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Uma viagem pelas Belezas Paranaenses

Revista Bicicleta por Rafaela Asprino e Antonio Olinto
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20/04/2015
Uma viagem pelas Belezas Paranaenses
Foto: Rafaela Asprino e Renato Schneck

Ciclo do ouro, caminhos tropeiros, imigração europeia, estes são apenas alguns dos fatos históricos que moldaram o perfil de nosso país e que podem ser reconhecidos percorrendo os caminhos paranaenses. Como se não bastasse tanta diversidade histórica e cultural, a formação geológica peculiar do Paraná resultou em um relevo característico, com inusitadas belezas naturais.

Com tantos atrativos interessantes, decidimos viajar por esta região e recolher em um guia especial todas as informações necessárias para que os colegas cicloturistas pudessem desfrutar dessa aventura também.

A viagem começa em Curitiba, capital do estado, reconhecida por seu plano viário e cicloviário. Mesmo com todo o crescimento urbano dos últimos anos, ainda sentimos que a cidade tem espaço para as pessoas e não só para os automóveis. Ciclovias e um eficiente sistema de transporte permitem que o cidadão se locomova a pé ou de bicicleta. Grandes parques espalhados pela cidade devolvem à massa edificada uma sensação de que a cidade é humana, que existe espaço para conviver e viver.

Depois de um piquenique na grama macia de algum parque e de um passeio pelas ciclovias visitando os principais pontos turísticos da cidade, partimos para leste, percorrendo antigos caminhos indígenas pela Serra do Mar.
Circuito Leste

O caminho entre o planalto e o litoral sempre foi um grande desafio para índios e desbravadores europeus. A Estrada da Graciosa foi inaugurada em 1873 com o título de primeira estrada carroçável do Paraná, construída para facilitar o transporte de carga durante o ciclo da erva-mate. É por esse centenário e agradável caminho, em meio a densa e preservada mata nativa, que descemos cerca de 900 m de desnível para atingir o litoral paranaense. Há muito tempo este é um roteiro tradicional entre os ciclistas e cicloturistas da região.

Após a descida da serra continuamos pelo caminho que segue o leito do rio Nhundiaquara. Por este rio a erva-mate produzida no interior do estado era levada até o litoral. Com a construção da ferrovia o transporte fluvial perdeu a importância; por outro lado as águas caudalosas do Nhundiaquara até hoje são um convite para um banho ou um passeio de boia-cross. O ponto de partida dos passeios e também o acesso a trilhas do Pico Marumbi e Caminho do Itupava é o vilarejo de Porto de Cima. A pequena capela de São Sebastião do Porto de Cima, inaugurada em 1850, permanece aos pés da serra como testemunha da história deste que foi um importante entreposto comercial no século XIX, assim como Morretes e Antonina.

Morretes abriga considerável patrimônio arquitetônico do século XVIII e XIX e tem no turismo sua principal atividade econômica na atualidade, com boas opções de hospedagem e gastronomia, com destaque para os produtos à base de banana e para o barreado. Hoje este prato que, assim como a feijoada, surgiu do aproveitamento de carnes menos nobres, se tornou tradicional e é fonte de renda para a região.

A fundação de Antonina está ligada à construção de uma capela, em 1714. Assim como suas cidades vizinhas, também teve origem com o garimpo de ouro e apogeu no ciclo da erva-mate, entretanto, sentimos nesta cidade uma paz maior que nas outras. O trem turístico não chega até aqui, por outro lado a baía parece mais calma que em Paranaguá, que tem um grande porto. O centro histórico e as praças estão mais espalhadas, perfeito para passear de bicicleta.

A partir de Antonina começamos uma volta na baía de Paranaguá, chegando até Guaraqueçaba. São mais de 80 km percorrendo um belo e duro caminho que atravessa a mata atlântica até chegar nesta pequena cidade esquecida no tempo. Os caminhos difíceis geralmente nos levam a locais onde poucas pessoas vão, este isolamento ajuda na preservação da floresta com toda sua exuberância, além de manter viva uma cultura rica e de origens remotas. A fusão entre o europeu, o índio e um pouco de negro escravo deu origem à cultura muito específica do caiçara. Ela se manifesta desde Iguapé - SP até Paranaguá - PR, entretanto, na região de Guaraqueçaba ela mantém-se viva até hoje: o fandango dançado, tocado e cantado nas ilhas é uma prova disto. De Guaraqueçaba podemos seguir de barco para a Ilha de Superagui, Ilha das Peças, Ilha do Mel e Paranaguá, completando a volta na baía.

Considerada o primeiro município fundado no território paranaense, testemunha de quase 400 anos de história, Paranaguá possui hoje o maior porto graneleiro do país, responsável pelo escoamento de grande parte da produção nacional de soja. Na época da colheita pode haver filas de carretas que chegam até Curitiba. A ilha de Valadares e a região central da cidade, com arquitetura bem preservada e museus de bom nível, são excelentes passeios de bicicleta.

Terminando o circuito leste voltamos para Curitiba à bordo do Trem da Serra do Mar Paranaense. Não estamos falando de um trem qualquer, esta linha férrea é uma belíssima obra de engenharia que, apesar de ser considerada impossível por engenheiros estrangeiros da época, foi projetada e concretizada por um engenheiro genuinamente brasileiro, o mulato baiano Antonio Pereira Rebouças Filho, em 1880. Com 110 km de extensão, 13 túneis, 30 viadutos que podem chegar a 55 m de altura, a linha demorou somente cinco anos para ser concretizada pelo esforço conjunto de 9.000 homens, dos quais muitos morreram por doenças ou durante os perigosos serviços. É um passeio imperdível, além de ser a forma mais segura e barata de transportar a bicicleta caso não queira voltar para Curitiba pedalando (de ônibus sai mais caro e a bicicleta segue entulhada no bagageiro, no trem é transportada pendurada uma ao lado da outra em ganchos num vagão especial, como em um trem europeu).

Circuito Oeste

Ponta Grossa é a quarta maior cidade do Paraná. Ela surgiu por causa do movimento das tropas que iam buscar o gado em Viamão para abastecer a região das Minas e é importante entroncamento dos caminhos até os dias atuais, sendo um ótimo local para começar ou terminar uma viagem de bicicleta. Além das facilidades de acesso, a partir dela o cicloturista pode fazer pequenos passeios de um ou dois dias, visitando cachoeiras, cânions e furnas, conforme a disposição e interesse.

A partir de Curitiba abrem-se algumas opções de caminho para chegar em Ponta Grossa, atravessando o Segundo Planalto Paranaense. A mais tradicional delas é através de antigos caminhos tropeiros, passando por Campo Largo, Balsa Nova, a histórica Lapa, Porto Amazonas e Palmeira.

O caminho para Campo Largo segue pela antiga estrada do Mato Grosso e pela Estrada da Sereia: uma viagem no tempo, apesar da proximidade com a capital do estado. Seguindo para sudoeste pedalamos por estradas tranquilas, beirando a Serra de São Luís do Purunã, chegando a Balsa Nova. De lá pedalamos até Lapa, onde observamos seu patrimônio histórico, um dos mais bem preservados do estado. A cidade, que era passagem e parada dos tropeiros no do século XIX, foi palco da Revolução Federalista no episódio conhecido como "Cerco da Lapa". Concluindo este caminho passamos ainda por Porto Amazonas e Palmeira.

A segunda opção é mais curta e muito mais radical, segue pela lendária Estrada do Cerne, com muita mata nativa e pouca assistência, um verdadeiro desafio por si só. São mais de 130 km de Curitiba a Ponta Grossa por estradas de terra com topografia acidentada, praticamente sem nenhum hotel ou pousada pelo caminho.

Por último, o caminho “mais fácil”: o acostamento da BR-277. Pode não parecer muito convidativo, mas é largamente utilizado como campo de treino para velocistas e passa por uma das mais belas vistas dos Campos Gerais, isto sem falar das exóticas formações de Vila Velha. É por este caminho também que acessamos a Colônia Witmarsum, colônia alemã que até hoje guarda as tradições dos imigrantes no dia a dia dos moradores e no museu, uma das edificações mais antigas da colônia.

Pedalando pelos Campos Paranaenses percorremos áreas com muitas plantações. As estradas cruzam a região pelo alto dos morros, com ampla visão do horizonte.

A partir de Ponta Grossa se abrem mais opções, recheadas de história e belezas naturais. Seguindo rumo ao norte continuamos pelos caminhos dos tropeiros, que saíam de Viamão no Rio Grande do Sul conduzindo o gado que seria vendido na grande feira de Sorocaba, interior de São Paulo. Este movimento foi crucial para o ciclo do ouro, uma vez que o gado abastecia a região das Minas Gerais na época áurea da extração deste metal. Com o declínio da extração de ouro e a implantação das ferrovias, o tropeirismo praticamente desapareceu, sua memória permanece em museus temáticos como o Museu do Tropeiro e a Casa de Sinhara em Castro.

Seguindo para noroeste chegamos ao Cânion Guartelá, considerado o sexto maior cânion do mundo em extensão (cerca de 30 km), uma verdadeira obra esculpida pela natureza. Neste trajeto atravessamos a Escarpa Devoniana, que marca o degrau entre o Primeiro e o Segundo Planalto Paranaense. É fascinante observar todo o “trabalho” do rio Iapó ao escavar a escarpa em até 450 m para seguir seu curso e desaguar no rio Tibagi, a cerca de 20 km do cânion. Na região existem várias cachoeiras e é possível passar muito tempo por estas bandas antes de pensar em continuar a viagem.

Continuando por caminhos pouco utilizados conseguimos traçar uma ligação entre Tibagi e Prudentópolis, nosso destino mais a oeste.

Em Prudentópolis percebemos algo diferente... apesar da hospitalidade típica brasileira, por vezes nos sentimos em outro país. Os primeiros imigrantes ucranianos chegaram à região no século XIX e ali se fixaram: atualmente 73% da população é de origem ucraniana, e a outra parcela são russos e poloneses.

A cultura trazida por esses imigrantes é viva, e pode ser apreciada na culinária, na arte, na dança e na religião: são mais de 30 igrejas em estilo bizantino com culto ucraniano, que surgem no meio da paisagem quando menos esperamos.

Por estar localizado entre o Segundo e Terceiro Planaltos, o município conta com mais de 50 cachoeiras de grande porte, sendo que 10 tem mais de 100m de altura. As “cachoeiras gigantes” são um espetáculo a parte, a maior delas, o Salto de São Francisco, tem 196m de queda (é a 5ª maior cachoeira do Brasil) e pode ser vista bem de perto com uma pequena caminhada, um verdadeiro deleite para os amantes da natureza.

Após percorrer e pesquisar minuciosamente todos estes caminhos, elaboramos o Guia de Cicloturismo Paraná I. Com ele o cicloturista poderá escolher seu próprio roteiro e reconhecer todas as nuances do relevo paranaense em 1.140,93 km de caminhos, 486,17 km em terra e 654,76 km em pavimento, mais de 2.000 km planilhados entre 18 cidades, 25 mapas e 33 gráficos de altimetria.

Nos circuitos do guia não há setas amarelas indicativas nem marcos de concreto, mas as planilhas são de fácil entendimento e o caminho tem lógica clara. Os circuitos abrangem uma grande área e muitos estilos de viagem e viajantes. Nossa ideia é realmente enfeitiçar a cabeça do cicloturista com estes sonhos de viagem. Quem pedalar por estes caminhos poderá nunca encontrar outro cicloturista, mas se cruzar com um certamente terão muito para conversar, pois seguramente têm em comum o gosto pela aventura e pela liberdade.

Para mais informações sobre o Guia de Cicloturismo Paraná I, sobre outros Guias de Cicloturismo, DVDs e viagens de Antonio Olinto e Rafaela Asprino, acesse www.olinto.com.br.

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