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Projeto Tracksource

Revista Bicicleta por Ewerton Martorano
36.156 visualizações
22/01/2013
Projeto Tracksource
Foto: Ewerton Martorano

A humanidade sempre teve a preocupação de se deslocar e regressar ao ponto de origem com segurança. No início, provavelmente, pontos significativos da natureza eram usadas como referências, como montanhas, curvas de rio etc. Os primeiros mapas criados incluíam principalmente pontos geográficos e suas distâncias. A orientação era dada pelo alinhamento entre dois ou mais pontos de referência, ou em relação ao sol. Lançado em 1978, pelo departamento de defesa do EUA, o Sistema de Posicionamento Global (GPS) veio revolucionar os sistemas de navegação até então disponíveis. Inicialmente restrito ao uso militar, o GPS tornou-se totalmente operacional para uso civil apenas em 1996. Vinte e quatro satélites, 24 horas por dia, transmitem sinais aos receptores com valores de erros de poucos metros ou até centímetros.

Como Surgiu o Projeto Tracksource

Os primeiros receptores de GPS eram bastante simples e não ofereciam suporte a mapas. Os primeiros usuários desse sistema passaram a usar a internet para trocar trilhas e pontos coletados por estes aparelhos, o que motivou Alex Rodrigues a criar, em 1996, o grupo GPSBrasil (http://br.groups.yahoo.com/group/gpsbrasil), que tinha por objetivo fomentar esta troca de informações. Em 1998, Odilon Ferreira Júnior criou o programa GPS TrackMaker, possibilitando que as trilhas gravadas pelo GPS fossem editadas e assim os usuários do GPSBrasil passaram a criar um acervo de trilhas e a montar mapas pessoais simplificados.

Após o surgimento dos receptores com suporte a mapas, os mapas do Brasil fornecidos pelos fabricantes, juntamente com os GPS, eram de uma pobreza de detalhes e imprecisão indiscutíveis, o que imediatamente despertou o interesse dos usuários para a possibilidade de desenvolvimento de mapas próprios. Como a maioria desses mapas eram proprietários e criptografados, nada se podia fazer para melhorar sua qualidade.

Em 2002, surgiu o software MapDekode, de autoria do austríaco Peter, que criava os arquivos para uso no software MapSource - software para criação, edição e envio de mapas e rotas para GPS da marca Garmin - a partir dos dados editados pelo TrackMaker. Um grupo de usuários do GPSBrasil se uniu com o objetivo de construir os mapas para uso em GPS Garmin. Alex Rodrigues criou o grupo TrackSource em 01/08/2002, que é considerada a data de nascimento do Projeto TrackSource. O nome TrackSource surgiu da junção  dos nomes dos programas TrackMaker e MapSource.

Sobre o TrackSource

O TrackSource (www.tracksource.org.br) é um projeto colaborativo e voluntário, formado por uma associação livre de usuários, que tem como objetivo criar e distribuir gratuitamente mapas do Brasil para uso em GPS. As informações levantadas são encaminhadas a desenvolvedores que atualizam e publicam os mapas, que podem ser baixados por toda a comunidade. Em constante evolução, hoje o TrackSource é um dos maiores projetos deste gênero no mundo, conta com milhares de colaboradores, centenas de desenvolvedores e produz os melhores, mais completos e atualizados mapas do Brasil para GPS.

Atualmente, produz mapas para uso em GPS da marca Garmin, em Smartphones com software Navitel, em outros navegadores que utilizem softwares compatíveis com estas plataformas, como também mapas para uso no computador, compatíveis com os softwares MapSource e Track Maker. Os mapas cobrem todo o território brasileiro, contêm as principais ligações rodoviárias, e também o mapeamento urbano e rural detalhado em milhares de municípios onde existem desenvolvedores e colaboradores atuantes. 

Como o mapeamento é feito por voluntários, a qualidade dos mapas para cada região, cidade ou estado, varia de acordo com o número de desenvolvedores e colaboradores trabalhando na área, e a disponibilidade de tempo e recursos desses voluntários. Colaborando com o projeto, o Amigos do Pedal RN nasceu desse trabalho voluntário e como uma oportunidade de poder compartilhar as aventuras de mapeamento feitas de Mountain Bike pelas trilhas da região, principalmente no estado do Rio Grande do Norte, acompanhado de amigos que têm o mesmo prazer em pedalar. Um dos últimos levantamentos realizados pelo Amigos do Pedal RN foi o trecho entre Riachuelo, Bento Fernandes e Cachoeira do Sapo. Veja como foi.

Levantamento Riachuelo - Bento Fernandes - Cachoeira do Sapo

Em mais um levantamento ao projeto TrackSource, escolhemos ligar Riachuelo, distante 80 km da capital potiguar, a Bento Fernandes, por estradas de terra para, então, seguirmos até Jardim de Angicos, retornando pela Serra da Formiga. Seriam aproximadamente 30 km entre trilhas e estradas de terra novas ao projeto. Seguimos no sentido de Bento Fernandes por uma estrada que nos levava ao Açude Lagoa Nova, passando pelos lugarejos de Quintururé e Espinheiro. Após 11 km chegamos à RN-120, que dá acesso à cidade de Bento Fernandes.

Esse primeiro trecho do mapeamento foi facilitado pela boa qualidade das imagens analisadas previamente no Google Earth. A partir de Bento Fernandes até a estrada de terra entre a cidade de Cachoeira do Sapo e Jardim de Angicos é que o levantamento seria interessante: as imagens da região no Google Earth são de péssima qualidade e não permitiam nenhuma análise prévia; além de não haver nada mapeado em uma área de cerca de 400 km².

Após 7 km encontramos uma bifurcação que, à direita, nos levava ao ponto Belo Horizonte - um dos nossos objetivos. Pedalados 2 km, chegamos à Serra da Cruz, pequeno lugarejo que leva o nome da Serra em seu entorno. O ponto Belo Horizonte, que eu imaginava ser algum lugarejo próximo a Jardim de Angicos, no entanto, era o nome de uma fazenda plotada erroneamente no mapa. Porém, essa informação errada nos levou a um local belíssimo, mesmo com a falta de chuvas na região que perdura há três meses. Mapeamos boas estradas de terra e alguns trechos para veículo 4 X 4. A Fazenda Belo Horizonte é daquelas imponentes fazendas do interior nordestino: currais, baias, igreja, várias casas de moradores, vias principais etc. Belo local que encontramos e que de certa forma representa a tradição nordestina das grandes propriedades rurais. Da Fazenda Belo Horizonte até a única estrada de terra mapeada no projeto foram cinco quilômetros. Saímos mais próximos da cidade de Cachoeira do Sapo do que da cidade de Jardim de Angicos. Assim, resolvemos seguir até Cachoeira para um breve descanso, repor água, recuperar as energias para subirmos a Serra da Formiga.

O sol já demonstrava sua força e era chegada a hora de retornarmos ao nosso ponto de partida. Levantamento concluído... agora era subir a Serra da Formiga conforme planejado o percurso de retorno e chegar à sua parte mais alta antes que o sol se transformasse num cruel adversário. Assim fizemos e após um pequeno trecho na BR-304 seguimos 8,5 km pela estrada de terra que dá acesso ao singletrack para a Formiga. Chegamos muito próximo ao meio dia no topo da Serra. Chegamos à casa do Sr. Francisco, velho conhecido desde minhas primeiras incursões na Serra da Formiga. Feitas as devidas saudações, nos estiramos no alpendre de sua casa para um merecido descanso.

Faltavam 15 km para terminamos o percurso. À uma hora da tarde resolvemos descer a Serra pelos trechos de singletracks que conhecia, para depois despencarmos até a estrada de terra que liga Riachuelo à cidade de Rui Barbosa. Depois, 3,5 km de descida em estrada de terra nos aguardava. A sensação de liberdade e aventura contagiava a todos ao final do percurso. Lá embaixo só se ouviam os comentários sobre as escapadas, buracos desviados e qualquer coisa que se relacionasse a ter se livrado de algo. Chegamos em Riachuelo às duas horas da tarde com o sentimento de mais um belo percurso e, principalmente, com cerca de 30 km, dos 68 km pedalados, de colaborações ao projeto Track Source.

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Paulo Carvalho

23/01/2014 às 10:42

O Tracksource é controlado por um grupo fechado que obriga fidelidade por parte dos voluntários, expulsando aqueles que querem compartilhar o fruto do trabalho com outros projetos e não compartilha tecnologia nem os dados. Não precisa acreditar em mim, basta enviar e-mail a um dos administradores do grupo solicitando mapas-fonte e confirmarão o que estou dizendo.

Querem mapas verdadeiramente gratuitos? Projeto OSM.

http://gizmodo.uol.com.br/analise-openstreetmap/

Projeto Cocar (OSM no Brasil): http://www.cocardl.com.br/
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