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Ter ou Ser

Revista Bicicleta por Therbio Felipe M. Cezar
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14/01/2013
Ter ou Ser
Foto: Thinkstock

Naturalmente, a proximidade da virada de mais um ano remete a todos àquelas reflexões recorrentes. Ano passado, nesta mesma época, escrevemos sobre a necessidade de fazermos algo realmente novo, indo além das promessas que ficaram sem efetividade, pelos motivos mais diversos.

Porém, tenho suficientes razões para estar animado e entusiasmado, acreditando que todos os esforços do mercado, da comunidade e do poder público poderão nos levar a patamares melhores a cada dia. Não gostaria de chamar isto de idealismo, mas de consciência e postura positiva frente às adversidades. Não há desculpas para não ir adiante.

Novamente, somos chamados a refletir substancialmente sobre o conjunto de temas que mais nos tocam e, tanto quanto possível, poderemos ser levados a pensar em coisas que jamais pensamos. E, sem chance de afastar-me ou furtar-me da parte que me cabe, levantei tais questionamentos: Em que o universo da bicicleta tem me ajudado a ser uma pessoa melhor? Em que medida a escolha que fiz pela bicicleta me leva a ter condições de transformar a minha realidade e aquela que está ao meu redor mais próximo?

Por acaso, duas palavras surgiram como uma paródia shakesperiana: Ter ou Ser? Ou seria melhor dizê-lo Ter e Ser?

Em primeiro lugar, nada de dramático ou melancólico a esta altura. Observando as inclinadas mudanças na perspectiva sociocultural sobre a bicicleta é bastante possível dizer que nunca, proporcionalmente, se falou tanto no tema do que no presente momento, seja pelo mundo a fora ou em nosso subcontinente amado. Capitais federais como Bogotá, Buenos Aires, Santiago, Lima, entre outras, têm dado exemplos reais de intervenções favoráveis à ambiência urbana na forma de realizações cicloviárias, da mesma forma que as cidades de Praia Grande, Santos e Sorocaba – SP, Rio de Janeiro e Niterói – RJ, Poços de Caldas – MG, Foz do Iguaçu – PR, Afuá – PA, Aracaju – SE, apenas para citar algumas.

Mais do que falar a respeito, jamais se teve tantas manifestações encerrando a experiência com a bicicleta, seja no aspecto lúdico-recreativo, como modal/intermodal de transporte, no panorama desportivo ou como meio de intervenção político-cultural.

Venho conversando com gente do mundo todo a respeito da bicicleta no cotidiano, e invariavelmente, o destaque dado a este movimento de transformação sociocultural, pacífico e diverso, faz-nos crer que se trata de um conjunto de certas mudanças irreversíveis.

O uso irrestrito da bicicleta, em todas as suas dimensões, está aumentando as condições para que a sociedade, impactada por tal fenômeno, admita que esta seja uma concepção que faz frente às patologias sociais que não nos permitem ir além de nossas limitações enquanto grupo. Mas ainda não basta!

Parte do que se almeja atingir está intimamente associado à renovação do ser humano convivendo em grupo, no que se refere à necessária e urgente modificação dos valores, ainda que subjetivos, que afastam a mim e a você de tornar concreto e real um ambiente onde a pluralidade tenha, efetivamente, mais valor do que as individualidades postas.

Explicando, não basta que todas as qualidades e atributos da utilização da bicicleta estejam em estatutos, programas e projetos. Faz-se necessário que cada menino e menina, da escola rural do local mais remoto ou do colégio do centro urbano tenham sob sua posse uma bicicleta. Com esta ‘ferramenta’ poderão experimentar, de forma orientada, de um sem-número de sensações que os farão crescer mais saudáveis, mental, física e socioculturalmente. Trata-se de ter para ser.

De igual maneira, não importa se o Governo Federal ainda não ajustou sua intervenção qualitativa no campo da desigualdade social. Faz-se necessário que os grandes impérios empresariais possam romper com a lógica medieval do uso indistinto e irresponsável de veículos automotores, passando a estimular, incentivar e promover ações para que os trabalhadores de suas fábricas e indústrias realizem o deslocamento casa-trabalho-casa usando, prioritariamente, a bicicleta. Tal ação, sócio-ambientalmente responsável, irá impactar positivamente no campo econômico de trabalhadores, patrões e comunidade, incidindo em uma estratégia de marketing social de vanguarda, ainda que espontâneo, o qual move a formação de opinião. Trata-se de ser para ter.

Enquanto a gestão de saúde pública nacional continuar voltada para a ideia da construção de hospitais, a prevenção seguirá sendo um pequeno e desprezível detalhe que joga, todos os dias, milhares e milhares de pessoas dentro das estatísticas de obesidade, diabetes, arteriosclerose, hipertensão, depressão etc. Pensamos que o país economizaria somas vultosas se empregasse esforços em prevenção, mobilizando campanhas em prol da atividade física orientada com a bicicleta, desde a infância, passando pela juventude, adultez e chegando à ancianidade. Neste caso, trata-se de ser e ter para ter e ser, ou seja, ter saúde para ser saudável, e ainda, ser saudável para ter qualidade de vida.

Movendo nosso pensamento para o paradigma ambiental, compreendemos que mais do que apreender do planeta seus segredos, cabe à sociedade a promoção da concepção do sujeito ecológico. Resumidamente, tanto ouvimos sobre os impactos nocivos e danosos da presença humana que já é mais do que emergencial a tomada de atitude em prol da vida no planeta, e tal concepção diz respeito a que cada cidadão, ao menos, seja ecologicamente sensibilizado/simpatizante, não concebendo a natureza como uma mercadoria ou recurso inesgotável, e dentro disto, é claro, se encontra a própria sociedade.

Seja no urbano ou no rural, optar pela adoção da bicicleta como veículo prioritário é parte essencial da mudança de comportamento requerida para que sejamos, todos, sujeitos ecológicos, ao mitigar os efeitos impróprios de nosso egoísmo consumista. Trata-se, então, de ser para ser e ter para ter, ou melhor, ser minimamente individualistas para ser ambientalmente éticos e responsáveis, e ainda, ter um comportamento menos utilitarista para ter resultados plurais e benéficos para todos.

Ainda sob a perspectiva de mudanças orientadas para garantir melhorias reais na vida que temos em comum, cremos que nenhum dos destaques anteriores é ou será possível sem a educação. As experiências compartilhadas sobre a bicicleta têm nos levado a repensar o modelo atual de educação, que em resumo se mostra excludente, precarizado, fragmentado, dicotômico, alienante, não democrático e descartável. Pensamos em gerar conhecimento a partir da empiria, da experiência, contemplando o ser (substantivo) humano com a chance de formar-se integral e sensivelmente. É um desafio imenso deixar de lado o modelo vigente, mas não cremos que seja impossível. Não é porque sempre foi que sempre será e não quer dizer que porque nunca foi feito, que não o será. Trata-se, enfim, de ser (verbo) humano.

O novo ano se inicia e temos muita coisa para repensar. A Revista Bicicleta quer ser um instrumento de compartilhamento de ideias e comportamentos acerca de tudo o que encerra a bicicleta e queremos ter você participando desta aventura conosco. Feliz 2013 para você e sua família!

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