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O nascimento de uma ciclovia - Da sala de aula para as ruas cariocas

IIniciativa de alunos do ensino médio foi o primeiro passo para a criação de uma ciclovia com 10,4 km que corta os bairros Cosme Velho, Laranjeiras, Largo do Machado, Flamengo e Botafogo, no Rio de Janeiro – RJ.

Revista Bicicleta por Anderson Ricardo Schörner
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04/06/2016
O nascimento de uma ciclovia - Da sala de aula para as ruas cariocas
Foto: Divulgação / Amplifica Comunicação

Em sua obra O Capital, Karl Marx compara a atividade das abelhas construindo sua colmeia ao trabalho de um pedreiro edificando uma casa. Mesmo que as abelhas sejam perfeitas em sua construção, e o mestre de obras tenha lá suas limitações, existe uma diferença essencial entre ambos: o ser humano é capaz de imaginar como será a sua obra e qual é a sua finalidade.

Neste agir consciente, cada um de nós gera e confronta a própria condição sócio-histórica, atualizando constantemente a objetividade social. É como se vivêssemos apertando o “F-5” do teclado da vida, num eterno “refresh”. Em Lulusantês: “nada do que foi será, de novo, do jeito que já foi um dia. Tudo que se vê não é igual ao que a gente viu há um segundo. Tudo muda o tempo todo no mundo”. A gente sente a necessidade, constrói aquilo que precisa – e às vezes o que não precisa – e isso transforma a realidade de toda a sociedade.

Isto é práxis: a experimentação do mundo físico através da aplicação das ideias e da imaginação em uma atividade real. Na pedagogia, a práxis é um conceito importante no processo de aprendizagem. Ela permite contemplar os resultados de um conteúdo abstrato aprendido em sala de aula, convertendo-o em experiência vivida.

O nascimento da Ciclovia de 10,4 km entre os bairros de Cosme Velho e Botafogo é um bom exemplo para ilustrar. O primeiro passo para que ela se tornasse realidade foi dado por alunos de 15 e 16 anos do Colégio Liceu Franco-Brasileiro. Em 2010, um trabalho acadêmico desafiava os alunos a sugerir uma solução de algum problema diário. Um grupo da turma de robótica, então, propôs a criação de uma ciclovia para resolver a insatisfação com o trânsito e a falta de infraestrutura para bicicletas na região do Catete, Largo do Machado e Flamengo.

Logo, o planejamento cicloviário realizado no trabalho não “coube” mais dentro da sala de aula. Ganhou destaque, prêmios, e com o apoio da ONG Transporte Ativo, foi apresentado à comunidade e à prefeitura do Rio.

Philipe Moura, um dos estudantes do grupo que desenhou o plano, diz: “uso a bicicleta para me locomover desde os 10 anos e, desde então, já sofri uma porção de pequenos acidentes. A falta de uma pista exclusiva acaba criando ciclovias invisíveis. Você começa a andar na rua por falta de opção”.

O trânsito dos bairros de Laranjeiras e Cosme Velho sofre com o volume crescente de automóveis. Os carros que levam as crianças para uma das 12 escolas e quatro clubes dali criam momentos de congestionamento. Em muitas dessas viagens, seria possível utilizar uma bicicleta, principalmente, se houvesse infraestrutura apropriada.

Percebendo a necessidade de melhoria na locomoção diária nestes bairros e adjacências, ciclistas da redondeza e grupos civis se mobilizaram em prol do projeto e participaram ativamente nas ações por ele demandadas. Foram realizados passeios de conscientização, contagens de ciclistas e levantamento de informações para criar um esboço ao poder público. O projeto foi adaptado e aprovado pela Secretaria Municipal de Meio Ambiente, que entregou a ciclovia, em 2015.

Claro que nem tudo são flores. Quem pedala por ali ainda sofre com o movimentado trajeto na Rua das Laranjeiras, que tem um trânsito confuso pela quantidade enorme de linhas de ônibus, comércio, escolas - entre elas, o Liceu Franco-Brasileiro -, e um hospital. Além do local possuir grande fluxo, nos horários de pico o movimento no Franco pode chegar a cerca de dois mil alunos. Em alguns trechos, a via passa por calçadas e, especialmente, donos de estabelecimentos de ensino estão preocupados com a segurança dos estudantes.

“Nossos alunos apresentaram uma solução para melhoria da mobilidade na região, mas estamos muito preocupados com o trajeto definido para a ciclovia. Passa em frente à escola, onde temos uma grande circulação de alunos e pais. O ponto de parada de veículos escolares virou estacionamento de autoescola. Falta ainda um programa educativo da prefeitura para a população, algo que seja, inclusive, preventivo, contra acidentes - que já vêm ocorrendo”, alerta a diretora da instituição, Celuta Reissmann. "Queremos que o desenvolvimento bata à nossa porta, mas com segurança e sensatez”.

Recorrendo novamente à Marx, é interessante notar que a atividade humana acontece em um ambiente social, e suas atividades transformam este ambiente, que por sua vez é responsável pela formação de cada um. Esta ciclovia vai, de alguma forma, ajudar a “formar” cada um dos indivíduos que por ali passam, exercendo sua influência de alguma forma. Quanto aos seus problemas e desafios, espera-se que a ação prática do ser humano possa interferir e criar um novo ambiente social. E se estivermos no caminho certo, um ambiente repleto de bicicletas!

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