REVISTA BICICLETA - Scott Press Camp 2015
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Scott Press Camp 2015

O lançamento mundial da Scott para a América aconteceu nos dias 25 e 26 de julho, na região de Deer Valley, em Utah - EUA. A Revista Bicicleta teve o privilégio de ser convidada para conferir todas as novidades de bikes e acessórios da nova geração.

Revista Bicicleta por Pedro Cury
36.666 visualizações
17/10/2014
Scott Press Camp 2015
Foto: Scott / Divulgação

 

ENTENDENDO AS TECNOLOGIAS SCOTT

Modelos e Configurações

A Scott mantém alguns conceitos em comum para suas MTBs. Os modelos da série 900 são os que possuem rodas 29”, enquanto os da série 700 são de rodas 27.5”. Quanto menor o número da série, melhor a configuração da bike, por exemplo, o modelo 910 tem uma configuração superior ao modelo 920 e inferior ao 900.

TwinLoc

As melhores bikes da marca usam o sistema TwinLoc de ajuste de suspensão, que é uma alavanca no guidão que permite o ajuste das suspensões. Nas full suspensions, é possível controlar as duas suspensões ao mesmo tempo, em três posições diferentes: curso total (descend), curso reduzido (traction control) e totalmente travada (climb). Nas rígidas, existem também as três posições, mas claro, só controlam uma suspensão.

Geometry Chip

Também para as MTBs full suspension, existe uma pecinha de metal na montagem do amortecedor, que quando invertida, altera a geometria da bike para um comportamento diferenciado.

Carbono HMX e HMF

A Scott utiliza duas tecnologias principais na construção dos seus quadros de carbono, tanto de estrada quanto de MTB. Em resumo, a tecnologia HMX tem filamentos simultaneamente mais rígidos e menores em diâmetro que os da fibra HMF. Sendo assim, pode ser construído com tubos de espessura mais fina, sem comprometer rigidez e resistência, resultando em um quadro 14% mais leve.

A Scott costuma fazer pequenas melhorias na maioria dos seus produtos a cada ano e grandes mudanças em apenas dois ou três modelos. Nesse ano, para o mountain biking, os grandes destaques foram para a Gambler (Downhill), Voltage (Freeride / Bikepark) e para as Genius e Genius LT (All Mountain / Enduro). Já nas bikes de estrada, a grande mudança foi na Solace Disc e o lançamento da nova geração da bike de Triatlhon e Time Trial, a Plasma 5.

Não podemos também esquecer os acessórios, que realmente possuem um desenvolvimento dedicado, como os capacetes, roupas e sapatilhas. O destaque fica para seus novos capacetes com sistema de proteção MIPS.

Durante o evento, foi possível pedalar pelas pistas da região, com qualquer das novas bikes, inclusive usando teleférico. Vamos aos detalhes!

Mountain Biking

SCALE E SPARK

A Scale, bike rígida de cross-country top de linha, não teve grandes mudanças. Apenas o sistema TwinLoc de trava da suspensão possui agora um novo suporte para prender no guidão. A Spark, full de cross-country top de linha, também tem o novo suporte e agora uma nova versão equipada com os componentes eletrônicos Shimano XTR Di2 e a trava de suspensão da Fox. Ambas as bikes já foram campeãs mundiais nas pernas de Nino Schurter. Serão oferecidas em rodas 27.5” e 29”, com gancheiras IDS-SL e quadro em carbono HMX no modelo mais top. Uma curiosidade é que tanto a Scale quanto a Spark possuem geometrias parecidas para que seja confortável à adaptação no caso do piloto resolver mudar de bike de acordo com a pista.

GENIUS E GENIUS LT

Apesar da popularização do All Mountain e as competições de Enduro serem algo mais falado apenas nos últimos anos, a Scott já tinha projetado a Genius como uma bike “faz-tudo” desde 2003 com sua primeira versão. De lá pra cá, foram muitas mudanças e refinamentos. A bike também foi campeã mundial com Thomas Frschknecht ainda em 2003.

Em 2015, a Genius terá uma nova versão 900 Tuned, que é a versão 29” com os melhores componentes do mercado. Também será oferecida a Tuned 700, mesmo conceito, mas com rodas 27.5”.

Mais uma novidade para o próximo ano é um guia de corrente desenvolvido pela marca para as bikes equipadas com transmissão de uma coroa. O sistema é integrado à balança, acompanhando seu movimento.

Outra novidade para Genius é que alguns quadros estão mais leves: modelos 900 e 700 em 90 g e as versões 910 e 710 em 70 g, sem perda de rigidez.

O curso da suspensão muda de acordo com a posição do TwinLoc, do tamanho das rodas e também no modelo LT. A tabela abaixo mostra as diferenças:

GENIUS LT

A Genius LT (Long Travel ou curso longo) é uma versão da Genius com maior curso na suspensão, oferecida apenas em rodas 27.5” e com componentes mais robustos. Uma grande novidade para esse ano está na suspensão dianteira, que passa a ser uma Fox de 170 mm feita especialmente para a Scott.

O amortecedor traseiro é também um Fox Nude CTCD oferecendo 170 mm também. O peso para a versão 700 Tuned (mais top), fica em 12.1 kg. Essa versão tem o quadro com triângulo dianteiro e traseiro (balança) feito em carbono HMX, com o quadro mais amortecedor traseiro pesando apenas 2.450 g. Já a versão 710 tem o triângulo dianteiro em carbono HMF e a balança em alumínio, 320 g mais pesado, e a versão 720 tem o quadro todo em alumínio, pesando mais 430 g do que a versão 700.

Confira algumas das tecnologias da Genius:

Amortecedor Fox Nude CTCD

O amortecedor traseiro presente tanto nas Genius, quanto nas Sparks foi desenvolvido especialmente para cada modelo. Ou seja, os amortecedores tem configurações internas diferentes dependendo do curso da bike e tamanho da roda. Essa parceria com a Fox também torna possível o uso do sistema TwinLoc. Uma coisa interessante de notar é que quando a trava está na posição intermediária, o curso da suspensão e o sag ficam reduzidos, deixando a suspensão mais alta e consequentemente uma geometria mais adequada a subidas e planos.

IDS-SL

Outra grande característica está no sistema IDS-SL de encaixe de rodas. Com ele, é possível usar, no mesmo quadro, rodas com eixos de padrões diferentes: 142x12 mm, 135x12 mm e 135x9 mm. Uma grande vantagem!

Geometria

As séries 900 e 700 possuem rodas 29” e 27.5” respectivamente. Porém, cada série tem uma geometria diferente, para ser mais otimizada para o tamanho da roda e não ser apenas uma adaptação.

Geometry Chip

Todas as Genius e Genius LT possuem a opção de alterar a geometria da bike, mudando a altura do movimento central em 6 mm e o ângulo de direção em 0.4 graus na versão tradicional. Na versão LT, a altura também muda 6 mm, mas o ângulo de direção altera 0.5 graus.

Modelos

A Genius será oferecida em diferentes configurações, seguindo da superior para inferior: 900 Tuned, 900 Premium, 910, 920, 930 e 940.

VOLTAGE FR

A Voltage FR é uma bike voltada para o Freeride / Bikepark. Para 2015, a Voltage passa a ter um pivô maior e montagem do eixo mais robusta, além de ganhar um novo reforço nos seatstays. Além disso, conta com a opção de usar rodas 27.5” ou 26” e três tamanhos de quadro.

A bike também conta com diferentes ajustes. É possível mudar o curso da suspensão entre 170 mm e 190 mm e o ângulo de direção entre 62 e 66 graus. O dropout é padrão IDS-X que permite o uso de eixo 135x12 ou 135 quick release. Com rodas 26, o chainstay pode ser ajustado com 410 mm ou 425 mm, e com 27.5 apenas o último tamanho.

GAMBLER

A Gambler é a arma de Downhill da Scott para encarar as pistas mais difíceis do mundo, incluindo as etapas da Copa do Mundo e o Mundial. A grande mudança desse ano é a introdução da Gambler 700, com rodas 27.5. Porém, não foi apenas uma adaptação nos tubos para acomodar a roda maior e sim um redesign do zero para que a bike tivesse um comportamento otimizado.

Sistema de Suspensão

O funcionamento do sistema de suspensão Floating Link foi melhorado para o novo tamanho de rodas, gerando menos torção nos links resultando em maior durabilidade. O curso da suspensão traseira é de 210 mm e o cabeamento do quadro é interno.

Geometria e Ajustes

A Gambler é uma das bikes de Downhill que oferecem mais ajustes. O ângulo de direção, altura do central e comprimento dos chainstays podem ser alterados. Com isso, é possível ter uma geometria quase idêntica quando se usa rodas 26” ou 27.5”. Mesmo usando as rodas menores, a bike tem uma geometria - e comportamento - diferente da versão anterior e é 6% mais rígida no tubo de direção.

BIG ED

As Fat Bikes surgiram incialmente para uso recreativo, na neve e areia, porém, há rumores de que surjam competições especialmente para elas. Com a sua popularização, a Scott lança a Big Ed em dois modelos. O quadro já tem geometria acertada para usar a nova suspensão Rock Shox Bluto e a bike virá equipada com pneus Kenda Juggernaut 4”, que pesam quase 1,5 kg menos que os pneus Surly normalmente usados nessas bikes. Pelo espaçamento dos eixos, talvez seja possível usar pneus 4.8”. O ângulo de direção é de 69 graus e os chainstays de 450 mm. O modelo mais top da Big Ed virá com aros Syncros 80 mm, trava remota da suspensão no guidão, central press fit 121 mm, transmissão 2x10 SRAM com um misto de componentes X9 e X7 e mesa + guidão com 35 mm de diâmetro. O peso está ao redor de 15 kg: nada mal!

 

Estrada

SOLACE E SOLACE DISC

A Solace é uma bike que a Scott projetou para ser confortável, mas sem perder muita performance. Não é uma bike para ganhar corridas, mas sim uma bike equilibrada, para oferecer conforto em pedais longos e não comprometer a transferência de energia da pedalada. Para isso, o quadro foi projetado com duas zonas de construção.

Zona de Conforto

A Scott mapeou a área do quadro que é responsável pela sensação de conforto, que é a interseção dos tubos de selim, tubo superior e seatstays. Foram analisadas então diversas opções de formatos dos tubos, orientação e densidade das fibras e como seria a junção dos seatstays. A solução foi fazer a junção desses tubos diretamente com o tubo superior, melhorando assim o conforto e sem comprometer a rigidez rotacional do head tube. Além disso, foi deixado de fora propositalmente o arco que une os seatstays onde se montava os freios anteriormente, para não comprometer a flexão dos tubos. No tamanho 54, a Solace é 42% mais confortável que o modelo CR1.

Zona de Força

Focar o desenvolvimento apenas no conforto comprometeria demais a transferência de energia do piloto para a bike. Então, simultaneamente ao conforto também foi analisada e mapeada uma área de transferência de força que inclui a junção dos tubos que chegam ao movimento central e também o head tube (que é cônico com maior diâmetro 1.1/8” e menor 1.1/4”). O tubo inferior é mais largo, a área do movimento central é bem maior (e usa o padrão BB86 press fit) e tanto os seatstays quanto os chainstays são assimétricos. No tamanho 54, a Solace tem a área do movimento central 17% mais rígida que o modelo CR1.

Size Especific Construction

Toda a tecnologia de construção de tubos, com diferentes camadas e orientações de carbono para melhor conforto e rigidez, não faria sentido se não fosse levado em consideração os diferentes tamanhos. Um quadro que vai ser usado por um ciclista menor e mais leve deve ter uma construção diferente do que um quadro grande. Sendo assim, a Solace terá sete tamanhos diferentes e a Solace Contessa (modelo feminino) terá cinco opções. Cada um dos tamanhos tem uma construção diferente dos tubos, tanto na dimensão quanto na organização das fibras.

Confort Geometry

Além da construção do quadro em termos de materiais e formatos, a geometria também tem uma parcela importante no conforto final da bike. A Solace tem a frente (head tube) 2.5 cm mais alta que a da Addict, deixando o piloto numa posição menos inclinada, evitando dores na lombar e pescoço em pedaladas de muitas horas.

Nos modelos femininos, a geometria também é diferente para compensar as diferenças corporais da mulher. O tubo superior é 10 mm mais curto e o head tube 10 mm mais alto.

Espaçamento dos eixos

O eixo traseiro terá espaçamento 142 mm x 12 mm e o dianteiro 100 mm x 15 mm, ambos com eixo passante (thru-axle) ao invés do quick release. Esses padrões já foram testados e são usados há alguns anos no mountain biking.

É possível então adaptar uma roda 29” de mountain biking na bike? Sim, porém, será preciso usar um eixo de estrada, pois a rosca do eixo é diferente. Não existem muitos motivos para esse tipo de adaptação, já que rodas de estrada são mais leves, mas a informação pode ser útil em alguma situação emergencial. O quadro disc, na versão HMF, pesa apenas 40 g a mais do que o quadro com freios tradicionais.

Internal Cable Routing

O quadro terá cabeamento interno compatível com sistemas de marcha mecânico ou eletrônico e também para freio a disco.

Freios a disco

Assim como aconteceu com o mountain biking, ainda estamos em uma fase de transição entre o freios de aro e os freios a disco nas bikes de estrada. Muita gente ainda fica desconfiada e acha que é “besteira” ou que o sistema traz um peso desnecessário. O sistema é mais pesado que o tradicional? Sim, mas muito pouco: a bike completa com disco pesa apenas 250 g a mais. A vantagem da frenagem com disco é indiscutível: mais precisa, mais macia e mais segura, especialmente na chuva.

Os freios usam um dos padrões mais recentes de mountain biking: post mount. Freios de MTB podem ser usados, apenas o rotor que precisa ser 140 mm ou 160 mm.

Thru-Axle de 15 mm no garfo

Porque usar um eixo passante (thru-axle) de 15 mm no garfo ao invés de manter o padrão atual de eixo quick release de 9 mm? Não, essa não foi uma decisão comercial para vender novos garfos e rodas. Na verdade esse padrão já existe e é muito bem-sucedido há alguns anos em mountain bikes.

Os freios de caliper (ferradura) são montados na parte de cima do garfo, que é uma área naturalmente mais reforçada e além disso, as forças resultantes da frenagem são simétricas. Os freios a disco são montados na parte de baixo do garfo e a força resultante da frenagem acontece apenas de um lado. Essa área de baixo é crítica para absorver as vibrações do terreno, então, reforçar essa parte para poder equilibrar a força de frenagem do disco comprometeria o conforto. Usando o novo eixo, foi possível manter o mesmo conforto do sistema tradicional e ainda assim um peso menor do que a opção de reforçar o garfo com o sistema tradicional. O novo garfo, na versão HMF, pesa apenas 10 g a mais que o anterior.

Além disso, o eixo passante, tanto no garfo quanto no quadro, é mais seguro, mais resistente, mais rígido, evita problemas de alinhamento das rodas e dos rotores e também evita que se aperte o eixo menos ou mais que o necessário, como acontece com o eixo quick releases.

O garfo usa a tecnologia SDS da própria Scott, que serve para minimizar as vibrações da estrada.

Capacetes

A Scott alega que a sua preocupação principal em toda a linha de capacetes é com a segurança. Não que eles ignorem peso e aerodinâmica, mas a segurança realmente vem em primeiro lugar. O objetivo deles não é passar apenas nas certificações, mas passar com folga.

Sistema MIPS

Há mais de dois anos, a Scott passou a integrar o MIPS a alguns de seus capacetes. Esse sistema serve como uma nova camada de proteção, independente das outras, que veio somar na segurança total nos impactos. Os criadores do MIPS fizeram estudos e descobriram que parte dos danos ao cérebro eram causados pela desaceleração do órgão dentro do crânio durante impactos que criam um movimento de rotação. Os impactos sofridos pelo capacete e que provocam essa desaceleração criam um movimento de rotação. O MIPS tem uma camada plástica bem fina que permite que parte dessa rotação seja feita pelo capacete e não diretamente transferida ao crânio. Como o MIPS foi desenvolvido por outra empresa, a Scott também faz testes independentes para averiguar a qualidade do sistema nos capacetes que o integram.

ARX Plus - Road e MTB

Os capacetes ARX, tanto versão de estrada, quanto de MTB, ganham a versão Plus. A diferença está na integração do sistema MIPS. O ARX Road Plus é o primeiro capacete a integrar esse sistema de segurança em capacetes para ciclismo de estrada.

Além do MIPS, os novos ARX contam com o novo sistema de ajuste MRAS II, com três alturas e 32 clicks de aperto para se adaptar com precisão à cabeça. Tanto a versão MTB, quanto de estrada, possuem três tamanhos e pesam 280 g e 260 g, respectivamente.

Stego

Para All Mountain e Enduro, segue na linha o Stego, que tem um visual diferente dos capacetes convencionais sendo mais arredondado atrás e cobrindo mais a nuca. O capacete também possui áreas planas mais extensas que segundo a Scott servem para dissipar melhor os impactos. Para ajuste conta com o sistema MRAS II, e melhorando a segurança o capacete também conta com o sistema MIPS.

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