REVISTA BICICLETA - Vitória X Rio de Janeiro
THE POWER OF THE PRO
Pneus Kenda

O Portal
da Bicicleta

Bicicleta Sense a partir de R$ 2.765,00!
Revista Bicicleta - Edição 68

Assine

Revista Física
Revista Virtual



+bicicleta - Roteiros - Brasil - Sudeste

Vitória X Rio de Janeiro

Revista Bicicleta por Sergio Fidelis Elisa Muniz
40.399 visualizações
18/02/2013
Vitória X  Rio de Janeiro
Divulgação

Nosso país é belíssimo e pedalar por sua costa é algo indescritível. Todos acham que para fazer uma viagem de cicloturismo é necessário ser um atleta, ao contrário, para ser um cicloturista é necessário ser um bom planejador, gostar de observar a natureza e as transformações que o homem fez e, por final saber tirar proveito de cada momento, pois a velocidade é o que menos importa.

Como diz Mario Quintana, "A verdadeira arte de viajar consiste em sair à rua como se foge de casa, como se estivessem abertos diante de nós todos os caminhos do mundo. Não importa que os compromissos, as obrigações, estejam ali... Chegamos de muito longe, de alma aberta e o coração cantando”...

Há alguns anos atrás nos destinamos a fazer o cicloturismo pelo Brasil e um sonho a ser realizado, pedalar os aproximadamente 7.367 quilômetros da costa brasileira, ou seja, conhecer literalmente do Oiapoque ao Chuí esse nosso maravilhoso país, porém, como ainda necessitamos trabalhar, então realizamos a cicloviagem durante nossos períodos de férias (julho e janeiro).

Já percorremos uma boa parte e o nosso destino desta vez foi percorrer o estado do Espírito Santo e fechar no Rio de Janeiro, estado que já havíamos feito.

Saímos logo na primeira semana de janeiro, é uma ótima opção para quem quer sair de viagem, pois a cidade fica mais calma durante este período devido as férias escolares o trânsito caótico deixa espaço para a ressaca do réveillon e assim é possível transitar pela cidade com tranquilidade. Lógico, que uma boa sinalização também ajuda a nos manter seguros.

Chegamos a Vitória, Espírito Santo, ainda pela manhã e como já havíamos pesquisado sua orla apresenta uma infraestrutura fantástica, uma ciclofaixa totalmente sinalizada e segura. Então pudemos pedalar tranquilamente e é lógico, fazer umas paradas para um bom papo com os capixabas, que são extremamente simpáticos.

Depois de pernoitarmos em Vitória saímos pela ciclofaixa rumo a Vila Velha, uma cidade que faz parte da grande Vitória, foram mais ou menos uns 6 km, dos quais 4 foram pelo elevado. A travessia foi bem tranquila e do alto pudemos visualizar o Convento da Penha e o Quartel do Exército... Um visual surpreendente.

Ao chegarmos a Vila Velha fomos direto para o Convento da Penha, um dos pontos turísticos, considerado o ponto mais alto da cidade. Lá é possível entrar com as bikes apenas com a autorização do guardião. Sua subida é muito íngreme e não é permitido subir pedalando devido o tráfego de carros e turistas, por isso tivemos que empurrar as magrelas, mas vale a pena... No final, 360 graus de uma visão privilegiada, uma beleza inenarrável. Além de ver a cidade de Vitória e todo o seu esplendor vimos a Ilha do Frade e a Ilha do Boi. Com tanta beleza resolvemos ver o pôr do sol, outra particularidade do local.

Como havíamos ficado para ver o pôr do sol no Convento resolvemos pernoitar em Vila Velha mesmo e no dia seguinte pegar a estrada rumo a Guarapari.

Noite tranquila, café tomado, pé na estrada e ao chegarmos na rodovia tivemos uma surpresa, a Rodosol apresentava uma ciclofaixa em toda sua extensão. Pedal sossegado, muitas fotos e paradinhas estratégicas. Passamos pelas praias de Itapoã, Itaparica e almoçamos na Praia do Jucu, uma praia sem infraestrutura, porém, limpíssima e agradável... É nessas horas que devemos ficar atentos e levar sempre um suprimento alimentar, frutas, grãos e um “refrigereco” foram o nosso almoço.

Conversar é algo fascinante... Aprendemos sobre as histórias dos lugares, algumas tradições e costumes... Durante o nosso percurso pela Rodosol paramos num posto de gasolina para nos abastecermos com água e fomos abordados por um jovem proprietário de uma pousada que nos fez uma proposta de pernoite mais em conta... Quando chegamos na cidade a orla nos encantou e resolvemos ficar por lá, pedalamos,  conversamos muito e com muita gente, enfim, rimos a beça. A noite foi chegando e como não tínhamos nada fechado para o pernoite resolvemos verificar a procedência do convite e, para a nossa surpresa a pousada era bem aconchegante e a receptividade fantástica.  Na manhã seguinte fomos convidados a dar uma entrevista para a TV local sobre a nossa passagem pela Cidade Saúde.

O dia já havia começado em grande estilo e o sol prometia uma diversão regada a muito pedal... Saímos de Guaraparí desta vez em direção a Piúma.

Foram aproximadamente 32 quilômetros e chegar em Piúma nos surpreendeu, por sua simplicidade... Pernoitamos lá e seguimos rumo a Anchieta.

A cidade estava passando por obras homéricas e isso fazia com que o trânsito da pequena Anchieta ficasse caótico. O nome Anchieta foi uma homenagem a José de Anchieta, padre jesuíta espanhol, nascido em Tenerife, nas Ilhas Canárias, e que viveu boa parte de sua vida vindo a falecer na cidade que recebeu seu nome. Nossa passagem por lá foi rápida, visitamos alguns pontos turísticos como: o Museu Padre Anchieta e a Casa da Cultura.

Nossa próxima parada foi Marataízes que significa “água que corre para o mar”, graças a grande quantidfade de lagoas que vão ao encontro do mar, uns 45 quilômetros de puro pedal, onde iríamos pernoitar.

No percurso encontramos um vendedor de abacaxis e advinhem... Uma paradinha estratégica para ver o visual da praia comendo um saboroso abacaxi...

Ao chegarmos na cidade conhecida como a “Pérola Sul Capixaba”, vislumbramos uma praia bem diferente, toda sua orla foi reconstruída, e tiveram que fazer uns diques para conter a invasão do mar nas ruas.

Em Marataízes tivemos o prazer de conhecer um casal de ciclorturistas ingleses, Laura e Patrick, que estávam  a dois anos percorrendo os países da América do Sul e, por coincidência iriam terminar a cicloviagem no Rio de Janeiro. Foi um encontro prazeroso, ficamos no mesmo hotel o que nos proporcionou uma troca de experiência fantástica.

Apesar de irmos para o mesmo destino, não percorremos o resto do trajeto juntos, pois acreditamos que cada casal possuía seu ritmo e planejamento em particular.

Resolvemos ficar mais de uma noite na cidade e, no dia seguinte fomos até a Praia do Siri seguindo uma indicação dos moradores... Essa praia fica entre o mar e a lagoa... foi “o dia”.

Seguindo viagem paramos em São Francisco de Itabapoana, já no estado do Rio de Janeiro. A cidade é bem simples, mas suas praias são lindas. Pernoite depois de 60 quilômetros bem pedalados. Nessa etapa do trajeto saímos da orla para o interior do estado, pois para chegar em Campos de Goytacazes deveríamos adentrar aproximadamente uns 50 quilômetros. O pedal foi cansativo, mas valeu a cidade é ótima para se pedalar.

No dia seguinte nosso pedal seria mais longo então tivemos que sair bem mais cedo do que o de costume. Já estávamos percorrendo a região dos lagos no Rio de Janeiro e desta vez nosso destino era Rio das Ostras, aproximadamente 100 quilômetros entre o mar e alguns lagos, paramos apenas para fazer pequenos lanches e almoçar.

Ao chegarmos em Rio das Ostras ficamos numa pousada já conhecida por nós, é como se retornássemos para casa e encontrássemos nossos  familiares ... é sempre uma festa regada a muito papo e boas risadas...

Passamos por Búzios, onde aconselhamos ficar mais do que um dia, tanto pela sua paisagem como pelos passeios de barco... é sempre divertido quando se tem o sol a seu favor... Como tudo é tão perto passamos por Cabo Frio e Arraial do Cabo, apenas uns 40 km, mas o visual é surpreendentemente lindo.

O pedal entre a região dos lagos é algo maravilhoso, pois o mar está sempre se modificando. Se você já passou por lá e acha que vai ver a mesma coisa, está enganado. O sol refletindo no mar modifica suas nuanças, que variam do verde água ao verde mais escuro, as vezes um tom de azulado, ou se ele está revolto sua tonalidade varia do marrom ao cinza. O céu e o verde das matas próximas também fazem um conjunto harmonioso e tudo se renova, é como se nunca estivéssemos passado por lá.

Após sairmos do Arraial do Cabo fomos para Saquarema, terra do roqueiro Serguei, figura singular que sempre nos recebeu muito bem e vale a pena fazer uma visitinha a ele. Além disso, sua praia é exuberante.

Depois de um pernoite agradabilíssimo em Saquarema, saímos em direção a Niteroí. Apesar de 90 km de distância o pedal foi bem tranqüilo, pois a orla ajuda a descontrair e aproveitar melhor o momento.

Enfim vale a pena, foram aproximadamente 500 km pela costa do Brasil e mais uma etapa cumprida.

Curtiu esse post?

Quer receber mais conteúdo sobre bicicleta e ciclismo em sua casa? Então clique aqui conheça nossas ofertas de assinatura.

Comentários Facebook
Comentários
Nenhum comentário. Seja o primeiro a comentar.

Para postar seu comentário faça seu login abaixo.

E-mail
Senha

 

Cadastre-se Aqui | Esqueceu a senha?

Edições On-lineCadastre-se Esqueceu a senha?
E-mail
Senha
Vídeos

 

 

Para fechar o banner, clique aqui ou tecle Esc.

Revista Bicicleta 2012 © Todos os Direitos Reservados