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Ciclistas especiais são inspiração para todos na ultramaratona Brasil Ride

Atletas portadores de necessidades especiais mostram que não é impossível competir na ultramaratona, a maior prova do gênero nas Américas

Por ZDL
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Ciclistas especiais são inspiração para todos na ultramaratona Brasil Ride
Foto: © Fabio Piva / Brasil Ride

Principal competição do circuito de provas da Brasil Ride, a ultramaratona marcada para os dias 21 a 27 de outubro, no Sul da Bahia, oferece um desafio e tanto para os atletas do mundo inteiro. Durante sete dias, os inscritos na disputa têm pela frente cerca de 600 km e quase 11.000 m de altimetria acumulada, entre trilhas e estradas de terra que ligam Arraial d'Ajuda, em Porto Seguro, à Vila Brasil Ride, em Guaratinga. Se para muitos ciclistas competir na maior prova do gênero nas Américas parece algo impossível, um grupo de atletas fora de série, os PNE - Portadores de Necessidades Especiais -, demostra com sua superação que para ser "finisher" basta força de vontade e preparação.

Diversos atletas PNE passaram pela ultramaratona Brasil Ride em suas oito edições já realizadas desde 2010, ou então competiram nas demais provas do circuito, que contam com inscrições gratuitas para eles. Entre todos, a certeza é de que o evento marcou suas vidas, bem como ocorre com os demais inscritos. É isso que afirma o mineiro Thiago Ribeiro, de Itaguara.

"Posso dizer que o slogan é verdadeiro, a prova se torna uma etapa em sua vida. A experiência como um todo é transformadora, você sai um atleta diferente. Faz muitas amizades e aprende a conhecer e lidar com seus limites de uma outra maneira", destacou Thiago, que disputou três vezes a Brasil Ride, uma na Chapada Diamantina, em 2015, e as duas realizadas no Sul da Bahia, nas duas temporadas seguintes. "Como consegui ser finisher nas três edições que participei, já sou um Guarini", comemorou o ciclista de 29 anos de idade, referindo-se à honraria que recebem os ciclistas que concluem três vezes a Brasil Ride.

Thiago Ribeiro na Brasil Ride 2017

Thiago Ribeiro teve uma lesão de plexo braquial no nascimento, o que resultou em uma limitação de desenvolvimento e movimentos do seu braço direito. "Sempre tive grande apoio do Mario Roma e de toda equipe Brasil Ride. Acho muito bacana o respeito que a organização tem por todos os atletas", destaca. "A Brasil Ride é uma referência quando se trata de organização. Eu não faço muitas competições, mas comparando com as outras em que já participei, o nível da Brasil Ride é bem superior. Tenho muita vontade de disputar outras provas do circuito, principalmente do Warm Up em Botucatu, mas ainda não foi possível", finalizou.

O ciclismo como solução

Sempre dedicado à pratica esportiva, o carioca Gustavo Campos, de 41 anos, encontrou no ciclismo a solução para uma doença detectada há oito anos, quando ainda morava na Austrália, a Amiotrofia Monomélica Benigna (AMB). A AMB é uma desordem rara, na qual a amiotrofia neurogênica é restrita a um membro (superior ou inferior), geralmente esporádica e caracterizada por início gradual e insidioso. Em palavras mais simples, Gustavo teve uma lesão na coluna, há mais de 20 anos quando praticava jiu-jitsu, tendo atualmente somente 31% de força na perna esquerda.

"Sou feliz em ter participado de todas as provas da Brasil Ride de MTB. Mais feliz ainda de possuir em minha estante os prêmios por ter conseguido me destacar e ter me superado. Estive nas 24 Horas em Botucatu, onde fiquei em primeiro lugar. Estive no Warm Up em Botucatu e finalizei em terceiro, em uma prova de total superação. Estive na Brasil Ride no Sul da Bahia. Lá, a felicidade é suprema ao cruzar a linha de chegada após sete dias de completo sofrimento. A minha realização pessoal em todas essas provas foi total", contou Campos.

Gustavo Campos aproveita para deixar alguns conselhos para quem tem dúvidas se consegue ou não disputar a ultramaratona no Sul da Bahia. "Diria que tudo é possível se você é determinado. Diria para qualquer ciclista, que tem, claro, um condicionamento razoável, se aventurar. Que esta será uma experiência sem igual de vida e que a partir daquele momento, cruzando a linha de chegada, ou não, sua vida é outra. Sua visão do esporte muda. Você renova-se como atleta e sente-se realizado. Nunca perca a oportunidade, se ela vier até você. Eu nunca irei perder e sempre estarei presente nas provas da Brasil Ride", concluiu Campos.

Superação e inspiração

Natural de Dourados (MS), o jovem Bruno Paim disputou no último fim de semana a Brasil Ride 24 Horas de MTB Series de Costa Rica e foi um dos grandes exemplos de superação, ao terminar em quinto lugar na dupla masculina open. Sem ter os braços devido a uma má formação, Paim, de 19 anos, é atualmente um dos principais nomes do ciclismo sul-mato-grossense.

Paim exibe troféu conquistado na competição 
©
Wladimir Togumi / Brasil Ride

“Nesse tipo de prova de longa duração você nunca sabe se vai conseguir terminar bem. O desgaste é grande e o ritmo tem que ser bom para estar inteiro no final. Não dá para prever como será o desempenho, mas apenas pedalar com foco. Foi bom demais estar competindo em casa, nesta primeira prova da Brasil Ride aqui. O público apoiou muito e, como sempre nesta prova, o sentimento é inexplicável. Foi de arrepiar”, contou Bruno Paim, que competiu ao lado de seu amigo de escola, Mateus Muinarski.

“Conheço o Bruno há dois anos, quando estudávamos juntos. É uma emoção grande formar dupla com ele, atleta de ponta e reconhecido no País. Foi a minha primeira vez na 24 Horas”, disse Mateus. “Fizemos alguns treinos durante a semana e eu não conseguia passar os obstáculos e ele passava, me incentivando muito. Ele é a prova de que, com força de vontade e convicção, você consegue atingir a superação”, finalizou Muinarski.

Novidade à vista para 2019

Na próxima temporada, a cidade de Costa Rica realizará de forma inédita no País uma edição do Campeonato Mundial de 24 Horas Solo de MTB. Assim, a organização da Brasil Ride está pleiteando junto à WEMBO (World Endurance Mountain Bike Organization) uma novidade que dará ainda mais motivação aos atletas da PNE.

"Estamos fazendo um trabalho junto à WEMBO para que, em 2019, o Mundial de 24 Horas Solo tenha a categoria PNE pela primeira vez na competição", revelou Mario Roma. "Estou na torcida para que a organização Brasil Ride consiga abrir a categoria PNE. Vou adorar estar presente e me desafiar mais uma vez. A organização da Brasil Ride vem incentivando esta categoria em forma de descontos e cortesias em suas inscrições para determinadas provas. Entendo que este método é um grande incentivo para atrair muito mais atletas PNE´s de todos os cantos do Brasil", antecipou Gustavo Campos.

"É muito bom saber que a organização da Brasil Ride incentiva a participação de PNE´s em suas provas, uma inclusão social importante. Fazer com que essas pessoas, independente de sua deficiência, sintam-se capazes de correr uma competição deste porte. Para muitos  a realização é pessoal, cruzar a linha de chegada é a vitória total. É como se estivessem cruzando em primeiro lugar da categoria elite. É gratificante ver que a força de vontade faz um ser humano quebrar qualquer tipo de obstáculo, possíveis e inimagináveis", complementou Campos.

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