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Que tal se desafiar em provas de 12 h/24 h de mountain bike? Sim, você pode!

Revista Bicicleta por Marcelo Medeiros Canella
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12/09/2017
Que tal se desafiar em provas de 12 h/24 h de mountain bike? Sim, você pode!
Marcelo, no Brasil Ride 24h 2016
Foto: © Wladimir Togumi / NG FOTOS

Em 2016, resolvi que iria fazer algo desafiador. Assim, um dia antes da virada, com o apoio de uma amiga, fiz a inscrição na competição “24 h Brasil Ride”, cujo objetivo era dar o maior número de voltas sozinho (sem revezamento) em um circuito bem técnico, com muitas pedras e uma subida dolorida no final, em 24 h, na cidade de Botucatu-SP. 
Se ficar acordado por 24 h já não é fácil, imagine passar a maior parte desse tempo pedalando nesse tipo de terreno? Porém, ao final, a sensação é indescritível e vale a experiência. 
Logo, seguem algumas dicas de um reles mortal que sobreviveu ao desafio, gostou da brincadeira e resolveu também participar da “MTB 12 h do Brasil”.

Treinamento

Por óbvio, pedalar no parque apenas uma vez por semana, em ritmo de passeio, por alguns poucos quilômetros, não é o ideal para se preparar para uma prova desse tipo. Por outro lado, fazer pedais longos, todos os dias, pode levar à fadiga extrema, o que igualmente não irá condicioná-lo adequadamente para encarar quase 12 h/24 h pedalando.
O ideal é contratar um profissional de educação física para orientá-lo no treinamento, conforme a sua disponibilidade de tempo e seus objetivos. Você verá que é possível encaixar o treinamento na sua agenda apertada, combinando sessões curtas e de alta intensidade com outras um pouco mais longas e de esforço moderado.

Equipamento

Nesse quesito, duas são as palavras de ordem: conforto e confiabilidade.

Logo, o ajuste perfeito na bicicleta é essencial, sendo aconselhável a consulta a um especialista em bike fit.

Próximo à prova, busque treinar o máximo possível com a bicicleta que usará na competição e evite fazer revisão ou trocar peças na véspera para não ser surpreendido por algum parafuso que se solta com a vibração no meio da competição ou problemas afins.

A escolha de equipamentos mais robustos justifica-se pela grande exigência a que são submetidos em provas de longa duração, inclusive pela possibilidade de mudança radical nas condições meteorológicas e da trilha.

Entretanto, equipamentos mais confiáveis não são infalíveis, logo, imprescindível ter peças e insumos sobressalentes para alguma eventualidade. Assim, aconselho ter de reserva pastilhas de freio, corrente, bateria de farol, jogo de rodas (inclusive com pneus mais adequados para tempo molhado, caso chova) e afins.

Sobre o tema, ainda cabe um alerta. Não cometa o pecado capital da avareza. Como bom ser humano, eu pequei e tive que me penitenciar.  Primeiro, comprei uma tenda bem ordinária. Resultado: teve uma tempestade, com chuva, vento e raios, na última edição das 12 h, e literalmente “a casa caiu” e o apoio teve que deixar o equipamento para trás e se refugiar na marquise do hotel. Segundo, estava com a coroinha desgastada. Com a lama provocada pela chuva acima a corrente começou a ser “sugada” a todo momento para dentro do movimento central até que se rompeu. Consequência: além de ter que empurrar a bicicleta por mais da metade do percurso, ainda tive que dar um jeito de encontrar uma corrente para comprar, já que havia esquecido a corrente reserva em casa. Ou seja, essas economias questionáveis podem fazê-lo perder um bom tempo durante a prova ou comprometê-la seriamente, colocando em risco os meses de treino e o dinheiro despendido. Logo, estando desgastado um componente, troque-o; e, ao invés de improvisar ou adquirir um equipamento de má qualidade que será utilizado apenas uma vez, tente alugar ou emprestar um adequado ao uso.

Do mesmo modo, interessante ter algum uniforme reserva para troca, caso a indumentária fique encharcada pelo suor ou em decorrência de uma chuva, bem como levar algum agasalho para o frio, principalmente para a queda de temperatura inerente ao período noturno. Pode acreditar, a depender da situação, colocar roupas limpas e/ou quentes pode lhe restabelecer o moral para encarar o restante da prova.  E, não se esqueça do seu creme antiatrito, para evitar assaduras e desconforto durante as várias horas de pedal, tendo diversos produtos de qualidade no mercado nacional, como o “action butter”, usado e testado por mim.

Equipe

Manter os pedais girando por um longo período de tempo, por si só, já não é uma tarefa das mais fáceis, assim imprescindível para o sucesso da empreitada que alguém cuide do trabalho de back stage (nutrição, hidratação, manutenção da bicicleta, acompanhamento do atleta e dos rivais na classificação etc.). Afinal de contas, o que teria sido do sonhador cavaleiro Dom Quixote sem o seu fiel escudeiro Sancho Pança?

Porém, ficar numa tenda, no sol, na chuva, de prontidão esperando um ciclista com o ânimo alterado (sim, estar numa competição e fazendo um esforço extremo não nos ajuda a sermos muito sociáveis) exigem qualidades dignas da Madre Teresa de Calcutá. Logo, um(a) amigo(a) ou amigos muito próximos, com bom senso de humor, hiperdispostos e que gostem de pedalar, são os mais indicados para a enfadonha tarefa. O amor da sua vida igualmente pode ser uma boa opção, porém, certifique-se de que não esteja com alguma pendência (não lembrou do último aniversário de namoro ou se deixou a toalha molhada recentemente em cima da cama) para não ter que discutir a relação em plena prova de endurance.

Também, alguns procedimentos podem facilitar a vida deles, como levar uma lista com os alimentos e líquidos a serem ingeridos a cada volta no circuito ou período de tempo pré-determinado, assim, quando você chegar na tenda o seu leitinho com achocolatado (caso autorizado pelo nutricionista) vai estar prontinho e não haverá perda de tempo com o seu preparo, permitindo uma volta mais rápida ao pedal.

Outra dica é estabelecer com o pessoal uma espécie de check list a cada parada, evitando, assim, que você saia para mais uma volta com a corrente sem óleo, com as caramanholas sem água, com a bateria do farol acabando etc.. Pode acreditar, eu passei por esses apertos, antes de estabelecer este procedimento.

Nutrição

Eis um ponto chave e geralmente negligenciado pelos atletas, pois de nada adianta ter um fórmula 1 abastecido com gasolina de baixa octagnagem ou, até mesmo, “batizada” com água benta ou outros aditivos milagrosos geralmente encontrados nos postos de combustíveis tupiniquins.

Lembro que passar meio ou mesmo um dia inteiro pedalando não é um esforço comum, motivo pelo qual a alimentação durante a prova deve ser diferenciada, assim como dos dias que lhe antecedem, visando garantir o acúmulo da energia necessária e a liberação progressiva ao longo da competição, incluindo alimentos e suplementos estranhos ao nosso cotidiano e que devem ser testados com antecedência para evitar reações desagradáveis do organismo em momento tão crucial.

Participar de uma competição de endurance é uma experiência única, cuja conclusão não significa um fim, mas, sim, o começo de uma nova percepção sobre você mesmo e os seus limites.

 

Portanto, na minha opinião, a elaboração de um plano alimentar por um nutricionista voltado para esse tipo de competição é tão importante quanto ter a orientação de um treinador, quiçá, mais. Mas deve ser um profissional comprometido com esse objetivo, não bastando a indicação de uma dieta genérica.

Estratégia

Se você não é o super-homem, não adianta colocar uma cueca por cima da calça ou amarrar uma capa nas costas, pois isso não lhe trará superpoderes. E, se não dosar a sua energia, provavelmente irá tentar arrancar a roupa íntima pela cabeça de desespero, já na metade da prova.

Para facilitar psicologicamente o cumprimento dessa tarefa, procuro seguir a orientação do treinador lusitano Pedro Maia, em dividir a prova em quatro partes.

A primeira parte da corrida é crucial, já que os erros nela cometidos influenciam todo o seu desenrolar. Geralmente, temos duas sensações nessa etapa: 1) você se sente bem e acaba forçando um pouco a mais o ritmo do que estava planejado, gerando uma fadiga excessiva, tornando as 9/18 h restantes um verdadeiro martírio; ou 2) você começa a sentir algum desconforto e abandona a prova logo no início para não prolongar o sofrimento. Não faça nem uma nem outra coisa. Controle a ansiedade. Estabeleça um ritmo confortável, conforme a orientação do seu treinador e as sensações amealhadas durante os treinos, preste atenção no seu esforço, dê menos atenção aos demais competidores e, salvo no caso de algo muito extremo, não desista nessa fase inicial, pois ocorre de tudo nesse tipo de corrida e você tem muito tempo para se recuperar.

Na segunda parte, as coisas correm mais naturalmente, o corpo já começa a se acostumar com o ritmo da pedalada e com o percurso e seus obstáculos, cabendo apenas não se descuidar do plano original, inclusive em relação à alimentação e à hidratação, fazendo paradas regulares e rápidas, assim como na fase preliminar da prova, evitando “esfriar”.

Já no início da terceira parte, com o psicológico afagado pela superação de metade da luta, faço uma parada um pouco mais longa para me alimentar, ir ao banheiro, trocar de roupa, fazer algum ajuste na bicicleta etc., por isso é o momento que você mais vai precisar do apoio e, no caso das 24 h, na pior parte do dia, a madrugada. Também, é uma boa hora para começar a pensar no seu tempo por volta e na sua classificação, porém, sem se desesperar já que nem todos os atletas irão administrar bem o esforço, a alimentação e a hidratação para o restante da prova. Ao voltar à pista, verá que seu rendimento não será o mesmo, o corpo pede descanso, a trilha tende a ficar mais úmida e traiçoeira, sendo este o momento em que surge a dúvida entre não dormir (antes devagar do que ficar parado) ou tirar um cochilo (com o nascer do sol e descansado recupero o tempo “perdido”), cuja decisão dependerá muito da sua condição e das circunstâncias da corrida.

Na última parte, em se tratando de 24 h, o sol aparece e dá uma injeção de ânimo. Você não acreditará em como a força volta, embora seja a fase que o corpo esteja mais cansado. É a hora que o monitoramento da classificação é crucial, tanto para tentar galgar algumas posições, quanto para manter o seu status, sendo de suma importância que a equipe o auxilie com perfeição nessa tarefa. Afinal de contas, embora o objetivo seja terminar da melhor maneira possível, é uma competição e a sensação de ter uma boa colocação é um bônus a todo o esforço empregado.

Conclusão

Participar de uma competição de endurance é uma experiência única, cuja conclusão não significa um fim, mas, sim, o começo de uma nova percepção sobre você mesmo e os seus limites, os quais estão muito além do que imagina!

Marcelo foi 7º colocado na categoria “Solo Masculino Master” da “MTB 12 h do Brasil” de 2016, e 14º colocado na categoria “Solo Masculino Open” da “24 h Brasil Ride” de 2016.

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