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Trânsito violento, o maior desafio do ciclista em Niterói (RJ)

Pesquisa ouviu moradores da cidade fluminense sobre o uso da bicicleta. Para 70%, problema maior é a falta de segurança e de respeito dos outros modais no trânsito

Por Mobilize
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Trânsito violento, o maior desafio do ciclista em Niterói (RJ)
Pesquisa avaliou desafios ao uso da bicicleta em Niterói
Foto: Divulgação

Qual a percepção dos moradores de Niterói, na Região Metropolitana do Rio de Janeiro, sobre o uso da bicicleta na cidade? Para entender melhor esse universo e seus desafios, um estudo buscou saber o que pensa aquele que pedala no município, e a partir daí apontar caminhos, levando em conta os anseios e demandas dessa parcela da população. 

O autor da pesquisa é Guilherme Moyses Pfeffer, colaborador do Mobilize, que ouviu 100 moradores da cidade para seu trabalho de conclusão do curso de engenharia pela Universidade Federal Fluminense. Das respostas, chama a atenção o fator considerado mais relevante para o uso da bicicleta para a maioria dos entrevistados: o sentimento de segurança. A falta de segurança se dá principalmente na relação com outros modais de transporte - para os entrevistados, os motoristas não respeitam ciclista - e ainda na precariedade da infraestrutura cicloviária. O item 'falta de segurança' recebeu nota 4,63 (numa escala de 0 a 5). 

Conversamos com Guilherme para conhecer outros detalhes da pesquisa intitulada "Metodologia para seleção de políticas públicas de incentivo ao uso da bicicleta como modelo de transporte". Leia a seguir as informações trazidas pelo pesquisador, enquanto a íntegra do estudo não está disponível em pdf. E confira outros dados da pesquisa no quadro ao final da entrevista.  

- Sua pesquisa compreendeu apenas a cidade de Niterói?

O estudo de caso contido no trabalho sim, ocorre dentro do munícipio de Niterói. Porém a metodologia desenvolvida analisa cidades e especialistas em mobilidade urbana de diversas regiões do mundo. Então, complementarmente, a metodologia desenvolvida pode ser aplicada para qualquer tipo de cidade. Para tanto, foi também fundamental pesquisar o quem vem sendo feito nas cidades que atualmente se destacam como as mais amigáveis ao ciclistas como, por exemplo, Copenhague, Amsterdã e Utrecht.

- Quantas pessoas foram ouvidas? 

Foram entrevistados, por meio de um questionário na internet, um total de  100 moradores - ciclistas e não ciclistas -, o que gera um nível de confiança de 90% na pesquisa. 

O que o levou a realizar este trabalho? 

Quanto às motivações, entendo que a mobilidade urbana é um desafio para praticamente toda cidade e região do planeta, e acredito ser fundamental estudos como este, para auxiliar os planejadores urbanos a tomarem suas decisões. A proposta foi desenvolver uma metodologia que apoie os planejadores na escolha das políticas públicas mais adequadas aos problemas das cidades. Levei em consideração neste estudo a percepção da população quanto ao uso da bicicleta, a percepção de especialistas sobre o tema e as características geográficas da região.

- Quais os principais resultados e conclusões do estudo?

Da perspectiva do morador da cidade, foi possível entender quais são suas maiores demandas e desafios. No final, o fator considerado mais relevante para o uso da bicicleta, por exemplo, foi o sentimento de segurança; e o menos importante a 'beleza do cenário', respectivamente com notas 4,63 e 2,72, dentro da escala de 0 a 5. 

- Do total de entrevistados, quantos fazem uso da bicicleta?

No seu dia a dia, 48% dos entrevistados responderam usar a bicicleta para se locomover. O que remete a outro resultado bastante importante desta pesquisa: a percepção dos ciclistas sobre o trânsito. Para 70% dos moradores, o maior desafio enfrentado por quem pedala no dia a dia é a violência no trânsito, evidenciada no desrespeito dos outros modais de transporte em relação à bicicleta.

- Como a metodologia desenvolvida no estudo poderá ajudar os gestores das cidades?   

Do ponto de vista do planejador urbano, o trabalho permitiu reduzir em mais de 40% o escopo de políticas públicas a serem aplicadas na cidade. E criou um ordenamento sobre quais seriam as mais ou menos importantes, de acordo com as demandas da população. Essa redução de abordagens possibilita que as verbas públicas sejam direcionadas de forma mais eficiente. Aqui, é forçoso dizer que a seleção e adoção de políticas públicas de estímulo, não só para a bicicleta, mas a qualquer modal de transporte, pode ser extremamente ineficiente e confusa. 

- Quantos km de ciclovias/ciclofaixas há na cidade? 

De acordo com dados oficiais da prefeitura, a cidade conta com uma malha cicloviária de cerca de 30 km. Adicionalmente existem projetos que citam acréscimos de até 50 km na malha em determinadas regiões, contando até mesmo com uma ciclovia turística no entorno da lagoa de Itaipu.

- O uso da bike se dá mais para lazer ou em deslocamentos trabalho/estudo?

Primeiro, lembro que uma pessoa pode utilizar a bicicleta para mais de uma função. No caso do estudo aplicado, o maior uso da bicicleta se deu para o lazer (64,6%), seguido por estudo (37,5%) e trabalho (28,1%). Entretanto foi possível observar que em Niterói os padrões vêm mudando à medida que a prefeitura investe em vias cicloviárias que conectam os bairros da Região de Planejamento Praias da Baia aos principais modais de transporte e ao centro da cidade. 

- Qual a porcentagem de uso da bicicleta em Niterói? 

A cidade tem feito acompanhamento do fluxo de bicicletas em algumas das principais vias cicloviárias e alguns estudos nos bairros mais centrais, mas carece de um estudo mais amplo sobre esse uso ao longo de toda a cidade. Vale ressaltar que o uso da bicicleta ainda é bem modesto em comparação com os demais modais de transporte; porém, vem crescendo de forma constante, como falei antes. E finalizo com um dado bem interessante da pesquisa: 91% dos entrevistados responderam acreditar no potencial da bicicleta para reduzir o trânsito da cidade; outros 8% disseram talvez e apenas 1% respondeu não acreditar nisso. 

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