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Pedalando pela vida

Há oito anos, Joyce Evelym Gonçalves, 24 anos, de Tiradentes-MG, foi diagnosticada com diabetes. Hoje, ela procura promover a conscientização sobre a importância do exercício físico no tratamento desta e de outras doenças. A bicicleta é uma de suas aliadas!

Por Revista Bicicleta
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01/10/2017
Pedalando pela vida

Joyce, em primeiro lugar, comente um pouco sobre como e quando a bicicleta entrou em sua vida?

Aos sete anos de idade ganhei dos meus pais a minha primeira bicicleta “com rodinhas”. Lembro-me do meu pai incentivando a andar sem “as rodinhas”. No começo tirei a primeira e depois de um bom tempo tirei a segunda rodinha, e daí vários e vários tombos sucederam. Motivo para desistir não tinha, pois queria muito aprender. Depois de andar na bicicleta infantil, surgiu um novo desafio: andar na bicicleta do meu tio, que era de adulto. Novamente, houve a superação. A bicicleta me traz ótimas lembranças, até mesmo dos tombos que deixaram cicatrizes. Hoje vejo a bicicleta não mais só como diversão, mas também como uma ótima oportunidade de praticar exercícios físicos, que são essenciais no meu tratamento da diabetes.

E com relação à diabetes, como foi o diagnóstico?

Aos 17 anos fui diagnóstica com diabetes mellitus tipo 1 (DM1), o segundo caso na família. Nesta época, eu estava ingressando na universidade e, após perceber que sentia fome exagerada, boca seca, micção intensa, muita sede, cansaço e sonolência frequente, minha avó Maria Helena pediu que eu fizesse um exame de sangue. Neste exame, a glicemia em jejum excedeu o limite da normalidade, e após novos exames, que acusaram os mesmos resultados, houve o diagnóstico da diabetes mellitus. Fui encaminhada a uma endocrinologista que solicitou internação no hospital em São João Del Rei, para avaliação e estabilização da glicemia. Fiquei internada por três dias e desde então faço aplicação de insulinas e busco um melhor controle da glicemia.

Quais são os principais transtornos causados por esta doença?

A diabetes é uma doença crônica que está associada ao elevado estresse emocional, sendo a depressão um dos transtornos mais presentes. Além disso, é possível um diabético desenvolver transtornos alimentares, ansiedade e doenças mentais.

De que forma, na sua opinião, o exercício físico contribui para combater os problemas causados pela diabetes?

O exercício físico é um dos pilares de uma vida saudável, se associado a uma alimentação equilibrada e, no caso do diabético, a um correto automonitoramento. O exercício físico regular promove melhor condicionamento físico, menores níveis glicêmicos e redução da pressão arterial. Acredito que, associado a tudo isso, o exercício físico muito contribui para menores chances dos diabéticos em desenvolver transtornos, como a depressão.

Como você se sente depois de um bom pedal? Qual é a sensação?

Sinto-me livre, leve e revigorada. Quando estou pedalando não penso em nada, em nenhuma preocupação e em nenhum problema. A bicicleta é uma máquina do tempo, que nos permite viajar no tempo e no espaço, de modo a reviver lembranças e a nos reencontrar.

Com relação ao passeio ciclístico Pedalando pela Vida, que teve a segunda edição realizada agora no final de abril, quais são os objetivos desse evento? Qual é a motivação para a sua realização?

O passeio ciclístico Pedalando pela Vida é um importante momento de reunir pessoas que, assim como eu, gostam de pedalar, mas que não o fazem com frequência. Tenho o objetivo de fazer do ciclismo uma prática regular em minha vida, até porque gosto de pedalar e sei dos benefícios de tal prática no tratamento da diabetes.

IMPORTANTE:                                                        A palavra diabetes possui mais do que uma grafia correta. É ortograficamente correto escrever a diabete, o diabete, a diabetes e o diabetes. A origem da palavra diabetes vem da mesma palavra grega diabetes, que significa sifão, uma referência ao fato do líquido ingerido pelo portador da doença passar muito rapidamente através dos rins e ser eliminado na urina. O segundo termo do nome da doença, “mellitus”, significa adocicado, uma referência à presença do açúcar na urina.

O passeio possui os objetivos de alertar a todos sobre a importância do exercício físico no tratamento de doenças, como a diabetes; incentivar o uso de um meio de transporte limpo: a bicicleta; e propiciar um momento de lazer acessível aos tiradentinos e aos visitantes da cidade. O motivo da realização do passeio ciclístico, diferente daquele de competições esportivas, é ser um evento esportivo acessível à população local, que frise a importância do exercício físico e alerte a todos sobre a diabetes, doença já considerada epidemia mundial.
O primeiro passeio ciclístico Pedalando pela Vida foi programado justamente para acontecer no dia 13 de novembro, dia que antecede o Dia Mundial Do Diabetes (14 de novembro), para que o alerta sobre a doença fosse ainda maior. Devido às chuvas intensas, este evento foi adiado para o dia 10 de dezembro. A pedido dos participantes desta primeira edição, optamos por fazer duas edições anuais, uma em abril (que está para acontecer a partir do próximo ano em maio) e outra em outubro (mês com menor probabilidade de chuva do que novembro e dezembro).

Pode descrever como foi esta edição?

Nesta segunda edição do Pedalando pela Vida o tempo estava ótimo, céu nublado com um friozinho convidativo para pedalar. Na concentração do evento, na praça da Estação, às 13 h, havia a equipe do PSF Tiradentes, que estava medindo a glicemia capilar e a pressão sanguínea dos presentes, o secretário de saúde de Tiradentes, alguns profissionais do Corpo de Bombeiros Voluntários de Tiradentes, alguns policiais militares e dois fotógrafos, além de 25 pessoas super empolgadas com o passeio ciclístico. Destas 25 pessoas, haviam crianças, jovens, adultos e idosos.

Fotos: © Wiliam Wiermann

O passeio ciclístico possui um trajeto de 16 km (ida e volta) e dispõe gratuitamente água e frutas aos participantes. O trajeto é feito em estrada de terra plana e sombreada. Após 8 km de pedal, ocorre uma pausa de 20 minutos na Igreja da Caixa D’água, para interação entre participantes, lanche e descanso. Após, retornamos os 8 km até o ponto de largada, onde acontece o sorteio de prêmios, aos participantes que doaram alimentos e fraldas geriátricas, e a entrega de medalhas.

Fotos: © Wiliam Wiermann

Segundo informações da equipe do PSF, dentre as 25 pessoas que participaram do passeio e demais transeuntes que aferiram a glicemia capilar e a pressão sanguínea na concentração do evento, somente eu era diabética. Segundo esta mesma equipe, há cerca de 200 diabéticos em Tiradentes, o que corresponde a cerca de 3% da população tiradentina.

Como é, para você, organizar este evento?

Organizar este evento é sempre desafiador porque exige, pelo menos, dois meses de preparação e contato com instituições e empresas da cidade, da região e até, como nesta segunda edição, à nível nacional, como a Associação de Diabetes Juvenil (ADJ), a Associação Nacional de Atenção ao Diabetes (ANAD) e a Federação Nacional de Associações e Entidades de Diabetes (FENAD), para buscar apoio ao evento.  Aliás, aproveito para agradecer os 40 apoiadores desta segunda edição que muito foram importantes para a sua realização. Posso dizer, de um modo geral, que me sinto em paz quando organizo o passeio ciclístico. É nítido ver meu sorriso de satisfação no dia do evento, em meio ao cansaço de toda a organização. É um evento maravilhoso!

O símbolo do passeio ciclístico Pedalando pela Vida é uma bicicleta laranja com rodas azuis. O laranja simboliza o Sol, fonte primária de energia que garante a existência da vida na Terra, e as rodas (círculos azuis) são em homenagem ao símbolo da Diabetes. Logo, as cores do evento são laranja e azul.

O passeio ciclístico Pedalando pela Vida também é um evento beneficente, que doa as arrecadações de alimentos não perecíveis e fraldas geriátricas do dia do evento para famílias carentes e para entidades filantrópicas de Tiradentes.

Quando será a próxima edição?

A próxima edição está prevista para outubro de 2017. O percurso original será mantido, devido a acessibilidade que ele promove aos diferentes públicos que possam participar do passeio ciclístico. Nesta segunda edição não houve inscrições, algo que já está sendo repensado para o terceiro passeio ciclístico Pedalando pela Vida. As inscrições serão apenas para contabilizar o número de participantes e o link de inscrição será postado em nossa página no facebook antecipadamente ao evento. O evento é e será gratuito!

Para melhor divulgação e organização do Pedalando pela Vida, a partir da terceira edição do passeio ciclístico, a Associação de Diabéticos de Tiradentes (ADITI) será a organizadora do evento e a responsável pelo mesmo.

Aos interessados em acompanhar o Pedalando pela Vida é só acessar nossa página do facebook @pedalandopelavida.tiradentes ou enviar e-mail para pedalandopelavida.tiradentes@gmail.com

Se quiser apoiar este evento e contribuir para a sua realização, entre em contato pela nossa página no facebook, pelo e-mail ou pelo telefone: (32) 9 9975-5866.


Você também tem como projeto ajudar a criar a Associação de Diabéticos de Tiradentes, é isto? Existe uma previsão de quando a associação estará atuando, e quais serão suas principais ações?

A Associação de Diabéticos de Tiradentes (ADITI) é um sonho se realizando, uma vez que é a primeira associação de diabéticos de Tiradentes. A ideia de criação foi idealizada há tempos e agora está se concretizando. Atualmente, estou como a organizadora de todo o processo de fundação da ADITI. O estatuto já está pronto e a ADITI está para ser fundada até o mês de julho de 2017. 

Seja persistente! Os tombos existem e as cicatrizes fazem parte do aprendizado.

A ADITI será uma entidade civil, comunitária, sem fins lucrativos, de caráter assistencial e educativo, que terá duração por tempo indeterminado. Suas principais ações estão relacionadas em prestar assistência aos associados por meio de convênios, manter um órgão informativo para orientação dos associados dentro de suas possibilidades, elaborar e executar por intermédio da diretoria programas de cunho esportivo, cultural, assistencial e social, e empregar todos os esforços para o bem-estar e o conforto de seus associados, dentro do seu estatuto.

Que mensagem você gostaria de deixar para o leitor que também tem o diagnóstico de diabetes?

Acredito que lidar com o diagnóstico de diabetes seja igual a aprender a andar de bicicleta. No começo tudo parece difícil, até que você, motivado a aprender, encara o desafio com superações. Sabemos que aprender a andar de bicicleta exige persistência, foco, responsabilidade e desejo de vencer. Assim é a diabetes! Tenha os mesmos princípios que te motivaram a aprender a andar de bicicleta em seu tratamento da diabetes. Seja persistente! Os tombos existem e as cicatrizes fazem parte do aprendizado. Cuide-se e viva com segurança, porque o caminho a percorrer é longo. Ele exigirá muitas pedaladas e força de viver. Mesmo que as forças pareçam sumir, arranje mais e nunca deixe de pedalar por você, nunca deixe de pedalar pela vida.

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