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Viajar? Claro, só se for de bicicleta!

Nossa amiga Claudia Jakuboski, de 34 anos, natural de São Paulo, vive em Sorocaba onde é Supervisora de Treinamentos. Quem olha à primeira vista identifica uma jovem profissional muito comprometida com o trabalho atrás dos seus óculos de grau. E não é que não o seja. Porém, as pessoas sequer imaginam que ela já possua um currículo sensacional de cicloviagens e que seja completamente apaixonada por estar nas estradas de asfalto e terra, pedalando com seu esposo Filipe. E revela algo surpreendente: depois que começou a fazer cicloturismo, há seis anos, não viajou mais de outra forma a não ser de bike!

Revista Bicicleta por Therbio Felipe entrevista Claudia Jakuboski
5.642 visualizações
25/10/2016
Viajar? Claro, só se for de bicicleta!
Foto: Arquivo Pessoal

Adepta da ideia de que conseguimos viver com muito pouco ou com o mínimo necessário, Claudia é destas pessoas carismáticas que deixa lugar na bagagem para levar dos lugares experiências de convívio, cultura e muito aprendizado.

Ainda que tenha realizado cicloviagens pelo Brasil nos afamados destinos do Vale Europeu, Circuito Lagamar São Paulo, Caminho do Sol, Caminho do Sal, Caminho dos Diamantes – Estrada Real, Serras Catarinenses, Circuito das Frutas, entre inúmeros outros, ela se considera uma eterna aprendiz, disposta a apreender das paisagens naturais e culturais o melhor para a vida. E não pára por aí, não. Claudia também teve a maravilhosa experiência de pedalar os 830 km do Caminho a Santiago de Compostela, um dos mais emblemáticos destinos cicloturísticos desejados por quatro entre cinco cicloturistas.

Ela comenta que, como tudo na vida, a gente deve começar a pedalar pouco a pouco, se interessar pelo assunto, levantar dados e informações, ouvir muito a experiência dos outros cicloturistas, e assim, pedalada a pedalada, criar a própria maneira de se sentir confortável ao passar dos quilômetros. Prova disto é que, ainda que tenha a companhia indissociável e cuidadosa de Filipe, Claudia quis aprender a fazer pequenos reparos e regular sua bike a fim de não precisar depender de ninguém para este fim. 

Enquanto pedala, Claudia sorri, tanto para quem encontra pelos caminhos quanto para si mesma. É uma maneira de presentear-se com o que mais gosta de fazer. Quem a segue nas mídias sociais também recebe presentes de Claudia, seja pelas postagens de fotos superbacanas das pedaladas que realiza, seja pelas mensagens diárias desejando “bom dia com alegria”, algo que não se pode deixar de perceber e retribuir.

Claudia é daquele tipo de gente em extinção que se sente grata por qualquer coisa, por mínima que seja. Ela se emociona e agradece por cada nova curva dos caminhos, pelas ladeiras acima e abaixo, pelo aceno dos cidadãos por quem cruza, pelas crianças que tentam acompanhá-la quando chega em alguns vilarejos e a convidam para comer em suas casas, pelas palavras de companheiros de cicloturismo mais experientes, enfim. O sentir-se grata de Claudia é parte fundamental daquilo que faz. 

Ela comenta que, a cada nova cicloviagem, se despede de si mesma, para que possa abandonar-se em busca de novos conteúdos que a farão melhor do que quando partira. A isto chamo de humildade, uma das bagagens essenciais que todo cicloturista deveria carregar.

Comenta ainda que acredita que o cicloturismo a fez uma pessoa melhor, que se sente mais conectada com as sensações dos caminhos, com as realidades de vida tão diferentes da sua, com a vibração carregada de emoção e que lhe confere equilíbrio. Pedalar é assim, não é mesmo?

Nas cicloviagens mundo adentro de Claudia e Filipe sempre há espaço para a contemplação de lugares e personagens. O ritmo das pedaladas é uma música ligeira compassada pela respiração, o alento indicando a vida que se inspira e expira. Sempre há tempo para mais uma foto, para mais um momento de gravar na memória emotiva aquele minuto da história de cada um. A poeira que impregna os calçados e roupas vale como uma lembrança da trajetória e de tudo o que se viveu. 

Claudia segue incentivando mulheres e homens a deixar-se levar pelos caminhos em bicicleta, da mesma forma que propõe olhar a vida de modo a enxergar as dificuldades como coisas passageiras e não tão grandes como as imaginamos.

Em suas palestras, desmistifica a falta de conforto e os empecilhos que, erroneamente, as pessoas atribuem às cicloviagens realizadas por mulheres, seja no teor de segurança, da higiene, do peso e tamanho da bagagem, entre outros aspectos. Ou seja, até mesmo quando profere uma palestra, Claudia segue propositiva, corajosa, criativa e sensível.

Entusiasta da ideia do Turismo de Experiência, Claudia diz que quando pensa em viajar já não se relaciona mais com o Turismo de Massa baseado no consumo, aglomeração de pessoas, péssimos atendimentos, esgotamentos de recursos, violência urbana, trânsito caótico, pessoas estressadas. Pensa, justamente, nos novos lugares com os quais irá presentear seus olhos e seus sentidos, como uma bagagem indelével! 

Quando analisa os últimos seis anos, acredita que houve uma evolução muito grande no que diz respeito a equipamentos para cicloturistas, principalmente os equipamentos femininos como selim, espuma de calções anatômicos, camisetas que se ajustam melhor. Também percebeu um aumento considerável na estrutura de circuitos de cicloturismo, como mapas, informações, credenciais, locais para comer e dormir, o que facilita em muito a programação da cicloviagem. 

Quando perguntei a ela sobre que aspectos citaria que ainda faltam para que a prática do cicloturismo se expanda no nosso país, Claudia disse que percebe que os investimentos na área ainda são precários, e o fator que mais compromete é, sem dúvida, a segurança, que envolve a integridade física e financeira de quem viaja de maneira tão delicada. Sempre que decide fazer uma cicloviagem, avalia todos esses aspectos e, infelizmente, já deixou de conhecer lugares por essas razões. Fica a dica para novas destinações cicloturísticas que pretendem ganhar a atenção destes “consumidores”. 

Para finalizar, Claudia conheceu Filipe, seu marido, pedalando, e depois disto realizaram inúmeras cicloviagens. Perguntei qual o peso que a bicicleta tem na vida do casal e ela, aos risos, respondeu que quando não pedalam, simplesmente brigam (risos). Treinam juntos, todo final de semana, sem ter preocupação de sair ou chegar em uma hora específica. Viajam apenas de bike, por isso, todos os investimentos que são feitos em equipamentos são motivo de alegria. E por fim, embora a cumplicidade de um casal dependa de vários fatores, fazer algo juntos contribui muito positivamente tanto física como mentalmente.

Que esta mensagem de Claudia anime, inspire e estimule novas mulheres à prática do cicloturismo, e que o façam com alegria. Alguém se habilita? 

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