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Desenvolvimento social para uma mobilidade eficiente

Comportamentos sociais e boas ideias que surgem em Paris, na França, contrastam com o descaso e o despreparo do poder público e da sociedade porto-alegrense. Veja como isso afeta a mobilidade urbana.

Revista Bicicleta por Roberto Furtado
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01/02/2013
Desenvolvimento social para uma mobilidade eficiente
Foto: Raul B. Grossi

A globalização é um fenômeno que atinge a todos os segmentos comportamentais da sociedade, ou deveria atingir. Alguns modismos surgem em um determinado local, e em seguida explodem por aqui a milhares de quilômetros da origem. Como podemos seguir certas modinhas musicais ou comportamentais, e não seguir certos exemplos que hoje cansam de nos sugerir? É estranho pensar nesta “contaminação” de comportamentos com restrições para vantagens que a tal globalização oferece. O que difere cidadãos educados também permite presenciar atitudes que se destacam de forma positiva. No referencial, comparações servem para que possamos compreender onde erramos ou acertamos, e o que precisamos fazer para mudar. 

Durante um passeio rápido pela cidade de Porto Alegre, assim como em diversas cidades do Brasil, qualquer cidadão atento percebe a gravidade dos problemas que se acumulam e geram outras circunstâncias. Entre Porto Alegre e Paris fica a sugestão que é imprudente comparar! Aqui no Brasil são tantas as melhorias por ocorrer, e lá são tantas as questões a copiar. Não é a toa que a França é desenvolvida. Este perfil é resultado de uma educação, de uma formação, que pode sim estar ligada à história do país e uma grande preocupação em melhorar. A França não tem 500 anos como o Brasil, tampouco tantas questões sociais a serem resolvidas. Também é verdade que um país menor tem mais chances de se tornar equilibrado em assuntos diversos.

É fato que o assunto ciclovia, mobilidade urbana e sustentabilidade estejam sendo vistos como “batidos”, utilizados em dezenas de oportunidades por jornais, revistas e outros meios de comunicação. Ainda mais curioso é o fato de que nada mude com facilidade, mesmo sendo diversos os interessados “descontentes cidadãos fiscais” das ruas. Nós, cidadãos, pressionamos o sistema na busca da aceitação da bicicleta e nos deparamos com dificuldades diversas. As dificuldades começam pelo descaso e comodismo dos governos, e se estende pelas mesmas instituições com teimosia, falta de sensibilidade, e um relógio ponto que determina exatamente a hora que o responsável vai para casa. A cara feia para quem vai atrás de melhorias já é uma oferta de muitos departamentos públicos. Ao que parece, o funcionário de um órgão público responsável pela questão, ao ir para casa não usa as vias urbanas, talvez seja um sistema de “teletransporte” que impeça o mesmo de questionar a mobilidade e os problemas presentes em cada esquina. Ou quem sabe se a burocracia criada é tão enraizada que não há como fazer diferente? Algo esta errado, de qualquer maneira! 

Quantas vezes você parou em uma sinaleira e percebeu que a curva de retorno não respeitava uma lei básica da física? Assim vamos adiante, sinaleiras de pedestres a menos de 15 metros de uma esquina onde já há outra sinaleira. Isto acontece inúmeras vezes na perimetral mais atual da cidade de Porto Alegre, também em locais recentemente remodelados e modernizados. Aliás, uma perimetral sem espaço para ciclistas. Como pode ser concebível tal situação quando há lamentação de motoristas sobre os engarrafamentos diários, e logo em uma via tão vital para a cidade. Estes problemas não se restringem à capital gaúcha, até pioram em outras localidades. Falta estudo específico para quem planeja, falta vivência para quem executa, e falta educação para todos. Ao volante, todos esquecem que pedestres e ciclistas são seres humanos. O que parece, mais uma vez, é que a vida não tem valor! Torna-se cansativo bater na mesma tecla, o ativista da mobilidade fica esgotado por não ver mudanças significativas.

Os problemas relacionados à mobilidade urbana são tantos. Por onde começar? Não há como destacar tudo em uma única abordagem. Nesta nova ocasião, e de certa forma ligada ao assunto da mobilidade, seguimos em frente tentando gerar reflexões capazes de criar pequenas mudanças que deveriam partir de todos os cidadãos. Poderíamos começar pelos maus hábitos de motoristas e passageiros que jogam qualquer tipo de lixo pela janela do veículo, lembrando que isso acontece também com pedestres e ciclistas. Lixo que além de deixar a cidade feia, se acumula em bueiros causando transbordamento durante as chuvas, e novos agravantes dos engarrafamentos. Em Paris não é permitido jogar lixo nas vias, não é visto! Ações pequenas representadas por um pequeno papel de bala solto por um pedestre alimenta ações maiores, tais como garrafinhas pet soltas ao vento e desrespeito contra sinais fechados, faixas de pedestres, e até finas de ciclistas.

Os assuntos de desrespeito se misturam... Nasce de pequeno ou mau hábito, mas ele cresce. Como um menino, vai de xingamentos aos colegas, até que se bem alimentado, vira um adulto “vitimador” em potencial nas ruas, bastando que tenha um veículo para conduzir. É a tal da banalização das ações negativas! Se em Paris não é permitido jogar papel nas ruas, quanto mais há de boas maneiras para se notar e seguir? Eis que surge o valor da globalização. Em Paris, quando não existe bicicletário, qualquer poste ou grade logo vira estacionamento de bicicletas, bastando que seja firme. Em Porto Alegre, corre-se o risco de ter a bicicleta recolhida pela prefeitura. A cidade brasileira tenta ser exemplo, mas não oferece bicicletários e ainda impede a fixação da bicicleta em locais públicos. 

As diferenças não param por aí. Ciclistas andam de forma adequada pelas ruas, e são respeitados em Paris. No Brasil da copa de futebol, ciclista tenta passar até onde não tem espaço, também no sentido contrário das vias, ou sobre as calçadas. Em parte das vezes em que se visualiza um ciclista sobre o passeio de pedestre, nota-se que alguns nem tomam cuidado, tiram finas de pedestres, andam em alta velocidade, dentre outras aventuras que podem ser intituladas por malabarismos da calçada. Nesse caso, o ciclista deve desmontar da bicicleta e tornar-se um pedestre, como está o Código Brasileiro de Trânsito (CTB), um direito e dever que poucos conhecem. Fugir das regras pode parecer viável, mas para tudo há consequências. Desrespeitar leis pode não ter apenas o sentido de infringir um padrão estabelecido, pode significar gerar mais exemplos, ou até dar chance para o azar.

Porque não aproveitamos a onda de absorver tendências, tecnologias e questões comportamentais que a tal globalização permite com o poder da informação? Seria ótimo se todos fizessem como acontece em Paris e outras grandes cidades desenvolvidas. Ser uma nação desenvolvida não é possuir uma economia rica, mas sim ter cidadãos capazes de desempenhar um comportamento social exemplar, que não traga nenhum tipo de ônus para o meio comum. Estamos tentando ir para o caminho certo, mas para isto é preciso que as pessoas abram a mente. A resposta para os problemas da mobilidade é tão simples... Quanto ganharia a mobilidade urbana se todos agissem da melhor maneira, sem egoísmo, sem o tal jeitinho brasileiro de existir? O processo de aceitação pode parecer difícil, mas ele garantirá um efeito que se propaga, favorecendo o transporte público, a bicicleta, e até mesmo quem depende exclusivamente de veículos automotores por restrição de saúde, distância ou por tipo de trabalho. A mobilidade tem apenas um caminho, onde a educação está totalmente responsabilizada pelo desenvolvimento social. 

Nas opções: transporte público, bicicletas e motocicletas, automóveis, exatamente como agora, porém, com uma grande diferença do comportamento. A bicicleta é um caminho inevitável. E um dia, toda agressão contra uma bicicleta e seu condutor será vista como uma agressão contra a sociedade. Bicicleta não é brinquedo, nem aqui, e muito menos em Paris! Bicicleta é um meio de transporte!

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