REVISTA BICICLETA - Desdobrando Experiência
THE POWER OF THE PRO
Pneus Kenda

O Portal
da Bicicleta

Bicicleta Sense a partir de R$ 2.765,00!
Revista Bicicleta - Edição 67

Assine

Revista Física
Revista Virtual



+bicicleta - Mobilidade

Desdobrando Experiência

Revista Bicicleta por Fabio Tux
38.615 visualizações
28/09/2013
Desdobrando Experiência
Foto: Fabio Tux

Nos últimos tempos, percebo que, mais do que simplesmente "hype", as bicicletas dobráveis estão ganhando um espaço bastante significativo nas ruas.

Hoje em dia não é mais novidade entrar no Metrô de São Paulo, por exemplo, e encontrar alguém com a sua dobrável num canto do vagão, ou ainda pedalar alguns quilômetros em um grande centro sem passar por algumas.

Gostaria de pontuar as várias coisas que eu tenho feito com a minha! Eu comprei minha dobrável em março de 2012 e de lá pra cá ela tem ganhado muito espaço no meu dia-a-dia. A promessa de versatilidade e agilidade tem sido colocada à prova desde os primeiros pedais e até o momento ela não decepcionou nem um pouquinho. E olha que eu "abuso" bastante!

Quando as dobráveis começaram a se popularizar, enxerguei nelas um enorme potencial para tornar o meu cotidiano mais simples, usando-a para deslocamentos urbanos e fazer pequenas compras de supermercado, coisas que fazia a pé ou de táxi. Apesar de possuir outras bicicletas (uma road, uma touring 700C e mais recentemente uma MTB 29er), achava bastante inconveniente me deslocar no meio da cidade com elas.
Os primeiros pedais foram basicamente na cidade, para visitar amigos, dar uma esticada nas pernas e ir me acostumando com a pilotagem.

O pedal urbano começou a me encantar. Conseguia agora me deslocar mais facilmente em um dia de tráfego pesado ou em ruas mais estreitas, sem medo de que fosse acertar algum retrovisor.

Com isso, fui integrando a dobrável aos meus pequenos trajetos (que antes fazia a pé). Uma ida ao supermercado, por exemplo, passou a ser algo bem mais prazeroso. Era só colocar um elástico e uma sacola de compras no bagageiro ou pegar uma pequena caixa de papelão no supermercado e "voilá". Se as compras fossem maiores, podia ir com meus alforjes de viagem.

Uma outra vantagem é a de não precisar deixar a bicicleta desprotegida. Se o supermercado não tiver um bicicletário, ou eu esquecer a tranca, basta dobrar e colocar a bike no carrinho de compras.

A coisa começou a escalar. Que tal ir ao trabalho mais frequentemente de bicicleta?

Meu percurso é de 23 km, algo bem maior do que a maioria dos paulistanos fazem (em média), mas não pensei duas vezes. Coloquei a dobrável pra girar e descobri que mesmo em dias de chuva, consigo me deslocar de casa para o trabalho de forma mais eficiente que o ônibus.

Em um dia sem trânsito pesado, meu percurso com o ônibus me toma 1 h 30 min. Em dias de chuva, até duas horas. Já com a bike, faça chuva, faça sol, com trânsito pesado ou em dia normal, demoro não mais do que uma hora. 

Parece bobagem, mas economizo uma hora por dia em deslocamentos. São nada mais nada menos que cinco horas a mais na semana! Isso significa que me sobram cinco horas na semana para fazer alguma coisa que não conseguia antes... Ler mais, por exemplo!

Além de conseguir ir para o trabalho, também realizei um desejo antigo: ir pela primeira fez à Bicicletada/SP. Havia tempos que tinha essa vontade, mas morando fora da cidade de São Paulo (Cotia/SP), era bem complicado. Com a facilidade de poder levá-la dobrada dentro do trem/metrô, poderia sair de Barueri/SP (onde trabalho) e me deslocar até a Av. Paulista sempre que quisesse! 

E foi justamente nessa Bicicletada que tive o prazer de conhecer a Michele Mamede. Ela, feliz proprietária de uma dobrável, já tinha feito cicloviagens e um Audax 200k em Rio das Ostras-RJ. Um bocado de conversa e ela acabou me convencendo a fazer o Audax 300k, também em Rio das Ostras-RJ.

Mesmo preocupado com a possibilidade de não conseguir (já que tinha rodado só curtas distâncias) acabei aceitando o desafio. Foi uma experiência e tanto, pois nunca poderia imaginar que uma bike relativamente simples pudesse vencer um desafio tão duro quando uma prova de longa distância.

Para ter uma ideia da agilidade e versatilidade da bike, os 300 km que tinham de ser percorridos em 20 horas, foram vencidas em 17 h 30 min. E foi assim que, com um pouco mais de um mês, a bicicleta de uso urbano duplicou a quilometragem rodada até então e ganhou status de "Randonneur". E no final da prova, a minha mente "cicloturística" aventou outra possibilidade de uso: cicloviagens.

É claro que, para tal uso, eu precisaria fazer algumas modificações...

Foi aí que iniciei um pequeno projeto de "adequação" da dobrável: troquei o bagageiro traseiro por um mais alto, afim de que fosse possível usar alforjes maiores, instalei um bagageiro dianteiro pra ajudar a compensar o excesso de peso na traseira e alterei a relação original, que era 13/28 7v para 11/32 8v.

As alterações me fizeram ganhar maior autonomia de carga (45L Alforje traseiro, 9L TopRack dianteiro e 12L Bolsa de Guidão), além de melhorar o giro, já que ganhei uma marcha mais leve (32T) e uma mais pesada (11T). Senti que agora era possível encarar uma cicloviagem sem sofrer!

A alteração me deixou animado, mas demorou um pouco até conseguir marcar uma Cicloviagem Intermodal: Guaratinguetá/Cunha/Paraty.

Sai de minha casa e pedalei até o Metrô Butantã, segui com a bike dobrada até o Metrô Tietê, embarquei num ônibus para Guaratinguetá e de lá segui (acompanhado pela queridíssima Verônica Mambrini) até Cunha e depois, finalmente até Paraty, passando pelo famoso trecho de estrada de terra, num dia chuvoso. Mais emoção, impossível. Foi uma viagem e tanto. Expor uma bicicleta de uso urbano a um ambiente como esse foi um desafio divertidíssimo.

É claro que tive de seguir com muita cautela, já que as rodinhas pequenas poderiam ser facilmente engolidas por qualquer buraco e me causar uma queda ou algum outro problema. De qualquer maneira, a bike se saiu muito bem. Melhor do que imaginava, inclusive.

De volta da viagem, quando imaginei que iria sossegar de alterações, descobri um blog de um casal que estava viajando com Bromptons (outro modelo de bicicleta dobrável): Path Less Pedaled.

Nesse blog, vi que eles usavam mochilas cargueiras presas ao bagageiro (original) da Brompton. Isso me inspirou a tentar fazer o mesmo. Consegui uma barra chata de alumínio, cortei em um comprimento que julguei adequado, reinstalei o bagageiro original e... Com essa nova configuração, fiz um ciclopasseio entre Guararema/Sabaúna/Mogi das Cruzes, também no esquema intermodal.

Essa configuração me fez dispensar o uso dos alforjes, dando preferência para a mochila, já que essa aí é a que uso no dia-a-dia. 

Chega de ficar trocando minhas "tralhas" da mochila para o alforje e vice-versa!

E se vocês acham que isso é tudo, tenho feito muito mais: Tenho ido ao shopping, ao cinema, a bares e até em festas com a dobrável. Ao que me parece, hoje não há onde ela não seja bem aceita!

Enfim...quase um ano de uso e mais de 2.500 km rodados, posso afirmar que as dobráveis são simplesmente fantásticas: uma bike que em um primeiro momento pode parecer frágil ou limitada, mostrou-se muito mais versátil do que se poderia imaginar. Minha vida ganhou muito mais agilidade, tranquilidade, saúde e diversão, tudo por conta de (mais) uma bicicleta!

No fim das contas, acho que só tenho uma coisa a reclamar: minhas outras bikes devem estar com ciúmes.

Curtiu esse post?

Quer receber mais conteúdo sobre bicicleta e ciclismo em sua casa? Então clique aqui conheça nossas ofertas de assinatura.

Comentários Facebook
Comentários
1 comentário.

Para postar seu comentário faça seu login abaixo.

E-mail
Senha

 

Cadastre-se Aqui | Esqueceu a senha?

joaozinho menininho

26/11/2013 às 11:29

Parabéns pelo Artigo na Revista Bicicleta. Li com atenção e tenho a mesma percepção sua sobre os deslocamentos com a bicicleta dobrável. Já vinha acompanhando seus pensamentos escritos através de listas de discussão na internet, e compactuo contigo em muitos raciocínios referente a aplicação das dobráveis.

Cicloabraços
JoãozinhoMenininho
Santo André-SP
Edições On-lineCadastre-se Esqueceu a senha?
E-mail
Senha
Vídeos

 

 

Para fechar o banner, clique aqui ou tecle Esc.

Revista Bicicleta 2012 © Todos os Direitos Reservados