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Vale das Cachoeiras nos caminhos da Ciclocidadania!

Revista Bicicleta por Therbio Felipe - therbio@revistabicicleta.com.br
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09/04/2013
Vale das Cachoeiras nos caminhos da Ciclocidadania!
Foto: Therbio Felipe

Diz o dito popular da minha terra que quando se conhece o fruto é fácil identificar a árvore. Transferindo a metáfora para a experiência ciclocidadã que tivemos na cidade de Presidente Getúlio – SC, ao proferir nossas palestras gratuitas para mais de 440 alunos e alunas da EEB Orlando Bertoli, vemos que os motivos que temos para não parar com esta ação nos saltam aos olhos e à mente.

Diz o dito popular da minha terra que quando se conhece o fruto é fácil identificar a árvore. Transferindo a metáfora para a experiência ciclocidadã que tivemos na cidade de Presidente Getúlio – SC, ao proferir nossas palestras gratuitas para mais de 440 alunos e alunas da EEB Orlando Bertoli, vemos que os motivos que temos para não parar com esta ação nos saltam aos olhos e à mente.

Embora a cidade aparente ser uma pequena estância entre Blumenau e Rio do Sul, com menos de 20 mil habitantes, boa parte deles envolvidos em manter a maior bacia leiteira do estado de Santa Catarina, falamos de um lugar acolhedor, simpático aos olhos, pertencente ao Vale das Cachoeiras e promotor de lições de cidadania que dariam inveja a grandes centros urbanos ditos modernos.

Falo explicitamente sobre “lições”, porque como professor entendo que a lição é o bem aplicado exercício que põe em cheque algo estudado. Resulta da intermediação e problematização do tema por parte do docente, a reflexão do aluno dedicado, a discussão coletiva das inferências e a síntese dos entendimentos. A cidade de Presidente Getúlio demonstra reconhecer tais aspectos quando os explicita no seu traçado urbano, principalmente na convivência respeitosa e na partilha do espaço para trânsito entre veículos automotores e os de tração humana.

Ciclovias e ciclofaixas se fazem perceber no desenho viário, tanto quanto a boa e correta sinalização e a ordenação do fluxo do tráfego que, embora pequeno, é composto por caminhões de cargas agrícolas e industrializadas, ônibus, automóveis particulares e bicicletas, sendo estas últimas, utilizadas por alunos de todas as idades indo para a escola e para casa, trabalhadores no vai-e-vem cotidiano e por senhores idosos, que encontram na atividade a segurança necessária para buscar manter o bem-estar físico e mental. Além de tudo isto, no aspecto estrutura pública de trânsito, o que mais chamou minha atenção foi o comportamento dos usuários. Ou seja, a população demonstra entender bem seu papel enquanto produtora de uma cidade boa para quem lá vive, boa para quem lá visita!

A bicicleta nesta cidade não é moda, é meio. Meio para sentir, para estar, para viver. Pelo que vimos não se trata de um estilo recentemente adotado após a exposição midiática em algum programa televisivo. Ao contrário, a bicicleta está impregnada de sentido na vida da população local e seu uso indiscriminado promove a extensão da qualidade expressa na paisagem natural ou construída e na cultura benfazeja desta gente sábia e plural. 

Durante nossa exposição na escola Orlando Bertoli, mais uma vez se nota a cultura de compartilhamento presente na forma hospitaleira de sermos recebidos, seja pela direção e corpo docente, seja pelas centenas de alunos e alunas que esperavam a tal palestra sobre bicicleta, os quais também atentos, comprometidos e embevecidos realizaram conosco momentos de aprimoramento e de reflexão.

Cada vez que voltamos às escolas, enquanto Professor Sobre Rodas, verificamos que mais importante do que a nossa humilde contribuição é o que resulta da sensibilização de alunos e alunas. Parte nos comove, parte nos fortalece, parte nos dá graça e incentiva a ir além, independente do apoio ou das adversidades que afetam a todos e a qualquer um de nós.

Ao final da exposição no período matutino, realizada no ginásio da escola, como sempre acontece, vários alunos e alunas vieram ter conosco, a fim de dialogar e tirar algumas dúvidas. Neste momento, procuro pedir que colaborem comigo dando um feedback ou testemunho a respeito da palestra. Um menino magrelo, beirando os 17 anos, iluminou o meu dia dizendo que “não sabia que algumas pessoas se importavam em dividir conosco suas experiências sobre a bike. Até hoje, usei minha bike como única alternativa para poder vir à escola, já que meus pais precisam do carro para trabalhar, faça chuva ou sol, e não posso ficar dependendo dos horários dos ônibus. Eu pensava que estava preso a isto... ‘meu’, hoje eu vou voltar prá casa me sentindo livre!”

Ao final da palestra da tarde, entre declarações espantadas sobre cicloviagens e opiniões divergentes sobre modelos de bikes com os moleques, fiquei atento à conversa paralela de duas meninas, com seus uniformes iguais, cabelos iguais, tênis iguais, porém, com proposições tão diferentes quanto infinitamente poderosas: “nossa, vou chegar em casa e contar tudo o que eu ouvi para o meu pai, caraca, ele vai ter que parar de usar o carro prá tudo, até prá ir buscar pão ele usa... por isso tá com aquela pança enorme e vive reclamando que dói tudo, dói as costas, dói as pernas...dói é a consciência dele, isso sim...”. E a outra, que ria muito enquanto a amiga expunha seu dilema, ao final completou: “...tá ligada, será que se eu convidar a ‘fulana’ e mais algumas das gurias elas topam da gente sair de bike nos finais de semana por aí? Uhuuu, já pensou, meu, masssaaaaa!!!! Vou mandar nossa foto prá revista!”, entre risos adolescentes e poses desconcertantes.

Quase indo descansar após a palestra da tarde, capturei um depoimento relâmpago de uma mocinha que, ao receber sua Revista Bicicleta disse apenas uma coisa: “...Tio, vou ler agora mesmo, porque lá em casa o bicho vai pegar!”

Para finalizar nossa partilha com os alunos e alunas desta escola, não poderia faltar uma declaração sobre o conceito particular de felicidade de um deles. Com uma das mãos sobre o meu ombro e a outra segurando a Revista Bicicleta que acabara de ganhar de cortesia, uma aluna do noturno disse sem tirar os olhos do magazine: “Eu esperei até hoje para tomar uma atitude como aluna do terceirão. Amanhã mesmo vou pedir uma reunião com a direção e irei propor a formação de um grupo de ciclismo aqui na escola, a fim de envolver pessoas com hipertensão e diabetes. Quem sabe isto faça alguma diferença para alguém que eu não conheça, além do meu pai”.

Fazer a diferença, estimular o convívio harmônico entre os diferentes, promover a paz, comungar do meio em que se vive de forma responsável e equânime, olhar além das possibilidades impostas. Você que está lendo estas linhas, sinta-se parte disto tudo.

Nós iremos continuar tentando, isto tudo, sempre mais.

A Revista Bicicleta e o Professor Sobre Rodas (Therbio Felipe M. Cezar) continuarão realizando este ano o Projeto Ciclocidadania nas Escolas, proferindo palestras gratuitas em instituições públicas de ensino, para as séries do Ensino Médio. Caso sua cidade (Secretarias Municipais de Desporto e Lazer, Educação, Turismo) ou sua escola queira receber nossas palestras, entre em contato conosco. 

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