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Dos bem-vindos confrontos

Estava claro que o maior desafio daquela travessia não seria físico, embora o sobe e desce das montanhas impressionasse. Quase dois mil quilômetros atravessando três países de línguas e culturas tão diferentes da nossa que compreender toda aquela complexidade, tentando se es-quivar dos preconceitos que trazíamos do ocidente, demandava uma energia bem maior do que a que queimávamos nas pernas.

Por Ernesto Stock
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21/12/2016
Dos bem-vindos confrontos
Ernesto Stock

Compramos as bicicletas em Hanoi, a cidade mais intensa do mundo. Daquele privilégio que é “ame ou odeie”. Privilégio. O que talvez fosse bicicleta um dia, hoje são milhões de pequenas motos e scooters que trafegam sem nenhuma regra, como um enxame enfurecido de abelhas. Nenhum acidente. Talvez as regras não fossem tão óbvias quanto as nossas. Ou mais. Nossa lógica, inquestionável, posta em cheque na primeira rua. Negociamos os preços escrevendo os números em um pedaço de papel. Duas bicicletas chinesas, com relações Shimino.

A Indochina é uma península que se espreme entre dois universos poderosos e fascinantes. A China ao norte e a Índia, a oeste. Sudeste asiático. E não poderia ser diferente. A força destas referências, misturadas, garante a exuberância e a excentricidade, quando do alto da nossa arrogância ocidental, juramos ser o centro.

Nosso plano era partir da cidade de Sapa, norte do Vietnã e seguir para oeste, beirando as montanhas de uma escarpa sudeste do Himalaia, Hoang Lien, atravessar o Laos e terminar em Chiang Mai, norte da Tailândia. A região que escolhemos pra começar nossa travessia já valia uma vida inteira. Uma profusão inacreditável de cores e minorias éticas espalhadas pelas serras. Passamos cinco dias na cidade com a conveniente desculpa de preparação e, se não fosse a imensa vontade de pedalar, poderíamos ficar ali alguns meses sem nunca parar de se surpreender.

Era ano novo chinês, Têt. Ano 4712. Ano da cabra. Vermelho e dourado. Muita festa, comida e álcool de arroz. Happy Water, segundo tradução livre. O primeiro jantar do ano foi na casa da Tsú, uma mulher Hmong de cerca de 30 anos, três filhos, 1,40 m de altura, doce demais e forte como um touro. Carregava dezenas de quilos de lenha nas costas, além dos filhos. Bebia e trabalhava mais do que o marido e o sogro. Tinha as mãos marcadas de azul. Sempre. Do mesmo tom das roupas, tingidas com folhas de Índigo.

Preparou a comida em uma fogueira no meio da sala e espalhou um banquete em pequenos potes de cerâmica. A família toda se reunia em volta da mesa. Consequência das festanças milenares e do “arroz”, a Dreza sofria de dor de cabeça. Mesmo tentando disfarçar o desconforto, foi descoberta. Tsu tinha uma solução infalível para aquele conhecido mal-estar. Um chifre oco de cabra, um pouco de carvão em brasa e um cuspe garantiram a pressão crescente que aumentava à medida que o artefato fora grudado na testa da Dreza, que agora mais parecia um unicórnio. Vinte minutos seriam suficientes para que a dor estancasse. Passados dez minutos, arranquei o chifre que se prendia tão fortemente à cabeça dela que parecia fazer parte do seu corpo. Uma marca roxa saliente, do tamanho de uma bola de tênis de mesa, a acompanhou por mais de dez dias. A dor de cabeça desapareceu.

Na manhã da nossa partida, as crianças ganharam sapatos novos da avó, que morava há alguns quilômetros. Calçados e vestidos impecavelmente com as roupas da tribo, seguiram para agradecer o presente. Em pouco tempo o cuidado com os sapatos sucumbiu à lama. Como deve ser. O pneu das bicicletas afundava em companhia. Era dia 28 de fevereiro e aproveitamos o cortejo para, finalmente, começar. Pelo meio. A dor de cabeça, que agora era minha, desapareceu na primeira subida. Vinte e cinco quilômetros morro acima, até a conveniente “cachoeira dos amores”.  Suava álcool de arroz. Aproveitamos para fazer uma pequena trilha de uma hora e pouco até uma queda maior dentro do parque nacional do Fanzirpan, maior pico da região.

Descida. E como a esmola era demais, logo nos primeiros quilômetros de mais de 20, comecei a ter problemas com o meu freio, que, obviamente, não funcionava direito naquela inclinação e com todo aquele peso. Shimino. Parei algumas vezes para ajustar, regular e apertar sem muito resultado. Acabamos levando para descer o mesmo que gastamos para subir.

Invadido pelos japoneses, franceses, dividido em dois na Guerra Fria e reunificado com a derrota das tropas americanas em 1975, sob o comando de Ho Chi Mihn, o Vietnã conta hoje com um território de mais de trezentos mil quilômetros quadrados e uma população de mais de noventa milhões de habitantes. Um país comunista, conhecido dos ocidentais por conta das agressões impostas pelos norte-americanos, que não são mexicanos e canadenses, tão distorcidas e romantizadas nos filmes de Hollywood. As cicatrizes estão em toda parte. As marcas da guerra podem ser percebidas em todos os cantos. Crianças ainda sofrem os efeitos do agente laranja. Homens mutilados exibem marcas do confronto para turistas vestidos de soldados.

As cidades se sucedem misturando a vivacidade e o colorido dos mercados com a apatia de algumas quase desertas, novas, com grandes e imponentes prédios do governo. Bandeiras do país e do partido comunista ocupam ruas e estradas. E caminhões chineses. O vermelho e o amarelo estão por toda parte. Todos nos saudavam, riam da minha barba e da minha bermuda de ciclista e nos desejavam força. Alguns pediam para tirar uma foto. Nenhuma dificuldade equivalente às subidas. Aprimoramos as mímicas. Quase 500 km, grande parte deles percorridos às margens do Rio Da. Três hidroelétricas chinesas em construção e um rio lindo à beira da morte. Os pescadores, que há muito sabiam pescar, já não podem mais. A geladeira parece mais importante do que o peixe fresco.

Última parada antes da fronteira. Uma senhora de uns 80 anos nos acena e, com as mãos, nos convida para entrar. Aceitamos o convite. Fora os sorrisos e algumas mímicas, não trocamos uma palavra. Nos mostrou as fotografias da família, em molduras coloridas, posadas, que decoravam as paredes de madeira. Tecidos coloridos. Uma típica árvore decorada para o ano novo, com galhos secos, pequenas flores rosas e luzes piscando. Ofereceu chá e comida. Alguns doces que recolhia debaixo da árvore. Antes de partirmos, nos deu três pacotes de arroz caramelizado, embrulhados em papel de presente. A delicadeza era dos gestos e não dos excessos. Era da prática. A vida exigia a dureza do corpo. A história esculpia. O sorriso derretia toda aquela fortaleza. Assim como o Vietnã.

Dos limites sem sentido

Atravessamos a fronteira com o Laos partindo da cidade de Dien Bien com destino a Tay Trang. Atravessar fronteiras de bicicleta faz com que os limites pareçam bem mais ridículos. Os vistos podem ser obtidos no posto de fronteira distante 40 km da última cidade do Vietnã. Sem burocracias. O comunismo e a influência chinesa continuam presentes nas cores e nos caminhões. Os sorrisos brotam com a mesma facilidade do visto. Oitenta porcento da população vive na zona rural. A aparente pobreza de bens de consumo perde o sentido quando confrontada a um modo de vida sustentável e familiar, onde as tarefas são distribuídas de maneira natural e sem culpa. Os teares estão em toda parte. Bichos da seda. Mulheres colhem palhas e plantas das matas que margeiam a estrada. Fibras.

A República Democrática Popular do Laos é um pequeno país de sete milhões de habitantes e, essencialmente, multiétnico. Dezenas de etnias e culturas convivem em uma área de um pouco mais de duzentos mil quilômetros quadrados, menor do que o estado de São Paulo. Obteve sua independência da França em 1948. A excessão de Vientiene, capital administrativa, e Luang Prabang, capital religiosa e principal destino turístico do país, impossível encontrar vinhos, queijos ou qualquer excesso de certezas nas casas construídas essencialmente de bambu, madeira e palha. Pelas vilas e comunidades do caminho, armas artesanais, pantalonas enormes e coloridas, cachimbos de ópio e uma hospitalidade proporcional à beleza.

Desapego. Entender que tudo aquilo que vivemos não poderia ser transportado em nenhum alforje. Que a vida era tão imensa que não cabia. Que o mundo, gigante, era possível e desejado com uma força maior que a que nos levaria de volta. 

Atravessamos o país no sentido leste oeste, sempre pelo norte e margeando a fronteira com a China. Estabelecemos um ritmo constante, pedalando pela manhã e depois das duas da tarde, comendo e descansando. Era difícil encontrar alguma coisa pra comer na beira da estrada. Os pequenos mercados vendiam apenas bolachas, salgadinhos industrializados e doces pra crianças. Sempre que podia a gente completava nosso estoque de frutas, sementes e pão.

O freio continuava me dando problemas. Em descidas muito inclinadas, geralmente com mais de 10% de angulação, empurrava a bicicleta. O calor castigava. O excesso de confiança fez com que não repusesse um pneu sobressalente que precisou ser usado. Não estouraria outra vez e se, seria fácil encontrar algum pelo caminho. Todos andavam de bicicleta. Andavam, não andam mais. E o óbvio aconteceu. No meio do nada, meu pneu explode. Faço um remendo com restos de uma câmara e silver tape. Perfeito. Resiste, no máximo, cinco quilômetros. Empurramos as bicicletas quase um dia inteiro até a cidade de Muang Khua. Nada de pneu. As bicicletas que ainda sobraram por aqui são aro 24.

Aproveitando a justificativa, decidimos seguir de barco até Luang Prabang, fora do nosso roteiro original. Digressão. Descemos o Rio Nan Ou até a improvável vila de Muong Ngoi, um paraíso acessível somente pela água. Alugamos uma cabana de frente para o rio por alguns dólares. Os moradores se banhavam nas margens todo final de tarde. Acompanhávamos a construção de uma imensa canoa de madeira. Lenta e cuidadosamente elaborada. Como a vida que seguia sem nenhuma pressa. Uma noite que se transformou em três ou até que todo nosso dinheiro acabou completamente.

Como não podia mais, seguimos de barco à procura de um caixa ATM e um pneu. Conseguimos encontrar ambos, sem muito esforço que não o muito dispendido para chegar até lá, em Luang Prabang, a mais visitada cidade do país. Um fluxo constante de turistas de todo mundo garante uma oferta diferenciada de produtos e serviços. Sotaques franceses nos queijos e nos restaurantes. A cidade conta com dezenas de templos incríveis e durante todas as manhãs, antes do sol nascer às margens do Mekong, centenas de monges vestidos de laranja caminham pela rua em busca de doações de comida. Procissão. Os moradores e turistas esperam nas calçadas e oferecem arroz e frutas. Acompanhamos o ritual três vezes, dos sete dias em que ficamos na cidade.

Apesar de linda e imperdível, Luang Prabang é uma ilha, diferente de todo o resto do país. Algumas vezes, cenográfica demais. Pneus substituídos e de sobra, voltamos para o ponto onde nosso pneu tinha furado e seguimos em frente sentido Tailândia. Muitas estradas em reforma, especialmente ao redor de Undomxai, principal cruzamento das estradas que vem do sul com as que atravessam o país vindo do leste. Uma pequena rede de comércios e oficinas foi montada para atender aos caminhões, sobretudo chineses. Algumas boates suspeitas cobrariam caro por um quarto vazio. Dormir sozinho ou chegar acompanhado não parecia uma ideia corriqueira.

Quanto mais nos afastávamos do cruzamento, mais o verdadeiro Laos reaparecia nas casas e na simplicidade. A terra fazia aquele monte de concreto e cimento chinês ficar ainda mais feio. Os sorrisos voltavam plenos. Tudo parecia mais macio. O barulho dos caminhões desapareceu e foi sendo substituído pelas saudações entusiasmadas e a gritaria das crianças que nos cercavam assim que parávamos as bicicletas. Em Luang Nantha, aproveitamos para visitar as tribos Akha, povo que vive nas montanhas e é conhecido pelo artesanato em metal, prata, pelos tecidos e pelo consumo do ópio. Apesar de proibido, mesmo nas comunidades tradicionais, o derivado mais charmoso da papoula ainda é bastante popular. Assim como grande parte dos problemas por aqui, o comércio e uso recreativo da droga passou a significar um problema quando os Estados Unidos da América do Norte (que não são os mexicanos e os canadenses) passou a incentivar a plantação e o consumo em larga escala para abastecer seus soldados na guerra do Vietnã. Caos instaurado, a guerra terminada e, de sobra, o excesso e a proibição. E outros crimes que não os da guerra.

Atravessamos o parque nacional de Nan Ha (lar dos últimos tigres livres do Laos) e chegamos em Huax Xai, na margem do rio Mekong. Do outro lado, a Tailândia. Da janela do quarto, outro país. O Mekong e toda sua mística. Do lado oposto, um templo no alto de uma escadaria. Budista. Comunista. Aspirantes a monges, de túnicas laranjas, varriam as folhas da entrada. Não lembrava a dureza dos templos chineses, Confúcio. Era leve, cheio de desenhos coloridos nas paredes. Fiquei um tempo sentado na escada. Um dos meninos puxou conversa. Precisava treinar o inglês. Tinha quinze anos. Há três vivia no mosteiro. Sonhava fazer administração em Vientane, capital. E conhecer Nova Iorque. Conversamos durante uma hora. Contei sobre o Brasil. Ele sobre seus sonhos. Nova Iorque nunca pareceu tão sem graça. Não merecia aqueles olhos.

A outra margem

Já não se pode mais atravessar a fronteira entre os dois países pelo rio, como há algum tempo atrás. Uma ponte fora construída há alguns quilômetros da cidade e centralizava os trâmites burocráticos. Brasileiros não precisam de visto para entrar na Tailândia. O concreto dava suas caras em todos os seus significados. Não pudemos atravessar a ponte de bicicleta. Precisamos desmontar tudo e colocar dentro de um ônibus pago, que percorria menos de dois quilômetros até a imigração do outro lado do rio. Insisti demais para seguir pedalando e quase acabei preso.

As estradas da Tailândia são bem diferentes do vizinho, largas, acostamento e mãos no sentido contrário. Apesar de ser o único país da Indochina que nunca fora colonizado, sofre grande influência da cultura inglesa. As bandeiras do partido comunista são substituídas, proporcionalmente, por grandes propagandas do Rei Bhumibol Adulyadej, nascido nos Estados Unidos e cujo nome tem o emblemático significado de Força do Incomparável Poder da Terra. Monarca a mais tempo no poder na história moderna, assumiu o trono em 1946, ainda aparece nas fotos jovem, fotografando, cuidando dos cachorros ou praticando algum esporte. Intercalando as poses reais, os templos coloridos e exuberantes do Budismo Theravata, a mais antiga das escolas budistas, religião oficial do país. As mesmas cores do rei. É inacreditável a quantidade de templos e mosteiros espalhados por todos os lugares.

A Tailândia é o mais rico dos países da península, de acordo com as regras um tanto quanto controversas da ONU. Há alguns meses atrás, Bangkok tinha sido nossa porta de entrada no oriente. Ficamos mais de uma semana na cidade tentando entender aquele emaranhado de cheiros e sons que ocupava todas as ruas. Só no último dia percebi o senhor que arrumava relógios na calçada em frente ao nosso albergue. Trabalhava com uma lupa. Precisão em meio ao caos aparente. E essa tinha sido a minha primeira impressão. Muitas camadas.

Meses depois, as primeiras camadas já não me impressionavam tanto quanto as que eu sabia existir por baixo daquele excesso. Já não me impressionava o fato de um dos maiores ídolos do país, um lutador de Muay Thay, ser uma lutadora e antigo monge budista. O norte era muito diferente do sul, bem mais calma. Algumas vezes me lembrava algumas cidades do litoral brasileiro, embora no lugar do mar, rio. A simpatia parecia concorrer com a do país vizinho.

Como era planejado, seguimos em direção a Chiang Mai. Quinhentos quilômetros em seis dias. Eu já não tinha mais freios. Nunca foram meu forte. Minhas sandálias se romperam de tanto atrito com o asfalto para tentar parar.

Nossa última noite foi em um pequeno chalé de madeira na beira de um lago. Anexo, um aconchegante restaurante. Pad Thai, tradicional macarrão tailandês com legumes e carne. Passamos a noite bebendo cerveja e jogando baralho. Não queria dormir. Qualquer silêncio me comovia. A verdade é que tudo era como um livro bom, que você quer chegar ao final sem que ele termine.

Montamos as bicicletas pela última vez. Penúltima. Prontos para partir, notamos que o pneu da bicicleta da Dreza estava furado. Pela primeira vez em toda a viagem. O meu furara dezenas. Desmontei tudo e coloquei uma câmara nova. Remendar aquele estrago me parecia desnecessário àquela altura do campeonato. Subimos e descemos muito até completar os 65 km que terminavam em Chiang Mai. Devagar. Paramos para comprar morangos. O sol parecia querer derreter tudo que estava ao seu alcance, inclusive ciclistas.

O sol já não incomodava mais quando chegamos. Passional confesso e irremediável, chorava sem parar. O sol se escondia vermelho, como só se vê no oriente. A cidade fervia. Dois quilômetros antes do centro, o pneu da Dreza fura outra vez. Esperamos até que ficasse totalmente murcho e depois empurramos as bicicletas com a roda arrastando no chão até encontrarmos um lugar para dormir. Definitivamente chegar não tinha, nem de longe, a mesma graça do caminho. Arrastamos. Um pequeno hotel chinês no centro da cidade. Um monte de turistas, novos hippies e restaurantes. Um americano barbudo que vivia há 40 anos na Dinamarca roncava em um sofá que ficava no mezanino. Antes mesmo de pagar os quatro dias que pretendíamos ficar no quarto, vendemos as duas bicicletas pela metade do preço que eu tinha pago.

Não consegui descolar os adesivos e bandeiras que se acumularam nos quadros durante todo aquele imenso e tão pouco tempo que dividimos nosso caminho. Se pudesse, as levaria de volta comigo para o Brasil. Vendê-las era um exercício e um aprendizado. Desapego. Entender que tudo aquilo que vivemos não poderia ser transportado em nenhum alforje. Que a vida era tão imensa que não cabia. Que o mundo, gigante, era possível e desejado com uma força maior que a que nos levaria de volta. Era preciso que se chegasse ao fim para recomeçar. Mesmo que o fim e o começo não façam o menor sentido por aqui. Tudo parte de uma mesma história. Todos os fins e todos os começos. E a nossa, agora, era enorme.

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