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Da China a Portugal - Em memória a grandes navegadores

Revista Bicicleta por Anderson Ricardo Schörner
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23/01/2013
Da China a Portugal - Em memória a grandes navegadores
O desconhecido e os imprevistos do caminho causam medo e ansiedade, sentimentos que compuseram os dias dos grandes navegadores.
Foto: Eric Feng / Arquivo Pessoal

O chinês Eric Feng, 29 anos, vive em Kunming, capital da província de Yunnan, local de nascimento do almirante Zheng He, explorador marítimo da frota da dinastia chinesa Ming. A história de Zheng He influenciou Eric o tempo todo e despertou-lhe o interesse por grandes navegadores. Em 22 de abril de 2012 (o Dia Mundial da Terra), Eric decidiu empreender uma viagem de 15 mil quilômetros, desde Kunming, na China, até Lisboa, em Portugal, terra do também navegador Infante D. Henrique. Foram seis meses pedalando para unir a memória de duas figuras emblemáticas das grandes navegações, os exploradores preferidos de Eric.

Comandante Zheng

O Comandante chinês Zheng He nasceu em 1371. No livro "1421: O Ano em que a China Descobriu o Mundo", escrito pelo ex-comandante submarinista britânico Gavin Menzies e publicado em 2002, o autor descreve a teoria de que Zheng He comandou uma frota de 1.000 navios que teriam realizado diversas façanhas: contornado o Cabo da Boa Esperança depois de atravessar o Oceano Índico, cruzado o Oceano Atlântico desde a África Ocidental e passado pela costa da América do Sul, onde estiveram inclusive no Brasil. Seus argumentos são baseados em pesquisas e viagens que realizou em 120 países, percorrendo mais de 900 museus, bibliotecas e os principais portos marítimos do final da Idade Média. Outras teorias, na mesma linha de Gavin, apontam que os chineses deixaram até mesmo descendentes na América do Sul, afirmação que é sustentada pelo fato de alguns povos indígenas da região apresentarem uma doença genética asiática. A maioria dos historiadores, porém, não encontra base para essas afirmações e não as aceita como verdadeiras.

Infante D. Henrique

O Infante português Dom Henrique nasceu em 1394. É considerado impulsionador e uma das figuras mais importantes do início das Grandes Navegações, período marcado pela busca, por parte dos europeus, principalmente portugueses e espanhóis, de uma nova rota para chegar às Índias e por novas terras que pudessem dominar. Com apenas 20 anos, Dom Henrique convenceu seu pai, o rei Dom João I, a montar acampamento para conquistar Ceuta, na costa norte-africana, junto ao estreito de Gibraltar. Ele recebeu os títulos de Senhor da Covilhã e Duque de Viseu quando a cidade foi conquistada, um ano depois. Dom Henrique também comandou conquistas no Oceânico Atlântico, onde descobriu e regeu a povoação das primeiras Ilhas dos Açores. Da época do Infante também constam outras façanhas portuguesas, como quando Gil Eanes dobrou o temido Cabo Bojador, ao sul, de onde, segundo as lendas, era impossível voltar com vida. Infante D. Henrique dedicou toda a sua vida para Portugal e para o projeto de navegação que resultou em grandes descobertas.

O projeto de Eric

Seis séculos atrás, Zheng He e D. Henrique foram pioneiros ao darem suas vidas para conectar o mundo, através das grandes navegações na chamada Era dos Descobrimentos. Hoje, a globalização que permite que nós, aqui no Brasil, conversemos com Eric, na China, em tempo real, e permite a ele compartilhar conosco suas fotos e experiências nessa grande aventura, são o maior reflexo do que desejaram os corajosos comandantes do século XV.

A paixão pelos grandes navegadores e por grandes aventuras levou Eric a escolher a bicicleta para fazer a viagem. Foram três anos preparando o projeto, que chamou de "Life Cycles". No percurso, o chinês também ressaltou assuntos correlacionados à bicicleta, como proteção ambiental, desenvolvimento sustentável, utilização de energia renovável etc. Também buscou registrar os costumes e cultura das pessoas que moram ao longo do caminho que percorreu, e os problemas e carências enfrentados em cada região. Em um mundo global e conectado, as dificuldades de uma população devem ser motivo de preocupação de todos, especialmente no que diz respeito aos recursos naturais.

Dessa forma, Eric conheceu realidades tristes, mas também soluções inteligentes. Ele afirmou: "vi muito lixo deixado por viajantes, motoristas e residentes pela estrada e no rio, no Tibete, Xinjiang e na Europa. Garrafas e sacos plásticos, caixas de papel, garrafas de vidro, peças de caminhões, latas de refrigerante etc. Por outro lado, vi alguns casos de uso de energia eólica e energia solar na China, Estônia, Alemanha, França e Portugal".

Saindo de Kunming, no sul da China, ele passou por Rússia, Estônia, Letônia, Lituânia, Polônia, Alemanha, França e Espanha, para finalmente entrar em terras portuguesas. Depois de 15 mil quilômetros, ao chegar a Sines, ele teve sua bicicleta roubada. "Infelizmente aconteceu isso, mas alguns amigos portugueses me ajudaram, emprestando uma bicicleta para chegar a Cabo da Roca", disse Eric, que já está em casa, novamente - sem a sua bicicleta. "Fiz uma queixa na polícia e me deram um documento. Tenho-o em mãos, mas não tenho a bicicleta", queixou-se. Com a bicicleta emprestada, Eric chegou ao destino que havia estipulado, o Cabo da Roca, o ponto mais ocidental do continente europeu, em conjunto com um grupo de novos amigos cicloturistas. Ao fim da aventura, Eric se diz satisfeito com a homenagem que pôde prestar aos dois navegadores. "Foi a realização de um sonho. Uma viagem maravilhosa e uma verdadeira experiência de vida", afirmou. 

O desconhecido e os imprevistos do caminho causam medo e ansiedade, sentimentos que compuseram os dias dos grandes navegadores de outros tempos e que também estiveram presentes na jornada ciclística de Eric. Mas a coragem e a sede de conhecer coisas novas, viver experiências únicas, fazer o que se considera impossível, levou-os às grandes conquistas.

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