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Elas não podem!

Em agosto de 2012, as mulheres conquistaram o direito de pedalar nas áreas urbanas da Coréia do Norte. Mas a conquista teve fim no dia 10 de janeiro de 2013.

Revista Bicicleta por Anderson Ricardo Schörner
35.134 visualizações
14/08/2013
Elas não podem!
Foto: Joseph A Ferris (americaninnorthkorea.com)

Autoridades da Coréia do Norte reintroduziram a proibição e tornaram a punição mais rigorosa: se antes a mulher era multada, agora a bicicleta pode até ser confiscada.

A primeira proibição foi nos anos 1990, decorrente do fato da imagem da mulher pedalando ser contra o costume e a moral socialista, embora a alegação das autoridades tenha sido os acidentes provocados por elas no trânsito.  

Agora, um momento de lazer, passeio, mas principalmente a utilização de um veículo de transporte muito útil em um país que quase não tem carros e motos está proibida para elas. Levar as crianças na escola ou carregar as compras já não pode mais ser feito através da bicicleta, o que interfere diretamente na vida das norte-coreanas.

E aqui, pode?

Quando nos deparamos com uma notícia assim, imaginamos que por aqui, no Brasil, está tudo bem. Mas vamos dar um rolê para ver que a coisa não é bem assim.

Isso faz refletir sobre a incessante luta pela igualdade de direitos entre os gêneros. Em breve estaremos celebrando o Dia Internacional da Mulher, em 08 de março, data marcada por um ato covarde e brutal. Nesse dia, no ano de 1857, operárias de uma indústria têxtil de Nova Iorque fizeram uma greve, ocupando a fábrica para reivindicar melhores condições de trabalho. O salário delas muitas vezes não representava nem 1/3 dos salários dos homens na mesma profissão, a carga horária chegava a 16 horas por dia, dentre outras situações calamitosas. 

É fato que homens e mulheres têm suas diferenças. Geralmente, elas são mais polidas e agradáveis, possuem qualidades que as tornam eficientes em qualquer profissão. Em um processo demorado de lutas e vitórias, as mulheres estão conquistando uma participação social mais atuante, o que resulta em uma participação mais atuante também na mobilidade. Elas, além de executoras de serviços domésticos, têm buscado formação educacional, trilham carreiras profissionais, assumem cargos políticos, envolvem-se com a sociedade e isso resulta na necessidade de se locomover, seja a pé, de carro, transporte público ou bicicleta.

Nesse processo, porém, o trânsito tem apresentado diversas dificuldades para elas. As mulheres sentem e entendem o fluxo diferente do que os homens, mas são obrigadas a enfrentar o sistema viário criado por eles e para eles. Conforme muito bem analisado pela Viaciclo - Associação dos Ciclousuários da Grande Florianópolis, no relatório A Mulher e a Bicicleta na cidade: sentimentos e aspirações de florianopolitanas, "ao irem às ruas, as mulheres usufruem de um conjunto de instalações, mecanismos e organizações elaboradas principalmente pelos homens, que historicamente foram a imensa maioria nas urnas, com a chave do cofre e sobre as pranchetas da gestão urbana e do mercado que lhe determina. Assim sendo, não é de se estranhar que a especificidade de uma representação e de uma postura feminina em relação à mobilidade seja influenciada pela estrutura consolidada e que eventual mudança com a efetiva influência da feminilidade somente ocorra com o passar do tempo".

Outra dificuldade enfrentada pelas mulheres é que elas são mais vulneráveis no espaço público, o que impacta a maneira como escolhem o seu meio de transporte. Mulheres prezam mais pela segurança. Conforme publicamos na última edição, a Comunidade Científica Americana, por exemplo, mede o quanto uma cidade é amiga da bicicleta pela porcentagem de mulheres que optam por pedalar. Elas são o termômetro para avaliar se as vias para os ciclistas se demonstram seguras.

O assédio talvez seja o problema mais chato que elas enfrentam. Abordagens inapropriadas e invasivas, sejam através de palavras, gestos e algumas vezes até contato físico, inibem e afetam muitas mulheres. Seja de bicicleta, a pé, transporte público ou até mesmo em um carro, o assédio é um fator de desestímulo para elas. Uma situação muito difícil e desagradável, pois quando reagem à abordagem, ainda são criticadas e até culpadas por eventuais reações.

Não há lei que proíba mulheres de pedalar no Brasil, o que não significa dizer que há condições para que elas optem pela bicicleta como e quando gostariam. Apesar de todas as mudanças em curso, ainda enfrentam uma sociedade machista e preconceituosa, que não lhes assegura a liberdade de, enfim, ocupar com dignidade o seu lugar de cidadã que contribui para a construção de uma cidade melhor.

Parabéns a todas as mulheres por continuarem acreditando e persistindo na mudança que resultará em um convívio social mais harmônico.

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