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De mãe para filhos

Um legado precioso: a educação esportiva, mudando a vida de jovens

Revista Bicicleta por Claudia Franco
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03/08/2013
De mãe para filhos
Foto: Catherine Yeulet

Heloísa Capellas aprendeu a andar de bicicleta aos 55 anos e em seguida levou a filhinha de sete anos para aprender a pedalar. Fátima Carvalho aprendeu a pedalar para acompanhar a filha que já pedalava com o pai. Alessandra Haddad, que já pedalava, começou a treinar para acompanhar o filho e incentivá-lo à prática esportiva.

Quando falamos em legado é inevitável pensar em bens materiais. Alguns pais até podem pensar que não tem nenhum legado para deixar a seus filhos. Mas o legado, popularmente, é também a expressão da transmissão de diversos bens intangíveis que podem incluir os hábitos e costumes de vida; o exemplo de vida cotidiana; o nome recebido dos pais; valores éticos e morais; o sangue que corre nas suas veias etc. O legado familiar pode ser definido como as influências ou consequências das escolhas que os pais fazem ou fizeram no decorrer da vida, cujos efeitos atingem diretamente a identidade, os relacionamentos e a herança das sucessivas gerações.

Um dos maiores legados que recebi sem dúvida alguma foi o incentivo à prática esportiva desde a tenra idade. O esporte tem a magia de integrar, sociabilizar e educar o indivíduo independente da classe social, raça ou religião.

A prática esportiva é um instrumento educacional que proporciona o desenvolvimento tanto individual quanto social da criança, pois desenvolve no indivíduo a capacidade de trabalhar em grupo, de conhecer o próprio limite, conhecer o próprio corpo.

Através do esporte o indivíduo se disciplina, aprende a cumprir horário, a ouvir o próximo, respeitar hierarquia e as diferenças. Aprende a cumprir regras, ser persistente, competir, romper limites: aprende a perder ou ganhar.

Esses aspectos e tantos outros são difíceis de serem exercitados e a prática esportiva insere todos estes aprendizados de forma lúdica, tornando o aprendizado mais fácil, mais prazeroso e muito mais rico, não impositivo e teórico.

O esporte é uma fonte inesgotável de conceitos éticos e morais importantíssimos para a formação do jovem. A ONU - Organização das Nações Unidas - observou que o esporte, mesmo tendo como princípio o desenvolvimento físico e da saúde, serve também para a aquisição de valores necessários para coesão social e mundial. O esporte amplia o campo experimental do indivíduo, cria obrigações, estimula a personalidade intelectual e física.

Preocupadas com o alto índice de sedentarismo entre os jovens e doenças que os acometem muito cedo, estas mães - Fátima, Heloísa e Alessandra - rapidamente foram em busca de se preparar e aprender para poderem servir como incentivo, companhia e exemplo para seus filhos. Mulheres sábias, cientes de que o esporte e tudo o que está inserido em seu bojo será o mais rico legado a deixar para suas futuras gerações.

Fátima é esportista, maratonista amadora, porém, não sabia andar de bicicleta e este era o seu maior sonho, pois queria acompanhar a filha Marina. O seu maior incentivo para perder o medo e montar em uma bicicleta era poder acompanhar a filha de 10 anos que já “pedala maravilhosamente” (palavras da mãe).

“Quando o meu marido chegou do Brasil Ride, em 2011, com o telefone de uma atleta que dava aula para mulheres, dei uma olhada no site dela, aí pensei: será essa a garota que vai me ajudar a vencer esta batalha? Fiz as aulas, superei o medo e a bicicleta de uma ilustre desconhecida se tornou minha amiga”, contou Fátima.

“Andar de bicicleta com Marina é uma sensação maravilhosa, parece que nos tornamos mais companheiras, pois como ela domina a bicicleta muito bem acaba me ajudando. Para as mães que ainda não sabem pedalar ou pedalam com dificuldade, aconselho procurarem orientação certa para vencer a batalha, pois o resultado final é um companheirismo e um compartilhamento de emoções e aventuras que só a bicicleta proporciona entre mãe e filhos”, finaliza Fátima.

Heloísa, ao completar 55 anos, resolveu que queria um novo marco em sua vida e queria deixar para seus filhos o exemplo e a prática do movimento. Veja o que ela nos contou. “Quando fiz 55 anos decidi que o movimento, a partir desse novo momento da minha vida, seria fundamental. Empolguei-me com a ideia da velhice saudável. Andar de bicicleta sempre foi um desejo quando criança, porém, não tive chances. Senti muita falta da bicicleta quando minhas filhas mais velhas eram pequenas. Ela me fez muita, mas muita falta mesmo, tanto que nenhuma delas quis aprender. Hoje tenho uma filhinha caçula de quase sete anos e quero muito poder passear pelo parque com ela: porque não de bicicleta?”

“Bem, juntou a fome com a vontade de comer. Quero romper barreiras do passado, superar limites, fazer algo pela minha saúde e aproveitar a infância da Eduarda com alegria e movimento. Para conviver com a bike preciso ainda de ajuda, pois o medo ainda me acompanha e às vezes me paralisa, porém, ver a Duda tirar as rodinhas da sua bicicleta e pedalar com entusiasmo me faz acreditar que tomei uma boa decisão. Tenho uma professora que além de encantadora é muito competente e de muita paciência. Assim, vamos eu e Duda compartilhando nossos medos, nossas vitórias, nossos passeios e nossas pedaladas”, ressalta Heloísa.

“Fiquei mais perto dela. Ela se entusiasma em entender que estou ainda aprendendo e que ela é mais competente que eu e eu me orgulho quando a vejo fazer curvas destemidamente e sorrir envolvida com o seu próprio sucesso. A Eduarda vai crescer pedalando e eu envelhecerei fazendo isso entre outras coisas e o pedal nos ajudará a estarmos envolvidas num projeto comum e nossa amizade a cada pedalada ficará ainda mais forte”, finaliza Heloísa.

Alessandra tem um filho adolescente de 13 anos, o Lucas. Ela costumava pedalar muito com o seu parceiro e seu filho nos finais de semana. Findo o relacionamento, Alessandra percebeu que deveria continuar a prática do esporte junto de seu filho.

“Meu filho foi o melhor parceiro que pude encontrar. Não me agradava a ideia de finais de semana típicos em São Paulo que incluem muita televisão e shopping centers. Sabia que o contato com o esporte e a natureza faria muita diferença. Fiquei sabendo de um curso de dois professores através de um programa de televisão. Fiz a nossa inscrição (minha e do Lucas). O contato com os professores nos deram muito conforto e não paramos mais. Cada treino tem sido uma conquista! Agora já sentimos necessidade de criar maior intimidade com a bicicleta, os diferentes terrenos, e buscar desafios”, comenta Alessandra.

“Fazer um esporte de superação com o Lucas nos aproximou muito. Por ser adolescente, ele é mais ousado, tem menos medo e domina mais a bike do que eu. Ele me puxa e me incentiva a perder o medo. O nosso relacionamento melhorou muito, pois algumas verdades são ditas nos momentos de descontração. Outro dia eu não conseguia superar um obstáculo e ele me disse: 'Mãe, você consegue sim, só que como você é muito perfeccionista, acha que se não tiver fazendo com a técnica perfeitinha você não pula este galho. Esquece um pouco isto e vai em frente!' Imaginem um menino de 13 anos expressando tamanha verdade com tanta simplicidade no meio de um treino!”, complementa Alessandra.

Para todas as mães, principalmente para as que moram em São Paulo, cujos filhos são muito digitais, televisivos, sedentários e com pouquíssimo contato com a natureza, Alessandra alerta: “lembre-se que este estilo de vida leva a várias consequências, como o desconhecimento e desrespeito pela natureza, o ganho de peso, isolamento social, pouco contato entre mãe e filho, pois fica difícil para qualquer uma se colocar entre o filho e as diversas telas da vida dele, ( tv, playstation, ipad). A prática de um esporte em conjunto ajuda muito e reforça os elos sentimentais e de amizade da família. Eu e Lucas recomendamos esta experiência!”

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