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Reconstrução de uma Old School – Trek 930

Revista Bicicleta por Roberto Furtado
45.260 visualizações
21/10/2013
Reconstrução de uma Old School – Trek 930
Foto: Roberto Furtado

Na continuidade da matéria Revitalização de Bicicletas da edição 019, em que foram apresentados conceitos de reconstrução e restauração, mostraremos um processo reconstrutivo de uma excelente MTB da década de 90. A bicicleta em questão é uma Trek 930 do ano 1994, cujo quadro é de tubos True Temper Triple Butted. Certo dia, um grande amigo meu, Fabio Lazzarotto, telefonou dizendo: “Olha, tenho um quadro aqui que pode te interessar! A bicicleta era de meu cunhado, mas ele quis algo mais moderno e pediu para que eu vendesse esta!”. Surgiu uma nova oportunidade de trabalhar em algo que valeria cada minuto investido. Esta é mais uma daquelas incríveis histórias de onde surgem projetos para restaurar. Garagem de vizinho, abandono, desinteresse ou simplesmente a aquisição de uma nova bicicleta.

Os processos de reconstrução em sua maioria são um desafio para seu idealizador. Contudo, neste caso foi bastante fácil começar e terminar. Deve-se isto ao projeto ser uma revitalização reconstrutiva, e não restaurativa. Creio que para muitos que pensam em se aventurar na revitalização de bicicletas, esta seja a melhor opção. Reconstruir pode ser mais vantajoso economicamente, mas se o seu idealizador quiser adicionar peças aprimoradas tal investimento será elevado. Neste projeto, optou-se por peças de boa qualidade, de nível intermediário. 

Com o quadro em mãos, faltava um bom garfo da época. Resultado do garimpo de peças em bicicletarias, foi obtido um garfo Tange de Cr-Mo pertencente a uma outra velha Trek. A espiga era meio curtinha, mas com a ajuda de um bom torneiro mecânico foi realizado um embuchamento e prolongamento da peça. Depois, em uma empresa especializada, foi realizada a solda (cordão de solda que uniu três peças). A tal bucha da espiga serviria para alinhar o tubo velho e tubo novo, e também para reforçar a região de soldagem. Esta operação é trabalhosa e deve ser realizada somente por profissionais experientes e capacitados. 

Com o garfo pronto, agora era a vez do frame (quadro). Aproveitando que o frame ainda estava em sua pintura original, e que esta possuía algum brilho, avaliamos todos os tubos do quadro para ter certeza que o mesmo não era portador de danos. Não havia trincas aparentes, nem mesmo amassados. Após avaliar o frame e decidir estilo, materiais e cor do projeto, quadro e garfo foram encaminhados para um serviço especializado em remoção de tinta através de jato de granalha, para na sequência receberem a pintura epóxi eletrostática (pintura a pó). O jateamento é um processo onde pequenas partículas são arremessadas contra a superfície do produto que deve ter a pintura removida. Estas partículas podem ser de tamanhos diferentes, e estarão diretamente relacionadas à qualidade de acabamento na remoção da tinta velha. Com a pintura removida, resta um material na cor de aço fosco, parelho, que inspira muita confiança para passar à etapa seguinte. Neste momento, o frame deve receber uma nova pintura. Preferencialmente em curto espaço de tempo, evitando-se os processos da corrosão. O aço ou o aço Cr-Mo se oxidam rapidamente quando estão em contato direto com o ar, sobretudo em meios de elevada umidade relativa. Apenas para constar, a grande maioria dos aços Cr-Mo apresentam maior resistência à corrosão do que seus irmãos mais comuns, a exemplo do aço 1020, que sofre processos de corrosão com grande facilidade. Mesmo os melhores aços de construção mecânica estão sujeitos ao processo de corrosão e é sempre desejável que a pintura seja iniciada rapidamente.

Com o quadro e garfo pintados, realizamos um check list de materiais. Pode até não parecer, mas para uma bicicleta MTB ser completa e confortável, há uma longa lista. A melhor forma de iniciar esta fase é listando os componentes, antecipando qualquer problema de compatibilidade. O canote de selim tem sua própria medida, assim como o número ideal de espaçadores aheadset, caixa de direção etc. É importante que o reconstrutor esteja enxergando todo o material sobre uma superfície plana, pois ele pode até mesmo mudar de ideia sobre o modelo ou cor de algum componente.

Reviver uma bicicleta que possui alta qualidade construtiva é uma oportunidade de pensar em sustentabilidade, em valorizar itens que tiveram uma história, ou até mesmo oferecer um “brinquedo” excepcional seu a um filho. Os motivos sempre são muito pessoais, podendo ser a visão da arte a exemplo de um hobby. Alguns preferem simplesmente possuir um produto exclusivo, outros buscam a identidade sobre algo, e quem sabe até um meio de vida. No exterior, existem pessoas que realizam estes trabalhos. Assim como os construtores de quadros, há profissionais que realizam revitalizações, sejam elas restaurativas ou reconstrutivas customizadas. Estamos em tempos de revitalizar...

O resultado de um processo onde se aplica a metodologia não poderia ser diferente. A bicicleta MTB de garfo rígido em full Cromoly ficou sensacional ao uso urbano e aos passeios longos. Devido ao modelo ser trazido de volta à vida sem qualquer tipo de amortecimento, optou-se por instalar pneus grandes, de medida 26 x 2.1 e com isto atingir o conforto através do volume dos pneus. 

O valor total da reconstrução, incluindo a aquisição de todas as peças e os serviços realizados por terceiros, chegou à marca de R$ 1.800. Se utilizadas peças simples, certamente os valores chegariam a níveis mais modestos. Contudo, o objetivo não era provar que a bicicleta poderia custar menos, mas provar que uma old school poderia ser tão boa quanto qualquer bicicleta atual. Uma bicicleta confortável, capaz de transportar seu ciclista por centenas de quilômetros em uma única viagem, e totalmente customizada. Não há duas iguais no mundo! 

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Magnus Vinicius

21/10/2013 às 08:37

Muito bacana essa reconstrução!
Eu também tenho uma, reformei com peças Deore e suspa Rock Shox.
Eu tinha dúvida sobre o pedivela integrado nesse quadro mas depois que vi essa reconstrução a um tempo num outro site eu coloquei o pedivela no meu quadro e deu certinho.
O quadro é muito leve comparado com outros de cromo, o meu no tamanho 18 pesou 2,15Kg, conferido em 3 balanças, o mesmo peso de um 26 de alumínio de marca barata e pouco mais que um 29er de alumínio Caloi Elite 30. porém muito mais resistente que os de alumínio,
Agora procuro outro de cromo levinho pra montar uma bike pra minha esposa.
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