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Leitura de Mapas

Revista Bicicleta por Antonio Olinto
35.547 visualizações
03/05/2015
Leitura de Mapas
Foto: Ingram Publishing

Obter informações sobre os caminhos que pretendemos fazer em bicicleta sempre ajuda no planejamento de uma viagem. Principalmente em uma região montanhosa, é muito importante saber onde estão as subidas e onde ficam os tops para programar o tempo de conclusão do percurso e saber se conseguiremos chegar ao próximo ponto de abastecimento.

Enquanto viajava pelo Brasil, sempre utilizei os mapas do guia 4 Rodas, era o melhor mapa que podia encontrar, estava bom, pois nesta fase da minha vida eu só andava de moto. Somente quando comecei minha viagem de bicicleta pela Europa é que passei a tomar conhecimento do que seriam bons mapas. 

Não podemos esperar encontrar um guia de cicloturismo de cada caminho que sonhamos percorrer. Muitas vezes só conseguimos encontrar um mapa limitado da área, mas podemos obter muitas informações mesmo com um mapa simples nas mãos.

Fiquei quase seis meses viajando entre Índia e Nepal e todo o planejamento foi feito em cima de um mapa muito simples. Em nossa última viagem pelo Peru, eu e a Rafaela só conseguimos achar um mapa básico e com poucas informações, tendo em vista o grau da nossa aventura.

Gostaria de mostrar os mapas que utilizamos em nossa última viagem e fazer alguns comentários que podem ajudar o cicloturista a tirar o máximo de informação simplesmente observando o mapa.

O indício mais fácil de perceber uma subida é observar se o desenho da estrada faz zigue- zague. Geralmente uma estrada é construída o mais reto possível, ela fará uma volta para desviar de obstáculos grandes como morros e lagos, mas fará zigue-zague só para vencer grandes montanhas.

No mapa 01, observe o caminho que sai de   Yungay, no vale do rio Santa, e sobe para Cordilheira Branca através do passo de Llanganuco, que está a 4.767 metros de altitude. 

Veja que existem dois pontos onde o desenho da estrada faz zigue-zague: logo na saída da cidade e depois já bem perto do topo, do passo, ou seja, do ponto onde a estrada começa a descer, o ponto onde “passa” para o outro lado da serra. Sempre que o desenho faz um zigue-zague a subida é mais íngreme, pois a estrada necessita dar várias voltas para vencer a montanha. Entretanto, você só poderá observar este desenho em mapas com uma escala  grande, ou seja mapas mais detalhados como este da Cordilheira Branca.

Outro indício importante se relaciona com o curso dos rios. A água sempre desce para o mar, então, se observarmos que nosso caminho segue ao lado do rio até sua nascente, saberemos que o caminho sobe com um grau constante de ascendência, como a do rio, que geralmente não é muito íngreme. Se a região for montanhosa e o caminho em algum momento sai do lado do rio e volta mais tarde, pode indicar uma subida íngreme para vencer uma cachoeira ou um cânion, onde não passam estrada e rio juntos; ou ainda como no mapa 02, quando saímos de La Union em direção a   Huánuco. A princípio, o caminho descia o rio com inclinação suave até o ponto onde a estrada saiu do lado do rio, subiu cerca de 500 m para chegar à pequena Pachas, e depois desceu até encostar novamente no rio. 

Às vezes é nítido que a estrada segue pelo rio quase até a nascente, quando abandona este rio e continua descendo por outro rio mais à frente, mesmo que o mapa não tenha nenhuma indicação de relevo, poderemos saber até onde o caminho sobe suave (enquanto está ao lado do rio), onde sobe mais forte (quando atravessa a serra) e onde volta a descer suavemente do outro lado da montanha (quando desce ao lado do rio novamente). Veja o mesmo mapa 02, seguindo no mesmo caminho, depois de passar por Pachas e voltar para o lado do rio Vizcarra, bem no entroncamento, começamos a subir lentamente, costeando o rio Maranhão. Quando finalmente deixamos o rio para seguir o rumo de Chavinillo o caminho subiu e só voltou a descer para encontrar o rio Mito, que segue em direção a Huánuco. 

O que é escala? 
Escala é a proporção utilizada na representação gráfica de um objeto. Um mapa na escala 1:100.000 (lê-se um para cem mil) por exemplo significa que cada 1 cm no mapa equivale a 100.000 cm, ou seja, 1km.

Nosso mapa tinha escala muito reduzida, mesmo assim, uma vez sabendo que ele está em escala, ou seja, a proporção nele é correta, pudemos tirar informações interessantes a respeito da estrada. Escala é a proporção utilizada na representação gráfica de um objeto. Um mapa na escala 1:100.000 (lê-se um para cem mil) por exemplo significa que cada 1 cm no mapa equivale a 100.000 cm, ou seja, 1km.

Voltemos para o mapa 02. Observe a discrepância entre o trecho entre as cidades de Chavinillo e Huancapallac (51 km) e o trecho de Chavinillo até o cruzamento antes de Quivilla (36 km). O mapa mostra uma área percorrida maior para 36 km e uma área percorrida menor para os 51 km. Será que o mapa é desproporcional? Não, já sabíamos que o mapa estava na escala, o fato é que em um percurso andamos em um caminho plano ao lado do rio e em outro atravessamos uma montanha e muitas pequenas curvas que não são percebidas na escala do mapa fazendo a distância percorrida ficar maior numa mesma área no mapa. 

Para compreender melhor, veja os dois detalhes do mapa na imagem 03. Entre as cidades de Mollepata e Pallasca o trajeto tem 31 km. Agora, compare a distância entre Carhuamayo e Junin, com 30 km, que segue no altiplano ao lado do Lago Junin e uma linha férrea linear (dois outros indícios de planura). Depois de ver o mapa veja as fotos dos dois caminhos. Agora dá para compreender bem a razão da discrepância, né?

Acredito que cada um já deve ter constatado, mesmo que empiricamente, algumas destas observações, mas devo lembrar que elas são somente indícios e não regras, quem já viu o DVD dos 7 Passos Andinos sabe que perto de San Pedro de Atacama existe uma estrada praticamente reta com desnível de quase 2.000m. De toda forma acho importante este conhecimento, pois mesmo que você saia de casa com tudo programado, um dia poderá ter que mudar de caminho no meio da viagem e ter que decidir seu novo trajeto só com um mapa bem precário nas mãos.

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