REVISTA BICICLETA - Estrada Graciosa - Paraná
THE POWER OF THE PRO
Pneus Kenda

O Portal
da Bicicleta

Bicicleta Sense a partir de R$ 2.765,00!
Revista Bicicleta - Edição 68

Assine

Revista Física
Revista Virtual



+bicicleta - Roteiros - Brasil - Sul

Estrada Graciosa - Paraná

Revista Bicicleta por Claudenir Coelho Cavalari
36.796 visualizações
14/02/2013
Estrada Graciosa - Paraná
Foto: Claudenir Coelho Cavalari

O painel do carro que me conduziu ao portal da Estrada da Graciosa indicou 15 ºC, piscou e meio segundo depois marcou 7 horas e 28 minutos de uma manhã de primavera sem sol e uma neblina densa. Seu Alípio, o condutor, aparentava não menos que 70 anos, cabelo denso e bem grisalho, bigodes amarelados, pigarreava a cada instante. Perguntou a minha origem, em seguida disparou várias histórias a cerca de sua brilhante carreira de taxista. Foram tantas que ao longo dos 50 quilômetros adormeci, porém, com os olhos bem abertos, pois ao volante, seu Alípio não tinha a mesma destreza quanto nas histórias. Desci a bike do porta-malas, paguei, seu Alípio pigarreou pela última vez e desapareceu deixando no ar um forte hálito de cigarro.

Para falar sobre a Estrada da Graciosa é preciso muita intimidade com as palavras, aliás, o próprio nome já diz tudo, o silêncio é absoluto, os pássaros, os bichos, as flores, as borboletas, os beija-flores, todas essas belezas deixam até as curvas sinuosas fazerem parte do espetáculo. Aqui, ao pé da Serra do Mar, os decibéis estão muito perto do zero, os estalidos das folhas secas caídas ao chão fazem um estrondo ensurdecedor.

Porto de Cima (é chamado aqui por Pordissima) é um povoado com não mais de dois mil habitantes. Está cravado em meio à Mata Atlântica desde antes do século XVIII. Corre pelos bares da vida que seu apogeu se deu nas primeiras décadas deste século, em decorrência da forte cultura da erva-mate. É aqui que na alta temporada os turistas têm acesso às correntezas do Rio Nhundiaquara para as decidas de boia-cross.

Levanto o cálice de vinho acima da minha cabeça, agradeço ao pai criador pelo trecho percorrido, pouso-o na mesa coberta por uma toalha de estampa quadriculada de vermelho e branco. Ele queima meus lábios, parece rasgar meu esôfago e explode no meu estômago. De vez em quando um turista passa feliz e lentamente boiando sobre as mansas águas do velho Nhundiaquara.

Morretes a Guaraqueçaba

O trecho entre Morretes e Antonina é contemplado por um asfalto bem conservado e amplo acostamento, não exige muito esforço e são 35 km agraciados por uma altimetria quase linear. É o momento preferido por qualquer ciclista, permite pedalar no ritmo mantra (zum...zum...zum...). Antonina a Tagaçaba é completamente oposto, as vozes espremidas dos cantores sertanejos exalam das poucas e humildes casas ao longo da trilha. O céu cheio de nuvens, cor de tempestade, tudo assusta qualquer aventureiro. Já passando da metade do trecho da trilha, a floresta densa não permite um minuto se quer a paisagem aparecer no horizonte, as subidas e descidas mais parecem o topo do vulcão e isso deixa a viagem um tanto monótona, mesmo assim me sinto como: "mundo, aqui vou eu".

A tecnologia passou longe de Tagaçaba. Televisão? Só Luciano Huck (bem chuviscado). Existem pequenas hidroelétricas que distribuem energia, a que contempla Tagaçaba não é das melhores, a luz cai a cada instante. O Ministro das Cidades jamais irá a Tagaçaba, o prefeito, acho que nunca foi, vereadores, sabe-se que existem, mais ninguém os vê, as leis são traçadas pelos próprios habitantes (se um dia estiver por lá, obedeça-as). Cansado, adormeci ao som de trovões e clarão de relâmpagos. No fim da madrugada, meio dormindo, não sabia se contemplava ou odiava os estalidos da chuva no telhado que caiu forte durante toda a madrugada.

Mergulhei novamente no cascalho, agora molhado. O barulho da chuva inibe o silêncio da floresta e se mistura com as águas que correm pelas fendas das rochas e o atrito do pneu da bike no cascalho.

Guaraqueçaba é agraciada por uma praça de frente para o mar. Na visão panorâmica dos olhos é impossível alcançar os inúmeros golfinhos que levantam as barbatanas para enriquecer as tardes cor de ouro da cidade. Depois de desfazer a fome em uma cabana quebrada, encontrei um grupo de cinco cicloturistas que também fariam o trajeto comigo.

Terra, Mar e Ar

Apesar das águas crespas do Atlântico, uma chalana desliza suavemente com não mais de 30 passageiros e nos leva a Paranaguá.

As pontas do laço do passeio se encontram em Morretes. Ali fechei o circuito de bike e comecei uma nova aventura. Pesão, assim chamado pelos colegas, encarregou-se de acomodar a bicicleta no vagão de cargas. Pesão é um menino destemido e muito humorado. Disse-me ter três grandes paixões na vida: a sua mãe, o Corinthians, e a principal é sua bicicleta: ele também adora mountain bike. Foram três horas de viagem até Curitiba, 13 túneis, centenas de pontes, paisagens exuberantes, turistas de todos os lugares.

Curtiu esse post?

Quer receber mais conteúdo sobre bicicleta e ciclismo em sua casa? Então clique aqui conheça nossas ofertas de assinatura.

Comentários Facebook
Comentários
Nenhum comentário. Seja o primeiro a comentar.

Para postar seu comentário faça seu login abaixo.

E-mail
Senha

 

Cadastre-se Aqui | Esqueceu a senha?

Edições On-lineCadastre-se Esqueceu a senha?
E-mail
Senha
Vídeos

 

 

Para fechar o banner, clique aqui ou tecle Esc.

Revista Bicicleta 2012 © Todos os Direitos Reservados