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Paraty - RJ

Revista Bicicleta por Paulo de Tarso
41.281 visualizações
02/09/2013
Paraty - RJ
Foto: Paulo de Tarso

Cidade colonial, considerada Patrimônio Histórico Nacional e Mundial, preserva até hoje os seus inúmeros encantos naturais e arquitetônicos. Passear pelo centro histórico de Paraty é entrar em outra época, onde o caminhar é vagaroso devido às pedras “pés-de-moleque” de suas ruas.

A cidade foi fundada em 1667 em torno da Igreja de Nossa Senhora dos Remédios, sua padroeira.

Paraty era uma antiga aldeia indígena, descoberta pelos portugueses que procuravam um porto para escoar metais e pedras preciosas retirados de Minas Gerais. O percurso que desce até a cidade ficou conhecido como caminho do ouro, tal a quantidade de metal que passava por lá. Em meados do século XVIII, Paraty já era o segundo maior porto do Brasil. Além dos metais, lá eram embarcadas as produções de café e açúcar.

O plantio de cana-de-açúcar foi de grande importância para a cidade, que chegou a possuir mais de 250 engenhos em funcionamento na época áurea. As ruínas desses antigos engenhos podem ser visitadas. Alguns ainda funcionam, produzindo a famosa cachaça da região.

Após a abertura da Estrada Paraty-Cunha, e principalmente após a construção da Rodovia Rio-Santos na década de 70, Paraty tornou-se pólo de turismo nacional e internacional devido ao seu bom estado de conservação e graças às suas belezas naturais.

Em sua área encontra-se o Parque Nacional da Serra da Bocaina, a área de proteção ambiental do Cairuçu, onde está a Vila da Trindade, a Reserva de Joatinga, e ainda faz limite com o Parque Estadual da Serra do Mar. 

Em Paraty há muitas opções de pedaladas, tanto longas e duras travessias de mountain bike ou speed quanto um curto passeio até uma paradisíaca praia. Veja algumas dicas.

Pela Rio-Santos

Pedalar até Paraty-Mirim (34 km de ida e volta) é um programa mais do que obrigatório, uma gostosa praia distante 17 km da cidade. Parte do trajeto segue pelo asfalto e parte pela estrada de terra. Durante o caminho, além da bela paisagem e algumas cachoeiras, o ciclista tem a oportunidade de passar por uma reserva indígena onde é possível comprar artesanatos dos mais diversos tipos.

Durante o período colonial, o local foi porto de desembarque de escravos. Algumas lembranças desse tempo são a pequena Igreja de Nossa Senhora da Conceição, construída em 1746, além de ruínas de vários outros casarões. Atualmente existe no local uma vila de pescadores e algumas casas de veraneio na encosta próxima à praia. 

O acesso se dá por estrada de terra que inicia no km 593 da rodovia Rio-Santos (Sentido Ubatuba). Paraty-Mirim está distante 17,2 km de Paraty por estrada (9,6 km de asfalto mais 7,6 km por terra).

A praia é extensa – possui 760 metros – e cortada aproximadamente ao meio pelo rio Paraty-Mirim. Há dois ou três quiosques simples na praia, mas nem sempre estão abertos. O mar em Paraty-Mirim é tranquilo, apesar de ocorrerem ventos fortes ocasionalmente. 

A igreja histórica de Paraty-Mirim é uma construção térrea, de linha simples e fachada voltada para o mar. Possui apenas um altar, dedicado a Nossa Senhora da Conceição. Interessante notar que não há uma torre e o espaço para o sino, que está desaparecido, é na lateral externa da igreja, apoiado em uma laje encravada na parede.

Uma pedalada até a Toca do Pastel (24 km ida e volta) é bem tranquila, toda pelo asfalto e praticamente no plano pela Rio-Santos. Distante 12 km, a Toca do Pastel é uma gostosa lanchonete à beira da estrada com uma vista belíssima e uma praia muito tranquila. Além, é claro, de ter o gostoso pastel!

Trindade

A vila de Trindade, localizada a 25 km do centro, possui algumas das praias mais bonitas de Paraty, além de cachoeira e piscina natural. Para conhecer todas essas belezas naturais é necessário um dia inteiro. Há restaurantes simples onde se servem peixes frescos. Só que para chegar até lá desde Paraty, prepare-se para longas e fortes subidas.

Cachoeiras na Estrada Paraty-Cunha

Paraty possui dezenas de cachoeiras e algumas estão bem próximas da cidade. As mais visitadas, tanto pela beleza como pela proximidade, são Poço dos Ingleses, Pedra Branca e Tobogã. Se tiver tempo de visitar apenas uma, fica a sugestão de conhecer a cachoeira da Pedra Branca. Em feriados, procure ir antes da 11 horas ou depois das 16 horas, para evitar encontrar muita gente.

O Poço dos Ingleses, a Cachoeira da Pedra Branca e o Poço da Pedra Comprida estão em sequência na mesma estrada que inicia após virar à direita na primeira ponte da estrada Paraty-Cunha. As cachoeiras do Tobogã, Tarzan e Poços do Penhas estão no mesmo local, na beira da Paraty-Cunha.

Poço dos Ingleses

Belíssima piscina natural, com água transparente, cercada por vegetação nativa, excelente para mergulho. Um pequeno córrego passa paralelo à trilha que leva até ao Poço dos Ingleses. Há uma corda amarrada em árvore que permite pular de cima da pedra até o meio do poço.

Cachoeira da Pedra Branca

Duas quedas d’água que terminam em piscinas naturais formam as cachoeiras da Pedra Branca. O proprietário da fazenda onde estão as cachoeiras cobra uma pequena taxa de ingresso, utilizada na manutenção e limpeza do local.

Poço da Pedra Comprida

Piscina natural, ótima para banho, rodeada de grandes pedras e vegetação nativa.

Cachoeira do Tobogã

Uma pedra grande e lisa é usada como escorregador, terminando num pequeno poço. Local de grande beleza e de diversão garantida, porém, muito visitado tanto por turistas como por moradores locais que praticam o “surf na pedra”. Logo acima do escorregador há uma queda d’água que permite ficar por trás da cortina de água, numa pequena gruta.

Poço do Tarzan

Logo acima do Tobogã (aproximadamente 100 metros) está essa grande piscina natural com águas transparentes. Cercada de vegetação nativa, possui um pequeno bar. Moradores do local saltam de uma altíssima pedra até o poço.

Travessias Clássicas Cunha (SP) a Paraty (RJ)

O local ideal de início da pedalada está a 20 quilômetros do trevo de acesso à cidade de Cunha, em frente à Lanchonete Caminho do Mar, a dois quilômetros de distância da entrada da estrada da Pedra Marcela. O passeio pode ser dividido em duas partes: a subida de seis quilômetros até a Pedra Marcela, local de onde se avista o mar e Paraty, e a descida até Paraty. 

Localizada nas proximidades da Serra da Bocaina, a estância climática de Cunha possui um dos melhores climas do Brasil. Integra o projeto ecológico da estrada Cunha-Paraty, sendo um local ideal para quem quer pedalar sem pressa, encher os olhos e a alma de paisagens, longe da poluição, da ansiedade e sentir a vibração da natureza que purifica. 

Além da belíssima estrada que termina na histórica cidade de Paraty, Cunha reserva variadas trilhas e estradas com paisagens naturais deslumbrantes onde você poderá dar vazão a seu espírito aventureiro. 

O roteiro de aproximadamente 30 km (sem a Pedra Marcela – 15 km) apresenta quase 20 km de descida. São 6 km de subida até a divisa dos Estados de Rio e São Paulo. No meio do caminho, uma deliciosa cachoeira para refrescar. A partir da divisa, o asfalto acaba e a descida se inicia. São quase 15 km de descida pela terra, passando dentro de uma reserva de pura Mata Atlântica. Em seguida, a terra vira asfalto dando mais emoção ao passeio, com trechos de alta velocidade. Quase no meio da descida, uma parada obrigatória é na Cachoeira do Escorrega, só que para comer um saboroso pastel.

O passeio termina no centro histórico de Paraty após 45 km, incluindo a subida à Pedra Marcela. Quem quiser optar em sair pedalando desde a cidade de Cunha, enfrentará um longo trecho pelo asfalto com muitas subidas íngremes.

Para quem optar conhecer a Pedra Marcela, prepare-se para muita subida, principalmente os quatro quilômetros finais, que têm uma inclinação muito forte. São 7,5 quilômetros até o topo da Pedra, onde tem uma antena. A volta é pelo mesmo caminho. Considero o trecho final uma das subidas mais difíceis que existe aqui no país. Chegar a Paraty de bicicleta é algo muito especial, sem explicação, só fazendo isso para sentir.

Informações Úteis - Cunha

Onde é: na divisa dos estados de São Paulo e Rio de Janeiro. Distante 224 km de São Paulo e 307 km do Rio de Janeiro.
Como chegar: tanto de São Paulo como do Rio, seguir pela Rodovia Pres. Dutra até a cidade de Guaratinguetá. São 51 km até a cidade de Cunha.
Onde ficar: a cidade de Cunha possui uma infraestrutura dotada de bons hotéis e pousadas que fazem com que a hospedagem seja uma das grandes atrações do passeio.
O que levar: repelente, kit primeiros-socorros, câmara sobressalente, muitos remendos e sapata de freios no caso de chuva.
Água no caminho: sim.
Local para alimentação no percurso: na descida existe uma barraca com nome Meio da Serra e mais à frente uma parada obrigatória para comer pastel no barzinho em frente à Igreja N. S. da Penha e Cachoeira do Tobogã.
Característica da trilha: até a Pedra Marcela é pesado, pois a subida é forte, depois, rumo a Paraty, é de média dificuldade, pois apesar da descida são muitas as pedras. Descer até Paraty sem amortecedor pode se tornar um sofrimento. Hoje, parte da descida já foi asfaltada, tornando o percurso mais rápido e perigoso. Cuidado ao fazer as curvas, elas são fechadas e vez por outra podemos encontrar um carro na direção contrária.
Distância total: 6 km até a Pedra Marcela, e 30 km até o ponto de saída para Paraty, sendo 22 km de descida.

Ubatuba (SP) a Paraty (RJ)

No meio do caminho entre Rio e São Paulo, está Ubatuba/Paraty, um dos trechos mais bonitos de uma das estradas mais belas do mundo: a Rio-Santos.

São 75 km a partir do trevo da estrada de Taubaté. O asfalto é bom, principalmente no trecho de São Paulo, em alguns trechos com acostamento ou pista dupla. O ideal é fazer este caminho fora da alta temporada, onde o movimento de carros é bem menor.

Este roteiro também pode ser feito em dois ou mais dias, como uma bela viagem de cicloturismo, pois o caminho oferece as mais diversas opções de hospedagens e alimentação. Em minha opinião, o mais legal é fazer esse roteiro saindo de Ubatuba bem cedo e hospedar-se em Paraty. Se tiver pernas dá para fazer um bate volta, aí é necessário ter um bom preparo físico. O ideal é percorrer este trecho em bicicletas modelo speed, próprias para estrada. Com mountain bike dá para ir na boa também, aí recomendo trocar os pneus por um próprio para asfalto. Saindo de Ubatuba, a estrada beira o mar até a divisa dos estados de São Paulo com o Rio de Janeiro. É quase impossível percorrer mais de cinco quilômetros sem dar uma parada para admirar e fotografar a beleza local.

Os primeiros 20 km do trajeto serão praticamente planos, podendo desenvolver velocidade mais alta, mas muita atenção, pois após o término desta quilometragem iniciam-se alterações de aclives e declives em estrada sinuosa.

Sua geografia é repleta de sacos e baías na costa recortada. Além disso, o caminho oferece muitas praias pouco conhecidas, algumas até sem nome, só que o jeito é chegar até elas e seguir por trilhas ou ir de barco. Algumas trilhas que percorrem a BR-101 foram abertas mesmo antes da chegada de Cabral ao Brasil. Seu traçado foi planejado pelos índios que habitavam essa região privilegiada. Um pedaço de terra, sem dúvida, ideal para viver.

Informações Úteis

Antes de programar sua ida para Paraty, confira se na cidade não está acontecendo algum evento, evitando o grande fluxo de carros que pouco respeitam os ciclistas.
 
Onde é: Litoral Sul do Rio de Janeiro, distante 241 km da cidade do Rio e 304 km de São Paulo.
Quem leva: O Sampa Bikers organiza anualmente pedaladas na região tanto de MTB quanto Speed. sampabikers.com.br

Informações de onde ficar, como chegar e mais dicas turísticas: paraty.tur.br.

Segundo o relato dos cronistas, os índios que habitavam essa região, os guaianás, eram nômades, o que explica o grande número de trilhas abertas, tanto do mar em direção ao planalto, subindo a Serra da Mantiqueira, quanto ao longo do litoral, acompanhando enseadas e costões rochosos. Séculos depois, essas mesmas vias serviram para transportar o ouro que descia das Minas Gerais ao porto de Paraty e, ainda, para conectar as muitas fazendas e engenhos que surgiram na região.

Até a divisa do estado do Rio enfrentamos pelo menos três grandes subidas, sempre seguidas de grandes descidas. De lá em diante são praticamente 25 km de descidas até Paraty, que é uma delícia sem vento contrário. Antes, vale dar uma parada no Bar da Cachoeira, a 1 km da divisa do estado do Rio de Janeiro, onde o pessoal costuma comer sanduíche de calabresa. Após esse trecho até a divisa tem uma longa subida e depois o caminho praticamente desce até Paraty.

Dicas Importantes 

Usar sempre uma relação (coroa – pinhão) leve nas subidas para ter um menor desgaste físico.

Muita atenção para sempre manter o lado direito da pista, utilizando a pista de rolamento somente quando não houver acostamento ou quando o mesmo não tiver condições de uso.

Não desrespeite motoristas ou transeuntes. Dedique seu tempo e sua energia para o seu divertimento e prazer deste treino dedicado aos cicloturistas e ciclistas não profissionais.

Não se esqueça de levar o kit de reparo para sua bike.

Não jogue caramanholas, plásticos, borrachas, vidros etc., ao longo do percurso.

Use capacete e afivele-o de maneira correta. Ele pode salvar a sua vida.

Estrada Real

Paraty é o ponto de partida ou ponto final dessa rota que permite mergulhar na história brasileira. Uma oportunidade única de viver as experiências que bandeirantes, tropeiros, oficiais e outros viajantes encontraram na Estrada Real.

Partindo de Paraty, o trajeto escala a Serra do Mar e passa pelo município de Cunha (SP), rumo à Serra da Mantiqueira, alcançando Guaratinguetá e a Garganta do Embaú. Vencida a serra, o caminho segue  em frente até alcançar Baependi, Carrancas, São João Del Rei, hoje a bucólica Tiradentes, até alcançar os arraiais de Antônio Dias e do Ouro Preto. Para saber mais acesse estradareal.org.br.

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