REVISTA BICICLETA - O lado rosa da força
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O lado rosa da força

Sabe aquele ciclista raçudo, determinado, que desafia constantemente o seu limite? Ele está presente em todas as corridas da região, belisca um pódio aqui e ali, é a celebridade nas reuniões de família, quando entusiasticamente fala sobre a quilometragem pedalada no último final de semana ou aquela subida incrível onde venceu a última prova. Pois é, ele possivelmente conta com uma grande aliada, que embora não esteja nos holofotes, é tão determinada quanto abnegada, e não mede esforços para dar o suporte necessário ao seu companheiro!

Revista Bicicleta por Anderson Ricardo Schörner
9.670 visualizações
29/08/2017
O lado rosa da força
Foto: Joana Gasparotto Kuhn/Bruna Friedrich

Muitas vezes abordamos os benefícios e a diversão que é pedalar. Falamos sobre a adrenalina de uma trilha, a sensação de liberdade de um pedal na estrada, a emoção de uma competição. É realmente uma sensação indescritível, mas... Bem, haverá suor, lama, roupa suja, aquela hora que a fome bate, ou até um momento de desânimo quando a performance não está sendo alcançada satisfatoriamente.

É aí que surge, meio que anonimamente, o “lado rosa da força”: a namorada ou esposa. Elas se sacrificam para oferecer o conforto e o apoio necessário ao companheiro. Elas fazem a roda girar sem subir na bicicleta. Lavar a roupa, fazer o suporte durante a competição, oferecer aquela palavra de incentivo quando o desconforto bate, ou ter que lidar com o aborrecimento de um dia sem pedal são tarefas aparentemente simples, mas que fazem toda a diferença a favor dos ciclistas.

Crédito: Joana Gasparotto Kuhn/Bruna Friedrich

Joana Gasparotto Kuhn, de Dom Pedrito/RS, conheceu o universo da bicicleta quando começou a namorar com o atleta Marcelo Bendlin Leon “Rato”, atual Campeão Gaúcho Elite de MTB e Marathon 2016, e Vice-Campeão Brasileiro Sub-30 de MTB 2016. “Sou apaixonada por bicicleta há uns três anos”, diz ela, “e é incrível como a bicicleta mexe com as pessoas. Por exemplo, eu não sou a única na vida do meu namorado, ele tem ainda a Speed e a Mountain Bike. Você imagina como é ter um namorado compartilhado para três?”

Crédito: Caroline Duarte

A mesma situação experimenta Bruna Friedrich, de Caxias do Sul/RS. “Descobri o mundo mágico da bike há 15 anos, quando conheci meu marido, Jander Flores, e desde então encontrei muitas gurias que vivenciam o ciclismo da mesma forma: com algumas pedaladas, mas principalmente apoiando os nossos parceiros ciclistas, pois aprendemos que não há como competir com as bikes, então, as temos como aliadas”.

Crédito: Joana Gasparotto Kuhn/Bruna Friedrich

Assim como Bruna e Joana, muitas mulheres se tornam a melhor amiga da bicicleta, pois pedalar torna o seu companheiro uma pessoa mais feliz. Por isso elas afirmam: namorar um ciclista mudou a sua vida por completo.

“Todos os dias”, diz Joana, “meu namorado precisa treinar, ou seja, ele fica em torno de 2 h concentrado na bike, nem o celular atende. Além disso, ele fica mais umas horas por semana fazendo a manutenção das bicicletas. É líquido no pneu, cabo de freio que precisa lubrificar, câmara furada e por aí vai... Eu até ajudo, segurando a bike ou alcançando as chaves e a graxa, mas na maioria das vezes ele está tão estressado que precisa fazer isso logo para treinar depois, que fica num humor impossível. E o gênio dele quando chove e não pode sair pra pedalar? Quem aguenta isso somos nós, inúmeras mulheres que lavam a roupa cheia de barro e que fazem apoio nas provas com água e gel. Nós estamos ali para estimulá-los ainda mais, e tenho certeza de que, mesmo quando não demonstram, eles valorizam muito o que fazemos”.

namorar um ciclista mudou a sua vida por completo.

E se você acha que fazer a assistência em provas ou treinos é moleza, veja o que Bruna diz a respeito: “quando falamos em apoio, parece uma ação muito fácil, mas só quem vive isso sabe o quão árdua é essa tarefa. No dia a dia, temos que estar atentas à alimentação dos atletas, auxiliar na manutenção das bicicletas, ter cuidado com os equipamentos, lavagem das roupas, na maioria das vezes super embarradas, além de ter que dar aquele apoio psicológico para que façam um bom treino. Até que chega o grande dia: a competição, dia da equipe de apoio acordar cedo, viajar, se informar do percurso da prova, dos melhores pontos de apoio, preparar toda a suplementação, e como eles são indecisos, temos inúmeras opções de gel e garrafas para que nada falte neste momento de tensão. Após isso, temos que tirar fotos da largada e correr para os pontos de apoio, ficarmos atentas aos nossos atletas, tirar mais algumas fotinhos, marcar os tempos para informar a eles como está o desempenho e, então, correr ao lado da bicicleta, em uma subida, trocando as garrafinhas. Logo após o apoio, ainda corremos para tentar tirar aquela foto da chegada. Em meio a tudo isso, ficamos na torcida para que estejam indo bem, pois sabemos que o bom humor deles depende disso. Logo após acontece a premiação e as despedidas. Retornamos para casa exaustas, e mesmo não sendo as estrelas principais do evento, amamos o que fazemos. Somos várias mulheres, que moram em locais distintos, que vivem no dia a dia situações muito parecidas e que se encontram para apoiar seus atletas, celebrar a amizade, compartilhar conhecimento, conhecer lugares diferentes e dar muitas risadas”.

Às vezes, elas sentem como se estivessem depois das bicicletas na escala de prioridades. O dinheirinho que sobra, por exemplo, vai para a coroa nova ou para a corrente, mas nada substitui o sentimento de parceria entre o casal, segundo Joana: “eu não bebo nada se ele não beber. Aí, mesmo numa janta apenas com as amigas, o garçom pergunta o que você vai beber, e é tão automático dizer ‘suco de laranja’ ou ‘água com gás’. Eu mudei muito por ele. Tenho me alimentado melhor, tenho optado por dietas menos calóricas, e exercitado o corpo. São escolhas que fiz, porque ver o rosto dele ao final de uma prova, conversando com os amigos sobre como passou pelo Rock Garden, ou como alcançou o pelotão escapado com tanto vento, com um sorriso de felicidade, não tem preço. 

“quando ele volta para casa de um treino, ele parece mais sereno, em paz consigo mesmo.”

Por um sorriso assim, de orelha a orelha, vale qualquer esforço. Às vezes fico com ciúmes ‘delas’. Por outro lado, quando ele volta para casa de um treino, ele parece mais sereno, em paz consigo mesmo. O ruim é quando o tempo está para chuva, e ele lembra que precisa treinar no rolo. Nossa, aí sim é tenso. São altos e baixos, como em qualquer esporte, e dar apoio de moto durante os treinos, o seguindo e vendo o progresso conquistado é recompensador, porque estar ao lado dele em um universo tão saudável e que o deixa feliz é o principal motivo de eu ainda dizer: ‘eu vou contigo’, ou ‘não esquece o gel’. Outra consideração importante é que a gente vai pegando gosto pelo esporte, e eu até já estou querendo uma bike. Além de tudo isso, estar com ele me dá a oportunidade de conhecer pessoas maravilhosas nesse meio, com mulheres que fazem o mesmo que eu, lavam roupas cheias de barro, levam sanduíche e isotônico nas provas, gritam e desejam força nas subidas, e que acima de tudo, se divertem, conhecem lugares incríveis e amam os seus atletas e o esporte que eles escolheram”.

Na próxima vez que sair para pedalar, com a roupa limpinha e as garrafas abastecidas, lembre-se de valorizar a sua companheira, que com muita determinação e compromisso, faz todo o possível para vê-lo na bicicleta, feliz, e comemora como se fosse ela própria a brilhar, cada vez que você expande seus próprios limites!

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