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O sistema cicloviário de Rio Branco - Acre

Revista Bicicleta por Ricardo Braga Neto
34.078 visualizações
19/07/2012
O sistema cicloviário de Rio Branco - Acre
Via Chico Mendes
Foto: Ricardo Augusto Oliveira e Ricardo Torres

Se a projeção do sistema cicloviário for concretizada, a capital do Acre possuirá a maior rede cicloviária per capita do país: são cerca de 160 km de vias cicláveis projetadas para um total de 300 mil habitantes. Atualmente, já existem cerca de 74 km de vias cicláveis em funcionamento, cujo principal uso da bicicleta é como meio de transporte.

Embora o uso da bicicleta como veículo faça parte dto cotidiano das pessoas em várias cidades do interior da Amazônia, a maior parte das capitais da região norte não possui infraestrutura cicloviária que permita o fluxo de ciclistas de forma segura. Rio Branco é uma exceção que mostra como a vontade política e investimentos direcionados podem favorecer o uso da bicicleta. Incorporado ao Plano Diretor, o Plano Cicloviário de Rio Branco requalificou 60 km de vias existentes segundo novos critérios de segurança ao ciclista e considera a implantação de mais 100 km de vias cicláveis, além de padronizar a sinalização no sistema.

O Plano Cicloviário de Rio Branco teve a participação da empresa TC Urbes, especializada no planejamento de infraestrutura cicloviária e que esteve envolvida com vários projetos em outras capitais, como Porto Alegre e Belo Horizonte. Dos 160 km planejados, já existem cerca de 74 km de vias cicláveis bem sinalizadas e disponíveis para a população utilizar. Segundo Ricardo Torres, Superintendente da RBTrans (Superintendência Municipal de Transportes e Trânsito de Rio Branco), “ao longo dos últimos anos vem sendo trabalhado o conceito de vias cicláveis, ou seja, nem sempre temos a configuração padrão de ciclovia ou ciclofaixa. Muitas das ações do governo segregaram ou indicaram espaços exclusivos ou preferenciais para os ciclistas, o que está sendo muito bem aceito pela população”.

Plano Diretor

Embora o sistema já possua dezenas de quilômetros em uso, ele ainda não configura uma rede interligada e contínua. Segundo Ricardo Torres, além da requalificação dos 60 km que existiam previamente, a construção de novas vias é permanente, de forma que as novas obras urbanas estruturantes terão sempre uma área destinada aos ciclistas. “Como temos uma gestão muito dinâmica e com obras permanentes, a cada ano ampliamos a rede”, garante Ricardo. A capital do Acre aguarda R$ 5 milhões para ampliação e renovação da rede existente, com previsão de liberação dos recursos para este ano ainda.

A implantação do sistema cicloviário foi estruturada por fases. A primeira fase prevê a requalificação das vias existentes e a construção de conexões dos bairros com a área central da cidade e algumas ligações transversais, o que permite algumas poucas conexões em forma de malha. Na região central, as ciclovias ainda não se conectam e não possuem continuidade, o que dificulta a acessibilidade do ciclista ao centro da cidade.

A segunda fase se destina à alimentação dessa rede de caráter interno aos bairros e a terceira fase permite a circulação interna nos bairros mais periféricos. Segundo a Secretaria de Infraestrutura, Obras Públicas e Habitação do Governo do Estado do Acre, o custo das vias cicláveis gira em torno de R$ 100.000,00 a R$ 200.000,00 por quilômetro.

Como estão as vias cicláveis existentes?

De uma forma geral, o Sistema Cicloviário possui sinalização horizontal e vertical bem demarcada, mas o clima tropical exige maior manutenção na sinalização horizontal, pois as chuvas acabam degradando as faixas vermelhas que são imprescindíveis nos cruzamentos. Segundo usuários do sistema em Rio Branco, em geral as principais vias estão em boas condições, mas há trechos que não estão em bom estado de conservação. “As ciclofaixas estão com muitos buracos e com acúmulo de muita terra”, afirma Cassiano Marques Oliveira.

Um dos pontos fundamentais para a utilização da bicicleta como meio de transporte é a iluminação das vias, uma vez que as bicicletas geralmente não possuem luz própria. Em Rio Branco, a maior parte das vias cicláveis são iluminadas, a exemplo da Via Chico Mendes, um ponto fundamental para o conforto do ciclista. Outro ponto importante está relacionado com a manutenção e limpeza do pavimento, pois o acúmulo de areia e sujeira pode comprometer a segurança, facilitando a queda e furos nos pneus. A manutenção e limpeza das vias cicláveis é feita principalmente pela Secretaria de Serviços Urbanos de Rio Branco (SEMSUR), mas algumas são limpas por equipes de manutenção dos parques. Contudo, em vários trechos existe o acúmulo de areia, o que uma manutenção mais periódica poderia corrigir. O ciclista Valden Rocha, 44 anos, utiliza as ciclovias diariamente em Rio Branco e diz que “elas oferecem boas condições de tráfego para quem quer ir trabalhar de bicicleta. O estado de conservação na grande maioria é bom, mas ainda há trechos precisando de reparos. Como Rio Branco é uma cidade em expansão, são necessários mais quilômetros de ciclovias”.

Já Thayná Rebouças Dantas, ciclista que treina todos os dias em Rio Branco, tem um ponto de vista diferente. Ela diz: “na maioria das vezes prefiro andar na rua, correndo sérios riscos de acidentes ou algo parecido, por causa da má trafegabilidade das ciclovias. Algumas estão esburacadas e há lixo espalhado. Além disso, alguns trechos não tem ciclovia”.

Outro ponto que os usuários criticam é a falta de bicicletários e paraciclos espalhados pela cidade. Com a expansão da rede cicloviária, é importante que existam locais apropriados para estacionar as bicicletas, o que pode ser feito em parcerias entre empresas privadas com o poder público.

Óbvio que há pontos a melhorar, mas várias medidas já foram tomadas e estão sendo postas em prática em prol dos ciclistas. Malu Brandão, ciclista de Cuiabá - MT que recentemente visitou Rio Branco, surpreendeu-se positivamente com várias iniciativas. “Na Via Chico Mendes, o limite de velocidade dos carros ficou em 50 km/h, com a implantação dos 4 km de ciclovia no canteiro central. Foram plantadas palmeiras imperiais e flores nativas ao longo da ciclovia. Vários ciclistas acham que falta muita sinalização ainda, mas pra quem não está acostumada com elas, até que achei muito bem sinalizadas”, disse Malu.

E as outras capitais da Amazônia?

A Amazônia representa a maior extensão de floresta tropical do planeta, mas suas cidades precisam de planejamento para se tornarem sustentáveis de fato. A mobilidade urbana é um tema central que exerce influência sobre uma série de processos que afetam a qualidade de vida, a inclusão social e os gastos públicos.

É fato que Rio Branco assume uma posição de destaque no incentivo ao uso da bicicleta, mas todas as outras capitais da região norte têm condições de elaborar seus planos de mobilidade por bicicleta, favorecendo o desenvolvimento de um meio de transporte sustentável. Belém já possui vários quilômetros de ciclovias funcionais e muito seguras, mas Manaus terá que elaborar um plano cicloviário para ser incorporado ao Plano Diretor nos próximos meses.

A Política Nacional de Mobilidade Urbana (Lei Nº 12.587/2012) fortalece os municípios para incentivar meios de transporte coletivos e não motorizados. Considerando o exemplo de Rio Branco, um sistema cicloviário abrangente, contínuo, interligado ao transporte coletivo, que contemple todos os bairros e com extensão aproximada de 200 km não custaria mais de 50 milhões de reais, um custo pequeno em virtude da imensa quantidade de benefícios sociais, ambientais e econômicos que a cidade poderia absorver. O que estamos esperando?

Agradecimentos:
RBTrans (Superintendência Municipal de Transportes e Trânsito de Rio Branco) e TC Urbes (Mobilidade e Projetos Urbanos).

 

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