REVISTA BICICLETA - Histórias na garupa
MPRO
Lube Cera Premium

O Portal
da Bicicleta

SHIMANO
Revista Bicicleta - Edição 85

Leia

Revista
Bicicleta



+bicicleta - Ideias - Infantil

Histórias na garupa

Conheça a Cia Cabeça de Coco, um projeto sustentável e de ação social, idealizado desde 2006 pelo teólogo curitibano Abel Domingues Souza e seu filho Gabriel de Araujo Souza. Seu principal objetivo é realizar apresentações de teatro de bonecos gratuitamente em hospitais, asilos, orfanatos, aldeias indígenas, lares de abrigo infantil e comunidades carentes, visando alcançar especialmente crianças que não tem acesso a salas de cinemas, shoppings, museus e peças teatrais.

Revista Bicicleta por Anderson Ricardo Schörner
2.202 visualizações
27/12/2015
Histórias na garupa
Foto: Marcia Regina Araujo Souza

Uma bicicleta cargueira, alguns bonecos com cabeças de coco e boas histórias na garupa. É com estes apetrechos que Abel pedala distribuindo sorrisos e sonhos para crianças, comunidades ou grupos de pessoas com menos acesso à cultura. A Cia Cabeça de Coco viaja diversas distâncias levando sonhos e esperanças em uma velha e companheira bicicleta. 

O projeto é sustentável porque os bonecos são confeccionados de materiais reciclados. A cabeça é feita de casca do coco-seco, o que originou o nome da companhia, e o corpo e demais detalhes são construídos com diversos materiais: tampinhas de garrafa e bolinhas de gude se tornam olhos, retalhos de fio viram cabelos, panos velhos compõem o corpo.

Em outubro, a Secretaria de Educação do Paraná reconheceu o projeto como Arte Paranaense. O projeto também ganhou reconhecimento internacional na Inglaterra, França e Espanha, pela UNIMA – Union Internationalle de la Marionnette, organização afiliada da Unesco, e Federación España – Comisión de Intercambio Cultural.

Abel conta que, no início, comprava os bonecos prontos para encenar, mas várias vezes as crianças pediam como elas próprias poderiam fazer aquele teatro. “Por isso resolvi aproximar o projeto ainda mais do público-alvo, e a solução foi trabalhar com materiais recicláveis. O que é lixo para uns, vira boneco no nosso projeto”, diz. Desta forma, além de oferecer arte, diversão e esperança através dos espetáculos teatrais, Abel também realiza oficinas de criação de bonecos, de onde possam sair multiplicadores dessa ideia.

O público se encanta com os movimentos e sonoridade dos bonecos, que ganham vida enquanto Abel e Gabriel estão atrás das cortinas. Quando a apresentação começa, as crianças mantêm os olhos bem fixos no pequeno palco onde a magia acontece. As crianças se emocionam, viajam e interagem com os bonecos. “Percebi que as crianças queriam participar da história”, diz Abel, “então, hoje, são elas quem constroem na hora o que vai acontecer durante o teatro. Os olhos ficam fixos e no momento certo elas ajudam a inventar a trama”.

Dentre os locais que os bonecos cabeças de coco já se apresentaram estão a aldeia no Aterro da Caximba, em Curitiba - PR, a tribo Guarani, em Piraquara - PR, e os Xavantes, em Nova Xavantina - MT. Lugares por vezes esquecidos são o destino principal deste trabalho voluntário. Dentre tantas experiências, Abel descreve uma que lhe marcou: “lembro-me de uma tribo indígena em que, ao final do teatro, as crianças começaram a me fazer carinho”. 

Essa vontade de ajudar vem de longa data, pois Abel já participava de ações sociais desde os 17 anos, especialmente na época natalina. “Mas eu queria fazer um projeto constante e democrático”, diz ele, “não apenas no natal, e por isso resolvi criar o teatro de bonecos. Sabemos que nossa atitude é simples e não vai mudar a triste realidade de nossas crianças, porém, a magia e o encanto do teatro de bonecos pode sim fazer alguma diferença na vida de todos que assistem ao espetáculo. É indescritível, simplesmente fantástico poder doar um pouco de si, do seu tempo àqueles que mais estão precisando de carinho, atenção e apenas um pouco de diversão e alegria”.

A escolha pela bicicleta também está em sintonia com a essência do projeto. “A bicicleta é um veículo simples, não poluente, que incentiva a prática do esporte e fala mais a realidade das comunidades carentes. Dependendo do local de apresentação, já pedalamos 5 km, 20 km, e o mais distante até hoje, 57 km. Através do nosso projeto podemos provar que é possível ir muito longe pedalando uma velha bike, e que podemos fazer muitas coisas com tão pouco”, celebra Abel.

A Cia Cabeça de Coco é mais um projeto que transforma uma ideia simples e sustentável em uma experiência única, lúdica e democrática. E não haveria um meio de transporte melhor para traduzir estes princípios do que a bicicleta. 

Comentários Facebook
Comentários
Nenhum comentário. Seja o primeiro a comentar.

Para postar seu comentário faça seu login abaixo.

E-mail
Senha

 

Cadastre-se Aqui | Esqueceu a senha?

Edições On-lineCadastre-se Esqueceu a senha?
E-mail
Senha
Revista Bicicleta 2012 © Todos os Direitos Reservados