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Uma pedalada pela linha gótica

Uma viagem no coração da Itália através da natureza, história e tradição

Revista Bicicleta por Paulo de Tarso
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04/12/2012
Uma pedalada pela linha gótica
Foto: Paulo de Tarso

A cidade de Riccione, localizada na região da Emilia Romagna, no litoral do mar Adriático, é muito bem frequentada, considerada ponto de encontro de alguns vips italianos. A cidade faz parte da província de Rimini, fundada pelo povo romano em 268 a.C. (naquela época chamada Ariminum) e representou um ponto estratégico para a população, pois era o encontro entre o norte e o sul da península.

Durante uma semana, a cidade de Riccione foi a base do Sampa Bikers para uma pedalada exploratória. Sol, praia, mar, esporte, shopping, compras, discotecas famosas, parques, cultura, muitos eventos e muito pedal. Esta é a alma de Riccione. São oito quilômetros de litoral arenoso e equipado com os melhores serviços balneários, uma belíssima beira-mar para percorrer de bicicleta, onde é possível saborear um sorvete italiano ou uma típica piadina. Para a diversão de muitas crianças existem parques temáticos como: Aquafan, Oltremare, Fabilandia, Itália em Miniatura, Mirabilandia, Le Navi, só para citarmos os mais famosos. Enfim, momentos de puro relaxamento entre as colinas e os suaves declives do interior, ricos em história e tradição. Para os amantes do pedal cuja família não pedala, o local é perfeito!

A melhor maneira de conhecer a cidade é de bicicleta. Inclusive, a bicicleta é o meio de transporte mais utilizado pelas pessoas por lá. Além de uma extensa malha cicloviária à beira-mar e em muitas partes da cidade, os carros e motos respeitam e muito quem está em cima da magrela.

A rua mais famosa é a Viale Ceccarini, conhecida por suas butiques famosas, onde se encontram algumas lojas do melhor made in Italy e da moda internacional; é muito normal as pessoas chegarem de bicicleta para fazer compras nessas requintadas lojas.

Um pouco mais de história da região

A partir de 1400, a cidade passou ao domínio da família Malatestiana, o mais famoso Sigismondo Pandolfo, que construiu um dos principais castelos, Castello de Sismondo. Esta dinastia durou pouco mais de 200 anos, para passar, depois de uma grande guerra, ao poder da igreja. Com a chegada de Napoleão Bonaparte em 1800, foram destruídas muitas igrejas e assim muitas grandes obras de arte foram perdidas. Recentemente foi descoberto o “Domus del Chirurgo”, o único ambulatório da Roma antiga.

A região também foi palco de sangrentas batalhas durante a Segunda Guerra Mundial: ali passou a Linha Gótica.

Praticamente todos os hotéis oferecem bicicletas para passeios na cidade e alguns são especializados em receber ciclistas. Foi em um desses que ficamos hospedados, o Hotel Dory, primeiro na Itália em número de ciclistas hospedados provenientes da Europa, USA, Canadá e Austrália. Este hotel tem 16 anos de experiência neste setor. O proprietário Stefano Giuliodori é também um grande apaixonado por bikes. Ele tem um grande prazer em acompanhar seus clientes durante as pedaladas e as atividades da semana, conseguindo criar um ambiente fascinante entre os ciclistas.

Os ciclistas têm períodos de temporada exclusivos: abril à primeira semana de junho, no primeiro semestre; setembro e outubro, no segundo semestre.

A cada dia, em um mural no hall do hotel, são publicadas informações específicas sobre os percursos do dia seguinte, como itinerário, total de quilômetros a percorrer, altimetria e informações sobre os locais por onde vai passar. As saídas são programadas sempre para às 9 h 30 min diretamente do hotel, com acompanhamento de guias especializados, sempre após um rico café da manhã. O hóspede marca seu nome na lista do mural, informando o número do apartamento e no dia seguinte é só pedalar. E se o hóspede quiser pedalar sozinho, os guias estão disponíveis para dar ótimas dicas. Além disso, o hotel oferece mapas com descrições dos trajetos e toda a informação necessária.

O hotel, que é um requintado e confortável quatro estrelas, oferece também excelentes bicicletas top de linha – speed, mountain bike, híbridas, elétricas - e também bicicletas mais simples para uma gostosa pedalada na orla ou cidade. Tudo isso incluso no pacote que gira em torno de 800 euros por semana.

Curiosidades que encontramos no hotel

Nos corredores de cada andar existe um cesto onde os ciclistas podem colocar suas roupas sujas para serem lavadas sem custo.

O hotel possui uma oficina completa com mecânicos especializados e ao lado de onde ficam guardadas as bicicletas uma mesa com sanduíches, água e banana para os ciclistas, evitando assim que ninguém pegue nada escondido do café da manhã, prática muito comum no mundo inteiro.

Se você não tem roupa adequada para pedalar, o hotel empresta!

As pedaladas

Ciclismo, mountain bike, cicloturismo. Na região é possível praticar qualquer modalidade com muita segurança em cima da bicicleta.

Durante a temporada dos ciclistas, os grupos são divididos em quatro grupos para quem quer pedalar na estrada:

Cappuccino Ligth - trajetos de 65 a 75 km por dia, com uma média de velocidade em torno de 17 a 20 km/h.

Capuccino – trajetos de 80 a 100 km por dia com média horária entre 20 e 22 km.

Cappucino Super - o mesmo trajeto do Capuccino só que com uma média de 23 a 25 km/h.

Limoncino – trajetos de 90 a 120 quilômetros por dia com uma média de 26 a 28 km/h.

Para quem curte mountain bike também é possível pedalar por excelentes trilhas; para quem quer somente passear tem o Bike Ness, que é com bicicletas híbridas; e para quem não tem muito preparo físico, há a opção de seguir nas elétricas com pedal assistido.

Um dos dias mais legais quando o ciclista passa uma semana hospedado no Hotel Dory é o encontro de todos os grupos no sítio do proprietário do hotel, onde é oferecido um belo churrasco e a integração é total. Algo inesquecível que faz com que as férias no local sejam um ponto de encontro entre ciclistas de várias partes.

Além das pedaladas, o trajeto inclui a oportunidade de visitas a museus, degustações de vinho, azeite e até momentos em que o ciclista aprende a cozinhar pratos típicos da região.

Bastam poucas pedaladas para sair da cidade de Riccione e chegar a um interior dentre os mais atraentes da Itália, com castelos e aldeias históricas perfeitamente conservadas, onde os sabores da tradição permanecem intactos e incluem os clássicos da cozinha marinha e também as receitas típicas da cultura camponesa. Com o pretexto de uma ciclo-excursão revigorante fora da cidade, percorremos as obras dos Malatesta e Montefeltro que por séculos, de 1295 e 1528, governaram estas terras na fronteira entre Romagna e Marche. E então, depois das primeiras colinas, muitas aldeias sempre morro acima, com um número infinito de rotas adequadas a ciclistas de todos os níveis de preparação, emocionantes desafios no campo, de perder o fôlego não com as muitas subidas, mas sim com as vistas deslumbrantes e perfumes que permanecem em seu coração.

Os percursos se desenvolvem em terrenos planos e montanhosos, com algumas subidas mais longas, alternadas com descidas bastante prazerosas. Os caminhos são adequados para ciclistas de lazer, com uma condição física normal e formação capazes de permanecer em cima da bicicleta por um período de 4 a 5 horas aproximadamente. Entre as muitas opções de trajetos pela região, selecionamos algumas das melhores.

Castelo de Albereto – 57 km

Através do parque percorrido pelo Rio Marano e após ter visitado o pequeno Castelo de Albereto com sua Torre, chegamos à Fazenda de Vecciano para um almoço típico na grama. Ao longo do percurso por Albereto encontramos o “Museo Etnografico de Valliano” e a interessante “Chiesa della Pace” (Igreja da Paz) onde fazemos uma visita e descobrimos que o local foi ponto de intensas batalhas durante a segunda guerra. Também soubemos toda a história da Linha Gótica. A partir da Praça do Castelo de Albereto podemos ver claramente as três torres da República de San Marino, que é um pequeno país encravado nas montanhas da região.

Castelos Malatestianos – 60 km

A presença das tantas torres, fortalezas e castelos são um sinal indiscutível das lutas entre os Montefeltro e Malatesta. Construídas para serem impenetráveis e inatacáveis, permaneceram muito bem preservadas até hoje. Através de uma paisagem pitoresca e selvagem, visitamos as antigas casas dos Malatesta que possuem uma estratégica vista para o vale da bacia do Rio Conca. Cada afloramento de rocha com vista para o vale tinha que ser fortalecida.

Rimini Romanica – 46 km

Rimini é sobretudo conhecida por ser o símbolo do destino turístico costeiro na Itália, mas na realidade esconde um coração turístico de imenso valor, que descobrimos em cima da bicicleta ao longo do percurso. Vestígios preciosos da passagem dos antigos romanos. Pedalamos sempre por estradas secundárias através do campo e de colinas ricas em tradições agrícolas que nos levam até o centro da cidade, onde podemos ver a famosa “Duomo” (Catedral) e o “Arco D'Augusto” (Arco de Augusto) com os restos das muralhas antigas. Também de bicicleta visitamos o “Domus del Chirurgo” (Casa do Cirugião) localizada na “Piazza Ferrari” (Praça Ferrari) e a “Ponte di Tibério” (Ponte do Tibério) que nos abre caminho e nos conduz ao belo porto turístico das antigas tradições marítimas.

Castelo de Gradara – 53 km

Um dos lugares mais bonitos é o Castelo de Gradara, famoso graças ao poeta Dante Alighieri que em sua Divina Comédia narra a trágica história de amor entre Paolo e Francesca. Até lá, pedalamos por estradinhas secundárias imensas nas cores e perfumes da nossa bela paisagem. Passamos pela belíssima aldeia restaurada de San Giovanni in Marignano, também conhecida como “O Celeiro dos Malatesta”. Na volta, pedalamos sob falésias com a bela vista para o mar em um cenário de conto de fadas até mergulhar novamente na colorida e alegre costa.

Monte San Bartolo – 49 km

Uma pedalada ao longo dos vales e colinas da região de Marche, a terra de Montefeltro. Muita subida que será premiada com maravilhas deste mar visto do alto. O perfume da flora local nos acompanha durante todo o percurso e a volta é pela famosa Riviera, onde desfrutamos a posição privilegiada do local.

República de San Marino – 52 km

Atravessando a estrada da velha ferrovia que ligava Rimini a San Marino e passando através de alguns túneis em desuso, chegamos à “Antiga Terra da Liberdade”, agora conhecida como San Marino, que com o seu Monte Titano está localizada a 770 metros acima do nível do mar. As suas três torres têm o controle de todo o visual da Costa Romagnola. Após muita subida chegamos enfim ao interior das muralhas antigas redescobrindo tradições e cerimônias da época medieval. A natureza e a história são as principais características do território da república. A volta é em direção à costa, ao longo do vale do Rio Marano, em meio a paisagens incomuns de uma terra de cores e cheiros quase selvagens.

Vale del Conca – 52 km

Pedalando no coração das colinas e a poucos quilômetros do mar, abre-se uma paisagem de riqueza única. Olvais, vinhas, campos e casas de campo que muitas vezes escondem delícias culinárias e de vinho. Subindo a estrada para Montescudo, que com seus 368 metros acima do nível do mar, é um dos pontos mais altos da região. Deste ponto é possível admirar todo o vale para depois descer de volta à costa passando pelo Podere Giuliodori di Vecciano, onde temos uma surpresa culinária local.

Linha Gótica

O nome com que batizamos essa linda pedalada pela Itália é em referência a uma das últimas e grandes defesas elaboradas pelos alemães na Segunda Guerra Mundial. E durante as pedaladas pela região observamos sempre as marcas da guerra através de monumentos, grandes cemitérios, ruínas e pessoas que ainda contam histórias como se fosse ontem.

A Linha Gótica foi construída por soldados alemães e italianos após o desembarque dos Aliados na Sicília, em 9 de julho de 1943. Teoricamente construída em uma extensão de 280 km, a Linha Gótica partia da região costeira do Mar Tirreno, nas regiões de Carrara e La Spezia, apoiando-se na região montanhosa dos Apeninos, seguindo via de regra a linha cumeeira, terminando nas áreas de Pesaro e Rimini, já faixa litorânea do Mar Adriático. Sua finalidade principal seria a de retardar ou mesmo bloquear os avanços aliados na Campanha da Itália. Uma vez rompida a Linha Gustav, esta daria aos alemães a possibilidade de um reagrupamento e o preparo de um possível contra-ataque.

Nessa posição de resistência, a defesa era baseada em pontos fortificados. As obras tinham caráter de semipermanentes, com posições de artilharia e ninhos de metralhadoras, refúgios, depósitos de munição, abastecimentos etc. Havia também numerosos campos minados e fossas antitanques. Nos extremos do sistema defensivo, na costa, existiam obras de cimento armado, núcleos blindados de artilharia, casamatas de concreto armado e postos de armas automáticas. Foram preparados também zonas inundadas.

Pedalando na região, é difícil acreditar que em um local tão belo aconteceram sangrentas batalhas.

Hotel Dory, representado no Brasil pela Italy Bike Tour www.hoteldory.it

Mais informações: Sampa Bikers

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