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De bicicleta elétrica, todo dia

Algumas pessoas resolveram deixar o carro em casa

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15/01/2013
De bicicleta elétrica, todo dia
Foto: Divulgação

Desde novembro, o administrador de empresas Guilherme Petry, 31 anos, de São Paulo, vai ao trabalho de maneira diferente. Cansado de enfrentar o trânsito pesado entre Santa Cecília, onde mora, e a Av. Presidente Juscelino Kubitschek, ele passou a fazer o trajeto de 9 km pedalando uma bicicleta elétrica. “O trânsito está sempre congestionado, não há transporte público bom para fazer esse percurso, então optei pela bicicleta.” Segundo Guilherme, de carro ele levava uma hora para chegar. Usando metrô e trem, 1h15. “Agora gasto apenas meia hora.”

Guilherme anda à velocidade máxima de 25 km/h e faz caminho alternativo, por locais onde se sente mais seguro para trafegar. “Eu já vou com a roupa do trabalho, mas não me canso e nem chego suado, vou passeando.” Ele respeita as leis de trânsito e nunca se envolveu em acidente. “De maneira geral, os motoristas até respeitam as bicicletas.” A reação das pessoas ao vê-lo é bem positiva. “Tem gente em carro de luxo que para e quer conhecer a bicicleta.”

A bike de Guilherme pode ser usada como uma normal, pedalando sem ajuda do motor; no modo automático, em que não é preciso pedalar, mas que reduz a autonomia; ou com opção de pedal assistido, em que o motor atua e ele não precisa fazer força. Esse é o modo em que ele a usa, pois pode pedalar e economizar bateria, sem fazer esforço.

Dez quilos a menos

Outro adepto das pedaladas, o físico-químico Roberto Slepetys, 38, vai ao trabalho de bicicleta elétrica há um ano e meio. Morador da zona Norte de São Paulo, três dias por semana ela pedala 60 km para fazer o trajeto de ida e volta entre o Mandaqui e o Morumbi. Nos outros dias, vai de moto.

Ele abandonou o carro definitivamente. Foi uma opção consciente. Se hoje ele leva uma hora, de carro ele gastava 2h30. “Não é só determinação, mas tem custo-benefício também. Nesse período, eu perdi dez quilos de maneira agradável, uso o tempo de deslocamento para fazer ‘academia’. Sou hipertenso, e minha pressão arterial melhorou.”

Slepetys comprou as peças como motor, bateria de lítio e quadro, e as levou para uma bicicletaria, onde a bike foi montada. O resultado foi tão bom que ele não a abandona nem nos dias de chuva. “Quando chove uso roupa especial.”

“A cidade de São Paulo é inóspita para o ciclista, mas como o trânsito sempre está parado, a melhor opção é a bicicleta. Fica até mais fácil passar por outros lugares no fim do dia, sem ter de planejar onde deixar o carro.”

Mercado promissor

Segundo Pietro Erber, diretor-presidente da  ABVE (Associação Brasileira de Veículos Elétricos), a associação não tem estatísticas de vendas desses veículos e, como não são emplacados, não há registro desses números. “Estimo que haja de 5.000 a 10.000 no Brasil.”

De olho nessa oportunidade de mercado, o empresário Ricardo Uchoa montou uma loja em Perdizes, com 20 modelos de nove marcas. “Esse mercado era muito avançado na Ásia, estava crescendo na Europa, já existia alguma coisa no Rio de Janeiro e em Goiânia, mas em São Paulo era muito fraco”, analisa Uchoa.

A loja foi aberta em agosto, após período de testes na temporada de verão na Riviera de São Lourenço, em Bertioga (SP) e, segundo Uchoa, a aceitação foi muito boa, pois havia demanda reprimida. Hoje, as vendas variam de 10 a 30 unidades por mês e os preços vão de R$ 2.500 a R$ 17.000. “As mais procuradas se concentram na faixa de R$ 3.500 a R$ 4.000, são de alumínio, têm bateria de lítio e marchas.”

Segundo Uchoa, a maioria dos compradores tem mais de 30 anos, sendo 60% mulheres. “Cerca de 90% dos homens usam a bicicleta para trabalhar. As mulheres entre 35 e 45 anos também. As que estão na faixa de 50 a 60 anos compram a bike para fazer exercício.”

Ele explica que, entre as bicicletas elétricas, há um diferença fundamental. Algumas são pesadas e requerem continuamente o apoio do motor. Em outras, mais conhecidas como Pedelecs, a força principal deve vir do ciclista e o motor é apenas uma ajuda. Nesse caso, a bicicleta é bem mais leve. Alguns modelos possuem sistema de aceleração manual. Em outros, o acionamento do motor é chamado de PAS (Pedal Assistant System), e o motor é acionado a partir do pedal. Segundo ele, carregar a bateria é fácil, já que 90% das bicicletas têm o componente removível. “Ela vem com carregador, é só colocar na tomada e pronto. A recarga demora entre 4 e 6 horas.”

Ele calcula que, rodando 20 km todos os dias, o consumo de energia elétrica será de R$ 20 por mês. Há também despesas com desgaste, como freios e pneus. “Com peças de reposição e serviços, o usuário irá gastar de R$ 150 a R$ 200 por ano.”

Fabricantes

Em Goiânia, há um fabricante nacional, a Brazil Electric, que atua desde 2005 e tem 21 modelos. Segundo o proprietário, Marlos de Souza e Silva, são produzidos desde modelos mais simples, que custam R$ 1.890, até mais sofisticados e alguns experimentais, com 3.500 watts de potência e que atingem 120 km/h.

O piloto Pedro Queirolo comprou a E- Bike Comfort Extreme, da Brazil Electric. Em seu blog, ele conta que são impressionantes a aceleração e força do motor.  “A primeira marcha acelera até 40 km/h em poucos segundos e as demais desenvolvem mais 5 ou 6 km/h cada, chegando na sétima marcha numa velocidade de 70 a 80 km/h dependendo do peso do piloto, do vento e da pista."

Em São Paulo, há um fabricante ‘artesanal’. O serralheiro Jailton Silva, dono da Eletric Bike, no Bom Retiro, sonhava desde criança em fazer bicicletas com motor. O sonho se tornou realidade há 12 anos, quando ele fez a primeira bicicleta. “Fui aperfeiçoando, fiz quatro bicicletas, e a quinta ficou boa, a ponto de um amigo querer comprar. Aí comecei a vender.” Ele tem capacidade para produzir 50 unidades por mês, mas vende entre oito e dez.

Kasinski

A Kasinski também oferece bicicletas elétricas. Um dos destaques é a 3000, modelo mountain bike com bateria de íon de lítio e velocidade máxima de 25 km/h. Segundo a marca, a autonomia chega a 50 km. Possui câmbio de 21 marchas e freio a disco dianteiro e traseiro e custa entre R$ 3.500 e R$ 4.500.

Legislação

Segundo o Denatran, a resolução que regulamenta o tráfego de bicicletas elétricas em vigor é 375, que as equipara aos ciclomotores. Ela será alterada, mas ainda não há data prevista para a mudança. Em São Paulo, a CET estuda se o veículo se enquadra na categoria de bicicleta ou de motocicleta, que prevê curso teórico e prático de direção, carteira de habilitação e emplacamento.

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