REVISTA BICICLETA - Protegidos pelo governo
THE POWER OF THE PRO
Pneus Kenda

O Portal
da Bicicleta

Bicicleta Sense a partir de R$ 2.765,00!
Revista Bicicleta - Edição 68

Assine

Revista Física
Revista Virtual



+bicicleta - Mercado

Protegidos pelo governo

Revista Bicicleta por Anderson Ricardo Schörner
33.512 visualizações
21/06/2013
Protegidos pelo governo
Foto: Helder Almeida

(Matéria publicada na Revista Bicicleta Edição 18 - Junho 2012)

Menos de um mês após a Anfavea - Associação Nacional das Fabricantes de Veículos Automotores - anunciar que a produção nacional de veículos caiu 15,5% e as vendas caíram 14,2% em abril, em comparação com março, o governo já anunciou o suporte aos seus protegidos e reduziu o Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) até agosto.

Segundo a Anfavea, em abril de 2012 foram produzidos 260.825 veículos no país, o que representa uma queda de 7,5% em comparação ao mesmo período do ano anterior. De janeiro a abril, o segmento de automóveis e comerciais leves desacelerou 8,5%, com 947,1 mil unidades produzidas, contra 1.035.318 unidades do quadrimestre de 2011.

O discurso dos “senhores do petróleo” ecoava em todos os cantos: é preciso melhorar as vendas e reduzir os estoques. Para a indústria automobilística, a queda nas vendas teria que ser revertida imediatamente. Aí veio a ladainha governamental falando que o país precisa crescer e que 
as medidas econômicas visam melhorar e estimular o crédito, o consumo e os investimentos. Mas como já é bem comum no Brasil, essas medidas beneficiam alguns protegidos - nesse caso, a indústria automobilística.

Evitar o corte de mão-de-obra também é um argumento usado como moeda de troca para receber incentivos fiscais. Tanto as empresas como o governo usam estatísticas para sensibilizar a população e fazê-la acreditar que incentivar o automóvel é bom para o país. Infelizmente, algumas fábricas de automóveis enfrentam acusações do Ministério Público sobre cargas horárias excessivas de trabalho, abuso moral e doenças físicas e psíquicas de seus funcionários, em decorrência da grande exigência e busca por metas.

A presidente Dilma discursou afirmando fervorosamente que o Brasil está 300% preparado para enfrentar crises mundiais - mas a que custo? O próprio Ministro da Fazenda, Guido Mantega, respondeu. Ele afirmou que a crise internacional traz problemas para os emergentes como um todo e, por isso, entre outras medidas, o governo renunciará cerca de R$ 2,1 bilhões em impostos nos três meses de redução do IPI dos automóveis.

Mesmo que bem usado, esse valor não resolveria o problema do país, mas vejamos: em alguns setores da economia, os empresários se veem obrigados a trabalhar com margens de lucro menores ou criar soluções diferentes para contornar a situação quando o consumo cai. Porém, com o poderoso cartel automobilístico é diferente: quando a população compra menos automóveis, é o governo que reduz os impostos para estimular as vendas. A redução dos juros, que exigiu uma nova forma de rendimento das poupanças, também foi uma medida para estimular o consumo.

Não é preciso dizer que essa cumplicidade culmina no estímulo ao uso do carro. Entre apertos de mão e tapinhas nas costas, o governo ajuda você a comprar o seu carro, reduzindo a própria arrecadação, sem prejuízo para as empresas automobilísticas; falando assim, parece até que a cobrança de impostos está sendo defendida, mas a questão é outra: os gastos com o prejuízo da saúde com a poluição, o pagamento dos benefícios previdenciários aos que ficam inválidos em acidentes de trânsito, a manutenção das vias e todos os impactos do aumento dos carros nas ruas serão cobertos com outros impostos ou, quem sabe, com recursos que deveriam manter hospitais públicos e melhorar a educação. Ora, se for para cobrar impostos de alguma coisa, que seja dos carros então!

Abdicar imposto da indústria automobilística é financiar, com o dinheiro de todos nós - inclusive dos que preferem trocar o carro pela bicicleta - a imobilidade urbana, o caos do trânsito e todos os prejuízos decorrentes disso.

Não significa que estejamos defendendo a prática de preços abusivos na venda de carros. Seria ideal que tivéssemos a oferta de automóveis a preços justos, desde que a nossa cultura fosse tal que soubéssemos da importância do transporte ativo e coletivo para a nossa saúde, sociedade e meio ambiente. Teríamos uma frota de carros novos, menos poluentes e problemáticos, que seria usada quando não fosse possível trocá-la por uma boa pedalada, ou quando o transporte público fosse insuficiente para atender àquela necessidade.

O que não podemos aceitar é que nos empurrem carros goela abaixo para satisfazer os interesses desse cartel. O que não pode acontecer é aceitar que o governo crie necessidades que não existem, contrapondo os direitos básicos do cidadão. O dinheiro público não poderia financiar a poderosa indústria automobilística, enquanto a saúde e a qualidade de vida nas cidades minguam, dentre outras razões, por culpa da própria invasão dos carros nos centros urbanos.

Embora o governo represente a sociedade, ele virou uma entidade desassociada, que vive uma realidade diferente da população: tem interesses próprios e protege pessoas e empresas que não necessariamente representam o melhor para todos, como deveria ser.

Curtiu esse post?

Quer receber mais conteúdo sobre bicicleta e ciclismo em sua casa? Então clique aqui conheça nossas ofertas de assinatura.

Comentários Facebook
Comentários
Nenhum comentário. Seja o primeiro a comentar.

Para postar seu comentário faça seu login abaixo.

E-mail
Senha

 

Cadastre-se Aqui | Esqueceu a senha?

Edições On-lineCadastre-se Esqueceu a senha?
E-mail
Senha
Vídeos

 

 

Para fechar o banner, clique aqui ou tecle Esc.

Revista Bicicleta 2012 © Todos os Direitos Reservados