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Revista Bicicleta por Carlos Menezes
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07/10/2014
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Foto: Simone Oliveira

Como em qualquer esporte, os ciclistas criam uma série de mitos que, de tanto serem repetidos, tornam-se verdade absoluta. A discussão sobre o tamanho do pedivela é assunto que está sempre em voga. Quem nunca ouviu dizer que para pedalar uma bike de contrarrelógio é necessário colocar um pedivela maior, adiantar o selim e abaixar a mesa? Ou que para pedalar com maior eficiência é preciso raspar os joelhos no quadro? Esses são alguns exemplos comuns de mitos do ciclismo.

Em primeiro lugar, a geometria de uma bike road é completamente diferente de uma bike de triatlo ou contrarrelógio, sendo que as bikes de triatlo e contrarrelógio apresentam uma diferença de pelo menos 4,5 graus de ângulo no tubo do selim e as mudanças propostas (adiantar selim, aumentar pedivela e abaixar mesa) não são suficientes para posicionar o ciclista de maneira adequada. A utilização de um pedivela maior do que o atleta necessita fará com que os músculos se contraiam além do necessário, provocando um gasto a mais e desnecessário de energia. Ainda, dependendo da deformidade do joelho do atleta, raspá-lo no quadro pode causar sérias lesões nessa articulação.

Mas sem sombra de dúvidas o maior mito de todos é a escolha do quadro por meio da altura do atleta e/ou pelo comprimento do entre-pernas, popularmente conhecido como cavalo. Outro meio equivocado de utilização da medida do entre-pernas é a sua multiplicação por um coeficiente pré-determinado para descoberta da altura do selim. Inclusive, esse é um bom indicativo para a escolha de um profissional especializado em Bike Fit. Toda vez que for comprar ou ajustar uma bicicleta e o profissional ficar relacionando sua altura e comprimento do entre-pernas para escolha ou ajuste da bicicleta, isso significa que ele não possui conhecimentos atualizados o suficiente para atender as suas necessidades.

Para entender isso melhor, é preciso ficar claro que toda bicicleta é ajustável, seja ela maior ou menor do que a sua bike ideal. Quem nunca entrou em uma loja para comprar uma bike e depois de escolher a bicicleta pelo visual e/ou grupo de componentes e peças, fica em dúvida em relação ao tamanho? E, ao consultar o vendedor, ouve ele dizendo: “essa bicicleta é ideal para você, basta chegar o seu selim todo para frente e trocar o avanço do guidão (mesa) por um menor”. Isso é o mesmo que dizer, em outras palavras, que essa bike possui uma alcance maior do que você precisa. Quando você compra uma bike e entre o avanço do guidão e quadro fica cheio de espaçadores, significa que você comprou uma bike com a frente mais baixa do que você precisa. Nesse ponto então é preciso entendermos que, se por um lado toda bike é ajustável, existem parâmetros para que o atleta e bike se tornem uma única peça biomecânica em harmonia ou então teremos aquelas posturas que agridem até mesmo visualmente.

Observe bem e veja que falamos em altura e alcance da bicicleta. É exatamente isso que precisa ser levado em consideração no momento da compra e ajuste da bike. Atualmente, os fitters têm trabalhado e explicado aos seus clientes a lógica desse raciocínio em relação à altura e alcance da bicicleta, mas como foi afirmado no início, a altura do atleta e comprimento do entre-pernas é o maior dos mitos a serem derrubados.

Se você fizer uma breve análise no mercado, perceberá que as diferentes marcas e modelos disponíveis no mercado variam em tamanhos XS, X, M, L, XL; 50, 54 ,58; 16, 17,5, 19, 23. Faça uma experiência pessoal. Pegue dois quadros de um mesmo tamanho (exemplo um quadro 19) de marcas diferentes e coloque um ao lado do outro. Você descobrirá que a única coisa que os dois possuem em comum é o tamanho do seat tube (tubo do selim). Muitas vezes, o atleta que possui uma bike 18 (por exemplo) e troca uma outra do mesmo tamanho e de outra marca precisa modificar o tamanho e/ou altura da mesa.

Neste momento, você deve estar se perguntando: “então qual é a forma adequada de escolher e ajustar um quadro?” Experimente acessar o site das grande marcas de bicicleta como Specialized, Cannondale, Trek, BMC, etc. Quando tomamos como exemplo a geometria da Cannondale Super Six Evo, em seu site vai encontrar duas medidas: Stack (altura) e Reach (alcance), representadas pelas letras N e O respectivamente. Essas medidas representam a altura da caixa de direção em relação a caixa de centro e a distância da caixa de direção até à caixa de centro.

Agora que já sabem da existência das medidas de altura e alcance da bike, vai entender que se trocar a sua bike atual (considerando que ela é a sua bike ideal) por outra com mesmo comprimento de seat tube mas a caixa de direção mais baixa em relação à caixa de centro, terá que adicionar espaçadores para corrigir o quadro.  E esse é apenas um exemplo dentro das centenas de combinações de ajuste que podem ocorrer para o ajuste perfeito de um ciclista.

Se começamos falando de multiplicar a altura ou o entre-pernas por um coeficiente para achar a bike ideal, convido você a olhar fixamente para a figura abaixo, cheia de medidas representadas por linhas e letras e me responda a seguinte pergunta: “você acredita que uma marca investiria milhões em projetos de geometrias de quadro, se tudo se resumisse apenas a um coeficiente de multiplicação?” A resposta mais comum para essa pergunta tem sido: “mas não sou atleta e por isso não preciso de todas essas medidas”. Esse é um tremendo engano cometido pela grande maioria dos ciclistas. Quando você acessa o site das grandes marcas, todas elas apresentam uma linha passeio, recreacional, conforto, alta performance, e por aí vai, sempre pensando em todos os estilos de ciclistas e todas as bikes apresentam os mesmos critérios de geometria. Dentro disso, as pessoas tendem a pensar que bike fit é destinado somente a atletas de alta performance. Grande engano! Os atletas recreativos, embora não estejam preocupados com resultados competitivos, precisam se preocupar em ter um posicionamento adequado afim de evitar lesões, uma vez que suas musculaturas são menos reforçadas do que a de atletas profissionais.

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