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Pessoas, Cidade, Bicicleta - Uma Combinação Perfeita!

Há muito a comemorar, historicamente, pois enquanto fenômeno social global o movimento pela bicicleta tem alcançado proporções inimagináveis e em uma velocidade vertiginosa, graças, em parte, às mídias sociais. Mais ainda, o caráter de humanização do cotidiano, das cidades e das relações, por conta da experiência única proporcionada sobre a bicicleta, surpreende até aos mais experientes. Nada tem mais compatibilidade com a mobilidade humana do que a bicicleta. E na mobilidade humana, nada consegue transformar mais seu usuário em uma pessoa melhor do que a bicicleta.

Revista Bicicleta por Therbio Felipe M. Cezar
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16/08/2015
Pessoas, Cidade, Bicicleta - Uma Combinação Perfeita!
Foto: Trek Divulgação

Buscar o significado pleno das palavras auxilia a conquistar melhor compreensão de tudo o que elas tocam, encerram, explicitam ou alcançam. No título deste texto ousamos colocar a expressão “combinação perfeita” arriscando-nos ao exagero. Mas, como escrever é uma aventura, faço votos que ao final da leitura tanto quem a leu quanto quem a produziu possam sorrir, de acordo.

O verbo “combinar” pode ser compreendido de inúmeras formas, tais como a ação de condizer, compatibilizar, adaptar, associar ou mesclar, enfim. Já o adjetivo “perfeito” remete à qualificação primorosa, ideal, sem arestas, sem retoques ou absoluta de algo, alguém ou alguma coisa.

A combinação perfeita anunciada para a tríade ‘pessoas, cidade e bicicleta’ pode ser interpretada como o mais harmonioso arranjo produzido para contemplar, entre tantas coisas, os deslocamentos, a saúde, o lazer, o esporte, a cultura, a solidariedade, bem como a inteligente forma de conservar a diversidade socioambiental para o hoje e para o futuro próximo (leia-se sustentabilidade). É possível dizer, então, que tal combinação contempla a vida em todas as suas dimensões.

A escolha das pessoas pela bicicleta é uma ação plena de sabedoria, porém, passa, muito especialmente, pela prática, pela experiência. Não existe teoria sem prática. Por exemplo, se a Associação Transporte Ativo, do especialista Zé Lobo, consegue desenvolver avanços superiores em mobilidade em Copacabana, Rio de Janeiro (veja sobre as Ciclo Rotas em ta.org.br), e se ampliam os resultados destas práticas chegando tal conhecimento a outras partes do país, é fato que estão gerando conhecimento de alto nível, mas também é posto que os impactos disto estarão intimamente ligados à geração de felicidade, de paz e de bem-estar para aquelas comunidades. 

Quando se pensa em mobilidade por bicicleta, afeta-se substancialmente pessoas, tanto as que pedalam quanto as que ainda não. Sabe, é um caso daqueles que Vandré tão bem decantou: “...quem sabe faz a hora, não espera acontecer...”, e como bem ensina Zé Lobo em suas palestras Brasil adentro e afora, quem ainda não se deu conta de que a bicicleta já não é o veículo alternativo, e sim, o carro, esta pessoa ainda se encontra no século XX.

Ainda que se trate de um veículo, a priori, individual, a vida em bicicleta é a experiência de sociabilidade e coletividade do século XXI, a qual se coloca integralmente contrária ao egoísmo universalista do automóvel.

Aliás, este sentimento repleto de ostracismo está claramente presente nas propagandas televisivas do mercado de automóveis. São inúmeros os exemplos atuais, mas três chamam extremante a atenção. 

No primeiro deles, a marca de automóveis faz uma apologia à inveja e à produção de desigualdades, quando um garoto indo à escola, no banco de trás do carro, pede ao pai para estacionar em tal lugar, vários dias seguidos. Somente ao final da propaganda é que se tem a imagem de que aquele ponto escolhido era de onde os coleguinhas da janela da escola poderiam vê-lo desembarcar. Ou seja, desde cedo, o culto ao poder do automóvel. 

Já a segunda propaganda, na verdade imitada por inúmeras marcas, apresenta que ao entrar no carro ‘x’ todos os demais carros desaparecem, é incrível! As ruas ficam com quase nenhum pedestre, e os que lá existem ficam hipnotizados por ver aquele veículo andando sozinho pelas ruas carregando apenas um indivíduo. É de pasmar, para não dizer o quanto é ridículo.

E o terceiro exemplo, para não ir muito mais além, é o do valet que busca um determinado modelo de carro no estacionamento. É claro que neste estacionamento só existem modelos daquela marca. Plantando segregação, inveja, egoísmo, luxúria, individualismo, a passos largos se distancia da mobilidade sustentável a tal indústria do automóvel.

Mas, e quanto às propagandas de motocicletas? Tudo o que se vê da posição do piloto é um túnel estreito chamado estrada e a paisagem só é percebida ao final dos reclames, quando a moto está parada em cima de uma montanha ou na beira da praia.

O que é mais insustentável do que a exclusão em qualquer nível? O que pode ser menos moderno do que a segregação?

Quando abordamos inicialmente sobre a compatibilidade, podemos vislumbrar, apenas para ilustrar, a bicicleta em sua dimensão de veículo, a fim de entender o quão significativa é esta associação entre pessoas, cidade e bicicleta. De todos os veículos que se elevaram à categoria de meios de transporte, a bicicleta é a que está mais perto da dimensão do pedestre, seja pela posição de pedalar, seja pela velocidade empregada e pelo volume de espaço ocupado.

A combinação perfeita vai muito mais além dos benefícios individuais aos ciclistas (melhor saúde, aumento da estima, bem-estar em alta, diminuição da ociosidade, integração social, economia). Alcança proporções globais quando se tem em mente a “pegada de carbono” (que é a medida do impacto das atividades humanas sobre as emissões de gases do efeito estufa, ou seja, condiz com a quantidade de dióxido de carbono equivalente liberada na realização de cada atividade), principalmente pela diminuição da dependência de combustíveis fósseis, leia-se, o uso indiscriminado e egoísta do automóvel.

Falando-se em sustentabilidade, não se pode esquecer que a chave para ela, em realidade, é a humanização do desenvolvimento humano. Uma invenção tão fantástica quanto a bicicleta promove uma das mais democráticas formas de humanizar o fazer humano (entenda-se: os deslocamentos, a produção cultural, a integração social, a qualificação econômica, etc), possibilitando que, de fato, a coexistência humana seja mais sustentada por práticas coerentes e sensatas de existir.

Temos visto e lido por diferentes e credenciadas fontes e canais que cidades que estão zoneando e restringindo seu centro urbano para veículos a propulsão humana e pedestres estão ganhando em qualidade de vida acumulada, em benefícios à saúde dos usuários a pequeno e médio prazo, conseguindo aumentar a consumação nos espaços comerciais promovida pela alta rotatividade de clientes,  e inclusive garantir a revitalização do centro histórico e adoção de espaços públicos como espaços qualificados de estar a lazer, sem apelar para a gentrificação.

O modelo vigente de consumo baseado no automóvel, no individualismo exacerbado e na acumulação de direitos de uns sobre os dos demais, garante a insustentabilidade do próprio modelo, seu colapso e a imobilidade posta nas cidades de qualquer tamanho. Já a escolha pela bicicleta garante, de imediato, a crescente onda de bem-estar que possibilita as transformações sociais almejadas e tão bem-vindas. 

Lembrando, duas individualidades só podem gerar duas solidões. A proposta da bicicleta vem quebrar este paradigma.

Que segredo era este, tão bem guardado em nossas infâncias, que soube esperar o momento mais oportuno para emergir no presente enquanto resposta mais do que suficiente para as atuais e futuras problemáticas socioculturais, socioeconômicas e socioambientais?

Que artefato, objeto, ferramenta, veículo, enfim, poderia ser mais promissor para a mobilidade?

Se a sua resposta, ao fim, assim como a minha, for a bicicleta, fechamos esta leitura de acordo e com um sorriso consciente de quem pedala! 

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