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Peugeot Combate

Revista Bicicleta por Valter F. Bustos
3.590 visualizações
06/09/2017
Peugeot Combate
Foto: Valter F. Bustos

Uma legião de fãs através do mundo, uma história pujante que remonta ao Século XIX, uma diversificada linha de produtos que poucas empresas no mundo chegaram a manter em seu catálogo de vendas, além de uma determinação insofismável como o norte de sua expansão: conquistar o mundo com produtos de qualidade e confiança. Mais uma vez e, outras virão, estamos falando da Peugeot, a “Marca do Leão”. E tudo começou numa pequena forjaria nas imediações de Sous Cratet, na região de Doubs, onde eram fabricadas lâminas de aço fino e molas, depois ferramentas agrícolas, bicicletas, motocicletas, carros e utensílios para o lar.

Durante o período de sua expansão industrial, no decorrer do Século XX, vários países receberam unidades da fábrica, entre eles o Brasil e a Argentina. Lá, a produção foi de carros, enquanto no Brasil, de bicicletas. Aqui, houve uma composição de capital com a Cia. Alterosa de Cerveja de Minas Gerais na condição de sócia, cuja fábrica foi construída em Montes Claros, um parque industrial nas imediações de Belo Horizonte. A produção teve início a partir de segunda metade da década de 70 e parte dos anos 80. Alguns assinalam como início 1977, e o fechamento da fábrica Almec em 1982. Outros, dois anos antes, 1975, enquanto que a Peugeot nada fala sobre esse delicado período.

A variedade à disposição do mercado incluía os modelos para adultos e infantis. Os anos 70 foram marcados, no Brasil, pelo lançamento dos modelos 10, tanto da Caloi como da Monark. É curioso saber que muitas pessoas até hoje acreditam que a Caloi lançou a primeira bicicleta com marchas no país, coisa que não procede de forma alguma. A forte campanha de mídia investida e focada totalmente nesse lançamento deu margem a essa “verdade”, que a fabricante nunca procurou corrigir. Persiste em alguns casos o velho ditado bastante comum entre nós: vox populi, vox Dei (voz do povo, voz de Deus).

À época existia outra fonte de recursos governamentais que consumiu boa parte da riqueza deste país, à semelhança do saque feito à Petrobrás; a Sudene (Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste), cuja sociedade buscou recursos para a implantação de sua fábrica. Problemas relacionados com a gestão do empreendimento em 1979 fez a dívida saltar para 100 milhões de cruzeiros, uma exorbitância à época e que induziu a Peugeot francesa a saltar do barco. Resumindo: pagaram essa dívida e desapareceram do país. Nacionalizada e com autorização para uso do nome pela matriz, a Almec/Peugeot fechou as portas em 1982, assim que a fonte da Sudene secou. Porém, no decorrer desses breves anos, os lançamentos da fábrica foram conquistando um grande público desejoso de bicicletas com tecnologia, qualidade e bom acabamento. Sem qualquer dúvida, a Peugeot cumpria isso com muita folga, desde a linha 10, os modelos infantis e para adultos. 

Quase no final dessa caminhada, a Almec entrou para disputar o mercado das “Barras” ( Barra Circular da Monark, e Barra Forte da Caloi). O nome desse lançamento não pode ser mais apropriado: “Peugeot Combate”. Uma bicicleta construída a partir de um quadro clássico e reforçado, disponível com freios tipo varão ou rígido, além do contra-pedal que deixava o conjunto mais limpo. Um bagageiro resistente feito em estrutura tubular de baixo peso fechava esse projeto equilibrado e muito resistente. Portanto, não é sem razão que esse modelo é o mais difícil de ser encontrado por aqueles que têm paixão pela marca.

Infelizmente, as peças de reposição, como as caixas de movimento central e de direção, freios, câmbios e manoplas, são “moscas brancas” nos mercados digitais. Para a bicicleta que ilustra a nossa matéria, até hoje não consegui os aros originais 26 X 1.1/2 em ferro cromado. Infelizmente, corroídos pela ferrugem. Tive que substituí-los pelos de alumínio, já com alguma dificuldade de achá-los no mercado de reposição. A esse respeito, a Revista Bicicleta trouxe uma excelente matéria sobre o assunto na edição n° 34 (11/2013), que tratou do desaparecimento das bicicletas de aro 26; além da conquista de espaço pelas bikes com aros 27,5 e as 29. Vale rever, é didático. 

Quanto à nossa Peugeot Combate, procurei manter a maior originalidade possível, principalmente recuperando a pintura original do quadro. A corrosão avançada e profunda sobre os paralamas e o bagageiro obrigaram a repintá-los. Outra coisa que nos chamou a atenção foi o freio dianteiro que veio acompanhando a bicicleta, e que não temos dúvidas de que se trata de peça original. As bicicletas desse modelo que conhecemos não possuem esse freio adicional. Depois de pronta, tenho andado com ela com bastante frequência, para dizer a verdade, ultimamente é minha bicicleta de uso. O freio dianteiro na condição de auxiliar é de grande eficiência quando há a necessidade de uma parada mais rápida.

Acredito que talvez tenha havido uma experiência, pois é muito comum em algumas marcas europeias mais antigas, bicicletas com essa configuração de freios, por exemplo, as Humber e Raleigh que temos no MUBI. De qualquer forma, caso algum leitor tenha alguma informação que possa esclarecer essa dúvida, agradeço; pois a história da Peugeot no Brasil desse período possui muitas lacunas. É uma bicicleta muito confortável e segura. A relação de 44 X 20 permite um pedalar compassado e fornece boa velocidade quando solicitada. Como sempre digo, uma bicicleta Peugeot bem regulada, não bate nada e nem faz “nhec...nhec”. Ops! Tive que substituir o selim original que era feito pela “Ducor”, uma chapa metálica revestida por courvin e que destrói o prazer de longas pedaladas. Assim que ela for colocada em exposição no acervo, o “destrói bunda” voltará para o seu lugar com certeza.

Até a próxima matéria.

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