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Muito além das ciclovias

Revista Bicicleta por Álvaro Perazzoli
34.375 visualizações
03/12/2012
Muito além das ciclovias
Foto: Dreamstime

Ciclofaixas, ciclovias, uma campanha massiva da mídia e do governo em prol da bicicleta e da sustentabilidade estão fazendo com que cada vez mais pessoas se interessem pela bicicleta. É inegável que as grandes cidades estão aos poucos sofrendo uma transformação e uma mudança no cotidiano. É bem verdade também que essa campanha demorou anos, para não se dizer décadas. Foram necessários muitos protestos e vítimas fatais para que uma nova postura fosse adotada pelo poder público. Mas como isso está impactando o mercado nacional de bicicletas?

No dia 10 de julho, uma coletiva de imprensa realizada em São Paulo divulgou a pesquisa semestral da Abraciclo (Associação Brasileira dos Fabricantes de Motocicletas, Ciclomotores, Motonetas, Bicicletas e Similares). Os dados desse estudo são da Suframa (Superintendência da Zona Franca de Manaus) e do MDIC (Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Exterior).

Estas são as únicas pesquisas oficiais do setor, ambas um tanto incompletas, pois se restringem unicamente à produção realizada no PIM (Pólo Industrial de Manaus) que é restrita ao mercado popular, que abrange bicicletas de lazer, transporte e carga. As demais empresas brasileiras que têm as suas indústrias fora do PIM não entram nesse estudo.

Produção

A Abraciclo revelou que a produção de bicicletas do primeiro semestre de 2012 no Brasil foi de 352.659 unidades, contra 273.641 do ano anterior. Números que representam um crescimento de 29%. Estatisticamente 2011 foi melhor, pois o crescimento em relação a 2010 (204.205 unidades) foi de 34%.

Importação

A importação do primeiro semestre deste ano foi de 142.531 contra 123.936 do ano anterior. Um crescimento tímido de 15% se levarmos em conta 2011, que teve um crescimento de 62% em relação a 2010 (76.626 unidades).

Exportação

Os dados da exportação nacional de bicicletas chegam a ser vergonhosos. Em 2012, o Brasil exportou míseras 303 unidades de bicicletas, 4% a menos que 2011 (315 unidades). No ano anterior a queda foi assustadora: 73% a menos que 2010 (1.171 unidades).

O mercado

Para entendermos mais sobre a atual realidade do setor, a Revista Bicicleta conversou este mês com profissionais brasileiros de diversas áreas e cargos do mercado.

Daniel Aliperti, sócio / proprietário da loja Pedal Power e importadora Pro Parts, diz que o mercado está crescendo, mesmo com as dificuldades que o setor enfrenta devido às restrições protecionistas do governo. “O aumento recente do imposto de importação estimulou os consumidores ávidos por modelos mais sofisticados a depositarem seu dinheiro nos cofres do estrangeiro, importações irregulares e o descaminho. Essa mudança geral afeta desde as bicicletas vagabundas, que vem da Ásia, que atrapalham fabricantes sérios como a Caloi, Soul e Houston, quanto as mais sofisticadas, que servem aos entusiastas pelo esporte”, disse Aliperti.

Fábio Takayanagi, presidente da Shimano Latin América, vê uma mudança muito grande da cultura do Brasil. “As pessoas estão andando cada vez mais de bicicleta, isso faz com que elas busquem cada vez mais produtos de qualidade, conforto e desempenho. Sentimos que o setor de bicicleta continua forte, mesmo com essa turbulência econômica que aumentou o dólar. Sentimos que as montadoras de automóveis estão dando uma desacelerada, na bicicleta não sentimos isso. As vendas estão fortes e estabilizadas”, declarou Takayanagi.

Felipe Gonzalez, proprietário da loja Race Point, vê o mercado em total crescimento. “Bicicleta é a tendência do momento. Com toda a onda de sustentabilidade, meios de proteger o meio ambiente e métodos de poluir menos, ela é a opção que todos escolhem. Hoje em dia ela não é só vista com um hobby e um esporte, mas também como um meio de transporte verde e uma junção de praticar uma atividade física, alcançar o destino mais rápido e contribuir para melhorar o meio ambiente”, falou Gonzalez.

Antes e depois

A última década, ou especificamente nos últimos cinco anos, o mercado brasileiro de bicicletas sofreu uma grande revolução. Novas marcas e indústrias, novos veículos de comunicação impresso e on line e uma veiculação na mídia aberta jamais vista antes. Neste ano, o Brasil não conta apenas com uma feira do segmento, mas com duas. Todos esses fatores são reflexos de uma grande demanda e de um potencial que ainda tem muito a ser explorado.

João Magalhães, que atua no marketing da Shimano, diz que o efeito ciclofaixa está fazendo com que cada vez mais pessoas pedalem por distâncias maiores e consequentemente mudem sua percepção sobre a necessidade da qualidade em uma bicicleta.

“Se você for de um parque a outro pela ciclofaixa, são 14 km de extensão. As pessoas estão percebendo que para realizar um passeio como esse é necessário um produto que funcione. Um produto que quebra, não passe as marchas direito, não tenha um freio confiável e seja desconfortável, passa a ser desinteressante para o consumidor”, revela Magalhães.

Daniel Aliperti considera que o mercado está muito melhor do que há dez anos. Segundo ele, há mais ofertas de produtos, melhores lojas e melhores serviços no varejo e atacado. “O setor evoluiu muito de uns cinco anos pra cá. O ciclista brasileiro é muito bem servido de produtos hoje. Os nacionais melhoraram muito e tem bastante coisa boa disponível. No nível dos negócios, o setor tem se organizado com associações e entidades que trabalham para melhorar o segmento profissional e consequentemente as condições dos usuários”, afirma Aliperti.

Fábio Takayanagi conta que as montadoras nacionais estão remodelando toda a sua linha de produtos de acordo com essa nova demanda dos consumidores. “As bicicletas estão com muito mais qualidade e está havendo uma absorção do valor final nas melhorias que estão sendo colocadas nesses produtos”, declarou Takayanagi.

Fábio Carvalho é triatleta profissional detentor de diversos títulos e pedala há 18 anos. Ele compara hoje com a época em que começou a pedalar. “Nossa, é muito diferente! Antes era basicamente só os amantes que pedalavam de uma forma um pouco mais séria. Vejo o ciclismo crescendo demais, principalmente aqui em São Paulo. O fato de a prefeitura incentivar cada vez mais a bicicleta está fazendo com que pessoas de todas as classes e etnias pedalem pelas ruas da cidade”, declara Carvalho.
O impulso final
De nada vale fazer campanhas sustentáveis e implantar ciclofaixas e ciclovias se não há um incentivo à produção e consumo da personagem principal dessa história, a bicicleta. O IPI dos automóveis é constantemente reduzido a zero para fortalecer o consumo desenfreado e manter de uma forma irresponsável o controle da inflação. Mas e a bicicleta?

“A bicicleta precisa ter um preço acessível! Não adianta ela ter visualização, ter vias exclusivas, ter incentivo ao uso se o seu valor e a dos respectivos acessórios têm custos que desmotivam qualquer pessoa. Não é possível que para a compra de um carro o governo possa dar 0% de IPI e para uma bicicleta impor um imposto tão alto”, diz Felipe Gonzalez.

Daniel Aliperti considera que o governo deveria reduzir os impostos para a indústria nacional, que emprega e movimenta a economia local, ao invés de penalizar o consumidor, contribuinte e os importadores. “Infelizmente pagamos muito pela ineficiência e corrupção. Isso atrapalha a evolução do setor e priva os consumidores de usarem um produto melhor. O Brasil precisa amadurecer. Organizar a casa e os governantes executarem seu trabalho pensando no contribuinte e não em si. Devemos usar os bons exemplos de quem já fez direito e implementá-los aqui”, finaliza Aliperti.

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