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Peugeot Ballonete

Revista Bicicleta por Valter F. Bustos
2.625 visualizações
26/10/2016
Peugeot Ballonete
Bicicleta Peugeot Ballonete, ano 1949-50.
Foto: Valter F. Bustos

Saudações aos adeptos do “Biciantiguismo”, com certeza, um termo pouco divulgado ou conhecido entre os adeptos desse hobby, porém, apropriado para identificar os colecionadores de bicicletas antigas. Há algum tempo, numa roda de amigos conversando sobre o tema, surgiu essa ideia de identificação. Por aqui, foi adotado e vamos usá-lo. Em dezembro, um grupo composto por dez “biciantiguistas” sairá de Joinville com destino ao Uruguai para participar da primeira edição da L’Eroica, que promete ser o maior encontro de bicicletas antigas da América do Sul. Sobre esse evento falaremos numa outra edição.

Como comentamos em outras oportunidades, cada peça de nosso acervo possui uma história, razão pela qual, durante anos, buscamos a viabilização do MUBI. Em 16 anos de existência tive e tenho o privilégio de ser ouvinte e protagonista de algumas delas. Portanto, para esta edição da revista selecionei esta Peugeot Ballonete, um modelo que fez a transição dos anos 40 para 50; rica em detalhes e qualidade. Ela foi a responsável por uma das poucas “loucuras” que fiz para adquirir uma bicicleta. No entanto, deixo claro sua inocência no episódio ocorrido no início da década de 90. Foi uma época difícil marcada por uma separação; a tragédia da “era Collor” capitaneada pelo confisco da poupança e a falta de dinheiro, além dos desdobramentos nefastos que essa realidade trouxe para nós brasileiros.

Para sobreviver à catástrofe, decidi que viveria da bicicleta e para a bicicleta. Eu já reunia uma coleção bastante expressiva e não dava mais para viver com o salário do funcionalismo estadual. Coisa terrível! Estimulado por alguns amigos fotógrafos que trabalhavam em duas grandes editoras paulistas, e com a ajuda de um deles, fizemos um “book” só de bicicletas antigas. Pacote pronto, passei a visitar algumas agências de propagandas e de modelos na capital. Não demorou um mês e fiz minha primeira locação para produzir um comercial de absorventes femininos, e recebi quase o dobro do valor de meu antigo salário. Em seguida, vieram as exposições de bicicletas antigas, os trabalhos para a Caloi e Monark, assessorias, até chegarmos ao Museu da Bicicleta.

Certa vez, fui consultado sobre a locação de uma bicicleta esportiva para homem. Até aí, tudo bem, mostrei algumas peças, mas a coisa não rolou: “não é bem esse modelo que procuramos”. Há tempos eu namorava uma Peugeot de um advogado aposentado que morava no bairro do Sumaré, em São Paulo, capital. Peça linda e fiquei doido por ela, mas o homem era ruim de braço. Era sua desde 1951 e, segundo ele, participou de duas edições da Prova 9 de Julho em 1955 e 1956, na categoria Estreantes e Novatos, que servia como um grande incentivo ao Ciclismo de Competição. O problema era que o homem queria duas mil “verdinhas” nela. Acontece que o pobretão aqui não tinha esse valor. Bem, para narrar essa história eu precisaria de umas duas edições da revista. Assim, vou resumir da seguinte maneira: durante mais de um ano me privei de comprar livros, ir ao cinema e comer fora. Tive que me desfazer de objetos que estimava muito; além do óbvio: fiz um empréstimo. Valeu o sacrifício? Sem nenhuma dúvida. Essa princesa só me dá alegrias; aliás, muitas. 

Eu tive a honra de ser escolhido pela Prefeitura Municipal de Joinville para ser um dos condutores da Tocha Olímpica, quando de sua passagem por Joinville no dia 13 de julho. Mais ainda, segundo apurado, fui um dos cinco condutores classificados como “condutor em transporte alternativo”, ou seja: levar a chama olímpica conduzindo uma bicicleta. Como se diz: a coisa tinha que acontecer com “pompa e circunstância”, logo, a bicicleta escolhida foi a Peugeot Ballonete. Poderia ser outra qualquer e posso afirmar que não teríamos qualquer problema quanto a isso. Duas situações foram determinantes para essa escolha: onde surgiu a primeira forma de bicicleta no mundo? Na França, em 1791, o Celerífero, pelas mãos e criatividade do Conde J. H. De Civrac. Qual foi a mente brilhante e espírito elevado que resgatou as Olimpíadas para a Humanidade? O Barão Pierre de Coubertain, Atenas, em 1896. Logo, esse reles mortal que escreve este texto, diante desta oportunidade única, não poderia cometer o sacrilégio do esquecimento, em homenagear essas figuras magnânimas que estavam além de seu tempo: De Civrac e Coubertain. Quanto a Peugeot, quem conhece um pouco da história da marca sabe do que estou falando. No mais, o que aconteceu no dia 13 de julho foi uma experiência e emoção que levarei pelo resto de minha vida. Até a próxima.

Ficha Técnica

Bicicleta Peugeot, modelo Ballonete, ano 1949/50, masculino, aro 26, equipada com farol, refletor traseiro e dínamo da marca Soubitez; câmbio Simplex “correntinha” de três velocidades, selim em couro da casa Henry Gauthier - Paris, e trava de direção na cabeça do garfo.

Condição: original / conservada.
Origem: França.
Acervo: MUBI.

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