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Trinta segundos no micro-ondas!

Revista Bicicleta por Giuseppe Ricardo Passarini
33.374 visualizações
03/12/2012

O tempo é uma convenção essencialmente humana. Há milhares de anos existem registros de formas de se mensurar o tempo. Basicamente, o homem moderno tenta organizar sua sobrevivência de acordo com os segundos, minutos, horas, enfim, tenta monitorar suas ações de forma produtiva. Produtiva também foi a forma instituída na Revolução Industrial. Após este período a humanidade mudou radicalmente a forma de utilizar o tempo.

Antes, para sobrevivermos dependíamos totalmente dos fenômenos naturais. Nômades, percorríamos intermináveis extensões por água, alimento e fuga do frio. Isso nos tornava parte íntima do ambiente. A observação e interação com o meio eram as melhores ferramentas que dispúnhamos para o nosso bem. A partir do momento em que dominamos técnicas e fundamentos para plantar, colher, criar e nos abrigar, passamos a seres fixos, presos ao conforto que as primeiras aglomerações e posteriormente cidades proporcionavam.

Atualmente, o tempo passou a ser determinado pela nossa necessidade, não mais o contrário. Ao invés de observar e agir de acordo com a época do ano, o período do dia ou a idade fisiológica, insistimos em consumir o que podemos comprar na próxima esquina. Em uma passagem do livro “O mundo de Sophia” de Jostein Gaarder, a personagem se indigna com o fato de poder ouvir uma sinfonia a qualquer momento utilizando uma gravação. Em seu ponto de vista isso só seria possível se todos os músicos estivessem reunidos em um parque com todos os instrumentos e, principalmente se o clima estivesse propício a isto, uma vez que está falando da Noruega. Domenico De Masi defende o “ócio criativo”, pensando no ser humano como único na sua capacidade de criação. O tempo livre seria a melhor oportunidade para nos desenvolvermos.

Não observamos mais o tempo passar, tentamos reverter suas implicações com repuxos e silicone. Tornamos nossas crianças aceleradas e ausentes de suas infâncias. Para comer determinada fruta deveríamos esperar sua época. Usar uma roupa, a estação. O jardim bonito, as chuvas. Experiência, a idade. Mas tudo foi transformado em produto, custando o que custar.

Como recuperamos tudo isso? Em um artigo do Frei Beto, li que Sócrates, o filósofo grego, adorava percorrer o centro comercial de Atenas. Diz o autor que quando vendedores o assediavam, ele prontamente respondia: “estou apenas observando quanta coisa existe de que não preciso para ser feliz!”. Passeio Socrático, fantástico!

Imagino que quando pararmos de aliar nossas necessidades ao consumo desenfreado, quando pusermos o limite intimamente ligado ao nosso corpo e espírito, talvez entendamos o que significa viver de acordo com o nosso tempo. A bicicleta proporciona isso. Quer chegar a tal lugar, depende de você! Quer correr a certa velocidade, depende de você! Quer tomar chuva, ficar ao sol, ter sede e fome, depende de você! Depende do seu tempo. O tempo se torna um parâmetro mais íntimo, menos mecânico, mais natural.

No micro-ondas, colocamos a caneca para esquentar por trinta segundos. Muitos ficam parados observando o girar da bandeja até tocar aquele sininho final. Já reparou que são trinta segundos em que você fica imóvel, simplesmente vendo o tempo passar?

Atenção! Afinal, os trinta segundos do micro-ondas são os mesmos trinta segundos de uma pedalada. Então, mexa-se, pois o tempo voa!

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