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Vinhos de Bicicleta

Revista Bicicleta por Rodrigo Ferraz
33.987 visualizações
13/09/2013
Vinhos de Bicicleta
Foto: Rodrigo Ferraz

Vinhos de Bicicleta é uma confraria on-line que traz rótulos de vinhos incomuns ou pouco comercializados no Brasil, mas que são de alta qualidade. O participante faz a assinatura e recebe dois rótulos por mês, além de uma carta com as histórias e principais características dos vinhos, e sugestões de pratos para harmonização.

Há duas seleções para optar: a Liberté, em que a característica principal é de um assinante que quer degustar rótulos raros sem pagar preços abusivos; e a Fraternité, em que os vinhos são chancelados por grandes críticos do mundo do vinho. Os preços podem sofrer pequenas alterações, dependendo dos rótulos do mês. Não é cobrada taxa de inscrição ou cancelamento, e os preços são até 40% menores do que o do mercado, já que as negociações são feitas com antecedência e em maior quantidade.

Como Surgiu

A Vinhos de Bicicleta nasceu de uma viagem para as bodegas de Mendoza, Argentina, mas poderia ter sido em outra região tradicionalmente vinícola do mundo, afinal todas elas tem um encanto muito peculiar. A experiência mais significativa que tivemos naquele lugar rústico foi, sem dúvida, a visita de bicicleta às vinícolas. O passeio começou de um jeito diferente, era despretensioso. O tempo se transformou em uma medida subjetiva e singela nas ruas de asfalto envelhecido, enquanto folhas caíam de árvores centenárias que quase chegavam a esconder o céu azul.

Investimento

Para ser assinante da confraria Vinhos de Bicicleta, há duas opções de seleção:
Liberté (Rótulos raros sem pagar preços abusivos)    R$ 90 mensal, em média, para duas garrafas
Fraternité (Vinhos chancelados por grandes críticos)    R$ 160 mensal, em média, para duas garrafas

O circuito escolhido foi de bodegas boutique ou familiares. Em cada uma delas havia uma atmosfera intimista rica em aromas, cores, quadros, videiras, barris e garrafas. A concepção artesanal dos vinhos ali produzidos era admirável, assim como as histórias das famílias que construíram do zero aqueles pequenos lugares mágicos. Apesar dos endereços serem diferentes, os produtores tinham em comum um carinho incondicional quando falavam de seus vinhos. Depois de algumas taças, enquanto vagávamos, a bicicleta tinha seu papel de transformar o caminho em um momento harmonioso para conversa e reflexão, calhando na ideia da Vinhos de Bicicleta. O que sempre tentaremos trazer para nossos associados e amigos são esses pequenos ensaios de deleite e vinhos especiais, que fazem nosso negócio valer a pena de verdade.

Pequenas Vinícolas

Particularmente, acredito que existe um encanto muito peculiar em pequenas vinícolas. À medida que vão se tornando muito grandes, são poucas as que conseguem manter os valores de seus primeiros produtores. Algumas até conseguem adotar um crescimento inteligente e consequentemente se manter fieis às histórias de seus vinhedos e vinhos, mas são muito difíceis de encontrar. Afinal, existe a pressão de investidores que exigem alta rentabilidade, do mercado que exige preços baixos e da própria inconstância da natureza que pode castigar uma safra inteira num ano específico. Esses fatores podem mudar completamente o estilo da produção de um vinho.

Dicas para consumir vinho

Dica 1: Quando assentadas à mesa, é apropriado que a taça de vinho sempre esteja à direita da taça de água.
Dica 2: Logo antes de abrir a garrafa, é conveniente que limpe cuidadosamente a área do gargalo, para retirar qualquer impureza que possa ter acumulado nessa área.
Dica 3: Para manter a etiqueta e evitar o desperdício, sempre que terminar de servir você pode girar levemente a garrafa. Isso irá evitar os pingos indesejados na mesa.
Dica 4: O volume a ser servido na taça sempre depende do tipo de vinho. Para um vinho tinto o ideal é que preencha um terço da taça, já no caso do vinho branco é mais acertado servir até metade da taça e, por último, o espumante pode preencher até três quartos da taça. Vale lembrar que existem taças diferentes e respectivamente adequadas para o consumo de vinhos tintos, brancos e espumantes.
Dica 5: O correto é segurar a taça pela haste. Assim você consegue apreciar as nuances do vinho degustado sem que sua mão esquente a bebida ou que seus dedos manchem a taça.
Dica 6: Quando se trata da harmonização de vinhos com comidas específicas, o importante é que o sabor do vinho não sobrepuje o do prato e vice-versa. Segundo a tradição, é mais recomendado que você sirva vinhos tintos acompanhando carne vermelha e vinhos brancos acompanhando peixes. No entanto, não existe regra, basta ter bom senso e bom paladar.

Agora só nos resta apreciar um bom vinho.

A verdade é que as pequenas vinícolas pagam preços altíssimos (monetários ou não) para conseguirem defender seu charme artesanal. Existe muito trabalho duro, criatividade sem limites e carência de tecnologia de ponta (na maioria das vezes inacessível por conta dos altos investimentos necessários). No início, o microprodutor muitas vezes obtém apenas os materiais essenciais para operar, e então, ano após ano, ele vai adicionando o que é capaz. Para compensar o equipamento que lhe falta, é preciso colocar um pouco mais de empenho no processo de vinificação. 

 
Lembro de um caso que conheci na bodega argentina chamada Roberto Bonfanti, pequena e familiar. Essa vinícola, que está localizada aos pés dos Andes, na cidade de Mendoza, produz artesanalmente um dos melhores vinhos que experimentei na região. Ali nas proximidades de seu encurtado vinhedo existem centenas de outras bodegas, grandes e pequenas, todas no mesmíssimo “terroir”. O problema é que as grandes estão muito melhor preparadas para enfrentar nevascas inesperadas, desenvolver estratégias de preço mais agressivas para seus vinhos, ter a possibilidade de receber grupos maiores para enoturismo, entre outros fatores. Conversando com o filho do Roberto Bonfanti, que também trabalha com seu pai na bodega da família, ele me contou que vários companheiros (também pequenos produtores) deixaram de fazer rótulos próprios para vender suas uvas aos grandes produtores. Eles foram obrigados a abandonar as histórias de seus vinhos para conseguir sustentar suas famílias com a venda de uvas que serão utilizadas na produção de vinhos mais massificados, o que é uma pena para pessoas como eu, que adoram experimentar novos rótulos e valorizam a diversidade.

Quero deixar claro que este artigo não tem a intenção de discriminar grandes produtoras, afinal, conheço muitas vinícolas de grande porte fazendo um excelente trabalho e vinhos admiráveis. O que reforço aqui é o valor do pequeno produtor, cuja motivação se alimenta de sua paixão pela cultura vinícola e do resultado final de seus vinhos preciosos que degustamos em nossas mesas.

Como o mundo vê o vinho do Brasil

A expansão econômica brasileira e maior disponibilidade de crédito vêm criando uma forte classe média no país do ponto de vista do consumo. Estão sendo arquitetados novos padrões de vida e o vinho tem sua função nesse cenário, afinal essa tem se tornado a “bebida da vez” para diversas e inéditas famílias da classe média que, no passado, não tinham hábito de consumi-lo.

Segundo relatório feito em 2011 pela Wine Intelligence (respeitada empresa inglesa de pesquisas com foco no mercado mundial de vinhos), cerca de 18 milhões de brasileiros estão bebendo vinhos importados pelo menos duas vezes ao ano, o que representa um número recorde para o país. Segundo esse mesmo relatório, os consumidores da classe média estão procurando no vinho uma bebida que reflita seu novo estilo de vida: mais abastado, mais poderoso economicamente.

Existe uma perspectiva otimista para o futuro do vinho importado no país. Por exemplo, no ano de 2011 houve uma enxurrada de marcas internacionais no Brasil, estimulada pela crise econômica europeia e pela busca de mercados emergentes (como é o caso do Brasil) por parte de produtores estrangeiros. O brasileiro típico ainda é um bebedor de cerveja, mas o crescimento do consumo de vinho é muito promissor principalmente nos grandes centros urbanos do sul do país, Rio de Janeiro e São Paulo.

Especificamente no caso do vinho espumante, o crescimento também foi relevante. O relatório citado anteriormente indica que 75% dos consumidores brasileiros de vinhos importados estão bebendo o vinho espumante por diversas vezes ao longo do ano, superando o consumo de vinho rosé. Esse crescimento pode ser explicado pelo fato de que as celebrações sociais (festas, festivais, casamentos, jantares) continuam sendo as principais ocasiões de consumo de vinho no Brasil. Nós não somos como os europeus, por exemplo, que possuem elevado índice de consumo de vinho em casa.

Apesar dos indicadores brasileiros ainda serem bem inferiores aos números europeus ou americanos, onde o hábito de consumo do vinho é uma realidade mais antiga, o Brasil vem mostrando um crescimento constante no consumo dessa bebida. Diversos produtores internacionais têm focado investimentos no país e estão colhendo resultados favoráveis, fato que vem promovendo inclusive uma necessidade de modernização e busca pela competitividade por parte dos produtores nacionais. 

 

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