Pratânia, cidade marcada por suas fábricas e lojas de artigos em couro. Além disso, por ser a cidade natal de Tinoco, da dupla sertaneja Tonico e Tinoco, é possível conhecer a trajetória da dupla através de diversos objetos, na Casa Cultural Tonico e Tinoco. O trecho tem pouca inclinação, sendo um ótimo ensaio para o que ainda está por vir.
Chegando a São Manuel, nota-se de imediato a devoção de seus moradores e a beleza do Santuário Santa Terezinha. A cidade recebe milhares de turistas religiosos durante o ano, sendo lugar de diversas manifestações de fé em datas como Corpus Christi e o feriado da padroeira do Brasil, em outubro. É imprescindível visitar, também na cidade de São Manuel, o Museu Histórico e Pedagógico Pe. Manoel da Nóbrega, que contém mais de quatro mil peças catalogadas, relacionadas à riquíssima história do estado de São Paulo e do município, que viveu o ciclo do café de forma muito intensa.
Partindo do centro histórico da cidade, o próximo trecho tem descidas e subidas emocionantes até chegar a Botucatu, município cujo nome significa, em tupi, “bons ares”. A cidade é repleta de cachoeiras, matas preservadas e é cercada pela Cuesta de Botucatu, que pode ser observada dos inúmeros mirantes existentes na região.
Descer a Cuesta, então, é maravilhoso: são três quilômetros de descida emocionante em meio a belas paisagens rumo a Anhembi. O trajeto até lá, marcado pelas estradas de terra, solo irregular e pela transposição de curso d'água, passa pelo vilarejo de Piapara. Antes de chegar ao destino, uma dica é descansar às margens do rio Tietê, aproveitando a área para o lazer e prática de esportes náuticos. Entre os meses de maio e julho acontece a tradicional Festa do Divino, na cidade de Anhembi.
Partindo para a cidade de Conchas, o cicloturista acompanha, durante quase todo o roteiro, uma linha de trem desativada, em um percurso estreito, plano e prazeroso. Depois desse trecho, tem-se cerca de 20 km de estrada tranquila que atravessa extensas plantações de eucalipto até a chegada em Conchas.
De lá até Bofete, as estradas são cercadas de verde, com pouquíssimo trânsito de veículos. Há apenas o turista, a bicicleta e a natureza, que pode ser vista em sua glória dos vários mirantes. De Bofete até Pardinho, o maior destaque é a paisagem. Mas para chegar ao famoso Mirante das Três Pedras, é preciso fazer um desvio de 3 km, pedalar forte nas subidas e cruzar cursos d'água, esforços que valem a pena pela recompensa da belíssima vista da região.
Chegando a Pardinho, não deixe de visitar o Centro de Cultura Max Feffer, que tem como objetivo a promoção de conhecimento, qualidade de vida, lazer e inclusão social. A construção é ecológica e sustentável, utilizando-se das inovações tecnológicas das edificações verdes. A cobertura feita com estrutura de bambu é um dos destaques, já que não só é ecológica como traz beleza ímpar à construção.
No trecho de Pardinho a Itatinga predominam as descidas, que são recompensadas por terreno plano ao se aproximar da cidade. Margeada pela estrada, já bem próxima de Itatinga, encontra-se a Abadia de Hardehausen, um mosteiro de origem alemã que guarda em seu interior pinturas, estátuas e diversos outros objetos datados do século XVIII. É possível, mediante agendamento, visitar ou se hospedar na abadia e conhecer a vida dos monges que ali residem.
O roteiro de Itatinga até Paranapanema é o de maior quilometragem; entretanto, em parte dele a pedalada é substituída por um passeio de balsa pela represa do Rio de Paranapanema: momento de relaxar e curtir a paisagem das serras e matas ciliares que circundam o rio. Chegando ao destino, o cicloturista pode visitar a Casa de Educação e Cultura, lugar que já foi delegacia e cadeia da cidade. É um local de grande riqueza histórica que, mesmo depois da sua recente restauração, ainda conserva inscrições de detentos nas paredes.
A viagem finaliza com um percurso de 30 km até Campos de Holambra, lugar conhecido pela produção de flores (como azaleias, crisântemos, violetas e rosas) e frutos de clima temperado (como pêssegos, maçãs, nectarinas e ameixas). Fundado por holandeses, o vilarejo é o lugar perfeito para quem quer se adentrar nessa maravilhosa cultura e finalizar o passeio de forma marcante.
O projeto Bem-Vindo Cicloturista, que criou a Travessia Pólo Cuesta de Cicloturismo, disponibiliza ficha técnica completa, perfil altimétrico, mapas, dicas, cartas de navegação e arquivos para GPS de todas as etapas, para que o cicloturista possa planejar e realizar a sua viagem de forma independente. Então, faça o download da sua carta de navegação acessando www.bemvindocicloturista.com.br.
DICAS:
• Não se esqueça do uso do protetor solar.
• Leve água e hidrate-se. São poucos os pontos de abastecimento no trajeto.
• Atenção à sinalização, pois o roteiro cruza plantações onde é fácil se perder.
• Atenção ao tráfego de veículos, principalmente na época da colheita da cana-de-açúcar. Pedale sempre na borda da pista.
• Tenha atenção redobrada na forte descida da Cuesta no trajeto entre Botucatu e Anhembi. As curvas são fechadas, há pedras soltas e trânsito de veículos.
• Evite percorrer os roteiros após a chuva. Em alguns trechos, o terreno encharcado torna a pedalada bastante difícil.
• Leve blusa de frio ou corta-vento, pois no alto da serra a temperatura é mais baixa.
Pedal em Família
Texto e fotos: Gabriel de Lucena Feltes e Carina Angélica Maus de Lucena Feltes
Minha esposa, Carina, e eu estamos juntos há nove anos. Começamos a pedalar há cerca de um ano e meio e ela ainda está um pouco acanhada, mas aos poucos está fixando raízes neste esporte e juntos estamos buscando novas conquistas.
Neste ano, no dia 30 de abril, participamos da 8ª Romaria de Ciclistas ao Santuário de Nossa Senhora de Caravaggio, de Caxias do Sul a Farroupilha, no Rio Grande do Sul. Minha esposa me convidou e eu topei na hora. Meu irmão, Bruno, nos acompanhou.
No dia do pedal, começamos a organizar as bikes às sete horas da manhã, para nos deslocarmos à concentração com os demais ciclistas. Quando acordei e abri a janela do quarto, me deparei com um dia nublado, frio e pronto para cair chuva. Comentei com a minha esposa: "Não podemos pensar muito, senão nem saímos de casa." Nos arrumamos, pegamos as bikes e fomos em frente.
Após tudo organizado, saímos para a Praça Dante Alighieri, local da largada, onde já haviam vários outros ciclistas prontos para seguir rumo a Farroupilha, pela RS-122. O percurso de 30 km foi vencido em aproximadamente 2h30min.
O passeio foi bastante tranquilo, com algumas subidas que não nos tiraram a determinação e a força necessária para chegar ao destino final. O passeio proporcionou momentos únicos e interação com diversas pessoas, desde crianças até idosos, ciclistas de finais de semana até ciclistas mais experientes. Entre todos estes estávamos nós, curtindo um bom pedal e a sensação de liberdade que este esporte proporciona.
O passeio teve uma parada no pedágio, localizado entre as cidades. Constatamos mais uma qualidade que torna a bicicleta um meio de transporte sustentável. Enquanto os carros paravam para pagar o pedágio, os ciclistas passavam sem pagar nada. Parece pouco, R$ 6,00 de pedágio, mas se multiplicássemos pelo número de bikers, ida e volta... Podemos dizer que foi uma grande economia!
Como ninguém é de ferro, ao chegar no destino comprei um chocolate e foi o suficiente para minha esposa dizer: "Vamos voltar pedalando!" Ela estava bem cansada, mas chocolate é um santo remédio.
Assim chegamos a mais um destino, satisfeitos com nosso desempenho e com a sensação de missão cumprida, pois determinação no pedal é metade do caminho: o resto é cabeça e resistência para encarar cada desafio.
Ó os noivos!
Texto: Ana Vivian
“Enquanto as distâncias pedaladas aumentavam, a distância entre nós é que diminuía!”
Saímos de casa de bicicleta e vestidos de noivos, junto com um dos padrinhos, um amigo, e o amigo/fotógrafo. Era para mais alguns amigos encontrarem conosco na saída de casa, mas eles atrasaram e tivemos de partir sem eles. Não poderíamos atrasar a chegada na igreja ( o padre havia frisado bem a respeito de atrasos). Era dia 29 de maio de 2010, eu (Ana), natural de Tangará-SC, e André, natural de Ourinhos-SP, havíamos nos mudado para Florianópolis em 2005 para estudar... E agora estávamos nos casando.
30 KM PARA O ALTAR
muito charmosos que fugiam da rodovia principal e passavam por prainhas, para pedalar com mais tranquilidade e passar por um cenário mais bonito. Então, combinamos com os amigos atrasadinhos que eles tentassem cortar caminho e nos encontrassem mais adiante.
Aconteceu o desencontro - de percursos e ligações telefônicas - e só conseguimos nos encontrar quase chegando lá, faltando cerca de 10 km para a igreja. Seguimos juntos e todos os convidados nos aguardavam nas calçadas. Foi muito emocionante, ao chegarmos de mãos dadas, todos aplaudiram, o que foi uma grande surpresa!
Guardamos todas as bikes, ajeita cabelo, passa um perfuminho, retoca maquiagem, toma uma água e o coração disparado de nervoso. Entramos ao som da música “Bicicleta”, do Trio Ponteio.
A ideia de pedalar no dia de nosso casamento não surgiu assim “plim! uma ideia maluca para agitar o casório”. Ela sempre esteve presente dentro de nós antes de pensarmos em nos casar. Primeiro porque andar de bicicleta é algo que já gostávamos muito de fazer, ainda antes de nos conhecermos. E depois que passamos a pedalar juntos, aí é que gostamos mais ainda disso. Viajando de bicicleta descobrimos que somos ainda mais companheiros, amigos, aproveitamos um a companhia do outro com intensidade, sinceridade e cumplicidade. Coisas que no dia a dia podem passar tão batidas. Não passam mais!
Nosso gosto pela bicicleta vem da infância. O André aprontava “altas confusões” com sua magrela e os amigos, e depois que veio morar em Florianópolis não foi diferente, ele vivia pedalando por lugares que eu ainda nem conhecia. Eu sempre gostei de pedalar, mas antes morava em cidades pequenas; quando mudei para cá, sentia muito medo de sair na rua de bicicleta, mesmo assim, com uma esperança de um dia conseguir, trouxe minha magrela junto.
ELE, A BIKE E EU
Começamos a namorar e só saíamos juntos nos finais de semana. O André vinha até minha casa de bicicleta e aí saíamos juntos a pé ou de ônibus. Eu não achava muita graça nas festas que íamos, e no início do namoro eu só pensava: “Humm...agora sim vou ter companhia para pedalar, ele bem que poderia me ajudar nisso!” Eu ficava morrendo de inveja quando ele aproveitava um sábado inteiro de sol pedalando pela ilha e eu em casa olhando o sol pela janela. Ver as fotos do resultado desses passeios então, que crueldade! Aí, como quem não queria nada, convidei ele para um passeio curtinho, só para perder o medo de pedalar nas ruas da cidade grande. Depois deste primeiro passeio, enquanto as distâncias pedaladas aumentavam, a distância entre nós é que diminuía! Até começar a ir para o trabalho de bike ele me incentivou, e pedalamos pela ilha toda nos finais de semana.
O André resolveu viajar para mais longe de bicicleta com um amigo (quem sabe pensando em conseguir se livrar de mim?!). Ao invés de preocupação, o sentimento que me bateu novamente foi “Ah, que inveja desgraçada!”. Claro, a saudade também estava grande. Eu queria era ter a coragem de me largar assim de bicicleta nessas estradas por aí e não ficar tanto tempo sem notícias dele. A oportunidade surgiu e numa nova viagem de férias costurei uns alforjes, comprei um capacete, e lá fomos nós serra acima, nós dois e o mesmo amigo.
Essa viagem foi daqueles episódios que marcam a vida, que transformam nossa maneira de pensar e ver o mundo. Logo depois de nossa primeira viagem de bici juntos, começamos a pesquisar sobre mais lugares para ir visitar e descobrimos que já existia uma definição pra isso, o tal do cicloturismo. Lendo, pesquisando e conversando com mais bicicleteiros da cidade, descobrimos a Bicicletada e um mundo de assuntos relacionados à bicicleta no cotidiano das pessoas mundo afora. Me aprofundei pra valer quando decidi que meu trabalho de conclusão da faculdade deveria falar de bicicleta também. Então, abrimos uma portinha virtual e começamos a vender alguns alforjes, fizemos umas camisetas, registramos a empresa e emprestamos o nome do nosso finado grupo de pedal daquelas primeiras viagens para nosso novo empreendimento. Com a empresa funcionando, pessoas vinham atrás de equipamentos pra viagem e passamos a conhecer ainda mais maluquinhos como nós, estas pessoas que gostam de se largar sem airbag ou para-choques para conhecer o mundo como ele é de verdade.
SIMPLICIDADE
Quando comunicamos aos familiares que iríamos nos casar, começamos a correria dos preparativos, porque não queríamos que nossa união fosse mais um daqueles eventos consumistas e megalômanos. Queríamos tudo em consonância com o nosso jeito de levar a vida, com o máximo de coisas feitas por nossas mãos, com o mínimo de deslocamentos realizados a motor, com o mínimo de geração de lixo, e muitos outros itens que deixaram os pais um tanto quanto apreensivos. Quanto mais viajávamos de bici, quanto mais pedalávamos na cidade, mais percebíamos a importância de uma mudança de atitudes em benefício da própria saúde e da saúde dos outros também. Muitas atitudes em nós mudaram.
Bem, a data se aproximava e estávamos precisando pedalar bastante! Não para curtir a paisagem, nem para adquirir preparo físico. Era pelos preparativos dos papéis, igreja etc. Quase toda semana tínhamos de ir até o norte da ilha assinar algo, levar algum documento, buscar alguma coisa, conversar com alguém da igreja... Com tantas idas e vindas, o trajeto de 30 e poucos quilômetros, que parecia longo de início, foi diminuindo porque ficou conhecido. Já estávamos super tranquilos quanto ao trajeto, que incluía alguns morros, mas muito trecho plano.
Quando contamos sobre ir de bicicleta ouvimos de tudo, alguns não acreditavam, outros caçoavam e alguns proferiam “grandes” incentivos. Ouvíamos rindo. “Mas como assim, vão de bicicleta para o casamento?!”, “Vocês vão chegar todos sujos, suados, fedidos!”, “Pra quê isso?!”, “E o vestido, vai se trocar aonde?”; “Vestido de retalhos?!” , “Decoração com lixo?! Tão doidos!”, “E se chover?!”, “Vocês vão ficar acabados, cansados e nem vão aproveitar a festa.”, “Vai derreter a maquiagem.”, “Vão chegar pretos de fuligem.”
Felizmente, comprovamos pela experiência de pedalar para nosso casamento, que todas as impressões que as pessoas tinham sobre o fato era o completo oposto do que vivenciamos. Enquanto muitos noivos passam apreensivos as horas que antecedem o tão esperado "sim", nós passamos a tarde relaxando, enquanto pedalávamos por lugares lindos. Esquecemos o nervosismo nos distraindo e nos divertindo na companhia dos amigos. O dia que fez não poderia ter sido mais espetacular, nublado e fresco. O sol apareceu quando já nos aproximávamos da igreja. No caminho, as pessoas nos carros buzinavam e abanavam, alguns até pararam, desciam e batiam palmas, em algumas casas gritavam “Ó os noivos!” e a familiarada corria para a janela. Foi bem divertido ver a reação das pessoas.
No dia do casamento, todos as palavras e abraços não eram nada parecidas com aquelas frases que citamos ali acima... Depois do casamento, perguntavam: “E a lua de mel?”. A resposta já era esperada: “De bike, e barraca!”.
BODAS DE PAPEL
Estamos completando um ano de casamento, e é muito gostoso lembrar destes momentos, de todos os familiares e amigos que estavam por lá e nos abraçaram naquele dia. Todas as palavras lindas que ouvimos e que nos fizeram chorar de emoção.
Hoje, eu (Ana), 24 anos, e André, 25 anos, paramos para pensar e nem parece que já se passou um ano desde o nosso grande dia. Comemoramos nossas Bodas de Papel pedalando juntos e passeando pela cidade, por alguns trechos percorridos no dia do casamento: que sensação deliciosa relembrar um dia tão emocionante de nossas vidas. Enquanto pedalamos, nos sentimos muito felizes por estarmos um na companhia do outro e saber que é deste jeito que queremos continuar.
Estamos na expectativa de realizar um sonho que nos acompanha desde a época das nossas primeiras viagens de bike: queremos viajar sem pressa, sem roteiro definido, deixando o caminho nos guiar.
Neste um ano, ouvimos pessoas dizerem que com o tempo vamos abandonar a ideia de andar de bicicleta; outros profetizam que, quando vierem os filhos, não teremos escapatória e, quando menos esperarmos, já estaremos comprando um carro para transportar a prole. Mas nós preferimos pensar que tudo isso não passa de aposta furada, pois a mesma profecia fizeram no dia do casamento: “Ih! Vocês vão ver, é só casar que vão querer um carro!” Bem, um ano se passou, a profecia não se cumpriu e nem dá sinais de que se cumprirá, até porque há um dado estatístico que não nos deixa mentir: aqui em casa a frota de veículos está em 2,5 por habitante, e todos eles são movidos a arroz e feijão.
A expedição de bicicleta entre Lhasa e Kathmandu
Texto e fotos: Fábio Zander
De aproximadamente 1.500 fotos que tirei durante a expedição de bicicleta entre Lhasa e Kathmandu, gosto dessa em que faço uma parada de cabeça para baixo em nosso acampamento, há cinco mil metros de altitude, ao lado do monastério de Rongbuk. A maior montanha do planeta, o Everest, com 8.848 metros está ao fundo, à minha direita. É uma mistura de muita felicidade e pouco oxigênio!
A parada de cabeça para baixo foi inspirada em uma foto que vi anos atrás em um livro do famoso montanhista italiano Hans Kammerlander, que também fez uma parada de cabeça no topo de alguma montanha acima de oito mil metros de altitude.
Guio um grupo de cinco ciclistas (três suíços, um alemão e um italiano) pela maior cordilheira do planeta e coordeno um time de apoio local com sete integrantes, entre eles motoristas, ajudantes, guia e cozinheiro.
A viagem foi realizada entre os dias 4 e 29 de maio desse ano. Dos 26 dias de viagem, foram 15 etapas de pedal. Percorremos 1.030 quilômetros e 11.115 metros de ascensão, atravessando diversos passos (ou também denominados La, em tibetano). Os mais importantes:
- Suge La (5.446 metros)
- Dongu La (4.945 metros)
- Tsuo La (4.534 metros)
- Lhakpa La (5.256 metros)
- Pang La (5.206 metros)
- Lamna La ( 5.110 metros)
- Lalung La (5.035 metros)
- Thong La (5.135 metros)
A chegada em um passo é o prêmio depois de horas de esforço na subida. Chego no topo, sento-me e curto a vista ao som das bandeiras de orações.
Vôo da Europa a Kathmandu
Eu parti em um vôo de Munique, na Alemanha, com destino a Doha, no Qatar, onde me encontrei com o grupo de ciclistas. Depois de quase sete horas de espera no aeroporto, continuamos a viagem em direção a capital do Nepal, Kathmandu.
Chegando no hotel em Kathmandu, fomos todos descansar da longa viagem. No dia seguinte, fizemos alguns passeios a diversos pontos turísticos da cidade que, por sinal, tem um trânsito caótico de dar inveja a São Paulo. Conhecemos o templo budista dos macacos (chamado Swayambhunath), vimos corpos sendo cremados em cerimônias hinduístas às margens do rio sagrado Bagmati, visitamos uma das maiores stupas do Nepal, o Pashupatinath e demos uma volta por Bhaktapur.
Vôo de Kathmandu a Lhasa
Um dos vôos mais impressionantes que já vivenciei. Dez minutos depois da partida, estávamos sobrevoando as montanhas do Himalaia e, de repente, a visão: o Everest sobressai à esquerda do avião, como uma ilha no meio do mar de nuvens e montanhas nevadas. Impressionante!
Em Lhasa, que fica a 3.670 metros de altitude, ficamos três dias para aclimatização. Super importante, já que nos próximos dias pedalaríamos por altitudes acima de 4.000 metros. A pedalada nem é tão técnica e as subidas que encontramos por aqui são facilmente transpostas em altitudes mais baixas ou ao nível do mar, mas pedalar em ambientes que tem quase a metade do oxigênio faz toda a diferença e o corpo precisa de tempo para adaptar-se ao esforço físico.
No primeiro dia em Lhasa, fizemos passeios leves pela cidade para conhecer o palácio Potala e o templo Jokhang. No segundo dia, fizemos uma pedalada leve de 23 quilômetros até o monastério de Sera. No último dia em Lhasa, fizemos uma pedalada mais longa de 75 quilômetros e atravessamos um passo com 3.892 metros de altura.
Destaque em Lhasa também para a cozinha tibetana. Meu prato preferido: a carne de Yak frita na chapa com legumes e macarrão, acompanhado de uma cerveja feita na região.
O início da pedalada
Somente no oitavo dia de viagem iniciamos a nossa pedalada em direção ao Nepal. Os poucos ciclistas que fazem esse trajeto de Lhasa a Kathmandu normalmente pedalam todo o roteiro pela Friendship Highway, que tem diversos trechos asfaltados e razoável trânsito de caminhões e automóveis. Nós pedalamos os primeiros dias por estradas de terra, cascalho e areia em um trecho ao norte de Lhasa, a partir da vila de Yangpachen, em direção ao passo mais alto de nossa viagem, o Suge La com 5.446 metros de altura. Esse primeiro passo acima dos 5.000 metros foi uma verdadeira luta e adaptação entre o corpo, a bicicleta e a altitude. Há poucos quilômetros do topo, enfrentamos tempo ruim com vento forte e neve, mas esse foi o tempero da travessia do primeiro e mais alto passo de nossa pedalada.
Um dos integrantes sentiu-se mal por causa da altitude. Isso me lembra as palavras de um guia que tive na região de Ladakh, no norte da Índia (Himalaia). Ele sempre dizia que a dor de cabeça é um presente das altas montanhas e é preciso tempo para aceitarmos essas condições.
Seguindo a pedalada, após a travessia do passo de Suge encontramos, poucos dias depois, a Friendship Highway, por onde seguimos pedalando às margens do rio Brahmaputra até Shigatse que é, depois de Lhasa, a segunda maior cidade do Tibet.
Os chineses têm investido muito dinheiro no Tibet, por exemplo, construindo uma ferrovia até Lhasa, asfaltando estradas como a Friendship Highway ou com infraestrutura básica (água, esgoto e eletricidade) nas cidades como Lhasa e Shigatse. Depois do que vi, não consigo imaginar um Tibet livre.
Uma das etapas mais bonitas foi em direção ao passo de Pang, com suas inúmeras curvas e um ziguezague até o topo, há 5.206 metros de altura. Para isso, saímos novamente da Friendship Highway com destino ao acampamento base do Everest. O dia estava nublado e bem frio lá em cima, e não pudemos ter a primeira vista do Everest. A descida foi debaixo de neve, mas perdendo altitude, a temperatura foi aumentando até o nosso acampamento. À noite, pudemos enfim avistar o topo do Everest em meio às nuvens.
O Everest
No dia seguinte, segui atrás do grupo, só curtindo a pedalada e a aproximação à base do Everest, em Rongbuk. Entramos no parque Qomolangma (o nome tibetano do Everest) e enfrentamos muitos quilômetros de estrada com costela de vaca. Hoje, de propósito, fiquei para trás e, próximo ao mais alto monastério do mundo, Rongbuk, avistei o Everest; parei e chorei de emoção. Mais um antigo sonho realizado!
Chegando no acampamento 7, que é um dos nossos acampamentos mais altos da viagem, acima de 5.000 metros ao lado do monastério. Ficamos pelo menos uma hora e meia curtindo o vale e o visual do majestoso Everest. Claro, muitas fotos são tiradas, uma delas a parada de cabeça para baixo, os meus 1,74 metros “contra” os 8.848 metros do Everest.
Acampamos diversas vezes durante a nossa pedalada e o nosso time de apoio sempre estava à disposição montando acampamento, nos recebendo com um chá ao final do dia ou preparando deliciosas refeições. Esse time foi muito importante, nos deu tranquilidade para nos concentrarmos apenas nas pedaladas e nas etapas e passos a serem atravessados.
Nos despedimos do Everest e pedalamos em direção à pequena vila de Tingri, encontrando novamente a Friendship Highway, mas antes atravessamos o passo de Lamna com 5.110 metros; percorremos um dos trechos mais técnicos da viagem e um downhill bastante íngrime. De Tingri, é possível avistar ao longe uma muralha de montanhas nevadas, o Everest e um pouco mais à direita o Cho Oyu com 8.153 metros de altura.
A descida para o Nepal
A partir de Tingri, seguimos pela asfaltada Friendship Highway e antes da longa descida até Kathmandu, a partir da pequena cidade tibetana de Nyalam, o ambiente se transforma radicalmente em poucos minutos. Das alturas de pouca fauna e flora, descemos um longo downhill de aproximadamente 20 quilômetros até a vila de Zangmu e a vegetação verde e exuberante vai tomando conta da paisagem.
De Zangmu, atravessamos a fronteira entre China e Nepal pela ponte da Amizade (Friendship Bridge) chegando à pequena vila de Kodari. Essa travessia de fronteira demorou aproximadamente duas horas, com um pouco de burocracia em ambos os lados.
Deste ponto em diante, a pedalada dura dois dias até Kathamandu e a estrada não é tão bem conservada como no lado chinês. Alguns trechos me fazem lembrar do interior do Brasil ou trechos pela serra do mar. Há muita extração de madeira, dando lugar a terraços nas montanhas para plantio de milho e principalmente arroz. Triste, pois pouco se vê da mata nativa.
Antes de terminar a pedalada em frente ao hotel no bairro de Thamel em Kathmandu, “enfrentamos” de bicicleta o trânsito maluco da capital nepalesa: uma aventura dentro da aventura para fechar com chave de ouro mais uma travessia pela maior cordilheira do planeta, o Himalaia.
Segunda Etapa Copa Internacional Banco do Brasil de Mountain Bike
São Lourenço - MG
Texto: Divulgação Fotos: Antonio Merlo/ Bike Amparo
A cidade mineira de São Lourenço recebeu, no dia 19 de junho, a segunda etapa da Copa Internacional Banco do Brasil de Mountain Bike categoria Cross Country, modalidade olímpica. Roberta Stopa e Edivando Souza Cruz venceram a etapa, acirrando a luta por uma vaga nos jogos pan-americanos de Guadalajara, no México.
Edivando conquistou a vitória completando as seis voltas do percurso com o tempo de 01h44m45s, seguido de Daniel Carneiro, apenas um segundo atrás. Roberta Stopa finalizou as quatro voltas no circuito com o tempo de 01h27m54s, enquanto Érika completou a prova com o tempo de 01h30m15s.
Na elite masculina, Edivando lidera a classificação geral e, por enquanto, está conquistando a vaga para o México com 113 pontos, apenas um ponto a mais que Rubens Donizete. "Agora está tudo indefinido e é focar os treinos para beliscar essa vaga para o pan", disse Edivando Souza Cruz.
Entre as mulheres, Érika Grasmicelli foi a segunda colocada nas duas etapas e também lidera a geral por um ponto de diferença. Ela está com 126 pontos, enquanto Roberta Stopa está em segunda com 125 pontos.
A prova contou com delegações de Chile e Argentina. "Tinha três 'gringas' e não podíamos dar mole. Agora é lutar firme pela vaga no pan", declarou Stopa.
A próxima etapa da Copa Internacional será nos dias 20 e 21 de agosto na cidade histórica de Congonhas, em Minas Gerais. Além da disputa pelo pan, o título da Copa, única competição classe 1 da América do Sul, também está em aberto e será definido em Congonhas.
Os ex-pilotos de Fórmula 1, Christian Fittipaldi e Cristiano da Mata estiveram presentes em São Lourenço. Christian, que é dono da equipe Scott-Fittipaldi, competiu na categoria sub-40 e ficou entre os 20 melhores da prova.
RESULTADOS 2ª ETAPA - SÃO LOURENÇO
ELITE FEMININA
Posição
Atleta
Tempo
1ª
ROBERTA KELLY STOPA
01:27:54.34
2ª
ÉRIKA GRAMISCELLI
01:30:15.09
3ª
JULYANA MACHADO RODRIGUES
01:31:35.28
ELITE MASCULINA
Posição
Atleta
Tempo
1º
EDIVANDO DE SOUZA CRUZ
01:44:45.22
2º
DANIEL CARNEIRO
01:44:46.93
3º
RICARDO ALEXANDRE PSCHEIDT
01:44:49.60
GERAL FEMININA
Atleta
Classificação
1ª Etapa
2ª Etapa
3ª Etapa
Total
ÉRIKA GRAMISCELLI
1ª
63
63
126
ROBERTA KELLY STOPA
2ª
52
73
125
JULYANA MACHADO RODRIGUES
3ª
42
57
99
GERAL MASCULINA
Atleta
Classificação
1ª Etapa
2ª Etapa
3ª Etapa
Total
EDIVANDO DE SOUZA CRUZ
1º
42
71
113
RUBENS DONIZETE VALERIANO
2º
63
49
112
RICARDO ALEXANDRE PSCHEIDT
3º
52
58
110
IRON MAN BRASIL 2011
Florianópolis - SC
Texto: MBraga Comunicação
Fotos: Link Photo
Brasileiros sobem ao pódio neste que é um dos mais difíceis desafios do esporte mundial.
A 11ª edição do Iron Man Brasil começou com a brisa fria do dia 29 de maio. Ao nascer do sol em Jurerê Internacional, Florianópolis - SC, 1.823 triatletas de 34 países largaram para enfrentar os 3,8 km de natação, 180 km de ciclismo e 42,1 km de corrida da única seletiva da América Latina do Mundial Iron Man.
O argentino Eduardo Sturla conquistou seu quarto título na competição em 8h15min03seg, tornando-se o maior vencedor da história da competição. O segundo lugar ficou com o brasileiro Guilherme Manocchio, de Curitiba - PR, que fechou a prova em 8h17min20seg. Ezequiel Morales, outro argentino que havia conquistado a 2ª posição ano passado, completou o pódio.
No feminino, a norte-americana Amy Marsh venceu a prova já em sua estreia. Ela completou a prova com o tempo de 9h09min39seg, seguida por Lucie Zelenkova, da República Tcheca, e pela brasileira Ariane Gomes Monticeli. Marsh tem se destacado nas competições deste gênero: foi a quarta conquista nos últimos três anos.
O público que acompanhou a prova foi um show à parte. Na areia, milhares de pessoas acompanharam a largada com animação, aproveitando a oportunidade de ver de perto alguns dos melhores nomes do triatlo mundial.
Para Carlos Galvão, diretor-geral do Iron Man Brasil, a competição teve resultado positivo. "Nossa análise é de mais um sucesso que, sem dúvida nenhuma, demonstra a consolidação deste que é o maior evento de triatlo da América Latina. Ainda perseguimos o título brasileiro no masculino, que está cada vez mais próximo", destacou.
A disputa masculina foi eletrizante. Eduardo Sturla completou a natação em quarto lugar, parecendo não ter sentido o desgaste e o pouco tempo de recuperação desde a última prova, o Iron Man da África do Sul, em abril. No ciclismo, o argentino assumiu a ponta, brigando contra seu compatriota Oscar Galindez e com o brasileiro Guilherme Manocchio. Ao final dos 180 km de ciclismo, Eduardo Sturla manteve a liderança. Ele iniciou os 42,1 km de corrida com mais de cinco minutos de vantagem para Manocchio, que tomou o segundo lugar de Galindez. Sturla tentava vencer o cansaço e Guilherme buscava tirar a diferença e conquistar a primeira vitória nacional no evento. Em uma corrida brilhante, o brasileiro diminuiu a diferença de cinco minutos para apenas 25 segundos, mas o argentino usou sua experiência e técnica para garantir o quarto título.
"Isto aqui é algo incrível. Não poderia imaginar que conseguiria, mas é um prêmio por todo o sacrifício que fiz. Para você conseguir algo diferente precisa fazer algo diferente, por isso treinei mais. Estava muito cansado e pensei que não fosse chegar. De qualquer forma, estou feliz por entrar para a história da competição, pois não é fácil ganhar quatro vezes uma competição como esta", afirmou Sturla.
Guilherme também não escondia a emoção. Sétimo colocado no ano passado, ele veio com o objetivo de melhorar sua participação e quase conquistou a vitória, que representaria o fim da hegemonia estrangeira na disputa masculina. "Treinei cinco meses, especialmente o ciclismo, pois tinha sido minha deficiência. Isso rendeu muito e consegui sair em segundo na corrida, onde me sinto mais à vontade. Tentei forçar nos últimos quilômetros, mas sofri muito com dores", afirmou o curitibano de 28 anos. "Foi uma das maiores alegrias da minha vida", completou.
No feminino, Amy Marsh dominou a prova e venceu praticamente de ponta a ponta. Ela saiu em terceiro lugar da natação e com seis minutos de ciclismo já era a primeira colocada. "Foi uma prova bastante dura e o que foi determinante foi o ciclismo, já que não saí bem da água. Adorei estar aqui, pois o público te apoia o tempo todo e não para de gritar. Adorei isto. Eu quis participar no ano passado, mas perdi o prazo de inscrição. Por isso, este ano fiz já em dezembro de 2010", explicou a campeã.
A brasileira Ariane, terceira na prova, terminou a prova com tantas dores que teve que ser atendida pelos médicos. "Cheguei bem mal, fruto do esforço. Fiz uma preparação forte para a prova e esperava chegar entre as três. Mantive a concentração o tempo todo e acabei fazendo minha melhor maratona. Estou bastante feliz com o resultado", disse a terceira colocada, que começou a praticar triatlo em 2005 e já completou cinco Iron Man.
RESULTADOS
Masculino
1. Eduardo Sturla (Argentina) - 8h15min03seg
2. Guilherme Manocchio (Brasil) - 8h17min20seg
3. Ezequiel Morales (Argentina) - 8h21min40seg
4. Santiago Ascenço (Brasil) - 8h26min15seg
5) Chris Mcdonald (Austrália), 8h26min24seg
Feminino
1. Amy Marsh (EUA) - 9h09min39seg
2. Lucie Zelenkova (República Tcheca) - 9h16min14seg
3. Ariane Gomes Monticeli da Silveira (Brasil) - 9h19min15seg
4. Hillary Biscay (EUA) - 9h35min05seg
5. Fernanda Keller (Brasil) - 9h49min54seg
1º MTB Marathon Márcio May Pedra Branca
Palhoça - SC
O espetáculo era de bicicleta - mais de 500 inscritos. O dia não poderia ser melhor, 05 de junho, Dia Mundial do Meio Ambiente. E o palco: Cidade Universitária de Pedra Branca, a Cidade Sustentável em Palhoça - SC.
Onde antes era terra de lavoura e pastagem, hoje se encontra em andamento um projeto inovador, reconhecido internacionalmente por órgãos e associações que atuam em prol da sustentabilidade. Os urbanistas idealizadores do projeto pretendem que Pedra Branca seja sustentável, com áreas públicas verdes, ciclovias e tudo (escola, trabalho, moradia) planejado, de forma a estar próximo, dando preferência para os modais a pé e de bicicleta.
O Sr. Aurino José de Freitas e sua esposa, Nair Júlia Ferreira de Freitas, contam que o lugar está em franco crescimento. "Aqui está muito bom. Tem comércio, uma nova padaria, tudo junto, e agora está para sair um hospital. Nossa filha estava em Jurerê, veio para a Pedra Branca. A outra estava em São José, veio para a Pedra Branca. Nós estamos em São José ainda, mas daqui a pouco estaremos na Pedra Branca", comenta o casal, que estava visitando a filha, casada com um escritor do Diário Catarinense, uruguaio de 27 anos que neste ano havia encarado o Iron Man Brasil.
Para comemorar o Dia Internacional do Meio Ambiente em um lugar tão especial em termos de desenvolvimento urbanístico sustentável, o 1º MTB Marathon Márcio May Pedra Branca reuniu mais de 500 pessoas, sendo 15 atletas do Uruguai, e agitou as ciclovias que passam em frente à casa da filha do atencioso casal. "Corrida de bicicleta na frente de casa é uma novidade", comentam enquanto assistem, curiosos, os ciclistas na disputa. Os ciclistas disputaram na categoria Sport, em um percurso de uma volta de 26 km, e na categoria PRO, duas voltas totalizando 52 km.
A competição foi organizada por Márcio May, em parceria com a Cycles Hoffmann, após contato com Gean Hoffmann no Desafio Márcio May em Rio do Sul - SC. "O Gean Hoffmann, que é daqui da Grande Florianópolis, conheceu o pessoal aqui da Pedra Branca, foi no desafio ano passado, gostou da ideia e sugeriu que a gente fizesse o evento aqui. Nós organizamos e aprovamos o projeto. Ele é um dos patrocinadores, e assim conseguimos realizar a competição aqui."
Mas mountain bike é sinônimo de estradinha de terra e obstáculos... E isso não faltou nos 26 km do percurso. As estradas interioranas revelaram um trajeto tranquilo, com pouca subida, o que abriu oportunidade para um público bem abrangente completar a prova. "Aqui é uma prova de mountain bike; até a chegada a gente fez cheio de curvinhas, passando na ciclovia, para ter essas dificuldades que tem no MTB, e também para a chegada ser mais afunilada, facilitando a marcação por chip. O objetivo é dar a oportunidade a todos de participar, completar o percurso, pois a maioria das pessoas, mesmo com pouco treino, conseguem fazer uma volta, apesar da subida do Pagará, onde dá para dar uma sofridinha", declara Márcio.
Durante a concentração, muitos estavam indecisos se largavam de calça ou bermuda. O frio de cerca de 10°, típico da região sul, só começou a esquentar perto da largada da prova, às 9h. Apesar do frio, o dia foi maravilhoso, com um lindo sol que parecia exaltar ainda mais as belezas naturais de Pedra Branca.
A competição foi um show. Na Pro Masculina, o catarinense Ricardo Pscheidt, atual campeão brasileiro de Cross-Country, foi o primeiro a completar os 52 km, no tempo de 1h33min55seg. A disputa emocionante com João Paulo Firmino Pereira foi intensa até o final da prova, e a vantagem de Pscheidt foi de apenas 1seg. Odair José de Oliveira Pereira, que foi o terceiro colocado, também chegou bem próximo aos dois primeiros, com o tempo de 1h34min. Gilberto Góes e Luis Henrique Visentainer completaram o top 5.
Entre as mulheres que encararam os 52 km da categoria Pro, Tânia Clair Pickler deu um show de pilotagem e conquistou a vitória tranquila, no tempo de 2h05min55seg. A disputa pelo segundo lugar foi mais agitada, mas Simara Pistore de Oliveira levou a melhor, chegando 14 segundos à frente de Ana Luísa Korc Panini. Em 4º lugar, com o tempo de 2h16min29seg, ficou a uruguaia Erica Rodriguez, seguida por Clara Gerusa Martins.
Na classificação geral da Sport, destaque para Marcus Roberto Troglio Cabral, o mais rápido entre os homens com o tempo de 57min57seg, no percurso de uma volta de 26 km. Na categoria feminina, Ivone Farias, com o tempo de 1h06min01seg foi a mais rápida. Alexandre Fullgraf, que competiu na categoria 45-50 anos, comentou que este evento o fez retornar a pedalar. "Sou ex-atleta de ciclismo, fui a pan-americano pela seleção brasileira. Sempre corri de speed, esta é minha primeira vez no mountain bike. Estou voltando depois de 20 anos afastado. Quando eu estava parando, o Soelito Gohr estava começando."
Soelito Gohr participou da corrida, apesar de não ser atleta MTB. "A corrida saiu forte, o pessoal estava com muita vontade, bem treinado. Essa corrida foge da minha especialidade, mas ainda assim acho que me sai bem. A organização ajudou muito, trancou o trânsito, avisou o pessoal das casas que ia ter a prova, os moradores e o público em geral aplaudiu e incentivou bastante", destacou.
Soelito Gohr também ressaltou a importância do evento na aproximação das pessoas, e como parte final de sua preparação para a Copa do Mundo Paraolímpico. "O público está aí fazendo uma carninha, curtindo o final de semana junto com a gente. Aqui vale pela família, participando junto, como em todas as provas que o Márcio organiza. É um final de semana que a gente pode ter a união familiar e com os amigos. A gente precisa dessas provas para ter uma união no modo geral. Essa prova está fazendo parte do final do meu treinamento para a Copa do Mundo Paraolímpico. Vou viajar para a Espanha e espero voltar com uma medalha para o Brasil e comemorar com todo mundo aqui."
A parte mais bonita do espetáculo foi com a chegada do atleta Styves Mafra Tambosi. Ele participou da categoria especial, pois é portador de uma rara doença conhecida como Síndrome de Wilson, que prejudica atividades motoras, inclusive a fala e o movimento das pernas. Mesmo assim, o catarinense de Itajaí foi um exemplo de superação, completou os 26 km em 2h57min53seg, e como acontece nas cenas mais bonitas de um belo espetáculo, a plateia o aplaudiu de pé, estasiada pelo feito. Que as cortinas do Marathon Márcio May Pedra Branca insistam a abrir todos os anos, unindo as pessoas, proporcionando aos atletas uma grande prova e estreitando cada vez mais os laços entre bicicleta e sustentabilidade.
https://picasaweb.google.com/celinalmbottan/3EtapaCampeonatoPaulistaEmLemeSP22DeMaio2011#
Campeonato Paulista de Bicicross 2011
Texto: Pedro Andrade / Fotos: Celina Bottan
Segunda etapa - Jarinú
A segunda etapa do Campeonato Paulista de BMX Racing aconteceu no dia 03 de abril. O clima foi o maior inimigo dos pilotos, mas eles sabem que encarar essas situações é normal: o importante é pedalar forte e cruzar a linha de chegada em boa colocação.
A categoria Pro Elite foi vencida pelo catarinense Felipe Brick, de Brusque, depois de uma disputa aérea com Rogério Reis, de São José dos Campos. Leonardo Ferreira, de Sobradinho - DF, ficou o terceiro lugar e comemorou muito. O fato lamentável foi o tombo sofrido pelo campeão de 2010, Ebert Silva, de Paulínia, que ficará um tempo de molho até recuperar da fratura na mão esquerda.
Naiara Silva, de São José dos Campos, liderou a Elite Woman, à frente de Thaise Souza, de Paulínia. Na Junior Men, vitória do espetacular Igor Ferreira, de São José dos Campos. André Fassina, de Americana, chegou em segundo, trazendo no vácuo Marcio de Souza, Miguel Dixini e Guilherme Bourscheidt.
Na elite Master, os atletas da cidade de Salto, Ronaldo Peres e Benedito Teodoro, e Daniel Jorge, de Paulínia, foram os três primeiros.
Na expert 25/29 anos, dobradinha da equipe de São José dos Campos, com Tarcis Santos e Kleber Santos. Francis Hebert, de Paulínia, ficou em terceiro.
A final da 17/24 anos foi disputadíssima. O líder da final, Giovanni Novo, de Jarinú, dividiu a curva ombro a ombro com Everton Munch, de Brusque. Os dois atletas se enroscaram e cederam a liderança para Vitor Pereira, de Americana. Luiz Dionizio, de Campos do Jordão, foi o segundo, e Matheus Povoas, de Timbó - SC, fechou em terceiro.
No feminino 15/16 anos, Thaynara Morosine, de Betim-MG, puxou a fila, com Joanna Correa, de Paulínia, em segundo e Rafaela Neto, de Americana, em terceiro.
Terceira etapa - Leme - 22/05
A etapa de Leme aconteceu dia 22 de maio e foi considera uma das mais disputadas. A liderança trocou de dono em várias categorias. Na Elite Men, Deivlin Balthazar, de Americana, vinha na liderança quando foi ultrapassado por Daniel Brito, de Jarinú. Ambos entraram praticamente juntos na reta de chegada e caíram faltando poucos metros para a linha de chegada. Ademir Silva, de Americana, não perdeu a oportunidade e venceu pela primeira vez na Pro. Sidney Borba, de Pirapora-MG, foi o segundo, Antonio Ferreira Neto, de Indaiatuba, o terceiro, Eder Oliveira, de Sorocaba, o quarto, e Deivlin levantou-se mais rápido que Brito e fechou o quinteto.
Thaise Souza deu mais trabalho a Naiara nesta etapa, mas a biker de São José dos Campos foi mais técnica e venceu novamente. Na Junior Men, Miguel Dixini venceu de forma arrasadora; André Fassina se manteve em segundo e Nelso Schneider Neto, de Criciúma-SC, foi o terceiro.
Mudanças também na Elite Master. Benedito Teodoro foi o mais rápido na final, com Leandro Zavagli, de Americana, em segundo e o campeão da temporada passada, Thaiguara Ramires, de Jarinú, em terceiro.
Outra categoria com final eletrizante foi a 25/29 anos, com Anderson Pontes, de Americana, e Paulo Lisboa, de Jacareí, chegando lado a lado. A vitória ficou com Pontes, por milímetros. Francis Herbert se manteve em terceiro.
Gustavo Mesquita mostrou seu favoritismo e liderou a final da 17/24 anos; ele foi campeão da mesma categoria no Campeonato Pan-americano realizado em Bello, na Colômbia, no dia 15 de maio. Mesquita também venceu em 2010 e sagrou-se bi-campeão. Vitor Pereira foi o segundo e Lucas Martins, de Paulínia, o terceiro.
Thaynara Morosine venceu novamente em Leme, com Joanna Correa em segundo e Amanda Rodrigues, de Paulínia, em terceiro. A 16 expert também proporcionou bons pegas nas duas etapas. Robson Ronzani, de Sorocaba, venceu em Jarinú e foi o segundo em Leme; Vinícius Almeida, de Paulínia, foi segundo em Jarinú e venceu em Leme. A terceira colocação ficou com Felipe Pereira, de Sobradinho-DF.
Giro d'Itália 2011
94ª edição
07/05 a 29/05
Texto: Anderson Ricardo Schörner
A Itália está comemorando os 150 anos da unificação do país, que era dividido em sete estados, até 1861. Em Turim, no dia 17 de março daquele ano, Vitor Emanuel II, Rei do Piemonte e da Sardenha, reuniu-se com os representantes dos outros estados e concretizou a independência e unificação da Itália, cessando um longo período de conflitos.
A mesma Turim - primeira capital da Itália unificada - está recebendo inúmeros eventos em comemoração à unificação. Não poderia ser diferente com o Giro d'Itália, uma das grandes voltas ciclísticas do mundo, no mesmo patamar do Tour de France e Vuelta a Spaña.
Com direito a caças italianos fazendo um show aéreo, para uma multidão que lotou a praça principal de Turim, Piazza Castello e Palazzo Madama, a primeira etapa foi uma festa, principalmente para Marco Pinotti, que vestiu a maglia rosa no contrarrelógio por equipes, de 19,3 km entre Venaria Reale e Turim. Sua equipe, a HTC-Highroad cravou 20m59s. Felicità na Bota! Depois de quatro anos, um italiano novamente dormiu de rosa depois da primeira etapa do Giro.
A segunda etapa foi a mais longa da competição, com 244 km entre Alba e Parma. Mas sua definição se deu por centímetros. Por menos de uma roda, Alessandro Petacchi superou Cavendish em um sprint final espetacular. Ma che sprint, Signore Petacchi. Com dedos em riste, Cavendish acusou o italiano de tê-lo fechado duas vezes, mas não parece ter havido maldade por parte de Petacchi. Nenhuma medida foi tomada pelos organizadores da competição.
O dia 09 de maio, terceira etapa, foi marcado pela trágica morte do belga Wouter Weylandt, 26 anos, após uma forte queda. Não houve a cerimônia de pódio nem festividades. É triste pensar na dor que os amigos e principalmente a mulher de Weylandt, grávida de cinco meses, estão passando. A quarta etapa foi neutralizada e diversas homenagens foram prestadas ao ciclista. O choro sincero de Tyler Farrar, grande amigo de Wouter, foi algo marcante. Farrar e a equipe Leopard cruzaram a linha de chegada juntos. Foi a despedida deles do Giro, que preferiram sair da competição e se recuperar da perda do amigo.
De volta ao pedal, muita poeira e cenários belíssimos da Toscana. A poeira cobria o rosto apreensivo dos competidores. Um misto de medo e alívio surgia após cada descida, em estradas cheias de terra e pedra solta. Coragem e técnica foram as características mais exigidas.
Já pela nona etapa, próximo do vulcão mais ativo da Europa, o Etna, quem parecia estar em erupção era Contador. Há cerca de 7 km do final, ele explodiu. Scarponi tentou acompanhar, mas ficou pra trás. Rujano tentou, mas a vitória ficou mesmo com Alberto Contador, que assumiu a ponta da classificação geral.
Na 13ª etapa, em mais um ataque avassalador durante a última subida do dia, o espanhol foi acompanhado apenas por Rujano, que venceu a etapa. O segundo lugar e a vantagem conquistada sobre os outros ciclistas aumentou ainda mais sua diferença na classificação geral. Depois, foi só administrar a competição até o final.
A etapa mais demorada do giro levou 7h27min14seg para ser encerrada, quando Mikel Nieve cruzou a linha de chegada. A 15ª etapa, no dia 22 de maio, fez Contador declarar que foi o dia mais duro de sua carreira.
Na 21ª e última etapa, no dia 29 de maio, Contador novamente protagonizou uma brilhante performance. O dia foi de contrarrelógio em Milão. David Millar, da equipe Garmin-Cervélo, foi o vencedor. Na batalha pelo segundo lugar, Michele Scarponi superou o compatriota Nibali. Contador ficou em terceiro e consolidou sua vitória na classificação geral com uma grande diferença de 6min10seg. Foi a sexta vitória em grandes voltas do ciclista de 28 anos: três Tour de France, dois Giro e uma Vuelta.
Ele venceu duas etapas e ficou nítido que tinha gás para mais... Mas preferiu diminuir o ritmo e curtir a conquista da competição. "Esta prova foi fantástica. Toda a equipe fez um bom trabalho", declarou o emocionado campeão, que também foi o primeiro colocado por pontos.
A camisa verde, para o melhor na montanha, ficou com Stefano Garzelli. O misto de experiência e forma física excelente permitiram ao italiano, no auge dos seus 38 anos, escalar de forma impecável as duras montanhas do Giro.
O melhor jovem, detentor da camisa branca, foi o tcheco Roman Kreuziger. Alguns o consideravam candidato ao título do Giro, mas Roman não teve forças para acompanhar a espetacular escalada de Contador no Etna. "Foi impressionante. Olhei, ainda tinha dois companheiros de equipe, mas nem sequer tentei ir atrás dele, porque eu sabia que não poderia impedi-lo", declarou o atleta.
Dentre as equipes, destaque para a ASTANA TEAM PRO, que foi a mais rápida, e para a Lampre - DSI, que alcançou a maior pontuação.
Vale destacar também a participação do nosso brasileiro Murilo Fischer, catarinense de Brusque. Ele fez corridas muito boas, está andando como nunca. Foram diversos momentos emocionantes, como na 11ª etapa, quando ele vinha paralelo ao Petacchi. Teve gente que pedalou junto com ele aqui do Brasil, na cadeira em frente ao computador, com os olhos fixos na corrida. Quando ele saiu da roda do Ventoso pela direita, talvez respondendo à aceleração de Petacchi, talvez por acreditar que conseguiria passar Ventoso e seu embalador, infelizmente estava cometendo um erro: o embalador saiu antes e fechou Murilo.
O brasileiro foi guerreiro, como sempre. Mas no percurso de 230 km entre Feltre e Tirano, 17ª etapa, Fischer acabou abandonando a competição. Pelo twitter, nosso representante comentou sobre a dificuldade do Giro. "Incrível o sofrimento hoje. Não tinha condições de estar na roda. Passar as etapas mais duras e abandonar hoje é triste para mim... Paciência!" Ele vestia a camisa de campeão brasileiro e comentou que "independente de tudo... e com muita humildade... a camisa do Brasil é a mais bonita do pelotão!"
As cenas que marcaram o Giro não se apagarão facilmente. Os cenários tão bonitos da Itália, a superação, habilidade e técnica dos ciclistas em trechos extremamente perigosos, a camisa verde e amarela de Murilo, o choro e a morte. Teve de tudo. Foram muitas emoções: algumas para mexer com nossos sonhos e objetivos, para ensinar que o caminho é exigente e duro para um campeão; outras para fazer pensar sobre os valores, sobre o que realmente importa, sobre o maior prêmio que todos já conquistamos; a saber, a vida.
Markus Stoeckl bate recorde mundial de velocidade
Austríaco Markus Stoeckl estabeleceu um novo recorde de velocidade mundial de bicicletas de montanha de série no saibro. Os 36 anos de idade, atingiu 164,95 km/h em um vulcão na Nicarágua.
Ao fazer isso, Stoeckl quebrou o recorde do francês Eric Barone, da França, definido há nove anos. Um acidente grave com Barone fez sua carreira terminar.
Barone voltou à cena, mas como o organizador da tentativa de recorde de Stoeckl.
Stoeckl, conhecido como “Hércules” entre os bikers por causa dos seus 1,90 m de altura e pesando 130 kg, já bateu o recorde na neve de 210 km / h no Chile em 2007.
O cenário
A pista de cascalho se estendia por 550 m desde a borda da cratera do vulcão ativo vulcão Cerro Negro, na Nicarágua.
“Andar aqui é como andar por uma praia de 45 graus de areia e pedras”, disse Stoeckl. “Mas, depois de alcançar velocidade, é possível andar com alguma estabilidade.”
Depois de uma série de treinos, Stoeckl quebrou o recorde na primeira tentativa - apenas 1 km / h mais rápido do que o recorde anterior de Barrone.
“Pedalar a essa velocidade nessas condições é, definitivamente, estar no limite”, disse Barone, que foi o primeiro a felicitar Stoeckl.
Stoeckl agora quer tentar quebrar o recorde em outro lugar.
Taça Brasil de Mountain Bike XCO
Texto: Guiné
Fotos: Pedro Cury
A Quinta da Boa Vista, na cidade do Rio de Janeiro, recebeu a segunda etapa da Taça Brasil de Mountain Bike XCO. O local já foi residência oficial da Família Real, após 1808. Ali nasceu e viveu D.Pedro II. Hoje abriga o Jardim Zoológico Municipal, o Museu da Fauna e o Museu Nacional da Quinta da Boa Vista.
Neste belíssimo cenário, cerca de 200 atletas participaram da competição, proporcionando disputas acirradas para os mais 20 mil espectadores. A disputa valeu pontos para o ranking brasileiro e internacional (Classe 2.2 UCI). Entre os atletas locais também estava em jogo o título estadual.
"Com toda a certeza escrevemos as mais belas páginas para o mountain bike nacional. A Taça Brasil de MTB XCO já nasceu com luz própria, pronta para bilhar", afirmou Claudio Santos, presidente da Federação de Ciclismo do Estado do Rio de Janeiro (Fecierj).
Eduardo Ramires, técnico da seleção brasileira, também comemorou a presença do público. "É muito importante que os eventos tragam todo este público para conhecer a nossa modalidade. Estamos em uma fase de renovação e o alto nível das provas fascina quem acompanha".
Entre os homens, Thiago Aroeira, da equipe Merida, mostrou bom preparo físico e foi o primeiro colocado, após disputa acirrada com seu companheiro Rubens Donizete. Josemberg Nunes, Edivando de Souza Cruz e Ricardo Pscheidt chegaram na sequência.
No feminino, Roberta Stopa dominou desde o início e chegou com tranquilidade para cruzar a linha final. Julyana Machado, Manuela Vilaseca - que usou bike 29, Valéria Conceição e Raíza Goulão completaram as cinco primeiras.
Stopa comentou: "Foi uma prova rápida e muito diferente das que estamos acostumadas a ver. A cada volta completada, o desgaste físico aumentava devido à intensidade aplicada em circuitos considerados planos".
O alto nível da competição refletiu na satisfação do árbitro internacional enviado pela União Ciclística Internacional para comandar o evento. O canadense Michael Drolet elogiou a organização e deixou claro que fará uma recomendação para a UCI, solicitando a elevação dos pontos da prova para 2012, passando da classe 2.2 para a classe 2.1.
A Confederação Brasileira de Ciclismo investe no mountain bike, proporcionando aos atletas brasileiros sonharem com objetivos como os Jogos Olímpicos. O projeto conta com competições com nível internacional valendo pontos para o Ranking UCI, criação de intercâmbio, categorias de base e uma reforma geral das categorias profissionais.
Resultados
Elite Feminino
1 Roberta Kelly Stopa (Bra) 1:38:41
2 Julyana Machado Rodrigues (Bra)0:02:47
3 Manuela Vilaseca (Bra) 0:06:07
4 Valeria Aparecida Da Conceição (Bra) 0:09:27
5 Raíza Goulão Henrique (Bra)0:09:42
Elite Masculino
1 Thiago Aroeira (Bra) 1:25:44
2 Rubens Valeriano (Bra) 0:00:17
3 Josemberg Nunes Montoya (Bra) 0:00:33
4 Edivando De Souza Cruz (Bra) 0:00:47
5 Ricardo Pscheidt (Bra) 0:01:16
Deivlin Balthazar e Naiara Silva vencem Brasileiro de Bicicross
Texto: ZDL Foto: divulgação
Campeonato foi realizado em Americana (SP), com presença dos melhores pilotos do País
Deivlin Balthazar e Naiara Silva foram os campeões do Campeonato Brasileiro de Bicicross, realizado em Americana (SP), no dia 12 de junho. O complexo esportivo Ayrton Senna recebeu 300 pilotos que disputaram 30 títulos nas categorias Boys, Girls, Men, Cruiser, Elite Men, Elite Woman, Junior Men e Junior Woman.
Competindo em casa, Deivlin "Turbo" Balthazar confirmou o favoritismo na Elite Men e foi o vencedor. Ademir Silva Junior e Renato Ferreira, ambos de São Paulo, completaram o pódio.
Entre as mulheres da Elite Woman, Naiara Silva, de São José dos Campos, foi a grande campeã seguida pela paranaense Maria Muller e pela catarinense Squel Stein.
O Campeonato Brasileiro de Bicicross foi uma realização da Confederação Brasileira de Ciclismo, Federação Paulista de Ciclismo, Associação Paulista de Bicicross e Americana Bicicross Clube.
Outras informações e resultados completos no site www.cbc.esp.br.
Brasileiro Rafael Andriato é vice-campeão em GP na Itália
Texto: ZDL Foto: Divulgação
O ciclista da Petroli Firenze-Cycling Team ficou em segundo lugar no 17° GP Industria Commercio Artigianato
O ciclista brasileiro Rafael Andriato (Petroli Firenze-Cycling Team) conquistou a segunda colocação do 17º GP Industria Commercio Artigianato, disputado no dia 14, na cidade de San Giovanni, na Itália.
O brasileiro teve bom desempenho no circuito que contava com subidas superiores a cinco quilômetros de extensão, além de diversas curvas, que exigiram o máximo da atenção dos atletas para completar os 130 quilômetros. A prova contou com 140 ciclistas.
Apesar da segunda posição, Rafael Andriato esperava subir no lugar mais alto do pódio. "Foi um segundo lugar muito amargo, larguei com uma vontade enorme de vencer, até cheguei a atacar o que não é normal, mas no geral fiz uma ótima prova, com bastante agressividade. Infelizmente, eu calculei mal o sprint final e arranquei muito cedo, mas faz parte da modalidade", lamentou o ciclista brasileiro, superado pelo italiano Riccardo Stacchiotti.
O próximo objetivo do brasileiro Rafael Andriato, de apenas 23 anos, é o Campeonato Brasileiro que será realizado em Boituva (SP), no dia 26 de junho. O ciclista da Petroli Firenze-Cycling Team já foi campeão nacional por outras duas oportunidades. Ele ficou com o ouro na categoria juvenil em 2003 e na júnior em 2005.
"Será um prazer participar do Campeonato Nacional depois de quatro anos. Estou mais maduro e espero conseguir um bom resultado. Pena que nas últimas duas participações, o meu pneu furou e tive que sair da briga pela vitória", recordou Rafael Andriato.
Logo na primeira montanha, o ritmo forte inicial diminuiu e apenas um pequeno grupo continuou no pelotão de elite. Já nos 30 quilômetros finais, restavam apenas 50 atletas. Para completar o desgastante percurso, a parte final teve ainda 23 voltas em uma pista de 2.500 metros.
Após a neutralização da fuga, vários ataques e contra-ataques aconteceram, com o brasileiro chegando a escapar em uma oportunidade. Nos últimos metros, Rafael Andriato se posicionou na frente do grupo mas acabou arrancando muito cedo para o sprint e foi ultrapassado nos metros finais pelo italiano Riccardo Stacchiotti.
Classificação final do 17° G.P Industria Commercio Artigianato:
1° Riccardo Stacchiotti (Asd S.C. Reda Mokador)
2° Rafael Andriato (Petroli Firenze-Cycling Team)
3° Luca Dugani Flumian (GS Brisot Gaiaplast Bibanese)
4° Federico Pozzetto (Idea Shoes - M.C.S. - Madras)
5° Goffredi Mirko (G.S.Campi Bisenzio Dieffe Confezioni Gest)
Wallace Miranda Vence a 2ª etapa da Copa Brasil de Downhill
Texto: Toni Carvalho
O piloto de Aparecida do Norte Wallace Miranda vence a prova, faz o melhor tempo no qualify e se mantém na liderança do ranking brasileiro de Downhill da CBMTB, garantindo sua vaga na Seleção Brasileira de Mountain Bike.
Muito frio e treino duro, assim foi a semana de Wallace Miranda em Poços de Caldas, se preparando para a 2ª etapa da Copa Brasil de Downhill, que aconteceu nos dias 11 e 12 de junho.
A chegada em Poços foi no domingo que antecedeu a prova, a convite do atleta local Felipe Swerts para passar a semana treinando e aprimorando sua técnica com o suporte de Wallace Miranda, acompanhado do atleta Gustavo dos Santos e do videomaker Toni Carvalho.
A recepção, melhor impossível, tratamento VIP oferecido pela família Swerts. No domingo Wallace e Gustavo (Thoose) fizeram um role na pista do Felipinho, apenas para relaxar da viagem de Aparecida do Norte a Poços de Caldas.
Os treinos na pista em Poços começaram na segunda-feira, mas já no primeiro dia o atleta local Felipe Swerts quebrou um dedo da mão esquerda numa queda no final do descampado, o que o impediu de correr a prova no domingo.
Wallace continuou seu treinamento, mas a chuva na quarta e na quinta-feira mudou toda a pista, que antes estava seca, fazendo com que o atleta treinasse em todo tipo de terreno e assim que o sol reapareceu na sexta as condições da pista foram melhorando até domingo no dia da prova.
Com o tempo de 3min39s, Walace foi o primeiro colocado no qualify no sábado, com uma descida tranquila apenas para se ter a noção de tempo da pista, se resguardando para a prova.
No domingo, Wallace fez apenas uma descida para reconhecer o terreno antes da prova. Já na tomada de tempo oficial, numa descida estratégica, não forçando muito no começo e guardando energia para pontos mais críticos da pista, Wallace fez uma descida fluida e sem erros com o tempo de 3min32s, baixando 07 segundos do tempo do qualify e garantindo a primeira colocação na prova e no ranking da CBMTB, resultado muito importante para se manter na Seleção Brasileira de Mountain Bike Permanente.
Resultados
2ª Etapa Campeonato Interestadual de Mountain Bike
Texto e fotos: Antonio Merlo/ Bike Amparo
A cidade de Vinhedo - SP, recebeu no dia 29/05/2011 a 2ª etapa do Campeonato Interestadual de Mountain Bike. Cerca de 400 ciclistas profissionais e amadores de vários estados brasileiros e das principais equipes do MTB participaram o desafio.
Em um circuito montado no Parque Ecológico Represa II, no estilo Cross Country, os atletas buscam contato novamente com a modalidade, de olho nas vagas para as Olimpíadas.
O retorno deste Campeonato foi possível pelo belo trabalho do organizador José Marcos Silveira e os patrocinadores:-
MSPROPAG Sport Outdoor / Shimano Pro / Jamis Bicycles / Ethika / Alpina / Trigon / Multibike / Proshock / Prefeitura de Vinhedo.
A 3ª Etapa será disputada no próximo dia 07/08/2011, em local a ser definido.
Elite Masculina
1º - RUBENS DONIZETE VALERIANO - Merida/Tmp Embalagens/FOX/Infanti
2º - THIAGO AROEIRA - MERIDA/FOX RACING/TMP
3º - GILBERTO VEIGA DE GOIS - TRUST/FELEJ
4º - RICARDO PSCHEIDT - JAMIS / SRAM
5º - EDIVANDO DE SOUZA CRUZ - Scott-Fittipaldi MTB Racing Team
Elite Feminina
1º - LUANA MACHADO - SPECIALIZED/ESPAÇO DO CICLISTA/ UPF
2º - RAIZA GOULÃO HENRIQUE - Ortholine/Carbo Energy/ Pref. Pirenopolis/Pro Shoc
3º - JANE MARIA DE JESUS - SEELMT / BODY NUTRI / SE SUNTOUR/CATEYE/CHAPADA
4º - TATIANI CRISTINA DE OLIVEIRA LOBO - AVULSO
5º - MARIANA CARCUTE - VULCANO ENERGY DRINK/SISTIME/CICLO VÍCIO
Sub-23
1º - FREDERICO NASCIMENTO MARIANO - SCOTT/FITTIPALDI
2º - SHERMAN TREZZA DE PAIVA - Andó Rocky Mountain MTB Team
3º - DOUGLAS JOSE LUIZ NETO - guga team-focus -Paulínia
4º - JOSE ILSON PEREIRA JUNIOR - OCE/ GIRO S.C./ Açaí Vl Roxa/ Nova Minas Exp.
5º - LEANDRO DONIZETE DOS SANTOS - PRO KM Hortolândia
Brasil brilha no Mundial de Para-ciclismo
Texto: ZDL Foto: Ivan Storti
Lauro Chaman e Soelito Gohr foram os destaques.
A delegação brasileira brilhou no Campeonato Mundial de Para-Ciclismo, realizado em Segovia, na Espanha, entre 10 e 12 de junho. Lauro Chaman, com dois ouros e Soelito Gohr, com um bronze foram os destaques.
A primeira medalha de Lauro, da equipe Memorial de Santos, foi na prova de contra-relógio, após completar os 21 quilômetros de percurso em 25min36s, com velocidade média de 49km/h. Nesta mesma prova, João Schwindt foi o quinto e Soelito o décimo.
Lauro também foi ouro na prova de estrada, com percurso de 74 quilômetros. Soelito foi bronze e João finalizou em quinto lugar. "Depois que o ciclismo para-olímpico passou definitivamente para a União Ciclística Internacional, automaticamente a Confederação Brasileira de Ciclismo, por ser a única responsável por todas as disciplinas do esporte, no país, vem juntamente com o Comitê Para-Olímpico Brasileiro, desenvolvendo um trabalho de fortalecimento para a categoria e os resultados já estão aparecendo. Fico feliz por compartilhar a evolução de resultados", afirmou José Luiz Vasconcellos, presidente da Confederação Brasileira de Ciclismo (CBC).
O Repórter que virou ciclista
Texto: Carlos Menezes / Fotos: Arquivo pessoal
"Pedalar significa não apenas girar o pedal, mas também girar a mente, o coração, respirar o ar gostoso de maneira verdadeira."
"A bicicleta será o veículo do futuro."
Desde 1º de julho de 2009, o apresentador Marcos Maracanã comanda o programa Balanço Geral, que vai ao ar de segunda a sexta, ao meio-dia, para toda Uberlândia e toda a região do Triângulo Mineiro.
Uma de suas características é levar à população a informação rica em detalhes, com credibilidade. O programa mostra reportagens exclusivas, denúncias, prestação de serviço, coberturas ao vivo dos assuntos que mexem com o dia a dia da comunidade, como problemas nos bairros, segurança e saúde pública.
O bom humor também é marca registrada do Balanço Geral, com matérias sobre personagens e curiosidades do estado, e a simpatia e irreverência do apresentador Marcos Maracanã é um dos grandes diferenciais do programa.
Recentemente, incomodado com o valor dos combustíveis, a gasolina batendo na casa dos três reais por litro, o apresentador decidiu abandonar seu confortável veículo para se tornar adepto do ciclismo. “Não foi um protesto, foi um alerta”, declarou o apresentador, que resgatou a antiga bicicleta e depois de “dar um trato na magrela”, começou a utilizar sua bike para se locomover pelas ruas de Uberlândia. “Com o apoio da produção, toda uma estrutura foi montada na emissora para que eu pudesse tomar banho e me barbear antes de começar a trabalhar. Tive a oportunidade de pedalar com várias pessoas e ver que estamos a cada dia nos tornando mais reféns da era robotizada. Isso é muito ruim”.
A iniciativa do apresentador foi tão contagiante que muitas pessoas começaram a utilizar a bicicleta no dia a dia. “Provoquei, sem falsa modéstia, uma reação nas pessoas”.
Essa mudança de comportamento deu origem ao quadro diário “Pedala Maracanã”, dentro do programa Balanço Geral. Além do quadro retratar o deslocamento do apresentador pela cidade, ele mostra ruas, lugares e arquiteturas que geralmente passam despercebidos quando passamos de carro. Outro ponto forte é o fato de parar e conversar com as pessoas do local, retratando os diversos mundos existentes dentro uma grande metrópole.
Hoje, não é raro você passar pedalando dentro de um grupo de ciclistas e ouvir alguém gritando “Pedala Maracanã”. Devido a grande audiência, o jargão está na boca do povo e com certeza muitas bicicletas saíram dos cantos empoeirados onde estavam encostadas e ganharam vida.
“Sempre tive vontade de conhecer uma Uberlândia de maneira diferente. Sentir a cidade, ver o movimento que ela produz, conversar com as pessoas sem tirá-las do seu hábitat. Para um repórter, a rua é algo sagrado”. Entre as situações inusitadas com que Marcos se deparou nas ruas, ele conta sobre um jumentinho puxando uma bicicleta, com uma jovem de 16 anos, moradora do bairro Celebridade. “Estas pessoas são criativas”, destacou.
Maracanã ressalta que a bicicleta pode te levar aos mesmos lugares que o carro te leva: só que de forma mais sensível, perceptível e sem poluir. Principalmente dentro das cidades, ela é uma solução eficiente para se locomover, mas precisa ter um ambiente que possibilite essa locomoção.
Em suas pedaladas, ele confessa ter passado por alguns sustos, como as finas de ônibus e caminhões, e são essas situações que intimidam algumas pessoas que pensam em usar a bike como meio de transporte. “A demanda dos ciclistas não é por ciclovias, mas por ruas cicláveis, com sinalizações adequadas. Tornar o trânsito amigável já é, por si só, um incentivo para quem pensa em andar de bicicleta. Incentivar o uso das bikes não é algo que exija obras faraônicas ou grandes investimentos, mas sim visão de futuro e boa vontade política”.
O exemplo dado por Marcos é fundamental para que as pessoas percebam o quanto é simples, rápido e prático adotar a bike como meio de transporte. Mais do que falar, ele educou pelo exemplo. “Infelizmente, percebi nestas minhas pedaladas que ainda falta muito no que diz respeito a planejamento urbano para quem quer se locomover a pé ou de bicicleta em Uberlândia. É preciso reconhecer a bicicleta como um meio de transporte”.
Apesar dessa contestação, a atitude de Marcos é muito importante para a disseminação do movimento em prol da bicicleta. Dar a cara pra bater na cidade, de bicicleta, vivenciando e fazendo aflorar as situações a que muitos cidadãos se submetem diariamente, torna ainda mais humano e mais sincero o ato jornalístico. Além disso, Maracanã consegue transmitir o principal: os benefícios deste meio de locomoção para a saúde, para a economia, para o bem-estar e para a cidade. “Cidades realmente inteligentes perceberam isso e saíram na frente, implantando a bicicleta como modal de transporte urbano. A bicicleta é o veículo do futuro”.
Não bastasse tudo isso, em um mês ele perdeu o equivalente a seis quilos. Pedala Maracanã! Pedala Uberlândia! Pedala Brasiiiillll!
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EDITORIAL
O que podemos fazer pelos outros e por nós mesmos? Seja qual for a sua idade, sexo ou classe social, você gostaria de ter um ótimo preparo físico e saúde mental, através de uma vida ativa e uma alimentação equilibrada. Mas você tem 'cuidado' de você mesmo? Tem traçado objetivos e, mais importante, feito alguma coisa para alcançá-los? Também temos certeza de que você gostaria de fazer algo incrível que tornasse melhor a vida do maior número de pessoas.
Parece fácil... Mas somos humanos! Comemos, bebemos, ficamos acordados até de madruga, e no outro dia já levantamos cansados. Ficamos hipnotizados nos programas de televisão e no entretenimento "on-line", e quando vemos não temos mais aquele tempo para fazer um bom exercício, como um pedal em família. Sabemos falar demais, ouvir pouco e agir menos ainda. Parece que somos melhor em guardar mágoas do que em amar. Comemos muito rápido, buscamos mais lucros e menos relações e amizades. Temos dois empregos, três divórcios, quatro belas casas e nenhum lar de verdade. Somos fisicamente grandes, embora pequenos como pessoas.
Como fazer para mudar? Comece lendo o inspirador artigo de Cláudia Franco e assuma uma SMART atitude. Mas faça ela durar a vida toda! Aprenda como 'cuidar do motor da sua bike' na seção nutribike. Conheça o que o Projeto Revista Bicicleta e o que o Professor Sobre Rodas têm feito para levar cidadania e motivação para jovens de nossas escolas. Conheça também o projeto da Prefeitura de Schroeder, que faz a sua parte em prol dos munícipes e em prol do turismo da região através do cicloturismo e da atividade física. Confira a superação dos audaxciosos contra um 'gigante de 400 km' e a brilhante matéria de Denir Miranda relatando como não existe lugar impossível para andar de bicicleta quando se tem atitude. Bora Pedalar?
Viva Bicicleta!
ABREASPAS
A bicicleta é a melhor aproximação que conheço para o vôo dos pássaros. (Louis J. Helle - professor universitário suíço).
Bicicleta é um veículo para o futuro. Tem que ser! Há algo de errado numa sociedade em que as pessoas dirigem um carro para ir até uma academia. (Bill Nye - cientista, comediante, apresentador de televisão, ator e engenheiro mecânico norte-americano).
Quando o dia parecer escuro, quando o trabalho se tornar monótono, quando a esperança parecer pouca, apenas monte em sua bicicleta e saia para dar uma volta na estrada, sem pensar em nada. (Sir Arthur Conan Doyle - escritor britânico que ficou famoso pela criação do detetive Sherlock Holmes).
A bicicleta foi um produto da inteligência humana inteiramente benéfico para aqueles que a usam e que não causa nenhum dano ou irritação para os outros. Ao contrário das invenções subsequentes, quanto mais alguém a usa mais apto torna-se seu corpo. O progresso devia ter parado quando o homem inventou a bicicleta. (Elizabeth West).
Acho que a parte mais difícil de criar um filho é ensiná-lo a andar de bicicleta. Por quê? Porque uma criança frágil pela primeira vez sobre uma bicicleta precisa, ao mesmo tempo, de apoio e liberdade. E é duro ver que um filho sempre vai precisar disso: mesmo quando os pais quiserem protegê-lo de uma queda. (Sloan Wilson - escritor norte-americano).
MURAL
MOVIMENTO CENTRAL PRESSFIT
Acabei de adquirir uma Giant XTC 2011 e ela vem com uma inovação: o movimento central é sistema pressfit, sem rosca. Gostaria de saber mais sobre esse assunto, pois é um tema novo e que traz muitas dúvidas aos amantes das bicicletas.
Jorge Trindade Neto
Campos dos Goytacazes - RJ
Jorge, tá na mão! Veja matéria sobre movimento central na página xxxxxxxxxxxxxx, seção entenda melhor, onde Pedro Cury relata sobre diversos padrões de movimento central existentes, e um pouco da evolução até chegar no sistema pressfit.
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FREEFORCE
Quero parabenizar a empresa Freeforce, que confecciona bermudas para ciclistas, pelo seu profissionalismo e visão. Comprei um short em uma loja de Uberlândia, Minas Gerais, que apresentou um defeito de desgaste depois de pouco uso. Entrei em contato, enviei o short com defeito e em pouco tempo recebi outro, novinho! Isso é empresa que valoriza o consumidor... Se todos no Brasil fossem assim seria uma beleza.
Alexandre Brunacci
Quirinópolis - Goiás
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ISSO NÃO É AUDAX!
Com referência à reportagem do Audax 200 na Unesc de Criciúma, página 80 da edição 06, está fora do "espírito" do Audax Randonnée apresentar "campeões", fazer lista de primeiro a chegar. O importante é quantos completaram o desafio e suas dificuldades. Dizer que alguém chegou em primeiro e enumerar os outros que chegaram 30 segundos atrás não deve constar em nenhum relato. Tanto que os organizadores colocam a relação dos participantes com os seus tempos por ordem alfabética, sem nunca salientar quem chegou por primeiro ou por último. Audax Randonnée não é e nunca foi competição. E num suposto Audax infantil foi pior ainda, relacionando nome das crianças que chegaram em primeiro.
Carlos Polesello
Porto Alegre - RS
Carlos, valeu demais o seu puxão de orelha e, nesta edição, Roberto Furtado nos presenteia com uma matéria sobre 'um gigante de 400 km', agora sim dentro do espírito do Audax Randonnée. Muito obrigado!
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PERGUNTA DO LEITOR - BIKE FIT
JOÃO SILVA - LAGES (SC)
P: Olá. Na minha região ninguém faz Bike Fit. O mais próximo está a 300 km e não posso empreender tal viagem. O que posso fazer para ajustar minha bike ao meu biótipo?
R: João, veja o que Carlos Menezes, profissional da área, orienta neste caso.
Infelizmente não existe outra maneira de ajustar a bike sem estar com o ciclista e a bike presentes. Muitas pessoas me ligam fornecendo a altura e o comprimento do cavalo e perguntando qual quadro ou componentes usar, ou então que sentem dor aqui ou ali. Ao dizer que não tem como ajudar por telefone, muitas pessoas julgam como sendo “má vontade em ajudar”. Mas Bike Fit vai muito além disso e seria leviano da parte do Fitter tentar ajudar. Precisamos agir com seriedade e respeito aos nossos clientes. Para você ter uma ideia, um ajuste de posicionamento varia de, no mínimo, uma hora e meia a três horas de duração. Agora imagine fazer isso sem ver a pessoa. Orientar alguém a ajustar a bike sem estar com ele presente é o mesmo que um médico receitar algo para um paciente por telefone. Se o Bike Fit está a 300 km e você deseja realmente estar bem posicionado, não existe outra saída a não ser percorrer os 300 km ao encontro do profissional da área. Hoje, recebo atletas do Brasil todo em busca de posicionamento. Fazendo o Fit com um bom profissional, todas as suas informações ficam armazenadas e quando precisar mudar algo no futuro, aí sim, algumas coisas ele poderá te orientar com segurança por telefone. Invista nessa viagem, você só tem a ganhar.
Um Canivete Suíço?
As semelhanças vão além das cores: essa bicicleta elétrica se dobra e desdobra como um canivete suíço. Criada por Andre-Marcel, 71 anos, e seu filho Eric Collombin, 42 anos, suíços de Genebra, este interessante modelo de bicicleta nasceu após cinco anos de pesquisas e trabalho.
Trata-se de uma bicicleta para uso urbano, e seus criadores dizem que não se inspiraram no famoso canivete suíço para desenhar a bicicleta. O uso das cores e da bandeira do país foram coincidência, e por ser dobrável, o modelo lembra muito os diversos dispositivos do canivete. Eric afirmou que só perceberam as semelhanças depois do projeto pronto. Pai e filho estão contentes com a invenção: já receberam mais de 1.000 pedidos.
Bicicleta Elétrica CO2
O designer Tang Ming-Deng, de Taiwan, criou um modelo de bicicleta elétrica que permite a comutação segura e sustentável em ambientes urbanos. Baseada no processo natural da fotossíntese, a bicicleta elétrica nova abre suas janelas em formato de folhas, expondo o interior do "cloroplasto" à luz do sol: esta energia move a bike.
A conversão de energia química em energia cinética é uma nova forma de transmitir a consciência ambiental. A CO2 apresenta um utilitário para monitorar a quantidade de energia e controlar a velocidade, possui sistema de suspensão e amortecedor traseiro e pedal para produzir energia em dias nublados.
Participe da enquete da CBMTB
A Confederação Brasileira de Mountain Bike lançou uma enquete junto aos ciclistas de todo o Brasil. O foco são os ciclistas que utilizam a bicicleta no dia a dia como meio de transporte no trânsito, mas todas as pessoas que compõem a mobilidade urbana, como motoristas de automóveis, caminhões, pedestres, etc, podem participar.
Para participar é fácil, basta enviar sua pergunta, simples e objetiva, envolvendo o ciclista no trânsito. As questões devem ser enviadas para adm@cbmtb.com, com o título "Enquete". A proposta da entidade é esclarecer as questões e divulgar as melhores perguntas no seu site: www.cbmtb.com.
"Pretendemos selecionar de 60 a 100 questões levantadas pelos ciclistas de todo o país. As melhores questões serão selecionadas e publicadas no site da CBMTB juntamente com suas respostas, porém todas as perguntas são bem-vindas e serão respondidas, para que possamos constatar quais as dúvidas mais frequentes dos ciclistas no trânsito”, comentou Clayton Palomares, presidente da FPMTB e diretor administrativo da CBMTB.
A proposta surgiu durante a participação da Federação Paulista de Mountain Bike no PBB - Programa Bicicleta Brasil, do Ministério das Cidades, no ano passado, quando foi constatado que há uma lacuna quanto às informações disponíveis e às campanhas educativas destinadas aos ciclistas e a legitimação deste veículo perante os motoristas.
Identificando esta lacuna na educação do ciclista e dos demais condutores, a CBMTB em parceria com a FPMTB decidiu criar esta enquete para levantar dados e informações junto aos ciclistas, contribuindo com informações, questionamentos e reflexões para a formulação de políticas públicas junto aos órgãos e autoridades competentes.
Tendo em vista a urgente necessidade de redução do número de veículos nos grandes centros urbanos e o crescente número de acidentes envolvendo ciclistas por todo o país, a CBMTB lança esta enquete e conta com a sua participação em prol de um trânsito mais humano e seguro para todos.
Construir ciclovias gera mais emprego que construir estradas
O norte-americano Heidi Garrett-Peltier, da Universidade de Massachusetts, chegou à conclusão de que a construção de vias para ciclistas cria mais empregos por dólar investido do que o investimento em estradas para carros.
Em seu trabalho, publicado em junho de 2011, Heidi ressalta que a infraestrutura para pedestres e ciclistas, como calçadas, ciclovias e vias multiuso, podem ser usados para transporte, recreação e prática de exercícios físicos. Portanto, trazem muitos benefícios para seus usuários e para a comunidade em geral, como a redução do congestionamento e melhoria da qualidade do ar.
Mas além de todos estes benefícios, poucos têm analisado a questão da geração de empregos na construção e remodelação destes projetos. Com dados coletados no departamento de transporte e obras públicas de 11 cidades dos Estados Unidos, e utilizando estimativas de custo para estudar o emprego direto, indireto, induzido e criado através da concepção, construção e aquisição de materiais para pedestres, ciclistas e a infraestrutura rodoviária, o pesquisador avaliou 58 projetos.
E o resultado demonstra mais um motivo para que as autoridades públicas invistam em projetos para pessoas, ao invés de projetos para carros. No geral, a infraestrutura de bicicleta é a que cria mais postos de trabalho para um dado nível de gastos. Para cada um milhão de dólares investidos em projetos de ciclismo, são gerados 11,41 postos de trabalho. Em projetos que visam somente os pedestres, o mesmo investimento gera 9,57 empregos, enquanto a construção de rodovias exclusivas para carros (sem calçadas ou faixas para bicicletas) gera 7,75 empregos.
Veja os resultados:
Tabela: Média de impactos na geração de empregos por tipo de projeto (Estados Unidos)
Esta é para ciclistas e futuros cineastas
Festival Curta uma Bike e uma Caminhada tem inscrições até 10/09/2011
O Festival “Curta uma Bike e uma Caminhada” é uma iniciativa do programa Rio, Estado da Bicicleta, que tem como objetivo conscientizar a população do Rio de Janeiro a usar a bicicleta como veículo para trabalho e não somente para lazer, além de incentivar o hábito de caminhadas em trechos de curta distância, deslocamentos para o trabalho, escola, academias, compras...
Quem quiser participar deve elaborar uma obra áudio-visual (e tudo é válido: câmera de vídeo, máquina fotográfica, celular, power point, flash, animação), com tempo máximo de 180 segundos (três minutos), sobre o tema "bicicleta e a mobilidade consciente que ela pode proporcionar ou como deslocamentos a pé podem superar o caos do trânsito." O participante tem que ser maior de 18 anos.
O envio do material pode ser feito até o dia 10/09/2011. Os dez vídeos mais votados serão selecionados e avaliados pela comissão organizadora e seu júri. Estes vídeos serão apresentados na Secretaria de Transportes do Estado do Rio de Janeiro durante a solenidade de premiação do festival.
Se o seu vídeo estiver entre os mais votados e for o mais criativo segundo a banca, você ganha R$ 5.000,00 e uma bicicleta. E do segundo ao quinto lugar, R$ 1.000,00 cada um. A divulgação do nome do vencedor ocorrerá na segunda quinzena do mês de setembro/2011 na internet, através do site do festival: www.curtaumabike.com.br. A organização do evento atenta para que os inscritos tenham cuidado com direitos autorais de imagens e sons utilizados no material.
Em todo o mundo, a mobilidade consciente já ocupa lugar de destaque no dia a dia da população. Cidades como Paris, Berlim, Amsterdã e Bogotá são exemplos de cidades com boas iniciativas neste sentido.
Mas a nossa situação ainda é difícil. Quem nunca perdeu algumas horas do seu dia em longos e estressantes engarrafamentos?
Num trecho entre os bairros Jardim Botânico e Botafogo, por exemplo, considerando o horário do rush, o tempo de deslocamento de carro pode chegar a até 1h40m. Estima-se que o mesmo trajeto possa ser feito a pé em 50 minutos. De bicicleta, o destino pode ser alcançado em cerca de 20 minutos.
Já deu para perceber que de bicicleta ou a pé, você chega bem mais rápido quando o assunto são trechos de curta distância, principalmente, por conseguir fugir dos grandes aglomerados de veículos, intermináveis engarrafamentos. E a economia de tempo se traduz também em qualidade de vida, saúde e preservação do meio ambiente. Teve uma boa ideia? Mãos a obra e boa sorte!
Na cidade do futuro...
Idealizando a interação e a criação de uma 'cidade inteligente', onde seja possível hospedar aplicativos que tornam a vida da população mais fácil, um interessante projeto foi iniciado em julho, na cidade finlandesa de Oulu, com pouco mais de 100 mil habitantes e mais de três mil hotspots WiFi acessíveis. Aproveitando uma série de grandes telas sensíveis ao toque, disponíveis para as pessoas na cidade, pesquisadores estão lançando uma rede de esportes sociais na Finlândia.
A principal função deste projeto é incentivar o "footing", que significa "ir a pé, para espairecer". Com o RunWithUs (Corra Conosco), os pesquisadores vão testar uma rede de relacionamentos onde as pessoas que estão passeando a pé, correndo ou andando de bicicleta pela cidade de Oulu possam registrar onde estão e encontrar alguém com objetivos similares para realizarem a atividade juntos, trocar informações, como rotas e dicas, além de identificar virtualmente sua localização.
"Oferecemos uma aplicação, RunWithUs, que permite registrar, compartilhar treinos e resultados, rotas, saber onde está um amigo ou encontrar pessoas com perfil semelhante para sair e praticar esportes juntos", relata Felipe Gil, pesquisador e professor da Escola de Telecomunicações da Universidade de Vigo, Espanha.
Gil afirma ainda que o aplicativo, inicialmente, foi implantado para atender aficionados por atletismo, mas ele pode facilmente se aplicar a outros esportes. Em Oulu, por exemplo, é comum esquiar e passear de bicicleta, então praticantes de qualquer atividade ao ar livre podem utilizá-lo. Para ter acesso às informações basta portar um dispositivo com WiFi, que pode ser um telefone ou até mesmo um simples reprodutor de músicas.
Esta ideia é uma evolução de um trabalho antigo. Há uma década, o grupo da Universidade já trabalhava em um aplicativo semelhante, onde os visitantes de um museu recebiam informações adicionais referente ao objeto que estivessem vendo naquele momento.
Conheça a ONG Pedals for Progress
A organização não governamental Pedals for Progress está estabelecida nos E.U.A e sua missão é ajudar o desenvolvimento econômico de sociedades mais carentes através da reciclagem de bicicletas e máquinas de costura que seriam destinadas aos aterros norte-americanos.
As bicicletas reestruturadas são enviadas para países pobres, onde serão extremamente necessárias e altamente valorizadas. Nestes países, as bicicletas são utilizadas como meio de transporte, lazer e muitas vezes são adaptadas com compartimentos de carga ou outros acessórios, para servir como fonte de renda. Além disso, as bicicletas também geram oportunidades, pois elas precisam de manutenção. Pensando nisso, a ONG oferece também treinamentos onde jovens e adultos aprendem a realizar reparação de bicicletas.
Também é comum, nos países mais carentes, as equipes médicas usarem bicicletas para chegarem em aldeias mais remotas, onde nem existem estradas e de outra forma os medicamentos e outros equipamentos necessários à equipe não chegariam.
Em 20 anos de trabalho, o Pedals for Progress já distribuiu 130.535 bicicletas e 1.766 máquinas de costura. Segundo dados da organização, todos os anos os americanos compram 22 milhões de bicicletas novas e descartam milhões de bicicletas velhas, sem contar as bikes que ficam abandonadas em porões, galpões ou garagens. Enquanto isso, pessoas em países pobres estão precisando de um veículo que seja barato, não poluente, que gere postos de trabalho e propicie o desenvolvimento.
FPMTB finaliza Pump Track no Loteamento Caminhos de San Conrado
A FPMTB finalizou a construção de um Pump Track com 186 metros de extensão e uma pequena pista de Dirt Jump no Loteamento Caminhos de San Conrado, na cidade de Sousas - SP.
Mais um projeto do Departamento de Obras da Federação Paulista de Mountain Bike (FPMTB) foi finalizado neste ano. Após um tempo de paralisação devido às chuvas, o Pump Track no Loteamento Caminhos de San Conrado, na cidade de Sousas - SP, foi concluído no mês de junho pela FPMTB.
“As obras tiveram início em dezembro de 2010. Porém, devido às chuvas, sofreram quatro paralisações. Mesmo assim, entregamos a pista em tempo recorde, após 16 dias trabalhados, principalmente devido ao contratante (San Conrado) ter disponibilizado a mão de obra e o maquinário necessários para a obra de acordo com o cronograma estipulado”, afirmou Rosa Maria Rodrigues, engenheira da FPMTB.
O Pump Track consiste em uma sequência de obstáculos cuidadosamente modelados para que a bicicleta ganhe velocidade somente com o impulso do corpo (pumpear). O objetivo é dar o maior número de voltas sem que seja necessário sequer pedalar a bicicleta e, para isto, treino, condicionamento e muita habilidade são requeridos do biker.
A pista possui 186 m de extensão, sendo um dos maiores Pump Tracks do país e o primeiro construído por uma entidade oficial. São 23 rollers, 10 curvas, 01 step-up, 02 mesas, 03 costelas para treinar manual e 02 emendas na pista, que possibilitam inúmeras variações de trajeto e contribuem para que cada piloto trace sua própria linha da maneira que desejar.
Ao lado do Pump Track foi construída uma pequena pista de Dirt Jump, com somente 02 mesas e 01 curva, para a criançada local dar seus primeiros saltos. A pista de Dirt se encontra com o Pump Track, possibilitando que o biker entre com maior velocidade e tenha desempenho com maior velocidade no Pump Track.
“Esta pista de bike era uma antiga reivindicação de nossos adolescentes”, revela Reginaldo Alves, Gerente Operacional do condomínio. “Todos estavam muito ansiosos para ver essa pista pronta e acreditamos que ela venha contribuir muito com a comunidade, já que oferece um ponto de encontro para as crianças e jovens, estímulo à prática esportiva, espaço ao exercício das relações entre diferentes faixas etárias e exalta o companheirismo. Todos sabem que jovens direcionados à prática esportiva saudável desenvolvem qualidades mais positivas e nobres e tornam-se melhores cidadãos. Quem sabe até não sejam revelados, entre os nossos jovens, futuros talentos nacionais do mountain bike? O espaço próprio para o treino nós já disponibilizamos”, conclui Reginaldo.
Embora a pista tenha sido entregue no dia 03/06, ela ainda está “assentando”, através de irrigação diária para compactar a terra e fixar bem o gramado que faz a contenção de inúmeros obstáculos. Para estar liberada para o uso, ainda faltam alguns detalhes, como a finalização do gate de alvenaria, a colocação de placas informativas contendo as regras de uso, equipamentos de proteção e demais informações bem como um reforço nos sistemas de drenagem da pista.
Além disto, a visitação só será permitida a partir de agosto, após a estruturação de toda a política de acesso, uso e responsabilidades da pista. Moradores do condomínio, seus convidados e ciclistas filiados à federação terão acesso livre ao local.
“O Pump Track foi escolhido por ser uma modalidade do mountain bike totalmente inclusiva, que proporciona grande ganho de condicionamento físico, coordenação motora e desenvolvimento da habilidade e da técnica, principalmente para as crianças que podem se desenvolver no esporte e se revelar grandes talentos do mountain bike paulista e brasileiro”, explicou Clayton Palomares, presidente da FPMTB e quem projetou a pista.
A FPMTB, o Caminhos de San Conrado e alguns parceiros pretendem realizar um evento demonstrativo de inauguração da pista no mês de julho, em data ainda não divulgada, para os moradores do condomínio e bikers convidados.
SPTRANS CONSCIENTIZA MOTORISTAS DE ÔNIBUS COM RELAÇÃO AOS CICLISTAS
A cidade de São Paulo tem uma população de mais de 11 milhões de pessoas. Segundo a SPTRANS - São Paulo Transporte S.A., empresa privada que opera as linhas de ônibus na região metropolitana, cerca de 55% das viagens motorizadas são realizadas em transporte coletivo. São 15.000 veículos em mais de 1.300 linhas, além dos trens metropolitanos, que juntos transportam cerca de 3,5 milhões de passageiros por dia.
Sabemos que a bicicleta é o veículo mais sustentável e que melhor supre a necessidade de locomoção em pequenas viagens dentro das cidades. Mas em alguns casos, o transporte público é também uma boa escolha, pois ajuda a diminuir a quantidade de veículos nas ruas. A possibilidade de mesclar trechos em bicicleta e trechos em transporte público também é comum, eficiente e econômico, em comparação ao transporte individual (carro ou moto).
Em um espaço cada vez mais escasso, porém, o que vemos é a disputa por um lugar. E entre dois veículos tão desproporcionais em termos de tamanho e peso, essa disputa pode ter um desfecho trágico com relação ao ciclista.
Por isso é tão importante que as empresas de ônibus invistam em treinamento e reciclagem dos funcionários. Não só para respeitarem a prioridade do ciclista, mas também para reverem conceitos quanto ao cuidado e respeito com outros motoristas, além de receberem orientações sobre atendimento adequado dos passageiros e cuidados especiais com pessoas portadoras de deficiências físicas.
Segundo a SPTRANS, os motoristas da capital paulista passam por 30 horas de aulas práticas em ônibus movido a diesel de cana-de-açúcar, e mais 15 horas de aulas teóricas visando estes aprendizados de direção defensiva e respeito às pessoas que fazem parte do trânsito. Segundo Dirceu Francisco Santana, instrutor há 18 anos, é neste treinamento que os motoristas aprendem, por exemplo, que é obrigatório manter a distância de um metro e meio das bicicletas.
SPTRANS CONSCIENTIZA MOTORISTAS DE ÔNIBUS COM RELAÇÃO AOS CICLISTAS
A cidade de São Paulo tem uma população de mais de 11 milhões de pessoas. Segundo a SPTRANS - São Paulo Transporte S.A., empresa privada que opera as linhas de ônibus na região metropolitana, cerca de 55% das viagens motorizadas são realizadas em transporte coletivo. São 15.000 veículos em mais de 1.300 linhas, além dos trens metropolitanos, que juntos transportam cerca de 3,5 milhões de passageiros por dia.
Sabemos que a bicicleta é o veículo mais sustentável e que melhor supre a necessidade de locomoção em pequenas viagens dentro das cidades. Mas em alguns casos, o transporte público é também uma boa escolha, pois ajuda a diminuir a quantidade de veículos nas ruas. A possibilidade de mesclar trechos em bicicleta e trechos em transporte público também é comum, eficiente e econômico, em comparação ao transporte individual (carro ou moto).
Em um espaço cada vez mais escasso, porém, o que vemos é a disputa por um lugar. E entre dois veículos tão desproporcionais em termos de tamanho e peso, essa disputa pode ter um desfecho trágico com relação ao ciclista.
Por isso é tão importante que as empresas de ônibus invistam em treinamento e reciclagem dos funcionários. Não só para respeitarem a prioridade do ciclista, mas também para reverem conceitos quanto ao cuidado e respeito com outros motoristas, além de receberem orientações sobre atendimento adequado dos passageiros e cuidados especiais com pessoas portadoras de deficiências físicas.
Segundo a SPTRANS, os motoristas da capital paulista passam por 30 horas de aulas práticas em ônibus movido a diesel de cana-de-açúcar, e mais 15 horas de aulas teóricas visando estes aprendizados de direção defensiva e respeito às pessoas que fazem parte do trânsito. Segundo Dirceu Francisco Santana, instrutor há 18 anos, é neste treinamento que os motoristas aprendem, por exemplo, que é obrigatório manter a distância de um metro e meio das bicicletas.
CONSUMO SUSTENTÁVEL
O novo vício do mundo é: o consumismo. Aí vem o discurso da sustentabilidade, e grita aos sete ventos: “Não produza lixo! Não gaste água! Recicle!” Mas nós precisamos continuar consumindo, sem exageros... Nessa linha de pensamento, surgem soluções sustentáveis de consumo. É uma mudança que, a olhos vistos, já provoca uma revolução – comparável à Revolução Industrial – envolvendo toda a estrutura social e as relações de trabalho. Do impasse (conciliar consumo e sustentabilidade), através da criatividade, nasce um novo formato de produtos e serviços.
O site “atitude sustentável” apresentou um interessante artigo com alguns acessórios para bicicleta, idealizados e produzidos com base na prática sustentável.
Manopla de Cortiça
A manopla sustentável, feita de cortiça, agrega credibilidade ecológica ao visual vintage. É leve – aproximadamente 26 g – e tem uma textura única.
Cesta de Plástico Reciclável
Uma cesta aerodinâmica, que protege o seu interior do vento contrário. Produto premiado pelo Red Dot Awards 2010, na categoria “design de produto – moda e acessórios”. Além disso, ela tem uma alça para servir como bolsa de ombro.
Farol Esfinge de LED
Presilha de Material Refletor
Reutilizando placas de sinalização, o designer Trent Jansen criou a presilha de material refletor, que pode ser colocada na bicicleta, e é muito útil em situações de baixa visibilidade.
Estudos mostram que os consumidores, cada vez mais, valorizarão produtos sustentáveis, obrigando a adaptação, por parte das empresas, em seus processos produtivos, designers, escolha de matéria-prima e posterior reutilização ou destino do produto, de forma que não agrida o meio ambiente. Espera-se uma amplificação desta demanda, em todos os nichos de mercado. A bicicleta não é uma invenção atual, mas atende às exigências ecologicamente corretas; além disso, seus acessórios ganham similares sustentáveis. O negócio verde veio para ficar!
(Fotos: divulgação)
MANGUITO
A Barbedo Sports lançou o Manguito de Inverno. Confeccionado em tecido felpudo, protege do frio e do vento, mantendo o corpo seco e aquecido. Possui acabamento com reforço no punho e no braço, proporcionando maior flexibilidade, conforto e desempenho. Pode ser usado em corridas, treinos, passeios e viagens ciclísticas. O Manguito foi o produto Barbedo mais vendido no IRONMAN 2011. Já o manguito Ultra, confeccionado em lycra, protege do frio ameno.
Preço sugerido: N/D
www.barbedosports.com.br
Caramanhola Térmica Deboyo 12 horas
A caramanhola Elite Deboyo possui duplo compartimento com grande propriedade de isolamento, sendo a parede interna em aço inoxidável AISI 304, higiênica, e parede externa própria para melhor fixação no suporte de caramanhola, inclusive para uso em competições. Desenvolvida para manter a bebida quente ou fria por até 12 horas. Capacidade de 500 ml. Altura: 250 mm, e 75 cm de diâmetro.
Preço sugerido: R$ 140,00
www.cicloleiriense.com.br
Suporte de Caramanhola Sior
O Suporte Elite Sior é o suporte de caramanhola mais usado pelos atletas profissionais ao redor do mundo. Fabricado em material carbono + titânio moldados em uma única peça. Extremamente leve: 26 g.
Preço sugerido: R$ 352,00
www.cicloleiriense.com.br
Conjunto de luzes PRO LS-02
Possui embalagem combinada de farol (LED-01) e farolim (RL-02L), sistema de lentes ópticas, 150 velas de potência para o farol. Farol com dois modos e farolim com quatro modos. Tempo de serviço: farol máximo 30 horas e farolim máximo 200 horas (dependendo do modo). Blocagem rápida para farol (22,0 – 31,8 mm) e farolim- Inclui baterias.
Preço sugerido: R$ 100,00
bike.shimano.com.br
THERMOSENSE
Mais uma família integra a linha de inverno da CURTLO. O ThermoSense – T-shirt (mangas longas) e calça – nos modelos masculino e feminino foram desenvolvidos em malharia circular seamless, ou seja, não possuem costuras laterais. Confeccionada com microfibras e supermicrofibras Amni que preservam o equilíbrio térmico do corpo e com zonas de função que garantem maior dispersão de calor e ar. Proporciona leve compressão e adaptação perfeita ao corpo. Outra vantagem do ThermoSense é o tratamento com Sanitized® Silver freshness feito diretamente no tecido, à base de íons de prata, que impede a proliferação de diversas bactérias, mantendo a roupa livre dos odores da transpiração e promovendo agradável sensação durante a prática de atividades físicas.
Preço sugerido T-shirt: R$ 190,00
Preço sugerido Calça: R$ 190,00
www.curtlo.com.br
Alite Comp
É uma ótima opção na categoria de MTB para quem busca performance. Com quadro em carbono e grupo de 30 velocidades (Shimano SLX/XT), freio a disco hidráulico Hayes Stroker e suspensão dianteira Rock Shox Reba RL 100 mm Air com trava remota. Adequada para competições e trilhas.
Preço sugerido: 7.690,00
www.khsbikes.com.br
DH300
A DH300 é uma bike própria para Downhill. A bike tem quadro, geometria e componentes preparados para aguentar grandes impactos. Seu quadro de alumínio 6061 é mais leve, porém não menos resistente, produzido através do sistema de “hidroforme”. São 210 milímetros de curso garantido pelo sistema dual-link e do amortecedor traseiro Fox DHX RC4. O garfo é RockShox Boxxer Race.
Preço sugerido: R$ 13.290,00
www.khsbikes.com.br
REBELDE FEMININA
Quadro em aço carbono, rígido tipo diamante.
AROS - Aros aero parede dupla 36 furos, cor preto.
PNEU - 26x1.90 preto.
CESTA - Tela expandida.
SELIM - Bicolor cor Pink/Branco.
GARFO - Standard rígido, em aço carbono.
PEDIVELA / COROA - Tripla 165mm, 28x38x48 dentes.
ACESSÓRIOS - Retrovisor, Campainha, Folheto, Manuais e Refletores.
SISTEMA DE FREIO - V-Brake.
CÂMBIO TRASEIRO - 7 velocidades Houston.
CÂMBIO DIANTEIRO - 3 velocidades Houston.
NÚMERO DE MARCHAS - 21 velocidades.
+ Cartela extra de adesivos
PREÇO SUGERIDO: R$ 479.00
www.houston.com.br
REBELDE MASCULINA
QUADRO - Aço carbono, Com duplo sistema de amortecedor.
AROS - Aros aero parede dupla 36 furos, cor preto.
PNEU - 26x2.00 preto.
SELIM - Bicolor cor Branco/Preto.
GARFO - Standard, Aço carbono com Suspensão, curso 55mm, Cor Branco.
PEDIVELA / COROA - Tripla 165mm, 28x38x48 dentes.
ACESSÓRIOS - Retrovisor, Campainha, Folheto, Manuais, Refletores, Garrafa Plástica personalizada Rebelde.
SISTEMA DE FREIO - V-Brake.
CÂMBIO TRASEIRO - 7 velocidades Houston.
CÂMBIO DIANTEIRO - 3 velocidades Houston.
NÚMERO DE MARCHAS - 21 velocidades.
OPÇÃO DE COR - 01(uma) Bicolor Laranja/Branco.
+ Cartela extra de adesivos
PREÇO SUGERIDO: R$ 679,00
www.houston.com.br
Selim Freeride Kalf Extreme (KF306) modelo Skull
Selim desenvolvido para a prática do Freeride. A linha KF306 é composta também por outros quatro modelos: Ride, Bull, Vulture e Mithun. São feitos em laminados estampados e com relevos por solda de ultrassom, processo de alta tecnologia. Seu design é voltado a práticas extremas e próprio para a execução de manobras devido ao grip lateral. A lateral possui relevos que conferem aderência ao selim em contato com a perna, que permite maior fixação da bicicleta durante as manobras. Possui proteção traseira e arames de 8 mm em aço carbono na cor grafite, que garantem maior resistência ao produto.
Preço sugerido: N/D
www.kalf.com.br
CarbBOOM!
Em breve chega ao mercado o novo repositor energético da empresa canadense CarbBOOM!, perfeito para quem precisa dos carboidratos necessários para melhorar o rendimento durante treinos ou competições. Essa fonte natural de energia possui seis diferentes sabores, carboidratos complexos, sódio e potássio e são vegetarianos. Em versão com cafeína. Ideal para dar um BOOM! na sua performance. Importado com exclusividade pela LABICI. Previsão: 2º semestre 2011.
Preço sugerido: N/D
www.labici.com.br
Mochila Yalta
A marca americana Chrome inova mais uma vez e lança uma mochila feita de lona encerada, à prova d’água, com fecho em aço inoxidável, compartimento para laptop e formato rolltop para abrir e fechar a mochila. Com capacidade de 29 litros, ela é perfeita para seus dias de competição, pois nela cabem sapatilhas, bermuda, ferramentas ou, se você preferir, coloque seu material de trabalho e laptop e vá para o seu escritório de bike e com estilo. Tira peitoral garante estabilidade da mochila. Disponível em cinza/preto, toda preta, laranja e preta ou azul e vermelho.
Preço sugerido: R$ 480,00
www.labici.com.br
As novas jaquetas da Mauro Ribeiro foram desenvolvidas através da tecnologia presente na família de tecido Thermal Effect. Própria para os dias mais frios, protegem e mantêm a temperatura do corpo estável. Contribuem para uma pedalada de qualidade, sem deixar de lado o conforto. Este novo modelo acompanha um gorro que pode ser utilizado de diversas formas, já que é composto por um cordão ajustável. São leves e com design arrojado, ideal para ciclista que superam seus desafios.
Preço sugerido: N/D
www.mauroribeirosports.com.br
Farol Backburn Flea 2.0 USB
Pesando apenas 17 gramas, o farol Blackburn Flea 2.0 impressiona pela potência em relação ao seu tamanho. São quatro leds em um produto com um design moderno e ao mesmo tempo discreto. Possui três funções, farol baixo, alto e intermitente. Um dos grandes diferenciais é o carregamento via conexão USB, o que dispensa o uso de pilhas e baterias. A carga dura cinco horas com a luz intermitente e três horas no modo contínuo. É distribuído pela Bronet do Brasil.
Preço sugerido: R$ 110,00
vendas1@bronet.com.br - www.blackburndesign.com
Mini-bomba Blackburn AirStick 2Stage
A mini-bomba Blackburn Airstick 2Stage é incrivelmente leve, precisa e resistente. A construção em alumínio e a haste anodizada na cor vermelha lhe garantem um visual leve e arrojado. Pesa apenas 87 gramas e tem uma regulagem dupla para baixa e alta pressão.
Enche pneus com a pressão de até 160 psi / 11 bar. É distribuído pela Bronet do Brasil.
Preço sugerido: R$ 99,00
vendas1@bronet.com.br - www.blackburndesign.com
Capacete Orbea Rune
Preço sugerido: N/D
www.orbea.com.br
Cubo Dianteiro
Cubo dianteiro eixo de cr-mo 3/8 NI-CR-MO ( Níquel - Cromo - Molibdênio ) que repele a oxidação e é muito mais resistente que os eixos fabricados somente em cr-mo. Flange alta, rolamentos de alta performance, 36 furos, porcas de alumínio. Peso 230 g. Indicado para as modalidades Street, Park, Dirt Jump, Vertical, Flatland e Freeride. Disponível nas cores: vermelho, branco, preto e rosa.
Preço sugerido: N/D
www.proxbike.com.br
Pedal Translúcido
A ProX mais uma vez inova e produz em solo brasileiro um pedal tipo exportação. Utilizando materiais de alta resistência, como o policarbonato na plataforma e cr-mo no eixo, agregado a um ferramental de última geração, a marca lança o mais moderno e resistente pedal de plataforma do Brasil.
Peso: 360 g.
Eixos cr-mo tratado com rosca 9/16 e 1/2.
Base de policarbonato.
Medidas: 95 mm x 100 mm.
Esferas e aço tratado.
Cores azul, verde, marrom, vermelho, laranja, rosa, transparente, fumê e roxo.
Modalidade utilizadas: BMX, Freeride e Downhill.
Preço sugerido: N/D
www.proxbike.com.br
O gênio completo!
A novidade da Continental é o Pneu X-King (Cross King). Super rápido, mas ainda assim com uma boa aderência, o X-King foi desenvolvido com o time profissional de mountain bike Topeak Ergon. Mesmo com cravos grandes, o X-King rola de forma suave e muito silenciosa. Uma mistura inovadora de materiais que só pode ser produzida na Alemanha está revolucionando os pneus para bicicletas. O dilema entre conseguir maior aderência e redução do atrito foi superado com o Composto Black Chili, elevando o desempenho a um novo nível. Os polímeros mais recentes, partículas de fuligem otimizadas em nanoescala e enchimentos que garantem uma performance única. O composto Black Chili diminui o atrito em 26% e oferece cerca de 30% mais aderência do que compostos de sílica ativada, mantendo a mesma durabilidade. Disponível em três versões:
X-King 2.2 Race Sport - 490 gramas –180TPI - RACE SPORT é uma versão leve e que pode ser usado sem câmara, desde que seja com o selante. É feito a mão na Alemanha, possui o composto da borracha Black Chili.
Preço sugerido R$ 239,00.
X-King 2.0 Supersonic – é o modelo mais leve – 440 gramas. Possui Black Chili e é feito a mão na Alemanha.
Preço sugerido: R$ 239,00.
X-King 2.2 dobrável – 580 gramas.
Preço sugerido: R$ 159,90.
www.royalpro.com.br
Óculos Leader
Específico para a prática de esportes, com armação flexível e extremamente leve, narigueira ajustável e pads aderentes nas partes de contato com o rosto. Indicado para pessoas que possuem rostos pequenos a médios. Acompanha uma lente extra e case. Disponível nas cores prata com lente cinza espelhada, e preto com lente marrom.
Preço sugerido: N/D
www.scott.com.br
Óculos Antares
Produzido com material Grillamid TR90, leve, modelagem computadorizada para melhor precisão, simetria e qualidade, moldado com injeção dupla não-tóxica, narigueira totalmente ajustável, vem com três sets de lentes para trocar de acordo com as circunstâncias. Lentes leves e rígidas, de material Lexan (da GE), descentralizadas para uma visão mais clara e realista. Proteção total UV 400 (lentes). Tratamento especial antiembaçante e antirriscos. Compatível com RX-clip.
Preço sugerido: R$ 249,00
bike.shimano.com.br
SUPORTE PARA BICICLETA THULE PRORIDE 591
Os Racks Thule ampliam o espaço do seu carro permitindo assim transportar varas de pescar, escadas e outros objetos que exijam um espaço adicional. Quando adicionado ao Rack, outros acessórios da Thule (suportes para bicicleta, pranchas de surf, caiaques e bagageiros) possibilitam o transporte de diversos tipos de bagagens e equipamentos que exigem um transporte seguro de acordo com as normas de trânsito.
Preço sugerido: N/D
www.webracks.com.br
Não existe lugar no mundo onde seja impossível andar de bicicleta
Texto: Denir M. Miranda
Em 1914, Sir Ernest Shackleton comandou uma expedição para ser a primeira a atravessar o continente Antártico de um extremo a outro. Entre os tripulantes do navio Endurance estava Thomas Orde-Lees. Apaixonado por atividades físicas, Orde-Lees conseguiu permissão para levar uma bicicleta naquela que seria uma das mais heróicas aventuras humanas. Nos meses que passaram presos no gelo, era hábito de Orde-Lees andar de bicicleta, até que um dia ele foi longe demais e se perdeu. Seus companheiros tiveram que procurá-lo e, deste dia em diante, foi proibido de andar de bicicleta na imensidão branca.
Quando o navio foi destruído pelo gelo e naufragou, levando junto com ele quase todos os pertences pessoais dos tripulantes, Orde-Lees escreveu no seu diário, em 30 de outubro: “minha maior perda sentimental foi minha velha e querida bicicleta que tive por 16 anos, a melhor Rudge-Whitworth que já exisitiu”.
Contudo, Thomas Orde-Lees não foi o primeiro a pedalar no Pólo Sul! Havia uma bicicleta na expedição Terra Nova, comandada pelo Capitão Robert Falcon Scott, em 1910. Entre os tripulantes estava o geólogo Thomas Griffith Taylor, “um ciclista apaixonado” como é descrito em alguns textos. Antes de entrar para a expedição, ele estudou em Cambridge, onde a bicicleta é um meio de transporte muito popular entre os estudantes.
A bicicleta que Taylor pedalava no Pólo Sul resiste até nossos dias. Passou um tempo à mostra na parede da cabana da expedição do Capitão Scott, cabana que está mantida e preservada em mínimos detalhes. A bicicleta agora está sendo cuidada dentro do Antarctic Heritage Trust.
Thomas Orde-Lees e Thomas Griffith Taylor não tinham em comum apenas o primeiro nome. Eram homens que realmente estavam à frente de seu tempo. Quem viaja à Antártica, quase 100 anos depois daquelas expedições épicas, pode ver pessoas de bicicleta pelos caminhos da Estação McMurdo.
Hoje, não só é possível pedalar no Pólo Sul, como existem bicicletas comunitárias na Ilha de Ross.
Mas pessoas ainda perguntam: como você faz pra pedalar quando está chovendo? E quando está calor? E no trânsito? Pode-se ver que, quando há desejo, vontade e uma certeza de que bicicletas trazem mais vantagens do que empecilhos, não há obstáculos.
Na pior parte da viagem, quando o futuro era incerto e os acontecimentos tinham levado todos a uma situação angustiante e sombria, Orde-Lees escreveu: Ninguém… sabe o que significa para mim ter uma bicicleta e um lugar para pedalar, por mais que sejam duros e ásperos os dias (diário pessoal, registro em 11 de março de 1915).
A bicicleta pode sempre ser a solução que possibilita ir além.
Texto: Roberto Furtado
O tempo voa - pura velocidade. Jovens se tornam velhos, velhos viram história e saudade. Alguns deixam muita saudade e um legado.
Sem tristeza, é preciso lembrar que um dia deixaremos o lugar aos filhos dos que hoje nascem para a vida.
Acredito que a maior invenção, de caráter puro e bem-sucedido, seja a bicicleta. Ela é o melhor meio de transporte que o homem já criou: otimiza a energia do próprio transportado. O homem gera, com o seu esforço, uma energia que o desloca com economia por longos percursos.
Quando um homem poderia caminhar 10 km para chegar ao trabalho? Um homem que caminha 10 km, em um ritmo de 5 km/h, levaria duas horas para chegar ao destino. De bicicleta, considerando uma velocidade de 20 km/h, normal para um ciclista acostumado, este trabalhador chegaria em seu destino em 30 minutos.
Apostaria ainda que o trabalhador que usa a bicicleta chegaria sempre com menos gasto de energia ao fim do dia. Não devemos esquecer os benefícios da inércia quando estamos em uma bicicleta... A pé, a vantagem simplesmente inexiste.
O homem coerente, com sua tecnologia, criou o maior legado. A bicicleta não polui significativamente, não provoca ruídos e geralmente trafega em velocidades que não causam grandes acidentes. Não há acidentes ciclísticos coletivos com vítimas fatais, como os que acontecem com carros, motos e aviões.
Dizem que o avião é o transporte mais seguro do mundo. Discordo. Pode ser que o avião seja o mais veloz, mas mais seguro que uma bicicleta: acho pouco provável. Eu caí algumas vezes de bicicleta... Já fui até mesmo atropelado por uma, mas sobrevivi sem sequelas a todos os acidentes. De avião, só o highlander sobrevive. O transporte mais seguro, para mim, é a bicicleta.
E alguns dirão que o tempo é inimigo do homem e que a bicicleta é aliada do tempo. Não passa de uma visão distorcida. O homem, na sua corrida contra o tempo, têm perdido a vida em acidentes velozes, seja no trânsito, seja na saúde.
Alta velocidade na busca por números e resultados resulta numa vida breve e imperceptível. A vida dos apressados escorre como areia por entre os dedos. E a bicicleta vira história... Conta sobre o passado do homem que mais sorriu.
Cidade do México
De cidade mais poluída do mundo a exemplo de mobilidade sustentável
Após um crescimento desordenado, com indústrias dentro da cidade e muitos carros circulando, a Cidade do México alcançou o título de cidade mais poluída do mundo na década de 80.
Todos sofriam muito com a poluição, principalmente idosos e crianças. Haviam dias críticos em que não se podia sair para trabalhar, estudar, e era proibido qualquer atividade ao ar livre. Os níveis de poluição ultrapassavam em até quatro vezes as normas de proteção à saúde.
Em 1991, apenas em 11 dias a Cidade do México respirou ar com qualidade aceitável. A população começou a pressionar o governo cobrando medidas para combater este problema. Foi implantada uma série de iniciativas do chamado Plano Verde. Este plano pretende atender sete áreas-chave: espaço público, conservação do solo, abastecimento de água, transporte e mobilidade, reciclagem de resíduos, poluição atmosférica e energia.
Atualmente, a Cidade do México deixou o ranking das 10 cidades mais poluídas do mundo. O trânsito ainda é caótico, mas há quarteirões do centro que são exclusivamente para pedestres e muitos mexicanos preferem andar a pé.
O problema de poluição na capital mexicana é ainda mais agravado por sua localização geográfica. Como fica em um vale, a poluição encontra uma cadeia de montanhas ao sul, com altitude de 3.800 m, e não consegue se dispersar. A cidade também fica no alto, a 2.200 m de altitude, o que a deixa muito próxima da camada de poluentes que paira no ar. Além disso, por ficar longe do mar, tem 23% menos de oxigênio do que as cidades costeiras, como São Paulo.
Victor Hugo Paramo, diretor de gestão da qualidade do ar, relata que "quando se compara a qualidade do ar de hoje com a do início dos anos 90, percebe-se uma grande melhoria. Em termos de contaminantes, conseguimos controlar os níveis de chumbo, monóxido de carbono, óxido de nitrogênio e dióxido de enxofre. No entanto, ainda temos problemas com material particulado e com ozônio."
Os veículos são responsáveis por 80% das emissões de poluentes, e portanto, o trânsito é responsável direto do problema da poluição. Retirar estes veículos de circulação é combater o problema direto na fonte. Para isso, o governo estipulou um rodízio que funciona das cinco às 22 horas, em dois dias da semana e um sábado por mês. Os carros novos ganham dois anos livre do rodízio por serem menos poluentes.
Para estimular a troca de carros antigos, que poluem muito mais, o governo também criou um programa de substituição de frota. Os carros e ônibus antigos são destruídos e reciclados, e o governo financia a compra de um novo veículo ou paga pelo ferro velho. Para a empresa que faz o serviço de reciclagem o negócio é lucrativo e, acima de tudo, reciclável. A ideia é substituir 30 mil carros até o próximo ano.
Outra medida muito importante adotada na Cidade do México diz respeito às bicicletas: é a Ecobici, um programa de compartilhamento de bicicletas no centro da capital. Conforme afirma Tanya Muller, responsável pelo Ecobici, "este programa é uma ação que permite aos cidadãos terem acesso às bicicletas. Cerca de 50% de todas as viagens diárias na Cidade do México são menores que 8 km. Então a bicicleta é muito eficiente. Além disso, há compartilhamento da Ecobici com o metrô e com o Metrobus."
Além de economizar com estacionamento, gasolina e ainda não poluir, trocar o carro pela bicicleta é muito mais rápido no caótico trânsito da Cidade do México. A cidade conta com 100 km de ciclovias permanentes e, aos domingos, das oito às 14 horas, mais 24 km são reservados exclusivamente para as bicicletas circularem pelo centro histórico da capital mexicana. São 90 estações distribuídas nos bairros da cidade.
Outra ação bastante importante na Cidade do México com relação à mobilidade é o Metrobus. São ônibus que circulam por corredores exclusivos e os carros não conseguem invadir este espaço pois ele é separado por muretas de concreto. Enquanto o trânsito de veículos está parado, os ônibus circulam livremente, tornando o transporte público muito atrativo.
Segundo dados das autoridades mexicanas, a adoção do Metrobus, em 2005, contribui com a não emissão de 80 mil toneladas de dióxido de carbono por ano, pois um único Metrobus substitui 60 carros particulares e para cada linha de Metrobus, 600 microônibus saem de circulação.
As vantagens do Metrobus fizeram a população mexicana preferir o transporte público e deixar o carro em casa. Por ser rápido e econômico, o Metrobus transporta 450 mil passageiros por dia, em 50 km de extensão que cortam toda a cidade. Além disso, os mais de 200 km de metrô complementam as viagens de quem opta pelo Metrobus. "A ideia do Metrobus integrado é facilitar as viagens dos usuários, para reduzir o tempo de viagem. Mas o mais importante é que não usem os carros. Com o Metrobus, quase 15% dos usuários, cerca de 100 mil pessoas, já decidiram deixar o carro parado em casa. Mas a condição para que isso aconteça é ter um sistema público de qualidade", conforme Guillermo Calderón, diretor do Metrobus.
Como a necessidade é a mãe da criatividade, quando a Cidade do México se viu no caos, e teve a necessidade de mudar, conseguiu implantar um sistema muito eficiente de transporte público e estimular os modais a pé e de bicicleta. As grandes cidades brasileiras já sofrem com a questão do trânsito pesado e da poluição e ainda há tempo de adotar medidas semelhantes às da Cidade do México - sem precisar sentir a 'necessidade' na pele. É mais vantajoso prevenir agora, enquanto ainda podemos respirar. E o puxão de orelha não é apenas para os governantes, que têm a missão de nos fornecer um transporte público de qualidade: cada cidadão tem, também, a responsabilidade de implantar a cultura da bicicleta e a cultura da não agressão ao meio ambiente.
Alvos Móveis
Texto: Giuseppe Ricardo Passarini
São raras as estatísticas que tratam de acidentes envolvendo ciclistas. Geralmente estes números são apresentados ao público em ocasiões específicas, como no início de cada ano, onde são comparados com os anos anteriores, ou quando acontecem fatos deploráveis como o caso de Porto Alegre. Porém, por experiência própria tenho certeza de que grande parte dos acidentes é causada por falta de respeito dos motoristas de outros veículos em relação aos ciclistas.
É comum, para quem trafega pelas ruas de grandes cidades, ser testemunha de colisões envolvendo bicicletas. A exposição ao perigo nestes veículos é grande e os riscos de lesões em igual proporção. Na maioria das vezes o condutor de uma bicicleta sai atordoado, ferido, ou até com sequelas mais graves: desde arranhões e fraturas até a invalidez permanente.
Equipamentos de uso obrigatório, como o capacete, evitam ou minimizam tais lesões. A utilização desses objetos salvam vidas e poupam muitos transtornos, tanto para os ciclistas quanto para os responsáveis pelos outros veículos.
Claro que existem aqueles que prejudicam o grupo, ou seja, existem sim os maus ciclistas. Aqueles que trafegam sem seus equipamentos obrigatórios, conduzem seus veículos sempre no limite, colocando a sua vida, e a de quem está a sua volta, em risco. São pessoas com comportamento questionável, que não reconhecem seu papel diante de uma sociedade que tenta conviver da melhor maneira possível. São estes que fazem com que toda uma categoria seja discriminada.
Infelizmente, a atitude destes maus ciclistas acaba influenciando o conceito que muitos têm de qualquer ciclista - há uma generalização. Na maioria das vezes um ciclista é visto como um indivíduo inferior. Um estorvo neste trânsito que nós conseguimos desorganizar. Aos olhos dos outros motoristas não interessa se sobre o banco da bicicleta esteja um profissional liberal, um estudante ou um pai de família. Para eles, as bicicletas se transformam em alvos móveis.
Esta falta de educação é que preocupa. Enquanto não houver conscientização de que a bicicleta é um veículo que também obedece às leis da física, os acidentes e abusos estarão presentes em nosso dia a dia. Vale salientar que a educação não é somente dizer bom dia, boa tarde, obrigado ou pedir desculpas. Educação é respeitar o próximo e saber que possui as mesmas necessidades que nós, que sofre com os mesmos sentimentos nossos. É enxergar que quando uma bicicleta se posiciona na frente de seu carro, existe uma pessoa a conduzi-la e enquanto os carros estiverem em movimento ela também tem seu lugar, seu espaço, sem precisar dos limites e dos riscos. São apenas máquinas, porém são conduzidas por seres humanos.
Bora pedalar!
Texto: Professor Arnaldo
Certa vez um amigo disse: "se Deus fez a mulher, sua obra-prima, o homem fez a bicicleta." Empate técnico, segundo ele.
Há que se concordar que o camarada forçou a barra, mas não dá para resistir a uma boa pedalada, desde a primeira tentativa. E daí pouco importa a idade, basta sentir o vento no rosto e aquela sensação de liberdade, única na vida do ser humano.
Então, estamos todos viciados pelo êxtase que o domínio da bicicleta confere ao nosso âmago, levando-nos a lugares cada vez mais distantes.
E tudo que começou com aquela tentativa sôfrega nos foi levando a querer novos horizontes. Primeiro nos contentamos com o passeio na praça, na vila, nos arredores. Num passe de mágica já estamos enturmados em um grupo, que para nossa alegria tem o mesmo gosto: pedalar.
Neste instante, já não importa o valor ou a qualidade dos equipamentos da bicicleta. O importante é locomover-se com sua mais nova amada, enfrentar novos rumos, novos desafios.
Aí vem aquela vontade de sair pelo mundo afora, com vento e algum documento e um destino: quanto mais longe, melhor.
Neste momento é que começam as dúvidas: sozinho, com a turma ou uma cicloaventura paga? Estrada asfaltada, rodovias, caminhos de peregrinação ou rumo à terra natal?
Cicloaventura ou Cicloloucura?
Roteiro definido: dias, semanas, anos de pedalada é o sonho a ser concretizado. Neste estágio é a nossa saudável loucura, que dentro da aventura, dá o tom: tanto faz se estamos sós, em grupo, em excursão, com novatos ou bikers experientes.
Dentro dessa loucura, a bicicleta cobra seu preço: quanto pior seu estado, mais imprevistos, assim como acontece com nossa condição física e técnica, que determina nossas glórias e nossos fracassos.
A dose certa? Não tem! Ouvem-se histórias de sucessos e dramas sobre a bicicleta todos os dias e depende na verdade dos nossos medos e de nossa coragem em encarar os imprevistos, tentando tenuamente saber qual é o limite. Limite este, que não está no Código de Trânsito, nos livros dos grandes ciclistas solitários ou de grupos experientes, cercados de equipamentos de alta tecnologia. Esse limite cada um carrega dentro de si, na verdade.
Então, o que fazer? Fácil! Comece! Meta a cara, ou melhor, sebo nas canelas e siga ao seu destino estipulado. Aventura e loucura são elementos comuns daqueles que desejam viajar de bicicleta e ninguém nasce sabendo e aprende na velocidade desejada ou até mesmo no momento adequado.
O que importa é viajar, aventurar-se de bicicleta, superar os desafios de si próprio, tendo em mente que a próxima acontecerá em breve. Aí, neste caso, prudência e “calda de galinha” não faz mal a ninguém.
Bora pedalar!
Projeto Revista Bicicleta - Professor Sobre Rodas nas Escolas
Ciclocidadania, Ambiente Relacional Sustentável, Promoção da Felicidade e Engajamento da Juventude
Texto:Therbio Felipe M. Cezar - Professor Sobre Rodas
Enquanto este texto é produzido centenas de milhares de pessoas no mundo inteiro são vítimas da exclusão social e de um sem-número de mazelas. Culpados? Não nos cabe enumerá-los. Sujeitos capazes de fazer a diferença? Poderemos começar por nós mesmos. Os direitos primordiais dos seres humanos passaram a constituir um campo de disputa pela sobrevivência e perpetuação da espécie, tão somente. A nova ordem mundial, os reflexos da globalização possível e insidiosa, além das tomadas de decisão por parte dos chefes de estado dos países poderosos atingem a todos, no presente e no futuro, não importando raça, gênero ou cultura. Porém, neste mesmo universo destaca-se uma nova leitura de comportamento sociocultural, em escala global, uma notável evolução do ser humano em direção a si mesmo. A Ciclocidadania.
O Projeto Professor Sobre Rodas é uma experiência ciclocidadã que leva às escolas e universidades, públicas ou privadas e ainda às empresas, dentro e fora do país, reflexões sobre a promoção da felicidade, levando à construção coletiva da liberdade possível e a integração comunitária através da Ciclocidadania, produzindo-se uma comunidade mais apta para a nossa humana ‘com-vivência’, e não apenas ‘sobre-vivência’.
Venho desenvolvendo intervenções sobre este tema no formato de palestras, conferências e oficinas desde março de 2007, em diferentes ambientes, seja em escolas da rede pública ou particular do Cerrado Mineiro, no litoral de Santa Catarina ou na Serra Gaúcha, ou ainda em universidades públicas e privadas espalhadas por mais de seis estados brasileiros, e até internacionalmente. Já ocorreram mais de 370 palestras a convite destas entidades, incluindo trabalhos com ONG’s, OSCIP’s, Fundações, Sindicatos, Cooperativas e Secretarias Municipais. Neste formato, o Professor Sobre Rodas já falou sobre estes conceitos para mais de 35 mil pessoas no Brasil. Minha intervenção enquanto Professor Sobre Rodas também já foi acompanhada por milhares de pessoas nas páginas da Revista Bicicleta, outras revistas de Turismo e Meio Ambiente, nos programas televisivos Globo Esporte, Rede Minas e no site de informações da Globo, o G1. No exterior, um dos espaços de maior intervenção do Professor Sobre Rodas são as províncias de Posadas e Corrientes, na Argentina, desde 2008.
No ano de 2011, minha parceria com a Revista Bicicleta ganhou força e colocou as rodas e o professor nas estradas e salas de aula, dada a realização de uma série de palestras e conferências no litoral catarinense, no espaço que, circunstancialmente, está disposto entre os três roteiros cicloturísticos: Costa Verde e Mar, Vale Europeu e Barra do Piraí – envolvendo, assim, mais de 30 municípios, desde a cidade-balneária de Barra Velha até Tijucas, e de lá até Presidente Getúlio, quase chegando à sede da Revista Bicicleta, em Rio do Campo.
O teor das palestras (gratuitas para instituições públicas de ensino) atinge especialmente alunos e alunas do ensino médio, os quais se encontram em um determinado momento de apatia em relação à sua participação enquanto cidadãos de um ‘novo mundo em construção’, sendo a cada minuto atropelados pela globalização, seus maniqueísmos (seu lado bom e seu lado não tão bom), pela informação fragmentada, entre outros aspectos. Vemos estes jovens tentando sobreviver às cidades cada dia menos humanas, sucumbindo à violência banalizada em todas as suas formas e a um ambiente em degradação, porque degradada está a sociedade que aceita passivamente perder seu espaço para o concreto, para a velocidade e poder atribuídos aos automóveis, ou simplesmente, por haver esquecido de sua parcela humana, sensível, romântica, dócil, sonhadora, entre tantas outras particularidades.
Ao usar ou valer-se da bicicleta como veículo não violento, economicamente viável, socialmente justo e ambientalmente responsável, o cidadão encontra à disposição toda uma nova maneira de atuar ou ser protagonista de uma ordem que se permite observar expressa nas paisagens, urbanas e/ou rurais. Ele descobre-se inteligente e redescobre-se plural, ao promover um ambiente mais coerente com a qualidade de vida que a grande maioria almeja, ou seja, uma qualidade possível a todos, uma simplicidade latente que busca virar expressão sobre rodas silenciosas, as quais não deixem rastros indeléveis.
Este é o ideal perseguido pelo Professor Sobre Rodas, uma proposta de realidade onde professores e alunos, ambos aprendentes e brincantes, reconstruam seus universos, patrimônios e saberes, seus espaços de convivência, trabalho e frugalidade, reinventando-os e reinventando-se. A ideia de 'rodas' não se refere apenas ao uso da bicicleta como meio de intervenção nas comunidades por onde se passa. Um pouco mais além, as rodas querem sugerir, em cada contexto, o ciclo. A vida é cíclica; o conhecimento é cíclico; a renovação social é cíclica; enfim, somos cíclicos.
Ao completar 20 anos de docência em cursos superiores de Turismo, Hotelaria e Meio Ambiente, percebi que havia muito ainda para fazer. E entendo que o jovem brasileiro sente uma carência ainda maior por não perceber-se atingido pela socialização a respeito do vasto campo de possibilidades socioeconômicas presentes em cada localidade, em sua natureza e cultura, além do cuidado urgente com a gestão dos ecossistemas em risco.
Enquanto professor, sempre entendi que não existe conhecimento sem emoção, não existe aprendizagem se não existe amor ao ‘estranho’, ao outro. Não existe educação se não existe a promoção do ser humano. Sem emoção não existe fé no homem e na transformação da sociedade; sem emoção não existe significado de vida, coisas que aprendemos ao nos lançar ao caminho, nesta ‘sala de aula sem paredes’... Tenho buscado emprestar essas reflexões em meus encontros dentro das salas de aula formais.
Acompanhe depoimentos de alguns alunos que presenciaram a palestra do Professor Sobre Rodas. A identificação dos alunos menores de idade, por questões éticas, foi suprimida ao primeiro nome e à abreviação do sobrenome.
“O cicloturismo ajuda a ver que a vida não é movida apenas por dinheiro ou bens materiais, mas sim pelas pequenas, porém importantes coisas. Através do cicloturismo você passa a ser a paisagem, você consegue apreciar, sentir, emocionar-se, e isto eu pretendo levar para a minha vida: coragem para enfrentar os obstáculos que surgirem, assim como o cicloturista os enfrenta, seja o frio, a dor, o cansaço, e embora tudo isto, nunca desiste de chegar a seu destino! (Jeferson J., 17 anos – Escola Manuel Henrique de Assis – Penha - SC).
“Como muitas pessoas dizem, todo cidadão tem uma missão. Meu caro amigo Professor Sobre Rodas, certamente está cumprindo a sua. Seu trabalho de mostrar a nós que sempre deve haver a esperança de ser feliz, da forma mais simples que exista, nos atinge com tamanha convicção que faz com que, se já não acreditamos, voltemos a rever nossas percepções. Cicloturismo e Ciclocidadania são formas de se olhar o mundo de maneira renovada, e tomara que um dia, todos pensem assim.” (Marcos V.S., 17 anos. E.E.B Alexandre Guilherme Figueiredo – Piçarras - SC)
“... depois de ter ouvido aquela palestra senti que eu precisava fazer algo, fazer algo pra me sentir bem e fazer com que as pessoas também se sintam. A história desse Professor Sobre Rodas me fez enxergar que realmente o céu é o limite e que até com uma "simples bicicleta" você pode mudar a vida de uma pessoa.” (Brendon E.V., 17 anos - Escola Alexandre Guilherme Figueredo – Piçarras – SC)
“Sempre busquei mostrar o que aprendi a tantas pessoas eu pudesse, pois acredito ser muito importante que, principalmente nós estudantes, que somos presente e futuro de toda sociedade, possamos parar para refletir um pouco sobre nós mesmos. Não me emociona o fato deste professor falar outros idiomas, ou por ter vivido em outros países, mas sim o simples fato de que quando ele está falando, quem fala é o coração e a essência cultural desses vários povos. As pessoas se identificam com suas palavras encorajadoras, que nos convidam a conhecer mais sobre diversas culturas, sobre o que, querendo ou não, faz parte de nós.” (Auara C. 18 anos – Uberaba – MG, atualmente, estudante de Direito)
“Compreendi como a vida pode ser melhor se ajudarmos o planeta e a sociedade, usando a bike como um veículo da felicidade. Escutar atentamente ao Professor Sobre Rodas mostrou-me que se pode ser feliz deixando que a bike nos proporcione observar as
melhores coisas da vida, a natureza, a cultura e a sociedade.” (Emily T. 16 anos - Escola Alexandre Guilherme Figueredo – Piçarras- SC)
“Nossa vida é marcada pelo que somos e pelo que fazemos, e não por um status. Ser feliz e ajudar alguém, fazendo a diferença, é o que importa. (Gabriel G., 16 anos – Escola Alexandre Guilherme Figueredo – Piçarras – SC)
“Depois da palestra fiquei com uma mente mais ampla para o que está acontecendo ao meu redor, da mesma forma como comecei a refletir sobre o que estou fazendo da minha vida, se é certo ou errado e, principalmente, o que quero ser realmente. Ele usa argumentos reais e persuasivos de uma maneira estapafúrdia, porque ele mostra o que é de compreensão difícil parecer fácil e divertida.” (Helena L., 16 anos – Centro Educacional Prisma – Piçarras- SC)
“Entendi que se pode ser feliz com um simples gesto de humanidade, e que isto o deixa com a mente limpa, tranquila. Muitas vezes reclamamos que não temos ‘uma bolacha recheada pra comer’, enquanto tem gente que morre por um simples copo de água. Sempre pensei assim, mas nunca coloquei para fora o que sinto sobre essas coisas... Penso que muita gente não teria a cara e a coragem de ir lá na frente de tantos jovens, fazer e falar tudo o que o ele (o Professor Sobre Rodas) nos proporcionou.” (Rebecca Z., 16 anos – Centro Educacional Prisma – Piçarras – SC)
Lendo mapas para preparar sua viagem
Texto: Antonio Olinto
Obter informações sobre os caminhos que pretendemos fazer de bicicleta sempre ajuda no planejamento de uma viagem. Principalmente em uma região montanhosa, é muito importante saber onde estão as subidas e onde ficam os tops para programar o tempo de conclusão do percurso e saber se conseguiremos chegar ao próximo ponto de abastecimento.
Enquanto viajava pelo Brasil, sempre utilizei os mapas do guia 4 Rodas, era o melhor mapa que podia encontrar. Estava bom, pois nesta fase da minha vida eu só andava de moto. Somente quando comecei minha viagem de bicicleta pela Europa é que passei a tomar conhecimento do que seriam bons mapas.
Não podemos esperar encontrar um guia de cicloturismo de cada caminho que sonhamos percorrer. Muitas vezes só conseguimos encontrar um mapa bem ruinzinho da área, mas podemos obter muitas informações mesmo com um mapa simples nas mãos.
Fiquei quase seis meses viajando entre Índia e Nepal e todo o planejamento foi feito em cima de um mapa muito simples. Em nossa última viagem pelo Peru, eu e a Rafaela só conseguimos achar um mapa básico e com poucas informações, tendo em vista o grau da nossa aventura.
Gostaria de mostrar os mapas que utilizamos em nossa última viagem e fazer alguns comentários que podem ajudar o cicloturista a tirar o máximo de informação simplesmente observando o mapa.
O indício mais fácil de perceber uma subida é observar se o desenho da estrada faz ziguezague. Geralmente, uma estrada é construída o mais reto possível, ela fará uma volta para desviar de obstáculos grandes como morros e lagos, e fará ziguezague só para vencer grandes montanhas.
No mapa 01, observe o caminho que sai de Yungay, no vale do Rio Santa, e sobe para Cordilheira Branca através do passo de Llanganuco, que está a 4.767 metros de altitude. Veja que existem dois pontos onde o desenho da estrada faz ziguezague: logo na saída da cidade e depois já bem perto do topo do passo, ou seja, do ponto onde a estrada começa a descer, o ponto onde “passa” para o outro lado da serra. Sempre que o desenho faz um ziguezague a subida é mais íngreme, pois a estrada necessita dar várias voltas para vencer a montanha. Entretanto você só poderá observar este desenho em mapas com uma escala grande, ou seja mapas mais detalhados como este da Cordilheira Branca.
Outro indício importante se relaciona com o curso dos rios. A água sempre desce para o mar, então, se observarmos que nosso caminho segue ao lado do rio até sua nascente, saberemos que o caminho sobe com um grau constante de ascendência, como a do rio, que geralmente não é muito íngreme. Se a região for montanhosa e o caminho em algum momento sai do lado do rio e volta mais tarde, pode indicar uma subida íngreme para vencer uma cachoeira ou um cânion, onde não passam estrada e rio juntos; ou ainda como no mapa 02, quando saímos de La Union em direção a Huánuco. A princípio, o caminho descia o rio com inclinação suave até o ponto onde a estrada saiu do lado do rio, subiu cerca de 500 m para chegar à pequena Pachas, e depois desceu até encostar novamente no rio.
Às vezes, é nítido que a estrada segue pelo rio quase até a nascente, quando abandona este rio e continua descendo por outro rio mais à frente. Mesmo que o mapa não tenha nenhuma indicação de relevo, poderemos saber até onde o caminho sobe suave (enquanto está ao lado do rio), onde sobe mais forte (quando atravessa a serra) e onde volta a descer suavemente do outro lado da montanha (quando desce ao lado do rio novamente). Veja o mesmo mapa 02, seguindo no mesmo caminho, depois de passar por Pachas e voltar para o lado do rio Vizcarra, bem no entroncamento, começa uma subir lentamente, costeando o rio Maranhão. Quando finalmente deixamos o rio para seguir o rumo de Chavinillo, o caminho subiu e só voltou a descer para encontrar o rio Mito, que segue em direção a Huánuco.
Nosso mapa tinha escala muito reduzida, mesmo assim, uma vez sabendo que ele está em escala, ou seja, a proporção nele é correta, pudemos tirar informações interessantes a respeito da estrada.
Voltemos para o mapa 02. Observe a discrepância entre o trecho entre as cidades de Chavinillo e Huancapallac (51 km) e o trecho de Chavinillo até o cruzamento antes de Quivilla (36 km). O mapa mostra uma área percorrida maior para 36 km e uma área percorrida menor para os 51 km, será que o mapa é desproporcional? Não, já sabíamos que o mapa estava na escala, o fato é que em um percurso andamos em um caminho plano ao lado do rio e em outro atravessamos uma montanha e muitas pequenas curvas que não são percebidas na escala do mapa fazendo a distância percorrida ficar maior numa mesma área no mapa.
Para compreender melhor peço que observem os dois detalhes do mapa na imagem 03. Entre as cidades de Mollepata e Pallasca o trajeto tem 31 km. Agora compare a distância entre Carhuamayo e Junin, com 30 km, que segue no altiplano ao lado do Lago Junin e uma linha férrea linear (dois outros indícios de planura). Depois de ver o mapa, veja as fotos dos dois caminhos. Agora dá para compreender bem a razão da discrepância, né?
Acredito que cada um já deve ter constatado, mesmo que empiricamente, algumas destas observações, mas devo lembrar que elas são somente indícios e não regras. Quem já viu o DVD dos 7 Passos Andinos sabe que perto de San Pedro de Atacama existe uma estrada praticamente reta com desnível de quase 2.000 m. De toda forma, acho importante este conhecimento, pois mesmo que você saia de casa com tudo programado, um dia poderá ter que mudar de caminho no meio da viagem e ter que decidir seu novo trajeto só com um mapa bem precário nas mãos.
Sobrevivendo na selva motorizada
Texto: André Geraldo Soares
O que desejamos, nós leitores dessa revista, é que o mundo seja seguramente ciclável. O mundo, não somente os aglomerados urbanos, não somente este país: quem acha que a bicicleta “é do bem”, não deve desejá-la para todos? Seguramente, porque em quase toda estrada, pavimentada ou não, é possível passar com uma bicicleta, mas na maior parte delas essa ação deve ser avaliada em uma escala que vai do “um pouco arriscado” ao “extremamente perigoso”.
Essa avaliação leva em consideração a experiência, a destreza e a capacidade física do pedalante; o tipo, a qualidade e a condição mecânica da bicicleta; a quantidade e a velocidade de veículos motorizados e o respeito dos seus condutores; e, é claro, a infraestrutura para a segurança do ciclista adequada às características da via pública.
Resumindo: não se pode insuflar qualquer um a pedalar em qualquer lugar de qualquer modo com qualquer bicicleta... Para ser bem honesto, junto com o desfile dos benefícios do pedalar, o cicloentusiasta precisa passar algumas recomendações para o cicloiniciante. Uma vez que não é difícil vermos cicloveteranos fazendo barbaridades com a magrela, não podemos admitir que somente a quantidade de horas de pedal habilita qualquer um a ser orientador do uso seguro da bicicleta.
Existem vários textos, manuais, panfletos, de diversas qualidades, contendo tais recomendações, por isso não cabe a este artigo elencá-las. Advirta-se apenas que é preciso tomar cuidado com certos materiais, muitos deles oriundos de órgãos de trânsito, que parecem tratar de um imaginário mundo cheio de ciclovias e de faixas de pedestres e que só servem para limpar a consciência dos carrocratas que os escreveram. Por isso, o mais acertado é buscar informações com aqueles que pedalam, dentre os quais encontramos, disponíveis na internet, a Escola de Bicicleta e o Vá de Bike. Faça sua pesquisa.
Para chegar inteiro ao destino e ao mesmo tempo sentir prazer ao pedalar é bom escolher uma bicicleta adequada ao seu tamanho e aos seus propósitos, mantê-la em boas condições, dotá-la de uma sinetinha, de refletores e de luzes para o uso noturno; portar um capacete – e quem sabe vestir um par de luvas – para aumentar a sensação de segurança; usar roupas claras e confortáveis, que conferem mais visibilidade e liberdade aos movimentos; e escolher as ruas menos movimentadas, pedalar no sentido do tráfego (“pela mão”), estar atento às manobras alheias e sinalizar as próprias.
Preocupar-se consigo próprio é fundamental quando se está no trânsito, mas insuficiente se a intenção é que um dia possamos pedalar mais relaxados. É preciso considerar os aspectos sociais do ato de pedalar para criarmos condições de que mais pessoas possam aproveitar a bicicleta e, com isso, humanizar as relações no trânsito e tornar o ar mais respirável. Pois do jeito que está, todos sabemos, a bicicleta é para poucos.
Em primeiro lugar, conhecer, respeitar e exigir o cumprimento da legislação – os direitos e deveres de todos os veículos em via pública. A bicicleta tem prioridade no trânsito – leia o Código de Trânsito Brasileiro –; portanto, se o Estado não obriga o cumprimento da lei, educada mas firmemente temos que fazer os motoristas compartilharem a via pública com os ciclistas.
Isso se consegue no próprio trânsito, pedalando – para demonstrar que a bicicleta é viável e para atrair mais pessoas para a modalidade –, sempre mantendo atitude responsável e com dignidade em relação aos demais veículos, mas também, sempre que possível – e, não nos iludamos, tem que ser possível –, fora dele. É a organização dos próprios ciclistas que tem introduzido o debate na sociedade, mas o debate ora acumulado ainda está longe de se tornar reforma infraestrutural, programa educativo ou prisão para os criminosos de trânsito. Trata-se, ainda, tão somente, pelo status quo, de uma concessão mínima de direitos. O ordenamento jurídico, a pressão das corporações e o confortável privilégio do indivíduo compõem uma estrutura firme, que não cederá facilmente à formosura e à economia barata da bicicleta.
O trânsito ainda é regido pela lei do mais forte, tal como acontece na selva (sem entrar no mérito do antropocentrismo dessa comparação). Se o que queremos é mais do que competir na selva, não resta outra saída senão comportar-nos como civilizados que dizemos que somos capazes de ser: refletir, dialogar, decidir e agir coletivamente pelo bem comum, usando, para isso, os espaços democráticos disponíveis, mas cientes de que tantos outros espaços – o parlamento, as secretarias de obras e de planejamento, etc. – precisam ser democratizados para que a rua seja “des-selvagizada”.
Quer ficar em forma? Tenha uma SMART atitude!
Texto: Cláudia Franco
Quer ficar mais saudável? Vai iniciar uma prática esportiva? Então saiba como definir seus objetivos.
“Mantenha seus pensamentos positivos, porque seus pensamentos tornam-se suas atitudes. Mantenha suas atitudes positivas porque suas atitudes tornam-se seus hábitos. Mantenha seus hábitos positivos, porque seus hábitos tornam-se seus valores. Mantenha seus valores positivos porque seus valores tornam-se seus destinos.” (Mahatma Gandhi)
É comum as pessoas sentirem dificuldade para dar o primeiro passo em direção ao estabelecimento de um hábito saudável e equilibrado de vida que permeie os aspectos: alimentação, preparo físico e preparo mental.
Muito envolvidas com a rotina diária de trabalho e família, estas pessoas não conseguem “tempo” para cuidar de si mesmas e sentem-se profundamente culpadas por não conseguirem manter uma alimentação saudável e a prática regular de exercícios. A pergunta constante e comum é: como fazer para conseguir dar conta de tudo?
Já passei por esta fase na minha vida também. Envolvida com a rotina de trabalho e família, sempre deixava a prática esportiva e cuidados pessoais para um segundo momento que, invariavelmente, nunca acontecia.
Consegui quebrar a rotina tomando uma decisão honesta: sou a única responsável pela minha saúde. Vou mudar, estabelecer um novo marco em minha vida! Depois disto, defini o objetivo que queria atingir e também a programação de atividades que iria desenvolver para conseguir alcançá-lo.
É importante saber a diferença entre objetivo e meta. Objetivo é o que queremos, o que vamos fazer. Meta é quanto queremos, como e quando, ou seja, se mensura, se estabelece parâmetros. Objetivo sem meta é só um sonho, dificilmente se alcança.
Estabelecer um objetivo e metas claras e tangíveis é primordial para o sucesso. É fundamental que possam ser cumpridos e executados, considerando o seu momento presente, as suas condições físicas, emocionais, financeiras, entre outros aspectos.
Defina de forma precisa as atividades que precisa realizar. Uma vez estabelecida as atividades, defina a forma como irá executá-las. Seja muito honesto e sincero consigo mesmo ao estabelecer as metas. Não se sabote, do contrário nunca conseguirá atingir o objetivo e apenas irá perdurar o sofrimento por não ter conseguido. Seja seu amigo ao invés de ser o vilão de si mesmo.
Exemplo de objetivo tangível: emagrecer. Exemplo de objetivo não tangível: emagrecer 10 quilos em três dias!
O objetivo é SEU
Importante! Tanto o objetivo quanto cada uma das metas têm que estar vinculado e depender somente de você e de mais ninguém, pois do contrário encontrará todas as justificativas possíveis para o insucesso. Mais uma vez se sabotará e o resultado disto será uma profunda culpa e frustração.
Um exemplo disto é definir que quer emagrecer para conquistar alguém ou para ficar parecido com outro alguém. Caso típico que ocorre entre as mulheres: “preciso emagrecer porque quero conquistar aquele rapaz que estou paquerando. Se eu ficar magra certamente irei conquistá-lo”.
Este é o tipo de objetivo que tende ao insucesso. Primeiro porque mascara o objetivo principal que deixa de ser emagrecer e passa a ser a conquista amorosa. O emagrecimento não está ligado à conquista amorosa. Quem gosta de você, vai gostar de você da forma como é: magro ou gordo, não importa. Você se esforça uma semana, faz uma dessas dietas cujo resultado é momentâneo, emagrece os quilos desejados, vai para a balada e encontra o seu alvo principal em companhia de outra pessoa. Pronto! O objetivo de emagrecer acaba naquele momento. Volta para casa chorando, “enche a cara” de chocolate e culpa o fulano por não ter percebido o seu esforço, conclui que o sacrifício que fez para emagrecer não valeu a pena e volta a engordar.
Portanto, não vá em busca de subterfúgios para fugir de sua própria responsabilidade.
Cada meta que pretende atingir deve ser única e exclusivamente de sua responsabilidade, deve ser realizado em prol de si mesmo e não de terceiros, principalmente quando se está buscando saúde, início de uma prática esportiva, melhor condicionamento físico e mental.
Se o objetivo for emagrecer, que seja para o seu bem-estar e que seja tangível. É desperdício de energia e tempo querer emagrecer para ficar parecida com a “top model” da estação da indústria da moda. Lembre-se que cada indivíduo na face deste planeta tem uma genética própria que não é passível de mudança. Se minha genética determinou que eu tivesse 1,64 m, não adianta passar o resto da vida me lamentando por não ter 1,75 m. Lembre-se: nem a irmã gêmea da Gisele Bündchen, a Patrícia Bündchen, é idêntica ou até mesmo parecida com ela! E nem por isto deixa de ser uma mulher linda e feliz.
O caminho para o sucesso
Estabelecer um objetivo já é o primeiro passo para o sucesso. Estabelecer metas realizáveis é aumentar a probabilidade desse sucesso acontecer.
Tenha foco: pense com clareza naquilo que quer alcançar. Não pense nos obstáculos e foque sua energia naquilo que você pretende realizar.
Documente a sua ideia: transfira os seus sonhos e suas ideias da cabeça para o papel. Procure escrever de forma simples e clara o que você deseja. Quando chegar neste ponto, seu sucesso já estará em processo de realização.
Defina detalhadamente cada uma das etapas: estabeleça todos os passos que você pretende dar para alcançar a sua meta. Mentalize o plano como uma escada, onde é preciso subir um degrau de cada vez. As etapas serão as metas intermediárias (como se fosse um objetivo isolado), partes menores do objetivo, que precisam ser realizadas, sem as quais se torna impossível alcançar o objetivo final.
Estabeleça trocas: nada é de graça. Tudo tem um custo. Este “custo” poderá ser financeiro, emocional, em forma de dedicação, privação de lazer, convívio com a família, etc. O que você dará em contrapartida para atingir cada objetivo?
Veja um exemplo prático de como estabelecer um objetivo e metas:
Objetivo: percorrer o Caminho de Santiago. Para realizar esse objetivo preciso cumprir as seguintes metas:
Cada uma destas metas podem ser subdivididas e detalhadas incluindo cada atividade e tempo de execução, por exemplo.
Tenha uma SMART atitude
Aí vai uma regrinha de ouro para você estabelecer o seu objetivo. Lembre-se da palavra SMART:
S – vem do termo Específico, em inglês, “Specific”. O seu objetivo não pode dar margem para interpretações duvidosas, tem que ser específico.
M - “Measurable” ou Mensurável. O seu objetivo deve ser fácil de medir, de ser acompanhado e avaliado. Você não pode controlar ou gerenciar o que não pode ser mensurável.
A - “Attainable” ou Atingível. O objetivo precisa ser tangível, possível de ser alcançado. Um desafio é sempre bem-vindo, é estimulante e para todo objetivo sempre encontraremos barreiras e obstáculos a serem superados, mas isto é diferente de um objetivo que nunca poderá ser atingido.
R - “Realistic” ou Realista. O seu objetivo precisa ser condizente com a sua realidade. Por exemplo, não se pode querer ganhar o próximo campeonato sem nunca ter se dedicado ou treinado para este feito.
T - “Tangible” ou Tangível. Defina um objetivo cujo esforço e investimento pessoal possa ser percebido ao longo do tempo investido na direção do seu objetivo.
Então, mãos à obra já! Não tenha medo e nem preguiça de dar o primeiro passo em direção àquilo que lhe faz bem, aos seus sonhos. Defina um objetivo e vá em busca desta realização. Lembre-se que manter a mente e uma postura positiva certamente o ajudará a alcançar os objetivos estabelecidos.
Seja o piloto do seu próprio avião. Trace a rota da viagem e defina todas as escalas deste vôo até o seu destino. É preciso determinar com exatidão o ponto de chegada, do contrário a trajetória poderá perder o sentido.
Fazendo tudo certinho
É um hábito muito forte na nossa cultura achar que sabemos tudo. Diga a verdade, você costuma ler o manual antes de instalar algum equipamento eletrônico? Quantas vezes “quebrou a cabeça” até se render a telefonar para aquele amigo que tem um equipamento parecido com o seu para pedir algumas dicas? Mas o manual continua intacto!
É sempre mais fácil pedir a um(a) amigo(a) a receita de dieta, de remédio, de algum tratamento, partindo do princípio que se deu certo para ela ou ele vai dar certo para mim também.
Para que pagar a consulta médica ou enfrentar algumas horinhas na sala de espera do médico se posso simplesmente perguntar para qualquer pessoa? Todos viram médicos, consultores, analistas.
Se você não valoriza o conhecimento de um profissional especializado e se não se preocupa muito consigo mesmo, informo que este caminho o levará ao fracasso. As soluções que tendem a ter um resultado imediato não serão de longo prazo e o resultado deixará de existir, podendo comprometer o seu maior bem: a sua saúde e seu corpo.
Pense que você vai passar a sua vida toda dentro deste veículo! É muito ruim quando o seu carro não dá conta de subir uma ladeira, quando não desenvolve a velocidade ideal na estrada ou quando consome demais. Imediatamente você o leva à concessionária ou ao mecânico de confiança.
Pois bem, pense nisto: o seu corpo é o veículo mais importante que você tem. Trate-o tão bem ou melhor do que o seu próprio carro. Se seu carro merece tanta atenção imagine o seu corpo!
Invariavelmente, a pessoa que pretende voltar ao esporte depois de muito tempo sem praticá-lo, ou aquela que pretende iniciar, apenas inicia sem se preocupar com a avaliação de sua saúde física.
Este caminho é péssimo, pois além de vários problemas que podem ocorrer, tanto de saúde quanto de lesões, após um tempo sentindo dores e muito cansaço devido ao início inadequado, é provável que você se desestimule e pare novamente voltando à zona de conforto e dando todas as justificativas do mundo para não continuar com a prática esportiva.
Alô doutor!
Tenha em mente o seguinte: ao iniciar ou retomar a prática esportiva é fundamental que dedique um tempo na avaliação da sua condição física e definição do cardápio nutricional e de exercícios para ter um excelente começo e resultados previstos em longo prazo.
Busque um médico, explique a ele detalhadamente o seu objetivo de iniciar a prática esportiva e peça a ele que providencie a sua avaliação. Se ele for um clínico geral, certamente vai lhe pedir alguns exames e também te encaminhar para médicos especialistas em diversas áreas como, por exemplo: passar por um fisioterapeuta para que ele faça uma avaliação física postural. Esta avaliação consiste em avaliar individualmente a capacidade de realizar esforço físico antes do início da prática esportiva. É uma avaliação realizada através de uma anamnése (histórico de doenças, sintomas de dor, cirurgias), testes ortopédicos (avaliação postural e testes articulares), e mais o teste muscular (força e flexibilidade). Com base nesta avaliação será proposta a melhor atividade, respeitando o objetivo e a individualidade biológica. Também a frequência de aulas ideal e as contraindicações nos exercícios, prevenindo o risco para que possa praticá-la com segurança.
Consulte um médico nutricionista. Muitas vezes o seu desempenho, ou melhor, o seu baixo desempenho pode estar atrelado à alimentação inadequada. Cãibras e dores musculares podem ser resolvidas com uma alimentação específica. O médico nutricionista vai avaliar o seu gasto calórico e lhe propor uma dieta específica para o seu organismo, incluído suplementação vitamínica, se for o caso.
Walmir Ribeiro, 46 anos, empresário, técnico de áudio em duas produtoras de TV, produtor musical e fonográfico, sempre andou de bicicleta apenas por lazer, sem nenhum compromisso. Após ficar parado três anos sem fazer nenhum exercício devido a uma cirurgia para corrigir um problema de labirinto, ele e mais três amigos abraçaram o desafio de fazer uma viagem da cidade de Belo Horizonte, em Minas Gerais, onde moram, até Santiago, no Chile.
O sonho virou um projeto profissional que já conta com patrocinadores. A viagem, que será integralmente documentada, será realizada no ano de 2013.
Walmir contou que voltou a pedalar e logo a pedala virou um treino pesado em relação ao seu despreparo físico. Passou a sentir dores musculares muito fortes que o impossibilitavam de fazer os treinos com os amigos.
Conversando com o médico foi constatado que ele estava com fadiga muscular devido ao treinamento intenso e não adequado ao seu condicionamento físico naquele momento. Walmir percebeu que precisava de ajuda profissional especializada se quisesse dar continuidade ao treinamento e também fazer parte do projeto. “Sou o mais velho entre os quatro amigos que farão a viagem. Não posso me dar ao luxo de atrapalhar a viagem deles, de comprometer o projeto e de não conseguir completar e jogar fora tudo o que foi realizado. Por isto fui em busca de ajuda profissional.”
Walmir conta que pensou no seguinte: “Se acontece de aqueles jovens jogadores de futebol, que têm todo um acompanhamento médico, alimentação e profissionais de diversas áreas cuidando do seu corpo e de sua saúde, morrerem de ataque cardíaco fulminante aos vinte e poucos anos, imagine eu, com 46 anos, parado há um bom tempo, querendo pedalar mais de 200 quilômetros por dia? Preciso de ajuda profissional imediatamente.”
Walmir, além do médico que o acompanha, conta também com a ajuda de um orientador físico. Faz treino três vezes por semana na academia e treinos específicos com a bicicleta nas trilhas, além dos cuidados com a alimentação.
“O maior benefício que obtive com tudo isto foi a segurança. O desafio que abracei é muito sério, deixou de ser apenas um sonho e virou um projeto profissional. Ter a segurança de que estou me preparando corretamente é importante para o sucesso da minha participação”, comenta Walmir. “O tempo quem faz é você. Se você tem determinação e uma meta a cumprir, nada o impedirá de fazer o que quiser”, finaliza.
“Minha principal motivação é o prazer de viver”, ressalta o engenheiro eletricista e analista de sistemas aposentado, Célio Marinho de Mello. Aos 65 anos, Célio pedala todos os dias em prol da sua saúde física e emocional.
Célio sempre gostou de bicicleta, principalmente quando menino no interior do Rio de Janeiro, na cidade de Valença, época em que andava de bicicleta todos os dias. Quando adulto, foi para a capital estudar, casou-se, teve filhos e se envolveu demais com o trabalho, tendo todo o seu tempo consumido para isto. Morou em Angola durante cinco anos, voltou ao Brasil e, ao passar pelo free shop, viu a primeira bicicleta com marchas. Comprou duas para começar a andar com o filho. Mais uma vez o plano foi frustrado: tão absorvido pelo trabalho, não conseguia tempo para cuidar de si mesmo.
Em 2007, já aposentado e morando na cidade de Maceió, o filho o incentivou a andar de bicicleta novamente. Célio gostou da ideia e começou a pedalar. Percebeu que não tinha mais condicionamento. Segundo ele: “estava cheio das mazelas de muitos anos sem cuidado, apenas envolvido com o trabalho. Estava acima do peso, sentia-se acabado e cansado.”
Resolveu mudar o cenário. Apoiado pela esposa, iniciou uma dieta e fez um plano de treinamento para iniciar a prática diária de pedalar. Foi ao médico clínico geral, ao cardiologista e também ao geriatra e deu início ao treinamento regrado.
“Fazia um pouco por dia, pois sabia que não teria condição de percorrer grandes distâncias. O meu lema era devagar e sempre. Toda semana aumentava um pouco mais a distância, de forma que meu organismo se adaptasse ao condicionamento. O mais importante é conhecer seus limites, conhecer o seu corpo e respeitá-lo. Não adianta começar sem condicionamento e querer sair correndo, você vai se quebrar. O importante é a frequência com que faz os exercícios. É fundamental estabelecer um planejamento, inclusive para manter a motivação”, comenta Célio.
Célio, que já fez o Caminho da Luz - rota de peregrinação de aproximadamente 200 km, no Estado de Minas Gerais, recomenda: “Não estabeleça nenhuma meta drástica, respeite o seu limite e faça um planejamento.”
Célio perdeu seis quilos, sente-se muito mais jovem e saudável e encontra motivação para desenvolver diversos projetos. Um deles é o projeto de mapeamento de trilhas que disponibiliza através da internet. Além disto, criou o blog www.to_indo.com, para documentar suas façanhas sobre a magrela.
“Meu geriatra disse que para a pessoa de mais idade o melhor e maior ganho de pedalar não é a perda de peso e sim desenvolver o equilíbrio. Ele disse que com o avanço da idade as pessoas tendem a perder o equilíbrio e a segurança ao andar. A prática do pedal elimina esta dificuldade futura se a pessoa mantiver a prática constante”, finaliza Célio.
“Quando terminei a faculdade resolvi voltar a praticar esporte. Fui ao clube fazer uma avaliação física. Fiquei muito assustada, pois segundo o médico não havia nada de bom, estava tudo muito ruim. De repente, a realidade ficou cara a cara comigo e pensei: estou com apenas 30 anos e estou ruim assim?! O futuro começou a se desenhar, como eu estaria aos 40 anos? Aos 50? Quero formar uma família, sou muito nova para estar com sobrepeso e com a condição física geral tão ruim. Foi neste momento que percebi que precisava ser responsável comigo mesma se eu quisesse realizar meu sonho de ter filhos, de formar uma família”, conta Juliana Servidone, 31 anos, jornalista e assessora de imprensa.
Juliana conta que praticava esporte, mas não com tanta regularidade e nunca teve uma alimentação correta. Por conta disto, acabou ficando com sobrepeso. Depois das más notícias do médico resolveu dar fim a este processo que só estava acabando com a sua saúde. “O tempo passa e nós não percebemos. Quanto antes você começar a cuidar de si mesmo, antes desfrutará dos benefícios”, declara Juliana.
Ela começou com corrida, depois foi praticar muay thai, que é uma luta originária da Tailândia. Depois veio a musculação e o hábito de andar de bicicleta. Uma coisa puxa a outra. Começou um exercício e depois iniciou com o outro para complementar e assim foi, criou um círculo positivo de atividades. O segredo é não ficar parada. Além de pedalar para fazer os exercícios regulares, ela também utiliza a bicicleta como meio de transporte para ir até a academia e para fazer pequenas compras.
Juliana também percebeu que precisava de ajuda profissional para ter uma alimentação saudável e buscou uma nutricionista. “Logo no primeiro mês já percebi a diferença, além de maior disposição para realizar os exercícios eu desinchei. A minha alimentação fazia com que eu ficasse inchada, e com a dieta correta reduzi a retenção de líquidos. Passei a comer fibras e proteínas”, comenta Juliana.
“No começo, tive que me acostumar com os novos paladares, pois não comia verduras e nem legumes. Então comecei a comer o que eu gostava, tendo as verduras e legumes como elementos destes pratos. Por exemplo, comecei a comer pizza de rúcula, em pouco tempo já estava comendo um prato de salada antes da refeição principal”, complementa.
Agora é com você
Ao iniciar ou retomar a prática esportiva, conhecer e respeitar os limites físicos do seu corpo é importante para o sucesso de sua iniciativa. Planejar corretamente os treinos e pedir soluções para problemas de ordem ortopédica, cardiológica e respiratória através de exercícios aos seus médicos só irão colaborar para o seu melhor desempenho.
Para todas as pessoas que estejam iniciando ou retomando a prática esportiva e, principalmente, para aqueles que não conhecem seus limites físicos e também para aqueles que apresentam quadro de cardiopatia, obesidade, problemas ortopédicos e problemas respiratórios em geral, é obrigatório o apoio e orientação de profissionais especializados em saúde e esporte.
Lembre-se: você é hoje o resultado de suas escolhas. A sua saúde é um processo acumulativo, cuide corretamente deste legado.
Agora é com você. Vá até o espelho e olhe para aquela pessoa que o está impedindo de começar. Tenha uma conversar aberta e sincera e faça um acordo honesto e justo. Programe-se, motive-se e saia da zona de conforto, pois aquela pessoa lá no espelho um dia vai reconhecer a sua iniciativa, vai abrir um sorriso enorme e vai te agradecer para o resto de suas felizes vidas!
Pedal à moda antiga abrilhantou o centro de São Paulo
Texto: Aline Cavalcante
Colaboração: Daniel Haase Fotos: Carlos Alkmin
Muitos já ouviram falar dos passeios de bicicleta organizados nas cidades. São cada vez mais numerosas as ações e os adeptos deste modal - dos mais esportivos aos mais ativistas/engajados – demonstrando que tem muita gente disposta a adotar a bicicleta como meio de transporte e, por tabela, os benefícios do hábito.
Ao contrário do World Naked Bike Ride – movimento internacional em que ciclistas pedalam pelados pedindo visibilidade e respeito – a ideia do Tweed Ride (ou Tweed Run) é pedalar "na estica", com indumentária clássica ou de época, com direito até a modelos históricos de magrelas.
Nada mais justo do que ter o centro da cidade como palco deste evento onde cerca de 80 ciclistas se reuniram no dia 19 de junho, em frente ao "Theatro Municipal", para participar do 1º Tweed Ride São Paulo - a chegada do inverno inspirou ainda mais os ciclistas.
Quem passou por lá teve a oportunidade de reviver um período clássico diante de uma arquitetura de encher os olhos. As roupas no estilo “vintage” deram um ar todo especial enquanto os participantes desfilavam classe e estilo sobre duas rodas.
"A ideia é mostrar que, antigamente, a bicicleta era um meio de transporte elegante e mais respeitado do que é hoje, principalmente em São Paulo", afirmou um dos organizadores, do Coletivo Pscycle.
Mesmo quem não tinha roupas de tweed - um tecido feito com fios de lã – nem bicicletas antigas, pode improvisar. Foi um festival de boinas, ternos, gravatas, acessórios e objetos para compor o visual retrô.
Entre as atrações do encontro, o biciclo ou ‘penny farthing’ se destacou no meio do grupo. Inventada por volta de 1870, a “pseudo-bicicleta” chamou a atenção pela sua altura e diferença de tamanho entre as rodas dianteira e traseira. “Admiro o estilo da década de 1920, gostaria de ter vivido nessa época", contou a professora Ângela Tepasse, que pedalou em um biciclo durante todo o percurso.
Depois de passear por pontos históricos como a Praça da Sé, Vale do Anhangabaú, Viaduto do Chá e a Rua Augusta, os ciclistas encerraram o passeio na Praça do Ciclista – conhecida por ser ponto de encontro das Bicicletadas em São Paulo e que já foi palco de diversas manifestações.
O primeiro Tweed Ride foi realizado em Londres em janeiro de 2009. Inspiradas no tema inglês, muitas cidades do mundo já realizaram passeios semelhantes, como São Francisco, Boston, Chicago, Filadélfia, Sacramento, Toronto, Victoria, Sidney, Washington, Nagoya, entre outros. No Brasil, a primeira edição deste evento aconteceu em Curitiba, no ano passado, e tem ligação direta com o movimento "cycle chic", que busca mostrar ser perfeitamente possível ir ao trabalho ou a compromissos sociais sem necessariamente usar uma roupa esportiva. Ternos e gravatas, tailleurs, luvas, chapéus, saias, calçados elegantes: tudo combina com pedal.
O fotógrafo Carlos Alkmin, também participante das ações do cicloativismo em São Paulo, foi um dos que registrou o evento e esteve presente da concentração à chegada. Carlos gentilmente cedeu seu trabalho para esta matéria e aproveitou para relatar suas impressões sobre a “Tweed Ride”. Segundo ele, o evento é mais que um encontro ciclístico. ”Considero essa turma uma verdadeira reunião multidisciplinar de talentos. Há jornalistas, fotógrafos, músicos, o pessoal ligado na moda, tecnologia, etc., só para citar alguns. Um bom exemplo é a originalidade da réplica perfeita de um biciclo, criada pelo jazzista Wilson Gomes e pedalado pela Ângela. Tivemos, ainda, a presença da cantora Jadde Flores, cuja voz suave dá o tom de canções próprias inspiradas nos sucessos das divas dos anos 60, sendo uma de suas composições justamente sobre bicicletas”, destacou o fotógrafo.
Cuide do motor da sua bike
Texto: Amanda Miranda e Beatriz de Andrade Vilela
Se o corpo do ciclista é o motor da bicicleta, qual é o seu combustível? Uma alimentação equilibrada proporciona tudo o que o corpo precisa para funcionar corretamente, tanto na parte física quanto na parte psicológica.
Ter disciplina ao comer significa cuidar do nosso corpo e da nossa mente, o que influencia em nossa longevidade e, principalmente, na qualidade de nossa vida. Não seja negligente consigo mesmo. A alimentação não deve ser um processo mecânico de apenas "comer", mas sim um momento prazeroso, de cuidado com o nosso organismo, de "alimentar-se" e carregar as energias, oferecendo ao corpo - essa máquina maravilhosa - tudo o que ele precisa para desenvolver todas as suas tarefas.
Já parou para pensar como o corpo humano é fantástico? Quantos movimentos, expressões, emoções, pensamentos e tarefas o corpo humano executa... Desde os processos que acontecem dentro de uma célula, passando pelos órgãos e sistemas, até o conjunto final chamado ser humano. A energia e a matéria-prima para que tudo isso exista e aconteça estão nos alimentos.
As mudanças nos hábitos alimentares e nos padrões dos níveis de atividade física proporcionam bem-estar (físico, psicossocial e emocional), elevam a autoestima e diminuem o risco de doenças cardiovasculares, diabetes e obesidade.
Os exercícios cumprem uma função especial neste processo de manutenção da "máquina" corpo humano. Especialistas em saúde são unânimes: se exercício físico fosse um comprimido, seria o remédio mais receitado do planeta, pois faz bem para tudo. Fomos feitos para nos movimentar.
Portanto, a combinação esporte e alimentação saudável garante uma boa qualidade de vida. A prática regular de ciclismo, associada à alimentação saudável, é uma das formas de conquistar um estilo de vida saudável.
Dicas essenciais para seguir uma alimentação equilibrada:
MASTIGAÇÃO: é fundamental para triturar e mastigar muito bem os alimentos para que não haja comprometimento do nosso sistema digestivo; “quem come muito rápido tem tendência a comer mais do que necessita.”
O cérebro leva 15 minutos para perceber que estamos nos alimentando e saciados!
É importante que a alimentação diária seja quantitativamente suficiente, qualitativamente completa, além de harmoniosa em seus componentes, para obter saúde e qualidade de vida.
Pedalando na Cozinha
Texto: Roberto Amendoeira/Chef de Cozinha e Mayteé Freitas/Nutricionista
Receitas para uma alimentação saudável e, melhor ainda, gostosa.
Apresentação
Nutricionistas e chefs de cozinha normalmente se dão como cão e gato... Talvez por conflito de interesses, uma vez que o chef quer tudo gostoso, com gorduras, açúcar, calorias, enquanto a nutricionista quer o saudável, ou seja, tira a gordura, o açúcar e as calorias!
Nossa proposta é balancearmos tudo de forma a proporcionar ao leitor deliciosas experiências gastronômicas, de maneira saudável e descontraída.
Croque Monsieur
O Croque (crocante em francês) é um sanduíche quente tradicional na França desde 1910, quando foi criado num Café em Paris.
Existem várias versões hoje em dia, mas essa é realmente fácil de fazer e uma boa opção para o frio, embora a nutricionista ache um pouco pesado.
Ingredientes: (Porção Individual)
Pão de Forma 3 fatias
Presunto Cozido 2 fatias (40g)
Queijo Prato ral. grosso 60 g
Leite 250 ml
Maisena 1 colher de sopa rasa
Sal a gosto
Pimenta do Reino a gosto
Modo de Preparo:
Misture a colher de maisena com 50 ml de leite e reserve.
Aqueça 200 ml do leite e assim que começar a levantar fervura junte a maisena diluída e mexa bem para formar um molho cremoso, tempere com sal e pimenta do reino, desligue o fogo e deixe esfriar.
Misture o queijo prato ralado ao creme.
Numa assadeira, coloque a primeira fatia de pão, uma fatia de presunto e uma colher do creme com queijo, monte a segunda camada da mesma forma e finalize com a terceira fatia de pão.
Coloque o creme restante sobre o sanduíche, passando também nas laterais, cobrindo-o todo.
Leve ao forno a 200°C por cerca de 10 minutos ou até ficar gratinado.
Sugestão do Chef: Uma boa salada verde regada com azeite e um bom vinagre para acompanhar.
Dica da Nutricionista: para um lanche menos calórico, trocar o pão de forma tradicional pelo integral para obter maior teor de fibras e ajudar a aumentar a saciedade. Trocar o presunto por peito de peru light, o leite integral pelo desnatado e o queijo prato pela mussarela!
Douro Bike Race
Mais que uma promessa
Texto: Luli Cox
No ano passado aconteceu a primeira edição da Douro Bike Race, em Portugal. Trata-se de uma prova de um dia na Serra do Marão, largada na cidade de Amarante. Uma região muito bonita, apenas 60 quilômetros da cidade do Porto.
Os organizadores da prova, João Marinho e José Silva (vice- campeões da Transrockies 09), resolveram aplicar na prática a paixão que têm por provas em estágio e nesse ano o projeto será o idealizado: a prova terá três dias, nos dias 16, 17 e 18 de setembro em Amarante, a cidade base. Cada dia uma serra diferente: Aboboreira, Alvão e Marão. A prova promete belezas e vistas ainda mais incríveis na edição desse ano.
No ano passado eu acompanhei de perto todo o evento, dessa vez não foi competindo, fiz parte do staff. A prova foi bastante dura e ao mesmo tempo gratificante para os que conseguiram vencer o desafio.
Perguntei ao João se o nível de esforço exigido seria igual para os três dias esse ano:
Como vai ser a Douro em 2011?
João: A Douro será mais que uma prova, será uma viagem no tempo nas três serras que compõem a prova. Iremos passar por monumentos com milhares de anos, datado da idade da Pedra, por aldeias perdidas nas serras, por trilhos que outrora eram as estradas principais. A própria cidade de Amarante é rica em histórias e monumentos, caso do Mosteiro e da Ponte de São Gonçalo em pleno centro histórico.
Em 2010, o percurso foi bem duro. Pretende manter o mesmo grau de dificuldade agora nos três dias?
João: A “dureza” depende sempre da preparação de cada um, no entanto, sendo uma prova de três dias, a dificuldade em cada um dos dias será sempre inferior comparativamente a 2010. A etapa mais curta tem 45 km e a mais longa tem 90 km. Em uma prova épica sempre terá desafio e realização pessoal. Pretendemos que todos se divirtam e cheguem ao final sentindo que foibom vir à DBR.
Como será o alojamento e a estrutura de hospedagem e banho?
João: Amarante tem muita oferta a nível de alojamento, desde residenciais, albergarias, turismo rural, hotéis de três e quatro estrelas, o que dá ao participante um leque alargado de opções. Temos parceria com dois hotéis, o Navarras e Amaranto, que pratica preços mais em conta se o participante já estiver inscrito na DBR. A organização oferece também a possibilidade de uma estadia ao estilo da “Transalpes”, que é um pavilhão desportivo onde podem pernoitar com todas as condições de higiene e segurança. Nesta opção, incluímos também o café da manhã.
Atletas internacionais? Quantos brasileiros até agora?
João: Para o primeiro ano em que estamos com este conceito de três dias, a adesão internacional pode ser considerada boa. Temos cerca de 25 atletas internacionais, sendo cinco brasileiros. O país com mais atletas é a Espanha.
O percurso de um dia será o percurso mais difícil dos três dias?
João: Temos duas opções para quem quer fazer um dia. Temos 55 km e 90 km, sendo os 90 km exatamente o mesmo percurso da 2ª etapa dos dias que é de facto o mais longo e mais duro. Para quem não se sente confiante para enfrentar os 90 km, aconselhamos os 55 km, que é um percurso incrível na Serra do Marão.
Tem quantas mulheres?
João: Estão 30 mulheres inscritas ao dia de hoje divididas nos três níveis de dificuldade.
Qual será a premiação?
João: Todos os atletas terão direito a várias lembranças da organização incluídas no kit da prova. Os finishers da prova de três dias terão um prêmio alusivo a esse feito. Os três atletas que irão ao pódio de cada categoria terão direito a prêmios cedidos pelos patrocinadores do evento. Em 2010, sorteamos também cerca de € 10.000 em prêmios entre todos os participantes.
Mais detalhes sobre a prova: dourobikerace.com
Teste Orbea Alma H50
A marca espanhola Orbea produz bikes desde 1930 e ganhou grande destaque através do multicampeão Julien Absalon, bi-campeão olímpico, quatro vezes campeão da Copa do Mundo e quatro vezes campeão mundial de MTB XCO.
A H50 é a bike de entrada da linha de competição Alma, que conta com mais 14 modelos.
A BIKE
O quadro é o grande destaque da bike. Feito em alumínio 7005, é também hidroformado, o que permite o controle das formas e espessuras dos tubos, tornando-o mais leve e mais forte. A espessura dos tubos tem até três variações (triple butted), reforçando essas características. A geometria é feita para competição e possui uma tecnologia exclusiva da marca: 4x4 Triangle. Essa tecnologia permite uma maior rigidez lateral e melhor aproveitamento da energia da pedalada ao se introduzir mais um vértice no triângulo traseiro e dianteiro. Ou seja, ao invés de serem triangulares, a parte dianteira e traseira do quadro são quadrangulares. Outra tecnologia criada pela empresa é a DCR - Direct Cable Routing. Através dela, os cabos de marcha e freios são guiados pelas laterais do tubo superior e não pela parte de cima, tornando o caminho mais curto e mais linear, o que resulta em uma passagem de marchas mais suave, sem a necessidade de conduíte contínuo e em um visual mais limpo. Já nas transições, a Orbea utiliza conduítes Goretex Ride On, que prometem menor fricção.
A suspensão é uma Rock Shox Recon Silver TK Solo Air, que conta com controle externo de retorno, trava na suspensão, 100 mm de curso e amortecimento a ar.
Os freios italianos Formula RX, a disco e hidráulicos, possuem rotores de 160 mm tanto na dianteira quanto na traseira, e contam com ajuste externo da altura do manete.
A transmissão usa a nova tecnologia Shimano Dyna-Sys, que oferece 30 marchas, sendo o cassete 11-36 e as coroas 24-32-42 dentes. O pedivela é integrado, usando a tecnologia Shimano Hollowtech II.
O cockpit conta com componentes da própria Orbea: manoplas com trava, avanço de 90 mm / 10 graus e guidão rise de 660 mm. O canote também é da marca e o selim é Selle Royal Seta.
As rodas Mavic Cross Ride possuem raios aerodinâmicos (achatados) e possuem cabeça reta para o encaixe nos cubos. Os pneus Hutchinson Python Airlight possuem perfil baixo e largura 2.0.
Esteticamente, se destacam os tubos hidroformados. O tubo inferior não é redondo e sim hexagonal. O formato de quatro vértices também chama atenção. O quadro é predominantemente preto, mas com detalhes vermelhos e brancos, combinando com selim, manoplas e suspensão. A abraçadeira do selim possui um desenho vazado e, assim como a gancheira, é vermelha com tratamento anodizado. Como destaque, a marca oferece dois anos de garantia na pintura.
O TESTE
Convidamos para o teste o atleta Igor Ramon, que é vice-campeão estadual de XCO sub-30 e também vice-campeão do Montanha Cup e Lagos Cup na mesma categoria. Pedalamos por uma trilha de nível técnico médio-alto. A única mudança foi nos pedais, que foram substituídos por outro com sistema de encaixe diferente do Shimano que vem com a bike.
Nas subidas, a bike se comporta da forma como a geometria de competição deve proporcionar: rígida e aproveitando toda a força da pedalada. Isso é especialmente sentido pedalando de pé nas subidas. Uma grande ajuda é dada também pelo cassete de 36 dentes, que proporciona uma marcha super leve para os atletas menos fortes ou para aqueles que querem passar a usar apenas uma ou duas coroas. A suspensão tem como vantagem a trava, porém não possui acionamento pelo guidão, que em um ambiente de competição, para qual a bike é indicada, se torna essencial. As rodas Mavic com os encaixes retos contribuem também para a maior tração, porém, o uso de câmaras de ar de bico grosso (schrader) se torna um pecado em uma bike indicada para competições, que precisa do menor peso possível nas rodas e de agilidade na hora de inflá-la. Felizmente, é um pecado bem barato de ser perdoado.
Descendo, a bike se mostrou rápida e fácil de controlar nos trechos inclinados. O guidão mais largo de 660 mm e a mesa um pouco menor que o tradicional facilitaram o jogo de corpo na bike. Os freios, mesmo com rotores de 160 mm, são potentes e oferecem uma ótima modulação.
O sistema de transmissão, com a tecnologia Dyna-Sys aliado a tecnologia DCR do quadro, se mostrou muito eficiente, sendo preciso e bem suave nas passagens de marcha nas diversas situações. Os pneus possuem cravos baixos e um desenho mais genérico que proporcionam boa rolagem e um comportamento previsível. Já a suspensão tem como vantagem uma gama ampla no ajuste da compressão (através do ar), porém, o ajuste de retorno é limitado. Além disso, é uma suspensão pesada, ficando incompatível com o nível dos outros componentes e se tornando o ponto fraco da bike.
BIKER IGOR RAMON
“Achei a frente da bike bem ágil e fácil de controlar. Nas descidas técnicas ela transmite confiança, e nas subidas ela traciona bem, dando a sensação de estar ‘bem presa no chão’, até mesmo pedalando em pé. A passagem de marcha é bem suave e não cansa”.
CONCLUSÃO
A Orbea Alma H50 é uma bike de entrada de competição, mas que oferece alguns componentes de alto desempenho. O quadro, mesmo sendo ainda de alumínio, possui tecnologia avançada e única, além de geometria dedicada à competição que já subiu no lugar mais alto do pódio nas principais provas do mundo. A suspensão tem um funcionamento aceitável, porém não está no mesmo nível dos outros componentes. Para uma bike de entrada dessa categoria, ela oferece elementos excelentes que facilitam futuros upgrades.
GARANTIA E INVESTIMENTO
Preço sugerido: R$ 7.590,00 - Garantia vitalícia para 1º dono no quadro e dois anos na pintura. www.orbea.com.br
PROS
- Geometria de competição
- Quadro com tecnologia exclusiva
- Cassete de 36 dentes
- Freios potentes
CONTRAS
- Suspensão pesada, com ajuste de retorno limitado
- Trava da suspensão não possui acionamento remoto
- Câmaras com bico grosso
ESPECIFICAÇÕES
Quadro: Orbea Alma Hydro
Pedivela: Shimano M552 24x32x42
Caixa De Direção: 1 1/8" Semi-Integrada
Guidão: Orbea OC-II Raised 660 mm
Avanço: Orbea OC-II 90 mm / 10°
Passadores: Shimano SLX
Freios: Formula RX
Câmbio Traseiro: Shimano XT Shadow
Câmbio Dianteiro: Shimano SLX
Corrente: Shimano HG-74
Rodas: Mavic Crossride Black
Cassete: Shimano HG-81 11-36 10v
Pneus: Hutchinson Python Airlight 26x2.0
Canote: Orbea OC-II
Selim: Selle Royal Seta
Pedais: Shimano PDM-520
Suspensão: Rock Shox Recon Silver Solo Air 100mm
Manoplas: Orbea MTB
Peso: 11.940 g
GEOMETRIA
Lixo na Trilha
Texto: Anderson Ricardo Schörner
Relacionar bicicleta e sustentabilidade é muito fácil. No momento de falar sobre o assunto, não faltam argumentos ecologicamente corretos para defender a magrela.
Bicicletas a parte, o maior impacto que o ciclismo pode gerar ao meio ambiente vem do ciclista. Apenas ser ciclista não torna ninguém salvador do planeta: é preciso ser ciclista consciente.
Atualmente, há um movimento muito positivo de incentivo ao uso da bike e a causa ganha cada vez mais adeptos. Amadores, profissionais e amantes da bicicleta estão fazendo-se ouvir e propagando os benefícios da prática de pedalar, tanto para a saúde própria como para a saúde de todo o meio ambiente.
O vilão desse conto de fadas pode ser a imprudência do ciclista quanto ao lixo produzido durante a pedalada. Inevitavelmente, produz-se lixo; a questão é o que fazer com ele. Garrafas, recipientes de isotônicos, copos descartáveis, tampinhas, lacres, papel, fragmentos de peças da bike e vários outros materiais inorgânicos são lançados à natureza. Esse lixo produzido e, de forma desrespeitosa, deixado ao longo das trilhas, provoca poluição do meio ambiente e gera um impacto negativo que pode demorar muito para ser revertido. GRÁFICO COM TEMPO DE DEGRADAÇÃO MATERIAIS
Temos a falsa impressão de que nosso lixo é pouco para gerar algum impacto na natureza. Mas é exatamente esse pouquinho meu aqui, que junto com o seu pouquinho aí, criam situações de poluição muitas vezes irreversíveis, como o comprometimento de ecossistemas e a contaminação das águas.
Outra falsa impressão com relação ao lixo é que depois que nos livramos dele, ele não é mais problema nosso. É o mesmo que afirmar que não nos preocupamos com nossos filhos ou netos! Fala-se tanto em sustentabilidade justamente por isso: o planeta - e todos os seus recursos - tem que ficar aí, para as próximas gerações.
Recolher o lixo na trilha é um primeiro passo. Depois disso, a preocupação com o lixo não deve se limitar à passagem, ou não, do caminhão que o recolhe em frente a nossa casa. Quando o lixo é recolhido, ele ainda existe em outro lugar. O recomendável, então, é ter bom senso e não consumir mais do que o necessário. O lixo produzido durante um passeio ou uma competição não fica na frente da nossa casa e, por isso, parece não incomodar. Mas tenha em mente que a limpeza das trilhas pode ser muito difícil, por se tratar de áreas onde a natureza predomina e, muitas vezes, onde apenas bicicletas têm acesso.
Quem escolhe a bicicleta já ganha pontos importantes no quesito sustentabilidade; mas só isso não basta. As práticas em prol do meio ambiente vão além de trocar o carro pela bicicleta. Respeitar nosso lar - o planeta - envolve ações simples, pequenas e corriqueiras, como ser responsável pelo lixo que produzimos em qualquer situação, inclusive andando de bicicleta.
Paulo de Tarso, presidente do Sampa Bikers, organiza passeios e competições de bicicleta desde os 15 anos. Ele comenta suas impressões sobre este problema.
"Estou envolvido com a organização de eventos de bicicleta desde os 15 anos, quando organizei a primeira corrida ciclística da cidade de Pouso Alegre/MG, onde morei dos 14 aos 19 anos. Na época, eu era diretor esportivo de uma entidade de jovens.
Depois fui estudar no Rio, onde me tornei diretor da FEURJ (Federação Universitária do Estado do Rio de Janeiro) e, em 1992, quando vim parar em São Paulo, fundei o Sampa Bikers, onde realizamos importantes competições de mountain bike.
Além disso, organizamos várias cicloviagens no Brasil e no mundo. Um dos meus lugares preferidos é a cidade mineira de Passa Quatro, nas Terras Altas da Mantiqueira, onde uma vez por ano realizo uma viagem com o grupo do Sampa Bikers. A cidade ficou conhecida por uma competição que realizamos lá: o Power Biker, durante oito anos (até 2009). A região se firmou como um dos melhores locais para a prática do mountain bike, depois que o Big Biker também começou a organizar uma etapa na cidade vizinha, Itanhandu.
Resumindo, são milhares de ciclistas que pedalam hoje pelas trilhas da região, mas alguns desses - uma minoria - não têm dado o devido respeito à natureza de que tanto precisamos, não só para sobreviver, mas também para praticar nosso querido esporte.
É preciso conscientização diante deste fato: uma coisa horrorosa que observei durante a semana santa, pedalando nas estradinhas da região, por onde passa o Big Biker e por onde passou o Power Biker, foi o lixo deixado no caminho por ciclistas competidores e de outros grupos que pedalavam por lazer.
Recolhi uma grande quantidade de embalagens de gel e copinhos de água, lixo deixado durante a prova que havia acontecido há mais de um mês. Ainda hoje encontro embalagens de gel de provas que aconteceram há mais de dois anos.
Em praticamente todas as competições, uma minoria de competidores tem a péssima mania de jogar lixo no chão, normalmente nos cantos, próximo ao mato ou bem após o ponto de água, e quase sempre em locais de difícil visibilidade para quem organiza. Por isso, quando fazemos a vistoria de limpeza da trilha, muito desse lixo não é visto. Quem tem essa atitude não está desrespeitando apenas o próximo ou a si mesmo: está desrespeitando a vida.
Conheço praticamente todos os organizadores de competições de MTB, e todos têm a consciência de que é preciso limpar o circuito após a realização da prova. Isto é de praxe, pois além do lixo gerado, uma simples prova de mountain bike traz outros impactos ao meio ambiente, direta ou indiretamente. Uma das formas de combater essa situação, adotada em algumas competições, é a perda de pontos para ciclistas que sujam a trilha.
Quem anda de bicicleta e pratica mountain bike jamais deveria pensar em jogar lixo na trilha. Infelizmente, essa minoria mancha um esporte com o qual pessoas com atitudes sustentáveis se identificam, pela proximidade com a natureza, pela não poluição das bikes e pelo bem-estar e saúde que este esporte oferece. O verdadeiro biker tem em mente estes princípios."
Adote uma postura ecologicamente saudável e consciente. Seja responsável pelo lixo que você produz em suas pedaladas e, além disso, adote os três caminhos para restringir o lixo descartado:
1. REDUZA: Economize no consumo. Há produtos que têm uma vida útil maior e outros podem ter várias utilidades. Procure evitar produtos descartáveis e produtos que não são tão necessários. Planeje-se e evite o desperdício.
2. REUTILIZE: Prefira produtos que servem como refil e que poderão ser utilizados novamente. Há materiais e recipientes que podem ter mais de uma utilidade. Uma embalagem pode ser utilizada para guardar produtos de limpeza ou mantimentos, por exemplo.
3. RECICLE: Primeiro crie o hábito de separar o lixo reciclável dos materiais orgânicos. Depois, use a criatividade: você pode descobrir um hobby prazeroso e fazer a sua parte para auxiliar a redução do lixo. A reciclagem é importante tanto para dar um destino ao lixo produzido, quanto para economizar na utilização de recursos naturais. Por exemplo, para criar uma tonelada de papel novo, são necessários 50 a 60 eucaliptos, 100 mil litros de água e 5 mil KW/h de energia. Para criar uma tonelada de papel reciclado, são necessários 1.200 kg de papel velho, 2 mil litros de água e 50% da energia.
Quando estiver pedalando em um lugar repleto de belezas naturais, lembre-se que você deve devolver este lugar da mesma forma que o encontrou. Se cada um fazer a sua parte, todos ganham.
De brinquedo a profissão
Texto: Carlos Menezes
A bicicleta surgiu em minha vida como objeto de desejo, meu e da maioria das crianças da década de 80. Naquela época, as relações humanas eram bem maiores. As crianças brincavam nas ruas e para isso não precisavam possuir nenhum equipamento tecnológico, comprado em lojas. Nas brincadeiras lúdicas, a imaginação sempre foi o fator limitante. Quase todas as brincadeiras eram inventadas e construídas por nós mesmos. Exceto quando nos referíamos à tão sonhada bicicleta.
Era comum ligar a televisão em um dos poucos canais existentes e assistir comercias apresentando os últimos lançamentos das marcas nacionais que dominavam o mercado. Grandes empresas nos apresentavam seus produtos e, a cada lançamento, uma novidade de nos tirar o sono. As crianças espalhavam bilhetes pela casa pedindo uma bicicleta de presente, colocando-os nos objetos dos pais: chinelo, bolso do paletó, dentro da xícara de café.
A bicicleta era a chave para ser livre. A possibilidade de ir e vir em um tempo menor, ampliar os horizontes e encurtar distâncias, significava uma sensação de poder e liberdade.
A bike modelo Freestyle surgiu da necessidade de facilitar o deslocamento para a escola. Montado nesse veículo, as amizades aconteciam com facilidade. Com o tempo, aprendíamos as manobras de Freestyle, e quando as realizávamos, era fácil se sentir o dono da situação, atraindo dezenas de olhares em exibições descompromissadas. Bastava arriscar algumas manobras que a rua quase sem movimento ia se enchendo aos poucos para prestigiar e aplaudir a ousadia daqueles que dominavam a bike por inteiro. Aquilo que seria inicialmente um brinquedo, agora significava mais do que isso: meio de transporte, lazer, instrumento de exibicionismo e, mais tarde, veículo de trabalho.
Com o passar dos anos e com o aumento da estatura, veio então a necessidade de trocar a bicicleta por uma maior. Na época, a moda era as bicicletas com 10 marchas, pneu fino, guidão curvado para baixo. Simbolizavam tecnologia, aerodinâmica, força e potência. Tornaram-se sinal de status. Os treinos eram diários, trabalhando como “office-boy”. A identidade do ciclista e da bicicleta passaram a se confundir, afinal, se estava fora de casa a bicicleta era companheira certa, seja para ir e vir da escola, seja como instrumento de trabalho ou simplesmente para dar um “rolê”.
Uma das coisas que não me sai da memória foi a primeira vez que vi um pedal de clipe. Aquilo era simplesmente assustador: imaginar seu corpo interligado à máquina. Criatura e criador tornando-se uma peça única, trabalhando em total sincronia. Por limitações financeiras, pude conhecer essa sensação por meio do, também novidade, “firma-pé”.
Cada vez que reuníamos um grupo de amigos com suas “speed” ou “road”, queríamos sempre percorrer uma distância maior. Até que nos propomos a fazer o que foi a minha primeira viagem de bicicleta. Quatro amigos com suas mochilas nas costas decidiram percorrer 30 km até a fazenda de um dos membros do grupo e ali passar o final de semana junto aos seus familiares. A princípio, a ideia repercutiu como loucura e falta de juízo, mas lá fomos nós. Os 30 km que hoje parecem pouco, na época significaram ousadia, coragem, força e determinação.
Talvez o maior e último encontro tecnológico que tive com a bike dessa geração foi com uma speed série limitada na cor chumbo, com aros, cubos de roda, pedivela, guidão e canote da marca “arraya”, sistemas de freio da marca “diacomp”, pedais com “firma-pé” e câmbios indexados, nunca vistos antes. Tudo isso confeccionado em alumínio e associados à um quadro em cromolibidenio. Não foram raras as vezes em que sentei em frente aquela vitrine e sonhei em comprar aquela maravilha. Essa bike veio parar em minhas mãos depois que roubaram minha outra bicicleta, e tive a necessidade de adquirir outra bike nova. Com um pouco de esforço financeiro, lá estava eu pedalando aquele objeto de desejos.
Em pouco tempo me mudei de cidade em função dos estudos. Companheira inseparável, minha bici foi comigo. Saindo de uma cidade de pouco menos de 30.000 habitantes, pude conhecer cada bairro, cada canto de uma cidade de, na época, 300.000 habitantes.
Não demorou muito para que a correria do dia a dia, o início da vida social e as saídas noturnas fizessem com que a bike fosse substituída por outro meio de transporte. Mas a bike sempre ali encostada, muito bem conservada.
Depois de formado, veio a necessidade de uma carreira e salários melhores, até que um dia, algo me fez pensar: “Preciso voltar a pedalar!” Estranha foi a sensação de entrar novamente em uma loja especializada em bikes. As marcas famosas há 10 anos atrás já não eram mais as mesmas. Novas marcas, materiais e tecnologias já dominavam o mercado. Quadros em alumínio e geometrias longe do tradicional trouxeram novos componentes à tona. Foi a primeira vez em que ouvi dizer que bicicleta tem tamanho. Até então, comprava a que existia na loja em tamanho padrão. Agora não mais: há bicicletas com tamanhos de quadros específicos para cada biótipo. Também era possível regular o comprimento da mesa do guidão. Os trocadores, além de serem indexados, passaram a ser integrados aos manetes de freio. Os selins estavam extremamente confortáveis e anatômicos. Sapatilhas e pedais de clipe já não eram mais artigos de luxo. Uma boa bike já se tornava um bem de consumo possível de ser adquirido.
Dessa maneira, decidi ter cautela ao reingressar no mundo do ciclismo. Comprei uma bike road em uma loja de departamentos e conforme ia aprendendo a respeito de marcas e tecnologias, fui substituindo os componentes por outros mais atuais e eficientes, até que um dia percebi que havia trocado todas as peças da bicicleta original, literalmente construindo outra em seu lugar.
Depois adquiri uma mountain bike. Agora sim tudo era novidade: outros sistemas de marchas, pneus grossos, bike para qualquer terreno, esperta, ágil, veloz, de fácil dirigibilidade. Aquilo para mim era uma mistura da minha “Freestyle” da infância com a “speed” da adolescência. Significou muito mais que voltar a pedalar. Significou o resgate de uma história, com cheiros, sensações, prazeres e muita vida vivida. A partir desse momento, bicicleta começou a se tornar coisa séria e até hoje minha profissão está ligada a este veículo precioso.
Coluna Bike Business Edição Número 8
Texto: Álvaro Perazzoli
Manaus, a aposta de um novo polo mundial de bicicletas
O diretor vice-presidente da Abraciclo (Associação Brasileira dos Fabricantes de Motocicletas, Ciclomotores, Motonetas, Bicicletas e Similares) e presidente da Caloi, Luis Carlos Musa, encaminhou ao Governo Federal, no final de maio deste ano, uma proposta sugerindo o aumento da alíquota do imposto de importação de bicicletas. O valor atual de 20% passaria para 35%. Segundo Musa, o intuito é transformar Manaus em uma polo produtivo mundial do setor e fazer com que o Brasil abasteça outros mercados além do brasileiro.
O país produz anualmente cerca de cinco milhões de bicicletas, segundo dados da Abraciclo. Manaus chegou a produzir um milhão de bicicletas por ano antes da desativação das fábricas da Monark e Sundown. Atualmente o PIM (Polo Industrial de Manaus) produz uma média de 550 mil unidades anuais, que equivalem a 12% da produção brasileira. Caso o projeto saia do papel, a estimativa para 2020 é alcançar uma produção de cinco milhões de unidades na Zona Franca.
Nas edições número 5 e 6 da Revista Bicicleta iniciamos uma discussão sobre os prejuízos que a falta de incentivos fiscais causam, como por exemplo a retração no setor nacional e a migração de empresas para a China.
Ter um polo produtivo de bicicletas em Manaus neste momento é muito importante e válido para o crescimento e desenvolvimento tecnológico do mercado nacional, mas essa medida da forma que está sendo aplicada tende a beneficiar apenas algumas poucas empresas brasileiras.
A China é foco de interesse produtivo de diversas indústrias multinacionais de bicicletas e de outros setores, como eletrônicos, têxteis, entre outros. Isso ocorre porque a mão-de-obra é excessivamente mais barata comparada ao Brasil e há um enorme incentivo por parte do governo local em abrigar empresas estrangeiras.
A forma com que o projeto está sendo apresentado no Brasil não atrairá empresas internacionais para se instalarem em Manaus como um passe de mágica. A ideia pode vir apenas a beneficiar as empresas nacionais de grande porte para que possam concorrer livremente com o mercado externo e conquistar uma fatia da demanda internacional que hoje é dominada pela China.
Atualmente, o mercado nacional sofre dumping (concorrência desleal com o mercado internacional), os preços das mercadorias de empresas exclusivamente chinesas chegam no país são absurdamente mais baixos que os produtos fabricados aqui. Como dito em edições anteriores, algumas empresas brasileiras resolveram fabricar seus produtos na China e importarem para o Brasil para concorrer com o próprio mercado asiático.
Por outro lado, a China começa a elevar seus custos e vender internamente os produtos que antes eram exclusivamente para exportação. Isso pode fazer com que o país reduza o abastecimento mundial e deixe de ser tão atrativo. Nesse aspecto, Manaus tem um grande potencial para ser um polo mundial.
Se esta realidade ocorrer e houver uma fiscalização maior do governo nas mercadorias irregulares que entram no país, as empresas nacionais de grande e pequeno porte tendem também a se beneficiar.
Mas o que não foi dito é que o mercado de bicicletas e peças especializadas, que hoje é o maior prejudicado na questão de preços e o que mais precisa ser alavancado, vai ser ainda mais lesado.
O foco produtivo das empresas nacionais de grande porte hoje é o setor popular, apesar de termos indústrias genuinamente brasileiras com tecnologia louvável, como Vzan, Pro Shock, Kalf, Cannadian, Mônaco, entre outras.
O país não tem maquinário e tecnologia para competir com empresas como Scott, Merida, Specialized, Giant, Trek, Easton, Shimano e Sram. Nós não temos estrutura tecnológica para desenvolver quadros hidroformados, full suspension (quadros com suspensão traseira) e para produzir em ligas de alumínio mais leve ou mesmo o Carbono.
Muitas peças e até mesmo os quadros feitos em carbono das maiores fábricas nacionais são de marcas radicadas na China. O Brasil precisa muito mais do que o polo em Manaus, precisa aprender a fabricar bicicletas que se equiparem com as maiores marcas mundiais.
É romântico dizer que o polo em Manaus por si só fará isto, pois corremos o mesmo risco que os “50 anos em cinco” proposto por Juscelino Kubitscheck, no qual a promessa de desenvolvimento tecnológico automotivo não fez o país criar a sua própria tecnologia, mas sim importar modelos prontos de fábricas onde a mão-de-obra nacional até hoje apenas monta e produz o que está na cartilha.
A China se tornou o polo que é não só por incentivos fiscais, mas pelo fato de ter realmente aprendido a fabricar com as indústrias que exportaram tecnologia para a produção no país. O Brasil precisa fazer o mesmo se quiser se equiparar aos asiáticos.
Hoje, no território nacional são produzidas algumas bicicletas com qualidade e segurança questionável. Quadros com geometria desatualizada, pedivela e freios de plástico, aros folhas simples e transmissão de péssima qualidade.
Um produto desconfortável, que causa dor e não funciona corretamente, desmotiva muitas pessoas leigas que acabaram de comprar suas bicicletas a continuarem pedalando. Infelizmente, muitos desses produtos são vendidos no país por um valor que, às vezes, chega ao dobro de uma bicicleta com muito mais qualidade na Europa, EUA e Japão, por exemplo.
Isso porque a regulamentação e controle de qualidade por um órgão oficial de itens de bicicleta são quase inexistentes.
Torcemos pela implantação do polo em Manaus, mas o aumento dos impostos de importação em mais 15% fará com que as bicicletas das grandes empresas nacionais tenham a qualidade aumentada significativamente? O valor reduzido será repassado ao consumidor?
Deve haver um protecionismo do mercado interno, desde que haja produtos de equivalência tecnológica no mercado, o que infelizmente não é o cenário do setor de bicicletas.
O mercado brasileiro tem um potencial e carência enorme e há espaço para empresas nacionais e estrangeiras atuarem. O consumidor final e o lojista devem escolher seus produtos pela concorrência e oferta de qualidade, e não por uma imposição do preço.
A demanda maior de produtos não deve significar só lucros, mas sim aumento de tecnologia, de qualidade, segurança e menor preço ao consumidor final.
PALAVRA DO MECÂNICO
Câmbio Dianteiro
Texto e fotos: Equipe Bike Company
O câmbio dianteiro é o responsável pela passagem da corrente nas coroas. Seu funcionamento correto permite que você tenha os recursos necessários para cada ocasião.
Os sintomas de câmbio dianteiro desregulado são:
- A corrente não consegue subir para a coroa maior.
- A corrente não consegue descer para a coroa menor.
Para fazer o ajuste do câmbio dianteiro é importante que o câmbio traseiro já esteja corretamente regulado, pois ele modifica a posição da corrente relativa às coroas. Além disso, a corrente, os cabos de aço e os conduítes devem estar em boas condições.
Você vai precisar das seguintes ferramentas para fazer a regulagem: chaves allen nº 4, 5 e 6; chave philips pequena e um alicate.
Para começar, verifique a altura do câmbio em relação às coroas. Todos os fabricantes sugerem que seja mantida uma distância de 1 a 3 mm entre o câmbio e os dentes da coroa maior. Na verdade, quanto menor for esta distância, melhor se dá a troca de marchas.
Esta regulagem é feita pela fixação do câmbio ao quadro da bike, seja na braçadeira, comum na maioria das bikes, seja na aba que fixa o câmbio no quadro, vista nas estradeiras mais sofisticadas. A dica é usar uma medida, pois a espessura serve como boa referência para a distância do câmbio.
Por enquanto não finalize o aperto do câmbio no quadro, pois ainda vamos movimentá-lo.
Deste ponto, parta para o alinhamento do câmbio com a linha da corrente. O ideal é que quando você olhar de cima, as paredes do câmbio estejam paralelas ao quadro e às coroas.
Este ajuste é feito pela rotação do câmbio em seu ponto de fixação (abraçadeira ou aba) até que tenhamos o alinhamento ideal. Agora você já pode finalizar o aperto do câmbio.
Depois do câmbio alinhado, ajuste os limitadores para que a corrente não seja jogada para fora das coroas.
Com relação à coroa menor, o parafuso limitador é o marcado com a letra “L”. Ajuste para que quando a corrente estiver nesta coroa e também no maior pinhão atrás, a parede interna do câmbio “quase” raspe na corrente.
Com relação à maior coroa, o parafuso limitador é o marcado “H”. Ajuste para que a parede externa do câmbio também “quase” raspe na corrente quando ela estiver na maior coroa e no menor pinhão atrás.
Às vezes, o limite da coroa maior precisa de um pouco mais de folga para que o câmbio consiga encaixar a corrente. Contudo, não aumente muito esta distância, pois a corrente poderá ser jogada para fora da coroa causando mais problemas.
Com os limites ajustados, verifique a tensão dos cabos. Para isso, coloque o câmbio na menor coroa, e estique o cabo de aço até que não haja folga, observando que o câmbio não deve se movimentar. Para esticar, coloque o trocador de marchas dianteiro na posição da menor coroa e utilize os reguladores que ficam no trocador de marchas dianteiro (mountain bikes) ou no regulador que fica no conduíte ou no quadro (nas estradeiras).
Caso não consiga esticar o cabo suficientemente, solte-o e ajuste manualmente a tensão, soltando todo o regulador e puxando o cabo com as mãos ou um alicate, para depois fixar o cabo novamente.
Por fim, teste a indexação, ou seja, os clicks dos trocadores, verificando se cada click corresponde à marcha devida. Neste ponto, talvez você precise de algum ajuste na folga do cabo para que a corrente consiga cair na menor coroa, e também ajuste na regulagem dos limites para que o câmbio consiga o movimento necessário para encaixar na coroa maior.
Feitos estes pequenos ajustes, o câmbio estará regulado. Lembre-se: a corrente deve passar bem perto do câmbio (cerca de 0,5 mm) nas posições de menor coroa e maior pinhão e na posição de maior coroa e menor pinhão.
Lesões Musculares no Ciclismo
Ciências básicas, fisiopatologia, diagnóstico e tratamento
Texto: Franklin Passos de Araújo Júnior
O ciclismo é, sem dúvida, o esporte onde se observa, de maneira muito completa e harmônica, a simbiose perfeita entre homem e máquina, na qual a bicicleta é um prolongamento do corpo humano. E os músculos do corpo são o motor da máquina! Os pés presos aos pedais, as mãos apoiadas no guidão e a bacia – na maior parte do tempo – assentada no selim, estabelecem a união dinâmica entre ciclista e bicicleta. A constante busca da saúde e melhora do desempenho, observada pelo crescente aumento da frequência e da intensidade das atividades físicas, promove uma maior exposição do aparelho musculoesquelético às lesões. As lesões musculares estão entre as mais comuns no esporte e são uma importante causa de incapacidade nos atletas profissionais e amadores.
O tecido muscular esquelético, assim chamado por estar fixado – na sua grande maioria – ao esqueleto, é o tecido de maior massa no corpo humano, com 45% do peso corporal total. Tem controle voluntário e é responsável pela geração de força que resulta no movimento e locomoção do corpo humano. Embora se considere a estrutura muscular como uma unidade funcional, sua estrutura anatômica é particularmente complexa. Sua arquitetura é subdividida em compartimentos que englobam grupos de estruturas, tendo como principal elemento a fibra muscular, unidade celular do músculo. A fibra muscular é composta por microunidades chamadas miofibrilas, que são os elementos contráteis do músculo.
A contração muscular
Cada fibra muscular possui um nervo, denominado nervo motor simples ou motoneurônio, o qual se fixa no meio das fibras musculares. Um nervo motor simples e todas as fibras musculares a ele relacionadas são, coletivamente, denominados de unidade motora. Um único neurônio motor pode inervar de 10 a 2000 fibras musculares. O ponto de contato entre o nervo motor e sua fibra muscular correspondente é denominada junção neuromuscular. Através de um impulso nervoso cerebral ou da medula espinhal, há um estímulo à produção de uma substância chamada acetilcolina, que é um neurotransmissor. Há a liberação de grandes quantidades de cálcio, iniciando-se o processo de contração muscular. A fonte de energia para a contração muscular é o ATP (adenosina trifosfato) produzido pelas mitocôndrias, que são verdadeiras usinas energéticas intracelulares.
Os principais músculos que atuam no ciclo da pedalada são o psoas-ilíaco, glúteo máximo, reto femoral, vasto medial, vasto lateral, tibial anterior, gastrocnêmio, bíceps femoral e semimembranoso. O sistema energético dominante é o aeróbico, o qual disponibiliza uma grande quantidade de energia, mas com uma velocidade mais baixa se comparado às outras vias, e os substratos energéticos utilizados por esta via são principalmente a gordura e o glicogênio muscular, a depender da intensidade do exercício. Se o ritmo da pedalada é constante, o metabolismo aeróbico é a via predominante. Em uma tentativa de uma fuga ou num sprint final, a via energética muda para o anaeróbico alático, que fornece uma quantidade de energia muita grande, mas por pouco tempo (cerca de 10 segundos). Mas, se a duração desse sprint for maior, a glicólise anaeróbica (ou anaeróbica lática) passa a ser ativada. Desta forma, fica evidente que um ciclista de alto nível necessita dessas três vias de fornecimento de energia muito bem desenvolvidas.
Diagnóstico das lesões musculares
As contusões musculares observadas nas quedas e traumatismos diretos, resultam de uma força compressiva aguda e intensa sobre o músculo. Já as distensões ocorrem quando a fibra muscular é submetida a uma tração excessiva. Poderá ocorrer consequente ruptura (laceração) muscular, que aparece no local e suas adjacências onde o músculo foi atingido pela força de compressão, ou nas junções musculotendinosas, no caso das distensões. A distensão muscular é mais comum em músculos superficiais que cruzam duas articulações, com o retofemoral e gastrocnêmios. Há também as lesões atraumáticas, representadas pela dor muscular tardia (DMT), causadas durante um exercício de contração excêntrica, na maioria das vezes, num grupo muscular “destreinado”. A DMT aparece entre 24 a 48 horas após a atividade física.
As cãibras são uma queixa clínica comum, podem ocorrer em repouso (músculo relaxado e encurtado) ou serem resultantes de uma contração rápida durante um exercício (músculo suscetível) e podem estar associadas a outras doenças (musculares, cardiovasculares, endócrino-metabólicas, distúrbio hidroeletrolíticos, causas tóxicas, uso de medicamentos e doenças psiquiátricas). O diagnóstico e acompanhamento da evolução das lesões musculares são feitos através da ultrassonografia e ressonância nuclear magnética.
Tratamento das lesões musculares
Clinicamente, o primeiro cuidado nas lesões musculares segue o princípio “price”, o princípio comum para o tratamento imediato de qualquer trauma tecidual. Price: proteção, repouso, gelo (ice), compressão e elevação. A justificativa do uso do princípio price é muito prática, pois essas medidas visam a minimizar o sangramento no local da lesão. O uso de antiinflamatórios não-hormonais na fase aguda do trauma e por curto período de tempo está plenamente justificado. A punção-aspiração do hematoma intramuscular, bem como o tratamento cirúrgico podem ser considerados. Após a fase aguda, três a sete dias, indica-se fisioterapia. Diferentemente dos ossos, os músculos apresentam um padrão de cicatrização em que o processo de reparação leva à formação de um tecido cicatricial com características celulares diferentes daquela do tecido original. A decisão sobre o tempo necessário para retorno ao treino específico no ciclismo pode se basear em duas simples e pouco onerosas medidas: a habilidade de alongar o músculo lesionado tanto quanto o outro lado sadio e ausência de dor muscular durante os movimentos básicos.
ENTENDA MELHOR - MOVIMENTO CENTRAL
Texto: Pedro Cury Fotos: Divulgação
O movimento central é simplesmente o eixo, apoiado em rolamentos, no qual os braços do pedivela são presos. Apesar de não parecer um componente muito crítico, é uma peça que precisa suportar muito desgaste, pois além de ser responsável pelo giro do pedal, ela também recebe os impactos do terreno e suporta muito do peso do ciclista. Isto se torna crítico nas modalidades mais radicais, como o downhill, o freeride e o trial, onde o impacto é sempre muito grande e os pilotos ficam boa parte do tempo em pé, com bastante peso sobre o eixo. Além disso, também precisa girar com o menor atrito possível, evitando qualquer perda de força na pedalada.
Com o uso mais extremo das bikes, este componente começou a se transformar em um problema. Bikes extremamente fortes, pistas cada vez mais exigentes e pilotos mais ousados surgiram, e cada vez mais os eixos iam quebrando.
Já do ponto de vista da engenharia, algumas mudanças poderiam ser feitas no quadro, caso o espaço para o movimento central fosse alterado, principalmente por ter a possibilidade de usar tubos inferiores mais largos e tubos de corrente mais espaçados no quadro.
A partir disso, diferentes padrões foram surgindo. Confira parte de sua evolução:
EIXO QUADRADO
É o design mais popular, que resolveu os principais problemas por anos e ainda equipa a grande parte das bicicletas básicas. É um eixo de aço (nos antigos modelos tops, poderia ser de titânio) quadrado, que encaixa diretamente no pedivela, sendo este preso por um parafuso que entra de frente para o eixo. Cada lado é preso com o parafuso e de forma independente do outro. Existem comprimentos de eixo diferentes, o que acabou por gerar alguma confusão. Apesar de qualquer pedivela encaixar com qualquer eixo, usar uma medida errada do eixo pode gerar problemas no chainline (alinhamento da corrente com os pinhões e as coroas). Algumas medidas servem para mountain biking, outras para speed, e ainda assim podiam depender do quadro e do pedivela.
Essa incompatibilidade de tamanhos é facilmente resolvida trocando a peça, mas o ponto fraco desse sistema é que ele é fraco para os rigores do mountain biking atual (eixo de 17 mm). Não foram raros os casos de quebra do eixo, transformando-o em um pedaço de metal cortante e ferindo seriamente alguns ciclistas. Além disso, com o tempo, se não fosse mantido um bom aperto entre o pedivela e o eixo, o pedivela acabava tendo um desgaste que poderia torná-lo inutilizável, pois o encaixe quadrado ia ficando redondo e girava em falso.
OCTALINK
Este é um sistema que foi criado pela Shimano para resolver os problemas causados pelo design quadrado. Este eixo tem tamanho padrão e é circular com "ranhuras" onde o braço do pedivela se encaixa. Pelo próprio design circular, é mais forte, e de qualquer forma o diâmetro do eixo também é maior, com 22 mm. O Octalink acabou sendo criado na versão 1 e 2 (Octalink v1 e v2). Apesar de mais inteligente, o sistema tem um defeito: o eixo tem um diâmetro maior para maior resistência, consequentemente os rolamentos precisam ser menores, e por isso possuem uma menor durabilidade. Porém, seu design ameniza o problema de resistência e acaba com o problema de compatibilidade de tamanhos. Com ele não é mais preciso se preocupar em comprar um eixo do tamanho certo, pois todos são iguais.
ISIS
É um sistema de patente aberta, com um eixo circular e também de tamanho único. Foi criado por um grupo de fabricantes como uma resposta ao Octalink da Shimano. Eles criaram esse sistema para fugir da patente da Shimano, permitindo que todos os fabricantes pudessem ter diferentes marcas disponíveis. Porém, o ISIS não é compatível com o Octalink. Ou seja, apenas braços ISIS encaixam em eixos ISIS. O sistema tem o mesmo diâmetro de 22 mm do Octalink e foi amplamente aceito, mas tem também o mesmo defeito do anterior: os rolamentos menores duram pouco.
Nesse sistema existem três tamanhos com diferenças bem definidas: 108 mm para pedivela duplo de speed, 113 mm para mountain bike e 118 mm para pedivela triplo de speed. Sendo assim, fica difícil causar confusão.
ISIS Howitzer (Padrão Truvativ)
A marca Truvativ também criou uma evolução do sistema ISIS, especialmente para sua linha de pedivelas Howitzer, de uso mais extremo. A diferença nesse padrão é que o eixo é mais grosso e tem encaixe diferente dos ISIS tradicionais. O movimento central também é diferente, sendo externo ao quadro para serem usados rolamentos maiores.
ROLAMENTOS EXTERNOS (Hollowtech II, X-Type, MegaExo)
Para resolver o problema dos dois designs anteriores, foi "desenterrado" o sistema de rolamentos externos. Esse sistema é semelhante ao sistema de caixa de direção aheadset. Ou seja, os rolamentos ficam presos por fora do quadro. Já tinha sido usado há muito tempo atrás por marcas sem muita expressão e por motivos diferentes. Esse sistema parece a solução para resolver os problemas de resistência e durabilidade. No pequeno espaço que o quadro possui para o movimento central, o design dessas peças precisava ter eixos mais finos e rolamentos mais robustos ou eixos mais robustos e rolamentos menores, causando os problemas citados anteriormente. Agora é possível colocar os rolamentos por fora e ter um eixo ainda maior.
Além disso, esse sistema permite o intercâmbio de componentes. É possível usar um pedivela Shimano em um central de outra marca. Na verdade, o movimento central é apenas uma peça oca de plástico, o eixo mesmo fica apoiado nos rolamentos. O eixo de metal é integrado no braço direito do pedivela e este eixo possui os encaixes (ranhuras) onde o outro braço entra. Diferente dos outros modelos, o braço do pedivela é preso com parafusos laterais e não um parafuso de frente para o eixo. Esse sistema resolve os problemas dos modelos anteriores e é mais leve. Mais uma vantagem desse sistema é que é possível usar rolamentos de tamanho padrão, ficando mais barato para os fabricantes.
PADRÕES PRESSFIT
Os últimos padrões que surgiram foram os PressFit. Neles, o rolamento é encaixado no quadro por pressão, sem precisar de roscas. Isso traz vantagens, como diminuir uma etapa cara no processo de produção dos quadros de carbono, diminuir o peso e permitir um tubo do central de maior diâmetro, o que fortalece o quadro. Alguns padrões permitem que a pista do rolamento seja encaixada diretamente no quadro e outras possuem uma moldura de plástico envolvendo o rolamento para o encaixe no quadro.
PRESSFIT BB86 (ESTRADA) E BB92 (MTB) - Criado pela Shimano, esse padrão tem a moldura de plástico e eixo de 24 mm do pedivela, igual ao padrão dos rolamentos externos, inclusive sendo compatíveis com esses pedivelas.
BB90 (ESTRADA) E BB95 (MTB) - Os rolamentos encaixam diretamente no quadro, sem precisar de nenhuma moldura. Não foi amplamente aceito, mas é usado nas marcas Trek e Gary Fisher. Também é compatível com pedivelas para rolamentos externos.
PRESSFIT 30 - Os rolamentos possuem a moldura plástica para o encaixe e o eixo possui 30 mm diâmetro. Não é compatível com pedivelas para rolamentos externos, porém, existem adaptadores para isso.
BB30 - Mesmo conceito do PressFit 30, porém, os rolamentos encaixam sem a moldura plástica. É um padrão livre de patentes.
BB386 EVO (estrada) - A FSA e a marca de bikes BH criaram neste ano esse novo padrão. A diferença desse padrão é que apesar de usar um eixo do pedivela de 30 mm, o rolamento com moldura pode ser encaixado em quadros com rosca, nos quadros BB30 / PressFit 30 e obviamente no seu próprio padrão BB386 EVO.
De Bike na Estrada do Chianti
Pedal, gastronomia e muito vinho
Texto e fotos: Paulo de Tarso
Famosa por abrigar cidades como Florença, Siena e San Gimignano, tornou-se destino mítico nos corações e mentes dos turistas. Mas a Toscana é muito mais do que essas famosas cidades repletas de turistas de todas as partes.
Voltamos à Toscana! Anualmente, o Sampa Bikers realiza viagens de bicicleta por lá sempre no mês de junho. É um dos destinos preferidos não só para os ciclistas aqui do Brasil, mas também da Itália, Estados Unidos, Inglaterra, Alemanha... Como na Toscana não falta local para pedalar, a nova dica é passear em uma região que merece atenção especial, pela enorme beleza e quantidade de ciclistas que circulam por lá: a região do Chianti, com as suas cidades históricas, de arte e arquitetura deslumbrantes e de um excelente vinho (não podemos esquecer dos vinhos!) que leva o nome da região.
Quem vai para a Toscana, na Itália, quer ir em algum vinhedo. Famosa por seus vinhos, a região do Chianti oferece uma variedade de sabores e texturas e é maravilhosa para se pedalar. A região já foi cenário de filmes, romances, paixões e até da novela Passione, da Globo, que além de virar um modelo de bicicleta da Houston, ajudou muito a promover a região entre os brasileiros.
Para quem curte uma boa pedalada, em meio a um relevo recortado por uma sucessão de colinas suaves e deslumbrantes paisagens, pode percorrer a Strada Del Chianti Classico: uma estrada estreitinha, sinuosa e que passa por quatro cidades deliciosas e pitorescas: Castellina; Radda; Gaiole e Montevarchi. Cidades lindas, cheias de flores por todos os lados e com cenários simplesmente incríveis!
Local para pedalar é o que não falta lá! A região é cortada por estreitas estradinhas em um sobe e desce interminável, ligando outras pequenas cidades a vários outros pequenos povoados rodeados de vinhedos por todos os lados e acompanhados deles, oliveiras.
Algo realmente surpreendente e surreal! Em cada vilarejo pode-se parar para almoçar, provar um bom vinho, comprar garrafas de Chianti (direto do produtor) e um maravilhoso óleo de oliva extra-virgem. Fazer tudo isso em cima de uma bicicleta é simplesmente um sonho.
Realizar o sonho do castelo ou da casa própria na Toscana, ainda que por tempo limitado, não é apenas privilégio de ricos e famosos. De olho no turista apaixonado pelo céu da Toscana, proprietários de casas, vilas, palazzi e até castelos históricos da regiãopassaram a abrir as portas a um visitante diferente: o slow tourist. Em bom português, aquele que sabe que um bom vinho pode demorar tanto tempo para ficar pronto quanto uma região leva para ser de fato apreciada e melhor ainda se for em cima de uma bicicleta! O conceito do agriturismo surgiu, no entanto, tornou-se possível não só viver como um autêntico toscano como também colher uvas, pedalar, aprender a fabricar azeite, a cozinhar e a pintar como fazem os conterrâneos de Dante. Andar de bicicleta lá é algo comum a todo instante, principalmente durante o verão em época de férias: as estradinhas ficam repletas de ciclistas. Pedalar lá é como ir dar uma corrida aqui no Brasil, um esporte ou transporte praticado por quase todos. Um sonho.
Saiba mais
Origem do nome: uma das maiores regiões da Itália em território e habitantes, a população da Toscana é de cerca de 3,6 milhões. Seu nome tem origem antiquíssima e deriva do modo como gregos e latinos chamavam a terra onde os etruscos, em italiano etruschi, viviam. O termo Etruria se tornou Tuscia e, finalmente, Toscana.
Capital: localizada no centro da Itália, a capital Florença possui hoje cerca de 370 mil habitantes e é considerada o berço do Renascimento. Teve sua época áurea, tanto econômica quanto culturalmente, durante o governo dos Médici, do início do século XV a meados do XVIII.
Clima: de geografia montanhosa, a Toscana tem clima variado, com média de 16 °C na costa e picos de 40 °C no interior, chegando a temperaturas negativas no inverno. Tais características fazem da região destino procurado tanto no verão quanto no inverno, quando a neve cobre suas planícies e montanhas de branco.
Filhos ilustres: além de Dante Alighieri, a Toscana é berço de Leonardo Da Vinci (Vinci), Nicolau Maquiavel (Florença), Michelangelo Buonarotti (Caprese Michelangelo), Donatello (Florença), Piero della Francesca (Sansepolcro), Caterina di Médici (nasceu em Florença, mas se tornou rainha da França), entre outros.
SOBRE OS VINHOS DO CHIANTI
A região ganhou a "Denominação de Origem Controlada (DOC)" em 1966, elevada à "Denominação de Origem Controlada e Garantida (DOCG)", grau mais alto da lei italiana, em 1984.
A região se divide em sub-regiões: Chianti Clássico (entre Siena e Florença); Chianti Colli Fiorentini (próximo a Florença); Chianti Rufina; Chianti Montalbano; Chianti Colline Pisane (das colinas de Pisa); Chianti Colli Senesi (ao redor de Siena); Chianti Colli Aretini (próximo a Arezzo). O vinho Chianti, com apenas a palavra "Chianti" em seu rótulo, se origina de partes menos nobres da região.
A sub-região Chianti Clássico não é garantia de qualidade, mas a maioria dos bons vinhos provêm daí. A denominação de origem determina apenas um mínimo de padrão, mas não de qualidade. A classe e a qualidade dependem da vontade e da capacidade do produtor.
Simbolizado pelo “Gallo Nero” (galo negro), o vinho Chianti é dividido em duas categorias: “riserva” (envelhecido 38 meses, mais corpo e álcool, mais caráter e estrutura) e “normale” (envelhecido de quatro a sete meses, jovem e leve).
O barão Bettino Ricasoli (1808-1890) estabeleceu o padrão do Chianti moderno com o seguinte corte: 70% da uva tinta “sangiovese”, a qual lhe dá o caráter, o corpo e a cor; 20% da uva tinta “canaiolo”, a qual contribui com a maciez; e 10% das uvas brancas “trebbiano” e “malvasia”, as quais conferem leveza e frescor à mistura.
São alguns dos bons exemplares disponíveis em nosso mercado, na opinião de Marcelo Copello:
Como excelente: Chianti Classico Riserva, 1997, Castello di Fonterutoli (US$ 59,00), e Chianti Classico Castello di Brolio, 1998, Barone Ricasoli (R$ 176,00).
Como muito bom: Chianti Classico, 1999, Badia a Coltibuono (US$ 24,50); Chianti Classico, 1999, Isole e Olena (US$ 36,50); Chianti Classico Castello di Monna Lisa Riserva, 1997, Vignamaggio (US$ 41,00), e Chianti Classico Cellole Riserva, 1998, San Fabiano (R$ 94,80).
A próxima viagem de bicicleta organizada pelo Sampa Bikers na Toscana será em 2012 de 9 a 17 de junho. As inscrições já estão abertas! Mais informações no site www.sampabikers.com.br.
Bike guide - Guiando viagens de bicicleta ao redor do planeta
Texto: Fábio Zander
O início
Cicloturismo sempre foi um hobby para mim, desde 1991. Usava finais de semana e feriados para fazer as minhas viagens, principalmente pela Serra do Mar entre o Paraná, São Paulo e o Rio de Janeiro. Até a terceira maior montanha do Brasil, o Pico da Bandeira (2.892 metros) em Minas Gerais, eu subi e desci de bicicleta.
Com o passar do tempo, esse hobby foi se transformando também em meio de vida. No início, os patrocinadores de viagens, em seguida a venda de matérias e o livro Pedalada del Fuego. Mais tarde, comecei a apresentar palestras e participar de exposições. No fim, tranquei meu curso de arquitetura no terceiro ano e deixei meus pais malucos.
O caminho que escolhi não é fácil. Principalmente no início, que foi bem mais difícil e duro para conseguir as coisas, magoei e perdi algumas pessoas pelo caminho devido às escolhas tomadas, mas enfim estou feliz e agradeço a todos que direta e indiretamente me ajudaram de alguma forma a ser o que sou, a estar onde estou e vivendo da bicicleta.
No fim de 2003, não consegui renovar o meu patrocínio com uma marca de bicicletas brasileira. Este foi um dos motivos que me fez pensar em uma mudança para a Europa. Nessa época, o Brasil não tinha tantas agências especializadas em viagens de bicicleta, não haviam mais vagas de emprego, ou quando haviam vagas o salário era muito baixo.
No ano de 2005, mudei-me para a Europa e iniciei a procura pelo emprego dos sonhos, isto é, continuar pedalando e guiando grupos de ciclistas pelo mundo.
O trabalho de bike guide
Somente em abril de 2007, na ilha grega de Creta, consegui o meu primeiro emprego como bike guide, como são chamados os guias que lideram viagens de bicicleta. A entrevista havia sido feita por telefone ainda na Alemanha. Depois de uma hora de conversa com o casal de proprietários da Adventure Bikes, fui aprovado e me mudei para Creta.
Aprendi muita coisa em meu primeiro emprego como bike guide. O trabalho não consistia só em guiar grupos pelas trilhas e estradas de Creta, passando informações sobre os lugares em que pedalávamos, eu também tinha outras funções no escritório da agência, localizada na pequena vila de Georgioupolis, como:
Em alguns dias, eu revezava o trabalho de motorista com um outro guia (o dono da agência) levando o trailer das bicicletas e os turistas para o início das pedaladas.
O único problema do trabalho em Creta era que eu tinha um emprego temporário que durava nove meses, pois o inverno significa férias para as bicicletas e o começo da temporada de esqui na Europa. Tudo estava acertado para a continuação do trabalho para a próxima temporada, mas o meu objetivo sempre foi trabalhar fixo como guia e a oportunidade apareceu fuçando o site da AIDA Cruises, uma empresa alemã de cruzeiros marítimos pelo mundo.
Fiz a entrevista na AIDA Cruises e fui aprovado no mesmo dia. Não deu outra, desisti do emprego em Creta e fui fazer um curso de quatro dias no norte da Alemanha sobre segurança a bordo. Estava pronto para o meu primeiro contrato fixo de bike guide.
Bike Guide ao redor do planeta
Minha função a bordo era estritamente ligado ao ciclismo. Isso englobava a venda dos roteiros, guiar as pedaladas e fazer a manutenção das bicicletas.
Vivia a bordo dos navios entre quatro e cinco meses. Trabalhava todos os dias aproximadamente oito horas e não tinha final de semana livre. Éramos três guias a bordo e cada um liderava no máximo 20 ciclistas por passeio.
Enquanto navegávamos de um porto para outro vendíamos as pedaladas e também fazíamos pequenos workshops sobre funcionamento e manutenção de bicicletas. Outro trabalho que fazia parte da rotina, durante a navegação, era a manutenção das bicicletas tipo mountain bike e trekking que tem um lugar especial dentro do navio.
Com o trabalho de bike guide pela AIDA Cruises acabei conhecendo mais de 30 países e um número bem maior de roteiros pelo continente americano, europeu, africano e asiático. Algumas pessoas me perguntam quais os lugares mais interessantes que visitei. Pergunta difícil de responder, são tantos e tão diferentes (Islândia, Egito, Costa Rica, Turquia...)! Dou sempre uma lista das “Top 5”:
Com a AIDA Cruises colaborei aproximadamente cinco anos. No final de 2009 decidi ser autônomo e trabalhar como bike guide freelancer para diversas agências. Comecei com trabalhos guiando pedaladas em Cuba e mais tarde vieram as travessias pelos Alpes no verão europeu.
Desde 2010, trabalho também para a agência suíça chamada Bike Adventure Tours, guiando verdadeiras expedições de bicicleta pela Jordânia, Filipinas e pelos passos mais altos do planeta no Himalaia (Ladakh e Lhasa-Kathmandu).
Quero ser bike guide
O que é necessário para ser um guia em viagens de bicicleta?
Conhecimento sobre mecânica de bicicleta.
Não é preciso ser um atleta, mas é necessário estar fisicamente bem preparado.
Conhecer e estudar a região a ser percorrida.
Ter desenvoltura para falar em público.
Falar algumas línguas, principalmente o inglês, espanhol e no meu caso, o alemão.
Existe constante procura por bike guides no mercado europeu, principalmente para a temporada entre março e outubro. A questão é que você trabalha aproximadamente oito meses e os quatro restantes (o inverno) você tira férias, ou precisa empreender outros negócios, como guiar passeios de esqui.
Muito importante é estar ciente de que o trabalho não é suas férias. Nesse ponto alguns quebram a cara e desistem do trabalho. Você deve fazer de tudo para o bem-estar do seu grupo, passando informações, fazendo check-in em hotéis, resolvendo problemas, entre outros serviços. Quem pensa que trabalhar como guia é apenas subir na bicicleta e sair pedalando, engana-se.
Para mim a grande satisfação é sentir a empolgação e a felicidade dos participantes ao final de uma viagem. Sinal de trabalho bem feito.
APRESENTAÇÃO
Tricicleta MAX - Tryor
Texto e fotos: Revista Bicicleta
A tricicleta Tryor é um veículo para uma pessoa, voltado principalmente para carga, embora possa ser usada também para passeio e lazer. Possui aros 26, sete marchas, freios a disco mecânico nas rodas traseiras e V-brakes na dianteira. O veículo é equipado com caixa plástica traseira de 130 litros, com capacidade de carga útil de até 100 kg.
De relance, a tricicleta (bike com três rodas) passa a impressão de veículo de carga mesmo. O quadro possui balanço de peso para que o mesmo não empine, e a posição para pedalar é confortável. O guidão alto contribui para que a posição do piloto não tenha que ser muito curvada. O câmbio de sete marchas dá a opção de andar com velocidade relativamente alta. Como o veículo não tem suspensões, o selim possui molas para amortecer vibrações e impactos. É desmontável, o que ajuda muito na hora do transporte. A tração nas duas rodas ajuda em curvas, quando o peso é jogado para os lados e uma das rodas tende a perder tração.
Desempenho
Quando se pilota pela primeira vez esse veículo, estranha-se. De início parece difícil controlá-lo. Isso se dá porque estamos acostumados a nos equilibrar na bicicleta – o que não é necessário na tricicleta – afinal, tem três rodas. O “segredo” de se pilotar a tricicleta está no controle do guidão: é só virar e ela vai para onde você quiser. Em uma bicicleta comum, existe sempre um limite e cuidado ao se virar muito o guidão, mesmo em baixa velocidade. Na tricicleta, porém, você pode virar muito mais, e quase que bruscamente, em baixa velocidade, o que possibilita fazer manobras num espaço muito pequeno. Ao dominar o veículo, torna-se fácil e confortável pilotá-lo.
O selim, mesmo com molas, é um tanto rígido e traz um pouco de desconforto, principalmente se tratando de um veículo de carga que, na maioria dos casos, terá de ser usado por horas durante o trabalho. Um selim mais confortável calharia bem. Com baixo peso, os freios conseguem diminuir a velocidade da bike muito rápido e também travar as rodas. O manete de freio traseiro acabou ficando um pouco pesado, pois o cabo é “duplicado” para as duas pinças dos freios, que são mecânicos.
O peso máximo que testamos chegou perto dos 150 kg. Mesmo com o excesso de peso, a bike não fica pesada para andar em terrenos planos. A arrancada fica fácil e pode-se até mesmo usar as marchas e aumentar a velocidade. Para quem já pegou o jeito da bike, mesmo carregada ela é fácil de controlar. Porém, em subidas e terrenos acidentados é difícil dar tração à bike, mesmo na marcha mais leve e com o peso relativamente baixo. Os pinhões do cassete são pequenos; o maior possui 28 dentes. Um pinhão com 42 ou 48 dentes a deixaria mais leve para terrenos inclinados.
Com peso máximo, os freios - com rotores de 160 mm - perdem um pouco nas descidas. Com cerca de 100 kg, demorou mais para reduzir a velocidade. Porém, em terrenos planos, mesmo com carga, os freios são muito eficientes. Em terrenos acidentados e esburacados, é mais difícil controlá-la, principalmente se estiver carregada. O que realmente faz falta é uma trava de estacionamento, pois qualquer inclinação move o veículo.
Como se trata de um veículo de carga, é de suma importância a manutenção regular de freios, aros, aperto de parafusos, raios, etc.
Em suma, a tricicleta é um veículo de carga prático, sustentável e resistente – ideal para terrenos planos.
DIMENSÕES
- Largura: 92 cm
- Altura: 115 cm
- Comprimento: 2 m
- Caçamba: 76 x 56 x 45
- Embalagem: 94 x 56 x 72
- Capacidade máxima: ciclista + 100 kg de carga
- Aros 26”
- Disponível na cor preta (padrão)
- Demais cores (vermelho, branco, preto, laranja, verde, azul e amarelo) sob consulta;
Mais informações: www.tryor.com.br
Circuito Expedição Schroeder Natureza Viva – Trilhas e Aventuras
Texto: Anderson Ricardo Schörner
Fotos:
IDENTIFICAR IVANIO NA FOTO.
"Há três anos, conversando com um colega de empresa, comentei sobre a dificuldade de traçar roteiros, falta de empresas de turismos e informações na prefeitura de Jaraguá do Sul sobre roteiros e locais a serem visitados, e ele mencionou que havia um trabalho da prefeitura de Schroeder sobre ecoturismo. Ao entrar no site e ver as fotos dos eventos anteriores, a inscrição para o próximo (uma caminhada de oito horas pelo Pico do Agudo, com um grupo de oito pessoas) foi imediata! Já neste evento foi possível conhecer várias pessoas de cidades vizinhas que compartilhavam o mesmo espírito aventureiro, desejo de contato com a natureza e, principalmente, a vontade de formar novas amizades. Como esta foi uma caminhada longa e difícil, ao longo do dia foi possível conversar com cada um, dar risadas, saber das suas histórias e incentivar um ao outro para continuar a caminhada. Desde este dia, fico aguardando os e-mails do Ivanio informando sobre o próximo evento e repasso-os para alguns conhecidos na esperança de que participem também!" (Fabiano Knopp Kerstner)
Schroeder, conhecida como a "Cidade Ecológica", está localizada ao nordeste do estado de Santa Catarina, aos pés do planalto norte. O reconhecimento quanto à preservação ambiental se deve à grande área coberta de Mata Atlântica, principalmente serras. Neste cenário destacam-se árvores nobres, quedas d'água, lajeados naturais, rios de águas límpidas e grande diversidade de espécies animais e vegetais.
Pelo sexto ano consecutivo, a Secretaria Municipal de Agricultura, Indústria, Comércio e Turismo está promovendo o Circuito de Trilhas e Aventuras Ecológicas dentro do município de Schroeder e localidades vizinhas. É uma iniciativa que traz muitos pontos positivos para o município, pois atrai turistas, promove o bem-estar e a saúde dos munícipes, incentiva a prática do exercício físico e o uso da bicicleta.
Para participar não é preciso ser um atleta: basta ter vontade e determinação. Qualquer pessoa com um razoável condicionamento físico tem condições de completar o percurso. É o caso de Fabiano Knopp Kerstner, engenheiro mecânico, formado no Rio Grande do Sul, que há 10 anos veio trabalhar em uma multinacional em Jaraguá do Sul, cidade vizinha a Schroeder. "Desde o início, as belezas naturais (trilhas, morros, cachoeiras, matas) e culturais (remanescentes da colonização europeia, como casas estilo enxaimel, igrejas) do norte de Santa Catarina chamaram a minha atenção e a bicicleta foi a forma que encontrei de conhecer a região, manter o contato com a natureza e aliviar o estresse do dia a dia", relata.
Essa herança cultural que remete à colonização, permanece bonita e viva, apesar de ter sofrido adaptações. Na Europa, por exemplo, a bicicleta é vista como um veículo de grande prestígio, enquanto na sociedade brasileira, o carro é uma grande medida de status e sucesso. "A comunidade alemã usa bicicleta tradicionalmente, mas com o desenvolvimento econômico parece que a bicicleta ficou em segundo plano, gerando um tabu de que a bike é coisa de pobre", comenta Decio Werner Ludewig, também morador de Jaraguá do Sul. "O passeio organizado em Schroeder vem quebrando este tabu, até porque muitas bicicletas usadas são sofisticadas e caras", complementa.
O Circuito de Trilhas e Aventuras Ecológicas em Schroeder constituí-se de duas modalidades: o trekking - caminhada ecológica, e o mountain bike - cicloturismo. Estes eventos, segundo o Assessor da Secretaria de Agricultura, Indústria, Comércio e Turismo, Ivanio Dalton Laube, "são planejados de forma a permitir que as pessoas conheçam o município, dentro da filosofia de turismo esportivo e preservação do meio ambiente."
"O interessante da proposta é que intercala caminhada ecológica e cicloturismo ao longo do ano, possibilitando o conhecimento dos roteiros e características da cidade de diferentes pontos de vista e para pessoas diferentes. Os roteiros são montados de tal forma que pessoas comuns, sem a necessidade de grande preparo físico, apenas com a força de vontade, possam participar e se sentir como aventureiros pelo interior do município", relatou Fabiano.
Mesmo assim, a organização se preocupa em estabelecer níveis de dificuldade para que os participantes, no momento da inscrição, já estejam cientes das características do trajeto. Toda a estrutura durante o evento prevê medidas preventivas, o que estimula ainda mais a participação de pessoas que não têm treinamento ou hábito de pedalar grandes distâncias. "Muita gente acha pesado, outros acham muito leve, mas isso é natural quando se une um grande grupo. O primordial é o estímulo à autolocomoção", destaca Decio.
"Para os amantes da natureza, é uma experiência ímpar em um local de beleza natural privilegiada. Para a comunidade, é uma forma de mostrar o potencial da região para o ecoturismo e aventura, atividades que apresentam forte tendência de crescimento", explica Ivanio. "Hoje, milhares de pessoas buscam ambientes naturais para atividades de lazer, que vão desde um simples passeio até a prática de esportes como caminhada, montanhismo, mountain bike, canoagem, exploração de cavernas, mergulho, entre outras. É inegável o interesse que as pessoas têm por aventuras, atraídas pelo desejo de superação dos limites."
Fabiano confirma, com seu próprio exemplo, as palavras de Ivanio. "Nos finais de semana pegava a bicicleta e saia sem rumo pelas estradas de terra para conhecer, na forma de passeio, o interior de Jaraguá. Não tinha um roteiro definido e o passeio era descoberto através de conversas com os colegas de trabalho. Após pedalar 10 minutos já é possível fugir do movimento do trânsito e ter contato com a área rural. Pode-se escolher uma variedade de opções para pedalar: distâncias no asfalto até cidades próximas, como é o caso de Schroeder; estradas interioranas passando por cachoeiras, bananais e trilhas na mata... É uma região propícia para o Ecoturismo!"

O evento segue as normas técnicas da ABNT NBR 15285:2005 (Turismo de Aventura - Condutores - Competência Pessoal) e ABNT NBR 15286:2005 (Turismo de Aventura - Informações mínimas preliminares a clientes), que comprovam a seriedade e o comprometimento com a qualidade dos passeios.
Segundo Ivanio, "o projeto não visa o quantitativo de participantes, até por que as inscrições são limitadas; a intenção é promover um evento sustentável, onde é utilizado a capacidade de carga ideal para os destinos trabalhados. Outra preocupação é atender cada participante com informações relevantes sobre o percurso, e orientações de como proceder corretamente nas atividades que serão desenvolvidas."
Os participantes confirmam o carinho e a atenção com que são atendidos nos eventos e esse comprometimento com a qualidade é um grande diferencial. Eles relataram que nas caminhadas e nos eventos de bike, a participação dos bombeiros voluntários de Schroeder oferecem uma segurança adicional durante o trajeto. Os eventos de bike ainda contam com enfermeiras e carro de apoio, facilitando o resgate em caso de algum problema com a bicicleta, o ciclista ou algum acidente no percurso.
"Nos eventos de bike, percebo que sempre há um grupo maior de pessoas de várias localidades, com interesses, preparo físico e equipamentos distintos. Geralmente, ocorre uma dispersão do pessoal ao longo do percurso e é mais difícil o contato e a troca de informações. Por isso, considero muito importante as paradas estratégicas programadas pelo Ivanio, para o reagrupamento do pessoal", relata Fabiano. Além disso, durante as paradas os bombeiros orientam os participantes com dicas sobre primeiros socorros e situações de emergência. Depois da pedalada, os participantes almoçam juntos também: mais uma estratégia para a socialização.
A prefeitura cuida de toda a estrutura para os eventos, e conta com o apoio das empresas Banana Brasil (barras de frutas/cereais/grãos), Tirol (bebida láctea UHT), Red Horse (energético) e Markolf Bikes (placas de identificação de bikes e logística), oferecendo produtos que compõem o kit para os participantes. Para Decio, "o projeto de cicloturismo da Prefeitura de Schroeder é exemplar. O grupo é um show, chama muito a atenção na comunidade por onde passa, estimulando o uso da bicicleta e o compartilhamento da pista pelos veículos automotores, fazendo o trânsito um pouco mais seguro a todos."
Os benefícios relatados por Decio não param por aí. "O evento une ciclistas, favorecendo trocas de experiências, dicas e compartilhamento de passeios e roteiros. Ele desafia o uso da bicicleta em pequenos trajetos perto de casa, pois ao mostrar que é possível pedalar 40 km, porque não pedalar 2 ou 5 km para ir ao trabalho ou ao banco? Também desperta a consciência política, que além de organizar o evento, deve se preocupar em fazer ciclovias e estacionamento para as bikes."
Para Fabiano, "o trabalho da prefeitura, além de divulgar a cidade, também serve como um aglutinador de pessoas que possuem interesses comuns. Já é possível perceber a integração dos participantes, como na formação de grupos de pedal noturno, união de grupos de cidades diferentes para passeios, troca de e-mails com sugestão de trajetos, criação de blogs e sites para a divulgação de eventos e fotos.
A primeira edição, realizada em 2006, contou com 101 participantes. O número chegou a 274 em 2008. Segundo a organização do circuito, os roteiros são classificados conforme a dificuldade e quem quiser participar deve declarar que está ciente dos riscos enfrentados no caminho. Como cada pessoa tem seu limite, é disponibilizada uma equipe de apoio que acompanha todo o trajeto com pick-up para eventuais resgates, desistências, problemas na bicicleta e ambulância caso alguém necessite de primeiros socorros e atendimento emergencial. É obrigatória, ainda, a assinatura da ficha médica e a utilização do colete da prova.
Para Participar
Podem participar jovens e adultos de ambos os sexos, com idade mínima de 15 anos, sendo que o participante entre 15 e 17 anos deverá preencher um quadro a parte na ficha de inscrição, além de colher a assinatura de seu responsável. Não há idade limite para este tipo de atividade, desde que todo participante tenha boa saúde e sinta-se apto para a realização dos exercícios.
Na internet, você pode acompanhar notícias, fotos e outras informações sobre o Circuito de Trilhas e Aventuras Ecológicas em Schroeder no site da prefeitura: www.schroeder.sc.gov.br. É uma iniciativa que serve de exemplo para que outros municípios também invistam e apostem na bicicleta, na saúde e no ecoturismo, de forma sustentável e ética.
Confira o calendário de atividades que ainda vão acontecer em 2011:
Passeio Ciclístico
10 de Setembro
Serra Rio do Júlio
Distância: 32 km
Grau de Dificuldade: Moderada/Difícil
Vagas Limitadas: 50 participantes
Inscrições: 17/08 à 07/09
12 de Novembro
Serra do Itapocuzinho
Distância: 41 km
Grau de Dificuldade: Moderada/Difícil
Vagas Limitadas: 50 participantes
Inscrições: 12/10 à 09/11
Caminhada Ecológica
13 de Agosto
Morro Pelado
Distância: 2,1 km
Grau de Dificuldade: Leve
Vagas Limitadas: 30 participantes
Inscrições: 13/07 à 10/08
08 de Outubro
Serra Rio do Júlio
Distância: 16 km
Grau de Dificuldade: Moderada/Difícil
Vagas Limitadas: 30 participantes
Período de Inscrições: 14/09 à 05/10
Como é um Audax de 400 km? – 18 e 19 de Junho de 2011
Texto: Roberto Furtado
No dia 17 de junho de 2011, sexta-feira, as perspectivas não eram boas para quem estivesse na lista de inscritos do Audax 400 km. A semana havia sido chuvosa e a previsão mostrava indícios de que o clima não iria ceder. O corpo de voluntários da Sociedade Audax, familiares e colegas, todos estavam preocupados devido à condição climática para a prova. O inverno do sul do Brasil, como do Rio Grande do Sul, não é brincadeira, especialmente se houver chuva combinada ao frio.
O sábado, dia 18, começou com chuva, mas antes do meio-dia mostrava um “cessar fogo”. Os ciclistas largaram com tempo seco, diferente do que dizia a previsão. Durante o dia acompanhei através do telefone móvel. A organização da prova me passava todo o diário de rota dos aventureiros. No último contato de sábado fui informado que haviam poucas nuvens, as estrelas apareciam para torcer pelos 14 ciclistas que desafiavam o gigante de 400 km. Fui dormir pensando nos colegas, na noite difícil que teriam enquanto eu estava prestes a desfrutar de uma noite confortável em minha casa.
O que me deixava aflito era o fato do grupo ser pequeno e estar disperso. Quando se chega no Audax 400 km, não é raro ver que temos menos de 20 inscritos, porque sabemos que os poucos “brevetados”, podem ter desistido da prova em função de diversas variáveis. Em alguns casos, como do amigo Sidnei Mazza, que desistiu uma semana antes por estar se recuperando de uma faringite.
Ser ciclista Audaxioso exige experiência, muito mais técnica do que propriamente física, embora não seja esta última diminuída. Com algum preparo físico e uma boa cabeça, você faz um Audax. Com uma cabeça confusa, despreparada e um excelente corpo treinado, você pode não concluir a prova. Costumo dizer aos colegas, baseado em experiências próprias em Audax, que o Audax 200 km é um passeio longo! O Audax 300 km é um desafio para ciclistas fortes, onde a mente e o corpo estão alinhados. Imagino que os 400 km sejam para aqueles que dominam o medo, a dor, a ansiedade, a solidão, e todo mal que possa pairar sobre a mente humana quando o cansaço, o frio e a fome ocorrerem em você. Ciclistas rápidos, que nascem de grandes provas que incentivam o primeiro lugar, estes, muitas vezes, deixam de estar entre os que completam um Audax. Corpo algum aguenta ser levado ao extremo esforço por 300, 400, 600 ou 1000 km. A energia do corpo deve ser administrada, pois o corpo não apenas perde seu combustível, ele também se desgasta! O ritmo ótimo de pedalar deve ser encontrado, e cada ciclista possui um! Este é um dos motivos pelo qual muitas vezes encontramos ciclistas pedalando sozinhos durante a realização das provas. Buscam seus ritmos perfeitos, que muitas vezes são incompatíveis até mesmo com aqueles com quem treinam frequentemente.
No domingo, fui de encontro aos ciclistas para registrar o momento. Localizei o mais adiantado deles, Rodrigo Cortese, no km 300 da prova. Conversei rapidamente com ele, vi que ele estava muito bem e fui de encontro aos demais colegas, e no trajeto fui realizando as fotos de um dia que estava com céu cinzento em algumas direções, carregado, prometendo chuva. Passei pelos carros de apoio da organização, voluntários e ciclistas concentrados na prova. O cansaço era nítido em todos, mas alguns pareciam estar mais preparados, confrontando o gigante. Eles, em parte, já haviam completado praticamente ¾ de prova, e agora administravam o tempo para poupar a energia restante. Cada um em sua metodologia, outros nem tão técnicos, mas confiantes. Havia apenas um desistente, colega bastante experiente, mas teve algum problema muscular durante a noite. Situação que somente um ciclista de longa distância poderia entender, pois estamos a falar de pedaladas uma atrás da outra, por centenas de quilômetros. Neste momento é considerado normal que algum participante apresente algum tipo de fadiga não previsível.
A relação “quase” espiritual de um ciclista com uma prova de longa distância vai além da aceitação da maioria das pessoas. Não é incomum você ser questionado por alguém, e desta forma ser surpreendido com um: “isto é para louco!”
Porque alguém se colocaria a pedalar incessantemente, atravessando uma noite e madrugada fria, fugindo do cotidiano confortável? Para entender, talvez seja preciso mais do que experiência, talvez exista realmente um propósito próprio de vencer, de intimidar uma distância grandiosa que hesitamos muitas vezes em fazer até mesmo de carro. Algo muito valioso dentro de cada um destes ciclistas, cada um em sua razão, meio, crença ou técnica.
Se há motivo para alguém superar-se, há razões de sobra para tentar explicar e convencer as pessoas não praticantes de ciclismo de que é viável quando queremos. Em ciclistas de início de carreira em longa distância, é comum ouvir: “Nunca mais eu faço esta prova!” E o mais curioso é ouvir do mesmo ciclista no dia seguinte: “Quando abrem as inscrições da próxima prova?” Como diz Rodrigo Cortese: Quem faz uma vez, não para mais!”
Tudo isto pode ser visto numa prova da Sociedade Audax de Ciclismo, assim como outros clubes que respeitam fielmente as normas da ACP (Audax Club Parisien). Cada ciclista terá sua frase favorita que “tenta” descrever uma prova que leva 10, 20, 30, 40 horas para ser completada. Dentre elas, um excelente, de Paulo Bagatini: “Descobri que aqui tenho amigos, posso ser louco, mas não sou o único!” Esta frase diz muito. Diz que temos amigos verdadeiros em um Audax, temos nosso estilo.
E se uma massa de pessoas define um comportamento como normal, vejo Audaxiosos não somente como ciclistas destemidos, vejo heróis! Como Luís Roberto Lazary, que normalmente chega entre os últimos, mas sempre chega! Lazary treina para os 1200 km que acontece na França, a prova máxima e tradicional da ACP, o Paris-Brest-Paris. Heróis como Carlos Polesello, que mostram que o pedalar contínuo do dia e da noite pode derrubar um gigante de 400 km, esteja o clima como estiver.
Eles nos mostram que podemos, mesmo com os medos em uma sociedade que demonstra violência a qualquer ciclista e pedestre. Viver sobre a bicicleta, seja uma rotina modesta como ir de casa para o trabalho, para ir a padaria ou aventurar-se a derrubar 400 km, pode ser uma opção de vida possível. Somos fortes, fortes o bastante para derrubar este gigante, para derrubar preconceitos, para mostrar que amamos a bicicleta e tudo que ela representa... Especialmente a liberdade.
Volta a Santa Catarina em Mountain Bike - 13ª edição
Texto: Marcos Adami Fotos de Eduardo Schaucoski
Ricardo Pscheidt e Tânia Pickler, ambos catarinenses, confirmaram o favoritismo e venceram a competição realizada em Santa Catarina. A competição passou por lugares muito bonitos em Joinville, Campo Alegre, Schroeder e Garuva, e os atletas tiveram que enfrentar o clima frio e chuvoso, típico da região nesta época do ano.
Além dos profissionais, o evento atraiu também um grande número de ciclistas amadores e entusiastas do esporte que vieram de diversos estados como Paraná, Rio Grande do Sul, São Paulo e Minas Gerais. Esse ano, pela primeira vez a Federação Catarinense de Ciclismo (FCC) abriu a oportunidade para a participação de ciclistas não-federados, que competiram na categoria Light.
Etapa 1 - Circuito do Piraí/Joinville - 56 km
23/06/2011
O atual campeão brasileiro de mountain bike, Ricardo Pscheidt, catarinense de São Bento do Sul, confirmou o favoritismo e venceu a etapa inicial da 13ª edição da Volta a Santa Catarina em Mountain Bike.
Pscheidt, atleta da equipe Jamis/Sram e que compete na categoria Elite, completou duas voltas no Circuito do Piraí, num total de 56 quilômetros, em 1h42m.
“Eu gosto muito de correr essa volta. É uma das poucas corridas de mountain bike por etapas no Brasil. Na primeira etapa, eu, o William e o Frank Sinatra escapamos na serra durante a primeira volta. Quando passamos novamente pela serra, eu abri vantagem e mantive a liderança até o final”, contou Pscheidt, que venceu o evento em 2008, 2009 e 2010.
Na segunda colocação ficou seu conterrâneo e companheiro de equipe William Alexi, de 18 anos, que disputou na categoria Juvenil.
Entre as mulheres, a vitória foi de Tânia Pickler, de Indaial - SC. A atleta venceu a última edição em 2010 e deu o primeiro passo em direção ao bicampeonato. “Achei a prova dura. O terreno tem trechos com muitas pedras e a descida da serra estava bem escorregadia”, contou a ciclista de 25 anos.
Etapa 2 - Joinville - Campo Alegre - 77,5 km
24/06/2011
Na segunda etapa, Pscheidt deu mais um passo em direção ao tetracampeonato na Volta a Santa Catarina de Mountain Bike. O ciclista venceu a segunda etapa com 77,5 quilômetros entre Joinville e Campo Alegre e aumentou ainda mais a liderança na competição.
Pscheidt marcou o tempo de 2h53m18s e superou o próprio recorde nesse trajeto em mais de 10 minutos. A etapa apresentava 24 quilômetros de subidas de serras. Os competidores enfrentaram a dura subida da Serra do Manso, com trechos muito íngremes.
Entre as mulheres, a vitória foi novamente de Tânia Pickler, de Indaial, que já liderava a competição com boa vantagem na categoria elite feminina.
Etapa 3 - Joinville - Schroeder - 41,5 km
25/06/2011
A terceira etapa teve novamente Ricardo Pscheidt como vencedor. O atleta completou os 41,5 quilômetros entre Joinville e Schroeder em 1h17m01s. Pscheidt cruzou a linha de chegada de mãos dadas com seu companheiro de equipe, Willian Alexi, de 18 anos. Ambos são da cidade de São Bento do Sul.
“Essa prova vale muito como treino para o Campeonato Brasileiro, que será no dia 17 de julho em Caconde (SP)”, comentou Pscheidt, que já na terceira etapa contava 14 minutos de vantagem sobre o segundo colocado da categoria Elite, Frank Sinatra Deluvino, de Tijucas.
Entre as mulheres, Tânia Pickler venceu mais uma vez. Ela percorreu a etapa em 1h46m40s e sua diferença para as concorrentes era ainda maior: 43 minutos de vantagem sobre a segunda colocada, Ana Luisa Korc Panini.
Etapa 4 - Joinville - Garuva - Vila da Glória - 31,2 km
26/06/2011
Ricardo Pscheidt confirmou o tetracampeonato na 13ª edição da Volta a Santa Catarina em Mountain Bike. Em um domingo bastante chuvoso, o trajeto de 117 km foi reduzido para preservar a segurança dos competidores.
Pscheidt completou os 31,2 km da última etapa em 42m27s. Ao todo, foram 209,8 km percorridos em 6h35m28s, divididos em quatro dias de competição.
Na segunda colocação na categoria elite ficou Frank Sinatra Deluvino, equipe Trust/Alemão Bike Shop, de Tijucas, com o tempo acumulado de 6h49m36s.
Entre as mulheres, o título ficou com Tânia Clair Pickler (Assiclo/Continental/CrankBrothers/Fizik), de Indaial, que venceu as quatro etapas com o tempo acumulado de 9h11m47s e garantiu o bicampeonato. Na segunda colocação ficou Ana Luisa Korc, da equipe Sapo Verde, de Indaial.
A 13ª edição da Volta a Santa Catarina em Mountain Bike é uma realização da Federação Catarinense de Ciclismo com o apoio da Toyoville, JK Pneus, Água Vila Nova, Polícia Militar Rodoviária, Polícia Ambiental, V Região da Polícia Militar do Estado de Santa Catarina, 8º Batalhão de Polícia Militar e das Prefeituras Municipais de Joinville, Campo Alegre, Schroeder e Garuva.
RESULTADOS
ELITE MASCULINA
ELITE FEMININA
68ª Prova Ciclística 9 de Julho
Texto: MBraga Fotos: Sérgio Shibuya/MBraga Comunicação
Roberto Silva e Fernanda Souza vencem a 68ª Prova Ciclística 9 de Julho
Disputa realizada no feriado da Revolução Constitucionalista reuniu mil ciclistas no Autódromo Internacional José Carlos Pace, em Interlagos
O melhor do ciclismo nacional em diversas categorias se reuniu neste feriado de 9 de Julho, no Autódromo Internacional José Carlos Pace, em Interlagos, para a 68ª edição da Prova Ciclística 9 de Julho. A equipe Funvic/Marcondes César, de Pindamonhangaba, São Paulo, dominou as disputas e faturou o topo do pódio no masculino e no feminino. Na prova masculina, Roberto Pinheiro da Silva (Funvic/Marcondes César/Pindamonhangaba) impôs ritmo forte e no sprint faturou a vitória, ao completar as 16 voltas em 1h34min27s.
A disputa da 68ª edição da Prova Ciclística 9 de Julho não teve fugas, por conta do vento. Assim, o pelotão andou sempre homogêneo. Todos poupando para a volta final. Apenas nas 9ª e 10ª voltas que Magno Nazareth tentou um fuga, mas brevemente foi neutralizado pelos demais ciclistas.
"Fizemos um trabalho de equipe e tivemos sorte, já que a temperatura estava mais alta na nossa largada. É a minha primeira vitória na 9 de Julho. Esse ano também estive no pódio da Copa América, quando conquistei a vice-colocação", contou Roberto, de 28 anos.
Já na elite feminina, o destaque ficou por conta da ciclista cearense Fernanda da Silva Souza (Funvic/Marcondes César/Pindamonhangaba). Vice-campeã em 2010, Fernanda venceu a competição com o tempo de 27min28seg. "É a minha quarta participação na 9 de Julho. Mesmo com o vento forte consegui, junto com a minha equipe, fazer um bom resultado" revelou a atleta de 29 anos.
A prova, que contou pontos para o ranking da Confederação Brasileira de Ciclismo, teve a participação de cerca de mil ciclistas em dez categorias: Federados: Elite Feminina (Elite/JR), Elite Masculina (Elite/Sub 23), Open Master, Open Sênior Masculino, Open Speed (Sub 30/Sênior A/Universitários), e Júnior Masculino; Não Federados: Livre Feminino (MTB ou Speed), Speed Masculino, MTB Masculino e Passeio.
A 68ª Prova Ciclística 9 de Julho foi, mais uma vez, um verdadeiro festival de ciclismo. Com a inclusão de outras categorias, totalizando dez no masculino e feminino, o evento ganhou em prestígio e ainda incentivou a prática da modalidade ao reunir atletas consagrados com iniciantes, sem falar de inúmeros veteranos que seguem pedalando em prol do esporte.
Os melhores da disputa na Elite foram os seguintes:
Masculino
1) Roberto Pinheiro da Silva (Funvic/Marcondes César/ Pindamonhangaba), 1h34min27s
2) Edgardo Simon (Padaria Real/Sorocaba), 1h34min28s
3) Glauber Silva (Suzano/Trotz/Microsifht), 1h34min28s
Feminino
1) Fernanda da Silva Souza (Funvic/Marcondes César/Pindamonhangaba) 27min28seg
2) Valquiria Pardial (Funvic/Marcondes César/Pindamonhangaba) 27min39seg10
3) Debora Gerard (Funvic/Marcondes César/Pindamonhangaba) 27min39seg
A 68ª edição da Prova Ciclística 9 de Julho tem realização e organização da Fundação Cásper Líbero, GazetaEsportiva.net, Yescom e Federação Paulista de Ciclismo. O apoio especial é da Prefeitura de São Paulo, através da Secretaria de Esportes, Lazer e Recreação, e Governo do Estado de São Paulo, através da Secretaria de Esportes, Lazer e Turismo, com apoio de Montevérgine e Café 3 Corações. A supervisão é da Confederação Brasileira de Ciclismo (CBC) e FPC.
CAMPEONATO BRASILEIRO DE CICLISMO DE ESTRADA E CONTRA-RELÓGIO
TEXTO: ZDL FOTOS: Ivan Storti
O Campeonato Brasileiro de Ciclismo de Estrada e Contra-Relógio agitou as cidades de Cerquilho e Boituva, em São Paulo, entre os dias 24/06 e 26/06/2011. Os principais nomes do ciclismo nacional nestas categorias competiram. Houveram boas surpresas, como a ciclista Tatiani Cristina, e confirmações de atletas renomados, como o bicampeonato de Murilo Fischer.
24/06/2011 - Magno do Prado e Luciene Ferreira são campeões do Brasileiro de Contra-relógio
Magno do Prado e Luciene Ferreira, ambos da equipe Funvic/Pindamonhangaba, conquistaram na tarde do dia 26/06/2011, o título de campeões brasileiros de contra-relógio. A prova foi realizada em Cerquilho, no interior de São Paulo.
Entre os homens da categoria elite, Magno superou por oito segundos Alexandre Manarelli (Generali Ballan) no percurso de 27,2 quilômetros. Rafael Gasparini (Avai) completou o pódio. Como os atletas da segunda e terceira colocação são da categoria sub-23, assumiram as posições Eduardo Pinheiro e Walter Ribeiro.
Manarelli ficou com a vitória para os menores de 23 anos e comemorou o resultado. "Esta vitória foi muito boa para ganhar motivação neste segundo semestre. É muito bom competir e vencer perto dos amigos e da família", comentou o ciclista que compete na Itália.
Na categoria elite feminina, Luciene completou os 15,6 quilômetros na primeira posição, seguida por Rosane Kirch (Forno D'Asolo-Colavita) e a atual campeã brasileira de estrada Janildes Fernandes (São José dos Campos).
25/06/2011 - Tatiani Cristina surpreende favoritas e conquista Brasileiro de Estrada
Tatiani Cristina, de São Paulo, desbancou todas as favoritas ao título e conquistou no dia 25/06/2011, o Campeonato Brasileiro de Estrada 2011. O percurso seletivo foi palco para a fuga vitoriosa da ciclista que concluiu os 92 km, na região de Boituva, no interior do estado, em 3h02m14s, chegando pouco mais de um minuto na frente da segunda colocada.
O segundo lugar foi disputado no sprint final, com um grupo seleto que resistiu ao forte ritmo imposto no percurso. A goiana Janildes Fernandes (São José dos Campos), atual campeã da modalidade, terminou como vice-campeã brasileira. Luciene Ferreira (Funvic-Pindamonhangaba), que havia vencido na sexta-feira a prova de contra-relógio individual, completou o pódio.
A campeã Tatiani Cristina surpreendeu a todos pela excelente performance. Ela está sem equipe e patrocínio e, mesmo assim, venceu a competição de forma brilhante.
Classificação:
1- Tatiani Cristina de Oliveira
2- Janildes Fernandes Silva
3- Luciene Ferreira da Silva
26/06/2011 - Murilo Fischer é bicampeão brasileiro de estrada
Murilo Fischer, um dos principais ciclistas do país, conquistou o bicampeonato do Brasileiro de Estrada, no dia 26/06/2011, na cidade de Boituva (SP). O atleta já pedalava solitário quando faltava uma volta das 20 que totalizaram 184 quilômetros de percurso e vai exibir por mais um ano a camiseta de campeão no pelotão profissional do Pro-Tour.
Murilo, que compete na Europa pela equipe Garmin-Cervelo, abriu fuga logo no início e aos poucos mostrou seu preparo físico. Cleberson Weber (Dataro) e Verinaldo Pereira (Funvic/Pindamonhangaba) completaram o pódio.
Na categoria Sub-23, que largou junto com a principal, a vitória foi da revelação Alexandre Manareli (Generalli-Ballan), que demonstrou seu potencial para brilhar nas competições internacionais. O ciclista também foi o vencedor da prova de contra-relógio na sexta-feira (24/06). Edson Ponciano (Sesla/Indaiatuba) concluiu na segunda colocação seguido por Willian Chiarello (Velo/Seme Rio Claro).
O Campeonato Brasileiro de Ciclismo contou com o apoio do Governo do Estado de São Paulo, através da Secretaria de Esportes, Lazer e Juventude e das prefeituras dos municípios de Boituva e Cerquilho com supervisão da Confederação Brasileira de Ciclismo e Federação Paulista de Ciclismo.
Resultados
Elite Masculina
1 - Murilo Fischer
2 - Cleberson Weber
3 - Verinaldo Pereira
Sub-23
1 - Alexandre Manarelli
2 - Edson Ponciano
3 - Willian Chiarello
Etapa Final da Copa Endurance Bike 2011
Jarinu - SP
Texto e fotos: Antônio Merlo / Equipe Bike Amparo
No dia 26/06/2011, foi realizada a etapa final da Copa Endurance Bike 2011, na cidade de Jarinú - SP. O evento aconteceu no Parque Duilio Mazieiro, sendo uma das atrações da Festa do Morango.
Mais de 400 atletas competiram em duas categorias: Pro, com o percurso de 38 km, e Sport, com o percurso de 31 km. Foi uma grande festa junto aos familiares, que além de apoiar os atletas puderam se deliciar com as guloseimas do evento.
Os grandes campeões desta etapa foram João Paulo Firmino, da equipe SCOTT / PEDAL PRO / COFRANA FIAT, na elite masculina Pro, e Tatiani Cristina, da equipe LOBO SPORT BIKE, na elite feminina Pro.
Na categoria Sport feminina, vitória de Larissa Brasa da Silva, da equipe BRASA BIKE / STA ISABEL FRIOS E LATIC, e na categoria Sport masculina, vitória de Ademir Pereira da Silva, da equipe MOTOCICLISTAS JARI / PM Jarinu / BIKE CROYS.
Em três etapas, a Copa Endurance reuniu mais de 1200 atletas amadores. O principal objetivo destes atletas não é vencer, mas sim experimentar a emoção de participar de uma competição. Segundo Sandro Montico, organizador do evento, "a prova é um passeio organizado em que todos devem se respeitar e se ajudar para se divertirem. É por isso que cada vez mais cresce o número de participantes."
Para maiores informações acesse www.endurancebike.com.br. Fotos e vídeos das Etapa www.bikeamparo.com.br.
Brasil domina terceira etapa da Copa do Mundo de Para-Ciclismo
texto: zdl fotos: divulgação/cbc
A seleção brasileira de Para-Ciclismo deu show e dominou a terceira e última etapa da Copa do Mundo de Estrada e Contra-Relógio, realizada entre os dias 08 e 10 de julho, em Baie-Comeau, no Canadá.
A prova de contra-relógio teve distância de 25,4 km para a categoria C5. Lauro Chaman ficou com a medalha de ouro, com o tempo de 35min43s, deixando na segunda colocação João Schwindt, medalha de prata, com 35min59s. Completando o pódio verde e amarelo, Soelito Gohr faturou o bronze com 36min29s.
A prova de estrada foi disputada com distância de 79,8 km distribuídos em sete grandes voltas no "duro" circuito montado em Baie-Comeau. Os brasileiros protagonizaram uma fuga com seus três representantes, ampliando a vantagem a cada volta realizada.
A equipe nacional cruzou a linha de chegada com mais de seis minutos de diferença para o quarto colocado, concluindo o percurso com o tempo de 2h08m e uma média de 37.26km/h. A medalha de ouro ficou com João Schwindt, a prata com Soelito Gohr e a de bronze com Lauro Chaman.
Na classificação geral da Copa do Mundo de Para-Ciclismo - somando os pontos distribuídos nas três etapas - o Brasil também levou a melhor e ficou na primeira colocação com o atleta Lauro Chaman.
"Emplacamos de uma vez por todas o Para-Ciclismo como prioridade entre as disciplinas do ciclismo. Estamos desenvolvendo um trabalho sério, buscando não só o desenvolvimento profissional como a inclusão do jovem deficiente no cenário esportivo do Brasil e estimulando a prática de atividades físicas para expandir o Para-Ciclismo. Este resultado deixa claro nosso potencial. Os atletas que participaram da Copa do Mundo estão de parabéns e merecem todo o reconhecimento", ressaltou José Luiz Vasconcellos, presidente da Confederação Brasileira de Ciclismo.
jOÃO pAULO fIRMINO vence O pOWER bIKER
Caconde - sp
03/07/2011
O ciclista de 30 anos conquistou a vitória pela primeira vez. No feminino, Tatiani Cristina garantiu foi a campeã.
O mountain biker da cidade de Batatais, João Paulo Firmino (Scott, Pedal Pró, Cofrana Fiat e Tropical Auto posto) conquistou neste domingo, em Caconde, a vitória no X POWER BIKER BRASIL, com o tempo de 1h22min02seg e uma vantagem de mais de dois minutos para o segundo colocado. O ciclista colocou seu nome na lista de vencedores da prova, considerada uma das mais importantes do calendário.
"Foi uma prova rápida em um belo lugar. É a primeira vez que participo do Power Biker e estou muito feliz por vencer essa grande prova que completa 10 anos. É motivo de orgulho para mim", finalizou o atleta que tem vencido as principais provas de maratonas do Brasil em 2011.
Em segundo ficou Ricardo Aparecido Xavier, da cidade de Mococa, representando a equipe Total Bike, com o tempo de 1h24min43seg, enquanto Vitor Gusmão, da cidade de Campinas, cruzou em terceiro.
No feminino, a vitória foi da ciclista Tatiani Cristina, atleta da cidade de Artur Nogueira que defende a equipe Lobo Sport Bike. Ela garantiu o título da competição com o tempo de 1h41min39seg, enquanto Adriana Barbosa Magalhães, da Total Bike/Jamis ficou em segundo com o tempo de 1h 53min13seg, e Tâmara Pesoti Netto, da AAP Espírito Santo do Pinhal, ficou em terceiro.
Com temperatura na casa dos 21°C, os atletas enfrentaram os desafios das montanhas de Caconde em um circuito rápido, uma novidade desta edição e que exigiu muito dos competidores.
Resultados
Masculino PRÓ
1 João Paulo Firmino (Batatais – SP) - 01:22:02
2 Ricardo Ap Xavier (Mococa – SP) - 01:24:43
3 Vitor Gusmão (Campinas – SP) - 01:26:00
Feminino PRÓ
1 Tatiani Cristina (Artur Nogueira - SP) - 01:41:39
2 Adriana Barbosa Magalhães (São Paulo - SP) - 01:53:13
3 Tâmara Pesoti Netto (Esp. Santo Pinhal - SP) - 02:06:04
Masculino SPORT
1 Valdemar Silvério (Esp. Santo Pinhal – SP) - 01:31:33
2 Matheus Silva De Moraes (Guaxupé – SP ) - 01:32:00
3 Ezequiel Barbosa (S.J.Boa Vista) - 01:33:37
Feminino SPORT
1 Larissa Brasa Da Silva (Botucatu - SP) - 02:03:19
2 Patricia Cruanes (Limeira - SP) - 02:09:06
3 Ana Paula Belli (Esp. Santo Pinhal - SP) - 02:21:27
O X Power Biker teve patrocínio da Centauro, co-patrocínio do Café Moka e apoio de Capacetes Limar, Isapa, Bryton Gps, Levorin, Óculos Alpinia, ASW, Circuit, Curtlo, My Bike, Gráfica Flor de Acácia, Spec, Neptumia Seguros e Prefeitura de Caconde. Realização e organização: Sampa Bikers e Prefeitura de Caconde, com supervisão da Confederação Brasileira de Ciclismo e da Federação Paulista de Ciclismo.
EU PEDALO
Maria Cristina Fernandes
Cachoeira Paulista – SP
Descendo ladeiras. Foi assim que, quando criança, eu tive o meu primeiro contato com a bicicleta e aprendi a pedalar. Mas, como morava em cidade grande, infelizmente a distância, o trânsito e seus impedimentos não ajudaram, e a bicicleta ficou esquecida por muitos anos.
Em 2006, me mudei para o Vale do Paraíba e aqui as cidades são menores, a cultura é diferente e o meio de locomoção também. Tudo é mais perto, então, não há maneira melhor do que ir de bike.
Tudo começou quando meu marido encontrou com um grupo de ciclistas em nossa cidade. Em pouco tempo, ele estava pedalando com este grupo, se aventurando em trilhas e ganhando o gosto pela bike. Ele sempre insistiu muito para que eu fosse junto com ele, dizendo que “nos passeios à noite iam outras mulheres, que eu iria gostar muito” e etc, mas eu não ligava.
Até que, por muita insistência, fui um dia nesse tal passeio, achei interessante, mas ainda não tinha me contagiado. Estava chegando a tradicional corrida de rua em Lorena, “Nossa Senhora das Graças”, onde alguns dos ciclistas da equipe iriam participar correndo, outros iriam até essa cidade pedalando. Fui com eles e o que eu não sabia era que a partir daquele dia entraria no melhor vício da minha vida: a bicicleta.
A partir deste dia, iniciei no mountain biking e não parei mais. Na mesma época, minha filha também começou a pedalar. Ela, meu marido e eu, além de alguns amigos, pedalávamos vários dias por semana. Pouco a pouco fui conhecendo cada trilha da região. O passeio mais longo que eu fiz foi até São José dos Barreiros. Foram 162 km de ida e volta, no mesmo dia. É interessante ver como quilômetros e horas parecem se converter em metros e minutos sobre a bike. Sempre fica um gostinho de quero mais no final de cada pedalada. Realizei este passeio duas vezes; ele sempre está na minha lista.
Comecei a treinar um pouco mais forte e decidi participar pela primeira vez do Big Biker Cup, na etapa de Taubaté, em 2010, que ficou conhecido como “Big Barro”. Eu nunca tinha pedalado na lama, não tinha técnica nenhuma, mas decidi enfrentar aquele desafio e ao completar a prova, ver o número de participantes que desistiram e receber a minha primeira medalha de finish, foi o meu melhor prêmio! Essa é uma competição na qual sempre gosto de participar e prestigiar, pois é maravilhoso sentir a adrenalina da largada, o companheirismo entre os participantes e o grande número de meninas pedalando.
Hoje, aos 40 anos, pedalo praticamente 40 km todos os dias, e reservo um dia na semana para ir na divisa com Minas Gerais, onde tem uma serra excelente para treino. Vou ao supermercado e faço todo tipo de compra de bicicleta, ela é meu veículo de locomoção e tenho o maior orgulho de dizer: “Eu pedalo!”
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ABREASPAS
"No dia que ganhei minha primeira bicicleta, provavelmente eu era o garoto mais feliz em todo Liverpool. Eu vivia só para ela. A maioria das crianças deixavam suas bikes no quintal, durante a noite. Eu não! Eu a deixava dentro de casa e, na primeira noite, levei até para a cama." (O Beatle John Lennon sobre a sua primeira bicicleta.)
"É melhor ir ao ortopedista do que ao cardiologista." (Tonico Ferreira, repórter, com relação aos riscos de acidente com a bicicleta.)
"O amor é como o Tour de France: é preciso um grande esforço para chegar ao cume." (Citação anônima em um site francês).
Quem inventou a bicicleta merece a gratidão de toda a humanidade." (Charles Beresford, membro do parlamento britânico de 1859 a 1911.)
"Uma infância sem bicicleta é como um barco a vela sem vento. Ela dá a graça e a expressividade para os momentos de felicidade e inocência. Nos anos posteriores, esses momentos são lembrados de novo e de novo, e permitem, mesmo que brevemente, escapar das regras e ansiedades da vida cotidiana. Melancolia é incompatível com a bicicleta." (James E. Starrs, professor da Universidade de Washington.)
ALL MOUNTAIN
A MODALIDADE MAIS COMPLETA DO MTB
O termo all mountain não é mais novidade no mundo das bicicletas. Toda grande marca já tem uma bicicleta de cross-country, de downhill / freeride, de estrada e a tal da all mountain. Mas o que é isso, afinal?
DEFINIÇÕES CONFUSAS: TRAIL, ALL MOUNTAIN E ENDURO
A primeira coisa que confunde quem busca uma bike desse tipo é entender os termos usados nas suas variações. E não é a toa: além de ser difícil definir os limites entre um tipo de bike e outro, diferentes países e fabricantes usam termos diferentes para suas bikes. A primeira coisa que deve ficar claro é que independente dessas três definições, essa categoria está entre dois extremos: o cross-country (XC) e o downhill (DH) / freeride.
Bikes de XC, na sua maioria sem suspensão traseira, são feitas para ganhar competições. O baixo peso é uma das principais prioridades, sendo mais importante que o conforto e até mesmo a resistência das bikes. Por isso existem peças indicadas apenas para atletas de um determinado limite de peso. A configuração de algumas bikes vai exigir também um maior preparo físico e habilidade, com rotores de disco de 140 mm que freiam menos, suspensões de apenas 80 mm a 100 mm, guidões retos e estreitos e os novos pedivelas com apenas uma ou duas coroas. Dessa maneira, tornam-se ótimas bikes para situações de competição, especialmente subidas, mas pecam no conforto e principalmente controle nas descidas.
No outro extremo estão as bikes de DH e freeride. As primeiras também são feitas exclusivamente para competição, com relação de marchas para descidas, suspensões de mais de 180 mm de curso, geometria que favorece apenas descidas inclinadas e curvas rápidas, rotores de disco de 200 mm e pneus largos. As de freeride são parecidas, porém não são projetadas para competição, tendo uma geometria mais genérica e configurações menos específicas. O problema dessas bikes é que podem chegar a pesar três vezes mais que uma bike de cross-country leve e, ao encontrarem subidas, dão um destino certo ao piloto: desmontar e empurrar.
O all mountain tem o objetivo de oferecer o melhor dos dois mundos: subidas sem sofrimento e descidas com diversão! É aí que entra um mundo de possibilidades de configuração das bikes, levando às definições confusas. Em geral, nos EUA e Canadá, as bicicletas chamadas de trail são as que possuem menos curso de suspensão (até 140 mm), com uma configuração mais leve, favorecendo mais as subidas. O termo all mountain é usado para as bikes mais agressivas, acima de 140 mm de curso, mais robustas e que favorecem as descidas. Já na Europa, as bikes de all mountain são de uso mais leve, enquanto o termo enduro é usado para as bikes mais agressivas.
EVOLUÇÃO
O conceito de all mountain é antigo, mas nunca teve um apelo tão grande quanto hoje. A tecnologia sem dúvida ajudou muito. Antigamente, muita coisa era adaptada das bikes de XC e DH, formando as bikes “Frankenstein”, que não eram tão leves e duráveis quanto deveriam, ou não tinham geometria correta. Hoje em dia, existe uma versão all mountain para praticamente todas as peças de uma bicicleta. Isso faz com que o produto final seja uma bicicleta mais leve, mais forte e mais específica para o uso, uma bike totalmente diferente.
CARACTERÍSTICAS E CONFIGURAÇÕES
Mais importantes que qualquer definição são as características técnicas das bikes. Elas é que vão definir seu comportamento e você deve saber qual é a mais adequada para seu estilo de pilotagem. Veja as características mais importantes:
Suspensão: essas bikes possuem 120 mm a 180 mm no curso das suspensões. Quanto mais técnico o terreno e mais agressivo o estilo de pilotagem, maior o curso recomendado. Muitos modelos oferecem suspensões com trava, com mudança externa de curso e configurações para deixar o funcionamento mais rígido nas subidas ou trechos planos. Além disso, a opção de eixo de 15 mm pode deixar a suspensão dianteira mais rígida, sem aumentar tanto o peso e com mais variações de rodas leves, em relação a uma opção de 20 mm usada no downhill.
Geometria: fugindo também dos extremos, esse tipo de bike vai oferecer um meio termo para um bom desempenho tanto na subida quanto na descida e também no comportamento em maior e menor velocidade. Quem já tem conhecimento de geometria vai conseguir escolher alguns modelos que favorecem determinadas características. As opções atuais estão cada vez mais vastas e alguns quadros até oferecem possibilidades de mudanças nos ângulos. Um exemplo disso são as novas caixas de direção que permitem mudar o ângulo da suspensão em até 1.5 graus.
Quadros: está cada vez mais frequente o uso de tubos de direção cônicos ou de diâmetro 1.5". O benefício está na rigidez e na maior possibilidade de usar as caixas que permitem mudança no ângulo. Também são projetados para usar rotores de disco até 200 mm, algo que comprometeria um quadro de XC. Para completar, esses quadros já estão vindo preparados para acomodar os conduítes dos novos canotes de altura ajustável, inclusive para 2012 algumas marcas já estão oferecendo uma maneira de passar esses conduítes por dentro do quadro.
Pinhão de 36 dentes: novos cassetes com maior pinhão de 36 dentes surgiram inicialmente para facilitar o uso das bikes de rodas 29", que são maiores e precisam de maior força para aceleração inicial. Porém, acabaram sendo muito bem-vindos no all mountain, uma vez que as bicicletas são mais pesadas e os pilotos dessas bikes não são superatletas. Para os mais fortes, o pinhão de 36 também facilita a migração para pedivelas de duas ou apenas uma coroa.
Canotes ajustáveis: a possibilidade de subir e baixar o banco sem precisar desmontar da bike é uma novidade que já está se tornando item de série. Para saber mais, veja o artigo da página XXX.
Guia de corrente e proteção de coroa: as bikes de maior curso costumam usar duas coroas e são usadas de forma mais agressiva. Um guia faz com que a corrente não acabe “pulando” para dentro ou fora do quadro nas descidas mais técnicas e pode ser um item importante dependendo do curso e tecnologia de suspensão. Já a proteção da coroa é colocada onde estaria a coroa maior do pedivela e serve para proteger as coroas de impactos de pedras ou raízes. Muitas vezes esses dois itens são vendidos juntos.
A BIKE CERTA PARA VOCÊ
Como quase tudo no mundo das bikes, existe um mar de possibilidades de configurações. Porém, no all mountain é ainda maior! Mas uma coisa é certa: se você está começando no mountain biking, uma bicicleta desse tipo ou com essas características é a melhor opção. Se você já é experiente, procure saber mais detalhes das tecnologias específicas para descobrir o que fará mais diferença para seu estilo de pilotagem e terreno que você costuma andar. Uma bike desse tipo atende uma gama ampla de situações, mas se você pedala em estradas de terra lisa com a mesma frequência que pedala em trilhas com pedras grandes e saltos, algumas características precisarão ser comprometidas.
NO BRASIL
O brasileiro ainda está demorando a perceber o benefício das bikes de all mountain. Uma grande parcela de praticantes de MTB buscam os extremos do XC ou DH, mas no final pedalam o conceito all mountain. Quem não costuma participar de competições buscando melhorar cada vez mais os resultados, não vai se beneficiar em ter uma bike de XC ou DH. As fotos estão aí para provar: a bike que está voando nessa matéria subiu e desceu mais de 30 km de trilhas muito técnicas momentos antes... E sem precisar empurrar!
NO EXTERIOR
Fora do Brasil essas bikes já são as mais populares entre os praticantes de MTB. Temos sempre que lembrar de que, especialmente na Europa, temos montanhas muito maiores, terreno mais técnico e uma cultura de montanha de muitas décadas. Na região dos Alpes é cada vez mais comum ver ciclistas carregando uma mochila grande e montado em uma dessas bikes. Em travessias longas, onde se atrasar significa ficar no escuro em um montanha alta e fria, poder subir e descer mais rapidamente pode ser a diferença entre ir com uma dessas bikes mais divertidas ou precisar ir com bikes de cicloturismo e alforjes. Terminar um percurso técnico e longo em apenas um dia de forma divertida faz muita diferença!
Para completar, já começaram a ser organizadas até competições de all mountain, com múltiplas etapas e misturando bem o terreno, mas sempre com um foco no lado técnico.
Monumentos ambulantes à autonomia
Texto: André Geraldo Soares
Em todas as sociedades encontramos monumentos para homenagear pessoas, fatos ou valores considerados importantes. Estátuas, instalações, arcos e outras formas são erigidas aqui e ali visando transformar coisas reais ou inventadas em símbolos. Sejam oriundas de consagração popular ou, mais frequentemente, de ampla manipulação do nosso imaginário, as reproduções de heróis ou de farsantes são não raramente a única atração de nossas depredadas pracinhas. Sejam memoráveis obras de arte ou espantalhos disformes, os mortos monumentos demonstram nosso reconhecimento pela dedicação que alguns prestaram à democracia, mas também, no mais das vezes, consolidam a vitória de quem passa a vida lutando por prestígio, poder e dinheiro.
Mas em todas as sociedades também encontramos um tipo de monumento que, de tão carregado de significado, recusa-se a permanecer estático; de tão útil para todos, nega-se a ser peça exclusiva; de tão versátil, abunda-se em formas e cores mil. Sendo uma das ferramentas mais práticas já construídas e o veículo mais acessível já inventado, a bicicleta esbanja motivos para ser alçada à condição de ambulante monumento intercultural.
Monumento a quê? À ecologia? À economia? À saúde? À igualdade? A tudo isso, sem dúvida, mas existe um valor que unifica todos estes e que se torna a marca mais característica da bicicleta: a autonomia. Com suas bicicletas, as pessoas podem criar e usufruir de suas próprias (auto) regras (nomos) de deslocamento.
O ciclista pode escolher o momento melhor e mais conveniente para pedalar, pode realizar suas funções sem depender do horário dos ônibus, pode carregar uma grande variedade de objetos, pode decidir seu trajeto e encurtar distâncias. A mesma zica que leva para o trabalho, carrega o bebê para a creche e traz compras do supermercado. Com a bicicleta se pode visitar parentes, dar uma banda no final de tarde e, daqui para lá, parar em um monte de lugares. Fazer pequenas ou longas viagens para conhecer as ruas do seu bairro ou paisagens do país vizinho, aperfeiçoar ou recuperar o condicionamento físico, relaxar após um dia intenso e estressante ou liberar adrenalina na veia percorrendo trilhas são prazeres e afazeres propiciados pelo pedal.
A bicicleta permite a autonomia de mais pessoas do que as demais modalidades de transporte. A partir de tenra idade as crianças já podem ir à escola sozinhas – tchau van escolar – ou brincar na casa dos amiguinhos. E, em tempos de crise, o desempregado, o mal empregado e o empregador encontram na bicicleta uma aliada para pagar suas dívidas, economizar seus salários e aumentar seus lucros.
A bicicleta favorece a acessibilidade mais do que os demais veículos: pode-se empurrá-la sobre a calçada, carregá-la sobre obstáculos e guardá-la em qualquer cantinho para chegar bem ali onde você quer. Com os modelos dobráveis podemos dizer que é possível ir além do final da linha. E aqueles que têm medo de cair, pouco equilíbrio ou certas deficiências físicas podem usufruir da versão de três rodas, o triciclo, onde se pode adaptar um banco de passageiro ou uma grande cesta.
Bem, os defensores do ciclismo serão lembrados de que essa autonomia é comprometida pela periculosidade do trânsito – mas isso não seria consequência de um ordenamento que privilegia o automóvel em detrimento da igualdade? Os ciclistas ainda serão questionados sobre as agruras impostas pelas intempéries e pelo relevo – mas não é também para isso que se reivindica prioridade social ao transporte público com eficiente integração intermodal?
Assim, ao avistarem um ciclista no trânsito, podem estar certos de que não se trata apenas de uma pessoa sobre um conjunto mecânico, trata-se do condutor de um monumento. Seja por necessidade – muitas pessoas pedalam mais do que poderiam por falta de outros meios –, seja por vontade – muitas pessoas sentem-se bem agindo em nome da saúde, da sustentabilidade e da responsabilidade social –, os ciclistas estão fazendo uso do seu direito de ir e vir pelos seus próprios meios, mesmo cientes dos riscos aos quais estão expostos na maior parte das cidades populosas.
Bicicletada das Flores
Texto e fotos: Álvaro Perazzoli
No final de julho, centenas de ciclistas participaram de uma manifestação nas ruas de São Paulo para reivindicarem mais respeito aos ciclistas e mais amor à vida no trânsito da cidade
Através de uma lista de e-mails, cicloativistas promovem em São Paulo um encontro para reivindicarem o espaço da bicicleta na sociedade. A reunião se chama Bicicletada, ela concentrou, no dia 29 de julho, mais de 600 ciclistas na Praça do Ciclista para iniciarem uma ocupação momentânea das principais avenidas do centro velho e expandido da cidade.
O local é um minúsculo lugar incrustado no coração da mais importante avenida de São Paulo, a Av. Paulista. Ganhou este nome anos depois dos primeiros encontros da Bicicletada que ocorreram em 2003. Os ciclistas colocavam uma placa artesanal com o nome Praça do Ciclista enquanto a Prefeitura de São Paulo não reconhecia o nome e colocava uma identificação oficial.
Foto https://picasaweb.google.com/UrbanRidersBrasil/BicicletadaDeJulhoDe2011#5635566652410619618
A manifestação é autogestiva (organização sem líderes) e inspirada na Massa Crítica, onde ciclistas e modais não motorizados se unem para reivindicar o espaço urbano da bicicleta.
Use estas fotos (https://picasaweb.google.com/UrbanRidersBrasil/BicicletadaDeJulhoDe2011#5635561417133650066)
Os primeiros ciclistas chegaram às 18 h 30 min e a concentração durou até aproximadamente às 21 h. A pluralidade de estilos, variedade de bicicletas, diversidade de modalidades e pessoas de diversas faixas etárias são características do movimento que é formado por pessoas comuns, em grande maioria usuárias da bicicleta no dia a dia como forma de locomoção.
Houve até a presença de uma penny-farthing (um dos primeiros modelos de bicicletas da história). A bike foi uma das principais atrações e pertence ao músico Wilson Gomes. (essencial, colocar a foto da Penny e indicar com uma seta a ela ao nome penny-farthing) Use as duas fotos e https://picasaweb.google.com/UrbanRidersBrasil/BicicletadaDeJulhoDe2011#5635571130992454658 )
A bike repórter e cicloativista Renata Falzoni também esteve presente. Ela elogia o movimento e diz que em 2003 esse ato reunia pouco mais de 11 ciclistas. “Ver hoje essa quantidade de pessoas nas ruas é fantástico”.
(use esta https://picasaweb.google.com/UrbanRidersBrasil/BicicletadaDeJulhoDe2011#5635560986565203042)
“A Bicicletada é um movimento que tem uma grande diversidade de ideias. Esse pessoal tem muita garra, em alguns momentos ocorrem divergências ideológicas, mas no fim todos aqui estão unidos pela mesma causa, a bicicleta”, complementa Falzoni.
A bicicleta se difere dos demais veículos por ser um instrumento que ao mesmo tempo promove locomoção, esporte, sustentabilidade e lazer. Um protesto de ciclistas não poderia ser diferente, o ato é muito mais do que uma manifestação, é também um passeio, encontro e um ambiente para se conhecer novas pessoas e fazer amigos.
Luíza Callandra conta que tem uma dívida positiva com a bicicleta e por isso faz questão de participar da manifestação. “Muitas pessoas desse movimento me levaram e me ajudaram quando eu estava começando”.
“Participo deste ato não só para as minhas condições como ciclista e de todos que pedalam nesta cidade. É uma forma de retribuir a ajuda que tive quando comecei”, declara Luíza.
Em todo o trajeto, muita festa e diversão. O ato percorreu vias e locais importantes, como a Av. Paulista, Av. Liberdade, Praça da Sé, Av. Angélica, Dr. Arnaldo e foi finalizado no local onde ocorreu a concentração, a Praça do Ciclista.
Use estas fotos https://picasaweb.google.com/UrbanRidersBrasil/BicicletadaDeJulhoDe2011#5635568616755008242
https://picasaweb.google.com/UrbanRidersBrasil/BicicletadaDeJulhoDe2011#5635571542988703202
Para não dizer que não falei das flores
(esta foto não pode faltar, deixa ela grande e com esse tratamento por favor https://picasaweb.google.com/UrbanRidersBrasil/BicicletadaDeJulhoDe2011#5635633388715389042 )
Os cicloativistas compraram flores para distribuírem no trânsito e arrecadaram agasalhos e cobertores para doarem aos moradores de rua. Após a dispersão, um pequeno grupo saiu durante a madrugada para fazer a distribuição em alguns pontos da região central de São Paulo.
“Foi muito positivo, deu quase o dobro de agasalhos arrecadados em relação à última Bicicletada solidária”, relata a cicloativista Flávia Pires.
Domingos Gatti foi o ciclista que conduziu a bicicleta que puxou a carreta com os agasalhos durante todo o trajeto. De acordo com ele, o veículo de quase 3 metros e meio de comprimento pesava mais de 80 kilos.
“Nós somos a paz contra a violência, a flor contra o canhão”, afirma Gatti.
Alguns motoristas que estavam paralelos aos ciclistas nas vias receberam flores. Pedestres aplaudiam, condutores acenavam e buzinavam, aprovando a iniciativa. (essencial, Use esta foto https://picasaweb.google.com/UrbanRidersBrasil/BicicletadaDeJulhoDe2011#5635567838548586610 )
Mas nem tudo são flores. A Massa Crítica não tem controle, ela respeita as leis de trânsito, mas a preferência é exclusiva ao do pedestre e aos veículos não motorizados. Isso irritou muitos motoristas que buzinaram por terem que esperar mais tempo do que o habitual nos semáforos ou por terem que seguir no ritmo das bicicletas, já que as mesmas ocuparam todas as faixas de algumas avenidas. (use esta https://picasaweb.google.com/UrbanRidersBrasil/BicicletadaDeJulhoDe2011#5635568104256145298)
Houve alguns incidentes, como automóveis que tentaram ultrapassar a manifestação e um motorista de ônibus que avançou o sinal vermelho no momento que os ciclistas estavam passando. Mas com gentileza e civilidade, os ciclistas questionaram o ato de forma pacífica e tentaram entregar flores aos infratores.
(essencial, use esta foto https://picasaweb.google.com/UrbanRidersBrasil/BicicletadaDeJulhoDe2011#5635573026111084850
Contracultura em duas rodas
A Bicicletada é autogestiva, subversiva e tem características anárquicas. Mas assim como qualquer movimento ela tem um “cérebro”, ou no caso, vários “cérebros”. Eles se reúnem e discutem ideias através da internet e em encontros paralelos realizados sempre com bicicletas.
Use esta https://picasaweb.google.com/UrbanRidersBrasil/BicicletadaDeJulhoDe2011#5635573599625497490
Essas pessoas trouxeram para São Paulo uma contracultura que antes só era vista em cidades norte-americanas e europeias. Como, por exemplo, as fixed gears (bicicletas fixas) e o bike polo. O perfil geralmente é de jovens entre 22 a 35 anos com um alto nível sócio cultural em uma divisão bem homogênea de homens e mulheres.
Gente comum, muitos vieram de outras cidades e estados e em grande parte moram no centro da cidade e usam a bike até para irem em baladas. Não são arruaceiros! Na verdade, são pessoas que realmente vivem a bicicleta e fazem desta manifestação uma defesa ao direito de optar por um estilo de vida que não depende de motor, e prega a mobilidade livre e não opressora.
A Bicicletada ocorre em diversas cidades do Brasil, para saber mais acesse o site: www.bicicletada.org
Se der nessa parte faça um mosaico e coloque algumas destas fotos
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https://picasaweb.google.com/UrbanRidersBrasil/BicicletadaDeJulhoDe2011#5635575179724554098
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https://picasaweb.google.com/UrbanRidersBrasil/BicicletadaDeJulhoDe2011#5635564524991058018
https://picasaweb.google.com/UrbanRidersBrasil/BicicletadaDeJulhoDe2011#5635564995749012690
https://picasaweb.google.com/UrbanRidersBrasil/BicicletadaDeJulhoDe2011#5636646449432220850 (essa tb não pode faltar, é a mais linda, hehe)
https://picasaweb.google.com/UrbanRidersBrasil/BicicletadaDeJulhoDe2011#5635565327456528834
https://picasaweb.google.com/UrbanRidersBrasil/BicicletadaDeJulhoDe2011#5635565871156596914 (essa não pode faltar)
https://picasaweb.google.com/UrbanRidersBrasil/BicicletadaDeJulhoDe2011#5635565897102525346
https://picasaweb.google.com/UrbanRidersBrasil/BicicletadaDeJulhoDe2011#5635566952622958130
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BICICLETARIAS
É hora de tomar aquela decisão...
CHAMADA INICIAL: De bexiga cheia ou não, quando você, empreendedor, está à frente de sua bicicletaria, precisa tomar decisões o tempo todo.
Recentemente, a Association for Psychological Science publicou um estudo liderado por Mirjam Tuk, da Universidade de Twente, na Holanda, que afirma: as pessoas tomam decisões melhores quando estão com a bexiga cheia. É isso mesmo! No experimento, pesquisadores holandeses analisaram dois grupos de participantes: um que bebeu cinco xícaras de água, e outro que bebeu apenas alguns golinhos do líquido. Depois de 40 minutos – tempo médio que leva para que a bexiga fique cheia -, os pesquisadores testaram o autocontrole dos participantes. O resultado mostrou que quando precisamos nos controlar, tomamos decisões mais sábias.
De bexiga cheia ou não, quando você, empreendedor, está à frente de sua bicicletaria, precisa tomar decisões o tempo todo: que canais de marketing usar, que produtos oferecer, comprar a vista ou a prazo, aumentar ou diminuir o estoque, contratar mais funcionários, mudar o ponto... Seguindo alguns princípios e mudando alguns comportamentos, você irá tomar decisões mais acertadas, e verá sua bicicletaria crescer como sempre quis!
Emoção e Impulso
Quando tiver que tomar uma decisão, não se deixe levar pela emoção ou pelo impulso, pois na maioria das vezes elas estarão erradas e você vai se lamentar depois. Também não se entusiasme demais com falsos momentos de glória – mantenha o foco no objetivo principal, e analise friamente as emoções das outras pessoas. Lembre-se que suas decisões irão influenciar toda a sua bicicletaria, então pense nas consequências, e evite situações de retrabalho e desgastes nos relacionamentos. Lembre da bexiga cheia e pratique o autocontrole.
Tenha uma Visão Geral da Situação
Antes de tomar uma decisão, analise os prós, os contras e as pessoas envolvidas, e tenha em mente uma visão geral da situação. Nunca se deixe influenciar apenas por fofocas ou conversas de bastidores: avalie os fatos com realismo. Quando você toma uma decisão errada, torna-se prisioneiro dela, e pode levar muito tempo para retomar o caminho certo.
A decisão envolve todos na bicicletaria
A decisão é sua, mas acompanhe de perto o desenrolar dos fatos, e tenha certeza de que todos na bicicletaria tenham entendido e aplicado sua decisão. Leve em conta a opinião das pessoas envolvidas, esteja aberto a todas elas e ouça as sugestões. Depois de decidir, também comunique e deixe claro sua escolha; geralmente as pessoas ficam frustradas e perdidas quando o caminho não está nítido, o que leva a certo desrespeito com relação à decisão.
Imediatismo
Quando você toma uma decisão que contempla apenas o imediatismo, significa que não houve análise da situação real, e as chances de dar errado são grandes. As decisões sábias estão embasadas em resultados a médio e longo prazo. Mas isso não significa que você pode esperar muito: tomar decisões exige agilidade, e assim que você tiver todas as informações possíveis e necessárias, não deixe sua execução para amanhã.
Para ser um empreendedor de sucesso, e tomar as decisões que sua bicicletaria precisa para crescer, seja transparente com todos. Fazer escolhas exige sabedoria, integridade, humildade e ética – tenha sempre em mente essas qualidades, para que você nunca perca a oportunidade de aprender, caindo no erro da arrogância e do orgulho.
Venda Responsável
A confiança é a alma do negócio
Texto: Álvaro Perazzoli
Venda responsável nada mais é do que atender as necessidades dos clientes durante a compra de um determinado produto ou a execução de um serviço. É muito além de simplesmente vender ou atender o desejo de compra. É questionar o consumidor sobre em quais condições será o uso, ter a percepção profissional do biótipo e características do cliente e adequá-los ao que está sendo indicado ou solicitado.
Infelizmente, nem todas as lojas brasileiras adotam essa postura com seus consumidores. Os fatores para isso são, em grande maioria, medo de perder a venda, desinformação por parte do lojista e consumidor, despreparo profissional, desinteresse e falta de percepção comercial.
Carlos Henrique de Oliveira, o “Kiko”, é proprietário de uma loja de bicicletas especializada em Ciclismo Extremo, em São Paulo. O lojista explica sobre a existência de muitos comércios nesse segmento que se preocupam em atender com excelência seus clientes, independente do preço, porque são amantes e também praticantes do esporte, mas há lojistas sem conhecimento de causa, que direta ou indiretamente, prejudicam o ciclismo.
“Há lojistas que se dizem profundos conhecedores e nem ao menos andam de bike ou conhecem o funcionamento interno de amortecedores traseiros e suspensões. Visam somente o lucro e isso prejudica o crescimento do esporte”, declara Kiko.
O piloto gaúcho Mateus Alff conta que na cidade em que reside, Montenegro (RS), muitos vendedores e proprietários de lojas indicam suspensões, guidões, pedivelas e até quadros de passeios para serem usados em modalidades extremas, como downhill e freeride.
Isso não se restringe apenas ao mercado especializado. Por mais incrível que possa parecer, uma parcela significativa dos consumidores brasileiros não compra a bike por suas características tecnológicas e geometrias propícias a cada modalidade e corpo. Compram pela cor. É comum ver no mercado pessoas entrando em uma loja em busca de uma bike preta, vermelha ou rosa.
Uma cultura muito comum em lojas de departamento, tidas como as campeãs em reclamações de mal atendimento, produtos montados incorretamente, por exemplo. O motivo é que as lojas de departamento, em grande maioria, não possuem especialistas, mas sim vendedores, que em muitos casos atendem o setor de móveis, geladeira e fogões, eletrônicos e bicicletas.
Há uma grande cultura de que a bike é um brinquedo ou instrumento de lazer e as lojas de departamento, de certa forma, promovem isso vendendo bicicletas pelo preço e condições de pagamento e não pela qualidade. Motivo pelo qual a variedade de produtos é baixa e geralmente as marcas presentes possuem o tamanho do quadro padronizado em 18.
Jorge Himes Somers, ciclista e empresário do segmento de bicicletas, fala de forma indignada que muitas pessoas parecem ”adorar” ser enganadas e a maioria das lojas que fazem isso estão sempre lotadas.
“Qual loja não vende uma bike de tamanho errado só porque o cliente quer aquela e não uma correta? Qual loja fala que tem tratamento ecológico dos efluentes e depois joga tudo no ralo que vai para o esgoto mesmo?”, questiona Jorge.
Felipe Gonzáles Ramos, o “Bodi”, é piloto e gerente de uma bike shop em São Paulo. Segundo ele, a venda responsável é aquela que consegue interpretar o desejo do cliente, achar um produto que supra esse desejo dentro das suas condições de valores, qualidade e garantia.
“Adotamos uma linha de atendimento personalizado. Antes de qualquer venda, tentamos conversar com a pessoa e absorver o máximo possível da finalidade e necessidade do produto. O primeiro contato normalmente é um bate papo e depois uma pesquisa de mercado em busca dos produtos que a atendam”, comenta Felipe.
Confiança
Infelizmente há também vendedores muito bem informados que se aproveitam dos indivíduos leigos e ciclistas iniciantes para venderem algo muito mais caro do que realmente se precisa ou mesmo forçar a troca de uma peça que pode ser consertada de forma simples.
Um representante de uma importadora e distribuidora brasileira que não quis se identificar diz que há cada vez menos mecânicos no mercado de bicicletas e cada vez mais “trocadores de peças”.
O cicloativista Eduardo Mats conta que seu vizinho foi em uma loja para resolver um problema com o trocador de marchas e os vendedores alegaram que a peça foi aberta e a mola estava estragada, sendo necessária a troca.
“Venderam um conjunto de passadores novos para o coitado. Ele trouxe os velhos para casa e eu os abri. O problema era que o cabo do câmbio estava torto. Recoloquei na posição correta e voltou a funcionar”, fala Eduardo.
Mais importante do que a própria venda é a conquista do cliente e a fidelidade dele com a loja. O mercado de bicicletas é um setor relativamente pequeno onde todos se conhecem. Um consumidor mal atendido ou enganado nunca mais volta e faz com que a loja tenha um estigma negativo no mercado.
A maioria dos ciclistas está inserida em algum tipo de grupo de pedal. A visão positiva ou negativa de uma loja pode representar o ganho ou perda indireta de novos clientes para a loja. Com a internet, redes sociais e fóruns de discussões, esse número de consumidores indiretos aumenta significativamente e a imagem do comércio está constantemente em jogo.
“Assim como meus pais sempre fizeram com carro, aprendi a fazer com a bike. Encontro uma loja e mecânicos de confiança, e sou fiel a eles. Quase uma amizade mesmo”, declara o ciclista Renan Peneluppi.
A venda pela internet através de sites e-commerces na maioria dos casos não promove um contato direto com o vendedor. Nesse caso, a descrição do produto deve ter as especificações e orientações do uso do produto rigorosamente detalhados, em uma linguagem clara.
“É de extrema importância satisfazer o cliente. Ele, estando feliz com a compra, irá ter mais prazer em curtir suas pedaladas. Certamente não pensará que a loja só o vê como um cliente, mas sim como um amigo, onde poderá ir tirar dúvidas, se atualizar e sempre ter um produto que o atenda”, finaliza Felipe Gonzáles, gerente de uma bikeshop.
Uma loja organizada com descontos, brindes, promoções e uma variedade de mercadorias de nada vale sem um bom atendimento.
A venda responsável se pauta basicamente em conhecer o consumidor. Ser responsável é muito mais do que garantir a confiança e fidelidade do cliente.
Vender um produto incorreto e inadequado no mercado de bicicletas pode causar consequências desastrosas como a quebra do equipamento em uso, podendo acarretar lesões sérias, dores musculares, baixo desempenho, problemas de coluna e a insatisfação com a bike. A última é um dos motivos que mais fazem os iniciantes desistirem.
Antes de visitar uma loja que você não conhece a reputação, procure se informar com amigos, sites especializados, revistas, fóruns de discussões e redes sociais. Fique atento ao atendimento, entrega (se a compra for pela internet) e principalmente o pós-venda, ou seja, a postura da loja após a compra ou na solução de um problema de garantia. Se a busca for por serviços de mecânica, faça pelo menos três orçamentos antes de fechar.
Bike humor
Melhor vendedor do mundo!
O candidato a vendedor entrou numa loja de bicicletas e se apresentou ao patrão:
-Meu nome é Durval, e eu sou o maior vendedor do mundo! Por isso estou aqui me candidatando à vaga de vendedor.
-Então quer dizer que o senhor é o melhor vendedor do mundo, não é? Pois então tem dois dias para vender esta bicicleta aqui. Se conseguir vendê-la, o emprego é seu.
Durval pegou a bicicleta que, por sinal era bem velha e toda estragada. O guidão era torto, as rodas empenadas, não tinha freio, a pintura era só ferrugem e ainda por cima estava com os pneus carecas. E saiu para vendê-la.
Passados os dois dias, Durval volta trazendo a bicicleta nas costas. Frustrado, comenta com o patrão:
-Pegue sua bicicleta! Agora descobri que eu não sou o melhor vendedor do mundo. O melhor vendedor do mundo é o cara que conseguiu vender esta porcaria para o senhor!
O que é, o que é?
Pergunta
Porque é que um elefante não anda de bicicleta?
Resposta
Porque ele não tem polegar para tocar a campainha.
Bike, luz, câmera, ação!
Texto: Jair Xavier (JOTA)
Fotos: Divulgação
Uma das coisas que mais gostamos de fazer durante uma viagem ou um passeio de bicicleta é: registrar o momento para sempre, não só na memória, mas registrado para dividir aquele momento, aquela conquista com os amigos. É nesta hora que entram em ação as câmeras fotográficas.
Eu sempre carrego uma comigo. Além de fotografar, as câmeras digitais têm o poder de filmar. É aí que está a graça da coisa. Colocar ação naquele momento.
Nos últimos anos, tudo foi aprimorado, e hoje já temos poderosas filmadoras digitais de bolso. Eu tenho paixão por fotografia, sempre carrego uma câmera comigo. Mas no pedal, por questões de tamanho e medo de ser roubado, acabo deixando o equipamento pesado em casa.
As câmeras de bolso fazem parte do maior segmento de câmeras digitais puras, aquelas sem celular. São as famosas câmeras aponte – e - dispare, modelos de uso mais simples que tiram ótimas fotos com o menor esforço possível.
Ao contrário das DSLRs, que oferecem maior controle manual sobre a imagem e lentes intercambiáveis, as câmeras de bolso controlam, sozinhas, a velocidade do obturador, abertura, foco e a sensibilidade da imagem para obter a melhor foto possível, com o menor tamanho de equipamento.
Com centenas de modelos para escolher, decidir qual câmera cabe no seu orçamento, e atende as suas necessidades, pode não ser tão simples. O mercado traz várias opções de filmadoras digitais, além das tradicionais câmeras digitais, que também filmam.
Uma das novidades no mercado de filmagem em aventura são as câmeras Oregon, pequenas e de fácil manuseio. A câmera pode ser presa no capacete e até no guidão da bicicleta, permitindo que você grave seus passeios e prática de esportes radicais. Essa filmadora da Oregon é totalmente blindada, permitindo filmar até mesmo embaixo d’água. Ela registra seus vídeos em uma resolução VGA, possui saída de vídeo, memória interna que pode ser expandida com cartões SD.
Outra novidade nas filmagens de aventura são as modernas Go Pro, que filmam em HD, e trazem kits para ser acopladas em qualquer situação.
As Flips Vídeo são câmeras de fácil acesso a iniciantes, e já filmam em HD – a linha Webvideo da Sony, e a linha ZX da Kodak, por exemplo.
As câmeras digitais de bolso são de fácil manuseio, já possuem um programa de edição, e os vídeos podem ser facilmente descarregados no computador.
A Webbie HD parece um brinquedo. Nanica e colorida, esta belezinha da Sony é uma das apostas da marca. A resolução é de 5 megapixels, e ela filma em alta definição (1440x1080) com 30 frames por segundo, lente giratória e zoom digital de até 4X. Como o carinhoso nome derivado de “web” propõe, ela vem com softwares que dinamizam a conexão com sites como o Picasa e YouTube, enviando suas fotos e vídeos para os sites via USB.
Quando carregada, ela promete filmar até oito horas e meia de vídeos em HD e/ou fotos. A capacidade dela é de 16 GB, que podem ser expandidos com cartões de memória.
A câmera de bolso Zx1 da Kodak, com capacidade de gravar vídeos em alta resolução, vem com display LCD de 2.4″, captura vídeo (720P) em 60 ou 30 fps, software incorporado que facilita a edição e o compartilhamento dos vídeos, cabo HDMI e controle remoto opcional. A câmera tem saída HDMI e já vem com o cabo.
A Flip fez um upgrade em sua câmera Mino HD. A minicâmera, agora chamada de Mino HD Second Generation, continua fazendo filmes em alta definição, porém agora possui 8 GB de espaço para armazenamento dos arquivos. Sua tela de LCD também recebeu upgrade, pois agora tem 2". A mini filmadora de bolso tem saída HDMI, mas não vem de fábrica com o cabo (mancada!). Seus controles são simples e objetivos, sem muita frescura. O Mini HD Second Generation pode gravar até duas horas de vídeo em 720p.
Se você está na dúvida de qual câmera comprar, aqui vão algumas dicas antes da escolha:
Pesquise, leia análises e não se deixe levar apenas pela marca do equipamento.
Mais megapixels não significam necessariamente fotos melhores.
Não menospreze a tela. É importante conseguir o melhor LCD que você puder encontrar. Para as câmeras de bolso, o tamanho do LCD varia de 2.5 a 3.5 polegadas.
Se puder, teste a câmera antes de comprar para ver se os controles e as cores da tela agradam.
Procure vídeos em alta definição. Além de fotografias, a maioria das câmeras podem filmar vídeos. Câmeras que filmam em alta definição estão se tornando cada vez mais populares e abundantes. Além de fazer grande diferença na qualidade final do vídeo, os sites de compartilhamento de vídeos (como o youtube) já suportam resoluções maiores. Essas câmeras normalmente contam com um cabo HDMI, que permite ligar a câmera diretamente em uma televisão, com a maior qualidade disponível.
Economize comprando a melhor câmera do ano passado. Enquanto as inovações nas câmeras avançam em passos rápidos, como acontece com computadores e celulares, elas têm uma vida útil muito maior. Se uma câmera tirava ótimas fotos ano passado, continuará tirando ótimas fotos hoje. Você pode não ter os recursos mais recentes, mas a qualidade continuará lá. Os preços dessas câmeras caem bastante quando as novas versões são anunciadas, e você pode economizar muito!
Agora é só pedalar, gravar todas as suas aventuras e compartilhar com os amigos.
Cair faz parte
Texto: Cláudia Franco
DESTACAR: O lado oposto do medo e da insegurança é exatamente o excesso de confiança e a negligência.
A grande maioria das mulheres que fazem o curso de mountain biking com o Ciclofemini dizem que o maior medo é de cair.
Andar de bicicleta exige certa destreza e bastante equilíbrio. Toda pessoa é capaz de andar de bicicleta e adquirir a destreza necessária a partir do momento que fizer da prática uma constante. Ou seja, quanto mais pedalar, mais equilíbrio, mais destreza vai se obtendo: é um processo evolutivo.
O mais importante é alinhar as expectativas. Saber que a dificuldade inicial deixará de existir dali a algum tempo, principalmente se houver persistência e dedicação.
Na prática do mountain biking, a queda é inexorável. Não existe nenhum ciclista que não tenha levado um tombo, do menos ao mais experiente, todos já caíram.
O mountain biking é praticado em terrenos irregulares de diversos tipos, com mato, areia, terra batida, terra fofa, pedra, brita, lama, água. Portanto, as chances de queda existem e com elas vêm as manchas roxas, arranhados, esfolados, corte e até problemas mais sérios, como possíveis fraturas.
Desanimador? Claro que não! O mountain biking trás tantos benefícios físicos e emocionais que a queda faz parte do cenário e conseguir completar uma trilha sem cair torna-se um divertido desafio.
Quando comecei a praticar mountain biking levei muitos tombos. Foram tantas as quedas que eu dizia que o meu esporte predileto era cair e, em segundo lugar, vinha o mountain biking.
Sendo muito honesta eu caia por qualquer motivo, o primeiro deles era a insegurança. Qualquer movimento em falso da bicicleta que representasse uma pequena ameaça eu apertava as alavancas de freio com força máxima e o resultado era a queda. Já com quase dois anos de prática, percebi que os responsáveis pela grande maioria das quedas não eram os terrenos irregulares das montanhas e sim:
A insegurança e o medo são fatores bloqueadores. Quando tomada de medo ou insegurança, a pessoa não consegue raciocinar corretamente e também não consegue fazer os movimentos corretos, tudo trava e com isto o risco da queda torna-se maior. Para perder o medo e ter mais segurança é necessário praticar. A prática vai lhe trazer a autoconfiança.
Além disto, se for possível, procure participar de cursos e clínicas. Nestes cursos, você vai adquirir conhecimento a respeito da sua bicicleta e também conhecimento das técnicas do mountain biking. O principal objetivo de um curso é entregar ao aluno as técnicas adequadas para que ele sinta-se seguro ao realizar um percurso ou uma manobra mais arriscada. Saber a hora correta de frear, qual freio utilizar, se será o traseiro ou o dianteiro. Como trocar a marcha corretamente de forma que a corrente não saia do conjunto coroa e cassete. Técnicas e exercícios de equilíbrio. Tudo isto pode ser aprendido em um curso. O aprendizado obtido em um curso certamente lhe dará mais segurança.
A Bicicleta é sua amiga. Você e ela formam um conjunto harmonioso. A bicicleta é a extensão do seu corpo, portanto, não tente dominá-la. A bicicleta é para ser entendida e respeitada.
A bicicleta de mountain biking é um veículo que foi concebido para andar sobre os terrenos mais inóspitos possíveis. Ela está preparada para suportar grandes impactos. Obviamente, existem diferenças de qualidade nos quadros, suspensão dianteira e traseira, freios, enfim, o conjunto como um todo. A grande diferença entre as diversas marcas existentes é a durabilidade, estabilidade e a qualidade dos componentes em geral, que irão proporcionar mais ou menos conforto ao ciclista.
Eu tinha muito medo das descidas e principalmente daquelas que tinham muitos buracos ou pedras. A minha reação era sempre frear bruscamente diante do obstáculo e a consequência eram as quedas.
Hoje, já sei que a bicicleta está preparada para passar sem nenhuma dificuldade sobre estes obstáculos. Portanto, a partir do momento que entendi isto, deixei de querer controlar a bicicleta simplesmente deixando que a minha magrelinha fizesse o seu percurso livremente. A suspensão e a geometria da bicicleta de mountain biking são preparadas exatamente para passar por cima destes obstáculos. Apenas use o movimento correto do seu corpo para ficar em harmonia com a magrela.
O lado oposto do medo e da insegurança é exatamente o excesso de confiança e a negligência. A medida que sua autoconfiança cresce, e a bicicleta passa a ser a extensão do seu corpo, existe uma tendência de nos tornamos autoconfiantes demais e até negligentes.
Não há nada mais delicioso que descer um ladeira à 60 km/h. O vento na cara, a velocidade, a adrenalina, o prazer de estar em sintonia com a bicicleta tornando-se um único elemento, o coração disparado e a sensação de poder, de domínio. Tudo isto é muito lindo, mas certamente a chances de quedas e acidentes serão proporcionais.
Depois de superar a fase do medo, deixei de cair. Mais recentemente percebi que comecei a cair novamente. E sem dúvida alguma todas as minhas quedas foram causadas pela negligência e pelo excesso de confiança. Sempre filmo e fotografo as trilhas, os passeios e os cursos que ministro. Com o aumento da minha segurança, técnica e habilidades, passei a conduzir a bicicleta com uma mão no guidão e na outra vou segurando a filmadora e/ou a máquina fotográfica. Troco de mão, faço tomadas de diversos ângulos, me abaixo sobre a bike, e o tempo todo pedalando. Qual o resultado disto? A queda. Todas as quedas recentes foram por pura negligência e autoconfiança.
Conheça a si próprio. Não superestime suas habilidades, elas podem lhe causar joelhos roxos e pernas arranhadas.
Risco controlado. Seja em que estágio estiver é importante saber que o mountain biking é um esporte de risco, mas que pode ser controlado ao passo que dominar as técnicas e conhecer os limites da sua companheira, a bicicleta, e também os seus próprios limites.
Custo x Benefício. Apesar das manchas roxas e marcas de aranhados, o mountain biking me trouxe muito mais benefícios. Meu corpo está muito melhor do que era antes, como também minha saúde física e mental. Outro benefício incomensurável é o círculo de amizades. Nunca, na minha vida toda, tive tantos amigos como agora. Os praticantes do mountain biking formam uma comunidade forte, unida, solidária e harmoniosa. Todos se respeitam, não importando o nível intelectual, financeiro, credo ou cor. No mountain biking somos todos iguais.
Maria Alice Frontini, 46 anos, executiva do segmento de informática, praticante de mountain biking há apenas três meses, disse que participar de um curso de mountain biking deu a ela o suporte necessário para experimentar algo novo que queria fazer, mas que não se sentia preparada.
“A cada experiência foi possível perceber que aprendi, que evolui dentro dos meus limites e do meu ritmo, o que me motivou a ir em frente. Se eu tivesse tentado sem esse suporte eu iria me paralisar com o medo e possivelmente me machucar e abandonar. O comentário geral é que não é necessário fazer curso para andar de bicicleta, basta pedalar. Mas não é verdade, há técnica. Dominando a técnica, o pedal será mais prazeroso e seguro. Outro aspecto importante foi engajar-me a um grupo com desafios e motivações semelhantes, para ter as oportunidades de experimentar e aprender de uma forma lúdica”, finaliza Maria Alice.
Rubens Donizete e Érika Gramiscelli são campeões Brasileiros 2011
A vitória dos dois atletas da categoria elite definiu os pilotos que vão disputar o Pan-americano no México
Caconde, cidade interiorana de São Paulo, que fica próxima da divisa com Minas Gerais e a 290 km de São Paulo, sediou, no dia 17 de julho, o Campeonato Brasileiro de Mountain Bike XC. A competição de etapa única e com 17 categorias foi promovida pela Confederação Brasileira de Ciclismo e organizada pelo Sampa Bikers.
Foi uma das competições mais aguardadas e comentadas da temporada, pois o resultado definiria os atletas da Elite Masculina e Feminina de MTB XC que disputarão, em outubro deste ano, o Pan-americano, em Guadalajara, México.
A prova ocorreu no entorno da bela Represa de Caconde, situada no Parque da Prainha. O clima agradável e o céu azul não amenizaram as dificuldades da pista, desenhada por Eduardo Ramirez, que contava com 60% de single track e aproximadamente 5 km de extensão.
“O evento foi emocionante. Acabei me envolvendo com tudo, pois além de técnico da seleção brasileira, também construí a pista. Os atletas conseguiram a pontuação para o Pan-americano do México e a decisão foi aqui”, conta Eduardo Ramires, técnico da delegação brasileira de MTB XC.
As descidas técnicas, o terreno arenoso e sem aderência em alguns trechos proporcionaram diversas quedas. Uma pista com aproximadamente 5,3 km e seis voltas, difícil e bem veloz, que valorizou os bikers mais técnicos e habilidosos.
“Estou bem satisfeito com o resultado da prova, pois há sete anos estamos pleiteando realizar o brasileiro. Modéstia a parte, este circuito de Caconde está bom para caramba”, disse Paulo de Tarso, o “Paulinho” do Sampa Bikers.
Elite Masculina
A largada da Elite estava programada para o meio-dia. A tensão era visível entre os atletas, em especial em Edivando da Souza Cruz, Daniel Carneiro, Rubens Donizete e Thiago Aroeira. Qualquer desses pilotos que chegassem entre as duas primeiras posições tinha chances de conquistar uma das duas vagas para o Pan do México.
Ao sinal da largada, os atletas saíram em disparada, lembrando a imagem de um campeonato de motocross, tamanho foi a poeira que levantaram nas arrancadas para conseguirem as melhores posições já na primeira volta.
Rubinho liderou a prova desde o começo, com Vando na sua cola. O pega dos pilotos eletrizava o público a cada passagem nos trechos mais técnicos e lembravam as provas de downhill, em razão da dificuldade e inclinação das descidas.
Rubens Donizete e Edivando da Souza Cruz seguiram em primeiro e segundo até a última volta, com diferenças de aproximadamente 10 segundos entre um e outro. Na volta final, Rubinho deu seu máximo e venceu com o tempo de 1 h 33 min 41 s. Vando também fez uma grande prova e chegou em seguida com 1 h 34 min 51 s. Thiago, que largou mal e fez uma excelente corrida de recuperação, ficou em terceiro, o que garantiu que sua equipe tivesse dois atletas no pódio.
“Estou muito feliz com o título de campeão brasileiro 2011, são três anos buscando. Este tem um sabor especial por ter me garantido uma das vagas para os Jogos Pan-americanos”, comentou Rubens Donizete em sua página do Facebook.
Além de ser campeão da prova, Rubinho também ganhou um prêmio bônus, no valor de R$ 1.300,00 e um ciclocomputador GPS de um dos patrocinadores do evento por ter feito a volta mais rápida da prova, 15 min 01 s.
Elite Feminina
As mulheres largaram alguns minutos após os homens. Na disputa estavam feras como Érika Gramiscelli, Roberta Stopa e Julyana Machado.
“Espero ficar entre as três primeiras, mas vou fazer de tudo para ganhar, pois esse é um título que ainda não tenho”, declarou Julyana, que é tricampeã brasileira de maratona, mas ainda não tem nenhum título como campeã brasileira no XC, antes da prova.
Assim como no masculino, a pontuação da Elite Feminina também estava embolada. Tanto Gramiscelli, quanto Roberta Stopa estavam com 100 pontos. A vitória definiria a atleta que iria para o Pan.
Érika dominou a prova de ponta a ponta e nas partes mais técnicas da pista a sua habilidade deixava muito marmanjo para trás. A atleta terminou a prova com mais de quatro minutos a frente da segunda colocada, Roberta Stopa. Julyana ficou com a terceira colocação.
Rubens Donizete, Edivando da Souza Cruz e Érika Gramiscelli serão os pilotos que defenderão o Brasil em outubro, no Pan-americano de Guadalajara, México.
Dopping
Recentemente, a CBC e alguns atletas fizeram parte de um escândalo denunciado por uma emissora de TV a cabo. No dia da competição estava presente uma comissão anti-doping na prova para garantir que os resultados fossem pelos méritos dos atletas e não por substâncias ilícitas.
Ilton Moreira Gonçalves foi um dos agentes responsáveis por recolher amostras de sangue dos atletas para serem levados até um laboratório responsável pelo exame. Ele explica que a definição de quem irá fazer o exame é pré-determinada pela comissão de prova de acordo com a posição de pódio.
Segundo Ilton, após o atleta ser notificado, é conduzido até a sala de procedimento onde são recolhidas amostras e coletados os dados pessoais de cada competidor.
“É um processo simples e procuramos deixar os pilotos à vontade. O objetivo é que o campeão seja realmente o verdadeiro campeão”, relata o agente que pertence a uma empresa contratada pela organização.
Nenhum dos atletas foi pego no exame anti-doping desta prova, mostrando que cada competidor venceu por seus próprios méritos.
Elite Masculina
1 - Rubens Donizete Valeriano - (Merida / Fox Racing / TMP) - 1 h 33 min 41 s
2 – Edivando da Souza Cruz - - (Scott / Fittipaldi) 1 h 34 min 01 s
3 – Thiago Aroeira - (Merida / Fox Racing / TMP) - 1 h 34 min 51 s
Elite Feminina
1 - Érika Fernanda Gramiscelli - (São Francisco Saúde / Ribeirão Preto) - 1 h 40 min 10 s
2 - Roberta Kelly Stopa - (Specialized / Mob / BR Esportes) - 1 h 44 min 23 s
3 - Julyana Machado Rodrigues - (Miroir / Soul Cycles / Taschibra / Proimport / UDF) - 1 h 47 min 53 s
Fotos:
7329
7338
7382
7167 – o lugar
7183 – a prova
7440 – ilustrando as quedas
7545 – paulinho, organizador
7574 – rubinho (grande)
7606 – vando
7625 – vando, edu ramirez e rubinho
7632 – erica (grande)
7652 – pólio elite masculina
7692 – pódio feminina
7724 – os dois campeões
7683 - edu
CANOTES AJUSTÁVEIS
Texto: Pedro Cury
Os canotes de altura ajustável são a nova onda do momento, especialmente nas bikes de All Mountain.
Canotes ajustáveis começaram a surgir no final de 2008 e agora estão se tornando cada vez mais populares e até equipamento de série de algumas bikes montadas. Com a popularização do All Mountain, a possibilidade de baixar e subir o banco sem precisar desmontar da bicicleta se torna algo muito bem-vindo, especialmente pela facilidade dessas bicicletas encararem terrenos muito técnicos, onde ter o banco baixo se torna mais seguro e divertido. Já no plano e nas subidas, ter o banco alto é essencial para o rendimento da pedalada e para evitar problemas nos joelhos.
Além de tudo isso, os canotes ajustáveis se tornam uma solução para quadros em que o tubo do selim não é contínuo por conta da suspensão traseira, nos quais não é possível abaixar o banco.
Nesse ano, também houve uma surpresa no uso desses canotes: pilotos da elite do downhill mundial, como Gee Atherton, Steve Peat e Aaron Gwin competiram com o canote na primeira etapa da Copa do Mundo, sendo esse último piloto o vencedor da etapa. O canote nesse caso deu a vantagem de "sprintar" sentado com o banco alto em alguns trechos da pista.
O único problema desses canotes por enquanto é o peso, que em todos os casos ultrapassa os 500 g, o que é o dobro de um canote leve. Porém, é um peso estático, pois não está em partes móveis, como pedivela e rodas, e quem experimenta não volta atrás!
A oferta de marcas ainda não é tão grande, mas já existem opções que se adaptam à maioria dos quadros.
No mercado brasileiro:
ROCK SHOX REVERB
Curso: 125 mm
Trava remota
Diâmetros: 30.9 mm ou 31.6 mm
Peso: 535 g
Preço: R$ 1199
Proparts.com.br
X-FUSION HILO
Curso: 100 mm
Diâmetros: 27.2 mm , 30.9 mm e 31.6 mm.
Trava remota ou no canote
Peso: 648 g
Preço: R$ 750
Scitex.com.br
KIND SHOCK I950
Curso: 125 mm
Diâmetros: 31.6 mm
Trava no canote
Peso: 525 g
Preço: R$ 925
Calypsonet.com.br
CRANKBROTHERS JOPLIN 4r
Curso: 100 mm
Diâmetros: 30.9 mm e 31.6 mm.
Trava remota
Peso: 590 g
Preço: R$ 859
RoyalPro.com.br
Rochas
Texto e fotos: José Adal
Uma antiga cantiga de roda, dizia:
“Se esta rua fosse minha,
Eu mandava ladrilhar
Com pedrinhas e brilhantes
Para ver meu bem passar”.
Pois é, Alguém que nos quer bem calçou com granitos e mármores os caminhos que passamos acelerados com nossas bikes, e nem nos damos conta. O ciclismo é uma atividade que se distingue dos outros esportes porque nos coloca no meio da natureza e se soubermos ver a diversidade do calçamento dos caminhos pelos quais passamos e compreender um pouco como foram feitos, nosso passeio se torna muito mais feliz.
Geologia é a ciência maravilhosa que abre nossos olhos para ver estas belezas sob nossos pneus.
- Ora, estudar pedras! Francamente Zé, você está pirando!
Não, escuta só. O chão em que pisamos, a crosta da Terra, é denominada de Litosfera pelos geólogos. Ela é composta de sedimentos e rochas. Tudo veio do endurecimento do manto que cobre o núcleo líquido e quentíssimo de nosso planeta.
Com o frio do universo criou-se o manto que solidificou.
- Até aí tudo bem. Mas de onde vem a terra, o barro e a argila?
Tudo isto foi rocha que se desgastou com o calor, o frio, o vento e a chuva. Esses grãos pequenos propiciam os meios de guardar os elementos dos corpos vivos que se decompõem com a morte, e se tornam fonte de vida para as plantas, são sedimentos. Tudo está sempre em movimento, como vemos quando pedalamos logo após grandes trombas d’água. Os morros vão sendo nivelados.
- E as serras que a gente sobe botando a língua pra fora?
São Batólitos quando a cadeia de serras tem mais de 100 km de extensão, e Stock quando são menores. Elas são formadas por vulcanismo, quando o magma atravessa rachaduras na crosta e chega à superfície ou pouco abaixo dela. Mas também surgem quando placas tectônicas se separam bruscamente dividindo um supercontinente ou quando, ao contrário, chocam-se com violência. Quando se despem dos sedimentos e aparecem são imponentes e fazem o ciclista parar admirado.
- Mas e quando a gente passa correndo? Nem dá pra ver?
Dá, se você conhecer alguma coisa sobre geologia. Seus sentidos avisados darão o alarme. Esses dias, vinha descendo o Morro Grande, entre Vila da Fumaça e Quatis, aqui no estado do Rio de Janeiro, a uns 50 km/h, quando vi e na hora freei a bike tirando esta bela foto deste afloramento – quando a rocha aparece. E esta mostrava torções do choque que juntou a África com a América no supercontinente Pangeia, há milhões de anos.
Assim, quando você em sua bike estiver no pé de uma serra se preparando mentalmente para a subida por uma trilha difícil e muito inclinada, pense que este grande desafio foi preparado para você usando tremendas forças naturais.
E agradeça pela subida.
Pacote para viagem
Texto: Antonio Olinto
Uma das facetas de uma grande viagem de bicicleta que menos me agrada é desmontar a bike para despachar em algum tipo de transporte coletivo. Se estiver começando a viagem, ainda estou empolgado e esqueço o quanto fico contrariado, mas na volta esta atividade parece uma punição por não estar pedalando.
Minha filosofia é que bicicleta foi feita para pedalar e me levar aos lugares, e não para ser levada por outro veículo. Mesmo assim, com frequência utilizo transporte coletivo para me levar às regiões onde pretendo começar a pedalar.
Muitos são adeptos da utilização dos chamados mala-bikes, especialmente fabricados para transportar bicicleta. Alguns deles, os que realmente prendem as partes da bike e tem alguma estrutura para protegê-las, podem ser eficientes, entretanto, ao chegar no destino se transformam em um peso morto. A solução é despachar o mala-bike por “posta restante” e retirar no local de término da viagem. Quem começa e termina a viagem em um mesmo ponto pode pedir para o dono do hotel em que ficou hospedado guardar o mala-bike até seu retorno. Existem mala-bikes com volume reduzido que podem ser carregados pelo cicloturista em uma viagem pequena, mas mesmo com pouco volume, ainda tem peso inútil.
Mesmo que você é um adepto incondicional de seu mala-bike e que não vê nenhum problema nisto, um dia você resolve enviar seu mala-bike pelo correio ao destino de sua viagem, mas por uma infelicidade ele não chega. O que fazer? A única solução é resgatar aquele MacGyver que tem dentro de você e empacotar sua bike da melhor maneira possível.
Nunca utilizei um mala-bike e nunca tive muita dó de minha bicicleta, mas nem por isso deixei de depender dela, ou seja, apesar de não me preocupar com arranhões, não poderia me dar ao luxo de deixar quebrar algo, pois geralmente monto a bicicleta no aeroporto (ou rodoviária) e saio pedalando. Felizmente, nunca tive problemas, excetuando-se uma vez quando cheguei em Nova Deli (Índia) e percebi que haviam roubado a porca do engate rápido do eixo traseiro (é impressionante como os indianos gostam de coisas que brilham!). Não sei o que fariam com isto, mas uma arruela e uma porca comum deram jeito no problema.
Vou utilizar como exemplo nossa recente viagem para o Peru. A ideia era começar a pedalar em Lima e terminar na Bolívia, ou seja, sem chances para um mala-bike, uma viagem sem destino exato e com muitas dificuldades, grandes altitudes e baixas temperaturas, onde cada espaço e peso na bike deve ser utilizado com coisas realmente vitais. Talvez, se minha bolsa de guidão fosse igual à bolsa da Hermione (sim, aquela “amiga” do Harry Potter que tem uma bolsinha que cabe até uma barraca dentro), poderia guardar lá dentro o mala-bike até meu destino.
Aproveitei a casa dos meus cunhados Ana e Adriano para empacotar tudo, pois eles nos levariam até o aeroporto. Existem várias formas de empacotar a bicicleta, gostaria de comentar os princípios básicos desta operação:
A ideia é, com pouco esforço, diminuir ao máximo o volume da bicicleta, transformando este veículo fenomenal em um pacote homogêneo, sem partes pontiagudas, assegurando a integridade do equipamento e de quem o transporta.
Não se iluda com as recepcionistas nos aeroportos, por mais que você escreva “frágil” no pacote, geralmente os volumes são tratados mais ou menos como o boneco de Judas em dia de finados. O pacote deve ser bem feito para que você possa utilizar sua bicicleta para sair do aeroporto.
Vamos lá:
- Retirar os pedais e o selim (macete, se for fazer esta operação em um aeroporto, verifique, ainda na cidade, se o parafuso não está emperrado. Talvez sua pequena chave 15 não dê conta do recado. Para retirar os pedais, gire a chave no sentido contrário de uma pedalada e para apertar gire no sentido da pedalada. Lembre-se disto e nuca vai errar qual pedal tem rosca invertida). (foto1)
- Recoloque os pedais voltados para dentro.
- Retirar o “macaquinho” da gancheira. Não se preocupe, esta operação não vai afetar a regulagem do câmbio (antigamente a gancheira fazia parte do quadro, atualmente é feita de material mais delicado para romper mais facilmente, protegendo o quadro e o “macaquinho” em um acidente). (foto2)
- Retirar os parafusos da parte inferior do bagageiro que o prendem ao quadro. (foto 4)
- Soltar os parafusos da “mesa” (peça que liga o guidão ao quadro) e reinstalá-la de forma que o guidão fique para baixo e em linha com o garfo, diminuindo o volume na altura e na lateral.
Até aqui todo o procedimento pode ser feito com a bicicleta no descanso. (foto3)
- Retirar as rodas. (foto5)
Pronto, já está tudo desmontado. Agora é só prender:
- O banco pode ser colocado em baixo do bagageiro ou logo acima, como na foto. Neste caso, aproveitei para baixar o bagageiro, diminuindo volume. (foto6)
- As rodas ficam uma de cada lado do quadro com as catracas para dentro. Faça isto de forma que as rodas fiquem deslocadas para trás e abertas na parte que tocam o chão, pois junto com o garfo serão os três pontos de sustentação do pacote no chão e terão que estar equilibrados para ficar de pé. Há quem coloque rolos de papel higiênico ou papelão para proteger do atrito do aro no quadro.
É obrigatório murchar os pneus para viajar de avião, mas deixe neles uma boa quantidade de ar, pois isto vai facilitar para reencher no destino e manterá tensionada as amarras, além de amortecer alguns choques.
- O “macaquinho” com a corrente ficam presos na parte interna onde ficava a roda, sobrando espaço para colocar caramanholas ou alguma outra coisa que desejar. (foto5)
- Tudo isto deve ser bem fixado com cinta plástica (também conhecida como “engasga gato”). Nada pode mover: o conjunto deve ficar rígido. (foto5)
Depois é só empacotar com plástico (que pode ser de saco de lixo) e/ou papelão, atando com fita adesiva. (embalando 1-2-3)
Por último, costumo fazer uma alça com uma fita ou cordão qualquer presa em dois pontos do quadro para poder carregar a bicicleta no ombro. (embalando 4) O importante é que o cicloturista possa carregar sozinho todo seu equipamento de uma única vez e ainda ter uma mão livre (embalando 5).
Assim como outros colegas utilizando outros sistemas, nunca tive problemas nem com o equipamento, tampouco fui constrangido a pagar excesso de bagagem, pois o pacote fica com o comprimento do quadro mais meio guidão.
Todo o material utilizado para empacotar será descartado no local de chegada, sem gastar energia com o envio de encomendas ou carregando peso morto. O bom é que todo este material é fácil de ser encontrado, barato ou grátis.
Os mais ecológicos podem perguntar: Olinto, e o lixo gerado? Nós procuramos sempre reaproveitar o material utilizado na embalagem. Quando utilizamos papelão, pegamos uma caixa descartada em um mercado. Por outro lado, materiais mais nobres podem ser utilizados na própria viagem. Quando pedalamos de Bariloche à Terra do Fogo, compramos um plástico para embrulhar as bikes e reutilizamos para forrar o chão, protegendo o assoalho da barraca. No final da viagem, reutilizamos novamente o plástico para embalar uma das bicicletas na volta para casa: até o Planeta agradece.
USAR FOTOS DO BANCO DE IMAGENS
Condicionamento físico e mental
Texto: Marcelo Sarmento
Há alguns anos um amigo fez um grande regime. Entrou em uma academia dedicando parte das manhãs entre esteira e aparelhos de todos os tipos. Dividia uma sala no departamento técnico de uma multinacional e resolvera se dedicar aos exercícios, depois do término de um namoro de muitos anos. Precisava estar em forma, costumava dizer, afinal, voltara a ser solteiro. Alimentava-se a cada três horas e aprendeu a fazer saladas deliciosas. Nunca se sentia cansado e sua mente parecia estar sempre a mil. Orgulhava-se de seu novo corpo.
Alguns anos antes de provar esta nova e prazerosa fase, sucumbiu sua vida a uma rotina desgastante, dedicando horas a mais ao trabalho, deixando a academia em segundo plano. Em um determinado mês de agosto, pagou sem ir um único dia. Matriculado em um curso à distância e com aulas de inglês duas vezes por semana, às vezes tinha a sensação de estar integrado a um grande computador, procurando o “Ctrl z“ no volante quando percebia que errara a rua. Sua namorada pedira um tempo no relacionamento alegando que as coisas tinham mudado muito entre eles e o refrigerante passou a integrar definitivamente o café da manhã, acompanhado da pizza com queijo saturado da noite anterior.
Um dia ele resolveu dar a volta por cima. Divulgou correr duas vezes por semana, mas foi aconselhado pelo médico a fazer um regime antes de qualquer atividade física. No estado em que estava, exercícios poderiam significar mais uma sentença de morte do que saúde ou vida. Mas ele não desistiu, superou as primeiras fases de dores no corpo, a fome e a ansiedade de esperar algum resultado positivo. Agora, tudo isso já faz parte do passado. Já não sente mais fome de tudo e as dores não o incomodam mais.
Definitivamente, iniciar alguma atividade física não é nada fácil. Primeiro porque o excesso de atividades que nos propomos a cumprir diariamente faz com que o tempo vá se dissolvendo durante o dia sem percebermos, assim como açúcar em um copo de água.
Todos nós sabemos pelo menos um pouco dos benefícios que uma atividade física pode proporcionar. Prazer, bem-estar psicológico, melhoria de humor e da qualidade do sono, diminuição da ansiedade, das tensões, da depressão e raiva, aumento do vigor, da força física e da autoestima... E a lista não para.
Mas todos estes benefícios são causados pela “prática” de exercícios, ou seja, você precisa praticar, precisa fazer alguma coisa diariamente para começar a sentir estes benefícios.
Assim como disse a flor ao pequeno príncipe: “É preciso que eu suporte duas ou três larvas se quiser conhecer as borboletas”. Esta fase inicial de adaptação talvez seja uma das mais difíceis, principalmente porque ainda vai levar um bom tempo até que algum dos “baratos” do exercício possa agir sobre seu corpo e sua mente.
Parece fácil, mas ao iniciar uma atividade física, muita coisa na sua vida vai mudar e tanto o corpo como a mente do ser humano não estão abertos a mudanças tão facilmente. O bom é que é possível amenizar esta fase.
Segundo a física quântica, nada está parado no universo, mesmo que pareça imóvel. Os átomos presentes em toda matéria na terra, seja animal, vegetal ou mineral, são compostos de prótons, nêutrons e elétrons e essas partículas estão em movimento constante gerando energia em diferentes níveis, desde a energia física, aquela que usamos para girar o pedal da bicicleta, à energia sutil, liberada pelo cérebro quando pensamos em alguma coisa. Em qualquer coisa.
Portanto, com alguma disciplina é possível mudar o pensamento e criar um campo energético positivo no seu corpo e ao seu redor, associando as situações de dor ou desconforto a algo bom e prazeroso. Este procedimento é também conhecido como condicionamento mental.
Estabeleça objetivos
Todas as ações nascem no pensamento em primeiro lugar. Se você resolveu praticar alguma atividade física é porque alguma coisa boa te atraiu, seja retirar alguns quilos da sua silhueta, conhecer Paris caminhando, viajar para Ushuaia de bicicleta, exibir seu novo bíceps, tríceps e outros “íceps”. Não importam os motivos, faça uma lista deles. Identifique tudo que você se lembrar de positivo que o estimulou a praticar exercícios físicos. Faça uma lista de tudo e se coloque dentro de cada uma das situações que você imaginar. Ensine ao seu cérebro que você agora é uma nova pessoa.
Materialize seus pensamentos
Procure fotos na internet, desenhos, livros, depoimentos e qualquer tipo de material que possa ser associado à lista que você escreveu. Identifique que aquilo que você pensou como resultado dos seus exercícios não é um sonho, é algo real, muitas pessoas já fizeram antes de você e deixaram a façanha registrada de alguma forma. Você não quer o impossível.
Associe imagens positivas aos novos desafios
Imagine a cena. São cinco horas da manhã, o despertador anuncia que algum aparelho de academia, pista de corrida ou pedal espera por você nos próximos minutos, mas o sono e as dores do dia anterior o mantém prostrado na cama e mais um dia se vai sem ver uma única gota de suor de seu rosto.
Como diriam especialistas em futebol, treino é treino e jogo é jogo. Agora é hora do jogo, mas está faltando o treino.
Para condicionar a sua mente, associe todas aquelas imagens que você separou a todas as dores, desconfortos ou preguiça que invadir seu corpo e sua mente durante o dia. Ao associar uma imagem positiva às dificuldades, você vai criar um campo de energia positiva ao seu corpo e às suas rotinas. Isso não significa que seu corpo irá parar de sentir dores ou desconfortos, mas irá associar estas reações físicas ao prazer, criando uma sensação de satisfação ao invés de dor ou incômodo.
Seja disciplinado
Repetir o mesmo movimento cem vezes serve para condicionar nosso corpo a uma espécie de memória física, possibilitando que seu corpo repita o movimento de modo automático sempre que for estimulado a uma determinada ação. Da mesma maneira, é preciso treinar a mente repetindo pensamentos positivos de maneira construtiva e não negligente.
Todas, absolutamente todas as vezes que pensar em algo negativo ou desanimador, pense naquelas imagens. Treine este procedimento e não se esqueça: sentiu dor, sentiu desconforto, pense na imagem positiva. Em pouco tempo seu corpo e sua mente irão agir sozinhos.
Mantenha disciplina de horários, regularidade nos treinos e boa alimentação. Deixe que ela associe esta fase ao mesmo prazer que você acredita que irá ter quando perceber os primeiros resultados. Adaptar-se à condições de vida saudável é a melhor benfeitoria que você poderá fazer a si mesmo, aumentando sua saúde, o bem-estar pessoal e da sociedade ao seu redor, como exemplo positivo de superação, fortalecimento físico e enriquecimento mental.
USAR FOTOS DO BANCO DE IMAGENS + AS FOTOS DO BRINQUEDO ECO HOUSE.
Brincando de ser sustentável, sem perder a elegância
Os pequeninos e pequeninas não são mais os mesmos. Parece que cada vez aprendem mais e mais cedo... Dá a impressão que, quando menos esperamos, vão atender o celular e dizer alô antes de falar papai ou mamãe.
Essas crianças já possuem opiniões próprias: são fãs de grupos musicais, gostam de ir ao salão de beleza, às compras - os pais que o digam, e estão cada vez mais elegantes! As mamães amam ver suas filhas bem vestidas, mas as crianças também estão incorporando a moda "já sou gente grande". Querem imitar os adultos, estão ficando exigentes...
Outra "moda" que as crianças devem aprender cada vez mais cedo é a "sustentabilidade". De certa forma, já estamos ensinando para essa geração de baixinhos que o planeta depende de suas ações. Que é preciso plantar árvores, utilizar placas de energia solar, aproveitar a água das chuvas, separar o lixo, reciclar e, é claro, andar de bicicleta.
Uma dica aos pais: para a criança, bicicleta pode ser só um brinquedo, mas já devia ser mais. A criança brinca de bicicleta imaginando que está pilotando uma moto; devia brincar de bicicleta, imaginando-se adulto, pedalando para o seu trabalho. Incentive seu filho a ver a bicicleta, desde já, como um veículo, um meio de transporte para viajar, para realizar as tarefas de gente grande.
Foi pensando assim que a empresa Smart Gear Toys criou a Eco House. Essa casinha ensina vários princípios ecológicos e sustentáveis para as crianças. Ao invés de carrinhos e motos, uma bicicleta é o meio de transporte dos bonequinhos.
Até moinho de vento a casinha tem. As tintas usadas são à base d'água, sem nenhum material tóxico, segundo a empresa.
Cycle Chic Kids - Elegância ao Pedalar
Até o final do século XVIII praticamente não existia roupa para crianças. Meninos e meninas usavam túnicas e, por volta dos cinco anos, começavam a usar roupas idênticas às dos adultos. Pessoinhas com menos de um metro de altura usavam corpetes e tudo mais.
Conforme a sociedade foi entendendo que a criança precisava de roupas, espaço e atividades que não "podassem" o seu desenvolvimento corporal e mental, surgiram roupas próprias para as crianças. Hoje vemos muitas roupas infantis que imitam roupas adultas, mas são feitas com tecnologia e conhecimento que não prejudicam a criança. Uma sugestão: não transforme sua criança em uma adolescente, com roupas e maquiagem que não condizem com a sua idade.
Veja algumas dicas para vestir seu bambino(a) com elegância.
- As crianças querem se divertir. Escolha roupas que permitam total liberdade de movimento, desde que não sejam uma ameaça à segurança da criança. Escolha tecidos leves e acessórios que facilitem a independência da criança no momento de tirar ou colocar a roupa: velcro e zíper permitem que eles façam tudo sozinhos.
- Saltos e bico fino para criança pedalar: nem pensar! Podem ser bonitos, mas prejudicam a formação óssea, inibem movimentos e podem até deformar os pés, que estão em fase de transição.
- Criança cresce rápido, e por isso perde muita roupa. Você até pode comprar um número maior para que seja usado por mais tempo, mas neste caso prefira grifes que já pensam nisso, e fornecem peças com ajustadores, com dupla face, e até peças que se transformam em duas. A dica é comprar pouca roupa, mas no tamanho ideal.
- Na bicicleta, a criança está brincando em contato com o mundo, descobrindo, aprendendo... Algumas quedas e um pouco de sujeira é mais do que normal. Não adianta colocar uma roupa branquinha e cara e esperar que ela permaneça limpinha o dia inteiro.
- Chega uma idade em que as meninas querem usar os batons da mamãe, e os meninos querem parecer com os super-heróis. A influência dos amigos, amigas e dos comerciais faz surgir o gosto pessoal. O problema é que geralmente capas de super-heróis são muito caras para a qualidade que têm... Tente negociar com o seu pimpolho. Ofereça alguns acessórios ao invés do vestuário completo.
- Ensine o valor do dinheiro. Quando a criança começa a querer tudo o que os amigos têm e tudo o que aparece na televisão, mostre que dependendo da escolha, pode-se comprar uma roupa ou um acessório bonito e durável, e ainda sobrar dinheiro para aquela cestinha nova para a bike.
- E o mais importante: incentive sempre o uso de acessórios de proteção e o respeito pelas pessoas. Faça isso de uma forma que a criança não fique com medo de andar de bicicleta, mas entenda que o capacete, a prudência e o respeito são importantes para a própria segurança, a segurança das outras pessoas, e além disso, são os poderes que vão torná-los super-heróis do trânsito quando crescerem.
DESAFIO NOS ANDES III
TEXTO E FOTOS: MAICO BEZ BIROLO
Após conhecer a Cordilheira dos Andes pela "Ruta 7" em bicicleta, você até tentará dizer adeus... Mas só conseguirá esboçar um até logo. Foi assim em 2005, numa viagem com gostinho de quero mais. Querer que virou realidade em 2008, na mesma dose. Mais um ciclo se passou e todos anseiam pelo retorno.
No dia 20 de janeiro de 2012 temos um compromisso marcado. Uma vez mais, todos querem pegar carona naquela energia que só a montanha proporciona, um clímax alcançado a quase 2.500 m de altitude, quando os picos com neve eterna são avistados pela primeira vez. Depois disso, em cada curva uma exibição. Uma energia que contagia e atrai para o alto, sempre. As dificuldades da pedalada são magicamente deixadas em segundo plano. Um show de imagens a causarem torcicolos. Todo o local aparenta ideal para "sacar una foto", qualquer ângulo serve. Foram dois janeiros memoráveis, eternizados pela minha memória e pelas 51 ampliações que tenho em minha sala.
Em janeiro próximo, novamente não haverá dor que insista; frio que persista; ou montanha que resista. Quero ir novamente até o fim, encontrar a redenção, no Cristo, mais precisamente no Pico El Cristo Redentor, situado a 4.200 m de altitude. É neste momento que a face sul do Aconcágua mostra toda a sua imponência, alicerçada em seus 6.962 m, exigindo respeito e admiração.
Nesta época do ano, as condições comumente severas da altitude são favoráveis: visibilidade excelente; temperaturas amenas durante o dia; e ainda, com um pouco de sorte, poderemos ser surpreendidos por alguma nevasca (como em 2005).
Paisagens sem fim; belas alamedas em Mendoza; bodegas centenárias; estações de esqui; as curvas dos Caracoles; o azul turquesa no lago do degelo; a magia de Puente Del Inca; a pitoresca Uspallata; o mistério de Las Cuevas, tudo isso em uma nova história para ser vivida, pedalada, fotografada e compartilhada a partir do dia 20 de janeiro de 2012.
Quer se aventurar?! Contato: (48) 3439 3788 ou 9961 3659. www.bikepointsc.com.br.
Dia Mundial Sem Carro
22 de setembro
Texto: Anderson Ricardo Schörner
SUGESTAO DE CHAMADA: Não se assuste se parecer que você voltou a ser criança e, sem perceber, começar a sorrir, assim, sem motivo aparente.
Imagine que no próximo dia 22 de setembro, você acorde com uma sensação estranha. Seus ouvidos, tão acostumados com os sons modernos, percebem que falta alguma coisa... Os motores silenciaram. Facilmente, sua audição se acostuma com a novidade. Até canto de pássaros no quintal agora ficaram audíveis.
Você levanta para iniciar o seu dia, tomar seu café da manhã e assistir o noticiário, antes de pegar no trampo. Mas o jornal está incrivelmente atraente. Não há sequer uma notícia de atropelamentos, morte por acidente causada por excesso de velocidade, imprudência ou mesmo falha mecânica. Incrível! “Parece um bom dia”, você pensa.
Tudo estranhamente diferente, estranhamente bom. Você pega sua bike e vai para o trabalho. Mas chega a ser assustador: nenhuma fina, nenhuma fechada em cruzamento, nenhuma buzina insistente e desrespeitosa. As ruas das cidades parecem caminhos de liberdade para pessoas, não hierarquização baseada na força de motores ou nas toneladas de ferragens.
Exagero? Os carros e as rodovias se apresentam como vilões todos os dias. Matam jovens por excesso de velocidade, destroem, aos poucos, o ar que todos nós necessitamos, corroem a saúde dos motoristas com o estresse e a frustração do tempo perdido no caos. Nestes termos, substituir o carro por deslocamentos a pé, de bicicleta e transporte público é solução inteligente, tanto que ganhou um dia exclusivo para fazer o mundo inteiro pensar sobre estas questões.
Curioso é ver como tudo está invertido em nossa moderna sociedade. Para o meio ambiente, um dia sem carro representa pouco, visto que em todos os outros dias do ano as ruas estarão cheias. Mas parece muito tempo para uma pessoa fechar a porta da garagem e deixar seu automóvel lá dentro. Como deixar escondido atrás de uma grande porta aquilo que é, talvez, a principal ostentação de sucesso de alguém? A medida a que muitos recorrem para competir com parentes, “amigos” e vizinhos? A blindagem às pessoas e ao mundo, tão necessária em tempos de individualismo ferrenho?
O carro oferece algumas falsas impressões. Parece que você irá mais rápido, porque o carro tem força e potência para ir rápido. Parece que você tem conforto, pois o carro oferece abrigo para a chuva, ar-condicionado para o frio. Mas em uma situação de congestionamento, tudo isso é falso. Quando a ideia é desfrutar o caminho, tudo isso vai pelos ares. Quando o objetivo é viver de verdade cada momento, toda a ideologia por trás das propagandas de automóveis não passa de falsidade. Se pudéssemos pedir à natureza o que podemos fazer por ela, a resposta seria algo como “sejam mais naturais, troquem o carro por uma caminhada ou por uma bicicleta”.
O QUE É O DIA MUNDIAL SEM CARRO?
É um movimento que busca a reflexão sobre os malefícios do veículo motorizado. Este movimento surgiu na Europa e se espalhou por todo o mundo. No Brasil, as principais manifestações com relação ao Dia Mundial Sem Carro iniciaram recentemente, mas vêm crescendo, ainda que timidamente. A ideia básica é que, neste dia, todas as pessoas encontrem uma opção de deslocamento em detrimento ao uso do carro. Fazendo isso, todos podem refletir sobre os problemas de poluição, doenças respiratórias, sedentarismo, irritabilidade, gastos financeiros, perca de tempo e outros prejuízos causados pelos automotores.
O QUE VOCÊ PODE FAZER?
Convido você a desistir do carro no próximo dia 22 de setembro. Quando bater a vontade de virar a chave, simplesmente desista. Encontre uma outra solução. Não se preocupe em parecer diferente. Não se preocupe em nadar contra a correnteza e aderir à bicicleta, à caminhada ou a um transporte público, só porque as pessoas próximas a você acham que isso é para outra classe social. Experimente!
No próximo dia 22 de setembro, descubra como é mais rápido fazer o percurso de sua casa até o trabalho sem carro. Perceba como é gostoso trocar o ar-condicionado pelo vento no rosto, a sensação de liberdade. Não se assuste se parecer que você voltou a ser criança e, sem perceber, começar a sorrir, assim, sem motivo aparente. Quando pintar a vontade de cumprimentar as pessoas que você está encontrando na calçada ou na ciclovia, vá em frente. Esse contato faz bem, sim...
Quando você chegar para trabalhar, provavelmente vai encontrar um amigo que não deixou o carro em casa e enfrentou aquele congestionamento que você conhece tão bem. Seja paciente com ele, pois o estresse provavelmente estará presente. Enquanto ele estiver escorado na mesa, parecendo cansado e desmotivado, você estará disposto como nunca. É isso que uma pedalada no início do dia provoca.
Ao final do dia, coloque na ponta do lápis a economia de combustível e estacionamento que isso representou. Tire um tempo para pensar na poluição sonora e atmosférica que a sua ação evitou. Analise o impacto disso para o meio ambiente; para o mundo que ficará para seus filhos e netos.
Relembre, também, todas as novidades que você percebeu no trajeto e que ficavam encobertas quando o deslocamento era por carro. Quanto contato social. Além disso, pense em quantos amigos você poderá fazer trocando o carro pela bicicleta, e qual o impacto dessa mudança para a sua saúde física e emocional.
É isso que todos nós podemos fazer, dia 22 de setembro. E não se assuste se você se viciar e continuar nessa no dia 23, 24, 25, nos meses de outubro, novembro, nos anos de 2012, 2013...
Dica do fabricante
Shimano
Como emendar a corrente quebrada da sua bicicleta
Nesta seção, Ariuques Junior, 35 anos, auxiliar técnico da Shimano Latin America, dá dicas de como emendar a corrente da sua bicicleta.
Muitas vezes o ciclista se depara com situações complicadas e de risco em lugares distantes de oficinas mecânicas, como trilhas em montanhas ou estradas off-road. Mesmo se ele não estiver longe da cidade é sempre útil saber realizar pequenos reparos. Em caso de quebra de corrente é possível efetuar um reparo rápido e eficiente.
A quebra da corrente pode ocorrer por diversos motivos:
Corrente nova
Emenda imprópria para a corrente (marcas diferentes)
Emenda mal feita
Utilização incorreta das marchas
Força inadequada nos pedais
Desgaste da corrente
Se a corrente romper é preciso ter os seguintes itens em mãos. Não deixe de levar com você para um pedal mais longo:
Uma ferramenta como a Mini Ferramenta S-Slide com 20 funções da PRO
Uma emenda de corrente (pino de ligação)
Para o reparo de correntes Shimano recomendamos efetuar a emenda com um pino Shimano. É importante estar atento ao pino, pois existe um adequado para cada tipo de corrente (7 8, 9 ou 10 velocidades).
Sobre os pinos de emenda:
Para correntes de 7 e 8 velocidades: pino de cor preta
Para correntes de 9 velocidades: pino de cor prata
Para correntes de 10 velocidades: pino de cor cinza (com duas os três linhas)
Para aumentar o nível de resistência da corrente de 10 velocidades existe um sentido correto para realizar a emenda; as inscrições devem ficar para o lado de fora (ver figura explicativa). Para as outras correntes (7, 8 e 9 velocidades), não existe um lado específico para realizar a ligação.
O próximo passo é inserir o pino de ligação entre as partes que se soltaram. Para isso, é importante notar que o elo interior deve estar voltado para trás e o exterior para frente. Sendo assim, é só pegar a ferramenta e utilizar a chave para retirar a parte quebrada da corrente formando dois elos novos, inserir o pino no local e fechar com a chave (ver figura explicativa). O final do pino deve ficar bem rente à placa da corrente. Depois se deve quebrar a parte excedente do pino.
Observações importantes sobre o reparo:
É necessário colocar um pino de ligação novo a cada emenda. Nunca se deve reutilizar o pino.
Nunca se deve abrir a corrente na parte emendada. Sobre a Mini Ferramenta S-Slide 20 da PRO:
É uma ferramenta muito compacta com vinte funções. Possui corpo em liga com ferramentas em aço niquelado, tem design integrado, é leve (166 g), possui chaves sextavadas 2; 2,5; 3; 4; 5; 6; e 8 mm, chaves de fenda 1 e 2 Normal e Philips, Torx T25, três chaves de raios, chaves de caixa 8, 9, 10, desmonta pneus (amovível mediante uma função deslizante), possui descravador de corrente com pino Shimano para correntes de 7, 8, 9 e 10 velocidades e vem com embalagem de proteção PRO.
Mais informações:
bike.shimano.com.br - ariuques.junior@shimano.com.br
Campeonato Brasileiro de Downhill e Four Cross
Ibirama - SC
29 a 31 de Julho
Texto: Anderson Ricardo Schörner Fotos: Pâmela Suélen Padilha e Nicoli Padilha
As constantes chuvas na região não deram trégua e as pistas, que já eram bastante técnicas e rápidas, ficaram ainda mais seletivas. Com extrema habilidade, Markolf Berchtold sagrou-se campeão nas duas modalidades.
Conhecida pelos esportes radicais, a capital catarinense do turismo de aventura, Ibirama, recebeu o Campeonato Brasileiro de Downhill e Four Cross 2011, valendo pontos para o ranking nacional e vaga para o mundial em setembro, na Suíça. A cidade possui um relevo bem variado, que propicia a prática do trekking, rappel, rafting e mountain bike.
Cerca de 300 ciclistas inscritos na competição enfrentaram uma pista muito técnica de downhill, e uma das pistas mais inclinadas e rápidas de Four Cross do país, elaborada no Morro da República, na saída da cidade para Presidente Getúlio, pelo piloto da casa, Nataniel Giacomozzi.
Muitas pessoas compareceram para prestigiar os pilotos e curtir o final de semana com a família e os amigos. Sávio Giacomozzi, pai de Nataniel e organizador da competição, falou da importância de trazer um evento deste nível para a cidade. “Esta é a segunda vez que o Campeonato Brasileiro de DHI e 4X acontece em Ibirama. Depois do Rio de Janeiro ter sediado a competição no ano passado, conseguir trazer um evento desta natureza para Ibirama, uma cidade pequenininha, no sul do país, em Santa Catarina, é motivo de orgulho para nós”.
Os treinos iniciaram no dia 29 de julho. Elite, Junior, Sub-30, Juvenil, Master, Feminino e Estreantes subiram o morro para encarar os 1.800 metros de descida.
No sábado, 30, a chuva começou a mudar o cenário e a classificatória do DHI e da 4X foi decidida embaixo de água. Os anfitriões estavam animados, pois Nataniel Giacomozzi terminou o qualify no menor tempo, 2'36", seguido de Markolf Berchtold, um segundo mais lento.
Downhill
Treinos com pista seca, qualify com chuva e final com muita lama... E mais chuva! O terreno encharcado tornou a vida dos pilotos ainda mais díficil, exigindo concentração, habilidade e uma dose a mais de coragem.
Mas as condições do tempo e o desenho arrojado da pista não intimidaram os pilotos. Mesmo sendo muito exigidos, eles arriscaram alguns saltos e manobras e fizeram o espetáculo para o público presente. Os tombos eram inevitáveis. Algumas bikes também não suportaram o desafio e vários ciclistas não conseguiram completar a prova por quebras e pneus furados.
“A pista estava muito difícil, principalmente por causa da chuva, muito escorregadia. Estava difícil de andar, com muito barro. Nos treinos até consegui fazer a bicicleta evoluir bem, mas hoje, na final, o pneu furou, acabei caindo e não consegui terminar a prova. Até sexta-feira a pista estava seca, pudemos andar com o pneu seco, mas no sábado tivemos que fazer o qualify com chuva. Com a lama, não dá para segurar a bicicleta, é muito liso... Até dá para pular os gaps, drops, mas o pior é a conseqüência”, afirmou João Paulo Caramel Pires, 17 anos, piloto de São Roque, São Paulo, que competiu na categoria Junior.
A final do downhill começou por volta das 11 horas, no dia 31. As categorias Juvenis e Masters foram as primeiras a descer. A pista ficava cada vez mais marcada pela trajetória das bikes, criando valetas e dificultando as próximas descidas. Os pilotos preferiram não arriscar manobras mais exigentes.
“Eu não conhecia a pista aqui em Ibirama. Achei muito boa, rápida, empurra bastante. Para nós, Master C, acima dos 50 anos, as condições da prova hoje estavam mais complicadas. Nos treinos consegui fazer 10 descidas tranquilo, só que com a chuva mudou bastante. Nosso grau de dificuldade é maior, pois o reflexo não é o mesmo da molecada. Mas consegui pedalar, chegar inteiro, sem me machucar e completar a prova. Isso já é muito importante”, declarou Henrique Antonio Nienow, 52 anos, piloto de Canela, Rio Grande do Sul, que compete há três anos no downhill e entrou para a modalidade por influência do filho, também atleta.
A categoria Sub-30, uma das mais disputadas do Campeonato, desceu na sequência. Bruno Spader garantiu a primeira colocação com o tempo de 2'46". Fernando Berri e Lucas Oeschsler também marcaram tempos abaixo dos três minutos e ficaram em segundo e terceiro lugar, respectivamente.
Os três primeiros da Junior também completaram a descida na casa dos dois minutos. Lucas de Borba, da Associação Ibiramense de Ciclismo, conquistou a primeira colocação com 2'45". Rafael Cristiano Becker e João Gustavo Adriano fecharam o pódio da categoria.
Na competição predominantemente masculina, Bruna Ulrich e Hellen da Costa Kenupp fizeram bonito, sendo as únicas mulheres a encarar o desafio da descida. Bruna, que é atleta de Ibirama, levou a melhor com o tempo de 4'16". A carioca de Nova Friburgo, Hellen, fechou a participação feminina e mostrou que as mulheres têm coragem e técnica para competir em esportes de aventura, como o downhill. Apesar das dificuldades da pista e das condições adversas do tempo, as meninas não se intimidaram, e Ibirama comemorou a vitória da atleta da casa.
Por fim, os atletas da Elite pegaram carona nos carros de apoio e subiram o Morro da República para a descida mais esperada do dia. Atletas de renome nacional, como Walace Miranda, Nataniel Giacomozzi e Markolf Berchtold prometiam muita emoção e equilíbrio na disputa.
A experiência contou muito para enfrentar os 1.800 metros de jumps, gaps, drops e obstáculos naturais, principalmente a lama, desta pista que é considerada uma das melhores do país.
Com um tempo espetacular de 2'32", Berchtold não deu chances para os adversários e garantiu o melhor tempo do dia. O piloto mostrou toda a habilidade e sagrou-se campeão. “Estava precisando disso. Errei algumas descidas, perdi algumas disputas e esse grito de campeão estava entalado na garganta", declarou o campeão, natural de Schroeder, Santa Catarina.
Markolf fez uma descida tão incrível que o segundo colocado ficou mais de 14 segundos atrás, diferente das outras categorias, em que as diferenças de tempo entre os primeiros colocados foram mais apertadas. A disputa pelo segundo lugar, porém, foi bem mais intensa. Roberto Cabrera acabou levando a melhor, com o tempo de 2'46", superando os 2'47" de Walace Miranda.
Nataniel, em seu site pessoal, declarou que estava confiante para repetir a colocação do treino, em que fez o melhor tempo na geral, mas um tombo tirou a esperança de conquistar o título.
Four Cross
Na modalidade Four Cross, muito equilíbrio. Os atletas elogiaram bastante a pista, que se mostrava bastante rápida e com um declive bem acentuado. A chuva não prejudicou tanto a disputa do 4X quanto aconteceu com o DHI.
Na classificatória de sábado, Walace Miranda fez o melhor tempo, com 40''40. Berchtold ficou em segundo, com 41''11, e Luiz Lancellotti de Jesus em terceiro, com 41''43.
No domingo, depois da descida no downhill, os atletas se prepararam para encarar as disputadas do Four Cross, modalidade em que quatro pilotos percorrem a pista ao mesmo tempo e os dois melhores classificam para as próximas etapas.
Muitos pegas, ultrapassagens e manobras radicais encheram os olhos dos espectadores, que resistiram ao frio e à chuva para acompanhar as disputas.
E Markolf Berchtold estava impossível. Em um dia inspiradíssimo, depois de dar um show de pilotagem no downhill, ele ainda desbancou os adversários e conquistou mais uma vez o primeiro lugar, agora no 4X.
Em segundo lugar na 4X ficou Luiz Lancellotti de Jesus, seguido de Sidney Borba Filho, Guilherme Maestri e Walace Miranda.
Em um balanço geral, o evento foi um sucesso. Mesmo com a chuva, os atletas mostraram superação, a organização segurou bem as adversidades e o público compareceu. Segundo Henrique Nienow, “faltou apenas um lava-jato para ajudar a desentupir um pouco as bikes, mas no geral, a família Giacomozzi, Ibirama, Santa Catarina e todos que compareceram estão de parabéns”.
“Foi muito recompensador realizar este evento aqui em Ibirama, mesmo com todas as adversidades. Estamos todos muito felizes e tudo aconteceu dentro da normalidade. Valeu a confiança que depositaram em nós e o nosso esforço para receber todos da melhor maneira possível”, finalizou Sávio.
RESULTADOS
Four Cross
1. Markolf Berchtold
2. Luiz Lancellotti de Jesus
3. Sidney Borba Filho
Elite Downhill
1. Markolf Berchtold 2:32.16
2. Roberto A. Cabrera Mieres 2:46.42
3. Walace Miranda 2:47.27
Downhill Feminino
1. Bruna Ulrich 4:16.20
2. Hellen da Costa Kenupp 6:46.55
EDITORIAL
"E atravessou a rua com seu passo tímido,
Morreu na contramão atrapalhando o tráfego,
Amou daquela vez como se fosse a última,
E flutuou no ar como se fosse um pássaro."
Com estes fragmentos do poema e música de Chico Buarque de Holanda, Álvaro Perazzoli relata mais uma morte de ciclista no trânsito. Os protestos se multiplicam, e para reivindicar respeito, espaço e amor à vida, ao invés de violência e revolta, bicicletada das flores. O próximo dia 22 de setembro, Dia Mundial Sem Carro, pode ser um momento importante para você experimentar a sensação de liberdade, a economia, os benefícios físicos e emocionais que estão envolvidos em trocar o carro pela bicicleta: mortes e protestos darão lugar à felicidade e superação sobre duas rodas, e as ruas serão caminhos de liberdade para pessoas, não hierarquização baseada na potência ou tamanho do veículo. Está em suas mãos, e pés... E mente.
Para inspirar o uso da bike, apresentamos roteiros turísticos em Minas Gerais e na Alemanha, várias competições importantes de diferentes modalidades, como o Donwhill e XCO Master em Balneário Camboriú e o Tour de France, além da matéria de Pedro Cury sobre a modalidade mais completa do mountain biking: All Mountain. Para elas, Cláudia Franco ensina que cair faz parte, e Luli Cox volta do Canadá apaixonada pelos singletracks da BC Bike Race: "essa, vamos repetir", afirma. Apesar das dificuldades, principalmente nos grandes centros, andar de bicicleta é fantástico em todos os sentidos. Precisamos continuar com nossas bikes nas ruas, afinal, como você vai ler na matéria de André Geraldo Soares, elas são monumentos ambulantes à autonomia.
Viva Bicicleta!
Entrevista com Paulo de Tarso
Paulo de Tarso, conhecido como Paulinho, é natural do Rio de Janeiro, mas se diz mineiro de coração da cidade de Pouso Alegre, onde com apenas 15 anos, enquanto diretor esportivo de uma entidade estudantil, a Juventude Unida Pouso Alegrense, organizou a primeira competição de bicicleta na cidade. Reside em São Paulo desde 1992. É arquiteto e urbanista.
Um dos principais especialistas em cicloturismo no Brasil, é fundador e presidente do Sampa Bikers, clube que dirige desde a sua formação, em 1993. Foi pioneiro na organização de viagens de bicicleta no país para grupos de ciclistas, com diversas aventuras mundo afora: Rota Maia, em Belize; Caminho de Santiago de Compostela, quatro vezes; atravessou os Andes por sete passos diferentes; percorreu o Deserto do Atacama, Ilha de Páscoa, Ilha da Madeira, Terra do Fogo, Rock Mountain, no Canadá; Lake Tahoe, na Califórnia; atravessou a Costa Rica do Pacífico ao Atlântico, na Ruta de los Conquistadores; pedalou pelas Aldeias Históricas e várias outras travessias por Portugal; Rota dos Castelos e Rota Romântica, na Alemanha; Toscana, na Itália; atravessou os Alpes pela Via Claudia Augusta, entre outras. Além disso, percorreu os principais roteiros nacionais. Hoje, organiza vários eventos relacionados à bicicleta, como a Bike Expo Brasil, a maior feira de negócios do setor da América Latina.
Como a bicicleta entrou em sua vida?
Paulinho: Lembro direitinho desse dia! Morava no Rio de Janeiro, devia ter uns 12 anos. Já tinha uma Caloi dobrável verde. Estava indo para a missa pela manhã, era um domingo, e no caminho estava acontecendo uma corrida de bicicletas speed. Fiquei encantado com tudo aquilo e ali peguei o vírus da bicicleta.
Em que modalidades gosta de pedalar?
Paulinho: Gosto de pedalar speed, mas, infelizmente, no Brasil não temos locais seguros e boas estradas para essa prática... Meu roteiro preferido é Ubatuba a Paraty. Para passear, prefiro mountain bike.
Participa ou já participou em competições?
Paulinho: Atualmente, organizo mais do que participo, mas já participei de brincadeira. Não gosto muito, acho estressante e como gosto de tirar fotos, nunca resisto a uma bela paisagem ou situação, aí sempre paro. Ultimamente, quando participo, participo em dupla com a Renata Falzoni, mas sempre para fazer alguma reportagem.
O que é o Sampa Bikers, e o que representa para você? Como surgiu o Sampa?
Paulinho: O Sampa Bikers é um clube de ciclistas que organiza todo o tipo de atividade relacionada à bicicleta. Passeios, cicloviagens, competições, cursos, exposições, feira e até assessorias para prefeituras ou hotéis que queiram sinalizar uma trilha ou criar uma ciclovia.
Tudo começou em 1992, quando cheguei do Rio para morar em São Paulo. Passando a noite de carro na região dos Jardins, em São Paulo, me deparei com um grupo enorme de ciclistas, todos uniformizados, de capacete. Eram os Night Bikers, da minha grande amiga Renata Falzoni. Quando vi aquilo, achei o máximo e fui me informar com um dos guias. Juntamente com outras pessoas, começamos a ir para cidades do interior, geralmente na Serra da Mantiqueira, em Minas Gerais. Como na época não havia nenhuma informação de trilhas ou de pedaladas, eu ligava sempre para a igreja matriz da cidade, porque geralmente o padre não era natural da cidade e, na maioria das vezes, tinha uma noção do que procurávamos. Sempre dava certo! Inclusive, muitos dos nossos roteiros ainda são dessa época.
Com o passar do tempo, o grupo aumentou e, em uma viagem para Maria da Fé, em Minas, aproximadamente 40 pessoas viajaram. Foi nesta ocasião que surgiu a ideia de organizar uma viagem com ônibus fretado, em que todos poderiam seguir juntos, para não se cansar com o trânsito, e deixar a pedalada apenas para o roteiro turístico final. Ainda no final de 1992, mais pessoas cobraram que outras viagens e pedaladas fossem organizadas.
Em 1993, em parceria com o paulistano executivo de marketing Reinaldo Ópice, nasceu o Sampa Bikers. A inspiração para o nome veio de um grupo que existia na época, no Rio de Janeiro, o Rio Bikers. Como São Paulo tem o carinhoso apelido de Sampa, resolvemos batizar o grupo de Sampa Bikers.
Em 1994, com o boom do ecoturismo e a procura cada vez maior das pessoas por passeios esportivos alternativos que proporcionassem contato com a natureza, houve uma mudança no formato do clube. Devido a ascensão e reconhecimento do clube, caminhos diferentes precisavam ser tomados. Foi quando decidi abandonar a profissão de arquiteto e assumir o Sampa Bikers como negócio. Foi uma decisão difícil, pois me formei com muitas dificuldades financeiras. Como arquiteto eu tinha um excelente salário, só que qualidade de vida quase zero. Então arrisquei: se não desse certo, voltaria para a arquitetura. Felizmente, deu certo! Ganho muito menos, mas tenho uma qualidade de vida invejável.
Em uma palavra, como você traduziria a sensação de estar sobre uma bicicleta?
Paulinho: Liberdade.
Qual foi sua maior conquista na vida, relacionada à bicicleta?
Paulinho: Os amigos.
Alguma história interessante relacionada à bicicleta?
Paulinho: São tantas que daria para escrever um livro. Mas uma bem interessante que é lembrada até hoje pelos mais antigos, foi em uma viagem que organizamos para um grupo, acho que foi em 1994, em Conservatória (RJ), durante as comemorações do dia das mães. Organizamos tudo com antecedência. Fizemos uma visita bem antes na cidade para escolher o hotel, percorrer as trilhas, fazer uma pesquisa na região. Aí, no fim de semana que viajamos, a maior parte do grupo levou as mães, pois era um hotel fazenda maravilhoso. Já no primeiro dia de pedal, onde tínhamos reservado uma “surpresinha” no meio do caminho, resolvemos mudar o trajeto, pois já estávamos quase no meio do caminho e a pedalada iria terminar muito cedo. O guia local, que estava também pedalando conosco, nos sugeriu visitar uma belíssima fazenda colonial, que já serviu de cenário para várias novelas da TV Globo, dizendo que o trajeto iria aumentar somente 20 quilômetros. Mudamos a rota e fomos até a fazenda. Fizemos a visita, fomos a cachoeira... Na volta, começou a aventura. Após 20 km de pedal: cadê a cidade. Veio 25,30 km ... Anoiteceu. Não tínhamos comida, não tínhamos luz e o carro de apoio (um jeep Williams) estava lotado, com bicicleta amarrada até com camiseta. Por volta das 21 horas, apareceu carro de todos os lados: Brasília, Fusca, Opala, Corcel... Era nosso resgate! O hotel que enviou. Alguns voltaram pedalando, outros voltaram no carro com um bico tremendo! Ali pensei que o Sampa Bikers tinha terminado, tamanha a roubada que foi. A pedalada total foi de 90 km (bem mais do que o previsto pelo guia). Felizmente, o pessoal do hotel guardou o jantar para nós. Após o banho eu estava morrendo de vergonha de encontrar o grupo. Mas não teve jeito. Para minha surpresa, todos estavam dando muita risada com a aventura e felizes da vida! Ufa! O Sampa Bikers não morreu!!! A surpresinha era um túnel no meio do caminho, que atravessamos no meio da noite para desespero das mulheres, pois o túnel estava cheio de morcegos. O guia? Sumiu, pois o pessoal ficou p da vida com ele.
Qual foi sua maior aventura com a magrela?
Paulinho: Por acaso foi minha primeira cicloviagem. Foi na América Central, em Belize, onde eu e mais três pessoas percorremos a Rota Maia de bicicleta. Essa cicloviagem foi o maior evento de cicloturismo até hoje. Maior na divulgação e repercussão que teve. Fomos patrocinados pela marca de desodorantes Axe, que investiu pesado na aventura. Na época, saiu em todos os jornais do país. E a viagem foi fantástica, inesquecível.
Alguns amigos que a bike proporcinou...
Paulinho: São tantos que fica difícil de descrever. Tem o Reinaldo Ópice que ajudou a criar o Sampa Bikers, o Edu Ramires que, além de sócio, é como se fosse um irmão para mim, tem a Renata Falzoni que é minha melhor amiga e companheira de muitas cicloaventuras, tem a Margarida que hoje é minha sócia na feira, tem o Otoni nosso guia mais velho que é um exemplo com seus 72 anos, tem os guias do clube que são pessoas muito legais, tem a Cibele da My bike que sempre me ajuda nas corridas e aguenta com humor minhas broncas, e tem todos aqueles que participam de nossas pedaladas, que acabam se tornando de alguma maneira amigos, pois uma das coisas boas da bicicleta é isso.
Onde entra a bicicleta no seu dia a dia e de sua família?
Paulinho: Vivo bicicleta praticamente 24 horas por dia. Na minha casa tem bicicleta para todo o lado, pois também coleciono bicicletas antigas e posso dizer que elas são minha família.
Hoje, a Bike Expo é a maior feira da América Latina. Você esteve envolvido nela em todas as edições? Como surgiu a ideia?
Estive envolvido em todas as edições, pois fui o idealizador, juntamente com o Edu Ramires. A ideia foi um sonho antigo. Sou arquiteto de formação, e minha especialização era arquitetura promocional. Eu trabalhava em uma promotora e montadora de eventos, onde eu projetava estandes para feira e fazia tudo para um evento acontecer. Nessa época, eu já era fanático por bikes e não me conformava de, no Brasil, não ter uma feira só para bicicletas. Depois que abandonei a arquitetura para assumir o Sampa Bikers como negócio, nos especializamos em eventos. Ficamos conhecidos pela boa organização. No antigo local onde realizávamos o MTB 12 horas, sabíamos que lá seria construído um pequeno pavilhão de exposições. E aí eu sempre falava para o Ramires que um dia agente ainda organizaria uma feira só de bikes. Pavilhão pronto, lançamos a ideia para um grupo de importadores e fabricantes amigos que também sentiam a necessidade de algo exclusivo para o mercado. Batizei a feira com o nome de Bike Expo Brasil, propus que fosse uma feira só de negócios e nos baseamos muito no que já acontece lá fora, na Euro Bike e Interbike. O objetivo maior era atingir todos os fabricantes, importadores, distribuidores do universo da bicicleta no Brasil. A ideia foi rapidamente comprada e graças a esse grupo que também nos ajudou com muitas sugestões e palpites, fizemos a primeira feira com cerca de 16 participantes em um pavilhão de 1000 m². Hoje, a feira está em um pavilhão de 10.000 m² e tem cerca de 150 expositores. Mas o mérito maior da Bike Expo é de nossa sócia e amiga Margarida. Ela trabalha no setor a mais de 30 anos. Conheci ela quando fui pedir patrocínio na Caloi e ela trabalhava no marketing da empresa. Depois ficamos amigos e quando surgiu a ideia da feira, ela foi o primeiro nome que me veio na cabeça, pela experiência e conhecimento de toda a metodologia de um grande evento como esse. É ela quem organiza praticamente sozinha todo o evento.
Você imaginava que a feira se tornaria referência no setor, com tamanha representatividade?
Paulinho: Da forma e tamanho que tomou, não. Hoje a feira já é conhecida lá fora.
O que esperar do mercado de bicicleta para os próximos anos?
Paulinho: A tendência do mercado é só crescer, principalmente se algumas cidades, como São Paulo, continuarem investindo em ciclofaixas e ciclovias. A ciclofaixa em São Paulo está sendo um sucesso. Pessoas que tinham sua bicicleta abandonada nas garagens por falta de local para pedalar estão colocando as magrelas para girarem. As lojas de bikes estão colhendo muitos frutos. Além disso, tem o trânsito que está cada vez pior e mais pessoas têm utilizado a bicicleta como meio de transporte. As perspectivas são boas.
Paulinho, sabemos do potencial da bicicleta relacionado a qualidade de vida, mobilidade e sustentabilidade. Como você vê a evolução do uso da bicicleta como um todo no Brasil?
Paulinho: Acho que o maior exemplo é esse que citei acima da cidade de São Paulo em relação à ciclofaixa, pois muitas pessoas tinham medo de usar a bicicleta por não ter onde pedalar. No momento, a ciclofaixa em São Paulo está direcionada somente para o lazer, mas existem projetos em andamento com o objetivo de transformá-las em algo definitivo, o que proporcionará a oportunidade para mais pessoas utilizem a bicicleta em seu dia a dia. Isso já vem acontecendo em outras cidades do país. Os governantes precisam atuar mais nesse sentido, principalmente na qualidade de vida.
O que você acha que pode ser feito a fim de ajudar mais pessoas a despertar para o uso da bicicleta?
Paulinho: Precisaria que tivesse um político aí, nos moldes do Enrique Peñalosa, da Colômbia, que enfrentasse o poder que o motor exerce no país, e mostrasse que a bicicleta é a solução não só para o caos que as cidades estão se tornando com o aumento desordenado de carros e motos, mas também para o sério problema de saúde que o Brasil vai começar a enfrentar pela obesidade e falta de exercício que cada vez atinge mais pessoas no país. No fim, é também um caso de saúde pública.
Para você, o que representa a bicicleta?
Simples, a bicicleta em minha vida representa tudo! Meu trabalho, meus amigos, minhas viagens, meu lazer, meu esporte. Posso me considerar uma pessoa privilegiada em trabalhar no que eu gosto.
FRASES QUE OS CICLISTAS ODEIAM OUVIR
QUEM MORA EM APARTAMENTO, AO ENTRAR NO ELEVADOR:
“Porque você não deixa sua bike no bicicletário do condomínio junto com as “outras”? Se arranhar você manda pintar e já era!”
Bicicleta é lá fora! (Porteiro de prédio se achando uma autoridade)
“pô, tem um lugar lá embaixo, no bicicletário, não precisa sujar teu apartamento!”
“Sua bike dorme no seu quarto e sua esposa na sala?” (com cara de ironia)
GUARDANDO A BIKE NO HOTEL
“Que nada, pode deixar aqui na recepção que eu me responsabilizo.”
“Na garagem é seguro, pode deixar a bike lá.”
“pro quarto não pode levar.”
“Pode deixar aqui, meu menino tem uma de alumínio igual a sua e ninguém mexe.”
Pela fumaça e a desgraça, que a gente tem que tossir
Texto e fotos: Álvaro Perazzoli
Na quinta-feira, 4 de agosto, um Francisco deixou de ser pai e virou manchete. Jander pedalou por sua última vez e o Martins nunca mais irá trabalhar. Francisco Jander Martins de empresa alguma era presidente ou diretor, mas assim como o empresário Antônio Bertolucci, foi morto por um ônibus enquanto pedalava.
Talvez as emissoras de TV não concordem com uma grande repercussão por ser a vida de um ambulante migrante do nordeste, mas os cicloativistas que saíram às ruas no dia seguinte ao acidente acreditam que a vida de qualquer um tem o mesmo valor. Este não será mais um simples Chico.
Fria, imóvel e pálida, a ghost bike incomoda porque tem cheiro de morte. Em um mórbido e silencioso cortejo que atravessou o coração da cidade de São Paulo, dezenas de Alines, Andrés e Reinaldos conduziram uma bicicleta pintada de branco para simbolizar o desejo de não terem o mesmo destino dos Franciscos, dos Bertoluccis e das Márcias.
E atravessou a rua com seu passo tímido
“Por mais que os ciclistas e pedestres estejam errados, os motoristas devem levar em conta que ali há uma vida e que são os únicos que podem salvá-las”, fala André Pasqualini, cicloativista do Instituto CicloBR.
Pasqualini diz que é necessário saber o que aconteceu para entender que tipo de solução precisa ser adotada para que haja mais segurança aos ciclistas nesta via. “Viadutos e pontes são problemas da cidade inteira, pois são pontos conflituosos e sem alternativa”, conclui.
O Instituto CicloBR tem uma comissão de advogados voluntários que auxiliará a família sem custo algum.
Morreu na contramão atrapalhando o tráfego
Os ativistas não se intimidaram com as autoridades presentes. A sinalização “pirata” pintada nas ruas foi feita sob os olhos dos oficiais da Companhia de Engenharia e Tráfego, que nada fizeram.
Um agente da CET, que se identificou apenas como Álvaro, estava dividido entre seu uniforme e a sua razão. No depoimento ele diz que todo mundo tem direito à vida e ela merece ser cuidada. “As pessoas que estão ‘pagando’ por esta manifestação nada têm haver com isso. Tudo que é feito fora da sinalização oficial é proibido”.
Quando questionado sobre o porquê um grupo de ciclistas deve sinalizar por conta própria uma via, o agente responde que os ativistas estão fazendo isso para tentar chegar em uma realidade que dificilmente conseguirão.
“Nosso trânsito é caótico e nossas ruas não são preparadas para bicicletas. Nós não temos lugar nem para pedestres, que dirá para ciclistas”, diz Álvaro tentando ser amigável, mas demonstrando ser incrédulo.
Amou daquela vez como se fosse a última
Como se fosse um aviso, Taís Maria, enteada de Francisco, conta que ele visitou o casal de filhos que mora no interior no final de semana e no dia de sua morte fez um caminho que não costumava fazer.
O terceiro filho estava na manifestação. Os seus quatro anos conheceram a dor, seus olhos confusos não sabiam se choravam ou se gritavam. Com um silêncio tempestuoso, segurou um pincel e pintou de branco sereno o cinza infinito manchado pelo amor vermelho de seu pai.
Com seus olhos embotados de cimento e lágrima ajudou os ativistas a pintarem na via a mensagem de alerta aos motoristas: “Devagar Vidas”.
As faixas e o megafone diziam que naquele lugar morreu um ciclista, mas nenhum grito ou cartaz era tão alto e profundo como aquela criança que olhava para o vazio e pensava em seu pequeno mundo: “aqui morreu meu pai”.
E flutou no ar como se fosse um pássaro
Ele tinha carro mais preferia a bicicleta. Morreu em frente a um pátio da Prefeitura de São Paulo, onde nenhum trabalhador disse ter visto o acidente.
E a sexta ghost bike da cidade foi colocada em uma sexta-feira em homenagem a Francisco Jander Martins, que morreu em frente à Praça Francisco Sá Carneiro.
Ao invés de uma cruz, a cidade das máquinas fantasmas, que têm mais direitos que os humanos, ganhou uma bicicleta branca, pois o pecado desse Chico foi preferir a liberdade e sua penitência foi perder a vida no Glicério.
Ao invés de um sepultamento, o corpo branco e frágil suspenso em um dos viadutos mais movimentados da cidade representa a ascensão de talvez uma paz derradeira que enfim vai nos redimir.
Que Deus lhe pague por mais esta vida.
Título e Intertítulos: Fragmentos do poema e música “Construção”, de Chico Buarque de Holanda
Élcio, eu escrevi pouco pois quero que seja duas páginas e as fotos tenham um valor bem grande.
Imaginei o layout e um tom fúnebre, mas com uma arte bem leve.
Pensei na página mais branca do que o normal, pálida e o texto na cor negra com os intertítulos em vermelho simbolizando o sangue.
A foto principal é esta: 8113, bem grande!
8047 é legal pra mostrar o cortejo
8054 a bike ghost sendo carregada como se fosse um caixão, use a versão pb
8086 se houver espaço
8091, muito forte esse cartaz, use apena se der pra ser lida a frase na revista
8125, sei que é polêmico, mas o palavrão não foi a gente que escreveu e estava lá como um grito de revolta e acho que não será ofensivo mostra-lo. Gostaria muito de essa foto entrasse e desse pra ler e ver o contraste de estar uma viatura da cet e uma mensagem dessa ao lado, é forte
8156 ou 9159, use como foto final
A 8100 e 8101 vc não coloca, foi acidentalmente, é um motorista que tentyou furar o bloquei no dia...
8109, Foi muito estranha esta fumaça,
coloque uma legenda nela assim: Pelo ar uma estranha fumaça perambula...
O resto é com vocês J
Pedalando pelo reino da Jordânia
Texto e fotos: Fábio Zander
Quando a agência para a qual eu trabalho como guia me convidou para assumir e guiar uma viagem de bicicleta pela Jordânia, juntamente com outro guia, não pensei duas vezes e aceitei. A princípio com aquela pulga atrás da orelha, pois sempre lia ou ouvia notícias sobre a Jordânia envolvida em conflitos e violência; mas percebi que a coisa não é bem assim, e que nós criamos muitos conceitos errados sobre os lugares que não conhecemos bem.
Fomos em um grupo de 22 ciclistas, entre eles dois guias e um médico - na verdade um estudante de medicina. Atravessamos o deserto da Jordânia de norte a sul, percorrendo cânions, nadando no Mar Morto, visitando a cidade “perdida” de Petra, conhecendo a vida e a cultura dos beduínos e acampando no deserto. Tudo em cima da bicicleta e não de camelo, como fariam muitos na Jordânia. Foram onze dias de viagem e sete etapas em cima do selim; pedalamos aproximadamente 300 km (90% em cascalho/ areia e 10% em asfalto), alcançando 4.600 metros de ascensão total.
A aventura já começou no aeroporto de Zurique, onde nos encontramos em meio a um caos desmontando e colocando as bicicletas nas caixas antes do embarque. O check in até que foi tranquilo, o nosso maior medo era o excesso de peso. Cada um tem direito a 20 quilos (bicicleta + mala).
O vôo partiu de Zurique às 13h30min; chegamos a Amman, a capital da Jordânia, aproximadamente às 18h30min. No aeroporto fomos recebidos pelo Hanna, o agente local que chefia a equipe de apoio para a nossa pedalada. Do aeroporto seguimos direto ao hotel, na cidade de Madaba. Logo depois do jantar montamos as bicicletas para partir cedo na manhã seguinte.
Dividimos o grupo em dois. Thomas, o outro guia, seguia sempre com o primeiro grupo (mais forte) e eu com o segundo (mais fraco), na companhia do médico. Eu costumava começar com o meu grupo meia hora depois da partida do grupo do Thomas.
Primeiro dia – Madaba ao Mar Morto
Iniciamos a pedalada às 8h30min. Visitamos a igreja ortodoxa St. Georg, que possui antigos mosaicos do século VI: o principal é um mapa da Palestina com Jerusalém. Pedalamos por uma região desértica e avistamos diversos rebanhos de ovelhas, camelos e seus pastores; alguns deles andavam a pé, de mula ou mesmo de pick-up. É a tecnologia e a comodidade chegando aos lugares mais remotos de nosso planeta! Ao mesmo tempo é contraditório, porque eles sobrevivem com muito pouco. Faz a gente pensar um pouco sobre o nosso estilo de vida.
Nossa primeira parada, a 710 metros de altura, é no Monte Nebo com vista para o Mar Morto e para a cidade de Jericó. Em bons dias é possível avistar Jerusalém, o que não foi o nosso caso. Foi desse monte, segundo a Bíblia, que Moisés avistou a Terra Prometida.
Continuamos a descida em direção ao Mar Morto por um terreno bastante arenoso até chegarmos ao nosso hotel, que fica a - 355 metros de altura, às margens do mar e com temperatura acima dos 40 ºC. Trocamos rapidamente de roupa e, de ônibus, seguimos a Al Mujib para fazer uma caminhada dentro de uma garganta por onde corre um rio. As paredes que sobem até cem metros de altura vão se estreitando pouco a pouco e o ambiente vai escurecendo.
Mais tarde retornamos ao hotel. Hora de nadar, ou melhor, boiar no Mar Morto que está a 410 metros abaixo do nível do mar. Que sensação diferente e estranha.
Até a metade dos anos setenta ainda viviam microorganismos na água, mas devido ao aumento da quantidade de sal nem estes sobreviveram. O aumento de sal deve-se tanto aos vários canais de irrigação que foram construídos para retirar água do rio Jordão, que abastece com água doce o Mar Morto, quanto à evaporação causada pelo sol. Pesquisas afirmam que o mar desce aproximadamente um metro a cada ano.
Segundo dia – Mar Morto a Al Karak
A pedalada deste dia foi uma experiência diferente para mim, pois o deserto às vezes não tem estradas ou trilhas; você cria o seu caminho com a ajuda do GPS. Dá um frio na barriga sendo o responsável por um grupo de dez pessoas. O deserto não é só areia: em alguns lugares o solo é bem duro, com uma camada muito fina de areia que mais parece talco de tão leve.
Durante a pedalada atravessamos diversos vilarejos, vimos sempre crianças felizes e curiosas com a nossa presença, mas também tivemos uma experiência negativa com duas delas jogando pedras nos nossos grupos - por sorte nenhum acidente. Também foram a exceção em toda a viagem.
Em Al Karak existem ruínas de um antigo castelo da época das cruzadas, que também foram visitadas.
Terceiro dia – Al Karak a Dana
Fomos dar um volta no castelo que se localiza em um ponto estratégico e tem linda vista para a região de Al Karak. Existe um verdadeiro labirinto de corredores e salas no subsolo do castelo. Muito interessante e vale a pena a visita.
Depois disso, seguimos de ônibus até o início de nossa etapa a pedal. Hoje a região tem mais vegetação na forma de arbustos espinhentos, o que gerou os primeiros furos de pneus e, devido ao terreno com trechos bastante técnicos com grandes pedras e cascalho solto, também tivemos o primeiro raio quebrado.
Não passamos por nenhum vilarejo; pedalamos o dia inteiro isolados no deserto. De manhã fez mais calor que a tarde; os dias normalmente alcançavam 39 graus. Chegamos à entrada da Reserva Natural de Dana e seguimos em um pequeno caminhão 4x4 até o nosso primeiro acampamento em tendas de beduínos.
No alto da borda das montanhas se vê o deserto, uma planície que chega até o fim do horizonte. Fizemos uma curta caminhada para ver o pôr do sol. Na reserva ainda vivem hienas, lobos, antílopes ôrix, raposas e algumas espécies de gaviões.
O bacana é que tudo ainda é bem rústico e confortável. Não tem banho quente. Algumas lâmpadas espalhadas pelo acampamento funcionavam até determinado horário, alimentadas por painéis solares ou eventualmente por um gerador. Dormir em uma tenda beduína foi ótimo, curtindo o som das cigarras.
Quarto dia – Dana a Pinewood
Seguimos pedalando por um trecho isolado no deserto, novamente muito técnico com grandes pedras pelo caminho. Lindas paisagens com os seus tons amarelados.
Ao longe avistamos outro castelo da época das cruzadas, o Shobak. Nosso almoço foi feito em sua base. Visitamos suas ruínas que não são tão bem conservadas como o castelo de Al Karak, mas não menos interessante com os mesmos sistemas de galerias subterrâneas.
Na etapa da tarde só seguiram três ciclistas, o médico e eu. Os outros resolveram seguir de ônibus até o próximo acampamento em Pinewood, por causa do calor e por ser a parte mais difícil e técnica do dia, porém um trecho lindo com morros e um sobe – e - desce sem parar.
Chegamos no final da tarde ao acampamento chamado Pinewood (por causa dos pinheiros que lá existem). Aqui muitos dormiram ao relento, curtindo o som das árvores e bebendo um chá em volta da fogueira.
Quinto dia – Pinewood a Wadi Musa/Petra
Trecho curto. Resolvemos fazer um grupo só, já que outra parte seguiria de ônibus.
Este foi o dia do downhill mais técnico da viagem, com imensas valas, buracos e pedras. Chegamos a Wadi Musa aproximadamente ao meio dia. Nos trocamos e seguimos de ônibus até a entrada de Petra. O trekking em Petra, que é uma das novas sete maravilhas do mundo, é um dos highlights de nossa viagem e demorou quase quatro horas e meia.
Primeiro se caminha aproximadamente dois quilômetros a partir do centro de visitantes pelo Siq, uma espécie de garganta e corredor com paredes que chegam a até cem metros de altura nas rochas. No final do corredor ficamos impressionados com a famosa Khazne Faraun, a construção também conhecida como a porta de entrada de Petra. Khazne Faraun também ficou conhecida no filme Indiana Jones e a última Cruzada.
Parte de nossa visitação foi guiada, e muitas histórias e informações foram contadas por nosso guia. O que achei muito interessante foram as soluções criadas para o sistema de água e abastecimento da cidade, boa parte escavada nas rochas. Depois tivemos duas horas livres e aproveitei para tirar fotos e conhecer outros cantos e construções escavadas nas pedras dessa antiga e “perdida” cidade, que foi redescoberta em 1812 no meio do deserto por um suíço disfarçado de árabe.
Sexto dia – Wadi Musa a Al Quwayrah
No início pedalamos por morros e rochedos com vistas lindas para o deserto. Depois do sobe – e - desce pedalamos por areião. Nessa etapa o truque é murchar os pneus para maior contato, e também achar a velocidade ideal para transpor bancos de areia mais macios. Se você pedala muito devagar, você atola, se muito rápido, você se cansa desnecessariamente. Com o tempo vai se pegando a manha e reconhecendo qual a melhor areia e velocidade para se pedalar.
Na minha opinião essa foi uma das etapas mais bonitas; o deserto aqui tem alguns enormes rochedos que parecem ilhas espalhadas em um mar de areia.
Nosso almoço foi em “3 Trees”, que são três árvores que sobrevivem de alguma forma no meio do deserto. Dormimos novamente ao relento ao lado de um enorme rochedo, curtindo uma noite linda e estrelada.
Sétimo dia – Al Quwayrah a Wadi Rum
Dois terços da etapa foram novamente na areia, bem difícil, mas divertido ao mesmo tempo. A região de Wadi Rum é uma reserva natural.
Seguimos de jipe até o nosso acampamento. Neste local a força do vento tem escavado e criado interessantes formas nos rochedos há milhares de anos, e um dos pontos mais conhecidos e visitados é uma ponte natural escavada na rocha.
A viagem ainda durou três dias. Seguimos de Wadi Rum para Aqaba, no sul da Jordânia, às margens do Mar Vermelho. Aproveitamos para nadar e mergulhar.
Fiquei maravilhado com a Jordânia e o seu deserto, que muito me impressionou pela história, cultura e, claro, as pedaladas que poucos têm a oportunidade de realizar.
Nome: BC Bike Race
Local: British Columbia – Canadá
Duração: 7 etapas
Data: 2 a 9 de Julho
Distância: 400 km
Site: www.bcbikerace.com
Texto: João Marinho e Luli Cox
Fotos: Dave Silver e Raven Eye
The Ultimate Singletrack Experience
Canadá, o 2º maior país do mundo. Habitat ideal para a prática do Mountain Bike. O estado de British Columbia (BC) é conhecido mundialmente pelos singletracks, que são presença obrigatória em qualquer filme de freeride, seja ele antigo ou mais recente. Essas trilhas trabalhadas e projetadas para proporcionar máxima diversão sempre alimentaram a nossa imaginação. Pois bem, este ano a BC Bike Race (BC BR) seria a prova por etapas escolhida, aquela que tem o lema The Ultimate Singletrack Experience, isto é, a experiência suprema em singletrack.
A BC BR realiza-se no quintal da Rocky Mountain Bicycles, daí resolvemos ir uns dias mais cedo e conhecer de perto a fábrica, em Vancouver, aonde a marca tem a sua base e faz os seus próprios protótipos. Um local repleto de história, com modelos de outros tempos, camisetas das principais competições mundiais assinadas, protótipos, desenhos, imagens, fotos… Ficamos facilmente apaixonados pelo local.
Ali montamos as duas Element 2012 que foram customizadas especialmente para o time Flower People fazer o lançamento na prova.
O que torna a BC Bike Race diferente das outras?
Durante a longa viagem para o Canadá, conversamos sobre todas as provas em etapas que já tinhamos feito, em qual delas tínhamos nos divertido mais e as diferenças entre uma e outra. Mas em que a BC seria diferente era a questão…
Começando pelas trilhas, o estado de BC tem algumas das trilhas que qualquer verdadeiro mountain biker pode sonhar. Singletracks sem fim dentro da floresta fechada que alternam entre terreno liso, raízes, pontes de madeira, troncos de árvore (ora para pular, ora para equilibrar-se em cima deles), curvas em relevo, saltos, duplos, pump tracks, pistas de freeride\DH. Tudo isto encontramos nas trilhas durante a prova. É difícil escolher uma etapa, todas elas foram fascinantes, mas Squamish e Whistler ficaram, sem dúvida, na nossa memória.
Quando se organiza uma prova por etapas, a logística é um ponto bastante sensível, pois obriga a deslocações diárias de equipamento e staff. Agora, imaginem que de uma etapa para a outra vamos mudando de ilha, em que é necessário transportar todos de bus e de ferrie?! Parece complicado, mas a organização brilha neste ponto como nenhuma outra prova, pois permite aos participantes conhecer mais e melhor a região.
A BC BR pretende posicionar-se como uma das provas por etapas mais divertidas do panorama mundial. Não pretende ser a mais dura, a mais longa ou a mais difícil, mas sim a mais divertida. Consegue isso por suas trilhas, pelos locais e por todo o seu staff que acarinha a prova de forma apaixonante. Conseguem imaginar o prefeito das cidades que passamos, recebendo e cumprimentando cada atleta individualmente? O próprio prefeito de Powell River fez questão de escrever um poema para a BC BR que todos os participantes ouviram e se sentiram arrepiados. São momentos que ficam na memória de todos. A BC BR é também a prova por etapas com maior taxa de sucesso entre os participantes. Cerca de 90% completam a prova!
Quem pode participar?
Todos, desde que gostem de Mountain Bike! As trilhas são bastante técnicas, o que obriga os mais experientes a usarem todos os seus dotes. Os menos experientes começam a prova desmontando em certas partes, mas vão evoluindo e no final da prova conseguem vencer o que nem imaginavam fazer. Aliás, todos que terminaram a prova, além de terem vivido uma experiencia única, com certeza saem melhores mountain bikers!
Quem participou?
A equipe Rocky Mountain Douro Bike Race estava representada por dois atletas portugueses, João Marinho e Alfredo Azevedo, e a dupla brasileira Rocky Mountain Flower People, Luciana Cox e Adriana Boccia.
Mais dois brasileiros estavam por lá: Gabriel Wanderley, um apaixonado por singletracks, que sonha em importar as trilhas canadenses para o Brasil, e o fera Daniel Aliperti, acompanhado de sua torcida de plantão Carol Rombauer, sua mulher e seus filhos. Com exceção da dupla feminina, todos competiram solo.
Várias feras do mountain bike mundial estavam lá. Brian Lopes fez a prova e demonstrou ser não apenas muito bom em descidas. Terminou 12º lugar da geral!
Mark Weir, Thomas Dietch, Marzio Deho, Jason Sager, Katrina Strand, Barry Wicks, Kris Sneddon, Chris Sheppard, Andreas Hestler, entre outros, participaram na prova. Tinham 22 países e mais de 500 atletas!
A dificuldade
A BC BR não é prova fácil para atletas e muito menos para as suas bicicletas. A dureza das trilhas é impiedosa para quem não sabe ‘’fluir’’. Desde quadros, rodas, suspensões, câmbios, pedais, selins, etc. Deu para assistir a um pouco de tudo durante os sete dias de prova. Foi engraçado ouvir o Thomas Dietch comentar que na Europa era 7% de singletrack, e que aqui eram 70%! A equipe de mecânicos que prestou assistência à prova resolveu quase todos os problemas, vendendo ou alugando material. Por vezes, trabalhavam até altas horas da madrugada para conseguir reparar as bicicletas.
A bicicleta
Usamos as novas Rocky Mountain Element de alumínio full. Uma suspensão total de 120 mm de curso, que cumpriu o seu papel perfeitamente. Sem dúvida uma suspensão total de 120 mm, ou mesmo 140 mm, é ideal para uma prova assim!
Nunca uma rígida, apesar de haver alguns poucos atletas utilizando este tipo de bicicleta.
Uma relação que permita acelerar nos singletracks mais rápidos, mas que permita também subir paredes como as que nos apareceram durante a prova. Freios com discos de 180 mm são ideais, pois há algumas descidas tão longas que discos pequenos aquecem de tal maneira que deixam de freiar.
Alojamentos \ Refeições \ Abastecimentos
Tudo isto é tratado pela organização como noutras provas. O alojamento é em barraca, uma para cada dois participantes. É também fornecido isolante, mas um colchão faz falta aos menos prevenidos.
Nos abastecimentos tinha tudo o que precisamos; água, isotônico, fruta, barras energéticas, bolos e energéticos.
Classificações
Adriana e eu ficamos em 3º entre as duplas femininas, subindo ao pódio todos os dias da prova!
João Marinho terminou em 9º no Solo Open Men. O vencedor foi Chris Sheppard da Rocky Mountain Bicycles. Gabriel Wanderley ficou em 65º na Solo Open. Daniel Aliperti ficou em 25º na categoria Solo Master e, como nós, ficou encantado com a prova.
Uma prova para repetir
Pela primeira vez uma prova das ultramaratonas que fizemos que imediatamente consideramos repetir. Mudamos nosso conceito e referência, saímos dela mais exigentes, mais técnicas e completamente apaixonadas pelos verdadeiros singletracks!
CRÔNICA
Simplesmente Bicicleta
Texto: José Francisco Sávio
A bicicleta para mim é como se fosse um instrumento musical afinado com os sons provocados pela natureza, pois me proporciona a rara percepção de ouvi-los em toda a sua plenitude quando passo a pedalá-la por caminhos diversos. Faz-me ouvir os cantos dos pássaros canoros trinando suas ricas partituras; o silvo nervoso da brisa a bater nas folhas das árvores, a mesma brisa que me lacrimeja os olhos, não de tristeza, mas de alegria; faz-me ouvir os sons alegres e descontraídos provocados pelos folguedos e pelas algazarras da “piasada” nos parques e nas calçadas por onde pedalo; me dita o ritmo dos pedais a melodia da brisa em meus ouvidos em tons às vezes “piano”, por vezes “pianíssimo”, mas sempre agradáveis; faz-me contemplar melodias dos sons mudos - porém acústico para a minha alma – dos gestos das pessoas que me saúdam em minha passagem pelos bairros onde moram com seus sorrisos melodiosos mostrando alvos dentes como se teclas de um piano fossem; faz-me sentir no coração o “rufar” das corredeiras em minhas passagens por estradas ou trilhas como se tambores fossem a cadenciar o ritmo das minhas pedaladas; faz-me sentir a musicalidade do tamborilar alegre das rodas ao passar nos pontilhões e pinguelas de tábuas. Enfim, até o buzinar irritante dos automóveis, me parece passagens intrépidas de sonoras orquestras a “narrar” batalhas épicas através de típicas composições. Ao pedalar em ciclovias junto à linha férrea e a passagem de uma locomotiva e seus vagões me faz lembrar e ouvir o encantado “Trenzinho Caipira” do nosso genial Vila-Lobos.
Agora, como se uma aquarela fosse, a bicicleta me dá o prazer, de assistir com os olhos, com a alma e com o coração todo o esplendor das obras do Criador: os seus campos, suas verdes matas, suas árvores, flores, gramas, pedras, serras, planaltos, rios, cascatas, riachos, corredeiras, pássaros, animais, mar, praias e, o mais importante, a figura humana. É muito difícil pedalar sozinho – há sempre um conivente amigo a me surpreender em uma esquina. A bicicleta é uma “pintura” não abstrata que mostra a beleza da união dos povos com simplicidade ímpar em todos os cantos do mundo, isenta de credos, ideologias ou raças. Ela é uma poliglota, não existe fronteiras para ela. Com a bicicleta me torno o confessor ao mesmo tempo em que ouço os “pecados” dos companheiros. Sou réu e ao mesmo tempo o acusador, no bom sentido. Torno-me até um pastor ao indicar bons caminhos e boas trilhas para o “rebanho”. Por vezes sinto o frio a bater no meu rosto e peito, mas o calor humano dos companheiros me compensa. Por vezes o cansaço me surpreende, mas “o depois” com os parceiros me conforta. Por vezes tenho dores pelo esforço, mas os sorrisos das alegrias das companhias a minha volta as massageiam e elas somem. Nunca me irrito ou me aborreço, pois a magrela me apascenta a alma e o coração.
Bicicleta, a companheira de todas as horas. A amiga silenciosa, fiel e confidente. Ela não provoca intrigas e nem ciúme: é a perfídia da amizade e da paz. Ela é o cansaço do corpo, mas é o conforto da mente. A bicicleta, com certeza, é um instrumento de rara musicalidade natural. Experimente “ouvi-la” uma única vez e você se encantará (como eu me encantei aos meus 70 anos), e jamais deixará de “escutá-la”. Sem exageros é uma cítara verdadeira sobre duas rodas. Ela faz a música de amigos, de pendores e, porque não dizer, de muitos amores.
Mountain Bike Master UCI World Championships 2011
Balneário Camboriú - SC
Texto e fotos: Roberto Furtado
Aconteceu nos dias 22, 23 e 24 de julho de 2011, uma das maiores provas assistidas no Brasil. O Mundial Master, World Championships 2011, “foi inesquecível”, nas breves palavras do sueco Tommy Olsson, medalha de prata da Categoria 50-54 anos da modalidade de XC.
O paraíso de Balneário Camboriú foi o lugar perfeito para uma prova que reuniu atletas de 22 países. Atletas que desejavam o melhor tempo, o primeiro lugar, o pódio, mas acima de tudo, mostrar seus desempenhos em um cenário que os gringos jamais esquecerão. Entre tantos, o destaque seria para alguns, em cada pódio apenas três atletas, apenas os melhores. O hino do país natal foi privilégio somente para o lugar mais alto do pódio de cada categoria. É emocionante ver um vencedor chorar como criança no ponto mais desejado pelos ciclistas participantes.
Em cada curva, reta, subida e descida, se confirmavam os destaques, a garra e a superação em feitos de velocidade. Voar nas ladeiras da prova de Downhill (DHI) com a pista tão molhada, foi algo desafiador para os ciclistas mais experientes desta modalidade. Alguns trechos da pista formavam pequenos lamaceiros fundos onde era possível enterrar a roda quase pela metade. Neste ponto, foi visto não somente um ou dois atletas, mas talvez uma meia dúzia voar sobre o guidão dianteiro no tombo mais assustador que poderia haver. Por cima do guidão, um vôo com aterrissagem de peito, ombro ou cabeça sobre o solo com pedras, raízes, galhos, às vezes ocultos pelo barro! No trecho mais fechado, a escuridão era acompanhada da umidade elevada em meio a mata nativa. Ali sentia-se a temperatura mais baixa que em locais abertos. Fortes emoções no trajeto que ficou extremamente técnico devido a incidência de chuva nos dias anteriores.
No Cross Country Olímpico (XCO) não foi diferente. A largada no asfalto era apenas um aviso de que logo adiante tudo mudaria. Os competidores mais experientes fizeram todo trajeto a pé, conhecendo ao olhar minucioso todo obstáculo que enfrentariam. Passavam estes ciclistas do asfalto para o barro das trilhas encharcadas, e dali pegavam um trecho de areia de praia que era fofa e funda, uma farinha! Quem sabia o que fazia, logo ia para a beira da água do mar, onde a areia era firme, e desta forma ganhando velocidade. Assim os melhores abriam distância dos colegas que iam ficando para trás. Bonito de ver, determinação, técnica, experiência, reunidos naquele cenário onde as línguas se misturavam entre inglês, italiano, espanhol, nosso português e outras tantas línguas presentes.
Entre atrações, atletas renomados e conhecidos no mundo todo. Os melhores entre vários muito bons! Alguns de tão bons, faziam outros parecerem iniciantes, quem esteve lá viu e confirma. Haviam gaúchos, catarinenses, paulistas, cariocas e brasileiros de outros estados entre nossos irmãos latinos e os gringos do hemisfério norte, Europa, etc. Aqui, todos brilhavam. Os visitantes de outros países ficavam maravilhados com a vista. Isto era notado nos mirantes do morro onde se chegava através do teleférico local, ou junto à pista no nível do mar, de qualquer ângulo, beleza singular sempre admirada pelos turistas! A vista é impactante! Nas fotos ampliadas, era possível ver o barro voando para cima, jogado pelos pneus das bikes que andavam rápido... barro que se eternizava nas imagens, fazendo os atletas mostrar toda força combinada a técnica, e aos espectadores restava aplaudir e desejar ser como aqueles heróis. Homens e mulheres que deslizavam sobre o barro, alguns caiam, outros continuavam voando, outros caiam novamente. Levantar de novo, sempre foi visto. Raríssimas foram as desistências. Este é o espírito de ser ciclista vencedor, de enfrentar a superação com lágrimas e dor do excesso. Mostraram que os limites são presentes para serem derrubados um a um. Sobre as bikes, os heróis se transformavam. Desmontados delas, participavam como espectadores ou meros mortais.
A oportunidade de estar entre ciclistas e personalidades deste meio, somente é possível neste tipo de evento. Ali, todos interagem de igual para igual, como em todo esporte deve ocorrer. A bicicleta no seu ponto mais especializado, esportivamente falando, misturando nações, razões e conhecimentos, acaba por unificar o ser humano. Ali, todos “estão em casa”! As trilhas variadas, e as descidas “violentas” são a praia desta gente, que respira bicicleta até mesmo durante o sono, quando sonham! A simplicidade de um campeão como o Chileno Sebastian Vasquez, que no dia anterior à prova, no meio da trilha, parou, fez um sinal de positivo com o polegar. Entendia-se naquele momento: “Vou vencer amanhã!” E quem duvidou? A confirmação do dia seguinte veio com o melhor tempo da categoria 35-39 anos, segundo melhor tempo da geral em 2:49,46. O melhor tempo ficou com o medalhista espanhol Rubem Castro Carril, ouro da categoria 30-34 anos, em semelhantes 2:49,40.
Gilmara Leiner, a Gil, medalha de prata na categoria 40-44 anos em 2010, estava entre os amigos. Passou a semana no local para estudar de perto as condições de prova, acompanhada de sua equipe Vodoo. Na equipe estava também o mecânico mais respeitado no Rio Grande do Sul e um dos melhores do Brasil, Carlos Horn, o Tchaka. Comemoraram o ouro tão sonhado em 2011. Os ciclistas e a imprensa circulavam entre os espectadores, sendo esta uma prova de que o esporte traz igualdade, promove a interação de todas as pessoas.
Sistema utilizado pelos correios do mundo todo para entrega de objetos a pessoas que não tenham endereço ou que moram fora do acesso dos correios (p. ex. quem mora no alto de uma montanha no Nepal ou simplesmente em uma fazenda distante no Brasil). No caso de alguém que chega em Pamplona (Espanha) para fazer o Caminho de Santiago, é só fazer um pacote com seu nome completo e escrever - José da Silva “Posta Restante” Santiago de Compostela, Galícia e o CEP. Terminada a peregrinação é só ir até a central de correios com o passaporte e pegar a encomenda. Isto funciona muito bem em todo mundo para cartas, recebi várias em Katmandu em um mundo pré-internet. Entretanto, para objetos, acredito que possa ser temerário em vários países do mundo. Outro problema deste sistema é que os correios não podem guardar o pacote por muito tempo, talvez um mês, antes de devolver ao remetente, entretanto, se souber escrever na língua local, nada impede que peça ao carteiro para esperar até uma certa data antes de devolver, muitas vezes funciona.
para setembro, a promessa vai ser de um clima mais quente, talvez mais ciclistas, mais visitantes, mais emoções.
RESULTADOS
DHI Feminino 30/34 Vanessa Azevedo Brasil 4 min 47 s 88
DHI Feminino 40/44 Gilmara Neves Leiner Brasil 6 min 21 s 47
DHI Masculino 30/34 Ruben Castro Carril Espanha 2 min 49 s 40
DHI Masculino 35/39 Sebastian Vasquez Chile 2 min 49 s 46
DHI Masculino 40/44 Lars Tribus Estados Unidos 2 min 53 s 92
DHI Masculino 45/49 Miguel Calda Giovannini Brasil 3 min 10 s 82
DHI Masculino 50 + Benoit Fellay Suíça 3 min 28 s 24
XCO Feminino 30/34 Ariana Fabíola Tucci Ron Venezuela
XCO Feminino 35/46 Petra Lennartsdotter Suíça
XCO Feminino 47/59 Gjertrud Boe Noruega
XCO Masculino 30/34 Mirco Balducci Itália
XCO Masculino 35/39 Massimo Folcarelli Itália
XCO Masculino 40/44 Abraão Azevedo Brasil
XCO Masculino 45/49 Jean-Paul Stephan França
XCO Masculino 50/54 Giuseppe Zamparini Itália
XCO Masculino 55/59 Benny Anderson Suécia
XCO Masculino 60/64 Christian Jupillat França
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Estratégias nutricionais para aumentar a performance física
Texto: Amanda Miranda e Beatriz de Andrade Vilela
Atualmente, os esportistas utilizam vários suplementos nutricionais com a crença de que irão obter um melhor desempenho físico. E a grande maioria dos suplementos não apresentam qualquer comprovação científica de efetividade ergogênica. Usando uma linguagem leiga, parece uma eterna busca do "espinafre do Popeye". Para melhorar o desempenho físico no esporte existem, além de estratégias alimentares, substâncias ergogênicas que atuam por diferentes mecanismos e que são realmente eficazes.
Algumas das substâncias mais eficazes são a β- alanina, citrato de sódio, cafeína, Tribullus terrestre e o Panax ginseng.
A suplementação com β- alanina, um aminoácido e o citrato de sódio, evitam a fadiga muscular em atividades de alta intensidade anaeróbicas - como a musculação, um treino forte de mountain bike ou downhill, e aeróbicas de longa duração - como uma corrida acima de uma hora e meia ou triathlon.
A fadiga muscular pode ser definida como a incapacidade do músculo em manter uma determinada tensão ou de manter o exercício físico a uma dada intensidade. As causas da fadiga podem ser múltiplas e incluem algumas alterações metabólicas intramusculares que geram uma baixa reserva energética e inadequada contração muscular.
Um indicador simples, rápido e barato para verificar se o rendimento do metabolismo durante o exercício está eficaz é o teste do nível de lactato sanguíneo.
O principal nutriente da alimentação capaz de estimular o pique para atividades físicas e a quebra de gordura é a cafeína, que está presente em alguns alimentos como o café, chá verde e preto, bebidas energéticas, no guaraná em pó e bebidas a base de cola e alguns saches de gel de carboidrato. A dose máxima recomendada de cafeína é de 200 mg por dia, que equivale, por exemplo, a três xícaras de café. Uma xícara de café pode conter, em média, 80 mg de cafeína. O chá verde também é uma opção, e deve ser realizada a infusão do extrato seco do chá verde ou ingerir em cápsula. Na forma de chá, a recomendação é de cinco copos de 200 ml ao dia. A suplementação em cápsula deve ser orientada por um profissional nutricionista.
Tribullus terrestre é uma substância fitoterápica que estimula o aumento da testosterona, um hormônio anabólico que promove ganho de massa muscular, se associado à hipertrofia.
Panax ginseng é uma substância fitoterápica com propriedades antiestresse, melhora a vitalidade e longevidade, a síntese protéica, é imuno-estimulador e antioxidante. A suplementação desta substância tem relevância para a performance física humana.
O efeito estimulante que os ergogênicos acima provocam no organismo é diferente em cada indivíduo, por isso o consumo associado à atividade física deve ser orientado por um nutricionista.
USAR FOTOS DO BANCO. ESSAS FOTOS ELE PASSOU COMO SUGESTÃO, APENAS. (1/2 página lado esquerdo)
COLUNA: Magia da bicicleta
Estrada!
Texto: Giuseppe Ricardo Passarini
Cantar era buscar o caminho que vai dar no sol. Tenho comigo as lembranças do que eu era... Milton Nascimento traduziu muito bem o sentimento que temos quando nos lembramos de algo bom, de algo que fazemos com prazer!
Hoje, em que se traduz o “caminho que vai dar no sol”? Acho que, na época, o autor falava sobre a liberdade, sobre algo como “deixar-se ir”, “vamos ver no que vai dar”! Para cantar, nada era longe. Tudo tão bom... Isso transmite o prazer de fazer.
Foi nos bailes da vida, ou num bar em troca de pão... Quer desinteresse maior, desapego mais saliente. Fazer pelo prazer!
Que estrada pegamos desde a época?
Quando era pequeno, qual o tamanho da sua rua? Que distância você percorria com sua bicicleta? Ficava o dia todo pedalando, não vendo o tempo passar, talvez andando quilômetros sem se dar conta. Mas, ficamos adultos e a estrada mudou... Sua rua ficou pequena, curta. Seus horizontes não se encerravam ali. Queríamos mais. Mais do que? As estradas continuaram as mesmas, nossa visão que mudou!
Mas e a vontade? Essa coisa que nos motiva. Esse apelo que hoje é vendido como mercadoria, como isca para comprar carro, academia e suco... Pergunto: aquela bicicleta que deixou no “quartinho” do fundo, no canto da garagem? Aquela que está em sua lembrança, que estrada ela pegou?
Ela ficou sozinha? Você tem saudades? Ouvi de uma pessoa amiga que, lendo estas poucas frases, tem vontade de pedalar novamente. Má ideia?
Que estrada você pegou?
Linguiça na Cachaça
Chef: Roberto Amendoeira Nutricionista: Mayteé Freitas
A linguiça na cachaça é uma iguaria que surgiu nos bares paulistanos. É a combinação perfeita de sabor, gordura e calorias: mas quem não mete o pé na jaca, às vezes?
Segue uma receita fácil, que fará sucesso toda vez que você fizer, porque o resultado é fantástico. Só não conta pra Nutri!
Ingredientes (Porção para duas pessoas)
Linguiça Toscana 500 g
Azeite 20 ml
Cachaça 50 ml
Cebolinha Verde Picada 1 xícara de café
Modo de preparo
Numa panela com água fervente, cozinhe a linguiça por cerca de cinco a seis minutos para ficar firme e cozida por dentro.
Retire da água e deixe esfriar um pouco, corte cada gomo em três pedaços.
Numa frigideira, aqueça o azeite e leve a linguiça para dourar. Assim que estiver bem corada, retire a frigideira do fogo (para evitar acidentes), acrescente a cachaça e volte para o fogo para flambar e deixar o álcool evaporar.
Junte a cebolinha verde e sirva com pão fatiado e uma boa pimenta!
Barra de Cereais
Que tal fazer a sua própria barrinha de cereais ao invés de comprar as industrializadas? Essa receita é fácil e gostosa, além de limpar a minha barra com a nutricionista depois da linguiça na cachaça.
Ingredientes
Açúcar Mascavo 250 g
Glucose de Milho 1 colher
Água 250 ml
Fibra de Trigo 150 g
Flocos de Arroz 150 g
Gergelim Branco 1 colher
Aveia em Flocos 3 colheres
Modo de Preparo
Numa panela, junte o açúcar, a glucose e a água, leve ao fogo até atingir o ponto de bala (ponto de bala é quando a calda está bem grossa, bem puxa).
Num recipiente, misture os ingredientes secos, depois despeje a calda e misture bem até formar uma bolota. Coloque a mistura sobre papel alumínio e, com outro pedaço por cima, aperte até formar uma barra grande com espessura de aproximadamente 1 cm. Para grudar bem e virar uma barra, deixe descansando por algumas horas com um peso em cima. Corte em barrinhas e embale com papel filme.
Dica da Nutri
Lembrando de que a Linguiça na Cachaça é uma porção mais pesada, evite o seu consumo em períodos de competições. Deixe para a comemoração da prova realizada!
A barra de cereais pode ser enriquecida com frutas secas como damascos, uvas passas, abacaxi seco, fazendo com que tenha vários sabores e assim, além de nutritiva e saudável, ficará sempre com cara de novidade.
Texto e fotos: Wadilson de Oliveira Filho
Ela sempre vem, uma hora chega. Em São Paulo, é companhia constante em alguns períodos. Todo ciclista urbano deve estar preparado para ela: a chuva. É praticamente impossível não se molhar, mas se você estiver pronto para a chuva, ao menos conseguirá manter seus pertences protegidos e evitar que a água escorra por dentro de suas roupas.
Confira as dicas e adapte o que for necessário, pois cada ciclista tem uma maneira de lidar com as situações. Quase tudo que mostro é fruto de experiência própria, pedalando pelas ruas de São Paulo; há também informações que aprendi com outros ciclistas experientes.
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Para-lamas
É um item muito importante na bicicleta. Para quem usa a bike como meio de transporte, sabe o quanto eles auxiliam na proteção contra a água das chuvas, poças e valetas. Depois da primeira chuva, você descobre como são importantes.
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Eu uso bagageiro, por isso não tenho para-lama na roda traseira. Mas somente o bagageiro não é suficiente, a menos que esteja todo fechado com plásticos ou algum outro objeto. A dica é usar uma bolsa traseira.
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Bolsa Traseira
Para dividir o peso e a carga com a mochila, levo parte da roupa e às vezes até sapatos e ferramentas, em uma pequena bolsa presa no bagageiro. Se você tiver um alforje ou bolsa própria para bagageiro, será muito mais fácil.
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Tudo que você levar na bolsa ou mochila, coloque em dois saquinhos. Mesmo quando não há chuva, tenho por costume colocar as calças em dois sacos: ainda mais na bolsa do bagageiro, que estará recebendo água por cima e por baixo. Melhor proteger! Protejo também as ferramentas, para garantir vida longa às mesmas.
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A dica é sempre guardar saquinhos arrumadinhos na mochila. Dobradinhos ocupam um espaço mínimo.
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Para levar a bolsa, amarre-a bem, passando a alça pelo canote. Uma vez o elástico se rompeu e minha bolsa caiu: perdi roupa e ferramentas.Como quase sempre estou com a bolsa, uso a luz vermelha presa no bagageiro, e não no canote, pois ficaria encoberta.
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Roupa
Com chuva, o ideal é usar a menor quantidade de roupa possível, utilizando apenas roupas de tecidos técnicos, evitando o algodão. Mesmo que esteja frio, tente usar bermuda curta, assim você não ficará encharcado enquanto pedala. A roupa que você precisa usar no trabalho deve ir protegida na bolsa ou mochila.
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Roupa de baixo é dispensável com o uso de bermudas de ciclista. Essas bermudas secam rápido, portanto nos dias de chuva, evite usar cuecas ou calcinhas.
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Luvas
Evite luvas de dedo fechado. Com a chuva, ficarão encharcadas e suas mãos ficarão mais frias. Tente usar as de dedo aberto - só não fique sem luvas, pois elas evitam bolhas, machucados mais graves numa queda e melhoram a "pegada" no guidão.
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Se você tiver um par extra de luvas, leve-o com suas roupas. Leve também mais um par de meias. Na volta, você irá agradecer por poder usar luvas e meias secas.
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Sapatilhas
Se você usar um tênis comum, seus pés irão se encharcar facilmente, mesmo com pouca chuva, pois este tipo de calçado usa muito tecido. Pedalar com sapatos cheios de água é uma das piores sensações, mesmo no calor. Para evitar essa situação ruim, veja essa dica simples.
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Se o seu pé for pequeno, sacolinhas plásticas (essas comuns, de mercado) irão servir. Se você tem um pé gigante, terá que encontrar sacos maiores para uma proteção adequada. Em cada um dos pés, utilize duas sacolas. Se usar apenas uma, a água vai entrar.
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Coloque a ponta do pé no canto da sacola, de forma a aproveitar melhor o comprimento da mesma. Passe uma alça dentro da outra.
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Dê a volta pela frente do tornozelo e passe de novo a ponta de cada alça por dentro da outra alça.
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Siga entrelaçando as pontas das alças. Importante: nenhum nó é necessário! Simplesmente passe uma alça dentro da outra algumas vezes.
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Ao colocar a segunda sacolinha, intercale o canto do fundo. Se você colocou a primeira no canto esquerdo, por exemplo, coloque a segunda no direito.
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É melhor que no pé esquerdo a segunda sacola fique no canto direito, e vice-versa. Dessa forma, você deixa o excesso de plástico do lado de fora, longe do pedal e da corrente.
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Veja o detalhe da alça passando por dentro da outra; vire uma delas e passe novamente por dentro.
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Depois de algumas vezes, a "corrente" se mantém presa sozinha. Assim você não precisa dar nó. Se der um nó nos laços fica mais difícil retirar as sacolas e será necessário arrebentá-la.
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Quando terminar um dos pés, dobre bem o plástico e retire o excesso de ar.
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Somente dois elásticos bastam para segurar tudo no pé.
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Você pode encontrar uma dessas galochas de motoqueiro, mas são pesadas e você não conseguirá usar o clip ou o taquinho, e a água vai entrar nelas. O ideal seriam as polainas impermeáveis, próprias para ciclistas, pois estas sacolinhas requerem um pouco de paciência e tempo.
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Se o laço for dado simplesmente passando uma alça dentro da outra, basta puxar um pouco para abrir tudo.
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Não use muita pressão, apertando demais. Se estiver apertado, em meia hora de pedal seu pé vai inchar, e o tornozelo ficará marcado e machucado. Basta colocar direitinho que a água não entra.
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Dobre a barra da calça de modo que esta fique totalmente fora do laço das sacolinhas, e também deixe a meia dobrada para baixo (melhor usar daquelas bem curtinhas, tipo meia sapatilha).
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Você pode ficar com uma aparência um pouco estranha, mas só enquanto estiver fora da chuva e desmontado da bicicleta. Lá fora, pedalando debaixo d’água, será normal e muito agradável.
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Cheguei a enfiar o pé em correntezas fortes, em valetas e sarjetas, com chuva forte, e meus pés ficaram secos. Como disse, fazer isso pode levar uns minutos a mais e exige sua paciência, mas é muito barato e reutilizável.
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Por isso, pareço um office-boy: sempre tenho elásticos (e saquinhos) comigo.
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Algumas sapatilhas têm mais componentes sintéticos, não-tecido, exigindo assim menos proteção, já que ela secará muito mais rápido que um tênis de pano. Mesmo assim, não deixe de usar as sacolinhas para evitar o pé encharcado e manter as meias secas.
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Coloque os elásticos de modo a não passarem por cima do taquinho. O uso das sacolinhas não irá impedir a trava do SPD.
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O pé vai ficar seco e protegido, mas se você não usa taquinho SPD, cuidado, pois o plástico desliza e não é nada aderente, nem no chão nem no pedal. Você terá que avaliar se vale a pena manter o pé seco e perder essa aderência. Se estiver clipado, não há problema nenhum.
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Prender a sapatilha e soltar do pedal SPD durante o trajeto não irá destruir a sacolinha. Ela vai durar muito tempo, e dá fácil para você reaproveitar para a volta e até para o dia seguinte. Seja consciente na hora de usar a sacola plástica!
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Mochila
Eu ainda tenho que carregar comigo documentos, eletrônicos, celular… Nada disso pode molhar. Hora de pegar mais sacolinhas.
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Coloque tudo dentro dos saquinhos. Se houver documentos ou outras folhas maiores que não podem dobrar, certifique-se de proteger bem.
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Use sempre dois saquinhos. Debaixo de uma chuva forte, é melhor garantir do que confiar que a água não entra na mochila. Experiência própria.
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Pacotinhos bem feitos garantem a integridade dos seus objetos, e você vai pra chuva sem medo.
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Tudo que você for usar logo que chegar ao trabalho, escola ou em casa, como a chave, o crachá ou dinheiro, deixe em sacolinhas pequenas, nas bolsas menores da sua mochila ou pochete.
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Pronto, tudo protegido e em segurança.
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Existem mochilas específicas para uso por ciclistas. A anterior é uma Kailash, já bem usada (me acompanhou por quase uma década, a danada), e essa é uma Deuter. Espero que dure mais uma década. Quanto tempo dura um carro?
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Para aumentar a proteção, você pode usar uma capa impermeável de mochila. Além de proteger o que está dentro, evita que a própria mochila fique encharcada. A água na mochila encharcada é um peso considerável que você carregaria à toa, além dos respingos no carpete do escritório.
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Esse modelo da Deuter já vem com uma capa. Basta abrir o zíper, puxá-la para fora e proteger a mochila.
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Depois secar, dobrar e guardar. Muito prático. Capas para mochilas são vendidas em lojas de material esportivo, ou você pode improvisar com um grande plástico.
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Jaqueta
Se lá fora houver apenas uma leve garoa, uma simples jaqueta ou anorak servem. Lembre-se de tentar usar a menor quantidade de roupa, para evitar menos água presa ao seu corpo.
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Mas se há chuva de verdade, use uma capa de chuva mesmo. Essa aí é uma daquelas de três reais, que qualquer banca de jornais vende. Há capas especiais para ciclistas, mas são bem mais caras, apesar de protegerem quase da mesma forma. A diferença está na mobilidade que elas darão.
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Coloque o capuz da capa de chuva primeiro, depois o capacete. Prendendo direitinho, não entrará água pelas costas nem escorrerá pela cabeça.
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Luvas
Deixe para calçar as luvas no final, pois você precisará dos dedos livres durante toda essa operação.
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Confira os movimentos
Monte na bike e confira se nada está apertando ou repuxando. Vire a cabeça, mexa o corpo, estique os braços. Acerte a posição da mochila e da capa. As capas de motoqueiros não são adequadas, pois são pesadas e tiram o movimento que o ciclista precisa ter.
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Pronto pra enfrentar as ruas da cidade com chuva e muita água. Assim como carros nas estradas, em dias de chuva use sempre a iluminação, mesmo de dia. Motoristas são seres limítrofes e bastante incapazes; ajude para que eles te vejam (sério, mesmo com essa roupa de astronauta, amarelo berrante - cheguei e luzes vermelhas piscando na cabeça e bagageiro, sempre escuto um ‘não te vi!’)
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No destino
Quando chegar em seu destino, deixe a capa secando junto à bike. Você nunca vai saber se na volta terá chuva também - Em São Paulo, é o mais provável). Na dúvida, sempre leve a capa na mochila, não importa a época do ano.
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Há uma maneira certa para dobrar a capa, senão você terá um pacotão desajeitado de plástico. Quando abrir a capa recém-comprada, confira como são as dobras. Para dobrá-la novamente, depois de seca, estique e dobre ao meio, juntando as pontas das mangas. O truque está em saber fazer as dobras no capuz, de modo que fique como na foto.
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O capuz é dobrado dentro dele próprio. Em seguida, dobre o mesmo e as mangas para cima do corpo da capa.
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Dobre tudo no meio, pelo comprimento.
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Vá dobrando agora aos poucos.
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Pronto! Não precisa ficar igualzinho ao pacote original, mas assim cabe fácil na sua mochila, sem ocupar espaço. Mantenha a capa sempre limpa e seca, seja ela simples ou específica para ciclistas. Pedalando com esse plástico totalmente impermeável sobre a pele você irá suar, mesmo que esteja frio. Cuidando bem, a capa pode durar muito. Mesmo essas mais baratinhas chegam a durar meses.
Ao chegar ao trabalho ou escola, ou depois que retornar para casa, deixe sempre tudo secando. Se precisar secar as luvas, por exemplo, pode deixá-las presas na grade da geladeira: solução dos tempos de antanho. Para evitar ter que colocar os tênis atrás da geladeira também, use os saquinhos nos pés.
Antes de começar a trabalhar, leve a roupa seca com você e troque-se no banheiro. Depois de um pouco de higiene pessoal, que pode envolver o uso de papel toalha, você estará novinho, pronto pra trabalhar, e FELIZ! Já seus amigos, que foram de carro, não estarão rindo e felizes como você.
Dá até pra usar roupa social sem problemas. Basta dobrar as calças e camisas direitinho. Para evitar qualquer amassado na camisa, coloque-a dentro de uma pasta, dessas de escritório, não deixando de protegê-la da água com os infalíveis saquinhos.
Aproveite o ar-condicionado do escritório. Ambientes com ar-condicionado são muito secos (por isso é importante beber água e não abusar do uso contínuo do monitor). Dessa forma, tente deixar em algum canto o que tenha se molhado, como luvas ou o par de meias.
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Se há chuva, é necessário cuidar da bicicleta também! As partes mecânicas móveis precisam de uma lubrificação ideal para muita água. Na corrente e nos câmbios traseiros e dianteiros use um óleo lubrificante especial.
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Nas ruas da cidade há muita sujeira. Com água, essa sujeira desgasta as sapatas dos freios e podem também arranhar o aro das rodas. Tenha sempre com você sapatas sobressalentes, se você usa sapatas tipo refil, que são mais práticas; para as inteiriças, fica mais difícil. Se usa freios a disco terá um problema a menos, pois enfrentam água, sujeira e lama com muito mais eficiência.
Se você está na estrada de speed, na trilha de mountain bike, ou mesmo praticando cicloturismo, não tem nada que se proteger dessa forma! As dicas são para quem precisa chegar no trabalho ou na escola de maneira que consiga secar-se rapidamente ou evitar o excesso de água. Fora das ruas da cidade, tem mais é que aproveitar a chuva, protegendo apenas documentos e aparelhos eletrônicos.
Aproveite a chuva, desfrute do percurso, mas tome cuidado com o chão mais escorregadio, os freios que não funcionam igual, e com os motoristas: seja visível e previsível. Acenda sempre as luzes. Em ruas muito alagadas, não se arrisque, pois há o risco de um acidente com algum obstáculo, como bueiros abertos, ou mesmo um desequilíbrio causado por causa da água.
Por experiência própria - use a bike para ir e voltar do trabalho! Eu venho e volto do trabalho para casa todos os dias com minha bicicleta, não importa o tamanho do temporal. Todos no escritório me invejam, pelo tempo que levo, pela diversão que consigo ter ao pedalar, e pelo ânimo que tenho. Mesmo os que me acham louco também me invejam. Bom pedal!
Porque você não pedala comigo?
Texto: Carlos Menezes
Se você é esposa, noiva, namorada ou companheira de algum ciclista, já deve ter ouvido essa pergunta. É verdade que muitas dessas companheiras têm vontade de pedalar com seu cônjuge, e algumas até mesmo já tentaram ingressar no esporte, mas alguma coisa aconteceu não permitindo que elas se tornassem adeptas assíduas.
É nítido e fácil perceber que existe um número maior de homens que pedalam. Basta avaliar os grupos regulares de ciclistas, seja os grupos de passeio noturno na cidade ou os grupos de trilhas. Em corridas, as categorias femininas geralmente são as menores em números de atletas. Entre os cicloturistas esta proporção não é tão desigual, basta você participar de um dos encontros ou eventos do Clube de Cicloturismo e vai perceber um número maior de mulheres.
Logo no início do meu namoro, perguntei à minha, hoje, esposa, se ela não queria andar de bike comigo. O processo aconteceu a seu tempo e alguns anos depois chegamos a realizar a nossa primeira viagem de bike, seis dias pedalando pelo Circuito do Vale Europeu. Muitos clientes e amigos me perguntam como eu consegui isso. Resumidamente, diria que o tempo das mulheres é diferente do nosso. É preciso deixar que ela dite a frequência, ritmo e intensidade das saídas para pedalar. Com o tempo elas vão se sentindo seguras para acompanhá-lo em qualquer pedalada: de lazer, competição ou cicloturismo. Nos últimos anos, participamos de alguns grupos de trilha aos finais de semana, competimos em grandes provas de mountain bike, percorremos alguns circuitos de cicloturismo e participamos do encontro de cicloturistas.
Depois de pedalar por alguns anos, em um domingo qualquer convidei minha esposa para pedalar comigo. Depois de tantos anos convidando, para minha surpresa ela resolveu aceitar. Pegamos uma bike emprestada para que ela fosse comigo. Estipulamos um trajeto e deixei meu pai no resgate. Assim, caso fosse necessário, ele seria acionado pelo celular e iria nos buscar. Para mim seria apenas um pedal leve de 5 km de ida, mais a volta pelo mesmo percurso na estrada entre Araxá e o complexo do Barreiro. Eu na minha speed e ela em uma MTB, aquelas bem simples, tão grande e pesada que mais parecia uma carreta. Na subida da volta, desembarcamos para empurrar. Foi então que me ofereci para empurrar a bike dela e ela a minha, levando em consideração que minha bike era bem mais leve e assim diminuiria seu esforço. Bastou empurrar para eu ouvir: “Como sua bike é leve. Enquanto estou sofrendo com a minha você está aqui no bem bom.” Pronto! Já estava estabelecida a relação. E como é fácil acostumar-se com coisa boa. Nesse momento, para minha surpresa, ela montou em minha bike e subiu todo o morro pedalando. Depois, lá fui eu comprar sua speed, sapatilha, bermuda, camiseta, capacete, óculos... Não poderia ter feito um investimento melhor. Em pouco tempo, saímos juntos para comprar as nossas MTBs. Daí em diante, vieram os pedais em grupo, passeios ciclísticos, competições e viagens.
A bike já faz parte de nossa vida. Quando saímos com amigos e familiares, nossas histórias são vistas como algo inusitado e diferente da rotina da maioria das pessoas. Muitos ouvem atentos, com desejo de também incorporar a bike no dia a dia.
Dentro dessa experiência posso afirmar que pedalar junto é uma ferramenta e tanto para aproximar ainda mais o casal. Para pedalar junto é preciso estar muito bem afinado. Os problemas administrativos em gerenciar uma viagem, uma corrida ou uma simples pedalada de final de semana faz com que os pontos de vista sejam colocados e as melhores decisões tomadas.
No meu dia a dia, tenho contato com vários ciclistas e cada sessão de Bike Fit dura, em média, duas horas. Durante esse tempo, é possível conversar bastante com o ciclista e uma das grandes queixas que ouço é “minha esposa não pedala comigo”. Mas basta esticar um pouco a conversa para tirar algumas conclusões.
A maioria começa cometendo um erro grave. Alguns relatam o fato de terem comprado uma bike provisória, não muito boa, para ver se a companheira vai “tomar gosto” pela bike. Assim, geralmente investem em um equipamento inadequado. Com certeza você já fez ou conhece algum amigo que comprou uma bike nova e deixa a sua bike antiga para a companheira. Quando questiono se a bike ficou boa para ela, a resposta é unânime: precisou colocar uma mesa mais curta, adiantar e abaixar o selim.
Experimente conversar com ela e saber o que achou da experiência. Para cada dez: dez vão reclamar do selim, oito do pescoço e lombar e nove de não conseguir acompanhar o parceiro. O complicado disso é que como você está acostumado a pedalar e não sente mais incômodo, ela vai achar que é incapaz de pedalar.
Por isso minha sugestão é fazer o Bike Fit e comprar a bike adequada, respeitando a antropometria da ciclista. Dentro do estúdio, 100% das mulheres reclamam de desconforto com o selim. Dessas, 80% têm problemas de desconforto na porção anterior do selim. As principais marcas de selim trazem modelos específicos para mulheres. Assim, também é preciso obedecer características específicas referentes à largura do quadril, giro da pelve, largura dos ombros, tamanho dos ombros e mãos, comprimento das pernas, entre outros.
Imagine a seguinte situação. Você é o exemplo de esportista da sua casa. Percorre longas distâncias de bicicleta. Quando está em meio a seus amigos e familiares, adora contar vantagens dos 50, 80, 100 km que você percorreu no último final de semana. Conta em detalhes a subida daquela última cicloviagem. E de repente, ela aceita seu convite para pedalar. A sensação dela é a mesma que você teria se o Lance Armstrong o convidasse para ser membro da equipe dele no Tour. Portanto, respeite o tempo de sua companheira. Escolha um local plano e com bom piso, de pouco movimento de veículos. Isso fará com que ela se sinta mais segura. Estabeleça apenas o tempo em que vão pedalar, sem se preocupar com a distância. Se for preciso, pare, sente, empurre, fotografe, faça um lanche. Encare como um passeio e não como um treino.
Deixe que ela o convide para o próximo pedal. Caso isso não aconteça, tome você a iniciativa. À medida que o tempo estipulado for todo ocupado por um pedal contínuo, comece a estabelecer novas metas, novos trajetos, novos terrenos. Insira subidas e trechos que trabalhem outras habilidades fundamentais do ciclismo.
Passada a primeira etapa, procure por grupos ou casais que tenham os mesmos objetivos. Esse momento é decisivo, pois se o grupo for do tipo competitivo e deixar vocês para trás, existe uma grande chance dela nunca mais querer pedalar, pois a sensação é de estar atrapalhando o grupo. Veja o pensamento dela: comprou a bike, investiu em equipamento, treinou, passou horas pedalando e não consegue acompanhar o grupo. Vai se sentir incapaz. Por isso, insisto que o grupo deve ser muito bem escolhido.
Superada essa etapa, as novas amizades serão um motivo a mais para pedalar. Virão os convites para participar de eventos, encontros, viagens, corridas. A cada compromisso que envolva a bike, o entusiasmo se torna maior. E sem perceber, vocês já estarão percorrendo longas distâncias e com um bom ritmo de pedal.
Atingindo esse estágio, os casais vivem uma encruzilhada. Qual será a prioridade? Treinar para competir ou apenas ter a bike para lazer? Não que um exclua o outro, mas é importante manter o foco. Mesmo que a escolha seja o treino para competição, um dia da semana pode ser reservado para o lazer, e mesmo que a opção seja o lazer, sugiro que participem de pelo menos uma competição por ano, para manter a vontade de ganhar.
Bike Fit e equipamento correto
Compre a bike adequada ao biótipo dela.
Ajuste a bike ao seu posicionamento.
Compre sapatilhas, luvas, capacete, óculos, bermuda, camiseta, caramanhola, etc.
Local para pedalar
Comece por trajetos de asfalto para futuramente ir para trilhas.
Inicialmente escolha um trajeto plano, de pouco movimento de veículos.
Com o tempo, varie os trajetos.
Aos poucos, insira subidas e terrenos mais acidentados.
Com quem pedalar
Grupos com ritmos leves.
Pessoas que gostam de passear.
Grupos em que uma das metas seja todos pedalando juntos.
É muito importante que esse grupo tenha outras mulheres que pedalam.
Como pedalar
Determine com antecedência o percurso.
Inicie com uma pequena distância.
Deixe que a mulher dite o ritmo do pedal.
Deixe que ela aumente o tempo e distância aos poucos.
Segurança
Pedale em grupo.
Pedale com outros casais.
Quando forem pedalar sozinhos, escolham locais seguros e movimentados.
Quanto vale a vida de um ciclista no Brasil?
Texto: Paulo de Tarso
Descobrimos que a vida humana de um ciclista tem um valor estabelecido em R$ 3.000,00, enquanto a de um motorista, R$ 300.000,00, isso para a classe A.
Essa foi a rápida e grossa conclusão em que cheguei após comparar a morte de nosso amigo ciclista mineiro Rubens Vieira Matos, de 53 anos, que pedalava na faixa da direita da via, no sentido de Contagem, quando foi atropelado na Avenida Presidente Juscelino Kubitschek, no bairro Camargos.
Com o impacto, o ciclista foi arrastado por alguns metros e a bicicleta ficou destruída. Rubens morreu antes da chegada do resgate.
De acordo com o delegado do DETRAN, o motorista pagou fiança no valor de R$ 3 mil e vai responder ao processo em liberdade.
Minha comparação é em relação ao acidente do Porshe no bairro do Itaim alguns dias atrás, onde um engenheiro dirigindo seu em alta velocidade (150 km/h) bateu em um veículo que era conduzido por uma mulher de 28 anos. A mesma, após a colisão, acabou falecendo e, segundo o boletim de ocorrência, mais duas pessoas saíram feridas, além do motorista do Porsche que ficou inconformado com o prejuízo em seu carro importado. O motorista em questão foi liberado no dia 13 de julho e pagou uma fiança de R$ 300.000,00, correspondente à metade do valor do carro que dirigia.
Recentemente, nosso maravilhoso Congresso Tendo, em tese, autoriza o bandidismo, e a presidenta homologa a liberdade ao crime. Com a Lei 12.403, pessoas que cometeram crimes considerados leves e com penas de até quatro anos de prisão, que nunca foram condenadas por outro delito (réu primário), apenas serão presas em último caso.
Eu só gostaria de saber para onde vai essa "fiança" paga pelo motorista. Será que irá para a família da vítima morta no acidente? Será usada para pagar as despesas dos outros feridos? E será que o trauma que irá acompanhar as pessoas envolvidas, também será custeado por essa "fiança paga”? Infelizmente, não sei as respostas e tenho quase certeza que os culpados serão esquecidos e as vítimas também serão abandonadas ao destino.
Barbaridades cometidas por motoristas, que não respeitam as sinalizações e dirigem em alta velocidade, isso em qualquer hora do dia ou noite. Temos que agir rápido e com rigor: fica o alerta.
Veja a relação dos principais CRIMES LEVES:
• Furto simples
• Porte ilegal de armas
• Homicídio culposo no trânsito
• Formação de quadrilha
• Apropriação indevida
• Dano a bem público
• Contrabando
• Cárcere privado
• Coação de testemunha durante o andamento do processo
• Falso testemunho, entre outros
Nestes crimes, basta apenas pagar uma fiança ao delegado, que varia de um salário mínimo a 100 salários mínimos, ou se o infrator comprovar que é pobre e não pode pagar fiança, o valor é dispensado e o criminoso é solto.
A prisão em flagrante também não servirá mais para manter um suspeito atrás das grades, como hoje acontece. Além disso, os valores para fianças serão revertidos, obrigatoriamente, em favor das vítimas.
Portanto, não se assuste se você encontrar na rua o assaltante que entrou armado em sua casa, o bandido que roubou um aposentado à mão armada na fila do banco, o ladrão que roubou seu carro, o criminoso que desviou milhões de reais dos cofres públicos, o bandido que estava circulando com uma pistola 9 mm em vias públicas, etc.
Nós, ciclistas, somos uma imensa comunidade. Precisamos, no mínimo, fazer a nossa parte e combater a impunidade.
Quem realmente é pobre?
Texto: Carlos Menezes
Objeto de desejo da maioria dos seres humanos, o carro está presente na lista dos sonhos de consumo da maioria dos brasileiros. Na cultura em vigor, isso simboliza a conquista da liberdade, aquisição de autonomia. Ter um carro significa ter poder, ser bem-sucedido. Mas não basta ter, é preciso ostentar. Assim, as pessoas estão sempre procurando trocar o seu veículo por outro melhor, pois quanto maior e mais imponente o carro, mais importante e respeitada é a pessoa.
Você pode até dizer que não é bem assim. Será que não? Então experimente começar a se deslocar dentro da sua cidade sem carro durante uma semana. Imagine-se naquela confraternização da empresa, e de repente você levanta antes de acabar e diz de peito aberto que precisa ir embora mais cedo, senão perde o último coletivo ou metrô. Quando todos os amigos combinarem de se encontrar na lanchonete para bater um papo, você sabe que aquela garota que você está paquerando a um bom tempo estará presente. Enquanto todos chegam e encostam seus carros na porta, você chega com sua bicicleta e ainda pergunta se pode colocá-la dentro do estabelecimento, pois tem medo de que seja roubada.
Complicado não é mesmo? Mas onde está o problema? O problema é cultural. Aprendemos que aquele que não possui seu próprio veículo é limitado. Isso é embutido em nosso subconsciente por meio de filmes, novelas, comerciais, propagandas em revistas e até mesmo nos brinquedos infantis.
A indústria do automóvel move milhões e gera milhares de empregos, o que é muito bom para qualquer país. Mas qual é o custo do pós-venda? Milhões de reais necessitam ser gastos para criar infraestrutura suficiente no deslocamento desses veículos no dia a dia. O pior de tudo é que por mais que se invista em infraestrutura, sempre é insuficiente para que os problemas de transporte sejam resolvidos, pois enquanto o investimento em novas vias para deslocamento dos carros tem um crescimento linear, a venda de veículos tem crescimento exponencial. Some a isso os custos para manutenção da estrutura que já existe.
Pude presenciar no centro de Londres, capital da Inglaterra, ruas sendo “estreitadas” para construção de calçadas. Fico pensando quando isso acontecerá no Brasil. Na França, é comum ver mulheres com seus saltos altos, meias finas e bolsas de grife pedalando suas bicicletas a caminho do trabalho. A Holanda possui uma rede cicloviária maior que a malha rodoviária, e o número de bicicletas é maior que o número de habitantes. Isso sem dizer que nesses países os ônibus coletivos e os metrôs funcionam de maneira integrada e com um único bilhete você pode sair de um e entrar em outro, desde que não ultrapasse o tempo de 10 minutos de intervalo.
A Holanda sempre apresentou problemas por estar localizada abaixo do nível do mar e com isso desenvolveu tecnologias que bombeiam a água de volta e criou dicks para estancar a água. Estudos indicam que se não fossem esses artifícios, 70% das suas áreas produtivas estariam debaixo d’água. Com o aquecimento global e o consequente aumento dos níveis dos oceanos, esse país seria o principal prejudicado. Com isso, já se estuda o aumento dos valores de impostos para que os veículos automotores, diminuindo a sua circulação e a emissão de compostos de carbono na atmosfera, minimizem os efeitos do aquecimento.
Então eu pergunto: será mesmo que bicicleta e transportes públicos são coisas de pobre? Não é por acaso que esses países estão entre os mais ricos e desenvolvidos do mundo. Pobre é quem se fecha dentro da sua redoma de aço e se julga intocável. Passa horas parado em engarrafamentos acreditando ter o poder e o controle da situação.
Mas o que mais me motiva é pensar o quanto as coisas mudam ao longo do tempo. Nos anos 70, Hollywood vendia a imagem de que pessoas bem-sucedidas deviam estar sempre com um cigarro nas mãos. Atores famosos apareciam mergulhados em fumaças de cigarro e os grandes galãs sempre davam uma grande tragada de cigarro antes de beijar a tão linda e desejada estrela hollywoodiana. Assim, milhares de pessoas em todo o mundo passaram a fumar. Com o passar dos anos, as autoridades perceberam que o valor gasto em saúde é muitas vezes superior aos benefícios oriundos dos impostos recebidos dessas indústrias, juntamente com os empregos gerados. Assim, percebemos uma mudança extraordinária nessa visão. Atualmente, fumar já se tornou um ato deselegante e proibido em lugares fechados. Os fumantes precisam procurar por locais separados para não incomodar os demais. Atendentes com cheiro de fumaça de cigarro são evitados por empresas, por relacionar a sua imagem a de pessoas descuidadas com si próprias. E como alguém que não cuida bem de si mesmo poderá cuidar da empresa de terceiros?
Pensando novamente na mobilidade urbana, as vias públicas se tornaram inviáveis na maioria das cidades brasileiras. Em poucos anos, presenciaremos São Paulo parar em função dos seus mega-engarrafamentos. Mas, a exemplo dos cigarros, tenho certeza que a consciência ecológica e social ainda entrará na moda. E poderemos ver pessoas se movendo pelas vias públicas por meio de coletivos, metrôs, bicicletas e também em carros, em menor proporção. Isso representará um ganho imensurável para a saúde pública, o meio ambiente, a cidadania e o respeito ao próximo.
Conheço e invejo muitas pessoas que deixam seus carros e motos em casa e utilizam a bicicleta como meio de transporte, faça chuva ou faça sol. São pessoas conscientes o suficiente para não se importarem com o que as pessoas pensam a respeito delas. Simplesmente agem da maneira que julgam certo e pronto. Recentemente, em uma roda de amigos, um de nós disse: “sou louco para adotar a bike no meu dia a dia, mas não abro mão do conforto do meu carro”. De imediato, outro retrucou: “não vejo nada demais na sua atitude mas, assim como eu, terá de conviver também com o excesso de peso, das altas taxas de colesterol no sangue, do cansaço diário ao final do dia, do aumento da probabilidade de infarto e ainda estar disposto a se dispor de boa parte do conforto acumulado para pagar as despesas de saúde, a medida que a idade avançar.”
Quem realmente é pobre? Bem, tudo vai depender da régua utilizada para mensurar.
BICICLETARIAS PELO BRASIL
RIOS BIKE
Aqui começa a aventura
Em meados de 1948 surge, em São Carlos, interior do Estado de São Paulo, a “Casa Rios”, que tinha como principal atividade a locação de bicicletas na praça principal da cidade.
Seu fundador, Irineu Rios, aproveitou o que era novidade na Europa e trouxe para o interior uma nova opção de meio de transporte e de laser. Com o crescimento do negócio, foi necessário abrir uma oficina para dar manutenção em suas bicicletas de aluguel. Contou com colaboração dos seus quatro filhos mais velhos para o sucesso do negócio.
Por ser um apaixonado por esportes, Irineu começou a promover corridas de bicicleta numa das principais ruas da cidade, chegando a montar equipes de competição para participar de provas fora da cidade, inclusive na capital.
Em 1969, o filho mais velho de Irineu, Erondino Rios, tomou a frente dos negócios junto com seu irmão Nataniel Rios. E anos mais tarde, já em 2006, Nataniel Rios Junior, filho de Nataniel, assumiu e deu início à modernização da loja, criando assim uma nova marca na cidade no ramo da bicicletaria. Surge a RIOS BIKE.
Atualmente, a RIOS BIKE é o maior Bike Shop de São Carlos e região, instalada numa das principais vias de acesso da cidade. A loja e a oficina da RIOS têm proporcionado aos seus clientes várias opções de bicicletas nacionais e importadas e manutenção de primeira linha. É representante exclusiva das marcas TREK, GARY FICHER, GIANT, JAMIS, entre outras.
É a única loja na cidade que oferece o serviço de BIKE FIT, uma ferramenta de avaliação e ajuste da bike ao usuário com o objetivo de oferecer mais conforto e prazer para quem pedala. Oferece também sistema Leva e Traz para comodidade de seus clientes. E, para quem curte a natureza, incentiva seus clientes e amigos por meio de atividades de cicloturismo.
Mas o grande diferencial da RIOS BIKE está na sua capacidade de atender com qualidade e excelência, e para isso conta com uma equipe capacitada. Acesse o site www.riosbike.com.br e confira essa aventura com mais de 50 anos de tradição no mercado!
Rios Bike
www.riosbike.com.br
Avenida Francisco Pereira Lopes, 1860
São Carlos – SP
(16) 3307-7601 / (16) 3368-2837
E-mail: contato@riosbike.com.br
Foto 1: Equipe da Casa Rios
Foto 2: 1ª Corrida de ciclista em São Carlos
Foto 3: Fundador da Rios Bike
Foto 4: Rios Bike - fachada
Foto 5: Rios Bike - interior
Foto 6: Rios Bike - interior
Foto 7: Rios Bike - interior
Pedalar às margens dos rios alemães: Descobrir, desfrutar e curtir
Texto: Karin Gleixner Fotos: Bicibiketours
"Nas margens dos rios alemães eu pedalei e me senti feliz" (Qualquer semelhança com um livro do Paulo Coelho é mera coincidência)
Era uma vez uma moça na Amazônia do Brasil que muitas vezes estava triste e sonhava com o grande mundo lá fora. Um belo dia conheceu, num barco no rio Amazonas, uma moça da Alemanha. As duas ficaram amigas e, depois de muitas cartas enviadas daqui para lá e de lá para cá, a moça brasileira foi ver a moça alemã na terra dela.
Nas viagens pelas lindíssimas paisagens e cidades alemãs, as duas moças conheceram muitas pessoas engraçadas e provaram as mais variadas comidas, tortas e cervejas. À procura de novas aventuras, um dia as duas partiram de bicicleta. Sairam da cidade, pedalaram muitas horas pelo interior, sempre acompanhando um rio, até que acharam um lugar para pousar à noite. No dia seguinte, seguiram pedalando, perto de outro rio e voltaram a achar outra pousada para a noite, em casa de pessoas simpáticas. Assim passaram vários dias, sem se fartar da maravilhosa natureza, da boa comida e das pedaladas. No caminho comeram maçãs e ameixas maduras das árvores e os nativos ofereceram-lhes mel. Se sentiam no paraíso.
No quarto dia, a moça brasileira falou: “para mim as ciclovias alemãs são a oitava maravilha do mundo. Não quero jamais voltar para casa. Quero sempre seguir!” E, à noite, ela escreveu em grandes letras no camino estreito, asfaltado na beira do rio, usando uma pedra aguda: “nas margens dos rios alemães eu pedalei e me senti feliz.” Desta maneira, ou de maneira semelhante, a história aconteceu. A moça da Amazônia outrora triste teve razão: andar de bicicleta traz felicidade. Proporciona um sentimento de liberdade e facilidade e você termina querendo abraçar o mundo inteiro.
Por que o cicloturismo na Alemanha é tão forte como em quase nenhum outro país do mundo? O triunfo dele começou nos anos 80, quando as pessoas tomaram consciência do fato de que quase não custa nada andar de bicicleta – exceto a compra da bicicleta – e que nas cidades a bicicleta é imbatível em velocidade, comparada com outros meios de transporte. Além disso, o ciclista não tem que procurar estacionamento. Andando de bicicleta, o nosso corpo se mantém em boa forma, sadio e .... nos dá muito prazer! Quem começou a andar de bicicleta não quer mais prescindir disso.
Cada vez mais pessoas usam a bicicleta como meio de transporte e para viajar na Alemanha. Por isso elas reivindicam a extensão da rede de ciclovias. Desde há muitos anos a política, a administração e os serviços turísticos perceberam que num país com uma alta densidade de carros é preciso achar alternativas para o trânsito. Hoje existe uma excelente e sempre crescente infraestrutura para ciclistas, tanto nas cidades como fora delas, onde a rede de ciclovias turísticas ultrapassa 75.000 km. Existem 200 ciclovias sinalizadas de larga distância. Por isso não será uma surpresa o que constata N24, emissora de televisão, em novembro 2010 sobre a pátria do Volkswagen, Mercedes Benz e BMW. “Símbolo de status de ontem, juventude já não acha sexy os carros”. Ao mesmo tempo, o cicloturismo representa um dos mercados turísticos mais crescentes na Alemanha. Segundo o estudo “Cicloturismo na Alemanha” de 2009, o número de hospedagens por ano, no setor de cicloturismo, alcançou cerca de 22 milhões. O cicloturista típico é de idade média ou da terceira idade, exigente em cultura, meio ambiente e gastronomia, que dispõe dum alto grau de instrução. Só 5% dos cicloturistas são estrangeiros. Esses, porém, estão especialmente satisfeitos com a oferta para cicloturistas. Quem sabe porque nos países deles não existe nada que seja comparável. Eles gostam da boa sinalização das ciclovias, da grande oferta de pensões e hotéis, preparados para ciclistas, e a culinária bem variada. Com nenhum outro meio de transporte, a beleza das diversas paisagens da Alemanha pode ser vista e apreciada tanto como com a bicicleta.
As ciclovias preferidas pelo turista na Alemanha são as mais planas e que oferecem boas condições para tomar banho. Sobretudo na Baviera, mergulhar nos atraentes e cristalinos lagos e rios causa um prazer sem par. Os trilhos que acompanham os rios levam o turista por cidades muito interessantes no que concerne história e cultura. Entre as mais visitadas ciclovias de larga distância estão aquelas ao longo do Elba, Danúbio, Meno e Neckar. Muitas vezes, ao longo dos rios menores como Altmühl, Tauber ou Lahn, se pode achar mais joias do que nos grandes. Para o cicloturista só resta escolher, além de exercer a atividade esportiva, entre uma abundância de opções como fazer visitas a castelos, igrejas, centros de cidades medievais, museus ou deleitar-se com as belezas da natureza.
A excursão de bicicleta mencionada no conto acima aconteceu nos rios Tauber e Meno e é agora oferecida com o nome de Rota Romântica, especialmente para brasileiros por bicibiketours. Bicibiketours constitui uma área empresarial da oekoplusreisen em Nuremberg. A pequena firma alemã se especializou em viagens de bicicleta para brasileiros que curtem pedalar. Bicibiketours percebeu que os brasileiros, na maioria, hesitam em fazer excursões de bicicleta na Alemanha, porque a comunicação fora dos grandes centros turísticos é impossível em português e muito difícil em inglês. É por isso que bicibiketours trabalha com guias turísticas que conhecem tanto a Alemanha como o Brasil e se consideram “intermediários” entre as culturas. Não é a velocidade que está no primero plano das rotas da bicibiketours. São bem mais a história dos diferentes lugares e regiões, os apogeus culturais, a flora e a fauna, a culinária regional e as tradições locais – não vistos em forma duma apresentação turística, mas de perto e ao vivo, no encontro com a vida real, cotidiana e com a natureza.
No momento, bicibiketours oferece duas rotas:
A Rota Romântica já mencionada é de 7 dias e leva de Würzburg, no Meno, Patrimônio Cultural da UNESCO, até Rothenburg ob der Tauber, atração turística conhecido no mundo inteiro. Os 199 km se fazem comodamente. Os percursos diários são de 48 a 57 km, sendo o último completamente plano.
A Ciclovia dos Cinco Rios - um tanto esportiva - dura oito dias e ascende a 294 km. Começo e fim do circuito é Nuremberg, na Francônia, Região da Baviera, no rio Pegnitz, onde se oferecem aspectos interessantes para confrontar-se com a mais recente história alemã. No terceiro dia, os ciclistas conhecem um Patrimônio Cultural da UNESCO, Regensburg, no Danúbio. Aqui haverá tempo suficiente para conhecer a cidade. Os outros três rios? Ninguém tem que se preocupar: os percursos diários variam entre 30 e 65 km, na maioria planos e com paisagens excepcionalmente bonitas.
O serviço da bicibiketours inclui boas bicicletas alugadas, com até 21 marchas e excelentes bolsas impermeavéis para levar a sua bagagem. A intenção é de visitar, também, as pequenas “joias”, na rota que o turista normal não acha, e de ter contato com os habitantes das diversas regiões. Os pequenos grupos de seis a 10 pessoas são acompanhados o tempo todo pelo(a) guia, que está à inteira disposição dos brasileiros. Aliás: também crianças a partir de 10 anos podem participar nas pedaladas, se já têm certa experiência com a bicicleta.
A oferta da bicibiketours é única na Alemanha e vai satisfazer o interesse, sempre crescente, dos turistas brasileiros, em lugares fora dos centros do turismo de massas. Posso assegurar que as duas moças da Amazônia e da Alemanha de outrora, já são bem mais velhas, mas ainda pedalam, sempre que podem...
www.bicibiketours.com
Datas para o ano 2012:
Ciclovia dos Cinco Rios: 21/06/2012 – 24/06/2012
Rota Romântica: 03/08/2012 – 09/08/2011
Cicloaventura no Circuito Caminho dos Anjos
Texto: Racquel Tomaz e Carolina Pontes
Fotos: Marcos Túlio
Altitudes que chegam a três mil metros, clima ameno, cachoeiras, cidades acolhedoras e belos exemplares de Mata Atlântica. Essa é a Serra da Mantiqueira, cenário perfeito para uma inesquecível cicloviagem. Saia da rotina, coloque a bike na terra, relembre a delícia que é superar desafios e sentir o vento no rosto. É hora de partir rumo à cidade de Passa Quatro, em Minas Gerais, e aventurar-se no Circuito Caminho dos Anjos.
O circuito tem um total de 234 quilômetros divididos em cinco etapas que podem ser feitas em cinco ou até dez dias. A aventura inicia e termina em Passa Quatro e requer disposição e experiência com a bike.
O Caminho dos Anjos encontra-se no sul de Minas Gerais e é bastante acessível para cicloturistas que vêm de outros estados. Passa Quatro, a cidade que dá início e término à pedalada, está entre as capitais Rio de Janeiro e São Paulo e tem fácil acesso pela Rodovia Presidente Dutra, o que traz maior comodidade no deslocamento do turista.
Nada de sustos e imprevistos para o ciclista que acessa o site Bem-Vindo Cicloturista e tem todas as informações do trajeto. E mais, o Caminho dos Anjos é gerenciado por uma associação, o que proporciona ainda maior segurança e facilidades.
Na sede da associação que gerencia o Caminho dos Anjos, em Passa Quatro, é feito o credenciamento. A taxa paga dá direito ao certificado e pernoite nos seis simples e aconchegantes albergues. O ciclista paga, caso deseje, uma taxa extra para a alimentação, que inclui café da manhã, almoço e jantar.
Ao longo do trajeto encontram-se pequenos vilarejos que podem ser conhecidos. São cheios de história e de cultura mineira. Enquanto pedala pelas estradas de terra e estreitas trilhas, o cicloturista pode conhecer o cotidiano do campo e desfrutar do ar puro, das cores, dos sons e da magia que o verde da natureza e o cantar dos pássaros oferece.
Em Passa Quatro, antes de dar início à pedalada, aproveite para encher a caramanhola e apreciar as fontes de água mineral que brotam em diversos pontos da cidade. Faça também um passeio de “maria-fumaça” para conhecer a história, os casarios e artesanato locais.
A primeira etapa do Circuito ruma à Fazenda da Mata. Estradas de terra tranquilas entregam o ciclista a um ritmo mais lento de pedalada. Em meio à beleza da Mantiqueira, o turista se depara com a cidade de Itamonte, um local oportuno para a reposição das energias antes do fim deste trecho.
Em meio às serras, surgem as primeiras casas típicas do interior de Minas Gerais e o dia a dia dos moradores rurais. A mineiridade se faz presente em todos os detalhes, principalmente na culinária.
As pedaladas seguem à cidade de Itamonte e, em poucas horas, chega-se então ao albergue Fazenda da Mata. Localizado em um ponto elevado, o albergue é cercado pelas belezas do Parque Estadual Serra do Papagaio, com o qual faz divisa.
Os momentos de repouso nos diferentes albergues do Caminho dos Anjos são atrações a parte. Ideais não só para descansar, mas também para fazer novas amizades, interagir e trocar experiências do dia. E a prosa é boa, junto ao calor do fogão a lenha durante jantares e almoços apetitosos. São vários os ciclistas e caminhantes que também vivenciam o Caminho.
Partindo da Fazenda da Mata, inicia-se a segunda etapa do Circuito, que segue até a cidade de Aiuruoca. Essa etapa é, sem dúvida, a mais bonita do Caminho dos Anjos. O imponente Pico do Papagaio está em evidência durante todo o trajeto e é responsável por tamanha beleza. Margeando-o, o ciclista o vê de diferentes ângulos e a cada momento há a surpresa de se deparar com mais uma bela vista.
Ao passar pela cidade de Alagoa, uma cidade que vale a pena conhecer, desfrute da Cachoeira do Ouro Fala. São pequenas quedas d'água rodeadas por mata, o que torna o ambiente favorável para o relaxamento.
A cidade de Aiuruoca aparece em meio a muitas serras, oferecendo atrativos diversos. Esse nome de origem tupi, que significa “casa de papagaio”, foi dado por antigos indígenas devido à grande quantidade desta ave na região.
O ponto de maior altitude do Caminho dos Anjos, com 1.890 metros, encontra-se no trecho seguinte, entre Aiuruoca e Espraiado do Gamarra, que é a etapa mais difícil do circuito. São muitas subidas, mas também muitos mirantes. A Cachoeira dos Garcias, com quase 120 metros de queda, aparece como recompensa por cada dura pedalada.
Após um banho revigorante, é hora da descida da serra até o albergue em Espraiado do Gamarra. Neste albergue, mais um diferencial: o rio corre bem em frente a ele. Afinal, nada melhor que acordar ouvindo o barulho relaxante das águas.
Restam, ainda, duas outras etapas e inúmeras surpresas. Um passeio pelas charmosas cidades integrantes do Circuito das Águas, famosas por suas águas de propriedades medicinais e terapêuticas. São diversas fontes e balneários que proporcionam, ao cicloturista, momentos de bem-estar.
O percurso da quarta etapa passa por Baependi, a terra de Nhá Chica. Já em Caxambu, o ciclista pode usufruir das doze fontes de água de propriedades diferentes, que jorram ininterruptamente do solo.
Em Caxambu, o maior atrativo turístico é o Parque das Águas, que conta com doze fontes de águas com propriedades distintas umas das outras, além de proporcionar grande beleza paisagística. São bosques, alamedas, jardins, lago, quadras esportivas, e, claro, o Balneário de Hidroterapia, que oferece banhos de imersão em água mineral, piscina de hidroterapia, saunas e tratamentos estéticos variados. O teleférico do parque leva o visitante até o Morro do Caxambu para apreciação da vista de toda a cidade.
A aventura prossegue até São Lourenço, onde o turista encontra novas opções de banhos e termas. A cidade conta com mais um albergue do Caminho e, portanto, vale aproveitar as águas, relaxar os músculos e revigorar as energias. Além disso, pode-se desfrutar de passeios de charrete e teleférico, adquirir peças de artesanato e visitar a Casa da Cultura.
O retorno a Passa Quatro é a mais fácil das etapas, repleto de trechos mais planos que dão o descanso merecido ao cicloturista. As antigas fazendas da região completam a paisagem durante todo o percurso desta etapa de despedida. Para finalizar o passeio, nada melhor que usufruir das muitas cachoeiras da cidade de Passa Quatro. A Cachoeira da Gomeira tem queda de quarenta metros e, com a sua forte ducha e as muitas pedras ao seu entorno, constrói um distinto cenário.
Pedalar pelo Caminho dos Anjos é uma experiência única. Um trajeto que revela belezas surpreendentes e guarda lugares e momentos encantadores.
Não vê a hora de se aventurar?
Acesse www.bemvindocicloturista.com.br
Saiba mais pelo telefone: (35) 9910-7272 – Garanta sua credencial, albergue e alimentação
DICAS:
• Agende o seu passeio pelo Caminho dos Anjos com antecedência.
• Mantenha-se sempre hidratado.
• Não se esqueça do uso do protetor solar, há pouca sombra durante o trajeto.
SR Suntour Shor Track 2011
Texto: Bianca Fernandes Fotos: Bianca Fernandes e Antonio Merlo
O Bike Park São Silvano, situado na cidade de Morungaba, no interior de São Paulo, recebeu no dia 31 de julho a 4º edição do SR Suntour Short Track, considerada uma das competições mais charmosas do país. E neste ano, a prova apresentou algumas novidades: um circuito mais longo, com aproximadamente 2.100 metros, planejado por Bob Nogueira e a abertura a ciclistas amadores.
A primeira bateria foi exclusiva para as categorias Amador Open e Amador Master. Em 20 minutos e mais uma volta, os atletas suaram a camisa e proporcionaram um show de pedal. Na Open, Marcos Roberto de Souza foi o grande campeão e Osvaldo dos Santos, medalha de bronze no Mundial Master, superou seus limites competindo em duas categorias, sendo o campeão da Master.
Os atletas do futuro do Mountain Bike brasileiro cravaram uma eletrizante disputa na categoria Junior, com um nível muito próximo e sem deixar nenhum atleta escapar. As posições se definiram somente nos metros finais e o campeão foi Luiz Henrique Cocuzzi, seguido por Guilherme Muller na segunda colocação e Nícolas Sessler em terceiro.
Erika Gramiscelli mostrou domínio no circuito e sobre as demais competidoras na Elite feminina conquistando o bicampeonato. Julyana Machado foi a segunda colocada, seguida por Jaqueline de Borba, a revelação do Short Track, ainda competindo na categoria Infanto Juvenil. A garota brigou desde a largada por colocações entre as feras.
A última bateria impressionou os presentes. Os atletas da Elite Masculina e Super Master impuseram um ritmo forte desde o início, e Marcelo Cardoso Pedretti completou nove voltas em 51 min 21 s 965, conquistando o lugar mais alto do pódio da categoria Super Master.
Na categoria Elite Masculina houve uma verdadeira batalha, com diversas trocas de posições e estratégias. Após um enrosco dos líderes Gilberto Gois e Thiago Aroeira na entrada da pista de BMX, Sherman Paiva, atleta da Andó Rocky Mountain Team, ultrapassou e assumiu a liderança, mantendo um ritmo forte até o final para ser o campeão. “Entrei com o meu ritmo de prova para buscar o pelotão. Alcancei, resolvi assumir a ponta e arriscar tudo que tinha, concentrei o máximo e consegui manter o ritmo até final”, declarou.
Edivando de Souza Cruz e Frederico Mariano (Scott Fittipaldi) fecharam a segunda e terceira colocação. “Estava me sentindo muito travado no início da prova, só consegui me soltar mais no final, já que estou trabalhando em um outro ciclo de treinamento visando os Jogos Pan-americanos”, conta Edivando que irá representar o país em outubro, em Guadalajara, no México.
ELITE FEMININA
Erika Gramiscelli 50 min 17 s 646
Julyana Machado Rodrigues 53 min 16 s 963
Jaqueline Borba 56 min 08 s 170
ELITE MASCULINA
Sherman Trezza de Paiva 1 h 09 min 00 s 795
Edivando Cruz 1 h 09 min 02 s 931
Frederico Mariano 1 h 09 min 23 s 058
Fórum Internacional de Mobilidade por Bicicleta – Rio de Janeiro
Texto: Zé Lobo
O Rio prepara-se para realizar os primeiros “jogos neutros” na história das Olimpíadas em 2016, onde as emissões de carbono serão compensadas. Os preparativos já começaram e um dos grandes desafios está no sistema de transportes, responsável por 37% das emissões cariocas.
Para atingir o objetivo de zerar a balança das emissões de carbono, o planejamento cicloviário tem papel importante. Hoje, o Rio já conta com 240 km de infraestrutura cicloviária, e tem mais 100 km em construção. Contudo, não é o suficiente. A cidade, que está em busca de soluções para sua mobilidade, é candidata a sediar a conferência Velo-City Global, oportunidade de trazer experiências internacionais para serem apresentadas por aqui.
Como parte dos preparativos para candidatura da cidade à sede do Velo-City 2014, a Prefeitura do Rio realizará, em setembro, um evento nos mesmos moldes, mas em menor escala. É o biciRio.
O biciRio, além de ser um evento genuinamente brasileiro em prol da bicicleta, é também um convite a prefeituras, organizações da sociedade civil, instituições de ensino, empresas do Brasil e países vizinhos para apresentar suas realizações, mostrando o que vem sendo feito para um uso mais efetivo das bicicletas nas cidades. Ao promover essa troca de experiências, a ideia é que as ações de sucesso possam ser replicadas pelo Brasil e o mundo.
As apresentações serão divididas entre três temas básicos:
- Inserção da cultura cicloviária na sociedade
- Ações em direção à mobilidade por bicicleta - melhores práticas
- Ações do poder público em direção à mobilidade por bicicleta - melhores práticas
O evento acontece do dia 25 ao dia 27 de setembro. Nestes três dias haverá passeio ciclístico, apresentações de palestras e visita técnica a ciclovias da Zona Oeste e Zona Norte. O biciRio faz parte das atividades do Dia Mundial Sem Carro, 22 de setembro, que serão realizadas ao longo do mês na cidade.
Serão três dias para pedalar, falar, ouvir, respirar bicicletas como transporte urbano e curtir o clima da cidade na maior rede cicloviária do Brasil, segunda da América Latina.
Site oficial: www.bicirio.com.br
TESTE KHS ALITE COMP
Texto: Pedro Cury
A marca californiana KHS surgiu ainda em 1974, sem a pretensão de ser o maior fabricante do mundo, mas sim atender uma ampla gama de produtos, com alta performance e ótimo custo-benefício. A Alite Comp confirma a filosofia da marca, sendo um modelo montado exclusivamente para o mercado brasileiro.
O quadro é feito em carbono monocoque, com gancheira removível em alumínio. Existe um reforço do lado do rotor do disco, porém, não há protetor do lado do pedivela para evitar arranhados no carbono quando a corrente cai. O tubo de direção é 1.1/8" com reforços visíveis. É oferecido nos tamanhos pequeno, médio e grande. Esse quadro é o mesmo que o Alite Team, topo de linha da marca, exceto pelas cores. A geometria de competição é um pouco mais conservadora, com tubo de corrente de 425 mm, um pouco mais longo que outras marcas.
A suspensão é uma Rock Shox Reba RLT 100 mm com sistema de trava Poploc (pelo guidão). A suspensão conta com controle externo de retorno e sistema de amortecimento Motion Control, que permite regular a eficiência da trava.
Os freios Hayes Stroker Trail são a disco e hidráulicos, com rotores de 160 mm em ambas as rodas e oferecem regularem externa da altura do manete.
A transmissão tem tecnologia Shimano Dyna-Sys, oferecendo 30 marchas, sendo o cassete 11-36 e as coroas 24-32-42 dentes. O pedivela é integrado, usando a tecnologia Shimano Hollowtech II.
O cockpit leva avanço Kore de 100 mm, guidão Kore de 680 mm, canote de carbono Q2 e selim WTB Silverado.
As rodas são montadas com aros WTB SX 24 com 32 raios, cubos em alumínio e pneus Kenda Small Block Eight de tamanho 2.10.
Esteticamente, a bike combina as cores preto, cinza e branco, com esta última cor predominante no selim, suspensão e punhos. O quadro tem linhas suaves, com os tubos superiores em curva.
O TESTE
Para testar a bike, convidamos novamente o atleta Igor Ramon, que é vice-campeão estadual de XCO sub-30 e também vice-campeão do Montanha Cup e Lagos Cup na mesma categoria. Desta vez, pedalamos por uma trilha de nível técnico alto, com muitas pedras e subidas técnicas.
Nas subidas, a bike é muito beneficiada pela trava remota da suspensão. Não só a trava, mas o sistema Motion Control da Rock Shox permite que haja um funcionamento mínimo da suspensão quando travada, que pode ser ajustada pelo piloto. Isso ajuda muito em subidas técnicas, onde é interessante ter um funcionamento reduzido do amortecimento. Não foi sentido nenhum problema com a rigidez do quadro, o que é sempre uma preocupação nos quadros de carbono. A geometria de competição conferiu à bike o comportamento esperado e o tubo de corrente mais longo não pareceu comprometer as subidas, mas também não foi perceptível nenhuma melhoria. O que também se mostrou uma vantagem foi o peso, que próximo dos 11 kg não está mal para um modelo de entrada de competição.
Nas descidas, novamente a suspensão Reba brilhou, com um funcionamento muito ativo e também com a possibilidade de alterar a velocidade de retorno através da regulagem externa. Novamente, o quadro não mostrou problemas de rigidez, mesmo sem ter uma caixa cônica como nos novos modelos e nenhuma característica avançada de conforto ou amortecimento de quadros top de linha. Os freios deixaram a desejar, não se mostrando tão eficientes, mesmo nesta trilha de velocidades mais baixas. O guidão rise melhorou muito o controle da bike e se mostra cada vez mais como uma tendência no cross-country.
Nas diversas situações foi comprovada mais uma vez a eficiência do sistema Dyna-Sys da Shimano, com passagens de marcha suaves e precisas. Os pneus Kenda também mostraram um desempenho bem satisfatório, tendo ótima rolagem como esperado pelo seu design de cravos baixos e juntos, porém sem comprometerem muito em outras situações.
CONCLUSÃO
A KHS Alite Comp traz componentes muito bons para uma bike que não é topo de linha da marca. Por um preço atrativo, a bike inclui um quadro de carbono monocoque, canote em carbono, uma suspensão de alto desempenho e 30 marchas. O ponto negativo fica com o quadro, que apesar de ser em carbono e mais leve, não oferece novas tecnologias de padrões e de construção.
Pontos Positivos
- Custo X Beneficio
- Quadro e canote de carbono
- Suspensão Rock Shox Reba com bloqueio
Pontos Negativos
- Quadro sem tecnologias modernas
- Freios com baixa eficiência
Especificações
Quadro - KHS Alite Comp Carbono Monocoque
Suspensão diant. - Rockshox Reba RLT 100 mm Poploc
Cx Direção - FSA ZS-3
Aros - WTB SX24 - 32 furos
Cubos - Alumínio, para disco
Pneus - Kenda Small Block Eight DTC 26x2.1
Câmbio diant - Shimano SLX 10v
Câmbio tras. - Shimano XT Shadow 10v
Trocadores - Shimano SLX 10v
Corrente - Shimano HG 74
Pedivela - Shimano M552 10v Hollowtech II
Cassete - Shimano HG81 10v - 11-36 dentes
Canote - Q2 Carbon
Selim - WTB Silverado
Guidão - Kore Riser 680 mm
Avanço - Kore 100 mm
Punhos - WTB Dual Density
Freios - Hayes Stroker Trail 160 mm
GARANTIA E INVESTIMENTO
A KHS tem garantia de dois anos para o quadro e seis meses para os componentes. Preço sugerido: R$ 7.690,00. www.fepase.com.br
Bicing salva 12 pessoas por ano
Os sistemas de compartilhamento de bicicleta tornam-se cada vez mais populares em todo o mundo. Lyon, em 2005, Estocolmo, em 2006, Barcelona, em 2007, Milão, em 2008, Montreal, em 2009 e Cidade do México, em 2010, são exemplos de que o esquema funciona.
Geralmente, a principal motivação para estas ações são os congestionamentos. Questões relacionadas ao meio ambiente e saúde, principalmente a obesidade e o estresse, também dão suporte para as cidades aderirem ao aluguel de bicicletas.
Recentemente, foi divulgado um interessante estudo sobre o impacto do aluguel de bicicletas em Barcelona. Segundo a pesquisa "Transporte, Poluição do Ar e Atividades Físicas", do Centro de Pesquisa em Epidemiologia Ambiental (Creal), o Bicing - sistema de compartilhamento da cidade espanhola, evitou 12 mortes associadas à falta de atividade física, de pessoas que trocaram o carro pela utilização da bicicleta alugada. Além disso, o sistema contribuiu com a não emissão de mais de 9 mil toneladas de CO2 na atmosfera.
Programa Bicicleta Brasil
O projeto de lei 6474/09, do deputado do PR-MG Jaime Martins, que cria o Programa Bicicleta Brasil, foi aprovado pela Comissão de Desenvolvimento Urbano no dia 03 de agosto. A proposta propõe que 15% do valor arrecadado com multas de trânsito, em municípios com mais de 20 mil habitantes, financiem o programa.
Entre os objetivos do projeto estão o apoio a estados e municípios na instalação de bicicletários públicos e construção de ciclovias e ciclofaixas; promover a integração das bicicletas ao sistema de transporte público coletivo; promover campanhas de divulgação dos benefícios da bicicleta para o meio ambiente, saúde e economia; implantar políticas de educação para o trânsito; estimular a implantação de rotas intermunicipais seguras para o deslocamento cicloviário, voltadas para o turismo e para o lazer.
O relator do projeto, deputado Roberto Britto (PP-BA), foi favorável ao projeto e a comissão ainda aprovou uma emenda sua que obriga as cidades com mais de 500 mil habitantes a incluir, no plano de transporte urbano integrado exigido na lei 10.257/01 (Estatuto da Cidade), a obrigatoriedade de previsão da implantação de ciclovias e a promoção do transporte cicloviário.
De acordo com a proposta, o PBB integra a Política Nacional da Mobilidade Urbana e deverá ser coordenado pelo órgão federal responsável por esta política, atualmente a Secretaria Nacional de Transporte e da Mobilidade Urbana do Ministério das Cidades.
O projeto tramita em caráter conclusivo e ainda será votado pelas comissões de Finanças e Tributação, de Constituição e Justiça e de Cidadania. O texto já foi aprovado pela Comissão de Viação e Transportes.
Vamos torcer para que as ideias comecem a sair do papel e, mais importante, sem superfaturamentos e outros vícios da politicagem brasileira.
CET promete tomar providências para Proteção aos Pedestres
Implantado pela Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) em maio, o Programa de Proteção aos Pedestres objetiva diminuir o número de acidentes causados por atropelamento em São Paulo. A ênfase está na preferência que os pedestres e os veículos não motorizados têm no trânsito.
As ações começaram a ser tomadas em regiões consideradas críticas. Nos cruzamentos do Centro e da Avenida Paulista, um levantamento da CET apontou uma redução de 13 atropelamentos, no período de maio a junho de 2010, para quatro atropelamentos no mesmo período de 2011. É importante ressaltar que estes dados se referem apenas aos cruzamentos mapeados pela CET na chamada Zona de Máxima Proteção ao Pedestre.
Em agosto, os fiscais da CET intensificaram a fiscalização e começaram a multar motoristas e motociclistas que não dão preferência aos pedestres na faixa. Mais de 140 faixas com os dizeres "Pare antes da faixa. Evite multas e pontos na carteira" e "A faixa é do pedestre. Evite multas e pontos na carteira", foram implantadas em cruzamentos estratégicos.
Confira as infrações e as respectivas multas e pontos na carteira.
Prefeito
Em agosto, um vídeo correu o mundo e chamou a atenção de todos, principalmente dos amantes das bicicletas. O prefeito Arturas Zuokas, da cidade de Vilnius, Lituânia, utilizando um tanque blindado de guerra, detonou um Mercedes que havia estacionado em uma ciclovia.
O vídeo foi produzido com a intenção de chamar a atenção da comunidade internacional para este problema de desrespeito às vagas e vias preferenciais. No Brasil, por exemplo, recentemente foi flagrado um carro da polícia estacionando em uma vaga para deficientes físicos.
Na continuidade do vídeo, o prefeito segue para seu gabinete pedalando. Zuokas, 43 anos, é conhecido por sua paixão por bicicletas e afirmou que decidiu fazer a gravação pois está cansado de ver carros de luxo estacionando em ciclovias e impedindo a passagem das bikes. Em uma das postagens no site de compartilhamento Youtube, o vídeo já foi visualizado quase três milhões de vezes.
Uma boa jogada de marketing. É inegável que realmente chamou a atenção de todo o mundo, embora um ação menos "violenta", como vender parte da frota de carros da prefeitura, seria uma ação muito mais positiva e consciente com relação ao meio ambiente. Ao menos, dispensaria o guincho.
Na força do pensamento
A fabricante de automóveis Toyota, em conjunto com a fabricante de bicicletas Parlee, trabalharam durante 10 semanas em um projeto ousado e inovador, como forma de marketing para o novo modelo Toyota Prius.
Entre outras novidades, o que mais chama a atenção é um recurso incrível: trocar de marcha com o pensamento. Desenvolvido pela Deeplocal, o capacete com neurotransmissores que captam as ondas cerebrais traduzem o pensamento através de um software personalizado, que dá o comando ao mecanismo do câmbio da bicicleta.
Depois de cerca de 10 minutos, o ciclista já se familiariza com o sistema e consegue trocar as marchas com comandos cerebrais.
Big Biker Cup 3ª etapa
Taubaté - São Paulo
Texto e fotos: Antonio Merlo
No dia 17 de julho, nas instalações da APAE, a cidade paulista de Taubaté recebeu a terceira etapa do Big Biker Cup. Mais de 1.100 atletas levantaram poeira, diferente do ano passado, quando a chuva não deu trégua e o circuito precisou inclusive ser modificado por causa da lama. Neste ano, o desafio foi superar o calor do início ao fim da prova.
Os 250 bikers da Categoria Pró encararam 91 km, e na categoria Sport houve recorde de inscrições, com quase 900 ciclistas, que percorreram um percurso de 67 km.
Orlando Alves foi o grande campeão da categoria Elite Pró masculina, depois de uma grande batalha travada com seu adversário João Paulo Firmino. A decisão aconteceu em um sprint nos últimos 500 metros, e Orlando se tornou bicampeão do Big Biker. Na categoria Elite Pró feminina, Adriana Nascimento sagrou-se campeã. A atleta considerou esta etapa uma das mais difíceis do campeonato. Marcos Roberto Aparecido de Souza liderou a categoria Elite Sport de ponta a ponta, e nas várias subdivisões da Sport feminina, com 60 inscritas, destaque para Susan de Paula Zorzetto, da sub-30. Resultados completos: www.bigbiker.com.br.
Big Biker Cup 3ª etapa
Taubaté - São Paulo
Texto e fotos: Antonio Merlo
No dia 17 de julho, nas instalações da APAE, a cidade paulista de Taubaté recebeu a terceira etapa do Big Biker Cup. Mais de 1.100 atletas levantaram poeira, diferente do ano passado, quando a chuva não deu trégua e o circuito precisou inclusive ser modificado por causa da lama. Neste ano, o desafio foi superar o calor do início ao fim da prova.
Os 250 bikers da Categoria Pró encararam 91 km, e na categoria Sport houve recorde de inscrições, com quase 900 ciclistas, que percorreram um percurso de 67 km.
Orlando Alves foi o grande campeão da categoria Elite Pró masculina, depois de uma grande batalha travada com seu adversário João Paulo Firmino. A decisão aconteceu em um sprint nos últimos 500 metros, e Orlando se tornou bicampeão do Big Biker. Na categoria Elite Pró feminina, Adriana Nascimento sagrou-se campeã. A atleta considerou esta etapa uma das mais difíceis do campeonato. Marcos Roberto Aparecido de Souza liderou a categoria Elite Sport de ponta a ponta, e nas várias subdivisões da Sport feminina, com 60 inscritas, destaque para Susan de Paula Zorzetto, da sub-30. Resultados completos: www.bigbiker.com.br.
Campeonato Mundial de Bicicross
Foto: Divulgação
Copenhagen - Dinamarca
Entre os dias 28 e 31 de julho, Copenhagen foi palco do Campeonato Mundial de Bicicross. Os melhores atletas do mundo na modalidade apresentaram alto nível técnico. A seleção brasileira que representou o país foi composta de seis atletas nas categorias Junior e Elite.
O melhor resultado foi de Priscilla Carnaval, na Categoria Junior, que conquistou o sexto lugar. "Estive muito perto de conquistar uma medalha. Volto para casa feliz e motivada para continuar treinando forte para as futuras competições", comentou a atleta.
Outro grande resultado foi de Igor Martins, que conquistou a sétima colocação na Junior Masculino. Bianca Quinalha, em 15º lugar, Raquel Stein e Naira de Almeida, na Elite, ficaram na 36ª e 41ª posições, respectivamente, e Renato Rezende, voltando de uma grave lesão no início do ano, ficou em 38º na Elite Masculino.
4ª Volta Ciclística de Capão da Canoa
Texto: Raquel Reis Hartfelder
Fotos: Raquel Reis Hartfelder e Roberto Furtado
Nos dias 16 e 17 de julho, aconteceu mais uma etapa do Campeonato Gaúcho de Resistência, a 4ª Volta Ciclística de Capão da Canoa, organizada pela Federação Gaúcha de Ciclismo e válida pelo ranking brasileiro.
A prova foi criada por iniciativa de Valdeci Fidelis, atleta da cidade, com o apoio da prefeitura. Capão da Canoa é um tradicional balneário do litoral norte do Rio Grande do Sul, muito visitado no verão para lazer. No inverno, a competição de ciclismo já se tornou uma tradição.
A prova reuniu mais de 100 atletas em 11 categorias, entre eles gaúchos, catarinenses e um paulista. A competição teve duas etapas. No dia 16, uma prova de estrada percorrendo a distância de aproximadamente 90 km. Os competidores partiram de Capão da Canoa em direção a Osório, passando por Imbé e Tramandaí, e voltaram pela Estrada do Mar, para chegada em Capão.
Este ano o vento soprou a favor na maior parte do tempo deixando o pelotão mais compacto. As várias investidas de fuga foram logo neutralizadas pelo trabalho das equipes. Porém, faltando cerca de 20 km para o final, numa atitude inusitada, o atleta Rodrigo Camatti da equipe ABC Concresul escapou e conseguiu se manter até a vitória final, logo atrás dele chegaram Eriken Pasuc (Acivas Unimed/VS) que abriu outra fuga a poucos quilômetros do final, junto com Rafael Silva (Dorita Brucicly), Felipe Reichert (Associação Pelotense de Ciclismo), Everson de Assis Camilo (Acivas/Unimed VS), Jeferson Mendes (Temperoma), Lucio Ocanha (Cycle Darcy), Marcelo Demori (Aciva). As metas foram alcançadas por Bruno Petroucic em 1º, Everson Assis Camilo em 2º e Jair Soares Farias em 3º, todos da equipe Acivas/Unimed VS.
No dia 17, a prova de circuito de 1.600 metros na Av. Beira Mar atraiu moradores como Gilberto Martini de Oliveira, que ficou impressionado com a velocidade dos ciclistas. Everson Assis Camilo (Acivas/Unimed VS) apostou na fuga logo no início e conseguiu manter a distância do pelotão que mesmo com várias investidas não conseguiu alcançá-lo. “Aproveitei as curvas para aumentar a velocidade e abrir a vantagem”, comentou. Everson chegou a dar uma volta no pelotão antes de cruzar a linha de chegada em primeiro lugar. Na geral, somando a pontuação com o dia anterior, o atleta da elite conseguiu subir no lugar mais alto do pódio conquistando também o bicampeonato nesta prova. Na categoria juvenil o vencedor foi Patrick Farias, de Novo Hamburgo, e na Junior, João P. Gonçalves, de Farroupilha. Na estreante, o primeiro lugar ficou para William Oliveira de Parobé, enquanto na mountain bike, Marme de Souza, de Sapucaia do Sul. Na categoria Feminino ganhou Sabrina Trindade, de Novo Hamburgo, no Veterano, Gilberto Fetter, de Sapiranga. Já na Máster A venceu Jéferson Mendes, de Sombrio, Máster B, Silvio Quevedo Soares, de Porto Alegre e Máster C, Darcy Pereira, de Novo Hamburgo.
CAMPEÃO – Para o campeão da categoria Elite, Everson Assis Camilo, a parte mais pesada da competição de estrada foi neutralizar as fugas e fazer os ataques, tanto que na prova de circuito, concentrou-se na fuga que era a única chance de recuperar pontos buscando a meta e ganhando a corrida para alcançar a vitória no geral. Ele revela que costuma pedalar mais de 600 quilômetros por semana para as competições. Quando participou do Campeonato Brasileiro em junho, aumentou seu treino para 750 quilômetros por semana. Everson ficou em 6º lugar e o vencedor foi Murilo Fischer da equipe Garmin/Cervélo. Ele participou também da tradicional prova de ciclismo 9 de Julho, em São Paulo, onde ficou em 9º lugar. O segredo, segundo Everson, é boa alimentação e muito treino. Everson Assis Camilo é o atual campeão gaúcho.
Resultados completos www.fgc.com.br.
DANIEL CARNEIRO E ÉRIKA GRAMISCELLI VENCEM A PRIMEIRA ETAPA DA COPA ALE PREMO INCONFIDENTES
Itabirito, Minas Gerais
Fotos: Jomane Casagrande
Texto: Larissa Borges
A Copa Ale Premo Inconfidentes foi um sucesso. A prova teve a sua primeira etapa realizada no dia 10 de julho, no Pesque Pague Campestre, em Itabirito, Minas Gerais. Cerca de 230 bikers participaram da competição e mais de mil pessoas estiveram presentes para prestigiarem a corrida. O título da primeira etapa ficou com o mineiro Daniel Carneiro, na Elite Masculino e com a também mineira, Érika Gramiscelli, na Elite Feminino.
Apesar do frio que fazia no local, tudo saiu como planejado pelos organizadores. Não ocorreram atrasos nos horários das largadas, nem na divulgação dos resultados. Além disso, a estrutura do evento atendeu a todos os presentes, já que o acesso a banheiros, restaurante, área de estacionamento e espaço para a diversão das crianças era livre para todos. O organizador da competição, Eduardo Soares, conta que ficou satisfeito com o resultado do evento. “Tentamos fazer tudo da melhor forma. Cumprimos os horários previstos e oferecemos uma boa estrutura. Tudo foi organizado e pensado para que os atletas e o público tivessem a oportunidade de se divertir durante o evento”.
A prova
As primeiras categorias, que largaram às 10 h, foram a Sub-35 e a Sub-40. Depois, com intervalo de dois minutos, largaram as categorias Sub-45 e Sub-50. Logo atrás, bem alinhados, partiram os jovens da Sub-15 e Sub-17. Por fim, os atletas da Sub-13, Over 55 e Feminino Over 30, encararam a trilha.
No geral, os atletas elogiaram bastante a pista. Mesmo o circuito, com extensão de 6 km, sendo técnico e exigindo concentração dos competidores nas descidas e força nas subidas, os bikers gostaram do terreno. “A prova é excelente. O circuito é muito técnico, mas como estava bem preparado, tive pouca dificuldade nos trechos mais difíceis, como as subidas e descidas”, conta o campeão da categoria Sub-35, Edcarlos Oliveira. O campeão da categoria Sub-50, Eduardo Lages, de Nova Lima, acrescentou que “a prova oferece o melhor circuito de Minas Gerais para quem gosta de praticar o Cross-Country”.
Mais tarde, às 12 h 30 min, largaram as categorias Elite Masculino e Sub-23. Logo atrás, largaram a Elite Feminino, junto com os atletas da Júnior. Por fim, a largada da categoria Sub-30.
A disputa pelo título na Elite Masculino foi emocionante. Robson Ferreira, da equipe Amazonas e atual campeão da competição, largou bem e logo assumiu a liderança da prova. Atrás de Robson, estava Daniel Carneiro, da equipe Guga Team/Paulínia-SP/Focus, na segunda posição. A primeira volta foi acirrada. Os dois atletas correram lado a lado. Porém, Robson não conseguiu sustentar a liderança e já na segunda volta, Daniel assumiu o primeiro lugar. Na terceira volta, Daniel abriu uma distância de aproximadamente dois minutos do segundo colocado. A partir daí, ele administrou a diferença de tempo para conquistar o primeiro lugar do pódio.
Daniel conta que a prova foi difícil e que se manteve concentrado para errar o menos possível. “A prova foi bem dura, o circuito é muito técnico. Procurei me concentrar nos trechos mais técnicos e não errar nas curvas, para não perder tempo. No final, consegui imprimir um ritmo forte e administrar a corrida”, afirmou o campeão. Apesar da segunda colocação, Robson somou pontos importantes e ainda se mantém na disputa do título. “A prova foi dura desde o início, mas fiquei satisfeito com a minha colocação, pois deu para conquistar os pontos e defender o título”, afirma o biker.
Na Elite Feminino, a competição também foi difícil. Na primeira volta Érika Gramiscelli (Circuit Jamis) e Aline Lombello (Eko Motos/Ophicina/Bikeshop/Teklarm/All Fitness) disputaram o primeiro lugar. Mas, ainda na primeira volta, Érika aumentou o ritmo e conseguiu abrir uma distância de dois minutos da segunda colocada. A biker administrou o tempo nas demais voltas e conquistou o título da primeira etapa. “Fiquei feliz com o meu resultado. É importante vencer em um campeonato que vale pontos para o ranking brasileiro. Além disso, o circuito técnico tem características de pistas mundiais, que ajuda a aprimorar a nossa técnica”, declarou a campeã.
Amadores
A Copa Shimano/Tripp de Amadores foi realizada às 8 h. A largada aconteceu na seguinte ordem: Expert, Cadete, Veterano e Feminino Amador. A prova também foi bem disputada. Com aproximadamente 1 h 30 min de duração, os atletas mostraram que possuem muita técnica no circuito. Os vencedores foram: na categoria Expert, Luis Felipe Duarte (Sbrasilbike/Shopdroga Clara). Na categoria Cadete, o atleta local, Breno Sales (Breno Morais Studio de Beleza). Na Veterano, o campeão foi Cássio Rodrigo de Andrade (MTB-BH) e na categoria Feminino, Thamires Werneck (Alto Rendimento).
Resultados completos: www.copainconfidentes.com.br
II Cross Country do Jataí
No dia 07 de agosto aconteceu o II Cross-Country do Jataí, na cidade de Janaúba, Norte de Minas Gerais. O evento teve uma participação recorde, já que contou com a participação de aproximadamente 100 atletas. O calor intenso fez alguns atletas desistirem da corrida. O evento foi organizado por José Carlos Braga e contou com o suporte técnico de Rossine, que escolheu e demarcou o percurso. Foram 2 km de estrada de terra e mais 2,75 km de trilhas técnicas: um grande desafio que conferiu ainda mais emoção ao evento. Mais de 1.000 pessoas prestigiaram a competição. Gugu Santiago (Mc Boutique/Manú Pinturas), comprovando sua ótima fase, venceu na categoria Master, mesmo com um pneu furado. Outro destaque da prova foi Simone Reis, de Montes Claros - MG. Ela foi a única mulher a encarar o desafio e competiu na categoria sub-23, juntamente com os homens.
Desafio dos Sertões surpreende ciclistas com novo cenário
A quarta etapa do Circuito Ceará Adventure de Bike 2011 movimentou o município de Palmácea
Texto e fotos: Vinicius Augusto
Palmácea sediou pela primeira vez uma etapa do Circuito Ceará Adventure de Bike. A novidade agradou não só os ciclistas que puderam aproveitar as belezas e desafios do percurso, mas também os moradores do local que acordaram cedo para acompanhar os preparativos e torcer. Cento e cinquenta atletas participaram do Desafio dos Sertões e tiveram que enfrentar o sol e a chuva para completar a 4ª etapa do campeonato.
Foram 45 quilômetros, entre descidas e subidas em um cenário deslumbrante. A possibilidade de conhecer mais uma cidade cearense também contou como prêmio para os participantes. “O Circuito tem como objetivo levar os ciclistas para conhecer um pouco mais das riquezas do Ceará. Palmácea entrou no calendário e tem tudo para continuar” afirma Marcelo Facó, organizador do Circuito.
O primeiro lugar da categoria turismo foi conquistado por uma dupla da própria cidade. Com o tempo de 1 h 23 min 25 s, a dupla Palmácea cruzou a linha de chegada. A disputa ente o segundo e terceiro lugar foi acirrada. A dupla Haritov chegou menos de um minuto antes da dupla Roda Presa.
Entre os graduados, ainda mais competitividade. A dupla masculina ganhadora foi Bike Ceará com 3 h 19 min 29 s, seguidos pela Zona Alvo e Cia de Aventura. Entre as duplas mistas, a equipe Bruttus levou a melhor completando a prova em 3 h 26 min 27 s. As equipes Endurance, Mr e Mrs Smith conquistaram o 2º e 3º lugar, respectivamente. Savana Bike Shop subiu novamente no lugar mais alto do pódio das duplas máster, após completar a prova com 3 h 19 min 39 s. Ac Bike Ceará e Los Carecas chegaram depois e levaram o 2º e 3º lugar.
Resultado DESAFIO DOS SERTÕES
Categoria Turismo - Dupla Palmacea – 1 h 23 min 25 s
Categoria Dupla Masculina - Dupla Bike Ceará – 3 h 19 min 29 s
Categoria Dupla Mista - Dupla Bruttus – 3 h 26 min 27 s
Categoria Master - Dupla Savana Bike Shop – 3 h 19 min 39 s
1º Campeonato de Dirt Jump de Americana reuniu mais de 6.000 pessoas
Fotos: FPMTB/Divulgação
A prova que aconteceu na pista Taliban Trails, em Americana, reuniu 30 pilotos que radicalizaram o final de semana da cidade do interior paulista.
Pilotos de Dirt Jump realizando saltos e manobras impressionantes são suficientes para aglomerar uma multidão. Essa é uma das magias desse esporte. Dentre os pilotos estavam os melhores do cenário nacional do esporte, como Mike Moura, Leandro “Overall”, “Charminho”, entre tantos outros que elevaram ainda mais o nível do evento e arrancaram gritos dos espectadores a cada manobra, como backflips, frontflips, double tailwhips, flairs, nothings, backflip tailwhip, e inúmeras outras combinações de manobras.
Com apoio da Prefeitura Municipal de Americana, que disponibilizou infraestrutura de suporte para o evento, como banheiro químico, arquibancada, policiamento e ambulância, a prova reuniu uma verdadeira multidão. “O apoio da Prefeitura local é vital para o sucesso de eventos como este, de uma modalidade desconhecida por muitos, mas que traz grande número de espectadores ao local onde acontece. Quanto mais infraestrutura houver para abrigar o público, mais público irá se aglomerar no local para assistir o espetáculo que essas feras do Dirt dão”, comentou Clayton Palomares, presidente da Federação Paulista de Mountain Bike (FPMTB).
Estima-se que mais de 6.000 pessoas passaram pelo local nos dois dias de prova. A pista ainda é nova para muitos, foi construída em novembro de 2010 pelo biker Munir El Kadri, que reside em Americana. Chamada de “Taliban Trails”, a pista é inovadora, tem sete duplos e sai do clássico traçado reto, para dar lugar às curvas, rips e rollers. A linha amador é separada da profissional e tem somente três duplos em linha, o que agradou ainda mais todos os pilotos presentes.
A prova foi dividida em três categorias: Pró (Profissional), Amador e MTB (Mountain Bike). Esta última (MTB) contou com a participação de seis pilotos, mostrando que as bikes grandes também estão cada vez mais presentes no Dirt Jump brasileiro, seguindo a tendência mundial.
Três árbitros julgavam três descidas de cada piloto, sendo descartada a menor pontuação das três para a somatória final. Neste modelo quem levou a melhor na categoria Pró foi Mike Moura, seguido de Denis Canina e Leandro “Overall. Já na categoria Amador o vencedor foi Bruno “Napa”, seguido de Thiago Belli e Heitor Wolf. Na categoria MTB quem levou a melhor foi o piloto Vitor Polessi, seguido de Thiago Viana e “Bene”.
“Acho que este foi o primeiro campeonato com linhas diferentes que já rolou no Brasil. O Munir está de parabéns, gostei muito da pista e da prova, e espero que tenha muito mais eventos nessa pista. Pretendo voltar em breve ao Taliban Trails para fazer alguns vídeos. O lugar é show”, afirmou Mike Moura, piloto de renome internacional que faturou o primeiro lugar na categoria Pró.
O evento foi organizado pelo piloto Munir El Kadri e amigos, contou com o patrocínio da Prefeitura Municipal de Americana, Red Bull, Gráfica Digital, Vans, Alumínios Bauchita, BPM, Impact, SHN, Stocovich, Haro e MOB, e apoio da Federação Paulista de Mountain Bike, ESPN, Sistema BMX e Virtual BMX.
Fotos da FPMTB:
https://picasaweb.google.com/101332905304779212871/1oDirtJumpDeAmericanaTalibanTrails
Fotos de Guilherme Giansante: http://www.facebook.com/photo.php?fbid=185106634888639&set=a.185090901556879.51983.100001679109110&type=1&theater
Fotos de Munir El Kadri:
http://www.facebook.com/media/set/?set=a.113065832124041.17674.100002618742613
FOUR FUSION ELEMENTS MTB – ETAPA TERRA
Texto e fotos: Antonio Merlo
Mogi Mirim - São Paulo
A Associação Atlética Banco do Brasil, na cidade de Mogi Mirim recebeu, no dia 10 de julho, recebeu a 3ª Etapa Terra da Four Fusion Elements MTB. Cerca de 200 atletas profissionais e amadores divididos em várias categorias puderam desfrutar de um percurso de 50 km estilo marathon, com estradas secundárias e um single track de tirar o fôlego. Outro obstáculo que decidiu várias colocações foi os bancos de areia que foi difícil de ultrapassar sem encalhar.
Essa prova foi organizada pela família Malvezzi´s, que incluiu o percurso de 34 km para categoria turismo para os competidores que estão iniciando no esporte. Outra boa iniciativa foi a categoria kids, que reuniu os filhos dos competidores e foi emoção do início ao fim.
Categoria Elite Masculina
RENATO RUIZ – Equipe PADARIA REAL - CALOI SOROCABA - 01 h 30 min 46 s
ALEXANDRE HENRRIQUE AZEVEDO – Equipe MALVEZZIS BIKE CLUBE MOGIANO - 01 h 31 min 21 s
DANILO JULIANO FERREIRA - Equipe FOCUS BIKE – 01 h 33 min 15 s
Categoria Feminina
TATIANI CRISTINA OLIVEIRA LOBO - Artur Nogueira - Equipe LOBO SPORT BIKE ARTUR NOGUEIRA –01 h 51 min 35 s
TAMARA PESOTI NETTO - Espírito Santo do Pinhal – Equipe AAP E LOJA PRO RUNNER –02 h 07 min 19 s
LILIA PEDROSO BARBOSA CARDOSO – Piracicaba – Equipe AÇAÍ MIL&ROSS/ACADEMIA PERSONAL/ASS. BIO –02 h 07 min 53 s
98º Tour de France
02/07/2011 a 24/07/2011
Contador é destronado e Cadel Evans entra para a seleta lista de vencedores do Tour de France
Considerado o maior de todas as grandes voltas, o Tour de France, em sua 98ª edição, iniciou no dia 02 de julho e percorreu 3.430,5 km em 21 etapas. As frequentes quedas e uma mudança incrível de posições na penúltima etapa marcaram a competição em 2011.
A UCI (União Ciclística Internacional) e a AFLD (Organização Antidoping Francesa) instituíram um controle rígido através da coleta de amostras de sangue e urina, dia a dia, possivelmente como um reflexo de toda a repercussão que gerou o caso Contador. Apontado como um dos melhores ciclistas da atualidade, o espanhol ainda aguarda julgamento sobre o flagrante antidoping no Tour 2010, em que foi detectada a substância clembuterol, que pode aumentar o desempenho respiratório do atleta. O vencedor dos últimos dois Tours de France e do Giro d'Itália 2011, porém, sofreu diversas quedas e não conseguiu manter a hegemonia em terras francesas.
Cadel Evans, a superação na penúltima etapa
Na primeira etapa, Philippe Gilbert conquistou a vitória e o australiano Cadel Evans, 34 anos, já mostrava a que veio, ficando com o segundo lugar.
Na quarta etapa, Evans conseguiu seu primeiro triunfo no Tour, cruzando a linha de chegada milésimos de segundo a frente de Alberto Contador. Com o braço erguido na linha de chegada, Contador comemorou a boa performance e os oito segundos que abriu com relação a Andy Schleck, outro favorito ao título.
Com a equipe BMC trabalhando para Evans, a 8ª etapa nas montanhas de Super Besse poderia ser o momento ideal para o australiano vestir a camisa amarela, mas o português Rui Costa, da Movistar, roubou a cena e não cedeu aos ataques de Gilbert. Evans chegou em terceiro.
Na escalada dos Pirineus, Cadel Evans chegou motivado e otimista. Sua regularidade em terrenos montanhosos foi determinante. Mas a virada espetacular aconteceu na penúltima etapa, um contra-relógio de 42,5 km em Grenoble. A classificação geral no início da etapa mostrava os irmãos Schleck na liderança: Andy tinha uma vantagem de 57 segundos e Frank tinha uma vantagem de quatro segundos com relação a Evans. Ainda antes da segunda parcial do dia, o atleta da BMC já havia tirado a diferença. Concentrado e disposto a concretizar uma incrível mudança nas colocações, o atleta cruzou a linha de chegada com o tempo de 55m10s, e superou Andy Schleck em 1m34s na classificação geral.
Na última etapa, Cadel só teve o trabalho de administrar a corrida para garantir a camisa mais cobiçada do Tour de France. Ele já havia sido, em 2007 e 2008, vice-campeão da competição, e agora marcou seu nome entre os grandes campeões. Andy Schleck amargou o segundo lugar no Tour, pela terceira vez consecutiva.
Garmin-Cervelo, a melhor equipe do Tour
No dia 03 de julho aconteceu a segunda etapa, que consistia em um contra-relógio por equipes. A melhor equipe do Tour, a Garmin - Cervelo, conquistou a vitória com quatro segundos de vantagem sobre a equipe liderada por Evans, a BMC.
Os atletas da Garmin-Cervelo, entre eles o norte-americano Tyler Farrar, conquistaram colocações importantes nas etapas. Thomas Danielson também sempre esteve entre os primeiros da classificação geral e ficou com a 9ª colocação individual.
O norueguês Thor Hushovd, atual campeão mundial, vestiu a camisa amarela por diversas etapas e conquistou quatro vitórias neste Tour, sendo um dos destaques do melhor time da competição.
Mark Cavendish, o camisa verde
Mesmo perdendo os pontos conquistados na meta intermediária da terceira etapa, o britânico Mark Cavendish, da equipe HTC-Highroad, foi o atleta que mais pontuou no Tour 2011, conquistando a camisa verde.
A primeira das cinco vitórias veio na quinta etapa, após percorrer 165 km entre Carhaix e Cap Fréhel. Na sétima etapa, Cavendish aproveitou o bom trabalho da sua equipe, que conseguiu controlar o pelotão com um trem de oito ciclistas e neutralizar o ataque de Greipel e Petacchi, permitindo que ele saltasse na sequência e conquistasse o primeiro lugar. Na 11ª, 15ª e na última etapa, Cavendish defendeu a camisa verde com toda a sua eficiência e definitivamente tornou-se o maior sprinter da história da competição.
Samuel Sanchez, o escalador
Assim que o Tour chegou nos Pirineus, na 12ª etapa, o melhor escalador do evento venceu um percurso de 211 km entre Cugnaux e Luz Ardiden. Foi a primeira etapa de alta montanha, e Sanchez, atleta da Euskalte-Euskadi, tornou-se o rei da montanha após saltar do pelotão na última subida daquela etapa: 13 km e 7,4% de inclinação. Além do título de melhor montanhista, Sanchez ainda ficou em sexto lugar na individual, a 4m55s de Evans.
Pierre Rolland, o futuro da França
O atleta da equipe Europcar venceu a 19ª etapa, na despedida dos Alpes. O francês comandou uma fuga, seguido por Sanchez e Contador, e depois de 25 anos, fez a festa dos anfitriões. Desde 1986, quando Bernard Hinault venceu esta etapa, nenhum francês havia conseguido novamente êxito no Alpe d'Huez.
Com a vitória, a promessa do ciclismo francês foi o melhor jovem da competição, classificação que considera os atletas com até 25 anos.
Quedas
A primeira etapa da prova já foi marcada por duas quedas que envolveram ciclistas do pelotão de frente e influenciaram o resultado. A 8 km da linha de chegada, cerca de 50 ciclistas, entre eles Contador e Sanchez, caíram. Logo depois, mais seis ciclistas também sofreram um novo acidente.
As baixas por quedas começaram cedo também. Brajkovic, da RadioShack, ficou muito desapontado em ter que deixar o Tour já no quinto dia de prova.
As quedas não deram tréguas e não pouparam ninguém. Na 9ª etapa aconteceram as mais graves: primeiro um grupo de ciclistas caiu e quatro tiveram que abandonar a prova com fraturas. Alguns tiveram, inclusive, que passar por cirurgias. Evans, Millar e Kloden também caíram, mas conseguiram retornar à etapa. Segundo, um carro de TV francesa fechou Flecha, que acabou caindo e envolvendo Hoogerland, Voeckler, Sanchez e Casar. O ciclista holandês Hoogerland foi arremessado para fora da pista, sobre uma cerca de arame farpado.
Na 9ª etapa, mais um acidente envolvendo Contador o deixou com dores no joelho. Desapontado, o atleta admitiu que este não era o seu Tour. "As pistas muito estreitas - mais do que o normal, e a presença constante da chuva foram, sem dúvida, motivos para tantos acidentes", declarou.
Outros destaques
A equipe Leopard-Trek, segunda melhor equipe da competição, foi novamente muito bem representada pelos irmãos Schleck. Andy e Frank ficaram em segundo e terceiro, respectivamente, e mantém os bons resultados dos últimos anos.
O francês Thomas Voeckler, da Europcar, também deu muitas alegrias aos anfitriões da prova, conquistando o quarto lugar individual. Alberto Contador foi o quinto colocado, 3m57s atrás de Evans.
O destaque fora da estrada ficou para um grupo de fazendeiros franceses que, na terceira etapa, desenharam uma bicicleta gigante para homenagear o Tour de France. Com uma incrível criatividade, os fazendeiros usaram feno para criar o quadro, guidão e o banco. A bicicleta foi equipada até com uma caramanhola gigante. E o mais impressionante: dezenas de tratores em movimento simulavam as rodas da bike, e outros implementos agrícolas menores faziam o movimento da coroa. O vídeo desta verdadeira obra de arte você pode assistir no site da revista. Acesse: http://www.revistabicicleta.com.br/new562.php.
Campeão Individual CADEL EVANS BMC RACING TEAM 86h 12' 22''
Campeão por Pontos MARK CAVENDISH HTC - HIGHROAD 334 pontos
Campeão Montanha SAMUEL SANCHEZ EUSKALTEL - EUSKADI 108 pontos
Campeão Individual até 25 anos PIERRE ROLLAND TEAM EUROPCAR 86h 23' 05''
Equipe Campeã TEAM GARMIN - CERVELO 258h 18' 49''
Tour do Rio 2011
Brasil tem quatro atletas classificados para os Jogos Olímpicos de Londres 2012
A segunda edição do Tour do Rio aconteceu entre os dias 27 e 31 de julho, contando com oito equipes internacionais. Com 784,5 km em um cenário que mistura montanhas, praias e reservas naturais, as cidades de Rio de Janeiro, Angra dos Reis, Volta Redonda, Três Rios, Friburgo e Região dos Lagos acolheram a prova, considerada a maior competição internacional de ciclismo de estrada de alta performance.
Depois de finalizadas as cinco etapas, o colombiano Juan Suarez, da equipe EPM Colômbia, comemorou o título e ficou com a camisa amarela de líder.
Os destaques brasileiros foram Magno Nazaret, melhor velocista da competição, e Antonio Nascimento, o "rei da montanha", ambos da equipe FUNVIC/Pindamonhangaba.
Com a pontuação que os brasileiros fizeram na competição, o Brasil terá direito a quatro vagas na modalidade estrada, para Londres, nos Jogos Olímpicos.
O ponto negativo da competição ficou por conta de um episódio de racismo. O ciclista italiano Marco Coledan (Trevigiani) ofendeu verbalmente o brasileiro Renato "Centenário" Santos (Dataro/Foz do Iguaçu). Apesar deste fato, o Tour do Rio 2011 foi um grande sucesso. O público compareceu e os atletas puderam sentir o calor do povo carioca. “Nunca fui tão feliz em minha carreira como agora no Tour do Rio. Eu e minha equipe vivemos momentos muito especiais nessa semana no Rio de Janeiro, passando por paisagens incríveis. Pedalar na Ponte Rio-Niterói foi como um sonho”, vibrou o americano Eric Schildge, vencedor da etapa final.
Para o comissário da UCI, Adrien Levesque, "o Tour do Rio é perfeito em termos de promoção e apelo popular. O percurso mescla bem montanhas e etapas velozes e tem meu aval para subir para o nível 2.1 na UCI. Com isso, poderá receber equipes que participam do Pro Tour, como o Tour de France. Temos que encontrar uma data melhor para o Tour do Rio no calendário, de modo a permitir a vinda dos principais atletas, bem como fazer pequenos ajustes técnicos."
RESULTADOS
CAMPEÃO JUAN SUARES 18 h 42 min 24 s
EQUIPE EPM - UNE COLÔMBIA 56 h 08 min 39 s
VELOCISTA MAGNO NAZARET
MONTANHA ANTONIO NASCIMENTO
SÃO JOSÉ DA SERRA - MG
Nas trilhas de Minas
TEXTO E FOTOS: Gabriel Antonoff e Priscilla Costa Pereira
Bikers que procuram regiões para a prática do esporte vão se encantar com o vilarejo conhecido como São José da Serra, pertencente à Jaboticatubas, Minas Gerais, localizado a 100 km de Belo Horizonte, na região da Serra do Cipó (vide matéria do Roteiro Serra do Cipó, página 88, edição nº 5).
A antiga região surgiu das atividades agropecuárias locais no final do século XIX. Desta maneira, nos dias de hoje ainda existem diversas fazendas, criações bovinas, além de casarões centenários, tradicional igreja e seu cruzeiro de 1802, ambos muito bem conservados. Toda área está dentro de um complexo de proteção ambiental.
O distrito conta com pequenas e aconchegantes pousadas, áreas de camping, restaurantes e o que ocorre em todo interior mineiro: receptividade e apreço dos moradores locais.
São José da Serra, recheada de cartões postais naturais, pode ser considerada uma das mais belas regiões do complexo Serra do Cipó. Cercada por dezenas de cachoeiras, o local possui sua topografia favorável para a prática do mountain bike. Seja para praticantes iniciantes ou experientes, é possível percorrer dezenas de quilômetros por tranquilas estradas de terra e trilhas, cercadas por vegetação nativa e clima excelente.
De acordo com o nível técnico e físico do atleta, podem-se determinar longos roteiros, já que no raio de aproximadamente 50 km existem cidades como Jaboticatubas, Santana do Riacho, Lapinha da Serra, Tabuleiro, entre outras. Outras maneiras interessantes são pequenos trechos de 5 a 10 quilômetros. Próximo ao centro do distrito existem destinos para qualquer praticamente, como a Cachoeira “Rala Bunda”, cercada por paisagem maravilhosa. Um pouco mais afastada, a cerca de 10 km, uma das mais belas, senão a mais extraordinária cachoeira da redondeza (cachoeira do Bené). Entretanto, para chegar até o local é indicado uso de motocicleta ou 4x4 e claro, bicicleta. O local possui um pequeno bar gerenciado pelo próprio Senhor Bené, de aproximadamente 80 anos e dono da propriedade. Ainda sim, apesar de curto, o pedal até a cachoeira do Bené é indicado para bikers experientes, em função do nível de altimetria elevado.
Outras opções não registradas são: cachoeira do Sr. Dimas, cachoeira do Felipe, Poço da Dona Zezé e provavelmente dezenas de locais ainda inexplorados.
Por fim, fica a dica de pedal em um local tão perto da capital mineira, e tão longe e desconhecido para muitos.
Informações úteis:
- Distância de Belo Horizonte: 100 km, sendo 90 de asfalto; 10 de estrada de terra.
- KM 92, BR rumo à Jaboticatubas/Serra do Cipó.
- Celular: sinal somente para VIVO.
- Sinal para GPS e alguns pontos disponíveis.
- Restaurantes e pousadas.
- Não possui posto de gasolina.
- Não possui bancos ou caixas 24hs.
- Outras informações: www.saojosedaserra.com.br.
O início das Expedições Mistralis – Velejando e Pedalando
Reserva das Emerências
Para quem viaja muito, pedalar é sempre uma ótima maneira para explorar de forma saudável cidades, praias, trilhas e parques. Além disso, é uma ótima opção para manter a forma, já que você sairá da rotina e não poderá ir até a academia ou fazer sua atividade física costumeira.
Foi assim que a tripulação do veleiro Mistralis conseguiu dar um jeito na escassez de atividades aeróbicas durante as travessias oceânicas, que teve início no Rio de Janeiro e se estende, para o nordeste, até Fernando de Noronha e, para o sul, até Ushuaia. Desde 2001, a tripulação do veleiro-escola Mistralis navegou milhares de milhas e percebeu que estava sedentária, pois quase não há atividades durante as travessias oceânicas, e quando chegava em terra firme dependia de transporte público para visitar a região.
O início das expedições aconteceu depois de realizarmos uma travessia entre Rio de Janeiro e Búzios. Saímos do Rio de Janeiro, com cinco alunos e velejamos pela Região dos Lagos (Arraial do Cabo, Cabo Frio e Búzios). Enfrentamos algumas calmarias, a entrada de uma frente fria e os prazeres proporcionados pelo mar. Foram cinco dias velejando e passeando pela região.
Assim que terminamos nossa travessia e deixamos nossos alunos em Cabo Frio, estávamos ansiosos para montarmos nossas bicicletas e procurarmos novas emoções em terra firme. Foi então que resolvemos nos aventurar por uma pedalada até a Reserva das Emerências, em Búzios. Tínhamos cerca de 30 km de pedalada entre praias, asfalto e terra. E o mais difícil: uma região desconhecida para nós.
Seguindo ao norte de Cabo Frio e passando a Ponte Feliciado Sodre, atravessamos o Rio Itajuru e seguimos direto para a Praia do Peró. Pedalamos 5 km pela Praia. Do nosso lado direito tínhamos as águas mais cristalinas da Região do Lago. Já do nosso lado esquerdo, as Dunas do Peró, com vegetação de restinga preservada em 6 dos seus 7 km de extensão. Porém, é necessário ficar de olho na maré, pois para pedalar toda sua extensão, só com maré baixa. Saindo do Peró, percorremos um pequeno trecho em estrada de asfalto e então chegamos à Praia das Caravelas, onde começa um pequeno e exuberante single track até a Praia José Gonçalves, conhecida pelas suas fortes ondas e pedras naturais espalhadas pela areia. Com certeza um dos mais belos trechos desse caminho.
Depois de descansarmos um pouco, seguimos pela Estrada Velha de Búzios cerca de 5 km até encontrarmos a estrada de terra que leva à Serra das Emerências. A trilha com 4 km de extensão tem uma inclinação moderada e muitos obstáculos, e é aconselhada apenas para pessoas que tenham um bom condicionamento físico e acostumadas a pedalar em trilhas com pedras soltas. Após conquistarmos o Pico da Serra das Emerências, que é utilizado para os amantes do voo livre, ficamos um tempo curtindo a paisagem. Conseguimos avistar quase toda a Região dos Lagos. Depois de quase 30 km era hora de voltarmos para bordo e seguirmos com nossos preparativos para as próximas travessias, agora em mar aberto!
A SERRA DAS EMERÊNCIAS
A Serra das Emerências faz parte da maior e mais importante reserva de Pau-Brasil em território fluminense. São seis praias e seis ilhas desta região protegidas pela APA do Pau Brasil, evitando desmatamento, caça, loteamento, construções de estradas, etc. O local abriga espécies que não existem em nenhum outro lugar do mundo, como o cacto “Piloso Sereus Ulei” e ainda abriga o quase extinto Mico Leão Dourado. Todos esses fatores combinados com a ressurgência, baixo nível pluviométrico, sítios arqueológicos e espécies endêmicas, tornam a região um dos mais perfeitos locais para o ecoturismo.
BERMUDA REVOLUTION - BARBEDO SPORTS
Sucesso em todo o Brasil, a bermuda Revolution é confeccionada em lycra. Para melhor absorção de impactos, o forro Sport foi desenvolvido em duas camadas de espuma de alta densidade. Possui costura em Flat Seam, oferecendo mais conforto e resistência. Não tem elástico na perna. Proporciona alto desempenho e conforto em competições, treinos, viagens e passeios de curta e média duração.
Preço sugerido: N/D
www.barbedosports.com.br
Suspensão Fox Terralogic 32 F-SERIES FIT
A suspensão Terralogic pesa apenas 1,5 kg nos modelos com 80 e 100 mm e 1,58 kg no modelo com 120 mm. O grande destaque é o sistema inteligente que dispensa travas manuais. A suspensão tem um mecanismo que se adapta a cada terreno e características de cada piloto. O sistema trava automaticamente em terrenos regulares e trabalha em locais acidentados. Recurso ideal para pilotos iniciantes. Disponível na cor branca e com três opções de curso: 80, 100 e 120 mm. Distribuído pela Bronet do Brasil.
Preço sugerido: R$ 3.150,00
vendas2@bronet.com.br
Reservatório de água com capacidade de três litros. Possui ampla abertura que possibilita virá-lo completamente ao avesso, tornando-o fácil de limpar e de secar. Seu exclusivo adaptador Plug & Play permite remover a mangueira com facilidade e mantém o reservatório selado quando o tubo não está conectado. Seu sistema de vedação com trava deslizante é simples de usar e eficaz no fechamento. É resistente à abrasão, podendo esticar até oito vezes o seu comprimento original sem falhar. Produto em Poliuretano Atóxico, livre de Bisfenol A (BPA) e Phthalates, substâncias tóxicas ao ser humano.
Preço sugerido: R$ 130,00
www.curtlo.com.br
Sapatilha DaMatta
Sapatilha para Mountain Bike produzida com couro em microfibra sintética e tela transpirável. Possui sistema de ajuste com três velcros, reforço plástico na parte traseira e solado rígido e leve, desenhado exclusivamente para MTB.
Preço Final: R$189,90
www.damattadesign.com
Guidão PRO XCR
Carbono reforçado 26 reto para Cross-Country, 31,8x580 mm. Ângulo: 5°. peso: 135 g.
Preço sugerido: N/D
www.isapa.com.br
REBELDE MASCULINA
Quadro em aço carbono, com duplo sistema de amortecedor.
Aros aero parede dupla 36 furos, cor preto.
Pneu 26x2.00 preto.
Selim bicolor cor branco/preto.
Garfo Standard, aço carbono com suspensão de curso 55 mm, branco.
Retrovisor, campainha, folheto, manuais, refletores, garrafa plástica personalizada Rebelde e cartela de adesivos.
Marchas: 21 velocidades.
PREÇO SUGERIDO – R$ 679,00
www.houston.com.br
Bar-Ends PRO XCR reto
Alumínio 7075 T6 com parafusos alumínio preto 22,2x110 mm. Leve, para corrida XC. Ângulo:10°. Peso: 60 g. Distribuído por Isapa.
Preço sugerido: N/D
www.isapa.com.br
Limpador de Corrente PRO
Possui escovas com reservatório, atua nos quatro lados, inclui desengraxante com 75 ml. Distribuído por Isapa.
Preço sugerido: N/D
www.isapa.com.br
Quadro Mosso
A linha Supreme, o mais novo lançamento da marca Mosso, certamente impressionará pelo acabamento de primeira linha e um design que trará alta performance para a sua pedalada, graças a incrível tecnologia Tripple Butted Tubes empregada em todos os quadros, que permite um produto seguro, resistente e leve. Em alumínio 7005 e disponível em três cores (vermelho, azul e preto), a linha Supreme tem o melhor custo-benefício do mercado.
Preço sugerido: N/D
www.lmbike.com.br
MotoTransBike
O MotoTransBike é um rack para transporte de bicicleta em motocicleta prático e seguro, facilmente fixado ao chassi da motocicleta permitindo ao usuário encaixar, prender e transportar uma bicicleta em minutos, minimizando o uso de espaço e ferramentas. Cada MotoTransBike foi desenvolvido de acordo com o modelo de motocicleta, com o objetivo de não descaracterizar os equipamentos originais de série. O MotoTransBike é a solução para os amantes das duas rodas.
Preço sugerido: R$ 350,00
www.mototransbike.com.br
TeamMachine RM01 Carbon
“TeamMachine RM01 Carbon, com TCC” e exclusivo canote de selim “Integrated Carbon, com TCC”. Indicada para “escaladores” e “fundistas” por sua geometria, rigidez, leveza e conforto para longas pedaladas. Equipada com grupo SRAM Red, acessórios Easton EC70/EA70 e rodas Easton EA70. Peso: 6,8 kg.
Preço sugerido: R$ 19.990,00
www.omegabr.com.br
Rodas SRAM S27 AL Comp
Com a mesma tradição e qualidade das rodas ZIPP, as rodas SRAM S27 são produzidas em alumínio e possuem perfil tradicional com 27 mm de altura, que combinados com os raios Sapim CX, garantem a rigidez, otimizando a transferência de energia sem perder o conforto. Seu custo benefício e peso inferior às rodas concorrentes (1630 g) a tornam uma ótima opção para o seu treino. Além disso, foi eleita pela revista alemã Tour como a melhor roda em alumínio de sua categoria.
Preço sugerido: R$ 1.599,00 (O par)
www.proparts.esp.br
COBALT 2
A nova roda Cobalt 2 vem com o visual incrível como é de praxe nos produtos Crankbrothers.
Excelente rigidez, alta durabilidade, compatível com pneus tubeless e com o valor muito mais atrativo.
Peso: 1690 g
Cores: preta ou prata
Garantia: 2 anos
Preço sugerido: R$ 2200,00
www.royalpro.com.br
