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Estrada Real - Caminho dos Diamantes

Revista Bicicleta por Antonio Olinto
49.324 visualizações
19/11/2016
Estrada Real - Caminho dos Diamantes
Foto: Rafaela Asprino

Conforme vimos na edição número 21 desta revista, o projeto Turístico Estrada Real dividiu alguns caminhos oficiais em três principais vias. Já falamos sobre o Caminho Velho e agora gostaria de comentar algo sobre o chamado Caminho dos Diamantes.

No ano de 1726, muito do ouro existente na aluvião dos rios já havia sido descoberto. Tomando-se como epicentro da descoberta a região entre Ouro Preto e Sabará, a produção aurífera diminuía à medida que desta área se afastava, mas, mesmo assim, a fé dos mineradores mantinha-os trabalhando até em regiões remotas.

Foi numa dessas áreas ao norte, no alto da Serra do Espinhaço, a quase 400 km de Ouro Preto, em Tijuco, atual Diamantina, pequeno distrito de Serro Frio, onde a produtividade de ouro já era baixa e só os últimos colocados na corrida do ouro se dignavam a trabalhar, que foi feita uma nova descoberta.

Apontam como sendo Bernardo da Fonseca o primeiro a perceber que aquelas pedrinhas duras que as pessoas costumavam utilizar para contar os pontos no jogo de cartas eram, na verdade, diamantes brutos. Acabava de ser dada a largada de uma nova corrida, só que desta vez a Coroa Portuguesa estava muito mais bem posicionada que na corrida do ouro.

Com tantas tropas de animais passando pelos caminhos, seria fácil transportar clandestinamente altos valores em diamantes. Para ter uma ideia, toda a produção oficial de um ano cabia em uma única caixa que era escoltada por somente dois soldados de cavalaria e quatro a pé. A Coroa Portuguesa não teve dúvidas, pulou como um leão feroz e simplesmente tomou conta da região do Tijuco para explorar sozinha toda a riqueza. A carta régia de 16/03/1734 obrigou a retirada dos antigos moradores e a metrópole começou a exploração exclusiva feita através de contratadores. Restrições severas foram impostas aos caminhos que seguiam para Tijuco, implantou-se policiamento ostensivo como quem guarda um cofre cheio de riquezas.

Como todos sabem, o mercado opera sempre respeitando as leis da oferta e da procura. O sistema que imperava na época era o Mercantilismo, onde os metais e pedras preciosas moviam a economia de todas as potências da Europa. Mesmo com essa hipervalorização, após a descoberta de diamantes no Brasil, o valor do quilate baixou cerca de 75 % no mercado mundial.

A partir da cidade de Serro, o viajante da época entrava no chamado “Distrito do Diamante”, uma região tão proibida como foi o Tibete ou o Butão algumas décadas atrás. Somente com autorizações e sob intenso controle os forasteiros poderiam circular.

A originalidade do caminho foi muito bem preservada devido a estas restrições que duraram cerca de 100 anos. Com a mudança da capital para Belo Horizonte, a ferrovia foi feita do lado oeste da Serra do Espinhaço preservando ainda mais o Caminho dos Diamantes, que é do lado leste do Espinhaço.

Atualmente, a mineração de ferro está trazendo o desenvolvimento para a região e muitos caminhos estão sendo asfaltados, mesmo assim, cerca de dois terços do Caminho dos Diamantes ainda é de terra.

Em nossas pesquisas para realizar o guia de Cicloturismo Caminho dos Diamantes (para ciclistas e caminhantes), procuramos dar várias opções de viagem, cortar caminhos e rotas de fuga, a fim de ajudar o viajante alternativo a planejar melhor sua viagem. Como na região perto de Ouro Preto existem muitas possibilidades de caminho, no guia existem opções para realizar uma viagem mais curta ou mais longa.

Seja qual for o pavimento dos atuais caminhos, durante quase todo o circuito a tranquilidade mineira impera e o viajante que olhar para cima verá as mesmas montanhas que nortearam os primeiros exploradores.

Uma parte de toda a riqueza ficou no solo onde brotou, mas não é cotada na bolsa de valores conforme o preço da onça-troy, mas sim pelo apreço a monumentos e até cidades inteiras tombadas pelo Patrimônio Nacional e Mundial.

Convidamos o viajante do século XXI a conhecer estas riquezas percorrendo o caminho antigo entre dois Patrimônios da Humanidade, Ouro Preto e Diamantina.

Guia

No Guia Estrada Real Caminho dos Diamantes para Ciclistas e Caminhantes você encontrará todas as informações necessárias para planejar e percorrer o Caminho dos Diamantes, desde o treinamento, preparação, alimentação, equipamentos etc. O viajante poderá escolher em qual sentido prefere realizar o trajeto: Ouro Preto à Diamantina ou Diamantina à Ouro Preto. São 138 páginas, sem propagandas, mais um encarte em papel reciclado, 22 gráficos com o perfil altimétrico de todo o caminho, 426 km de percurso detalhados em 42 planilhas minuciosas, 25 mapas de cidades e localidades que irá atravessar, seis mapas regionais específicos e um mapa geral de todo o circuito, sempre apoiando seu percurso e planejamento para que tenha mais liberdade de escolha e autonomia, inclusive com sugestões de rota de fuga e atalhos. Conforme a disponibilidade de tempo o viajante poderá optar por reduzir o circuito tomando atalhos e concluir o circuito em 373 km.

Assista o trailer do DVD e confira um pouco das belezas do Caminho dos Diamantes:

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