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O que considerar ao comprar sua e-bike

Se você está pensando em comprar uma bicicleta elétrica, provavelmente vai se deparar com muitos modelos, diferentes potências, formas de aceleração, componentes que uma bicicleta convencional não possui e termos específicos que não conhecia. Como fazer a escolha certa? Veja essas dicas.

Revista Bicicleta por Anderson Ricardo Schörner
120.154 visualizações
16/10/2015
O que considerar ao comprar sua e-bike
Confira algumas dicas para ajudá-lo na hora de comprar a sua e-bike.
Foto: lenetstan

O casal Jorge e Maria Angélica estavam à procura de um meio de transporte alternativo para usar em sua cidade. “Moramos em Pato Branco, no Paraná, uma cidade com muitas subidas, o que dificulta o uso da bicicleta”, diz Maria. Foi quando eles conheceram uma novidade que cintilou como a solução para o problema. “Conhecemos a bicicleta elétrica e percebemos que seria a salvação da lavoura. Compramos e agora a usamos para trabalhar e passear pela cidade. Optamos por uma dobrável, assim ela também vai junto nas férias”, comemora o casal.

E você, também já se deparou com uma situação semelhante? Talvez a topografia da sua cidade o intimide a pedalar, ou você não esteja confiante de enfrentar uma quilometragem maior em uma bicicleta comum. Mesmo se você tiver limitações de mobilidade física em virtude da idade ou de alguma deficiência, você pode deixar o carro de lado e se locomover de uma maneira sustentável e humanizadora.

Se você optar por comprar uma e-bike, muitos pontos precisam ser ponderados. Se o objetivo for lazer, o conforto é mais fundamental. Se quiser utilizar a e-bike durante a semana, como meio de transporte principal, e a cidade possui relevo muito acidentado, o foco será um motor com maior potência. Se a preocupação está em vencer um trajeto grande, a autonomia da bateria é importante. Se você tem necessidade de carregar bagagem, uma e-bike com compartimentos de carga, como baús ou cestinhas, pode ser a melhor opção. Enfim, entender suas necessidades é o primeiro passo para acertar na compra do seu veículo.

Reunimos algumas dicas para ajudá- lo na hora de comprar a sua e-bike. Acompanhe.

1. Considere suas necessidades

Avalie em que situação você vai utilizar a e-bike: se ela vai substituir a atual forma de locomoção diária (deslocamentos ao trabalho, escola e comércio), ou se será utilizada para lazer e passeios. Com base nisso, antes de adquirir sua bicicleta elétrica, enumere o que você deseja: economizar com gastos do carro e transporte público, ter mais força para vencer uma colina, ter mais autonomia para alcançar maiores distâncias, dentre outros. Essas informações irão nortear qual é a melhor e-bike para o seu caso. 

2. Acessórios úteis

Veja quais são os acessórios inclusos na e-bike, como cadeado, buzinas, luzes, paralamas, amortecedores, câmbios, baú de carga etc. Eles fazem uma grande diferença no dia-a-dia. Analise quais são mais importantes para o uso que você fará da e-bike.

3. Aprenda sobre os componentes elétricos

Dedique um pouco do seu tempo para aprender sobre os diferentes acessórios que a e-bike possui. Conheça os tipos de motores, baterias e formas de aceleração existentes. Veja que o local de alojamento do motor e da bateria pode variar dependendo do modelo da bicicleta. 

Para este primeiro contato com a estrutura da bicicleta elétrica, indicamos a leitura de matérias que já publicamos sobre o assunto em edições anteriores, especialmente na edição 003 (janeiro / fevereiro/2011) e 021 (outubro/2012), a participação em fóruns na internet e a interação com pessoas que já são usuárias de e-bikes. Procure tirar suas dúvidas com quem já tem experiência com este meio de transporte. Esse conhecimento prévio será muito importante para você não comprar gato por lebre.

Depois de saber qual será a destinação de uso da sua bicicleta elétrica, e conhecer um pouco sobre os componentes, é hora de avaliar algumas de suas características. 

4. Bateria

A bateria é a fonte da energia que alimenta o motor. Como tem uma vida útil, sua substituição é o que representa o maior custo da e-bike. Por isso, quando for comprar a sua e-bike, pergunte sobre o preço para trocar a bateria, e se é fácil consegui-la.

No mercado brasileiro, as baterias de chumbo, semelhantes às baterias de carro, são bastante comuns, mas aos poucos estão perdendo espaço para as baterias de lítio, semelhantes às de notebook. A utilização das baterias de lítio vem crescendo muito e é a química de bateria mais promissora. Quando você for comprar a sua e-bike, poderá escolher entre um modelo e outro avaliando os seguintes itens.

4.1 Autonomia: o que determina a autonomia da bateria é a amperagem. Quanto maior a amperagem, maior será a autonomia da bateria. No mercado você vai encontrar baterias de 5, 8, 9, 10 e 12 AH, sendo que a de 5 AH terá a menor autonomia e a de 12 AH terá a maior autonomia, mantidas as mesmas condições de peso, aclive etc. Quando for escolher a sua e-bike, leve em consideração a autonomia necessária para os seus percursos diários, como a ida e volta do trabalho, mais deslocamentos intermediários.

4.2 Peso: as baterias de lítio são bem mais leves que as baterias de chumbo. O lítio é o mais leve dos metais usados em baterias, e fornece a maior densidade de energia por peso. Uma bateria de lítio tem um peso até seis vezes menor do que uma bateria de chumbo. Há baterias de lítio com pouco mais de 1 kg, até cerca de 3,5 kg, enquanto as baterias de chumbo pesam mais de 10 kg.

Se a prioridade for ter uma bike leve, prefira a bateria de: 
(   ) Chumbo     () Lítio

4.3 Autodescarga: as baterias perdem um pouco de carga, mesmo quando estão paradas: a isso se dá o nome de autodescarga. As baterias de chumbo possuem uma das mais baixas autodescargas entre as baterias recarregáveis, durando até o dobro do que as baterias de lítio. Essa informação é útil se a bicicleta será utilizada sazonalmente. Mas cuidado, pois a bateria não pode ser guardada sem carga: mesmo enquanto você não utiliza a e-bike, é obrigatório recarregar a bateria periodicamente.

Se a prioridade for uso sazonal, escolha a bateria de: 
() Chumbo     (   ) Lítio

4.4 Longevidade: toda bateria possui um ciclo de vida, baseado na quantidade de recargas e no seu envelhecimento, que ocorre independentemente do uso. Em média, a vida útil da bateria de lítio chega próximo de 1.000 recargas, enquanto a bateria de chumbo possui vida útil de cerca de 400 ciclos de recarga. Mesmo assim, depois de aproximadamente um ano as baterias apresentam um declínio em sua capacidade de armazenar energia, devido ao envelhecimento.

Se a prioridade for a longevidade, escolha a bateria de: 
(   ) Chumbo     () Lítio

4.5 Preço: as baterias de chumbo são mais baratas que as baterias de lítio. Elas são mais simples de fabricar porque sua tecnologia já é madura, confiável e bastante conhecida. Por serem mais populares, são facilmente encontradas no mercado. As baterias de lítio, relativamente novas, por enquanto são cerca de 40% mais caras de se produzir. Obviamente, o valor da troca da bateria de lítio também é maior do que a bateria de chumbo.

Se a prioridade for preço, escolha a bateria de: 
() Chumbo     (   ) Lítio

4.6 Tempo de recarga: as baterias de lítio são mais rápidas para recarregar. Em geral, as recargas das baterias de lítio demoram de 2 a 4 horas para estarem completas, enquanto as baterias de chumbo geralmente demoram de 6 a 8 horas. Outro inconveniente da bateria de chumbo é que ela deveria ser plugada para recarga sempre, depois do uso, independentemente do nível de energia que ainda tenha.

Se a prioridade for ter a bike recarregada rapidamente, prefira a bateria de: 
(   ) Chumbo     () Lítio

4.7 Portabilidade: a bateria de lítio é de fácil remoção da bicicleta, permitindo que você deixe a bike estacionada e leve apenas a bateria para recarregar. A bateria de chumbo, por ser mais pesada e volumosa, geralmente é fixa na bike, ou seja, quando for recarregar, você precisará levar a bicicleta toda próximo da tomada.

Se a prioridade é ter uma bateria portátil, fácil de manusear, prefira a bateria de: 
(   ) Chumbo     () Lítio

5. Motor

Há dois tipos de motores. O Brush é o motor com escovas, e o Brushless, que é o motor sem escovas. Este último é mais eficiente e silencioso. Com relação ao motor, o item mais importante a ser analisado é a potência. Caso o seu percurso seja plano, você mantenha uma velocidade constante e não sobrecarregue a bike, um motor de 180 a 250 watts já é suficiente. Esses motores geralmente têm a opção de pedalar junto, ou seja, a energia que move a bike é dividida entre você e o motor. Se você não pode pedalar muito em decorrência de alguma deficiência, ou vai enfrentar terrenos com mais relevo, a versão de 350 watts é mais indicada. Motores com 600 watts são sugeridos para pessoas com maior limitação de mobilidade física, ou para ciclistas mais pesados, e para situações em que é preciso enfrentar fortes subidas; eles dão uma sensação semelhante a uma moto elétrica. Pode haver uma queda de rendimento em situações de ventos contrários muito fortes, colinas, superfícies lentas, como a lama, pneus descalibrados etc. Quanto maior a potência, maior a velocidade e a aceleração possível de atingir com a e-bike: por isso, seja cauteloso na escolha e utilização.

6. Acelerador

Este é um dos itens mais importantes a ser analisado. Se você quer pedalar o tempo todo e apenas contar com o auxílio elétrico como um facilitador, opte pelas pedelecs, que são e-bikes com sistema de pedal assistido. Neste caso, a aceleração acontece ao pedalar, através de sensores de velocidade ou torque. Os sensores de velocidade ativam o motor quando a bike atinge determinada velocidade; os sensores de torque ativam o motor quando determinada força é aplicada aos pedais. Em todos os casos, você não para de pedalar. No Brasil, é mais comum os sensores de velocidade, também chamados de sensores de giro, pois os sensores de torque são mais caros e de difícil manutenção.

Se você tem alguma debilidade física que o impeça de pedalar, opte pelas bicicletas com aceleradores manuais, que podem ser do tipo twist and go (gira e vai), semelhantes aos de moto, ou do tipo thumb, que é acionado com o dedo polegar. Essas bicicletas são indicadas para deficientes e idosos, pois a bicicleta funciona independente da pedalada: basta acelerar. Torna-se uma forma de incluir na mobilidade cicloviária quem antes não podia optar pela bicicleta.

Há, ainda, um meio termo entre as pedelecs e as e-bikes com aceleradores manuais: são as bicicletas elétricas com aceleração mista. Neste caso, o ciclista pode escolher entre pedalar com sensores ou apenas acelerar manualmente a bike através de um botão. São indicadas para pessoas com limitações mais leves, que não as impedem de pedalar, mas que em uma situação de maior necessidade, como retomar a velocidade depois do semáforo, por exemplo, preferem optar pela aceleração manual. Outro caso: se você quer utilizar a bike para ir trabalhar, sendo que prefere acelerar na ida, para não chegar suado, e voltar pedalando, para fazer o exercício do dia, a indicação é por uma e-bike com aceleração mista.

7. Ajustes

Verifique se a e-bike permite ajustes, como, por exemplo, regular o selim. Se o modelo for dobrável, verifique a facilidade de travar e destravar para dobrar.

8. Onde comprar

Escolha a loja onde vai comprar a e-bike sabiamente. Opte pela proximidade: na melhor das hipóteses você terá dúvidas e perguntas; na pior das hipóteses terá problemas e necessitará de assistência técnica. Analise se a loja terá as peças de reposição necessárias, especialmente as baterias. 

9. Marca e mercado

Se algo parece bom demais para ser verdade, provavelmente é. Existem muitas opções no mercado e você ouvirá todo o tipo de opiniões, mas duvide dos feitos fantásticos da e-bike de uma marca que você nunca ouviu falar. Pesquise um pouco mais: se é difícil conseguir informações sobre aquela marca, é melhor não arriscar.

10. Garantia

As bicicletas elétricas geralmente vêm com duas indicações de garantia: uma da bicicleta e outra da bateria. Quanto maior o tempo de garantia, melhor, mas ao comprar, informe-se também sobre a facilidade ou burocracia das trocas.

11. Faça um test drive

Esse é o ponto mais importante. É imprescindível testar alguns modelos antes de fechar a compra. Mas o que fazer durante o test drive?

11.1 Tipos de aceleração: experimente as variações de aceleração, pois as sensações são diferentes entre uma pedelec e uma bicicleta com acelerador manual.

11.2 Suba uma colina: ou enfrente o vento de frente, ou passe por um terreno difícil e lento, enfim, sinta a reação da bike quando a situação exigir um pouco mais da bicicleta.

11.3 Teste os diferentes modos de energia: algumas e-bikes oferecem opções que economizam ou liberam mais energia. Ande em todas as variações para sentir o comportamento da bike.

11.4 Pedale sem o auxílio elétrico: é essencial testar a bike com o motor desligado para sentir como seria pedalar quando a bateria se esgotasse. Em especial, sentir o peso da bicicleta.

11.5 Preste atenção nos acessórios: teste os câmbios, perceba o sistema de suspensão, enfim, verifique se os itens da bicicleta atendem às exigências do percurso. Se você não conhece muito dos componentes de bikes, peça ajuda para alguém que conheça.

Aceitar o auxílio elétrico não é trapaça, é uma forma inteligente de ser um carro a menos e aproveitar os trajetos de maneira acessível e integrado à cidade. No final das contas você vai pedalar mais longe, mais vezes, e muito!

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Antonio Carlos V de O Motta

13/06/2014 às 17:13

Algum modelo, ao pedalar, recarrega a bateria?
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