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Suspensão de canotes são realmente eficientes?

Não é raro receber o questionamento de algum cliente referente ao sistema de amortecimento de canotes. A princípio somos induzidos a um pensamento de que canotes com sistemas de suspensão são confortáveis. E isso pode até ser verdade quando pensamos em conforto e amenização do impacto diretamente no glúteo e coluna vertebral.

Revista Bicicleta por Por Carlos Menezes
12.050 visualizações
03/08/2016
Suspensão de canotes são realmente eficientes?
Foto: BodyFloat™ Divulgação

Mas esses sistemas são eficientes? Depende. A maioria é pouco eficaz no que tange à eficiência da pedalada.

Certa vez, ouvi de um cliente: “pra que vou investir milhares de reais em uma bike full suspension, se consigo o mesmo resultado com uma suspensão de canote?”

É claro que não consegue. Quando uma suspensão de uma bike full suspension trabalha, o triângulo traseiro se move inteiro. Como o sistema pedivela + seat tube + canote + selim está inserido no triângulo traseiro, então, não há modificação nem na extensão da perna, nem na amplitude da pedalada.

Dessa maneira, os impactos são absorvidos sem que o ciclista perca potência ou cadência da pedalada. O que sofre variação em uma full suspension com o trabalho da suspensão é a distância do guidão ao selim, o ângulo de inclinação do tronco do ciclista em relação ao solo, o ângulo do seat tube e o grau de inclinação do bico do selim, mas essas variações são facilmente previsíveis por um bom Bike Fitter (profissional em Bike Fit). Assim, o posicionamento é realizado de modo que se tenha o máximo de eficiência com as variações de ângulos proporcionados pelo trabalho do SAG da suspensão.

É importante ressaltar mais uma vez: a distância entre o topo do selim e o pedal no ponto mais baixo da pedalada não varia com o trabalho da suspensão de uma full suspension.

Já na maioria dos amortecedores de canote, a altura do selim muda quando ele trabalha, e isso influencia negativamente a eficiência da pedalada, pois a cada momento o ciclista apresentará uma variação para a extensão da perna e amplitude da pedalada. Essas variações ocasionam sistematicamente a perda de potência aplicada ao pedal.

Mas esses sistemas são confortáveis?

A maioria dos modelos funciona como uma mola. Em boa parte dos casos, quando submetidos a uma pancada forte, os canotes comprimem totalmente, gerando um impacto ainda maior no glúteo e na coluna vertebral. A sensação é análoga a uma turbulência aérea. É como se de repente o selim desaparecesse e o glúteo caísse em queda livre, sendo interrompido bruscamente pelo impacto do selim ao final da contração do sistema de amortecimento.

Alguns sistemas mais modernos, a ar ou óleo, são mais suaves na absorção do impacto, mas apresentam a mesma ineficiência na geração de energia da pedalada.

Sistema de absorção de impacto

Outro ponto que precisa ficar claro é a diferença entre sistemas de amortecimento e sistemas de absorção de impacto. Algumas marcas apresentam sistemas de absorção de impacto que são extremamente eficientes. Esses sistemas não trabalham com compressão e expansão, mas sim com materiais e formas que absorvem a trepidação e irregularidades do solo.

Ao longo dos anos, ouvi de muitos clientes do Estúdio Carlos Menezes de Fit que trocaram suas bikes de quadro de alumínio por bikes de carbono, o relato de uma sensação “estranha ao pedalar”. Tanto que um dos maiores ganhos dos quadros de carbono não é o peso. Há quadros de alumínio mais leves que muitos quadros de carbono. O maior ganho é conforto na absorção de impacto. Recordo-me de um cliente que trocou alumínio por carbono relatar que a bike é tão suave na absorção de impacto que ele chegou a parar várias vezes para verificar se o pneu estava murcho ou furado.

Sistema de Canote Retrátil

Quando se fala em sistema de amortecimento de canote, nada tem a ver com o sistema de canote retrátil (ou canote ajustável) para MTB, que permite que o ciclista regule o selim em diferentes posições durante a pedalada. Esses sistemas de canote retrátil não têm como objetivo absorver impacto, mas sim ajudar o ciclista a ajustar o seu selim para diferentes necessidades. Ao entrar em um singletrack ou percurso técnico, por exemplo, onde não precisará ficar sentado para pedalar ou mesmo terá a necessidade de “cutucar” o pé no chão algumas vezes, a altura ideal do canote é diferente do que em uma descida técnica onde o ciclista precisará lançar seu corpo para trás do selim. Nesses casos, o sistema cai como uma luva. O que precisa ser avaliado é o custo x benefício entre peso, funcionalidade e uso. 

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