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Serra do Cipó

Minas Gerais

Revista Bicicleta por Divulgação
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04/10/2014
Serra do Cipó
Foto: Divulgação

Cachoeiras e belas paisagens por entre os “Mares de Minas” Circuito Serra do Cipó de Cicloturismo mistura natureza, mineiridade e história

Mares de Minas, verdes mares ondulados pelo verdejar do capim cobrindo as colinas...
(Trecho do poema Minas Gerais, de Vera Liebing)

Pedalar pelo Circuito Serra do Cipó de Cicloturismo é assim: contrariar a geografia e entender que os mares de Minas são verdes e se estendem até onde os olhos não conseguem mais enxergar. O destino oferece aos amantes da bicicleta paisagens inesquecíveis que reforçam a sensação de liberdade, naturalmente percebida por quem pedala. O Circuito fica localizado na Serra do Espinhaço, mais especificamente na Serra do Cipó, uma das regiões de maior biodiversidade do planeta.

Toda essa riqueza natural pode ser percebida pelas bromélias, canelas de ema, orquídeas e sempre-vivas que enfeitam o local. Os cursos d'água e as cachoeiras que se encontram pelo caminho compõem o cenário perfeito para uma cicloviagem. O destino, que margeia o Parque Nacional da Serra do Cipó, coloca o cicloturista em contato com uma imensa área de preservação ambiental no coração de Minas Gerais.

As formações rochosas também são uma atração a parte. A região possui inúmeros dobramentos originados do movimento de placas tectônicas há milhares de anos. Por isso, o Circuito Serra do Cipó de Cicloturismo tem trechos de subidas bastante escarpadas.

O quartzito encontrado na Serra do Espinhaço indica que a região já foi fundo de mar. As pedras ainda carregam as marcas do ondular das águas marinhas de outrora, e permitem avaliar o sentido da correnteza e a profundidade do mar no local. Outro resquício de tempos remotos são as pinturas rupestres encontradas em grutas e a presença de sítios arqueológicos na região.

A cicloviagem é considerada de média a difícil, e totaliza 256 quilômetros divididos em seis etapas. O Circuito é circular e parte do distrito da Serra do Cipó, passa por Lapinha da Serra, Congonhas do Norte, Tapera, Dom Joaquim e retorna ao ponto inicial. Entre uma cidadezinha e outra, o cicloturista passa por diversos vilarejos que ainda conservam a tradição mineira percebida na hospitalidade, religiosidade e culinária.

A primeira etapa do Circuito (Serra do Cipó – Lapinha) é formada por 42 quilômetros de intensa atratividade paisagística. O percurso é feito em meio à bela vegetação de cerrado e campos rupestres. O município de Santana do Riacho, sede do distrito da Serra do Cipó, fica a 29 quilômetros do ponto de partida e é um excelente lugar para descansar antes de completar a etapa. Chegando à Lapinha da Serra, reserve um tempo maior para conhecer as belezas da cidade. São quatro cachoeiras imperdíveis: Bicame, Lajeado, Rapel e Paraíso. Existe também a bela represa que contorna o município, além de diversos lagos, como o do Boqueirão e o do Poço Verde, o qual possui águas cristalinas. Visite também o Pico da Lapinha, o segundo maior da Serra do Cipó.

O distrito da Serra do Cipó nem sempre teve este nome. Antes de 2002, a região levava o nome de Cardeal Mota, mas, como a localidade já era popularmente chamada de Serra do Cipó, decidiu-se que o nome antigo seria substituído. A região possui cerca de 2.500 habitantes e tem no turismo sua principal fonte de renda.

Revigorado, é hora de seguir viagem. A próxima etapa (Lapinha – Congonhas do Norte) é considerada a mais difícil do Circuito e também a mais bonita. São várias subidas de tirar o fôlego, e a cada ladeira, uma visão inigualável. O elevado grau de dificuldade física se dá devido aos 48,1 quilômetros percorridos, em boa parte, sob a crista da Serra do Espinhaço. A dificuldade técnica fica por conta da transposição dos cursos d'água e do solo irregular encontrado ao longo do roteiro. Chegando em Congonhas do Norte, visite a Igreja de Santana. Datada do século XVIII, o local conserva pinturas em estilo rococó e várias imagens do século de sua construção. Quanto às belezas naturais, são muitas as cachoeiras no entorno do município, com quedas que variam entre 30 e 150 metros. Os sítios arqueológicos e as grutas com pinturas rupestres também são boas opções para visitação.

A terceira etapa parte rumo ao distrito de Tapera, pertencente à Conceição do Mato Dentro. Os 27,5 quilômetros deste percurso têm início com fortes subidas.  Entretanto, após vencer a Serra de Santo Antônio, o pedal fica mais light.  Tapera, cujo nome verdadeiro é Santo Antônio do Norte, está no eixo principal da Estrada Real e tem sua história diretamente relacionada com o período colonial. Seus primeiros habitantes se dedicaram à mineração do ouro e, mais tarde, à fabricação de tecidos e chapéus de algodão. Em Tapera, procure conhecer a Pedra de Mó, uma antiga pedra de moinho que foi lapidada para ser usada ainda no período colonial no Moinho Real construído em Morro do Pilar. A cachoeira do Cadete é mais um atrativo do distrito.

A Estrada Real se tornou a principal via do país durante o século XVIII. Criada pela coroa portuguesa, surgiu para evitar o contrabando no transporte dos metais preciosos encontrados nas lavras de ouro e diamantes das regiões mineradoras do Brasil colonial. O caminho passou a ser a única via em que seria permitido o transporte do que era extraído nas minas. A Estrada Real se estende por 1400 km, dividindo-se em três rotas: Caminho Velho, que liga Parati a Ouro Preto; Caminho Novo, que liga Rio de Janeiro a Ouro Preto e Caminho dos Diamantes, que liga Ouro Preto a Diamantina.

O próximo trajeto segue para Dom Joaquim, cidade localizada a 196 quilômetros de Belo Horizonte. O percurso de 55,2 quilômetros cruza diversos povoados que guardam histórias do período conhecido como Ciclo do Ouro (final do século XVII até o fim do século XVIII). Uma das comunidades é Itaponhacanga. O lugar era usado como entreposto de tropeiros e refúgio de escravos. Seu rico patrimônio histórico envolve igrejas e casarões de fazenda centenários. Já em Dom Joaquim, aproveite o tempo para conhecer o Complexo Turístico da Represa. O local oferece boa infraestrutura com bares, restaurantes, área de camping, além de belezas como piscinas de água natural e cachoeiras. No centro do município, refresque-se no Chafariz da Caiana. O monumento, que jorra água fresca e potável o tempo todo, tem um rosto de leão talhado em alto relevo e leva os dizeres: “Quem beber desta água, inevitavelmente a Dom Joaquim retornará”.

O penúltimo roteiro leva o cicloturista à maior cachoeira de Minas Gerais. A trilha Dom Joaquim-Conceição do Mato Dentro reserva um trajeto cheio de belos mirantes espalhados pelos 28,7 quilômetros que separam os dois municípios. O mirante da Ferrugem merece destaque especial pela bela visão que oferece de Conceição do Mato Dentro e do paredão do qual brota a Cachoeira do Tabuleiro. A queda d'água de 273 metros é a maior do estado e a terceira maior do Brasil.  Os poços do Parque Municipal Salão das Pedras e os ofurôs naturais do Balneário Córrego do Baú também impressionam pela beleza e devem ser visitados. Na cidade, não deixe de conhecer o centro histórico. Conceição do Mato Dentro está às margens da Estrada Real, tem sua história ligada à mineração e conserva lindos casarões no estilo barroco.

Depois de percorrer 5 das 6 etapas que compõem o Circuito Serra do Cipó de Cicloturismo, é hora de encarar os 65 quilômetros restantes do roteiro Conceição do Mato Dentro – Serra do Cipó. O trajeto reserva belas paisagens que fazem o ciclista pedalar devagar. A vista alcança longe e, do alto, se enxerga os conhecidos mares de morros mineiros. A estátua do Juquinha encontrada pelo caminho anuncia a grande descida que conduz o viajante até o último ponto do destino. Já no distrito da Serra do Cipó, o Parque Nacional da Serra do Cipó merece ser visitado. Além de uma riquíssima fauna e flora, o local guarda ainda o Cânion das Bandeirinhas - uma abertura de seis quilômetros nas rochas, cortada pelo ribeirão mascates e repleta de piscinas naturais. A Cachoeira da Farofa, também dentro do Parque, é outra opção para os apaixonados pela natureza. Se ainda tiver fôlego, visite a Cachoeira Véu da Noiva e a Cachoeira Grande. Caso contrário, descanse nas várias pousadas encontradas no distrito e aproveite os bons restaurantes do lugar.

Estátua do Juquinha

Juquinha foi um lendário andarilho que vivia na região da Serra do Cipó e oferecia flores àqueles com quem encontrava. A sua identificação com a Serra foi tão grande que em 1987, após a sua morte, prefeitos e população das cidades vizinhas resolveram homenageá-lo com uma estátua de três metros localizada em um dos pontos mais altos do distrito. De autoria da artista plástica Virginia Ferreira, o monumento se tornou símbolo da Serra do Cipó.

Mais Informações

Ficou interessado no destino? Acesse www.bemvindocicloturista.com.br, tenha acesso às fichas técnicas dos roteiros e baixe grátis seus guias e arquivos para GPS. Texto: Aluysio Ferreira – Projeto Bem Vindo Cicloturista Fotos Marcos Tulio Barreto.

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