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Demetra Onlus - Uma outra viagem é possível

Revista Bicicleta por Therbio Felipe Moraes Cezar
35.611 visualizações
22/01/2013
Demetra Onlus - Uma outra viagem é possível
Foto: Arquivo Demetra Onlus

“...Meu maior sonho é voltar a ser feliz viajando sobre uma bicicleta!” Estas foram as palavras que saíram da boca do menino Anderson, à época com nove anos, vítima de abuso sexual infantil. Cada uma destas palavras foram encontrar abrigo no coração da italiana Flavia Tavano, quando de uma visita a Fortaleza-CE. Desde 2006 lutando contra a violência de gênero e a pedofilia na Itália, a Associação Demetra Onlus empreende, hoje no território nacional, uma intensa e justificada campanha contra um dos aspectos mais sórdidos da sociedade contemporânea: o Turismo Sexual. E, para a surpresa de muitos, a associação não usa carros importados ou motocicletas possantes. Usa bicicletas para, quase que silenciosamente, chamar a atenção da comunidade para este grave dano ao presente e ao futuro de todos nós. Usa a bicicleta como meio de intervenção através do qual conseguem chegar às famílias, parte da origem do problema. Usam a bicicleta como meio de intervenção para, publicamente, pelas ruas e avenidas das cidades, sensibilizar a comunidade, outra parte da origem e universo do problema.

A tempo, explicamos que o Turismo é um dos maiores promotores de atratividade e paz entre os povos, e pode ser considerado o maior fenômeno cultural da modernidade, atingindo dimensões socioeconômicas, culturais, ambientais, políticas e filosóficas. Porém, são as escolhas dos viajantes que transformam esta experiência em algo a ser repudiado tanto quanto a guerra e a fome. As motivações por viajar são inúmeras, podendo decorrer de ordem afetiva, emocional, por motivos de trabalho, por expectativas culturais e de incremento intelectual, enfim. Ainda assim, existe um contingente assustador de viajantes que buscam explorar populações já sensibilizadas pela exclusão social, pela falta de perspectivas, pela fome, descaso público e, o que mais dói, pela debilidade da própria família em situação de risco.

O Brasil, notadamente o nordeste do país, tornou-se, ao passar dos anos, um dos mais procurados destinos do que se convencionou chamar de Turismo Sexual, e possivelmente, o continente europeu possa ser um dos maiores emissores de viajantes com este fim. Sem me esforçar muito, lembro-me das quatro décadas de propagandas dos destinos brasileiros mostrando gente suada, samba, bebida sem controle e corpos exuberantes de mulheres brasileiras quase que como uma prateleira de supermercado, como mercadorias à disposição de quem pagar mais.

Triste, ainda que oportuno, é lembrar que a EMBRATUR durante quase quarenta anos usou este apelo na promoção turística nacional, o que foi copiado de maneira medíocre por muitos empresários do ramo hoteleiro, que ao expor as imagens de seus hotéis, junto à piscina, invariavelmente colocavam a imagem de lindas moças em trajes sumários, em grande parte, negras ou mulatas, apelando mais ainda para o exotismo. Ora, sejamos práticos e honestos, não sejamos demagogos. Mulheres lindas existem em todos os cantos do mundo, porque as mulheres são lindas por essência, indistintamente, contudo, fazer uso de sua imagem de forma sedutora associada a produtos e serviços é o pior e mais baixo nível de marketing conhecido, se é que ainda assim possa se chamar de marketing. Ainda bem que o Ministério do Turismo buscou eliminar este tipo de prática nada profissional de tratar o Turismo junto à comunidade receptora e ao turista.

E os dados, amigos da bicicleta, são de tirar o sono de qualquer um de nós. Segundo a Associação Demetra Onlus, as estatísticas internacionais revelam que a cada ano, pelo menos três milhões de homens partem para viagens de cunho sexual. Um terço desse contingente se dirige à América Latina em busca de crianças e adolescentes para atender aos seus objetivos sórdidos. Segundo a UNICEF, as vítimas da prostituição infantil chegam a 500 mil. Os italianos são os campeões desta forma de “turismo”, seguidos pelos alemães, franceses e espanhóis. A cada ano, estes “turistas” usurpam a dignidade de mulheres e crianças, constituindo este ato na mais suja e infame forma de “cooperação internacional”.  

Através da FIAB (Federação Italiana de Amigos da Bicicleta), a Associação Demetra Onlus tem desenvolvido intervenções em diferentes esferas, dentro e fora da Itália, reconhecidamente um dos principais países causadores deste danoso fenômeno. Existe “um grito de cada criança vítima de abuso e violência, ainda que silencioso e sufocado” tentando ser ouvido e ganhar amplitude através das ações da Demetra Onlus. Várias são as organizações que têm manifestado apoio irrestrito tanto à causa quanto às manifestações em prol de mudanças de comportamento, seja na família, na escola, na comunidade, na cidade, no estado, na iniciativa privada, entre outros. Dentre estas organizações estão a Mesa Técnica Regional Contra a Violência de Gênero de Palermo – Itália, a Universidade de Catania e Procuradoria Geral do Tribunal de Catania – Itália, além da ECPAT International, que é uma rede global de organizações e indivíduos que trabalham juntos para afastar a criança do espéctro da prostituição, pornografia infantil e do tráfico de crianças, notadamente, para fins sexuais.

A Demetra Onlus tem realizado atividades sócio-assistenciais no tocante a dar e ser suporte para que o indivíduo molestado possa sair da condição de vítima de violência. Além disto, oferece tutela às mulheres e crianças que tenham sido submetidas a maus tratamentos no ambiente familiar ou na sociedade incluindo o ambiente de trabalho, também focando no adulto que fora vítima de violência na infância. A associação se vale de estratégias pedagógicas para alcançar as famílias em situação de risco, realizando percursos formativos que esclareçam as formas de fazer contraponto a este insidioso e perverso movimento que vitima não só à criança, mas à família e à comunidade, em suma, a vida. Essa assistência interventora se dá mediante solicitação feita pelos atingidos, a fim de prestar-lhes serviços como acolhimento telefônico, garantia do anonimato e da privacidade, consultoria legal, psicológica, sócio-relacional, hospitalidade em casas- refúgio ou casas de proteção, além de acompanhamento nos serviços territoriais e nos laboratórios de educação à cidadania.

Um dos motivos da escolha por realizar inicialmente os projetos em Fortaleza - CE se deve ao fato de que, em menos de dois anos, a capital será uma das sedes da Copa do Mundo FIFA, e muitos especialistas acusam que este período será de grande procura por esta forma degradante de “turismo” na referida região, dado os baixíssimos índices de condições de vida a que grande parte da população está submetida. Nas palavras da Associação, o objetivo principal é o de “levar à sensibilização os atores sociais, as agências de viagens que alimentam esse tráfico ilícito utilizando subterfúgios para-legais e, além disso, informar a coletividade a fim de que reconheça as características padrão de um homem perverso, intencionado a depredar a dignidade de um inocente”. E no âmbito das ações concretas, Demetra subsidia através de doações a duas entidades assistenciais da cidade de Fortaleza, possibilitando estender esta assistência às comunidades locais onde a prática de vender um filho ou filha por um prato de arroz é comum, recorrente e encoberta até por organizações ditas legítimas.

Flavia Tavano
Presidente da Demetra Onlus
http://associazionedemetraonlus.com/
www.demetraonlus.com
associazionedemetraonlus@yahoo.it
skype: tavano.flavia
telefono mobile italia: +39 327-6621286
telefono mobile brasile: +55 85 9672-9591

Laura Aguiar
Coordenadora Demetra Onlus Brasil.
(21) 7919-2429 – Camboinhas – Niterói - RJ

Em 2012, Demetra Onlus promoveu marchas internacionais cicloturísticas organizadas tanto na Itália como no Brasil, nas cidades do Rio de Janeiro, Marcolândia (PI), Paraibano (MA), Fortaleza (CE), entre outras, e com isso, chamou a atenção das autoridades, mas principalmente, do cidadão comum que pode estar tão próximo desta realidade atroz e vir a tomar consciência de como blindar sua família.

Trata-se de uma luta constante, mas que deve ser travada com conhecimento de causa, preparação técnica, participação massiva da comunidade ciclística ou não, e o mais importante de tudo, muito amor. Um embate a favor da vida, a fim de que paremos com aquela frase demagoga de que as crianças são o futuro da humanidade, mas para que isto se torne realidade cabe a cada um de nós garantirmos-lhes um presente digno e que os prepare como seres humanos para a vida. Para que a cada dia, mais e mais crianças possam sonhar com suas bicicletas e zingrar com elas pelas cidades, praias e meio rural, como um das brincadeiras mais emocionantes presentes em uma infância feliz, segura e próspera. 

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