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Il Mio Giro d´Itália

Revista Bicicleta por João Batista Camargo de Carvalho
38.722 visualizações
24/01/2013
Il Mio Giro d´Itália
Foto: João Batista Camargo de Carvalho

Quando eu tive que fazer a cirurgia de ligamento no joelho esquerdo, todos me falaram da importância do trabalho pós-cirúrgico. Aproveitei a deixa para dar um upgrade na minha vida de ciclista.

Posso dizer que sou um ciclista das antigas, mas nestes últimos anos pedalei pouco... Já que a bike é parte da fisioterapia, pensei: “essa é a chance! Vou me presentear com uma bela pedalada na Itália e realizar o sonho de assistir uma etapa de montanha do Giro d’Itália”. Pensei nisso como um projeto, que chamei de Il Mio Giro d’Itália, e o dividi em duas etapas. A primeira seria a cirurgia e a segunda seria a bike.

No começo de janeiro de 2011 operei o joelho. Foram 20 dias sem tocar o chão. Com dedicação total e muita fisioterapia, no trigésimo dia - de muletas - desci na academia do condomínio e fiz dois minutos de ergométrica, com muita dor, pois não tinha movimento ainda. No dia seguinte foram três minutos e assim foi, de minuto em minuto. Quando o médico recomendou começar com a ergométrica eu já estava pedalando 20 minutos. Quando consegui fazer 30 minutos, levei a bike de carro ao Parque Ibirapuera e fiz duas voltas de 3 km no plano. Posso dizer que foi muito difícil. Fui alternando hidroterapia e bike. Quando o médico autorizou pedalar na rua eu já estava percorrendo 40 km, duas vezes por semana. Então, comecei a pensar na segunda etapa.

Com qual bicicleta eu iria? Tenho quatro bikes mas a mais nova é a boa e velha Stumpjumper ano 1990, com a qual a minha esposa, Renata Osório (Nana) correu o segundo campeonato mundial em 1991, na Itália. Conversando com o amigo Cléber Anderson e com os amigos da Shimano, montamos a Alfine 11 by Anderson, essa sim uma bicicleta nova. Agora eu tinha 11 marchas no cubo traseiro e trocador tipo “Rapid Fire” na mão direita. O primeiro dia foi só para acostumar com a ausência de trocador na mão esquerda. Este protótipo é único no Brasil, roda suave, tem marchas bem escalonadas, que podem ser trocadas com a bicicleta parada.

A Viagem

Comecei a viagem às margens do Lago Maggiore, um lugar ótimo para pedalar. Fiquei alguns dias nas belíssimas cidades de Maccagno, onde tenho amigos, e Verbania, que foi local de largada da 20ª etapa do Giro d’Itália. Para dar a volta no Lago Maggiore são cerca de 210 km, que dividi em etapas. Vira e mexe você cruza a fronteira com a Suíça, um luxo. Saí de lá e segui de trem até Meana di Susa, uma comunidade de 900 habitantes que fica no norte da região do Piemonte, aos pés do Monte Bianco.

Cheguei três dias antes da etapa do Giro passar por lá, para poder me ambientar um pouco e fazer alguns “treininhos”. Minha ambição era, no dia da prova, chegar ao Colle delle Finestre, 22 km de subida passando dos 2.000 metros de altitude, sendo metade deste trajeto de terra. Nos dias que antecederam a prova passei pela vizinha Susa, onde as marcas dos antigos imperadores romanos são visíveis. O principal legado são as construções em arco, simbolizando a vitória em batalhas.

Um lindo dia de sol amanheceu. Era o dia em que o Giro passaria por lá. Comecei a subir a montanha por volta das nove horas. A expectativa era de que os corredores estariam no topo mais ou menos às 16 horas. Subi devagar, curtindo o ar da montanha e a chance de estar lá. A subida parecia um enorme passeio de primavera, com pessoas de todo o tipo subindo de bicicleta, a pé, com a família, com o cachorro, etc. A estimativa foi de 60.000 pessoas na montanha. A partir da metade da subida começou a parte de terra, e ainda era possível ver vários blocos de neve. Completei a subida em quatro horas, com pequenas pausas para fotos.

Lá no topo, enquanto aguardo a passagem da prova, é quase inacreditável a beleza da montanha e o verdadeiro mar de gente... Na passagem dos ciclistas, aquele “frenesi”, dava quase para sentir a pulsação dos atletas, realmente emocionante ver tanta gente reunida para um breve espetáculo. Alberto Contador passou em quinto lugar com sua maglia rosa, só controlando os rivais e assim foi até a chegada da etapa, na cidade de Sestriere. Passada a corrida era a hora de descer, e se a subida parecia um enorme passeio de primavera, a descida parecia um downhill de inverno. Cheguei embaixo com as mãos doendo e quase congelando. Para mim, foi realmente um sonho estar em uma etapa de montanha do Giro.

Parti do Val di Susa e fui para Genova, onde encontrei a Renata, minha esposa. Visitamos o famoso aquário e fizemos um giro a pé pelo centro. Seguimos para as vizinhas Recco, capital gastronômica da Liguria, famosa por sua foccacia, e Rapallo, cidade que foi sede da chegada da terceira etapa do Giro, marcada pela morte do ciclista belga Wouter Weylandt. Saímos do litoral e seguimos para as colinas da charmosa Alice Bel Colle, com seus 781 habitantes, zona produtora de vinho que nos serviu de base para visitar Castellania, a menor cidade que já passei, com apenas 86 habitantes. 

Em Castellania visitamos a casa e museu de Fausto Coppi, um dos primeiros heróis do ciclismo dos anos 40 e 50. Impressionante o material de imprensa da época. Se você chegar na cidade e o museu estiver fechado, é só bater na casa em frente e chamar a gentil senhorita Manuela, que prontamente ela lhe abrirá a porta. Eles têm muito orgulho de manter a casa da mesma forma que era e, afinal, é a única atração da cidade, mas vale a visita.

No dia seguinte, fomos para Novi Ligure, ainda na província de Alessandria, para visitar o Museu de Campionissimi, belíssimo, que fala de grandes campeões, principalmente italianos, desde Fausto Coppi a Marco Pantani. Muito mais que a história dos campeões, o museu guarda um grande acervo da história da bicicleta, seu uso no cotidiano das famílias, evolução, possui modelos raros e até polêmicos, com certeza um deleite para quem aprecia.

Seguimos para a região da Toscana, para a cidade de Castelnuovo  Garfagnana, província de Lucca, no Vale del Serchio, aos pés do Alpe Apuane e do Alpe Apennino Tosco Emiliano, região central da Garfagnana. Temos amigos e conhecemos bem essa região, pois há 20 anos passamos uma temporada treinando e participando de competições de mountain biking na região. Renata era atleta profissional e na época nós saíamos de Castelnuovo Garfagnana e subíamos até San Pellegrino in Alpe, mas agora fazer esse percurso seria um grande desafio para mim. Passando em Passo delle Radici são 28 km de subida. Precisei de um pouco mais de quatro horas para superar. No topo, a diferença de temperatura é de 14 graus a menos.

Renata precisava retornar ao Brasil, então aproveitamos o tempo que ainda tínhamos para conhecer Veneza e Milão, que apesar de ser a metrópole que é, tem muitas bicicletas nas ruas, inclusive com vários pontos com as bikes comunitárias para locação.

Quando Renata viajou, eu ainda pedalei por terras de Pienza, Montepulciano, Montechielo, Buonconvento e a famosa Siena, onde acontece a tradicional festa do Palio, uma corrida de cavalos pela praça. Após um banho de Toscana, segui para Roma, onde é meio caótico para pedalar, mas com certeza muito mais suave que qualquer grande centro brasileiro. Conheci o Vaticano, Coliseu, Foro Romano, Fontana di Trevi, Piazza di Spagna. Fiquei três dias na cidade, bem no meio do mês de julho, no auge do verão, com um calor de 40 graus. Ainda bem que há as fontanas para se refrescar.

No total, foram 1.300 km pedalados. Il mio Giro d’Itália é finito, mas esses quilômetros rodados e a emoção de estar em uma etapa do Giro é inesquecível.

Dicas para cicloviagem na Itália

A melhor época para viajar à Itália é fim de maio a junho, começo do verão, com temperatura amena e pouca chuva. Em julho e agosto é o auge do verão, que coincide com as férias escolares e, portanto, tudo fica mais movimentado e caro. Setembro também é bom, mas chove mais.

Hospedagem em Catelnuovo  Garfagnana

B&b Il Ciule

Fone: (39) 0583 – 62643

Informações sobre museus visitados

www.museodeicampionissimi.it

www.faustocoppi.it

Agradecimentos na Itália:

Prefeitura de Meana di Susa, prefeita Adele Cotterchio. Às famílias Santini, Rubbi e Fasolo, que me receberam em seus lares.

É permitido embarcar e viajar de trem com a bicicleta montada, pela Itália e outros países europeus. Você paga € 3,50 para viagem nacional e € 12,00 para viagem internacional. A bici só não é permitida nos trens de alta velocidade. Normalmente, no último ou no primeiro vagão vem pintada uma bike que, supostamente, é para as bicicletas... Mas é melhor falar com o controlador. Em cidades muito pequenas é comum não ter bilheteria na estação e nem um bar, nestes casos, você tem que ir direto ao controlador do trem. Você pode consultar no site www.trenitalia.it, mas é aquela coisa: lembre-se de que se trata da Itália...

Se você pretende explorar a Toscana, começando pela região da Garfagnana, a dica é ficar em Castelnuovo Garfagnana, pois está aos pés dos Alpes Apuane e Apennino Tosco Emiliano, e há poucos quilômetros das cidades de Lucca, Pisa, Viareggio e Firenze, com fácil acesso de bicicleta ou de trem.
Para visitar a região de terras de Siena, a dica é se hospedar na pequena e bela cidade de Buonconvento, com 3197 habitantes. Por ser menos famosa, é mais tranquila e está localizada bem no meio dessa região.

Apesar das cidades serem pequenas, você sempre encontra acomodação. A dica é procurar pelos B&b, pequenos hotéis familiares. Também procure por agriturismo, versão rural do B&b normalmente administrado por uma família e com opções de compra de produtos típicos e sempre com ótima culinária.

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