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Pedalando em Londres

Revista Bicicleta por Dimitri Vianna
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06/11/2012
Pedalando em Londres
A cidade da rainha teve que se curvar ao mundo do ciclistas
Foto: Arquivo Pessoal / Dimitri Vianna

A primeira vez que pedalei em Londres, em 1986, foi quando resolvi pegar uma bicicleta que ficava no porão da casa do meu padrasto inglês. Era uma antiga Raleigh de estrada dos anos 60. Eu estudava na Inglaterra já há alguns anos e não aguentava mais ficar sem pedalar... Foi uma experiência interessante, porém, após algumas pedaladas pela cidade, deu vontade de desmontar a bike para fazer uma limpeza. Resultado: nunca mais consegui montá-la novamente e até hoje ouço reclamações do Mr. Fish querendo a sua magrela de volta.

Daquela época até os dias de hoje muita coisa aconteceu; e tive a oportunidade de, a cada vinda a Londres para visitar a família, acompanhar a mudança gradual da cidade e a relação do trânsito com o governo e os ciclistas. Sempre pedalei por aqui, e desta vez resolvi adquirir uma bike aro 29 da Specialized.

Nos anos 80 e 90 pedalar em Londres era parecido com pedalar hoje em São Paulo ou qualquer outra capital do Brasil. Primeiro, exigia-se muita coragem para enfrentar o tráfego pesado, quando ainda não existiam leis para redução de veículos no centro da cidade. O ciclista sofria com a falta de planejamento urbano, obrigando a dividir o espaço entre bicicletas, carros, motos e caminhões. Mesmo assim, a educação britânica facilitava um pouco as coisas e a bicicleta já despontava como uma alternativa de transporte para aqueles que não queriam pegar o metrô ou ônibus.

Nos anos 2000, com a perspectiva de uma das maiores capitais do mundo simplesmente “travar” por falta de espaço nas suas avenidas aglomeradas de carros por todos os lados a qualquer hora do dia ou da noite, além do aumento considerável do índice de poluição, o governo britânico resolveu criar leis rígidas para a circulação de veículos nas grandes cidades. Começou a taxar a maioria das pessoas que ia de carro para o trabalho. Entrar na área central de Londres dirigindo hoje, por exemplo, custa o equivalente a R$ 30, apenas para circular, sem incluir taxa de estacionamento etc. O veículo individual movido a combustível fóssil, principalmente gasolina e diesel, tornou-se verdadeiro inimigo do bem-estar londrino. Criou-se ainda incentivos fiscais para a compra de carros parcialmente elétricos, mas a bicicleta ainda não tinha seu espaço garantido.

Com a eleição do polêmico - e considerado por muitos meio maluco - prefeito Boris Johnson, que é inveterado ciclo-ativista,  finalmente a cidade da rainha teve que se curvar ao mundo dosz ciclistas.

Primeiro foram criadas vias exclusivas para ciclistas em toda a cidade e os locais onde não tem ciclofaixas, somente os ônibus e bicicletas podem circular. Nesta área, carros, motos e caminhões não podem jamais passar; e posso garantir que, não importa a velocidade que você estiver, nenhum motorista dos Double Decker (ônibus londrino de dois andares) jamais irá ultrapassar, buzinar ou pressionar você a sair da frente.

Para a maioria dos motoristas do “buzão” vermelho guiado por indianos, paquistaneses e caribenhos, somos iguais às vacas sagradas nas ruas de Nova Delhi: intocáveis, talvez não por vontade própria, mas pela força da lei na Inglaterra. Seguindo o caminho de outras capitais da Europa, o prefeito em seu segundo mandato resolveu copiar Paris ao incrementar mais ainda o sistema de transporte alternativo na cidade colocando pontos de locação de bicicletas em vários locais  do centro, onde o turista ou o próprio morador pode alugar uma bike e devolvê-la em qualquer outro ponto selecionado; e tem mais: se o ciclista ficar até 30 minutos com a bike, a pedalada fica de graça. Esta ação transformou mais ainda o centro, desafogando o transporte público em curtas distâncias, deixando a cidade de Londres cheia de bicicletas de aluguel por toda a parte,  guiadas por turistas e cidadãos comuns que não querem pegar um ônibus, metrô ou outro automóvel.

Para muitos, pedalar em Londres continua arriscado e perigoso; e de fato, apesar das melhorias visíveis, frequentemente há morte de ciclista na cidade, afinal são mais de 10 milhões de habitantes, e acidentes sempre irão acontecer, às vezes causados por imprudência de motoristas, às vezes pelo próprio ciclista que, como um passarinho que acabou de sair da gaiola, não sabe ainda onde começa e termina os seus deveres da nova liberdade. Além disso, a cidade de mais de mil anos não foi projetada pensando em duas rodas. O certo é que pedalar em Londres nos dias atuais é muito mais seguro, tranquilo e civilizado do que muitos lugares do mundo.

Vai chegando o final da tarde e as principais avenidas da cidade vão enchendo de ciclistas, voltando para casa após uma dia de trabalho. É impressionante: tem todos os estilos, dos mais atléticos com suas super bikes, aos mais fashions com bikes estilizadas de cores e shapes. Até senhorinha com suas cestinhas pedalando em uma primavera quente de 28 graus, até a noitinha... Quem sabe daqui a alguns anos estaremos presenciando esse mesmo momento também aqui no Brasil.

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