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Tonico Ferreira

“...bicicleta para mim é: viagem, natureza, amigos, saúde, prazer”

Revista Bicicleta por Tonico Ferreira
38.923 visualizações
09/07/2013
Tonico Ferreira
Foto: Acervo Pessoal

Antonio Carlos (Tonico) Ferreira nasceu em 13 de junho de 1947, na cidade de Santos, São Paulo. Formou-se em Arquitetura na Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo (USP). Em 1967, começou a trabalhar em vários jornais do movimento estudantil, depois na Folha de S. Paulo.

Em 1972, Tonico Ferreira foi secretário de redação de edições especiais da Revista Realidade. Ainda em 1972, participou da criação do jornal Opinião, no Rio de Janeiro. O semanário foi uma das mais expressivas publicações da imprensa alternativa brasileira durante a ditadura militar. 

Em meados da década de 1970, Tonico Ferreira voltou para a capital paulista, onde o mesmo grupo que formou o jornal Opinião criaria outro semanário, o Movimento. Por causa desse trabalho na chamada “imprensa nanica”, o jornalista foi processado duas vezes durante o governo Geisel com base na Lei de Segurança Nacional. Com a abertura política, foi anistiado. Começou sua carreira na televisão em 1981, na TV Bandeirantes, como chefe de reportagem de um programa vesper-tino sobre cidades. No final de 1981, foi convidado a trabalhar na reda-ção da TV Globo de São Paulo. 

Um dos primeiros trabalhos do repórter Tonico Ferreira na TV Globo foi a investigação de uma série de denúncias envolvendo desvio de dinheiro do Banco do Brasil por fazendeiros no interior de Pernambuco. Na época, o Procurador Geral da República, que investigava o crime, foi assassinado, e o caso ficou conhecido como “escândalo da mandioca”. A reportagem feita por Tonico Ferreira para o Globo Repórter rendeu ao jornalista o prêmio Vladimir Herzog de Direitos Humanos em 1982. 

Participou de diversas coberturas de fatos importantes da história brasileira. Também cobriu eventos mundiais importantes, como os Jogos Olímpicos de Los Angeles, 1984. Ainda na década de 1980, foi destacado como enviado especial da TV Globo para acompanhar a situação política em vários países da América do Sul. Em 1986, desligou-se da Globo para dirigir a sucursal do SBT em Brasília. No SBT, cobriu a Copa do Mundo de 1994 nos EUA, e os Jogos Olímpicos de Atlanta, em 1996. Retornando à Globo, em 1998 foi trabalhar como correspondente internacional em Londres, onde permaneceu por dois anos. De volta ao Brasil, trabalhou como enviado especial em várias coberturas internacionais marcantes, como a do golpe contra o presidente Hugo Chávez, na Venezuela, e preparou uma reportagem especial sobre a missão de paz que o Brasil enviou ao Haiti, destacando a situação de insegurança e miséria do país.

Em 2010 participou do Núcleo Globo Amazônia, com quatro séries de matérias sobre a região. Uma das séries venceu o Prêmio Allianz Seguros de Jornalismo, no tema especial de sustentabilidade e mudanças ambientais.

Tonico Ferreira é casado, tem quatro filhas e quatro netos.

RB - Como a bicicleta entrou em sua vida? Há quanto tempo pedala?

Tonico - A bicicleta fez parte de minha vida desde que ganhei uma Monark, quando tinha oito anos. Naquele tempo, anos cinquenta, era Monark ou Caloi - sem marcha, é claro. A Caloi 10, quando surgiu em 1972, foi meu sonho de consumo. Mas eu estava no jornalismo de oposição, sem dinheiro, não deu para comprar. Só passei a ter boas bicicletas a partir de 1991, com o surgimento do Olavo Bikers, meu grupo de amigos ciclistas.

RB - Em que modalidades gosta de pedalar? 

Tonico - Gosto de todas as modalidades. Tenho Mountain Bike, Speed (Road), Tricross e uma Brompton dobrável. Mas sou amador, não participo de competição.

RB - Pedala só, ou com um grupo?

Tonico - Sozinho durante a semana; em grupo (Olavo Bikers) nos fins de semana. 

RB - Descreva a sensação de estar em cima duma bicicleta.

Tonico - Em uma palavra: liberdade. É o melhor meio de locomoção para conhecer lugares. Ao visitar uma cidade, por exemplo, você consegue ir a pontos onde não entram automóveis e que são cansativos para se chegar a pé. Nas estradas e nas trilhas, você, digamos, se incorpora à natureza. A sensação ao chegar a um lugar maravilhoso depois de horas de pedal é indescritível. 

RB - Algum  acidente mais grave de bicicleta?

Tonico - Bicicleta é um meio de transporte perigoso. As quedas são comuns e machucam. Eu já tive três acidentes: quebrei costelas, braço e mão. Mas se você colocar na balança custo e benefício, o saldo é positivo. O condicionamento físico do ciclista ajuda a manter a saúde em ordem. Eu costumo dizer que é melhor ir ao ortopedista do que ao cardiologista. 

RB - Já fez grandes aventuras com a magrela?

Tonico - Já pedalei na Inglaterra (Londres e interior), Estados Unidos, Portugal, França, Itália, Áustria, Alemanha e China. Mas aventura mesmo foi na Bolívia, quando desci a Estrada da Morte, que sai do alto dos Andes perto de La Paz. O passeio tem um visual maravilhoso pelas montanhas e uma descida que sai de 4.600 metros de altitude para 1.200 metros, chegando em Coroico. Perigosíssima – vários ciclistas perderam a vida nessa descida louca.

RB - Em sua opinião, por que a mídia, de maneira geral, incentiva tão pouco o uso da bicicleta?

Tonico - Acho que a mídia até toca bastante no assunto. Mas o uso tem limitações reais. Não é fácil, por exemplo, usar bicicleta em São Paulo para ir trabalhar – trânsito, clima, subidas, etc. Em Londres eu ia para a redação da Globo na minha Brompton, mas lá o clima frio e seco ajudava muito – eu pedalava de terno e gravata!

RB - Já fez reportagem de bicicleta?

Tonico - A descida da Estrada da Morte foi uma reportagem para o Globo Repórter. E já entrei ao vivo no SPTV pedalando em uma avenida de São Paulo para falar da importância das ciclovias.

RB - Fora da televisão, quem é Tonico Ferreira?

Tonico - Fora da Globo, sou ciclista e fotógrafo amador. E leitor de livros, digamos profissional, porque gosto mesmo de ler.

RB - Tonico, sabemos do potencial da bicicleta relacionado à qualidade de vida, mobilidade e sustentabilidade. Como você vê a evolução do uso da bicicleta como um todo no Brasil?

Tonico - O uso está crescendo, mas em ritmo lento. Como disse antes, não é fácil usar bike nas grandes cidades para trabalhar. E nas pequenas, o pessoal quer mesmo é uma moto – cujo preço caiu muito nos últimos tempos. O uso fica restrito ao lazer e ao esporte. Acho que o futuro pode ser a bicicleta elétrica, se as baterias ficarem menos pesadas. Na bicicleta elétrica você ainda pedala, o que é bom para a saúde, e pode vencer subidas sem um esforço brutal. 

RB - O que você acha que pode ser feito a fim de ajudar mais pessoas a despertar para o uso da bicicleta?

Tonico - Mostrar que não há nada melhor para se fazer num domingo de manhã, por exemplo, do que dar uma boa volta de bicicleta com amigos e amigas. E que uma trilha em meio à natureza é uma sensação imperdível. Se a gente ganhar público para o lazer, teremos mais condições de ganhar público no futuro para o transporte do dia a dia.

RB - Para você, o que representa a bicicleta?

Tonico - Com o passar dos anos, a bicicleta foi ganhando cada vez mais espaço em minha vida. Procuro sempre juntar a bike com outras coisas que gosto de fazer, como viajar. Dezembro passado fui à Miami, EUA, ver a Art Basel, uma exposição de arte contemporânea. Levei minha Tricross e pedalei durante todas as manhãs. Visitei lugares aonde poucos turistas vão – os bairros latinos, a Little Havana, a Little Haiti. Uma delícia. A bicicleta foi também o que deu amarração a um grupo de amigos hoje muito unido no Olavo Bikers. Então bicicleta para mim é: viagem, natureza, amigos, saúde, prazer. Que mais eu quero?

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Rodrigo Gnçalves

14/04/2014 às 12:43

Muito legal a matéria!

Gostaria de convidar a todos para conhecerem a minha loja Dress me Up!
Rua Eliseu de Oliveira n36

abraço!
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