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Minha paixão pelo ciclismo de estrada

A minha paixão pelo ciclismo de estrada não foi amor à primeira vista. Na verdade, depois que aprendi a pedalar (mover a bicicleta) demorou certo tempo para me render aos encantos do ciclismo de estrada. Tinha muitas resistências devido ao desconhecimento.

Por Claudia Franco
3.067 visualizações
17/04/2017
Minha paixão pelo ciclismo de estrada
Foto: Claudia Franco

O início nada amigável

Quando comecei a pedalar já fui direto para a prática do mountain biking. O mountain biking mudou a minha vida, meus valores, sonhos, objetivos. Focada totalmente no esporte passei a desejar a melhora do meu desempenho. Amigos experientes e insistentes me orientaram a treinar com road bike (sinônimos: speed ou bicicleta de estrada).

Sempre me esquivava da conversa quando o assunto era ciclismo de estrada e a tal road bike. Vários receios borbulhavam na minha cabeça: nem pensar em pedalar uma bicicleta destas! O pneu liso e fino, não terei estabilidade. O guidão baixo demais vai me causar dor nas costas. Pedalar em estrada dá muito medo. Enfim, simplesmente desconhecia e consequentemente ignorava toda a alta tecnologia que há por detrás da prática do ciclismo de estrada, não só no que se refere a desempenho e a conforto, como também a segurança.

Durante um bom tempo, olhei o esporte com certa distância. Simplesmente achava que não era para mim, além de considerá-lo monótono, arriscado e muito desconfortável. Mas vencida e cedendo à pressão dos amigos, acabei comprando uma road bike para treinar. Após os primeiros pedais com a bicicleta, de indiferença passei a detestar o ciclismo de estrada, pois o meu desempenho era péssimo, causado pelo forte desconforto. Terminava o treino toda moída, com muitas dores.

Eu não sabia que o desconforto, as dores e a falta de rendimento eram provenientes do uso de uma bicicleta de tamanho inadequado para a minha estatura, que tinha limitação de componentes, falta de ajuste da bicicleta para o meu corpo e também desconhecimento das técnicas de pedalar corretamente uma road bike. Diante do cenário nada favorável, desisti da prática.

A segunda tentativa​

Acreditando que ciclismo de estrada não era para mim, continuei focada no mountain biking. O meu projeto com a escola de pilotagem de bicicleta Ciclofemini prosperou e passei a ser apoiada pela Specialized. Para a minha surpresa e engolindo a seco, no pacote da parceria recebi uma road bike, a Dolce, um dos modelos femininos do fabricante.

De bicicleta nova e com muita tensão, fiz mais uma tentativa de pedal pela ciclovia da marginal do Rio Pinheiros (São Paulo – SP). Lembro-me até hoje daquele dia, parece que havia atravessado o portal para uma nova era! A bicicleta era leve e funcionava maravilhosamente bem: as alavancas de freios eram perfeitas para as minhas mãos, conseguia frear com facilidade, a troca de marcha era precisa, o selim perfeito, o sistema de amortecimento ZERTS tirava as vibrações do quadro e imprimia muita suavidade na pedalada.

Neste dia pedalei quase o dobro da maior distância que havia pedalado em uma road bike até então. Ao final do pedal, sem nenhuma dor, percebi que muito dos preconceitos que tinha a respeito de uma road bike já haviam se desfeito. Em seguida fiz o ajuste da bicicleta para o meu corpo, o body geometry fit, e passei a pedalar com maior frequência. Após um ano, a minha Dolce foi trocada por um modelo de carbono, uma Ruby. Entusiasmada com a nova bicicleta, participei do meu primeiro desafio de longa distância, um Audax de 90 km.

A experiência transformou de vez o meu sentimento e conhecimento a respeito da prática do ciclismo de estrada.

Acabando com os receios

Meus maiores receios a respeito da road bike: desconforto relacionado à geometria e postura de pilotagem e falta de estabilidade por conta de pneus finos não existiam mais. Passei a focar os treinos e passeios em distâncias maiores, acima de 100 km.

Aprendi que, assim como qualquer outro modelo de bici, a bicicleta de estrada é confortável, desde que tenha o tamanho adequado à sua estatura, que tenha a geometria correta ao gênero (masculino ou feminino), e que esteja ajustada ao seu corpo. Minha maior distância pedalada em uma road bike foi de 313 km sem nenhum desconforto, apenas o cansaço natural da longa distância.

Passei a entender que a estabilidade da bicicleta está relacionada a um conjunto de fatores e não única e exclusivamente ao pneu fino e liso. A estabilidade pode ter muito mais a ver com a técnica de pilotagem e com a geometria do quadro, do que com apenas a largura do pneu.

Pneu fino: o terror das mulheres

O motivo principal para a maioria das mulheres sentirem receio ou pavor de pedalar uma road bike é a largura do pneu. Pneu é assunto sério, mas não é a largura do mesmo que deve impedi-la de pedalar uma road bike.

É importante saber que para cada tipo de prática de ciclismo e estilo de pedalada existe um pneu adequado. A indústria do pneu existe há mais de um século e usam altíssima tecnologia desde o projeto inicial até a manufatura do mesmo. Claro que a segurança do ciclista depende do pneu, porém, a atenção não deve estar na largura do mesmo, e sim na sua qualidade. Tente não economizar muito nesse item.

Falar sobre pneus demanda um artigo único, pois é muito interessante, vasto e complexo. Mas ressalto alguns pontos que a ajudarão a refletir sobre o assunto.

Resumidamente, o pneu fino dará mais rolagem e sendo liso terá maior área de contato com o chão e maior aderência.

A calibragem do pneu - pressão/quantidade de ar - deve ser feita conforme algumas variáveis, por exemplo:

  • Quanto mais leve o ciclista, menos pressão é necessária nos pneus.
  • Quanto mais liso e perfeito o piso, maior pode ser a calibragem.
  • Menos pressão nos pneus significa mais atrito com o chão, portanto maior aderência.
  • Maior pressão significa menos contato com o chão, portanto menos aderência, e em contrapartida, maior velocidade.
  • Quanto mais fino o pneu, mais pressão ele admite.

Deixando todas estas informações técnicas de lado e a largura do pneu, basta assistir a uma competição de ciclismo de estrada para entender que a road bike é estável e segura.

As vantagens e benefícios que encontrei no ciclismo de estrada

  • Praticidade na metrópole: a prática do mountain biking, principalmente para quem mora em uma cidade como São Paulo, demanda muito tempo de deslocamento, grandes distâncias e poucas opções de lugares próximos à cidade. Literalmente, é necessário sair de cidade para chegar até uma boa trilha, consequentemente o pedal fica relegado a um único dia da semana (sábado ou domingo), além disto, invariavelmente você vai acabar dependendo de um grupo para pedalar. Com a minha road bike posso pedalar sozinha, na maioria das vezes consigo sair de casa pedalando direto para os meus locais preferidos de treino.
  • Sem manchas roxas ou ralados: no mountain biking sempre me machuquei muito, nada sério, mas a cada trilha colecionava uma dúzia de ralados e manchas roxas. No dia seguinte ao pedal sentia dores e desconforto em muitas partes do corpo devido às pancadas. No ciclismo de estrada, a não ser que se sofra uma queda, você termina o pedal intacta, sem nenhum arranhão.
  • Volume: esta palavra incorporou muito fortemente no meu vocabulário. O ciclismo de estrada te permite pedalar uma quilometragem alta em poucas horas. No mountain biking a relação distância x tempo é bem diferente, pois tudo depende da dificuldade técnica da trilha. Poder pedalar acima de 100 km em poucas horas é algo que me atrai demais.
  • Pelotão: definitivamente, pedalar em pelotão eleva o seu nível de habilidade de pilotagem da bicicleta. Demanda muito foco, concentração, ritmo e atenção. No pelotão você aprende a mover-se com o fluxo do grupo, e depois de certa experiência logo perceberá que no grupo existe uma dinâmica. Além das vantagens técnicas, pedalar em pelotão cria uma sinergia incrível entre os integrantes. Você consegue perceber a intensão de cada um nos mais rápidos movimentos, seja do ciclista à sua frente ou ao seu lado. É simplesmente eletrizante. Muitas das grandes amizades que tenho começaram literal no vácuo de uma roda.
  • Facilidade de Treinamento: o ciclismo de estrada incorporou à minha vida o importante hábito de treino semanal. Primeiro porque tenho opções de lugares próximos para treinar, e segundo porque na minha cidade há centenas de assessorias esportivas voltadas para o esporte.

Disputa justa com semelhantes

O que selou de vez o meu casamento com o ciclismo de estrada foi sem dúvida alguma a categorização por idade nas provas/competições.

A grande maioria das provas de ciclismo de estrada disponibiliza para as mulheres categorias de idade de 10 em 10 ou de 5 em 5 anos. As de 5 em 5 anos são as mais justas!

Nas provas de mountain biking, em sua grande maioria, esta categorização não acontece. Geralmente na modalidade feminina a categoria é over 30, over 35, over 40. Para mim, que já faço parte da “over 50”, a falta de categorização é totalmente desmotivadora.

Participar de uma prova e competir com ciclistas 10, 15 e até 30 anos mais jovem é muito frustrante. Você chega nas provas tendo que se contentar em conseguir a medalha de participação, mas pódio nem em sonho!

Nestas provas sem a categorização sempre me sentia uma ninguém. Pagava igual a todos, fazia o mesmo esforço, passava pelos mesmos perrengues, mas não tinha os mesmos direitos: de competir de igual para igual, não passava de uma mera figurante! E por conta disto parei de participar das provas sem categorização por idade.

O ciclismo de estrada, por ter uma divisão igualitária, é muito mais estimulante, pois além de poder competir com seus semelhantes, existe a possibilidade concreta de uma conquista de pódio e também a comparação de tempos e desempenho que serão objeto de seus futuros treinos.

Todas as vezes que participei de uma prova de ciclismo de estrada, principalmente das provas que dividem as categorias de 5 em 5 anos, me senti respeitada, valorizada e prestigiada. É um profundo sentimento de existência.

Meu grande amor: pedalar!

Não pense que deixei de gostar do mountain biking e que não pratico mais. Simplesmente descobri uma nova paixão. E se me perguntarem qual dos dois eu gosto mais, certamente a minha resposta será: tanto faz, o que eu gosto mesmo é de pedalar!

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