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Expedição Via Cláudia Augusta

Revista Bicicleta por Renato Perim
35.599 visualizações
21/03/2015
Expedição Via Cláudia Augusta
Foto: Renato Perim

O primeiro contato que tive com a “Via Claudia Augusta” foi por meio de uma reportagem realizada pela Renata Falzoni e Paulo de Tarso. Cicloturista amador, com algumas poucas viagens em Minas Gerais e outra no Vale Europeu, a ideia de atravessar os Alpes em uma ciclovia construída em uma estrada do império romano soou como um sonho distante, inclusive geograficamente. 

Mal podia imaginar que algum tempo depois estaria eu, na companhia da minha esposa Liliane, embarcando de Belo Horizonte para a Alemanha. Na bagagem nenhuma mala, apenas alforjes e bicicletas!

A decisão de fazer o caminho veio por acaso, quando olhava passagens áreas para Fernando de Noronha e percebi que, com o dólar baixo, o custo era praticamente o mesmo de ir para a Europa. Sem hesitar, comprei as passagens de ida e volta e num lapso de um minuto já estava definida minha sonhada viagem. Como últimas (e únicas) ações de planejamento, baixei a trilha no GPS e reservei a pousada do dia de chegada em Füssen-ALE (local de partida). O resto ficou em aberto. É tudo questão de perfil, mas particularmente prefiro cicloviagens com menos participantes e sem definição prévia de roteiro. Perde-se em comodidade, mas se ganha em versatilidade e liberdade. 

Voltando à Via Claudia, embarcamos com as bikes em Belo Horizonte e chegamos em Munique. Lá chegando, pedalamos pela cidade, que é moderna, com lindos parques e bicicleta para todos os lados, e logo pegamos um trem para Füssen, pois a ansiedade era grande para iniciar a travessia.

A Via Claudia inicia-se em Donauwörth, na Alemanha, e passando pela Áustria e Suíça, finda na Itália onde se ramifica em dois caminhos, um que leva a Ostiglia e outra a Veneza. Como o tempo era curto, seis dias, optamos por fazer o trecho de Füssen - ALE a Feltre – ITA. 

Iniciamos o pedal e já nos primeiros quilômetros a sensação era de êxtase. Tudo que lemos e ouvimos era pouco perto da sensação de pedalar em um cenário tão perfeito. A ciclovia, em grande parte cercada de flores, margeava as montanhas imponentes, cruzando fazendas e pequenos vilarejos. Projetado há milhares de anos, o trajeto da estrada otimizou os vales da região e mesmo pedalando em elevadas altitudes, a maior parte do caminho é plano, o que contribuía bastante para o desenvolvimento da viagem.

Sem hotéis reservados, parávamos quando tínhamos vontade. Em alguns lugares, pela chegada da noite. Em outros, pelo simples encanto do local. Em nenhum deles tivemos problemas com hospedagem, os “Bed and Breakfast” (casas familiares que alugam quartos) estão aos montes ao longo do trajeto e, além do aconchego e bom preço, nos deram a oportunidade de um contato mais próximo com o povo local.

No segundo dia, o único de chuva, o mau tempo nos forçou a parar precocemente em Prutz - Áustria, aos pés do monte Fiss. Na manhã seguinte, arriscamos uma visita ao topo nevado da montanha por um bondinho e lá fomos abençoados com uma linda nevasca. Isso às vésperas do verão europeu!

Pernoitamos também em outros lugares fantásticos, como Glorenza, vila medieval murada, Trento, famosa pelo concílio de mesmo nome do século XVI, e Bolzano, onde visitamos os imperdíveis museus Otzi e Mesner. Sempre saboreando, ao final do dia, a deliciosa culinária, cerveja e vinhos locais!

Ao contrário dos grandes centros turísticos, nestes pacatos lugares alpinos o brasileiro é algo novo, exótico, que é sempre recebido com um entusiasmado “Uauuu, Brasillll?!”. Apesar de inúmeros outros cicloturistas, o interesse e curiosidade por nós eram enormes. Outro detalhe que chama atenção é o respeito e infraestrutura para o ciclismo. É triste a constatação, mas neste aspecto, estamos a anos-luz dos europeus. 

Ao final do percurso entre a Via Claudia e explorações alternativas, atingimos 500 km de pedal, em seis dias, partindo de Füssen – ALE, e com escala nas seguintes cidades: Tarenz - AUS, Prutz - AUS, Glorenza - ITA, Bolzano - ITA, Trento - ITA, chegando em Feltre - ITA, onde pegamos um trem de uma hora para um merecido dia de descanso na maravilhosa Veneza. 

Sem dúvida, a melhor viagem que já fizemos, principalmente por cumpri-la sobre uma bicicleta, o que possibilitou uma simbiose silenciosa, quase meditativa, com todos os mínimos detalhes geográficos, culturais e históricos da região. Sentimento que só quem um dia viveu a experiência de viajar livre, na companhia de uma bicicleta, pode entender.

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